Disserta Ao m Rcia Maria Martins Parreiras Fleck

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    Mrcia Maria Martins Parreiras

    LUDWIK FLECK E A HISTORIOGRAFIA DA CINCIA

    diagnstico de um estilo de pensamento segundo as Cincias

    da Vida

    Dissertao apresentada ao Programa dePs-graduao em Histria da Universidade

    Federal de Minas Gerais, como requisitoparcial obteno do ttulo de Mestre emHistria.

    Linha de pesquisa: Cincia e Cultura naHistria

    Orientador:Prof. Dr. Mauro Lcio Leito CondUniversidade Federal de Minas Gerais

    Belo Horizonte

    Faculdade de Filosofia e Cincias Humanas da UFMG

    2006

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    Dissertao defendida e aprovada, em 05 de dezembro de 2006, pela banca

    examinadora constituda pelos professores:

    ______________________________________________________________

    Prof. Ms. Ricardo Fenatti

    ______________________________________________________________

    Prof. Dr. Jos Carlos Reis

    ______________________________________________________________

    Prof. Dr. Mauro Lcio Leito Cond - Orientador

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    Dedico esse trabalho a minha querida famlia Parreiras

    Sonia, Expedito, Patrcia e Elaine.

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    AGRADECIMENTOS

    Gostaria inicialmente de agradecer a meus pais, Expedito e Snia, por

    estarem juntos comigo incondicionalmente, tanto nos perodos de tranqilidade e

    principalmente naqueles bem difceis ao longo desse tempo. Pelo mesmo motivo,

    agradeo a minhas queridas irms, Patrcia e Elaine, um equilbrio bom em minha vida:

    Paty, firme e objetiva; Nane, prestativa e carinhosa.

    Agradeo ainda s professoras que contriburam com seu exemplo

    profissional e pessoal em minha formao, com as quais, hoje, felizmente, mantenho

    uma especial relao de admirao, carinho e amizade, sendo elas: Ana Cristina Ribeiro

    Vaz Rezende (Centro Pedaggico da UFMG), Iria Melgao (Centro Pedaggico da

    UFMG) e Rosilene Siray Bicalho (COLTEC /UFMG).

    Meu muito obrigada tambm ao grupo de professores da segunda turma do

    Curso de Especializao em Histria da Cincia, em especial, Betnia Figueiredo,

    Bernardo Jefferson, Jos Carlos Reis, Ricardo Fenatti e Regina Horta, os quais

    contriburam para que eu comeasse a perceber e a questionar mais sistematicamente

    meu prprio posicionamento frente Cincia. Como parte dessa equipe e em

    especialssimo lugar, agradeo ao professor Mauro Lcio Leito Cond, por seu

    profissionalismo, coerncia, amizade, ensino. Sobretudo, obrigada pela oportunidade.Agradeo ainda professora e amiga Chinthya, por ser catalisadora dessa

    conquista; querida, sempre e fiel amiga Cidy; aos colegas da Escola Municipal Padre

    Henrique Brando; aos amigos de Alvo da Mocidade e da Comunidade Crist do

    Caminho, cujos nomes so muitos, muitos... obrigada por terem contribudo para que eu

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    alcanasse esse objetivo.Principalmente sou grata a Deus, Senhor de todas as coisas,

    pela graa em Jesus Cristo.

    Por fim, deixo minha gratido aos funcionrios do Departamento de

    Histria, particularmente, Walteir, Kelly, Magda e Alessandro. Obrigada ela educao,

    pacincia, bom humor, discrio e pela torcida silenciosa por ns os loucos, corajosos

    e, por no poucas vezes, desesperados, alunos da ps-graduao.

    Finalmente, gostaria de salientar que, assim como Ludwik Fleck, autor aqui

    analisado, considera que o desenvolvimento cientfico fundamentalmente elaborado

    mediante um esforo coletivo e histrico, essa dissertao, como exposto nas

    entrelinhas acima, tambm se constitui enquanto um produto assim caracterizado.

    Assim, refiro-me presena de uma coletividade e historicidade no s pelo

    fato desse trabalho ter-se constitudo como o resultado de esforos investigativos e

    reflexivos desenvolvidos na Academia, mas, caminhando para alm desse significado

    assumido por Fleck, fao aqui um paralelo com tais termos buscando explicitar que na

    ausncia das pessoas ento referidas, bem como das omitidas, ao longo de minha

    prpria histria, tal conquista jamais teria se concretizado. Sinceramente, meu muito

    obrigada a todos.

