Jogos atletismo (AEC)

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587 ATLETISMO SE APRENDE NA ESCOLA: O PROJETO DO NÚCLEO DE ENSINO DA UNESP/RIO CLARO 2003 Sara Quenzer MATTHIESEN 1 Adriano Percival CALVO, Augusto César Lima e SILVA, Flórence Rosana FAGANELLO 2 Resumo: Este texto é parte do trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Ensino da UNESP – 2003 intitulado “Atletismo se aprende na escola” destinado à organização de material de ensino no campo do atletismo. Durante sete meses de intenso trabalho, realizamos, num primeiro momento, um levantamento minucioso da bibliografia existente na área de Educação Física, com base no acervo das bibliotecas da UNESP, USP e UNICAMP, sendo que foram identificados cerca de 500 títulos de livros, dos quais 149 foram selecionados; 34 títulos de teses de doutorado e dissertações de mestrado e endereços eletrônicos dos mais diversos neste campo. Objetivando aprofundar na análise dos livros voltados a uma perspectiva pedagógica envolvendo atividades e jogos pré-desportivos dentro do atletismo, detivemo-nos, num segundo momento, na localização de atividades prescritas pela bibliografia conhecida na área, concentrando algumas atividades que podem ser desenvolvidas dentro de cada uma das modalidades do atletismo. Num terceiro e último momento, procuramos prescrever variações e novas atividades como sugestões ao trabalho do profissional de Educação Física elaborando um material didático pedagógico de 58 páginas, passível de múltiplas variações e complementações. Palavras-chave: atletismo; escola; jogos pré-desportivos. INTRODUÇÃO Apesar de ser considerado como um dos conteúdos clássicos da Educação Física, o atletismo é ainda muito pouco difundido nas escolas e clubes brasileiros. Não há como negar que do pouco que dele se conhece, muito está misturado à história particular de meninos e meninas - em sua grande maioria pobres -, que encontraram nas corridas, saltos, arremessos e lançamentos, um meio para a sua sobrevivência e inserção social. Ainda que esse seja o retrato mais comum do atletismo em nosso país, em época de Jogos Olímpicos ele sofre modificações. De mero desconhecido da população em geral, o atletismo passa a divulgar nomes, provas, esforços físicos, conquistas e recordes, no que conta com o apoio dos meios de comunicação de massa, sobretudo da televisão, até mesmo em horários de grande audiência. É neste curto espaço de tempo olímpico que grande parte da população brasileira entra em contato com as provas, os movimentos e as glórias do atletismo, capazes de comover todo aquele que acompanha o desempenho dos atletas, transformados pela mídia em verdadeiros heróis. Mas, será apenas esse o conhecimento a ser veiculado pelo atletismo? 1 Coordenadora do Projeto 2 Grupo de Estudos e Pesquisa em Atletismo do Departamento de Educação Física da UNESP/Rio Claro.

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ATLETISMO SE APRENDE NA ESCOLA: O PROJETO DO NCLEO DE ENSINO DA UNESP/RIO CLARO 2003 Sara Quenzer MATTHIESEN1 Adriano Percival CALVO, Augusto Csar Lima e SILVA, Flrence Rosana FAGANELLO2 Resumo: Este texto parte do trabalho desenvolvido pelo Ncleo de Ensino da UNESP 2003 intitulado Atletismo se aprende na escola destinado organizao de material de ensino no campo do atletismo. Durante sete meses de intenso trabalho, realizamos, num primeiro momento, um levantamento minucioso da bibliografia existente na rea de Educao Fsica, com base no acervo das bibliotecas da UNESP, USP e UNICAMP, sendo que foram identificados cerca de 500 ttulos de livros, dos quais 149 foram selecionados; 34 ttulos de teses de doutorado e dissertaes de mestrado e endereos eletrnicos dos mais diversos neste campo. Objetivando aprofundar na anlise dos livros voltados a uma perspectiva pedaggica envolvendo atividades e jogos pr-desportivos dentro do atletismo, detivemo-nos, num segundo momento, na localizao de atividades prescritas pela bibliografia conhecida na rea, concentrando algumas atividades que podem ser desenvolvidas dentro de cada uma das modalidades do atletismo. Num terceiro e ltimo momento, procuramos prescrever variaes e novas atividades como sugestes ao trabalho do profissional de Educao Fsica elaborando um material didtico pedaggico de 58 pginas, passvel de mltiplas variaes e complementaes. Palavras-chave: atletismo; escola; jogos pr-desportivos. INTRODUO Apesar de ser considerado como um dos contedos clssicos da Educao Fsica, o atletismo ainda muito pouco difundido nas escolas e clubes brasileiros. No h como negar que do pouco que dele se conhece, muito est misturado histria particular de meninos e meninas - em sua grande maioria pobres -, que encontraram nas corridas, saltos, arremessos e lanamentos, um meio para a sua sobrevivncia e insero social. Ainda que esse seja o retrato mais comum do atletismo em nosso pas, em poca de Jogos Olmpicos ele sofre modificaes. De mero desconhecido da populao em geral, o atletismo passa a divulgar nomes, provas, esforos fsicos, conquistas e recordes, no que conta com o apoio dos meios de comunicao de massa, sobretudo da televiso, provas, os at mesmo em horrios de grande audincia. neste curto espao de tempo olmpico que grande parte da populao brasileira entra em contato com as movimentos e as glrias do atletismo, capazes de comover todo aquele que acompanha o desempenho dos atletas, transformados pela mdia em verdadeiros heris. Mas, ser apenas esse o conhecimento a ser veiculado pelo atletismo?

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Coordenadora do Projeto Grupo de Estudos e Pesquisa em Atletismo do Departamento de Educao Fsica da UNESP/Rio Claro.

