FB | Revista On Petrópolis #03

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Chegamos à On #3 com um profissional que tem o dom de fazer bem ao paladar. O chef Sormany Justen apresenta sua história, dificuldades e conquistas ao longo do caminho que o colocaram no topo das listas gastronômicas. Por falar em gastronomia, há a estreia da editoria “Sabores”, com Bernadete Mattos, Luiz César e pratos deliciosos para você fazer em casa. As dicas de decoração para o ano que ainda inicia estão nas próximas páginas. Sabe o que acontece nos jardins do Imperial? Fomos descobrir para te contar. No caminho, a força de pessoas que lutam pela vida quando se descobrem com câncer, nos motivou a contar essas outras histórias petropolitanas. Ah, a arte ainda tem espaço com um artista que utiliza a madeira como matéria prima para a criatividade. Delicie-se com as próximas páginas. Buon appetito!

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    Chegamos On #3 com um profissional que tem o dom de fazer bem ao paladar. O chef Sormany Justen apresenta sua histria, dificuldades e conquistas ao longo do caminho que o colocaram no topo das listas gastronmicas.

    Por falar em gastronomia, h a estreia da editoria Sabores, com Bernadete Mattos, Luiz Csar e pratos deliciosos para voc fazer em casa.

    As dicas de decorao para o ano que ainda inicia esto nas prximas pginas. Sabe o que acontece nos jardins do Imperial? Fomos descobrir para te contar. No caminho, a fora de pessoas que lutam pela vida quando se descobrem com cncer, nos motivou a contar essas outras histrias petropolitanas.

    Ah, a arte ainda tem espao com um artista que utiliza a madeira como matria prima para a criatividade. Delicie-se com as prximas pginas. Buon appetito!

    Editorial#3

    Direo e Produo GeralFelipe [email protected] obranco.com.br

    Produo Sabrina VasconcellosHeverton da Mata

    EdioRafael [email protected] obranco.com.br

    RedaoPriscila OkadaFrederico Nogueira

    ComercialIgor [email protected] obranco.com.br(24) 8864-8524

    CriaoFelipe VasconcellosRobson Silva

    Colaborao Aline RicklyBernadete MattosFernanda TavaresJos ngeloKitty DAngeloLeonardo FarrocoLeticia KnibelLuiz Cezar

    EstagirioNelson Jnior

    DistribuioPetrpolis, Itaipava, Nogueira,Corras, Pedro do Rio e Posse

    Produo Gr caWalPrint

    Tiragem 5.000

    Foto de capa Ezio Philot | Cia Fotogr ca

    Fiobranco EditoraRua Prefeito Walter Francklin, 13/404 Centro | Trs Rios - RJ25.803-010

    Sugesto de [email protected]

    Trabalhe [email protected]

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    Chegamos On #3 com um profissional que tem o dom de fazer bem ao paladar. O chef Sormany Justen apresenta sua histria, dificuldades e conquistas ao longo do caminho que o colocaram no topo das listas gastronmicas.

    Por falar em gastronomia, h a estreia da editoria Sabores, com Bernadete Mattos, Luiz Csar e pratos deliciosos para voc fazer em casa.

    As dicas de decorao para o ano que ainda inicia esto nas prximas pginas. Sabe o que acontece nos jardins do Imperial? Fomos descobrir para te contar. No caminho, a fora de pessoas que lutam pela vida quando se descobrem com cncer, nos motivou a contar essas outras histrias petropolitanas.

    Ah, a arte ainda tem espao com um artista que utiliza a madeira como matria prima para a criatividade. Delicie-se com as prximas pginas. Buon appetito!

    Editorial#3

    Direo e Produo GeralFelipe [email protected] obranco.com.br

    Produo Sabrina VasconcellosHeverton da Mata

    EdioRafael [email protected] obranco.com.br

    RedaoPriscila OkadaFrederico Nogueira

    ComercialIgor [email protected] obranco.com.br(24) 8864-8524

    CriaoFelipe VasconcellosRobson Silva

    Colaborao Aline RicklyBernadete MattosFernanda TavaresJos ngeloKitty DAngeloLeonardo FarrocoLeticia KnibelLuiz Cezar

    EstagirioNelson Jnior

    DistribuioPetrpolis, Itaipava, Nogueira,Corras, Pedro do Rio e Posse

    Produo Gr caWalPrint

    Tiragem 5.000

    Foto de capa Ezio Philot | Cia Fotogr ca

    Fiobranco EditoraRua Prefeito Walter Francklin, 13/404 Centro | Trs Rios - RJ25.803-010

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    Henrique um jovem contemporneo, de maneira que vive numa poca marcada por um profundo relativis-mo, onde tudo depende to somente de um ponto de vista. E como diz Leonardo Boff: todo ponto de vista a vista de um ponto. Se as-sim , ser a verdade apenas um ponto de vista, variante segundo a subjetividade de cada pessoa? Henrique um rapaz incomodado com o relati-vismo atual.

    Alguns de seus amigos que gostam de refletir e so poucos sustentam com ele que o relativis-mo atual positivo, ou seja, maravilhoso viver numa sociedade mltipla. No entanto, Henrique retruca dizendo que essa postura pode levar falsa ideia de que tudo vlido, o que fatalmente um retrocesso social. Infinitas discusses acadmicas nas muradas da Universidade Catlica de Petrpo-lis (UCP).

    Enfim, Henrique um intelectual. Em casa, cercado por pais tambm formados em universi-dade e que, assim como ele, curtem os avanos do mundo moderno, s que, curiosamente, no nu-trem os mesmos questionamentos do rapaz. Vivem a vida no aqui e agora, sem maiores indagaes fsicas ou metafsicas. Por exemplo, a me fre-quentadora assdua de academia e uma mulher de 47 anos, exuberante. Certa feita, Henrique pre-senciou o seguinte dilogo entre os pais. Ela recla-mava do marido: voc s est interessado em meu corpo! engano seu, tambm sou amarrado no meu, respondeu o marido. Estas eram as circuns-tncias do lar de Henrique.

    Virada de ano, famlia toda reunida, tios, tias, avs, sobrinhos e muita bebida. Todos co-memoravam o incio de mais um ano. No final

    da festa, os estragos eram visveis, havia gente deitada por todos os lados da casa, cada um mais ressaqueado que o outro. Logo ali, todavia, esta-va Henrique refletindo sobre o novo ano que se iniciara h pouco. Aproveitou que sua bela me se aproximou dele na varanda e, olhando para ela, falou-lhe: estou sentindo um vazio..., e a me disse: aproveite e v malhar. No sei bem me, acho que estou com uma sensao de insegurana..., a me: bobagem, v ao shop-ping dar um passeio com a namorada. Henrique, ento: estou sentindo uma angstia aqui no peito, me. J sei meu filho, tome um lexo-tan (medicamento usado, entre outras situaes, para ansiedade, tenso e outras queixas som-ticas ou psicolgicas associadas sndrome de ansiedade) e aps entre no twitter, no facebook e v bater um papo, que isso passa.

    Veja voc que Henrique era um chato, bus-cava no fundo no fundo: a verdade. Mas quem pode apresentar a verdade a ele num mundo onde sequer a questo da verdade posta em questo. Em meio a dvidas, foi se retirando da varanda com o cuidado de no pisotear as pessoas que ja-ziam mortas.

    Ao passar prximo v, sentada num confort-vel sof, lascou-lhe um beijo na testa. A v, meiga, segurou o brao do neto e, sem falar qualquer pa-lavra, puxou-lhe para perto, abriu carinhosamente sua mo e colocou em sua palma, um belo crucifi-xo de remota data, no sem antes sussurrar-lhe ao ouvido: foi de seu av que era lindo e inquieto como voc. Henrique, tocado com o gesto, e peito emproado, saiu a caminhar firme em meio a cor-pos cados pela varanda e sala, com o crucifixo apertado em suas mos.

    Henrique e suas circunstnciasVeja voc que Henrique era um chato, buscava no fundo no fundo, a verdade

    Roberto Wagner Lima Nogueira procurador do municpio de Areal,

    mestre em direito tributrio - UCAM-Rio,

    professor de direito tributrio da UCP

    Petrpolis e colunista do Trs Rios Online.

    [email protected]

    Roberto Wagner A insegurana na sociedade atual cons-titui um grande obstculo ao exerccio dos direitos de cidadania, de maneira que tarefas rotineiras como estacionar o carro tm se tornado cada vez mais rdua. Neste cenrio, percebe-se que a ao do famigerado flane-linha se tornou um grande problema em Petrpolis, principalmente em reas comerciais e nas proximi-dades de grandes eventos. Trata-se de um indivduo que se vale do medo natural do cidado diante da violncia urbana, para oferecer um suposto servi-o de vigilncia sobre os veculos estacionados em vias pblicas. Colocam os condutores em uma in-cmoda situao de constrangimento, de forma que o motorista deve optar entre pagar ao guardador ou ter seu veculo ou at mesmo sua integridade fsica atingida. Uma anlise atenta dos jornais locais ca-paz de evidenciar o catastrfico impacto da conduta sobre o municpio: loteamento de ruas, intimidao e extorso de motoristas, danos a veculos e dispu-tas por territrio, so apenas alguns dentre os mui-tos fatos abominveis j relatados pela mdia.

    O governo federal at tentou regulamentar esta atividade atravs da lei 6.242, editada na dca-da de 70, que condiciona o exerccio da suposta profisso ao preenchimento de uma srie de re-quisitos, dentre eles a ausncia de antecedentes criminais e registro em rgos pblicos compe-tentes. Por bvio, tal estratgia no funcionou e, hoje, esta norma mais uma letra morta na le-gislao ptria, afinal um absurdo tentar colocar fita colorida em um embrulho de marginalidade e violncia. No se trata de uma questo social ou trabalhista, mas sim uma matria relativa segu-rana pblica e a liberdade de ir e vir do cidado.

    Felizmente, a tendncia do legislador nacional a criminalizao da atividade dos flanelinhas, como pretende o projeto de lei 2.701, recentemente

    apresentado no Congresso Nacional pelo deputa-do Fbio Trad. Algumas cidades, como Belo Ho-rizonte, j se adiantaram, vedando expressamente a conduta em seu cdigo municipal de posturas. Em outras, como Vitria e Ribeiro Preto, j fo-ram ajuizadas aes civis pblicas com objetivo de pleitear, no judicirio, que o poder pblico seja obrigado a retirar todos os guardadores das ruas.

    Enquanto o projeto de criminalizao no aprovado, o motorista petropolitano, vtima desta conduta, poder requerer a represso policial com base em delitos j existentes. Via de regra, todos os guardadores que atuam sem a autorizao ex-pressa do poder pblico cometem a contraveno penal de exerccio irregular de profisso ou ati-vidade (mesmo que esteja apenas pedindo para tomar conta, tal delito estar configurado). Caso o flanelinha no faa apenas um pedido ao condu-tor, mas sim uma cobrana, exigindo pagamento antecipado pela utilizao da vaga, e com isso impedindo o motorista de estacionar sem efetuar a pagamento, tal ato configurar o crime de cons-trangimento ilegal. Se esta cobrana se der de forma ameaadora, mesmo que a ameaa esteja implcita, tal fato configura o crime de extorso.

    Em suma, como muitas outras cidades do Bra-sil, Petrpolis vive hoje um grande problema de segurana pblica com a ao dos flanelinhas e todos devem assumir sua parcela de responsa-bilidade na soluo do problema, at mesmo o motorista, que jamais deve ser conivente. de se imaginar que surgiro reaes contrrias a essa necessria represso penal, um ato tpico daque-les que buscam justificar na questo social todo tipo de criminalidade. Mas para estes, deixo aqui uma incmoda pergunta, cuja resposta negativa costuma implicar em consequncias deletrias: Pode vigiar o carro a, patro? Hein?

