EQUILIBRIO ECOLÓGICO

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21UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARA UVACURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA

EQUILIBRIO ECOLGICOTOBIAS BARRETO-SE2008

AMANDA GOIS SANTOSGRAZIELE DE JESUS MENEZESJOS MESSIAS P. DO NASCIMENTOMARIA PAIXO DA CRUZMARIA ZORAIDE ALMEIDA SANTOSNICELMA SANTANA

EQUILIBRIO ECOLGICOTrabalho apresentado a disciplina Cincias, Tecnologia, Meio Ambiente e Qualidade de vida do Prof. Jos Oliveira Santana. Do Curso em Pedagogia da Universidade do Vale do Acara - UVATOBIAS BARRETO-SE2008DEDICATRIADedico este trabalho a meus queridos amigos, companheiros de todos os momentos, bons e ruins; muito obrigado vocs so as pessoas que mais amo neste mundo.

SUMRIOAGRICULTURA, PECURIA E SEDENTARIZAO 05AS TRANSFORMAES URBANAS E OS PROBLEMAS AMBIENTAIS 07O TRABALHO E A RELAO HOMEM-NATUREZA: O PARADOXO 12O CRESCIMENTO POPULACIONAL E OS DESEQUILIBRIOS NO AMBIENTE 15REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS 19

AGRICULTURA, PECURIA E SEDENTARIZAOAs reas de explorao com agricultura e a pecuria de corte no Brasil tm apresentado sintomas srios de ruptura na sustentabilidade dos recursos naturais. A degradao das pastagens, a queda na produtividade das lavouras, o empobrecimento da fertilidade do solo, a baixa reteno de gua no solo e o aumento do processo erosivo so sintomas do manejo inadequado que prejudica o meio ambiente. As tecnologias para a recuperao e manejo sustentvel dos solos degradados dos Cerrados, tanto para as reas de pastagens como de agricultura, visam melhoria das propriedades do solo, evitando a eroso, como tambm a quebra do equilbrio que facilita a ocorrncia de pragas, doenas e plantas invasoras e uma maior diversificao das atividades econmicas no meio rural.Principais requisitos para a integrao agricultura e pecuria Para a produo de gros em reas de pastagens, considerando-se que o uso da agricultura uma atividade de maior risco e requer certa especializao por parte dos produtores, o pecuarista deve considerar alguns parmetros para fazer uso da agricultura, tais como: a. Solos favorveis para a produo de gros, em reas de clima propcio.b. Infra-estrutura mnima para a produo de gros (mquinas, equipamentos e instalaes).c. Acesso facilitado para a entrada de insumos e a sada de produtos.d. Recursos financeiros para os investimentos na produo.e. Domnio da tecnologia requerida para a produo.f. Assistncia tcnica.g. Possibilidade de arrendamento da terra ou de parceria com produtores tradicionais de gros.No caso do uso da agricultura para recuperao e renovao de pastagens, em geral, os custos podem, em anos normais, serem amortizados total ou parcialmente, j no primeiro ano de cultivo. Uma menor quantidade de insumos, operaes de preparo de solo, conservao do solo, a partir do segundo ano, possibilitam tambm obter margens positivas. Para a produo de carne em reas de lavoura de gros, os principais requisitos so: a. Infra-estrutura mnima para pecuria de corte (curral, cercas, gua e outras).b. Recursos financeiros para os investimentos na atividade.c. Domnio das tecnologias requeridas para o sistema.d. Assistncia tcnica.e. Possibilidade de arrendamento da terra e/ou parceria com produtores tradicionais de pecuria de corte.A explorao intensiva da atividade de pecuria de corte, principalmente na recria e engorda de animais cruzados, em solos corrigidos e adequado manejo sanitrio e nutricional, poder apresentar uma maior rentabilidade econmica, com menor risco, quando comparado com a produo de soja, milho, feijo, arroz, sorgo e outras. Principais vantagens do uso de integrao agricultura e pecuria a. Recuperao mais eficiente da fertilidade do solo - como as culturas anuais so mais exigentes em fertilidade do solo, uma ateno maior a esse aspecto certamente dada.b. Facilidade de aplicao de prticas de conservao de solo - esta uma prtica corriqueira entre os