Guia corrigido

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Juventude e Comunicação Faça você mesmo!

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  • Juventude eComunicao

    Faa voc mesmo!

  • Organizadores:Alessandro Muniz e Vnia Correia

    Textos:Alessandro Muniz (RN), Ana Paula da Silva (RJ), Daniela Rueda (DF), Diego Tefi lo (PA), Evelin Haslinger (RS),

    Everton Nova (BA), Luiz Felipe Bessa (PE), Reynaldo Azevedo (MG), Vania Correa (SP).

    Reviso:Paula Frassinetti dos Santos

    Organizaes Parceiras da RedeInsti tuto Universidade Popular Unipop (PA), Insti tuto de Desenvolvimento, Educao e Cultura da

    Amaznica IDESCA (AM), Associao Pais e Mestres Comunitrios APMC (AM), UJS Rio Branco (AC),

    Grupo Macunama (RR); Catavento Comunicao e Educao (CE), Programa de Extenso Vir-a-Vila:

    Escolas Populares na Interface Comunicao, Educao e Cultura (RN), Cedeca Casa Renascer (RN), Auuba

    Comunicao e Educao (PE), Blog Juventude Conectada aos Direitos (PE), Cip Comunicao Interati va

    (BA), Desabafo Social (BA), Centro de Defesa Padre Marcos Passerini (MA);Virao Educomunicao

    (SP), Grupo de Jovens CMJ (SP), Insti tuto Lunos de Educomunicao (SP), Avalanche Misses Urbanas

    (ES), Ciranda Entrecendo Caminhos (MG), Movimento de Intercmbio de Adolescentes de Lavras (MG),

    Insti tuto Candeia de Cidadania (MG), Ofi cina de Imagens Comunicao e Educao (MG), Associao

    para o Desenvolvimento Solidrio do Preventrio (RJ), Unio Planetria (DF), Ciranda Comunicao e

    Direitos da Infncia e Adolescncia (PR) e Centro de Assessoria Multi prossicional CAMP (RS).

    Realizao: Apoio:

    Projeto Gr co:Estdio Capima e Manuela Ribeiro

    Diagramao:Manuela Ribeiro

    Ilustraes:Estdio Capima

  • Sumrio

    Apresentao 4

    Renajoc: uma histria de parti cipao e mobilizao 6 de adolescentes e jovens em defesa ao direito humano comunicao

    Adolescncia, Juventude e Direitos Humanos 10

    Direitos Humanos e a democrati zao dos Meios de Comunicao: a comunicao tratada com a mesma importncia dos demais Direitos Humanos 15

    Cultura Digital e Marco Civil da Internet 19

    Educao Popular e Educomunicao 23

    Parti cipao popular e cidadania: o Facebook como novo espao paraformao polti ca, parti cipao popular e cidadania das juventudes 27

    Comunicao Popular, Alternati va e Comunitria 33

    Propostas Metodolgicas 38

    Juventude eComunicao

    Faa voc mesmo!

  • 4Esta publicao fruto do esforo e do acmulo de experincias e lutas de adolescentes e jovens comunicadores e comunicadoras de todo o Brasil. Bus-camos abranger os principais temas da contemporaneidade ligados ao Direito Humano Comunicao, a partir de um perspectiva reflexiva e prtica. Desse modo, esperamos colaborar e contribuir com adolescentes, jovens, educadores populares, comunicadores populares, mobilizadores comunitrios, organiza-es do terceiro setor, movimentos so-ciais e gestores pblicos em suas aes e debates cotidianos.

    Nossa ideia que este guia seja usa-do nos diversos espaos (escolas, movi-mentos infantojuventis, organizaes da sociedade civil, espaos comunitrios, entre outros) de socializao de adoles-centes e jovens, subsidiando metodo-logicamente os trabalhos daqueles que querem transformar a realidade de for-ma crtica e criativa, participativa e de-

    Apresentao

  • 5Facilitador Nacional da Renajoc

    mocrti ca. A Rede existe para isso, para ser um espao de ao coleti va, de pro-duo de conhecimentos, parti lha de sa-beres tericos e prti cos que produzam transformao da realidade por outro mundo possvel e esta publicao repre-senta esse propsito.

    A importncia desta publicao se d na medida em que ela sinteti za e transforma em arti gos acessveis e pro-postas pedaggicas a riqueza de vivn-cias existente na Renajoc. Dessa maneira, queremos contribuir para a promoo, garanti a e defesa do direito humano comunicao, e com a luta pela demo-crati zao das comunicaes no Brasil e o aprofundamento da democracia.

    O Guia Juventude e Comunicao: faa voc mesmo traz, alm de uma sn-tese da histria e aes da Renajoc, um conjunto de textos com refl exes, da-dos e conceitos de assuntos relevantes na interface comunicao e educao. Na parte fi nal, a publicao rene pro-postas de ati vidades pedaggicas para refl eti r com adolescentes e jovens os temas da publicao. Use, multi plique, adapte, contextualize, enfi m, se apro-prie deste material.

    Conectados em rede, nossos co-nhecimentos crescem e podemos fazer cada vez mais. A todos os leitores-parti -cipantes deste guia, sejam bem-vindos Renajoc e caminhemos juntos!

    Alessandro Muniz

  • 6Evelin Haslinger, de Porto Alegre1Colaborao: Alessandro Fontenelle e Vania Correia

    A Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadoras e Co-municadores (Renajoc) nasceu em 2008, durante a realizao do I En-contro de Adolescentes e Jovens Comunicadores e Comunicadoras, promovido pela ONG Virao Educomunicao, em Braslia.

    Na sequncia do Encontro, o grupo tambm parti cipou da cobertura colaborati va da 1 Conferncia Nacional de Polti cas Pblicas de Juventude. Um momento importante para a cons-truo de uma polti ca nacional desti nada aos jovens. Segundo dados da Secretaria Nacional da Juventude, cerca de 400 mil pessoas parti ciparam de todo o processo da Conferncia. Na etapa nacional foram propostas 70 resolues, das quais 22 foram eleitas prioritrias.

    Os adolescentes e jovens comunicadores que mais tarde criariam a Renajoc contriburam com o registro

    desse momento na histria das polti cas pblicas de juventude, por meio da produo de contedos

    de comunicao em diferentes linguagens.

    Algumas realizaesAo avaliar a parti cipao dos jo-

    vens comunicadores no processo da Con-

    1 Educadora popular, integrante da Renajoc/RS

    Renajoc: uma histria departicipao e mobilizao de

    adolescentes e jovens em defesa ao direito humano comunicao

  • 7ferncia, no-tou-se que havia um

    desafi o grande pela frente: consolidar a pauta da comunicao no

    mbito das polti cas pblicas de juventu-de e fortalecer a incidncia de jovens na discusso sobre as polti cas de comunica-o, ampliando a parti cipao juvenil nos debates sobre o tema.

    Um dos indicati vos da fragilidade do tema comunicao nas demandas juve-nis foi o fato de no haver, entre as 22 resolues prioritrias da Conferncia, nenhuma que se referia ao tema. Apesar da centralidade da comunicao na vida contempornea, da escandalosa concen-trao dos meios e da relao direta dos jovens com a mdia, seja a comercial ou as tantas comunitrias e alternati vas que j existi am na poca; no campo da for-mulao polti ca, a comunicao diante de tantas demandas urgentes da juventu-de brasileira fi cara em segundo plano.

    Foi ento que se decidiu criar uma rede com o objetivo de reunir e mobi-lizar adolescentes e jovens pelo direito humano comunicao e para influen-ciar em espaos polticos e de tomadas de deciso nos temas de juventude e de comunicao.

    Algumas realizaes

    Hoje, com a parti cipao de deze-nas de jovens e organizaes sociais, a Renajoc parti cipa de aes que buscam unir adolescentes e jovens do Brasil para chamar a ateno para o Direito Humano Comunicao, propondo a experimen-tao da produo de uma comunicao livre e colaborati va e integrando debates locais e nacionais sobre adolescncia, ju-ventude e comunicao.

    A parti r de 2009, como parte do processo de parti cipao de adolescentes e jovens na Conferncia Nacional de Co-municao, a Renajoc passou a promover aes em todo o pas para reivindicar o direito comunicao e discuti r o cenrio das comunicaes no pas. O DIA C Dia Nacional da Juventude Comunicati va co-memorado em 17 de outubro.

    Em 2012, a Renajoc passou a inte-grar o Conselho Nacional de Juventude CONJUVE, em que se dedicou, junto com outras redes, a fortalecer a pauta da co-municao no mbito das polti cas juve-nis. Alm disso, a Rede tambm compe a Frente Parlamentar pela Liberdade de Expresso e o Direito Comunicao com Parti cipao Popular (FRENTECOM).

    E desde 2013 a Rede desenvolve, com o apoio do Insti tuto C&A, o projeto Mais

  • 88

    Educomunicao, que promove ati vidades extracurriculares voltadas prti ca comu-nicati va com estudantes em 20 escolas pblicas, de diferentes cidades em 14 esta-dos. Assim, busca fortalecer a parti cipao de adolescentes no espao escolar, promo-ver a leitura crti ca dos meios e fomentar a prti ca da comunicao colaborati va.

    Desde sua criao a Rede conta com importantes apoios insti tucionais como o Fundo das Naes Unidas pela Infncia (UNICEF), a Fundao Friedrich Ebert, a Fundao Luterana de Diaconia, o Insti tuto C&A, a Virao Educomunica-o, entre outros.

    O que falam da Rede?

    Renajoc uma rede que deixa voc por dentro das informaes. Formando e informando os adolescentes e jovens do Brasil e do mundo! (Claudia Ferraz, 29 anos, So Gabriel da Cachoeira/AM)

    Renajoc signi ca oportunidade de ajudar a garanti r o direito de jovens do Brasil a mudarem suas realidades a parti r das ferramentas da comunicao. (Lucia-no Frontelle, 23 anos, Sorocaba/SP)

    Renajoc um mundo de possibili-dades feito por juventudes e tem possibi-litado que mais e mais jovens conheam e exeram seus direitos comunicao (Webert da Cruz, 19 anos, Braslia/DF).

    A Renajoc comunica a juventude, trazendo informao e a parti cipao nos espaos polti cos, mobilizando na luta pelo direito comunicao (Luiz Felipe Bessa, 17 anos, Recife/PE).

    Como Parti cipar?

    A Renajoc composta por indiv-duos e organizaes que atuam com as temti cas de juventude, comunicao, educomunicao e direitos humanos de adolescentes e jovens. A gesto da rede descentralizada e conta com a facilita-o de adolescentes e jovens nas cinco regies do Brasil, que juntos propem debates, aes e projetos a serem disse-minados em todo o pas.

    Para parti cipar, entre em contato com os facilitadores da sua regio:

    [email protected]@[email protected]@[email protected]

    Ou fale com o facilitador nacional:

    [email protected]

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  • 10

    Adolescncia,Juventude e

    Direitos Humanos

    Monique Evelle, de Salvador1

    Vnia Correia, de So Paulo2

    Na legislao brasileira h um mo-mento etrio de encontro jurdico entre as fases de adolescncia e juventude. Dos 15 aos 18 anos os cidados so pro-tegidos tanto pelo Estatuto da Criana e do Adolescente quanto pelo Estatuto da Juventude, sendo alvos de polti cas e programas de rgos disti ntos, respon-sveis por gerir aes voltadas para es-ses dois pblicos. O Ministrio da Sade trabalha com a seguinte segmentao, 15 a 18 anos: adolescente-jovem; 18 a 24 anos: jovem-jovem; 24 a 29 anos: jo-vem adulto.

