Heinz Kohut e a Sua Teoria Do Narcisismo

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Heinz Kohut e a sua teoria do narcisismo

Heinz Kohut e a sua teoria do narcisismoNorberto M. Bleichmar e Celia Leiberman de BleichmarTrabalho apresentado como requisito parcial para obteno de aprovao na Unidade Curricular de Teoria e Clnica Psicanaltica4 ano do Mestrado Integrado em Psicologia Clnica

ISPA INSTITUTO UNIVERSITRIO DE CINCIAS PSICOLGICAS, SOCIAIS E DA VIDADocente: ngela Vila RealDiscentes: Raquel Jernimo, n 19882 Vera Martins, n 19883Catarina Ramos Perptuo, n 19886Daniela Silvestre, n 22494Lisboa, 27 de Novembro de 2013ndiceMito de NarcisoKohut Dados biogrficosAntecedentes da Psicologia do SelfSelfTipos de Transferncia NarcsicaA Psicopatologia sob a ptica da Psicologia do SelfTcnica Psicanaltica Proposta Pela Psicologia do SelfCrticas

Mito de NarcisoNarciso nasceu na Tspia, filho da ninfa Lirope e do deus-rio Cefiso.O vidente Tirsias disse a Lirope: Narciso vai viver uma longa vida, desde que nunca se conhea. Aos 16 anos tinha j despertado o amor a seres de ambos os sexos. Tinha um grande orgulho na sua beleza.Catarina: Vamos comear com o mito de Narciso para que quem ainda no o conhece, tome conhecimento do mito que deu origem ao nome das perturbaes de que hoje vamos falar, a ttulo de curiosidade. Narciso nasceu na Tspia (na Becia, ao Sul de Tebas), filho da Ninfa Lirope e do deus-rio Cefiso. Quando era pequeno, o vidente Tirsias comunicou a Lirope que narciso iria viver uma vida longa, desde que nunca se conhecesse, isto , desde que nunca visse a sua prpria face. Despertava amores apaixonados por quase qualquer criatura com quem se cruzasse, o que o fazia ter um grande orgulho na sua beleza.3

Mito de NarcisoDestaca-se a paixo da Ninfa Eco por Narciso.Um dia Narciso envia uma espada a Amienius, com que ele se mata, pedido aos deuses que vinguem a sua morte.Artemisa ouve o apelo e f-lo apaixonar-se, sem poder consumar o amor.Catarina: uma das figuras que se apaixonada por ele a ninfa Eco, uma ninfa que no pode dizer nada a no ser repetir as palavras dos outros um castigo.Eco no aguentou a rejeio, e isolou-se para sempre numas ravinas4

Mito de NarcisoUm dia durante um passeio encontrou uma fonte, da qual se abeirou para matar a sede.E apaixonou-se pelo rapaz que via, e tentou toc-lo e beij-lo.Depois reconheceu-se e ficou a olhar para o seu reflexo. Como posso ter e no ter ao mesmo tempo?Definha e morre.Um dia durante um passeio, Narciso encontra uma fonte e aproxima-se dele para matar a sua sede. Imediatamente apaixona-se pelo rapaz do reflexo, tentando toc-lo e beij-lo. S depois se apercebeu que esse rapaz era ele prprio, e incapaz de deixar de olhar para si, at que definha e morre.5Kohut Dados biogrficos

Mdico vieneense, que inicia a prtica clnica no campo da Neurologia; Muda-se para Chicago no incio da Segunda Guerra Mundial, e l vive at sua morte (1981); 1953 entra no Instituto Psicanaltico de Chicago, onde comea a sua carreira de psicanalista; Presidncia da American Psychoanalytic Association6Kohut Psicologia do SelfKOHUTInfluncia da Teoria de HartmannAfastou-seHartmann

Ideia de Self Conceito de EgoNova Teoria Clnica: a Psicologia do SelfKohut foi muito influenciado pela Teoria de Hartmann e de outros Psiclogos do Ego.A obra de Hartmann diferencia a ideia de self do conceito de ego. Na medida em que a ideia de self no mais do que a representao de si e o conceito de ego refere-se a uma das 3 instncias da estrutura tripartida da mente. Kohut aos poucos foi-se afastando das ideias destes, acabando por formalizar uma nova teoria clinica: a Psicologia do Self.7Antecedentes da Psicologia do SelfFreud e KohutFreud considera duas linhas de desenvolvimento do narcisismo:Destino da libidoObjectalNarcsicaRelao de objecto (amar algum que se deseja ou que como se foi)Kohut apenas aproveita esta nooCatarina: Agora vamos falar um bocadinho das semelhanas e das diferenas entre as formulaes de Kohut e de outros autores que todos j conhecemos, para que melhor possam entender os argumentos de Kohut.Vamos comear por Freud. Como sabem, Freud considera duas linhas de desenvolvimento do narcisismo. Uma delas relaciona-se com o destino da energia libidinal, energia essa que pode ser investida no objecto e depois devolvida ao prprio, ou pode ser investida directamente no prprio. A outra linha processa-se na relao de objecto, durante a qual se ama algum que se deseja ou que como o sujeito j foi. nesta ltima que Kohut se apoia exclusivamente, deixando de parte a outra. Ento, na teoria do Kohut pe-se o acento no desenvolvimento do narcisismo no contexto de relaes de objecto.8Antecedentes da Psicologia do Self (cont.)Freud e Kohut(cont.)KOHUT modifica alguns aspectos da psicanlise freudiana:Equilbrio das sries complementaresDestaque no ambientePulso de morte causa agresso humana Agresso resulta da frustraoA tcnica procura conhecer e resolver os conflitosA tcnica procura superar bloqueios com base em melhores objectos do SelfComplexo de dipo fonte de conflitosFalhas empticas dos objectos como fonte de conflitos

