HIPERTEXTO AXIS MUNDI DAS MANIFESTAÇÕES...

of 13/13
HIPERTEXTO, AXIS MUNDI DAS MANIFESTAÇÕES TECNO-ARTÍSTICAS Hugo Ferrão* A criação do termo «hypertext» (hipertexto -1965) é normalmente atribuída ao norte americano Theodor Holm Nelson 1 , (1937-) que teve em mente utilizar o prefixo «hiper» para descrição de um sistema cuja infra- estrutura física era baseada numa plataforma electrónica, (hardware- computadores e software-programas) que possibilitasse ao utilizador uma espécie de «navegação-leitura» não linear ou sequencial; a noção de hipertexto está inicialmente associada à intertextualidade aleatória dos conteúdos em forma de textos escritos, cuja interactividade possibilita múltiplas hipóteses ou caminhos ao leitor-utilizador, podendo este assumir o papel de autor ou leitor, contribuindo em ambos os casos para o enriquecimento do sistema.. A imersão e dependência tecnológica da praxis artística dá-se com maior evidência na segunda parte do século XX, é indissociável da extraordinária evolução e performance das máquinas, com especial destaque para os computadores tanto no hardware como no software. Esta rápida divulgação e vulgarização tecnológica transversal a todos os estratos sociais, deve-se em grande parte à estratégia de mercado «tudo para todos», cujo impacto máximo se dá tanto nos Estados Unidos como no Japão e mais lentamente na Europa, atingindo o campo dos multimédia, onde obtém resultados notáveis, permitindo congregar numa plataforma digital, o aúdio, o scripto-texto, e a imagem fixa ou em movimento, interagindo actualmente em tempo real, congregando conteúdos estruturados segundo a matriz hipertexto, (nódulos e ligações) dando origem aos «hypermedia» (hipermédia), produtos que revolucionarão e expandirão as fronteiras Greenbergianas destabilizando as condições essenciais e puristas da modernidade como a superfície ou o plano onde se justapõem matérias plásticas. Ted Nelson, é um visionário muito influenciado por Vannevar Bush (1890-1974), um investigador que escreve em 1945 um ensaio revolucionário intitulado:«As We May Think» onde descreve um dispositivo a que chamou o Memex da seguinte forma: «Consider a future device for individual use, which is a sort of mechanized private file and library. Itneeds a name, and to coin one at random, "memex" will do. A memex is a device in which na individual stores all his books, records, and communications, and which is mechanized so that it may be consulted withexceeding speed and flexibility. It is na enlarged intimate supplement to his memory. 1 Theodor Holm Nelson (1937-), tem como formação académica o Bacharelato em Filosofia no Swarthmore College (1959) e um Mestrado em Sociologia em Harvard,(1963), actualmente colabora com a Universty of Illinois, Strathclcle University, Keio University, Swarthmore College, e Vassar College, esteve ligado a empresas como a Harcourt Brace & World, Datapoint Corporation, Autodesk, Inc.,e Sapporo Hyperlab. 1
  • date post

    20-Nov-2018
  • Category

    Documents

  • view

    225
  • download

    0

Embed Size (px)

Transcript of HIPERTEXTO AXIS MUNDI DAS MANIFESTAÇÕES...

  • HIPERTEXTO, AXIS MUNDI DAS MANIFESTAES

    TECNO-ARTSTICAS

    Hugo Ferro*

    A criao do termo hypertext (hipertexto -1965) normalmente atribuda ao norte americano Theodor Holm Nelson1, (1937-) que teve em mente utilizar o prefixo hiper para descrio de um sistema cuja infra-estrutura fsica era baseada numa plataforma electrnica, (hardware-computadores e software-programas) que possibilitasse ao utilizador uma espcie de navegao-leitura no linear ou sequencial; a noo de hipertexto est inicialmente associada intertextualidade aleatria dos contedos em forma de textos escritos, cuja interactividade possibilita mltiplas hipteses ou caminhos ao leitor-utilizador, podendo este assumir o papel de autor ou leitor, contribuindo em ambos os casos para o enriquecimento do sistema..

    A imerso e dependncia tecnolgica da praxis artstica d-se com

    maior evidncia na segunda parte do sculo XX, indissocivel da extraordinria evoluo e performance das mquinas, com especial destaque para os computadores tanto no hardware como no software. Esta rpida divulgao e vulgarizao tecnolgica transversal a todos os estratos sociais, deve-se em grande parte estratgia de mercado tudo para todos, cujo impacto mximo se d tanto nos Estados Unidos como no Japo e mais lentamente na Europa, atingindo o campo dos multimdia, onde obtm resultados notveis, permitindo congregar numa plataforma digital, o adio, o scripto-texto, e a imagem fixa ou em movimento, interagindo actualmente em tempo real, congregando contedos estruturados segundo a matriz hipertexto, (ndulos e ligaes) dando origem aos hypermedia (hipermdia), produtos que revolucionaro e expandiro as fronteiras Greenbergianas destabilizando as condies essenciais e puristas da modernidade como a superfcie ou o plano onde se justapem matrias plsticas.