agricultores, os quais tambm possuem equipamentos apropriados.c. Recuperao com custos mais baixos - o lucro obtido com a cultura amortiza os gastos da recuperao.d. Facilidade na renovao da pastagem - em geral no plantio de culturas anuais o preparo do solo mais intensivo, com o uso de herbicidas, proporcionando uma reduo no potencial de sementes no solo, possibilitando a troca de espcie forrageira, principalmente as braquirias.e. Melhoria nas propriedades fsicas, qumicas e biolgicas do solo - com a rotao lavoura-pastagem, evitando-se a monocultura, eliminam-se camadas compactadas, bem como incorporam-se resduos animais (esterco), razes e palhada de gros e forrageira, estimulando-se a vida do solo pelo incremento de material orgnico.f. Controle de pragas, doenas e invasoras - pela quebra do ciclo de pragas e doenas.g. Aproveitamento de adubo residual - parte do adubo fertilizante aplicado cultura permanece no solo, sendo depois aproveitado pela pastagem.h. Maior eficincia na utilizao de mquinas, equipamentos e mo-de-obra na fazenda, os quais tero uma otimizao do uso por maior perodo de tempo no ano.i. Diversificao do sistema produtivo - possibilita a diversificao de pastagens. A empresa pode explorar tanto as fases de cria, recria e engorda, como a produo de gros. Isto lhe d maiores garantias contra os riscos climticos e flutuaes de mercado.j. Aumento da produtividade do negcio agropecurio, tornando-o sustentvel em termos econmicos e agroecolgicos.SEDENTARIZAONa antropologia evolucionria, sedentarismo um termo aplicado transio cultural da colonizao nmade para a permanente. Na transio para o sedentarismo, as populaes semi-nmades possuam um acampamento fixo para a parte sedentria do ano. O sedentarismo se tornou possvel com novas tcnicas agrcolas e pecurias. O desenvolvimento do sedentarismo aumento a agregao populacional e levou formao de vilas, cidades e outras formas de comunidades.Sedentarismo forado, ou sedentarizao ocorre quando um grupo dominante restringe os movimentos de um grupo nmade.Este um processo pelo qual as populaes nomdicas tm passado desde o incio da agricultura, at hoje, onde a organizao da sociedade moderna imps demandas que foraram as populaes aborgenes a adotar um habitat fixo.AS TRANSFORMAES URBANAS E OS PROBLEMAS AMBIENTAISPor cerca de 4 bilhes de anos o balano ecolgico do planeta esteve protegido. Com o surgimento do homem, meros 100 mil anos, o processo degradativo do meio ambiente tem sido proporcional sua evoluo. No Brasil, o incio da influncia do homem sobre o meio ambiente pode ser notada a partir da chegada dos portugueses. Antes da ocupao do territrio brasileiro, os indgenas que aqui habitavam (estimados em 8 milhes) sobreviviam basicamente da explorao de recursos naturais, por isso, utilizavam-nos de forma sustentvel (WALLAVER, 2000).Aps a exterminao de grande parte dos ndios pelos portugueses, o nmero de habitantes do Brasil se reduziu a trs milhes no incio do sculo XIX. Foi nesse perodo que comearam as intensas devastaes do nosso territrio. poca, o homem se baseava em crenas religiosas que pregavam que os recursos naturais eram infindveis, ento, o trmino de uma explorao se dava com a extenuao dos recursos do local. Infelizmente, essa cultura tem passado de gerao em gerao e at os dias de hoje ainda predomina (WALLAVER, 2000).Com a descoberta do petrleo em 1857 nos EUA, o homem saltou para uma nova era: o mundo industrializado, que trouxe como uma das principais conseqncias a poluio. Ou seja, alm de destruirmos as reservas naturais sobrecarregamos o meio ambiente com poluentes. Os acontecimentos decorrentes da industrializao dividiram o povo em duas classes econmicas: os que espoliavam e os que eram espoliados. A primeira classe acumulava economias e conhecimento, enquanto a segunda vivia no estado mais precrio possvel. A segunda classe pela falta de recursos, utilizava desordenadamente as reservas naturais, causando a