Fluxo de Caixa - IPED

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    1.1 –  Funções do Fluxo de caixa

    Neste tópico, você vai aprender o que é Fluxo de Caixa e suas funções para uma boaadministração da empresa. Além disso, aprenderá também a diferença entre lucro e caixa.

    O termo “fluxo de caixa” vem do inglês "cash flow", e em linguagem contábil se refere aomontante de caixa (dinheiro) recebido e gasto por uma empresa durante um período detempo definido, algumas vezes ligado a um projeto específico.Existem dois tipos de fluxos de caixa:

    - outflow de saída, que representa as saídas de capital, subjacentes às despesas de um

    investimento.

    - inflow  de entrada, que é o resultado do investimento. Valor que contrabalança com as saídase traduz-se num aumento de vendas ou representa uma redução de custo de produção, entreoutras possibilidades que fazem a receita aumentar.

    O fluxo de caixa calcula o valor acumulado entre as receitas previstas e as despesas durantedeterminado período. Na Contabilidade, uma projeção de fluxo de caixa aponta todos ospagamentos e recebimentos esperados em um determinado período de tempo.

    É fundamental, no entanto, para o profissional que deverá controlar o fluxo de caixa ter uma

    visão geral sobre todas as funções da empresa, como: pagamentos, recebimentos, compras dematérias-prima, compras de materiais secundários, pagamentos de salários e outros. Alémdisso, é necessário ser capaz de prever os gastos do futuro dependendo do que se consomehoje.

    O fluxo de caixa é uma ótima ferramenta para auxiliar o administrador de determinadaempresa nas tomadas de decisões. É através deste "mapa" que os custos fixos e variáveisficam evidentes, permitindo-se desta forma um controle mais efetivo sobre determinadasquestões empresariais.

    Os fluxos financeiros podem ser divididos em três ciclos principais:

    a) o ciclo de investimento;

    b) o ciclo operacional;

    c) e o ciclo das operações financeiras:

    - operações de capital.

    - operações de tesouraria.

    a) Atividades de investimento

    Englobam a aquisição e alienação de bens. Aplicações financeiras não são consideras comoequivalentes de caixa: pagamentos e recebimentos relativos à aquisição e alienação de

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    imobilizações, pagamentos e recebimentos relativos à aquisição e alienação de partes decapital, de obrigações e de outras dívidas, adiantamentos e empréstimos concedidos e seusreembolsos.

    b) Atividades operacionais

    É o conjunto de atividades que formam o objeto da empresa. No qual gera no balanço contasde ativo e de passivo, contas a receber e a pagar em curto prazo relacionadas com aexploração da atividade.

    c) Atividades de financiamento

    É resultado das alterações na extensão e composição dos empréstimos obtidos e do capitalpróprio da empresa.

    O caixa de uma empresa gera lucro por atuar com o recebimento de juros. Por outro lado, aausência de caixa leva a empresa a buscar recursos de terceiros, como empréstimo, porexemplo, tornando o resultado menor.

    Parece comum, no gerenciamento dos negócios, a ideia de que “a geração de caixa e a de

    lucro, a longo prazo, tornam-se iguais.” No entanto, nem sempre é assim.

    Ao se pensar sobre “longo prazo”, o nível de simplificação aceito no raciocínio e, como

    consequência, no modelo considerado, é tão grande que é muito difícil para um executivoexplicar a realidade do dia-a-dia.

    Dessa maneira, vamos primeiro considerar quando a geração de lucro e a de caixa podem seriguais dentro de uma organização, identificando o que pode torná-los diferentes.

    Os seguintes aspectos podem fazer com que o resultado econômico de uma empresa (seulucro) seja diferente do seu resultado financeiro (o caixa gerado):

    Capital de Giro

    Prazos de pagamentos e recebimento fazem com que o caixa e lucro passem por momentosdiferentes. Tais momentos só se igualam quando todos os elementos se transformam em caixaao mesmo momento. O que nem sempre é possível.

    A existência de estoques é outro fator ligado ao capital de giro que gera diferenças. Algunsautores se confundem nesse ponto ao utilizar o conceito de valor a vista, apurando resultadoem que o consideram com as característica e propriedades do valor presente para argumentarque, via resultado econômico, capturam o efeito financeiro, o que não é correto.

    De qualquer maneira, mesmo que os resultados sejam iguais nominalmente falando, devido aocusto de oportunidade dos elementos que implicam fluxo de caixa, os efeitos dificilmenteserão compensados no futuro.

    Não pontualidade de recebimento e não reconhecimento como perda

    Geram diferenças que podem ser temporárias ou permanentes. Mesmo considerando-sesituações em que tais atrasos sejam remunerados por taxa de juros, tais valores ajustadospodem gerar diferenças nos casos em que a taxa de juros pelo atraso, seja diferente do custode oportunidade da empresa.

    Valores ativados (permanentes ou não)

    Reconhecidos na demonstração de resultados por meio de apropriações periódicas. Adepreciação e a amortização de tais valores, devidamente corrigidas, proporcionam oreconhecimento contábil no lucro. Tais reconhecimentos (a depreciação e a amortização) não

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    se constituem em saída de caixa, mas representam o critério de atribuir parcelas ao resultadoao longo da vida útil do ativo.

    Nesse sentido, afetam o cálculo de impostos, estes sim, com consequência em termos de fluxode caixa da empresa.

    Provisões de quaisquer tipos

    (impostos de renda, para contingência etc.), que afetam a demonstração de resultados, mas

    não impactam o fluxo de caixa. Quanto maior a participação dos mesmos, mais significativa avariação.

    Nesse caso, a provisão pode ter horizonte de vida longa (impactar o caixa após anos, o quepode acontecer em casos de contingências e disputas judiciais, por exemplo) ou então decurtíssimo prazo (caso de encargos provisionados ao final do mês, para serem pagos no iníciodo período seguinte).

    Comparando com o item anterior, embora se trate de valor cuja saída de caixa possa nuncaocorrer, podem ter consequência em termos de impostos a recolher.

    Receitas reconhecidas e não recebidas

    Investimento no mercado financeiro, cujos juros já são merecidos, mas que devem serrecebidos ao final do período de investimento, por exemplo, em comparação a “Provisões dequaisquer tipos”. 

    Impostos sobre a nota fiscal emitida.

    Como por exemplo, o ICMS a ser pago, aparece no fluxo de caixa, enquanto na demonstraçãode resultados as receitas se iniciam a partir das vendas líquidas. Esse efeito pode ser sensíveldada à magnitude do percentual incidente sobre as compras e sobre o faturamento.

    Quanto maior a margem, maior a base para cálculo do imposto e maior o valor líquido a ser

    recolhido. Quanto maior o prazo de pagamento, mais significativo é o impacto.

    Imagine uma empresa comercial que tem características de pagamentos e recebimentos aprazo, ambos pontuais, estoque final maior que zero, compra de permanente, depreciaçãoagregada às despesas, imposto de renda provisionado, investimento no mercado financeirocom juros a receber e provisão para contingências.

    O grande argumento teórico leva em conta que, a longo prazo, todos os efeitos se anulam e secompensam, o que não é verdade pelo efeito do custo de oportunidade da empresa.

    Se ela fosse zero, isto poderia acontecer, mesmo que o longo prazo fosse o infinito;entretanto, como a realidade é diferente, essa mencionada compensação deixa de existir e

    serve de explicação para os casos de insolvência de muitas organizações.

    Neste caso, as variações levam em consideração:

    - todos os saldos iniciais zerados, exceto caixa (R$70) e capital (R$70);

    - as compras de insumos verificam-se a prazo, por R$50, uma única vez no período 1; elas sãopagas no período 3;

    - entre a aquisição e a venda existe tempo de espera: 50% do estoque que são vendidos noprimeiro período e os 50% restantes não serão vendidos até o final do período 2;

    - a venda a prazo de 1 é de R%50; ela é recebida no período 3;- no exemplo, não foram incluídos os impostos diretos (ICMS, PIS, Cofins);

    - o imposto de renda provisionado não é pago até o final do período 2;

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    - os gastos referentes às despesas de estrutura (comerciais e administrativas) são pagos tãologo ocorram (R$10 por mês, a partir do período 1);

    - compra de ativo permanente, no valor de R$ 10, pago a vista, tendo uma depreciação mensalde R$1. Tal ativo é destinado a atividades administrativas; como consequência, suadepreciação é tratada como despesa, não afetando o custo dos produtos vendidos;- o saldo de caixa passa a ser investido no mercado financeiro, dele obtendo receita que só écreditada no período seguinte;

    - foi constituída uma provisão para contingências em função de uma reclamação judicial, deR$10, sendo constituído R$5 no período 1 e R$ 5 no período 2.

    Com base nas informações apresentadas, foram elaboradas o balanço patrimonial, ademonstração de resultados do período e o fluxo de caixa:

    Balanço patrimonial em 31-10-2011 – (Exemplo)

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    Demonstração de resultado do período 

    Fluxo de caixa das operações do período 

    Dessa maneira, nenhuma consequência será percebida no caixa do período em questão(0, 1 e 2), enquanto o risco de uma saída futura afetou a lucratividade da organização,que manteve os prazos do capital de giro e demais transações já descritas:

    Prazo de contas a receber: 2 períodos

    Prazo de contas a pagar: 2 períodos

    Prazo de estocagem: 2 períodos

    Em $ Período 0 Período 1 Período 2 Total

    Lucro apurado 0 10 -7 3

    Caixa gerado 0 -20 -3 -23

    Variação (lucro-caixa) 0 30 -4 26

    Composição da variação

    Juros sobre investimentos 7 5 12

    Saldo em estoque 25 0 25

    Contas a receber 50 0 50

    Compra permanente 10 0 10

    Contas a pagar -50 0 -50

    Provisão para imposto de renda -6 4 -2

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    Provisão pata contingências -5 -5 -10

    Depreciação -1 -1 -2

    Juros recebidos já alocados 0 -7 -7

    Total 30 -4 26

    Como se pode perceber, a quantidade de itens que explicam as diferenças entre o caixa

    gerado no intervalo (0 a 2) e o lucro, não é pequena; alguns itens são relativamentecomplexos quanto ao entendimento de suas consequências.

