IDS Brasil 2004

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  • Dimenso ambiental

    Biodiversidade

  • 100 _________________________________________Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004Dimenso ambiental - Biodiversidade

    14 Espcies extintas e ameaadas de extinoApresenta o estado e as variaes da biodiversidade, expressos pelo

    nmero estimado de espcies nativas, nmero de espcies ameaadas de extino e nmero de espcies endmicas, segundo os principais biomas brasileiros.

    DescrioAs variveis utilizadas neste indicador so o nmero de espcies amea-

    adas de extino, subdivididas segundo as categorias de risco, e o nmero estimado de espcies nativas em alguns grupos taxonmicos. So apresen-tados, tambm, os nmeros de espcies endmicas por bioma e de plantas medicinais ameaadas de extino. Para peixes e invertebrados aquticos so apresentados o conjunto das espcies ameaadas de extino e sobreexplo-tadas ou ameaadas de sobreexplotao.

    O indicador constitudo pelo nmero de espcies extintas e ameaa-das, e pela razo, expressa em percentual, entre este valor e o nmero total de espcies de cada grupo taxonmico.

    As espcies extintas e ameaadas so relacionadas em lista elabo-rada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovveis - IBAMA. A classificao das espcies segundo o grau de ameaa foi baseada em critrios internacionais usados pela Unio Mundial para a Natureza - (The World Conservation Union - IUCN). As categorias utilizadas so: Extinta, Extinta na Natureza, Criticamente em Perigo, Em Perigo, Vulnervel, Quase Ameaada e Dados Insuficientes. Para peixes e invertebrados aquticos as espcies so classificadas em: ameaadas de extino e sobreexplotadas ou ameaadas de sobreexplotao.

    As fontes das informaes so o IBAMA e o Ministrio do Meio Ambien-te - MMA, disponveis na Internet, nos endereos: http://www.ibama.gov.br e http://www.mma.gov.br, e em Instrues Normativas daquele Ministrio.

    Justifi cativaA conservao da diversidade biolgica compreende a proteo da va-

    riabilidade em vrios nveis, como os ecossistemas e os habitats, as espcies e as comunidades, os genomas e os genes. A Conveno sobre Diversidade Biolgica, ratifi cada pelo Brasil em 1994, determina vrias responsabilidades, entre as quais a identifi cao e o monitoramento de ecossistemas e habitats, espcies e comunidades que estejam ameaadas, genomas e genes de im-portncia social e econmica.

    O Brasil est includo entre os pases dotados da chamada megadi-versidade, grupo de 12 naes que abrigam 70% da biodiversidade total do planeta. importncia de mbito global da conservao da biodiversidade no Brasil soma-se a sua relevncia para a economia do Pas. Entre as esp-cies vegetais de maior importncia econmica destacam-se aquelas de uso medicinal, objeto de intenso extrativismo (na maioria das vezes predatrio) e alvo de biopirataria.

  • Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004 _______________________________________ 101Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Este indicador um dos mais adequados para o monitoramento e avaliao da proteo da biodiversidade em nvel de espcies e biomas e, associado a outros indicadores, informa sobre a efi ccia das medidas conservacionistas.

    ComentriosA lista atualizada e revisada das espcies da fauna brasileira terrestre

    ameaada de extino, publicada em 2003, conta com um total de 398 esp-cies, 190 a mais em relao primeira lista apresentada, elaborada em 1989. Os grupos que apresentam maior nmero de espcies ameaadas so as aves e os insetos, com 160 e 96 espcies, respectivamente.

    As alteraes nos nmeros e nas espcies ameaadas de extino entre as duas listas decorrem, principalmente, do avano da destruio de reas naturais, aumentando o nmero de espcies ameaadas, e das medidas de conservao adotadas nos ltimos anos para as espcies mais ameaadas, que levaram retirada de algumas delas da lista atualizada.

    Para os peixes e os invertebrados aquticos, a lista ofi cial de espcies sob ameaa apresenta categorias prprias, diferente das usadas para as es-pcies da fauna terrestre. A construo de represas, a destruio de matas ciliares, de manguezais e a poluio de rios e reas costeiras esto entre as maiores ameaas fauna aqutica. Alm da destruio de habitats, a pesca se constitui em fator de presso sobre as populaes de peixes e invertebrados aquticos, tanto marinhos quanto de guas interiores. A sobreexplotao de algumas espcies j traz prejuzo para a atividade pesqueira.

    A lista ofi cial da fl ora ameaada de extino a mesma da edio an-terior desta publicao. Uma nova lista encontra-se em fase de elaborao pelo IBAMA.

    Embora possuam um grande nmero de espcies, a fl ora e os inverte-brados apresentam um grau de conhecimento menor que o dos vertebrados terrestres (mamferos, aves, rpteis e anfbios). Portanto, um grande esforo de pesquisa, especialmente para a fl ora, os invertebrados e os peixes de guas interiores, faz-se necessrio para que melhor se possa avaliar a biodiversidade dos biomas brasileiros e as ameaas mesma.

    O principal objetivo das listas de espcies da fauna e da fl ora ameaa-das de extino mostrar o estado de preservao das espcies, alertando aos tomadores de deciso, profi ssionais da rea de meio ambiente e a sociedade em geral, sobre a crescente destruio do patrimnio natural, no somente no Brasil, mas em todo o planeta. A relao das espcies que esto em risco de extino pode orientar polticas pblicas e privadas quanto ocupao e uso do solo, estratgias de conservao de habitats e a defi nio de aes que a visem reverter o quadro de ameaa a estas espcies e aos biomas. As listas servem tambm como mecanismo para nortear aes de combate ao trfi co e comrcio ilegal, tanto das espcies da fl ora quanto da fauna brasileiras.

    Juntamente com o nmero absoluto de espcies, o nmero de espcies endmicas fornece uma idia do potencial de risco que corre a biota de cada um dos biomas brasileiros. Dentre os biomas, a Mata Atlntica destaca-se por

  • 102 _________________________________________Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004Dimenso ambiental - Biodiversidade

    apresentar o maior nmero de espcies ameaadas de extino, resultado de mais de 500 anos de ocupao desordenada de sua rea de ocorrncia. O grande nmero de espcies endmicas da Mata Atlntica acentua a impor-tncia deste bioma.

    Indicadores relacionados04 - Uso de agrotxicos 05 - Terras em uso agrossilvipastoril06 - Queimadas e incndios fl orestais 07 - Desfl orestamento na Amaznia Legal 08 - rea remanescente e desfl orestamento na Mata Atlntica e nas for-

    maes vegetais litorneas 10 - Qualidade de guas interiores12 - Produo de pescado martima e continental 13 - Populao residente em reas costeiras 15 - reas protegidas 16 - Trfi co, criao e comrcio de animais silvestres23 - Taxa de crescimento da populao 48 - Participao de fontes renovveis na oferta de energia 54 - Ratifi cao de acordos globais 57 - Gasto pblico com proteo ao meio ambiente

    Fonte: Lista oficial de flora ameaada de extino. Disponvel em:. Acesso em: dez. 2003.

    Grfico 26 - Nmero de espcies vegetais superiores ameaadasde extino, segundo as categorias de risco - Brasil - 2003

    2

    41

    35

    25

    5

    Provavelmente Extinta Em Perigo Vulnervel Raro Indeterminado

  • Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004 _______________________________________ 103Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Fonte: Lista nacional das espcies da fauna brasileira ameaada de extino. Mapas porbioma. Disponvel em: .Acesso em: dez. 2003.

    Grfico 27 - Nmero de espcies da fauna terrestre ameaadasde extino por bioma - Brasil - 2003

    41

    65

    28

    17

    23 30

    269

    Amaznia Cerrado Caatinga

    Pantanal Campos Sulinos reas Costeiras

    Mata Atlntica

    Fonte: Brasil. Ministrio do Meio Ambiente. Instruo normativa, n. 5, de 21 de maio de 2004. Reconhece como espciesameaadas de extino e espcies sobreexplotadas ou ameaadas de sobreexplotao, os invetebrados aquticose peixes, constantes dos anexos a esta instruo normativa. Dirio Oficial [da] Repblica Federativa do Brasil,Poder Executivo, Braslia, DF, 28 maio 2004. Seo 1, p. 136.

    Grfico 28 - Nmero de espcies de peixes e de invertebrados aquticos ameaadas deextino e sobreexplotadas ou ameaadas de sobreexplotao, segundo

    os grupos taxonmicos e os habitats - Brasil - 2004

    0

    50

    100

    150

    200

    250

    Espcies ameaadas de extino Espcies sobreexplotadas ou ameaadasde sobreexplotao

    Nm

    e ro

    dee s

    p c i

    e s

    Peixesmarinhos

    Peixes degua doce

    Invertebradosmarinhos

    Invertebradosde gua doce Total

  • 104 _________________________________________Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Absoluto Relativo (%)

    Flora

    Vegetais superiores (1) 56 000 108 ...

