ESCOLA DE FORMAÇÃO DE FACILITADORES ROLANDO TORO ...

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  • ESCOLA DE FORMAO DE FACILITADORES

    ROLANDO TORO-PELOTAS

    LILIAN ROSE MARQUES DA ROCHA

    VOZ E POESIA:A LINGUAGEM POTICA DA BIODANZA

    Porto Alegre2005

  • LILIAN ROSE MARQUES DA ROCHA

    Monografia apresentada como requisito parcial paraobteno de grau de Facilitador Titular emBiodanza.

    LILIAN ROSE MARQUES DA ROCHA

    Orientador: Carlos Manuel Dias

    Porto Alegre, agosto 2005

  • AGRADECIMENTOS

    QUE HOMEM ESTE?

    UM MISTODE SBIOPROFETA

    INOCENTECRIANA

    RVORE DA VIDASEIVA VIBRANTEDE CLOROFILA.RESPIRA AMORINCITA AFETOJORRA SEXO

    LIBIDO A FLOR DA PELE.

    QUE HOMEM ESTE?QUE MEXE

    COM A MENTECOM OS MEMBROSCOM AS VSCERASCOM A ESSNCIA

    DE HOMENS EM RODAGIRANDO EM BEIJOS

    E ABRAOSQUE CURAM

    QUE CELEBRAMQUE ENCARAMA NATUREZA

    BRUTABELA

    DE HOMENSCOMUNS

    VENCEDORESDERROTADOSEXTASIADOSDEPRESSIVOS

    VELHOSJOVENS

    "NORMAIS"

  • 3

    SIMPLESMENTEHOMENS.

    QUE HOMEM ESTE?QUE COMO UMA RVORE

    LANA SEUS FRUTOSAO MUNDO

    PARA SEREM SABOREADOSDEGUSTADOS

    E LANA AS SUAS SEMENTESDA RVOREDA SADE

    DO VNCULODO PRAZER

    DA EXPRESSODO TODO.

    PARA TODOS AQUELESQUE QUEIRAM CONHECER

    A METODOLOGIADESTA INTELIGNCIA AFETIVA

    DO NEGRO GATOMANHOSOINOCENTESAFADO

    E MGICOQUE SE CHAMA

    ROLANDO.

    E A RODA GIRAE UM HOMEM TORO

    GIRA NA RODA DA VIDABENDITO SEJAESTE VELHO

    HOMEM MENINOPOETA E ETERNO.

    A este gnio poeta Rolando Toro, agradeo pela sua irreverncia e estado de xtase

    constante e que gerou esta metodologia maravilhosa que transformou a minha vida.

    A Cleusa Maria Fr de Miranda que com os olhos brilhantes e a voz aveludada, falou da

    existncia de algo que se chamava Biodanza, um processo transformador. Por seu

    entusiasmo, fui conferir de perto esse sistema, e, desde ento, sete anos atrs, estou em

    contato estreito com a Biodanza.

  • 4

    A Myrthes Gonzalez, minha primeira facilitadora, espelho de mulher, amiga, guerreira

    e companheira de tantos momentos importantes nesta estrada da vida.

    A Slvia Eick ,pelo sorriso e afeto; a Mnica Turco, pelo elo mgico que se fez entre

    ns; ao Sanclair Lemos, pela luminosidade e realismo e ao Srgio Cruz, pela musicalidade de

    seu interior.

    Ao meu orientador Carlos Manuel Dias, pelo afeto, compreenso e ritmo cadenciado.

    A grande famlia Frater e Escola de Formao de Pelotas, pelos vrios momentos de

    mais pura afetividade.

    Aos meus alunos, pela confiana e amorosidade.

    Aos facilitadores e alunos de Biodanza que participaram das pesquisas que fazem parte

    desta monografia, pela disponibilidade e confiana.

    A minha famlia, pelo amor existente entre ns, possibilitando que eu acreditasse que a

    vida possvel quando cremos no amor.

  • RESUMO

    Esta monografia visa fortalecer a importncia da voz, da msica ao vivo, da poesia e dalinguagem potica nas sesses de Biodanza, como potencializadores do resgate instintivo doser humano. Pesquisas realizadas com facilitadores, alunos de Escola de Formao deBiodanza e alunos de grupos semanais comprovam a experincia pessoal da autora e dolegitimidade para um maior uso desses instrumentos por parte dos facilitadores nos processosvivenciais. As pesquisas demonstram que o canto e a poesia, assim como a dana, somovimentos plenos de sentido.

  • ABSTRACT

    This monograph aims to strengthen the importance of the voice, live music, poetry andpoetical language in Biodanza's classes as powerful elements to recover the human being'sinstinct. Researches done with Biodanza's teachers, participants of Biodanza's GraduateSchool and weekly groups prove the author's personal experience and make larger Biodanza'steacher's use of these instruments legal in living processes. The researches show the song andpoetry, as well as the dance, are plenty of sense movements.

  • O QUE BIODANZA?

    DANAR A ESSNCIA DO UNIVERSO GRITAR O SEU NOME DE PEITO ABERTO

    DESCOBRIR O SEU ESPELHONO OLHAR E NO SORRISO DO OUTRO

    VIVENCIAR O SENSVEL TOQUE DO AFETO,DO MERECIMENTO, DO AQUI E AGORA.

    ESTAR PRESENTEPARA QUE SE POSSA TER UM FUTURO ACREDITAR NO MISTRIO DA VIDA

    FAZER PARTE DA SINFONIA ORGNICAQUE GERA UM SER VITAL,

    AFETUOSO, CRIATIVO, PRAZEROSOE CONECTADO CONSIGO, COM OS OUTROS

    E COM O COSMOS.

  • APRESENTAO

    Por que o tema Voz e Poesia?

    H muito tempo, o canto, a voz como essncia e como identidade, representa para mim

    o estar vivo, uma pulsao diferenciada, um encontro comigo mesma e um estar presente com

    as outras pessoas.

    Canto deste a barriga de minha me, e canto porque sei que as notas so infinitas, que

    so capazes de formar uma helicoidal de energia, de fora, de unidade com o Todo, com o

    Divino.

    Comecei a tocar violo aos dez anos de idade, primeiramente com professoras

    particulares, aps isso, estudei no Liceu Musical Palestrina, onde a inteno era aprender a

    teoria musical. Dessa maneira, conheci o Mundo da Msica. Tocando violo percebi o quanto

    a voz era importante na transmisso de mensagens para aqueles que estavam dispostos a ouvir

    e sentir a msica. Com o passar do tempo, fui trabalhando com msica em bandas, grupos

    vocais, em duplas e isoladamente, at chegar em um ponto em que fui convidada a participar

    do Coral da Aliana Francesa. Neste coral, alm de ser do naipe dos contraltos, fui convidada,

    pelo seu regente, para auxiliar no ensaio de naipes femininos. Com o passar do tempo,

    comecei a freqentar outros corais, nos quais tambm era solicitada no auxlio da tcnica

    vocal.

    Verifiquei, ento, que era necessrio um aprimoramento terico, o que foi realizado na

    Academia de Msica Prediger, e com vrios professores de tcnica vocal, com nfase ao

    estudo de Improvisao e Harmonia, Teclado e Tcnica Vocal.

  • 9

    Neste perodo comearam a surgir novas propostas musicais, nas quais era

    imprescindvel a Tcnica Vocal. Estive ligada a corais como: Coral da Aliana Francesa e

    Coral Casa de Cultura Mrio Quintana, at que surgiu o Coral do CECUNE (Centro

    Ecumnico de Cultura Negra), em que comecei como integrante-fundadora e depois fui

    convidada a ser regente e professora de tcnica vocal.. Neste percurso, sempre priorizei a

    tcnica vocal, no apenas como expresso vocal, mas, principalmente a voz como presena,

    como identidade, como referencial da essncia de cada um de ns, pois A voz nossa

    respirao audvel (Ricardo Oliveira). E nesse processo de reconhecimento da voz como

    identidade, surgiram outros trabalhos individuais, em duplas e em grupos vocais locais. Logo

    aps esse perodo, montei um grupo vocal no meu local de trabalho (Vocal Expresso), do

    qual sou a coordenadora vocal.

