Identificação de Ácido Salicílico em Produtos ... · Para M. Burriel-Marti (Senise, 1993, p.?),...

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Identificação de Ácido Salicílico em Produtos Dermatológicos QUÍMICA NOVA NA ESCOLA Vol. 33, N° 2, MAIO 2011 125 EXPERIMENTAçãO NO ENSINO DE QUíMICA Recebido em 23/03/2010, aceito em 03/05/2010 Carlos Alberto Fernandes de Oliveira, João Batista Moura de Resende Filho, Liliane Rodrigues de Andrade A Química Analítica é um ramo da Química em que se estudam os métodos para identificar a composição de amostras naturais ou artificiais. Ela está amplamente presente nas atividades humanas. Graças a essa car- acterística, a Química Analítica permite ser grandemente explorada durante as aulas do ensino médio por meio da contextualização. Nesse sentido, o respectivo projeto buscou averiguar o fator motivacional de uma proposta metodológica baseada na adaptação de um experimento de identificação de ácido salicílico em produtos dermatológicos, utilizando-se materiais convencionais. A aplicação denotou bons resultados no que tange à compreensão dos alunos acerca do conteúdo e à questão motivacional. ácido salicílico, análise qualitativa, materiais alternativos Identificação de Ácido Salicílico em Produtos Dermatológicos Utilizando-se Materiais Convencionais A seção “Experimentação no ensino de Química” descreve experimentos cuja implementação e interpretação contribuem para a construção de conceitos científicos por parte dos alunos. Os materiais e reagentes usados são facilmente encontráveis, permitindo a realização dos experimentos em qualquer escola. A Química Analítica é um ramo da Química na qual são estu- dados os meios para definir a composição de uma amostra, seja ela natural ou artificial. Para tal, é necessária uma técnica ou um con- junto de manipulações e preceitos, o que caracteriza a análise química. Para M. Burriel-Marti (Senise, 1993, p. ??), “a química analítica estuda e a análise química é um conjunto de técnicas resultante desse estudo”. Ainda segundo Van Nieuwenburg (Senise, 1993), a análise química é um conjunto de técnicas e ma- nipulações orientado a conhecer a composição qualitativa e quan- titativa de um material em estudo, obedecendo a métodos de rotina. É perceptível a imensa contri- buição da Química Analítica para os campos da Ciência e da tecno- logia como, por exemplo, quando ocorre o controle de processos e produtos realizados e confeccio- nados pelas indústrias ou mesmo exames laboratoriais realizados para diagnósticos médicos (Curtius, 1982 apud Lima, 2008). Por con- seguinte, o entrelaçamento entre conteúdos abordados no ensino da Química com atividades expe- rimentais relacionadas a análises químicas permite ao professor o desenvolvimento de uma aula mais dinâmica e contextualizada. Segun- do Cardoso et al. (2000), “para os estudantes manusear substâncias, realizar práticas e comprovar os conhecimentos vistos em sala de aula são importantes, tornando a aprendizagem mais fácil, atraente e interessante”. Nesse sentido, o respectivo projeto teve por objetivo avaliar a aplicabilidade de uma metodologia para a identificação de ácido sali- cílico em produtos dermatológicos, utilizando-se materiais conven- cionais, seguindo alguns critérios preestabelecidos, tais como custo do experimento, viabilidade de rea- lização em salas de aula e caráter motivacional do experimento. A execução da referida proposta, além de possuir um caráter motivacional para as aulas de Química, propor- ciona a abordagem contextualizada de diversos conteúdos do ensino médio, tais como equilíbrio químico, reações químicas, funções orgâni- cas, sais complexos etc. Análise qualitativa do ácido salicílico O ácido salicílico é um beta- hidroxiácido que, em contato com a região cutânea, ocasiona a des- camação da região da pele onde há hiperceratose (Santoro, 2005), o que justifica sua ampla aplicação na indústria de cosméticos e na dermatologia. Ele é um pó crista- lino branco, solúvel em solventes apolares, inodoro, com pontos de ebulição e fusão de 256ºC e 157ºC- 159ºC, respectivamente.