degradao de reas agricultveis e de recursos hdricos e, com isso, aumentando a pobreza. O modelo econmico atual est baseado na concentraoexcluso de renda. Ambos os modelos econmicos afetam o meio ambiente. A pobreza pelo fato de s sobreviver pelo uso predatrio dos recursos naturais e os ricos pelos padres de consumo insustentveis.As causas das agresses ao meio ambiente so de ordem poltica, econmica e cultural. A sociedade ainda no absorveu a importncia do meio ambiente para sua sobrevivncia. O homem branco sempre considerou os ndios como povos no civilizados, porm esses povos no civilizados sabiam muito bem a importncia da natureza para sua vida. O homem civilizado tem usado os recursos naturais inescrupulosamente priorizando o lucro em detrimento das questes ambientais. Todavia, essa ganncia tem um custo alto, j visvel nos problemas causados pela poluio do ar e da gua e no nmero de doenas derivadas desses fatores. A preocupao com o meio ambiente caminha a passos lentos no Brasil, ao contrrio dos pases desenvolvidos, principalmente em funo de prioridades ainda maiores como, p. ex., a pobreza. As carncias em tantas reas impedem que sejam empregadas tecnologias/investimentos na rea ambiental. Dessa forma, estamos sempre atrasados com relao aos pases desenvolvidos e, com isso, continuamos poluindo. A nica forma para evitar problemas futuros, de ainda maiores degradaes do meio ambiente, atravs de legislaes rgidas e da conscincia ecolgica.

PROBLEMAS AMBIENTAIS ATUAISEmbora estejam acontecendo vrios empreendimentos por parte de empresas, novas leis tenham sido sancionadas, acordos internacionais estejam em vigor, a realidade apontada pelas pesquisas mostra que os problemas ambientais ainda so enormes e esto longe de serem solucionados. preciso lembrar que o meio ambiente no se refere apenas as reas de preservao e lugares paradisacos, mas sim a tudo que nos cerca: gua, ar, solo, flora, fauna, homem, etc. Cada um desses itens est sofrendo algum tipo de degradao. Em seguida sero apresentados alguns dados dessa catstrofe.FAUNAA fauna brasileira uma das mais ricas do mundo com 10% das espcies de rpteis (400 espcies) e mamferos (600 espcies), 17% das espcies de aves (1.580 espcies) a maior diversidade de primatas do planeta e anfbios (330 espcies); alm de 100.000 espcies de invertebrados.Algumas espcies da fauna brasileira se encontram extintas e muitas outras correm o risco. De acordo com o IBGE h pelo menos 330 espcies e subespcies ameaadas de extino, sendo 34 espcies de insetos, 22 de rpteis, 148 de aves e 84 de mamferos. As principais causas da extino das espcies faunsticas so a destruio de habitats, a caa/pesca predatrias, a introduo de espcies estranhas a um determinado ambiente e a poluio (WALLAVER, 2000). O trfico de animais silvestres movimenta cerca de 10 bilhes de dlares/ano, sendo que 10% corresponde ao mercado brasileiro, com perda de 38 milhes de espcimes.A poluio, assim como a caa predatria, altera a cadeia alimentar e dessa forma pode haver o desaparecimento de uma espcie e superpopulao de outra. P. ex., o gafanhoto serve de alimento para sapos, que serve de alimento para cobras que serve de alimento para gavies que quando morrem servem de alimento para os seres decompositores. Se houvesse uma diminuio da populao de gavies devido caa predatria, aumentaria a populao de cobras, uma vez que esses so seus maiores predadores. Muitas cobras precisariam de mais alimentos e, conseqentemente, o nmero de sapos diminuiria e aumentaria a populao de gafanhotos. Esses gafanhotos precisariam de muito alimento e com isso poderiam atacar outras plantaes, causando perdas para o homem. importante lembrar que o desaparecimento de determinadas espcies de animais interrompe os ciclos vitais de muitas plantas.FLORADesde o princpio de sua histria o homem tem exercido intensa atividade sobre a natureza extraindo suas riquezas florestais, pampas e, em menor intensidade, as