Escolha da técnica de mastoplastia de aumento: uma ... · mastopexia baseada na avaliação...

Click here to load reader

  • date post

    12-Nov-2018
  • Category

    Documents

  • view

    214
  • download

    0

Embed Size (px)

Transcript of Escolha da técnica de mastoplastia de aumento: uma ... · mastopexia baseada na avaliação...

  • Rev Bras Cir Plst. 2013;28(2):253-9 253

    Escolha da tcnica de mastoplastia de aumento: uma ferramenta na preveno de litgio mdico

    Escolha da tcnica de mastoplastia de aumento: uma ferramenta na preveno de litgio mdicoChoosing the augmentation mammaplasty technique: a method for preventing medical disputes

    Trabalho realizado na Clnica Lucano de Cirurgia Plstica,

    So Paulo, SP, Brasil.

    Artigo submetido pelo SGP (Sistema de Gesto de

    Publicaes) da RBCP.

    Artigo recebido: 22/7/2012 Artigo aceito: 1o/4/2013

    Claudio RonCatti1 Katia toRRes Batista2

    Claudio RonCatti Filho3

    Franco T et al.Vendramin FS et al.ARTIGO ORIGINAL

    RESUMOIntroduo: A cirurgia plstica uma das especialidades mdicas expostas ao risco de reivindicaes abusivas. A maioria das queixas em cirurgia plstica no decorre de falhas tcnicas, mas de inadequados critrios de seleo de pacientes, falha na indicao cirrgica e falta de comunicao adequada entre o paciente e o cirurgio. O treinamento, a utilizao cuidadosa de tcnicas, a adoo de precaues, o cumprimento de normas de segurana e o formulrio de consentimento informado so princpios fundamentais na prtica da medicina defensiva. Ademais, ter nos registros dos pacientes informaes objetivas sobre a cirurgia realizada avaliza o trabalho do cirurgio plstico, tornando os procedimentos profcuos e tcnicos. O objetivo deste estudo descrever uma ferramenta de preveno de litgios mdicos na mastoplastia de aumento baseada em dados de escala em graus I a IV. Mtodo: Foram avaliadas 40 pacientes com indicao de mastoplastia de aumento. Todas as pacientes foram submetidas a mensuraes anatmicas, documentao fotogrfica e registro de doenas hereditrias e congnitas encontradas nas pacientes candidatas a au mento mamrio. Alm disso, todas as pacientes receberam explicao da indicao e do procedimento cirrgico a ser realizado. As pacientes concordaram com a indicao cirrgica e assinaram o termo de consentimento. Resultados: O tempo de seguimento das pacientes foi de 6 meses. Todas as pacientes apresentaram alto grau de satisfao com o resultado obtido aps o procedimento e no houve caso de queixa ou litgio. Concluses: Os autores propem o uso regular de tabelas e classificaes para escolha prvia dos implantes, com o objetivo de tornar a indicao cirrgica objetiva, facilitar o entendimento da paciente e prevenir o litgio.

    Descritores: Implante mamrio. Mamoplastia. Jurisprudncia.

    ABSTRACT Background: Plastic surgery is a medical specialty that is particularly at risk of unwarranted claims. Most complaints regarding plastic surgery are not a consequence of technical failures but rather of inadequate criteria of patient selection, failure in surgical indication, and lack of effective communication between the patient and the surgeon. Training, careful use of techniques, adopting precautions, compliance with safety regulations, and the informed consent document are fundamental principles of defensive medical practice. Moreover, documenting objective information about the surgery in the medical records validates the work of the plastic surgeon and ensures that procedures are productive and technical. The aim of this study was to develop a tool for preventing medical litigations in augmentation mammaplasty based on data expressed on the scale from I to IV. Methods: Forty patients

    1. Cirurgio plstico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plstica (SBCP), professor voluntrio da Disciplina de Cirurgia Plstica da Santa Casa de Misericrdia de So Paulo; perito judicial do Frum Central da Comarca de So Paulo de confiana do Juzo e do Conselho Regional de Medicina do Estado de So Paulo, mestre em Bioengenharia e Laser pela Universidade do Vale do Paraba, primeiro vicepresidente da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia, diretor clnico da Clnica Lucano de Cirurgia Plstica, So Paulo, SP, Brasil.