    Ento, surgiu a Biodanza em minha vida. Resolvi ingressar na EFFBRT-Pelotas,

    comecei a me aprofundar no estudo do duo Biodanza e Voz. Iniciei a realizao de aulas

    especficas de Bidanza e Voz, para os futuros facilitadores da Escola de Formao de Pelotas,

    e, dedicando-me, a seguir, realizao de maratonas de final de semana com essa abordagem.

    Complementando esse trabalho, criei um curso que se chama Ritmo Interno. Seu enfoque as

    pulsaes dos ritmos internos de cada um, interagindo com o meio; e um trabalho especfico

    de Tcnica Vocal, em que propicia-se a expresso da identidade de forma orgnica e

    integrada.

    Desde muito cedo, comecei a escrever poemas, porque acredito que a poesia uma veia

    artstica extremamente expressiva que nos permite estar em contato direto com o nosso

    instinto, com a nossa essncia; e ela s tem valor no momento em que a colocamos para fora,

    parindo a ns mesmos, movendo-nos em direo s outras pessoas e mostrando essa fora

    maior criativa. Por isso, acredito tanto na linguagem potica da Biodanza, nas suas consignas

  • 10

    poticas , porque elas alcanam o cerne primitivo, instintivo de cada um, dando a sua

    mensagem original e primria.

    NO INCIO DE TUDO

    ERA O CANTARINSESSANTE

    DA VIDAPULSANTE

    QUE NO SE CALAQUE NO DESISTE

    E QUE TRANSMUTAO CCLO RTMICODA EXISTNCIA.

  • SUMRIO

    1 INTRODUO .................................................................................................................. 12

    2 A VOZ.................................................................................................................................. 142.1 O que a Voz? .................................................................................................................. 142.2 Voz expresso da Identidade ............................................................................................. 152.3 Biodanza e Voz.................................................................................................................. 182.3.1 Mito de Orfeu ................................................................................................................. 182.3.2 Vivncias......................................................................................................................... 192.3.3 Experincia pessoal........................................................................................................ 212.3.4 Pesquisa.......................................................................................................................... 22

    3 MSICA AO VIVO NAS VIVNCIAS DE BIODANZA .............................................. 253.1 Pesquisa ............................................................................................................................. 25

    4 A IMPORTNCIA DA CONSIGNA ............................................................................... 284.1 Pesquisa ............................................................................................................................. 28

    5 A POESIA NA BIODANZA .............................................................................................. 325.1 A Linguagem Potica ........................................................................................................ 445.2 Pesquisa ............................................................................................................................. 45

    6 DISCUSSO DE RESULTADOS..................................................................................... 48

    CONCLUSO........................................................................................................................ 50

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ................................................................................ 51

    APNDICE ........................................................................................................................... 53

  • 1 INTRODUO

    Toda enfermidade um problema musical e a cura consiste em encontrar uma

    resoluo musical (NOVALIS).

    In principium erat verbum, est no incio do primeiro captulo do Evangelho segundo

    So Joo, que foi traduzido como No comeo era o Verbo, ou No comeo era a Palavra,

    ou ainda [...] o Vocbulo. Porm, pensando melhor, traduziu-se verbum como [...] o

    Som, ou ento [...] o Canto. A sua argumentao est baseada na tradio imemorial, na

    qual o Criador era tido como um canto infinito, e a cristalizao desse canto era a pura

    Criao. A partir dessa idia, compreende-se o pensamento de Pitgoras, de acordo com o

    qual a estrutura da msica permitiria e seria suficiente para explicar a estrutura do Universo.

    Sendo assim, o estudo da msica tornava-se a chave do conhecimento do Cosmos.

    Conforme Novalis, poeta alemo, o homem um ser que possui geneticamente todas as

    harmonias e ressonncias do universo. Porm, com o passar do tempo, foi perdendo a sua

    capacidade de harmonia, por viver neste mundo, cada vez mais catico e desintegrador. H

    urgncia em resgatar esse homem profundamente musical.

    Segundo Rolando Toro, criador da Biodanza, esse sistema prope-se a restaurar no

    homem o vnculo original com a espcie, como totalidade biolgica, e em relao ao universo,

    na condio de totalidade csmica. Para isso, na sua metodologia utiliza a msica, o canto, o

    movimento e situaes de encontro em grupo que possibilitam a induo de vivncias

    integradoras. Possibilitando que o ser humano acesse a conscincia de si e do mundo, por

  • 13

    meio da vivncia (viver o aqui e agora com grande intensidade, envolvendo a cenestesia, as

    funes viscerais e emocionais).

    A Biodanza resgata o movimento pleno de sentido e a voz humana, que a cadncia dos

    aparelhos respiratrio ,fonador, articuladores, ressonador. Quando eles se integram, atravs da

    ressonncia da totalidade do corpo de cada pessoa, ela se torna essencialmente emoo e

    expresso da identidade desse ser, pois, desse modo, ele a mais pura msica.

    No podemos esquecer que a palavra, nas vivncias de Biodanza, deve ser emocionada,

    para que aquela possa gerar a dana, e no uma ao intensamente cognitiva. So utilizados o

    grito, as vozes onomatopicas, o canto, o coro, os jogos glsicos e o uso de mos e ps para

    produzir sons e a entoao de certos mantras, podendo ser acompanhados por instrumentos de

    percusso, unidos sempre ao movimento corporal.

    De acordo com Rolando Toro, a palavra pode evocar vivncias do originrio do ser ou

    a linguagem se conecta com a gnese atual da vida quando o ato potico estiver conectado

    com a essncia, em um ato profundamente vivencial; em que o mistrio da vida

    descortinado e a percepo do universo expresso da pura criao.

    A Biodanza, mais que uma cincia, uma arte, uma potica (Rolando Toro).

  • 2 A VOZ

    2.1 O que a voz?

    A Voz o Eco da Alma (PITGORAS).

    A Voz a nossa respirao audvel, uma massagem de dentro para fora, a

    expresso sutil das individualidades, o som desse instrumento chamado Homem

    (OLIVEIRA, 1996).

    A nossa voz existe desde o nosso nascimento e apresenta-se atravs do choro, do riso e

    do grito e dos sons da fala, um poderoso meio de comunicao do indivduo e uma forma

    bsica de comunicao entre as pessoas.

    A voz carrega inmeras informaes sobre a mensagem que queremos transmitir, revela

    quem ns somos; uma de nossas identidades.

    No dia-a-dia, atravs da voz expressamos nossos sentimentos e nosso estado fsico e

    emocional.

    A voz produzida pelo trato vocal a partir de um som bsico gerado na laringe e se

    utiliza de rgos vitais de outras funes do corpo, como: pulmes, laringe e nariz (sistema

    respiratrio), faringe, boca e lngua (sistema digestivo).

    As pregas vocais (antigamente chamadas e cordas vocais) so duas dobras, formadas

    por msculo e mucosa, situadas em posio vertical dentro da laringe, funcionando como um

    esfncter que protege a entrada de corpos estranhos na via respiratria.

  • 15

    Quando respiramos, as pregas vocais ficam afastadas entre si, permitindo a entrada e a

    sada do ar, quando produzimos a voz, cria-se uma presso de ar sob as pregas vocais, fazendo

    com que elas se aproximem e vibrem. Esse som gerado na laringe ampliado pelas cavidades

    de ressonncia (laringe, faringe, boca, nariz e seios paranasais). Os sons da fala so

    articulados na cavidade bucal por meio de movimentos da lngua, lbios, mandbula e palato,

    modificando o fluxo de ar vindo dos pulmes e projetando o som para o ambiente.

    A respirao, nesse processo, de suma importncia, pois ela dita o ritmo

    interno(pulsao constante) mais evidente da voz.

    Respirar dentro do sentido existencial um ato musical. Respirar toda a essncia do

    universo um ato mstico de concentrao da vida (TORO In: "A vivncia").

    Considera-se que o canto brota de uma fonte misteriosa, que anima toda a criao,

    todos os animais, seres humanos, rvores, plantas e tudo que ouvir. Na literatura oral, diz-se

    que tudo que tem seiva, tem Canto (Clarissa Pnkola Ests).