    Flanelinhas em PetrpolisA indesejada conduta dos guardadores clandestinos de veculos

    Oneir Vitor Guedes formou-se em direito

    pela Universidade Federal de Juiz de Fora

    e, atualmente, atuacomo advogado e

    consultor jurdico nas reas cvel e criminal, alm de ser colunistado Trs Rios Online.

    Oneir Vitor [email protected]

    OPINIO

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    Henrique um jovem contemporneo, de maneira que vive numa poca marcada por um profundo relativis-mo, onde tudo depende to somente de um ponto de vista. E como diz Leonardo Boff: todo ponto de vista a vista de um ponto. Se as-sim , ser a verdade apenas um ponto de vista, variante segundo a subjetividade de cada pessoa? Henrique um rapaz incomodado com o relati-vismo atual.

    Alguns de seus amigos que gostam de refletir e so poucos sustentam com ele que o relativis-mo atual positivo, ou seja, maravilhoso viver numa sociedade mltipla. No entanto, Henrique retruca dizendo que essa postura pode levar falsa ideia de que tudo vlido, o que fatalmente um retrocesso social. Infinitas discusses acadmicas nas muradas da Universidade Catlica de Petrpo-lis (UCP).

    Enfim, Henrique um intelectual. Em casa, cercado por pais tambm formados em universi-dade e que, assim como ele, curtem os avanos do mundo moderno, s que, curiosamente, no nu-trem os mesmos questionamentos do rapaz. Vivem a vida no aqui e agora, sem maiores indagaes fsicas ou metafsicas. Por exemplo, a me fre-quentadora assdua de academia e uma mulher de 47 anos, exuberante. Certa feita, Henrique pre-senciou o seguinte dilogo entre os pais. Ela recla-mava do marido: voc s est interessado em meu corpo! engano seu, tambm sou amarrado no meu, respondeu o marido. Estas eram as circuns-tncias do lar de Henrique.

    Virada de ano, famlia toda reunida, tios, tias, avs, sobrinhos e muita bebida. Todos co-memoravam o incio de mais um ano. No final

    da festa, os estragos eram visveis, havia gente deitada por todos os lados da casa, cada um mais ressaqueado que o outro. Logo ali, todavia, esta-va Henrique refletindo sobre o novo ano que se iniciara h pouco. Aproveitou que sua bela me se aproximou dele na varanda e, olhando para ela, falou-lhe: estou sentindo um vazio..., e a me disse: aproveite e v malhar. No sei bem me, acho que estou com uma sensao de insegurana..., a me: bobagem, v ao shop-ping dar um passeio com a namorada. Henrique, ento: estou sentindo uma angstia aqui no peito, me. J sei meu filho, tome um lexo-tan (medicamento usado, entre outras situaes, para ansiedade, tenso e outras queixas som-ticas ou psicolgicas associadas sndrome de ansiedade) e aps entre no twitter, no facebook e v bater um papo, que isso passa.

    Veja voc que Henrique era um chato, bus-cava no fundo no fundo: a verdade. Mas quem pode apresentar a verdade a ele num mundo onde sequer a questo da verdade posta em questo. Em meio a dvidas, foi se retirando da varanda com o cuidado de no pisotear as pessoas que ja-ziam mortas.

    Ao passar prximo v, sentada num confort-vel sof, lascou-lhe um beijo na testa. A v, meiga, segurou o brao do neto e, sem falar qualquer pa-lavra, puxou-lhe para perto, abriu carinhosamente sua mo e colocou em sua palma, um belo crucifi-xo de remota data, no sem antes sussurrar-lhe ao ouvido: foi de seu av que era lindo e inquieto como voc. Henrique, tocado com o gesto, e peito emproado, saiu a caminhar firme em meio a cor-pos cados pela varanda e sala, com o crucifixo apertado em suas mos.

    Henrique e suas circunstnciasVeja voc que Henrique era um chato, buscava no fundo no fundo, a verdade

    Roberto Wagner Lima Nogueira procurador do municpio de Areal,

    mestre em direito tributrio - UCAM-Rio,

    professor de direito tributrio da UCP

    Petrpolis e colunista do Trs Rios Online.

    [email protected]

    Roberto Wagner A insegurana na sociedade atual cons-titui um grande obstculo ao exerccio dos direitos de cidadania, de maneira que tarefas rotineiras como estacionar o carro tm se tornado cada vez mais rdua. Neste cenrio, percebe-se que a ao do famigerado flane-linha se tornou um grande problema em Petrpolis, principalmente em reas comerciais e nas proximi-dades de grandes eventos. Trata-se de um indivduo que se vale do medo natural do cidado diante da violncia urbana, para oferecer um suposto servi-o de vigilncia sobre os veculos estacionados em vias pblicas. Colocam os condutores em uma in-cmoda situao de constrangimento, de forma que o motorista deve optar entre pagar ao guardador ou ter seu veculo ou at mesmo sua integridade fsica atingida. Uma anlise atenta dos jornais locais ca-paz de evidenciar o catastrfico impacto da conduta sobre o municpio: loteamento de ruas, intimidao e extorso de motoristas, danos a veculos e dispu-tas por territrio, so apenas alguns dentre os mui-tos fatos abominveis j relatados pela mdia.

    O governo federal at tentou regulamentar esta atividade atravs da lei 6.242, editada na dca-da de 70, que condiciona o exerccio da suposta profisso ao preenchimento de uma srie de re-quisitos, dentre eles a ausncia de antecedentes criminais e registro em rgos pblicos compe-tentes. Por bvio, tal estratgia no funcionou e, hoje, esta norma mais uma letra morta na le-gislao ptria, afinal um absurdo tentar colocar fita colorida em um embrulho de marginalidade e violncia. No se trata de uma questo social ou trabalhista, mas sim uma matria relativa segu-rana pblica e a liberdade de ir e vir do cidado.

    Felizmente, a tendncia do legislador nacional a criminalizao da atividade dos flanelinhas, como pretende o projeto de lei 2.701, recentemente

    apresentado no Congresso Nacional pelo deputa-do Fbio Trad. Algumas cidades, como Belo Ho-rizonte, j se adiantaram, vedando expressamente a conduta em seu cdigo municipal de posturas. Em outras, como Vitria e Ribeiro Preto, j fo-ram ajuizadas aes civis pblicas com objetivo de pleitear, no judicirio, que o poder pblico seja obrigado a retirar todos os guardadores das ruas.

    Enquanto o projeto de criminalizao no aprovado, o motorista petropolitano, vtima desta conduta, poder requerer a represso policial com base em delitos j existentes. Via de regra, todos os guardadores que atuam sem a autorizao ex-pressa do poder pblico cometem a contraveno penal de exerccio irregular de profisso ou ati-vidade (mesmo que esteja apenas pedindo para tomar conta, tal delito estar configurado). Caso o flanelinha no faa apenas um pedido ao condu-tor, mas sim uma cobrana, exigindo pagamento antecipado pela utilizao da vaga, e com isso impedindo o motorista de estacionar sem efetuar a pagamento, tal ato configurar o crime de cons-trangimento ilegal. Se esta cobrana se der de forma ameaadora, mesmo que a ameaa esteja implcita, tal fato configura o crime de extorso.

    Em suma, como muitas outras cidades do Bra-sil, Petrpolis vive hoje um grande problema de segurana pblica com a ao dos flanelinhas e todos devem assumir sua parcela de responsa-bilidade na soluo do problema, at mesmo o motorista, que jamais deve ser conivente. de se imaginar que surgiro reaes contrrias a essa necessria represso penal, um ato tpico daque-les que buscam justificar na questo social todo tipo de criminalidade. Mas para estes, deixo aqui uma incmoda pergunta, cuja resposta negativa costuma implicar em consequncias deletrias: Pode vigiar o carro a, patro? Hein?

    Flanelinhas em PetrpolisA indesejada conduta dos guardadores clandestinos de veculos

    Oneir Vitor Guedes formou-se em direito

    pela Universidade Federal de Juiz de Fora

    e, atualmente, atuacomo advogado e

    consultor jurdico nas reas cvel e criminal, alm de ser colunistado Trs Rios Online.

    Oneir Vitor [email protected]

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    [email protected]

    Helder Caldeira escritor, articulista

    poltico, palestrante, conferencista, colunista

    do Trs Rios Onlinee autor do livro A 1

    Presidenta, primeira obra publicada no

    Brasil com a anlise da trajetria da presidente Dilma Rousseff e que j

    est entre os livros mais vendidos do pas em

    2011. apresentador do quadro iPOLTICA

    com comentrios no telejornais da

    Rede Record.

    O Brasil comemora a aprovao, pelo Supremo Tribunal Federal, da vign-cia da lei da ficha limpa j para as elei-es de 2012, declarando-a constitu-cional. A partir de agora, cidado ficha suja no poder mais ser candidato a cargos eletivos. Mas ser que isso eliminar da vida pblica os ban-didos, larpios nacionais, canalhas engravatados, que infestam a administrao dos municpios, es-tados e do pas? Claro que no! Infelizmente, a abrangncia da nova lei, apesar de princpio de-mocrtico bvio, no atinge as famigeradas no-meaes para cargos pblicos comissionados.

    Nesse sentido, as administraes fluminenses se tornaram um exemplo ttrico da falta de responsa-bilidade com a Res Publica, com a coisa pblica. comum assistirmos polticos serem defenestrados da esfera federal por suspeitas de malfeitos, cor-rupo e afins absurdos e ganhando cargos de con-fiana em prefeituras e at no Governo do Estado do Rio de Janeiro. O governador peemedebista Sr-gio Cabral Filho tem feito isso com certa frequncia para dar sustncia pseudoaliana que estabele-ceu com Lula, Dilma e o PT, para atingir seus opo-sicionistas Csar Maia e Anthony Garotinho. Nessa querela, quem perde o povo fluminense. Porque, quando a descarga dada em Braslia, tudo que leve vem boiar aqui no Rio de Janeiro.

    Vejamos dois exemplos clssicos. Quando a his-trica petista Benedita da Silva foi exonerada do primeiro governo Lula aps ser flagrada utilizando recursos pblicos para uma viagem pessoal Ar-gentina, aonde ela veio parar? Foi nomeada secre-tria estadual de Assistncia Social e Direitos Hu-manos, cargo que ocupou usou e abusou at ser

    eleita deputada federal em 2010. Uma de suas as-sessoras que a acompanhou durante o Caf da Ma-nh de Orao argentino, despencou de Braslia e se tornou presidente da FIA/RJ (Fundao para a Infncia e a Adolescncia do Rio de Janeiro) e hoje pr-candidata prefeitura de Italva, no noroeste do estado. Em Petrpolis, uma das assistentes de Benedita veio ocupar um cargo de diretoria na en-to Secretaria Municipal de Ao Social, Trabalho e Cidadania, durante o governo Rubens Bomtempo.

    Esse foi s um dos casos emblemticos. Outro acaba de acontecer! H quatro meses, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, foi exonerado do posto de ministro do Trabalho e Emprego aps gra-vssimas acusaes de irregularidades nos contratos e repasses de recursos pblicos para Organizaes No-Governamentais (ONGs) ligadas a seu partido poltico. Quando uma pessoa desse naipe fica de-sempregada? Nunca! Eis que na sexta-feira, dia 17 de fevereiro de 2012, vspera do feriado de Carna-val, o Dirio Oficial do Municpio do Rio de Janeiro estampou a nomeao de Carlos Lupi para o cargo de assessor especial do prefeito peemedebista da ca-pital, Eduardo Paes. Segundo informaes do gabi-nete, o ex-ministro far um trabalho de ponte entre Braslia e os interesses do Rio de Janeiro. mole?!