    Fauna

    Mamferos 518 69 13,32

    Aves 1677 160 9,54

    Rpteis 468 20 4,27

    Anfbios 517 16 3,09

    Insetos (1) 10 000 000 96 ...

    Outros invertebrados terrestres (2) ... 34 ...

    Peixes de gua doce (1) 3 000 139 ...

    Peixes marinhos ... 20 ...

    Invertebrados aquticos ... 79 ...

    Fontes: Ecossistemas brasileiros: estudos de representatividade ecolgica nos biomas brasileiros. Disponvel em:. Acesso em: dez. 2003; Lista oficial de flora ameaada de extino. Dispon-vel em: . Acesso em: dez. 2003; Lista nacional das espcies da faunabrasileira ameaada de extino. Mapas por bioma. Disponvel em: . Acesso em: dez. 2003; Brasil. Ministrio do Meio Ambiente. Instruo normativa, n. 5, de 21 de maio de 2004.Reconhece como espcies ameaadas de extino e espcies sobreexplotadas ou ameaadas de sobreexplotao,os invetebrados aquticos e peixes, constantes dos anexos a esta instruo normativa. Dirio Oficial [da] RepblicaFederativa do Brasil, Poder Executivo, Braslia, DF, 28 maio 2004. Seo 1, p. 136.

    (1) Nmeros estimados. (2) Invertebrados terrestres, exclusive os insetos.

    segundo os grupos taxonmicos selecionadosTabela 30 - Nmero de espcies nativas, total e ameaadas de extino,

    Brasil - 2003

    Grupos taxonmicosselecionados

    Nmero de espcies nativas

    TotalAmeaadas de extino

    Total Mamferos Aves Rpteis Anfbios InsetosOutrosinverte-brados

    Total 398 69 160 20 16 96 34

    Extinta (1) 6 - 2 - 1 1 2

    Extinta na natureza 2 - 2 - - - -

    Criticamente em perigo 84 18 24 6 9 24 3

    Em perigo 88 11 47 5 3 22 11

    Vulnervel 204 40 85 9 3 49 18

    Dados insuficientes (2) 3 - - - - - -

    Fonte: Lista nacional das espcies da fauna brasileira ameaada de extino. Mapas por bioma. Disponvel em: . Acesso em: dez. 2003.

    (1) Denominada de "Provavelmente extinta" pelo IBAMA, correspondendo s espcies no encontradas na natureza

    nos ltimos 50 anos. (2) Correspondem s espcies no classificadas ou no avaliadas quanto categoria de extino.

    Tabela 31 - Nmero de espcies animais terrestres ameaadas de extinopor grupos taxonmicos, segundo as categorias de risco - Brasil - 2003

    Nmero de espcies animais terrestres ameaadas de extino, por grupos taxonmicos

    Categorias de risco

  • Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004 _______________________________________ 105Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Categorias de riscoNmero de espcies vegetais

    superiores ameaadas de extino

    Total 108

    Provavelmente extinta (1) 2

    Em perigo 41

    Vulnervel 35

    Rara 25

    Indeterminada 5

    Acesso em: dez. 2003.

    Nota: Classificao de risco estabelecida porThe World Conservation Union - IUCN.

    (1) Denominao utilizada para espcies no encontradas na natureza nos ltimos 50 anos.

    segundo as categorias de risco - Brasil - 2003Tabela 32 - Nmero de espcies vegetais superiores ameaadas de extino,

    Fonte: Lista oficial de flora ameaada de extino. Disponvel em: .

    Categorias de riscoNmero de espcies de plantas medicinais

    ameaadas de extino

    Total 53

    Provavelmente extinta (1) 3

    Em perigo 10

    Vulnervel 31

    Rara 9

    Fonte: Plantas medicinais ameaadas de extino. Disponvel em: . Acesso em: dez. 2003.

    Nota: A lista de espcies de plantas medicinais ameaadas de extino mais recente que o decreto com a lista oficialde espcies da flora ameaadas de extino. Das espcies aqui enumeradas, somente nove j se encontram incorpora-das Lista Oficial.

    (1) Denominao utilizada para espcies no encontradas na natureza nos ltimos 50 anos.

    Tabela 33 - Nmero de espcies de plantas medicinais ameaadasde extino, segundo a categoria de risco - Brasil - 2003

  • 106 _________________________________________Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Mamferos Aves Rpteis Anfbios Invertebrados Peixes

    Amaznia ... 320 550 (4) 1 000 163 (4) 13 320 (4)1 360

    Caatinga (2) 932 148 107 348 47 ... 185

    Cerrado ... 195 180 837 113 14 425 ...

    Pantanal ... 132 113 346 ... ... 263

    Mata Atlntica ... 250 197 (5) 849 340 ... 350

    Campos Sulinos ... 102 ... 476 ... ... 50

    reas Costeiras ... (3) 42 ... 111 ... ... ...

    Fontes: Biodiversidade brasileira. Avaliao e identificao de reas e aes prioritrias para a conservao e utilizaosustentvel e repartio de benefcios da biodiversidade brasileira nos biomas brasileiros. Braslia, DF: Ministrio doMeio Ambiente, 2002.

    (1) O nmero de espcies da flora dos Biomas Amaznia, Cerrado e Mata Atlntica estimado entre 10 000 e 21 000espcies fanerogmicas. (2) O nmero de espcies da flora do Bioma Caatinga corresponde s espcies vegetais, jregistradas e catalogadas cientificamente. (3) Mamferos aquticos (cetceos e sirnios). (4) Valores aproximados.(5) Exclui as espcies listadas como acidentais, marinhas, insulares, introduzidas e visitantes.

    Tabela 34 - Nmero de espcies viventes da flora e da fauna brasileiras, por grupostaxonmicos, segundo os biomas - Brasil - 2003

    Fauna, por grupos taxonmicosFlora (1)

    Biomas

    Nmero de espcies viventes brasileiras

    Mamferos Aves Rpteis Anfbios Peixes

    Amaznia ... 174 32 340 12 ...

    Caatinga 380 10 60 ... ... 106

    Cerrado 4 400 18 29 20 32 ...

    Pantanal ... 2 - 5 ... ...

    Mata Atlntica 8 000 82 188 60 87 133

    Campos Sulinos ... 5 2 ... ... 12

    reas Costeiras ... ... 1 ... ... ...

    Fontes: Biodiversidade brasileira. Avaliao e identificao de reas e aes prioritrias para a conservao e utilizaosustentvel e repartio de benefcios de biodiversidade brasileira nos biomas brasileiros. Braslia, DF: Ministrio doMeio Ambiente, 2002.

    (1) Para os Biomas Cerrado e Mata Atlntica so apresentados nmeros estimados de espcies vegetais endmicas.

    Tabela 35 - Nmero de espcies endmicas da flora e da fauna,por grupos taxonmicos, segundo os biomas - Brasil - 2003

    Flora (1)Fauna, por grupos taxonmicosBiomas

    Nmero de espcies endmicas

  • Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004 _______________________________________ 107Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Mamferos Aves Rpteis AnfbiosOutros

    invertebrados

    Amaznia 41 20 15 ... - 5

    Cerrado 65 20 22 (2) 2 3 15

    Caatinga 28 9 12 ... - 6

    Mata Atlntica 269 39 94 (3) 14 15 103

    Pantanal 17 11 4 . (2) ... - 1

    Campos Sulinos 23 5 16 . (3) ... - -

    reas Costeiras 30 8 16 6 - -

    Fonte: Lista nacional das espcies da fauna brasileira ameaada de extino. Mapas por bioma. Disponvel em: . Acesso em: dez. 2003.

    Nota: Algumas espcies se distribuem por mais de um bioma.

    (1) As espcies dos grupos dos Insetos e dos Outros, que correspondem s espcies de Peixes, Cnidrios e Crustceos,no foram consideradas nesta estatstica. (2) O nmero de rpteis ameaados de extino foi apresentado de formaconjunta para os Biomas Cerrado e Pantanal. (3) O nmero de rpteis ameaados de extino foi apresentado de formaconjunta para os Biomas Mata Atlntica e Campos Sulinos.

    Tabela 36 - Nmero de espcies da fauna terrestre ameaadas de extino,

    Grupos taxonmicosBiomas

    Nmero de espcies da fauna terrestre ameaadas de extino (1)

    por grupos taxonmicos, segundo os biomas - Brasil - 2003

    Total

    Ameaadasde extino

    Sobreexplotadas ouameaadas de sobreexplotao

    Total 238 47

    Peixes

    Espcies marinhas 20 30

    Espcies de gua doce 139 7

    Invertebrados aquticos

    Espcies marinhas 34 10

    Espcies de gua doce 45 ...