    Na expirao falamos ou cantamos e na inspirao silenciamos. Podemos chamar,

    ento, a inspirao e a expirao como o ritmo binrio bsico da respirao; ou seja, contrao

    e relaxamento dos msculos do diafragma e abdmen pulsando por opostos simultneos.

    Todos os pulsos orgnicos so intimamente relacionados. Sendo assim, a freqncia

    respiratria faz parte do equilbrio dinmico do organismo como um todo. Por isso, a voz,

    como respirao audvel, explicita o nosso universo interior, no apenas por palavras, mas

    atravs dos ritmos, dos seus timbres, da sua musicalidade.

    2.2 Voz expresso da identidade

    A personalidade humana reflete-se no som da pessoa (Paul Morse).

    Todas as pessoas possuem um certo padro tmbrico caracterstico de sua

    individualidade. O timbre a personalidade de cada voz. Todas as vozes possuem

  • 16

    caractersticas prprias e nicas que as diferenciam das demais; como se fosse a impresso

    digital. Ele determinado por vrios elementos: a estrutura anatmica dos rgos fonadores, a

    capacidade das cavidades de ressonncia e o nmero e a ressonncia de harmnicos que

    acompanham os sons e que so determinados pelas dimenses das pregas vocais.

    Cada ser humano possui uma voz distinta, singular e particular, com um modo prprio

    de arranjar os seus sons harmnicos, com um timbre prprio no contato e na expresso de seu

    mundo interior.

    Somos instrumentos musicais, e cada instrumento (e cada voz) com a sua

    particularidade. Os Sufis dizem que cada pessoa um instrumento da Orquestra do Universo

    Inteiro (OLIVEIRA, 1996).

    A identidade de cada ser humano a sua essncia. Segundo Santo Agostinho, a

    identidade o mais ntimo daquilo que se intimamente. o ncleo de como sinto o mundo

    e como me diferencio dele. um continnum de conscincia e vivncia de ser.

    De acordo com Rolando Toro, a vivncia primordial da identidade acontece com a

    expresso endgena do ser vivo. E essa experincia est intimamente ligada ao humor

    endgeno e estimulao externa, por ter uma origem visceral.

    Conforme Rolando Toro (2002), a importncia que Jacques Lacan atribui linguagem,

    na estruturao da identidade, deve ser levada em considerao, mas no deve ocultar os

    antecedentes primrios: a protovivncia de comunicao e as linguagens pr-verbais.

    Protovivncias so experincias do recm-nascido, durante os seus seis meses iniciais

    de vida, caracterizados pelas primeiras respostas aos estmulos internos e externos. Tais

    respostas so aprendidas e deixam uma impresso sobre a qual se desenvolvem as vivncias

    posteriores.

    Protovivncia de Criatividade: a Expresso e a Curiosidade- A criana comea a fazer

    rudos, pequenos murmrios, gritos onomatopicos, em que manifesta uma protolinguagem.

  • 17

    A me, caso seja atenta, comea a entender o que o beb quer expressar. E, assim, lentamente,

    a criana comea a desenvolver a linguagem: o sim e o no, o protesto, o sorriso, o canto e o

    dilogo.

    Rolando Toro (2002) considera o canto, o grito assim como a dana, condies inatas

    do ser humano.

    Nesta vivncia da identidade h dois estados diferentes, segundo Rolando Toro. Um

    relativo s primeiras noes sobre o prprio corpo, e o outro, s primeiras noes sobre o fato

    de ser diferente dos demais seres humanos.

    Na Biodanza, quando utilizamos a voz, reforamos, nas vivncias, a identidade

    saudvel; exaltando as caractersticas do participante, sendo valorizado, respeitado, ouvido,

    aceito e amado; o participante sente o seu potencial na expresso criativa.

    O corpo humano um verdadeiro instrumento musical. Quando utilizamos a nossa voz,

    ela se torna a msica desse instrumento, e nesta gestalt de movimento e emoes o som criado

    se funde com a identidade, em um processo integrado e transcendente. No escutamos

    puramente o som, uma vez que somos o som. Afinal, o som repercute em todas as nossas

    clulas atravs de mecanismos sutis e complexos de ressonncia.

    Exerccios criados por Rolando Toro, cujo objetivo o aumento da Identidade e sua

    utilizao tem como fim o aprimoramento da voz: Canto individual expressivo (emergente),

    Canto meldico (letras m, s, r), Grito primal, Palavra meldica, Coro rtmico (ace-sita-hum,

    samba cananda, camina, bum-va), Solo rtmico, Canto sufi.

    No Modelo Terico da Biodanza h o continnum identidade-regresso, em que

    medida que diminui a conscincia de nossa identidade, h uma alterao do nosso estado,

    ocorrendo a diminuio ou a anulao da atividade voluntria e cortical. Esse o estado de

    regresso. Neste caso, podemos utilizar o exerccio Coro da Caa Divina que leva a nveis

    progressivos de transe.

  • 18

    2.3 Biodanza e voz

    A msica um movimento de vida que nos transmite toda a harmonia rtmica do

    universo, que nos impulsiona a danar a vida (Srgio Cruz, 1999).

    A dana da voz acontece na Biodanza quando aquela est integrada ao movimento

    plvico, abdominal, diafragmtico, peitoral, cervical e oral da dana, interagindo com a

    ressonncia dos braos, mos, pernas e ps fluindo livres e integrados. Revelam toda a

    emoo e expresso da nossa essncia.

    A palavra, quando expressada de maneira emocionada, pura dana contagiada pelo

    ritmo e pela nossa respirao e movimentos internos e expresses externas.

    Segundo Srgio Cruz: Atravs do canto, conseguimos a vivncia, que a vibrao que

    cura, a pulsao que penetra, que envolve e que dissolve.

    2.3.1 Mito de Orfeu

    O mito de Orfeu d fundamento mtico e clarifica aspectos arcaicos da Biodanza.

    O legado de Orfeu o poder do canto, da msica e da poesia, capaz de induzir

    processos de transformao no nimo humano.

    Orfeu ganhou uma lira de Apolo e as Musas o ensinaram a toc-la, j que aquele

    possua o dom e o poder de encantar com a sua msica e o seu canto.

    Orfeu, filho do rei Trcio Eagro e da musa Calope, foi o cantor, o msico e o poeta

    mais famoso de todos os tempos. Com a sua msica acalmava os animais ferozes, comovia as

    plantas e pedras, as rvores danavam e ocasionava transformaes no nimo humano.

    O homem civilizado perdeu a sensibilidade auditiva msica e o mito de Orfeu nos

    permite reencontrar os sons e ritmos universais, como os sons das cascatas e do vento, o

    balanar das folhas, a alternncia do dia e da noite, as fases lunares, o ritmo do batimento

    cardaco e o ritmo respiratrio.

  • 19

    Orfeu foi capaz de enfrentar a morte ,descendo aos infernos, por amor.

    A relao da Biodanza com o mito de Orfeu:

    1) O poder transformador da msica, ocasionando mudanas no esprito e nos processos

    biolgicos;

    2) A msica sendo capaz de seduzir a morte: a msica interagindo com as partes mortas

    do inconsciente e facilitando o renascimento espiritual;

    3) A radicalizao da experincia vivida, por meio da qual o conhecimento do inferno

    nos permite ascender luz e elevar o canto.

    2.3.2 Vivncias

    Os exerccios Grito de Identidade, Coros Guerreiros, Coro da Caa Divina so bastante

    conhecidos, mas tenho utilizado em minhas aulas outros exerccios de Biodanza que podem

    tambm ser vivenciados com a nossa respirao audvel.

    Aqui, esses exerccios esto divididos dentro das cinco linhas de vivncia da Biodanza:

    Vitalidade, Sexualidade, Criatividade, Afetividade e Transcendncia. Esta lista foi pesquisada

    na monografia para titulao em Biodanza de Jussara Silveira da Rosa (1996).