    2. Cirurgi plstica do Hospital Sarah Braslia, membro titular da SBCP, presidente da Regional do Distrito Federal da SBCP, Braslia, DF, Brasil.3. Membro aspirante do Colgio Brasileiro de Cirurgies, membro aspirante da SBCP, mdico residente em Cirurgia Plstica do Servio do Prof. Dr. Ewaldo

    Bolivar de Souza Pinto da Universidade Santa Ceclia, Santos, SP, Brasil.

  • Rev Bras Cir Plst. 2013;28(2):253-9254

    Roncatti C et al.

    with an indication for augmentation mammaplasty were evaluated. All the patients were subjected to anatomical measurements, which were photographically documented, and the hereditary and congenital diseases of the patients presenting for breast augmentation were recorded. In addition, all the patients were informed about the indication and surgical procedure to be performed. They agreed with the surgical indication and provided informed consent. Results: The followup period was 6 months. All the patients expressed a high degree of satisfaction with the results obtained after the procedure, and no cases of complaints or disputes were encountered. Conclusions: The authors propose the regular use of tables and classifications for the selection of implants, with the aim of establishing surgical indication as an objective parameter, facilitating patients understanding of the procedure, and preventing litigation.

    Keywords: Breast implantation. Mammaplasty. Jurisprudence.

    INTRODUO

    A cirurgia plstica mamria talvez tenha sido a que mais sofreu com as modificaes sociais nos ltimos 20 anos. Esse fato relevante fez com que os cirurgies plsticos refizessem suas estatsticas e renovassem os conceitos quanto a expectativas e necessidades das pacientes1,2. Ademais, foram necessrias modificaes nas indicaes cirrgicas para aumento e diminuio das mamas e mastopexias.

    No incio dos anos 1980, as mastopexias representavam cerca de 60% das cirurgias plsticas mamrias (se consideradas as mamoplastias redutoras, chegava a 75%), indicando uma necessidade sociocultural das mulheres em diminuir e elevar suas mamas1,2. Esse era o desejo das mulheres na quela poca. Entretanto, as mudanas nos hbitos sociais, aliadas globalizao dos conhecimentos, popularizao de computadores e internet e ao acesso a prteses mamrias mais seguras, fizeram com que houvesse alteraes nas ne cessidades do aspecto do contorno corporal, levando as pa cientes a desejar principalmente o aumento mamrio por meio de implantes ou associado mastopexia.

    Esses dados podem ser comprovados na base de dados PubMed, por meio de anlise do nmero de publicaes relacionadas ao tema mastoplastia nos ltimos 45 anos. No perodo de 1966 a 1992 foram publicados 15 a 20 artigos por ano, em 1992 esse nmero passou para 260 artigos, e nos dias atuais chega a 650 publicaes.

    As cirurgias estticas em geral esto aumentando e tam bm as demandas mdicolegais e os casos de litgio3. As mamoplastias representam uma parte desse campo e, consequentemente, muitos casos de erro podem surgir. Muitos desses erros levam a processos judiciais em que os cirurgies plsticos raramente podem ser exonerados. Vale ressaltar que, por se tratar de procedimento cirrgico simples, rpido e muito procurado pelas pacientes, a plstica mamria de aumento por incluso de prteses de silicone foi banalizada. Esse fato decorreu talvez da inexperincia de muitos

    cirurgies, que sucumbem presso e s exigncias da mdia e das pacientes, da formao insuficiente dos cirurgies pls ticos nefitos, da invaso de outras reas mdicas na exe cuo do procedimento ou do esclarecimento inadequado das pacientes, aumentando o risco de complicaes, erros e demandas judiciais3. Embora os implantes tenham evoludo, muitos resultados ainda no so considerados ideais, pela falta de definio dos parmetros objetivos para indicao do procedimento e pelo grande nmero de fabricantes com orientaes diversas de forma e volume dos implantes.