    A expressão complexos tem sua relatividade, haja vista as possibilidades nãoconsideradas, tais como venda de ativos, ganhos e perdas com elementos do patrimônio,avaliados em moeda estrangeira e pagos no final do contrato (percepção de ganhos e

     perdas escriturais e caixa), ganhos no final do contrato de goodwill, capitalização degastos com pesquisa e desenvolvimento, entre outros.

    O objetivo da análise torna-se mais ambicioso quando se toma consciência da realidadedo dia-a-dia das organizações que não têm apenas um produto/serviço, mas têm,

    normalmente, seu faturamento pulverizado em vários clientes, em várias datas ao longodo mês.

    Em outras palavras, a reconciliação, embora possível e viável matematicamente falando,não ocorre frequentemente, em função de sua dificuldade prática.

    O sistema contábil da empresa, ou seja, seu grande banco de dados deve proverinformações adequadas para a montagem do fluxo de caixa do tesouro. Simplesmentesomar ao lucro, depreciação, amortizações e provisões podem ser um artifício a serusado em casos de projetos e exercícios mais superficiais para o processo decisório daempresa.

    Contudo, o gestor da liquidez da empresa precisa de mais do que isto, pois, casocontrário, será um player  não integrado ao processo geral de gestão da empresa.

    1.2 –  Fluxo de Caixa como instrumento estratégico.

     Neste tópico, você vai aprender como o fluxo de caixa pode ter um papel fundamentalno plano tático e estratégico para a gestão empresarial.

    É muito comum em uma situação crítica de falta de liquidez de uma empresa a priorização do caixa. Em dificuldade de negócios, concordatárias e/ou que estejamtentando evitar a falência colocam-se desesperadamente nas mãos do fluxo de caixa

     para perseguir a saída de sua dificuldade.

    Isto é válido, mas parece a estratégia do doente que evita hábitos saudáveis até serrealmente confrontado com a perspectiva de morte, neste caso pode ser tarde demais.Pensar e se dedicar ao fluxo de caixa da empresa é sempre muito saudável, quer aempresa esteja atravessando bons ou maus momentos.

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    Em outras palavras, parece que a empresa em situações de normalidade em grande perspectiva de viver o princípio contábil da continuidade, se preocupafundamentalmente com o enfoque econômico dos resultados.

    Resultado nesse caso significa gerar lucro, dentro dos melhores e mais adequadosconceitos de contabilidade que possa e pode dispor. Entretanto, nos casos limites, nascrises, na fase terminal, o resultado importante é o financeiro, o caixa disponível ou aser disponível em dado horizonte de tempo. Não deveria ser assim, mesmo porque os

    dois resultados interagem fortemente.

    Desta forma, é possível perceber uma ânsia em descobrir qual o sinal correto, assumi-lo,defini-lo, dependendo da organização. “Se eu monitorar o lucro, irei para o céuempresarial?” Se a resposta for não, a dicotomia se estabelece e o gestor define-se peloque lhe parece ser outro extremo, ou seja, a geração de caixa.

    O princípio da continuidade novamente evocado apresenta-se de grande utilidade, pois,uma vez realizado o resultado econômico, o resultado financeiro, se monitorado, deveráser efetivado. Isto significa que o resultado financeiro depende do resultado econômico?Em qualquer economia decente do mundo, sim. O importante é o nível de consciência

    geral no sentido de aliar os objetivos de liquidez aos demais objetivos.

    Significa dizer que uma organização, dentro de sua visão estratégica de negócios, sedefine como perseguidora de resultados positivos que permitam retribuir ao acionistaseu investimento.

     Numa visão mais tática, os gestores traduzem para os horizontes mais delimitados o queisto significa relativamente, metas específicas em termos de receitas, custos, despesas,lucro e indicadores de eficiência.

    Entre esses últimos, a geração e saldos de caixa constituem-se em grandes e importantes

    elementos. O passo seguinte consiste em harmonizar as metas específicas de liquidez,dentro das características, de timing  e recursos disponíveis para a empresa.

    Desta forma, uma projeção de fluxo de caixa diário não existe, de forma a gerenciarefetivamente a liquidez da organização.

    O interesse em termos do que se pode esperar do instrumento está ligado a seu alcance.Em algumas organizações, o fluxo de caixa é visto como um instrumento tático, a serutilizado no dia-a-dia apenas.

    Em outras, ele na verdade tem alcance maior, que poderíamos chamar de utilizaçãoestratégica do fluxo de caixa nos negócios da empresa. Qual a diferença entre ambas asabordagens? O que a empresa pode ganhar com a ampliação do conceito? Observe:

    a) Abordagem tática

    É aquela que se refere ao fluxo de caixa como um instrumento de utilidade restrita eacompanhamento. Ele aparece como cumpridor de determinações mais amplas ecomplexas. Quando a diretoria, em sua reunião semanal, discute a situação de caixa daempresa e analisa alternativas para adiar pagamentos e antecipar entradas, estácaminhando na direção das decisões táticas.

    Ela já tem (ou deveria ter) um escopo mais amplo em termos estratégicos e apenas quermanter o rumo. As ações, nesse sentido, se concentram em questões de menor alcance emesmo impacto.

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    Decisões tomadas durante certo momento podem ser alteradas e mesmo revertidascom relativa rapidez.

    Incentivar vendas a vista, negociar atrasos de pagamentos, alterar prazos de faturamentoe mesmo reduzir o nível de pedidos de compras para contornar uma dificuldadecircunstancial de caixa podem ser exemplos de ações táticas. Tal abordagem é adequadae necessária, embora não seja a única nem mesmo a mais importante.

    b) Abordagem estratégica

    É a aquela que afeta o nível de negócios da empresa não só a curto prazo, mas também,e principalmente, a longo prazo. Tem efeito sobre questões ligadas às decisõesrealmente estratégicas da empresa.

    O exemplo mais objetivo está ligado a uma construtora que utiliza o fluxo de caixa emsuas reuniões de diretoria para discutir questões ligadas aos projetos de investimento.

     Nesse sentido, porque tem definição clara quanto ao financiamento de suas operações,tal empresa só decide “se” e “quando” compra o terreno para novo projeto, quando

     percebe que existe sobra de caixa permanente.

     Neste caso, a disponibilidade de liquidez afetou o processo de tomada de decisão. Outroexemplo de utilidade estratégica está ligado a certas multinacionais que elaboram fluxode caixa para um período de longo prazo (5 a 15 anos) para avaliar sua capacidade de

     pagar financiamentos também a longo prazo, e mesmo direcionar investimentos queestejam ou não gerando liquidez.

    Como se percebe, os enfoques táticos e estratégicos podem requerer diferentesabordagens dos instrumentos e mesmo diferentes detalhamentos. Na verdade, nem todaempresa tem condições e necessidades de dispor de um fluxo de caixa para 15 anos para

     poder sentir-se segura quanto ao futuro.

    O que se pretende é o questionamento e a avaliação de toda a empresa, para que não se perca uma oportunidade de otimização do instrumento por falta de percepção.

     Neste último caso, o conceito é o seguinte:

    “Posso ser muito eficiente e ter sucesso hoje e, ao mesmo tempo, descobrir que estou

     falido daqui a cinco anos, não podendo arcar com encargos financeiros, se nãoreverter à queda da margem, por exemplo.”

    1.3 –  Fluxo de caixa como instrumento gerencial da empresa

     Neste tópico, você vai aprender como o fluxo de caixa auxilia a gestão empresarial.

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    Geração de caixa é algo fundamental na organização, em seu estágio inicial, em seudesenvolvimento e mesmo no momento de sua extinção. Toda a teoria de finanças levaem contas isto.

    Afinal, as decisões empresariais buscam, de alguma forma, demonstrar a geração decaixa que possa trazer, seja um projeto de investimento isolado, tendo seu méritoavaliado, ou um caso de fusões e aquisições em que EVA (Economic Vale Added) sejaidentificado.

    O indicador econômico EVA (Economic Value Added) ou Valor EconômicoAdicionado é uma ferramenta muito importante para medir o Lucro econômicoesperado em um novo negócio, ou para comparar empresas ou negócios para possíveisinvestimentos.

    Diferentemente do Lucro Contábil, que só expressa basicamente a diferença dos custose despesas ao total de faturamento, o EVA traz uma reflexão sobre o que aconteceria setivesse investido o dinheiro em outra oportunidade financeira.

    Um exemplo prático se dá quando pegamos duas empresas, e na primeira investimosR$100.000,00 para montar um negócio e na segunda investimos R$ 50.000,00 e o

    restante, usamos para outra oportunidade de vendas, tendo os mesmos custos, e nasegunda uma diferença nas despesas financeiras de R$ 2.000,00. Se as duas tiveremuma receita de R$ 400.00,00, tendo a primeira um lucro líquido de R$ 60.000 e asegunda de R$ 58.000 qual seria a que economicamente seria mais rentável setivéssemos um preço de oportunidade de 18%?

    Pelo EVA = L.L - C.C.P (lucro líquido –  Custo do Capital Próprio)EVA1= 60.000 - 18.000 = 42.000EVA2= 58.000 - 9.000 = 49.000

    Então, a segunda mesmo com um menor lucro contábil, adiciona mais valor que a

     primeira, que tem um maior lucro contábil e investiu mais do que a segunda.

    Quando não se conhece certas ferramentas financeiras, acredita-se que quanto menos seendividar melhor e o EVA é um dos exemplos que prova que, quanto maior for a análisede onde investir, qual será o retorno, quanto poderia estar ganhando se tivesseinvestindo em outra oportunidade de negócio, etc.

    Por isso que, quando pensar em investir seu dinheiro, não busque apenas uma fonte deinvestimento, pois estará a mercê da dinâmica do mercado e do capital, aumentando seurisco consideravelmente. Busque em parte fontes seguras e em parte fontes lucrativas, ecom esse mix ganhe experiências e dinheiro.Se isso é verdade, por que as organizações se conformam em dispor de instrumentosque apresentem elementos que são chamados de quase caixa? A verdadeira resposta

     pode estar ligada a inúmeros quesitos, muito embora, certamente, questões práticasligadas a sistemas de informações, enfoque de gestão e mesmo formação dos gestores

     possam explicar individualmente as razões.