    Ted Nelson, um visionrio muito influenciado por Vannevar

    Bush (1890-1974), um investigador que escreve em 1945 um ensaio revolucionrio intitulado:As We May Think onde descreve um dispositivo a que chamou o Memex da seguinte forma:

    Consider a future device for individual use, which is a sort of mechanized private file and library. Itneeds a name, and to coin one at random, "memex" will do. A memex is a device in which na individual stores all his books, records, and communications, and which is mechanized so that it may be consulted withexceeding speed and flexibility. It is na enlarged intimate supplement to his memory.

    1 Theodor Holm Nelson (1937-), tem como formao acadmica o Bacharelato em Filosofia no Swarthmore College (1959) e um Mestrado em Sociologia em Harvard,(1963), actualmente colabora com a Universty of Illinois, Strathclcle University, Keio University, Swarthmore College, e Vassar College, esteve ligado a empresas como a Harcourt Brace & World, Datapoint Corporation, Autodesk, Inc.,e Sapporo Hyperlab.

    1

  • It consists of a desk, and while it can presumably be operated from a distance, it is primarily the piece of furniture at which he works. On the top are slanting translucent screens, on which material can be projected for convenient reading. There is a keyboard, and sets of buttons and levers. Otherwise it looks like na ordinary desk2

    Fig. 1 - Projecto do dispositivo Memex, de Vannevar Bush, que possibilitaria a mecanizao e armazenamento de grandes quantidades informao e formato de microfilme para posterior visualizao.

    O Memex funcionava como uma extenso da memria individual, interligada a outros Memex, permitindo armazenar informao proveniente de diferentes media integrveis numa plataforma de tecnologia fotomecnica, convergindo no microfilme como compactador da informao. Vannevar Bush, ligava a informao atravs de indexao associativa, libertando-se das tradicionais tcnicas de indexao, que quanto a ele eram artificiais, forando linearidade sequncial, limitando o utilizador a uma pesquisa pr-definida, em contra partida a automatizao da seleco por associao ampliaria, pela sua semelhana com as estratgias intelectuais humanas, o campo de extenso intelectual. Os dados quando tratados em forma de ficheiros microfilmados podiam ser apresentados por indexao tradicional, por sequncia como folheando um livro, o que tambm provocava a acelerao da pesquisa, mas a grande vantagem era o estabelecimento de ligaes transversais a todos os ficheiros existentes independentemente de qualquer classificao hierrquica entre um determinado contedo-ficheiro e outros contedos-ficheiros, deixando ao utilizador a criao de caminhos-ligaes de pesquisa, ou por outras palavras, a visualizao das suas estratgias intelectuais.

    Ted Nelson no Projecto Xanadu (1968) apropria-se da arquitectura

    do Memex de Vannevar Bush, que nunca havia passado da fase de projecto, pois no estavam reunidas as mnimas condies tecnolgicas para a sua concretizao, contudo na dcada de 70 at ao fim do sculo XX, d-se uma acelerao fantstica nas novas tecnologias da informao, pelo que comea a ser cada vez mais credvel a criao de uma biblioteca electrnica universal, que facilitasse a produo literria e desenvolvesse a literatura universal com o contributo de toda a gente, miscesnando tanto ao nvel

    2 DRUCKREY, Timothy, Edited by - Electronic Culture Techonology and Visual Representation, New York, Aperture Foundation Pubhishes, 1996, p. 41. O artigo de Vannevar Bush, As We May Think encontra-se em anexo.

    2

  • de autor com ao de leitor, podendo qualquer cidado entrar e participar na produo e publicao de uma nova literatura.

    O culto Xanadu deixou de ser uma miragem para se tornar uma

    realidade em forma de Biblioteca Electrnica Universal, tal como se pretendia com a Biblioteca Alexandria, hoje reaberta (2002) para grande orgulho egpcio e da humanidade, Xanadu, concentra e disponibiliza em tempo real o esplio de todas as bibliotecas do planeta, facultando o acesso atravs de uma rede electrnica, sendo a estrutura deste megaprojecto subordinada ao princpio fundador de matriz hipertexto, recuperando a mtica reunio do disperso.