    Na descrio da tcnica de implantes mamrios apresentada por Mathes4, so obtidas medidas da mama existen te, dimetros torcico, interaxilar e mdioesternal. So ava liados, tambm, largura, projeo, altura e volume do implan te. Geralmente, escolhese um implante com base ligeiramente menor que a base da mama existente. Bozola et al.5 realizaram avaliao geomtrica da forma da beleza da mama e da forma da prtese com base na proporo Phi. Esses autores fizeram a marcao da linha vertical mdio-esternal linha do meridiano mamrio (breast meridian line BML) para cada mama, da linha mamria horizontal inferior (lowest horizontal breast line LHBL) e da linha mamria horizontal superior (highest horizontal breast line HHBL), bem como dos pontos I direito e esquerdo, no cruzamento de BML e LHBL. A implantao da base da futura mama localizavase entre as duas linhas horizontais, em viso frontal, e as linhas verticais (vertical lateral breast line VLBL e vertical medial breast line VMBL). As prteses foram es colhidas com base na medida vertical da linha mdioesternal e segundo a classificao das hipomastias proposta em seu estudo. Segundo esses autores, historicamente, no h muitas publicaes contendo informaes suficientes sobre as formas de prteses.

    Para Paula6, a escolha dos volumes dos implantes mamrios deve ser baseada na solicitao da paciente, nas limitaes locais e, principalmente, na medida da base da mama menos o valor do pinch test no polo superior. Esse autor avaliou as

  • Rev Bras Cir Plst. 2013;28(2):253-9 255

    Escolha da tcnica de mastoplastia de aumento: uma ferramenta na preveno de litgio mdico

    indicaes para o perfil anatmico, quando as pa cientes apresentavam distncia entre a clavcula e o mamilo entre 18 cm e 20 cm, e para o perfil natural, quando houve a solicitao da paciente pela maior projeo na regio centroinferior da mama. No frum de mamaplastia de aumento, publicado na Revista Brasileira de Cirurgia Plstica, observaramse principalmente as indicaes de implantes de revestimento de poliuretano e formato redondo7. Alm disso, a escolha do implante dependeu do volume mamrio existente e do desejo da paciente, porm no foi observada padronizao na indicao, verificando-se carter subjetivo na avaliao.

    Enfim, o dilema desses autores e dos cirurgies plsticos, de modo geral, o de realizar avaliao e indicao cirrgica mais objetiva quanto a forma e volume do implante, pre tendendose ter a responsabilidade civil do cirurgio plstico, nos procedimentos mdicos estticos, interpretada como obrigao de meio, procurandose equiparar a especialidade aos demais ramos da medicina, de forma a se evitar o entendimento judicial como procedimento com obrigao de resultado8.

    O objetivo deste estudo descrever uma srie de casos com indicao cirrgica para mastoplastia de aumento e/ou mastopexia baseada na avaliao objetiva, obtida por escala numrica, classificados em graus I a IV, e o resultado obtido pelo grau de satisfao da paciente e pela ausncia de lit gio mdico. O estudo objetiva, tambm, alertar os cirurgies pls ticos quanto necessidade de informar e transcrever no pron turio mdico e no termo de consentimento a avaliao properatria dos achados anatmicos e da indicao pos svel para cada caso.

    MTODO

    Tratase de estudo prospectivo, que se props a determinar previamente operao o tamanho das prteses ma mrias de silicone, do qual participaram 40 mulheres, com idade mnima de 20 anos e mxima de 45 anos. As pacientes assinaram termo de consentimento livre e esclarecido e concederam autorizao para uso das imagens.

    A tcnica de marcao foi realizada como proposto por Mathes4 e otimizada pelos autores. As medidas foram in cludas em uma tabela, que permitiu a visualizao rpida e concisa de cada caso para escolha do perfil e dimetro das prteses a serem empregadas. As pacientes foram classificadas de I a IV, de acordo com a deformidade mamria.

    Todas as pacientes que participaram deste estudo realizaram exames clnicos e laboratoriais, como hemograma, coa gulograma, glicemia de jejum, transaminase glutmico oxalactica (TGO), transaminase glutmico pirvica (TGP), fosfatase alcalina, ureia e creatinina. Alm disso, foram realizados exames de imagem com ecocardiografia de repouso, radiografia de trax em posio pstero-anterior e perfil di -reito e ultrassonografia mamria.