    Um instrumento gerencial é aquele que permite apoiar o processo decisório daorganização, de maneira que ela esteja orientada para os resultados pretendidos.

    Considerar o fluxo de caixa de uma organização um instrumento gerencial, não significa

    que ela vai prescindir da contabilidade e dos relatórios gerenciais por ela gerados. Aocontrário, como fortalecimento dos relatórios gerenciais gerados pela contabilidade, se pretende aliar a potencialidade do fluxo de caixa para melhor gerenciar suas decisões.

    Trata-se de considerar que o fluxo de caixa também deva ser arrolado como instrumento

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    que traga subsídios para o processo de tomada de decisões. Na verdade, o simplesreconhecimento disso, já é um grande passo para que os gestores do negócio possamdispor de informações adequadas.

    Informações gerenciais

    O nascimento do termo “contabilidade gerencial” é curioso, já que está ligado à percepção de que a contabilidade fiscal pouco serve para o tomador de decisão interno.

    Isto ocorre, pelo fato de que o legislador e seus auxiliares, que fazem cumprir alegislação, se preocupam exclusivamente com o que lhes interessa em termos deinformações contábeis, gerando distorções ou duplicidade de esforços nos relatórios quedeveriam ter utilidade para o gestor da organização.Dessa maneira, os executivos do Brasil e de outros países, em que o impacto tributário émuito forte, precisam de informações específicas para o processo de tomada de decisão.

    Por uma questão de querer evitar duplicidade de esforços e mesmo de resultados, asdefinições fiscais acabaram prevalecendo sobre aquelas eminentemente técnicas,criando distorções para os demais usuários das informações, que não o fisco.

    A contabilidade gerencial veio resgatar a adequação das informações para o acionista eos administradores. Tais informações são preponderantemente de origem e conotaçãofinanceira, embora não deva ser essa a exclusividade.

    Ao contrário, indicadores quantitativos não financeiros, cada vez mais, permitem aosexecutivos o entendimento e as ações. Da mesma forma, para vários autores, os temas 

     fluxo de caixa e contabilidade aparentam ser irreconciliáveis; significa que se existe o fluxo de caixa, ele em nada se assimila a contabilidade. Caso a informação seja contábil,em nada se assimila fluxo de caixa.

    Esse tipo de abordagem, leva em conta que o fluxo de caixa é um instrumento de

    utilidade para o tesoureiro da organização, e as informações contábeis para acontroladoria. Esse tipo de visão tem origem nas questões ligadas às limitações dossistemas de informação de outrora, na formação e nas premissas de trabalho que osexecutivos das respectivas áreas possuem.

    Entretanto, tal abordagem não mais deveria prevalecer a partir da existência dossistemas computadorizados integrados, os quais permitem aos usuários o convíviodentro de uma mesma base de dados, viabilizando diferentes objetivos de informações.

    O fluxo de caixa projetado e real da organização se constitui em uma importanteinformação gerencial.

    Banco de dados significa para a contabilidade a coleta, análise, classificação edisponibilidade de informações que possam ser utilizadas por diversos usuários,independentemente da natureza periódica (conceitos, regras e premissas de utilizaçãoque sejam aplicados).

     Nessa linha de raciocínio, as informações referentes aos fatos econômicos estariamdisponíveis nessa base de dados integrada, hoje em dia bastante comum nasorganizações; isto permite rearranjos (diferentes princípios, datas de encerramento, etc.)no sentido de montar as informações dentro das mais variadas maneiras para atender

    diferentes usuários ou necessidades.

    Mais do que uma área específica na empresa, cada vez mais a contabilidade está ligadaa essa abordagem, possibilitando sua expansão de fronteiras e usuários. Um pressuposto

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    que é válido para todo o trabalho está ligado à qualidade da moeda, ou seja, aos ajustesque devem ser feitos.Outra questão muito frequente apresenta-se nessa linha de raciocínio: afinal, para ter umfluxo de caixa elaborado separadamente é possível ter um único banco de dados que

     permita aos gestores dispor de informações que indiquem a liquidez real e mesmo projetada, paralela ao resultado econômico?

    Tal questão coloca-se um passo à frente, ou seja, pressupõe que o fluxo de caixa é

    necessário para o processo de decisão, no que se refere à liquidez, de “per si”. Como o presente objetivo consiste em discutir a inter-relação entre a informação que apresenta olucro e o caixa gerado, não existe prejuízo em discutir a questão nesta ordem doselementos.

    O que se percebe, na verdade, é que, com o passar do tempo, a integração entre ossistemas de informação se torna cada vez maior, permitindo maior consistência entre asvárias informações, possibilidades de utilização de diferentes conceitos e datas de corteajustáveis de acordo com a conveniência/objetivo da informação requerida. Isto torna

     possível a extração do fluxo de caixa da mesma base de dados que captura o lucro daorganização.

    Estudos na área consideram que as informações contábeis, além do caráter preventivo para evitar fraudes e roubos, têm muito mais o objetivo de suportar as decisões denegócios, porquanto contribuem para:

    a) o controle dos eventos atuais no processo produtivo;

     b) a formulação de melhores decisões futuras;

    c) modificações do próprio processo decisório.

    Enfoques existentes nas empresas

    Por uma questão prática, normalmente nas empresas os profissionais de tesouraria sedividem em dois importantes grupos quanto ao enfoque de gestão de fluxo de caixa:

    a) Enfoque do coitadinho

    ► Seu fluxo de caixa é resultante das demais ações.

    Ter sobra ou déficit de caixa em uma organização decorre de prazos concedidos pelos

    fornecedores à área de compras da empresa, de prazos de pagamento concedidos aosclientes pela área de vendas, de prazos definidos pelo governo no que se refere aimpostos e mesmo de especificações de entregas feita pela área de logística aosfornecedores ou clientes. Dessa maneira, o que sobra para o tesoureiro em termos dedecisões? Ele já recebe tudo decidido.

    Como sair dessa visão? Sendo proativo. As demais áreas da empresa devem saber qual asituação do fluxo de caixa do período, o que podem fazer para melhorá-lo e o quedevem fazer para não piorá-lo.

    ► O fluxo de caixa é seu instrumento de trabalho.

    Enquanto o fluxo de caixa for apenas seu instrumento de trabalho (leia-se dotesoureiro), esse profissional será mesmo um pobre coitado, já que ele não responde portodas as ações que ocorrem na organização.

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    Como sair dessa visão? Tornando o fluxo de caixa um instrumento de gestão daorganização. Na verdade, as demais áreas da empresa não se sentirão nem um poucocomprometidas com as metas do fluxo de caixa se ele for um instrumento só dotesouro.

    Contudo, assim que o tesouro pedir explicações ao responsável pela área de suprimentosquando as compras a vista tiverem superado a previsão fornecida pelo próprio executivode suprimentos, o nível de profissionalismo da interação será grande e adequado.

    ► Pouco influi nos resultados da empresa.

    A área comercial decide os prazos de faturamento a conceder aos clientes, e o caixasofre as consequências. A área de suprimentos decide se compra a vista ou prazo e se aliquidez é afetada. A área de comunicação decide veicular uma nova campanha

     publicitária na mídia e o desembolso é imediato, sendo novamente o caixa afetado.

    Que as várias áreas da empresa tenham autonomia é algo muito importante nasorganizações. A descentralização como tendência de gestão empresarial é algo que jácaminha por mais de 15 anos e deve permanecer por muito mais.

    Isto indica que os profissionais devem ter liberdade de ação e por ela responder. Nadade errado nisto. O que parece faltar é uma ação mais proativa do responsável pela gestãoda liquidez demonstrando os impactos que as várias áreas têm provocado no resultadoda empresa.

    Ao final das contas, todos devem ser cobrados pelos resultados atingidos. Se o resultadodefinido é o lucro, ações que prejudiquem o caixa podem ser mascaradas. Se, além dolucro, por exemplo, a geração de caixa, os prazos e mesmo o timing  de faturamentoforem considerados resultados a alcançar, fica mais fácil estabelecer umacompanhamento dos resultados globais da empresa.

    Em algumas organizações, todas as áreas fazem seus planos e desempenham suas açõesa partir do conceito de valores a vista e o tesoureiro é responsável pelos prazos e juros.Esta é uma combinação que parece ser simples, mas que, em termos práticos, não seapresenta tão simples, mexendo com questões comportamentais e de geopolítica internada empresa.

    ► O que der, deu...

    Fluxo de caixa projetado é um instrumento que deve conter as metas mais adequadas àsempresas. Para isso, pode ser necessário fazer várias simulações, negociar alteraçõescom quem pode fazer acontecer. Em outras palavras, após a montagem do fluxo decaixa, o tesoureiro percebe que o resultado final em termos de caixa gerado foi negativo,ou seja, endividamento crescente.

    Qual a próxima ação? Analisar como evitar que isso possa acontecer, medianteantecipação de entradas e adiamento de saídas, mediante negociações com terceiros.

     Não é possível aceitar o resultado e se conformar com ele. O tesoureiro sozinho nãoconsegue alterar o resultado; se o fluxo de caixa for um instrumento de gestão daempresa, as coisas serão diferentes.► Eu cuido da minha parte...

    As empresas estão se livrando dos gerentes funcionais, aqueles que respondem apenas por marketing, finanças, recursos humanos, e demais áreas. Cada vez mais, os gerentesda empresa são procurados e reconhecidos nas organizações. Implica dizer que não dá

     para cuidar apenas da sua própria parte na história, mas sim, perseguir otimização deresultados para a empresa como um todo.

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     Dependendo do perfil e da cultura das organizações, isto pode significar diferentes

     procedimentos: em alguns casos, questionar a área do próximo é uma ação muitoestimulada; em outros, participar de mudanças em áreas externas às responsabilidadesformais pode ser um caminho para assumir novas responsabilidades.

    Esse profissional (o gerente funcional tradicional) é, realmente, “um pobre coitado” naempresa, pois tem que explicar algo que não fez, comprometer-se com metas de

    liquidez que não tem o poder de cumprir e, o que é pior, não tem ideia de como “sairdessa”, o que só é possível quando o fluxo de caixa é um instrumento gerencial daempresa e não apenas da tesouraria.

     b) Enfoque cash management

    Exatamente porque o enfoque anterior tem deficiências pela não integração deatividades na empresa e visão restrita, a visão de cash management  propõe-se aresponder a esses pontos fracos.