    Fonte: Brasil. Ministrio do Meio Ambiente. Instruo normativa, n. 5, de 21 de maio de 2004. Reconhece como esp-cies ameaadas de extino e espcies sobreexplotadas ou ameaadas de sobreexplotao, os invetebrados aquticose peixes, constantes dos anexos a esta instruo normativa. Dirio Oficial [da] Repblica Federativa do Brasil, PoderExecutivo, Braslia, DF, 28 maio 2004. Seo 1, p. 136.

    Grupos taxonmicose

    hbitats

    Nmero de espcies de peixes e invertebrados aquticos

    Tabela 37 - Nmero de espcies de peixes e de invertebrados aquticosameaadas de extino e sobreexplotadas ou ameaadas de sobreexplotao,

    segundo os hbitats - Brasil - 2004

  • 108 _________________________________________Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004Dimenso ambiental - Biodiversidade

    15 reas protegidasExpressa a dimenso e a distribuio dos espaos territoriais que esto

    sob estatuto especial de proteo. Estes espaos so destinados proteo do meio ambiente, onde a explorao dos recursos naturais proibida ou controlada por legislao especfi ca.

    DescrioAs variveis so o nmero, os tipos e a superfcie das Unidades de Con-

    servao e Reservas Particulares do Patrimnio Natural - RPPNs federais e a rea associada aos biomas e ectonos brasileiros.

    As Unidades de Conservao so classifi cadas em dois tipos: Unidades de Proteo Integral (Parque Nacional PARNA, Reserva Biolgica - REBIO, Reserva Ecolgica RESEC, Refgio de Vida Silvestre - RVS e Estao Ecol-gica EE) e Unidades de Uso Sustentvel (rea de Proteo Ambiental APA, Reserva Extrativista - RESEX, Floresta Nacional FLONA e rea de Relevante Interesse Ecolgico ARIE).

    Os biomas considerados so: Amaznia, Caatinga, Campos Sulinos, Mata Atlntica, Pantanal, Cerrado e Costeiro; e os ectonos Caatinga-Amaznia, Cerrado-Amaznia e Cerrado-Caatinga.

    O indicador composto pela razo, expressa em percentual, entre a su-perfcie abrangida pelas Unidades de Conservao federais e a superfcie total do bioma. Para ambas as superfcies utilizada a unidade de medida km2.

    A fonte das informaes deste indicador o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovveis - IBAMA. As informaes esto disponveis na Internet, no endereo: http://www.ibama.gov.br.

    Justifi cativa O desenvolvimento sustentvel abrange a preservao do meio ambiente,

    o que implica na conservao dos biomas brasileiros. Isto signifi ca, entre outras aes, conservar os recursos hdricos, os solos, as fl orestas e a biodiversidade. Para alcanar estas metas, a delimitao de reas protegidas fundamental.

    Comentrios As reas dos biomas correspondem s suas reas totais originais, independen-

    temente da extenso da ocupao antrpica ou da intensidade da degradao. Alm das Unidades de Conservao federais, h tambm reas prote-

    gidas por Unidades de Conservao estaduais e municipais, no includas neste indicador.

    O Brasil detm em seu territrio a maior biodiversidade do planeta. No entanto, as reas destinadas preservao e conservao dos recursos natu-rais esto abaixo da mdia mundial, em torno de 5%.

    Dentre os biomas brasileiros, o nico que se aproxima da mdia mundial o bioma Amaznia, com 4,86% de sua rea protegida. A Amaznia no ape-

  • Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004 _______________________________________ 109Dimenso ambiental - Biodiversidade

    nas tem a maior rea percentual protegida, como tambm possui as maiores unidades de conservao em extenso do Pas.

    Os biomas Caatinga, Mata Atlntica e Campos Sulinos apresentam rea protegida abaixo de 1%. A Caatinga, nico bioma exclusivamente brasileiro, o que possui menor nmero de unidades de conservao.

    Os territrios dos biomas Mata Atlntica e Campos Sulinos apresentam alta densidade populacional, concentrando as maiores cidades e plos indus-triais. A fragmentao de habitats, refl etida na extenso reduzida de boa parte das unidades de conservao destes biomas, est entre as maiores ameaas conservao da biodiversidade dos mesmos.

    Para lidar com a questo do reduzido tamanho de muitas unidades de conservao e do isolamento a que algumas esto submetidas (fragmentao do habitat), esto sendo criados e implementados corredores biolgicos como uma estratgia para a proteo e conservao da biodiversidade.

    O Cerrado foi durante muito tempo encarado apenas como uma rea a ser ocupada pela agropecuria. Desta forma, a maior ameaa a este bioma vem da expanso da fronteira agrcola. O bioma Pantanal pode ser entendido como uma extenso do bioma Cerrado em rea sujeita inundao peridica. As maiores ameaas a este bioma vm do turismo no controlado, da captura de animais silvestres, da ocupao agrcola das cabeceiras dos afl uentes do rio Paraguai e das obras de regularizao e barragens na bacia deste rio. Para o bioma Pantanal essencial a proteo das reas de cabeceira dos rios que drenam para o rio Paraguai.

    Em relao aos ambientes costeiros, as maiores ameaas so a especu-lao imobiliria, a atividade turstica descontrolada, a abertura de rodovias e a expanso de portos e cidades. A degradao dos ambientes costeiros, especialmente de esturios e manguezais, afeta o ambiente marinho, com-prometendo a pesca em especial.

    Para a preservao dos ambientes naturais no basta a criao de reas protegidas, sendo fundamental o manejo adequado, com controle da ocupao e das atividades permitidas, das reas fora das unidades de conservao. Parte desta funo desempenhada pelas RPPNs, que embora tenham tamanho unitrio relativamente pequeno quando comparadas s unidades de conser-vao, formam zonas tampo no entorno das mesmas, interligando algumas delas, funcionando como corredores biolgicos. Alm disto, as RPPNs so a materializao da crescente preocupao da sociedade civil, especialmente de proprietrios rurais, com a preservao do meio ambiente.

    Indicadores relacionados05 - Terras em uso agrossilvipastoril06 - Queimadas e incndios fl orestais 07 - Desfl orestamento na Amaznia Legal 08 - rea remanescente e desfl orestamento na Mata Atlntica e nas for-

    maes vegetais litorneas 10 - Qualidade de guas interiores11 - Balneabilidade12 - Produo de pescado martima e continental

  • 110 _________________________________________Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004Dimenso ambiental - Biodiversidade

    13 - Populao residente em reas costeiras 14 - Espcies extintas e ameaadas de extino 16 - Trfi co, criao e comrcio de animais silvestres17 - Espcies invasoras23 - Taxa de crescimento da populao 24 - Populao e terras indgenas54 - Ratifi cao de acordos globais

    Fonte: Informaes gerais sobre as unidades de conservao. Estatsticas. Disponvelem: .Acesso em: mar. 2004.

    Grfico 29 - Nmero de unidades de conservaofederais, por tipo de uso - Brasil - 1935/2003

    0

    20

    40

    60

    80

    100

    120

    140

    160

    1935 1940 1945 19501955 1960 19651970 1975 1980 1985 1990 1995 2000 2003

    nmero

    Proteo integral Uso sustentvel

    Fonte: IBGE, Diretoria de Geocincias, Coordenao de Recursos Naturais e EstudosAmbientais, Cadastro de Unidades de Conservao eTerras Indgenas.

    Grfico 30 - rea das unidades de conservao de proteointegral federais - Brasil - 1992 - 2003

    0

    50 000

    100 000

    150 000

    200 000

    250 000

    1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003

    Km2

  • Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004 _______________________________________ 111Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Grfico 31 - Distribuio percentual da rea das unidades deconservao federais por categoria - Brasil - 2003

    Estao Ecolgica6,0%

    Reserva Ecolgica0% (1)

    Reserva Biolgica 6,3%

    ARIE 0,1%

    APA 13,7%

    Parque Nacional30,6%

    Reserva Extrativista 9,4%

    Floresta Nacional33,7%Refgio de Vida Silvestre

    0,2%

    Fonte: Informaes gerais sobre as unidades de conservao. Estatsticas. Disponvel em:. Acesso em: mar. 2004.

    (1) A rea total das reservas ecolgicas perfaz 1,27 km .2

    Nota: As Unidades de Conservao de Proteo Integral perfazem 43,1% do total da reaprotegida. As Unidades de Conservao de Uso Sustentvel perfazem 56,9% do total darea protegida.

    Fonte: Informaes gerais sobre as unidades de conservao. Estatsticas. Disponvel em:. Acesso em: mar. 2004.