    Foram considerados critrios de excluso: mulheres com alteraes nos resultados dos referidos exames; presena de ndulo ou cisto; e aumento da espessura do tecido mamrio que pudesse sugerir doena prvia.

    Foram considerados critrios de incluso: todas as mulheres com exames clnico, laboratorial e de imagem nor mais, com idade mnima de 20 anos e mxima de 45 anos.

    Aps obteno da histria clnica, avaliao clnica e rea lizao de exames laboratoriais e de imagem, procedeuse a algumas mensuraes torcicas, com auxlio de fita mtrica:

    1A dimetro do trax passando sobre os mamilos (Figura 1);

    1B distncia entre as duas linhas axilares anterio - res (Figura 2);

    1C distncia da frcula ao manbrio esternal (Fi -gura 3).

    Essas medidas foram registradas no pronturio da paciente e auxiliaram na escolha do perfil e do dimetro da base das prteses.

    Foram obtidas, tambm, medies da mama, conforme descrito por Mathes4:

    Figura 1 Medida 1A, que corresponde ao dimetro do trax.

    Figura 2 Medida 1B, que corresponde distncia entre as duas linhas axilares anteriores.

  • Rev Bras Cir Plst. 2013;28(2):253-9256

    Roncatti C et al.

    Medida A aferida com o auxlio de paqumetro (Figura 4), corresponde extenso da base das ma mas, auxiliando na escolha do dimetro e da al tura do implante a ser empregado (Figura 5). Os

    fabricantes de implantes mamrios fornecem o valor numrico do dimetro das prteses, dependendo do tipo de perfil. No clculo do volume mamrio po de haver divergncia entre os lados do trax da paciente, em decorrncia da diferena de tamanho das mamas. Recomendase que a base dos implantes seja pelo menos 1 cm menor que a medida da base da mama.

    Medida B aferida com o auxlio de rgua flexvel, corresponde distncia da frcula esternal at a margem superior da arola (Figura 6). Essa informao importante para a escolha do perfil do implante a ser empregado e para a deciso quanto necessidade de se associar mastopexia ao procedimento de incluso da prtese.

    Medida C aferida com o auxlio de rgua flexvel, corresponde distncia do bordo inferior da arola ao sulco submamrio (Figura 7). Figura 3 Medida 1C, que corresponde distncia

    da frcula ao manbrio esternal.

    Figura 4 Medida aferida por meio de paqumetro.

    Figura 5 Medida A, que corresponde base da mama, auxilia na escolha do dimetro e da altura do implante. Recomenda-se que a

    base do implante seja 1 cm menor que a base da mama.

    Figura 6 Medida B, que corresponde distncia da frcula esternal at a margem superior da arola,

    auxilia na escolha da altura da prtese.

    Figura 7 Medida C, que corresponde distncia do bordo inferior da arola ao sulco submamrio.

  • Rev Bras Cir Plst. 2013;28(2):253-9 257

    Escolha da tcnica de mastoplastia de aumento: uma ferramenta na preveno de litgio mdico

    Baseados nos parmetros avaliados e nas dimenses ofe recidas pelo fabricante da marca escolhida, de projees baixa, moderada, alta e extraalta, os autores aferiram as me didas, em centmetros.

    Em todas as pacientes, foram utilizadas prteses de si licone, redondas, texturizadas, com perfis e dimetros de acor do com a necessidade de cada paciente e com base nas dimenses do trax e das mamas e na distncia do complexo areolopapilar linha mdioesternal e linha mdioclavicular.

    Seis meses aps a cirurgia, as pacientes realizaram ava liao do grau de satisfao com o resultado operatrio, atribuindo notas de 0 a 2, correspondendo, respectivamente, a insatisfatrio, regular e bom.

    RESULTADOS

    A medida A variou entre 9 cm e 12 cm; a B, de 23 cm a 17 cm; e a C, de > 6 cm a 4 cm. A partir dessa marcao, as pacientes foram classificadas em grupos I a IV.

    No grupo I, a medida A foi de 12 cm, a medida B de 17 cm e a medida C de 4 cm, sendo indicadas prteses de perfil mdio ou baixo (Figura 8).

