FICHA PEDAGÓGICA - APICULTURA

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ARCAFAR

- ASSOCIAO REGIONAL DAS

CASAS FAMILIARES RURAIS DO SUL DO BRASIL

CASA FAMILIAR RURAL DE PROLA D'OESTE - PR

APICULTURAFICHA PEDAGGICANOME DO JOVEM: ___________________________________ DATA: ___/___/___

Elaborao: Tc. Agr. Evandro Gindri Eng. Agr. Marcos Furlan Tc. Adm. Nilcia de Andrade Casa Familiar Rural de Prola DOeste Paran

OUTUBRO - 2.001

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I ABELHA, HISTRIA E ECOLOGIAVIVER EM SOCIEDADE Com as abelhas o homem poder tirar exemplos para construir um mundo melhor. Com seu modelo de socializao, onde cada indivduo possui uma funo bem definida, executada sempre em benefcio do bem-estar da coletividade, nos do um belo exemplo de convivncia. As abelhas tambm nos fornecem um dos mais puros e ricos alimentos naturais, o mel, e contribuem decididamente no processo da polinizao. Hoje, com o desenvolvimento da apicultura, as abelhas deixaram de ser vistas como insetos perigosos e agressivos. O homem atravs de estudos passou a compreender o seu mundo e aprendeu a conviver com elas respeitando as suas caractersticas e particularidades. Esses estudos demonstram que criar abelhas de uma maneira racional requer muitos cuidados e, a nossa inteno fornecer informaes suficientes para que voc possa iniciar uma criao ou apenas conhecer esse mundo fantstico. Tudo isso numa linguagem direta e acessvel, com muitas imagens e ilustraes. DEFINIO DE APICULTURA o ramo da agricultura que estuda as abelhas produtoras de mel e as tcnicas para explor-las convenientemente em benefcio do homem. Inclui tcnicas de criao de abelhas e a extrao e comercializao de mel, cera, gelia real e prpolis. As abelhas melferas so criadas em reas onde haja abundncia de plantas produtoras de nctar, como a laranjeira. Como norma, os maiores produtores de mel estabelecem suas colmias em zonas de agricultura intensiva, j que no prtico cultivar plantas para a produo de mel. Trata-se de uma atividade muito antiga e difundida, que acredita-se ser originria do Oriente Prximo. China, Mxico e Argentina so os principais pases exportadores; Alemanha e Japo os maiores importadores. DEFINIO DE APICULTOR O apicultor a pessoa que se encarrega de cultivar os produtos proporcionados pelas abelhas. As colmias artificiais que o homem fornece s abelhas so muito variadas e tm evoludo com o tempo. As mais rsticas eram simples troncos ocos ou cestos de vime; hoje em dia, utilizam-se diferentes tipos de caixas, que so muito mais prticas e fceis de manejar. O apicultor sabe qual o melhor momento para colher o mel e que quantidade pode extrair sem prejudicar as abelhas. Tira unicamente os favos que contm mel maduro e os coloca em uma mquina centrfuga, que extrair o mel sem quebrar os favos, que podem ser utilizados novamente. Antes de engarraf-lo, filtra-o para que fique livre dos restos de cera. O APIRIO O apirio um conjunto racional de colmias, devidamente instalado em local preferivelmente seco, batido pelo sol, de fcil acesso, suficientemente distante de pessoas e animais, provocando o confinamento das abelhas. Ele sofrer a interferncia de fatores do meio ambiente no qual esta instalado, tais como: temperatura, umidade, chuvas, floraes, ventos, pssaros predadores, insetos inimigos e concorrentes. O progresso do apirio depender, em grande parte, do meio ambiente no qual esta instalado, onde vivem e trabalham as abelhas. Por isso, caber ao apicultor, o correto manejo das abelhas, para obter resultados positivos no desenvolvimento do apirio.

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a) HISTRICO A apicultura uma atividade muito antiga, suas origens esto na pr-histria. So conhecidos os desenhos descobertos em cavernas da Espanha, mostrando o homem primitivo colhendo o mel de um enxame, com o auxlio de uma escada de cordas presa ao topo de um barranco. Antigos registros do Egito, Mesopotmia e Grcia descrevem fatos sobre a criao de abelhas. A Bblia faz inmeras referencias ao mel e enxame de abelhas. As abelhas j existiam h 40 mil anos, idnticas s de hoje. Civilizaes antigas faziam uso do mel, como os Sumrios, Gregos, etc. Grcia antiga, Slon, dedicou alguns artigos de lei para as abelhas, um deles proibia a instalao do novo apirio, numa distncia menor que 99 metros, de outro j existente, Aristteles foi quem primeiro fez estudos com os mtodos cientficos. Com a inveno do microscpio do 1500, aplicou-se o campo de pesquisa e teve grandes progressos em estudos realizados entre o s sculos XVII e XIX descobriu-se o espao abelha, aperfeioou-se o quadro mvel, inventou-se o estrator de mel, a cera alveolada, a tela excluidora, a gaoila introdutora de ranhae outras. COMENTRIOS:

BRASIL A abelha do mel acha-se espalhada pela Europa, sia e frica. A sua introduo no Brasil atribuda aos jesutas que estabeleceram suas misses no sculo XVIII, nos territrios que hoje fazem fronteira entre o Brasil e o Uruguai, no noroeste do Rio Grande do Sul. Essas abelhas provavelmente se espalharam pelas matas quando os jesutas foram expulsos da regio e delas no se teve mais notcias. Em 1839, o padre Antonio Carneiro Aureliano mandou vir colmias de Portugal e instalou-as no Rio de Janeiro. Em 1841 j haviam mais de 200 colmias, instaladas na Quinta Imperial. Em 1845, colonizadores alemes trouxeram abelhas da Alemanha (Nigra, Apis mellifera melfera) e iniciaram a apicultura nos Estados do sul. Entre 1870 e 1880, Frederico Hanemann trouxe abelhas italianas (Apis mellifera lingstica) para o Rio Grande do Sul. Em 1895, o padre Amaro Van Emelen trouxe abelhas da Itlia para Pernambuco. Em 1906, Emlio Schenk tambm importou abelhas italianas, porm vindas da Alemanha. Por certo, alm destas, muitas outras abelhas foram trazidas por imigrantes e viajantes procedentes do Velho Mundo, mas no houve registro desses fatos. Iniciava-se assim a apicultura brasileira. Durante mais de um sculo ela foi se desenvolvendo, principalmente nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paran. Tambm em So Paulo e Rio de Janeiro havia uma atividade bem desenvolvida. Quando chegaram ao Brasil, os colonizadores encontraram abelhas nativas, as chamadas indgenas, algumas boas produtoras de mel, agora as abelhas do gnero Apis mellifera. Em 1853, Frederico Algusto Hanemann, construiu a primeira mquina centrfuga-extratora de mel do pas.

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Em 1895, Emlio Schenk, fundou em Curitiba, a primeira revista apcola do pas. Em 1839, at 1956 a apicultura nacional crescia e progredia a passos largos. Isto ocorria porque as raas introduzidas eram todas mansas. No ano de 1956, o professor Waewck Estevan Kerr introduziu a abelha africana (Apis mellifera adansonii), com a inteno de pesquisa, para desenvolver atravs de cruzamentos de raas uma espcie melhorada, mas de acordo com as condies nacionais. Houve alguns acidentes e algumas rainhas fugiram causando pnico na apicultura nacional, j que esta espcie muito agressiva, enxameadeira e migratria, alm de que o manejo diferente das espcies de abelhas que vieram da Europa. Hoje, no Brasil, que existe so enxames hbridos com isso a nossa produtividade de mel bem maior do que antes de 1956. COMENTRIOS:

b) ECOLOGIA Proteger as abelhas uma medida fundamental contra o desequilbrio, pois cri-las trabalhar com a natureza em funo de sua preveno e da humanidade. A abelha, o inseto mais benfico de todos, viabilizar e combater a eroso pela proliferao de rvores, multiplicao de flores, embeleza paisagens, perfuma o ar, melhora a alimentao e a sade da pessoa com nobre dos alimentos que o mel. O aumento da produtividade das plantaes pela polinizao das flores pelas abelhas, beneficia no s o produtor que apicultor como tambm seus vizinhos, trazendo proveito ao chacareiro, ao hortigranjeiro e ao agricultor, sendo eu todos podem trabalhar em comum acordo na instalao de uma apicultura racional em meio aos cultivos, beneficiando-se reciprocamente. A polonizao provoca a fecundao das flores, que daro origem s sementes, que por sua vez, transformar-se-o em rvores frondosas, purificando o ar atravs de suas folhas que funcionam como micro-geradores de oxignio, completando o ciclo ecolgico de combate ao desequilbrio da natureza, que teve origem com as abelhas. No momento a apicultura uma das mais fascinantes do planeta. APIMONDIA Associao Mundial de Apicultores s superada pela FIFA, a do futebol, em nmero de agremiaes. II BIOLOGIA a) ABELHAS SEM FERRO No Brasil, h mais de 600 espcies de abelhas sem ferro. Algumas delas produzem mel, mas pesquisas cientficas mostram que h contaminao do mel dessas abelhas, pois elas costumam entrar em contato com fezes de animais, alm de que algumas no se prestam criao racional, como a irapu, que cortam os botes florais para fazerem o ninho, as abelhas limo, que saqueia outras colnias para conseguir alimentos e a caga-fogo, que libera substncia que em contato com a pele humana causa queimadura.

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______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ As abelhas sem ferro chamadas MELIPONNEAS produzem muito menos mel do que as de linhagem africana (APIS), normalmente usada na explorao comercial de mel. A JATA, a mais conhecida da abelhas sem ferro costumam fazer suas colmeias em ocos de rvores, buracos de barrancos ou construes. Cada colmeia pode produzir at 1 kg por ano, bem menos que as africanizadas que produzem 30 vezes mais que o mel comum. O ninho da jata uma espcie de pilhas rodeadas ou bolachas de cera, uma em cima da outra, separadas por um espao milimtrico, esse ninho fica envolvido por favos onde as operrias depositam o mel, a morada da abelha rainha. A jata pequena de cor amarela ou dourada, e no tem ferro, o que uma felicidade para o apicultor, que no precisa se preocupar com mascars, luvas ou macaces para o manejo. A pequena abelha jata tem no mximo 4 mm de comprimento. H dois tipos de jata: o amarelo (trigona angustula), que tem o corpo todo dourado e asas azuladas, e o preto (trigona testaceicornis), que tem o corpo negro e um pouco menor que a amarela. A melhor poca para iniciar uma criao de jata, entre os meses de janeiro e maro, quando as populaes esto com grande densidade. A populao inicial indicada entre 500 a 2.000 abelhas por caixa. As colmeias devem ser colocadas prximas a um riacho, um crrego ou qualquer fonte de gua corrente, para evitar que as abelhas bebam gua parada, se a nica fonte disponvel forma torneira, deixa-se sempre aberta e coloca-se uma telhas embaixo para possibilitar que as abelhas se sirvam. A jata enxameia, mas as causas no so bem conhecidas. Na criao racional, quando a populao da colmeia atingir por volta de 5.000 abelhas, deve-se fazer a diviso. No centro da caixa ficam as clulas de cria, e no meio delas, a clula real. Para dividir a colmeia, deve-se encontrar a regio de cria, abri-la e detectar entre as clulas aquelas que daro origem a rainha. A clula real maior que as outras e, quando levada para uma nova caixa, junto com alguns favos de cria e potes de mel, iniciar nova colmeia. A estrutura da colmeia natural de jata bem diferente da abelha com ferro. A jata sem simetria, de trs a quatro potes por ninho, com uma misturas de cera e resina vegetal. Os potes so, geralmente, de tamanho diferentes, e servem para as abelhas estocarem o mel. Esse sistema conhecido como cacho. A entrada da colmeia tem uma estrutura chamada cachimbo, que feita de cera. Na primavera, quando as flores comeam a abrir, as abelhas saem para coletar plen. Em trs a quatro semanas os potes estaro cheios. Para retirar o mel, sem danificar a construo, abre-se a parte de cima deles e usa-se uma seringa de injeo. Se for quebrado um pote, as abelhas demoraro duas semanas para refaz-lo. O mel de jata tem alto teor de gua e precisa ser guardado em geladeira para no azedar, nunca se retira todo o mel dos potes 20 a 30% devem ser deixados, pois a alimentao das abelhas a base de mel e plen. A jata visita vrios tipos de flores, como a vassourinha e a accia amarela. No perodo de inverno, deve-se reforar a alimentao, coloca-se dentro da colmeia um pequeno colcho ou copo com uma mistura de 50% de gua, 50% de acar branco e trs de caf de G VRAL, protena. A jata muito sensvel a predadores, como vespas e formigas. COMENTRIOS:

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b) ABELHA COM FERRO Inseto trabalhador e disciplinado a abelha vive num sistema de extraordinria organizao. Cada colnia constituda por cerca de 60.000 indivduos. As abelhas so insetos de constituio complexa. Sua cabea abriga cerca de 30.000 cavidades olfativas e seu sofisticado sistema visual composto por cinco olhos: trs simples e pequeno (ocelos) na parte superior da cabea, para localizar objetos prximos, e dois bastantes coplexos, compostos por 6.5000 lentes hexagonais (omatdeos), que focalizam alvos muito distantes em todas as direes. Ainda na cabea esto situadas as glndulas salivares (que transforma o nctar em mel) as hipofargeas (que transformam real e s funciona nas abelhas jovens, do quinto ao 12 dia) e as mandbulares (que processam a cera). No trax esto localizados os rgos de locomoo, seis patas e dois pares de asas e os rgos de respirao (espirculos). A maioria dos rgos esto abrigados no abdomem. Em sua extremidade final localiza-se o ferro. Os zanges no dispem de ferro e a rainha s o utiliza para atacar outras rainhas. As operrias morrem, depois de ferroar o inimigo. Seu ferro fica preso pele da vtima e, com ele, parte dos rgos internos. O abdomem aloja os rgos reprodutores dos zanges e da rainha, o intestino delgado, as glndulas cergenas (responsveis pela produo de cera), as vesculas melferas (que transformam o nctar em mel), e o corao. Alimentam-se do nctar das plantas, que armazenam em clulas especiais os favos construdos em formato hexagonal que so uma obra-prima de engenharia no h outra forma de construo que proporcione maior economia de espao. Coletam o nctar com sua longa lngua, e o transportam na vescula melifera, rgo que tambm processa o mel. O plen coletado com o auxilio das penugens das patas e transportado em suas cestas de plen (corbcula), localizadas nas tbias das patas traseiras. COMENTRIOS:

MORFOLOGIA EXTERNA DA ABELHA

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1- Trax 2- Olhos compostos 3- Olhos simples 4- Mandbula superior 5- Cabea 6- Glosse ou lngua 7- Antena 8- Abdomm 9- Patas mesatorxicas 10-Patas posteriores 3

11- ferro 12- asas anteriores 13- Asas posteriores

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O corpo de uma abelha melfera divide-se em cabea, trax e abdome. As abelhas possuem na cabea os rgos sensoriais que lhe permitem saber o que se passa ao seu redor. Atravs dos grandes olhos compostos, podem orientar-se em seus vos e distinguir as cores das flores. Nas antenas possuem os sentidos da audio, do olfato e do tato, imprescindveis quando se encontram na escurido da colmia. Pelo cheiro podem reconhecer suas companheiras e detectar seus inimigos. Asas As abelhas e vespas tm dois pares de asas membranosas bem desenvolvidas, sendo o par anterior maior do que o posterior. Diferentemente das abelhas, as asas das vespas do grupo Vespidae se dobram longitudinalmente quando em repouso, dando a impresso de que suas asas so bem finas. Cabea Na cabea esto abrigados importantes rgos. Na suas duas antenas, por exemplo, esto localizadas as chamadas cavidades olfativas, rgos bastante desenvolvidos, que tm a importante funo de captar odores como o de floradas, por exemplo, por parte das operrias, ou o odor de rainhas virgens, por parte de zanges. Estes apresentam cerca de 30.000 cavidades olfativas, as operrias de 4.000 a 6.000 e a rainha cerca de 3.000. Tambm na cabea est localizado o complexo sistema visual das abelhas, que composto por trs ocelos, ou olhos simples, situados na parte frontal da cabea, e de dois olhos compostos,

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localizados nas laterais da cabea, que so constitudos por milhares de omatdeos, formando um conjunto de olhos interligados. Apesar de fixos, estes olhos so capazes de enxergar em todas as diferenas - graas ao seu grande nmero - e a longas distncias. Os zanges apresentam 13.000 omatdeos, as operrias cerca de 6.500 e a rainha, 3.000. Ainda na cabea esto localizadas trs importantes glndulas: as mandibulares, que dissolvem a cera e ajudam a processar a gelia real que alimentar a rainha e as hipofarngeas, que funcionam do quinto ao 12 dia de vida da operria e transformam o alimento comum em gelia real. Alm das glndulas e dos rgos de sentido, ainda esto situados na cabea o aparelho bucal e os sacos areos, se interligam ao abdmen. Trax o trax da abelha formado por trs segmentos: o primeiro ligado cabea chama- se Protrax: a mediana Mesotrax e o terceiro ligado ao abdmen Metatrax. Os rgos de locomoo da abelha esto situados em seu trax: as seis patas, divididas em seis segmentos, e seus dois pares de asas. Tambm esto alojados no trax o esfago das abelhas e os espirculos - rgos de respirao. Os pares de patas diferem entre si, possuindo cada um deles uma funo pelicular. No primeiro segmento esto instaladas as patas anteriores, as quais so forradas por plos microscpicos e que servem para Limpar as antenas, olhos, lngua e mandbula: no segundo esto inseridas as patas medianas, que possuem um esporo cuja funo a limpeza das asas e a retirada do plen acumulado nos cestos das patas posteriores, instaladas no terceiro segmento do trax, e que se caracterizam pela existncia das cestas de plen, pentes e espinhos, cuja finalidade retirar as partculas de cera elaborada pelas glndulas cergenas alojadas no ventre. Abdmen O abdmen abriga a maioria dos rgos das abelhas. Nele esto situados a vescula melfera (que transforma o nctar em mel e ainda transporta gua coletada no campo para a colmia), o estmago das abelhas (conhecido como ventrculo), seu intestino delgado, as glndulas cergenas (responsveis pela produo da cera), as traquias ou espirculos (rgos de respirao), e rgo exclusivos dos zanges, das operrias e da rainha. No abdmen dos zanges est localizado seu rgo reprodutor, constitudo por um par de testculos, duas glndulas de muco e pnis. Exatamente na extremidade do abdmen est situada a arma de defesa das abelhas: seu temvel ferro. Para a abelha rainha, o ferro nada mais do que um instrumento de orientao, que visa localizar as clulas dos favos onde ir ovular, ou ento de defesa, utilizado para picar outra rainha, que porventura tenha nascido ao mesmo tempo, com a qual travar uma luta de vida ou morte pela hegemonia dentro da colmia. importante frisar que a rainha s ataca outra rainha, ou melhor, s utilizar seu ferro contra sua oponente. Outro ponto interessante que o ferro da rainha liso, ou seja, aps penetrar e injetar o veneno, ele volta ao seu estado normal, funcionando somente como um oviduto, o que no acontece com as operrias. Essas abelhas tm o seu ferro com ranhuras (em forma de serrote), que aps penetrar em algo mais duro, como a pele do ser humano, fica preso puxando parte dos seus rgos internos, o que ocasiona a sua morte logo em seguida. Assim, para as operrias, o ferro uma potente arma de defesa. por meio do ferro que as abelhas se defendem, injetando no inimigo uma toxina que, em grandes doses, pode ser fatal. Basta dizer que uma pessoa que seja picada por mais de 400 ou 500 abelhas tem morte certa. No entanto, o veneno das abelhas, em doses reduzidas e adequadamente administradas, empregado em vrios pases - principalmente na Unio Sovitica e Estados Unidos - no combate de doenas como o reumatismo, nevralgias, transtornos circulatrios, entre vrias outras. A apiterapia j est dando uma substancial contribuio cura e profilaxia de graves afeces. E tambm no abdmen que esto localizados os rgos de reproduo femininos : vagina, ovrios (dois), espermateca (bolsa onde a rainha armazena os espermatozides dos zanges que a fecundaram ) e a glndula de odor que tem importante papel de possibilitar a identificao entre as

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abelhas. por causa deste cheiro caracterstico que uma abelha no aceita por uma outra colmia que no seja a sua. Cada abelha tem a sua colmia, saindo e retornando preciosamente sempre para o mesmo alvo (entrada do ninho), e tambm um odor todo caracterstico. Desta forma ela nunca erra de casa, pois se isso acontecer, ela ser picada e morta. Esse fato somente no ocorrer se, na hora do pouso errado, ela estiver carregada de nctar e plen; neste caso a abelha muito bem recebida e integrada famlia. Finalmente, no abdmen das abelhas, ainda se localiza o corao, que comanda o aparelho circulatrio, formado por vasos, pelos quais circula o sangue das abelhas, chamado hemolinfa que, diferentemente dos animais de sangue quente, incolor e frio. COMENTRIOS:

c) METAMORFOSES As abelhas so insetos holometablicos, isto , de metamorfose completa, do ovo ao nascimento, quando abandonam as clulas. O tempo necessrio para superar essa fase, no entanto, desigual as rainhas nascem em 15 a 16 dias, as operrias, em 21, e os zanges em 24 dias. O processo comea logo depois da fecundao da rainha. Em cada clula deposita um ovo rapidamente, percorrendo os favos num caminho circular, do centro para as bordas. A rainha chega a depositar cerca de 1.500 ovos por dia. O minsculo ovinho branco e tem um dos plos salientes, que adere ao fundo do favo na posio vertical e vai se inclinando at deitar, no terceiro dia. Passado os trs dias de incubao, uma pequena larva sai do ovo e alimentada exclusivamente com geleia real fornecida pelas babs, durante trs dias. Depois a geleia continua sendo dada s para a rainha. As demais mudam de cardpio mel e plen. No sexto ou stimo dia, as larvas esto maduras, param de comer e as operrias operculadoras fecham suas clulas com uma tampa de cera. Abafadas dentro dessa cela, as larvas iniciam novo processo de mutao, ao mesmo tempo que se envolvem num casulo de filamentos de cera. L consolidam a metamorfose passando pelo estgio de pupa e transformado em crisdidas quando ficam prontas rompem o lacre e deixam a clula. Logo ao deixar a maternidade, as recm nascidas passam por um rigoroso exame feito pelas operrias. Quando tiver algum defeito gentico morto sumariamente.