    Grfico 32 - Distribuio percentual da rea das unidades de conservao de proteointegral terrestres federais, por biomas e ectonos - Brasil - 2003

    Amaznia76,1%

    Cerrado - Caatinga 2,4%

    Pantanal 0,6%

    Costeiro 0,7%

    Caatinga - Amaznia 0,1%

    Campos Sulinos 0,6%

    Mata Atlntica 4,2%

    Caatinga 1,2%

    Mais de um bioma 0,2%

    Cerrado 13,9%

  • 112 _________________________________________Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Fonte: Informaes gerais sobre as unidades de conservao. Estatsticas. Disponvel em:. Acesso em: mar. 2004.(1) A rea das unidades de conservao de uso sustentvel Cerrado-Amaznia perfaz um total de 9 164 km .2

    Grfico 33 - Distribuio percentual da rea das unidades de conservao deuso sustentvel federais, por biomas e ectonos - Brasil - 2003

    Amaznia Costeiro

    Caatinga - Amaznia

    Cerrado - Amaznia

    Campos Sulinos

    Mata Atlntica

    Caatinga

    Mais de um bioma

    Cerrado74,5% 2,3%

    7,6%

    5,0%

    3,4%

    0,0% (1)

    5,2%

    1,0%1,0%

    Quantidade rea

    Fonte: Informaes gerais sobre as unidades de conservao. Estatsticas. Disponvel em:. Acesso em: mar. 2004.

    Grfico 34 - Quantidade e rea das Reservas Particulares do Patrimnio Natural federaisBrasil - 2003

    0

    50

    100

    150

    200

    250

    300

    350

    400

    1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002

    Quantidade

    0

    500

    1000

    1500

    2000

    2500

    3000

    3500

    4000

    4500km2

  • Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004 _______________________________________ 113Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Quantidade rea (km2) Quantidade rea (km2)

    Total (1) 8 532 306 251 (2) 552 713 110 (2) 239 779

    Amaznia 3 688 960 84 414 540 29 181 266

    Caatinga 736 831 15 13 428 7 2 863

    Campos Sulinos 171 377 3 4 652 2 1 481

    Cerrado 1 967 761 38 48 510 18 33 002

    Costeiro 50 568 25 8 836 5 1 754

    Mata Atlntica 1 106 266 65 33 810 34 10 021

    Pantanal 136 845 2 1 503 2 1 503

    Ectonos Caatinga-Amaznia 144 583 3 16 439 2 126

    Ectonos Cerrado-Amaznia 414 007 1 92 .. ..

    Ectonos Cerrado-Caatinga 115 108 2 5 828 2 5 828

    Mais de um bioma (3) .. 6 3 544 2 377

    Unidades de Conservao Marinhas .. 7 1 558 7 1 558

    Quantidade rea (km2) TotalProteointegral

    Usosustentvel

    Total 141 312 934 6,5 2,8 3,7

    Amaznia 55 233 247 11,2 4,9 6,3

    Caatinga 8 10 565 1,8 0,4 1,4

    Campos Sulinos 1 3 171 2,7 0,9 1,8

    Cerrado 20 15 508 2,5 1,7 0,8

    Costeiro 20 7 082 17,5 3,5 14,0

    Mata Atlntica 31 23 789 3,1 0,9 2,2

    Pantanal .. .. 1,1 1,1 ..

    Ectonos Caatinga-Amaznia 1 16 313 11,4 0,1 11,3

    Ectonos Cerrado-Amaznia 1 92 _ .. _

    Ectonos Cerrado-Caatinga .. .. 5,1 5,1 ..

    Mais de um bioma (3) 4 3 167 _ _ _

    Unidades de Conservao Marinhas .. .. .. .. ..

    Fonte: Informaes gerais sobre as unidades de conservao. Estatsticas. Disponvel em: . Acesso em: mar. 2004.

    (1) Exclusive as reas dos biomas marinhos e mais de um bioma. (2) As reas de sobreposio entre as unidades deconservao foram consideradas na categoria de maior restrio. (3) Unidades de conservao que abarcam limitesentre biomas foram contabilizadas na categoria mais de um bioma.

    Tabela 38 - rea total dos biomas, quantidade e rea das unidades de conservao federais,por tipo de uso, com indicao da participao relativa no bioma,

    Biomas Total Proteo integral

    Unidades de conservaofederais, por tipo de uso

    rea total

    (km2)

    segundo os biomas - Brasil - 2003

    Participao relativa no bioma (%)

    Biomas Uso sustentvel

    Unidades de conservaofederais, por tipo de uso

    dos biomas

  • 114 _________________________________________Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Quantidade rea (km2)Percentual emrelao a rea

    total das RPPNs (%)

    Total 366 4 119 100,0

    Amaznia 32 199 4,8

    Caatinga 29 620 15,1

    Campos Sulinos 11 34 0,8

    Cerrado 102 620 15,1

    Costeiro 8 34 0,8

    Mata Atlntica 164 524 12,7

    Pantanal 12 2 063 50,1

    Reservas Particulares do Patrimnio Natural federais

    Bioma

    Tabela 39 - Quantidade e rea das Reservas Particulares do Patrimnio Natural federais,segundo os biomas - Brasil - 2003

    Bioma no definido 8 23 0,6

    Fonte: Adaptado de Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais e Renovveis - IBAMA. . Acesso em maro de 2004.

    Nota: Exclusive as Reservas Particulares do Patrimnio Natural federais do Acre e de Sergipe.

  • Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004 _______________________________________ 115Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Mapa 13 - Unidades de conservao de proteo integral e de uso sustentvel - 2003

    Fonte: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovveis - IBAMA.

    km2

    km2

    km2

    km2

    km2

    km2

    km2

    km2

    km2

    km2

    km2

    km2

    km2

    km2

    km2

  • 116 _________________________________________Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004Dimenso ambiental - Biodiversidade

    16 Trfi co, criao e comrcio deanimais silvestresApresenta a quantidade de animais silvestres trafi cados apreendidos, o

    nmero de criadouros de espcies da fauna nativa e a exportao de peixes ornamentais nativos. Este indicador expressa algumas das presses antrpicas exercidas sobre a fauna silvestre de um territrio que podem levar extino das espcies mais visadas.

    DescrioAs variveis utilizadas neste indicador so o nmero de espcimes da

    fauna brasileira pertencentes a alguns grupos taxonmicos selecionados (es-sencialmente vertebrados terrestres) apreendidos anualmente com trafi cantes de animais, o nmero de criadouros legais de animais silvestres, as principais espcies criadas, e a quantidade e o valor comercial dos peixes ornamentais nativos exportados por ano pelo Brasil. O indicador composto pelos quan-titativos das variveis acima enunciadas.

    As fontes das informaes so a Rede Nacional de Combate ao Trfi co de Animais Silvestres - RENCTAS (trfi co de animais silvestres), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovveis - IBAMA (criadouros legais) e o Ministrio do Desenvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior, por meio do sistema ALICE-Web (exportao de peixes ornamentais). Os dados esto disponveis na Internet, nos endereos: www.renctas.org.br, www.ibama.gov.br e www.aliceweb.desenvolvimento.gov.br.

    Justifi cativaEstima-se que anualmente o trfico retire cerca de 38 milhes de

    animais da natureza, vendendo-os ilegalmente para pases do primeiro mundo. Os animais traficados so essencialmente oriundos de pases tropicais pobres.

    O comrcio ilegal exerce uma forte presso sobre as espcies trafi ca-das, reduzindo suas populaes e comprometendo sua sobrevivncia a mdio e longo prazos. A extino de uma espcie pode provocar tambm danos aos ecossistemas, pois as funes que esta exerce no ambiente podero no ser preenchidas pelas outras espcies.

    A criao de animais silvestres em cativeiro pode suprir, ao menos par-cialmente, as demandas do trfi co, do comrcio legal e por carne de caa, reduzindo assim a presso sobre as populaes animais silvestres.

    A retirada legalmente autorizada de animas silvestres, especialmente a exportao de peixes ornamentais, tambm representa uma forte presso sobre as espcies silvestres, ameaando a sua sobrevivncia. Esta uma ati-vidade extrativista, com pouca informao sobre o impacto na estrutura das comunidades naturais.

    Apesar dos danos que o trfi co causa fauna silvestre brasileira, h uma carncia generalizada de informaes quantitativas sobre o tema, o que difi culta a avaliao da real dimenso do trfi co e de seu impacto no Brasil.

  • Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004 _______________________________________ 117Dimenso ambiental - Biodiversidade

    ComentriosO quadro socioeconmico brasileiro tem contribudo para o trfi co de

    animais no Pas. Nas Regies Norte, Nordeste e Centro-Oeste, locais de ori-gem da maioria dos animais trafi cados, a populao tem essa atividade ilegal como importante fonte de renda. Oferecer opes de atividades econmicas e educao ambiental populao destas regies pode contribuir, juntamente com o aumento da fi scalizao, para a reduo do trfi co de animais silvestres. Um exemplo bem-sucedido deste tipo de estratgia o Projeto Tamar (Projeto Tartarugas Marinhas), parceria IBAMA/Petrobras.