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    SUMRIO

    RESUMO .............................................................................................................i

    INTRODUO .................................................................................................01

    CAPTULO I

    SOBRE ARTEFATOS, REPIQUES E MEIOS DE CULTURA -UMA APRESENTAO DO CONTEDO E REPERCUSSO

    DA OBRA EPISTEMOLGICA DE LUDWIK FLECK

    1. CONSIDERAES INICIAIS ..........................................................................09

    2. FASES DE UM CTICO ...................................................................................14

    3. COMO EMERGE E SE DESENVOLVE UM FATO CIENTFICO ................183.1 Do anonimato dos anos trinta ao patriarca

    da sociologia da cincia nos anos oitenta ...........................................................18

    3.2 Estrutura e contedo da obra magna Fleckiana ............................................33

    3.2.1 O estilo de pensamento ..............................................................................39

    3.2.2 As comunidades de pensamento ...............................................................60

    4. OS FATOS CIENTFICOS ................................................................................75

    5. CONSIDERAES FINAIS ............................................................................ 80

    CAPTULO IIVIDA E PRINCIPAIS INTERFERNCIAS

    CONTEXTUAIS SOBRE O PENSAMENTO FLECKIANO

    1. CONSIDERAES INICIAIS ..........................................................................82

    2. PERCALOS, QUESTES E INSPIRAES DE LUDWIK FLECK ...........84

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    3. AESCOLA POLONESA DE FILOSOFIA E MEDICINA ..................................993.1. Autores relevantes e principais idias da

    Escola Polonesa de Filosofia e Medicina ........................................................105

    4. CONSIDERAES FINAIS ...........................................................................115

    CAPTULO III

    MICRBIOS, EVOLUO, IMUNOLOGIA E EPISTEME

    1. CONSIDERAES INICIAIS ........................................................................119

    2. INTERSEES ENTRE O FILSOFO E O CIENTISTA .............................1242.1 O papel da microbiologia e da imunologia sobre o pensamento fleckiano 124

    2.2 Relaes com o evolucionismo darwiniano ................................................135

    2.3As Influncias do Pensamento Mdico .......................................................152

    3. PARALELOS ENTRE AS CINCIAS DA VIDA E A FSICA COMOMODELOS HISTORIOGRFICOS ...............................................................157

    4. CONSIDERAES FINAIS ..........................................................................182

    CONCLUSO .......................................................................................................185

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ...............................................................190

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    INTRODUO

    A presente dissertao tem como objetivo principal, enquanto produto de

    um processo de estudos e investigaes do desenvolvimento da cincia, analisar a

    contribuio de Ludwik Fleck (1896-1961) para a historiografia da cincia. Esse autor

    proveniente das Cincias da Vida, assim, verifica-se as particularidades de seu olhar

    historiogrfico a partir de tal matriz. Pergunta-se quais possibilidades distintas e mais

    adequadas para compreenso da cincia ele oferece quando comparado com um modelo

    j estabelecido de longa data, isto , o kuhniano, proveniente da Fsica.

    Meu interesse especfico por anlises em histria e filosofia da cincia

    surgiu paulatinamente ao longo de minha formao acadmica. Inicialmente, enquanto

    graduada em Cincias Biolgicas, embora no tivesse clareza da perspectiva filosfica

    que assumia, o Neopositivismo configurava-se para mim como o nico modelo

    possvel, sendo reforado implicitamente ao longo do curso.

    Circunstancialmente, entretanto, ao participar de grupos de estudo e

    pesquisa relacionados ao ensino de cincia1 e, posteriormente, historia da cincia,2

    ocorreu-me a oportunidade de desenvolver um contato com outras abordagens,

    perspectivas e interpretaes sobre o desenvolvimento cientfico, surpreendendo-me em

    particular aquelas abordagens que elaboravam uma leitura da cincia enquanto um

    empreendimento histrico e permeado por fatores psicolgicos e sociais, pois

    evidenciaram o quanto as percepes por mim assumidas configuravam-se

    1 Enquanto aluna do Curso de Especializao em Ensino de Cincia FAE/UFMG durante o perodo de1999 a 2000.2 Enquanto aluna do Curso de Especializao em Histria da Cincia FAFICH/UFMG durante o perodode 2003.

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    descomedidamente ingnuas e incoerentes, ao considerar a cincia como neutra,

    inequvoca, anacrnica e positiva.3

    Avanando em ta