Edição863.Tarde.Ano7 Oqueelesfazem aos Ó · PDF file O alarme toca quando...

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scaresConfisses. Da casa de banho, ao celeiro, passando por pedestais iluminados e aqurios com peixes, os galardoados destacam-se pela originalidade. P. 04 e 05

Veneno. OmedodomedoPrecisamos dele para no enlouquecer P. 02

Moda. Ocalorh-de chegarJ sonhamos com a praia. P. 06 e 07

pera.MozartparacrianasLugar garantido no palco e na plateia . P. 09

Cinema. HaverSangueEm busca do ouro negro. P. 12

Sexta-feira, 15deFevereirode2008 | Directora: Isabel StilwellEdio 863 . Tarde . Ano 7

Oqueelesfazemaos

www.02 6 Feira 15 de Fevereiro de 2008Destak.pt

Fomoseducadosparaprocurar razespara tudo.Disseram-nos quea superstio, e a irracionalidade eram sintomas de um estado ci-vilizacional inferior, e estimularam em cada um de ns o seu esp-rito cientfico: h sempre uma causa, o importante descobri-la. Ea causa tem que ser, diz esta educao cientfica, palpvel e visvel,comprovvel por um exame mdico ou uma anlise, qualquer coi-sa que pode ser demonstrvel e um mdico, de bata branca, capazde decifrar.Por isso quando estamos constipados, no nos deitamos na camaachcom mel, esperaque passe, mas perguntamo-nos incessan-temente se ser viral ou bacteriana, se passar apenas com umasgotas para o nariz, ou com antibitico, e por ai adiante, incapazesde darmos tempo ao tempo, e sobretudo de aceitarmos que acei-tar a realidade no sinal de fraqueza. Uf, no precisamos de es-tar sempre a lutar contra tudo, como se fossemos um D. Quixoteou um Sancho Panza.

Masenquanto os nossos sustos tm um objecto claro, a coisa atno vai mal. Incomda, chateia, mas no nos leva ao pior de todosos terrores: o medo do medo. O medo que, em midos, represen-tado pelo receio de que uma bruxa se tenha escondido no nossoquarto, e que hmedidaque crescemos, e nos envergonhamos dosmedos infantis, transformamos noutros, a que damos nomes maispomposos e tentamos encobrir. Esses so aqueles que nos atacamquando menos esperamos.

Averdade que somosmuitomais inteligentes do que ns prpriosnos imaginamos. E o nossos sistemainterno procurasempre, mes-mo que no lhe demos essa ordem, o equilbrio. Para consegui-lotem sistemas de alarme que dispara quando estamos em perigo,de forma a que possamos reagir e voltar a instalar o clima de pazinterior. O alarme toca quando enfrentamos um obstculo umleo de boca aberta, no caso de vivermos na selva, ou um assaltan-te, de faca na mo, do sculo XXI - e o corpo prepara-se para en-frentar o inimigo e, se necessrio, fugir. Mas o que s recentemen-te descobrimos que o alarme pode disparar sem razo aparen-te, e continuar a tocar, ensurdecendo-nos.

Quem jpassou porum ataque de pnico, ou por uma crise intensade ansiedade, sabe do que se est a falar. De repente, sado do na-da, sente-se o corao bater a cem hora, o peito aperta-se numasensao de falta de ar, e a cabea fica tonta e confusa, como seestivssemos prestes a perder a conscincia. Quando o primeiroataque de pnico acontece, a vtima vai mesmo parar ao hospital,

porque nada a convence que no est a sofrer um ataque de co-rao ou a morrer mesmo, e liga para o 112 com urgncia. E ai aprestao do mdico que atende o doente vai fazer todaadiferenapara o seu futuro.

Depois de eliminadas as causas fsicas, se o clnico se limita a des-cartar o doente com um diagnstico de ataque de pnico, juntan-do frase um ar de ligeiro desprezo, est tudo estragado. O doen-te, que se considera uma pessoa civilizada e racional, recusa o r-tulo, que lhe parece uma forma de o desclassificar: ento o homemest a dizer-me que sou um daqueles histricos/histricas, que sedeixa apoderar pelos nervos? E pnico porqu e de qu, SantoDeus, se ia na rua a ver montras descansado da vida, ou lia um li-vro em casa, no sossego dos anjos? Se ningum lhe conseguir ex-plicar que por razes que preciso apurar, mas que no tm queser necessariamente fsicas, o seu sistema interno reagiu de for-ma desproporcionada, vai tornar-se um hipocondraco assustado,aterrorizado com a possibilidade de um novo ataque, e ansioso pordescobrir uma causa fsica para o sucedido, multiplicando-se emanlises e exames que o descansem. Que nunca descansam por-que, vo dizer-lhe os mdicos, no tem nada. E quando no setem nada, porque, pensa o doente, me esto a dizer que isto tudo da minha cabea, ou seja esto a chamar-me louco.