    De maneira resumida, a abordagem de cash management  pretende ser integrada aos

    negócios, proativa e fortemente comprometida com alto nível de desempenho, nosentido de alcançar resultados planejados.

    Em geral, as características mais importantes no enfoque são as seguintes:

    ► Visão integrada do caixa em relação aos negócios.

    Significa que o responsável pela tesouraria da empresa está apenas preocupado com ageração de caixa pela incorrência de juros ou então pelo controle do floating bancário.Está sim preocupado com oportunidades operacionais ou não, de sua área de atuação ounão. O importante é que o executivo em questão está preocupado com a otimização do

    caixa, aumentando entradas ou diminuindo saídas.

    A cobrança de “floating” em uma operação de empréstimo bancário que provoca a

    elevação da taxa efetiva de juros, em consequência do encurtamento do período. ► Além de finalizar ciclos, planeja impacto nos resultados.

    As ações decididas devem ser mensuradas em termos de impacto nos resultados. Isso pode acontecer em termos de redução de juros a pagar, por exemplo. Dessa maneira, adiscussão sobre a conveniência de vender a prazo com base em taxa de juros subsidiada,

     por exemplo, passa a ser entendida e discutida à luz dos interesses globais da empresa enão apenas de uma área isolada.

    ► Alta preocupação com competitividade e desempenho.

    O fluxo de caixa projetado estabelece parâmetro de desempenho para a empresa comoum todo. Certa magnitude de vendas a vista para o período, por exemplo, é uma metaque vai afetar a liquidez e que deve ser cobrada da área comercial.

    Os valores de desembolsos para compras, que devem ser pagos dentro do período,fazem parte das responsabilidades da área de suprimentos; analogamente, devem serdela cobrados.

    ► Equilíbrio financeiro de caixa.

    Os executivos financeiros das empresas estão familiarizados com o ponto de equilíbrioeconômico ou mesmo com sua visão financeira; entretanto, menos comumente, vemos o

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     ponto de equilíbrio de caixa, que poderia trazer importantes conclusões para os gestores, provocando decisões muito mais adequadas nas organizações.

    Em outras palavras, nada adianta calcular o ponto de equilíbrio tradicional para umasituação de análise de alternativa de fechamento de uma fábrica por questões de baixaescala, por exemplo, sem analisar o correspondente ponto de equilíbrio de caixa (queexclui a depreciação, por exemplo).

    Em muitos casos, a decisão poderia ser alterada, modificada, haja vista que asamortizações deveriam ocorrer caso a empresa estivesse produzindo normalmente ouabaixo de seu ponto adequado. Dessa maneira, para o processo decisório, é irrelevanteapenas o ponto de equilíbrio tradicional.► Filosofia da gestão de caixa

    Que perfil de investimento a empresa está disposta a assumir? Como quer financiar asoperações? Que tipo de instituição financeira é adequada para um relacionamento delongo prazo? Essas e muitas outras questões devem ser resolvidas no âmbito daempresa, tornando sua gestão clara, não subjetiva e decorrente do humor de umexecutivo.

    Definir não significa burocratizar. A grande vantagem da definição é que se evita queconflitos ocorram por falta de critérios no tratamento de situações rotineiras. Umasituação que foi percebida pelo autor em várias empresas, algumas até relativamente

     bem estruturadas, diz respeito a como tratar atrasos de cliente.

    Ficou evidenciado que, por não terem regras claramente definidas, cada cliente,dependendo de seus conhecimentos junto ao fornecedor, tinha tratamento que poderiaser mais ou menos favorecido, dependendo de sua própria esperteza em termos de

     prorrogação de faturas vencidas e cobrança de juros.

    Como decorrência, embora forte comercialmente, essas empresas não tinham uma postura sólida perante o cliente em termos do que esperar no sentido financeiro, sendo por ele controlado, ao invés de ocorrer o contrário. Isto não deve acontecer numaempresa e desmoraliza completamente a administração.

    O que formalizar? Isto depende muito de cada empresa; entretanto, a grande tendência édefinir diretrizes básicas e deixar o detalhamento por conta dos níveis hierárquicoscompatíveis com a execução da operação.

    ► Estrutura de responsabilidade favorável

    A estrutura que gerencia a empresa é importante no fluir das decisões. Valorizar o fluxode caixa como instrumento gerencial da empresa como um todo significa que adisseminação do conceito deve ser iniciada de cima para baixo dentro da empresa.

     Nas organizações em que a alta administração está visível e concretamente envolvida nofluxo de caixa, ele é percebido como importante. Muito embora pareça simples, nemsempre a realidade assim se comporta: só damos importância para aquilo queentendemos.

    Qual a consequência imediata? Em certos casos, é necessária verdadeira pregação até

    que se possa contar com verdadeiro apoio da empresa, representada por seus executivos.► O entendimento dos efeitos gerais pela liquidez é importante nas empresas.

    Embora qualquer profissional mediano entenda que uma venda a prazo sem a inclusãode taxas de juros descapitaliza a empresa, se o intervalo de tempo (o prazo para

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    recebimento) não foi considerado na formulação do preço, entender a amplitude destaafirmação nem sempre é fácil e imediata. Cabe aos responsáveis pela gestão da liquidezo papel de explicar e tornar inteligíveis tais informações.

    Ainda falando sobre estrutura, é fundamental considerar que o fluxo de caixa projetadonão deve ser montado isoladamente por uma área, mas deve ser um compromissoconjunto da empresa toda, com base em informações fornecidas pelas várias áreas

     participantes. Isto permite à empresa torná-lo visível, transparente e não uma caixa preta

    nas mãos de uma área privilegiada.

    1.4 –  Patrimônio, bens, direitos e obrigações.

     Neste tópico você vai aprender os conceitos contábeis mais importantes para o estudoda área contábil, são eles: patrimônio, bens, direitos e obrigações.

     Patrimônio

    Patrimônio é o conjunto de bens pertencentes a uma pessoa ou a uma empresa, bens que

     podem ser expressos em espécie ou em valores a receber. Em contabilidade, essesvalores a receber são denominados direitos a receber .

    Para identificar a situação financeira de uma pessoa ou empresa não basta relacionarapenas bens e direitos. É necessário evidenciar as obrigações, ou seja, as dívidasreferentes aos bens e direitos.

    Por exemplo, todo cidadão que tem como patrimônio um apartamento adquirido atravésde sistema de crédito, mesmo ainda não quitado, deve contar a dívida como parte do

     patrimônio, caso contrário, a informação financeira é incompleta e poucoesclarecedora.

    Portanto, em contabilidade a palavra patrimônio significa o conjunto de bens e direitos pertencentes a uma pessoa ou empresa, incluindo as obrigações a serem pagas.

     Bens

    De um modo geral, consideram-se “bens” todas as coisas úteis, ou seja, qualquerartefato capaz de satisfazer as necessidades das pessoas e das empresas.

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     —  Bens tangíveis (ou palpáveis): veículos, imóveis, estoques de mercadorias, dinheiro,móveis, ferramentas entre outros.

     —  Bens intangíveis (ou não palpáveis): normalmente são as marcas (Extra, Carrefour,Lojas Americanas) e as patentes de invenção.

    Para o Código Civil brasileiro o bem se difere em:

     —  Bens imóveis: são aqueles vinculados ao solo, que não podem ser retirados semdestruição ou danos: edifícios, construções, árvores, entre outros.

     —  Bens móveis: são aqueles que podem ser removidos por si próprios ou por outras pessoas: animais, máquinas, equipamentos, estoques de mercadorias, entre outros.

     Direitos

    Em Contabilidade, costuma-se entender por Direito (ou Direito a Receber) o poder deexigir alguma coisa de alguém. São valores a receber, títulos a receber, contas a receber,entre outros.

    O direito a receber mais comum decorre das vendas a prazo, ou seja, quando se vendemmercadorias a outras empresas, o pagamento não é efetuado no ato, mas no futuro: aempresa vendedora emite uma duplicata em nome do comprador que garante o exercíciode receber o valor no futuro, como um documento comprobatório, em outras palavras,uma comprovação. Esse tipo de direito denomina-se duplicatas a receber. 

    Outros exemplos de direitos são aluguéis a receber, promissórias a receber, ações areceber, entre outros.Obrigações

    Obrigações são dívidas com outrem. Em Contabilidade tais dívidas são denominadasobrigações exigíveis, isto é, compromissos que serão reclamados, exigidos: pagamentona data do vencimento.

    Em caso de um empréstimo bancário, o devedor assume dívida com o banco, denomina-se empréstimo a pagar. Se a dívida não for liquidada na data do vencimento, o bancoexigirá o pagamento.

    Uma obrigação exigível bastante comum nas empresas é a compra de matéria-prima a prazo: a empresa fica devendo para o fornecedor da mercadoria; por essa razão, essadívida é conhecida como fornecedores, ou duplicatas a pagar.

    Outras obrigações: salários a pagar, impostos a pagar, financiamento, encargos sociais a pagar.

     Patrimônio Líquido

    Como dissemos, Patrimônio não é a medida efetiva da riqueza de uma empresa. Aempresa poderá estar a um passo da falência ou totalmente endividada, embora osnúmeros do seu patrimônio sejam elevados.

     Na verdade, é necessário conhecer a riqueza líquida da pessoa ou empresa: somam-se os bens e os direitos e, desse total, subtraem-se as obrigações, o resultado é a riquezalíquida, ou seja, a parte que sobra do patrimônio para a pessoa ou empresa. Ela édenominada patrimônio líquido ou situação líquida.

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    Desta forma, usa-se a seguinte "equação fundamental do patrimônio líquido":

    PATRIMÔNIO LÍQUIDO = BENS + DIREITOS (-) OBRIGAÇÕES Balanço Patrimonial

    Balanço Patrimonial é um relatório gerado pela contabilidade em que é possívelidentificar a saúde financeira e econômica da empresa no fim do ano ou data prefixada.

