Dr. Omar Gabriel 169

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Entrevista

A Revista Dental Press de Ortodontia e Ortopedia Facial publica, com muito prazer, esta entrevista com o Prof. Omar Gabriel da Silva Filho. A opinio sempre segura do Prof. e sua constante contribuio para o desenvolvimento da ortodontia brasileira, abrilhantam essa edio. Dando aval para as decises de nosso Conselho Editorial e colaborando com a publicao de artigos, o professor Omar um dos nossos grandes colaboradores. Para o Prof. Leopoldino Capelozza, colega do Prof. Omar, em Bauru, imprescindvel ressaltar que O Professor Omar Gabriel da Silva Filho, entrevistado neste nmero da Revista Dental Press, um ortodontista mpar. Envolvido em muitas atividades, senhor do tempo, multiplica-o e as executa com brilhantismo. Membro de nossa equipe de clnica, pesquisa e ensino no HRAC (Hospital de Reabilitao de Anomalias Crnio-Faciais), tem contribudo de maneira decisiva para seu sucesso. Ainda muito jovem, um pesquisador de renome e com artigos que vo de bsicas lies a consistentes descries pesquisa. provavelmente o autor da Ortodontia brasileira que mais trabalhos publicou no exterior. Conhecedor da embriologia da face em normais e mal-formados, Mestre maior da ortodontia preventiva e interceptora, didtico ao extremo, oferece nesta entrevista mais uma oportunidade para aprendermos com suas lies.

Os infantes sculo XXI e terceiro milnio esto a, esperando por ns. Vamos viver uma nfima parte deles. Mas que seja uma vida gostosa, plena de prazer e com muitos sorrisos reconstrudos. Relembrando o argentino Borges: No h um homem que no seja um descobridor. Comea descobrindo o amargo, o salgado, o liso, o spero, as sete cores do arco-ris e as vinte e tantas letras do alfabeto. Passa pelos rostos, pelos mapas, pelos animais e pelos astros. Conclui pela dvida ou pela f e pela certeza quase total de sua prpria ignorncia.Omar Gabriel da Silva Filho

1) Quais os preceitos didticos mais importantes em sua aula? Jos Valladares Neto

Uma aula tem que ser objetiva, simples e sua elaborao deve obedecer um raciocnio linear capaz de conduzir a platia para o entendimento do tema em questo. Quando monto uma aula, preocupo-me em expor aquilo que eu gostaria de ouvir se estivesse do outro lado.2) Como conduzir o tratamento da m ocluso de Classe III suave a moderada (ou Classe I compensada) em indivduos mascu-

linos, portadores de padro esqueltico de Classe III, no estgio da dentadura permanente jovem (12 a 14 anos): ortopdico, camuflado ou cirrgico? Jos Valladares Neto

O padro facial de Classe III em paciente jovem (12 a 14 anos), sobretudo do sexo masculino, quando o crescimento facial estende-se por mais tempo, no est definido, principalmente se o diagnstico diferencial envolver prognatismo mandibular, com ou sem laterognatismo. Portanto, na ausncia de irregularidades dentrias que exijam interveno imediata, o mais coerente seria aguardar a maturidade esqueltica, quando ento a opo teraputica seria planejada com mais segurana. E a abordagem giraria em torno de duas possibilidades, a compensao dentria ou a descompensao visando a cirurgia ortogntica. Na dependncia, naturalmente, do grau de comprometimento esqueltico e no impacto psicossocial conseqente, e na possibilidade de manter ou mesmo aumentar a compensao dentria existente.3) Quando indicar os distalizadores fixos para a correo da m ocluso de Classe II? Jos Valladares Neto

A deciso teraputica para a correo da m ocluso de Classe III depende, primeiro, da face. A face soberana. Mas depende tambm do grau de compensao dentria, ou seja, da liberdade que o ortodontista tem para aumentar a compensao natural sem colocar em risco a sade e longevidade periodontal.

Uma coisa certa. No existe aparelho mecanicamente mais eficiente que o aparelho extrabucal (AEB) para distalizar molares, simtrica ou1

R Dental Press Ortodon Ortop Facial, Maring, v. 6, n. 2, p. 1-7, mar./abr. 2001

assimetricamente. A verdade que nenhum aparelho intrabucal consegue controlar to bem o centro de rotao durante a distalizao do molar, por um princpio lgico da fsica onde a reao da fora aplicada e a linha de ao da fora esto fora da boca. As caractersticas dos distalizadores intrabucais, as quais norteiam a sua indicao, residem em serem fixos, intrabucais e induzirem efeitos exclusivamente ortodnticos. Prefiro os distalizadores intrabucais para as distalizaes preferencialmente unilaterais e de pequena magnitude, em situaes onde o AEB pode comprometer negativamente a convexidade facial e diante da negativa do paciente em fazer uso do AEB.4) O avano ortopdico da mandbula com o aparelho de Herbst tem sido um recurso indicado para o tratamento da m ocluso de Classe II, com deficincia mandibular, durante a fase ativa de crescimento e, mais recentemente proposto por PANCHERZ, at em adultos jovens. Qual o seu efeito em humanos: induzir mudanas meramente posturais, associadas a movimentos dentrios compensatrios ou conseguir, de forma efetiva, alongar o comprimento mandibular? Jos Valladares Neto