    1 Estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades com nfase em Polti ca e Gesto da Cultura na Universidade Federal da Bahia e fundadora do Desabafo Social. Em 2013 fi cou entre as 25 negras mais infl uentes da internet no Brasil.2 Jornalista, especialista em Educomunicao: comunicao, mdias e educao, ex-conselheira nacional de juventude, coordenadora da Ong Virao.

  • 11

    De acordo com os dados do IBGE, no Brasil vivem 48,85 milhes de adoles-centes e jovens com idades entre 15 e 29 anos, o que representa 25% da popu-lao brasileira.

    Mas afi nal, o que ser jovem? A pes-quisadora Helena Abramo (1994) defi ne: Refere-se a uma faixa de idade, um pero-do da vida, em que se completa o desen-volvimento f sico do indivduo e uma srie de mudanas psicolgicas e sociais ocor-re, quando este abandona a infncia para processar a sua entrada no mundo adulto.

    A juventude marcada pela constru-o de identi dade, projeto de vida, cons-ti tuio da autonomia e insero social. Momento em que se convive com a con-tradio entre a dependncia da famlia e da sociedade e a busca pela emancipao.

    Na verdade, o melhor dizer juven-tudes; assim, no plural, para representar a diversidade das experincias juvenis, marcada pelas diferenas de gnero, raa, classe social etc., apesar das singu-laridades prprias dessa fase da vida.

    Alguns dados

    Segundo com o Relatrio Trabalho Decente e Juventude3, um quinto dos jovens brasileiros no trabalham, nem estudam. So os chamados nem-nem.

    3 Relatrio Trabalho Decente e Juventude na Amrica Lati na: Polti cas para Ao, da Organizao Internacional do Trabalho (OIT).

    11

    Entre eles, mais de 70% so mulheres. Muitos desses jovens esto sob o risco de excluso social, margem das oportuni-dades de trabalho e educao.

    Quando o assunto violncia, os dados tambm so preocupantes. Ho-micdio a principal causa de morte da populao de jovens. O Mapa da Violn-cia 20144 revelou que a populao com idade entre 15 e 29 anos foi vti ma em 53,4% dos casos de homicdios no pas. Nessa faixa etria, as taxas saltaram de 19,6 para 57,6, nos lti mos trinta anos.

    Para a juventude negra a situao ainda pior. Um jovem preto ou pardo tem at trs vezes mais chances de morrer assassinado do que um branco. Em 2012, do total de jovens mortos, mais de 40 mil eram negros, e 15 mil brancos.

    Uma gerao conectada

    Ningum duvida que esta a gerao mais conectada da histria. A alta conexo e a relao intensa com aparatos tecnol-gicos so marcas fundamentais da experi-ncia juvenil contempornea. Segundo a Pesquisa Agenda Brasil5, 80% dos jovens usam computador e/ou internet e quase 90% tm celular. muita coisa, n? As no-

    4 Mapa da Violncia 2014: os jovens do brasil, de Julio Jacobo Waiselfi sz. Disponvel em: www.juventude.gov.br/juventudeviva.5 Agenda Juventude Brasil: Pesquisa Nacional sobre Perfi l e Opinio dos Jovens Brasileiros, da Secretaria Nacional de Juventude.

  • 12

    na: mais da metade dos jovens disseram j ter parti cipado ou querer parti cipar de aes polti cas.

    Direitos da Juventudee Marcos Legais

    A conquista por direitos sempre esteve relacionada s crises e mudanas sociais de acordo com o contexto hist-rico. As revolues liberais do sculo XIX ti veram grande importncia para o reco-nhecimento dos direitos humanos. Com a Revoluo Francesa e logo aps com a aprovao da Declarao dos Direitos do Homem e do Cidado, nico ordenamen-to jurdico naquela poca, comearam as discusses acerca de quem seria bene-fi ciado com os direitos preconizados na Declarao. Aps a Segunda Guerra Mun-dial, o mundo passou a discuti r mais o valor da dignidade humana e em 1948 foi promulgado a Declarao Universal dos Direitos do Homem, pela Organizao das Naes Unidas (ONU).

    Tratando-se dos direitos juvenis, vale destacar que passaram por perodos de transformaes. Desde o Cdigo de Menores em 1927, que sustentava uma viso criminalizadora dos adolescentes, at hoje com o Estatuto da Criana e do Adolescente, a Consti tuio Federal de 1988 e, mais recentemente, com a pro-mulgao do Estatuto da Juventude.

    vas tecnologias tm papel estratgico na socializao dos jovens e em tarefas do co-ti diano, como ler not cias, ouvir msicas, enviar e receber mensagens.

    Mais da metade desse pblico se in-forma por meio da internet, atrs apenas da televiso, com 83%. Sendo que a inter-net aparece como o meio principal entre os jovens que vivem na cidade, enquanto televiso ganha entre aqueles que vivem em zonas rurais.

    Falando de polti ca

    E esta tambm uma gerao oti -mista. 90% acreditam que possvel mu-dar o mundo pra melhor. E quem pensa que essa galera no gosta de polti ca vai se assustar com os incrveis 83% que di-zem considerar a polti ca algo importan-te. Mas no se trata daquela polti ca tra-dicional, feita nos espaos insti tucionais e pelos parti dos polti cos. A mobilizao nas ruas citada por quase metade dos jovens como melhor forma de intervir na vida polti ca. Depois vm a atuao em associaes ou coleti vos que se organi-zam por alguma causa, e outros como a atuao em conselhos, conferncias, audincias pblicas ou outros canais de parti cipao desse ti po.

    A parti cipao pela internet tam-bm bem efi caz de acordo com um ter-o da populao jovem. E olha que baca-

  • 1313

    Os jovens parti ciparam de importantes e decisivos momentos polti cos, os exemplos mais recentes so a luta pela redemocrati za-o, o Impeachment de Fernando Collor, as Jornadas de Junho.

    Foi tambm com muita mobilizao que a juventude trouxe tona suas demandas e assegurou algumas importantes conquistas no campo dos direitos da populao jovem. A mais signifi cati va talvez seja a aprovao do Estatuto da Juventude, em 2013, que defi ne os direitos especfi cos dos cida-dos com idade entre 15 e 29 anos. O documento reafi rma as singularidades dos jovens em relao aos direitos sociais j garanti dos na Consti tuio Federal, como educao e trabalho; e tambm incorpora novos direitos reivindicados pelos jovens, como a parti cipao e a comunicao.

    Linha dotempo:

    2005: Criao da Secretaria Nacional de Juventude, o Conselho Nacional de Juventude

    (CONJUVE) e o Projovem;

    2008: 1 ConfernciaNacional de Juventude

    Criao da Renajoc;

    2010: Aprovao da PEC Juventude

    2011: 2 Conferncia

    Nacional de Juventude;

    2012: Criao do LevantePopular da Juventude;

    2013: Jornadas de Junho Aprovao do Estatuto

    da Juventude.

  • 1414

    # Ficaa Dica Filme Escritores da Liberdade.

    Conta a histria de jovens de periferia que descobrem suas identi dades, superam a descriminao e percebem que podem transformar sua realidade.

    Filme O Grande Desafio. Re-trata um grupo de debate composto por adolescentes e jovens de uma universidade americana exclusiva para negros, em uma poca em que o racismo e a segregao no pas so muito fortes. O filme mostra como eles conseguem, pela fora dos seus argumentos, mudar a maneira como a sociedade os enxerga.

    Vdeo A Histria dos Di-reitos Humanos. Disponvel em: htt p://goo.gl/1qZkD4

    Referncia

    ABRAMO, Helena Wendel. Cenas Juvenis: punks e darks no espetculo urbano. 1. ed. So Paulo: Scritt a, 1994.

  • 15

    Daniela Rueda, de Braslia1Luiz Felipe Bessa, do Recife2

    O ser humano fundamentalmente comunicati vo. Todo o seu estar no mundo se d por meio das relaes que estabelece com as demais pessoas, os ambientes e as culturas em que est inserido. se comu-nicando que ele se afi rma enquanto sujeito parti cipante e transformador de sua reali-dade. Por essa razo, a comunicao deve ser entendida como um direito humano.

    1 Integra a Renajoc/DF e militante do movimento de economia solidria, com atuao na Secretaria-Executi va do Frum Brasileiro de Economia Solidria-FBES.2 Militante da Renajoc/PE parti cipante da Regio Nordeste.

    Direitos Humanos e ademocratizao dos Meios de

    Comunicao: a comunicao tratada com a mesma importncia dos demais

    Direitos Humanos

    Para a construo e consolidao de uma democracia parti cipati va, o debate sobre esse direito e a luta por sua garanti a ampla e irrestrita a todas as pessoas es-sencial. Em 1948 foi consti tuda a Declara-o Universal dos Direitos Humanos atra-vs das Organizaes das Naes Unidas ONU, que em sua essncia reconhece os direitos fundamentais para homens e mu-lheres que garantam sua dignidade, sen-do esses preceitos recomendaes para a busca e promoo de estratgias no con-junto dos pases com vistas promoo de desenvolvimento social.

    Dessa forma, a parti r do arti go III da Declarao que estabelece: Toda pessoa tem direito vida, liberdade e segurana pessoal, a parti r do que entendemos, a liber-dade um pressuposto de aspirao social, tendo em vista que padres culturais que maximizam ou minimizam essas possibilida-des. Dessa forma, assim como o alimento, a gua e a moradia so elementos essenciais para nossa sobrevivncia, a comunicao tambm o , uma vez que ela traz possibi-

  • 16

    lidades de uma mudana de padres e comportamentos.

    A parti r do surgimento de tecno-logias como Rdio e TV, houve uma ampliao dos meios de comunicao e informao. Contudo, por serem meios que demandavam mquinas e infraestrutura cara, apenas os grupos com maior poder econmico ti nham e ainda tm acesso a esses meios para expressarem suas opinies. O que signifi ca que para que a maior parte das pessoas possa se comuni-car por esses meios, preciso uma polti ca que fomente a comunicao pblica e popular.

    O advento da Internet est possibilitando uma ampliao do acesso produo, transmisso, obteno e comparti lhamento de informaes, tanto em texto quanto em imagem, vdeo e u-dio. Esse novo processo refora a necessidade de que a sociedade oferea meios para que todos possam se comunicar, tendo seu direito garanti do, fortale-cendo, desse forma, a cidada-nia e a democracia.

    Outra questo o tema da liberdade de expresso, que aparece no arti go XIX da Declarao j citada. Contu-do, no devemos confundir liberdade de expresso com

    liberdade de imprensa, pois a segunda acaba se restringindo ao pequeno grupo de proprietrios de veculos de comuni-cao, enquanto que a segunda direito de todo ser humano. No perodo da Di-tadura Militar, at mesmo os veculos da imprensa foram censurados, o que levou muitas pessoas a confundirem as duas liberdades, confuso incenti vada pelos responsveis pelo oligoplio3 da comu-nicao no Brasil.

    Na prti ca, o direito liberdade de expresso no acontece plenamente, j que a maior parte dos meios de comu-nicao do Brasil esto no controle de poucas famlias. Isso faz com que a plu-ralidade de ideias em torno dos diversos grupos sociais seja cerceada. Dessa for-ma, jovens, mulheres, homoafeti vos, in-dgenas, movimentos sociais (por exem-plo, o MST) e muitos outros grupos esto sendo retratados sem a veracidade dos fatos e sem a possibilidade de eles mes-mos retratarem seus pontos de vista.

