JORNAL PEDAL Nº7

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    08-Mar-2016
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ediçao de agosto

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  • N M E R O S E T E

    A G O S T O

    G R A T U I T O

  • BORA L PRA fORANo campo ou na cidade, a Merrell convida todos a ir para a rua e viver experincias nicas. Passeios, provas, momentos e ambientes, onde o objectivo deixar um rasto de boas prticas sociais, ambientais e de cidadania por todo pas. H passeios de bicicleta em Lisboa e no Porto - sete passeios em que cada um representa uma cor do arco-ris e onde cada participante convidado a levar roupa e outros acessrios da respectiva cor -, caminhadas, observao de aves, passeios de BTT, aces de voluntariado, visita a feiras, participao em exposies ou realizao de provas em parques naturais que so verdadeiras aventuras, um pouco por todo o pas. Os Desafios Merrell tm ainda uma componente social, onde as vendas de alguns produtos revertem integralmente a favor de instituies de responsabilidade social e ambiental.Em Setembro, esto j marcados, por exemplo, passeios de bicicleta nos dias 2 (Porto), 22 (Passeio Mobilidade Sustentvel em Lisboa) e 30 (Lisboa). Todas as datas de outras provas e desafios podem ser consultadas no Facebook da Merrell ou em desafiosMerrell.com.

    LOw BROS E "wILd CATS" NA MONTANAAt 1 de Setembro, pode ser vista, na Montana Shop & Gallery Lisboa, a exposio "Wild Cats", dos alemes Low Bros. Qbrk e Nerd so dois irmos, vivem e trabalham em Berlim e comearam desde pequenos a brincar com lpis e pincis e a criar mundos de fantasia no quintal l de casa. Ligados ao Grafitti, so co-fundadores da Crew TPL e da The Weird e pintam juntos desde sempre. proibido no fazer uma visita aos seus gatos selvagens geomtricos e cromticos que andam solta e mo de semear nesta loja-galeria do Bairro Alto. montanashoplisboa.com

    SPECIALIzEd RECICLA fIBRA dE CARBONOIndo ao encontro dos princpios de sustentabilidade da marca para um melhor ambiente, a Specialized acaba de criar um processo de recolha de fibra de carbono para que as bicicletas de carbono passem a dar origem a novos objectos em vez de irem parar aos aterros sanitrios. Este processo de reciclagem "consiste em cortar quadros em seces mais pequenas e, de seguida, num ambiente livre de oxignio queimar o epxi (resina) que une as fibras", possibilitando a sua reutilizao. Os quadros velhos de bicicletas podem ser entregues em qualquer loja Specialized que faa parte deste projecto. Mais informaes nos pontos de venda ou em specialized.com.

    MERCAdO 560 ChEGA ESTE MSA partir de 20 de Agosto, h um novo mercado para a compra de roupa, msica, livros ou trabalhos de jovens artistas e designers, entre outros. Chama-se Mercado 560 e uma "loja online que promove um estilo de vida urbano e alternativo, que divulga a criao nacional e que, para alm de apresentar e apoiar novas marcas, pretende aproximar outras j estabelecidas no mercado ao seu pblico alvo." Defende a produo nacional, da chamar-se 560 (incio do cdigo de barras atribudo aos produtos frabricados em Portugal), mostrando que o nosso pas produz produtos to bons ou melhores que os de fora. Ms de ir s compras em mercado560.com.

    MILhES dE PEdALAdAS AT BARCELOSTrs pessoas, trs bicicletas, entusiasmo para pedalar, uma grande vontade de ver concertos dos bons e um carro de apoio. Eis os ingredientes para uma viagem de bicicleta, em dois dias, de Lisboa at ao festival Milhes de Festa, em Barcelos, com espao para uma noite de descanso na Figueira da Foz. Os audazes so trs Camisolas Amarelas da Sevenwheels, Fbio Gonalves, Ricardo Flores e Joo Pinheiro (tambm editor do Pedal), que fizeram 370km em bicicletas fixed gear, provando que se o conseguiram fazer, sem dramas, qualquer pessoa tambm pode comear a usar (mais) a bicicleta no dia-a-dia, de casa para o trabalho, para a escola e afins. sevenwheels.pt