Freud

KohutKohut vem modificar alguns aspectos da psicanlise freudiana. Enquanto Freud contempla o conflito como uma perturbao no equilbrio das sries complementares, como a pulso de morte-pulso de vida, princpio do prazer-princpio da realidade (aspectos intra-psquicos), Kohut coloca o destaque no ambiente. O conflito vem de falhas no ambiente.Outra grande diferena reside na forma como cada um v a agresso. Freud v-a como causa da pulso de morte, presente em todos os indivduos vivos, o que a torna inevitvel; Kohut preconiza que a agresso resulta da frustrao de necessidades, constituindo-se como uma resposta a essa frustrao.A tcnica psicanaltica de Freud procura conhecer e resolver os conflitos intrapsquicos que causam perturbaes na vida da pessoa. Atravs do conhecimento desses conflitos e da manifestao de uma reaco emocional associada, o conflito resolve-se e o sintoma desaparece. Segundo a tcnica de Kohut, o objectivo superar os bloqueios com base em melhores objectos do Self (que vamos definir mais frente. De qualquer forma, fiquem com a ideia de que as melhorias no se do pelo resolver e tomar conscincia de conflitos, mas sim por respostas empticas e compreensivas da parte do terapeuta.O complexo de dipo , como sabem, a base do edifcio terico Freudiano e dos conflitos pulsionais experimentados durante o complexo de dipo que vm os sintomas posteriores. Em Kohut, considera-se que os conflitos tm na base falhas empticas dos objectos do self, o que vai influenciar no s a teoria mas tambm a prtica clnica.O complexo de dipo um fenmeno patolgico9Antecedentes da Psicologia do Self (cont.)Lacan e KohutTrabalho de LacanEstgio do espelho como formador do euIdeia de transferncia especular de KohutTanto do desejo como o olhar da me so a base da identidade do sujeitoO trabalho de Lacan acerca do estgio do espelho como formador do eu, que se refere ideia de que tanto o desejo como o olhar da me so a base para a formao do sujeito, foi um grande percursor para o surgimento da ideia de transferncia de Kohut.

10Antecedentes da Psicologia do Self (cont.)Desidealizao progressivaAmor da meFactor curativo da psicanliseWinnicott e Kohut1 O tratamento uma segunda possibilidade para o desenvolvimento 2 o analista funciona como subtituto das figuras significativas da infncia - a esperana de alcanar um vnculo onde a frustrao tima habite o sujeito para progredir na idade adulta (pg.351) 3 o amor da me importante para a integrao da criana; a me idealiza a criana e depois, progressivamente, desidealiza-a.11Antecedentes da Psicologia do Self (cont.)Vnculo com a meM. Mahler e KohutSemelhante: dedicarem muita ateno ao vnculo com a me, nas primeiras etapas do desenvolvimento e a sua capacidade de dar amor ao seu beb.

12SelfSelfContedo do aparelho psquico, que faz parte tanto do Ego, como do Id e do Superego Representao de siNcleo da nossa personalidade13Self (cont.)Internalizao de determinados tipos de objectos com os quais o indivduo estabelece um vnculo narcsicoObjectos do SelfObjectos externos(figuras parentais)Como se forma o Self ?O self forma-se atravs da internalizao de determinados tipos de objectos com os quais o individuo estabelece um vinculo narcisico. A estes objectos, Kohut designa de Objectos do self, que por um lado esto ao servio do self e da preservao do seu caracter pulsional, e por outro lado podem ser vividos como parte do self, estando investidos na libido narcisica.Quando se fala de objectos do self fala-se igualmente de objectos externos, que so as figuras parentais ou outros significativos.14Self (cont.)Objectos do Self Grandioso

