filosofia - introdução

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    31-Oct-2015
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Filosofia Clssica

1. Scrates2. Plato3. As Egrgoras4. Para Entender Plato

5. Aristteles: Vida e Obras6. Epicurismo, Ceticismo e Ecletismo7. Os Pr-Socrticos8. Os Sofistas

9. O Estoicismo10. Pitgoras de Samos11. Herclito de feso12. Zeno de Elia

13. Demcrito de Abdera14. Teorias de Demcrito15. Defesa de Scrates 116. Defesa de Scrates 2

17. Defesa de Scrates 3

Pensamento Latino

1. Cincias Naturais Idade Helenstica2. O Pensamento Latino3. O Direito e a Educao Romana

Filosofia Crist

1. O Neoplatonismo2. Plotino3. O Pensamento Cristo4. O Cristianismo

5. A Praxe Asctica do Cristianismo6. A Patrstica Pr-Agostiniana7. Santo Agostinho8. A Escolstica Pr-Tomista

9. A Escolstica Ps-Tomista10. So Toms de Aquino I11. So Toms de Aquino II

Filosofia Moderna

1. O Pensamento Moderno2. A Renascena3. De Aristteles Renascena4. Os Pensadores Renascentistas

5. Ren Descartes - Vida e Obras6. A Filosofia de Descartes7. As Meditaes de Descartes8. O Empirismo - John Locke

9. O Empirismo - George Berkeley10. O Empirismo - Francis Bacon11. O Empirismo - Thomas Hobbes12. O Empirismo - David Hume