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Obs. DESENHO

RESUMO:

III- ORGANIZAO SOCIAL As abelhas vivem em colmias bem organizadas, onde habitantes tem sua funo especfica e bem definida, cada um executadas um trabalho de vital importncia, onde a coletividade o fator principal e muitas vezes no hesitam em se lanarem a luta em defesa do bem comum. Em cada famlia de abelha encontramos 3 castas bem definidas: a rainha, as operrias e os zanges.

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As abelhas so insetos sociais que vivem em colnias. Elas so conhecidas h mais de 40 mil anos. A abelha do mel acha-se espalhada pela Europa, sia e frica. A apicultura, a tcnica de explorar racionalmente os produtos das abelhas existe desde o ano de 2400 a.C.. E os egpcios e gregos desenvolveram as rudimentares tcnicas de manejo que s foram aperfeioadas no final do sculo XVII por apicultores como Lorenzo Langstroth (ele desenvolveu as bases da apicultura moderna). Inseto trabalhador, disciplinado, a abelha convive num sistema de extraordinria organizao: em cada colmia existem cerca de 60 mil abelhas e cada colnia constituda por uma nica rainha, dezenas de zanges e milhares de operrias.As abelhas podem ser consideradas de acordo com seus hbitos, ou outras convenincias, em trs categorias: sociais, solitrias e parasitas. Abelhas sociais - so as que vivem em enxames, isto , em grande nmero de indivduos no mesmo ninho, e onde haja diviso de trabalho e separao de castas. As castas so os membros da colmia, normalmente uma rainha, zanges e operrias. Embora sejam a minoria dentre as vrias espcies, trazem em si o que realmentecaracteriza a essncia do reino das abelhas. Abelhas solitrias - so as que vivem sozinhas e morrem antes que seus filhos atinjam a fase adulta. Constroem ninhos no cho, em fendas de pedras e rvores, em madeira podre ou em ninhos abandonados de outros insetos. Normalmente as fmeas fecundadas preparam cuidadosamente o ninho, suprem cada clula com uma quantidade adequada de alimento preparado base de plen e mel, e colocam o ovo sobre essa camada de alimento. Ento fecham cada clula, fecham o ninho por fora e vo embora. Abelhas parasitas - Uma abelha somente parasita a outra abelha, utiliza-se apenas do trabalho e do alimento que o hospedeiro armazenou. Na maioria dos casos, o parasita invade os ninhos, coloca seus ovos nas clulas j prontas e aprovisionadas pelo hospedeiro e deixa que seus filhos se desenvolvam aos cuidados deste. Em alguns casos, o parasita passa a conviver com o hospedeiro e pode, at mesmo, desenvolver algum tipo de trabalho em conjunto. Um outro tipo de parasitismo interessante encontrado num gnero de abelhas (Lestrimelitta, conhecida popularmente por abelha-limo) socialmente bem evoludas. As espcies deste grupo (duas) constroem seus prprios ninhos, porm o material de construo e as provises so roubados de outros ninhos de espcies afins, como jatitubiba, abelha-canudo, etc. Essas abelhas saem em grande nmero, pois suas colnias chegam a ter milhares de indivduos, invadem o ninho das outras e da levam o material que necessitam. Esses ataques duram, s vezes, vrios dias, e muitas abelhas morrem. Outro aspecto peculiar que esses parasitas passam a defender o ninho conquistado contra pilhagens ou parasitas secundrios, enquanto levam o material roubado. As abelhas-limo so to bem adaptadas a este comportamento que sequer possuem as corbculas (Orgo situado no ltimo par de pernas destinado coleta de plem). a) RAINHA

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Tambm chamada de abelha mestra, a nica com o sexo completamente desenvolvido e sua funo basicamente de produzir ovos. Vamos ver juntos algumas caractersticas da rainha: SEXO: ________________________________________________________________ MATURAO SEXUAL: __________________________________________________ INICIO DA POSTURA: ___________________________________________________ FEROMNIO: __________________________________________________________ Normalmente h apenas uma rainha na colmeia, possuidora de ferro, mas que no o usa, a no ser em luta contra outra rainha. Seu abdmen mais alongado e cor sensivelmente diferente das outras abelhas. A rainha dotada de um rgo chamado espermateca, o qual se destina a armazenar os espermatozides recebidos dos zanges nos vos nupciais. Tambm possuem ovrios superdesenvolvidos, que permitem produzir at 3 mil ovos por dia, caso necessrio. Assim, sendo, ela pode pr ovos fecundados do origem a operrias e os no fecundados do origem aos zanges. Se for poca de abundncia de flores, ento a rainha se incumbe de produzir mais operrias, aumentando a populao e a produo. Se ocasio de enxamear, ento a rainha se incumbe de produzir zanges, para haver novas fecundaes. A rainha se assemelha a uma mquina de brotar. O peso dirio dos ovos realizados por uma postura, eqivale o dobro de seu peso. Assim sua vida diminui de 4 para 2 anos. A rainha mantm as abelhas em harmonia, no que se chama de espirito de colmia, exalando um feromnio (KDK) de cheiro caracterstico. Essa secreo lambida pelas abelhas que a alimentam e, dessa forma espalham-se pela colmia, dando ao grupo todo um odor exclusivo. Os nicos que se mantm imunes a esse poder so os zanges, que no ficam impregnados por esse cheiro e podem zangar livremente por qualquer colmia que os aceite sempre prontos a fecundar uma rainha virgem. Quando uma colmia fica superlotada, a rainha a abandona, imigrando com a companhia das operrias mais jovens, na finalidade de achar outra casa e formar novo enxame. As abelhas operrias que ficam na antiga casa, encarregam de alimentar alguns ovos fecundados, com gelias real, puxando realeiras para dar origem a uma nova rainha. Depois de nascer, a partir do quinto dia de vida faz os primeiros vos de reconhecimento ao redor da colmia. Est apta a fazer o vo nupcial aps o nono dia de vida. Este, a rigor, o nico vo que empreende em sua existncia. Ela escolhe dias quentes e ensolarados e voa em alta velocidade at atingir cerca de 40 metros de altura. Em pleno vo libera um feromonio sexual para atrair os zanges, esses catam at a 11 km de distncia. S os zanges mais aptos conseguiro alcan-los nesse vo. A rainha poder ser fecundada por at uma dezena de zanges. Todos eles morrem no ato. Depois da festa nupcial as demais fmeas frteis ( conservadas presas em suas clulas at que se confirme a fecundao, em caso contrrio, uma delas eleita rainha) tambm perdem a utilidade social. E a abelha-me mata todas enfiando seu ferro por um orifcio na tampa da clulas. Os zanges que ficarem na colmia, com o retorno da rainha, so mortos ou expulsos pelas operrias. REPRODUO

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A rainha inicia a postura, trs dias aps ser fecundada, botando um ovo em cada alvolo. Ao passar pelo oviduto, o ovo pode ser ou no fertilizado pelos espermatozides armazenados na espermateca, tudo depende do tamanho do alvolo em que est fazendo a postura. As operrias constrem favos de alvolos mais largos destinados criao de zanges, e outros, sem maior nmero e mais estreitos, reservados criao de operrias a rainha obrigada a comprimir o abdmem para encaix-lo na clula. Com esforo, acaba pressionando a espermateca e liberando espermatozide que fertilizam o ovo que est passando pelo oviduto. Quando deposita o ovo nos alvolos para zanges a rainha introduz com folga seu abdmem, sem comprimir a espermateca. Assim, o ovo depositado no fecundado. b) OPERRIAS A abelha operria responsvel por todo o trabalho realizado no interior da colmia. As abelhas operrias encarregam-se da higiene da colmia, garantem o alimento e a gua de que a colnia necessita coletando plen e nctar, produzem a cera, com a qual constroem os favos, alimentam a rainha, os zanges e as larvas por nascer e cuidam da defesa da famlia. Alm destas atividades, as operrias ainda mantm uma temperatura estvel, entre 33 e 36c, no interior da colmia, produzem e estocam o mel que assegura a alimentao da colnia, aquecem as larvas (crias) com o prprio corpo em dias frios e elaboram a prpolis, substncia processada a partir de resinas vegetais, utilizadas para desinfetar favos e paredes, vedar frestas e fixar peas. Vamos ver, algumas caractersticas das operrias: SEXO: _____________________________________________________________ IDENTIFICAO: ____________________________________________________ CICLO:_____________________________________________________________ LONGEVIDADE: _____________________________________________________ ORIGEM: ___________________________________________________________ ALIMENTAO: _____________________________________________________

Durante seu ciclo de vida elas desenpenham algumas funes de acordo com sua idade. Vamos ver abaixo: IDADE FUNES

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1 a 3 dias 3 a 7 dias 7 a 14 dias 12 a 18 dias 14 a 20 dias 18 a 20 dias 21 dias em diante

Faxineiras: fazem a limpeza e reforma, polindo os alvolos. Nutrizes: alimentam com mel e plen as larvas com mais de 3 dias. Alimentam as larvas com idade inferior a 3 dias com gelia real. Tambm neste perodo, algumas cuidam da rainha. So Chamadas de amas. Fazem limpeza do lixo da colmia. Engenheiras: segregam a cera e constroem os favos. Guardas: defendem a colmia contra inimigos e contra o apicultor desprevinido. Operrias ou campeiras trazem nctar, plen, gua e prpolis, at a morte.

Comumente a operria no produz ovos, somente o faz em situao de extremo desespero (quando o enxame est rfo). Nascendo deles apenas zanges, por no serem ovos fecundados. Quando as operrias encontram nctar e plen e sol, elas no liberam, chegam a trabalhar em mdia de 10 horas dirias, diminuindo assim a vida das mesmas, de 50 para 40 dias. Tambm cuidam da ventilao, da guarda e da retirada de abelhas mortas da colmia. c) ZANGES Nascem sem pai, de ovos no fertilizados da rainha ou raramente de operrias quando assumem s diretrizes por falta da Rainha. o que menos manda na colmia. Possui nenhum rgo para ataque, defesa ou trabalho. Entra e sai da colmia sem ser agredido, mas quando expulso de uma, se recolhe a um canto morrendo de fome e frio. Vamos ver algumas caractersticas dos zanges: SEXO: ________________________________________________________________ IDENTIFICAO: _______________________________________________________ CICLO: _______________________________________________________________ LONGEVIDADE: ________________________________________________________ ORIGEM: _____________________________________________________________ ALIMENTAO: ________________________________________________________ CONTROLE: ___________________________________________________________ Por no possuir rgos de trabalho, o zango no faz outra coisa a no ser voar procura de uma rainha virgem para fecund-la. Os zanges nascem 24 dias aps a postura do ovo e atingem a maturidade sexual aos 12 dias de vida. COMENTRIOS:

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Como as abelhas trazem o Alimento Elas colhem o nctar das flores com suas compridas lnguas (conhecidas tambm como glossas). O produto armazenado em sua vescula melfera (papo de mel), que tambm transporta a gua coletada. Quando retornam colmia , as campeiras transferem o nctar que colheram s engenheiras, que vo retirar o excesso de umidade e transform-lo em mel. Alm do nctar das flores, as campeiras trazem outro importante alimento para a colmeia: o plen, conhecido como o po das abelhas, que tambm estocado nos favos. As campeiras coletam o plen com o auxilio de suas penugens, e armazenam o material em suas cestas de plen, situadas nas tbias das patas traseiras. Finalmente, as campeiras coletam a resina que ser transformada em prpolis com o auxilio de suas mandbulas e penugens, que transportada nas cestas de plen.