    No grupo II, a medida A foi de 10 cm, a medida B de 18 cm e a medida C de 5 cm, sendo indicadas prteses de perfil mdio ou alto (Figura 9).

    No grupo III, a medida A foi de 9 cm, a medida B de 21 cm e a medida C de 6 cm, sendo indicadas prteses de perfil alto ou extra-alto (Figura 10).

    No grupo IV, a medida de A foi indiferente, a medida B foi de 23 cm e a medida C foi > 6 cm, sendo indicados mastopexia e implante de prtese (Figura 11).

    Esses dados foram transcritos para uma tabela de classificao de graduao e indicao cirrgica, que foi gerada para cada paciente (Tabela 1). Aps anlise rpida dos parmetros apostos tabela, a paciente era classificada nos grupos I a IV, com consequente definio do tamanho ideal das prteses a serem empregadas. Ademais, foi possvel verificar se haveria necessidade de realizao de mastopexia.

    Figura 8 Paciente do grupo I.

    Figura 9 Paciente do grupo II.

    Figura 10 Paciente do grupo III.

    Figura 11 Paciente do grupo IV. Observam-se o grau de ptose e a assimetria mamria pr-operatrios.

    CAM = complexo areolomamilar.

    A Figura 12 ilustra o caso de uma paciente que desejava aumento mamrio, porm foi classificada como pertencente ao grupo IV, sendo indicada a associao de mastopexia. Esses dados foram demonstrados paciente e, aps o entendimento, o procedimento mais adequado foi proposto e realizado, bem como todos os dados foram transcritos para o termo de consentimento assinado pela paciente e para o pronturio mdico.

  • Rev Bras Cir Plst. 2013;28(2):253-9258

    Roncatti C et al.

    Todas as pacientes classificaram o resultado operatrio fi nal como bom, 6 meses aps a cirurgia.

    DISCUSSO

    A realizao da mastoplastia de aumento inclui definio do local da inciso (periareolar, transareolar, submamria ou axilar), da posio do implante (retroglandular, submuscular ou em plano duplo), da textura, do formato e do volume do implante a ser utilizado9.

    Os parmetros mais importantes para a determinao clnica do tamanho do implante so a largura da base ou o di metro da mama nativa da paciente.

    Na histria dos implantes mamrios, maior importncia era dada ao aumento volumtrico das mamas e menor aos resultados obtidos com a forma da mama2, pois a incidncia de troca de prtese puramente pelo tamanho inadequado descrita na literatura varia de 2% a 20,6%10.

    Vrios autores procuraram avaliar a eficcia, o grau de satisfao e a qualidade de vida aps mamoplastia. Carty et al.11 estudaram a relao entre o grau de satisfao e a experincia do cirurgio, e observaram que as pacientes mais

    jovens que tiveram complicaes apresentaram ndices mais baixos de satisfao, independentemente da experincia do cirurgio. Adams12 props quatro passos sequenciais pa ra aperfeioar os resultados, baseados na educao da paciente, no consentimento informado, no planejamento properatrio, na tcnica cirrgica, nas instrues psoperatrias, no cuidado e no acompanhamento pela equipe. Em 2007, Pusic et al.9 propuseram a criao do questionrio BREAST Q, para medir a satisfao e a qualidade de vida de pacientes submetidas a cirurgia esttica e reconstrutiva das mamas. Esse instrumento tem em sua estrutura os tpicos como re construo, reduo, aumento, mastectomia, escalas de sa tisfao com as mamas e com o resultado, de bemestar psicossocial e de bemestar fsico, sintomas relacionados a trax, membro superior, tronco e abdome, bemestar sexual, satisfao com a parede abdominal e com a aparncia da arola, informao, alm de parmetros relacionados ao ci rurgio plstico e equipe mdica. importante ressaltar que a avaliao dos resultados depender em primeira mo da indicao cirrgica adequada.