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Ainda que esse seja o mais comum, existem outras possibilidades de conhecimento dessa modalidade que merecem ser revistas.. Se so vrios os caminhos possveis para o xito nesta tarefa, o trabalho com crianas um bom comeo para o ensino desta modalidade que envolve habilidades motoras por elas utilizadas cotidianamente. No por outro motivo, propomos que este caminho seja traado com base na realizao de jogos pr-desportivos envolvendo as habilidades motoras bsicas de marchar, correr, saltar, lanar e arremessar principais neste campo as quais procuraram traduzir, numa linguagem corporal, o significado do atletismo sem, contudo, perder a dimenso de sua especificidade tcnica e normativa que faz do atletismo a modalidade esportiva que . Assim, o profissional de Educao Fsica deveria buscar, por meio de atividades recreativas que mesclem um conhecimento geral sobre as habilidades motoras e um conhecimento especfico acerca das provas oficiais, aproximar as crianas do universo do atletismo, levando-as a vivenci-lo por meio do prprio corpo. Assim, ao dedicar-se ao ensino do atletismo visando, mais do que qualquer outra coisa, despertar nas crianas o gosto pelos movimentos desta modalidade esportiva, o profissional desta rea, alm da iniciao e aprendizagem dos movimentos bsicos dessa modalidade esportiva por meio de jogos prdesportivos que exploram as habilidades motoras, poderia criar uma base de conhecimentos capaz de sustentar um aprofundamento tcnico mais especfico a partir de ento. por essa razo que, sem nos determos nas particularidades de cada faixa etria, procuramos por meio do material elaborado referirmo-nos ao ensino do atletismo tendo como ponto de partida uma introduo a esta modalidade esportiva que poder ocorrer a qualquer momento, alm de favorecer o aprofundamento tcnico a partir dessas primeiras orientaes. A preocupao bsica do material didtico foi, portanto, uma introduo geral ao ensino do atletismo para crianas, lembrando ao leitor que no faa destas meras receitas de xito rpido, mas, que as compreendam como idias capazes de orientar a elaborao e prescrio de suas prprias atividades condizentes com o espao fsico, turma e objetivos de sua realidade de trabalho. SOBRE O PROJETO Durante sete meses, estivemos envolvidos com a organizao deste material realizando, num primeiro momento, um levantamento minucioso da bibliografia existente na rea de Educao Fsica, tendo como ponto de partida o acervo das bibliotecas da UNESP, USP e UNICAMP. Foram identificados cerca de 500 ttulos de livros, dos quais 149 foram selecionados; 34 ttulos de teses de doutorado e dissertaes de mestrado e endereos eletrnicos dos mais diversos versando sobre interesses diversificados no campo do atletismo. A anlise deste material registrou, entre outras coisas: 1. uma concentrao da publicao de livros de atletismo nas dcadas de 70 e 80; 2. aprofundamento em provas de corridas e saltos, em detrimento dos arremessos, lanamentos, marcha atltica e provas combinadas; 3. a predominncia de uma588

perspectiva tcnica, de treinamento e normativa em detrimento de uma perspectiva pedaggica, de ensino do atletismo. Tendo em vista que o objetivo da pesquisa consistia em aprofundar na anlise dos livros voltados a uma perspectiva pedaggica envolvendo atividades e jogos prdesportivos dentro desta modalidade, os colaboradores, bolsistas do projeto, detiveram-se, num segundo momento, na localizao de atividades prescritas pela bibliografia conhecida na rea, concentrando algumas atividades que podem ser desenvolvidas dentro de cada uma das modalidades do atletismo. Num terceiro e ltimo momento, procuramos prescrever variaes e novas atividades como sugestes passveis de contribuio ao trabalho do profissional de Educao Fsica ainda que esse material possa sofrer mltiplas variaes e complementaes. A idia do material produzido fornecer ao profissional de Educao Fsica interessado no trabalho com o Atletismo algumas sugestes e orientaes pautadas na experincia de anos de trabalho com o ensino do atletismo, registrando, alm de exerccios capazes de contribuir para o desenvolvimento de cada uma de suas provas, indicaes bibliogrficas que possam contribuir para o aprofundamento neste campo. Nesse sentido, procuramos registrar algumas idias e sugestes partindo de referncias existentes na rea e de nossas prprias elaboraes, as quais consideramos ser capazes de orient-lo em sua prpria criao sem, contudo, aprisionar-lhe as idias fazendo disso uma camisa-de-fora que restrinja sua capacidade criativa. Vale destacar que o material de ensino produzido procurou abarcar um conhecimento do atletismo no campo terico e prtico, tendo como referncia suas modalidades, ou seja, a marcha atltica, as corridas (rasas de velocidade, resistncia, barreiras, com obstculos, revezamentos); os saltos (altura, triplo, distncia e vara); arremessos e lanamentos (peso, disco, dardo/pelota, martelo; as provas combinadas, alm de sugestes para competies, atividades para dias de chuva. Para alm disso, procuramos registrar uma vasta bibliografia no campo do atletismo como sugesto de leitura, mencionando livros, dissertaes de mestrado e teses de doutorado, sites, vdeos e slides. Contudo, dadas as limitaes de um artigo, procuraremos reproduzir no presente texto partes do material elaborado, convidando o leitor para que conhea o original com 58 pginas. Portanto, no mencionaremos as atividades presentes na bibliografia da rea nem todas as que compem o material, mas, alguns poucos exemplos das atividades elaboradas pelo grupo como sugesto de atividades para as aulas de Educao Fsica.

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CONHECENDO O ATLETISMO CAMPO TERICO Ainda que restrito, no h como negar o conhecimento que as crianas, de alguma forma, detm sobre o atletismo. Assim, para o incio de um bom trabalho, sugere-se que o professor faa um levantamento daquilo que j conhecido pelas crianas. A sugesto que se trabalhe em equipes, pois, embora o atletismo seja um esporte individual, nem por isso no deva ser trabalhado em grupo. Muito pelo contrrio! A integrao do grupo, sobretudo quando este for formado por crianas, dever predominar na realizao das atividades. Quem sabe, sabe! Formar duas equipes, com nmeros iguais de integrantes. O professor mostrar uma imagem (fotografia) relacionada ao atletismo e a equipe ter 30 segundos para responder (falar ou escrever) a pergunta formulada. Por exemplo: Quem o atleta da foto? O que ele est fazendo? Qual a prova? A equipe que acertar, marcar um ponto. CONHECENDO O ATLETISMO CAMPO PRTICO Feito um primeiro levantamento acerca do que as crianas conhecem sobre o atletismo, o prximo passo ser lev-las at a pista. L, o professor, alm de procurar observar o que elas j conhecem, poder, num primeiro momento, organizar uma atividade que as familiarize com o espao em que iro trabalhar. Uma atividade bem aceita pelas crianas e que tem timos resultados A caa ao tesouro que poder ser desenvolvida dentro do espao fsico da pista de atletismo. Caa ao tesouro: Formar duas equipes, com nmeros iguais de integrantes. Haver 8 pistas (charadas) para que as crianas possam achar o tesouro. A primeira pista ser entregue pelo professor, enquanto as outras devero ser descobertas. A ltima pista levar diretamente ao tesouro que, de preferncia, dever ser algo relacionado ao atletismo, por exemplo: uma fotografia de um atleta; uma tabela dos recordes integrantes conseqentemente, do tesouro. mundiais ou olmpicos etc. No percurso, todos os da equipe devero correr de mos dadas, em busca da prxima pista e,

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Exemplo de pistas, cujo grau de dificuldade ser varivel, de acordo com o grupo: 1. Estou no salto em _ _ _ _ _ _ . (altura) 2. Daqui, at o final da reta, os atletas correm 100 metros rasos. (sada dos 100 metros). 3. No uso pregos, mas, aqui se utiliza o martelo. (Setor do lanamento do martelo)

