dissertação sobre kant

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UFSM

Dissertao de Mestrado

NATUREZA E PAPEL DOS ESQUEMAS DOS CONCEITOS PUROS DO ENTENDIMENTO, NA CRTICA DA RAZO PURA

Marcele Ester Klein Hentz

PPGF

Santa Maria, RS, Brasil

2005

NATUREZA E PAPEL DOS ESQUEMAS DOS CONCEITOS PUROS DO ENTENDIMENTO, NA CRTICA DA RAZO PURApor Marcele Ester Klein Hentz

Dissertao apresentada ao Curso de Mestrado do Programa de Ps-Graduao em Filosofia da Universidade Federal de Santa Maria (RS) como requisito

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NATUREZA E PAPEL DOS ESQUEMAS DOS CONCEITOS PUROS DO ENTENDIMENTO, NA CRTICA DA RAZO PURApor Marcele Ester Klein Hentz

Dissertao apresentada ao Curso de Mestrado do Programa de Ps-Graduao em Filosofia da Universidade Federal de Santa Maria (RS) como requisito

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AGRADECIMENTOS

Ao Prof. Dr. Rbson Ramos dos Reis, por ter aceitado orientar a presente dissertao e por todos os ensinamentos e incentivos no decorrer de todo o processo acadmico que culminou neste trabalho. Ao Prof. Dr. Mrio Ariel Gonzlez Porta e Prof. Dr. Hans Christian Klotz participantes da banca de exame de dissertao pelas observaes feitas mesma. Ao Prof. Dr. Dirk Greimann, por cujo intermdio foram obtidos os artigos de Curtius e Zschocke. CAPES, pelo auxlio financeiro que viabilizou a realizao da pesquisa que resultou nesta dissertao. Ao Departamento de Filosofia e a todos aqueles que de uma forma ou de outra contribuiram para a realizao deste trabalho.

iv

SUMRIO

Agradecimentos....................................................................................... iv Sumrio .....................................................................................................v Resumo................................................................................................... vii Abstract ................................................................................................. viii

Introduo .................................................................................................1

1- Da necessidade de uma doutrina do esquematismo transcendental.......8 1.1- A tarefa do captulo do esquematismo frente deduo transcendental ....................................................................................9 1.2- O esquematismo e a doutrina transcendental da capacidade de julgar ........................................................................14 1.3- Os esquemas transcendentais e o problema da aplicao.................19 1.3.1- Homogeneidade e subsuno ........................................................20 1.3.2- Introduo da noo de esquema transcendental .......................22

2- A natureza dos esquemas transcendentais...........................................37 2.1- A investigao dos esquemas segundo a origem..............................38 2.1.1- Da necessidade de esquemas para os conceitos sensveis .............39 2.1.2- Os esquemas dos conceitos sensveis em geral .............................44 2.1.3- A caracterizao geral dos esquemas e as categorias ....................52 2.2- A natureza peculiar dos esquemas transcendentais ..........................56

v

2.2.1- Esquemas transcendentais como intuio pura determinada.........57 2.2.1.1- Consideraes sobre a apercepo transcendental .....................61 2.2.1.2- Apercepo e esquema...............................................................65 2.2.1.3- Esquema e condio de significado para as categorias ..............67

3- A relao entre categoria e esquema ...................................................73 3.1- Categoria pura, categoria esquematizada e esquema transcendental ................................................................74 3.1.1- Os juzos de esquema ................................................................85 3.1.2- A significatividade das categorias.................................................91 3.2-O esquema da categoria de causalidade ............................................97

Concluso..............................................................................................106

Bibliografia ...........................................................................................110