    O hipertexto, tem como elementos bsicos o ndulo onde est

    organizada e armazenada electronicamente sob forma digital a informao proveniente de todos os mdia e a ligao, estabelecendo circuitos entre os mltiplos ndulos tecendo uma rede de caminhos possveis na sua consulta. Estas ligaes so normalmente pr-definidas pelo designer do sistema, mas as suas variaes podem ser individualizadas pelo utilizador. Podemos encontrar na arquitectura de um hipertexto, o nvel de autor, quase sempre inviolvel, mantendo intacto determinados contedos que se consideram essenciais e determinantes, pois caso contrrio a sua alterao corromperia a funcionalidade e estabilidade do prprio sistema, e o nvel do leitor onde o utilizador, pode testar todas as hipteses de pesquisa e contribuir at com a inscrio de notas pessoais. Quase todos os hipertextos so amigveis, possuindo interfaces como elementos facilitadores das navegaes, cuja componente visual aceleradora da compreenso do produto que se explora, este aspecto da visualidade extremamente significativo, pois a informao pode ser mapeada tal como se tivssemos na presena de cartas geogrficas reais-fsicas3.

    A actividade literria na perspectiva Xanadu passou a ser entendida

    como um sistema inter-conectado de documentos, e os livros como pacotes de informao, gerando-se um sistema de uso aberto popular, generalista e universal, considera-se o hipertexto como o nvel bsico de coneco e associao de documentos atravs de ligaes, visando a colaborao entre utilizadores e o melhoramento das performances da comunicao e do conhecimento. Esta poderosa ferramenta do intelecto aproxima-se ou mimetiza a rede neuronal humana, possibilitando ao utilizador ampliar o campo da sua interveno e participao individual, em verdadeiras comunidades intelectuais virtuais.

    3 Sobre Hipertexto ver FERRO, Hugo - Ciberespao, como Matria do Sonho, Tribos e Territrios Virtuais, Lisboa, Universidade Aberta, 1994, Dissertao de Mestrado em Comunicao Educacional Multimedia., pp. 104-109

    3

  • Computer Lib, Dream Machines4 (1974) da autoria de Ted Nelson, foi um documento revolucionrio pela sua hibridade, podemos consider-lo como um pr-hipertexto, apresentando os contedos como uma revista fotogrfica com imenso sabor a contracultura, um livro publicado em papel, mas em grande parte ser o primeiro livro em formato de hipertexto, para os futuros utilizadores de computadores pessoais, j com o propsito de atingir tanto os especialistas como os utilizadores. A organizao grfica pouco usual data (1974), d toda a liberdade de leitura, podendo ser lido do incio para o fim Computer Lib e do fim para o princpio Dream Machines, ou ser consultado a partir de qualquer ponto do texto cujos contedos se apresentam sob a forma de fragmento. A primeira parte, bastante tcnica, explora a curiosidade do leitor iniciado, e a segunda, fantasia, William Gibson os aspectos mais futuristas e revolucionrios desta nova tecnologia do intelecto.

    Fig. 2 - Capa e pginas do livro de Ted Nelson, Computer Lib, Dream Machines, cuja organizao se aproxima das revistas com os contedos fragmentados e congregando desde banda desenhada, fotografia, grficos, esquemas, recortes de artigos, cuja inteno introduzir o leitor num pr-hipertexto.

    Uwe Wirth, da Universidade de Frankfurt, num ensaio intitulado. Literatura na Internet, ou: A Quem Interessa, Quem L?, diz com enorme clareza sobre o hipertexto e a literatura na Internet:

    No contexto da literatura na Internet, este precisamente o conceito que Flannert5, traa para o enredo do romance, que constitui a caracterstica estruturante do discurso hipertextual organizado. Os hipertetox servem para interromper o fluxo de leitura atravs das redes remissivas interligadas, os links, e para conduzir o leitor a um vertiginoso delrio de possibilidades. A principal ideia estruturante do hipertexto a interligao em rede, de links. Esta ideia rede remissiva tem um efeito centrfugo. O link um convite hipertextual ao leitor para dar um salto receptico entre vrios fragmentos ou planos. O hipertexto, explicitamente concebido como infindvel texto em movimento, nunca chega a ser lido at ao fim. Tem-se um texto frente, que de facto s consiste em princpio de texto alternativos.6

    4 NELSON, Theodor - Computer Lib, Dream Machines, Wasshington, Tempus Books of Microsoft Press, 1987. 5 Segundo Wirth, uma personagem Flannery criada por Italo Calvino no romance - Se numa Noite de Inverno um Viajante. 6 WIRTH, Uwe, Literatura na Internet, ou: A Quem Interessa, Quem L?, in GIANNETTI, Claudia Sob a direco de, Ars Telemtica, Telecomunicaes, Internet e

    4

  • Poderemos constatar que um dos contributos mais significativos da produo de hipertextos prende-se com a manipulao macia de informaes escala individual, e com a produo de micro-sistemas de significao que fazem recurso permanente profanao dos contedos, sendo a apropriao fragmentada desses contedos uma tcnica transposta da linguagem mquina - software, para as rotinas intelectuais humanas que os transcolam e montam rizomaticamente.

    O nvel de complexidade que assiste aos ciclos de produo de um hipertexto obrigou formao de vastas equipas multidisciplinares centradas na organizao de conhecimentos que preferencialmente so expostos de forma multimdia e direccionadas para aplicaes em quase todos os campos de actividade humana como por exemplo na medicina, na arte, e no ensino.