    Infelizmente, reitero, a lei da ficha limpa no mais severa e ainda no abarca as nomeaes politiqueiras para cargos pblicos. Enquanto isso no acontece, seguiremos a contemplar as suji-dades boiando nos rios. Ou melhor, no Rio. Mas estamos dando os primeiros passos. Estamos co-meando a limpar a casa poltica. Ainda que a fa-xina no seja totalmente eficiente e completa. Um dia chegaremos l!

    Boiando no RioHelder Caldeira

    A abrangncia da lei da cha limpa, apesar de princpio democrtico bvio, no atinge as famigeradas nomeaes para cargos pblicos comissionados

    Recentemente, em uma conversa infor-mal com amigos que residiram fora do Brasil, cheguei concluso de que em nosso pas, de maneira geral, a classe dos advogados no atinge um elevado ndice de respeitabilidade perante a sociedade, ao contr-rio do que se verifica na maioria dos lugares do mundo (ex. EUA, Europa e Japo), e isto se d devido m preparao cientfica dos mesmos e a uma postura indesejvel adotada por muitos profissionais no mercado de trabalho.

    Nesta ponderao, traamos aqui, uma breve diretriz, em oito dicas, para orientar jovens ope-radores do direito, de forma a demonstrar que o profissional de sucesso, respeitvel e confivel, o advogado de fato, e no o advogado de direito.

    O advogado de direito, geralmente, aquele profissional que no trabalhou de forma efeti-va na vida acadmica, ou seja, que no estagiou de maneira produtiva, e, de certa forma, ao ter-minar o curso de direito, atirado ao mercado de trabalho sem nenhum preparo, apenas empu-nhando uma carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

    O advogado de fato no se sedimenta da noite para o dia. Isto, tendo em vista que, para tanto, necessrio percorrer uma longa jornada, tortuo-sa, no entanto, extremamente gratificante queles que a ela se entregam.

    Desta forma, para se tornar um profissional de qualidade (advogado de fato) fundamental que se tenha disciplina e personalidade para seguir os

    passos adiante traados:ESTAGIE: o quanto antes, estagie na vida

    acadmica, especialmente em um escritrio de advocacia com grande demanda, no qual possa conhecer as mais variadas reas do direito, de forma a tornar aguadas suas preferncias no campo jurdico;

    CONHEA-SE: defina sua identidade com base no que voc . Identifique seus principais valores e tire partido de suas virtudes. Determine o que ter sucesso para voc. Isto fundamental para traar seus futuros objetivos;

    ESPECIALIZE-SE: cada vez mais, o cliente est procura de especialistas, pois todos esto em busca de respostas rpidas e eficientes. A es-pecializao conduz confiabilidade e ao respei-to, de forma a criar uma referncia em seu mbito de atuao no campo jurdico;

    APRIMORE-SE: quem se aperfeioa naquilo que gosta tem mais chances de alcanar seus ob-jetivos. Os advogados com mais horas de prtica sero sempre os melhores. Somos aquilo que fa-zemos repetidamente. Portanto, a excelncia no um ato, mas um hbito. (Aristteles)

    Nesse diapaso, com estas quatro orientaes iniciais, denominadas como bases para capaci-tao profissional, encerra-se a primeira etapa do planejamento de carreira jurdica aqui propos-ta. Na prxima edio, estamparemos as quatro consideraes finais, que trataro das bases para visibilidade profissional.

    Aos amigos operadores, aos acadmicos de di-reito e aos pleiteantes carreira jurdica, at breve!

    O advogado de fato e o advogado de direitoSingelas diretrizes para o aperfeioamento pro ssional e o preparo acadmico

    David Elmr advogado criminalista,

    originrio de uma das mais respeitveis

    bancas de direito do Brasil (SAHIONE

    Advogados), Scio Snior do ELMR &

    CORRA Advogados

    David [email protected]

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    [email protected]

    Helder Caldeira escritor, articulista

    poltico, palestrante, conferencista, colunista

    do Trs Rios Onlinee autor do livro A 1

    Presidenta, primeira obra publicada no

    Brasil com a anlise da trajetria da presidente Dilma Rousseff e que j

    est entre os livros mais vendidos do pas em

    2011. apresentador do quadro iPOLTICA

    com comentrios no telejornais da

    Rede Record.

    O Brasil comemora a aprovao, pelo Supremo Tribunal Federal, da vign-cia da lei da ficha limpa j para as elei-es de 2012, declarando-a constitu-cional. A partir de agora, cidado ficha suja no poder mais ser candidato a cargos eletivos. Mas ser que isso eliminar da vida pblica os ban-didos, larpios nacionais, canalhas engravatados, que infestam a administrao dos municpios, es-tados e do pas? Claro que no! Infelizmente, a abrangncia da nova lei, apesar de princpio de-mocrtico bvio, no atinge as famigeradas no-meaes para cargos pblicos comissionados.

    Nesse sentido, as administraes fluminenses se tornaram um exemplo ttrico da falta de responsa-bilidade com a Res Publica, com a coisa pblica. comum assistirmos polticos serem defenestrados da esfera federal por suspeitas de malfeitos, cor-rupo e afins absurdos e ganhando cargos de con-fiana em prefeituras e at no Governo do Estado do Rio de Janeiro. O governador peemedebista Sr-gio Cabral Filho tem feito isso com certa frequncia para dar sustncia pseudoaliana que estabele-ceu com Lula, Dilma e o PT, para atingir seus opo-sicionistas Csar Maia e Anthony Garotinho. Nessa querela, quem perde o povo fluminense. Porque, quando a descarga dada em Braslia, tudo que leve vem boiar aqui no Rio de Janeiro.

    Vejamos dois exemplos clssicos. Quando a his-trica petista Benedita da Silva foi exonerada do primeiro governo Lula aps ser flagrada utilizando recursos pblicos para uma viagem pessoal Ar-gentina, aonde ela veio parar? Foi nomeada secre-tria estadual de Assistncia Social e Direitos Hu-manos, cargo que ocupou usou e abusou at ser

    eleita deputada federal em 2010. Uma de suas as-sessoras que a acompanhou durante o Caf da Ma-nh de Orao argentino, despencou de Braslia e se tornou presidente da FIA/RJ (Fundao para a Infncia e a Adolescncia do Rio de Janeiro) e hoje pr-candidata prefeitura de Italva, no noroeste do estado. Em Petrpolis, uma das assistentes de Benedita veio ocupar um cargo de diretoria na en-to Secretaria Municipal de Ao Social, Trabalho e Cidadania, durante o governo Rubens Bomtempo.

    Esse foi s um dos casos emblemticos. Outro acaba de acontecer! H quatro meses, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, foi exonerado do posto de ministro do Trabalho e Emprego aps gra-vssimas acusaes de irregularidades nos contratos e repasses de recursos pblicos para Organizaes No-Governamentais (ONGs) ligadas a seu partido poltico. Quando uma pessoa desse naipe fica de-sempregada? Nunca! Eis que na sexta-feira, dia 17 de fevereiro de 2012, vspera do feriado de Carna-val, o Dirio Oficial do Municpio do Rio de Janeiro estampou a nomeao de Carlos Lupi para o cargo de assessor especial do prefeito peemedebista da ca-pital, Eduardo Paes. Segundo informaes do gabi-nete, o ex-ministro far um trabalho de ponte entre Braslia e os interesses do Rio de Janeiro. mole?!

    Infelizmente, reitero, a lei da ficha limpa no mais severa e ainda no abarca as nomeaes politiqueiras para cargos pblicos. Enquanto isso no acontece, seguiremos a contemplar as suji-dades boiando nos rios. Ou melhor, no Rio. Mas estamos dando os primeiros passos. Estamos co-meando a limpar a casa poltica. Ainda que a fa-xina no seja totalmente eficiente e completa. Um dia chegaremos l!

    Boiando no RioHelder Caldeira

    A abrangncia da lei da cha limpa, apesar de princpio democrtico bvio, no atinge as famigeradas nomeaes para cargos pblicos comissionados

    Recentemente, em uma conversa infor-mal com amigos que residiram fora do Brasil, cheguei concluso de que em nosso pas, de maneira geral, a classe dos advogados no atinge um elevado ndice de respeitabilidade perante a sociedade, ao contr-rio do que se verifica na maioria dos lugares do mundo (ex. EUA, Europa e Japo), e isto se d devido m preparao cientfica dos mesmos e a uma postura indesejvel adotada por muitos profissionais no mercado de trabalho.

    Nesta ponderao, traamos aqui, uma breve diretriz, em oito dicas, para orientar jovens ope-radores do direito, de forma a demonstrar que o profissional de sucesso, respeitvel e confivel, o advogado de fato, e no o advogado de direito.

    O advogado de direito, geralmente, aquele profissional que no trabalhou de forma efeti-va na vida acadmica, ou seja, que no estagiou de maneira produtiva, e, de certa forma, ao ter-minar o curso de direito, atirado ao mercado de trabalho sem nenhum preparo, apenas empu-nhando uma carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

    O advogado de fato no se sedimenta da noite para o dia. Isto, tendo em vista que, para tanto, necessrio percorrer uma longa jornada, tortuo-sa, no entanto, extremamente gratificante queles que a ela se entregam.

    Desta forma, para se tornar um profissional de qualidade (advogado de fato) fundamental que se tenha disciplina e personalidade para seguir os

    passos adiante traados:ESTAGIE: o quanto antes, estagie na vida

    acadmica, especialmente em um escritrio de advocacia com grande demanda, no qual possa conhecer as mais variadas reas do direito, de forma a tornar aguadas suas preferncias no campo jurdico;

    CONHEA-SE: defina sua identidade com base no que voc . Identifique seus principais valores e tire partido de suas virtudes. Determine o que ter sucesso para voc. Isto fundamental para traar seus futuros objetivos;

    ESPECIALIZE-SE: cada vez mais, o cliente est procura de especialistas, pois todos esto em busca de respostas rpidas e eficientes. A es-pecializao conduz confiabilidade e ao respei-to, de forma a criar uma referncia em seu mbito de atuao no campo jurdico;

    APRIMORE-SE: quem se aperfeioa naquilo que gosta tem mais chances de alcanar seus ob-jetivos. Os advogados com mais horas de prtica sero sempre os melhores. Somos aquilo que fa-zemos repetidamente. Portanto, a excelncia no um ato, mas um hbito. (Aristteles)

    Nesse diapaso, com estas quatro orientaes iniciais, denominadas como bases para capaci-tao profissional, encerra-se a primeira etapa do planejamento de carreira jurdica aqui propos-ta. Na prxima edio, estamparemos as quatro consideraes finais, que trataro das bases para visibilidade profissional.

    Aos amigos operadores, aos acadmicos de di-reito e aos pleiteantes carreira jurdica, at breve!

    O advogado de fato e o advogado de direitoSingelas diretrizes para o aperfeioamento pro ssional e o preparo acadmico

    David Elmr advogado criminalista,

    originrio de uma das mais respeitveis

    bancas de direito do Brasil (SAHIONE

    Advogados), Scio Snior do ELMR &

    CORRA Advogados

    David [email protected]

  • 10 revistaon.com.br

    coordenador do curso de jornalismo da

    Universidade Estcio de S (Campus Petrpolis).