    O Balanço Patrimonial é dividido em duas colunas: a do lado esquerdo é denominadoAtivo, a do lado direito, Passivo. O ideal seria denominar a segunda coluna Passivo ePatrimônio Líquido. Entretanto a Lei das Sociedades Anônimas (S/A) apresenta apenaso termo passivo. Esta divisão é pura convenção.

    a) Ativo

    É o conjunto de bens e direitos de propriedade da empresa. São os itens "positivos" do patrimônio; trazem benefícios, proporcionam ganho para empresa. Fazem parte doativo: estoque, máquinas, prédio, gado, duplicatas a receber, título a receber, entreoutros.

     Patrimônio Líquido

    Representa o total das aplicações dos proprietários na empresa.

    Toda empresa necessita de uma quantia inicial de recursos, ou seja, dinheiro paraefetuar suas primeiras aquisições, seus primeiros pagamentos.

    Os proprietários, então, concedem suas poupanças com o objetivo de proporcionar àempresa os meios necessários ao início do negócio. Essa quantia inicial concedida pelos

     proprietários denomina-se capital social , que poderá ser aumentado a qualquer

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    momento.

    Dessa forma, a empresa adquire uma obrigação para com os seus proprietários, emoutras palavras, fica devendo. Por lei, não pode haver exigência para uma extinção daempresa, ou seu dinheiro de volta, enquanto a empresa estiver em funcionamento(continuidade). 

    Por isso, o patrimônio é conhecido como obrigação não exigível  que não se pode

    reclamar, cobrar, exigir de volta. Se os proprietários quiserem retirar-se da sociedade,devem vender sua participação no capital para outras pessoas, sem envolverem aempresa.

    Pelo fato de os proprietários não terem direito de reclamar seu dinheiro aplicado naempresa, enquanto esta estiver em processo de continuidade, no mundo financeiro, o

     patrimônio líquido é denominado de recurso próprio ou capital próprio, ou seja,recursos que pertencem à própria empresa até a sua extinção. No encerramento daempresa, os recursos seriam devolvidos aos proprietários.

     A Diferença entre Capital e Patrimônio

    De maneira geral o termo capital significa recursos. Capital próprio diz respeito arecursos financeiros, ou materiais, pertencentes ao proprietário, sócios ou acionistas,aplicados na empresa.

    Capital de terceiros, por sua vez, significa recursos de outras pessoas, sendo elas, físicasou jurídicas, aplicados na empresa.

    A importância que os proprietários investem inicialmente na empresa é denominadacapital ou capital nominal . O valor inicial do capital nominal será modificado,normalmente aumentado com o passar do tempo.

     No caso dos sócios ou acionistas se comprometerem a investir na empresa certa quantia,esse capital será denominado capital subscrito, ou seja, assinado e comprometido.

    Ao cumprirem o contrato firmado, fornecendo dinheiro ou outros bens à empresa, os proprietários integralizam o capital  (realização do capital). Portanto, Capital aintegralizar  é a parte do capital comprometido (subscrito) ainda não realizada.

    Origens X Aplicações 

    Todos os recursos que entram numa empresa passam pelo passivo e patrimônio líquido.Os recursos financeiros ou materiais são originados dos proprietários, fornecedores,governo, bancos, financeiras entre outros, que representam origens de recursos.

    Por meio do passivo e do patrimônio líquido identificam-se as origens de recursos.

    O ativo, por sua vez, evidencia todas as aplicações de recursos: aplicação no caixa, emestoque, em máquinas, em imóveis, entre outros.Uma empresa só pode aplicar aquilo que tem origem, ou seja, havendo origem de $ 2.96milhões, a aplicação deve ser de R$ 2.96 milhões. Dessa forma, fica bastante simplesentender por que o Ativo será sempre igual ao Passivo + PL.

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    Se o total do Passivo + Patrimônio Líquido for R$ 10.000, qual o total do ativo? O totalé de R$ 10.000, só pode aplicar a quantia de R$ 10.000, nem um centavo a mais, nemum centavo a menos.

     Principal Origem de Recursos

    A principal origem de recurso para as empresa é o lucro obtido no negócio. O lucro é aremuneração do capital investido na empresa pelos proprietários, é o restante líquidoque fica à disposição de quem investiu.

     Representação Gráfica dos Estados Patrimoniais

    Sendo o Patrimônio Líquido (PL) a diferença matemática entre o Ativo (A) e o Passivo(P), não tem sentido, portanto, dizer sobre Ativo ou Passivo negativos.

     Nestas condições, os elementos patrimoniais poderão assumir somente os seguintesvalores:

    A > 0 P > 0PL > ou < 0 Com base na equação do Balanço (A-P=PL), em determinado momento, o Patrimônio

     poderá se apresentar nos seguintes estados:

    1º) A>P => PL>0, portanto: A=P+PL (existe riqueza própria)2º) A=P=> PL=0, portanto: A=P (inexistente riqueza própria)3º) A PLP e P=0=> PL>0, portanto: A=PL (inexiste dívidas)5º) A

    PL

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    Madeira S/A –  BALANÇO PATRIMONIAL EM 20/01/2011

    B) Aquisição de Edifício

    A empresa adquiriu em 05/02/2009, mediante pagamento à vista, um edifício pelaimportância de R$ 1.200,00:

    Madeira S/A. –  BALANÇO PATRIMONIAL EM 05/02/2011

    C) Compra de materiais

    Para iniciar suas atividades mercantis, a empresa comprou no dia 13/02 materiaiseletrônicos no valor de $ 2.000,00 a prazo

    MADEIRA S/A. –  BALANÇO PATRIMONIAL EM 13/02/2001

    D) Compra de Veículos

    A empresa comprou em 20/02/2011 veículos para uso, pagando à vista R$ 200,00:

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    MADEIRA S/A. –  BALANÇO PATRIMONIAL EM 20/02/2011

    E) Venda de parte do edifício

    Foi vendido em 28/02/2011 um pavimento do edifício por R$ 600,00, representado poruma nota promissória emitida pelo comprador:

    MADEIRA S/A. –  BALANÇO PATRIMONIAL EM 28/02/2011

    F) Pagamento de uma obrigação

    Em 05/03/2011 foi pago R$ 1.300 correspondente à parte da dívida da aquisição demateriais eletrônicos:

    MADEIRA S/A. - BALANÇO PATRIMONIAL EM 05/03/2011

    G) Recebimento de um direito

    Em 10/03/2011 foram recebidos R$ 400,00 referente ao pagamento parcial da venda do pavimento do edifício:

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    MADEIRA S/A. - BALANÇO PATRIMONIAL EM 10/03/2011

    Unidade 2 –  Como elaborar um f luxo de caixa  

    Olá,

     Nesta unidade você vai aprender os aspectos mais importantes para elaborar um fluxo

    de caixa, sobretudo as normas para formatá-lo.

     Nesta unidade ainda, você vai aprender o que é projeção do fluxo de caixa e saber como prever entradas e saídas de recursos monetários por um determinado período.

    Bom estudo.

    2.1 –  Aspectos preliminares na elaboração de um fluxo de caixa

     Neste tópico, você vai aprender os aspectos mais importantes para elaborar um fluxo decaixa. A demonstração de fluxo de caixa pode ser elaborada por dois métodosdiferentes, o direto e o indireto.

    O método direto divulga os principais componentes dos recebimentos e pagamentos decaixa em termos brutos, pelo ajustamento das vendas, custo das vendas e outras

    rubricas.O método Indireto procura ajustar o resultado líquido do exercício dos efeitos dastransações que não sejam a dinheiro, acréscimos ou relacionados com recebimentos ou

     pagamentos futuros. O foco é a diferença entre o resultado líquido e os fluxos deatividades operacionais.

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     Empresas possuidoras de cotas na bolsa de valores devem obrigatoriamente usar ométodo direto, pois é uma exigência da CVM –  Comissão de Valores Mobiliários –  órgão governamental responsável pela organização e funcionamento da bolsa devalores.

    Ao montar um fluxo de caixa projetado, você deve ter uma visão geral do que o espera. Nesse sentido, o quadro abaixo representa as etapas para a elaboração de um projeto de

    fluxo de caixa dentro da organização.

     Enfoque

    Para que serve o fluxo de caixa na organização? Sendo capaz de responder a essa pergunta, definir o enfoque passa a ser uma simples consequência.

    Ao definir o enfoque de um fluxo de caixa, outras questões deverão ser consideradas:

     —  Na organização, o fluxo de caixa é apenas um instrumento tático? —   Ou será usado estrategicamente? —   Quem o utiliza? —   O tesoureiro é o único usuário ou ele é um instrumento da diretoria como um todo? —   Qual a frequência dessa utilização?

    Uma forma prática de se resolver essa questão é elencar as respostas que são necessáriasao processo decisório e que requeiram o fluxo de caixa.

    O importante nessas questões é entender sua utilidade para o processo de tomada dedecisão da empresa. Ele deve trazer benefícios, facilitando, agilizando e suportando o

     processo decisório.

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      Planos de contas

     Normalmente, o plano de contas é um importante motivo para os desvios encontradosnas empresas. Em muitas empresas, o fluxo de caixa é montado sem refletir sobre suasoperações. Isto se explica a quantidades de contas, como salários e fornecedores, queacabam abrangendo parte tão significativa dos valores a pagar pela empresa, que inibemnovos investimentos.

    Alguns tesoureiros, portanto, argumentam que o fluxo de caixa, por conter inúmerasinformações, deixa de ser prático, difícil de ser entendido.De maneira geral, quatro tipos de doenças podem acometer as empresas na montagemdo plano de contas:

    a) Detalhemania. 

    Existe conta para todas as atividades nessa empresa. O grupo “outros” não existe. Ogrande problema é que tal doença implica em grande perda de tempo na montagem,

     perda de foco naquilo que realmente é importante. Por outro lado, os executivos se

    sentem satisfeitos com isso.

     b) Detalhefobia.

    O plano de contas do fluxo de caixa só reflete algumas contas importantes, ignorando asdemais. Fugindo de regras práticas, já que é muito mais importante ter uma postura que

     persegue melhoria da adequação do que ter em mente, percentual de referência paraconta “outros”, torna-se importante pesquisar o que existe nessa conta e entender osvalores sazonais e seus comportamentos.

    A conta “outros”, correspondendo a 50% do total dos pagamentos, por exemplo,

    dificilmente não estará mascarando itens de grande distorção no resultado.

    c) Confusão na nomenclatura.