    A mdia comercial se coloca como imparcial, porm, tal postura no condiz com a realidade de que, sendo fi nanciada pelos anunciantes, ela est comprometi -da com esses patrocinadores e suas posi-es polti cas.

    Assim, falar de direito comuni-cao construir a democrati zao dos

    3 Oligoplio o poder sobre determinado setor, no caso, os meios de comunicao no Brasil, concentrado nas mos de poucos grupos.

  • 17

    meios reconhecendo que todo cidado portador do direito diversidade de vo-zes, culturas e pontos de vista, acesso e produo de informao, condio esta essencial ao exerccio da cidadania.

    Informar transmiti r uma men-sagem sem necessariamente haver um retorno de como foi entendida e uma resposta. Comunicar pressupe retorno, dilogo, compreenso, envolvimento e parti cipao. Assim, falarmos de direi-to comunicao tambm levantar a bandeira da comunicao pblica4.

    A democrati zao dos meios de co-municao uma pauta defendida pela Renajoc, assim como por muito outros gru-pos, movimentos e redes. Garanti r o direito comunicao fortalecer as emissoras comunitrias, universitrias e pblicas de comunicao, incenti var o surgimento de veculos impressos comprometi dos com as causas populares e que consigam ser dis-tribudos em um pas conti nental como o Brasil, esti mular a produo de contedos audiovisuais independentes, universalizar o acesso internet, entre tantas outras aes.

    4 Existem diversas compreenses sobre o que comunicao pblica, mas nesta publicao estamos adotando a compreenso de que se trata de veculos fi nanciados por recursos pblicos, mas gerenciados com a sociedade civil, a parti r da parti cipao popular. Diferencia-se, assim, da comunicao estatal ou governamental, que seriam os meios de comunicao do governo.

    Resumindo...

    O direito humano comunicao sig-nifi ca, em resumo, que todo cidado tem o direito a receber livremente informao por quaisquer meios, bem como o de pro-duzir individual ou coleti vamente e difundir informaes, tendo acesso aos re-cursos tcnicos e materiais necessrios ga-ranti dos pela sociedade e poder pblico.

    Para entender como funciona

    No Brasil, rdios e TVs abertas ope-ram em regime de concesses pblicas. Isso porque o contedo que transmiti -do pelas emissoras trafega pelo ar, no es-pectro eletromagnti co, que um bem pblico e com espao limitado. Logo, as emissoras precisam de uma autorizao do Estado para operar, a exemplo do que acontece no transporte, energia eltrica e em outros servios pblicos.

    Ainda na dcada 1930, o Brasil op-tou por um modelo de prestao de ser-vio de radiodifuso preferencialmente privado, entregando as concesses s empresas e investi ndo prati camente nada em emissoras pblicas. A consequncia disso, agravada pela falta de regulao do setor, que se formou no pas um siste-ma oligopolizado, controlado por poucos grupos que uti lizam as concesses pbli-cas para interesse privado, sem necessa-riamente respeitar o interesse da popu-lao, que deveria reger a prestao de qualquer servio pblico.

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    Um projeto de leipopular por uma

    mdia democrti ca

    O Cdigo Brasilei-ro de Telecomunicaes (CBT), lei que regula-menta o setor das co-municaes, data de 27 de agosto de 1962. Com mais de cinquenta anos, a lei desatualizada, pois no considera o atual ce-nrio tecnolgico, alm no regulamentar os arti -gos da consti tuio fede-ral que garantem o direi-to comunicao.

    Por isso, enti dades da sociedade civil e do movimento social constru-ram o Projeto de Iniciati va Popular por uma Mdia Democrti ca para regula-mentar os arti gos da Cons-ti tuio que tratam da comunicao. O projeto precisa recolher 1 milho e trezentas mil assinatu-ras para ser apresentado e debati do no Congresso Nacional. Saiba como con-tribuir com esse processo em www.paraexpressara-liberdade.org.br

    # Ficaa Dica Vdeo Levante Sua Voz. Sobre Direi-

    to Humano Comunicao. Disponvel em: htt p://goo.gl/RBH9O3

    Vdeo Cordel do Marco Regulatrio. Sobre a importncia de uma regulamentao que democrati ze as comunicaes no Brasil. Dis-ponvel em: htt p://goo.gl/jlrdlk

    Vdeo Comunicao em outras pala-vras. Sobre democrati zao da comunicao pblica. Disponvel em: htt p://goo.gl/EWti dF

    Msica Se liga a, de Gabriel, o Pensador

    Msica Caixa Preta, da banda Curumim

    Site da campanha Para Expressar a Liber-dade, pela lei da mdia democrti ca: www.paraex-pressaraliberdade.org.br

    Site do Coleti vo Brasil de Comunicao So-cial: www.intervozes.org.br

    Site do Frum Nacional pela Democrati za-o das Comunicaes: www.fndc.org.br

    Site sobre Direito Humano Comunicao: www.direitoacomunicacao.org.br

    Site da pesquisa Os Donos da Mdia, que ana-lisa os grandes grupos proprietrios de meios de comu-nicao no Brasil: www.donosdamidia.com.br/

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    Cultura Digital eMarco Civil da Internet

    Alessandro Muniz, de Natal1Reynal Azevedo, Lavras2

    Vnia Correia, de So Paulo3

    A internet faz parte do coti diano de milhes de pessoas no Brasil. Por meio de um cabo ou Wi-Fi, em casa, na rua, em uma Lan house ou telecentro, em um computador convencional, notebook, celular, netbook ou tablet, pesquisando, se informando, se diverti ndo, publican-do, reivindicando, comparti lhando, con-versando, conhecendo, transformando, navegando. Todas essas novas prti cas e possibilidades que hoje nos parecem nor-mais o que chamamos de cultura digital.

    A interati vidade, a parti cipao dos usurios na produo dos contedos, no

    1 Estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades com nfase em Polti ca e Gesto da Cultura na Universidade Federal da Bahia e fundadora do Desabafo Social. Em 2013 fi cou entre as 25 negras mais infl uentes da internet no Brasil.2 Estudante de XXXXXXX, integrante da Renajoc/MG3 Jornalista, especialista em Educomunicao: comunicao, mdias e educao, ex-conselheira de juventude, coordenadora de projetos na Ong Virao.

    desenvolvimento dos sites e programas que viabilizam o funcionamento da rede, as prti cas colaborati vas, em que pessoas de todo o mundo trabalham juntas, tro-cam informaes, se conhecem, so algu-mas das caractersti cas dessa realidade.

    As Novas Tecnologias da Comunica-o e da Informao (NTICs) tambm fazem parte dessa cultura. So elas os equipamen-tos portteis (celulares, tablets, multi fun-cionais etc.) com preos mais acessveis, co-nectados onde quer que estejam s redes invisveis de internet sem fi o, como tam-bm as ferramentas disponveis na rede, como os sites de armazenamento de arqui-vos (HDs virtuais ou nuvens, como costu-mam ser chamados) e as redes sociais.

    Comparti lhar a palavra de ordem, a lgica motriz, o habitual, o essencial na internet. Blogs comparti lham textos pes-soais, literrios, art sti cos, ideias, pensa-mentos, sites de armazenagem e compar-ti lhamento permitem comparti lhar tudo, arquivos em geral (Megaupload, 4shared, Rapidshare e outros), vdeos (Youtube, Vimeo e outros), fotos (Flickr, Picasa, ou-tros), msicas (MySpace, GrooveShark e

    Cultura Digital eMarco Civil da Internet

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    outros), informaes e conhecimento (Wi-kipdia e toda sorte de sites, bibliotecas digitais etc.), not cias alternati vas (Centro de Mdia Independente, Agncia Frei Tito para a Amrica Lati na Adital, a Agncia Jovem de Not cias) e tudo que puder ser imaginado comparti lhado na internet.

    Tambm a tecnologia P2P (peer-to-peer, traduzindo de par-para-par ou pessoa para pessoa) e do Torrent, em que todos os arquivos dos usurios se tornam fontes para os demais poderem baix-los so formas de comparti lhamento e colabo-rao. Por essa tecnologia, voc ajuda ou-tros a conseguir algo e ajudado por eles.

    No podemos esquecer do modelo Wiki (termo havaiano que signifi ca ex-tremamente rpido), que, em linhas ge-rais, signifi ca produo/organizao cola-borati va de contedos, conectados por hiperlinks e/ou soft wares colaborati vos, segundo a defi nio da Wikipdia, a Wiki mais famosa e tambm a maior Enciclo-pdia da Rede. Existem diversos outras ferramentas de wiki, como o wikcionrio (www.pt.wikti onary.org) e as wikicidades (um exemplo www.portoalegre.cc).

    Ou seja, a cultura digital representa um universo amplo de prti cas, tecnologias, informaes e maneiras de se comunicar. Contudo, vivemos em um mundo bastante desigual, em que muitos esto excludos dos benef cios que ela representa e outros a usam de forma inadequada, seja para in-citar a violncia, para expor a inti midade/

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    privacidade das pessoas ou para enganar e veicular informaes no verdadeiras.

    Saber lidar e se benefi ciar dessa re-alidade uma tarefa para toda a socie-dade, educando para a cultura digital, possibilitando o acesso e a parti cipao de todos, protegendo os direitos dos usu-rios, regulando as prti cas e coibindo os usos prejudiciais.

    Por uma internet livre:a aprovao do Marco Civil

    A ascenso da internet e sua impor-tncia na vida coti diana a colocou no con-junto de direitos fundamentais. A Organi-zao das Naes Unidas (ONU) declarou pela primeira vez, em 2011, que a internet um direito humano e que negar ou limitar o acesso a ela , portanto, uma violao.

    No Brasil, apesar do aumento de acesso rede mundial de computado-res segundo levantamento da Navegg2, 105 milhes de brasileiros acessam a rede mundial de computadores a nossa internet ainda cara, lenta e mal distribu-da. Mas, em abril de 2014, os defensores de uma internet livre ti veram um moti vo muito especial para celebrar.

    Aps uma demorada e disputada tramitao no Congresso Nacional, foi aprovado e sancionado o Marco Civil da Internet. A luta pela aprovao do Marco assinalou a luta de setores da sociedade

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    ter a mesma qualidade de velocidade, independente do ti po de contedo (v-deo, e-mails, redes sociais etc.). Probe, portanto, que as operadoras vendam pacotes de internet pelo ti po de uso, ou seja, um pacote para acessar apenas e-mail e redes sociais, outro que d aces-so tambm a portais de not cias, outro que permite usar blogs, com preos e ve-locidades disti ntas, como acontece com o servio de TV a cabo, por exemplo.

    Liberdade de Expresso: Antes qual-quer pessoa ou empresa podia noti fi car um site ou provedor, como o Youtube, solicitando que este reti rasse do ar um contedo que, por exemplo, violasse um direito autoral. Agora, com o Marco, o provedor no pode ser responsabilizado por contedos postado por seus usurios e, por isso, um contedo s pode ser reti -rado do ar aps uma ordem judicial, evi-tando assim censura prvia. Mas h uma exceo: um contedo que viole alguma lei (como pedofi lia, racismo ou violncia) pode ser ti rado do ar sem ordem judicial.