    Jornalista, mestre em cincia poltica

    [email protected]

    Est difcil de acreditar

    Eduardo de Oliveira

    Previses espetaculares sobre epidemias, revolues, guerras, crises econ-micas, questes ambientais etc, podem at preocupar muita gente, mas, na privilegiada tica retrospectiva, difcil acreditar piamente nestas profecias.

    Desde sua origem, a imprensa tem um notrio interesse pelo sensacional. E, mais particularmente, pelas previses sensacionais. E esta caracterstica, que surge com os primeiros jornais, ainda no sculo 18, h algumas dcadas conta com um poderoso aval: a cincia ou, pelo menos, pesquisas feitas pela cha-mada comunidade cientfica. O problema que a credibilidade da palavra cincia, embora sirva para respaldar o anncio de grandes descobertas, endossa tambm grandes bobagens. Particularmente, no que diz respeito ao futuro: previses espetaculares sobre epidemias, revolues, guerras, crises econmicas, questes ambientais etc, podem at preocupar muita gente, mas, na privilegiada tica retrospectiva, di-fcil acreditar piamente nestas profecias. Mesmo quando surgidas de um trabalho cientfico.

    Quem j passou dos 40, ou nem isso talvez, provavelmente se lembra da infncia e de aterro-rizantes previses cientficas para os dias de hoje. Para comear, h algumas dcadas ainda havia uma coisa chamada guerra fria. E a destruio do plane-ta, graas guerra nuclear entre EUA e URSS, no era uma questo de se, mas de quando. Naque-le tempo, se houvesse um confronto dessa natureza certamente seria uma catstrofe, o fim do mundo, uma desgraa, mas, de forma alguma, uma surpresa.

    No bastasse isso, a imprensa de ento ainda falava em tom grave sobre outras questes. Sobre a poluio, por exemplo. Era grande a preocupao dos cientistas com o resfriamento global (sim, era resfriamento mesmo). Os resultados? Mais mortes e destruio. Acompanhadas, claro, de epidemias de novas doenas e, a princpio, incurveis.

    Se aquelas previses estivessem corretas, a vida hoje seria bem diferente, para no dizer di-fcil. A quantidade de alimentos produzidos em todo o planeta no bastaria para nem metade da

    humanidade. Ah! Tambm no haveria gua. Uma dessas previses, vinda l dos anos 70, era de que as reservas hdricas potveis estariam reduzidas a menos de 10% em 2010. Petrleo, ento, nem pensar: a crise de 1973 ensejou a divulgao de inmeras projees sobre as reservas do produto. A mais otimista era que elas estariam esgotadas bem antes de 2020. Enquanto isso, e em algum momento qualquer, um terremoto j teria feito o mar cobrir vrias cidades litorneas no Pacfico e, talvez, aqui no Atlntico tambm. Mesmo as pre-vises boas falavam de como hoje seria banal viajar para a Lua, colonizar Marte ou da facilida-de de implantao de membros artificiais.

    Enfim: estava tudo errado.O nmero de previses espetaculares (e anlises

    preocupantes) continua grande. No passado, a maio-ria no passava de rematada bobagem, mesmo que fosse uma bobagem cientfica. A pergunta, pois, bvia: se havia tanta previso errada no passado, porque elas devero estar certas agora? Em tempos de aquecimento global, tsunamis, mais epidemias, ameaas de guerra mundial etc. Aqui e ali, ainda encontramos na mdia o mesmo cenrio do passa-do: um clima de o fim est prximo, que existe h muito tempo sem que o fim jamais tenha chegado.

    Isto quer dizer, portanto, que no quesito pre-vises catastrficas devemos duvidar da cin-cia? Ou da imprensa? Ou de ambos? Pelo visto, muitas vezes parece que sim. Talvez as mais acertadas previses cientficas, boas ou ms, j tenham sido feitas h muito tempo. Talvez at tenham virado notinhas escondidas em algum jornal. Mas, por algum estranho motivo, sempre foram (ou ainda so) as previses erradas que tm um espao garantido na mdia. O que sensacio-nal e cientificamente comprovado, nestes ter-mos, parece sempre mais atraente que a verdade.

    OPINIO

  • 11revistaon.com.br

    Museu petropolitano preserva histrias e curiosidades da 2 Guerra Mundial

    POR LEONARDO FARROCO FOTOS REVISTA ON

    MemriaExpedicionria

    coordenador do curso de jornalismo da

    Universidade Estcio de S (Campus Petrpolis).

    Jornalista, mestre em cincia poltica

    [email protected]

    Est difcil de acreditar

    Eduardo de Oliveira

    Previses espetaculares sobre epidemias, revolues, guerras, crises econ-micas, questes ambientais etc, podem at preocupar muita gente, mas, na privilegiada tica retrospectiva, difcil acreditar piamente nestas profecias.

    Desde sua origem, a imprensa tem um notrio interesse pelo sensacional. E, mais particularmente, pelas previses sensacionais. E esta caracterstica, que surge com os primeiros jornais, ainda no sculo 18, h algumas dcadas conta com um poderoso aval: a cincia ou, pelo menos, pesquisas feitas pela cha-mada comunidade cientfica. O problema que a credibilidade da palavra cincia, embora sirva para respaldar o anncio de grandes descobertas, endossa tambm grandes bobagens. Particularmente, no que diz respeito ao futuro: previses espetaculares sobre epidemias, revolues, guerras, crises econmicas, questes ambientais etc, podem at preocupar muita gente, mas, na privilegiada tica retrospectiva, di-fcil acreditar piamente nestas profecias. Mesmo quando surgidas de um trabalho cientfico.

    Quem j passou dos 40, ou nem isso talvez, provavelmente se lembra da infncia e de aterro-rizantes previses cientficas para os dias de hoje. Para comear, h algumas dcadas ainda havia uma coisa chamada guerra fria. E a destruio do plane-ta, graas guerra nuclear entre EUA e URSS, no era uma questo de se, mas de quando. Naque-le tempo, se houvesse um confronto dessa natureza certamente seria uma catstrofe, o fim do mundo, uma desgraa, mas, de forma alguma, uma surpresa.

    No bastasse isso, a imprensa de ento ainda falava em tom grave sobre outras questes. Sobre a poluio, por exemplo. Era grande a preocupao dos cientistas com o resfriamento global (sim, era resfriamento mesmo). Os resultados? Mais mortes e destruio. Acompanhadas, claro, de epidemias de novas doenas e, a princpio, incurveis.

    Se aquelas previses estivessem corretas, a vida hoje seria bem diferente, para no dizer di-fcil. A quantidade de alimentos produzidos em todo o planeta no bastaria para nem metade da

    humanidade. Ah! Tambm no haveria gua. Uma dessas previses, vinda l dos anos 70, era de que as reservas hdricas potveis estariam reduzidas a menos de 10% em 2010. Petrleo, ento, nem pensar: a crise de 1973 ensejou a divulgao de inmeras projees sobre as reservas do produto. A mais otimista era que elas estariam esgotadas bem antes de 2020. Enquanto isso, e em algum momento qualquer, um terremoto j teria feito o mar cobrir vrias cidades litorneas no Pacfico e, talvez, aqui no Atlntico tambm. Mesmo as pre-vises boas falavam de como hoje seria banal viajar para a Lua, colonizar Marte ou da facilida-de de implantao de membros artificiais.

    Enfim: estava tudo errado.O nmero de previses espetaculares (e anlises

    preocupantes) continua grande. No passado, a maio-ria no passava de rematada bobagem, mesmo que fosse uma bobagem cientfica. A pergunta, pois, bvia: se havia tanta previso errada no passado, porque elas devero estar certas agora? Em tempos de aquecimento global, tsunamis, mais epidemias, ameaas de guerra mundial etc. Aqui e ali, ainda encontramos na mdia o mesmo cenrio do passa-do: um clima de o fim est prximo, que existe h muito tempo sem que o fim jamais tenha chegado.

    Isto quer dizer, portanto, que no quesito pre-vises catastrficas devemos duvidar da cin-cia? Ou da imprensa? Ou de ambos? Pelo visto, muitas vezes parece que sim. Talvez as mais acertadas previses cientficas, boas ou ms, j tenham sido feitas h muito tempo. Talvez at tenham virado notinhas escondidas em algum jornal. Mas, por algum estranho motivo, sempre foram (ou ainda so) as previses erradas que tm um espao garantido na mdia. O que sensacio-nal e cientificamente comprovado, nestes ter-mos, parece sempre mais atraente que a verdade.

    CULTURA

  • 12 revistaon.com.br

    Em 2012, a entrada do Brasil na 2 Guerra Mundial completa 60 anos. A data simblica convida a refletir sobre a importncia do conflito que moldou o mundo das dcadas seguintes. Em Petrpolis existe um local que se dedica a preservar a memria do conflito, o museu da FEB (Fora Expedi-cionria Brasileira), localizado na Avenida Koeller, 255, atrs do Palcio Rio Negro. Alm de Petrpolis, existem outros museus semelhantes pelo Brasil: em Curitiba (PR), Campo Grande (MS) e no Forte de Copa-cabana, no Rio de Janeiro.

    Mesmo distante da Europa, o Brasil participou da Segunda Guerra Mundial com mais de 20 mil soldados que deixaram suas famlias para trs para lutar na Itlia. No museu possvel encontrar painis que permitem remontar histrias e curiosidades da poca. Entre os objetos doados pelos ve-teranos - no total so 478 fotos e 195 outros itens - possvel descobrir peas curiosas, cada uma contando uma histria: meda-lhas, cantis, munies, livros de bolso de italiano e francs, uma bblia. Ao observar

    cada um dos objetos, possvel montar um quebra-cabea, remontar situaes do dia a dia da convivncia entre os soldados, suas angstias e momentos de felicidade duran-te os oito meses de campanha na Itlia.

    Um dos guias do museu, Manoel Ro-berito Filho, no foi para o combate, mas toda a semana ele doa parte de seu tempo para mostrar aos visitantes, curiosidades da poca e da Guerra.

    Alm das peas trazidas da Itlia, no local tambm h um mural com o nome dos petropolitanos que participaram do conflito. Manoel conta que esta parte do museu desperta ateno especial entre as crianas que visitam o local, pois segun-do ele elas se animam enquanto procu-ram o nome de algum parente.

    Histria Viva

    Eu no matei ningum. As primei-ras palavras do veterano Cleber But-turini na entrevista, deixam claro que ele tem inteno de um relato sincero

    de sua participao na Segunda Guerra Mundial. A afirmao sustentada com orgulho, por ter cumprido meu dever, quando meu pas assim solicitou.

    A notcia do chamado para a batalha veio em uma lista publicada no jornal. Pouco tempo depois, uma carta con-firmando a informao chegou em sua casa: era a convocao oficial. Nesta hora, restava apenas se despedir dos fa-miliares e se preparar para a viagem.

    Ao ser convocado, Cleber tinha 19 anos e era torneiro mecnico na indstria txtil. Como o exrcito precisava de sol-dados com esta qualificao para realizar a manuteno de armamentos e veculos, ele foi escalado para fazer parte da Com-panhia de Manuteno Leve, a 1 DIE.

    Filho de um alfaiate italiano, a viagem foi a primeira de Cleber a outro pas - ainda que durante a campanha, ele no tenha vi-sitado a provncia natal de seu pai.

    No estar na linha de frente ou partici-par de ataques a posies inimigas no era garantia de segurana. Dois amigos meus morreram em acidentes de trabalho. Che-guei a sofrer um, mas no foi grave.