Proporciona as ambies e metasObjectos da imago parental idealizada

Ideais do selfObjectos do Self alter ego ou gemelarEntre estes dois plos estabelece-se um arco de tenso espao das aptides e talentosObjectos do SelfOs objectos do self podem ser diferenciados em duas categorias: objectos do self grandioso que proporciona as ambies e metas e os objectos da imago parental idealizada onde surgem os ideias do self. Entres estes dois plos estabelece-se um arco de tenso rea intermdia, descrita como o espao das aptides e talentos a que mais tarde se designou de objectos do self alter ego ou gemelar.Salienta-se ainda que as caractersticas de cada um destes objectos revelam-se no tipo de transferncia estabelecida, se ser abordado mais afrente 15Self (cont.)Evoluo do Self1)Criana nasce com um self rudimentarFunes dos objectos do self so internalizadas Internalizao transmutadoraCristalizao do self nuclear (pais estimulam determinados aspectos do self nuclear do filho)Causar frustraes tolerveis crianaResultado final = Self autnomo2)3)4)O self passa por 4 etapas principais, em que busca da coeso necessria sade mental.(1)A criana nasce com um self rudimentar. (2)A esse self rudimentar os pais vo fornecer criana objectos investidos narcisicamente, desta forma as funes dos objectos do self so internalizadas atravs do processo da internalizao transmutadora que permite a cristalizao do self nuclear. No estabelecimento do self nuclear, as expectativas dos pais adquirem grande importncia, acabando por estimular determinados aspectos do self nuclear do filho. (3)Quando a relao com estes objectos vivida como suficientemente estvel, torna-se necessrio uma desiluso gradual (a dita frustrao tolervel criana) relativamente a estas figuras. (4) Alcanando finalmente um self autnomo.16Self (cont.)Para que isto aconteaPaisResponder empaticamente s necessidades da crianaFalhas nas respostas empticas dos objectos do SelfFalha na coeso do Self da crianaQuando h uma falha nos objectos do Self, o plo correspondente fica debilitado criana para obter coeso, vai hiper-investir no outro ploEstrutura compensatriaMas para que isto acontea, importante que os pais sejam capazes de responder empaticamente s necessidades da criana. Sendo que esta capacidade provm de um self coeso dos prprios pais, querendo isto dizer que o que influencia o self da criana no tanto o que os pais fazem mas o que so.Porm quando se verificam falhas nas respostas empticas dos objectos do self, isto dos pais, verifica-se igualmente uma falha na coeso do self da criana. Esta ideia igualmente partilhada por Winnicott e Balint que afirmam que quando os pais no proporcionam as condies necessrias, o desenvolvimento retm-se, no alcanando a maturidade.Quando, eventualmente, h uma falha num dos objectos do self, o plo correspondente fica debilitado, sendo muitas vezes essa debilidade compensada secundariamente, ou seja, a criana para obter coeso vai hiperinvestir no outro plo (ex se o plo do self grandioso estiver debilitado provvel que o plo exibicionista esteja supervalorizado PROFESSORA!!). Caso seja bem suceddido, formar-se- uma estrutura compensatria esta ao mostrar-se firma, possvel fornecer a coeso necessria ao self e consequentemente um desenvolvimento normal.17Tipos de Transferncia Narcsica ANTES DO QUADRO- Kohut esclarece que no o quadro clinico que determina o diagnstico de perturbao narcsica, mas sim, pelo tipo de transferncia que desenvolvida durante o tratamento. No esquecendo que no tipo de transferncia estabelecida que so reveladas as caractersticas dos objectos do self, como foi dito anteriormente.

Kohut refere a existncia de 3 tipos de transferncia narcsica. Entre elas: a transferncia especular (quadro), a transferncia de idealizao (quadro) e a transferncia gemelar (quadro). Como perceptvel a designao quer dos objectos do self quer das transferncias so idnticos, logo fceis de associar.18Tipos de Transferncia Narcsica (cont.)Revividas etapas precoces do desenvolvimento nas quais a criana tem fantasias onipotentes, atravs das quais alimenta um self grandiosoConcentra em si tudo de bom; meio externo - imperfeiesTransferncia EspecularOs outros=Reflexo do exibicionismo e da grandeza da crianaNa transferencia especular so revividas etapas precoces do desenvolvimento, nas quais a criana tem fantasias onipotentes, atravs das quais alimenta um self grandioso. Este self grandioso concentra em si tudo de bom, enquanto atribui ao meio externo todas as imperfeies. Desta forma, os outros existem apenas como um reflexo do exibicionismo e da grandiosidade da criana.19Tipos de Transferncia Narcisica (cont.)Na Anlise pode apresentar-se de formas diferentes:Analista = Espelho

Continuidade temporal e coesoNecessita que seja reflectido o seu exibicionismo, conferindo solidez ao Self base da auto-estimaTipo Fusional

Fantasia de fuso com um objecto do Self grandioso e onipotentePaciente amplia os seus limites at incluir dentro deles a imago do analistaA reactivao deste tipo de transferncia na anlise pode apresentar-se de formas diferentes:

O analista pode funcionar como espelho que reflecte o paciente, dando-lhe continuidade temporal e coeso. A pessoa necessita assim de algum que reflicta o seu exibicionismo, conferindo solidez ao seu self, que constitui a base da auto-estima Pode se apresentar tambm do tipo fusional. Onde exprime uma fantasia de fuso com um objecto do self grandioso e onipotente. O paciente amplia os seus limites at incluir dentro deles a imago do analista.20Tipos de Transferncia Narcsica (cont.)Reactivada a relao com um objecto do Self, fonte de todo a calma e seguranaTransferncia IdealizadoraReactivao de um vnculo com um objecto do Self vivido como seu gmeo com quem compartilha ideias, ambies e metasTransferncia IdealizadoraSeparao do objecto idealizadoO indivduo sente-se vazio e impotente=Repete-se o estilo de relaes construdas durante a fase de latnciaNa transferncia idealizadora reactivada a relao com um objecto do self, vivenciado pela criana como fonte de toda a calma e segurana. Quando se d a separao deste objecto idealizado, o individuo sente-se vazio e impotente. Na transferncia gemelar d-se a reactivao de um vinculo com um objecto do self, vivido como seu gmeo, isto , um ser com quem compartilha ideia, ambies e metas. Repete-se o estilo de relaes construidas durante a fase de latncia, quando a criana tem a necessidade de trabalhar com o pai com as ferramentas ou com a me na cozinha.21A Psicopatologia, sob a ptica da Psicologia do SelfDiviso entre: Perturbaes primrias: O Self no alcanou coeso durante o desenvolvimentoFalhas dos paisConstituio de ncleos do SelfFrustraes Debilidade de um dos plos do Self; Falta de coeso interna. Perturbaes secundrias: reaes/fraturas de um Self previamente estabelecido, por motivo de situaes de stress. Catarina: Agora vou falar numa parte da teoria de Kohut que se reveste de um interesse prtico para ns, uma vez que se relaciona directamente com a psicopatologia. Kohut faz uma diviso entre perturbaes primrias e perturbaes secundrias do self. Nas perturbaes primrias, o Self foi impedido de alcanar uma coeso firme durante o desenvolvimento, o que se pode dever a duas causas: a falhas nas respostas empticas dos pais, que no permitiram uma constituio de ncleos do Self; a frustraes vrias ao longo da infncia, que podem conduzir debilidade de um dos plos do Self (grandioso ou idealizado, e consequente hiperinvestimento do plo oposto) ou a uma falta de coeso interna.As perturbaes secundrias so caractersticas de um Self mais evoludo, com uma organizao prvia, que porm, por motivos de stress, podem reagir de forma perturbada.22A Psicopatologia, sob a ptica da Psicologia do Self (cont.)Perturbaes PrimriasPsicosesFragmentao permanente ou prolongada, enfraquecimento ou distoro importante do Self.

Estados-limiteFragmentao recoberta por estruturas defensivas.TENSOA estrutura defensiva rachaDentro das perturbaes primrias, vamos falar nas psicoses, nos estados-limite, em personalidades esquizides e paranides, e em perturbaes narcsicas da personalidade e da conduta.Com respeito psicose, Kohut defende dever-se a uma fragmentao permanente ou prolongada, ao enfraquecimento ou distoro importante do Self.Por seu turno os estados-limite so organizaes que apresentam uma fragmentao, no entanto recoberta por estruturas defensivas. Porm se uma tenso muito forte actua sobre essas estruturas defensivas, pode sobrecarreg-las, fazendo com que a estrutura defensiva rache e a fragmentao do Self fique a descoberto.23A Psicopatologia, sob a ptica da Psicologia do Self (cont.)Perturbaes Primrias (cont.)Personalidades esquizides

atravs da frieza e superficialidade emocionaisPersonalidades paranidesatravs da hostilidade e desconfiana.DISTANCIAMENTOProtege o paciente do perigo da fragmentao permanente ou prolongadaRemonta a uma poca em que o beb teve de se proteger contra penetrao nociva da depresso, hipocondria, pnico, etc., do objecto do Self.Retraimento defensivoEstes quadros no so analisveis, pois o paciente no estabelece transferncia.Em seguida, temos as personalidades esquizides e as personalidades paranides, que segundo Kohut se caracterizam ambas por um distanciamento dos objectos, como forma de defesa. As personalidades esquizides empregam esse distanciamento atravs da frieza e da superficialidade emocionais, e as personalidades paranides fazem-no atravs da hostilidade e da desconfiana. Esse distanciamento protege o self do paciente do perigo de fragmentao permanente ou prolongada, e remonta a uma poca em que o beb teve de se proteger contra a penetrao nociva da depresso, hipocondria ou pnico de um objeto do self. Como tal, o distanciamento funciona como retraimento defensivo.Kohut acrescenta que nem a psicose, nem o estado-limite, nem as personalidades esquizdies ou paranides so analisveis, pois o paciente no estabelece transferncia. Isto discutvel, mas no vou interromper agora. Na parte das perguntas vocs perguntam!24A Psicopatologia na ptica da Psicologia do Self (cont.)Perturbaes Primrias (cont.)Perturbaes narcsicas da personalidadePerturbaes narcsicas da condutaEm ambas h uma desintegrao temporria do SelfSintomas autoplsticos (hipersensibilidade ao desprezo, hipocondria, depresso, diminuio da auto-estima)Sintomas aloplsticos (perverses, delinquncia, toxicomanias).E.g.: Senhor I, conduta tipo Don JuanE.g.: Senhor M, fantasias sdicasTratamento: Proporcionar ao Self a coeso que o paciente no pde obter dos pais.Ainda no mbito das perturbaes primrias, Kohut refere perturbaes narcsicas da personalidade e da conduta. Em ambos os tipos de perturbao h uma desintegrao temporria do Self. Porm, nas perturbaes narcsicas, os sintomas so autoplsticos. Uma vez que so hipersensveis ao desprezo, hipocondria, depresso e diminuio da auto-estima, reagindo com manifestaes de raiva narcsica. Nas perturbaes da conta, os sintomas so aloplsticos, traduzindo-se por perverses, delinquncia e toxicomanias. Kohut apresenta dois exemplos que eu vos vou transmitir: o caso do Senhor I, que exibe uma conduta do tipo don Juan, que interpretada como uma variante da raiva narcsica. A motivao predominante nas conquistas permanentes o desejo de aumentar a auto-estima. O Sr I era to frgil, que toda a tenso proveniente do mundo real era recebida como quebra na auto-estima, o que o impedia de concretizar uma conduta estabilizadora. O tratamento pode proporcionar ao self a coeso que o paciente no pde obter dos pais. Por outro lado, temos o senhor M, que tinha fantasias sdicas, que resultam do desenvolvimento de estruturas compensatrias do self, de modo a adoptar condutas austeras.25A Psicopatologia na ptica da Psicologia do Self (cont.)Pacientes narcsicos (perturbaes da personalidade e da conduta)Self sub-estimuladoFalta de estimulao dos pais num momento crucialManobras compensatrias (e.g. actividades de estimulao arriscadas)Sintomas: perda de vitalidade, depresso, apatia, tdio.