    Privacidade dos usurios da internet: O Marco Civil estabelece que os prove-dores s podero vender as informaes pessoais do usurio se ele autorizar ex-pressamente a operao comercial. Hoje, nossos dados so usados pelas empresas para gerao de receita publicitria. Isso mesmo, elas vendem informaes sobre nossas preferncias, mapeadas pelo nos-so histrico de navegao, possibilitando que outras empresas nos oferecerem pu-blicidade direcionada.

    em garanti r a internet como um bem p-blico que deve, portanto, ser regida de acordo com interesses coleti vos , em contraposio s empresas de teleco-municao, que a entende apenas como uma mercadoria, fonte de lucro.

    Entenda o Marco Civil

    O Marco Civil da Internet estabele-ce as regras, direitos e deveres no am-biente virtual. A Lei foi construda num processo pioneiro de parti cipao e co-laborao popular, redigida a parti r de escutas e debates presenciais e virtuais com um amplo conjunto de atores so-ciais. Agora ele visto, por especialistas e ati vistas, como uma referncia para outras legislaes no mundo.

    Parti ndo do pressuposto de que a internet uma ferramenta fundamental para o pleno exerccio da liberdade de expresso, o Marco Civil pretende pre-servar o carter aberto da rede. Entre outras coisas, a nova Lei estabelece que os provedores no podem suspender a conexo internet dos seus clientes, a no ser em caso de dbito; tambm prev a manuteno da qualidade con-tratada da conexo internet.

    Separamos aqui uma explicao sobre os principais pontos do Marco Civil. Confi ra:

    Neutralidade da Rede: Esse um dos pontos fundamentais do Marco. Prev que o trfego de dados na rede deve

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    # Ficaa Dica Vdeo Sala de Not cias l Cultura

    Digital: Polti ca e Mobilizao, progra-ma da TV Futura. Disponvel em: htt p://goo.gl/wILEiT

    Vdeo Sala de Not cias - Cul-tura Digital: Produo e Distribuio Cultural. Disponvel em: htt p://goo.gl/tmM4SK

    Vdeo RIP! A Remix Manifesto,

    documentrio que aborda os aspectos da cultura digital, entre eles o compar-ti lhamento e transformao da infor-mao, refl eti ndo sobre os confl itos ge-rados por esta cultura. Disponvel em: htt p://vimeo.com/12784153

    Vdeo InProprietrio - O Mun-

    do do Soft ware Livre, documentrio que trata sobre o que e quais so as implicaes do soft ware livre. Dispon-vel em: htt p://goo.gl/zD7vIk

    Vdeo Interview: Mathias Schindler, from Wikimedia Foun-dati on, entrevista com fundador da Wikipdia. Disponvel em: In-terview: Mathias Schindler, from Wikimedia Foundati on

    Livro Cibercultura, do fi l-sofo Pierre Levy, que refl ete sobre o que signifi ca a cibercultura, suas implicaes, caractersti cas e pers-pecti vas sociais, econmicas, pol-ti cas e culturais.

    Adolescentes na Rede:fatores de excluso

    A pesquisa O uso da Internet por adolescentes, realizada pelo Fun-do das Naes Unidas para a Infncia UNICEF, em 2013, revelou que o Brasil tem 6 milhes de adolescentes sem acesso internet. O nmero cor-responde a 30% dos brasileiros com idade entre 12 e 17 anos e evidencia a falta de polti cas pblicas que garan-tam os direitos de meninos e meninas de se comunicarem por meio da rede mundial de computadores.

    As desigualdades sociais do pas se refl etem no cenrio de aces-so internet. Assim, adolescentes em situao de maior vulnerabili-dade tm menos oportunidade de acessarem a rede. Entre as meninas e meninos que vivem nas zonas ru-rais, por exemplo, a taxa de exclu-so chega a 52% dos indivduos nessa faixa etria. A renda familiar tambm tem impacto no acesso: entre os adolescentes de famlias com renda familiar de at um sal-rio mnimo mensal, a taxa de exclu-so tambm ultrapassa os 50%. A escolaridade outro fi ltro de acesso rede: 56% dos jovens que estuda-ram somente at o quinto ano no usam a internet.

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    Educao Popular e Educomunicao

    Alessandro Muniz,de Natal1

    A educao, ou processos de compar-ti lhamento e desenvolvimento do conhe-cimento humano, teve e tem diversos mo-delos, prti cas e perspecti vas ao longo da histria humana. Desde exemplos em que o saber parti lhado por todos os membros de uma comunidade (indgenas, campone-ses), ou de um grupo de artesos que par-ti lham seus saberes com os aprendizes, ao surgimento das insti tuies que regulam e difundem o conhecimento (escolas, universi-dades) que tornou o conhecimento algo se-parado da sociedade, regido e regulado por essas insti tuies.

    Na medida que o ser humano passou a desenvolver saberes para alm dos insti ntos, tornou-se necessrio que estes fossem repas-sado ao longo das geraes. Foi nossa capaci-

    1 Educador e Comunicador Popular, Realizador Cultural e Coordenador do programa Vir-a-Vila: Escolas Populares na Interface Comunicao, Educao e Cultura.

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    forme Brando (2006), o termo aparece como uma educao feita pela comunida-de, pelo povo, uma educao voltada a se-tores populares da sociedade, como tam-bm a luta pela democrati zao do ensino escolar atravs da escola laica e pblica.

    Paulo Freire defende que a educa-o popular deve ter um objeti vo funda-mental: atravs da problemati zao do homem-mundo ou do homem em suas relaes com o mundo e com os homens, possibilitar que estes aprofundem sua to-mada de conscincia da realidade na qual e com a qual esto (1977, p. 33).

    As caractersti cas bsicas da edu-cao popular so: 1) a compreenso de que o educador no dono do saber, mas um mediador do saber existente entre todos os estudantes; 2) o uso do dilogo entre todos como metodologia, em contraposio transmisso de con-tedos, que Paulo Freire denominou de educao bancria; 3) o est mulo pro-duo do saber, baseado na realidade dos sujeitos envolvidos; 4) a opo pela cooperao e a solidariedade entre os parti cipantes, ao invs da competi o e desigualdade produzida por provas e notas; 5) o uso de diversas linguagens (vdeo, msica, imagens, textos, teatro, quadrinhos) e tcnicas que atendam s necessidades dos estudantes.

    A educao popular caracteriza-se, principalmente, pelo reconhecimento e fomento da autonomia dos sujeitos, enca-

    dade de aprender, ento, que permiti u

    e exigiu nossa capacida-de de ensinar. Ensinar ine-

    xiste sem aprender e vice-versa e foi aprendendo socialmente que,

    historicamente, mulheres e homens descobriram que era possvel ensinar, afi rmou Paulo Freire (2004, p. 23-24).

    Podemos concluir que ensinar e aprender so caractersti cas inerentes ao ser humano. Contudo, com o surgimento de relaes de poder, desigualdade e do-minao na histria humana, o saber se tornou tambm instrumento desse poder e dominao. Os grupos dominantes em cada sociedade ento passaram a desen-volver uma educao especfi ca, para sa-ti sfazer seus fi ns. A sati sfao desses fi ns fundamenta-se na formao de uma nova gerao que perpetue o sistema social tal como ele (SINGER, 2010, p. 27).

    A emancipao do saber passou, ento, a ser uma forma de resistncia e luta por direitos e transformao social dos oprimidos e excludos pelo sistema social dominante.

    Educao Popular para transformar e democrati zar

    Chegamos assim ao termo educa-o popular, que historicamente possuiu diversos signifi cados e atribuies. Con-

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    Onde quer que seja aplicada, na escola, na famlia, no trabalho ou em al-guma organizao social, a educomunica-o atua problemati zando, com todos os envolvidos, os processos comunicati vos estabelecidos nos convvios e relaes so-ciais existentes. Perceber, avaliar e trans-formar essas relaes sociais uma das tarefas do grupo mediado pela educomu-nicao, fazendo uma opo pela cons-truo de modalidades abertas e criati vas de relacionamento, contribuindo, dessa maneira, para que as normas que regem o convvio passem a reconhecer a legiti -midade do dilogo como metodologia de ensino, aprendizagem e convivncia (SOARES, 2011, p. 45), seguindo o exem-plo da pedagogia freireana.

    Promover relaes dialgicas signifi -ca entender que o convvio, a apreenso, a produo do conhecimento e a gesto das decises so processos que precisam ser parti cipati vos e horizontais, na medi-da que se do na construo e realizao da autonomia de cada um. Freire desta-cou que o Sujeito pensante no pode pensar sozinho; no pode pensar sem a coparti cipao de outro Sujeito no ato de pensar sobre o objeto. No h um pen-so, mas um pensamos. o pensamos que estabelece o penso e no o contr-rio (FREIRE, 1977, p. 66).

    Essa prti ca e teoria, baseadas na leitura crti ca da comunicao, na apro-priao dos meios, bem como na refl exo

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    rados como parti cipantes e transformado-res da histria e da cultura da sociedade.

    Educar Comunicar: Educomunicao

    A Educomunicao, enquanto inter-face entre a comunicao e a educao, tanto um campo terico como tambm uma prti ca, preocupada com o eixo das relaes comunicacionais entre pessoas e grupos humanos (SOARES, 2011, p. 18). A comunicao e a educao so conceitos e prti cas intrinsecamente relacionados, como aponta Freire, quando afi rma que a educao comunicao, dilogo, na medida que no transferncia de saber, mas encontro de sujeitos interlocutores que buscam a signifi cao dos signifi ca-dos (1973 apud LIMA, 1981, p. 64).

    Podemos defi nir a educomunica-o como um conjunto de aes ine-rentes ao planejamento, implementao e avaliao de processos, programas e produtos desti nados a criar e fortalecer ecossistemas comunicati vos (BARBERO, 2002 apud SOARES, 2011, p. 44), concei-to defi nido como um ideal de relaes, construdo coleti vamente em dado es-pao, em decorrncia de uma deciso estratgica de favorecer o dilogo social, levando em conta, inclusive, as potencia-lidades dos meios de comunicao e suas tecnologias (SOARES, 2011, p. 44).

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    e construo do ecossistema comunicati vo o que entendemos como Educomunicao. Dedica-se, ento, realizao dessa educao e comunicao libertadora, democrti ca, popular, para a concreti zao de novos modos de vida, sociedade e sociabilidades mais justas, igualitrias, cooperati vas, amorosas.

    A possibilidade de apropriar-se dos meios de comunicao e expresso faz saltar aos olhos infi nitas outras percepes do mundo e ressalta inmeras experin-cias alternati vas ao sistema polti co-econmico vigente, iniciati vas que buscam a emancipao e transformao social.

    # Ficaa Dica Documentrio A Educao Proi-

    bida. Crti ca educao tradicional e refl exo sobre as diversas outras ma-neiras alternati vas e libertadoras de educao. Disponvel em: htt p://www.educacionprohibida.com/ e htt p://goo.gl/CfrIU9

    Documentrio Pro dia nascer fe-liz. Sobre as diversas realidades da educa-o brasileira. Disponvel em: htt p://goo.gl/fqDNkd

    Documentrio Paulo Freire Con-temporneo. Disponvel em: htt p://goo.gl/2rheQ1

    Referncia

    BRANDO, Carlos Rodrigues. O que educao popular. Braslia: Brasiliense, 2006.

    FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autono-mia: Saberes necessrios prti ca educati -va. So Paulo: Paz e Terra, 2006.