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  • Identificao de cido Saliclico em Produtos DermatolgicosQUMICA NOVA NA ESCOLA Vol. 33, N 2, MAIO 2011

    125

    ExpErimEntao no Ensino dE Qumica

    Recebido em 23/03/2010, aceito em 03/05/2010

    Carlos Alberto Fernandes de Oliveira, Joo Batista Moura de Resende Filho, Liliane Rodrigues de Andrade

    A Qumica Analtica um ramo da Qumica em que se estudam os mtodos para identificar a composio de amostras naturais ou artificiais. Ela est amplamente presente nas atividades humanas. Graas a essa car-acterstica, a Qumica Analtica permite ser grandemente explorada durante as aulas do ensino mdio por meio da contextualizao. Nesse sentido, o respectivo projeto buscou averiguar o fator motivacional de uma proposta metodolgica baseada na adaptao de um experimento de identificao de cido saliclico em produtos dermatolgicos, utilizando-se materiais convencionais. A aplicao denotou bons resultados no que tange compreenso dos alunos acerca do contedo e questo motivacional.

    cido saliclico, anlise qualitativa, materiais alternativos

    Identificao de cido Saliclico em Produtos Dermatolgicos Utilizando-se Materiais Convencionais

    A seo Experimentao no ensino de Qumica descreve experimentos cuja implementao e interpretao contribuem para a construo de conceitos cientficos por parte dos alunos. Os materiais e reagentes usados so facilmente encontrveis, permitindo a realizao dos experimentos em qualquer escola.

    A Qumica Analtica um ramo da Qumica na qual so estu-dados os meios para definir a composio de uma amostra, seja ela natural ou artificial. Para tal, necessria uma tcnica ou um con-junto de manipulaes e preceitos, o que caracteriza a anlise qumica. Para M. Burriel-Marti (Senise, 1993, p. ??), a qumica analtica estuda e a anlise qumica um conjunto de tcnicas resultante desse estudo. Ainda segundo Van Nieuwenburg (Senise, 1993), a anlise qumica um conjunto de tcnicas e ma-nipulaes orientado a conhecer a composio qualitativa e quan-titativa de um material em estudo, obedecendo a mtodos de rotina.

    perceptvel a imensa contri-buio da Qumica Analtica para os campos da Cincia e da tecno-logia como, por exemplo, quando ocorre o controle de processos e

    produtos realizados e confeccio-nados pelas indstrias ou mesmo exames laboratoriais realizados para diagnsticos mdicos (Curtius, 1982 apud Lima, 2008). Por con-seguinte, o entrelaamento entre contedos abordados no ensino da Qumica com atividades expe-rimentais relacionadas a anlises qumicas permite ao professor o desenvolvimento de uma aula mais dinmica e contextualizada. Segun-do Cardoso et al. (2000), para os estudantes manusear substncias, realizar prticas e comprovar os conhecimentos vistos em sala de aula so importantes, tornando a aprendizagem mais fcil, atraente e interessante.

    Nesse sentido, o respectivo projeto teve por objetivo avaliar a aplicabilidade de uma metodologia para a identificao de cido sali-clico em produtos dermatolgicos,

    util izando-se materiais conven-cionais, seguindo alguns critrios preestabelecidos, tais como custo do experimento, viabilidade de rea-lizao em salas de aula e carter motivacional do experimento. A execuo da referida proposta, alm de possuir um carter motivacional para as aulas de Qumica, propor-ciona a abordagem contextualizada de diversos contedos do ensino mdio, tais como equilbrio qumico, reaes qumicas, funes orgni-cas, sais complexos etc.