    Em uma conversa com um veterano nem tudo precisa ser sobre guerra. Voc sabia que no o sol que derrete a neve? a chuva! A descoberta deste fato, conta

    Os objetos do museu ajudam a remontar situaes do dia a dia da convivncia entre os soldados

    MEMRIA DE BATALHA

    Insgneas nazistas trazidas

    por soldados brasileiros

    IMPROVISO

    Alm dos soldados do eixo, o

    idioma tambm era um adversrio

    A VETERANA

    Maria de Lurdes foi a nica

    petrolitana a participar da guerra

    F

    No campo de batalha os soldados

    buscavam foras em suas crenas

    Cleber, chamou a ateno dos brasileiros acostumados com o clima tropical.

    Alm das memrias, ele tambm trouxe da Itlia uma lembrana que car-rega at hoje em volta do pescoo: um crucifixo abenoado pelo Papa Pio XII no Vaticano em 1942.

    Hoje, em seus 89 anos, se dedica a um hobby que cultiva desde a juventude: a msica. com orgulho que ele mostra suas habilidades no teclado, bateria e pandeiro neste ltimo inclusive, ele afirma ser capaz de bater de frente com qualquer pagodeiro que tenha por a.

    E a cobra fumou

    Visitar o museu da FEB permite viajar no tempo e conhecer essa parte importan-te da histria do Brasil. Um ponto curioso o braso da Fora Expedicionria Bra-sileira: uma cobra fumando um charuto.

    De onde teria surgido a ideia do desenho? At 1942, o Brasil havia adotado uma

    postura de neutralidade na Guerra, manten-do relaes tanto com o Eixo quanto com os Aliados. Ao ser indagado sobre as chan-ces do Brasil participar do conflito, Getlio Vargas chegou a responder que mais fcil uma cobra fumar do que a FEB embar-car. Em funo dos navios mercantes brasileiros afundados pela Alemanha, o Brasil declarou guerra aos pases do Eixo

    em 22 de agosto de 1942. A cobra fumou.Um ponto curioso que durante esse

    perodo, a expresso representava algo que dificilmente poderia acontecer. Atu-almente o sentido outro, sendo usado para ilustrar a algo que vai ocorrer de forma intensa ou violenta.

    Petrpolis na Guerra

    Dos 25 mil e 700 soldados da Fora Expedicionria Brasileira, 204 eram de Petrpolis. Cinco perderam suas vidas no conflito: Joo Maurcio Campos de Medei-ros, Justino Jos Ladeira, Fernando Fontes, Hivio Domnico Naliato e Francisco Luiz Roberto Boening. Os dois ltimos nomes so familiares para moradores de Petrpo-lis, pois localidades da cidade fazem home-nagem a estes combatentes.

    Outra curiosidade que entre todos os petropolitanos enviados para os cam-pos da Itlia, havia apenas uma mulher: Maria de Lurdes Mercs, que participou como enfermeira. Aps o conflito ela chegou a ser capit.

    Atualmente, os soldados de Petrpo-lis participam de reunies da associao de veteranos da cidade. As palavras do ex-combatente Cleber resumem o senti-mento de seus colegas: Me sinto feliz ainda hoje. Principalmente por ter cum-prido o meu dever. para manter viva a lembrana dos sacrifcios sofridos na Itlia, que o museu da FEB ajuda a per-ceber a importncia da paz.

    Dos soldados brasileiros enviados Guerra, 204 eram de Petrpolis

    TRIBUTO

    Mural com as fotos dos

    pracinhas petropolitanos

    APRESENTANDO MEMRIAS

    Manoel Filho um dos guias do museu

    CULTURA

  • 13revistaon.com.br

    Em 2012, a entrada do Brasil na 2 Guerra Mundial completa 60 anos. A data simblica convida a refletir sobre a importncia do conflito que moldou o mundo das dcadas seguintes. Em Petrpolis existe um local que se dedica a preservar a memria do conflito, o museu da FEB (Fora Expedi-cionria Brasileira), localizado na Avenida Koeller, 255, atrs do Palcio Rio Negro. Alm de Petrpolis, existem outros museus semelhantes pelo Brasil: em Curitiba (PR), Campo Grande (MS) e no Forte de Copa-cabana, no Rio de Janeiro.

    Mesmo distante da Europa, o Brasil participou da Segunda Guerra Mundial com mais de 20 mil soldados que deixaram suas famlias para trs para lutar na Itlia. No museu possvel encontrar painis que permitem remontar histrias e curiosidades da poca. Entre os objetos doados pelos ve-teranos - no total so 478 fotos e 195 outros itens - possvel descobrir peas curiosas, cada uma contando uma histria: meda-lhas, cantis, munies, livros de bolso de italiano e francs, uma bblia. Ao observar

    cada um dos objetos, possvel montar um quebra-cabea, remontar situaes do dia a dia da convivncia entre os soldados, suas angstias e momentos de felicidade duran-te os oito meses de campanha na Itlia.

    Um dos guias do museu, Manoel Ro-berito Filho, no foi para o combate, mas toda a semana ele doa parte de seu tempo para mostrar aos visitantes, curiosidades da poca e da Guerra.

    Alm das peas trazidas da Itlia, no local tambm h um mural com o nome dos petropolitanos que participaram do conflito. Manoel conta que esta parte do museu desperta ateno especial entre as crianas que visitam o local, pois segun-do ele elas se animam enquanto procu-ram o nome de algum parente.

    Histria Viva

    Eu no matei ningum. As primei-ras palavras do veterano Cleber But-turini na entrevista, deixam claro que ele tem inteno de um relato sincero

    de sua participao na Segunda Guerra Mundial. A afirmao sustentada com orgulho, por ter cumprido meu dever, quando meu pas assim solicitou.

    A notcia do chamado para a batalha veio em uma lista publicada no jornal. Pouco tempo depois, uma carta con-firmando a informao chegou em sua casa: era a convocao oficial. Nesta hora, restava apenas se despedir dos fa-miliares e se preparar para a viagem.

    Ao ser convocado, Cleber tinha 19 anos e era torneiro mecnico na indstria txtil. Como o exrcito precisava de sol-dados com esta qualificao para realizar a manuteno de armamentos e veculos, ele foi escalado para fazer parte da Com-panhia de Manuteno Leve, a 1 DIE.

    Filho de um alfaiate italiano, a viagem foi a primeira de Cleber a outro pas - ainda que durante a campanha, ele no tenha vi-sitado a provncia natal de seu pai.

    No estar na linha de frente ou partici-par de ataques a posies inimigas no era garantia de segurana. Dois amigos meus morreram em acidentes de trabalho. Che-guei a sofrer um, mas no foi grave.

    Em uma conversa com um veterano nem tudo precisa ser sobre guerra. Voc sabia que no o sol que derrete a neve? a chuva! A descoberta deste fato, conta

    Os objetos do museu ajudam a remontar situaes do dia a dia da convivncia entre os soldados

    MEMRIA DE BATALHA

    Insgneas nazistas trazidas

    por soldados brasileiros

    IMPROVISO

    Alm dos soldados do eixo, o

    idioma tambm era um adversrio

    A VETERANA

    Maria de Lurdes foi a nica

    petrolitana a participar da guerra

    F

    No campo de batalha os soldados

    buscavam foras em suas crenas

    Cleber, chamou a ateno dos brasileiros acostumados com o clima tropical.

    Alm das memrias, ele tambm trouxe da Itlia uma lembrana que car-rega at hoje em volta do pescoo: um crucifixo abenoado pelo Papa Pio XII no Vaticano em 1942.

    Hoje, em seus 89 anos, se dedica a um hobby que cultiva desde a juventude: a msica. com orgulho que ele mostra suas habilidades no teclado, bateria e pandeiro neste ltimo inclusive, ele afirma ser capaz de bater de frente com qualquer pagodeiro que tenha por a.

    E a cobra fumou

    Visitar o museu da FEB permite viajar no tempo e conhecer essa parte importan-te da histria do Brasil. Um ponto curioso o braso da Fora Expedicionria Bra-sileira: uma cobra fumando um charuto.

    De onde teria surgido a ideia do desenho? At 1942, o Brasil havia adotado uma

    postura de neutralidade na Guerra, manten-do relaes tanto com o Eixo quanto com os Aliados. Ao ser indagado sobre as chan-ces do Brasil participar do conflito, Getlio Vargas chegou a responder que mais fcil uma cobra fumar do que a FEB embar-car. Em funo dos navios mercantes brasileiros afundados pela Alemanha, o Brasil declarou guerra aos pases do Eixo

    em 22 de agosto de 1942. A cobra fumou.Um ponto curioso que durante esse

    perodo, a expresso representava algo que dificilmente poderia acontecer. Atu-almente o sentido outro, sendo usado para ilustrar a algo que vai ocorrer de forma intensa ou violenta.

    Petrpolis na Guerra

    Dos 25 mil e 700 soldados da Fora Expedicionria Brasileira, 204 eram de Petrpolis. Cinco perderam suas vidas no conflito: Joo Maurcio Campos de Medei-ros, Justino Jos Ladeira, Fernando Fontes, Hivio Domnico Naliato e Francisco Luiz Roberto Boening. Os dois ltimos nomes so familiares para moradores de Petrpo-lis, pois localidades da cidade fazem home-nagem a estes combatentes.

    Outra curiosidade que entre todos os petropolitanos enviados para os cam-pos da Itlia, havia apenas uma mulher: Maria de Lurdes Mercs, que participou como enfermeira. Aps o conflito ela chegou a ser capit.

    Atualmente, os soldados de Petrpo-lis participam de reunies da associao de veteranos da cidade. As palavras do ex-combatente Cleber resumem o senti-mento de seus colegas: Me sinto feliz ainda hoje. Principalmente por ter cum-prido o meu dever. para manter viva a lembrana dos sacrifcios sofridos na Itlia, que o museu da FEB ajuda a per-ceber a importncia da paz.

    Dos soldados brasileiros enviados Guerra, 204 eram de Petrpolis

    TRIBUTO

    Mural com as fotos dos

    pracinhas petropolitanos

    APRESENTANDO MEMRIAS

    Manoel Filho um dos guias do museu

  • 14 revistaon.com.br

    Nos jardins do Museu ImperialO vento morno embala a vida que dana no jardim orido. Uma borboleta revoa movida por grande anseio renascido. Ouve-se o canto de um canrio que, na rvore, faz seu ninho. Perto do lago, gato sedentrio. um novelo de l enroladinho. A jovem, imvel, livro ao colo, loira boneca, no banco, divaga. Vive sua histria... Desejo tolo, ser real a encantadora saga. Um galante cavaleiro mouro, atrado por to linda viso, para mirar tal tesouro ca, extasiado pela paixo. (Mardil Friedrich Fabre)

    POR FERNANDA TAVARES FOTOS REVISTA ON

    Petrpolis conhecida interna-cionalmente como a nica Ci-dade Imperial das Amricas. O ttulo reflete cada vestgio da monarquia encontrado em residncias, bairros e ponto tursticos. O diferencial da cidade que os elementos que recons-tituem a histria do reinado de dom Pe-dro II encontram-se totalmente includos na paisagem moderna de uma metrpo-le. Um exemplo disso so os jardins do Museu Imperial. Localizados em pleno centro urbano, renem no mesmo lugar, exemplares exticos da flora, esttuas, inclusive uma de dom Pedro II, lagos e espaos para a realizao de atividades alternativas.

    A beleza toma conta do lugar j nos portes de entrada. rvores centenrias abrigam esquilos, macaquinhos e vrias espcies de pssaros, como sabis. Pro-jetados pelo paisagista francs Jean Bap-tiste Binot, sob orientao pessoal do im-perador dom Pedro II, os jardins abrigam rvores de incenso, jaqueiras, ciprestes lusitanos, magnlias, azaleas, palmeiras australianas, manacs, pau-brasil, cambu-cs e amlias.