    Os autores descritos pretenderam obter parmetros de avaliao de resultados nas mastoplastias de aumento, considerados importantes, que, todavia, podero ser insuficientes no mbito jurdico. Para maiores esclarecimentos no meio jurdico, deformidade definida como a irregularidade da forma, em que se consideram as alteraes da forma como defeito. Diante da constatao de deformidade mamria, cabe ao cirurgio plstico a reparao e atuao mdica em geral. No podendo prever o resultado ou induzir a cura, o mdico buscar, entretanto, a melhor soluo, sendo essa a definio de obrigao de meio. Este artigo contempla a avaliao anatmica e a determinao de graus de deformidade mamria que necessitam de procedimentos reconstrutivos ou reparadores com o uso de implantes mamrios. Com as medidas obtidas neste estudo foi possvel classificar e documentar a condio e/ou o estado da mama que perdeu sua forma original, e quantificar o grau de deformidade apresentado, auxiliando, de forma prtica e objetiva, na escolha dos implantes mamrios adequados. Com essa metodologia, foi possvel obter 100% de bons resultados psoperatrios,

    A B C

    Figura 12 Em A, mamas com necessidade de mastopexia, apresentando maior ptose esquerda. Em B, medida C corroborando a necessidade de mastopexia. Em C, resultado ps-operatrio com medidas semelhantes

    1 ano aps realizao de mastopexia e incluso de prteses de silicone com 280 cc.

    Tabela 1 Classificao dos grupos de I a IV, de acordo com a deformidade mamria e o tipo de prtese

    e procedimento cirrgico indicados.Classificao da deformidade mamria

    Medidas (cm) Tipo de prteseA B C

    Grupo I 12 17 4 Perfil mdio ou baixo

    Grupo II 10 18 5 Perfil mdio ou alto

    Grupo III 9 21 6 Perfil alto ou extraalto

    Grupo IV Indiferente 23 > 6 Mastopexia + prtese

  • Rev Bras Cir Plst. 2013;28(2):253-9 259

    Escolha da tcnica de mastoplastia de aumento: uma ferramenta na preveno de litgio mdico

    sem litgios durante o estudo. So importantes a avaliao e a documentao de parmetros como forma das mamas, ngulo de divergncia, grau de ptose, posio do complexo areolopapilar, assimetrias e alteraes cutneas.

    O European Committee on Quality Assurance and Me di cal Devices in Plastic Surgery13 e os rgos competentes de cada pas fornecem requerimentos especficos para produo e distribuio dos implantes, incluindo desempenho, material, desenho, industrializao, esterilizao, embalagem e informaes dos produtos. Todavia, os cirurgies no tinham os registros e o nmero real de complicaes relacionadas aos implantes. Algumas iniciativas tm sido realizadas, como o Danish Registry for Plastic Surgery of the Breast14 e, no Brasil, o Cadastro Nacional de Registro dos Implantes Mamrios15, pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plstica. Esses instrumentos demonstram o registro do nmero de im plantes e intercorrncias, uma preocupao com a segurana na realizao dos procedimentos. Com a classificao e a criao da graduao proposta neste artigo, acrescentouse s ferramentas preventivas de litgio, j descritas na literatura pertinente e consagrada, o treinamento adequado, a relao mdicopaciente, o termo de consentimento e a avaliao ob jetiva dos dados anatmicos para indicao da mastoplastia de aumento, entre outros parmetros. Com base em dados anatmicos objetivos e de fcil aferio, que devem ser registrados no pronturio mdico, podem ser obtidos resultados mais prximos da naturalidade, do equilbrio e da harmonia da forma da mama, do ponto de vista tanto do cirurgio como da paciente. O cirurgio plstico tem ainda o argumento objetivo e tcnico para no s justificar a suas pacientes, tcita e claramente, os motivos da escolha de de terminado tamanho ou projeo de prtese, como tambm demonstrar os motivos pelos quais foi necessrio realizar a mastopexia simultaneamente. Muitos cirurgies empregam recursos de imagens de computador, todavia essa ferramenta pode ser questionada do ponto de vista legal, principalmente quando apresentada uma imagem do resultado que se espera e o mesmo no alcanado. Assim, consideramos que o uso de imagens de resultado no computador deve ser realizado com bastante cautela.