    A customização de linguagem é algo importante, principalmente quando se utiliza oinstrumento fora da tesouraria. Folha de pagamento e remuneração, por exemplo,

     podem significar coisas totalmente diferentes, que devem ser conceituadas caso sequeira evitar problemas de entendimentos.

    d) Real e previsto na mesma base.

    Por fim, o detalhamento do plano de contas previsto deve ser viável em termos deinformação real, já que o acompanhamento não poderia ser feito sem isso.

    Por mais óbvio que seja, é importante garantir que as informações previstas e reaisestejam igualmente disponíveis: existem contas que são fáceis de ser projetadas, masnão tão fáceis de se obter as informações reais. O contrário também é verdadeiro: certaslinhas são difíceis de serem projetadas, embora a informação real seja obtida comfacilidade.

     Arquitetura do Sistema

    O objetivo aqui é permitir uma visão integral de todos os elementos do sistema de projeção. Permite documentar e, consequentemente, analisar melhorias no modelo.

    Identifica os elementos e os responsáveis pela geração dos dados e por explicar asvariações. Deve idealisticamente falando, identificar quem gera a informação. Com a

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    arquitetura do sistema podemos enxergar as fontes de informações, a sequência deobtenção das informações, e os responsáveis por elas.

    Observe o quadro:

     Horizonte

    Discutir horizonte significa definir o período pelo qual a empresa pretende obterresultados de caixa, pode fazê-lo para 30, 90 ou 360 dias. No entanto, a definição do

    horizonte deve seguir um critério de utilidade em termos de decisão para empresa.

    Imagine uma empresa que tenha captações de recursos do mercado financeiro, com prazo de 60 dias. Outra opção de captação da empresa consiste em fazer empréstimo decurtíssimo prazo, como o hot money e pagar juros mais altos. Faz sentido dispor de umfluxo de caixa mais alongado do que 30 dias no sentido de minimizar custos e otimizaro resultado? Faz.

    O fluxo de caixa para 60 dias, nesse caso, será um instrumento que irá auxiliar osexecutivos no processo decisório sobre a conveniência ou não de operações maisalongadas. Para isso, o fluxo de caixa precisa ter certo nível de confiabilidade.

     Fontes de informações

    É um erro muito comum, a má fonte de informações para projeção do fluxo de caixa,

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     por não haver um tempo dedicado à observação. Muitas vezes, a fonte que parece maislógica tem viés mais significativo do que outra que parece menos adequada.

    É o exemplo da folha de pagamento para projeção do fluxo de caixa dos primeiros 30dias. Provavelmente, a melhor fonte de informações é a área de recursos humanos.

    Contudo, ao alongarmos o horizonte para 90 dias, por exemplo, pode ocorrer que odepartamento mais adequado para suprir a necessidade de informações sejam

    sistematizados, ou seja, todos os meses as informações sejam obtidas nas mesmasfontes.

    A frequência com que tais informações são atualizadas pode trazer consequências emtermos de viabilidade. É o que ocorre quando a empresa precisa de uma atualizaçãodiária e isso só é possível, por exemplo, nas entradas. Nesse caso, o “bom” possível émelhor do que o “ótimo” teórico. 

     Metodologia de projeção

    A metodologia de projeção está intimamente ligada à definição de arquitetura dosistema para que as projeções de caixa sejam feitas de maneira consistente ao longo do

    tempo: se cada vez que a empresa projeta o fluxo de caixa ele é feito de maneiradiferente, fica difícil acompanhar, isolar efeitos e explicar desempenhos.

     Normalmente, a metodologia tem grande impacto sobre as projeções e o fluxo de caixacomo um todo, o que significa dizer que é importante rever a metodologia atual eavaliar a mais adequada.

    De maneira simplificada, as alternativas de metodologia de projeção de fluxo de caixaserão divididas em quatro grupos:

    1) Programação.

    2) Métodos estatísticos.3) Distribuição.4) Sensibilidade.

    1) Programação

    Essencialmente, é a metodologia que se preocupa em buscar relação de causa e efeitoentre duas variáveis tratadas. A defasagem temporal entre as ocorrências pode ser odesafio para o analista que efetua a projeção.

    Pode ser dividida em dois momentos: Programação Real e Relação de Causa e Efeito.

    a) Programação Real  

    É aquela em que o evento que vai provocar o efeito já aconteceu. Um faturamento parao prazo de 30 dias, já verificado, implica em que decorrido o prazo espera-se que acobrança seja recebida.

    Trata-se de um exemplo de programação real. O aspecto que gera incerteza é o pagamento ou não por parte do cliente. Um serviço que deve ser terminado em 20 dias,quando ocorrerá o pagamento por parte do beneficiário do serviço, deve ser estimado

    também.b) Relação de Causa e Efeito

    Também é clara: uma vez terminado o trabalho no futuro, o serviço será pago. Questãoadicional é a incerteza se o cliente irá pagar. Com certeza, sua margem de erro será

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    maior que o exemplo anterior, já que o serviço poderá atrasar, por exemplo. Dequalquer forma, deve ser projetado no fluxo de caixa da organização.

    A programação é a metodologia mais eficiente na projeção de valores. É aquela que,desde que bem estruturada em termos de sistemas de informação atinge os melhoresresultados em termos de apuração.

    Exemplo:

    Projetar a entrada de cobrança de uma organização que tem as seguintes características:

    Em termos de vencimentos de receitas geradas:

    Descrição - $  Dia 2  Dia 3  Dia 4  Dia 5 

    Vendas à vista 100 50 0 30

    Vendas a prazo 45 23 10 0

     No caso acima, as vendas a vista ocorrem nos dias mencionados e as vendas a prazo

    ocorreram no passado, 30 dias antes.a) Em termos de prazos de créditos, sabe-se que são creditados um dia após o efetivo pagamento pelo cliente, haja vista a negociação com as instituições financeiras queefetuam a cobrança.

     b) Em termos de atrasos, parte dos vencimentos deixa de ser paga no prazo. Desseatraso, parte é paga nos dias subsequentes, parte só é paga muito mais à frente, e partenunca vai ser realmente paga.

     No caso, deve-se identificar a relação de causa e efeito. Uma vez vendido o produto(reconhecimento da receita), acredita-se que será recebido o fruto da venda (portanto, a

    cobrança). Uma vez identificada tal relação, devem ser definidas as defasagens:

    • Venda a vista não tem defasagem, sendo recebida na mesma data da geração dareceita.

    • Venda a prazo tem defasagem do prazo definido. Se houver faturamento de R$ 45,00no dia 2 de dezembro, tal valor será devido no dia 2 de janeiro.

    • O nível de incerteza em termos de recebimento é um fato da natureza dentro douniverso dos negócios, sendo afetado à medida que a empresa reage em termos de maiorou menor flexibilidade no momento da concessão do crédito.

    Quando é possível analisar isoladamente a composição dos clientes e estabelecer o percentual esperado de inadimplência, as chances de diminuir a margem de erroaumentam: contudo, nem sempre isso ocorre e o percentual histórico pode ser utilizadocomo referencial de projeção.

    • As práticas são variadas ao estimar os valores de cobrança. Em algumas empresas, noscasos de pequenos valores em atrasos, estes deixam de ser estimados e entram nocômputo geral com um plus frente ao que se espera.

    Evidentemente que isso não pode acontecer numa empresa em que o nível de atrasosseja significativo. Ao contrário, neste último caso, é importante dispor até deacompanhamento da recuperação de atrasos por época do mês e mesmo por tempo deatrasos.

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    • No exercício em questão, o valor não pago na data é o recebido integralmente nos dois próximos dias, em partes iguais.Em face do que foi mencionado, a expectativa de entrada de cobrança seria a seguinte:

    Descrição - $  Dia 2  Dia 3  Dia 4  Dia 5 

    Vendas à vista 100 50 0 30

    Vendas a prazo –  30 dias 43 22 10

    Recuperação de valores vencidos 1 1Total 100 93 23 41Nota: Valores menores que 0,5 arredondar para cima 

    Como pode ser percebido, a venda a prazo sofreu ajuste e redução de valores versus oquadro anterior, em função da defasagem de recebimento da expectativa de parcela nãorecebida na data de vencimento.

    2) Métodos estatísticos

    Embora seja importante que a empresa tente, ao máximo, projetar seus itens de plano de

    contas utilizando a abordagem de programação, existem limites de uma série de contasnão serem projetadas desta maneira, por falta de informações ou mesmo por adequação.

    Uma alternativa que se mostra eficiente é que busca recursos estatísticos para obterinformações de projeção. Leva-se em conta que, mediante dados históricos, o futuro é

     projetado. Isto é sempre válido, desde que o futuro seja semelhante ao passado. Podemser utilizados os vários tipos de médias, regressões mínimos quadrados etc. Oimportante é que tentativas e avaliações sejam feitas.Exemplo:

    Projetar reembolsos de quilometragem com base nos históricos passados:

    Semana Valor dos pedidosentrados 

    Reembolso de quilometragem apagar 

    1 10000

    2 30000 130

    3 25000 160

    4 34000 180

    5 220

    A média será de R$ 172,50, com desvio-padrão de R$ 37,7 e índice de relatividade de21,9% (37,7/172,5). Embora o valor do desvio-padrão seja uma informação importante,no sentido de entendermos a dispersão dos dados e os riscos a ele relacionados, o índicede relatividade é muito importante para compreender a qualidade da informação.

     No caso, o índice é alto, o que deixa de apresentar conforto para o analista. Entretanto,21,9% é melhor em termos de confiança do que 50% por exemplo.Ainda falando-se de metodologia estatística, podemos utilizar os mínimos quadradoscomo metodologia de projeção, no sentido de relacionamento entre variáveis. Significadizer que o mesmo problema poderia ter solução diferente para a projeção: projetargastos com reembolso de quilometragem relacionando-os com entradas de pedidos dasemana imediatamente anterior:

    Semana Valor dos pedidos

    entrados Reembolso de quilometragem a

    pagar 

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    1 10000

    2 30000 130

    3 25000 160

    4 34000 180

    5 33500 220

    6 ???

    O valor projetado para o nível de entrada de pedidos de R$ 33.500,00 corresponde a pagamentos de R$ 220,00 referentes a reembolsos de quilometragem. Sabe-se tambémque o nível de correlação entre as duas variáveis (valor dos pedidos entrados da semanaanterior e reembolso de quilometragem a pagar) é da ordem de 84,3% o que é alto eimportante, trazendo conforto estatístico.