    A beleza emociona os visitantes e mo-radores que, diariamente, visitam o es-pao para fazer uma caminhada entre as ruelas. Esse lugar lindo. Aqui encon-tramos paz, no escutamos os barulhos

    dos carros, apenas os cantos dos pssaros. Sempre trago os meus netos para passe-arem por aqui, eles correm, visitam os peixinhos e vem de perto todas as lindas formas da natureza preservada, disse a aposentada Sueli Paiva, 54.

    Alm das caminhadas, os ptios do museu so palco de vrias atividades f-sicas, voltadas para todas as idades. Uma delas, a prtica de Tai Chi Chuan, ocorre

    s segundas, quartas e sextas, das 7h30 s 8h, sob a coordenao da professora Be-gna Javares e s teras e quintas, das 8h s 9h e das 9h s 10h com a orientao do professor Rafael Motta.

    A prtica do Tai Chi Chuan, tambm conhecido como Taijiquan, proporciona vrios benefcios para a sade do corpo e da mente. Um deles o desenvolvimento do conhecimento da biomecnica huma-na, ou seja, atravs da prtica constante, aprimoramos os movimentos bilaterais e estimulamos as motricidades. O exerc-cio da ginstica do taijiquan, o qigong, estimula as regies do crebro que nor-malmente no utilizamos. O exerccio tambm melhora o funcionamento da memria, atravs de tcnicas de fixao dos movimentos, a mente se torna pr--disposta a manter sempre uma linha clara de raciocnio e fcil memorizao, afir-mou Rafael, 30, que cursa educao fsica e formado como professor da tcnica pelo grupo Gesto Cotidiano, h 20 anos orientando a prtica da tcnica nos jardins do museu.

    Segundo o professor, a procura pelo Tai Chi Chuan grande porque ao lon-go dos anos, o praticante percebe o for-talecimento, de um modo geral, do cor-po fsico. At o sistema imunolgico melhora, a respirao, estrutura ssea e a correo da postura so benefcios do

    HISTRIA NACIONAL

    Esttua de dom Pedro

    II no jardim central

    DANA ALEM

    Grupos se apresentam todos os sbados

    LAZER

  • 15revistaon.com.br

    Petrpolis conhecida interna-cionalmente como a nica Ci-dade Imperial das Amricas. O ttulo reflete cada vestgio da monarquia encontrado em residncias, bairros e ponto tursticos. O diferencial da cidade que os elementos que recons-tituem a histria do reinado de dom Pe-dro II encontram-se totalmente includos na paisagem moderna de uma metrpo-le. Um exemplo disso so os jardins do Museu Imperial. Localizados em pleno centro urbano, renem no mesmo lugar, exemplares exticos da flora, esttuas, inclusive uma de dom Pedro II, lagos e espaos para a realizao de atividades alternativas.

    A beleza toma conta do lugar j nos portes de entrada. rvores centenrias abrigam esquilos, macaquinhos e vrias espcies de pssaros, como sabis. Pro-jetados pelo paisagista francs Jean Bap-tiste Binot, sob orientao pessoal do im-perador dom Pedro II, os jardins abrigam rvores de incenso, jaqueiras, ciprestes lusitanos, magnlias, azaleas, palmeiras australianas, manacs, pau-brasil, cambu-cs e amlias.

    A beleza emociona os visitantes e mo-radores que, diariamente, visitam o es-pao para fazer uma caminhada entre as ruelas. Esse lugar lindo. Aqui encon-tramos paz, no escutamos os barulhos

    dos carros, apenas os cantos dos pssaros. Sempre trago os meus netos para passe-arem por aqui, eles correm, visitam os peixinhos e vem de perto todas as lindas formas da natureza preservada, disse a aposentada Sueli Paiva, 54.

    Alm das caminhadas, os ptios do museu so palco de vrias atividades f-sicas, voltadas para todas as idades. Uma delas, a prtica de Tai Chi Chuan, ocorre

    s segundas, quartas e sextas, das 7h30 s 8h, sob a coordenao da professora Be-gna Javares e s teras e quintas, das 8h s 9h e das 9h s 10h com a orientao do professor Rafael Motta.

    A prtica do Tai Chi Chuan, tambm conhecido como Taijiquan, proporciona vrios benefcios para a sade do corpo e da mente. Um deles o desenvolvimento do conhecimento da biomecnica huma-na, ou seja, atravs da prtica constante, aprimoramos os movimentos bilaterais e estimulamos as motricidades. O exerc-cio da ginstica do taijiquan, o qigong, estimula as regies do crebro que nor-malmente no utilizamos. O exerccio tambm melhora o funcionamento da memria, atravs de tcnicas de fixao dos movimentos, a mente se torna pr--disposta a manter sempre uma linha clara de raciocnio e fcil memorizao, afir-mou Rafael, 30, que cursa educao fsica e formado como professor da tcnica pelo grupo Gesto Cotidiano, h 20 anos orientando a prtica da tcnica nos jardins do museu.

    Segundo o professor, a procura pelo Tai Chi Chuan grande porque ao lon-go dos anos, o praticante percebe o for-talecimento, de um modo geral, do cor-po fsico. At o sistema imunolgico melhora, a respirao, estrutura ssea e a correo da postura so benefcios do

    HISTRIA NACIONAL

    Esttua de dom Pedro

    II no jardim central

    DANA ALEM

    Grupos se apresentam todos os sbados

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    Tai Chi Chuan. Muitas pessoas procuram o exerccio como forma de recolhimento e silncio interno, o que permite que as emoes sejam trabalhadas no cultivo da serenidade. Alguns alunos ficam marca-dos pela melhora da interao social, j que a cultura da atividade aponta valores como formao do indivduo, respeito mtuo, disciplina, dedicao e compa-nheirismo, ressaltou.

    Alm do Tai Chi Chuan, os jardins recebem, ainda, dezenas de pessoas que fazem, diariamente, caminhadas e alon-gamentos no entorno do museu, alm de Yoga. As aulas de Yoga ocorrem no primeiro e no terceiro domingo de cada ms, das 9h30 s 11h. Nos encontros, so trabalhadas tcnicas respiratrias e de concentrao, exerccios psicofsicos de fora e flexibilidade, entre outros. To-dos os sbados, grupos de dana alem se apresentam a partir das 15h no ptio cen-tral do museu.

    Para o diretor do espao, o historia-dor Maurcio Vicente, o Museu Imperial estuda, preserva e comunica acervos p-blicos de diferentes naturezas: o histri-co, o artstico, o arquitetnico e o paisa-gstico. No entanto, esses trabalhos no so vistos, pelo pblico em geral, com

    o mesmo status ou importncia atribuda aos outros acervos.

    Quase sempre, os jardins do museu so vistos como um corredor que leva o pblico aos itens de maior interesse, como o prdio e o circuito de exposio permanente. Por isso, estamos empenha-dos em comunicar melhor a importncia do acervo paisagstico no mbito do com-plexo casa-jardim e, o ponto de partida o estabelecimento de situaes prazerosas do pblico com os jardins do imperador d. Pedro II. Para isso, existe um projeto, chamado de Nos jardins do Museu Impe-rial que visa, sobretudo, aproximar duas dimenses at ento distintas: a memria

    individual e a institucional. Pretendemos registrar, organizar e divulgar histrias protagonizadas por frequentadores nos jardins do Museu Imperial para formar um conjunto de memrias individuais que faro parte do registro institucional. o frequentador construindo a memria da instituio, declarou Maurcio.

    Som e Luz

    Nas noites de quinta, sexta e sbados, os jardins do museu ganham vida prpria. Voltar no tempo e reviver alguns dos mais importantes momentos do segundo reinado no Brasil, esse o objetivo do espetculo Som e Luz. A superproduo utiliza efei-tos especiais de iluminao e sonorizao para reviver a histria de dom Pedro II. A viagem comea no dia do baile das prince-sas, quando as irms Isabel e Leopoldina so apresentadas a seus futuros maridos: o conde d'Eu e o duque de Saxe. Toda a corte est subindo a serra para comparecer ao evento.

    Enquanto a narrao em off na voz de Paulo Autran guia os espectadores pelo jardim do atual museu (simulando o trajeto de subida da serra), a iluminao cenogr-

    REPOUSO

    Local de descanso em

    frente ao prdio do museu

    TAI CHI CHUAN

    A professora Begona

    Tavares pratica a arte

    milenar com um aluno

    DIV

    ULG

    A

    O

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    ULG

    A

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    DIVERSIDADE

    Visitantes observam

    ora e fauna do local

    fica complementa a magia do espetculo. De frente para a fachada do prdio, uma das principais surpresas do espetculo: o palcio est iluminado e pronto para a festa, como h 150 anos. Inclusive, pos-svel ver atravs das janelas, a silhueta de d. Pedro II.

    Mas como a viagem apenas comeou, o Som e Luz Petrpolis prepara outra sur-presa: uma cortina torna-se a tela em que so projetadas cenas do filme que comple-menta o show. O espetculo ainda reserva espao para contar sobre a guerra do Pa-raguai, a assinatura da lei urea e termina com a chegada da repblica. Em 45 minu-tos, a noite petropolitana iluminada pelos

    efeitos especiais que permitem oferecer uma das mais inesquecveis e emocionan-tes aulas de histria brasileira.

    Servio:

    O Museu Imperial fica aberto diaria-mente. Som e Luz: as apresentaes acontecem de quinta a sbado, s 20h. Adultos pagam R$ 20. Estudantes, profes-sores e idosos com mais de 60 anos pagam meia. Menores de sete anos e maiores de 80 no pagam. s sextas, os moradores de Petrpolis pagam o preo promocional de R$ 5, mediante a apresentao de identida-de e comprovante de residncia.

    Um pouco de histria...

    O Museu Imperial, erguido, primeiramente como Palcio da Concrdia foi construdo para ser a residncia de vero da famlia imperial brasileira. Em 1822, numa de suas viagens em direo a Villa Rica, na busca de apoio para a independncia do nosso pas, d. Pedro I cou encantado com aquele aprazvel vale entre as montanhas, no corao da Mata Atlntica. Hospedou-se na Fazenda do Padre Corra e chegou a fazer uma oferta para adquiri-la. Como a proposta no foi aceita, ele resolveu comprar as terras vizinhas, a Fazenda do Crrego Seco, por 20 contos.O Imperador no teve tempo para realizar seu sonho de construir a residncia de vero. Com a crise poltica e sucessria em Portugal, d. Pedro I teve que voltar Europa e no mais regressou ao Brasil. Ao morrer, deixa de herana aquelas terras para seu lho, d. Pedro II. O novo imperador levou adiante o sonho do pai e comeou a construir o prdio, em estilo neoclssico, em 1845. Dezessete anos mais tarde a obra estava concluda. Para dar incio construo, d. Pedro II assinou um decreto em 16 de maro de 1843, criando Petrpolis. Uma grande leva de imigrantes europeus, principalmente alemes, sob o comando do engenheiro Jlio Frederico Koeler, foi incumbida de levantar a cidade, construir o Palcio e colonizar a regio. Em 29 de maro de 1940 o presidente Getlio Vargas cria o Museu Imperial. A inaugurao do espao acontece em 16 de maro de 1943, durante as comemoraes do centenrio de Petrpolis.

    ARTE MILENAR

    Os praticantes do Tai Chi Chuan fazem os

    exerccios em frente a fachada do museu

    DIV

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    LAZER

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    Tai Chi Chuan. Muitas pessoas procuram o exerccio como forma de recolhimento e silncio interno, o que permite que as emoes sejam trabalhadas no cultivo da serenidade. Alguns alunos ficam marca-dos pela melhora da interao social, j que a cultura da atividade aponta valores como formao do indivduo, respeito mtuo, disciplina, dedicao e compa-nheirismo, ressaltou.