    VITALIDADE

    Caminhar e emitir som da pulsao do corao; Caminhar, prestando ateno na respirao, soltando som na expirao; Caminhar rtmico, com emisso de som rtmico; Coros guerreiros: Acesita Hum, Samba Kananda Kamina Bum Va; Extenso harmnica; Fluidez conduzida; Fluidez com deslocamento; Fluidez em grupo; Girar a dois; Jogar para o alto; Roda tribal com marcao rtmica dos ps e emisso de sons; Sincronizao a dois, com emisso de voz, salientando a melodia; Trenzinho; Valsa a dois.

  • 20

    SEXUALIDADE

    Acariciamento das costas com o canto; Acariciamento de rosto com canto; Acariciamento profundo de cabelos com canto; Canto sobre o corpo a dois ou a trs; Elasticidade integrativa; Grupo compacto com canto; Roda de comunicao; Roda de contato mtuo de mos, um de frente para o outro; Roda de movimentao plvica.

    CRIATIVIDADE

    Brincadeira com voz, em roda, para criar sons, de frente, repeti-los de lado,acrescentar outro som (com gestos);

    Cantar para o outro; Canto do nome; Criar linguagens (a trs); Dana livre com canto; Dar e receber a flor; Expresso grfica da emoo com canto; Grito de identidade Eu sou; Polifonia livre; Roda de ativao suave ou progressiva com emisso de sons; Roda de integrao ( boas vindas com emisso de sons).

    AFETIVIDADE

    Abraos; Acariciamento de mos com canto a dois; Acariciamento suave do rosto; Acariciamento das costas; Acariciamento superficial de cabelos; Acariciamento de peito com cano de ninar; Canto do nome do outro, a dois; Canto no ouvido a dois, simultaneamente; Canto sobre o corpo a dois ou trs; Colo com cantiga de ninar; Comunicao eutnica com os ps, com canto; Dana a dois, em que um o instrumento que soa, enquanto o outro toca

    suavemente(corpo sonoro); Dilogo de voz; Encontro de mos e conexo com o olhar; Escutar o corao do outro; Eutonia de dedos a dois com canto; Eutonia de mos a dois com canto; Invocar pais internos; Movimento de entrega e confiana (pndulo); Ninho com cantiga de ninar;

  • 21

    Oferecer o corao; Pedir amor; Respirao danante; Roda de acariciamento das costas (sentados) Roda de compresso e descompresso das mos; Roda de despedida; Roda de embalo; Roda de entrega, deitados (sada do acariciamento das costas); Roda de olhares; Roda de olhares conduzida pelo facilitador; Roda pulsante (de corao a corao); Roda de pulsao de energia, sentados, percebendo a pulsao e passando pelo

    apertar das mos; Segmentar de pescoo a dois.

    TRANSCENDNCIA

    Batismo de luz; Canto no corpo, a dois ou trs; Crculo de energia com som primal (OM); Coro ao sol (AUM, OM); Coro com emergente (grupo - caa divina; um no centro - melodia livre); Coro de Caa Divina; Coro meldico (caracol: aaa...aaa...modulando); Regresso ao estado de criana, com proteo e cantiga de ninar; Roda de batismo de luz - duas rodas concntricas, um e frente para o outro; Roda de fluidez; Transe de acariciamento; Transe de suspenso.

    2.3.3 Experincia pessoal

    Tem sido gratificante facilitar maratonas de Biodanza e Voz. Sentindo e presenciando a

    transformao de um corpo rgido em um corpo vibracional, que permite atravs do

    desbloqueio da voz a mutao do corpo, transformando-se em uma perfeita caixa de

    ressonncia que entra em contato ntimo consigo, com o outro e com o Todo.

    Dessa forma, o homem torna-se o mais puro instrumento. Transforma-se em dana,

    movimento e msica que encanta e se deixa encantar.

  • 22

    RitmoPulsar

    Da vida ocenicaQue mergulhoEnquanto ouo

    O silncio roucoDa pausaInquieta

    Que bombeiaO teu corao.

    E s assimMergulhoNa fonte

    InesgotvelDa batidaSincopada

    E alucinadaDa Paixo.

    E gritoNa cadncia

    DescompassadaDo meu momento

    Buscando a harmoniaDesta expresso de vida,

    De fora e de luz.

    Transito entreA certeza do sopro

    E a verdade da criaoE aqui e agora me revelo

    Mulher, estrela,Terra, luz e guaNa ressonncia

    Do amorDo olhar

    Do meu pulsarQue tambm o teu.

    2.3.4 Pesquisa

    Achei importante realizar uma pesquisa com alunos e facilitadores de Biodanza, a

    respeito das sensaes sentidas durante uma aula de Biodanza e Voz, bem como as

    dificuldades encontradas neste tipo de vivncia. Realizei algumas entrevistas ao vivo e outras

    por e-mail.

  • 23

    Resultados: 19 pessoas responderam.

    As perguntas foram as seguintes:

    1 Como voc se sente em uma aula de Biodanza e Voz? N %

    Sente dificuldade em expressar-se 5 26Expressa sua Identidade 5 26Tem sensao agradvel 5 26Tem a sensao de que precisa trabalhar mais a voz 3 16Sente prazer 3 16Sente prazer 3 16Tem preconceito com a prpria voz 1 5Falta de segurana 1 5Sente-se potente 1 5Entra em estado de transe 1 5Sente-se integrada ao grupo 1 5Tem harmonia com o grupo 1 5Fica em segurana quando est com o grupo 1 5

    2 - Voc encontra alguma dificuldade para entrar em vivncia? N %

    No tem dificuldade 16 84Outra forma de entrar em vivncia 1 5Acha mais difcil 2 11

    3 - E no final da aula de Biodanza, quais so as sensaes quepermanecem?

    N %

    Tem sensao de bem estar 6 12Tem vontade de cantar 4 21Sente-se transcendente 3 16Expressa-se melhor 3 16Est com maior comunicao 3 16Falar mais as coisas que gosta 2 11Torno-se mais afetiva 1 5Sente-se mexida 1 5Adquiriu maior posicionamento na vida 1 5Sentiu alvio 1 5Sair cantando 1 5Ganhou energia vibracional 1 5Melhorou envolvimento consigo mesmo 1 5Melhora a respirao 1 5Destranca a garganta 1 5Mudam aspectos dentro das 5 linhas de vivncia bem importantes 1 5

    Discusso dos resultados

    Durante a aula de Biodanza e Voz as pessoas apesar de sentirem dificuldade na sua

    expresso vocal, muitas vezes por ter preconceito com a sua prpria voz, conseguem sentir

  • 24

    uma sensao muito agradvel e se do conta da importncia da voz como expresso de

    identidade.

    No encontram dificuldade em entrar em vivncia. E ao final da aula, a grande maioria

    tem uma enorme vontade de comunicar-se melhor, sair cantando, transmutado, com uma

    grande sensao de bem-estar.

    Concluso

    A voz, em Biodanza, ainda muito pouco utilizada, quando conseguimos desmanchar

    as couraas que tencionam o nosso corpo e permitimos que as nossas emoes se expressem,

    atravs dos mais diferentes sons, que vm das nossas vsceras. Dessa maneira, somos capazes

    de parir a ns mesmos. E ento, os velhos mandados, como:- No grita, tua voz muito

    aguda; ou Pare de cantar, s muito desafinada; ou ainda No cante, isso no para gente

    decente!) ficaro para trs e teremos o prazer e a coragem de fazer o caminho da

    transformao amorosa atravs da voz na Biodanza.

  • 3 MSICA AO VIVO NAS VIVNCIAS DE BIODANZA

    Tenho utilizado em minhas aulas instrumentos de percusso; alguns harmnicos e em

    alguns momentos vocalizes e msica capela, o que tem ocasionado maravilhosos resultados

    em harmonia, integrao e confiana do grupo.

    Para isso, necessrio seguirmos os atributos da msica orgnica: fluidez, harmonia,

    ritmo, tom e unidade de sentimento.

    A msica, na Biodanza, o primeiro componente da trade msica- movimento-

    vivncia. Sendo assim, a sua escolha de fundamental importncia, pois atravs dela

    induzido os movimentos e as vivncias integradoras.