    A instantaneidade e a conectividade entre os ns que contm silos de informaes provenientes de todos os quadrantes disciplinares implicam uma dinmica e consequente aceleramento nas pesquisas-navegaes, eminentemente no-lineares, levando ao reconhecimento, por vezes, superficial de vastos territrios virtuais compostos de redes interligadas ao infinito, em que a palavra interactividade se transmuta na estratgia convivial estimuladora dos varrimentos exploratrios quer feitos individual ou colectivamente.

    O hipertexto na sua essncia eminentemente fractal, significando em termos tecno-artsticos sequncias vastssimas de representaes visuais de equaes matemticas altamente complexas, que progressivamente se vo autonomizando e distanciando dos seus criadores. A constante associao e inter-coneco de forma no linear de materiais multimedia caracterstica fundamental do hipertexto, permitindo um novo sentido organizacional da informao cuja espessura praticamente infinita.

    A estruturao, acesso e armazenamento de um hipertexto introduz

    a ideia de circularidade, obrigando a novos hbitos de consulta e leitura, passando as prprias imagens a serem interpretadas para alm da sua visibilidade bidimensional percepcionada nos monitores dos computadores. A comparao e verificao das imagens, povoadas de cons, transformaram-se em formas independentes desse contexto imagtico, so janelas que auxiliam e complementam a leitura, entendida como primeiro varrimento estabelecendo entrelaamentos com autnticos labirintos de ligaes em diferentes nveis com diferentes padres de redes, o olhar passou a ser documentalista.

    Ciberespao, Lisboa, Relgio D' gua Editores e Claudia Giannetti, Col., Mediaes, 1998, p.94

    5

  • Fig. 3 - Programa Photoshop, de tratamento de imagem digital, com rea de trabalho constituda por janelas, cujos cons-botes do acesso a aplicaes que neste caso se associam s antigas montagens fotogrficas.

    O imaginrio humano passou a povoar-se de tecno-imagens existentes nos hipertextos de vocao universal convergindo na visibilidade do ciberespao, o lugar virtual das manifestaes tecno-artsticas de cunho digital, generalizando-se o termo net.art, subentendendo a territorialidade virtual de um no lugar consensualmente aceite pela comunidade de cibernautas, quer tenham papel interventor ou como meros utilizadores, limitando-se a seguir ligaes pr-definidas, apercebendo-se transversalmente do magma dos contedos, refugiando-se nas estratgias e argumentao na tentativa da definio de eixos interpretativos que dem sentido e coerncia quele frame de informao muitas vezes eleito acidentalmente independentemente do prprio contedo.

    Ver uma imagem, deixou de ser uma acto de fruio, ou de

    contemplao em que a descoberta do ser provocava interrogao existncial num tempo dilatado feito de humanidade, tornou-se num exerccio de isolamento tecnolgico em que se est permanentemente exposto radiao das tecno-imagens negociadoras de estratgias intuitivas mais favorveis potenciadoras da orientao no sistema.

    Fig. 4 - Imagens digitais que podem ser construdas atravs de mltiplas recolhas e que podem ordenar-se como um micro mundo como a imagem de Ana Mgica, ( esquerda) ou uma paisagem digital inabitada de Joan Fontcuberta.

    A tentativa de catalogar e classificar as manifestaes tecno-artsticas, e ter o endereo do lugar virtual onde existem, levou generalizao do termo net.art, (arte da rede) sendo esse territrio virtual indefinvel, mas no qual se ancoram produtos de sistemas fortemente hierarquizados, recorrendo s tradicionais tcticas e processos de legitimao, prestgio e consagrao artstica, cotao e comercializao atravs de complexos industriais da cultura, baseados nas redes com a forma de galeria, museu, bienal, festival ou fundao, contudo este novo local

    6

  • permite a visibilidade a um nmero indeterminado de actores, esbatendo o direito de vida ou morte do artista, preconizado pelas polticas culturais dessas instituies, passando a existir um potencial vivificador para as manifestaes tecno-artstica.

    A posse da territorialidade do ciberespao e a definio dos seus continentes gera enormes conflitualidades, entre gigantes produtores de hardware e software, na tentativa de disputar as maiores cotas de mercado, essas autnticas guerras dentro e fora das redes vo da monopolizao destruio dos concorrentes como tentou fazer a companhia Microsoft (1998) de Bill Gates, pressionando e minando empresas com a dimenso da Apple, Intel, IBM, Netscape, e Real Networks entre outras. Contrariar este aparente modelo predador que alguns procuram associar ao imprio da Microsoft, no fcil pois data (1998) esta empresa tinha cerca de meio milho de funcionrios espalhados pelo mundo a melhorarem o sistema operativo Windows (95) e um navegador Internet Explorer, para serem vendidos em simultneo oferecendo fiabilidade software, inevitavelmente colonizando e fidelizando os utilizadores ao hardware e software comercializados por si, e ao mesmo tempo padronizando o acesso rede por intermdio de um produto altamente eficaz e desenvolvido por si.