Quando fala nos pacientes narcsicos, Kohut refere quatro tipos de Self (sub-estimulado, fragmentado, superestimulado e sobrecarregado). O Self sub-estimulado organiza-se, como o nome indica, como consequncia de uma falta de estimulao dos pais num momento crucial. Essa falta de estimulao leva a manobras compensatrias, como o envolvimento em actividades arriscadas (e.g. corridas de automvel, consumo de drogas ou lcool) que vm como consequncia dos sintomas de perda de vitalidade, depresso, apatia e tdio26A Psicopatologia na ptica da Psicologia do Self (cont.)Pacientes narcsicos (cont.)(perturbaes da personalidade e da conduta)Self fragmentadoOs pais falharam em proporcionar uma experincia integradora ao Self arcaico da criana.Fica exposta fragmentao podem experimentar sensao de desintegrao e fracasso na auto-estima perante desiluses pouco importantes.

Self fragmentado constitui-se quando os pais falham em proporcionar uma experincia integradora ao self arcaico da criana, o que faz com que ela fique exposta fragmentao e possa experimentar uma sensao de desintegrao e fracasso na auto-estima perante desiluses pouco importantes para pessoas com um self mais estruturado.27A Psicopatologia na ptica da Psicologia do Self (cont.)Pacientes narcsicos (cont.)(perturbaes da personalidade e da conduta)Self super-estimuladoExagerada estimulao de um ou de ambos os polos do Self.Plo grandioso Inundados por fantasias de grandeza arcaicas e irrealistas, que produzem tenso e angstia; Evitamento de situaes em que possam ser o centro das atenes; No desfrutam do xito.Plo dos ideais Necessidade de fuso com o ideal externo ameaa o equilbrio do Self; Evitamento do contacto com o objecto idealizado; Perda do entusiasmo por ideais diante de pessoas que poderiam servir como exemplo.O Self super-estimulado organiza-se quando h uma exagerada estimulao de um ou de ambos os plos do self.Se a estimulao recai mais sobre o plo grandioso, o indivduo pode ser inundado por fantasias de grandeza arcaicas e irrealistas, que por outro lado produzem tenso e angstia. Como consequncia, h um evitamento de situaes em que possam ser o centro das atenes e no possam desfrutar do xito, pois pensam sempre que nunca fizeram o suficiente.Se a super-estimulao recair no plo dos ideais, o indivduo vai sentir uma necessidade de fuso com o ideal externo que, opostamente, ameaa o equilbrio do self. Assim, h um evitamento do contacto com objectos idealizados. Uma pessoa com um self estruturado, entusiasma-se perante ideais e segue-lhes o exemplo. Neste caso, no.28A Psicopatologia na ptica da Psicologia do Self (cont.)Pacientes narcsicos (cont.)(perturbaes da personalidade e da conduta)Self sobrecarregadoSelf superestimuladoPais que no permitiram fuso omnipotente e tranquilizadoraSelf incapaz de tranquilizar-seUm Self sobrecarregado estrutura-se de forma semelhante ao self super-estimulado, a juntar a uns pais que no permitiram uma fuso omnipotente e tranquilizadora. Desta maneira, o self fica sobrecarregado porque incapaz de se tranquilizar. 29A Psicopatologia na ptica da Psicologia do Self (cont.)Perturbaes SecundriasReaces agudas e crnicas de um Self consolidado e firmemente estabelecido, diante das vicissitudes das experincias da vida (e.g. infncia, adolescncia, velhice, etc.).Emoes reactivas a vitrias e derrotas, como reaces secundrias do Self, diante das inibies causadas pelos sintomas das neuroses.As perturbaes secundrias so reaces agudas e crnicas de um self consolidado e estabelecido que experimenta situaes stressoras na vida. As reaces secundrias so emoes reactivas.30A Psicopatologia na ptica da Psicologia do Self (cont.)Perturbaes Secundrias (cont.)Self forteSelf fraco Permite tolerar oscilaes na auto-estima .xitos ou fracassos acompanhados de emoes tolerveis Situaes que pressionam o Self podem causar rupturasQuebra na estabilidade emocional e/ou aparecimento de perturbaes narcsicasQuando se experimentam grandes sucessos ou fracassos significativos, um self forte vive-o acompanhado de emoes tolerveis, sem experimentar grandes oscilaes na auto-estima. Ao invs, um self fraco pode entrar em rotura perante situaes dessas, experimentando uma quebra na estabilidade emocional ou o aparecimento de perturbaes narcsicas que j existiam em potencial, mas nunca foram manifestadas.31A Psicopatologia na ptica da Psicologia do Self (cont.)Diversidade dos padres de conduta, de acordo com a estrutura do SelfPersonalidades famintas de espelho Procura de admirao e confirmao; So levados a chamar a ateno, exibindo-se para aliviar a baixa auto-estima