13. Textos de David Hume14. O Iluminismo Francs - Condillac, Montesquieu e Voltaire15. Jean-Jacques Rosseau

16. A Renascena - Niccolo Machiavelli e Galileu Galilei17. Blaise Pascal18. Leibniz

19. O Cartesianismo - Spinoza20. O Cartesianismo - Malebranche

Filosofia Contempornea

1. Immanuel Kant: Vida e Obras2. Immanuel Kant: Moral, Metafsica2. Immanuel Kant: Textos de Kant

Scrates

Sua Vida: Quem valorizou a descoberta do homem feita pelos sofistas, orientando-a para os valores universais, segundo a via real do pensamento grego, foi Scrates. Nasceu Scrates em 470 ou 469 a.C., em Atenas, filho de Sofrnico, escultor, e de Fenreta, parteira. Aprendeu a arte paterna, mas dedicou-se inteiramente meditao e ao ensino filosfico, sem recompensa alguma, no obstante sua pobreza. Desempenhou alguns cargos polticos e foi sempre modelo irrepreensvel de bom cidado. Combateu a Potidia, onde salvou a vida de Alcebades e em Delium, onde carregou aos ombros a Xenofonte, gravemente ferido. Formou a sua instruo sobretudo atravs da reflexo pessoal, na moldura da alta cultura ateniense da poca, em contato com o que de mais ilustre houve na cidade de Pricles.Inteiramente absorvido pela sua vocao, no se deixou distrair pelas preocupaes domsticas nem pelos interesses polticos. Quanto famlia, podemos dizer que Scrates no teve, por certo, uma mulher ideal na qurula Xantipa; mas tambm ela no teve um marido ideal no filsofo, ocupado com outros cuidados que no os domsticos. Quanto a poltica, foi ele valoroso soldado e rgido magistrado. Mas, em geral, conservou-se afastado da vida pblica e da poltica contempornea, que contrastavam com o seu temperamento crtico e com o seu reto juzo. Julgava que devia servir a ptria conforme suas atitudes, vivendo justamente e formando cidados sbios, honestos, temperados - diversamente dos sofistas, que agiam para o prprio proveito e formavam grandes egostas, capazes unicamente de se acometerem uns contra os outros e escravizar o prximo.Entretanto, a liberdade de seus discursos, a feio austera de seu carter, a sua atitude crtica, irnica e a conseqente educao por ele ministrada, criaram descontentamento geral, hostilidade popular, inimizades pessoais, apesar de sua probidade. Diante da tirania popular, bem como de certos elementos racionrios, aparecia Scrates como chefe de uma aristocracia intelectual. Esse estado de nimo hostil a Scrates concretizou-se, tomou forma jurdica, na acusao movida contra ele por Mileto, Anito e Licon: de corromper a mocidade e negar os deuses da ptria introduzindo outros. Scrates desdenhou defender-se diante dos juizes e da justia humana, humilhando-se e desculpando-se mais ou menos. Tinha ele diante dos olhos da alma no uma soluo emprica para a vida terrena, e sim o juzo eterno da razo, para a imortalidade. E preferiu a morte. Declarado culpado por uma pequena minoria, assentou-se com indmita fortaleza de nimo diante do tribunal, que o condenou pena capital com o voto da maioria. Tendo que esperar mais de um ms a morte no crcere - pois uma lei vedava as execues capitais durante a viagem votiva de um navio a Delos - o discpulo Criton preparou e props a fuga ao Mestre. Scrates, porm, recusou, declarando no querer absolutamente desobedecer s leis da ptria. E passou o tempo preparando-se para o passo extremo em palestras espirituais com os amigos. Especialmente famoso o dilogo sobre a imortalidade da alma - que se teria realizado pouco antes da morte e foi descrito por Plato no Fdon com arte incomparvel. Suas ltimas palavras dirigidas aos discpulos, depois de ter sorvido tranqilamente a cicuta, foram: "Devemos um galo a Esculpio". que o deus da medicina tinha-o livrado do mal da vida com o dom da morte. Morreu Scrates em 399 a.C. com 71 anos de idade.Mtodo de Scrates: a parte polmica. Insistindo no perptuo fluxo das coisas e na variabilidade extrema das impresses sensitivas determinadas pelos indivduos que de contnuo se transformam, concluram os sofistas pela impossibilidade absoluta e objetiva do saber. Scrates restabelece-lhe a possibilidade, determinando o verdadeiro objeto da cincia. O objeto da cincia no o sensvel, o particular, o indivduo que passa; o inteligvel, o conceito que se exprime pela definio. Este conceito ou idia geral obtm-se por um processo dialtico por ele chamado induo e que consiste em comparar vrios indivduos da mesma espcie, eliminar-lhes as diferenas individuais, as qualidades mutveis e reter-lhes o elemento comum, estvel, permanente, a natureza, a essncia da coisa. Por onde se v que a induo socrtica no tem o carter demonstrativo do moderno processo lgico, que vai do fenmeno lei, mas um meio de generalizao, que remonta do indivduo noo universal.Praticamente, na exposio polmica e didtica destas idias, Scrates adotava sempre o dilogo, que revestia uma dplice forma, conforme se tratava de um adversrio a confutar ou de um discpulo a instruir. No primeiro caso, assumia humildemente a atitude de quem aprende e ia multiplicando as perguntas at colher o adversrio presunoso em evidente contradio e constrang-lo confisso humilhante de sua ignorncia. a ironia socrtica. No segundo caso, tratando-se de um discpulo (e era muitas vezes o prprio adversrio vencido), multiplicava ainda as perguntas, dirigindo-as agora ao fim de obter, por induo dos casos particulares e concretos, um conceito, uma definio geral do objeto em questo. A este processo pedaggico, em memria da profisso materna, denominava ele maiutica ou engenhosa obstetrcia do esprito, que facilitava a parturio das idias.Doutrinas Filosficas: A introspeco o caracterstico da filosofia de Scrates. E exprime-se no famoso lema conhece-te a ti mesmo - isto , torna-te consciente de tua ignorncia - como sendo o pice da sabedoria, que o desejo da cincia mediante a virtude. E alcanava em Scrates intensidade e profundidade tais, que se concretizava, se personificava na voz interior divina do gnio ou demnio.Como sabido, Scrates no deixou nada escrito. As notcias que temos de sua vida e de seu pensamento, devemo-las especialmente aos seus dois discpulos Xenofonte e Plato, de feio intelectual muito diferente. Xenofonte, autor de Anbase, em seus Ditos Memorveis, legou-nos de preferncia o aspecto prtico e moral da doutrina do mestre. Xenofonte, de estilo simples e harmonioso, mas sem profundidade, no obstante a sua devoo para com o mestre e a exatido das notcias, no entendeu o pensamento filosfico de Scrates, sendo mais um homem de ao do que um pensador. Plato, pelo contrrio, foi filsofo grande demais para nos dar o preciso retrato histrico de Scrates; nem sempre fcil discernir o fundo socrtico das especulaes acrescentadas por ele. Seja como for, cabe-lhe a glria e o privilgio de ter sido o grande historiador do pensamento de Scrates, bem como o seu bigrafo genial. Com efeito, pode-se dizer que Scrates o protagonista de todas as obras platnicas embora Plato conhecesse Scrates j com mais de sessenta anos de idade."Conhece-te a ti mesmo" - o lema em que Scrates cifra toda a sua vida de sbio. O perfeito conhecimento do homem o objetivo de todas as suas especulaes e a moral, o centro para o qual convergem todas as partes da filosofia. A psicologia serve-lhe de prembulo, a teodicia de estmulo virtude e de natural complemento da tica. Em psicologia, Scrates professa a espiritualidade e imortalidade da alma, distingue as duas ordens de conhecimento, sensitivo e intelectual, mas no define o livre arbtrio, identificando a vontade com a inteligncia.Em teodicia, estabelece a existncia de Deus: a) com o argumento teolgico, formulando claramente o princpio: tudo o que adaptado a um fim efeito de uma inteligncia; b) com o argumento, apenas esboado, da causa eficiente: se o homem inteligente, tambm inteligente deve ser a causa que o produziu; c) com o argumento moral: a lei natural supe um ser superior ao homem, um legislador, que a promulgou e sancionou. Deus no s existe, mas tambm Providncia, governa o mundo com sabedoria e o homem pode propici-lo com sacrifcios e oraes. Apesar destas doutrinas elevadas, Scrates aceita em muitos pontos os preconceitos da mitologia corrente que ele aspira reformar.Moral. a parte culminante da sua filosofia. Scrates ensina a bem pensar para bem viver. O meio nico de alcanar a felicidade ou semelhana com Deus, fim supremo do homem, a prtica da virtude. A virtude adquiri-se com a sabedoria ou, antes, com ela se identifica. Esta doutrina, uma das mais caractersticas da moral socrtica, conseqncia natural do erro psicolgico de no distinguir a vontade da inteligncia. Concluso: grandeza moral e penetrao especulativa, virtude e cincia, ignorncia e vcio so sinnimos. "Se msico o que sabe msica, pedreiro o que sabe edificar, justo ser o que sabe a justia".Scrates