Comunicao e a Orientao das Abelhas

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As abelhas so dotadas de um processo de orientao excepcional, que baseado, principalmente, tendo o sol como referncia. Para retornar colmia, por exemplo, as campeiras aprendem a situar sua habilitao assim que fazem os primeiros vos de treinamento e reconhecimento. Nestes primeiros vos, as campeiras aprendem a situar a disposio da colmia em relao ao sol, registrando uma posio de que jamais se esquecem. Trata-se de uma espcie de memria geogrfica.

interessante saber as abelhas possuem a rara propriedade de enxergar a luz do sol (que seu referencial mesmo nos dias nublados e encobertos, graas sua sensibilidade radiao ultravioleta emitida pelo sol. As abelhas utilizam o mesmo sistema de orientao - sempre tendo o sol como referencia - para guiar suas companheiras em relao s fontes de alimento recmdescobertas). Neste caso, quando querem informar sobre a localizao e fontes de alimentos, as abelhas campeiras transmitem a informao por meio de um sistema de dana: quando a fonte de alimento est situada a menos de cem metros da colmia, a campeira executa uma dana em crculo, e, quando a fonte de alimento est localizada a mais de cem metros, a campeira dana em requebrado ou em oito. Nas duas situaes, a campeira indica a direo da fonte de alimento pelo ngulo da dana, em relao posio do sol. As abelhas e a Polinizao Polinizao o transporte do plen dos estames de uma flor at a parte feminina de outra; deste modo, obtm-se as sementes que produziro uma nova planta.

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Em alguns casos, o plen transportado pelo vento, mas h plantas que dependem dos animais, especialmente insetos, para que ocorra a polinizao. As abelhas so um dos insetos polinizadores mais importantes, j que visitam muitas flores. Quando pousam sobre uma flor, seu corpo fica coberto de plen e, ao visitar a flor seguinte, parte do plen se desprende, polinizando a planta. As abelhas so muito importantes para a agricultura. Muitas das plantas que cultivamos, e sobretudo as rvores frutferas (a pereira, a macieira, etc.), dependem dos insetos para sua polinizao. Algumas vezes, colmias artificiais so instaladas perto das plantaes para favorecer a fecundao e, deste modo, contribuir para a obteno de uma colheita mais rica e abundante. Na figura ao lado voc v o momento em que as abelhas pousam numa flor, recolhem plen; este se desprende durante o vo e torna possvel o nascimento de novas flores. Para fabricar 1 kg de mel as abelhas de uma colmia tm de voar nada menos que 40.000 ou seja a distncia aproximada de uma volta ao redor da terra. Isso tudo numa rea que no ultrapassa 707 hectares ou seja, num raio de 1,5 kg em torno da colmia. No vaivm elas coletam o nctar das flores que armazenado na vescula melfera. A o nctar e transformado em mel. Para coletar uma nica carga de nctar, capaz de encher o estmago, uma abelha chega a visitar entre 50 a 1.000 flores. Quando descobre uma regio florada abundante, enche logo a barriga e corre de volta colmia para contar as novidades s companheiras. Para se fazer entender, ela executa uma complexa dana que dar a noo precisa do local das flores.

Comente sobre estes trs ltimos subttulos:

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Produtos das Abelhas Chegamos aO ponto que mais interessa para o apicultor, que trata exatamente, dos produtos das abelhas: mel, plen, cera, gelia real, prpolis e o prprio veneno. H ainda o trabalho de polinizao das abelhas que, para a produo agrcola, tem valor incomparvel, do ponto de vista econmico. Pode- se dizer mesmo que, sem abelhas, no h agricultura. O MEL Conhecido desde a Antigidade, o mel durante muito tempo, o nico produto doce usado pelo homem em sua alimentao, at ser substitudo, gradualmente, por aucares refinados manufaturados, de qualidade incomparavelmente inferior, como os extrados da cana-de-acar e da beterraba. O mel , na verdade o nico produto doce que contm protenas e diversos sais minerais e vitaminas essenciais nossa sade. ainda um alimento de alto potencial energtico e de conhecidas propriedades medicinais. Alm disso, o mel dos poucos alimentos de reconhecida ao antibactericida, que contm em propores equilibradas: fermento, vitaminas, minerais, cidos e aminocidos. 1 kg de mel equivale a: - 4,5 kg de ervilha, ou - 4,2 kg de uva, ou - 2,6 kg do peixe fresco, ou - 1,4 kg de carne de porco, ou - 1,2 kg de po, ou - 5,5 kg de ma, ou - 5,6 litros de leite, ou - 1,68 kg de carne de boi, ou - 780 gramas de queijo, ou - 50 ovos, ou - 25 bananas, ou ainda a - 40 laranjas SABOR E COLORAO DO MEL... Produto processado a partir do nctar das flores, o mel tem sua cor e sabor diretamente relacionados com a predominncia da florada. Com relao colorao, h, basicamente, os mis claros e os mis escuros. Geralmente, os mis de colorao clara apresentam sabor e aroma mais suaves e por isso mesmo, so mais apreciados. o caso, por exemplo, do conhecido mel de flor de laranja, obtido em pomares da fruta, que tem alta cotao no mercado. No entanto, os mis de colorao escura so sais mais ricos em protenas e sais minerais, sendo, portanto, mais ricos do ponto de vista nutritivos. Alm de vitaminas e sais minerais, o mel apresenta ainda em sua constituio protenas, enzimas, hormnios, partculas de plen e de cera, aminocidos, dextrinas e um grande nmero de cidos que apresenta, o ph do mel (isto , seu grau de acidez) de 3,9. CRISTALIZAO... Ao contrrio do que muitas pessoas acreditam, a maioria dos mis puros, genunos, acaba cristalizando-se (aucarando) com o tempo. CERA A cera, fabricada pelas glndulas cerigenas das operrias engenheiras, provm de uma transformao qumica do nctar.

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Em sua composio esto substncias qumicas de natureza variada como: lcool, corante, ceroleina, vitamina A e substncias com ao bacteriosttica. A matria-prima para os favos a cera, como tambm para velas industriais de cosmticos e industrias farmacutica. O PLEN Conhecido tambm como po das abelhas, o plen um produto riqussimo em protenas, vitaminas e hormnios de crescimento, encerrando todos os elementos indispensveis vida dos organismos vivos. Sua importncia tal que basta dizer que, na falta de plen, as abelhas no sobrevivem. um produto to perfeito que, at hoje, o homem no conseguiu elaborar um substituto que pudesse ser fornecido s abelhas. Apesar de ser riqussimo em vitaminas (principalmente A e P), protenas e hormnios, o plen ainda no muito empregado como produto medicinal. No entanto, pesquisadores soviticos asseguram que o plen apresenta ao eficaz nos casos de anemia, regulariza o funcionamento dos intestinos, abre apetite, aumenta a capacidade de trabalhar, baixa a tenso arterial e aumenta a taxa de hemoglobina do sangue. Por outro lado, pesquisadores franceses demonstraram que cobaias alimentadas com pequenas doses de plen acusaram desenvolvimento mais rpido e acelerado ganho de peso. O plen pode ser indicado para: Fortificante geral para desgaste fsico e intelectual Descongestiona a prstata, rins e fgado Melhora a pele e fortifica os cabelos Estimula o pncreas, combatendo o diabetes Favorece a virilidade e a fertilidade Nos transtornos da gravidez e menopausa Nas afeces orgnicas funcionais (corao, estmago, vescula biliar e digesto) O plen no remdio e sim um alimento que fortalece o organismo. GELIA REAL A gelia real um produto natural, secretado pelas abelhas jovens e contm notveis quantidades de protenas, lipideos, carboidratos, vitaminas, hormonnios, enzima, substncias minerais, fatores vitais especficos, substncias biocatalisadoras nos processos de regenerao das clulas, desenvolvendo uma importante ao fisiolgica. Na colmeia, utilizada na alimentao das larvas de abelhas operrias at o terceiro dia de vida, e das larvas dos zanges. Mas a gelia real mais conhecida como alimento por excelncia da rainha. Pode-se dizer, grosso modo, que graas gelia real que a abelha rainha superior, biologicamente falando, em relao s operrias. Para o homem a gelia real tem ao vitalizadora e estimulante do organismo, aumenta o apetite e tem comprovado efeito antigripal. No se conhece, na biologia e medicina, outra substncia com semelhante efeito sobre o crescimento, longevidade e reproduo das espcies. PRPOLIS Constituda de resinas vegetais, que as abelhas coletam de determinadas rvores, cera, plen e cidos e gorduras, a prpolis uma substncia que as abelhas processam para fechar frestas da colmeia, soldar peas e componentes mveis da sua morada e diminuir a entrada do alvado nas pocas frias. Seu maior interesse para o homem, no entanto, sua ao antibitica e anti-sptica. As abelhas empregam a prpolis para impermeabilizar e envernizar as paredes da colmeia. Alm disso, qualquer corpo estranho que no consiga remover para fora da colmeia- como pequenos animais mortos, camundongos , por exemplo - encapado com uma camada de prpolis, para impedir ou retardar o processo de putrefao. Desta forma, o cadver do animal fica mumificado com a camada de prpolis, e seu processo decomposio retardado por vrios anos.

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Alm de propriedades antibiticas, a prpolis apresenta ao imunolgica, anestsica, cicatrizante e antinflamatria. Comercialmente, a prpolis vendida em soluo alcolica, em concentraes variveis. O produto tem sido testado experimentalmente, em doenas como faringites, cncer de garganta, pulmo e infeces gerais, em diferentes concentraes. A prpolis, sem dvida, um dos produtos apcolas de maior eficcia, quanto aos princpios ativos transmitidos da planta ao homem. Por ser um produto muito potente, largamente utilizado na Europa, URSS, Estados Unidos, mas pouco conhecido no Brasil, os estudiosos recomendam o seu uso com cautela, sem exagero e sempre com pouca constncia (mximo de 90 dias) , pois a prpolis possui a propriedade comprovada de um antibitico natural. Assim, ela no deve ser usada como um profiltico medicinal, apesar de no possuir contra- indicaes. MODO DE USAR: Para criana menos de 1 ano colocar 2 a 3 gotas na mamadeira ou no ch. Para criana acima de 1 de 3 a 4 gotas. Para adultos de 6 a 10 gotas 2 vezes ao dia, dissolvidos na gua ou no leite. Para gargarejo colocar em baixo da lngua com gua e engolir, para dor de garganta. ATENO: No deve ser dispensado o tratamento mdico, usar em conjunto medicamentos receitados. O VENENO DAS ABELHAS Apesar de ser um produto letal para o homem, quanto aplicado em grandes propores, o veneno das abelhas , paradoxalmente, um consagrado medicamento contra diversos distrbios e afeces. Em pases como os Estados Unidos e a Unio Sovitica, o veneno das abelhas um remdio popular indicado contra vrias doenas. Sem dvida, o tratamento contra o reumatismo, base de veneno de abelha, bastante conhecido. Mas a apitoxina, como conhecido o veneno, empregada com sucesso em tratamento contra nevrites e nevralgias, afeces cutneas, doenas oftlmicas, na reduo da taxa de colesterol do sangue contra a hipertenso arterial. No Brasil, a apitoxina praticamente desconhecida, e sua aplicao emprica, limitando - se aos casos de reumatismo. Nos pases de maior desenvolvimento na apicultura, como os citados Estados Unidos e Unio Sovitica, a apitoxina administrada por meio de picadas naturais das abelhas, injees subcutneas, pomadas, inalaes e at mesmo por comprimidos. Incio da Criao de abelhas Voc pode conseguir as abelhas para iniciar sua criao de trs diferentes maneiras; comprando colnias de apicultores comerciais, capturando colmias em estado natural ou atraindo famlias em enxameao para caixas - armadilhas ou caixas - iscas. Cada um dos processos apresenta vantagens e desvantagens. Comprar as abelhas, simplesmente, pode ser bastante cmodo. Ocorre que a operao no financeiramente vivel para o produtor que pretende expandir sua criao e o apicultor no tem a oportunidade de desenvolver experincias. Por outro lado, este sistema bastante prtico e simples. J os apicultores mais experimentados que as colnias capturadas em caixas - iscas so as que se desenvolvem mais rapidamente e as mais dceis e fceis de serem trabalhadas. Eles explicam que isto se deve em razo da ndole mais domesticvel das abelhas que se sujeitam a caixas iscas. Apesar da falta de comprovao cientfica, o fato que vrios apicultores garantem que as abelhas que aceitam caixas - iscas so realmente menos agressivas que as capturadas na natureza. A desvantagem deste sistema est justamente na limitao e expanso do apirio, uma vez que no se pode prever quantas colnias podero ser atradas para as caixas - iscas.