    fUSO 2012 vdEO ARTE EM ESPREGUIAdEIRASLisboa prepara-se para receber o FUSO Festival Anual de Vdeo Arte Internacional. De 22 a 26 de Agosto, deitemo-nos nas espreguiadeiras nos jardins, terraos e esplanadas de Lisboa para viajar em vdeos, num percurso temtico abrangente, fora do contexto habitual de galerias e museus apresentado ao ar livre, com entrada gratuita. Resultado de parcerias nacionais e internacionais, a programao feita por Dalia Levin, Franoise Parfait, Isabel Nogueira, Jean-Franois Chougnet, Joo Laia, Jos Drummond e Solange Farkas, havendo ainda espao para exposio com curadoria de Nuno Crespo, entre 21 de Agosto e 7 de Setembro, no BES Arte e Finana.Toda a programao em fusovideoarte.com.

    CURSOS dE CONdUO dE BICICLETA E MECNICA: PRxIMAS ACESA Cooperativa POST oferece formao especfica para quem pretende comear a usar a bicicleta e aprofundar conhecimentos sobre conduo em estrada e meio urbano. So ainda ministrados cursos de mecnica simples para o dia-a-dia e assistncia em viagem, ideal para quem pretende aumentar a sua autonomia na estrada. Mais informaes e inscries em postcoop.org.

    01/09/2012

    10:00 12:30 Aprender a Andar de Bicicleta

    15:00 17:30 Aprender a Andar de Bicicleta

    15/09/2012

    10:00 13:30 Conduo de Bicicleta na Cidade - Nvel Iniciado

    15:00 18:00 Conduo de Bicicleta na Cidade - Nvel Avanado

    29/09/2012

    10:30 12:30 Mecnica da Bicicleta

    Traves e Mudanas

    14:30 16:30 Mecnica da Bicicleta

    Rodas e Pneus

    17:30 19:30 Mecnica da Bicicleta

    Identificar Problemas e Encontrar Solues

    13/10/2012

    10:00 12:30 Aprender a Andar de Bicicleta

    15:00 17:30 Aprender a Andar de Bicicleta

    27/10/2012

    10:00 13:30 Conduo de Bicicleta na Cidade - Nvel Iniciado

    15:00 18:00 Conduo de Bicicleta na Cidade - Nvel Avanado

    ALI NA dOCA dO ESPANhOLD para ver pelo vidro que a cozinha passou a oficina e que as mesas passaram a objectos ciclo mecnicos. em Lisboa, em Alcntara, na Doca do Espanhol, entre coisas de comer e beber mesmo debaixo da ponte vermelha e do zumbir dos automveis l em cima. No se sabe ao certo se uma galeria, loja ou fantasia mas certo que h indcios de algo dedicado ao culto das rodas, espiges e pedais. Passem por l e espreitem. Doca de Santo Amaro, Lisboa.

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    C U R T A S

    E D I T O R I A L

    N#7 AGOSTO dE 2012ficha Tcnica: director: Brulio Amado (BA) [email protected] director Adjunto: Lus Gregrio (LG) [email protected] Editor: Joo Pinheiro (JP) [email protected] Redaco: Ricardo Sobral (RS)

    [email protected], Joo Bentes (JB) [email protected], Duarte Nuno (DN) fotografia de capa: Ricardo Filho de Josefina Colaboraram nesta edio: fotografia: Ricardo Filho de Josefina Ilustrao: Bruno Santo, Sofia Morais Banda desenhada: Rick Smith Reviso: Babelia Tradues babelia.pt design e direco de Arte: Estdio HHH Comunicao: Helena Csar (HC) [email protected] departamento Comercial: e-mail: [email protected]

    jornalpedal.com tlm: 915044437/935586915/933514506 distribuio: Algarve: Bike Postal Porto: Roda Livre Lisboa: Camisola Amarela JORNAL PEDAL uma marca registada / Morada: Praa Gonalo Trancoso no2 2o esq, 1700-220 Lisboa Tel: 935586915/933514506/915044437 e-mail: [email protected] web: facebook.com/JornalPedal / jornalpedal.com / twitter.com/JornalPedal Impresso: Empresa Grfica Funchalense S.A.

    funchalense.pt | email: [email protected] Tel. 219677450 Fax 219677459 Tiragem: 5.000 exemplares Depsito Legal: 340117/12 O JORNAL PEDAL faz parte da Cooperativa POST postcoop.org Jornal Pedal uma publicao gratuita que no pode ser vendida.