    As estratgias tradicionais de domnio empresarial, (loby, cartel,

    monoplio e imprio) foram transportadas fractalmente para a concepo do hipertexto em qualquer das reas do conhecimento, contaminando redes e ciberespao, pelo que consideramos alguma candura poltica intencional por parte de Derrick de Kerckhove, ao apresentar a viso institucionalizada ao referir-se Internet como lugar virtual pouco instrumentalizado poltica e comercialmente numa conferncia realizada na Art Futura (Sevilha - 1998):

    La responsabilidad del funcionamento de la red es de todos y cada uno de los que estn conectados a ella. No es un medio colectivo ni tampoco privado, es algo nuovo. De hecho, se trata de un nuevo sistema poltico descentralizado completamente. Es local y fragmentado, pero al mismo tiempo un alcance global. Esto va a cambiar todo. Es "la Segunda piel", la nueva vida que estamos creando7

    Autores como Cynthia Goodman, Derrick de Kerckhove, Frank

    Popper, Howard Rheingold, , Mark Dery, Michael Benedikt, Michael Rush, Pierre Lvy, Roy Ascott ou Sherry Turkle, tm tentado arrumar ideias em rota de coliso com a viso artstica tradicional, associada depreciativamente ao modelo modernista que representa o artista como individualidade particularizada na sua existncia, produtor de obras fsicas nicas, para serem adquiridas por alguns e impostas a espectadores passivos. 7 SERRA, Catalina, Derrick de Kerkhove augura un nuevo sistema poltico gracias a Internet, El Pas - [email protected], Madrid, 15 Out. 1998, p.14. A participao na nona edio da Art Futura (1998) de Derrick de Kerckhove, antecedeu o lanamento em Espanha do seu best-seller, The Skin of Culture (Investigating the New Electronic Reality (1995), (A Pele da Cultura, Uma Investigao Sobre a Nova Realidade Electrnica) Kerckhove, para alm de ser Director do Programa Mcluhan em Cultura e Tecnologia na Universidade de Toronto, foi tambm responsvel pela primeira vdeo-conferncia artstica interactiva (1988)

    7

    mailto:[email protected]

  • A forma encontrada para estruturar e contornar a solvncia

    electrnica do autor-indivduo e das manifestaes tecno-artsticas foi comear por adoptar a raiz tecnolgica do medium-suporte (laser, holografia, vdeo, computador, multimedia, ou digital) em que construda a obra-coisa, contudo ntida a fludez instalada pela intermediao dos suportes electrnicos na elaborao das mais dispares manifestaes artsticas baseadas no territrio virtual em que se transformou a NET, inevitavelmente reproduzindo e contendo em si a contaminao dos modus operandi humanos.

    A viso utpica e romntica dos pioneiros da utilizao dos suportes

    electrnicos para expanso das experincias plsticas, espelha-se na nostalgia dos primeiros utilizadores das redes, micro comunidades e tribos virtuais constitudas por redes locais como a WELL - Whole Earth "Lectronic LinK", (Rede Electrnica para Toda a Terra) cujo endereo electrnico : http://www.well.com, onde participaram muitos artistas e que fundamentalmente queriam comunicar entre si, fazer circular os e-mails, poder dar a sua opinio sobre qualquer assunto nos newsgroupes (grupos de notcias) ou discussion groups, (grupos de discusso) intercomunicar sem barreiras espaciais, fazer transferncia de ficheiros de texto e posteriormente multimdia, acedendo a qualquer computador com a maior rapidez possvel. Tudo isto emoldurado pelo esprito de contracultura, uma miscelnia tecno-anarquica que no reconhece a autoridade central, e sempre sonhou com o projecto da Internet como pertena de toda a gente e de ningum, uma paisagem de utopia tecnolgica perfumada pela irreverncia da juventude da dcada de 60 e 70.8

    No deixa de ser interessante verificar que grande parte dos tecno

    artistas envolvidos, esto de acordo com a expanso tecnolgica como um bem comum ao servio da comunidade humana repudiando a sua converso num bem econmico fornecido por algum estado ou instituio privada. Bill Viola, (1951-)9 um dos pioneiros da utilizao do vdeo e das novas tecnologias electrnicas na formalizao do seu discurso, transporta

    8 A este propsito veja-se RHEINGOLD, Howard - The Virtual Community (1994). Traduo esp., La Comunidad Virtual, Una sociedad sin fronteras, Barcelona, Gedisa Editorial, Col. Limites dela Ciencia, n. 32, 1996 [Traduo de Jos Angel Alvarez]. Em especial o 3 Captulo: Visionrios e convergncias: A histria acidentada da Rede pp. 93-147. 9 Bill Viola, reconhecido como precursor da Video Art, a sua sntese biografia encontra-se em VIOLA, Bill - http://www.billviola.com/biograph.htm, da qual destacamos a formao acadmica: BFA (Bachelor in Fine Arts) em Experimental Studios da Syracuse University,(1973), artista residente na WNET, Tirteen Television Laboratory (1976-83), estudos sobre Budismo Zen orientado pelo Daien Tanaka (padre e pintor Zen), artista residente da Sony Corporation's Atsugi Laboratories (1980-81), colabora com o California Institute of Arts, Valencia-California (1983) e com o Institute for the History of Art and the Humanities-Los Angeles (1998) e foi eleito para a American Academy of Arts and Sciences dos Estados Unidos em 2000.

