Emmanuel Kant - Iní ?· Lógica e Metafísica em Kant e Nietzsche Entrevista com Rogério Vaz Trapp…

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  • Emmanuel Kant

    Razo, liberdade, lgica e tica

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  • Universidade do Vale do Rio dos Sinos UNISINOS

    ReitorAloysio Bohnen, SJ

    Vice-reitorMarcelo Fernandes Aquino, SJ

    Instituto Humanitas Unisinos IHU

    DiretorIncio Neutzling, SJ

    Diretora AdjuntaHiliana Reis

    Gerente AdministrativoJacinto Schneider

    Cadernos IHU em formaoAno 1 N 2 2005

    ISSN 1807-7862

    EditorProf. Dr. Incio Neutzling, SJ Diretor do IHU Unisinos

    Conselho EditorialMS Drnis Corbellini IHU Unisinos

    Prof. MS Gilberto Antnio Faggion Economia UnisinosProfa. Dra. Hiliana Reis PPG de Comunicao UnisinosProf. MS Laurcio Neumann Cincias Humanas Unisinos

    MS Rosa Maria Serra Bavaresco IHU UnisinosProfa. MS Vera Regina Schmitz Cincias da Comunicao Unisinos

    Esp. Susana Maria Rocca Larrosa IHU Unisinos

    Responsvel TcnicoLaurcio Neumann

    Reviso Lngua PortuguesaMardil Friedrich Fabre

    Reviso DigitalCamila Padilha

    Projeto grfico e editorao eletrnicaRafael Tarcsio Forneck

    ImpressoImpressos Porto

    Universidade do Vale do Rio dos SinosInstituto Humanitas Unisinos

    Av. Unisinos, 950, 93022-000 So Leopoldo RS BrasilTel.: 51.5908223 Fax: 51.5908467

    www.ihu.unisinos.br

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  • Sumrio

    ApresentaoPor Adriano Naves de Brito................................................................................................... 4

    Emmanuel KantBiografia ............................................................................................................................... 8

    A Herana de Kant: A vinculao radical entre razo, liberdade e ticaEntrevista com Manfredo Arajo de Oliveira ......................................................................... 10

    Kant: um investigador aberto a todas as possibilidadesEntrevista com Guido Antnio de Almeida............................................................................ 13

    A pergunta de Kant ao PT: Estamos construindo instituies em que soberanias popula-

    res esto articuladas com os direitos humanos?Entrevista com Ricardo Terra ................................................................................................ 17

    Uma tica motivada pelo desejo de realizao da humanidadeEntrevista com Valrio Rohden ............................................................................................. 21

    Lgica e Metafsica em Kant e NietzscheEntrevista com Rogrio Vaz Trapp ........................................................................................ 23

    Kant entre os sentimentos, a razo e a barbriePor Adriano Naves de Brito.................................................................................................. 25

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  • Os Cadernos IHU em formao so uma publicao do Instituto Humanitas Unisinos IHU, que re-

    ne, num caderno, entrevistas e artigos sobre o mesmo tema, j divulgados no Boletim IHU On-Line.

    Deste modo, queremos facilitar a discusso na academia e fora dela, em torno de temas considerados

    de fronteira, relacionados com a tica, trabalho, teologia pblica, filosofia, poltica, economia, literatura,

    movimentos sociais, etc. que caracterizam o Instituto Humanitas Unisinos IHU.

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  • Apresentao

    O que h de contemporneo em Kant?

    Em 2004, o mundo acadmico comemorouo bicentenrio da morte de Emmanuel Kant. Afora do pensamento kantiano, atestada por suaduradoura e vasta influncia em diversas reasdas cincias humanas, teria sido justificativa sufi-ciente para se ter adornado a data com honrariase celebraes. As cerimnias que a data ensejouforam muitas, em diversos pases e de modo al-gum circunscritas ao ano que passou. Seguimos,na filosofia, sob a gide das homenagens a Kant.Uma das mais significativas ocorrer no Brasil emsetembro deste ano, como nos d conta ValrioRohden, presidente da Sociedade Kant Brasileira,em entrevista neste nmero dos Cadernos IHUem formao. No perodo, o pas receber, nocampus da USP, o X Congresso Kant Internacional,reunio de schollars de todo o mundo que debate-ro as entranhas da filosofia kantiana, mas terotambm a tarefa de mostrar que ela pode fornecera ns, homens do mundo contemporneo, respostaspara os complexos problemas que nos desafiam.

    Pode Kant, filsofo cuja produo data dosculo XVIII, falar com pertinncia aos homens dosculo XXI? H algo de to contemporneo emKant que possa vivificar o seu pensamento para ohomem letrado deste sculo e no apenas para osacadmicos de nosso tempo? Creio que a tnicadeste caderno, dedicado a Emmanuel Kant, dada por estas perguntas. A se medir a atualidadede Kant pela vastssima e crescente bibliografiaque a sua filosofia tem merecido nas ltimas dca-das, a resposta deveria ser inequivocamente posi-tiva. Contudo, essa resposta no satisfaz ao leitorque no est entre os estudiosos da filosofia, masque, em virtude de sua humana condio, se con-ta entre os que esperam dela algum esclarecimen-

    to e direo. A boa filosofia deve ser capaz de, adespeito de sua profundidade, falar aos homens,responder a suas inquietaes, inaugurar-lhes ho-rizontes de pensamento.