    Alm da venda de animais vivos, o trfi co tambm objetiva fornecer car-ne de caa e matrias-primas destinadas produo de artesanato, produtos cosmticos, medicinais e de cunho cultural/religioso.

    O trfi co de animais silvestres considerado o terceiro maior comrcio ilegal do mundo, movimentando cerca de US$ 10 bilhes por ano. O Brasil situa-se entre os principais pases fornecedores de animais, responsvel por 10% do mercado mundial. Estima-se que 30% dos animais silvestres trafi cados no Brasil so expor-tados. O trfi co internacional mais rentvel, mas o trfi co interno mais atrativo e fcil de operar. O IBAMA estima que 95% do comrcio de animais da fauna silvestre brasileira seja ilegal. Internamente as rodovias federais so a rota principal de trans-porte ilegal da fauna. A exportao ilegal se faz atravs de portos e aeroportos com destino Europa, sia e Amrica do Norte. Entre os principais pases importadores esto a Alemanha, a Espanha, a Inglaterra, o Japo e os Estados Unidos.

    O nmero de animais retirados da natureza muito maior do que o efetivamente comercializado, pois h muitas perdas durante o processo de captura e transporte. Estima-se que para cada animal trafi cado pelo menos trs outros morram.

    O nmero de animais apreendidos pelas autoridades, por sua vez, bem menor que aquele trafi cado, e variou bastante no perodo 1992-2000. Esta variao decorrncia de fl utuaes, tanto nas quantidades trafi cadas quanto, principalmente, na intensidade e rigor da fi scalizao de estradas, feiras, portos e aeroportos. Alm disso, o sistema de registro das apreenses de animais silvestres no Brasil ainda est sendo estruturado, havendo mui-tas lacunas a serem preenchidas. Portanto, os nmeros do trfi co de animais silvestres apresentados devem ser encarados como parciais, essencialmente preliminares e exploratrios.

    Segundo as apreenses, os animais mais procurados pelo trfi co no Brasil so as aves, com 82% dos animais apreendidos nos anos de 1999 e 2000 ( 36 370 espcimes). Estes animais so destinados a colecionadores e pet shops. Dentre as aves comercializadas destacam-se os papagaios, as araras, os tucanos e as emas.

    Dentre os rpteis trafi cados destacam-se os quelnios (tartarugas e ja-botis) e as serpentes. Os quelnios destinam-se alimentao (carne de caa para restaurantes e residncias); as serpentes a colecionadores, pet shops e, principalmente, extrao de veneno. A cotao internacional dos venenos de cobra muito alta, entre US$ 400,00 e US$ 30.000,00 por grama. A busca por venenos e outras substncias de valor medicinal, farmacolgico, cosmtico e/ou industrial tambm um dos grandes incentivadores do trfi co de anfbios (rs, sapos e perecas) e invertebrados (insetos, aranhas, escorpies, etc.).

  • 118 _________________________________________Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004Dimenso ambiental - Biodiversidade

    O comrcio ilegal de anfbios e invertebrados de difcil dimensionamen-to e controle, pois os registros das apreenses realizadas no esto organiza-dos. Os maiores compradores destes animais (ou de suas partes e compostos) so laboratrios farmacuticos e pesquisadores estrangeiros.

    Dentre os mamferos, os mais trafi cados so os primatas. Os animais trafi cados se destinam a colecionadores, pet shops e, principalmente, pes-quisa cientfi ca.

    O nmero de criadouros de animais silvestres no Brasil tem crescido muito nos ltimos anos, concentrando-se nas Regies Sul, Centro-Oeste e Norte. Boa parte dos criadouros tem carter conservacionista. Aqueles com fi nalidades comerciais criam animais para o fornecimento de carne de caa, couros e peles, venenos de cobras e animais para zoolgicos e colecionadores. A expanso dos criadouros pode suprir, ao menos em parte, a demanda por animais silvestres, reduzindo a presso sobre as populaes naturais.

    Alm do trfi co, outra forte presso sobre as populaes de animais silvestres criada pelas exportaes legais de peixes ornamentais e rpteis. Embora parte dos animais exportados seja oriunda de criadouros, a maioria retirada da natureza. O extrativismo descontrolado j ameaa algumas das espcies exportadas.

    A Amaznia a fonte dos peixes ornamentais exportados e os pases de destino so os mesmos do trfi co: Estados Unidos, Japo e Alemanha. Os valores exportados situam-se na faixa dos milhes de dlares. Nos ltimos anos, observa-se uma forte reduo na quantidade de peixes ornamentais exportados. Isto pode ser um sinal de sobreexplotao, com extino local de algumas das espcies comercializadas.

    O trfi co e as exportaes legais de animais silvestres representam forte presso sobre as populaes naturais, podendo ocasionar extines e ameaar o equilbrio dos ecossistemas de onde so retirados. Juntamente com a des-truio de habitats e a introduo de espcies exticas esto entre as maiores ameaas fauna brasileira.

    Indicadores relacionados14 - Espcies extintas e ameaadas de extino 15 - reas protegidas 17 - Espcies invasoras57 - Gasto pblico com proteo ao meio ambiente

  • Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004 _______________________________________ 119Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Fonte: Primeiro relatrio nacional sobre trfico de fauna silvestre. Braslia, DF: RedeNacional de Controle aoTrfico de Animais Silvestres, 2000.

    Grfico 35 - Nmero de animais silvestres apreendidosBrasil - 1992/2000

    16 421

    28 29824 304

    51 161

    56 698

    30 110

    17 848

    37 132

    1992 1993 1995 1996 1997 1998 1999 2000

    N

    me

    rod

    eA

    nim

    ais

    Fonte: Primeiro relatrio nacional sobre trfico de fauna silvestre. Braslia, DF: RedeNacional de Controle aoTrfico de Animais Silvestres, 2000.

    Grfico 36 - Fauna silvestre apreendida, em absoluto e percentual,segundo algumas classes - Brasil - perodo 1999/2000

    Aves Rpteis Mamferos Outros (invertebrados, peixes e anfbios)

    6 16614%

    5181%

    1 4623%

    36 57382%

  • 120 _________________________________________Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Fonte: Primeiro relatrio nacional sobre trfico de fauna silvestre. Braslia, DF: Rede Nacionalde Controle aoTrfico de Animais Silvestres, 2000.

    Grfico 38 - Nmero de animais silvestres apreendidos, segundo asGrandes Regies - 1992/2000

    33 725

    11 993

    108 041

    81 901

    28 312

    Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul

    N

    mer

    od

    ea n

    ima i

    s(u

    nid

    a des

    )

    Grfico 37 - Nmero de espcies animais apreendidas, por algunsgrupos taxonmicos, segundo algumas regies - 2004

    26

    1422 25

    34

    77 76

    96

    714

    34

    11

    0

    20

    40

    60

    80

    100

    120

    Norte Nordeste Sudeste Sul

    Nm

    ero

    de

    esp

    c i

    es

    Mamferos Aves Rpteis

    Fonte: Fauna.Trfico de animais silvestres. Espcies comumente apreendidas/recolhidas:Regies Norte, Nordeste, Sudeste e Sul. Disponvel em: .Acesso em: mar. 2004.

  • Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004 _______________________________________ 121Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Grfico 39 - Quantidade e valor das exportaes de peixes ornamentais vivosBrasil - 1996 - 2003

    0

    500 000

    1 000 000

    1 500 000

    2 000 000

    2 500 000

    3 000 000

    3 500 000

    4 000 000

    4 500 000

    1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003

    US$

    0

    10 000 000

    20 000 000

    30 000 000

    40 000 000

    50 000 000

    60 000 000Quantidade

    US$ Quantidade

    Fonte: Exportao de peixes ornamentais vivos. In: Ministrio do Desenvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior.Sistema de Anlise das Informaes de Comrcio Exterior Via Internet - ALICE-Web. 1996-2003. Disponvel em:. Acesso em: mar. 2004.

    AnoNmero de

    animais silvestresapreendidos

    AnoNmero de

    animais silvestresapreendidos

    1992 17 848 1997 51 161

    1993 37 132 1998 24 304

    1995 30 110 1999 28 298

    1996 56 698 2000 16 421

    Fonte: Primeiro relatrio nacional sobre trfico de fauna silvestre. Braslia, DF: Rede Nacional de Controle ao Trfico de

    Animais Silvestres, 2000.

    Nota: Exclusive os peixes e invertebrados (insetos, aranhas, escorpies etc.).

    Tabela 40 - Nmero de animais silvestres apreendidos no Brasil1992/2000

  • 122 _________________________________________Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Nmero absoluto Percentual (%)

    Total 44 719 100,0

    Aves 36 573 82,0

    Rpteis 1 462 3,0

    Mamferos 518 1,0

    Outros (invertebrados, peixes e anfbios) (1) 6 166 14,0

    Fonte: Primeiro relatrio nacional sobre trfico de fauna silvestre. Braslia, DF: Rede Nacional de Controle aoTrfico deAnimais Silvestres, 2000.