    Como se percebe, a segunda abordagem é relativamente melhor que a primeira, emboraa adequação de uma metodologia ou de outra dependa de experiências e testes.3) Distribuição

    Trata-se de um caso particular da abordagem estatística. Sempre pode ser utilizadaquando é possível projetar dado valor pelo total de certo período e o desafio é a projeçãodiária, por exemplo. A ideia é usar percentuais ou números-índices para poder equalizaros valores em bases diárias.

    Exemplo:

    Uma vez projetado o valor do reembolso de quilometragem, como calcular os valoresdiários da semana?

     No exemplo acima, o total da semana foi de R$ 209,80. Sabe-se que o histórico semanal

    tem correspondido a:

    Semana –  em %  Seg. Ter. Qua. Qui. Sex. Total 

    1 20 10 5 10 55 100

    2 23 8 2 9 58 100

    3 26 12 11 3 48 100

    4 18 10 8 15 49 100

    Média 21,8 10 6,5 9,3 52,5

    Desvio padrão 3,5 1,6 3,9 4,9 4,8

    Índice de relevância –  em % 16,0 16,3 59,6 53,0 9,1

     Na tabela acima se percebe:

    • que a sexta-feira é o dia mais importante em termos de projeção (seguido pelasegunda-feira), já que mais da metade dos pagamentos da semana se concentram ali;

    • que o dia mais confiável do ponto de vista estatístico é, coincidentemente, a sexta-feira, o dia mais importante em termos de magnitude de valores pagos;

    • o dia menos relevante em termos de valores da semana é a quarta -feira, com o menorindicador relativo, ou seja, menor confiança estatisticamente falando;

    • como consequência do item anterior, em face da sua pouca expressão na quarta-feira,o esforço maior em termos de melhoria da qualidade da informação será concentrado na

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    sexta e na segunda-feira.

    A partir da percepção dos diferentes percentuais, aplica-se sobre o valor total da projeção (no caso, R$ 209,80) para se obter os valores diários. Como consequência daanálise do desvio-padrão, a empresa poderá assumir que, quer correr maiores riscos dealongamentos ao considerar a projeção da sexta-feira e da segunda-feira. Ela também iráconcluir que quarta e quinta-feira são dias em que se devem esperar maiores variaçõesfrente ao previsto.

    4) Sensibilidade

    Deveria complementar a análise e não ser o seu início. A partir dela são identificados períodos mais propícios para recebimento, atrasos, recuperações etc. Evidentemente, asensibilidade só é realmente útil quando for possível fortalecê-la a partir de dadoshistóricos e retroalimentação. O que se observa em algumas empresas é que asensibilidade não está ligada a real constatação numérica, mas à simples percepçãodaquilo que o gestor crê que esteja acontecendo (“eu acho que acontece assim”, “podeser que seja assim” etc.).

    Exemplo:

    Ao estimar valor de não recebimento, o julgamento foi utilizado na análise.

    2.2 –  Normas para formatar o fluxo de caixa

     Neste tópico, você vai aprender as normas para formatar um fluxo de caixa. Este é umtema considerado de terceiro nível nas empresas quando o fluxo de caixa diário não évisto como instrumento gerencial da organização: quem o faz é a mesma pessoa queanalisa, controla e se autoavalia, não expondo o instrumento para outrem.

    Por outro lado, ao tratar o fluxo de caixa como um instrumento gerencial de empresa, oformato passa a ter importância em função de se ampliar o leque de usuários do sistema.

    A questão do formato do fluxo de caixa sofre alguns tipos de pressões, que são asseguintes:

    a) Horizonte.

    Quanto mais se amplia o horizonte de projeção do fluxo de caixa, menos detalhadasdevem ser as informações. O inverso também é verdadeiro.

     b) Tipo de necessidade a atender.Dependendo de que tipo de respostas o fluxo de caixa deve permitir, sua formação setorna diferente.

    c) Critério da matriz.

    Algumas empresas multinacionais definem formatos de controle para o fluxo de caixa.Tais formatos permitem alguns tipos de análises do ponto de vista de quem está fora eenfoca certos aspectos.

    Em alguns casos, a afiliada acaba usando o mesmo formato para uma projeção interna.Percebem-se alguns tipos de distorções causadas por tal procedimento.

    d) Complexidade e estrutura.

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    Quanto maior for a complexidade do negócio em si, mais complexo se torna ademonstração do seu fluxo de caixa.

    e) Preferência.

    Alguém define que quer certo formato e não se dá ao trabalho de explicar o porquê.Ainda existem empresas com executivos com esse perfil.O importante, em termos de formato, pensando que a empresa cada vez mais requer

     postura cliente-fornecedor interno, é que os seguintes aspectos sejam atingidos:

    a) Funcionalidade.

    Entende-se por funcionalidade a capacidade de ter um instrumento que seja entendido eutilizado de maneira simples e fácil. Quanto mais as respostas às perguntas estiveremdisponíveis nos relatórios, mais funcional será sua utilização.

     b) Exequibilidade.

    Certos trabalhos são simples de serem concebidos e impossíveis de serem elaborados

     por dimensões temporais, questões referentes a sistemas de informação, grau de preparação das pessoas, etc.

    Clareza quanto aos objetivos.

    Para que se faz o relatório? Esta é uma questão que deve sempre estar na cabeça dotesoureiro, para que possa realmente atingir os objetivos da organização.

    c) Custo de obtenção.

    Custo-benefício é sempre questão chave nas empresas. Não dá para gastar mais que o

     benefício gerado pelo instrumento, tanto em termos globais na organização quanto nas partes que a compõem.

    Em termos de formato, uma questão que facilita o entendimento do fluxo de caixa daorganização é o fato de se separar o fluxo de caixa dos quadros auxiliares que ocompõem e detalham as informações. Nesse sentido, é importante estar atento para ofato de que só é possível entender e gerenciar o fluxo de caixa de uma empresa sedispuser:

     —  fluxo de caixa propriamente dito;

     —  dos saldos ligados ao fluxo financeiro. Numa linguagem mais sistemática, como projetar a necessidade de caixa de certo dia, senão se sabe quais os valores referentes aos empréstimos que devem ser pagos nessemesmo dia? Ou então, como chegar à mesma necessidade de caixa, se não se sabe qualo saldo de investimentos disponíveis para resgate no mesmo dia?

    Uma questão sempre presente nas palestras e seminários é o formato que se deveconsiderar para a apresentação do fluxo de caixa. Na verdade, é difícil que exista umúnico formato que possa atender a qualquer tipo de empresa.

    Isso nem deveria ser perseguido, em face das desigualdades e peculiaridades daempresas; entretanto, um formato “genérico”, que possa ao menos identificar o que cadaformato deveria ter, é possível vislumbrar.

    - Calendário do horizonte de projeção.

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     O primeiro passo na montagem do fluxo de caixa, desde que toda a sistemática estejadefinida e implementada, é a definição do período que o fluxo de caixa vai abranger.Em outras palavras, significa dizer que está sendo elaborado o fluxo de caixa para umasemana do mês de maio, calendário gregoriano, por exemplo.

    - Entradas operacionais –  vencimentos para o período.

     Nem sempre as informações que permitem avaliar e identificar o potencial de entrada decaixa estão prontas e disponíveis para serem usadas pelo analista.

     Normalmente, é necessário que certas montagens sejam feitas, a partir do esforçoeconômico de geração da receita. Na tabela 1, a seguir, a partir do faturamento jáverificado, ou a verificar, foi estruturado o total de valores que estejam vencendo nasdatas definidas para o fluxo de caixa. Neste exemplo, o período a ser projetado é deapenas uma semana.

    Por uma questão de ligação com os controles normais da empresa, é importante que asfontes de cobrança sejam mantidas; senão vejamos: cobranças que se encontram em

    carteira na empresa, cobranças que estejam no banco “A”, no banco “B”, e assim pordiante.

    Tal formato de controle permite não só a projeção, mas também o seu acompanhamento posterior por parte da empresa, avaliando o desempenho.Em alguns casos, a programação não é o único método suficiente para se obter a

     projeção. Para esses casos, o anexo prevê a complementação por meios estatísticos.

    Tabela 1

    Vencimentos de cobrança para o período (EM $)

    1. CARTEIRA

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    2. BANCO “A” 

    3. BANCO “B”. 

    4. TOTAL COBRANÇA

    Tabela 2

     Entradas de caixa previstas para o período (EM $)

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    Tabela 3

     Pagamentos (EM $)

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    Tabela 4

     No que se refere à metodologia de projeção, cada item (entendendo-se carteira, banco“A”, banco “B” etc.) pode ter suas informações geradas por programação ou método

    estatístico.

    Uma vez preenchida toda a tabela 1, o analista dispõe dos valores referentes avencimentos diários para o período.

    ► Entradas operacionais: entradas de caixa previstas para o período –  tabela 2. nofluxo.

    Uma vez conhecido o potencial de vencimentos, é importante saber qual a defasagementre vencimento e recebimento efetivo. No caso da cobrança em carteira, ela é recebida

    imediatamente.

     No caso da cobrança bancária, pode ser efetivamente recebida, por exemplo, um diaapós o pagamento pelo cliente. Isto deve ser refletido no fluxo. Por outro lado, aexpectativa de não recebimento de valores deve também ser integrada à projeção,

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    diferenciando os vários bancos ou carteiras por banco (carteira pontual, carteira incertaetc.)

    ► Saídas operacionais –  pagamentos para o período –  tabelas 3 e 4.

    Após os itens referentes aos planos de contas, basta detalhar a partir de relevância.Separações em fornecedores locais e do exterior fazem sentido, pois as diferenças demoedas e forma de pagamento tornam possíveis negociações para adiar desembolsos

    totalmente diferentes.

    Por outro lado, diferenciar fornecedores locais com prazo daqueles que só entregamseus produtos ou serviços a vista também se caracteriza por informação importante, namedida em que permite ação em termos de confirmação futura ou não de compromisso.