montanhas. As florestas tm sido as mais atingidas, devido ao aumento demogrfico elas vm sendo derrubadas para acomodar as populaes, ou para estabelecer campos agricultveis (pastagens artificiais, culturas anuais e outras plantaes de valor econmico) para alimentar as mesmas. Essa ocupao tem sido realizada sem um planejamento ambiental adequado causando alteraes significativas nos ecossistemas do planeta. As queimadas, geralmente praticadas pelo homem, so atualmente um dos principais fatores que contribuem para a reduo da floresta em todo o mundo, alm de aumentar a concentrao de dixido de carbono na atmosfera, agravando o aquecimento do planeta. O fogo afeta diretamente a vegetao, o ar, o solo, a gua, a vida silvestre, a sade pblica e a economia. H uma perda efetiva de macro e micronutrientes em cada queimada que chega a ser superior a 50% para muitos nutrientes. Alm de haver um aumento de pragas no meio ambiente, acelerao do processo de eroso, ressecamento do solo entre vrios outros fatores. A queimada no de todo desaconselhada desde que seja feita sob orientao e facilmente controlada. Apesar do uso de sistemas de monitoramento via satlite, os quais facilitam a localizao de focos e seu combate, ainda grande o nmero de incndios ocorridos nas florestas brasileiras.150 mil Km2 de floresta tropical so derrubados por ano, sendo que no Brasil, so em torno de 20 mil km2 de floresta amaznica. Alm desta, a mata Atlntica a mais ameaada no Brasil e a quinta no mundo, j tendo sido devastados 97% de sua rea (VITOR, 2002).RECURSOS HDRICOSJ ouvimos falar muito sobre a guerra do petrleo e os pases da OPEP. Como se sabe, a maior concentrao de petrleo conhecida est localizada no Golfo Prsico. Porm, o petrleo deste novo sculo que tambm causar muitas guerras outro: a gua. Mais da metade dos rios do mundo diminuram seu fluxo e esto contaminados, ameaando a sade das pessoas. Esses rios se encontram tanto em pases pobres quanto ricos. Os rios ainda sobreviventes so o Amazonas e o Congo. A Bacia do Amazonas o maior filo de gua doce do planeta, correspondendo a 1/5 da gua doce disponvel. No toa que h um interesse mundial na proteo dessa regio. No porque a Amaznia o pulmo do mundo, isso j foi comprovado que todo o oxignio produzido por essa floresta consumido por ela mesma. Em um futuro prximo o mundo sedento vir buscar gua na Bacia do Amazonas e o Brasil ser a OPEP da gua. Por isso, temos que ter muito cuidado para no sermos surpreendidos e dominados por naes mais poderosas. Apenas 2% da gua do planeta doce, sendo que 90% est no subsolo e nos plos. Cerca de 70% da gua consumida mundialmente, incluindo a desviada dos rios e a bombeada do subsolo, so utilizadas para irrigao. Aproximadamente 20% vo para a indstria e 10% para as residncias. Atualmente a gua j uma ameaa a paz mundial, pois, muitos pases da sia e do Oriente Mdio disputam recursos hdricos. Relatrios da ONU apontam que 1 bilho de pessoas no tem acesso a gua tratada e com isso 4 milhes de crianas morrem devido a doenas como o clera e a malria (DIAS, 2000). A expectativa de que nos prximos 25 anos 2,76 bilhes de pessoas sofrero com a escassez de gua. A escassez de gua se deve basicamente m gesto dos recursos hdricos e no falta de chuvas. Uma das maiores agresses para a formao de gua doce a ocupao e o uso desordenado do solo. Para agravar ainda mais a situao so previstas as adies de mais de 3 bilhes de pessoas que nascero neste sculo, sendo a maioria em pases que j tem escassez de gua, como ndia, China, Paquisto.OCUPAO DO SOLOO acesso a terra continua sendo um dos maiores desafios de nosso pas. O modelo urbanstico brasileiro praticamente se divide em dois: a cidade oficial (cidade legal, registrada em rgos municipais) e a cidade oculta (ocupao ilegal do solo). A cidade fora da lei, sem conhecimento tcnico e financiamento pblico, onde ocorre o embate entre a preservao do meio ambiente e a urbanizao. Toda legislao que pretende ordenar o uso e a ocupao do solo, aplicada cidade legal, mas no se aplica outra parte, a qual a que mais cresce. As conseqncias dessa ocupao desorganizada j so bastante conhecidas: enchentes, assoreamento dos cursos de gua devido ao desmatamento e ocupao das margens, desaparecimento de reas verdes, desmoronamento de encostas, comprometimento dos cursos de gua que viraram depsitos de lixo e canais de esgoto. Esses fatores ainda so agravados pelo ressurgimento de epidemias como dengue, febre amarela e leptospirose.Outro fator que est afetando o solo o mau uso na agricultura. 