    Esta msica deve ter coerncia entre prolepse e desenvolvimento musical, contedo

    emocional definido e intenso, presena de um tema musical estvel e presena de um tema

    musical que expresse um estado de nimo elevado.

    3.1 Pesquisa

    A pesquisa foi realizada com alunos e facilitadores de Biodanza em entrevistas ao vivo

    ou por e-mail. Ao fazer as entrevistas, meu objetivo era saber como as pessoas lidam com a

    surpresa da utilizao de msica ao vivo, j que esse recurso muito pouco utilizado em

    Biodanza.

  • 26

    Resultados: 20 pessoas responderam.

    As perguntas foram as seguintes:

    1 O que voc acha da utilizao de msica ao vivo nas vivncias deBiodanza?

    N %

    Sensao de bem-estar 7 35Sensao diferente 5 25Necessidade de ter ambiente, voz e instrumento adequados 5 25Demora para perceber que era msica ao vivo 4 20Sensao de msica mais presente 4 20Muito forte 3 15Pouca experincia 3 15Potencializador 2 10Mais pessoal 2 10Legal 1 5Superbacana 1 5No potente 1 5Mais fantstica 1 5Maior vibrao 1 5Muito interessante 1 5

    2 - Isso facilita ou dificulta entrar em vivncia? N %

    Facilita 15 75No sabe 4 20Dificulta 1 5

    Discusso de resultados

    A utilizao de msica ao vivo aparece como algo inovador, diferente, tanto que

    algumas pessoas demoram para perceber que no msica mecnica. A maioria delas sente

    uma sensao agradvel e percebe a msica mais presente. No podemos esquecer, contudo, a

    importncia do ambiente, da voz e do instrumento utilizados, que devem ser adequados

    proposta da aula.

    A grande maioria dos alunos e facilitadores no apresenta nenhum tipo de dificuldade

    para entrar em vivncia.

    Concluso

    A msica ao vivo, quando bem utilizada em Biodanza, pode trazer resultados

    qualificadores na proposta de vivncia. Porm, necessrio sempre criar um ambiente

  • 27

    apropriado, em que o tipo de voz e o tipo de instrumento sejam adequados proposta da curva

    da aula. O fato de ser o facilitador, uma terceira pessoa, o grupo inteiro ou uma fuso entre o

    facilitador e uma terceira pessoa que executa a msica, determinante na busca da harmonia e

    da integrao do grupo. Por isso, deve ser muito bem estudado, antes de ser realizado, pois s

    vezes o improviso pode causar erros, ou at mesmo ao utilizar-se uma terceira pessoa que no

    conhea Biodanza, o que no recomendvel.

    Exemplo de uma aula utilizando apenas msica ao vivo:

    VIVNCIA

    1) Roda de Iniciao Msica ao vivo- voz e instrumento harmnico2) Roda Pulsante de Corao a Corao Som do corao: tum-tum3) Caminhar em grupo emitindo o som do corao Duas passos para frente, 1 passo para trs e quando chega na frente grita VIDA4) Enfrentamento Grita H....grita o nome....troca um beijo5) Caminhar com boca chiusa Vrios tons, caretas, regulao da respirao6) Sincronizao a dois com emisso de voz Acesita Hum7) Roda Expressiva Samba Cananda8) Roda de Embalo com emisso de sons Msica ao vivo- voz e instrumento harmnico9) Coro da Caa Divina10) Roda de Olhares Msica ao vivo-voz e instrumento harmnico 11) Encontros ouvindo o corao Msica ao vivo- voz e instrumento harmnico 12) Cantar o nome do outro a dois 13) Poesia Coletiva 14) Roda Tribal com batida rtmica e emisso de som Instrumentos de percusso e vozes

  • 4 A IMPORTNCIA DA CONSIGNA

    Dentro da aula de Biodanza, a consigna uma explicao breve que o facilitador d ao

    grupo sobre o exerccio que se vai realizar.

    Existem quatro elementos que fazem parte da consigna. Geralmente usa-se a consigna

    em torno de dois elementos quando se explica o exerccio.

    Os quatro elementos da consigna so nome do exerccio; o modo como realiz-lo,

    seguido de demonstrao; efeito do exerccio sobre o organismo e a importncia do exerccio

    como fonte de vivncia determinada e sua projeo existencial.

    importante que a consigna seja adaptada ao tipo de aula realizada (de iniciao ou de

    aprofundamento). J que esse tipo de explicao determinante na qualidade das vivncias.

    Quando o facilitador compromete-se, entusiasma-se e d permisso, o nimo dos alunos

    transformado, pois esses sentem que o ambiente afetivo e propcio para a entrega. Por outro

    lado, quando falta expressividade, contedo e exaltao na consigna no se alcana o objetivo

    da aula de Biodanza.

    A consigna responsvel por motivar o movimento e a vivncia. Devido a esse papel ,

    fundamental que o facilitador tenha uma boa dico: corretas respirao e articulao das

    vogais e consoantes, impostao da voz falada, projeo, ritmo, variao e colorido da voz.

    4.1 Pesquisa

    A pesquisa foi realizada com facilitadores ou alunos de uma Escola de Formao de

    Facilitadores de Biodanza licenciados, atravs de entrevistas ao vivo ou por e-mail. Ao fazer

  • 29

    essas entrevistas, meu objetivo era verificar como os facilitadores percebem a sua voz durante

    a consigna em uma aula de Biodanza.

    Resultados:19 pessoas responderam.

    A pergunta foi a seguinte:

    1 O que voc acha da sua voz na consigna? N %

    Tenho que trabalhar a voz 9 47Tenho voz baixa 4 42Fora-me para falar mais alto e mais claro 4 21Tenho uma voz legal 4 21Tenho voz fraca 3 16Tenho voz suave 3 16Tenho voz calma 3 16Tenho voz emocionada 3 16Sinto que as pessoas gostam 3 16No questiono a minha voz 2 11Tenho boa colocao da voz 2 11No sei falar em sussurro 2 11Tenho voz com tonalidade 2 11Adapto a voz ao tipo de vivncia 2 11Tenho que chegar mais perto do grupo 1 5Tenho voz com defeito 1 5Tenho voz amorosa 1 5Tenho voz trmula 1 5Tenho velocidade na voz 1 5Tenho veludez na voz 1 5Tenho voz com mpeto 1 5Sai de dentro a minha voz 1 5Tenho a mesma voz do dia a dia 1 5Tenho a voz anasalada 1 5Tenho voz sensual 1 5

    Discusso de resultados

    A grande maioria dos facilitadores acredita que deve trabalhar melhor a sua voz, pois a

    percebe baixa e pouco clara.

    Concluso

    A consigna uma mensagem que deve ser bem ouvida, para que possa ser

    compreendida e gerar o movimento e a vivncia.

  • 30

    O facilitador o responsvel por realizar essa tarefa. Para isso, tem que saber utilizar os

    recursos necessrios a fim de qualificar a sua voz.

    TUA VOZ n II

    CONTO-TE POEMASSONETOS

    EM VERSOSBRANDOS.QUERIA-TE

    OUVIREM MELODIAS

    SOLTAS AO VENTODE TUA VOZ.

    PORM,DESCONFIOQUE A TUA

    VOZ ROUCA,CALADAINSISTEEM NOEMITIR

    SI QUERUM MEIO TOM.

    TENHA DDESTA VOZ

    PROLONGADA,INCESSANTEQUE ESPERASEMIBREVE

    UMA PEQUENAPAUSA

    NA DISSONNCIADOS LAOS

    ESTREMECIDOSDE CORDAS

    QUE ARREBENTAMQUASE SEMPRE

    SEM NOS AVISAR.QUE A TUA VOZ

    POSSA SERCOMO

    NOTAS CARREGADASPELOS ARRANJOS

    DA VIDA,QUE COM CERTEZA

    NAVEGAMCOM A ESPERANA

  • 31

    DE SEMEARPELO CAMINHO

    COMPASSOS INTEIROSDE PAZ, AMOR E FRATERNIDADE.