    Anlise qualitativa do cido saliclicoO cido saliclico um beta-

    hidroxicido que, em contato com a regio cutnea, ocasiona a des-camao da regio da pele onde h hiperceratose (Santoro, 2005), o que justifica sua ampla aplicao na indstria de cosmticos e na dermatologia. Ele um p crista-lino branco, solvel em solventes apolares, inodoro, com pontos de ebulio e fuso de 256C e 157C-159C, respectivamente.

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    Devido vasta aplicao do cido saliclico, h uma gama de medicamentos (tratamento de ver-rugas, acne etc.) e cosmticos (ads-tringentes, clareadores, peelings etc.), encontrados em farmcias e perfumarias, que contm esse cido em suas composies.

    Para determinao desse cido, pode-se utilizar a cromatografia l-quida (Loake et al., 2004), porm, na maioria dos laboratrios, realizado um teste de identificao com o cloreto frrico, FeCl3 (Instituto Adolfo Lutz, 1985). O nion salicilato, em contato com os ctions Fe+3, forma complexos triquelatos de colorao vermelha a prpura (Figura 1).

    A respectiva anlise pode ser realizada nos mais diversos cos-mticos (que apresentam valores em torno de 20mg/g do produto) e/ou medicamentos que contenham o cido saliclico (os testes apresen-taram resultados satisfatrios em

    amostras de soluo de cido salic-lico contendo at aproximadamente 0,01mol/L). A grande vantagem da utilizao desse teste justifica-se na sua simplicidade, pois no exige a utilizao de equipamentos de alta preciso nem de reagentes de uso restrito aos laboratrios, poden-do substituir ou adaptar algumas partes que possam dificultar sua aplicao em sala de aula.

    Materiais e reagentesOs materiais e reagentes utili-

    zados para o desenvolvimento da prtica da anlise qualitativa esto descritos na tabela a seguir:

    Procedimentos experimentaisOs procedimentos experimentais

    foram adaptados da rota sistemti-ca para anlise qualitativa de sali-cilatos encontrados no livro Normas analticas do Instituto Adolfo Lutz (1985). Para tornar o experimento

    vivel, o ter etlico utilizado nessa anlise qualitativa foi substitudo por uma soluo a 10 volumes de acetona em benzina (hexano), que tem por objetivo dissolver e extrair o cido saliclico encontrado na amostra.

    Vale a pena frisar que a acetona comercialmente vendida apresenta geralmente apenas 50% de pro-panona. Devido ao fato de esse solvente ser utilizado para o refino de drogas ilcitas, as autoridades competentes proibiram a venda do produto puro. Esse ponto pode le-vantar discusses acerca de temas diversos, tais como drogas ilcitas, a relao toxidade e concentrao de solventes, diferenas entre reagen-tes de laboratrio e produtos comer-ciais, entre outros. O uso do produto comercial no gera problemas para o resultado do experimento em sala de aula.

    Os procedimentos experimentais (Figura 2) relatados a seguir levam em considerao os materiais con-vencionais (Figura 3) citados no tpico anterior.

    Prepare a soluo a 10 volumes de acetona comercial em ben-zina com o auxlio de um frasco medidor. Reserve-a.

    Mea 50 mL da amostra em um frasco medidor e transfira-a para um copo de vidro.

    Com o auxlio de uma seringa descartvel, adicione 5 mL de cido muritico e agite. Se ocor-rer a formao de precipitado, filtre o material. A filtrao pode ser feita utilizando-se um filtro de papel para caf, um funil de plstico e um copo.

    Mea 25 mL da soluo de ace-tona/benzina com o auxlio de um frasco medidor e adicione-a no recipiente que contm a amostra. Agite e retire a camada sobrenadante com uma seringa descartvel, transferindo-a para um pires.