24 milhes de toneladas de solo agricultvel so perdidos a cada ano correspondendo, no momento, a 30% da superfcie da Terra. E o pior que a situao tende a agravar-se. Trata-se de um fenmeno mundial cujos prejuzos chegam a 26 bilhes de dlares anuais, e, com isso a sobrevivncia de 1 bilho de pessoas est ameaada. As maiores causas da desertificao so o excesso de cultivo e de pastoreio e o desmatamento, alm das prticas deficientes de irrigao (MOREIRA, 2000).O TRABALHO E A RELAO HOMEM-NATUREZA: O PARADOXONo princpio da humanidade, havia uma unicidade orgnica entre o homem e a natureza, onde o ritmo de trabalho e da vida dos homens associava-se ao ritmo da natureza. No contexto do modo de produo capitalista, este vnculo rompido, pois a natureza, antes um meio de subsistncia do homem, passa a integrar o conjunto dos meios de produo do qual o capital se beneficia. No processo de apropriao e de transformao dos recursos pelo homem, atravs do trabalho, ocorre o processo de socializao da natureza. O trabalho torna-se ento, o mediador universal na relao do homem com a natureza. '() o trabalho , num primeiro momento, um processo entre a natureza e o homem, processo em que este realiza, regula e controla por meio da ao, um intercmbio de materiais com a natureza'. Partindo desse pressuposto, a separao do homem de suas condies naturais de existncia no "natural", mas histrica, tendo em vista que a prtica humana encontra-se vinculada a sua histria. Para CASSETI (1991), as transformaes sofridas pela natureza, atravs do emprego das tcnicas no processo produtivo, so um fenmeno social, representado pelo trabalho, e as relaes de produo mudam conforme as leis, as quais implicam a formao econmico-social e, por conseguinte, as relaes entre a sociedade e a natureza. A sociedade contempornea, consubstanciada numa dinmica complexa e contraditria, possui uma organizao interna, a qual representa um conjunto de mediaes e relaes fundamentadas no trabalho. Sob o capitalismo, o qual se identifica com a reproduo ampliada do capital e que necessita da produo de mercadorias como veculo de produo da mais-valia para possibilitar a sua expanso, a relao homem-meio apresenta-se como contradio capital-trabalho, pois se pensarmos do ponto de vista abstrato, os homens se relacionam com a natureza para a transformar em produtos. Se pensarmos do ponto de vista real, o trabalho um processo de produo/reproduo de mercadorias. No capitalismo, portanto, o acesso aos recursos existentes na natureza passam por relaes mercantis, visto que sua apropriao pelo capital implica a eliminao de sua "gratuidade natural". Portanto, a incorporao da natureza e do prprio homem ao circuito produtivo a base para que o capital se expanda. No processo de acumulao do capital, o trabalhador tem sido despojado do conjunto dos meios materiais de reproduo de sua existncia e forado a transformar sua fora de trabalho em mercadoria, a servio do prprio capital, em troca de um salrio. O capital separa os homens da natureza, em seu processo de produo/reproduo e impe que o ritmo do homem no seja mais o ritmo da natureza, mas o ritmo do prprio capital. Sabemos que na relao capital x trabalho h um antagonismo, haja visto que o capital nutre-se da explorao do trabalho do homem. Nesta relao, como o homem realiza o trabalho capitalizado, ao entrar em contradio com o