vi

RESUMO Dissertao de Mestrado Programa de Ps-Graduao em Filosofia Universidade Federal de Santa Maria, RS, Brasil NATUREZA E PAPEL DOS ESQUEMAS DOS CONCEITOS PUROS DO ENTENDIMENTO, NA CRTICA DA RAZO PURA Autora: Marcele Ester Klein Hentz Orientador: Prof. Dr. Rbson Ramos dos Reis Data e Local de Defesa: Santa Maria, 04 de maro de 2005 O objetivo deste trabalho tratar de forma reconstrutiva o captulo da Crtica da Razo Pura intitulado Do esquematismo dos conceitos puros do entendimento. Primeiramente, investiga-se o papel que os esquemas devem desempenhar, ficando claro que eles so responsveis pelo fornecimento das condies sensveis especficas para cada categoria em particular, tornando possvel a aplicao das mesmas a fenmenos. A discusso do papel dos esquemas transcendentais conduzir a uma segunda questo, a saber, qual a natureza destes esquemas. Como resultado, obtm-se que os esquemas transcendentais possuem uma natureza peculiar, distinta daquela que os esquemas de outros conceitos possuem. A natureza peculiar destes esquemas consiste em serem intuies puras determinadas. Na finalizao do trabalho trata-se de forma sumria a relao entre esquema e categoria, apontando que esta relao deve ser concebida fundamentalmente como uma relao de significado, onde o esquema fornece um significado real categoria, possibilitando um uso emprico da mesma com fins ao conhecimento objetivo. Como uma avaliao geral da problemtica do esquematismo chega-se concluso de que ao captulo do esquematismo corresponde de fato uma tarefa prpria, o que pode ser verificado pela literatura mais recente acerca do esquematismo. Por outro lado, no apenas a natureza dos esquemas transcendentais, mas tambm o tipo de relao que deve ser estabelecido entre categoria e esquema, dada a extrema dificuldade do texto, so questes para as quais a literatura ainda no chegou a um consenso.

vii

ABSTRACT Masters Thesis Programa de Ps-Graduao em Filosofia Universidade Federal de Santa Maria, RS, Brasil NATUREZA E PAPEL DOS ESQUEMAS DOS CONCEITOS PUROS DO ENTENDIMENTO, NA CRTICA DA RAZO PURA (Nature and role of the schemata of pure concepts of understanding, in Critique of Pure Reason) AUTHOR: MARCELE ESTER KLEIN HENTZ SUPERVISOR: PROF. DR. RBSON RAMOS DOS REIS Place and date of disputation: Santa Maria, March 04, 2005 The aim of this masters thesis is to treat in reconstructive form the chapter of Critique of Pure Reason entitled On schematism of pure concepts of understanding. First of all, one investigates the role that the schemata have to play, and that they are responsible for the furnishing of the sensible conditions especified for each category in particular, rendering possible the aplication of the said categories to phenomena. The discussion of the role of transcendental schemata will lead to a second question, namely, which the nature of these schemata is. As a result, one obtains that the transcendental schemata have a peculiar nature, disctint from the nature that the schemata of other concepts have. The peculiar nature of these schemata consists in being pure determined intuitions. At the end of the present thesis, one treats briefly the relationship between category and schema, showing that this relationship has to be conceived fundamentally as a relationship of meaning, in which the schema furnishes a real meaning to category, making possible an empirical employment of the same category in order to attain objective knowledge. As a general evaluation of the problem of schematism, one reaches to the conclusion that the chapter of schematism corresponds in fact to a proper task, which can be examined through the most recent literature on schematism. On the other hand, not only the nature of the transcendental schemata, but as well as the kind of relationship that has to be established between category and schema, in view of the extreme difficulty of text text, are issues for which the literature has still not reached a consensus.viii

INTRODUO A questo fundamental tratada na Crtica da Razo Pura pode ser resumida na pergunta de como so possveis juzos sintticos a priori (B 19)1. Esta pergunta recebe resposta a partir de um exame da prpria razo em seu uso puro. Atravs deste exame, Kant identifica as duas fontes do conhecimento, a saber, Sensibilidade e Entendimento, analisadas, respectivamente, na Esttica Transcendental e Analtica Transcendental. A sensibilidade determinada como aquela faculdade a partir da qual temos acesso aos objetos por meio de intuies, enquanto que o entendimento a faculdade de onde brotam os conceitos a partir dos quais os objetos so pensados. Segundo Kant, ambos elementos, intuies e conceitos, so imprescindveis e somente pela reunio dos mesmos possvel o conhecimento atravs da formao de juzos. Em todas as cincias, o que as caracteriza a presena na sua base de um tipo particular de juzo, os juzos sintticos a priori. Estes juzos envolvem conceitos que no so derivados da experincia sensvel, as categorias, e, no entanto, devem referir-se a objetos de forma a priori. Dada a natureza destes conceitos, a possibilidade dos juzos sintticos a priori tomada como a questo central da Crtica. J na Introduo da Crtica (B 13), Kant se questiona acerca de uma incgnita X a qual deve ser responsvel pela conexo dos conceitos dos juzos sintticos a priori. No captulo do esquematismo esta incgnita ser reconhecida como o esquema

1

Immanuel Kant. Crtica da Razo Pura. A partir daqui as menes da Crtica sero feitas atravs da numerao do texto original, A para a primeira edio de 1781 e B para a segunda, de 1787. Os nmeros arbicos remetem ao texto propriamente dito enquanto que os nmeros romanos referemse ao