    8

    http://www.well.com/http://www.billviola.com/biograph.htm

  • interrogaes de como poder a tecnologia influenciar a nossa compreenso da cultura, e mesmo se pode a expresso da experincia humana ser diminuda pela interposio tecnolgica, provocando um progressivo desaparecimento da presena humana em favor de rotinas tecnolgicas e da perda do acto de comunicao entre humanos, fazendo depender a nossa representao das TIC (Tecnologias de Informao e Comunicao) cuja ressonncia possa captar a ateno e ser divulgada pelo maior nmero de intervenientes abstractos.

    The thrill of technology lies in the fact that it represents real democratization of the arts. In 20 yearsno one will "need" Hollywood to create visual art. It doesn't takethat much money to produce a feature-length video presentation. Today, most artists can afford video, which has become the medium of choice for telling the stories of alternative histories. Thanks to satelite technology, people have a previously unprecedented range of distribution and acess to programming material. (...) Yes, video isthe medium of choice for both creating arts and narrating alternative history, and it's now in the hands of people, and that's exceting.10

    A crescente popularizao da rede, deve-se em grande medida a uma sub-cultura tecnolgica, low-tech de no especialistas intitulada BBS - Bulletin Board System, (sistema de boletins electrnicos) que subverteu a higt tech dos acadmicos e investigadores instalando micro redes locais de computadores pessoais que se interligaram via telefone atravs de modem, (modulador/desmodulador). O modem aparelho tradutor, conversor de informao digital emitida (computador) e transmitida pelo sistema telefnico dando-se na recepo (por intermdio de outro modem) a reconverso para digital, permitindo ao utilizador a interpretao da informao enviada. considerada a infraestrutura mais simples e barata de uso domstico das comunicaes entre computadores.

    Howard Rheingold (-) refere a importncia destas subculturas na apropriao indevida dos meios tecnolgicos que estavam destinados a outros fins considerados mais significativos como os de defesa/ataque termonuclear, decorrente da hiper-militarizao da investigao cientfica das super-potncias.:

    Um tema que se contina a todo lo largo de la historia de las CMC, es la forma en que la gente adapta las tecnologas diseadas com un fin para servir a sus proprias, y muy diferentes, necesidades de comunicacin. Y los cambios tecnolgicos ms profundos han salido de los grupos marginales y las subculturas, no de la ortodoxia de la industria de la computatin o de la ciencia acadmica de la compotacin. Los programadores que crearan la primera red de ordenadores instalaron algunos de los elementos del correo electrnico; el correo electrnico no fue la razn por la qual se diseo ARPANET, pero fue cosa fcil en cuanto sta existi.11

    As redes passaram a encarnar os no lugares virtuais mais apetecveis para depositar as manifestaes tecno-artsticas, quer individuais ou colectivas, desde os finais da dcada de 70, assumindo maior 10 VIOLA, Bill, Kiss Your Tired Aesthetics Good-Bye - On Transcending the Water Glass, in JACOBSON, Linda, Sob a direco de - Cyberarts, Exploring Art & Technology, San Francisco, Miller Freeman, 1995, p.4 11 RHEINGOLD, Howard -op.cit, p.22

    9

  • relevncia nos anos 80, fazendo a convergncia de toda e qualquer tecnologia electrnica de forma a ganharem a configurao de obras co-assistidas por computadores ligados em rede como aconteceu com Roy Ascott, convidado por Frank Popper para apresentar uma obra a ser exibida na ELECTRA de 1983, tendo Ascott concebido o projecto The Pleating of the Text: A Planetary Fairy Tale (1983), divulgado pela ARTE (1983).

    Ascott, limitou-se a recuperar a ideia Surrealista do jogo do cadavre

    exquis, (1930) em que cada participante enquanto individualidade elaborava parte de um desenho sendo continuado por outro elemento do grupo sem que estes tivessem conhecimento do que se havia feito anteriormente, assim era arquitectada uma personagem por fragmentos, uma espcie de imagens do acaso, tal como a poesia do acaso surgia por intermdio de um jogo de palavras projectando e libertando o inconsciente dos participantes sendo esta actividade densamente ritualizada apontando para a exteriorizao do imaginrio colectivo pertena dos intervenientes na construo desse povo inteiro de cadavres exquis, como dizia o poeta Paul luard (1895-1952) a propsito destes seres nascidos dos desenhados de Andr Breton (1896-1966), Jacques Hrold (1910 -? ) Yves Tanguy (1900-1955) e Victor Brauner (1903-1966) materializados numa atmosfera estimulante e propiciatria da descoberta das images introuvables, carregadas de associaes imprevisveis.