    Leve o pires para o banho-maria at a secagem. O sistema de banho-maria alternativo consti-tui-se de um pote de cafeteira eltrica com gua sobre um

    Tabela 1. Materiais e reagentes usados em laboratrio e seus possveis substituintes

    Material/reagente de laboratrio Materiais convencionais

    Proveta de 100 mL Frascos medidores

    Bquer de 250 mL Copos

    Cpsula de porcelana Pires

    Pipetas Seringas descartveis

    Sistema para banho-maria Aquecedor alternativo e um pote de cafeteira eltrica

    Funil de decantao de 250 mL Processo de sifonamento ou retira-se a parte sobrenadante com uma seringa descartvel

    cido clordrico cido muritico

    Soluo a 10% de acetona (v/v) em hexano

    Soluo a 10% de acetona comercial (v/v) em benzina

    Soluo de cloreto frrico a 0,5% 1,2g de percloreto de ferro em 150 mL de gua

    Amostras Adstringente a base de cido saliclico

    Figura 1. Equao qumica da reao de complexao do Fe3+ com o nion salicilato.

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    aquecedor alternativo (ferro de engomar invertido sobre um suporte de madeira).

    Esfrie o sistema e, com o auxlio de um conta-gotas, adicione gota a gota a soluo de clo-reto frrico. Essa soluo foi preparada de forma aproximada dissolvendo-se 1,2g do produto comercial (percloreto de ferro) em 150 mL de gua.

    Na presena de cido saliclico, aparecer uma colorao violcea.

    Obs. 1: Caso a camada no aquosa no esteja visvel no re-cipiente que contm a amostra, faz-se necessrio adicionar mais um pouco da soluo acetona/benzina. A adio da soluo de cloreto frrico deve ser cuidadosa, porque um excesso de reativo faz desaparecer a cor violeta (Instituto Adolfo Lutz, 1985).

    Obs. 2: Durante a respectiva aula experimental, aconselha-se a traba-lhar com as janelas e portas da sala de aula abertas. No tpico referente

    Figura 2. Procedimentos experimentais: (a) medio da amostra; (b) amostra com soluo de acetona/benzina; (c) extrao da camada superior; (d) aquecimento; (e) identificao de cido saliclico.

    Figura 3. Materiais e reagentes convencionais utilizadas na anlise qualitativa.

    adio do cido muritico, o alu-no responsvel pelo grupo dever conduzir a amostra at o professor, que manusear esse cido com o auxlio da seringa e utilizando luvas.

    Obs. 3: Os resduos oriundos da soluo de acetona/benzina foram coletados em frascos e conduzidos ao laboratrio de qumica do Insti-tuto Federal de Educao, Cincia e Tecnologia da Paraba (IFPB). Os demais resduos gerados no apre-sentam grau de toxicidade elevado e se encontram em baixa concen-trao, podendo ser descartado naturalmente no esgoto domstico.

    Resultados e discussesO respectivo experimento foi

    aplicado numa turma de 1 ano do ensino mdio em uma escola situa-da na cidade de Joo Pessoa (PB). Inicialmente, foi feita uma aborda-gem contextual sobre as aplicaes dos conhecimentos da Cincia Qu-mica nas mais diversas atividades humanas, tais como nos exames mdicos; nos testes de qualidade

    realizados pelas indstrias, que so noticiados em jornais, programas de televiso etc. Posteriormente, a turma foi dividida em quatro grupos constitudos por seis alunos. Cada grupo recebeu uma amostra a ser analisada e a respectiva rota siste-mtica.

    Aps a execuo dos experimen-tos, os alunos responderam a um questionrio de avaliao da aula. Com a anlise deste, pde-se notar que surtiu grande interesse em re-lao Qumica, fazendo com que eles participassem ativamente das atividades em sala de aula.