    FREIRE, Paulo. Extenso ou Comuni-cao? Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.

    LIMA, Vencio Artur de. Comunicao e Cultura: As ideias de Paulo Freire. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981.

    SINGER, Helena. Repblica de Crian-as. Sobre experincias escolares de resis-tncia. Campinas: Mercado de Letras, 2010.

    SOARES, Ismar. Educomunicao: o conceito, o profi ssional, a aplicao:

    Contribuies para a reforma do Ensi-no Mdio. So Paulo: Paulinas, 2011.

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    Participao popular e cidadania: o Facebook como novo espao

    para formao poltica, participao popular e cidadania

    das juventudes

    Ana Paula da Silva,do Rio de Janeiro1

    Os protestos recentes no Brasil repre-sentam um marco histrico da ampliao da parti cipao das juventudes nas lutas sociais. De certo modo, havia uma sensa-o de baixa parti cipao observada na so-ciedade, que Gomes (2005) analisa como resultado do padro de democracia que vivemos. Segundo o autor, h uma distn-cia entre o que considerado um padro de democracia ideal pela sociedade e o sistema de prti cas, insti tuies e valores da polti ca que so oferecidos populao.

    Logo, o modelo de democracia ado-tado, o representati vo, em que os parti dos polti cos so um dos principais espaos

    1 Jornalista, educomunicadora de direitos humanos em projetos sociais e produtora cultural. Mestre em Educao, Comunicao e Cultura em Periferias Urbanas pela FEBF/UERJ.

    de atuao polti ca, ajudou com que uma parte da militncia, nas lti mas dcadas, viesse a perder o flego para as suas rei-vindicaes (SCHERER-WARREN, 2006).

    Mas apesar de muitas defi cincias e distores do sistema democrti co, ele que favorece o que Chau (2006) chama de cultura da cidadania, pois tem como caractersti ca a ideia do direito: direito a ter direitos, direito ao confl ito e questi o-namento, direito comunicao e trocas de aprendizagens e conhecimentos, direi-to de recusar formas culturais estabeleci-das e o direito a criar novos direitos e par-ti cipar e interferir em mudanas polti cas.

    Nesse senti do, Valla (1998) analisa que essa parti cipao popular vai muito alm da exercida pelos movimentos sin-dicais ou pela polti ca parti dria. Mas re-fere-se amplamente s classes populares e tambm classe mdia organizadas. Segundo o autor, a parti cipao popular

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    est inteiramente ligada ao surgimento das polti cas pblicas nos anos 30 e 40 do sculo XX: [...] parti cipao popular compreende as mlti plas aes que di-ferentes foras sociais desenvolvem para infl uenciar a formulao, execuo, fi sca-lizao e avaliao das polti cas pblicas e/ou servios bsicos na rea social (sa-de, educao, habitao, transporte, sa-neamento bsico etc.).

    O desenvolvimento das novas for-mas de produo e consumo, inovaes tecnolgicas e culturais vm provocando mudanas nas formas de acompanha-mento das polti cas pblicas e dos gastos pblicos e, consequentemente, em novas formas de reivindicao nos diversos es-paos pblicos (online ou o ine), em que a educao para/pela cidadania pode ser vista e exercida por quem quisesse.

    A cidadania como prti ca e concei-to vem se alterando na sociedade e ao longo dos anos. Isso acontece a parti r da abertura do estatuto de cidado para sua populao (parti cipao polti ca, direitos sociais, proteo social dos grupos que necessitavam, como as mulheres, anal-fabetos, imigrantes etc.) (GOHN, 2005). Toda essa discusso sobre cidadania at chegar a uma ideia de cidadania coleti va foi luta de diversos movimentos sociais, como afi rma Gohn (2005). E so esses movimentos com suas parti cipaes ati -vas na sociedade que vm incorporando novos conceitos de uma cidadania ampla.

    A internet entra nessa histria como possibilidade a existncia do cidado-su-jeito cosmopolita, planetrio e que muito tem a ver com as manifestaes que vem acontecendo nos dias atuais.

    A cidadania planetria surge como elaborao terica na era da globalizao, decorrente da prti ca de grupos sociais que no se refe-renciam mais a um Estado\nao especfi co, a uma identi dade deter-minada, mas a valores universais do ser humano que devem ser defendi-dos. O movimento anti globalizao um exemplo deste ti po de cidadania. Composto por uma rede de redes, ele tem inovado as prti cas e os dis-cursos dos grupos, associaes e mo-vimentos que lutam pela igualdade de condies de acesso ao mercado, contra os oligoplios, monoplios etc., contra as injusti as sociais e dis-criminaes identi trias. Ele uti liza a mdia como veculo bsico de comu-nicao e faz das suas manifestaes um espetculo-arte que atrai os ho-lofotes da mdia oral, televisiva e es-crita (GOHN, 2005, p. 28).

    Nesse senti do, Sherer-Warren (2006), analisando as novas confi gura-es de organizao da sociedade civil da Amrica Lati na, a parti r da globalizao e da informati zao da sociedade, aponta

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    uma diferena entre as lutas sociais das ltimas dcadas e as atuais: aquela velha militncia chamada de revolucionria, essa pode ter enfraquecido. Mas outro tipo de ativismo vem crescendo nos lti-mos anos, baseado em novos anseios de democracia, solidariedade e cooperao com os mais excludos, mais discrimina-dos e dominados. Essa nova militncia, segundo Sherer-Warren (2006), configura a nova forma de ser sujeito/ator.

    Porm, esses novos espaos organi-zativos surgidos espontaneamente, como coletivos culturais e novos movimentos apartidrios no institucionalizados, so os responsveis por reafirmarem suas funes e a capacidade de agir no contex-to atual, com o intuito de provocar mu-danas reais na sociedade.

    Muitos desses jovens so oriun-dos de aes sociais tradicionais, como Igrejas, ONGs2, OSCIPs3, movimentos sociais (muitos comunitrios) e tam-bm aes sociais de agrupamentos re-centes, como os coletivos culturais no institucionalizados que so espaos de e para formao poltica e de (re)construo de identidades. Diversos desses jovens estiveram envolvidos nas recentes mobilizaes via Internet, re-des sociais virtuais, e nas aes de rua nos ltimos protestos do Brasil pela re-

    2 ONG: Organizao No Governamental.3 OSCIP: Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico.

    duo das tarifas de nibus; greves da educao; ocupas4, entre outros.

    Podemos ver a forte influncia das atividades e aes das ONGs e dos mo-vimentos sociais nos dis-cursos e prticas desses jovens citados, anterior-mente, na sociedade. Esses indivduos acabam utilizando a In-ternet e as redes sociais virtuais para alm da sociabilidade e informao, aplicando-a tambm para governana5 e ativismo. Sobre isso, Hoehne (2012) ana-lisa que a Internet coloca-se para alm de uma ferramenta (aproximando-se das anlises de Castells [1999]), sendo a Internet o prprio campo de atividade e prtica poltica das juventudes, graas a sua potncia em aproximar pessoas e organizar ideias para o desenvolvimento de aes simples e aes mais comple-xas, como o hacktivismo que opera nos sistemas de informaes.

    nesse sentido que resgatamos os conceitos de Gohn (2010, 2011) sobre a importncia das instituies com pers-pectivas educacionais transformadoras no seu sentido amplo de educao,

    4 Ocupa uma estratgia de ao poltica caracterizada pela ocupao de um espao pblico ou um espao privado abandonado ou que no realiza sua funo social. Recentemente uma onda de ocupaes aconteceram no Brasil e no mundo.5 Governana no sentido de gesto, planejamento, implementao, controle e avaliao.

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    seja pblica, privada, governamen-tal, escola, ONG, insti tutos etc., por seu trabalho no desenvolvimento de aes e programas para essa chama-da cidadania online, principalmente entre os jovens, que esto mais in-seridos nesse contexto tecnolgico.

    nesse senti do que as diversas redes sociais existentes na socieda-de, tais como as ONGs, os movimen-tos sociais etc., e tambm algumas das redes virtuais por sua possibi-lidade de troca, so importantes agentes multi disciplinares que educam e formam indivduos cada vez mais polti cos.

    Percebe-se ento, que a tc-nica (tecnologia) sozinha no ca-paz de mudanas (CASTELLS, 1999; LVY, 1999), ela depende de outros agentes (movimentos sociais, fa-mlia, ONGs etc.), alm de apreen-ses e cognies adquiridas pelos indivduos para saber e querer possveis transformaes. Pinho (2010, p. 45) conclui: Os Face-books e outros instrumentos s facilitam a vida e a atuao polti cas se a sociedade esti ver interessada nelas. No adianta magnifi car a tecnologia, co-loc-la num pedestal por seu potencial transformador, se a sociedade no esti ver interes-sada nessas mudanas.

    Nessa mesma sintonia, mas em uma perspecti va diferente, Batalha (2010) aponta que no somente existe interesse, como as TICs servem hoje para agir e dis-putar politi camente por serem recursos e estruturas de produo. Logo, embates so travados entre a mdia de massa tra-dicional e movimentos sociais, por ser a Internet um espao de organizao e po-tncia dos movimentos que disponibili-zam informaes contrrias hegemonia das grandes empresas.

    Em concordncia com as anlises de Batalha (2010), a pesquisa coordenada pelo Insti tuto Brasileiro de Anlises So-ciais e Econmicas (IBASE): Jovens pobres e o uso das NTICs na criao de novas es-feras pblicas democrti cas (2013) apon-ta, por exemplo, que jovens das diversas favelas cariocas uti lizam-se do que tem disponvel em novas tecnologias para re-percuti r suas vozes atravs de imagens, ideias e narrati vas que consigam exprimir suas realidades, reivindicar direitos cole-ti vos e a cidade que desejam para si (e isso se encaixa em outras realidades juve-nis existentes no Brasil). A pesquisa con-clui que a Internet possibilitou um novo modelo de comunicao, ampliando as esferas democrti cas, e onde as juventu-des encontraram novas formas de parti ci-pao polti ca.

    Diante disso, o ambiente virtual se tornou pauta de lutas dos movimentos sociais pela democrati zao e direitos

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    humanos, que travam batalhas pela liberdade de expresso, direito in-formao, acesso Internet de ban-da larga, entre outras causas para que no venha a reproduzir as ve-lhas desigualdades sociais.

    Logo, podemos entender porque o Facebook vem sendo o campo mais uti lizado como palco de parti cipaes polti cas pelos jovens pobres, que encontraram atravs dele uma horizontalida-de de poder descentralizado e uma convergncia miditi ca que possibilita a insero de novas narrati vas, alm de agregar a polifonia de vozes que se de-frontam e se autoalimentam.

    O espao interati vo [ainda] privilegiado por per-miti r grupos de causas co-muns [para o bem ou para o mal] se organizarem tanto na rede quanto em redes para ocuparem os espa-os pblicos. So essas caractersti cas que fazem do Facebook e a Internet como um todo condicio-nantes e no determi-nantes das aes huma-nas hoje nas ruas.