    Fig. 5 - Desenhos, cadavre exquis, (1934) realizados pelos Surrealistas, Breton, Hrold, Tanguy e Brauner em que cada artista realizou um fragmento, ao centro e direita criao de imagens digitais mdulares (ndulos do hipertexto) que ao serem combinadas (ligaes do hipertexto) proporcionam jogos de tecno-imagens.

    Ascott recupera a ideia de cadavre exquis iniciando o seu projecto pela descrio e convite participao e colaborao na criao de uma histria contada envolvendo autores dispersos, ligados a computadores em rede na Europa, Estados Unidos e Austrlia, (ustria, Austrlia, Canad, Holanda, Franca, Hawai, Gr-Bretanha e Estados Unidos) tendo como objectivo gerar um texto em forma de conto de fadas, infraestruturado por computadores com monitores e impressoras. O texto circularia pelo ARTBOX, (1983) (programa de correio electrnico) e a durao da participao seria de trs semanas, 24 horas por dia, e cada artista assumiria um papel de acordo com uma personagem-identidade, (arqutipo do conto de fadas - heri, vilo, princesa...) gerando o texto em sintonia com essa personagem. Ascott queria que o terminal do computador fosse visto pelos colaboradores como:

    10

  • (...) as a meeting point of a sunet of people collabirating to generate the input for the character/role assigned at that location. A kind of cone of activity feeding into the whole network through a specific terminal location12

    Este projecto encomendado para a ELECTRA (1983), e bastante improvisado e fragmentado, mostrou-se em Paris (Muse d'Art Moderne de la Vile Paris) sendo coincidente com as ideias sobre a arte das e nas redes em que os processos e as metodologias esto directamente dependentes dos avanos tecnolgicos e patrocnios em forma de marketing, utilizado pelas empresas na seduo dos conexistas, pela espectacularidade associada interactividade em tempo real, revelando na sua matriz a estrutura elementar do ndulo e da ligao do hipertexto.

    Reforando a noo de rede enquanto no lugar como resposta

    formao da territorialidade virtual aceite pelos tecno-artistas, como meio ideal de acolhimento e propagao de todas as configuraes de manifestaes tecno-artsticas, pelo que Lourdes Cilleruelo Gutirrez, considera a Arte na Internet como a soluo decorrente de estratgias plsticas tradicionalmente utilizadas pelos artistas e transportadas para a rede dizendo:

    Concluyendo, se debe admitir que los tres conceptos clave esbozados hasta el momento, y que hoy definen gran parte de los proyectos de Internet, globalidad, comunication e interactividad, ya estaban presentes en la corriente de pensamento y prctica artstica antes de la aparin en escena del medio. El nascimento de la Red no supuso sino la solucin a algunos problemas tcnicos que planteaban los dispositivos ya existentes. Prueba de lo dicho es que com el tiempo artistas que iniciaron su andadura en mbitos como la infografia, el arte postal o la telecomunicacin, adoptaran Internet, al reconocer en l um medio de expresin que se amoldaba perfectamente a sus propsitos y necessidades. 13

    Poderemos concluir, considerando o hipertexto, na sua complexidade multimdia, como axis mundi da primeira plataforma da cibercultura, obrigando interveno de equipas multidisciplinares na sua arquitectura, desenvolvendo estratgias de co-autoria em quase todas as manifestaes tecno-artsticas, assim catalogadas pela sua total dependncia tecnolgica de raiz digital. Estas produes so co-assistidas por vastas tribos de tecnlogos deixando antever a progressiva naturalizao do tecno-imaginrio criado por entidades mquina cuja autonomia e sofisticao atingiro tal grau que deixaremos de discernir entre fico e

    12 Esta mensagem est facsimilada em ASCOTT, Roy - La Plissure du texte, http://www.t0.or.at/~radrian/ARTEX/PLISSURE/plissartx2.html Roy Ascott, actualmente Director do CAiiA - STAR, um centro transdisciplinar para pesquisa em arte, cincia, tecnologia e conscincia, na University of Wales College Newport, tem vasta produo terica 13 GUTIRREZ, Lourdes Cilleruelo - Arte de Internet: Genesis y Definicin de un Nuevo Soporte Artstico Tecnolgico (1995-2000). Bilbao: Facultad de Bellas Artes (Departamento de Pintura), Universidad del Pas Vasco. 200. Tese de Doutoramento, p. 96

    11

    http://www.t0.or.at/%7Eradrian/ARTEX/PLISSURE/plissartx2.html

  • realidade, pois a entropia ser total, restando apenas a suspeio de pr-definies como memrias fragmentadas de uma humanidade improvvel.