    O Agosto do Pedal trrido, quente e seco. Mostram-se os raios de sol cravados nas mangas e aceita-se a testa sempre escorregadia. Procuramos insistentemente a gua, seja ela entre os preparativos de viagens de Vero em bicicleta, dos 60 aos 700 quilmetros, numa Lisboa submersa at s sete colinas ou em mergulhos com rodas s costas. O mestre de cerimnias do "Festen", que um Bondam, salpica-nos com notas de poltica internacional e um Glue que tambm da galeria das latas, molha-nos com a Montana do Bairro Alto. H um Unhais suado escondido na Serra para descobrir com o Pedal e a Specialized, um Grmio com refrescos vitamnicos virado para o Ouro para baixar a temperatura e um prmio Brompton para um desafio criativo. Mergulhem nas folhas. JB

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    l o r d m a n t r a s t e . b l o g s p o t . p t

  • Ateno! Nesta estao, menos bicicletas iro circular nas nossas cidades, mas mais iro circular em famlia ou entre amigos, acompanhadas ou sozinhas, todo--o-terreno, estradeiras ou fixed gear, na

    cidade ou junto natureza, por lazer ou mesmo turismo.O Vero est para durar, assim como a vontade de ir de

    frias e andar de bicicleta nunca h-de acabar.A pensar nisso fizemos umas perguntas a quem passa

    ou passou as frias a viajar de bicicleta. Desde uma viagem de 62 quilmetros, mais uns trocos, pela zona da Nazar feita por Csar Marques com a sua famlia, at aos 700 quilmetros percorridos por Rui Henriques pelas margens do rio Danbio, que com os seus dois amigos foram de Passau, Alemanha, at capital da Hungria.

    Tudo comea com os preparativos. Uns nada ou quase nada preparam, quase montar na bicicleta e ir, caso do Joo Pinheiro e do Eduardo Mendona, sendo que o primeiro, para j, tinha um carro de apoio que foi carregado pressa na noite anterior e a nica coisa que foi planeada foi a nica estadia que precisavam. J o Eduardo montou o rack, levou cmaras-de-ar e optou pelo couchsurf que teve de marcar com os anfitries das casas. Pelo outro lado, temos o Rui que, quando foi pelo Danbio, comprou guias, mas quando fez a Via Algarviana, fez o mesmo que a Joana Janeiro quando foi da capital at Lagos: simplesmente descarregou o percurso GPS (viaalgarviana.org) e levou tenda. Para um pai como o Csar, a viajar com os dois filhos, a preparao foi total, comeando pelo percurso que

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    ViAgenSPeLA TeRRA

    tinha de ser seguro, pois so pequenos, at dormida e alimentao, estava tudo acautelado. Filipe Correia teve uma preparao de mdio prazo, tanto a nvel da alimentao como fisicamente. Vegan desde h uma dcada, cortou nos acares antes da viagem de Lisboa a Faro, passando por Sagres, no dia que partiu. Um prato de esparguete integral foi o seu pequeno-almoo e para a viagem levou uns cubos de marmelada, frutos secos e bananas. Fisicamente, corre e fazia 30 quilmetros noite de bicicleta com amigos.

    Quando fizemos a pergunta Qual a tua prxima viagem ou a que gostavas de fazer? todos foram unnimes e disseram que queriam fazer mais viagens tanto em Portugal como fora. Sugestes: Eco-pista do Do (Csar), Pirinus passando por Tourmalet (Eduardo), Eco-via Lisboa-Badajoz (Corina Chaves), Costa Oeste (Joana Janeiro), Oviedo-Lisboa (Rui Henriques), Faro-Lisboa (Filipe Correia) e Tria-Sagres (Joo Pinheiro). E estes so s alguns desejos destes ciclistas.