    Muitos alunos ressaltaram o fato de que eles participaram de uma aula indita, na qual a ateno no estava focada na retrica do profes-sor, mas sim neles mesmos como agentes do conhecimento. A reali-zao da aula experimental tambm permitiu aos alunos confirmarem ou terem conhecimento da apli-cao da Qumica nas atividades humanas, e que as aulas podem ser mais atraentes (motivadoras) do que aquelas trabalhadas em sala de aula, o que pode ser percebido pela resposta de um aluno, em que avalia a aula experimental como: Dinmi-ca, divertida e acima de tudo mos-trou que a Qumica no se prende aos livros e que muito menos quela aula chata e perturbadora que mui-tos pensam ou acham.

    Consideraes finaisO mtodo de identificao de

    cido saliclico proposto pode ser facilmente aplicado em sala de aula, permitindo a abordagem contex-tualizada de vrios contedos no ensino da Qumica e funcionando como um instrumento motivador, o que corrobora o carter motivacio-nal das aulas experimentais.

    Carlos Alberto Fernandes de Oliveira ([email protected]), mestre em Qumica pela Universidade Federal da Paraba (UFPB) e doutorando em Qumica pela UFPE, professor no IFPB. Joo Batista Moura de Resende Filho ([email protected]) mestrando em Qumica pela UFPB. Liliane Rodrigues de Andrade ([email protected]) graduada em Licenciatura em Qumica pelo IFPB.

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    RefernciasCARDOSO, S.P. e COLINVAUX, D.

    Explorando a motivao para estudar qumica. Qumica Nova, So Paulo, v. 23, n. 2, p. 401-404, 2000.

    INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Livro de normas analticas do Instituto Adolfo Lutz. 3. ed. So Paulo: IMESP, 1985. 560p.

    LIMA, M.B. Proposta para aulas prticas de Qumica Analtica Quantitativa a partir de experimentos com o argilomineral vermicu-lita. 2008. 58 f. Monografia (Graduao em Licenciatura em Qumica) Instituto Fede-ral de Educao, Cincia e Tecnologia da

    Paraba, Joo Pessoa, 2008.LOAKE, G.J.; COOK, K. e ABOUL-

    SOUD, M.A.M. Measurement of salicylic acid by a high-performance liquid chro-matography procedure based on ion-exchange. Chromatographia, Wiesbaden, v. 59, n. 1, p. 129-133, 2004.

    SENISE, P. Qumica analtica e anlise qumica. Qumica Nova, So Paulo, v. 16, n. 3, p. 257-261, mai./jun. 1993.

    SANTORO, M.I.R.M.; RAMOS, T.R.; SIN-GH, A.K. e KEDOR-HACKMANN, E.R.M. Validao de um mtodo analtico para a determinao de substncias ativas em formulaes farmacuticas empregadas

    em peelings qumicos. Revista Brasileira de Cincias Farmacuticas, So Paulo, v. 41, n. 2, p. 229-235, 2005.

    Para saber maisIAMAMOTO, Y.; ABREU, D.G.; COSTA,

    C.R. e ASSIS, M.D. Uma proposta para o ensino da Qumica Analtica Qualitativa. QN, So Paulo, v. 29, n. 6, p. 1381-1386, 2006.

    GONALVES, J.M.; ANTUNES, K.C.L. e ANTUNES, A. Determinao qualitativa dos ons clcio e ferro em leite enrique-cido. QNEsc, So Paulo, n. 14, p. 43-45, nov. 2001.

    Abstract: Identification of salicylic acid in demartological products using conventional materials. Analytical Chemistry is a branch of this Science that is studying methods to identify the composition of samples natural or artificial. It is widely present in human activities. Thanks to this feature of Analytical Chemistry to be heavily exploited during the classes of Middle School (MS), through contex-tualization. In this sense, their project sought to investigate the motivational factor of a methodology based on the adaptation of an experiment for the identification of salicylic acid in dermatological products using conventional materials. The application has showed good results with regard to students understanding about the content and the motivational issue.Key-words: salicilic acid, qualitative analysis, alternative materials.