Mas, ento, como que se explica racionalmente um ataque depnico? Dizem os especialistas que so precisas duas ordens deexplicaes. A primeira apresentar os sintomas em si: o crebrofoi enganado, precepcionou um perigo que no existia, e reagiuem conformidade. Enviou sangue para os msculos, para os pre-parar para a fuga, e ao tirar o oxignio da cabea para o mandarpara onde era mais necessrio, deixou a pessoa meia zonza, comaquela sensao horrvel de desmaio iminente. Embora a vtimase sinta a morrer, precisa de saber, que o corpo nunca cometeriasuicdio, e depressa retomar o seu normal funcionamento. Porisso, o doente pode ficar sossegado: o ataque insuportvel, masauto-limitado. A segunda maratona de explicaes, aquela quese destina a lev-lo a entender que o nosso tipo de vida, cheio destress, sentimentos reprimidos, raivas engolidas, produz dentrode ns monstros, como aqueles que se escondem debaixo da ca-ma das crianas. Simplesmente, montamos a guarda, no permi-tindo que nos ataquem, guardando os monstros de que nem temosbem conscincia, presos asete chaves. Simplemente mesmo o mel-hor vigilante tem momentos de distrao e hum diaem que deixaque o medo se solte e nos ataque. ai, entre duas linhas de um li-

vro de histrias, o medo salta, implacvel eo alarme toca, e toca, e toca. Enquanto a v-tima no aceitar que corpo e mente, e noapenas corpo, nada feito.

Cortarocicloviciosodomedodomedodifcil,mas fundamental. Consegue-se com ansio-lticos, e os portugueses so campees noseu uso, e outros medicamentos, que s fun-cionaro, no entanto, caso se procure a aju-dade um psicoterapeuta, que ajude adesco-brir onde est o erro na gesto das nossasvidas, o que recalcamos e nos faz to mal, oque metemos para dentro, sem sermos ca-pazes de enfrentar. S esse trabalho inte-rior, srio e empenhado, pode levar a voltara viver plenamente, mesmo que o medo domedo, fique sempre como uma sombraameaadora. Mas quem j passou por istotersempre umavantagem: sabe que maisforte do que ele, e deixa de ter receio de o ol-har nos olhos. E os medos olhados nos olhos,fogem.

Como ultrapassaro medo do medo

Destak

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Isabel Stilwell | directora

FIM-DE-SEMANA

Veneno

O pior de todos osterrores: o medo

do medo. O medo que,em midos,

representado peloreceio de que uma bruxase tenha escondido nonosso quarto, e que hmedida que crescemos,e nos envergonhamos

dos medos infantis,transformamos noutros,

a que damosnomes mais pomposos

e tentamosencobrir.

GETT

Y

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Destakwww. .pt04 6 Feira 15 de Fevereiro de 2008

Os galardoados mais famosos de Hollywood contam-lhe que destino de-ram estatueta que ganharam numa noite memorvel. Verdadeiras revelaes.

Onde vive o seu

Todos os anos, a Noite dos scares atrai atenesdo mundo inteiro. E, mais ou menos disfarada-mente, vamos vivendo aqueles momentos em queas estrelas mais fabulosas da tela sobem ao palcopara receber pelo menos uma daquelas estatuetasde ouro, que nos habituamos a reconhecer a mil-has, um scar. O galardo mximo que algum actorou actriz pretende atingir, e choram ou riem em ci-ma do microfone, agradecendo me ou ao pro-fessor de teatro, sem esquecer o realizador do filmeou o colega com que contracenaram. Durante se-manas vo-se dizendo graas sobre a inaptido ousageza dos discursos, e os mais observadores co-mentam os trapinhos com que este ou aquele seatreveram a desfilar. Do que no sabemos nada

do que vem depois. Onde que acabam estes pr-mios? Por cima da lareira, no quarto, nos penhores?Fomos perguntar aos premiados mais famosos, oque fizeram do seu scar. Venha connosco.

A maior parte das estrelas colocam a estatuetaganha num stio de onde se veja bem, habitual-mente na prateleira da sala, onde quem entra imediatamente obrigado a reconhec-la. H duas

razes para o fazerem: primeiro, mesmo nosdias mais tristes e cinzentos, recordam-se

imediatamente do prmio, que uma lenda,e da noite em que foram vistos por trs milmilhes de espectadores de televiso, ehomenageados pelos seus colegas; e se-gundo, todas as visitas tm o privilgiodo acesso directo a um scar genuno,de ouro macio. Conta-nos PeterOToo-le, que com 75 anos o feliz proprietrio

de um scar destinado a marcar uma car-reira preenchida, Nunca me canso de ol-

har para o meu scar na sala de estar. Olhopara ele embasbacado, de todas as vezes como

se fosse a primeira. Deixo as pesssoas mexerem-

TEXTODE BRUNO [email protected]

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