    A filosofia de Kant notadamente complexa,mas inequivocamente dirigida aos homens, hu-manidade, e no apenas aos filsofos. Ao longodo conjunto de entrevistas que compem este vo-lume, o leitor ter a oportunidade de conferir comque destreza e humildade o pensamento kantianopode nos falar hoje. O balano positivo, segun-do me parece, mas no deve impressionar nempela legtima autoridade dos que falam, nem pelagrandeza daquele sobre quem comentam. O queKant edificou com seu pensamento seria inteira-mente posto ao cho se, sobre a verdade de tudo,inclusive do prprio pensamento de Kant, cadaum no tomasse para si a mxima de pensar por simesmo; o que significa procurar em si prprio(isto , na sua prpria razo) a suprema pedra detoque da verdade; e a mxima de pensar semprepor si mesmo a Ilustrao (Aufklrung) Ser-vir-se de sua prpria razo, quer apenas dizer que,em tudo o que se deve aceitar, se faz a si mesmoesta pergunta: ser possvel transformar um prin-cpio universal do uso da razo, aquele pelo qualse admite algo, ou tambm a regra que se seguedo que se admite? (Kant, O que significa orien-tar-se no pensamento. 1786, A 330).

    Assim que o pior que se pode fazer filoso-fia kantiana no submet-la ao escrutnio do ju-zo de cada um, transformando-a num dogma. Noque toca a esta devoo ao pensamento autno-mo, sua filosofia, alis, no original (o que nodiminui a relevncia do ponto), mas filha de seutempo. Um tempo em que o homem tomou possede sua razo e depositou nela todas as esperanasde tornar o mundo melhor; o tempo do esclareci-

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  • mento. Kant um pensador da Aufklrung comobem aponta Rogrio Trapp e o Esclarecimento,em cujo mbito seu pensamento est inserido,conclama os homens a usar de sua prpria razo,conclama-os a pensar com liberdade e a agir auto-nomamente. Tome ento, o leitor, j de partida,como adgio para a leitura deste Caderno, pensarpor si prprio, mesmo l onde isso o leve a duvi-dar das prprias capacidades da razo, seja de co-nhecer o mundo, seja de redimir a humanidade.

    A questo da contemporaneidade de Kanttem na possibilidade e alcance da razo o seuponto de inflexo. Pensador crtico, construiu suafilosofia mediante a demarcao dos limites da ra-zo, mas munido dos instrumentos que ela pr-pria para isso podia oferecer. O combate ao dog-matismo, ponto ressaltado por Guido Almeidacomo um dos mais importantes legados do filso-fo, tem em Kant o carter de um movimento da ra-zo sobre si mesma para limitar-se. Ora, cabe per-guntar, no uso de nossa liberdade de discernimen-to, se pode o olho que tudo v, discernir os limitesentre isto o que visto e o que lhe est fora dealcance. Ricardo Terra, em sua entrevista, aomencionar a questo da coisa em si, toca numadas pontas dessa questo, qual seja, a ponta teri-ca. A distino kantiana entre fenmeno e coisaem si, fundamental para a sua crtica metafsica,esteve entre os aspectos mais disputados pelos fi-lsofos que imediatamente o sucederam e que, apartir dele, compuseram o idealismo alemo.

    A filosofia kantiana devedora da cincia deseu tempo e assim como essa cincia a fsica deNewton foi severamente abalada pelas teorias f-sicas contemporneas, as concepes tericas deKant tambm tm de ser filtradas pelas conquistascientficas hodiernas. De fato, as concepes kan-tianas de cunho terico influenciam hoje muitomais pelo procedimento de investigao que eleadotou em sua monumental obra, a Crtica daRazo Pura, do que pelas concluses a que che-gou. Em especial, a investigao filosfica media-da pela anlise do juzo, seja ele terico, prticoou esttico, conta entre os elementos que, emmeio filosofia contempornea que, como desta-ca Manfredo de Oliveira, deu uma virada lingsti-ca, garantem a Kant uma atualidade inegvel. A

    idia de usar a linguagem como meio de investi-gao das faculdades mentais do homem, e, por-tanto, como meio para a razo avaliar-se a si mes-ma, embora devedora em sua gnese do empiris-mo ingls, foi conduzida por Kant com tal geniali-dade, no cruzamento que faz com o racionalismo,que praticamente no h contemporaneamenteposio filosfica alguma que no tope, em algu-ma altura, com posies kantianas. Nesse aspec-to, ele se situa num cruzamento de posies fun-damentais e por isso estudar seu pensamento te-rico decisivo para qualquer pensador de hoje,sob pena de ele navegar sem saber de que portopartiu sua nave.

    Mas tambm na ponta prtica, o problemados limites da razo se coloca. Afinal, pode o ho-mem guiar-se moralmente apenas pela razo? Asentrevistas deste caderno deixam entrever clara-mente que dentre as heranas mais vivas de Kantpara o mundo ocidental est a sua filosofia moral,se no por seu apelo racional, ento por sua filia-o tradio crist. Ora, tambm aqui, no cam-po prtico, a filosofia kantiana denuncia sua ori-gem histrica. Mas ao contrrio