    (1) Invertebrados (borboletas, aranhas, escorpies), peixes (espcies ornamentais) e anfbios.

    Tabela 41 - Fauna silvestre apreendida, em nmeros absolutos e percentuais,segundo algumas classes - perodo 1999/2000

    ClassesFauna silvestre apreendida

    Grandes Regies Nmero de animais silvestres apreendidos

    Brasil 189 942

    Norte 81 901

    Nordeste 108 041

    Sudeste 33 725

    Sul 11 993

    Centro-Oeste 28 312

    Fonte: Primeiro relatrio nacional sobre trfico de fauna silvestre. Braslia, DF: Rede Nacional de Controle aoTrfico deAnimais Silvestres, 2000.

    Tabela 42 - Nmero de animais silvestres apreendidos, segundo as Grandes Regiesperodo 1992/2000

    Total Aves Rpteis Mamferos

    Norte 67 34 7 26

    Nordeste 105 77 14 14

    Sudeste 132 76 34 22

    Sul 132 96 11 25

    Fonte: Fauna.Trfico de animais silvestres. Espcies comumente apreendidas/recolhidas: Regies Norte, Nordeste,Sudeste e Sul. Disponvel em: . Acesso em: mar. 2004.

    Nmero de espcies animais apreendidas, por alguns grupos taxonmicosGrandes Regies

    Tabela 43 - Nmero de espcies animais apreendidas, por alguns grupos taxonmicos,segundo as Grandes Regies - 2004

    Nota: No h informaes disponveis para a Regio Centro-Oeste.

  • Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004 _______________________________________ 123Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Nmerode cria-douros

    Principais espcies criadas Destinao dos animais criados

    Norte 105 Quelnios (1), porco-do-mato (2), jacar, Alimentao, medicamentos (6), merca-roedores (3), jibia, cobras venenosas (4), do da moda (7), colecionadores, zool-passeriformes (5) gico e pet shop (8)

    Nordeste 14 Jacar, ema, roedores, quelnios, cobras Mercado da moda, medicamentos, ali-venenosas mentao

    Sudeste 79 Jacar, cobras venenosas, roedores, Medicamentos, pet shop , mercado dapasseriformes, primatas, rpteis, moda, alimentaopsitacdeos, primatas, jibia, anatdeos,marianinha, cuiu-cuiu, caboclinho

    Sul 141 Roedores, porcos-do-mato, perdiz, Mercado da moda, alimentao e cole-psitacdeos, quelnios, ema, tucanos, cionadores, pet shopjacar, perdigo, borboleta

    Centro-Oeste 118 Mutum, irer, cisne; psitacdeos (9), Colecionadores, pet shop , alimentao,passeriformes, inhamb, siriema, ema, zoolgico, mercado da modajacu, roedores, primatas (10),jacars, veado catingueiro

    Fonte: Fauna. Criadouros comerciais. Adaptao. Disponvel em: . Acesso em: abr. 2004.

    (1)Tartarugas e jabutis. (2) Cateto e queixada. (3) Capivara, paca e cutia. (4) Jararaca, surucucu e cascavel. (5) Bicudo,

    canrio-da-terra, curi, cardeal, araponga, caboclinho, marianinha e cuiu-cuiu. (6) Extrao de substncias de usofarmacutico ou de interesse bioqumico mais geral. (7) Couros, peles e penas usados na indstria de vesturio.(8) Palavra de origem inglesa, usada para designar estabelecimento de venda de animais de estimao. (9) Papa-gaios, jandaias, araras, periquitos e maracans. (10) Micos, sagis e outros macacos.

    Tabela 44 - Nmero de criadouros da fauna nativa, principais espcies criadas edestinao dos animais criados, segundo as Grandes Regies - 2004

    GrandesRegies

    Fauna nativa

    Valor (US$) Quantidade (t) Valor (US$) Quantidade (t)

    1996 4 249 363 26 327 537 2000 3 235 095 56 583 385

    1997 3 921 290 24 941 805 2001 3 225 619 16 400 768

    1998 3 345 343 18 180 107 2002 3 249 996 15 793 265

    1999 3 371 397 51 134 900 2003 204 520 795 070

    Fonte: Exportao de peixes ornamentais vivos. In: Ministrio do Desenvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior. Sis-tema de Anlise das Informaes de Comrcio Exterior Via Internet - ALICE-Web. 1996-2003. Disponvel em: . Acesso em: mar. 2004.

    Ano

    Exportao de peixesornamentais vivos

    Tabela 45 - Valor e quantidade da exportao de peixes ornamentais vivosBrasil - 1996-2003

    Ano

    Exportao de peixesornamentais vivos

  • 124 _________________________________________Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004Dimenso ambiental - Biodiversidade

    17 Espcies invasorasApresenta o nmero de espcies invasoras no Brasil, informando os

    locais de origem e as principais causas e conseqncias da invaso.

    DescrioEspcies exticas invasoras so aquelas que no sendo originrias de

    um determinado ambiente ou ecossistema, nele se estabeleceram aps serem introduzidas pela ao humana ou por fatores naturais, passando a se repro-duzirem e dispersarem neste novo ambiente sem a ajuda direta do homem. Indiretamente, ao modifi car os ambientes naturais, por exemplo ocupando e desmatando uma regio, o homem pode facilitar a disperso de espcies exticas invasoras. As espcies invasoras abrangem tambm aquelas nativas do Brasil que passaram a viver fora de sua rea de ocorrncia original no Pas. Embora seja um fenmeno natural, a chegada de espcies invasoras a um territrio muito intensifi cada pela ao do homem.

    As variveis utilizadas neste indicador so os nmeros de espcies invasoras animais e vegetais terrestres de alguns grupos taxonmicos e de espcies invasoras da fauna aqutica por grandes bacias hidrogrfi cas. So apresentados os locais de origem das espcies invasoras, as causas e as con-seqncias das invases.

    O indicador composto pelo nmero de espcies exticas invasoras ani-mais e vegetais terrestres e animais aquticos registradas no Brasil, at maio de 2004. A lista das espcies invasoras ainda parcial e incompleta, pois o trabalho de identifi cao e compilao destas espcies foi iniciado h pouco tempo.

    As informaes utilizadas neste indicador so provenientes da Base de Dados Nacional sobre Espcies Exticas Invasoras, em compilao pelo Instituto Hrus de Desenvolvimento e Conservao Ambiental em conjunto com a The Nature Conservancy do Brasil. Os dados de espcies aquticas foram revisados e complementados pelo bilogo Fernando Gertum Becker, da Fundao Zoobotnica do Rio Grande do Sul. A relao das espcies exticas invasoras est disponvel na Internet, no portal do Instituto Hrus (http://www.institutohorus.org.br).

    Justifi cativaO Brasil um dos 12 pases dotados da chamada megadiversidade.

    Em conjunto esses pases abrigam 70% de toda a biodiversidade do planeta. Este um patrimnio de inestimvel valor biolgico e de grande potencial econmico.

    Atualmente, a introduo e a disperso de espcies exticas invasoras uma das trs principais causas de extino de espcies no mundo. As outras duas so a destruio de hbitats (desmatamento, queimadas, drenagem de reas alagadas, expanso urbana, plantio de monoculturas, etc.) e a extrao (caa e coleta) de espcimes da natureza. As espcies exticas invasoras competem com as espcies nativas, podendo causar a extino de algumas delas.

  • Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004 _______________________________________ 125Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Alm da perda de biodiversidade e do potencial econmico que ela representa, danos econmicos mais diretos e imediatos esto associados chegada de espcies invasoras ao Brasil. Por exemplo, o mexilho dourado (Limnoperma fortunei), molusco fl uvial originrio da China, foi registrado pela primeira vez no Brasil em 1999 e j causa danos ao funcionamento de hidreltricas e entupimento nas tubulaes de esgotos e de guas pluviais nas bacias hidrogrfi cas onde j se instalou. Outras espcies so pragas agrcolas ou vetores de doenas.

    A chegada de espcies exticas invasoras tambm tem implicaes so-bre a sade da populao. Algumas das endemias presentes no Brasil, entre elas a esquistossomose e a fi lariose, so originrias de outros continentes. A dengue, doena originria da sia, tem como principal inseto transmissor no Brasil o mosquito Aedes aegypti, originrio da frica.

    A adoo de medidas de preveno da chegada de novas espcies ao Brasil, assim como de aes de controle, erradicao e acompanhamento, se revestem, portanto, de importncia ambiental, social e econmica.