    Muitos quilmetros ou poucos, de certo que existem episdios que marcaram a viagem pela negativa, positiva, curiosidade ou estranheza, porque quando uma pessoa viaja de bicicleta consegue interagir com o que a rodeia ao contrrio de outros meios de transporte onde vamos enclausurados. A Corina teve uma gaivota ladra que a tentou roubar. Depois, temos um caso que parece um espelho, a Joana encontrou um casal francs com os seus trs filhos, todos com a sua bicicleta e os mais velhos j levavam a sua prpria carga, enquanto

    o mais novo ia atrelado bicicleta do pai. O Csar disse que se lembra do ar de estranheza das pessoas com quem se cruzava, pois levava os seus filhos. Enquanto esperava pelo seu amigo, o Eduardo foi abordado por quem passava para perguntarem se ele precisava de ajuda, se calhar quem precisava de ajuda era o seu amigo a subir a Serra de Monchique. Na margem do Danbio, o Rui achou incrvel a quantidade de ciclistas que por l passavam, outra realidade possivelmente.

    A maior parte das pessoas, a quem agradecemos ter respondido s perguntas, comea a resposta Tinha a expectativa que ia ser difcil mas possvel... (Filipe), Pensei que fosse mais difcil percorrer tantos quilmetros... (Joana) ou Pensei que me fosse doer um pouco... (Rui). Portanto, podemos concluir que fazer 100, 200, 500 e mesmo 700 quilmetros sempre possvel, com ou sem preparativos. Desde que uma pessoa queira fazer, sempre possvel fazer-se qualquer viagem.

    Esta concluso foi o resumo de quando perguntamos O que recomendarias a quem queira fazer esta viagem?.Pena o ano ter s 365 dias, porque para muitos de ns, so poucos dias para andar de bicicleta por ano. E conhecer o nosso pas, pois existem ainda muitas belas paisagens e pessoas com quem nos cruzamos nessas viagem.

    Aproveitem o que sobra ainda do Vero e viajem, viajem de bicicleta. Um conselho meu, que tambm j fiz uma viagem destas: usem creme protector solar, bebam muita gua, alimentem-se e, o mais importante que tudo, DIVIRTAM-SE.

    Por Duarte Nuno

    DR

  • Todos os Veres era sagrado, ia para terra do meu pai, como eu escrevia na composio do primeiro dia de aulas pedida pela professora. Mas tambm amos a seguir ao Natal e foi num Natal que a minha

    av, ao ver uma notcia de inundaes no Dafundo, me perguntou: A gua chega vossa casa?, a olhar para a televiso e a dizer: Ai, meu Deus! Olha para aqui Isabel! ela era muito devota a Deus.

    Se chegasse gua minha casa dizia eu, com -vontade, rindo, metade de Lisboa estava debaixo de gua.

    S agora que me apercebo que ela ainda no tinha vindo a Lisboa e, quando veio, em frente s Amoreiras disse, alto e bom som: A lua aqui diferente do que na Macida.

    Bem. O disparate de que eu h muitos anos me ri, agora nem tanto, porque com o aumento do nvel do mar, muito rpido, s as sete colinas ficaram de fora. Ainda ningum sabe a razo do acontecimento natural. Tenho para mim que no foi nada de natural.

    Tive que mudar-me para um ponto alto rapidamente.Estamos c h pouco tempo, portanto ainda no

    percebi muito bem onde estamos, mas estamos bem.Uma vizinha minha, de quem no gosto muito mas com

    quem j fiz as pazes, por acaso ficou ao p de mim. Diz que estamos em Porto de Ms. possvel... porque, no castelo onde estamos alojados, os zimbrios so verdes. H comida, gua no falta e temos paz entre as pessoas. Nestes momentos s o que se pretende.