Personalidades famintas de ideal Procuram pessoas que possam admirar. Consideram-se valiosos por se relacionarem com eles.Kohut ainda descreve alguns padres de conduta de acordo com a estrutura do self. Ento, teoriza as personalidades famintas de espelho pessoas que procuram permanentemente admirao e confirmao, e so levados a chamar a ateno dos outros, exibindo-se para aliviar a sua baixa auto-estima.As personalidades famintas de ideal procuram pessoas que possam admirar e s por se relacionarem com essas pessoas, consideram-se valiosos.32A Psicopatologia na ptica da Psicologia do Self (cont.)Diversidade dos padres de conduta, de acordo com a estrutura do Self (cont.)Personalidades alter egoProcuram objectos que coincidam com o seu aspecto, opinies e valores, para quese confirme a sua existncia e realidade.Bem-estar efmeroAbandonam o vnculo, em busca de outro mais satisfatrio.Personalidades alter ego: procuram objectos que coincidam com o seu aspecto, opinies e valores, para que dessa forma confirmem a sua existncia e realidade. Esta procura porm leva a um bem-estar apenas efmero, que faz com que os indivduos abandonem o vnculo, em busca de outro mais satisfatrio.33A Psicopatologia na ptica da Psicologia do Self (cont.)Diversidade dos padres de conduta, de acordo com a estrutura do Self (cont.)Personalidades famintas de fusoPredomina uma necessidade de fuso, seja com um objeto idealizado ou grandioso-exibicionista.Experimentam o Outro como parte de si, pelo que no toleram a separao.Personalidades que evitam o contactoA necessidade dos outros muito intensa. H ento um medo da perda e temor de que os restos do seu Self nuclear sejam absorvidos e destrudos pela desejada unio total.Personalidades famintas de fuso: necessidade de fuso, experimentam o outro como parte de si, pelo que no toleram a separao.Personalidades que evitam o contacto: evitam o contacto porque a necessidade dos outros muito intensa. Parece paradoxal, pois h um medo da perda (por isso que no se envolvem) e ao mesmo tempo um medo de que os restos do seu self nuclear sejam absorvidos pela to desejada unio total34Tcnica Psicanaltica Proposta Pela Psicologia do Self

Postulados bsicos: a cura baseia-se Setting analtico: promove reactivao das transferncias narcsicasAtitude Emptica do Analista: condiciona a estruturao do enquadramento da anliseFerramentas: empatia e interpretaoSegundo Kohut a cura vai basear-se em trs coisas fundamentais: no setting analtico, na atitude emptica e em duas ferramentas.

No caso do setting analtico este ir promover a reativao das transferncias narcsicas. O autor faz referncia a algumas patologias (psicoses e estados limite) que no efetuam transferncias do tipo narcsica impedindo assim o tratamento.

Depois temos a atitude emptica que ir condicionar a estruturao do enquadramento da anlise.Esta predisposio do analista para escutar empaticamente o que o paciente diz um pilar fundamental na construo do enquadramento analtico e do processo que nele se desenvolve.

3) Por fim, as ferramentas segundo kohut, essenciais para a cura so a empatia e a interpretao. - Kohut define empatia como a capacidade de vivenciar, em qualquer momento da vida, o que a outra pessoa vivencia, mesmo que comumente em grau atenuado. - A interpretao, para o paciente, uma prova de que foi compreendido. Neste caso, na interpretao o enfoque no dado s pulses sexuais uma vez que isso pode ser sentido pelo paciente como uma censura mas as interpretaes so feitas com base nas transferncias com os objetos do self que ser vivida como uma aceitao do desenvolvimento e da maturao.

Sendo assim: o tratamento analtico e a escuta emptica do terapeuta promovem no paciente a reativao de um desenvolvimento emocional, que foi interrompido em consequncia das respostas pouco adequadas dos pais.

35Tcnica Psicanaltica Proposta Pela Psicologia do Self (cont.)

Pais no proporcionam um self nuclearParagem no desenvolvimento do selfAnliseRetoma a maturao e concretizao do self nuclearTerapeutaSubstituto das figuras parentais que falharam numa primeira oportunidadeQuando os pais no proporcionam as condies para que o programa nuclear seja levado a cabo h um desenvolvimento que interrompido e vai ser a anlise que vai criar novamente condies para que o indivduo retome o processo de maturao e possa, aps a superao do ponto de deteno, concretizar o seu self nuclear.

O analista vai ento ter um papel decisivo pois ele ir converter-se no substituto das figuras parentais que falharam na primeira oportunidade. A responsabilidade do analista nesta segunda fase proporcionar a imago parental mais adequada s necessidades do self arcaico.36Tcnica Psicanaltica Proposta Pela Psicologia do Self (cont.)

Metas teraputicas:

Objectivo

Reestruturao do self Obter a coeso do self, para que este no se fragmente, perante a perda dos objetos do self

- Reforo do plo debilitado- Indicao de estruturas compensatrias eficazes

Como j foi dito, a patologia psquica dada por falhas na coeso do self ou por deficits em um dos seus plos, logo o objetivo da terapia obter a coeso do self, para que este no se fragmente perante a perda dos objetos do self, ou seja, ajudar o paciente a retomar e completar o desenvolvimento do seu self e, deste modo, alcanar a maturidade.