capital, ele entra em contradio com a prpria natureza. Segundo Moreira, quando o capital busca cada vez mais a produtividade do trabalho e, assim, a elevao da taxa de explorao do trabalho e da natureza, ele amplia a base de alienao do trabalho e da prpria natureza, gerando uma dicotomia entre sociedade e natureza. "A alienao do trabalho reproduz-se a todas as instncias da sociedade capitalista: aliena-se o homem da natureza, dos produtos, do saber, do poder e dos prprios homens. Se o poder sobre os homens nas sociedades naturais passa pelo controle da terra, sob o capital o poder passa pela alienao do trabalho". A perda da identidade orgnica do homem com a natureza, se d a partir do capital, que gera a contradio e que, na contradio, gera a perda da identificao do homem com a natureza e, conseqentemente, a degradao ambiental. O processo social de produo, cuja referncia est na produo de valores de uso, submete a fora de trabalho e os meios de produo aos seus desgnios, impulsionando a utilizao irracional dos recursos naturais, o desperdcio de matrias-primas, de energia e de trabalho, provocando assim, a destruio da natureza e a conseqente "crise ecolgica". Essa "crise ecolgica", constitui-se num dos aspectos desse mundo s avessas que a alienao mercantil e capitalista do ato social de trabalho institui.Assim, o processo de constituio da classe proletria, que se d a partir da separao das condies objetivas de produo, ou seja, dos meios de produo (especialmente da terra e, atravs dela a natureza) e de sua insero no trabalho fabril, explica, em primeira instncia, a subordinao do proletariado lgica capitalista de explorao da natureza. Essa separao, pressupe a perda do domnio sobre as tcnicas agrcolas e a compreenso dos processos naturais por parte do proletariado, distanciando-o assim da natureza. Na atividade produtiva, prpria do capitalismo, prevalece a fragmentao e a atomizao do trabalhador, reificando (coisificando) o homem e suas relaes. Dessa forma, ela no realiza adequadamente a interao do homem com a natureza.O proletariado, despossudo dos meios de produo, s realiza a sua subjetividade na medida em que aliena sua capacidade de trabalho a quem detm as condies objetivas, ou seja, ao capitalista.Segundo ANTUNES, o modo de produo capitalista, o trabalhador reduzido a uma mercadoria, medida que vende sua fora de trabalho para o capitalista em troca de um salrio. Assim, o trabalho "que deveria ser a forma humana de realizao do indivduo reduz-se nica possibilidade de subsistncia do despossudo". A dimenso abstrata que o trabalho adquire, conduz ao mascaramento da sua dimenso concreta (de trabalho socialmente necessrio) e, conseqentemente, fetichizao da mercadoria, encobrindo assim, "(...) as dimenses sociais do prprio trabalho, mostrando-as como inerentes aos produtos do trabalho". (Op.cit.127) Segundo Thomaz Jr.(1995), "O procedimento do cientificismo fetichizou os riscos a que a sociedade foi submetida, tendo em vista que o desenvolvimento incomensurado das cincias e das tcnicas pe em xeque o futuro da humanidade, socializando de forma profunda e ampla todas as mazelas do produtivismo, conclamando a todos preservao da natureza, todavia virando as costas para o chamamento lanado pelos movimento ecolgicos e alguns partidos polticos comprometidos que se vinculam tese da insubordinao da prxis social lgica da reproduo do capital". Nesse sentido, a luta de classe do proletariado (e demais segmentos da sociedade) deveria suscitar uma reformulao profunda da sociedade e colocar em xeque a estrutura organizacional da sociedade capitalista, ampliando a "luta anticapitalista". Mas, para que esta luta ganhe uma dimenso ecolgica, se faz necessrio uma "verdadeira revoluo cultural no movimento operrio". Dada a indiferena do trabalhador com o trabalho que exerce. J a tecnologia no indiferente aos propsitos de sua criao, ou seja, ela est servio do capital e, portanto, voltada para