    CONCLUSES

    Neste estudo houve 100% de satisfao com os resultados cirrgicos obtidos em 40 pacientes classificadas com graus de deformidade mamria de I a IV, sendo empregados parmetros objetivos para escolha do tamanho e do perfil dos implantes mamrios e para indicao de mastoplastias de aumento e/ou associao com mastopexia. Esses dados

    so uma importante ferramenta para orientao s pacientes quanto aos parmetros para indicao cirrgica, para documentao no termo de consentimento e no pronturio mdico, para avaliao da deformidade mamria apresentada e da proposta de correo baseada em dados numricos. Essas etapas so importantes caso haja a necessidade de prestar contas Justia, esclarecendo tratarse de procedimento ma mrio reconstrutivo.

    REFERNCIAS

    1. Rees TD. Aesthetic plastic surgery. Philadelphia: W. B. Saunders; 1980. 2. Champaneria MC, Wong WW, Hill ME, Gupta SC. The evolution of

    breast reconstruction: a historical perspective. World J Surg. 2012; 36(4):73042.

    3. Marchesi A, Marchesi M, Fasulo FC, Morini O, Vaienti L. Mammaplasties and medicolegal issues: 50 cases of litigation in aesthetic surgery of the breast. Aesthetic Plast Surg. 2012;36(1):1227.

    4. Mathes SJ. Plastic surgery. 2nd ed. Philadelphia: Saunders Elsevier; 2006. 5. Bozola AR, Longato FM, Bozola AP. Anlise geomtrica da forma

    da beleza da mama e da forma de prtese baseado na proporo Phi: aplicao prtica. Rev Bras Cir Plst. 2011;26(1):94103.

    6. Paula PRS. Estudo descritivo e grau de satisfao de pacientes submetidos a implantes mamrios de menor projeo em plo superior. Rev Bras Cir Plst. 2010;25(1):16878.

    7. Baroudi R, Pitanguy I, Pontes R, Rebello C, Biggs T, Hochberg J, et al. F rum: mamaplastia de aumento. Rev Soc Bras Cir Plst. 2000;15(3):720.

    8. Queiroz RCFCL. Responsabilidade civil subjetiva nos procedimentos mdicos estticos: cirurgia plstica e obrigao de meio. mbito Jurdico. Maio 2012;XV(100). Acesso em: 5/7/2012. Disponvel em: http://www.ambitojuridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11602.

    9. Pusic AL, Chen CM, Cano S, Klassen A, McCarthy C, Collins ED, et al. Measuring quality of life in cosmetic and reconstructive breast surgery: a systematic review of patientreported outcomes instruments. Plast Reconstr Surg. 2007;120(4):82339.

    10. Spear SL, Dayan JH, West J. The anatomy of revisions after primary breast augmentation: one surgeons perspective. Clin Plast Surg. 2009; 36(1):15765.

    11. Carty MJ, Duclos A, Gu X, Elele N, Orgill D. Patient satisfaction and surgeon experience: a followup to the reduction mammaplasty learning curve study. Eplasty. 2012;12:e22.

    12. Adams WP Jr. The process of breast augmentation: four sequential steps for optimizing outcomes for patients. Plast Reconstr Surg. 2008; 122(6):1892900.

    13. European Committee on Quality Assurance and Medical Devices in Plastic Surgery. Consensus Declaration on Breast Implants. 4th Consensus Declaration; 2000. Acesso em: 5/7/2012. Disponvel em: http://www.breastimplantanswers.com/downloads/EQUAM_European_ Union_Report_on_SBI_Safety_2000.pdf

    14. Henriksen TF, Hlmich LR, Friis S, McLaughlin JK, Fryzek JP, Pernille Hyer A, et al. The Danish Registry for Plastic Surgery of the Breast: establishment of a nationwide registry for prospective followup, quality assessment, and investigation of breast surgery. Plast Reconstr Surg. 2003;111(7):21829.

    15. Sociedade Brasileira de Cirurgia Plstica. Cadastro Nacional de Implantes Mamrios. Acesso em: 20/6/2012. Disponvel em: www.cirurgia plastica.org.br

    Correspondncia para: Katia Torres Batista SQN, 115 Bloco I ap. 205 Asa Norte Braslia, DF, Brasil CEP 70772-090 E-mail: [email protected]