    ComentriosEntre as espcies invasoras h aquelas que, embora nativas do Brasil

    ou da Amrica do Sul, so invasoras no bioma, ecossistema ou ambiente para onde foram transplantadas pela ao humana voluntria ou de forma acidental. Por exemplo, o sagiestrela (Callithrix penicilata), originrio do Nordeste do Brasil, espcie invasora nas matas do Centro-sul do Pas, para onde foi levado como animal de estimao, competindo com as espcies de micos locais. No caso da Amaznia, onde os grandes rios representam impor-tante barreira geogrfi ca disperso das espcies animais, a ao antrpica pode provocar a ocorrncia de invases biolgicas, levando reorganizao da distribuio da fauna e da fl ora da regio, com implicaes sobre a biodi-versidade amaznica.

    O Brasil tambm fonte de espcies invasoras para outras partes do mundo. Por exemplo, o aguap (Eichornia crassipes), planta aqutica originria do Brasil, se transformou em praga ao ser introduzida na frica e na Amrica do Norte (Flrida).

    A Europa e a regio do mar Mediterrneo so os locais de origem do maior nmero de espcies animais terrestres invasoras. As ligaes histricas e comerciais do Brasil com esta parte do mundo explicam esta constatao. Em relao aos vegetais terrestres, a sia e a frica so as maiores fontes de espcies invasoras para o Pas. No caso da sia, dominam as rvores frutferas, entre elas a jaqueira (Artocarpus heterophyllus), a mangueira (Mangifera indica), a amoreira (Morus alba), o limoeiro (Citrus limon), a ba-naneira (Musa ornata) e outras, trazidas pelos portugueses da ndia, China e Indonsia durante o perodo colonial. No caso da frica, predominam as espcies herbceas, a maior parte delas capins trazidos para o Pas para servirem como plantas forrageiras para o gado ou para a recuperao de reas degradadas. Para os animais aquticos, o Brasil importante local de origem de espcies invasoras. O tucunar (Cichla ocellaris), peixe originrio

  • 126 _________________________________________Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004Dimenso ambiental - Biodiversidade

    da Amaznia, foi levado para outras bacias hidrogrfi cas do Pas, onde se tornou invasor e predador de espcies aquticas locais.

    O principal impacto causado pelas espcies invasoras biota nativa a competio com as espcies locais por espao e alimento. interessante observar que a grande maioria das espcies vegetais invasoras (mais de 90%) e boa parte das espcies animais (23%) foram trazidas para o Brasil intencio-nalmente. Este resultado alerta para a ao direta e voluntria do homem neste processo e para a necessidade de um maior controle e anlise de risco, incluindo o histrico de invaso em outros locais, quando da introduo no Pas de espcies exticas ou quando do transplante de espcies nativas do Pas de uma regio para outra.

    Alm dos danos ambientais (extino de espcies locais, perda de biodiversidade, modifi caes na paisagem e nos processos naturais, etc.), a chegada de espcies exticas invasoras tambm causa prejuzos econmicos (disperso de pragas, competio com espcies de interesse econmico, per-da da capacidade produtiva dos ecossistemas e do valor da paisagem, etc.) e sociais (introduo de parasitas e vetores de doenas do homem).

    Indicadores relacionados05 Terras em uso agrossilvipastoril06 Queimadas e incndios fl orestais07 Desfl orestamento na Amaznia Legal08 - rea remanescente e desfl orestamento na Mata Atlntica e nas for-

    maes vegetais litorneas 12 Produo de pescado martima e continental15 - reas protegidas 16 Trfi co, criao e comrcio de animais silvestres57 Gasto pblico com proteo ao meio ambiente

    Fonte: Levantamento de espcies exticas invasoras: resultados preliminares. In: InstitutoHrus de Desenvolvimento e Conservao Ambiental. Base de Dados. Disponvel em:. Acesso em: maio 2004.

    Grfico 40 - Nmero de espcies invasoras - Brasil - 2004

    68

    18

    40

    0

    10

    20

    30

    40

    50

    60

    70

    80

    animais terrestres vegetais terrestres animais aquticos

    Nmero de espcies

  • Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004 _______________________________________ 127Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Grfico 41 - Espcies animais terrestres invasoras, segundo olocal de origem - Brasil - 2004

    5%10%

    37%

    13%

    10%

    25%

    Brasil e Amrica do Sul frica Europa e Mediterrneo

    sia Amricas do Nortee Central

    No-determinada

    Fonte: Levantamento de espcies exticas invasoras: resultados preliminares. In: InstitutoHrus de Desenvolvimento e Conservao Ambiental. Base de Dados. Disponvel em:. Acesso em: maio 2004.

    Fonte: Levantamento de espcies exticas invasoras: resultados preliminares. In: InstitutoHrus de Desenvolvimento e Conservao Ambiental. Base de Dados. Disponvel em:. Acesso em: maio 2004.

    Grfico 42 - Nmero de espcies animais terrestres invasoras, pordanos causados ao meio ambiente - Brasil - 2004

    35

    39

    1

    69

    0

    5

    10

    15

    20

    25

    30

    35

    40

    45Nmero de espcies

    Extino de espcies nativas Predao de espcies nativasCompetio com espcies nativas Mudanas de fisionomia no ambienteDisseminao de doenas e alergias Reduo de hbitat

  • 128 _________________________________________Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Fonte: Levantamento de espcies exticas invasoras:resultados preliminares. In: Instituto Hrus de Desenvolvimentoe Conservao Ambiental. Base de Dados. Disponvel em:.Acesso em: maio 2004.

    Fonte: Levantamento de espcies exticas invasoras:resultados preliminares. In: Instituto Hrus de Desenvolvimentoe Conservao Ambiental. Base de Dados. Disponvel em:.Acesso em: maio 2004.

    Acidental Voluntria Sem informao

    Grfico 43 - Espcies animais terrestresinvasoras, segundo a forma de introduo

    Brasil - 2004

    22,5%

    37,5%40%

    Grfico 44 - Espcies animais terrestresinvasoras introduzidas de forma voluntria,

    segundo o principal uso - Brasil - 2004

    22,2%

    55,6%

    22,2%

    Alimentar Animaisde estimao

    Minhocultura

    Fonte: Levantamento de espcies exticas invasoras: resultados preliminares. In: InstitutoHrus de Desenvolvimento e Conservao Ambiental. Base de Dados. Disponvel em:. Acesso em: maio 2004.

    Grfico 45 - Espcies vegetais terrestres invasoras, segundo olocal de origem - Brasil - 2004

    4%

    28%

    10%30%

    12%

    13%3%

    Brasil e Amrica do Sul frica Europa e Mediterrneo

    sia Amricas do Nortee Central

    Oceania

    No-determinada

  • Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004 _______________________________________ 129Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Fonte: Levantamento de espcies exticas invasoras: resultadospreliminares. In: Instituto Hrus de Desenvolvimento eConservao Ambiental. Base de Dados. Disponvel em:.Acesso em: maio 2004.

    Fonte: Levantamento de espcies exticas invasoras: resultadospreliminares. In: Instituto Hrus de Desenvolvimento eConservao Ambiental. Base de Dados. Disponvel em:.Acesso em: maio 2004.

    Grfico 46 - Espcies vegetais terrestresinvasoras, segundo a forma de

    introduo - Brasil - 2004

    2,9% 1,5%

    95,6%

    Acidental Voluntria Sem informao

    Grfico 47 - Espcies vegetais terrestresinvasoras introduzidas de forma voluntria,

    segundo o principal uso - Brasil - 2004

    15%

    2%

    11%

    23%

    41%

    3%

    5%

    Alimentar Estabilizaodo solo

    Fibras

    Florestal

    Forrageira

    Horticultura

    Sem informao

    Fonte: Levantamento de espcies exticas invasoras: resultados preliminares. In: InstitutoHrus de Desenvolvimento e Conservao Ambiental. Base de Dados. Disponvel em:. Acesso em: maio 2004.

    Grfico 48 - Nmero de espcies vegetais terrestres invasoras,por danos causados ao meio ambiente - Brasil - 2004

    43

    79

    38

    2

    8

    33

    7

    36

    11

    0

    10

    20

    30

    40

    50

    60

    70

    80

    90Nmero de espcies

    Extino de espcies nativas Competio com espcies nativas

    Mudanas de fisionomia no ambiente Perda de produtividade econmica

    Disseminao de doenas e alergias Alterao de regime hdrico

    Alterao da freqncia de incndios naturais Reduo de hbitat

    Alteraes fsico-qumicas

    Nota: Para a maioria das espcies h mais de um dano causado ao meio ambiente.

  • 130 _________________________________________Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Fonte: Levantamento de espcies exticas invasoras: resultados preliminares. In: InstitutoHrus de Desenvolvimento e Conservao Ambiental. Base de Dados. Disponvel em:. Acesso em: maio 2004.