pdico. Os estudos recentes com imagens da ATM (radiografia, tomografia e ressonncia eletromagntica) evidenciam a mudana operada na ATM como conseqncia do avano contnuo da mandbula, compatvel com a intensidade da agresso imposta. Essas imagens vm demonstrar a legitimidade do aparelho HERBST como modelador ortopdico. No entanto, nenhum pesquisador ousa discordar dos efeitos dento-alveolares provocados pelo aparelho HERBST, independentemente da ancoragem. O que quero dizer que as dvidas acadmicas surgidas com a ortopedia funcional dos maxilares, no tocante possibilidade de interferncia extra-gentica sobre a magnitude de crescimento mandibular, permanecem acesas. O que interessa a ns, clnicos, de fato, o impacto oclusal e facial que os aparelhos ditos ortopdicos promovem.5) Aps 15 anos frente do Curso de Aperfeioamento em Ortodontia Preventiva e Interceptiva da PROFIS (Centrinho USP/Bauru), qual a sua opinio sobre os resultados obtidos com o tratamento ortodntico/ ortopdico inter-ceptivo para as ms ocluses de Classe II, diviso 1? Flvio Mauro Ferrari Jnior

Para todos os efeitos, o aparelho HERBST tem sido usado com a pretenso explcita de corrigir a deficincia mandibular. E no deixa de ser uma proposta atraente pelos imperativos de cooperao e uso ininterrupto. Explica-se assim a ressuscitao deste aparelho ortopdico fixo como uma homenagem ortopedia europia, de passaporte alemo, no caso aquela praticada nos primeiros anos do sculo passado, antes mesmo da sedimentao da ortopedia funcional dos maxilares e da sagrao de nomes como Bimler, Frnkel, Schwarz, alm de tantos outros. Torna-se mesmo difcil identificar a paternidade do conceito orto-

Nestes 15 anos de existncia, experimentamos alguns protocolos de tratamento para a m ocluso de Classe II, sempre na busca de finalizaes perfeitas, com o menor grau de compensao dentria possvel. O protocolo inicial, com o uso exclusivo do AEB a partir do incio da dentadura mista, logo cedeu lugar ao protocolo com ortopedia funcional dos maxilares, seguindo a filosofia de Balters, tambm a partir do incio da dentadura mista. A expanso rpida da maxila, em estgio precoce da dentadura mista, seguido pelo uso da ortopedia funcional dos maxilares no estgio final da dentadura mista, em conformidade com o protocolo de tratamento sugerido por McNamara, passou a

dominar no tratamento das discrepncias de Classe II. Tantos protocolos de tratamento para uma m ocluso poderiam significar fracasso teraputico. De certa forma era o que acontecia. Os pacientes com m ocluso de Classe II acabavam submetendo-se a um tempo muito prolongado de tratamento, o que dificultava a finalizao. Mesmo o protocolo de McNamara no suscitava efeitos encorajadores. O que acontecia que na poca da instalao da ortopedia funcional, era de praxe ter que expandir novamente a maxila por causa da recidiva. Baseado nas experincias via de regra mal sucedidas, foi esboado um protocolo de tratamento postergando a instalao da ortopedia sagital para a poca da adolescncia (curva ascendente da adolescncia). A expanso transversal da maxila passou a ser indicada somente quando a atresia interferia na relao intra-arco. Hoje, procuramos obedecer dois protocolos de tratamento para a m ocluso Classe II: 1) tratamento na adolescncia com ortopedia funcional dos maxilares, optando pelo aparelho Bionator, e 2) antecipao da instalao da ortopedia sagital, com o aparelho fixo tipo HERBST, levando-se em considerao apenas a idade dentria - a partir do incio da dentadura mista. O protocolo de tratamento precoce institudo quando a relao custobenefcio se justifica.6) Qual a sua opinio sobre os resultados com anquilose intencional de caninos decduos como coadjuvante na trao reversa da maxila, no tratamento das ms ocluses de Classe III? Flvio Mauro Ferrari Jnior

A ancoragem biolgica, proporcionada pela anquilose intencional dos caninos decduos, com o propsito de intensificar a magnitude do deslocamento anterior da maxila durante o procedimento teraputico de trao reversa da maxila, no deixa de ser um procedimento de vanguarda que2

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vem sendo utilizado h pouco mais de 2 anos, no curso de Ortodontia Preventiva e Interceptiva da PROFIS. Do ponto de vista clnico, os resultados tm sido estimulantes. Mas, do ponto de vista cientfico, cedo para responder tal pergunta. Alm do mais, no temos casustica suficiente para uma avaliao dos resultados, uma vez que vrios fatores limitam sua indicao: 1) a incidncia de Classe III j reduzida, prxima de 3%, 2) a presena de retrognatismo maxilar, e 3) estgio de dentadura decdua ou incio da dentadura mista (preferencialmente, primeiro perodo transitrio), quando as razes dos caninos decduos ainda aparentam integridade. Pelo menos at o momento no tivemos nenhuma intercorrncia que justificasse o aborto de tal investimento teraputico.7)