CONHECENDO A MARCHA ATLTICA Velha esquecida dos profissionais da Educao Fsica, a marcha atltica corresponde a uma das provas do atletismo que provoca grande entusiasmo nas crianas em todas as idades. Ainda que oficialmente seja uma prova de fundo, com distncias - para efeito de recorde mundial - de 5, 10 e 20 km (feminino) e 20, 30 e 50 km e 2 horas (masculino) disputadas algumas vezes em pista outras em rua, sugere-se que, na aprendizagem, se inicie com atividades curtas e que explorem o andar rpido at que se atinja os movimentos especficos da marcha atltica. Ou seja, cabe lembrar que a marcha atltica nada mais do que uma progresso de passos, executados de forma que o marchador dever manter um contato contnuo com o solo, no havendo, portanto, fase area. Alm disso, a perna que avana deve estar estendida desde o primeiro contato com o solo at a posio ereta vertical, caso contrrio o atleta ser submetido advertncias dos rbitros, sujeito, portanto, desclassificao. Ainda que os livros de atletismo dem pouca ateno aprendizagem da marcha atltica, no difcil elaborar exerccios voltados ao seu ensino, mesmo porque se pode partir de atividades que envolvam o andar, o andar mais rpido, at a insero de especificidades mais tcnicas que levem ao desenvolvimento do marchar. Alm disso, importante que a criana identifique, na realizao do movimento, a diferena entre andar, marchar e correr (lentamente e em velocidade), observando os diferentes tipos de apoios e ritmos provenientes de cada situao.

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Marcha ou Atltica Em duplas, mantendo uma distncia lateral de 2 metros, as crianas andaro pelo espao da quadra ou pista, sendo que uma ser a marcha e a outra ser a atltica. Quando o professor mencionar um dos dois termos, os alunos realizaro uma perseguio utilizando a marcha atltica. Ou seja, se ele falar marcha, a criana assim intitulada dever marchar o mais rpido possvel enquanto a criana atltica marchar para tentar peg-la. Mantendo, inicialmente, uma distncia de 2 metros, o aluno ATLTICA, do exemplo, perseguir o aluno MARCHA.

MARCHA ATLTICA

CONHECENDO AS CORRIDAS So vrios os tipos de corridas dentro do atletismo. Ainda que numa fase inicial de conhecimento desta modalidade esportiva no se deva introduzir as provas propriamente ditas em sua forma final, isto , fazer com que a criana corra, por exemplo, uma prova inteira de 400 metros sob barreiras, interessante que elas conheam as diferentes possibilidades de realizao da corrida, as quais, na maior parte das vezes e de acordo com a distncia a ser percorrida, so realizadas numa pista cuja volta mede (na parte interna) 400 metros e, normalmente, tem 8 raias com 1m22 de largura cada uma, numeradas de 1 a 8 a partir da borda interna. Logo, no demais ressaltar que at e inclusive os 400 metros obrigatrio que o atleta corra a prova toda dentro da sua raia e que a chegada ser sempre a mesma para todas as provas independentemente da distncia (por ex: 100 metros rasos, 5000 metros rasos, 400 metros com barreiras etc). Portanto, o que muda a sada de cada uma das provas, pois, a chegada geral.

CORRIDAS RASAS DE VELOCIDADE Normalmente realizados em distncias curtas, intercalados por intervalos que garantam a recuperao das crianas em qualquer idade, os jogos de pegador ou pega-pega correspondem a uma tima opo para o desenvolvimento das corridas rasas de velocidade. O professor, entretanto, dever estar atento para que haja uma alternncia entre os pegadores, observando como todos acompanham o ritmo da atividade, alm de utilizar estratgias que evitem a excluso.

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Para alm disso, interessante que o professor realce algumas regras dessas provas (100, 200 e 400 metros), enfatizando, por exemplo, que a sada, em provas at e inclusive 400 metros, deve ser baixa, com uso de bloco de sada; que a chegada sempre a mesma para toda e qualquer prova, mudando apenas o local da sada; que em provas at os 400 metros, obrigatrio correr dentro da raia marcada; que cada participante poder realizar apenas uma sada falsa etc. Ainda que uma preocupao tcnica, pautada em ngulos e posies especficas faa parte de um processo de aprendizagem que dever ter incio de forma recreativa, interessante destacarmos algumas indicaes capazes de orientar o ensino da sada baixa. Por exemplo, dependendo do posicionamento do bloco de sada (em relao linha de largada), a sada ser curta, mdia ou longa. Usualmente, ao sinal de s suas marcas, a orientao para iniciantes que o p da frente esteja h uma distncia de dois ps (do aluno) em relao linha de largada, enquanto o p de trs dever estar h uma distncia de cerca de trs ps (do aluno). Se so inmeras as possibilidades de atividades neste campo, sugeriremos com base em diferentes autores de livros de atletismo e na experincia de ensino desta modalidade, algumas de fcil realizao, sobretudo no campo escolar.

Exemplo I

30 metros

A distncia entre os integrantes da dupla de aproximadamente 1 metro

Exemplo II

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CORRIDAS RASAS DE RESISTNCIA Talvez, o que seja mais difcil para uma criana na realizao das corridas mais longas, seja a imposio do ritmo adequado. Basta solicitar a um grupo de crianas que realize, por exemplo, duas voltas na pista de atletismo, para verificarmos que, logo na sada, todas correro em alta velocidade, logo se desgastando e encontrando dificuldades para cumprir uma tarefa que no deveria ser das mais difceis. Mais do que desenvolver a resistncia aerbia das crianas, o trabalho com corridas de maior durao certamente as auxiliar a dosarem o ritmo a ser empregado no desenvolvimento da corrida. Uma atividade muito simples e que apresenta timos resultados a corrida contra o relgio. O professor dever definir um espao a ser cumprido por meio da corrida e um tempo, sendo que as crianas devero realizar sua tentativa sem quaisquer interferncias do professor. Por exemplo: percorrer 300 metros em 3 minutos. Aps a execuo da tarefa, o professor dever discutir com a criana qual foi o tempo solicitado, qual foi o tempo de sua execuo e a forma empregada para o desenvolvimento do percurso. Ou seja, se correu muito rpido; se correu muito devagar; se deveria ter acelerado mais etc. Depois das primeiras orientaes, a criana dever realizar novamente a tentativa e verificar se houve uma melhora em termos da adequao ao ritmo solicitado. O professor, ento, poder trabalhar com as variveis, alterando o espao a ser percorrido ou o tempo, de forma que a criana possa adequar o movimento de seu corpo ao tempo solicitado. Com base nisso, a criana ter condies de avaliar melhor o ritmo que dever empregar quando lhe for solicitado o desenvolvimento de um percurso mais longo, como as provas de meio fundo: 800, 1.000 e 1.500 metros rasos, quando a sada alta. Alm dessas provas, a criana poder conhecer as provas de fundo, tais como 3.000m, 5.000m, 10.000 metros rasos, meia maratona e maratona (42.195km), observando o ritmo utilizado por diferentes atletas. Para alm da atividade mencionada acima, sugeriremos outras capazes de inspirar os professores no desenvolvimento deste tipo de corrida. Entre curvas e retas Alunos correndo pela quadra, ao sinal do professor, devero correr apenas nas curvas ou retas, definidas pelas linhas da quadra. O ritmo poder ser definido pelo professor, com palmas ou por um tambor, podendo ser mais lento ou mais rpido dependendo o objetivo da aula.