    *Hugo Ferro Prof. Associado da Faculdade de Belas-Artes Universidade de Lisboa

    Bibliografia AGAMBEN, Giogio - A Comunidade que Vem, Lisboa, Editorial Presena, Col. Hipteses Actuias, n. 1, 1993. ASCOTT, Roy - La Plissure du texte, http://www.t0.or.at/~radrian/ARTEX/PLISSURE/plissartx2.html BENEDIKT, Michael - Cyberspace, First Seps.,London/Massachusetts, MIT Press, 1992 COSMO, Robert di, NORA, Dominique - O Assalto Planetrio, A face Oculta da Microsoft, Lisboa, Terramar, Col. Actualidades, n. 10, 1999. COTTON, Bob & OLIVER, Richard - Understanding Hypermedia, from Multimedia to Virtual Reality., London, Phaidon Press, 1993. DERY, Mark - Velocidad de Escape, La Cibercultura en el Final del Siglo, Madrid, Ediciones Siruela S.A., 1998 DRUCKREY, Timothy, Edited by - Electronic Culture Techonology and Visual Representation, New York, Aperture Foundation Pubhishes, 1996 FERRO, Hugo - Ciberespao, como Matria do Sonho, Tribos e Territrios Virtuais, Lisboa, Universidade Aberta, 1994, Dissertao de Mestrado em Comunicao Educacional Multimedia. GIANNETTI, Claudia Sob a direco de - Ars Telemtica, Telecomunicaes, Internet e Ciberespao, Lisboa, Relgio D' gua Editores e Claudia Giannetti, Col., Mediaes, 1998 GOODMAN, Cynthia - Digital Visions, Computers and Art., New York, Harry N. Abrams, Inc., Publishers/Everson Museum of Art, 1987. GUTIRREZ, Lourdes Cilleruelo - Arte de Internet: Genesis y Definicin de un Nuevo Soporte Artstico Tecnolgico (1995-2000). Bilbao: Facultad de Bellas Artes (Departamento de Pintura), Universidad del Pas Vasco. 2000. Tese de Doutoramento JACOBSON, Linda, Sob a direco de - Cyberarts, Exploring Art & Technology, San Francisco, Miller Freeman, 1995. KERCKHOVE, Derrick de - A Pele da Cultura, Lisboa, Relgio D?gua, Col. Comunicao e Cultura, n. 1, 1997.

    12

    http://www.t0.or.at/%7Eradrian/ARTEX/PLISSURE/plissartx2.html

  • LVY, Pierre - Cibercultura., Lisboa, Inst. Piaget, Col. Epistemologia e Sociedade, n. 138, 2000 - Ideografia Dinmica, Para uma Imaginao Artificial, Lisboa, Inst. Piaget, Col. Epistemologia e Sociedade, n. 63, 1997. - As Tecnologias da Inteligncia, O Futuro do Pensamento na Era Informtica, Lisboa, Inst. Piaget, Col. Epistemologia e Sociedade, n.23, 1994. LOADER, Brian D. - A Poltica do Ciberespao, Poltica, Tecnologia e Reestruturao Global, Lisboa, Inst. Piaget, Col. Economia e Poltica, n.53, 1999. NELSON, Theodor - Computer Lib, Dream Machines, Wasshington, Tempus Books of Microsoft Press, 1987. ORVELL, Miles - After the Machine, Visual Arts and the Erasing of Culture Boundaries, Jackson, University Press of Mississippi, 1995. POPPER, Frank - L'Art L'ge lectronique., Paris, ditions Hazan, 1993. RHEINGOLD, Howard - The Virtual Community (1994). Traduo Esp., La Comunidad Virtual, Una sociedad sin fronteras, Barcelona, Gedisa Editorial, Col. Limites dela Ciencia, n. 32, 1996 [Traduo de Jos Angel Alvarez]. SALOMON, Jean-Jacques - Sobreviver Cincia, Uma Certa Ideia do Futuro, Lisboa, Inst. Piaget, Col. Epistemologia e Sociedade, n.160, 2001. SERRA, Catalina, Derrick de Kerkhove augura un nuevo sistema poltico gracias a Internet, El Pas - [email protected], Madrid, 15 Out. 1998 STONE, Allucqure Rosanne - The War of Desire and Technology at the Close of the Mechanical Age., London/Massachusetts, MIT Press, 1996 VATTIMO, Gianni - A Sociedade Transparente, Lisboa, Relgio D?gua, Col. Antropos, n. 21, 1992. -Acreditar em Acreditar., Lisboa, Relgio D?gua, 1998.

    13

    mailto:[email protected]

    HIPERTEXTO, AXIS MUNDI DAS MANIFESTAES TECNO-ARTSTICAS