  • 5 A POESIA NA BIODANZA

    DANOA DANADA FONTE

    QUE INUNDAO HORIZONTE

    DE GOTASESPARSAS

    DO ORGASMODA VIDA

    QUE PURO PRAZER

    TRANSCENDERO TEMPO E ESPAO

    NA BUSCA INCESSANTEDA VIDA E MORTEETERNO PRESENTE

    DE LUZ E SABER.

    Se o homem um animal potico, um poema inconcluso, cada indivduo est

    desenvolvendo, atravs da sua existncia, o poema de sua identidade (Rolando Toro).

    A vida essencialmente potica. A expresso potica uma manifestao vivencial e

    no puramente intelectual. A poesia faz com que nos sintamos vivos, em profunda conexo

    com o outro e com o universo pulsante. Em Biodanza, em especfico, a poesia vivenciada de

    uma forma pulsante, com a essncia entre a conscincia e os impulsos intuitivos mais arcaicos

    e cenestsicos que fazem parte do homem.

    A poesia, assim como a dana, um movimento pleno de sentido. Paul Valery, em seu

    livro A Alma e a Dana, revelou a qualidade potica da dana. No mito de Orfeu, citado em

  • 33

    outro captulo anterior desta monografia, o mistrio fascinante da msica e da poesia fundem-

    se em uma nica expresso.

    Rolando Toro tem proposto integrar as vivncias de Biodanza e Poesia em uma nica

    experincia criativa. Em Biodanza, poesia no simplesmente a arte de fazer versos, mas sim

    uma verdadeira expresso de vida, pois a poesia permeia o mundo das emoes. Em

    Biodanza, essa completude reforada em relao a situaes reais, como a produo de

    emoes saudveis de plenitude, afeto e respeitosa vinculao humana.

    Rolando Toro realizou uma diviso de alguns poetas renomados, dentro do seu Modelo

    Terico, nas cinco linhas de vivncia:

    a) Poetas da linha da Vitalidade:

    Pablo de Rocka

    Saint John Perse

    Walt Whitman

    b) Poetas da linha da Sexualidade:

    D. H. Lawrence

    Pierre Louys

    Violette Ledouc

    William Bourroughs

    c) Poetas da linha da Criatividade:

    Andre Breton

    Edith Sitwell

    Ludwig Zeller

    Stephan Mallarm

    Vielimir Khlbnikov

  • 34

    d) Poetas da linha da Afetividade:

    Gabriela Mistral

    Pablo Neruda

    Pedro Tierra

    e) Poetas da linha da Transcendncia:

    Lubicz Milosz

    Novalis

    Rainer Maria Rilke

    Nunca esquecendo, que essa distribuio apenas aproximativa, pois os grandes

    criadores integram todas as linhas de vivncia.

    De acordo com os parmetros do Modelo Terico, essa distribuio ficaria assim:

    a) Identidade:

    Ezra Pound

    Haroldo de Campos

    James Joyce

    Octavio Paz

    Paul Valery

    Stephan Mallarm

    Vicente Huidobro

    Vielimir Khiebnikov

    Virgnia Wolff

    b) Regresso:

    Allen Ginsberg

    Antonin Artaud

    Rene Daumal

  • 35

    William Bourroughs

    c) Integrao:

    Friedrich Holderlin

    Lubiccz Milosz

    Novalis

    Rainer Maria Rilke

    d) Potencial Gentico:

    Gabriela Mistral

    Pablo Neruda

    Pedro Tierra

    Saint Jones Perse

    Segundo Toro (1991), a poesia possibilita um processo de liberao do indivduo.

    Os poetas do para a humanidade neurtica um ponto de referncia csmico, um novo

    modo de identificao e uma percepo do transcendente.

    A abaixo, alguns poemas escritos durante o perodo da minha formao como

    facilitadora de Biodanza:

    EXPRESSO DA TOTALIDADE

    As notasEnchem-me

    De entusiasmo,Ecoam na batida

    CompassadaDo meu corao.

    Sinto o corpoFlutuar

    Na chuva de sentimentosQue a regncia

    Da vidaTransforma

    Em impulsos...Em saltos qunticos

    De emoo.

  • 36

    E assimPerceboQue fao

    Parte do TodoE que o todoNada mais

    Do queO vibrar

    MelodiosoDo meu corpoEm propulso.

    Mgica da melodiaQue emociona

    E transforma-seEm luz

    Em soproGeratriz de vidaPleno, completo

    Inteiro...Como uma sinfoniaOnde cada elemento

    MusicalTem a sua importncia

    E a...Sinto-me importante

    Porque me sintoMelodia,

    Harmonia,Ritmo,

    Uma simples pausa;Mas sinto-me

    PreenchidaCom o som

    Do TodoQue existeEm cada

    Um de ns.

    APRENDER EM EXPLOSO

    AprenderPalavra mgica

    Que tocaA ansiedade

    Daqueles que possuem a fomeDo conhecimento

    Da aoDo estar junto

    E do perceber-se.

  • 37

    Como difcilExplorar esses quatro elementos:

    Aprender a aprenderVivenciando e refletindo

    Religando a vidaNa fonte do amor

    Permitindo que a msica,O movimento e a emoo

    Integre-nos.Para que possamos partir

    Para a elaboraoProgressiva

    Sem julgamentosDa nossa autoconstruo.

    E ao mesmo tempoTentarmos descobrir o outro

    Criando os vnculosE os dilogos necessriosPara entrarmos em contato

    Conosco, com o outroE com a totalidade.

    Experimentando uma convivnciaAmorosa e solidriaE assim integrando

    O nosso serVinculado

    Aos princpios bsicosDa vida

    Tendo a coragemDo poder criativoIndo em busca,

    De forma espontnea,Das respostas

    Que s ns conhecemosE que borbulham

    Em nossos coraes e mentes.Hoje sei

    Que nada seiE que por isso

    Busco conhecimento...Respostas...

    Mas no s isso... a busca

    Do preencherUm vazio

    Que s pode serTocado e validado

    Com amor,Com carinho,

    Com afeto,

  • 38

    Com contato,Com vnculo,Com respeito,Com presena,Com dilogo

    Com coerncia,Com emoo,

    De forma poticaE sincera.

    VITALIDADE

    No sei por queA vida

    Mostrou-meCaminhos

    To diversos...S sei

    Que tenhoUm compromisso

    Com o vitalCom a plenitude

    Com o entusiasmoCom o prazer

    Por mimE pelos que

    Convivem comigoE mais ainda

    Com o Universo.Talvez

    Nestes caminhosMltiplos que se apresentam

    Eu possaExperimentar

    A minha seriedadeE por que no?

    O meu lado jocosoA minha feminilidade

    A minha vitalidadeO meu impulso pela vida...

    Sem culpasSem medos

    SimplesmenteE totalmente

    De forma saudvel.AprendendoE ensinandoO que a vida

    At hoje

  • 39

    Permitiu-meDesfrutar

    E desnudarO que aindaH de vir.Que a luz

    Se faa estrelaOriginando a vida

    Dos seresBrilhantes

    Que teimamEm acreditar

    Na grande conexoExistente

    Entre o impulsoVital

    E o Divino.

    CAMINHOS DA TRANSFORMAO

    Hoje choroPorm

    No de tristeza,Mas choro

    PorqueSei

    Que em minhas lgrimasCorreO fio

    Da emooDo coraoRasgado,

    EnsangentadoDe sentimentos...

    Que brotamDa verdade

    Do puro Amor,Da sinceridade,

    Da liberdadeQue surge

    Do reconhecimentoDo pulsarDa vida

    Existente em mim.E que hoje

    Transforma-seEm fonteVibrante

    Energtica...

  • 40

    TranscendendoA barreira

    Do no possoPara impulsionar

    A crenaDo meuMrito.

    EM / MOO

    Ao mover-meSinto

    E assim expressoO meu pensamento...

    E tenho forasPara pulsarDo repouso

    Para o limite...Rompendo couraas

    AmadurecendoEm plena vivncia.

    MergulhoEm minha essncia

    E pressintoQue a vida em movimento

    Nada mais Do que o mais puro

    SentimentoMaterializado

    Em pensamentoE transformado

    Em aes...J que energia

    No se criaApenas se transformaDa noite para o dia...