    Alm do Tai Chi Chuan, os jardins recebem, ainda, dezenas de pessoas que fazem, diariamente, caminhadas e alon-gamentos no entorno do museu, alm de Yoga. As aulas de Yoga ocorrem no primeiro e no terceiro domingo de cada ms, das 9h30 s 11h. Nos encontros, so trabalhadas tcnicas respiratrias e de concentrao, exerccios psicofsicos de fora e flexibilidade, entre outros. To-dos os sbados, grupos de dana alem se apresentam a partir das 15h no ptio cen-tral do museu.

    Para o diretor do espao, o historia-dor Maurcio Vicente, o Museu Imperial estuda, preserva e comunica acervos p-blicos de diferentes naturezas: o histri-co, o artstico, o arquitetnico e o paisa-gstico. No entanto, esses trabalhos no so vistos, pelo pblico em geral, com

    o mesmo status ou importncia atribuda aos outros acervos.

    Quase sempre, os jardins do museu so vistos como um corredor que leva o pblico aos itens de maior interesse, como o prdio e o circuito de exposio permanente. Por isso, estamos empenha-dos em comunicar melhor a importncia do acervo paisagstico no mbito do com-plexo casa-jardim e, o ponto de partida o estabelecimento de situaes prazerosas do pblico com os jardins do imperador d. Pedro II. Para isso, existe um projeto, chamado de Nos jardins do Museu Impe-rial que visa, sobretudo, aproximar duas dimenses at ento distintas: a memria

    individual e a institucional. Pretendemos registrar, organizar e divulgar histrias protagonizadas por frequentadores nos jardins do Museu Imperial para formar um conjunto de memrias individuais que faro parte do registro institucional. o frequentador construindo a memria da instituio, declarou Maurcio.

    Som e Luz

    Nas noites de quinta, sexta e sbados, os jardins do museu ganham vida prpria. Voltar no tempo e reviver alguns dos mais importantes momentos do segundo reinado no Brasil, esse o objetivo do espetculo Som e Luz. A superproduo utiliza efei-tos especiais de iluminao e sonorizao para reviver a histria de dom Pedro II. A viagem comea no dia do baile das prince-sas, quando as irms Isabel e Leopoldina so apresentadas a seus futuros maridos: o conde d'Eu e o duque de Saxe. Toda a corte est subindo a serra para comparecer ao evento.

    Enquanto a narrao em off na voz de Paulo Autran guia os espectadores pelo jardim do atual museu (simulando o trajeto de subida da serra), a iluminao cenogr-

    REPOUSO

    Local de descanso em

    frente ao prdio do museu

    TAI CHI CHUAN

    A professora Begona

    Tavares pratica a arte

    milenar com um aluno

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    DIVERSIDADE

    Visitantes observam

    ora e fauna do local

    fica complementa a magia do espetculo. De frente para a fachada do prdio, uma das principais surpresas do espetculo: o palcio est iluminado e pronto para a festa, como h 150 anos. Inclusive, pos-svel ver atravs das janelas, a silhueta de d. Pedro II.

    Mas como a viagem apenas comeou, o Som e Luz Petrpolis prepara outra sur-presa: uma cortina torna-se a tela em que so projetadas cenas do filme que comple-menta o show. O espetculo ainda reserva espao para contar sobre a guerra do Pa-raguai, a assinatura da lei urea e termina com a chegada da repblica. Em 45 minu-tos, a noite petropolitana iluminada pelos

    efeitos especiais que permitem oferecer uma das mais inesquecveis e emocionan-tes aulas de histria brasileira.

    Servio:

    O Museu Imperial fica aberto diaria-mente. Som e Luz: as apresentaes acontecem de quinta a sbado, s 20h. Adultos pagam R$ 20. Estudantes, profes-sores e idosos com mais de 60 anos pagam meia. Menores de sete anos e maiores de 80 no pagam. s sextas, os moradores de Petrpolis pagam o preo promocional de R$ 5, mediante a apresentao de identida-de e comprovante de residncia.

    Um pouco de histria...

    O Museu Imperial, erguido, primeiramente como Palcio da Concrdia foi construdo para ser a residncia de vero da famlia imperial brasileira. Em 1822, numa de suas viagens em direo a Villa Rica, na busca de apoio para a independncia do nosso pas, d. Pedro I cou encantado com aquele aprazvel vale entre as montanhas, no corao da Mata Atlntica. Hospedou-se na Fazenda do Padre Corra e chegou a fazer uma oferta para adquiri-la. Como a proposta no foi aceita, ele resolveu comprar as terras vizinhas, a Fazenda do Crrego Seco, por 20 contos.O Imperador no teve tempo para realizar seu sonho de construir a residncia de vero. Com a crise poltica e sucessria em Portugal, d. Pedro I teve que voltar Europa e no mais regressou ao Brasil. Ao morrer, deixa de herana aquelas terras para seu lho, d. Pedro II. O novo imperador levou adiante o sonho do pai e comeou a construir o prdio, em estilo neoclssico, em 1845. Dezessete anos mais tarde a obra estava concluda. Para dar incio construo, d. Pedro II assinou um decreto em 16 de maro de 1843, criando Petrpolis. Uma grande leva de imigrantes europeus, principalmente alemes, sob o comando do engenheiro Jlio Frederico Koeler, foi incumbida de levantar a cidade, construir o Palcio e colonizar a regio. Em 29 de maro de 1940 o presidente Getlio Vargas cria o Museu Imperial. A inaugurao do espao acontece em 16 de maro de 1943, durante as comemoraes do centenrio de Petrpolis.

    ARTE MILENAR

    Os praticantes do Tai Chi Chuan fazem os

    exerccios em frente a fachada do museu

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  • 18 revistaon.com.br

    At os mais cticos devem acre-ditar no ditado popular filho de peixe, peixinho . Des-cendente de um carpinteiro, Marcelo Monteiro Pezzuto, 44, herdou do pai a habilidade para trabalhar com a ma-deira. Essa histria relembra pocas remo-tas, quando os filhos seguiam as profisses dos pais, dando continuidade histria da famlia, aos ensinamentos, s experincias passadas de gerao em gerao.

    Aos 13 anos aprendeu o ofcio por um conhecido chamado Eclair, que costuma-va expor as peas de madeira que fazia na praa d. Pedro, no centro de Petrpolis. Como o ento jovem trabalhava para ele na poca, acabou aprendendo a entalhar. O professor no possua nenhuma pea feita por ele em casa, a primeira que ga-nhou foi entalhada por seu aprendiz. As placas mais detalhadas, eu aprendi a fazer com o Eclair, porm as peas com nomes eu fiz sozinho, rememora Marcelo.

    Suas mos transformam pedaos de madeira em verdadeiras obras de arte. E esta apenas uma das formas para desig-

    nar o entalhador, habilidade que se resume na arte de cortar ou esculpir pedaos de madeira. O trabalho desse tipo de arteso implica no uso de diferentes desenhos que do feitio s mais diversas esculturas em alto relevo, desde uma simples placa com um nome mais complexa e detalhada produo de um casario, transformando a madeira natural em objeto de decorao.

    O arteso explica que no teve muita dificuldade em aprender a tcnica. Basi-camente ele risca um esboo do desenho sobre a madeira e depois comea. Mas, de um jeito muito simples, disse que a principal tcnica usada para fazer suas obras a pacincia.

    Ainda no processo de produo, h a preocupao com o formato e a pintura das

    placas, pois existem diferentes maneiras de reproduzir o desenho ou o nome na pea de madeira atravs de determinados produ-tos utilizados. Assim, possvel colorir a madeira com verniz, tinta a base dgua ou viochene (produto utilizado para dar uma colorao mais forte na madeira).

    Marcelo explica que, dependendo do

    POR LETICIA KNIBEL FOTOS REVISTA ON

    Aentalhar

    de arte

    O trabalho do arteso apenas uma prova de que na natureza

    nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, como

    dizia Antoine Lavoisier.

    A pacincia a principal tcnica para produzir as obras

    INCIO DO PROCESSO

    A madeira vai ganhando

    forma nas mos habilidosas

    do arteso

  • 19revistaon.com.br

    At os mais cticos devem acre-ditar no ditado popular filho de peixe, peixinho . Des-cendente de um carpinteiro, Marcelo Monteiro Pezzuto, 44, herdou do pai a habilidade para trabalhar com a ma-deira. Essa histria relembra pocas remo-tas, quando os filhos seguiam as profisses dos pais, dando continuidade histria da famlia, aos ensinamentos, s experincias passadas de gerao em gerao.

    Aos 13 anos aprendeu o ofcio por um conhecido chamado Eclair, que costuma-va expor as peas de madeira que fazia na praa d. Pedro, no centro de Petrpolis. Como o ento jovem trabalhava para ele na poca, acabou aprendendo a entalhar. O professor no possua nenhuma pea feita por ele em casa, a primeira que ga-nhou foi entalhada por seu aprendiz. As placas mais detalhadas, eu aprendi a fazer com o Eclair, porm as peas com nomes eu fiz sozinho, rememora Marcelo.

    Suas mos transformam pedaos de madeira em verdadeiras obras de arte. E esta apenas uma das formas para desig-

    nar o entalhador, habilidade que se resume na arte de cortar ou esculpir pedaos de madeira. O trabalho desse tipo de arteso implica no uso de diferentes desenhos que do feitio s mais diversas esculturas em alto relevo, desde uma simples placa com um nome mais complexa e detalhada produo de um casario, transformando a madeira natural em objeto de decorao.

    O arteso explica que no teve muita dificuldade em aprender a tcnica. Basi-camente ele risca um esboo do desenho sobre a madeira e depois comea. Mas, de um jeito muito simples, disse que a principal tcnica usada para fazer suas obras a pacincia.

    Ainda no processo de produo, h a preocupao com o formato e a pintura das

    placas, pois existem diferentes maneiras de reproduzir o desenho ou o nome na pea de madeira atravs de determinados produ-tos utilizados. Assim, possvel colorir a madeira com verniz, tinta a base dgua ou viochene (produto utilizado para dar uma colorao mais forte na madeira).

    Marcelo explica que, dependendo do

    POR LETICIA KNIBEL FOTOS REVISTA ON

    Aentalhar

    de arte

    O trabalho do arteso apenas uma prova de que na natureza

    nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, como

    dizia Antoine Lavoisier.

    A pacincia a principal tcnica para produzir as obras

    INCIO DO PROCESSO

    A madeira vai ganhando

    forma nas mos habilidosas

    do arteso

    EU SEI FAZER

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    tipo de placa, costuma fazer a reprodu-o mo livre. Ele esclarece que a maioria das letras e formatos utilizados nas placas com nomes criao dele. Desta forma, chega a uma figura rstica e ao mesmo tempo caracterstica para o trabalho. como se fosse sua marca.

    A irm do arteso, Maria do Carmo Pezzuto, conta que adora esse tipo de trabalho e que suas placas preferidas so as naturais, sem tinta. Tem que ter dom, talento e dedicao para realizar esse tipo de artesanato, destaca Maria.

    As madeiras mais utilizadas na con-feco das peas so eucalipto, cedro e angico branco. As duas ltimas so ma-deiras de lei (mais resistentes a agentes externos e insetos como o cupim, por exemplo, elas precisam autorizao para serem cortadas) e a produo feita com sobras compradas de indstrias movelei-ras. A melhor pea para fazer as placas o cedro. Por ser muito macia, nem pre-ciso bater o martelo para moldar, desta-ca Marcelo. O arteso demonstra, dessa forma, sua preocupao com a natureza ao trabalhar de maneira ecologicamente correta e dentro da lei, principalmente.