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CORRIDAS COM BARREIRAS E COM OBSTCULOS Ainda que tenham uma especificidade tcnica que dever ser aprimorada sem muita presa, as corridas com barreiras constituem-se em verdadeiros desafios para as crianas. O ideal que se comece com atividades utilizando-se cordas elsticas para transposio, aumente-se a altura aos poucos e insira-se um maior nmero de cordas a cada atividade, adequando-se os espaos entre as barreiras. Somente quando as crianas estiverem familiarizadas com todos esses aspectos que se deve introduzir a barreira propriamente dita, definindo-se uma altura possvel para a sua transposio e situando-as dentro das regras oficiais. Ou seja, como uma prova de velocidade, as corridas com barreiras obedecem as regras antes mencionadas e so acrescidas das seguintes: sero dez barreiras a serem transpostas independentemente do percurso da prova (o que muda a distncia entre elas e a altura das barreiras, de acordo com a prova: nas masculinas, a altura da barreira ser: 1m067 nos 110m e 0,914m nos 400m; nas femininas, a altura ser de 0,84m nos 100m e 0,762m nos 400m); caso o participante derrube a barreira de propsito, ele ser desclassificado. Ainda que com objetivos e especificidades tcnicas bastante diferenciadas em relao s provas da barreira, as corridas com obstculos, pouco conhecidas no Brasil, so muito interessantes e propiciam uma aproximao com o ensino das corridas de longa distncia e com a prpria corrida com barreiras. A sugesto que as crianas possam ultrapassar obstculos maiores do que as barreiras, nos quais podero apoiar os ps caso desejarem. Sugere-se, inicialmente, que diferentes obstculos sejam ultrapassados, tais como: pneus, banco suecos, pequenos caixotes etc. A partir disso, as crianas podero entrar em contato com as principais regras, cientes, portanto, de que numa prova de 3000 metros com obstculos, cada volta ter 5 obstculos sendo 4 deles similares barreira, com uma altura de 0,914m em provas masculinas e 0,762m em provas femininas e pelo menos 3m96 de largura em ambas, com bases de 1m20 a 1m40 de comprimento. Haver, tambm, um fosso com gua que ser o quarto na ordem de cada uma das voltas completas, tendo 3m66 de comprimento para homens e 3m06 para mulheres e largura de 3m66 para ambos, incluindo o obstculo.

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Estafeta dos obstculos Alunos dispostos em duas equipes, divididas em duas colunas de frente para o circuito formado por dois cones nos quais esto amarradas cordas numa altura que propicie a transposio (similar a trs barreiras); quatro arcos colocados no cho em forma de zigue-zague e um caixote de madeira (ou tampa do plinto). Ao sinal, o primeiro aluno de cada equipe iniciar a corrida a partir da posio de sada baixa em direo aos obstculos, retornando sua equipe por meio de uma corrida de velocidade rasa, tocando o ombro do prximo componente. Vencer a equipe que concluir todo o circuito primeiro.

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CHEGADA

ECORRIDAS DE REVEZAMENTO Uma das poucas possibilidades de trabalho em grupo no campo do atletismo, as provas de revezamento (4x100m, 4x200m, 4x400m, 4x800m, 4x1.500m) so, alm de emocionantes, muito prazerosas quando realizadas. Vale aqui as mesmas observaes feitas para as corridas rasas, j que o revezamento tambm o , sendo recomendadas, como adequadas na aprendizagem de crianas, o trabalho com estafetas que podem reunir um nmero oficial de integrantes (4) ou um nmero maior de crianas, propiciando a integrao do grupo. Ressaltando algumas regras bsicas das corridas de revezamentos diramos que, independentemente da prova, a zona de passagem do basto mede 20 metros, sendo que, obrigatoriamente, a passagem dever ocorrer neste espao. Caso o basto caia no cho durante o percurso, ele dever ser apanhado pelo corredor que o deixou cair. Alm disso, vale observar que oficialmente o basto deve ser um tubo liso, oco, circular, de madeira ou material rgido com, no mximo, 0,30m e, no mnimo, 0,28m de comprimento, numa pea nica de, no mnimo, 50g.

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Revezamento gigante Equipes formadas por 10 alunos cada, mantendo uma distncia de 40 metros entre eles, em volta da pista. Ao sinal, o primeiro aluno dar incio corrida de revezamento, passando o basto que dever, na seqncia, chegar ao ltimo da equipe que cruzar a linha de chegada.

CONHECENDO OS SALTOS Quer sejam em projeo horizontal, quer em projeo vertical, os saltos correspondem a uma das atividades preferidas das crianas no campo do atletismo, independentemente da idade. Contudo, todo cuidado pouco na hora de sua execuo, sobretudo tendo em vista que devem ser realizados com um dos ps, o que acaba sobrecarregando a musculatura quando executados repetidas vezes. Para alm disso, sugere-se que o terreno utilizado para a realizao dos saltos seja, no maior tempo da atividade, macio (grama, areia), de forma que o impacto tenha menores conseqncias, j que muito comum o no amortecimento nas primeiras etapas da aprendizagem. Tendo em vista um conhecimento prvio acerca das corridas, sugere-se que, na seqncia, sejam ensinados os saltos em projeo horizontal (distncia e triplo) e, posteriormente, os saltos em projeo vertical (altura e vara), sobre os quais faremos algumas sugestes.

SALTO EM DISTNCIA Observada a existncia de um terreno macio ou uma caixa de areia propcia para o desenvolvimento dos saltos, as crianas podem entrar em contato com o salto em distncia por meio de atividades que se iniciem prximas caixa de areia, sem quaisquer preocupaes tcnicas especficas ou regras que restrinjam o seu movimento. Feito isso, possvel, aos poucos, introduzir as regras bsicas desta prova para que a criana a conhea melhor. Ou seja, a criana deve saber que, antes do salto, dever ser realizada uma corrida de aproximao em um corredor com 45m de comprimento e 1m22 de largura. Todos os competidores tero direito a trs saltos e aps o terceiro, os 8 melhores tero direito a mais trs, de modo que vencer aquele que fizer o melhor resultado em toda a prova. A medida do salto sempre ser feita a partir da borda da tbua de impulso enterrada no piso do597