    # Ficaa Dica Vdeo Sonho Brasi-

    leiro_Manifeso [Traa perfil do jovem brasileiro, o que eles acham do Brasil e quais suas ex-pectativas]. Disponvel em: vimeo.com/30918170

    Vdeo Histria #27 Vem pra rua III | RJ + SP [Traz tona como re-des descentralizadas esto hackeando o sistema]. Disponvel em: htt p://goo.gl/Ec1Hw8

    Filme 100 mil RJ [Sobre as mani-festaes no Rio de Janeiro]. Disponvel em: htt p://goo.gl/k0KUot

    Referncias

    BATALHA, Marcelo da Luz. Novas fron-teiras para a comunicao ati vista em rede: um olhar sobre o Centro de Mdia Indepen-dente. Dissertao (Mestrado em Cincia Polti ca) Universidade Estadual de Campi-nas, Insti tuto de Filosofi a e Cincias Humanas. Campinas, SP [s. n.], 2010.

    CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. Traduo: Roneide Venncio Majer; atualizao para 6 edio: Jussara Simes (A era da infor-

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    mao: economia, sociedade e cultura; v. 1). So Paulo: Paz e Terra, 1999.

    GOHN, Maria da Glria. Paradigma terico na Anlise da realidade brasileira: o senti do e o signifi cado dos conceitos. In: O protagonismo da sociedade civil. MS, ONGs e redes solidrias. Editora Cortez, 2005.

    ______. Educao no formal e o educador social: atuao no desenvol-vimento de projetos sociais. So Paulo: Cortez, 2010. (Colees questes da nos-sa poca; v. 1).

    ______. Educao no formal e cul-tura polti ca: impactos sobre o associati -vismo do terceiro setor. 4. ed. So Paulo: Cortez, 2011. (Coleo questes da nossa poca; v. 26).

    GOMES, Wilson. Arti go Internet e parti cipao polti ca em sociedades de-mocrti cas. Revista FAMECOS. Porto Ale-gre, n 27. Agosto de 2005.

    HOEHNE, Leandro. Arti go Perifati vis-mo cultural, um olhar polti co jovem. Ju-ventude e Polti ca. Le Monde Diplomati que Brasil. Ano 6. Nmero 64. Novembro, 2012.

    LVY, Pierre. Traduo de Carlos Irineu da Costa. Cibercultura. So Paulo: Ed.34, 1999.

    PINHO, Jos Antonio Gomes de. A Internet e as expectati vas da democracia na era digital. TIC Domiclios e Empresas 2010. Pesquisa sobre o Uso das Tecno-logias de Informao e Comunicao no Brasil So Paulo: Comit Gestor da Internet no Brasil, 2011. Disponvel em: htt p://op.ceptro.br/cgi-bin/ceti c/ti c-do-micilios-e-empresas-2010.pdf.

    SCHERER-WARREN, Ilse. Das mobi-lizaes s redes de movimentos sociais. Sociedade e Estado. Braslia. v.21, n.1. p. 109-130. jan./abr. 2006.

    VALLA, Victor Vincent. Sobre parti -cipao popular: uma questo de pers-pecti va. Cad. Sade Pblica, Rio de Janeiro, 14 (Sup. 2):7-18, 1998. Dis-ponvel em: htt p://www.scielosp.org/pdf/csp/v14s2/1322.pdf

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    ComunicaoPopular, Alternativa

    e Comunitria

    Comunicao

    Adrielson Accio1, Diego Te lo2 e Patrcia Cordeiro3, de Belm

    Introduo: vamos nos comunicar?

    O Brasil viveu um intenso processo de represso e censura iniciado em 1964 com a instalao do golpe militar at a reabertura democrti ca em 1985. Nesse perodo, uma ferramenta muito impor-tante na resistncia contra a ditadura foi a comunicao popular, que possibilitou o fortalecimento de diversos movimentos sociais organizados, propagando as suas ideias e pautando seu posicionamento polti co e reivindicando sua liberdade de

    1 Adrielson Accio, publicitrio e pesquisa-dor, militante da educomunicao na Amaznia e colaborador da Rede de Adolescentes e Jovens Comunicadores e Comunicadoras Renajoc2 Diego Tefi lo, Historiador, membro da Renajoc, educador do Insti tuto Universidade Popular Unipop e colaborador do Insti tuto Amaznico de Comunicao e Educao Popu-lar IACEP3 Patrcia Cordeiro, pedagoga, educadora social e coordenadora do Programa Juventude, Parti cipao e Autonomia do Unipop.

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    Como bem afi rmou a autora, a co-municao popular parte do processo coleti vo de construo da comunicao. Surge nesse processo como uma forma de visibilizar as aes e opinies protago-nizadas por diversos atores sociais.

    Segundo Peruzzo, dependendo do lugar social e do ti po de prti ca em questo, a comunicao popular tam-bm pode ser denominada alternati va, parti cipati va, horizontal, comunitria e dialgica. Para a autora, o senti ndo pol-ti co o mesmo, Podendo ser considerada uma forma de expresso de segmentos da populao que historicamente so ex-cludos, alm de ser uma ferramenta para suprir necessidades de sobrevivncia e de parti cipao.

    As refl exes acerca da semelhana entre os termos comunicao popular, alternati va e comunitria, se fortalecem na compreenso de Rozinaldo Antonio Miani (apud ARANHA, 2010, p. 173), que destaca que:

    A Comunicao Popular e Co-munitria se consti tuem como uma comunicao baseada na realidade das classes subalternas e com o ob-jeti vo de transformao social, a par-ti r da politi zao dos sujeitos dessas classes e sua consequente emancipa-o, mediante a proposio de pro-cessos comunicati vos, parti cipati vos e de valorizao das subjeti vidades.

    expresso. At hoje diversas reas da so-ciedade organizada produzem seus pr-prios meios de comunicao, produzindo vises, interpretaes e estti cas diferen-tes da mdia tradicional, controlada pelos grupos polti co-econmicos dominantes.

    Bate bola sobre a ComunicaoPopular, Alternati va e Comunitria

    Afi nal de contas, o que comunicao popular? H quem pense que ela esteja li-gada aos ndices de audincia obti dos pelos programas de TV e rdios direcionados ao povo. H quem acredite que ela se ma-nifeste nos espaos desti nados s causas da comunidade, nos grandes veculos de comunicao. H quem defenda que ela exista em uma prti ca de comunicao feita pelo povo e para o povo, com o objeti vo da transformao social.

    Ciclia Maria Khroling Peruzzo (2006, p. 2) destaca que a comunicao popular representa:

    Uma forma alternati va de co-municao e tem sua origem nos mo-vimentos populares dos anos de 1970 e 1980, no Brasil e na Amrica Lati na como um todo. Ela no se caracteri-za como um ti po qualquer de mdia, mas como um processo de emerge da ao de grupos populares.

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    jornal para possibilitar que os moradores se senti ssem parte integrante da comunidade. Segundo informaes, h quatro anos hou-ve uma mudana na linha editorial do jor-nal, hoje focando na defesa e garanti a dos Direitos Humanos. O jornal distribudo em escolas, associaes, organizaes sociais e nas ruas do conjunto de favelas da Mar.

    Comunicao Popular na Amaz-

    nia: Adolescentes e Jovens democrati -zando o acesso a informao

    Desde o ano de 2006, o Insti tuto Uni-versidade Popular Unipop5, com sede em Belm/Par, vem desenvolvendo um curso de Comunicao Popular desti nado a adolescentes e jovens residentes de bair-ros perifricos da Regio Metropolitana da cidade. A proposta fazer com que os par-ti cipantes compreendam a comunicao como um direito humano e construo de um olhar crti co sobre os meios de comu-nicao tradicionais.

    5 uma enti dade civil de Educao Popular, sem fi ns lucrati vos, de Uti lidade Pblica Estadual (Lei 5.797, de 17/10/94) e Municipal (Lei 8.275, de 14/10/2003). Nasceu da mobilizao de um conjunto de enti dades, movimentos sociais e igrejas comprometi das com a educao popular e o exerccio da cidadania, para ser um espao plural de formao de lideranas populares, agentes pastorais e fortalecimento da democracia. Foi fundada ofi cialmente em 27 de outubro de 1987, com trs reas temti cas: Formao Teolgica Ecumnica Popular; Formao Sociopolti ca e Formao em Arte-educao, com nfase ao Teatro do Oprimido.

    35

    Destacamos, a parti r das contribui-es de Miani, que as classes subalternas possuem papel fundamental no processo de construo da comunicao no con-texto das comunidades, assim os proces-sos comunicati vos contribuem para a for-mao dos sujeitos pertencentes a essas classes, fortalecendo a relao comunit-ria e a parti cipao polti ca.

    Prti cas comunicati vas protagonizadas por

    organizaes sociais:

    Comunicao e Resistncia: A ex-perincia do jornal O Cidado, na Mar Rio de Janeiro

    H 14 anos na cidade do Rio de Ja-neiro, especifi camente no Complexo de Favelas da Mar, que agrega 16 favelas, o jornal O Cidado4, projeto do Centro de Estudos e Aes Solidrias da Mar (Ce-asm), uti liza a comunicao comunitria como uma ferramenta para dar voz aos moradores das comunidades e discuti r temas importantes.

    O jornal tem como um dos seus obje-ti vos a valorizao da cultura local, inclusi-ve, o termo mareense foi inventado pelo

    4 Mais informaes no site: htt p://jornalocidadao.net/

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    Atualmente o curso dividido em dois momentos, que so: Forma-

    es Sociopoltica, ambiental e educomunicao, nas quais os participantes vivenciam duran-te um dia inteiro a formao terica sobre diversos temas, entre eles: Direitos Humanos, participao, protagonismo, leitura comunitria e traba-lho em rede. Ao mesmo tem-po tm contato com prticas de produo educomuni-cativas (fanzines, teatro, jornal humano e mural, v-deo de bolso, rdio, entre outras), os materiais so produzidos a partir das reflexes e orientaes dos facilitadores e o per-curso formativo tem du-rao de dez meses.

    E Incidncia Polti ca nas comunidades, em que os parti cipantes, durante as formaes, constroem planos de ao para serem de-senvolvidos durante o segundo momento que denominado

    de incidncia polti ca no perodo de quatro meses em

    suas comunidades.

    Consideraes nais

    As refl exes tericas e metodol-gicas sobre a Comunicao Popular, Al-ternati va e Comunitria debati das por diversos autores e autoras se propem a fortalecer a discusso por meio da pro-duo no mbito acadmico, mas para alm desse espao temos os movimentos sociais organizados que tambm vm for-talecendo o tema. No podemos deixar de destacar os principais protagonistas na construo da comunicao popular, o povo, que quem d senti do real a essa proposta de comunicao.

    As experincias aqui apresentadas vm se consolidando ao longo dos anos como espaos de intensos debates sobre direitos humanos e prti cas ligadas co-municao popular, alternati va e comuni-tria, que respeita a diversidade e plurali-dade da sociedade.