    Grfico 49 - Espcies animais aquticas invasoras, segundo olocal de origem - Brasil - 2004

    6,0%

    22,0%

    17,0%

    27,5%

    27,5%

    Brasil e Amrica do Sul frica Europa e Mediterrneo

    sia Amricas do Norte e Central

    Mamferos Anfbios Insetos Crustceos MoluscosOutrosinverte-brados

    Total 40 5 1 2 13 17 2

    Brasil e Amrica do Sul 2 2 - - - - -

    frica 4 - - 2 - 1 1

    Europa e Mediterrneo 15 2 - - 3 9 1

    sia 5 1 - - - 4 -

    Amricas do Norte e Central 4 - 1 - 1 2 -

    Oceania - - - - - - -

    No determinada 10 - - - 9 1 -

    Fonte: Levantamento de espcies exticas invasoras: resultados preliminares. In: Instituto Hrus de Desenvolvimento eConservao Ambiental. Base de Dados. Disponvel em: .Acesso em: maio 2004.

    Tabela 46 - Nmero de espcies animais terrestres invasoras,por alguns grupos taxonmicos, segundo o local de origem

    Brasil - 2004

    Local de origem

    Nmero de espcies animais terrestres invasoras

    Total

    Alguns grupos taxonmicos

  • Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004 _______________________________________ 131Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Extinode

    espciesnativas

    Predaode

    espciesnativas

    Competiocom

    espciesnativas

    Mudanasde fisio-

    nomia noambiente

    Dissemina-o de

    doenase alergias

    Reduode

    hbitat

    Total (1) 40 3 5 39 1 6 9

    Acidental 15 1 1 14 - 3 -

    Voluntria 9

    Alimentar 5 2 3 5 1 2 1

    Animais de estimao 2 - - 2 - - -

    Minhocultura 2 - - 2 - - -

    Sem informao 16 - 1 16 - 1 8

    Fonte: Levantamento de espcies exticas invasoras: resultados preliminares. In: Instituto Hrus de Desenvolvimento eConservao Ambiental. Base de Dados. Disponvel em: .Acesso em: maio 2004.

    (1) Para a maioria das espcies h mais de um dano causado ao meio ambiente.

    Tabela 47 - Nmero de espcies animais terrestres invasoras, por danos

    Total

    Danos causados ao meio ambienteForma de introduo

    eprincipal uso

    Nmero de espcies animais terrestres invasoras

    causados ao meio ambiente, segundo a forma de introduo e o principal usoBrasil - 2004

    Arbrea Arbustiva Herbcea Lianas Palmeiras

    Total 68 26 7 31 2 2

    Brasil e Amrica do Sul 3 - - 2 1 -

    frica 19 1 1 16 - 1

    Europa e Mediterrneo 7 - 2 5 - -

    sia 20 13 1 5 1 -

    Amricas do Norte e Central 8 6 1 1 - -

    Oceania 9 6 1 1 - 1

    No determinada 2 - 1 1 - -

    Fonte: Levantamento de espcies exticas invasoras: resultados preliminares. In: Instituto Hrus de Desenvolvimento eConservao Ambiental. Base de Dados. Disponvel em: Acesso em: maio 2004.

    por hbito, segundo o local de origem - Brasil - 2004Tabela 48 - Nmero de espcies vegetais terrestres invasoras,

    Local de origemTotal

    Nmero de espcies vegetais terrestres invasoras

    Hbito

  • 132 _________________________________________Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Extino deespciesnativas

    Competiocom espcies

    nativas

    Mudanas defisionomia no

    ambiente

    Perda deprodutividade

    econmica

    Total (1) 68 43 79 38 2

    Acidental 1 1 1 1 -

    Voluntria 65 42 78 37 2

    Alimentar (2) 10 - 8 3 -

    Estabilizao do solo (3) 3 3 5 5 -

    Fibras (4) 1 1 1 - -

    Florestal (5) 7 7 9 6 -

    Forrageira (6) 15 14 15 11 2

    Horticultura (7) 27 17 38 12 -

    Sem informao (8) 2 - 2 - -

    Sem informao (9) 2 - - - -

    Disseminaode doenas e

    alergias

    Alterao deregime hdrico

    Alterao dafreqncia de

    incndiosnaturais

    Reduo dehbitat

    Alteraesfsico-qumicas

    Total (1) 8 33 7 36 11

    Acidental - - - - -

    Voluntria 8 33 7 36 11

    Alimentar (2) - 2 - 1 -

    Estabilizao do solo (3) - 5 - 4 2

    Fibras (4) - - - 1 -

    Florestal (5) 2 7 4 6 1

    Forrageira (6) 2 9 2 12 8

    Horticultura (7) 4 10 1 12 -

    Sem informao (8) - - - - -

    Sem informao (9) - - - - -

    Fonte: Levantamento de espcies exticas invasoras: resultados preliminares. In: Instituto Hrus de Desenvolvimento eConservao Ambiental. Base de Dados. Disponvel em: Acesso em: maio 2004.

    (1) Para a maioria das espcies h mais de um dano causado ao meio ambiente. (2) Vegetais trazidos para o Brasil pa-ra servirem de alimento populao humana. (3) Vegetais trazidos para o Brasil para serem usados na estabilizaode encostas. (4) Vegetais trazidos para o Brasil para a produo de fibras de uso industrial (txtil). (5) Vegetais trazidospara o Brasil para serem usados em plantios florestais. (6) Vegetais trazidos para o Brasil para serem usados na ali-mentao do gado. (7) Vegetais trazidos para o Brasil para servirem como plantas de uso ornamental e em paisagis-mo. (8) Vegetais trazidos para o Brasil de forma voluntria, porm sem informao quanto ao tipo de uso. (9) No hinformao quanto forma de introduo no Brasil.

    Nmero de espcies vegetais terrestres invasoras

    Danos causados ao meio ambienteForma de introduo

    eprincipal uso

    Nmero de espcies vegetais terrestres invasoras

    Tabela 49 - Nmero de espcies vegetais terrestres invasoras,por danos causados ao meio ambiente, segundo a

    forma de introduo e o principal uso - Brasil - 2004

    Total

    Danos causados ao meio ambienteForma de introduo

    eprincipal uso

  • Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004 _______________________________________ 133Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Peixes Crustceos Moluscos

    Bacias do Rio Amazonas e Costeiras do Norte ... ... ... ...

    Bacia do RioTocantins 1 ... 1 ...

    Bacia do Rio Parnaba ... ... ... ...

    Bacia do Rio So Francisco ... ... ... ...

    Bacia do Rio da Prata 3 1 ... 2

    Bacias Costeiras do Nordeste Ocidental ... ... ... ...

    Bacias Costeiras do Nordeste Oriental 1 ... 1 ...

    Bacias Costeiras do Sudeste 10 7 2 1

    Bacias Costeiras do Sul 6 5 1 ...

    Fonte: Levantamento de espcies exticas invasoras: resultados preliminares. In: Instituto Hrus de Desenvolvimento eConservao Ambiental. Base de Dados. Disponvel em: .Acesso em: maio 2004.

    Nota: O no registro de espcies exticas invasoras em algumas bacias hidrogrficas no significa ausncia das mes-mas, representando, mais provavelmente, a carncia de informaes e pesquisas sobre o assunto nestas bacias.

    Tabela 50 - Nmero de espcies animais aquticas invasoras,por alguns grupos taxonmicos, segundo as

    TotalAlguns grupos taxonmicos

    Nmero de espcies animais aquticas invasoras

    Grandes bacias hidrogrficas

    grandes bacias hidrogrficas - Brasil - 2004

    Crustceos Moluscos Peixes

    Total 18 3 2 13

    Brasil e Amrica do Sul 5 - - 5

    frica 5 - 1 4

    Europa e Mediterrneo 1 - - 1

    sia 4 2 1 1

    Amricas do Norte e Central 3 1 - 2

    Oceania - - - -

    Fonte: Levantamento de espcies exticas invasoras: resultados preliminares. In: Instituto Hrus de Desenvolvimento eConservao Ambiental. Base de Dados. Disponvel em: .Acesso em: maio 2004.

    por alguns grupos taxonmicos, segundo o local de origem - Brasil - 2004Tabela 51 - Nmero de espcies animais aquticas invasoras,

    Local de origemTotal

    Nmero de espcies animais aquticas invasoras

    Alguns grupos taxonmicos

  • 134 _________________________________________Indicadores de desenvolvimento sustentvel - Brasil 2004Dimenso ambiental - Biodiversidade

    Mapa 14 - Nmero de espcies animais aquticas invasoras, por grandes bacias hidrogrficas2004

    Fonte: Levantamento de espcies exticas invasoras: resultados preliminares. In: Instituto Hrus de Desenvol-vimento e Conservao Ambiental. Base de Dados. Dis-ponvel em: . Acesso em: maio 2004.

    Nota: O valor zero atribudo a algumas bacias no necessa-riamente signifi ca ausncia de espcies exticas invasoras, representando, mais provavelmente, a carncia de informa-es e pesquisas sobre o assunto nestas bacias.