corredor, mais especificamente, a partir da linha de impulso (medio) at a marca mais prxima desta, feita pelo atleta na areia no momento da queda, no importando o local exato da impulso com um dos ps, no momento do salto. Contudo, caso o participante realize a impulso para alm dessa tbua, o salto ser invalidado. Ainda que no possa desenvolver nenhuma forma de salto mortal, o participante pode se valer de diferentes estilos tcnicos para atingir seu objetivo. Usualmente, inicia-se pela aprendizagem do salto grupado e do arco, para que depois haja possibilidades de se ensinar o estilo passada no ar ou hitch-kick utilizado pela grande maioria dos atletas de alto nvel. Portanto, durante a aprendizagem, sugerimos ateno para o desenvolvimento de atividades pautadas nas seguintes orientaes: desenvolvimento de atividades de saltar iniciadas livremente pelas crianas, sem restrio quanto forma do impulso (em um ou dois ps); movimentos dos braos ou regras prprias da prova; desenvolvimento de atividades de saltar com um dos ps em distncia, prximo caixa de areia; desenvolvimento de atividades de saltar com um dos ps em distncia, com pequena corrida de aproximao, apenas para ampliar o impulso; aumentar a distncia da corrida aos poucos, ao mesmo tempo em que se fixa um local determinado (a princpio uma linha traada no cho e depois, a tbua de impulso no corredor dos saltos) para a realizao do impulso em um dos ps; colocao de vrias cordas na caixa de areia, como uma forma de incentivo e de visualizao, por parte da criana, do local da queda. Saltando com a bexiga Alunos correndo pelo espao, com uma bexiga nas mos. Ao sinal, devero executar toque a ponta dos ps. Movimento dos braos durante a fase area do salto o

movimento do salto grupado, saltando sobre uma corda estendida, fazendo com que a bexiga

A seta indica a aproximao do aluno em relao corda, antes da realizao do salto

A flecha indica o salto sobre a corda

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SALTO TRIPLO Negligenciado, muitas vezes, no mbito da aprendizagem do atletismo, o salto triplo corresponde a uma atividade mpar para o desenvolvimento da coordenao. Alm disso, fica mais fcil ensin-lo quando as crianas j detm um conhecimento das regras e dos movimentos bsicos utilizados no salto em distncia. Contudo, deve-se observar que, nas provas adultas oficiais, a tbua de impulso deve estar a pelo menos 13 metros da caixa de areia nas provas masculinas e a 11 metros nas provas femininas e que, no momento do salto, o aluno deve realizar os dois primeiros saltos com o mesmo p e o terceiro com o p contrrio para depois cair na caixa de areia. Ou seja, a seqncia dever ser com a perna: direita, direita, esquerda e queda ou esquerda, esquerda, direita e queda. Cabe ressaltar que mesmo que no seja efetuado em sua forma final, o que demandaria por parte do praticante uma determinada estrutura corporal inexistente em crianas menores, o salto triplo deve ser uma atividade, mesmo que adaptada, presente em um programa de ensino do atletismo. Basta observarmos algumas brincadeiras infantis para verificarmos as facilidades de se ensinar o salto triplo para as crianas, a partir das quais faremos algumas sugestes.

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Salto triplo em revezamento Alunos dispostos em colunas, formando duas equipes, de frente para um cone colocado a 5 metros de distncia. Com um basto em uma das mos, o aluno dever, ao sinal, realizar o movimento do salto triplo em direo ao cone e voltar at o final da coluna, entregando o basto para o ltimo da equipe. Quando o basto chegar exerccio. Note que o basto dever ser entregue ao ltimo da coluna que o transmitir aos demais at que este chegue ao primeiro da equipe, reiniciando o percurso no primeiro da coluna, este reiniciar o

Primeiro momento: impulso com a perna esquerda

Quarto momento: Nova impulso com a perna esquerda

Segundo momento: fase areado salto

Terceiro momento: contato com o calcanhar esquerdo e incio da segunda impulso com a perna esquerda

Quinto momento: prximo impulso com a perna direita, com finalizao na caixa de areia

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SALTO EM ALTURA A idia de superao de obstculos algo que motiva muito as crianas em qualquer idade. H, entretanto, que se ter certos cuidados j mencionados no incio desta aprendizagem, sobretudo no que se refere ao material e tcnicas utilizados. No h dvidas de que o estilo tesoura o mais simples e utilizado no ensino do salto em altura com crianas de menor idade. Contudo, estilos como o rolo ventral e o Fosbory flop podero ser vivenciados pelas crianas desde que se tenha material adequado para a absoro do impacto do movimento. Usualmente, inicia-se o ensino desta prova pelo estilo tesoura executado com a perna externa em relao ao sarrafo que ser transposto. Neste estilo utiliza-se uma corrida preparatria de cinco ou sete passos, num ngulo de cerca de 40-45, sendo que o impulso executado com a pe rna de fora que chutada para o alto, ficando quase estendida no momento da transposio. A perna de apoio, por sua vez, segue a mesma trajetria, registrando um movimento de tesoura, antes da queda sobre a perna de balano. Autores como KIRSCH; KOCH & ORO (1984) ressaltam que comum, em iniciantes, a realizao de alguns erros, tais como: uma corrida preparatria em trajetria curva ou com velocidade irregular e a execuo do salto muito prxima ou muito afastada do sarrafo. Outro estilo que pode ser utilizado na aprendizagem o rolo ventral, o qual contrariamente ao tesoura chamado de salto interno, j que o salto executado com a perna (de dentro) mais prxima do sarrafo, aps uma corrida preparatria similar ao estilo anterior. O estilo Fosbory flop, por sua vez, executado a partir da impulso da perna externa, ainda que a transposio ocorra de costas para o colcho, aps uma corrida preparatria realizada em curva. Portanto, aps o ensino da tesoura, sugere-se o ensino do rolo ventral para que as crianas vivenciem uma forma completamente diferente de transposio do sarrafo e, se houver condies, o ensino do estilo Fosbory flop, cuja aprendizagem ser beneficiada pelo ensino do estilo tesoura. Mas, qualquer que seja o estilo tcnico importante frisar que o obstculo a ser ultrapassado no dever oferecer perigo na execuo, sugerindo-se, independentemente da idade, que se inicie o trabalho de salto em altura com a corda elstica, habilitando a criana para a transposio posterior do sarrafo.

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As observaes j realizadas no salto em distncia, so tambm vlidas aqui. No caso deste tipo de salto, a altura deve ser vista como um obstculo a ser superado, mas, para tanto, no dever ser nem muito baixo, invalidando o desafio, nem muito alto ou praticamente intransponvel. Assim, sugere-se que se parta de uma altura em que a criana consiga, sem grandes dificuldades, executar o movimento solicitado, at aquela que lhe sirva como um real estmulo para a transposio sem, contudo, oferecer-lhe riscos. No incio da aprendizagem, atividades bem simples podero ser desenvolvidas e alteradas a medida em que as crianas ofeream maiores possibilidades de execuo dos movimentos e adequao s regras oficiais segundo as quais cada participante ter direito a trs tentativas para ultrapassar o sarrafo impulsionando-se em um p s, sendo desclassificado se falhar em trs tentativas seguidas. Das vrias possibilidades existentes para o ensino do salto em altura, sugerimos algumas bastante simples e que podero ser realizadas com bastante facilidade. Corda inclinada Em duas colunas, as crianas devero correr em direo corda que est parada e elevada a poucos centmetros do cho. Essa elevao dever ser progressiva, mantendo a corda em um plano inclinado de forma que todas as crianas permaneam saltando durante a atividade.