a produo de mais-valia. Assim, quanto mais aumenta a capacidade de extrao de sobretrabalho, maior a quantidade de recursos naturais explorados, de matria-prima transformada. A crise ecolgica requer um repensar sobre a forma como est estruturada e como funciona a sociedade contempornea. O modo como gerida a natureza, o modo de produo e de consumo, os meios de produo, o modo de vida, as tcnicas aplicadas, a tecnologia utilizada e a cincia a seu servio, no sentido de reaproximar o homem da natureza (Bihr, 1999). Dito de outro modo, essa crise ecolgica/ ambiental evidenciada atravs de dois elementos caractersticos da sociedade contempornea: tecnologia e crescimento, nos incita ao questionamento de um estilo de desenvolvimento internacionalizado, que revela-se enquanto modelo de desenvolvimento ambientalmente predatrio e socialmente injusto, manifestado, principalmente nos processos de modernizao da agricultura, de urbanizao e de explorao desenfreada dos recursos naturais.O CRESCIMENTO POPULACIONAL E OS DESEQUILIBRIOS NO AMBIENTEOs estudiosos de todos os tempos tm se dedicado ao problema dos conglomerados de seres humanos e seus reflexos na economia, sociologia e poltica, desenvolvidos por estas comunidades. Sabe-se que as populaes vivem de acordo com as condies daquele ambiente em termos de alimentao, vestimentas, habitao e muitos outros elementos que a comunidade precisa. Pois, isto conduziu a preocupaes incomensurveis por pessoas que sentiam que, se as coisas continuassem do jeito como estavam, os problemas iriam causar dificuldades bem mais catastrficas do que pensavam. Estas questes tm deixado as autoridades ligadas aos problemas populacionais, numa situao de grande perplexidade e constante vigilncia quanto populao urbana e/ou rural, numa ligao direta com a produo de alimentos para esta populao que cresce descontroladamente.A superfcie da Terra est em constante processo de transformao e, ao longo de seus 4,5 bilhes de anos, o planeta registra drsticas alteraes ambientais. H milhes de anos, a rea do atual deserto do Saara, por exemplo, era ocupada por uma grande floresta e os terrenos que hoje abrigam a floresta amaznica pertenciam ao fundo do mar. As rupturas na crosta terrestre e a deriva dos continentes mudam a posio destes ao longo de milnios. Em conseqncia, seus climas passam por grandes transformaes. As quatro glaciaes j registradas quando as calotas polares avanam sobre as regies temperadas fazem a temperatura mdia do planeta cair vrios graus. Essas mudanas, no entanto, so provocadas por fenmenos geolgicos e climticos e podem ser medidas em milhes e at centenas de milhes de anos. Com o surgimento do homem na face da Terra, o ritmo de mudanas acelera-se. AGENTES DO DESEQUILBRIOA escalada do progresso tcnico humano pode ser medida pelo seu poder de controlar e transformar a natureza. Quanto mais rpido o desenvolvimento tecnolgico, maior o ritmo de alteraes provocadas no meio ambiente. Cada nova fonte de energia dominada pelo homem produz determinado tipo de desequilbrio ecolgico e de poluio. A inveno da mquina a vapor, por exemplo, aumenta a procura pelo carvo e acelera o ritmo de desmatamento. A destilao do petrleo multiplica a emisso de gs carbnico e outros gases na atmosfera. Com a petroqumica, surgem novas matrias-primas e substncias no-biodegradveis, como alguns plsticos. Crescimento populacional O aumento da populao mundial ao longo da histria exige reas cada vez maiores para a produo de alimentos e tcnicas de cultivo que aumentem a produtividade da terra. Florestas cedem lugar a lavouras e criaes, espcies animais e vegetais so domesticadas, muitas extintas e outras, ao perderem seus predadores naturais, multiplicam-se aceleradamente. Produtos qumicos no-biodegradveis, usados para aumentar a produtividade e evitar predadores nas lavouras, matam microrganismos decompositores, insetos e aves, reduzem a fertilidade da terra, poluem os rios e guas