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Finalmente , pode-se capturar enxames na natureza, removendo famlias inteiras de seu habitat natural, como cupins, troncos ocos de rvores, telhados, pneus, assoalhos, muros etc. Dos trs, a captura de enxames certamente o mais trabalhoso. Mas ele apresenta vria vantagens: barato (no dispendioso), possibilita rpida expanso do apirio e conseqente aumento de produo, e talvez o mais forte motivo- coloca o produtor em contato direto com as abelhas, proporcionando - lhe uma vivncia que lhe ser muito til no manuseio de suas colmias, no dia a dia. De fato , na operao de captura de enxames na natureza , possivelmente, a melhor instruo que o apicultor iniciante pode Ter. Para um bom nmero de apicultores, alis, a captura do enxame a primeira oportunidade de contato com as abelhas. Se este o caso, ateno para os seguintes passos para capturar um enxame. CAPTURA DO ENXAME Localizada na colmia, a primeira providncia cuidar do material que ser usado na operao: alm da vestimenta completa o apicultor dever ter mo o fumegador ; a caixa, feita de madeira mais leve que as habituais, para facilitar o transporte, e com muita ventilao lateral - coloque estes dispositivos de ventilao usados em armrios embutidos e sobretampa de tela; quadros vazios ( que recebero os favos de cria); quadros com cera alveolada, para completar espaos vazios; barbantes ou elsticos de boa qualidade para fixar os favos nos quadros; serragem grossa; faca afiada para cortar os favos; e um borrifador com xarope feito de gua e mel, ou acar; vassourinha de pelos macios e brancos; e duas bacias com boca larga e panos para cobrirem ( onde sero colocadas as sobras ou favos no aproveitados). A captura do enxame deve ser feita exatamente como se deve trabalhar com as abelhas no apirio: Procure trabalhar sempre em dias claros ou de sol, quentes, se possvel. Nestas condies, um nmero maior de campeiras estar trabalhando na coleta de nctar e plen. Assim, menos abelhas estaro defendendo a colmia, no momento da operao. Faa o trabalho sempre com a ajuda de um parceiro. Na apicultura toda tarefa feita a quatro mos mais fcil de ser realizada. Faa o trabalho com pacincia. Movimentos calmos, cuidadosos e delicados so indispensveis. Qualquer gesto mais brusco pode irritar as abelhas e tornar impraticvel a tarefa, sem falar nos riscos para sua prpria segurana. Nunca dispense o uso do fumegador e jamais trabalhe sem a vestimenta apropriada. ( lembre- se que o homem que se acostuma com as abelhas, e no as abelhas com o homem). Agora que j estamos preparados para lidar com as abelhas, vamos ver quais as situaes mais comuns para a captura de enxames. 1)- Enxames localizados em rvores, beirais etc. , de certa forma, bastante freqente a ocorrncia de exames em galhos de rvores. Isso acontece quando uma famlia est enxameado, isto , multiplicando a colnia e procurando uma nova moradia. Neste caso, no perca tempo: aproxime- se do enxame viajante com a caixa completa, contendo os quadros j preenchidos com cera alveolada e previamente borrifada com xarope de erva- cidreira. Borrife as abelhas com o xarope de gua e mel, para diminuir sua agressividade. Se o enxame for grande, mantenha a metade dos quadros na caixa, para dar espao s abelhas. Um dos dois parceiros segura a caixa , com seu bojo exatamente sob o enxame. Caber ao outro a tarefa de sacudir sobre ela o "bolo" de abelhas, com um golpe rpido e seco. Coloque a tampa da caixa, e obstrua a entrada com um pano ou pedao de espuma. Pronto! Sua primeira colmia j pode ser instalada no apirio definitivo, sobre cavalete individual, de preferencia. 2)- Enxames em locais de difcil acesso- Se o enxame estiver abrigado em local de difcil acesso (cupinzeiro, ocos de rvores, fendas de pedras, forros de casas, o procedimento diferente). Voc e seu parceiro vo precisar do fumegador (j aceso), da caixa contendo quadros vazios, a faca, o espanador e a bacia com pano.

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Antes de tudo, trate de dirigir a fumaa para a colmia natural, para abrigar as abelhas a sarem de sua morada. Assim , s ficaro no seu interior, os favos com crias, as abelhas nutrizes (que ainda no conseguem voar) e a abelha rainha. Enquanto seu parceiro cuida do fumegador, procure localizar os favos com cria. Se a colmia estiver alojada em cupinzeiro ou tronco de rvore, utilize enxada ou machado para facilitar o acesso aos favos com cria. Eles so a chave da operao, pois , uma vez capturados e transferidos para sua caixa, vo atrair todas as abelhas da colmia. As crias atuam, portanto ,como verdadeiras "iscas". Localizados os favos com crias (que ficam na regio central do ninho), remova-os com a ajuda da faca, recortando os no maior tamanho possvel. Encaixe estes favos nos quadros vazios e amarreos firmemente com o barbante, com a ajuda de seu parceiro. Caso haja favos vazios ou com mel, a distribuio no interior da colmia deve ser a seguinte: favos com cria no centro, favos os vazios ou com plen e, nas extremidades, favos com mel. Finalizada a transferncia dos favos para sua caixa, remova todos os vestgios da colmia anterior. Lembre-se que os favos com cria so mais preciosos para o apicultor do que os com mel. Caso sobrem favos vazios ou com mel, guarde-os na bacia e recubra-os com o pano. Finalizada a operao de transferncia, instale sua caixa exatamente no mesmo lugar da colmia original, tomando o cuidado de manter o alvado na mesma posio da entrada da antiga colmia. Mantenha sua caixa com o enxame capturado neste ponto at o fim do dia para capturar o mximo de abelhas campeiras. noitinha, tampe o alvado com uma tela para ventilao ou pano ou ainda espuma, e transfira sua caixa para o apirio definitivo. Parabns! Sua criao de abelhas est comeando. Voc vai viver, a partir de agora, a fase mais fascinante da apicultura. Voc e sua famlia tm interesse em criar abelhas? comente sobre este titulo acima.

V EQUIPAMENTOS Vestimenta e Utenslios J sabemos como vivem e do que se alimentam as abelhas. Vamos, agora, saber como podemos cri- las, de forma a aproveitar sua produo excedente de mel , cera, plen, prpolis e gelia real. A isso se chama apicultura racional: a criao das abelhas, objetivando a produo de mel, cera e outros produtos, mas sem causar prejuzo colnia. Mas antes de denomina as tcnicas e manejo de criao das abelhas, o apicultor deve conhecer os equipamentos, ferramentas e, principalmente, a indumentria, a vestimenta com que ir trabalhar. Afinal, criar abelhas no o mesmo que criar coelhos ou ovelhas. As abelhas no so propriamente animais dceis . Elas tratam de defender sua famlia contra qualquer tipo de ameaa (portanto so defensivas), e atacam todos os que consideram suspeitos com ferro, pelo qual injetam veneno na vtima. Assim, para trabalhar com abelhas, o apicultor deve, antes de mais nada, estar adequadamente vestido, para defender-se de eventuais picadas.

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VESTIMENTA A vestimenta bsica composta por uma mscara, um macaco, um par de luvas e um par de botas. Estas peas podem ser feitas pelo prprio produtor, mas prefervel compra-las , at que o apicultor esteja perfeitamente familiares com a atividade. O melhor tipo de mascara o de pano, com visor de tela metlica, pintada com tinta preta e fosca, que permite melhor visibilidade. Este tipo de mscara sustentado por chapu de palha ou vime e fechada com um longo cadaro, que amarrado sobre o macaco. As luvas devem ser finas o suficiente para que o apicultor no perca totalmente o tato - fator de grande importncia na manipulao das abelhas. As luvas de plstico, muitas vezes no so resistentes s ferroadas, tem o inconveniente de no permitir a evaporao do suor das mos, o que dificulta os trabalhos e cujo o odor pode irritar as abelhas. As luvas de couro fino, brancas, so as mais indicadas. O macaco deve ser constitudo de uma nica pea. Ele tambm deve ser largo, folgado o suficiente para no criar resistncia junto ao corpo, o que permitiria a ferroada da abelha. As extremidades do macaco (mangas e pernas) devem ser arrematadas com elstico, para impedir a entrada de abelhas na vestimenta e o tecido deve ser resistente para defender o corpo de ferroadas. O brim bastante utilizado e oferece uma boa proteo. Finalmente, no se esquea das botas. As melhores so as de borracha, branca, de cano mdio ou longo, sobre o qual ajustada a bainha do macaco. Importante: lembre - se sempre que as abelhas particularmente sensveis s tonalidades escuras, especialmente ao preto e ao marrom. As abelhas tm verdadeira averso a estas cores, que provocam seu ataque. Por isso, toda a indumentria do apicultor deve ser de cor clara. As mais indicadas so o branco , o amarelo e o azul- claro, tons que no as irritam. UTENSLIOS Fumegador - no s a indumentria que defende o apicultor das ferroadas das abelhas. Um utenslio indispensvel para qualquer tipo de trabalho o fumegador. Sua funo a de diminuir a agressividade das abelhas. um utenslio realmente obrigatrio na apicultura, principalmente com as abelhas africanizadas. H diferentes tipos e tamanhos de fumegadores. Para quem est iniciando na atividade, o tipo mais apropriado o fumegador de fole manual, constituindo por um fole, como o prprio nome diz, que acoplado a uma fornalha dotada de grella, na

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qual se queima o material que produzir a desejada fumaa. Os de tamanho grande e preferveis, pois garantem fumaa por maior espao de tempo. Ao contrrio do que a maioria das pessoas - e mesmo alguns apicultores - imaginam , a fumaa produzida pelo fumegador no "tonteia" ou "sufoca" as abelhas. Na verdade, a fumaa utilizada para criar a falsa impresso de um incndio na colmia. Assim, ao primeiro sinal de fumaa, as abelhas correm a proteger as larvas e engolem todo o mel que podem, para salvar alimento em caso de necessidade de fuga. Isto tudo faz com que as abelhas desviem a ateno do apicultor, que pode ento trabalhar com tranqilidade. Alm disso, as abelhas, com seus papos lotados de mel, ficam pesadas e tm dificuldade para desferir a ferroada. Como preparar e aplicar a fumaa- Os materiais mais apropriados para a produo de fumaa so de origem vegetal, como serragem grossa - no pode diversos tipos de madeira, sabugos de milho, folhas secas de eucaliptos, gravetos, cascas secas de rvores, retalhos de pano etc. O importante que a fumaa no seja jamais produzida por materiais que possam irritar ou molestar as abelhas, como leo de qualquer natureza, querosene, gasolina e produtos que desprendam odor forte ou mau cheiro. A fumaa deve ser fria e limpa, em resumo. Essa fumaa deve ser usada com parcimnia nos trabalhos, em pequenas quantidades, para no irritar as abelhas. Formo de apicultor - uma ferramenta praticamente obrigatria. utilizada para abrir o teto da colmia, que normalmente soldado caixa pelas abelhas com a prpolis. Serve tambm para separar a desgrudar as peas da colmia. Espanador - empregado para remover as abelhas dos quadros da colmia sem feri- las. Normalmente, feito de crina animal. Na falta deste instrumento , alguns apicultores utilizam penas de aves como espanador.