    Em todos esses casos, a metodologia de projeção pode ser diferenciada: Em certassituações, temos necessidade de projetar o fluxo de caixa por um período largo e sótemos informações reais até certo momento.A complementação de tais informações pode ser a diferença entre a confiabilidade ounão do instrumento. Isto pode ser feito considerando-se como metodologia a

     programação real durante certo período; como consequência, pode ser utilizada na projeção a metodologia programação estimada e, finalmente, complementada com aconstância ou média de valores pagos anteriormente.

    Salários, encargos e outros itens referentes às pessoas são normalmente projetados a partir da metodologia de programação (causa: o funcionário está ou estará na empresa;logo a empresa tem salário e encargos a pagar).

    Em comparação às entradas, no que se refere a impostos e taxas, programação,normalmente é a melhor alternativa de projeção.

    A lista de “outros pagamentos” corresponde aos elementos que foram extraídos da conta“outros”. Pode ser uma lista extensa, que deve incluir gastos com serviços públicos,serviços de terceiros, etc.

    A tabela 4 também contém pagamentos a efetuar para fluxo do permanente e doacionista.

    2.3 –  Projeção do fluxo de caixa

     Neste tópico, você vai aprender o que é projeção do fluxo de caixa. De um modo geral,

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    é a previsão de entradas e saídas de recursos monetários, por um determinado período.

    Essa previsão deve ser feita com base nos dados levantados nas projeções econômico-financeiras atuais da empresa, levando, porém, em consideração, a memória de dadosque respaldará essa mesma previsão.

    O principal objetivo dessa previsão é fornecer informações para a tomada de decisões,tais como: prognosticar as necessidades de captação de recursos bem como prever os

     períodos em que haverá sobras ou necessidades de recursos; aplicar os excedentes decaixa nas alternativas mais rentáveis para a empresa sem comprometer a liquidez.

    É possível afirmar que fluxo de caixa é a demonstração visual das receitas e despesasdistribuídas pela linha do tempo futuro.Para a montagem da projeção do fluxo de caixa devemos considerar os seguintes dados:

    Entradas

    a) Contas a receber

     b) Empréstimos

    c) Dinheiro dos sócios

    Saídas

    a) Contas a pagar

     b) Despesas gerais de administração (custos fixos)

    c) Pagamento de empréstimos

    d) Compras à vistaO fluxo de caixa é considerado um dos principais instrumentos de análise e avaliação deuma empresa, proporcionando ao administrador uma visão futura dos recursosfinanceiros da empresa, integrando o caixa central, as contas correntes em bancos,contas de aplicações, receitas, despesas e as previsões.

    As decisões relacionadas à compra, venda, investimentos, aportes de capital pelossócios, captação ou pagamento de empréstimos e desinvestimentos, constituem umfluxo contínuo entre as fontes geradoras e as utilizadoras de recursos.

    Deve e pode ser utilizado por empresas de qualquer porte, dada a sua importância esimplicidade. Entre os Micros e Pequenos Empresários se a sua necessidade ainda nãofoi sentida, com certeza foi intuída.

    A projeção do fluxo de caixa permite a avaliação da capacidade de uma empresa gerarrecursos para suprir o aumento das necessidades de capital de giro geradas pelo nível deatividades, remunerar os proprietários da empresa, efetuar pagamento de impostos ereembolsar fundos oriundos de terceiros.

     Na projeção do fluxo de caixa, indicamos não apenas o valor dos financiamentos que aempresa necessitará para desenvolver as suas atividades, mas também quando ele seráutilizado.

    Percebemos até agora, que o fluxo de caixa olha para o futuro retratando a situação real

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    do caixa na empresa, não podendo ser confundido com os registros contábeis que seocupam do passado e incorporam categorias relacionadas ao patrimônio físico daempresa, como por exemplo, o Ativo Imobilizado.

    A projeção pode ser realizada mês a mês, trimestre a trimestre ano a ano ou atémesmo em bases diárias.

    Além de permitir analisar a forma como uma empresa desenvolve sua política de

    captação e aplicação de recursos, o acompanhamento entre o fluxo projetado e oefetivamente realizado, permite identificar as variações ocorridas e as causas dessasvariações.

    A tabela 5, abaixo, representa o fluxo de caixa propriamente dito. Indica todos os fluxostotalizados. O total das entradas do fluxo operacional coincide com o total da tabela 2.Tabela 5

     Projeção do fluxo de caixa

    Uma vez somados os fluxos operacional, do permanente e acionista, obtemos o total nãofinanceiro. O total do fluxo financeiro corresponde ao mesmo valor módulo, somentecom o sinal invertido, como se pode observar no exemplo abaixo:

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    Analisando o fluxo de caixa, percebe-se que:

    1.1 –  No dia 2-1 a disponibilidade de caixa foi ocasionada pelo fluxo operacional (baixovolume de pagamento). O fluxo do permanente teve impacto pelo pagamento demateriais da construção.

    A sobra de caixa de R$ 55,00 foi utilizada como investimento temporário (ver tabela7). Como se percebe, o total do fluxo não financeiro coincide com o total financeiro emmódulo. Isto porque, em casos de sobra de caixa, o recurso será investido (sinalnegativo no fluxo financeiro, indicando saída de caixa). Em casos de falta, resgates oucaptações serão feitos (sinal positivo de entrada no caixa).

    1.2 –  No dia 3-1 o fluxo de caixa operacional foi negativo, por causa do aumento dos pagamentos. Completamente, houve distribuição de lucro aos acionistas, o queaumentou o déficit de caixa do dia, que foi coberto com o resgate do investimento feitono dia anterior.

    1.3 –  No dia 4-1 o fluxo de caixa operacional foi novamente negativo, principalmente porque os pagamentos aumentaram. A sobra de investimentos foi resgatada (R$ 50,00)e o déficit foi coberto com captação de recursos no mercado financeiro (R$ 65,00).Antes de captar recursos, o analista avaliou alternativas, as quais não foram possíveis deser realizadas.Tabela 6

     Movimentação financeira –  empréstimos

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    A movimentação de empréstimos é muito importante para que se possa entender a realsituação de caixa da empresa. Os tipos de empréstimos possíveis de serem considerados

     pela empresa devem ser relacionados, numa forma de movimentação de saldos,conforme sequência do exemplo numérico:

    Tabela 7

     Movimentação financeira –  investimentos

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    A analogia à movimentação de empréstimos se faz presente no caso da movimentaçãodos investimentos de curto prazo. Se não fosse assim, não seria possível analisar eidentificar qual a necessidade de recursos realmente requeridos no momento em que aempresa fecha sua posição de caixa. Na sequência do exemplo apresentado, temos:

    Moeda de decisão a considerar

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    Deixando de ser um país que conviveu muitos anos com altos patamares de inflação,falar sobre diferentes moedas parece ser conversa antiga no Brasil da segunda metadedos anos 90.

    Entretanto, a própria necessidade de comparações de fluxo de caixa de um ano contra,ou de um natal contra outro, faz com que as célebres figuras da moeda nominal e moedaajustada sejam requeridas da empresa.A moeda de decisão indica em que moeda será feita a análise para a tomada de decisão

     pela empresa. Em tempos de alta inflação (30,40% ao mês, por exemplo), comparar ofluxo de caixa do início do mês com valores do final do mesmo mês, por si só, jágeravam distorções.

    Para evitá-las, a utilização do fluxo de caixa apresentado em moeda forte, principalmente o dólar americano, foi uma prática muito comum nas empresas. Poroutro lado, nas empresas multinacionais, principalmente as americanas, a tradução de

     balanços faz com que valores sem moeda local, pouco tenham a ver com a avaliaçãoexterna nos momentos em que a variação cambial se acentua.

    Outras alternativas de se atrelarem os valores do fluxo de caixa seriam a moeda interna

    e índices oficiais. A ideia consiste em projetar o fluxo de caixa normalmente pelamoeda nominal (reais) e, posteriormente, em função da disponibilidade da moeda dedecisão (diária, semanal, mensal) traduzir o fluxo de caixa para tal moeda estabilizada.

    Unidade 3 –  Fluxo de caixa como ferramenta para a gestão financeira

    Olá,

     Neste tópico, você vai aprender a analisar a integração do Balanço Patrimonial com aDemonstração do Resultado do Exercício, bem como observar um Plano de Contas quedá origem ao Balanço Patrimonial e à Demonstração do Resultado do exercício.

    Bom estudo.

    3.1 –  A integração

    O Balanço Patrimonial é uma demonstração estática do Ativo, do Passivo e doPatrimônio Líquido em determina data. É como se tirássemos uma fotografia da

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    situação patrimonial da empresa numa data fixa, onde observamos o saldo do caixa, dasDuplicatas a Receber, das Ações, das Máquinas, de Contas a Pagar, do Capital etc., emdeterminado ponto do ano. Isto é, não acompanhamos por meio de balanço a evoluçãodessas contas, mas observamos, por meio dele, o saldo no início do período e o saldo nofinal do período. É focalizado determinado ponto no tempo.

    Podemos usar como exemplo, uma empresa que tenha no início do período, R$ 200 milde caixa e, no final, R$ 300 mil. O motivo da variação de R$ 100 mil é desconhecido,

     pois o Balanço indica, simplesmente, o saldo em duas determinadas datas. Através dofluxo de caixa é possível compreender essa variação.

    É a mesma coisa se fotografássemos um atleta correndo numa pista de corrida.Poderíamos contemplá-lo em alguns pontos da pista, mas não em todo o seu percurso.Se, todavia, tivéssemos uma câmara de televisão, sem dúvida, poderíamos acompanhá-lo em todos os seus movimentos. Nesse caso, teríamos uma demonstração dinâmica enão mais estática.

    A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é uma demonstração dinâmica queinforma os resultados das operações ocorridas ao longo de determinado período.

    Podemos observar o total de vendas ocorrido ao longo de um período, bem como o total

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    de despesas. Não é uma situação estática de um momento, mas a somatória de todas asoperações (Receita e Despesa) no período em análise. Mostra ação em determinado

     período de tempo.A verdade, é que são demonstrações afins e que a Demonstração do Resultado doExercício (DRE) está contida no Balanço Patrimonial, uma vez que este informa o saldoinicial e final (situação estática em duas datas), e aquela Demonstração do Resultado doExercício, em conjunto com outras Demonstrações, explica as razões da variação doPatrimônio Líquido, como também as variações