A reestruturao do self pode ser obtida a partir do reforo do polo debilitado ou atravs da indicao de estruturas compensatrias eficazes.

O reforo do polo debilitado consiste em, depois da penetrao analtica nas estruturas defensivas e da identificao da deficincia primria no self, mediante a elaborao e a internalizao transmutadora, aquele polo ser suficientemente compensada para que a estrutura que foi identificada com um deficit se tenha tornado confivel do ponto de vista funcional.

A indicao de estruturas compensatrias eficazes consiste COMPLETAR

Uma vez alcanada a coeso do self o individuo recuperar a sua capacidade criativa e produtiva; as anlises transferenciais narcsicas permitiro ao sujeito a possibilidade de estabelecer relaes empticas com os objetos do self, na sua vida atual, incrementar sua auto-estima e sensao de continuidade do self, no tempo e no espao.

- FALTA explicao do que o reforo do polo debilitado /estruturas compensatrias

37Tcnica Psicanaltica Proposta Pela Psicologia do Self (cont.)

Desenvolvimento do processo teraputico:

1 Fase: idealizao do terapeuta2 Fase: Aparecimento da transferncia caracterstica do tipo de conflito narcsico de que padeceConsiste em explorar e resolver, durante a terapia, uma sucesso do tipo de transferncia narcsica, cada uma delas devendo ser elaborada atravs de vivncias do paciente e das interpretaes proporcionadas pelo analista.

O desenvolvimento do processo teraputico consiste ento em explorar e resolver, durante a terapia, uma sucesso de transferncias narcisistas, cada uma delas devendo ser elaborada atravs de vivncias do paciente e das interpretaes proporcionadas pelo analista.

Kohut faz referencia a uma primeira fase do processo teraputico que consiste na idealizao do terapeuta seguido do aparecimento da transferncia caracterstica do tipo de conflito narcsico de que padece- A ordem do aparecimento das transferncias depende das falhas da rea narcisista do analisado. Por exemplo, um sujeito cujo self esta no polo grandioso, estabelecer uma transferncia especular; se o deficit est no polo idealizado, a transferncia ser do tipo idealizado.

Uma vez que o terapeuta aceita a realidade psquica do paciente como vlida no cabem na anlise confrontaes ou chamadas realidade. Essas chamadas realidade com interrupes das transferncias narcisistas, caso acontecessem poderiam ter efeitos negativos como a desistncia do tratamento ou retraimento da transferncia.

38Tcnica Psicanaltica Proposta Pela Psicologia do Self (cont.)Reactivao do Self GrandiosoReactivao Teraputica do Objecto IdealizadoReactivao do Alter-Ego ou GemelarReactivao dos 3 Tipos de Transferncia:No seu artigo, kohut explica como lidar com a reativao dos trs tipo de transferncia.

No caso da reativao do self grandioso: durante a elaborao da transferncia especular, o primeiro objetivo conseguir a mobilizao do self grandioso, ate ento recalcado, e a formao de derivados pr-consciente e conscientes, que penetram no ego e se manifestam atravs de pulses exibicionistas ou de fantasias grandiosas, atuadas ou verbalizadas. O que geralmente ocorre que, depois de um perodo de inibio, o paciente exprime abertamente a sua necessidade de que o terapeuta o admire e elogie.Medo de exprimir estas fantasias grandiosas devido a respostas traumticas dadas pelos pais durante a infncia.As interpretaes devem fazer meno a este temor, com a finalidade de libertar as fantasias.S depois destas se expressarem e serem vividas, no vnculo com o terapeuta, podero ser elaboradas e canalizadas de maneira saudvel.Self grandioso clivado em 2 sentidos vertical e horizontal. Objetivo eliminar as clivagens verticais e tornar conscientes as pulses exibicionistas recalcadas e inconscientesReativao teraputica do objeto idealizado: esta transferncia deriva de reviver o vnculo infantil que se teve com a imago parental idealizada. Produzida a regresso, e uma vez alcanada a fuso com o self idealizado (analista), existe um estado de equilbrio narcisista que permite o avano do paciente.A instalao do vinculo idealizador d-se espontaneamente como resultado da atitude emptica do terapeuta.Na transferncia sem transtornos, o paciente sente-se inteiro, a salvo, poderoso, bom, atraente e ativo, medida que a sua Auto perceo inclua o analista idealizado, a quem sente controlar e possuir com uma certeza por si s evidente, parecida com a experiencia que o adulto tem, de seu controlo sobre o seu prprio corpo e mentePasso seguinte: iniciar a elaborao da transferncia idealizadora. O evento que desencadeia esta segunda fase qualquer circunstncia que interrompe o equilbrio narcisista que tinha estabelecido (sente-se letrgico, desprovido de foras, indigno).Neste momento a interpretao crucial. Permite recuperar a origem gentica da perturbao, integrando este aspeto arcaico do self de maneira mais saudvel.Permite a internalizao transmutadora do objeto do self idealizador e a integrao sadia do self

Transferncia alter ego ou gemelar: rea intermediria entre os polos grandiosos e idealizado. Busca um objeto do self que lhe permita viver as experiencia fortalecedora de ser como si prprio.Esta transferncia gemelar atualiza, na terapia, uma necessidade, a de sentir-se um ser humano junto com outros seres humanos.Esta transferncia tambm necessita de ser interpretada a necessidade emocional, a qual repetida constantemente, permite a internalizao transmutadora e a integrao deste novo polo do self inicialmente fragmentado.