    Emociona-meA dana da vida

    Pois permiteQue eu sintaO estmulo

    Do estar vivoPois se existoPosso sentir

    E sentindo-meDano...movo-me

    Ao encontro do outro...De mim mesma

    E penso

  • 41

    Lmotion de la vieCest la propre vie.

    BIODANZA...?

    Sinto a alma cheiaComo lua que iluminaNo s os meus passos

    Mas os nossos corpos por inteiro;Que danam

    A magia da vidaEm compassos lentos

    De corpos suados,midosDa fonteDe onde

    Tudo se origina.Seria isto

    BIODANZA...?

    REFUGIADOS

    Fugir...Fugir do qu?Do homem...Da guerra...Da fome...

    Da injustia...Da diferena.Engraado!

    Todas as vezesQue escuto

    A violncia no MundoOuo rudos

    Mudos.

    RETRATOS

    OlhosFortes

    EsperanososVazios

    Com medoCom raiva.Crianas

    AnjosH a oportunidade

  • 42

    De dizer:- Eu sou...

    nicoDiferente

    Igual.Mas nico

    Em minha essncia.Quero ter chance

    De vidaE no apenas

    De morte.Fugir...

    De quem?Para quem?E por qu?

    O que me torna miservel?A doena Auto-Imune

    Do Mundo.

    INTOLERNCIA RACIAL

    MinasNo de ouro

    Ou de pedras preciosasMas sim...

    De destruioMutiladoras

    Que no s destroemO fsico

    Como o mental,O sentimental,O espiritual.

    MutilamA existnciaA esperana

    A crena.E o Mundo se cala

    Sente vergonhaDa sua face

    Mal maquiadaEsfomiada,

    No s de comidaDe prazer

    De ter uma vida comumDigna.

    Ter direitoA um lar

    A uma infnciaA um emprego

  • 43

    De ter etnia,E no s por isso

    Torna-se uma erva daninhaQue deve ser estirpada,Eliminada, expurgada

    Da face da Terra.Direito PtriaDireito terraDireito vida.

    Tenho esperanaQue a chuva

    Me da sabedoria....Molhe a mente

    Dos aindaSecos de esprito.

    CONTATO E CARCIAS

    RevelaO teu tato

    ExperimentaA tua lngua

    E versO sabor

    DegustarsO perfumeVibrarsAo som

    Do tilintarDe lbios

    Que se roamE que experimentam

    Suores, salivasE num arrepio

    De prazerPercebesO quantoA tua pele

    Quente e maciaPermeiaO limite

    Corpo e almaE te fazSentirnico

    E permiteSer coletivo

    Basta que toquesBasta permitir-te

  • 44

    Ser tocadoPermitir-te

    Viver a abundnciaDa mo que acaricia

    Do abrao que entrelaaDo p que se esfrega

    Do lbio que escorregaDo seio que tremeDa coxa que aperta

    E assim estarsMais pertoDo teu eu

    Mais puro e genuno.Permite-teHomem...Mulher...A vida

    S tem um preoO da felicidade.

    LINHAS DE VIVNCIA

    No limiteDas linhasPercebo

    A presenaDo outroQue nada

    Mais Do que

    A minha presenaRefletida no espelhoDa minha essncia.

    5.1 A linguagem potica

    A linguagem potica a linguagem da Biodanza, pois capaz de integrar

    conhecimento e emoo (Myrthes Gonzalez).

    Rolando Toro expressa que o facilitador de Biodanza no um super-heri, mas uma

    pessoa como qualquer outra, buscando integrao e desenvolvimento que deve possuir os

    seguintes requisitos: afetividade profunda, vocao humanstica, desejo de ajudar o prximo,

  • 45

    esprito aberto ao prazer de viver, sinceridade e coragem; isto , um facilitador afetivo,

    ntegro, potico e pleno de amor.

    Segundo Rolando Toro, falta poesia nas psicoterapias e carece da percepo do grande

    sentido expressivo da vida.

    A Biodanza emprega indistintamente a linguagem cientfica e potica.

    De acordo com Rolando Toro, a poesia aparece como o caminho direto entre a vivncia

    e a palavra. na linguagem potica que se possibilita a intimidade, pois se restabelecem

    vnculos originrios, em que o outro se faz perceber, quando se usa palavras simples,

    verdadeiras, diretas que possam ser a pura extenso originria da vida no prprio processo de

    vida. Nesse tipo de sistema, a linguagem potica transcende a palavra no seu sentido

    sintagmtico e promove exatido e profundidade, no eixo semitico, o que no sinnimo de

    eixo lingstico. Atravs da linguagem potica poder ocorrer uma sntese vital, criadora, que

    permite pessoa criar uma transmutao profunda.

    5.2 Pesquisa

    A pesquisa foi realizada com facilitadores ou com alunos de Escola de Formao de

    Biodanza licenciados, em entrevistas ao vivo ou por e-mail. Ao fazer esses questionamentos,

    meu objetivo era verificar se os facilitadores conseguem utilizar nas suas consignas a

    linguagem potica.

  • 46

    Resultados:19 pessoas responderam.

    A pergunta foi a seguinte:

    - Voc consegue utilizar uma linguagem potica em suas consignas? N %

    Sim, consegue 10 53Procura falar a parte tcnica 7 37Tenta utilizar 6 32 conduzido pela emoo 3 16s vezes acha-se dura 2 11No consegue 2 11Na parte regressiva mais fcil 1 5

    Discusso de resultados

    Cerca de 53% dos facilitadores conseguem utilizar com facilidade a linguagem potica,

    mas a grande maioria ainda tem dificuldade com esse tipo de linguagem. Nesse caso,

    utilizam-se um misto de conhecimento tcnico, esse sendo priorizado, mediado por uma

    tentativa de uma linguagem potica.

    Concluso

    Os facilitadores buscam a utilizao indistinta da linguagem potica e da cientfica, pois

    sentem dificuldades em expressar as suas emoes pela via potica, o que revela uma busca

    de integrao entre esses dois plos.

    RITMO INTERNO

    Pulsao de corposEnovelados pela moeda da vidaA cada pulsar uma respirao...

    A cada inspiraoUm ressoar de sensaes...

    Eu te olho,Tu me olhas

    E ns trocamos olhares.A dana comea,

    E a cada bailar teuMeus olhos brilham,

    Incendeiam e vibram em ti.Respondes com um sorriso

    E assim sinto-me grata,

  • 47

    Por mais uma vezEncantar-me contigo.

  • 6 DISCUSSO DE RESULTADOS

    A qualidade, tom, extenso da voz so um reflexo da nossa vida emocional e do nosso

    estado mental (Sonia Prazeres).

    A personalidade humana reflete-se no som da pessoa (Paul Morse).

    O nosso corpo quando utilizado como um verdadeiro instrumento musical, capaz de

    expressar quem somos e como nos sentimos.

    Quando nascemos a nossa voz expandi-se, livre, atravs do choro, dos nossos sons

    viscerais, puros e instintivos. Com o passar do tempo, comeamos a falar e reprimimos os

    nossos sons essenciais, que expressam as nossas emoes, os nossos sentimentos.

    Criamos, ento, couraas que vo se moldando s nossas frustraes, raivas, medos; e

    somos obrigados a rir baixinho, a segurar o choro, a prender a respirao e at mesmo a calar

    a boca. E assim vamos adoecendo, empobrecendo o nosso processo de vida.

    Eu acredito ser necessrio resgatar esse potencial da nossa respirao audvel, de forma

    arquetpica e ritualstica, propiciando vivenciar emoes que fortaleam a reintegrao do ser

    humano.

    A Biodanza dilui a divisria que separa a msica do corpo; somos Uno. Somos

    movimento pleno de sentido em busca de plenitude, seja com a dana, com o canto ou com a

    poesia.

    Todas as coisas e todos os seres produzem sons de acordo com sua prpria naturezae com o estado particular em que se encontram. Isso porque so agregados detomos que danam e , por esse movimento, produzem sons. Quando muda o ritmoda dana, o som que ela produz tambm muda... cada tomo canta perpetuamentesuas canes, e o som a cada momento produz formas sonoras densas e sutis. Assim

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    como existem sons criativos, h sons destrutivos. Aquele que for capaz de produzirambos tem o poder de criar ou destruir (Lama Anagarika Govinda, 1969).