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CONHECENDO OS ARREMESSOS E LANAMENTOS Dentre os lanamentos, a sugesto que o professor inicie seu trabalho com o lanamento da pelota. Isso no significa que os demais lanamentos no devam ser ensinados. Muito pelo contrrio. Se o objetivo do trabalho levar a criana ao conhecimento do atletismo, todas as suas provas, ainda que sofrendo algumas adaptaes sobretudo em relao aos materiais utilizados, devero ser ensinadas. No difcil observar que dos exerccios individuais aos jogos coletivos, as crianas se envolvem muito com as atividades de lanamentos sobretudo quando h um alvo a ser atingido, uma marca a ser ultrapassada ou uma composio de regras a serem seguidas e isso poder estar presente em todas as provas de lanamentos, como veremos a seguir. LANAMENTO DA PELOTA E DO DARDO Independentemente da faixa etria, as atividades de lanamento da pelota, que podem ser realizadas com bolinhas de borracha ou de meia, correspondem a um bom comeo para aqueles que, mais tarde, lanaro dardos, martelos e discos. Com base em atividades bsicas de lanamentos, as crianas podero vivenciar diferentes possibilidades de movimento, preparando-se para outros tipos que sero mais complexos. O intuito que as crianas se entusiasmem pelos lanamentos, os quais podero ser apresentados por meio de diferentes desafios. Para tanto, sugerimos o desenvolvimento de atividades que observem os seguintes cuidados: realizao de lanamentos variados tanto com a mo direita como com a mo esquerda, em diferentes posies, objetivando o acerto do alvo; distanciamento do alvo, que poder sofrer vrias alteraes quanto altura e direes, sendo fixos ou mveis. A partir do ensino da pelota (200g), as crianas podero ter um contato com o dardo, material que, por regra, composto por cabea, corpo e empunhadura (de corda) obtendo um peso total 800g para os homens e 600g para as mulheres e cujo comprimento dever estar entre 2m60 a 2m70 e 2m20 a 2m30, respectivamente. Aps uma corrida de aproximao num corredor de 4 metros de largura e cerca de 36m50 de comprimento, o lanador efetuar o lanamento de acordo com um estilo considerado ortodoxo, de modo que o dardo seja lanado da altura do ombro e a cabea seja a primeira a tocar o setor delimitado, validando a tentativa. No toa, sugerimos que antes do contato com o dardo propriamente dito, utilize-se materiais alternativos at chegar-se ao manuseio do prprio implemento. Ou seja, que se parta do movimento aprendido no lanamento da pelota, adequando-se ao novo material o qual, inicialmente, poder ser um cabo de vassoura ou um dardo de bambu com um corpo mais curto; que se inicie o movimento sem deslocamento e fora do setor de lanamentos; que se introduza603

uma corrida de aproximao curta conjugada com o lanamento do dardo propriamente dito; que se amplie a distncia e velocidade da corrida de aproximao, levando a criana ao desenvolvimento da atividade no prprio setor de lanamento; que se coloque cordas delimitando o espao definido por regra para a queda do dardo e marcaes horizontais delimitando algumas distncias para que a criana tenha noo do quanto est lanando em cada uma de suas tentativas. Contra a parede Alunos dispostos em duplas, distantes 4 metros de uma parede. Com a posse de uma bolinha de borracha, o primeiro aluno realizar a passada cruzada do lanamento do dardo lanando a bolinha contra a parede, a qual dever ser recuperada, ainda no ar, pelo segundo que realizar o mesmo movimento e assim sucessivamente.

rea destinada ao posicionamento das duplas 4metros

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LANAMENTO DO DISCO Ainda que receba pouca ateno por parte daqueles que trabalham com crianas, o lanamento do disco uma prova que poder entusiasm-los muito. Obviamente, que dada a dificuldade de manuseio do material, as crianas, ao menos inicialmente, devero realiz-lo por meio de materiais adaptados para a execuo dos exerccios, enquanto que a partir desta idade, o disco (com um menor peso) poder ser introduzido nas atividades, mesclando-se ao uso de outros materiais como bolas de borracha, garrafinhas de plstico e pratos de papelo. A sugesto, portanto, que o professor no deixe de ensinar o lanamento do disco, mas, que o faa pautando-se na utilizao de materiais alternativos sem, contudo, deixar de tomar os devidos cuidados em relao segurana das crianas, no permitindo, inclusive, que haja qualquer uma delas prxima ao raio de execuo do lanamento, sobretudo se no houver a gaiola de proteo no setor. Como se sabe, o lanamento do disco hoje disputado por homens e mulheres, a partir de um crculo de concreto, com 2m50 de dimetro, envolto por uma gaiola de proteo. O disco, que pode ser de madeira ou metal, pesar 2,0kg para os homens e 1,0kg para as mulheres, sendo que em uma competio, cada participante ter direito a trs lanamentos e os oito melhores mais trs, sendo vencedor aquele que lan-lo a maior distncia dentro do setor de lanamento, cujo ngulo de 34,92o. Vale lembrar que ser desclassificado o participante que tocar a borda superior do crculo ou o terreno fora dele, e deixar o setor de lanamento pela frente do meio crculo. Dos diferentes estilos tcnicos que podem ser empregados no lanamento do disco destacaramos o lanamento simples, o lanamento com troca de ps e o lanamento com giro. Dada a especificidade do material, sugerimos, independentemente da faixa etria, atividades que inicialmente: envolvam o manuseio do disco, sem que haja a execuo do lanamento propriamente dito; envolvam um pequeno lanamento, sem deslocamento e sem que haja uma preocupao com a distncia a ser atingida; adaptem o material, ampliando as possibilidades de movimentos e conhecimento de estilos que envolvam desde o deslocamento dos ps at a tcnica do giro, dependendo das possibilidades apresentadas pela criana; tenham cordas delimitando o setor de queda e marcaes horizontais delimitando algumas distncias para que a criana tenha noo do quanto est lanando em cada uma de suas tentativas. Ainda que em termos de jogos pr-desportivos sejam poucas as atividade sugeridas pela bibliografia da rea, sugerimos algumas que podero ser utilizadas no desenvolvimento da aprendizagem.