39Tcnica Psicanaltica Proposta Pela Psicologia do Self (cont.)O que cura na anlise:

Conhecimento dos conflitos

Internalizao Transmutadora

Relativamente ao que cura na anlise kohut tem uma perspetiva um pouco diferente da de alguns autores poi para ele o que cura no processo no o conhecimento dos conflitos mas as vivncias que se adquirem com um objeto do self emptico.

O que cura aqui tambm a internalizao transmutadora. O analista deve fornecer uma frustrao tima para conseguir a internalizao transmutadora. As falhas involuntrias cometidas por este provocaro reaes que, uma vez analisadas, permitiro ao paciente incorporar as funes de seus objetos do self. Este ter a possibilidade de se afastar do analista, sem medo por isto de sentir medo da fragmentao, perda de autoestima ou outro tipo de emoes vinculadas esfera narcisista

- Esta experiencia soluciona as feridas que foram deixadas abertas pelos objetos da infncia

40Tcnica Psicanaltica Proposta Pela Psicologia do Self (cont.)O analista se vale, tanto da interpretao construda e formulada empaticamente. O paciente sente-se compreendido e experimenta uma relao com um objeto do self que capaz, diferentemente do que lhe ocorreu na infncia, de proporcionar no apenas a compreenso e o cuidado necessrios, mas tambm a frustrao tima cujo resultado ser a internalizao transmutadora. atravs dela que o individuo obter as funes dos objetos do self, que lhe daro autonomia e maturao.

41Psicologia do Self

A psicologia do self de Kohut prope ideias originais e inovadoras que modificam alguns pontos de vista da psicanlise, mas que so alvo de algumas crticas42CrticasAgresso do SelfPulso de morte ?Deficiente organizao do Self ? Morde a mo que lhe d de comer

Para Kohut, a causa da agresso humana no a pulso de morte mas a deficiente organizao do self. Logo, o narcisimo que origina a inteno destrutiva.MAS, se assim fosse, teramos de regredir ao infinito para perceber a agresso: o filho aprendeu-a do pai (que no lhe proporcionou a coeso do self), o pai aprendeu do av e assim sucessivamente.Tambm sabemos que os pais empticos que proporcionam a boa coeso do self no tm filhos imunes frustrao FRASE Logo, normal sentir frustrao quando algum que ns ajudamos/beneficiamos nos agride no depende da integrao do self mas uma reaco.43Crticas (cont.)Complexo de dipoFase Patolgica (Kohut)Fase NormalO dipo uma etapa normal e crucial para o desenvolvimento, na qual a angstia e os conflitos so necessrios do significado s experincias vividas, aparecem nos sonhos, nas angstias quotidianas...- NO patolgico sentir angstia, nem s considerado normal quando os pais agem bem e permitem a passagem do dipo com jbilo de progredir.44Crticas (cont.)KOHUTAmor, admirao IdealizaoAmor e idealizao no podem ser considerados equivalentes, pois um filho pode admirar e amar a me porque ela cuidou dele e lhe deu carinho, mas isso no o mesmo que idealiz-la

- Idealizar pr de lado as verdadeiras caractersticas do objecto e subsitu-las pela perfeio.

EXEMPLO KLEIN: resolve esta diferena entre amor de objecto e idealizao, diferenciando o objecto bom do objecto idealizado (o objecto idealizado sempre algo de patolgico e conflitivo)45Crticas (cont.)KOHUTRealidade Psquica Realidade MaterialAmor e idealizao no podem ser considerados equivalentes, pois um filho pode admirar e amar a me porque ela cuidou dele e lhe deu carinho, mas isso no o mesmo que idealiz-la

- Idealizar pr de lado as verdadeiras caractersticas do objecto e subsitu-las pela perfeio.

EXEMPLO KLEIN: resolve esta diferena entre amor de objecto e idealizao, diferenciando o objecto bom do objecto idealizado (o objecto idealizado sempre algo de patolgico e conflitivo)46Crticas (cont.)Sucesso da CuraConhecimento/Interpretao dos conflitos (insight)Promoo da coeso do self fracassadoKOHUTKohut defende que o sucesso do tratamento no se deve ao conhecimento e interpretao dos conflitos (insight) , mas pela promoo do desenvolvimento do self que fracassou na infncia ?? isto significa comear de novo o desenvolvimento do self. MAS nas perturbaes mais graves (ex: psicose), o julgamento da realidade distorcida, fazem projeccoes que alteram a percepo e tm grande vulnerabilidade frustrao.LOGO, se necessrio o conhecimento do paciente sobre o que se est a fazer e este tem percepes distorcidas, no haver sucesso. sim necessrio resolver os conflitos do paciente .47Crticas (cont.)DesidealizaoFactores objectivos (o que o analista faz)Necessidades inconscientes (insight)KOHUTKohut defende que ocorre um processo de desidealizao do analista, pois algo natural e devido s falhas reais do paciente, MAS o que leva desidealizao, ou no, do analista depende das necessidades inconscientes do paciente e no dos dados ojectivos. EX: paciente pode idealizar ainda mais o analista quando ele falta e no haver desidealizao.

mais importante o insight e a interpretao para resolver a idealizao do que a tentativa do analista em provocar frustrao.48

DVIDAS

FIM