Facas e garfos desoperculadores - So instrumentos utilizados para destampar os alvolos dos favos, liberando, assim, o mel armazenado.

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Pegador de quadros - trata -se de uma ferramenta relativamente til: compostas de duas tenazes de funcionamento simultneo, ela remove facilmente os quadros da colmia, mesmo aqueles que estejam soldados com prpolis entre si. Alm de facilitar o manuseio dos quadros da colmia, este instrumento diminui o risco de esmagamento das operrias.

Centrfugas - So equipamentos destinados extrao de mel sem provocar danos aos favos, que, podero, desta forma, ser reaproveitados. H basicamente dois tipos de centrfugas - a facial e a radial, sendo que este ltimo modelo considerado mais prtico. No entanto, apesar das vantagens que apresenta, a centrfuga no deve ser adquirida prontamente pelo apicultor inicialmente . Ela s se justifica em casos de determinados volumes de produo. Uma interessante alternativa, para apicultores iniciantes, a aquisio da centrfuga em regime de cooperativa: todos pagam por ela e todos usam. Outros equipamentos e ferramentas - A apicultura moderna dispe de diversos outros aparelhos e ferramentas que auxiliam e facilitam o trabalho com as abelhas. Estes instrumentos, no entanto, so recomendados a apicultores que j dominam uma certa tcnica de manejo. Mesa Desoperculadora desoperculao a preparao de abertura dos oprculos. O quadro apoiado sobre a mesa com a mo esqueda, manejando-se o garfo com a direita. A criao racional de abelhas exige equipamentos e indumentrias especficas, sem as quais a atividade torna-se invivel. Para lidar com as abelhas, o apicultor deve estar devidamente protegido com vestimenta especfica. Vamos juntos ver esta vestimenta. Quais equipamentos vocs utilizam para fazer a colheita do mel? Esto conseguindo fazer um bom trabalho?

Colmia A apicultura racional nasceu quando o homem desenvolveu o sistema de quadros mveis instalados em colmias. At ento, o homem simplesmente pilhava o mel das abelhas que vivem em abrigos naturais, como ocos de rvores, cupins, fendas de pedras etc., ou procurava cri-las em caixas rsticas de madeira, cestos de palhas e outros

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recipientes. Mas os resultados no eram dos melhores. A pilhagem do mel de colmias naturais , quase sempre, nica, j que devidos aos estragos provocados colnia, a famlia enxameia ou acaba morrendo. No caso da criao de abelhas em caixas rsticas de mel muito pequena e o produto de pssima qualidade, pois ele obtido espremendo - se os favos que so recortados e removidos das colmias. Na apicultura racional este problema foi solucionado com inveno dos quadros mveis. Trata-se de uma engenhosa inveno de apicultores do final do sculo passado. A apicultura moderna, racional, que permite a produo de grandes quantidades de mel, plen e outros produtos de grande, comeou com desenvolvimento deste sistema, que consiste em induzir as abelhas a construrem seus favos em quadros dispostos verticalmente na colmia contruda para abrigar a famlia. Este sistema oferece uma srie de vantagens de ordem prtica. O sistema de quadros mveis permite que o apicultor inspecione o interior da colmia e intervenha sempre que for preciso: eliminando favos velhos, controlando focos de pragas (como as traas), trocando a posio dos quadros, prevenindo a enxameao. Este sistema permite tambm a utilizao de lminas de cera alveolada- que produzem enormemente o trabalho das abelhas -, possibilita o emprego de alimentadores artificiais (que garantem alimento famlia durante o outono e o inverno), permite o reaproveitamento dos favos, e, mais importante, a contnua colheita de mel. Alm destas vantagens, as colmias dotadas de quadros mveis podem ser fortalecidas com a introduo de um quadro quadro de mel ou de crias de outra colmia - como veremos mais tarde. TIPOS DE COLMIAS Conhecem -se hoje mais de 300 diferentes tipos de colmia; que variam em funo de adaptao climtica, manejo, etc. Mas todas elas apresentam a mesma constituio bsica: um fundo, ou assoalho, um ninho que compartimento reservado ao desenvolvimento da famlia - a melgueira, compartimento onde armazenado e mel, os quadros, nos quais so moldados os favos de mel ou de cria, e uma tampa, que reveste toda a colmia. Todas estas peas - assoalho, ninho, melgueiras, quadros e tampa - so mveis- podem ser retiradas a qualquer momento o que facilita o trabalho de interveno do apicultor. Outra vantagem: por mvel, este sistema permite que a colmia receba mais melgueiras na poca de floradas abundantes- aumentando assim a produo de mel- e, por outro lado, seja reduzida nos perodos de escassez. Dada essa facilidade de modalidade, este tipo de colmia - o nico utilizado pelos verdadeiros apicultores - chamado de mobilista. Diferentes materiais podem ser empregados na construo das colmias; madeiras, fibra de vidro, amianto, concreto, isopor etc. No entanto, d-se preferncia, por razes de ordem prtica e econmica, a madeira. Mas no s no material que as colmias diferem. H uma afinidade de modelos de colmias, sendo que a mais indicada para as nossas condies a colmia Langstroth, ou Americana. Idealizada por um dosa pais da moderna apicultura, o pastor Lorenzo Langstroth, este tipo de colmia a mais utilizado em todo o mundo e recomendada pelo padro pela Confederao Brasileira de Apicultura e o Ministrio da Agricultura. O ESPAO- ABELHA Langstroth desenvolveu sua colmia quando descobriu o que se chama hoje de espao abelha, que o menor espao livre que pode existir no interior de uma colmia, para permitir a livre movimentao das abelhas. Este espao abelha uma descoberta muito importante. Ele a prpria referncia da abelha no interior da colmia. As abelhas vedam, com prpolis, todas as frestas e vo inferiores a 4,8mm e constroem favos nos espaos superiores a 9,5mm. Ao descobrir esta caracterstica das abelhas, Langstroth desenvolveu um tipo de colmia, compostos por dez quadros, que mantm, entre si e entre as paredes, a segura distncia de 9mm,

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em mdia. Isto conseguido com o uso dos quadros Hoffmann, dotados de espaadores automticos, ou seja, que j mantm o chamado espao - abelha entre si. Por se tratar de um objetivo que reclama preciso e exatido, em termos de dimenses e medidas, no aconselhvel ao apicultor iniciante produzir suas prprias colmias. Mais fcil e prtico adquiri-las j prontas. TELA EXCLUIDORA Outro importante avano da apicultura racional. A tela excluidora - na verdade uma chapa perfurada- no permite que a rainha se desloque do ninho para a melgueira, onde poderia depositar seus ovos e comprometer o mel. A tela excluidora, instalada entre o ninho para a melgueira, permite apenas e to somente a passagem das operrias do ninho para a melgueira, onde depositaro o mel que, mais tarde, ser colhido pelo apicultor. O ALVADO O alvado o que se pode chamar de porta de colmia. um acessrio regulvel e de grande importncia para a defesa da famlia. Trata-se de um sarrafo que instalado na entrada da colmia, de forma a permitir a entrada e sada das abelhas. Nos perodos de frio, esta reduzida, para conservar maior calor no interior da colmia. Nas pocas de floradas ou de calor, esta abertura aumentada. CERA ALVEOLADA Outro importante aperfeioamento da apicultura moderna foi o desenvolvimento da cera alveolada. Com este material o produtor poupa trabalho de sua abelhas e ganha tempo na produo de mel. A cera alveolada uma lmina de cera abelha prensada, que apresenta, de ambos os lados, o relevo de um hexgono do mesmo tamanho do alvolo, que servir de guia para a construo dos alvolos dos favos. A cera fixada por meio de um arame que corre por dentro dos quadros. Normalmente, os quadros j so vendidos com o arame, e sua instalao fcil de ser feita. Para soldar a cera ao arame, use a extenso de uma tomada com fio dos dois plos eltricos ligados a uma resistnciadessas que servem para aquecimento de ambientes - com duas sadas: descanse a lmina de cera sobre o arame. Em seguida, com o auxilio de dois fios condutores, provoque um pequeno rpido curto nas extremidades do arame. Pronto! A cera se soldar automaticamente pela ao do calor provocado pelo curto- circuito. Ateno porque uma descarga muito prolongada poder derreter a cera - impossibilitando sua fixao. Mas o mtodo pratico e largamente empregado pelos apicultores. Construes das Colmias tipo Langstroth O tipo mais usual em todo mundo a colmia Langstroth, americana, que se adaptou muito bem no Brasil. Esse tipo de colmia mais espaoso do que os outros e muito favorvel ao nosso clima. No inverno mais rigoroso, pode-se colocar o diminuidor de entrada do alvado (abertura por onde entram e saem as abelhas), mas deve ser retirado no vero a fim de que haja maior aerao dentro da colmia.