    O corpo humano uma virtual sinfonia de freqncias, sons, ritmos biolgicos,

    mentais e emocionais em um estado de fluxo contnuo que procura realizar e manter o estado

    de equilbrio perfeito (Randall McClellan, 1994).

    Na Biodanza nosso som visceral surge medida que as tenses restritivas so liberadas,

    as estruturas internas do corpo envolvem-se mais no apoio, a respirao torna-se mais

    profunda e plena e uma maior parte do potencial ressonante do corpo se enche de som.

    Somos pura ressonncia. Sendo assim, podemos transmutar a ns mesmos, entrar em

    contato com o outro e nos interligarmos com o Teclado Universal do Cosmos.

    Esta monografia visa a que a voz, a msica ao vivo, a poesia e a linguagem potica

    sejam cada vez mais fortalecidas nas sesses de Biodanza, pois acredito na importncia das

    mesmas no resgate do potencial instintivo do ser humano, pelos relatos e pesquisas feitos,

    aps os trabalhos por mim realizados nesta rea.

  • CONCLUSO

    A introduo da voz, da poesia, da msica ao vivo nas sesses de Biodanza depende

    unicamente do treinamento e aperfeioamento do facilitador. Em muitos casos, esses

    instrumentos so utilizados em processos de radicalizao de vivncias. Sendo assim, o

    facilitador de Biodanza deve se qualificar, buscando recursos que possam capacit-lo. Para,

    dessa maneira, poder, paulatinamente, fazer uso, de uma forma mais freqente e consistente,

    visto que, na maioria das vezes, os profissionais apenas fazem uso de dois ou trs exerccios

    mais conhecidos, por desconhecerem a grande gama de possibilidades existentes, que podem

    e trazem enriquecimento ao processo vivencial.

    A voz e a poesia em Biodanza , alm de serem, tais como a dana, movimentos pleno de

    sentido, so as formas pelas quais nos dirigimos aos nossos alunos, favorecendo o

    desencadear da vivncia, expresso mxima da sesso de Biodanza. Por isso, cabe a ns,

    facilitadores, otimizar a linguagem potica e nos fazer compreender, com dico clara e

    dinmica e afetiva.

  • REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

    BEHLAU, M. & PONTES, P. Higiene vocal - cuidando da voz. Rio de Janeiro: Revinter,1999.

    BEHLAU, M.; DRAGONE, M. L.; FERREIRA, A E.; PELA, S. Higiene vocal infantil:informaes bsicas. So Paulo: Lovise, 1997.

    BEHLAU, Mara. Avaliao e tratamento das disfonias. So Paulo: Lovise, 1995.

    CADERNOS DE BIODANA [s.l.] Escola de Biodana do Rio Grande do Sul, n 2, 3 e 7,1995/1999.

    COTTE, Roger J. V. Msica e simbolismo. 11. ed. So Paulo: Cultrix,1997.

    FREGTMAN, Carlos D. Msica transpessoal.10. ed. So Paulo: Cultrix, 1995.

    GAIARSA, Jos. Respirao e circulao. So Paulo: Summus, 1975.

    GERBER, Richard. Medicina vibracional. 12. ed. So Paulo: Cultrix, 1997.

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    MCCLELLAN, Randall. O poder teraputico da msica. So Paulo: Siciliano, 1994.

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    REVUE ANNUELLE BIODANZA. Association Europenne des Enseignants de Biodanza,Bolgna (Itlia), n. 4, 2000.

    ORTIZ, John M. O Tao da Msica. So Paulo: Mandarim, 1998.

    REGINA, Cssia. Gestos, palavras e msicas. Fortaleza, 2002.

    ROSA, Jussara S.da. Voz & Biodana. Porto Alegre, 1996. (Monografia para Titulao:EGB).

    STEWART, R.J. Msica e psique.So Paulo: Cultrix, 1989.

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    _______. Criatividade. Apostila do Curso de Formao Docente- IBF.

    _______. Aspectos Biolgicos de Biodanza. ______.

    _______. A Vivncia. ______.

    _______. Identidade e Integrao. ______.

    _______. Inconsciente Vital e Princpio Biocntrico. ______.

    _______. Mecanismos de Ao. ______.

    _______. Metodologia II - A Sesso de Biodanza. ______.

    _______. Metodologia VI . ______.

    _______. Transe e Regresso. ______.

    _______. Vitalidade . ______.

  • CURSO VOZ E BIODANZA

    Criei, no ano de 2004, o curso Biodanza e Voz. A seguir, apresento os quatro mdulos,em formato reduzido do original:

    MDULO IParte Verbal: Apresentao, o Mito de Orfeu e a Importncia da Respirao.

    VIVNCIA:

    1) Roda de Iniciao: Msica ao vivo2) Roda de Boas Vindas: Som mecnico3) Caminhar Fisiolgico prestando ateno respirao: Som mecnico4) Caminhar Rtmico em par, emitindo som rtmico: Som mecnico5) Sincronizao Rtmica, emitindo som rtmico: Som mecnico6) Dana Rtmica, utilizando o corpo como instrumento: sozinho, em trios, quintetos ou

    grande grupo: Som mecnico7) Roda - Cantar o nome e todos repetem8) Roda - emitir o som de um instrumento e todos repetem9) Roda de Eutonia com palma das mos: Som mecnico10) Roda de Embalo com emisso de sons da melodia: Som mecnico11) Encontros: Eu sou Msica ao vivo12) Dana de Ativao em pares, cantando o nome do outro13) Roda de Ativao Som mecnico14) Roda de Despedida Som mecnico

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    MDULO IIParte Verbal: Teoria Vocal, Voz como Identidade.

    VIVNCIA:

    1) Roda de Ativao Progressiva com emisso de som: Som mecnico2) Caminhar Fisiolgico com boca chiusa, caretas, emisso de sons, vogais: Som mecnico3) Criar uma nova linguagem, em trios4) Enfrentamento: gesto, gesto com som, gesto com som perpassando os grupos5) Ritmo Cadncia: Som mecnico6) Sincronizao Meldica: Som mecnico7) Respirao Danante: Som mecnico8) Roda de Embalo com emisso de sons: Som mecnico9) Acariciamento de mos com canto- grupo de trs: Som mecnico10) Dana a Dois, em que um o instrumento que o outro toca: Som mecnico11) Encontros- Eu ofereo o meu corao: Som mecnico12) Danas de Ativao em pares Som mecnico13) Roda de Despedida

    MDULO IIIParte Verbal: Sentimentos, Cuidados com a Voz, Canto como Terapia

    VIVNCIA:

    1) Roda de Iniciao: Msica ao Vivo2) Roda de Boas Vindas: Som mecnico3) Roda de Olhares: Msica ao Vivo4) Encontros para ouvir o corao- fazendo o som do corao: Som mecnico5) Encontros cantando o nome do par6) Roda de Embalo: Som mecnico7) Auto-acariciamento de peito com cano de ninar: Som mecnico8) Colo com cantiga de ninar: Som mecnico

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    9) Cantar o corpo do outro: Som mecnico10) Danas de Ativao em pares: Som mecnico11) Roda de Despedida: Som mecnico

    MDULO IVParte Verbal: Qual a importncia da minha voz?

    VIVNCIA:

    1) Roda de Boas Vindas: Som mecnico2) Caminhar Fisiolgico: Som mecnico3) Caminhar em Pares: Som mecnico4) Sincronizao Rtmica- Samba Cananda5) Sincronizao Meldica- boca chiusa: Som mecnico6) Rodas Concntricas- emisso de mensagens: Som mecnico7) Ninho: Som mecnico8) Despertar: Msica ao Vivo9) Poesia- Eu Sou: Som mecnico10) Leitura da Poesia11) Encontros: Eu quero, eu posso, eu mereo: Som mecnico12) Roda de Ativao: Som mecnico13) Roda Tribal: Som mecnico