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    # Ficaa Dica Filme Uma Onda no Ar, que con-

    ta a histria real de uma rdio comunit-ria em Belo Horizonte;

    Vdeo Como montar uma Radio Livre realizado pela Rdio Tarrafa dispo-nvel em: htt p://goo.gl/RJALuU

    Plataforma de webrdio gratuita, para voc poder transmiti r pela internet ao vivo seus programas de rdio: www.listen2myradio.com/

    Portal de rdios livres do Brasil: www.radiolivre.org/

    Centro de Mdia Independente Brasil (rede de coleti vos de mdia inde-pendente): www.midiaindependente.org

    Referncias

    PERRUZZO, Ciclia Maria Khroling. Revisitando os Conceitos de Comunica-o Popular, Alternati va e Comunitria. Arti go apresentado no Intercom Socie-dade Brasileira de Estudos Interdisciplina-res da Comunicao. XXIX Congresso Bra-sileiro de Cincias da Comunicao UnB 6 a 9 de setembro de 2006. Disponvel em: htt p://www.unifra.br/professores/rosana/Cicilia+Peruzzo+.pdf

    ARANHA, Tas. Comunicao Popu-lar, Comunitria, Horizontal ou Dialgi-ca? Arti culaes e Diferenas entre os Conceitos Tericos. Arti go apresentado na VI Conferncia Brasileira de Mdia Ci-dad I Conferncia Sul-Americana de Mdia Cidad. 5 a 7 de agosto de 2010, Pato Branco PR Brasil. Disponvel: htt p://www.unicentro.br/redemc/2010/Arti gos/Comunica%C3%A7%C3%A3o%20Popular,%20Comunit%C3%A1ria,%20Ho-rizontal%20ou%20Dial%C3%B3gica.pdf

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    Lembre-se: todos os parti cipantes possuem conhecimentos importantes para a construo coleti va do saber e de-vem ser ouvidos e incenti vados a parti ci-par o mximo possvel.

    Ao trmino das ofi cinas, dialogar com o grupo os aprendizados, as crti cas, o que signifi caram as ati vidades para eles, incenti var a conti nuidade dos trabalhos de forma autnoma e autogerida por eles.

    Ensinar no transferir conhecimento,mas criar as possibilidades para a sua

    prpria produo ou a sua construo.

    (Paulo Freire)

    Propostas Metodolgicas

    Alessandro Muniz, de Natal1

    Everton Nova, da Bahia2

    Orientaes iniciais

    As propostas pedaggicas aqui pre-sentes foram elaboradas a parti r das com-preenses e prti cas da Educao Popular, na perspecti va da Educomunicao.

    Foram pensadas em uma sequncia lgica, mas elas podem ser executadas individualmente e adaptadas livremen-te, conforme necessidade e contexto de cada um. Se o tempo sugerido para cada dinmica e ofi cina no for sufi ciente, su-gerimos que, se possvel, uti lizar mais de um encontro/aula.

    Sugerimos tambm que a organizao bsica do espao para os encontros seja em crculo, em que todos possam se ver e ouvir de forma igual, valorizando assim a parti ci-pao de todos e facilitando os debates.

    1 Educador e Comunicador Popular, Realiza-dor Cultural e Coordenador do programa Vir-a-Vila: Escolas Populares na Interface Comunica-o, Educao e Cultura.2 Pedagogo, especialista em coordenao pedaggica e gesto escolar, educomunicador na ONG Cip e Pesquisador do Observatrio de Educao em Direitos Humanos, Cidadania e Violncia, da UNEB.

    Imagens que poderoauxiliar as ofi cinas destecaptulo disponveis no link:htt p://search.4shared.com/, e no QR code ao lado.

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    Em seguida, questi onar aos parti ci-pantes:

    O que a imagem est mostrando?O que a imagem tem a ver com o

    coti diano dos meios de comunicao que uti lizamos?

    Avaliar como realizada a comuni-cao no dia a dia da comunidade.

    OFICINA: Adolescnciase comunicao

    OBJETIVO: Discuti r sobre a experin-cia de ser adolescente; a diversidade deste grupo etrio e como a mdia as retrata

    1 momento:

    O que ser adolescente? - 20 min.

    Separar o grupo em 3 grupos meno-res. Em cada grupo perguntar e dialogar sobre o que ser adolescente (5 min.);

    Fazer uma tempestade de ideias com o que for falado sobre adolescncia; ou seja, reunir todas as ideias colocadas pelo grupo, de modo a ter um panorama das ideias de todos, registrando em forma de cartaz;

    Debater com eles o que seriam es-sas vrias adolescncias.

    2 momento:Como a mdia mostra a adolescncia

    - 20 min.

    Ainda divididos nos grupos, trazer uma edio de 3 revistas para o pblico

    OFICINA: Integrao

    OBJETIVO: Integrar os/as alunos/as entre si e iniciar o trabalho o tema da comunicao.

    1 momento:Comunicao e integrao - 20 min.

    Cada um escreve num papel uma caractersti ca de seu jeito de ser, uma caractersti ca f sica e um sonho/vonta-de; Os papis so distribudos e cada um tenta adivinhar quem o autor do texto que tem em mos; Se no descobrir, l para todos e as pessoas ajudam a des-cobrir. Obs.: Se o grupo ti ver mais de 10 pessoas, no distribuir os papis nova-mente, pois tomaria muito tempo todos lerem e tentarem adivinhar as pessoas. Ao invs disso, sortear cerca de 10 pa-pis e ler para todos, para que coleti va-mente possam dialogar sobre os sonhos e caractersti cas do grupo.

    2 momento:O que comunicao? - 30 min.

    Colocar as seguintes perguntas: 1) O que vocs acham que comunicao? 2) Algum consegue passar um dia intei-ro sem se comunicar? 3) Comunicao um direito? Se sim, por qu? Em seguida, mostrar a imagem (imagem disponvel no link do QR code). Deixar que eles a observem por alguns minutos.

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    perceber diferenas e semelhanas e qual o impacto disso para a compreenso e vi-vncia que cada um tem de adolescncia.

    3 momento:Direitos da Criana e do adolescente

    (10 min.)

    Para concluir o encontro, exibir o v-deo sobre o Direito da Criana e Adoles-cente (no preciso exibi-lo inteiro. Os pri-meiros 5 minutos e 20 segundos bastam);

    Debater com xs estudantes sobre o ECA;

    Perguntar o que acharam, o que j conheciam e o que no conheciam, o que consideram de mais marcante e/ou im-portante;

    Tirar as dvidas.

    OFICINA: Educomunicao/Fotogra a autorrepresentao

    OBJETIVO: Abordar e problemati zar o conceito de educomunicao e uti lizar a fotografi a para refl eti r sobre como os adolescentes podem produzir represen-taes de si mesmos diferentes das pro-duzidas pela mdia;

    1 momento:Fotogra a e autorrepresentao

    30min.Retomar com o grupo a refl exo da

    ofi cina anterior sobre como as revistas

    adolescente/infantojuvenil (sugesto: Ca-pricho, Atrevida e Virao se no esti ve-rem disponveis, buscar outra que traga textos sobre adolescncia). Cada grupo ir analisar uma das revistas;

    Pedir aos adolescentes que anali-sem pgina por pgina das publicaes, observando:

    Quem so os personagens retrata-dos na revista que ti po de pessoas so representados observar gnero, faixa etria, classe social, etnia, nacionalidade, profi sso. Existe diversidade nessas re-presentaes?

    Observar se h discriminao ou exaltao de algum ti po de personagem/pessoa;

    Quem que produz esse contedo, como ele escolhido, decidido, pautado etc.

    Temti cas discuti das Se so de-bati dos de maneira plural, se ocorre a apresentao de causas, consequncias e solues, se h aprofundamento da te-mti ca e do contexto;

    Pblico Como a revista imagina seu leitor para quem ela est escrevendo;

    Publicidade Como so as publi-cidades e infl uncia delas no contedo e no leitor.

    Depois o grupo deve fazer um resu-mo e apresentar para a turma o que foi percebido sobre como se v a adolescn-cia em cada revista, de modo que todos possam comparar as leituras crti cas e

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    Aps 15 minutos de discusso nos grupos, cada grupo deve refl eti r sobre a importncia da parti cipao ati va nos meios de comunicao, produo de co-nhecimento e uti lizao das novas tecno-logias, e explicar a perspecti va/conceito da educomunicao e os seus princpios e valores, encaminhando o encerramen-to da ofi cina.

    OFICINA: O que ser jovem

    OBJETIVO: Debater sobre a juven-tude e direitos humanos com o uso de vdeo produzido com celular.

    1 momento:A Juventude no levada a srio

    - 15 min.

    Ouvir a msica No srio Charlie Brown Jr., distribuindo a letra numa folha para cada um. Em seguida, separar em gru-pos para discusso, conforme os temas:

    Grupo 1) Como a mdia mostra o jovem

    Grupo 2) Como o jovem tratado pela sociedade (polcia, escola e demais insti tuies)

    Grupo 3) Quais so os direitos da juventude

    Grupo 4) Que aes a juventude faz e pode fazer para transformar a realidade mostrada na msica

    podem representar os adolescentes de diferentes formas, muitas vezes sem a parti cipao do adolescente na expres-so de suas opinies.

    Nesse momento os adolescentes iro realizar suas prprias representa-es. Divididos em grupos, cada grupo deve pensar que imagem de adolescente eles querem produzir.

    Devem ento elaborar uma fotogra-fi a com um celular e pensar um slogan (uma frase de efeito, como na publicida-de) que represente essa imagem. Aps 20 minutos de produo, faz-se a grande roda para que cada grupo possa mostrar sua imagem e seu slogan.

    2 momento:Educomunicao - 20min.Divide-se a turma em 3 grupos. To-

    dos recebem, individualmente, uma car-tolina (se no esti ver disponvel, uma fo-lha de papel of cio). Cada grupo receber uma das seguintes questes:

    Grupo 1) A televiso, o rdio, as revis-tas e demais meios de comunicao infl uen-ciam no que aprendemos sobre o mundo?

    Grupo 2) O computador, o celular, a internet e seus inmeros sites de vdeos, textos, sons, redes sociais, mudaram nos-sa maneira de aprender e ensinar?

    Grupo 3) O relacionamento entre as pessoas mudou com a presena das tec-nologias?

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    2 momento:Retratos das Juventudes - 30 min.

    Cada grupo deve ento produzir um vdeo de at 3 minutos com o celular que mostre as diferentes faces da juventude, seus gostos, seus objeti vos, representan-do a diversidade existente na juventude. Sugestes:

    Microentrevistas com vrios jo-vens nas quais eles falam o que pensam sobre os diversos ti pos de juventude;

    Micro-histria improvisada pelo grupo sobre o tema;

    Microdebate em roda sobre o tema.

    3 momento:Encerramento - 5 min

    Se possvel, exibir os vdeos produzi-dos. Se no, informar que no prximo en-contro eles sero exibidos. Dialogar sobre o que acharam da ofi cina, da produo e das discusses realizadas.

    OFICINA: Histria dosDireitos Humanos

    OBJETIVO: Debater sobre os Direi-tos Humanos e o seu surgimento;

    1 momento:Dinmica Compreenso sobre Di-

    reitos Humanos- 25 min.

    Primeiro perguntar ao grupo o que eles acham que so Direitos Humanos, quais conceitos, histrias e opinies eles possuem.

    Em seguida, separar a turma em 4 grupos. Cada grupo receber duas das se-guintes frases para discusso:

    1) Direitos Humanos no incluem deveres;

    2) Direitos Humanos coisa de pessoas que gostam de defender bandi-dos e marginais;

    3) Cada pessoa nasce com Direitos Humanos e estes no podem ser reti rados;

    4) Direitos Humanos incluem toda e cada pessoa, independente do que possui, cor da pele, sexo, idade, lugar onde mora;

    5) Direitos Humanos so conquis-tas que os oprimidos fazem lutando e os exigindo;

    6) Direito Humano tudo o que hoje imprescindvel/necessrio a um ser humano para viver bem e com justi a.

    Cada grupo deve dialogar sobre as frases, se discordam ou concordam, se j pensavam o que diz a frase ou foi algo novo, se elas j ouviram algo pare-cido no seu cotidiano, qual o impacto/importncia da frase para o cotidiano das pessoas, entre outras questes que possam surgir.