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Adaptao da dana das cadeiras Alunos dispostos em volta de um crculo de arcos. Ao incio da msica, correro pelos arcos ocupando um deles quando o professor deslig-la. Haver um arco a menos em relao ao nmero de participantes. Durante a prxima partida, aquele que no conseguiu entrar dentro do arco, realizar o movimento do lanamento do disco em um arco colocado ao lado do crculo, reintegrando-se ao crculo principal na prxima partida.

Crculo de arcos

Estrutura da atividade

Arco reservado para o aluno que no conseguir um dos arcos ao final da msica.

LANAMENTO DO MARTELO Composto por cabea, cabo e empunhadura, com um peso oficial de 7,260kg para os homens e 4,0kg para as mulheres, lanado dentro de um crculo de 2m135 de dimetro, a partir de uma posio estacionria, o martelo quase sempre deixado de lado quando o assunto o ensino do atletismo. Entretanto, no h razo para isso, afinal, este implemento tambm poder sofrer adaptaes de maneira que a criana possa conhec-lo mais a fundo. Sugere-se, portanto, a construo de martelos utilizando-se meias de seda ou elstico, para a confeco do cabo, anis de papelo (de fita crepe, por exemplo), para a confeco da empunhadura e uma bolinha de meia para a confeco da cabea do martelo, colocando-se, se necessrio, areia em seu interior, a fim de no comprometer a dinmica do lanamento. Assim como as demais provas, esta tambm pode ser ensinada em qualquer faixa etria, observando-se, obviamente, a complexidade tcnica a ser exigida e a adequao do material ao grupo de crianas. Assim, sugerimos que para o ensino do lanamento do martelo, o professor, atento ao que foi observado anteriormente, realize atividades que inicialmente envolvam: o manuseio do martelo (alternativo), sem que haja o lanamento, mas, apenas o movimento dos molinetes; os giros, tentando conciliar o movimento dos molinetes com um giro ou dois; um pequeno lanamento do martelo, sem deslocamento dos ps ou preocupao com a distncia a ser atingida; preocupao com a queda do material dentro do espao definido por

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regra e nas marcaes horizontais delimitadas no setor de lanamentos para que a criana tenha noo do quanto est lanando em cada uma de suas tentativas. Batata quente adaptada ao martelo Alunos dispostos em crculo, com uma distncia de 10 metros entre eles. Ao sinal de um dos alunos que estar fora do crculo, os demais iniciam o lanamento de um martelo confeccionado com meia de nylon e bolinha de jornal, de modo que o recebam de frente para o aluno que o lanou e de costas para o prximo integrante do crculo. Quando o aluno que estiver fora disser: parou, quem estiver com o martelo adaptado ir para o seu lugar. Disposio dos alunos em crculo

As setas ( ) indicam a posio dos alunos e as flechas ( ) indicam o sentido dos lanamentos.

ARREMESSO DO PESO Assim como os demais implementos, o peso pode sofrer adaptaes quanto ao material a ser utilizado na aprendizagem da prova especfica. Sugere-se, por exemplo, que os materiais possam ser maiores do que os oficialmente utilizados, sendo, portanto, comum o uso do medicinebol. Bolinhas de meia e de borracha podero ser utilizadas, ainda que seja oportuno que o peso do material (no caso, muito leve) no comprometa a aprendizagem. Assim como nas demais provas, sugere-se que o ensino de tcnicas mais aprimoradas ocorra de acordo com as possibilidades demonstradas pelos alunos, de modo que o professor dever partir, inicialmente, de atividades que envolvam o arremesso do peso parado, sem deslocamento at realizar a introduo do deslocamento lateral (sem e com troca de ps), ou estilos como: OBrien e a tcnica do giro, se for possvel. Independentemente do estilo tcnico, o aluno dever estar atento as regras oficiais do arremesso do peso, de modo a garantir a validao de suas tentativas. Ou seja, essa prova que masculina e feminina disputada a partir de um crculo de concreto com 2m13 de dimetro, arremessando-se um peso de metal de 7,260kg para homens e 4,0kg para mulheres. Assim como em outras provas de campo, cada participante ter direito a trs arremessos e os oito melhores mais trs, sendo vencedor aquele que arremess-lo em maior distncia dentro do setor de arremessos. Sero anuladas as tentativas em que o607

participante,

durante o arremesso, tocar a borda superior do crculo ou o terreno fora dele;

arremess-lo para fora do setor de arremessos cujo ngulo de 34,29 e deixar o setor de arremesso pela frente do meio crculo. Cabe ainda ressaltar que muito comum que a criana, na tentativa de executar um arremesso, realize um lanamento, o que alm de ser errado em termos da tcnica e das regras especficas que exigem que ele seja arremessado a partir do ombro, com uma das mos, estando bem prximo ou tocando o pescoo ou o queixo, poder comprometer sua estrutura ssea e muscular. Atento a este particular, sugerimos que o ensino do arremesso do peso siga as seguintes orientaes: arremessar o peso partindo-se de uma posio estacionria, sem deslocamento; arremessar o peso, com deslocamento lateral, inicialmente sem troca de ps e depois, de acordo com as possibilidades da criana, executar a troca; realizar o arremesso tentando atingir um alvo no ar, j que muito comum a execuo do arremesso em linha reta. Ex: tentar atingir o centro de um arco suspenso; colocar cordas delimitando o espao definido por regra para a queda do peso e marcaes horizontais delimitando algumas distncias para que a criana tenha noo do quanto est lanando em cada uma de suas tentativas. Contagem regressiva Duas equipes com nmeros iguais de integrantes, distantes 5 metros. O professor far uma pergunta relacionada ao atletismo para os integrantes da equipe 1 que devero respond-la dentro de um tempo mximo de 30 segundos. Ao respond-la, cada integrante realizar um arremesso lateral (com bolinha de meia) para os integrantes da equipe 2. Se a resposta estiver correta, a equipe 1 marcar um ponto e a equipe 2 receber uma nova pergunta; se estiver incorreta, a prxima equipe dever respond-la e assim, sucessivamente. Ganha a equipe que responder um maior nmero de questes corretamente.