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PLANTA BSICA DA COLMIA LANGSTROTH QUADROS DA CMARA DE CRIA: Travessa superior: 481 mm Travessa inferior: 450 mm Laterais: QUADROS DA MELGUEIRA: Travessa superior: 481 mm Travessa inferior: 450 mm Laterais: NINHO OU CMARA DE CRIAS: Comprimento 485 mm Largura: 370 mm Altura: 240 mm FUNDO: Largura: 410 mm Comprimento: 600 mm TAMPA: Largura: 440 mm

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Comprimento: 510 mm

A colmia completa compe-se das seguintes peas: assoalho, com uim comprimento maior que o da caixa e possui o alvado; ninho : colocado sobre o fundo e destina -se postura dos ovos da rainha. coloque no ninho dez quadros e cubra- os com uma tela excluidora, para evitar a subida da rainha para a melgueira, que colocada sobre o ninho, com dez quadros para a posio do mel, e por ltimo os quadros para a deposio do mel, e por onde so construdos os favos. Alm de uma ou duas melgueiras, o apicultor poder colocar muitas outras, se assim o desejar, de acordo com a produo de mel e conseqentemente a florada local. Quando a primeira est cheia de mel, pode-se optar entre a colheita de mel, ou a colocao de uma nova sobre a caixa. Muitas vezes, em boas floradas, alguns apicultores chegam a colocar at quadros melgueiras sobre o ninho. O pequeno apicultor, isto , aquele que deseja manter apenas algumas caixas de abelhas para o seu uso, pode, por exemplo, adquirir apenas um jogo de colmias completo, depois de construir as demais, seguindo risca as medidas daquela que foi adquirida. Para se confeccionar a colmia, basta apenas uma serra circular e habilidade manual, as quais ficaro bem mais em conta do que as vendidas em casas especializadas. Na confeco dos quadros, no h necessidade de fazer recorte da madeira, a fim de dar espao entre os mesmos por ocasio da disposio no ninho ou melgueira. Nas casas especializadas so vendidos espaadores, os quais devem ser colocados no lado dos quadros a fim de dar o espaamento certo entre elas. O mais importante nas colmias so as medidas internas nos ninhos e melgueiras, como tambm as medidas externas dos quadros. Falamos em medidas exatas, porque os quadros da colmia "A" podem ser utilizados na colmia "B", principalmente quando se utiliza a centrfuga para a extrao do mel. Ainda quando se adquire um enxame, os quadros que viro com abelhas, crias e a respectiva rainha, iro adaptar se perfeitamente em nossa colmia e assim sucessivamente. As medidas da colmia americana so as seguintes: ninho 37cm de largura; 46,5cm de fundo e 24cm de altura; enquanto que a melgueira tem tambm 37cm de largura, 46,5 cm de fundo e 14,5cm de altura. As medidas acima so internas.

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Os quadros para o ninho possuem as seguintes medidas externas: 48,1cm de comprimento na parte superior, embaixo 45cm e a altura de 21,5cm; os quadros para a melgueira tem as mesmas larguras do ninho; a altura de 12.0cm. a espessura dos quadros de 1.0cm. A madeira empregada para a construo das colmias normalmente o pinho- do- paran. O ninho, melgueira, assoalho e tampa so confeccionados com madeira de espessura de 2 cm e os quadros com madeira de 1cm. J vimos colmias fabricadas com certos tipos de madeira, que aps o calor, os quadros ficam embodocados, isto , no dando o espao certo para a confeco sistemtica dos favos. As prprias caixas tambm envergam, formando grandes frestas. Tanto no ninho como na melgueira, devem ser feitos um rebaixo para acomodar, isto , assentar os quadros sendo a altura de 1,9cm e a largura de 1cm. H quem faa o rebaixo vertical 5mm mais profundo, colocando para compensar os 5mm uma tira de chapa, para facilitar a retirada dos quadros,os quais so menos vedados pela prpolis. PINTURA DAS CAIXAS Uma vez prontas as colmias,como ficaro praticamente expostas ao tempo, convm pint-las com tinta a leo, dando preferncia para as cores claras, como branco, creme, azul- claro, verdeclaro, com duas ou trs demos; isto deve ser feito apenas nas partes externas. Outro tipo de colmia a Schimer, que diferena das americanas, apresenta seus quadros na posio transversal ou perpendicular entrada da colmia, dificultando, assim, a entrada de ar. CONSTRUO DAS CAIXAS PARA ABELHAS SEM FERRO Vamos ver como construir as caixas, tanto para as abelhas sem ferro, como para as africanizadas. a) COLMIA ACF II PARA JATAI

MATERIAL PARA FAZER A COLMIA ACF II b) Tampa 1 pea de 16,5 x 20,5 cm c) Lateral 2 peas de 12,5 x 30 cm

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d) e) f) g) h) i) j) k) l) m) n) o)

Tampa de Melgueira 1 pea de 16,5 x 20 cm Tampa de cria 1 pea de 16,5 x 10 cm Frente 1 pea de 16,5 x 30 cm Fundo 1 pea de 16,5 x 16,5 cm Divisria de cria 1 pea de 12,5 x 12,5 cm Suporte da cria compensado de 4 mm 1 pea de 11 x 11 cm Sarrafinho suporte dos quadros 2 peas de 12,5 x 1 x 0,5 cm Ripa superior 4 peas de 12 x 2,5 x 0,5 cm Ripa lateral 8 peas de 16 x 2,5 x 0,5 cm Tipa inferior 4 peas de 10,8 x 2,5 x 0,5 cm Fundo compensado de 4mm 4 peas de 11,5 x 17,5 cm Sarrafos fixadores da tampa e ps 4 peas de 2 x 2 x 16,5 cm

MEDIDAS INTERNAS Boca da cria 10 x 12,5 cm Boca da melgueira 12,5 cm x 12,5 cm

Observao: madeiras de 2 cm de espessura mantm a temperatura em regies frias e quentes. - A pea I deve ficar 0,5 cm abaixo da boca de melgueira para que fiquem nivelados e a tampa se encaixe, vedando bem. - A pea G pregada em nvel com a pea C, para deixar a boca da cria livre. - A pea M pode ter abertura como mostra o desenho, para que as abelhas possam circular, alm das pontas, tambm o meio. - A pea H tem ps de 0,5 x 0,5 cm, para as abelhas depositarem sujeita e depois carregarem para fora. - Para pendurar a colmia ACF II, fixa-se um parafuso de rosca soberba, de cada lado das peas B, como mostra o desenho, e a ala pode ser feita de fita de chapa ou alumnio, arame grosso ou vergalho. Passar graxa na ala para evitar ataque de formigas. - Faa quatro furos em forma de meio-lua na pea G. Eles vo servir como passagem de um recinto para o outro. - A pea C e D so mveis, funcionam como tampa da colmia. Para fech-la, h duas opes: encaixe ou dobradias. A dobradias mais recomendvel porque, alm de fcil instalao, d maior segurana. Se optar por elas, fixe-as nas peas C e D que funcionaro como portas e na lateral B. - Na pea E, na parte de baixo tem que fazer a entrada da colmia onde vai ser colocado o cachimbo. Escolha do local A localizao do apirio um dos fatores mais importantes para o sucesso da apicultura. Vale a pena gastar um pouco de tempo na identificao do melhor local da propriedade para a instalao do apirio. Antes de instalar suas colmias, o apicultor deve levar em conta a disponibilidade de gua e alimentos (floradas) para suas abelhas, procurar protege-las de ventos fortes, correntes de ar, insolao intensa e umidade excessiva. Mas a maior preocupao do apicultor deve ser com relao segurana de pessoas e animais. Este ponto muito importante. Naturalmente, o acesso ao apirio deve ser fcil, a fim de economizar tempo e reduzir os trabalhos do apicultor. No entanto, as colmias devem estar distantes 200 a 300 metros, no

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mnimo, de qualquer tipo de habitao, estradas movimentadas e criaes de animais. Afinal, as abelhas so seres extremamente sensveis a odores exalados por animais e pelo homem e irritam - se com qualquer tipo de movimentao anormal que ocorra nas proximidades da colmia. E nunca demais lembrar que seu veneno, quando injetado em grandes quantidades, fatal para a maioria dos seres vivos, inclusive o homem. Para prevenir o ataque de inimigos naturais das abelhas, mantenha o gramado do apirio bem limpo, livre de mato e de arbustos que dificultem o vo das campeiras. A utilizao de projetores antiformigas nos cavaletes e de funo mpar, pois um ataque de formigas a exames pequenos em desenvolvimento, praticamente dizima toda a famlia. Produtores comerciais de mel, cera e gelia real costumam proteger suas colmias construindo uma espcie de galpo aberto, que abriga o apirio de chuvas fortes e da incidncia direta do sol. Alm de proporcionar uma defesa mais adequada contra as variaes, climticas, este tipo de proteo bastante econmico para o apicultor, j que aumento a vida til das caixas. Um ltimo cuidado: o apirio deve guardar uma nica distncia de aproximadamente cinco quilmetros de localizao de outro apirio. GUA Assim como para o homem gua um elemento vital para as abelhas; ela entra na composio do mel, da cera, e da geleia real produzida pela famlia. Por isso, muito que haja gua limpa e em abundncia prxima ao apirio. Caso no exista nenhuma nascente ou curso d'gua prximo ao apirio, o apicultor dever providenciar o seu fornecimento. Esta providencia deve ser tomada antes da instalao das caixas, para no perturbar o trabalho das colnias. H vrias formas de transportes da gua at o apirio. Pode-se, por exemplo, canaliza-la at um barril dotado de torneira, que mantida aberta, de forma a deixar que a gua simplesmente pingue sobre um pano colocado num estrado. Pode-se trazer a gua canalizando -a atravs de bambus ou tubulaes, de forma que ela caia pingando sobre um pano, num ponto prximo ao apirio. No existe, entretanto, uma receita pronta. Tudo vai depender das condies da propriedade, bem como de sua criatividade. Uma particularidade: as abelhas apreciam gua levemente salgada. FLORA APCULA A flora apcola o que se pode chamar de pastagem das abelhas. das flores que as abelhas recolhem o nctar e o plen, que vo alimentar a colnia. Conseqentemente, boas fontes de plen e nctar contribuem para aumentar a produo do apirio. Por isso, sempre que possvel, o apicultor deve planificar a formao do pasto apcola antes mesmo da instalao do apirio. H plantas que produzem flores com elevada concentrao de nctar, outras que produzem bastante plen e outras ainda que fornecem igualmente plen e nctar. Infelizmente, no existe o chamado pasto apcola ideal. Uma espcie vegetal de alto potencial apcola- o eucalipto, por exemplo, pode no se adaptar sua propriedade. Alis para o apicultor iniciante, o pasto apcola composto por monocultura deve ser evitado, por proporcionar alimento s abelhas durante uma nica poca do ano. A explorao do pasto apcola de monocultura s se justifica na atividade comercial, quando o apicultor realiza a chamada apicultura migratria. Neste caso, o produtor leva suas colmias a pomares ou culturas de florao, transferindo - as para o outro pasto assim termina a florada. A apicultura fixista, praticada principalmente por pequenos produtores, sitiantes, hobbistas e iniciantes, mais indicada explorao do pasto apcola constitudo por espcies nativas, principalmente rvores que, pela sua diversificao, podem garantir alimento s abelhas continuamente, ainda que, em pequenas quantidades. A partir da, cabe ao apicultor promover o melhoramento dessa pastagem, introduzindo variedades de maior valor apcola, desde que adaptadas regio onde se situa a propriedade. culturas de mdio porte e arbustivas, de alto potencial apcola, devem ser cultivadas prximas ao apirio. Algumas boas fontes de nctar e plen que podem melhorar a alimentao das abelhas so melilotus, manjerico, manjerona,

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cosmos, guandu, colza, girassol, citros, frutferas em geral, curcubitceas (abbora, abobrinha, melo, pepino etc.), leguminosas de uma forma geral, hortalias, entre outras. At as chamadas plantas daninhas so excelentes fontes de alimento para as abelhas. Plantas como o assapeixe, carqueja, vassourinha, gervo, trapoeraba, sete - sangrias, vassoura, pico, entre tantas outras consideradas matos devem ser encaradas como fontes de nctar e plen para as abelhas. No deixe tambm de cultivar, prximo ao apirio, plantas aromticas e medicinais, pois seu odor atrai muito as abelhas e diversificara ainda mais as fontes de alimento das colnias. Uma palavra final: o mais importante, na formao do pasto apcola, que o apicultor procure identificar as espcies mais apropriadas e adaptadas a sua propriedade. Um exemplo: a astrapia (lombeija). Essa planta tem a vantagem de florescer em pleno inverno garantindo, assim, alimento famlia num perodo de escassez. No Rio de Janeiro, apresenta uma concentrao de 28 a 44% de acar em seu nctar, enquanto em Florianpolis, SC, no concentra mais de 15% de acares. Em sua propriedade existe local que do condies para trabalhas com esta atividade? Comente.