    Resenha

    fessor Google. Ele no s sabe (quase) tudo, como tem uma eficincia que nos supera em uma jornada de trabalho que nos maravilha. Engana-se quem pensa que nossa tarefa foi facilitada: Cabe-nos muito mais.

    Nesta nova edio de Educao Qu-mica: compromisso com a cidadania, Roseli e Wildson esto atentos a essas mudana: ao ensino mdio, cometida a formao para a cidadania; a rea de Cincias da Natureza e suas Tecnolo-gias desafiada a fazer a alfabetizao cientfica; os currculos das licenciatu-ras esto diferentes; e a pesquisa em ensino de Qumica, agora florescente, empresta novas contribuies.

    O trinmio Cincia-Tecnologia-Socieda-de (CTS), incipiente quando da primeira edio, nesta aurora trimilenar definidor de estratgias curriculares, de propostas pedaggicas, de livros textos, fazendo a to desejada converso do esoterismo ao exoterismo e possibilizando um ensino de Cincias menos hermtico, menos dogmtico e menos assptico. Hoje, as mltiplas inter-relaes de CTS ensejam que tenhamos um ensino cada vez mais indisciplinar, abandonando as limitaes rgidas das disciplinas para transgredir fronteiras e espraiando a rea de Cincias da Natureza e suas Tecnologias nas re-as das Cincias Humanas e Linguagem & Cdigos. Todas essas, e ainda outras, modificaes buscam estar presentes nesta nova edio.

    Mesmo que dispensvel, parece oportuno destacar que Roseli e Wildson so dois dos mais respeitados nomes da Educao Qumica. Uma e outro so doutores em Educao e parte de sua formao acadmica de ambos foi realizada no Reino Unido. A Roseli, por sua histria, um cone da Educao Qumica no Brasil, e o Wildson, que no mestrado foi orientando de Roseli, quando foi produzida o texto seminal que se transformou na primeira edio desse livro, aquele apstolo que nos acostumamos a ouvir pregar sobre o ensino de Qumica para formar o cidado.

    A nova edio de Educao Qumica: compromisso com a cidadania est (re)apresentada. Com entusiasmo, convido a cada uma e cada um, no fruir do texto e na companhia da Roseli e do Wildson, ajudar que mulheres e homens, por se envolverem criticamente com a Cincia, colaborem para que as transformaes que operamos no planeta concorram para que outro mundo seja possvel (Attico Chassot mestrechassot.blo-gspot.com).

    SANTOS, Wildson Luiz Pereira & SCHNETZLER, Roseli Pacheco. Edu-cao em qumica: compromisso com a cidadania. Iju: Uniju, 1997 (1 ed.). (Coleo educao em qumica). 4 ed. Revisada e atualizada, 160 p. 2010. ISBN 978-85-7429-889-4

    Em maio de 1998, le i to ras e leitores desta revista recebiam um convite para ajudar construir a c idadania e ento era anun-ciado que, no XVII Encontro de

    Debates sobre o Ensino de Qumica, ocorrido em outubro de 1997 na Uniju, houve o lanamento da primeira edio de Educao Qumica: compromisso com a cidadania. Passados quase 14 anos, o mesmo convite trazido aqui. Foi publicada em 2010 a 4 edio do livro de Wildson L. P. Santos e Roseli Pacheco Schnetzler.

    No difcil mostrar o quando o planeta mudou nesse perodo parado-xalmente pequeno/grande. A educao mudou e a escola de ento (que era do sculo passado) no se assemelha em nada com esta deste sculo 21, que j parece velho, pois marcado pela rapidao. Ento, a escola era o centro irradiador do conhecimento, hoje, pelas mais diferentes plataformas de informa-o, o conhecimento chega escola. Essa inverso de trnsito significativa e, mais, avassaladora.

    E os professores mudaram? Muito provavelmente sim. Agora, uma de suas aes: transmitir o conhecimento foi assumida com vantagens pelo Pro-