subterrneas e contaminam os alimentos. A urbanizao multiplica esses fatores de desequilbrio. A grande cidade usa os recursos naturais em escala concentrada, quebra as cadeias naturais de reproduo desses recursos e reduz a capacidade da natureza de construir novas situaes de equilbrio. Economia do desperdcio O estilo de desenvolvimento econmico atual estimula o desperdcio. Automveis, eletrodomsticos, roupas e demais utilidades so planejados para durar pouco. O apelo ao consumo multiplica a extrao de recursos naturais: embalagens sofisticadas e produtos descartveis no-reciclveis nem biodegradveis aumentam a quantidade de lixo no meio ambiente. A diferena de riqueza entre as naes contribui para o desequilbrio ambiental. Nos pases pobres, o ritmo de crescimento demogrfico e de urbanizao no acompanhado pela expanso da infra-estrutura, principalmente da rede de saneamento bsico. Uma boa parcela dos dejetos humanos e do lixo urbano e industrial lanada sem tratamento na atmosfera, nas guas ou no solo. A necessidade de aumentar as exportaes para sustentar o desenvolvimento interno estimula tanto a extrao dos recursos minerais como a expanso da agricultura sobre novas reas. Cresce o desmatamento e a superexplorao da terra.Lixo Acmulo de detritos domsticos e industriais no-biodegradveis na atmosfera, no solo, subsolo e nas guas continentais e martimas provoca danos ao meio ambiente e doenas nos seres humanos. As substncias no-biodegradveis esto presentes em plsticos, produtos de limpeza, tintas e solventes, pesticidas e componentes de produtos eletroeletrnicos. As fraldas descartveis demoram mais de cinqenta anos para se decompor, e os plsticos levam de quatro a cinco sculos. Ao longo do tempo, os mares, oceanos e manguezais vm servindo de depsito para esses resduos.Resduos radiativos Entre todas as formas de lixo, os resduos radiativos so os mais perigosos. Substncias radiativas so usadas como combustvel em usinas atmicas de gerao de energia eltrica, em motores de submarinos nucleares e em equipamentos mdico-hospitalares. Mesmo depois de esgotarem sua capacidade como combustvel, no podem ser destrudas e permanecem em atividade durante milhares e at milhes de anos. Despejos no mar e na atmosfera so proibidos desde 1983, mas at hoje no existem formas absolutamente seguras de armazenar essas substncias. As mais recomendadas so tambores ou recipientes impermeveis de concreto, prova de radiao, que devem ser enterrados em reas geologicamente estveis. Essas precaues, no entanto, nem sempre so cumpridas e os vazamentos so freqentes. Em contato com o meio ambiente, as substncias radiativas interferem diretamente nos tomos e molculas que formam os tecidos vivos, provocam alteraes genticas e cncer. Ameaa nuclear Atualmente existem mais de quatrocentas usinas nucleares em operao no mundo a maioria no Reino Unido, EUA, Frana e Leste europeu. Vazamentos ou exploses nos reatores por falhas em seus sistemas de segurana provocam graves acidentes nucleares. O primeiro deles, na usina russa de Tcheliabnski, em setembro de 1957, contamina cerca de 270 mil pessoas. O mais grave, em Chernobyl , na Ucrnia, em 1986, deixa mais de trinta mortos, centenas de feridos e forma uma nuvem radiativa que se espalha por toda a Europa. O nmero de pessoas contaminadas incalculvel. No Brasil, um vazamento na Usina de Angra I, no Rio de Janeiro, contamina dois tcnicos. Mas o pior acidente com substncias radiativas registrado no pas ocorre em Goinia, em 1987: o Instituto Goiano de Radioterapia abandona uma cpsula com istopo de csio-137, usada em equipamento radiolgico. Encontrada e aberta por sucateiros, em pouco tempo provoca a morte de quatro pessoas e a contaminao de duzentas. Submarinos nucleares afundados durante a 2a Guerra Mundial tambm constituem grave ameaa. O mar Bltico uma das regies do planeta que mais concentram esse tipo de sucata.

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