Desenvolvendo o apirio Os apicultores experientes costumam lembrar que uma colmia forte, populosa, produz mais do que quatro colmias fracas. E esta observao tem fundamento. Realmente , uma famlia mais numerosa apresenta maiores e melhores condies de defesa da colnia e coleta de alimento do que uma famlia fraca. Este conceito, por sinal , um dos principais fundamentos apicultura moderna: antes de expandir o apirio, devem- se fortalecer as colmias existentes. A produo final ser, certamente, muito maior.

IX O APIRIO Baseado no conhecimento dos costumes e necessidades das abelhas, fazemos uso de um conjunto de normas e utenslios que tem por finalidade resolver e ajud-las, protegendo-as contra os predadores, aperfeioando as famlias por selees gradativas, curando as enfermidades, dando condies de habitao, etc. Isso se consegue numa criao racional, onde um conjunto de enxames d-se o nome de apirio (do gnero apis). a) LOCALIZAO DO APIRIO Para se ter sucesso na criao de abelhas, a localizao do apirio muito importante. Vamos ver alguns pontos importantes para essa localizao. 1. FLORAO:_________________________________________________

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_______________________________________________________________ 2. ANIMAIS; VECULOS; ROAS: ________________________________ _______________________________________________________________ 3. VIA DE ACESSO: _____________________________________________ _______________________________________________________________ 4. SOL: ________________________________________________________ _______________________________________________________________ 5. INIMIGOS: __________________________________________________ _______________________________________________________________ 6. IDENTIFICAO: ___________________________________________ _______________________________________________________________ 7. CERA DE PROTEO: ________________________________________ _______________________________________________________________ 8. SOMBREAMENTO: ___________________________________________ _______________________________________________________________ 9. GUA: ______________________________________________________ _______________________________________________________________ 10. VENTOS: ___________________________________________________ _______________________________________________________________ 11. DISTNCIA ENTRE APIRIOS: _______________________________ _______________________________________________________________ b) POVOAMENTO DAS COLMIAS Para povoar as colmias, existem algumas maneiras: FAMLIAS ABELHAS Normalmente, uma famlia corresponde a um ninho com 8 a 10 quadros, cobertos com abelhas, contendo um pouco de mel, crias novas ou opeculadoras, uma rainha em atividade e cerca de 20 a 30 mil operrios e alguns zanges. Na compra preciso ateno para evitar prejuzos, verificando bem a colmia atravs de uma reviso antes de fechar o negocio, especialmente dando ateno quanto a sanidade. NCLEO DE ABELHAS O ncleo correspondente a uma famlia de abelhas formadas de trs a cinco quadros cobertos com as mesmas e uma rainha jovem, fecundada. Freqentemente se torna preciso transportar enxames para lugares distantes, seja porque voc adquiriu noutro apirio, seja porque fez negocio com alguns dos seus; por isso vamos ver como se constri um ncleo.

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A madeira utilizada comum, de caixote. No assoalho ao centro, existe um sarrafo (B) das dimenses de 11,5 cm de comprimento por 3,5, cm de altura por 2,5 de largura, na qual se abrem trs encaixes de 2,2 cm de largura para alojar o barro e inferior dos quadros postos nesse ncleo de transporte, evitando que, no caso de tombar, os favos encostem uns nos outros, esmagando abelhas. Note-se tambm que o fecho de alvado (F) tem por cima uma pequena tramela que, na posio (D) mantm firmemente fechada a abertura de entrada e sada. Uma tabuinha (T) servir para correr por cima de tela metlica das aberturas de ventilao (V), dado que os enxames sejam mantidos durante a noite dentro dos ncleos, em cujo caso ficaro por demais expostos ao ar atravs dessas aberturas, que vem ser feitas em ambas laterais. evidente que essa tbua de proteo apenas poder ser colocada sobre a tela de ventilao se o fecho (F) estiver aberto (posio C), do contrrio o enxame ser abafado, tendo toda entrada de ar obstrudas. preciso considerar que logo ao chegar em seu destino, as abelhas no devem ser imediatamente transferidas para outra caixa. conveniente que seja o ncleo posto no suporte definitivo e ali permanea em repouso uns dois dias. O que se far imediatamente levantar o fecho de alvado (F) para dar liberdade as abelhas e, ao faz-lo, cumpre tapar com tbuas (T) as duas aberturas (V) e prend-las com tramelas ali existentes. Esta providencia se impe no s durante o dia, para impedir a entrada da luz, mas principalmente a noite quando habitualmente a temperatura cai de maneira considervel. Na tampa e no assoalho do ncleo os sarrafos (M) so para reforar a tbua e impedir que empene. Numa das testeiras (laterais), a que servir de frente para o ncleo se far um corte de 4 cm de comprimento por 1,2 cm de largura para formar o alvado. A letra C mostra dois fios de barbantes ligados a grampos e que serviro para firmar a tampa sem necessidade de preg-las. COMENTRIOS: _______________________________________________________________ _______________________________________________________________

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_______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ ENXAME DE ABELHAS A enxameao decorrente do instinto reprodutor e fator de sobrevivncia da espcie, que, atravs desse movimento, garante a perpetuao da famlia. O primeiro enxame que sai da famlia sempre o melhor porque leva maior nmero de abelhas, ou seja cerca de 1/3 da colmia-me, e constitudo na maioria, por abelhas campeiras e uma rainha ativa, as quais conseguem, em pouco tempo, formar uma nova famlia com condies de produzir mel. CAIXAS-ISCAS Em pocas de enxameao, e nos locais onde as abelhas costumam passar, colocar caixas pintadas de cor azul, verde ou amarela e untadas com soluo de prpolis, com no mnimo, trs quadros com tiras de laminas de cera alveolada nova e pura, para que seu cheiro atraia as abelhas. Havendo enxames na rota, estes entraro sozinhos nas caixas; na falta de colmias padro deve-se usar caixas-ncleo para cinco quadros ou at mesmo caixas improvisadas, feitas com tbuas de caixotes ou papelo, o que evitar prejuzos na hiptese da ocorrncia de roubo. As caixas devero ser espalhadas em clareiras, onde facilmente sero alcanados pelos enxames, colocadas sobre tocos, ou suporte numa altura de 1,5 cm do solo. A cada semana, ou em menos de 15 dias, fazer uma vistoria nas caixas-iscas, para recolher aquelas j povoadas, que devem ser transferidas para as colmias normais a noite, ou ento ter seu espao completado com favos as respectivas laminas de cera alveolada. Existem pocas do ano mais prpria para apanhar enxames, na regio vocs j devem ter observado, que poca essa? R: ____________________________________________________________ RESUMO: _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ MODELOS DE CAIXAS-ISCAS PARA 5 QUADROS MEDIDAS INTERNAS ENTRADAS 1 x 5 cm de largura 48, 5 cm de comprimento 19,0 cm de largura 27,0 cm de altura

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SARRAFO - 2 a 19 cm de largura e 1 cm de espessura - deve ficar a 3 cm da tampa

TAMPA - 56 cm de comprimento - 23 cm de largura c) AUMENTO DE COLMIAS Para aumentar o nmero de colmias em nosso apirios existem algumas tcnicas: - DESMEMBRAMENTO DE COLMIAS Em primeiro lugar, deve-se adquirir um ncleo de 5 quadros com cera alveolada; ao se aproximar da colmia, o apicultor aplica algumas baforadas de fumaa no alveolado, em seguida, remove a tampa e a melgueira, (se houver). Retire um quadro do ninho, com o mximo de cria opeculadora, outro quadro de cria aberta (com alguns ovos) e um terceiro como mximo de alimento (plen e mel). Estes quadros so colocados, um a um no ncleo, juntamente com dois quadros de cera alveolada. O espao deixado na colmia-me ocupado com os trs quadros de cera alveolada restante. Deve-se tomar cuidado para deixar a rainha na colmia-me. O quadro com crias abertas e ovos, serve para que as operarias, puxem uma nova rainha. Para evitar o retorno das campeiras colmia-me, a nova famlia deslocada a uma distncia de 3.000 metros. Depois de 15 dias, ela pode voltar para o apirio. - CAPTURA DE ENXAMES DE ABELHAS COM FERRAO Dependendo da poca e da regio, as vezes pode-se encontrar alguns enxames dependurados em galhos de rvores; quando tal fato ocorrer deve-se aproximar por baixo do

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galho, com a colmia aberta, sem tampa e com os quadros munidos de cera alveolada, e a seguir sacudir bem o galho para que as abelhas caiam dentro da caixa, aps isso coloca-se a caixa no cho, fechando-se a tampa, com cuidado para no mat-las. Deixa-se ento, a colmia no mesmo local, para descansar, at a noite quando ela devera ser levada at o apirio, onde ficar em definitivo s vezes, pode-se tambm cortar o galho, com enxame, levando-o at a colmia, onde as abelhas sero sacudidas na frente do alvado. Essa providencia decorre de que as abelhas gostam de fazer ocupao do novo lar, por conta prpria e onde todos os quadros estaro com cera alveolada, facilitando a adaptao. Para capturar as colmias fixas em lugares acessveis, como barrancos, ocos de madeira, buracos de tatu. O apicultor vai at o ninho munido de fumigador e roupas especiais. Desbaste o local em que est instalada a colmia, com cuidado para no ferir o ninho. Com uma faca, corta favo por favo, imitando a configurao de uma colmia racional, e os coloca na caixa definitiva. Nos dias seguintes, a caixa permanece naquele local, at que as abelhas se habituem com a nova moradia. A tela excludora deve ser usada, para evitar a fuga da rainha. RESUMO: _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________

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CAPTURA DE UM ENXAME DE JATA

Caixa construda, chega a hora de capturar enxames naturais. Na cidade ou no campo, algumas regras simples devem ser observadas. Aps localizar o ninho, obedea a regra nmero 1: V sempre aps as 16 horas. J levando sua caixa. A primeira tarefa, o transporte do tnel de entrada (cachimbo), verdadeiro sinalizador para localizao das abelhas, exige pacincia e

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cuidado. Siga essas instrues: introduza um arame no tnel da colmia natural, depois passe um estilete ou uma faca bem rente parede da colmia e equilibre-o no arame. Em seguida, leve-o at a sua caixa, encaixe-o cuidadosamente e, com o dedo utilize a prpria cera para amaciar e fechar o local do encaixe. A calefetao ser realizada pelas prprias abelhas. Retire lentamente o arame. A primeira fase est completa. Agora com faca, estilete ou formo, cavoque o local onde estiver a colmia at retir-la sem danific-la. Coloque-a imediatamente, na sua caixa. Espere o cair da tarde e a volta das campeiras para casa. Sinalize deixando a porta da caixa parcialmente aberta. Elas precisam identificar, rapidament