  • 4343

    1) O jornal-mural uma mdia r-pida para que as pessoas possam ler em espaos de passagem, corredores, pti os, bibliotecas.

    2) Deve conter textos curtos ou no muito grandes, com letras grandes (visveis e legveis a uma distncia de um metro).

    3) Riqueza de imagens, ilustraes e outros elementos que chamem a ateno.

    4) Organizar a distribuio dos tex-tos em sees, uti lizando elementos gr-fi cos para separar uma seo da outra, como um fundo ou moldura em cor que d destaque, ou uma barra que separa, de maneira que auxilie a compreenso de o que cada coisa.

    5) Usar a criati vidade para deco-rar, usando outros materiais disponveis, como tecidos, EVA, papis coloridos.

    6) Contudo: ter cuidado com a polui-o visual, ou seja, com o excesso de in-formaes visuais que confundam e atra-palhem o olhar. (exemplos de imagens disponveis no link do QR code)

    2 momento:Pesquisa e elaborao do contedo

    - 35 min

    Dividir a turma em grupos. Um gru-po fi car responsvel por, em sala de aula, no laboratrio de informti ca, na biblioteca ou em casa:

    1) Buscar textos e imagens sobre a

    2 momento:Histria dos Direitos Humanos

    25 min.

    Exibir o vdeo sobre a trajetria dos direitos humanos. Aps, debater o que o vdeo tem a ver com a ati vidade anterior e o que os alunos acharam. Perguntar se todxs ti nham conscincia dos Direitos Hu-manos, seu surgimento e sua importn-cia. Finalizar a aula pedindo que os estu-dantes pesquisem mais sobre os Direitos Humanos e quais so para a prxima aula.

    OFICINA: Jornal mural e Direitos Humanos I e II

    OBJETIVO: Debater sobres os direi-tos humanos e produzir um jornal mural sobre as discusses e ideias pesquisadas e discuti das sobre os direitos humanos

    Esta ofi cina deve ser realizada em dois encontros. No segundo encontro, os estudantes vo terminar a confeco do jornal e exp-lo em algum lugar de gran-de circulao da escola.

    1 momento:O que um jornal mural? - 15 min

    Questi onar qual o conceito e ideias que os parti cipantes j possuem de jornal mural. Em seguida, mostrar as seguintes fotos e explicar que:

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    histria dos Direitos Humanos (DH) no mundo e no Brasil;

    2) Pesquisar histrias e imagens que ilustrem a importncia dos DH;

    3) Encontrar histrias e imagens que mostrem e denunciem quando eles no so respeitados;

    4) Escrever textos e imagens que fa-lem sobre os direitos humanos na escola, como o direito educao, ao esporte e se eles so ou no respeitados.

    OFICINA: Direito comunicaoe democrati zao da mdia

    OBJETIVO: Refl eti r sobre o direito comunicao e a realidade dos meios de comunicao no Brasil, ajudar a desen-volver uma viso crti ca da mdia.

    1 momento:Direito Humano Comunicao -

    10 min.

    Questi onar e dialogar: Comunicao um direito? Por qu? Se um direito, temos ele garanti do? Aprendemos a nos comunicar pelas vrias mdias/meios existentes?

    2 momento:Mdia Quem pode mais?- 30 min.

    Escolher trs parti cipantes: eles re-presentaro os proprietrios dos meios de

    comunicao. Trs parti cipantes represen-taro comunicadores empregados destes proprietrios. Os demais representaro os telespectadores, ouvintes, leitores, ou seja, usurios dos meios. Monta-se uma cena: Os proprietrios se renem e con-versam sobre que temas que os usurios devero ver, ouvir, pensar.

    Em seguida, os proprietrios orde-nam que seus empregados simulem um programa de TV (ou rdio), dando uma not cia (improvisada) sobre um tema de importncia para os proprietrios. Os usurios vo assisti r e comentar sobre.

    Por fi m, reunir todos e dialogar so-bre qual a diferena entre os trs papis (proprietrios, comunicadores e usu-rios)? Quem tem mais poder (polti co, econmico, social)? Infl uncia, controle, quais as relaes entre os papis?

    3 momento:Capitanias miditi cas no Brasil -

    10 min.

    Expor a imagem (imagem dispon-vel no link do QR code) e dialogar sobre o que ela signifi ca, sobre a realidade con-tempornea do Brasil de oligoplio dos meios de comunicao.

    OFICINA: Fanzine

    OBJETIVO: Vivenciar a expresso criati va de ideias e opinies;

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    Vdeo: htt p://goo.gl/zabAvo

    1 momento:O que um fanzine? - 15 min

    Perguntar se algum conhece ou sabe o que um fanzine. Explicar que fanzine uma mdia impressa alterna-ti va de baixssimo custo e alt ssima cria-ti vidade. Basicamente se faz a parti r de uma folha de papel of cio como base, na qual se produz um contedo a parti r de textos, imagens, colagens, ilustraes e o que mais o/s autor/es desejarem, com to-tal liberdade de criar e explorar jogos de palavras e imagens, formas de organizar a mensagem no papel e expressar o que quiser da maneira que quiser.

    Exibir o vdeo Como fazer um fan-zine para ilustrar. (exemplos de imagens disponveis no link do QR code)

    2 momento:Mos arte! - 35 min

    Se possvel, ter alguns fanzines a mo para que o grupo investi gue e per-ceba os detalhes da mdia. Se no, parti r para a experimentao.

    Basicamente existem duas formas de comear um zine:

    1) Parti ndo de uma ideia prvia fazer um zine sobre msica, meio ambiente, o co-ti diano da escola ou qualquer outro tema;

    2) Simplesmente ir folheando revis-tas, buscando imagens, textos, escreven-do o que surge durante o processo criati -vo da produo;

    Separar grupos para produo de fanzines;

    Ter sempre o cuidado de pensar em como ser feito para ti rar cpias para fa-zer acontecer a comunicao.

    Se no for possvel terminar a produ-o na aula, uti lizar outra aula para con-cluso dos fanzines ou solicitar que cada grupo leve o que comeou para concluir em casa e trazer no prximo encontro.

    OFICINA: Cultura Digitale Marco Civil da Internet

    OBJETIVO: Refl eti r sobre o contexto da cultura digital e a importncia do Mar-co Civil da internet

    1 momento:A teia digital - 30 min

    Pedir a todos para fi carem em crculo;Algum comea segurando a pon-

    ta do barbante com o dedo e comea a falar para o que usa a internet e por que ela importante em sua vida; Jo-gar o barbante para outro parti cipante da roda. Quem recebe o barbante faz o mesmo, segura-o no dedo e fala, sem repeti r o exemplo dado pelo anterior. E

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    no ter medo de se aventurar e ter curiosi-dade para mergulhar no novo.

    1 momento:Explorar plataformas de blog -

    15 min

    Para iniciar a ati vidade, importan-te perguntar se algum sabe o que um blog, como funciona, falar um pouco da histria do blog.

    No laboratrio de informti ca da escola pedir aos parti cipantes que ex-plorem exemplos de blogs em cada uma das plataformas e com temas variados de interesse dos alunos e alunas. Seguem al-guns exemplos:

    Wordpress:pamaali.wordpress.com

    Blogger:juventudeconectadaaosdireitos.blo-

    gspot.com.br

    Tumblr:porqueescrevo.tumblr.com

    Outras plataformas:blogueirasnegras.org

    2 momento:Mos arte - 35 min

    Escolher uma das plataformas e pe-

    assim segue, envolvendo todos os par-ti cipantes.

    Ao trmino, refl eti r sobre como a cul-tura digital e a internet alteraram os hbi-tos, formas de aprender, conhecer, comu-nicar, interagir, trabalhar, se diverti r, entre tantos outros setores e comportamentos humanos e como ela conecta a todos, ain-da que indiretamente e uma poderosa lgica/ferramenta de transformao.

    2 momento:Marco Civil da Internet - 20 min

    Exibir o vdeo O que o marco civil da internet?;

    Dialogar sobre os direitos e de-veres do usurio, das empresas e do Estado na internet, qual o impacto/im-portncia da aprovao da lei. Ao final, sugira aos participantes pesquisarem mais sobre o assunto.

    OFICINA: Blog

    OBJETIVO: Apropriar-se de uma fer-ramenta de comunicao e de expresso da internet

    Existem vrias plataformas gratuitas de blogs disponveis. Os trs mais conhe-cidos so o blogger.com, o wordpress.com e o tumblr.com. Antes da ofi cina, o media-dor deve acessar uma dessas plataformas ou outra de sua escolha, fazer uma conta e explorar seu funcionamento. O desafi o

  • dir para que os parti cipantes, em grupos ou individualmente iniciem o cadastro para criarem seus prprios blogs;

    Fazer uma orientao passo a passo, ti rando as dvidas que surgirem;

    Deix-los explorar a plataforma, descobrir seus segredos e propor pesqui-sas para que eles deixem os seus blogs melhores. Ex.: Colocar um relgio, conta-dor de acessos, um layout diferente etc.

    OFICINA: Uma educao feitapelo e para o povo

    OBJETIVO: Trabalhar o protagonis-mo e a importncia de fazer parte das mudanas que queremos

    1 momento:Eu, protagonista popular - 40 min

    Parte 1: Solicitar que xs parti cipan-tes escrevam em um papel a resposta para 3 perguntas:

    1) O que sei e gosto de fazer? (Pode ser qualquer ao. Ex.: Dormir, acessar a internet etc.);

    2) O que sei e no gosto de fazer? (Pode ser qualquer ao. Ex.: Lavar os pratos, arrumar a casa, estudar);

    3) O que sei fazer e algum j ga-nhou dinheiro fazendo? (Pode ser qual-quer ao).

    Aps a escrita todos se apresentam e respondem s 3 perguntas.

    Parte 2: Depois, formar grupos por afi nidade. A criao do grupo ser com base nas respostas, principalmente da resposta pergunta 3. (Por exemplo, quem gosta de coisas ligadas arte forma o grupo da arte).

    Com os grupos separados eles vo responder a mais uma pergunta:

    Como isso que se sabe fazer pode contribuir com a transformao da reali-dade das pessoas, da sociedade, da esco-la, do bairro?

    Nesse momento o/a mediador/a os auxiliar a entender o objeti vo e como eles podem contribuir com os seus tra-balhos e saberes socialmente, tanto indi-vidualmente como coleti vamente. Cada grupo deve descrever numa cartolina suas concluses.

    Quando terminarem, eles apresen-tam as propostas e se inicia o debate so-bre o que eles acharam da ati vidade. Ser que seria possvel eles colocarem aquelas ideias na prti ca? Algum teria um exem-plo de ao que surgiu dessa forma?

    2 momento:A educao popular - 10 min

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    Nesse momento o/a educador/a ter que usar o momento 1 como base para falar sobre os processos e prti cas da edu-cao popular e dos movimentos sociais e da importncia da parti cipao e iniciati va popular para solucionar problemas ou en-contrar solues para ajudar a sociedade.

    Recomenda-se uma leitura coleti va (se o grupo for de jovens e adultos) do texto sobre educao popular desta publi-cao como base no debate.

    OFICINA: Parti cipao populare formao polti ca I

    OBJETIVO: Discuti r o modelo de uma sociedade ideal refl eti r sobre como o que queremos pode