1

2 22 22

As setas indicam o sentido em que as equipes executam os lanamentos

3

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CONHECENDO AS PROVAS COMBINADAS Oficialmente, o decatlo (10 provas) e pentatlo (5 provas), para os homens e o heptatlo (7 provas) e decatlo (10 provas), para mulheres, so as provas combinas conhecidas. Para crianas, entretanto, outras provas podero ser criadas dentro daquilo que fora ensinado no perodo anual destinado ao ensino do atletismo. Isso, inclusive, poder funcionar como uma tima sugesto para avaliao do que foi ensinado durante o perodo, alm de servir como uma motivao para as crianas tendo em vista o sistema de acmulo de pontos que envolvem estas provas. Sugere-se que, no mnimo, um triatlo seja organizado com as crianas ao trmino das atividades do perodo, onde podero ser realizados, por exemplo: uma prova de 50 a 75 metros rasos (de acordo com a idade); o salto em distncia (ou altura) e o lanamento da pelota. Em turmas mais avanadas, sugere-se a incluso de outras provas: como o arremesso do peso, 1.000 metros rasos e 60 metros com barreiras. Sem grande nfase no carter competitivo do evento, mas frisando a importncia de se realizar da melhor forma possvel aquilo que foi aprendido durante o perodo, o professor poder, para efeito de organizao, pontuar as provas de acordo com a classificao. Ou seja, o resultado final da competio est condicionado ao menor nmero de pontos conquistados por cada participante em todas as provas. Assim, quem ficar em primeiro lugar na prova, marcar um ponto; quem ficar em segundo, marcar dois pontos; e assim sucessivamente. Ao final, somam-se todos os pontos, vencendo o que obtiver um menor nmero. Entretanto, outras atividades podero ser realizadas a fim de que as crianas conheam a composio das provas combinadas, conforme sugeriremos a seguir:

CONHECENDO O DECATLO MASCULINO Formar duas equipes com nmeros iguais de integrantes. O professor entregar pequenos papis onde constem os nomes de todas as provas do decatlo masculino e, com base em algumas pistas, as crianas devero organiz-las de acordo com a ordem da competio. Ex: 1. as provas so realizadas em dois dias; 2. so realizadas 5 provas em cada um dos dias; 3. o dia sempre inicia e termina com uma prova de corrida; 4. h uma alternncia entre provas de corridas, saltos, arremessos e lanamentos; etc. Aps 5 minutos de atividade, o professor confere a ordem, faz as correes se necessrio for e atribui pontos equipe que respondeu corretamente. (Ordem: 1o. dia: 100m rasos, salto em distncia, arremesso do peso, salto em altura, 400m rasos; 2o dia: 110m c/barreiras, lanamento do disco, salto com vara, lanamento do dardo, 1500m rasos).

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DIFERENTES POSSIBILIDADES DE COMPETIES E ATIVIDADES EM DIAS DE CHUVA Ainda que a competio parea ser algo inerente ao trabalho com o atletismo, o professor dever ter o cuidado de trat-la como um fator que favorea motivao de todas as crianas sem distino, pensando em estratgias para no gerar a excluso de alguns ou a rotulao do melhor e do pior entre o grupo de crianas. Ou seja, a competio deve funcionar como um estmulo positivo e no o contrrio. Nesse sentido, o professor dever promover diferentes formas de competio que abarquem desde as gincanas, capazes de propiciar a maior interao entre o grupo, at as competies individuais, envolvendo as provas especficas do atletismo, onde a criana poder verificar qual seu melhor resultado individual, sem uma nfase comparativa em relao s demais. Assim, por meio da gincana, o professor poder complementar um trabalho que, muitas vezes, ocorre solitariamente, dado que o atletismo um esporte individual e, na maioria das vezes, tratado de forma isolada; e, por meio da competio, far com que a criana se depare com os limites momentneos de suas prprias possibilidades dentro daquilo que aprendeu em relao ao contedo desenvolvido. Das inmeras possibilidades de gincanas que nada mais so do que combinaes de atividades variadas, ilustraremos este item com atividades bastante simples, mas, capazes de orientar a criao de outras mais adequadas realidade de cada profissional. Alfabetismo Alunos divididos em duas equipes, sentados em colunas, de frente para a lousa onde h um alfabeto para cada uma. Ao sinal, o primeiro da equipe ir at a lousa e escrever algo que esteja relacionado ao atletismo: ex: altura; bloco de sada; corridas; dardo etc. Dentro de um tempo definido pelo professor, marcar mais pontos quem completar o maior nmero de letras corretamente. CONSIDERAOES FINAIS No seria demais reforar a importncia que o atletismo assume na formao da criana em qualquer faixa etria. Sem exigir materiais muito complexos, formado por regras fceis e de aprendizagem rpida e que se repetem em muitas das provas, o atletismo composto por movimentos que motivam todos aqueles que o praticam. Contudo, tratado, muitas vezes, como um esporte de base para as demais modalidades, a especificidade do atletismo, quase sempre deixada em segundo plano, comprometendo o conhecimento mais amplo dessa modalidade esportiva. Assim, se faltam professores dedicados ao trabalho com o atletismo, tambm faltam aqueles que se dedicam ao ensino desta modalidade esportiva por ela mesma. Ou seja, faltam programas de atividades fsicas que visem ensinar o atletismo em si, propiciando s crianas um610

reconhecimento daquilo que aprenderam ao se depararem com a execuo de grandes atletas em competies televisivas. A esperana que este texto e o material de ensino (completo) elaborado possam configurar-se em uma palavra de incentivo aos profissionais de Educao Fsica, demonstrandolhes as facilidades de se trabalhar com o atletismo em qualquer faixa etria, quer por meio de jogos pr-desportivos ou de atividades mais tcnicas, aglutinando ao seu redor um grande nmero de praticantes. S preciso comear! REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ARAUJO, R.; VILA NOVA, I. Atletismo na escola. Recife: Secretaria de Educao de Pernambuco, 1980. BARBANTI, V. J. Atletismo: corridas. So Paulo: [s.n.], 1972. BUSANICHE, C. M. Atletismo: juegos y ejercitaciones para una historia de movimientos. Buenos Aires: Direccion Nacional de Educacion Fisica, Deportes y Recreacin, 1967. 43p. (Srie Coleccin Didctica). FERNANDES, J. L. Atletismo: arremessos. 2. ed. rev. So Paulo: EPU, 1978. 127p. GOMES, A. C. Inicie brincando no atletismo: saltos. Arapongas, PR: [s.n.], 1985. 107p. GONCALVES, J. Saltos: coletnea de exerccios. So Paulo: [s.n.], 1971. 21 p.. KIRSCH, A.; KOCK, K; ORO, U. Antologia do atletismo: metodologia para iniciao em escolas e clubes. Rio de Janeiro: Ao Livro Tcnico, 1984. 179p. KOCH, K. Carrera, salto y lanzamiento en la escuela elemental. Buenos Aires: Editorial Kapelusz, 1973. 83p. SO PAULO. (Estado). Coordenadoria de Estudos e Normas Pedaggicas. Subsdios para implementao do guia curricular de educao fsica para 1. Grau - 5. a 8. sries: atletismo. So Paulo: SE/CENP, 1978. 181p. SO PAULO. (Estado). Secretaria da Educao. Educao Fsica 1 grau- 5 8 sries. So Paulo: SE/CENP, 1994. v. 2. SILVA, J. F. da. Atletismo: corridas. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1978. 101p. SCHULZ, H. Por el juego al atletismo: iniciacion atletica para el Jardin de Infancia, la Escuela Primaria, el Club y el Hogar. Buenos Aires: Kapelusz, 1976. 95p. TEIXEIRA, M. S. Atletismo da iniciao a tcnica: corridas, saltos, arremessos. So Paulo: OBELISCO, 1973. 231p.

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