    Aps algumas tentativas sem sucesso de expor seu trabalho em algumas feiras e estradas locais (nas quais muitos turistas passam), Marcelo Pezzuto foi convida-do para montar um estande no Concurso Hpico de Inverno, no Brejal, em 2008. Alm de ter seu trabalho divulgado e fa-zer bastante sucesso no evento, parte do dinheiro que ganhou com as vendas de suas peas foi doado ao Atelier e Oficina Arte em Comum, localizado no Brejal.

    O arteso faz peas sob encomenda. As placas mais pedidas so as de no-mes, principalmente para stios, explica. O tempo de produo dessas obras de-pende do tamanho e do desenho pedido, mas, em geral, precisa de at uma sema-na para entalhar uma placa de madeira grande, rica em detalhes. Marcelo conta, tambm, que independente do tempo que leva para fazer uma obra dessas, o valor das peas varia de acordo com o tamanho do desenho, da madeira, formato e outros detalhes que ele avalia. As placas com nomes, ele cobra R$ 5 cada letra, inde-pendente do tamanho e do formato.

    Apesar de no ser sua principal fonte de renda, o trabalho como arteso ajuda a pagar as contas no final do ms. No entan-to, para Pezzuto, o entalhe muito mais que uma forma de ganhar dinheiro, uma terapia. Quando era criana meu tio fez uma placa de madeira com meu nome e eu fiquei todo alegre. S que na poca ele estava aprendendo e sempre falava que no tinha ficado bom, mas eu adorei. in-crvel a pacincia que ele tem. So traba-lhos lindos e de muita sensibilidade. Ele realmente um talento, elogia a sobrinha Catierine Pezzuto Morelli.

    Para quem v, apenas pacincia no suficiente para explicar o trabalho feito pelo arteso. Talento, dom e habilidade so peas fundamentais para compor essas obras de arte. Nos projetos futuros, est a confeco de desenhos das antigas fazen-das de So Jos do Vale do Rio Preto, alm de esculturas com os nomes dos pases par-ticipantes da Copa do Mundo, em 2014.

    Artesanato local

    O Brejal, bairro da Posse, quinto dis-trito de Petrpolis, o local do Atelier e Oficina Arte em Comum, lugar na co-munidade no qual diferentes formas de artesanatos so ensinados s mulheres. Alm de atrair turistas, esse tipo de ati-vidade visa, principalmente, ajudar na renda mensal das famlias locais. Pode--se encontrar trabalhos feitos em tric, croch, palha nativa (taboa) e tambm em madeira natural ou pintada.

    Para o arteso, o entalhe na madeira uma terapia

    O ARTESO E A XOD

    Marcelo expe, orgulhoso,

    sua placa preferida

    MATERIAL DE TRABALHO

    As ferramentas de trabalho

    tornaram-se companheiras

    de Marcelo

    PROJETO FUTURO

    Dentre seus planos est a produo de

    uma placa da antiga fazenda de So

    Jos do Vale do Rio Preto

    EU SEI FAZER

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    tipo de placa, costuma fazer a reprodu-o mo livre. Ele esclarece que a maioria das letras e formatos utilizados nas placas com nomes criao dele. Desta forma, chega a uma figura rstica e ao mesmo tempo caracterstica para o trabalho. como se fosse sua marca.

    A irm do arteso, Maria do Carmo Pezzuto, conta que adora esse tipo de trabalho e que suas placas preferidas so as naturais, sem tinta. Tem que ter dom, talento e dedicao para realizar esse tipo de artesanato, destaca Maria.

    As madeiras mais utilizadas na con-feco das peas so eucalipto, cedro e angico branco. As duas ltimas so ma-deiras de lei (mais resistentes a agentes externos e insetos como o cupim, por exemplo, elas precisam autorizao para serem cortadas) e a produo feita com sobras compradas de indstrias movelei-ras. A melhor pea para fazer as placas o cedro. Por ser muito macia, nem pre-ciso bater o martelo para moldar, desta-ca Marcelo. O arteso demonstra, dessa forma, sua preocupao com a natureza ao trabalhar de maneira ecologicamente correta e dentro da lei, principalmente.

    Aps algumas tentativas sem sucesso de expor seu trabalho em algumas feiras e estradas locais (nas quais muitos turistas passam), Marcelo Pezzuto foi convida-do para montar um estande no Concurso Hpico de Inverno, no Brejal, em 2008. Alm de ter seu trabalho divulgado e fa-zer bastante sucesso no evento, parte do dinheiro que ganhou com as vendas de suas peas foi doado ao Atelier e Oficina Arte em Comum, localizado no Brejal.

    O arteso faz peas sob encomenda. As placas mais pedidas so as de no-mes, principalmente para stios, explica. O tempo de produo dessas obras de-pende do tamanho e do desenho pedido, mas, em geral, precisa de at uma sema-na para entalhar uma placa de madeira grande, rica em detalhes. Marcelo conta, tambm, que independente do tempo que leva para fazer uma obra dessas, o valor das peas varia de acordo com o tamanho do desenho, da madeira, formato e outros detalhes que ele avalia. As placas com nomes, ele cobra R$ 5 cada letra, inde-pendente do tamanho e do formato.

    Apesar de no ser sua principal fonte de renda, o trabalho como arteso ajuda a pagar as contas no final do ms. No entan-to, para Pezzuto, o entalhe muito mais que uma forma de ganhar dinheiro, uma terapia. Quando era criana meu tio fez uma placa de madeira com meu nome e eu fiquei todo alegre. S que na poca ele estava aprendendo e sempre falava que no tinha ficado bom, mas eu adorei. in-crvel a pacincia que ele tem. So traba-lhos lindos e de muita sensibilidade. Ele realmente um talento, elogia a sobrinha Catierine Pezzuto Morelli.

    Para quem v, apenas pacincia no suficiente para explicar o trabalho feito pelo arteso. Talento, dom e habilidade so peas fundamentais para compor essas obras de arte. Nos projetos futuros, est a confeco de desenhos das antigas fazen-das de So Jos do Vale do Rio Preto, alm de esculturas com os nomes dos pases par-ticipantes da Copa do Mundo, em 2014.

    Artesanato local

    O Brejal, bairro da Posse, quinto dis-trito de Petrpolis, o local do Atelier e Oficina Arte em Comum, lugar na co-munidade no qual diferentes formas de artesanatos so ensinados s mulheres. Alm de atrair turistas, esse tipo de ati-vidade visa, principalmente, ajudar na renda mensal das famlias locais. Pode--se encontrar trabalhos feitos em tric, croch, palha nativa (taboa) e tambm em madeira natural ou pintada.

    Para o arteso, o entalhe na madeira uma terapia

    O ARTESO E A XOD

    Marcelo expe, orgulhoso,

    sua placa preferida

    MATERIAL DE TRABALHO

    As ferramentas de trabalho

    tornaram-se companheiras

    de Marcelo

    PROJETO FUTURO

    Dentre seus planos est a produo de

    uma placa da antiga fazenda de So

    Jos do Vale do Rio Preto

    Rua da Bandeira, n. 41 - Loja 2 - Centro - Trs Rios / RJ 24 2255-4202 (24) 2222-3202Estrada Unio e Indstria, 10126 Arcdia Mall - Itaipava, Petrpolis - RJ

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    Um motivo para acreditar na vidaDescobrir a existncia de uma grave doena como o cncer desmotiva qualquer pessoa, que v a sua

    frente apenas um caminho: a morte. Pensando nisso, instituies lantrpicas prestam assistncia psicolgica aos pacientes atravs de atividades que os inspiram a reencontrar a vontade de viver.

    POR JOS NGELO COSTA FOTOS REVISTA ON

    Superar a enfermidade com tra-balhos motivacionais. Este o objetivo principal de grupos ou entidades filantrpicas que assis-tem os portadores de cncer em Petrpo-lis. A APPO (Associao Petropolitana de Pacientes Oncolgicos) nasceu em 1992, atravs de um movimento organizado para evitar que 50% do tratamento fosse corta-do na cidade. A atual presidente da insti-tuio, Ana Cristina Coelho Mattos, est engajada no projeto desde sua criao, contribuindo na melhoria da qualidade de vida e amenizando o sofrimento dos pa-cientes. Ns sempre priorizamos o aten-dimento ao paciente at porque tentamos ter todo um cuidado com ele. No pode-mos expor essas pessoas e, por isso, temos que proteg-las, destaca.

    Os voluntrios, na maioria ex-pacien-tes, esto predestinados a apoiar psico-logicamente aos que estejam internados no CTO (Centro de Terapia Oncolgica)

    e que, de alguma forma, necessitam de uma ateno especial. Neste ponto, a ex-perincia vivida durante o tratamento fundamental. Fazemos um trabalho de orientao com os que esto na quimiote-rapia, garante. Ana afirma que, apesar de a sociedade estar mais receptiva, no incio, o preconceito atrapalhou o trabalho. Mui-ta gente ainda acha que vai morrer por este problema e prefere se omitir. Alm da assistncia emocional, recebem ainda alimentos, vesturio, medicao, bolsa de higiene e limpeza, alm de emprstimos de perucas, cadeiras de rodas, colches, prteses e atendimento jurdico.

    Desde 2004, so organizadas palestras de conscientizao e aplicao de ques-tionrios, em vias pblicas, para traar um perfil de hbitos e costumes da po-pulao petropolitana. Geralmente, esse tipo de ao acontece em igrejas, escolas, hospitais e clubes como forma de orien-tar a sociedade quantos aos riscos, caso a

    ANA CRISTINA COELHO MATTOS

    Presidente da APPO diz que o

    objetivo da instituio preservar

    a imagem do paciente oncolgico

    SADE

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    identificao no seja feita precocemente. As campanhas sociais tambm se torna-ram constantes. Uma delas, Quem ama, se cuida!, tem por meta salientar a ma-nuteno de hbitos saudveis como fator preponderante na preveno. A principal, entretanto, a Sade da mama, uma nova caminhada, a favor da sade das mulhe-res.

    A vendedora autnoma Solimar Me-deiros Fortuna, 61 anos, descobriu que es-tava doente h nove anos. A primeira sus-peita foi durante o auto exame no banho. No dia seguinte, em uma consulta mdica, pediu para fazer o exame de mamografia onde foi confirmada a presena de um n-dulo no seio. Com a deteco, comeou a pensar que a situao no teria jeito e iria morrer. Logo em seguida, passou por uma cirurgia e ficou na expectativa entre 15 e 18 dias para o resultado da bipsia onde foi evidenciado o cncer de mama. A no-tcia no foi fcil. Comecei a quimiotera-pia, conta. Ela obteve a cura e, hoje, atua como colaborada em palestras, visitas e campanhas promovidas pela entidade.

    Outra mulher que conseguiu se re-cuperar foi Snia Leite Guimares, 62. Para ela, a superao varivel, ou seja, h altos e baixos, mas necessrio buscar foras e encarar a realidade. Eu acho que tudo na sua vida destino e, a gente, quan-do nasce, j est determinado. Sou esprita e acredito em reencarnao, em carmas. o resgate de vidas passadas e tinha que

    passar por isso, acredita. Hoje ela atua na APPO. Snia conta que pelo fato de ter acompanhado de perto a quantidade de pessoas precisando de ajuda, poderia fa-zer alguma coisa para ajudar. Atualmente, aproveita cada momento como se nada