    Passados seis meses, a comida comeou a escassear, a gua no aumentava nem diminua, excepto a potvel

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    ATe DeBAiXO De AgUA'

    'que cada vez diminua mais e a paz ia pelo mesmo caminho, downhill a uma velocidade bruta.

    Antes que na ilha do castelo de Porto de Ms a paz d lugar a outra coisa, amanh meto-me num barco e remo dali para fora sozinho.

    Amanh: direco a minha casa em Lisboa.Hoje, j amanh, e bem de manhzinha, pesquei uma vaca

    que vinha a passar morta. Atei-lhe duas ovelhas, que tambm vinham a flutuar mortas, de cada lado para haver equilbrio. Est feito o meu barco. E uma tbua faz de remo e siga!

    Tenho que baptizar o barco, diz que d azar.Fica Cornlia, est feito. Agarrei numa garrafa de

    vidro, enchi de gua do mar e atirei contra o barco. Partiu-se em mil cacos, j no h azar que aparea. Lembrei-me que o Tollan tambm foi baptizado. melhor no lembrar desgraas. Um p no barco e outro na terra, dou um impulso e l vou eu.

    ...J h uma hora que no remava, pois estava uma

    nortada a levar-me para o destino. S utilizava o remo para me desviar de coisas f lutuantes que pudessem impedir-me a marcha e direccionar para o que eu achava que era o sentido Lisboa.

    O remo tambm serviu para enxotar um bando de gaivotas que vieram ao cheiro a comida.

    ...Descubro, passados quatro dias, que estou na

    direco correcta porque avisto o que me parecem ser as torres do Instituto Superior Tcnico. Tenho que me aproximar mais. Correcto e afirmativo, so as benditas

    torres. Fico contente, dou pulos de contentamento mas desequilibro-me e vou gua. Felizmente, estava tudo bem acondicionado, s eu que vou gua. A Cornlia um barco fiel.

    Agora direco Rato. No ando de bicicleta h muito tempo, o meu recorde tinha sido quando fui operado hrnia e tive sem me meter em cima de uma por trs meses. E a cada dia que passa o recorde vai aumentando, mas hoje acaba. Quero ir buscar as minhas bicicletas e andar nelas todas (so s duas).

    Visto o fato de neoprene e mergulho para a minha casa. Destranco a porta, vou pelo corredor, abro a porta que d para o quintal e no as vejo. Com a subida da gua, ficaram penduradas no estendal do vizinho do 2 (no sei como se chama).

    Meto-me em cima de uma e simulo que estou a andar. Meto-me em cima da outra e j ridculo, eu com fato de neoprene de 5 mm e com a garrafa de ar s costas a tentar fazer algo que, quando havia terra, fazia sentido.

    Deixo-as, exactamente, a sem medo que algum as venha roubar.

    Tenho que subir imediatamente pois o manmetro diz

    que melhor. Assim o fao mas o tubo que me alimentava cortado quando passo pela janela em vez da porta. Tento lutar pela minha vida e por uma rstia de ar que me leve superfcie, mas com a aflio de sair perdi o norte e fiquei-me por casa.

    Eu pergunto-me, se morri, como que consegui escrever isto?

    Por Duarte Nuno

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  • Sair noite ainda no sinnimo de pegar na bicicleta, mas j se tornou comum encontrar o n.14 da Rua da Rosa envolto por pessoas e bicicletas em noites de Bairro Alto. A Montana Shop & Gallery quase to multifacetada como um dos seus fundadores, Miguel Negretti. A loja est aberta durante o dia e, noite, tem acolhido mensalmente inauguraes de exposies ou outros eventos, alguns relacionados com o mundo da bicicleta. H algo a passar-se nesta loja e tudo gira em torno das paixes de um dos proprietrios.

    O palco loja que o Miguel abre com quatro amigos aps assentar da agitao de onze anos a tocar com Da Weasel, J pinto h 16 anos e, na altura que Da Weasel acabou, j andava a pensar em abrir uma cena minha. O Graffiti o meu hobby e desde o incio havia lojas que tinham latas mas no havia uma loja especificamente de Graffiti, em que tu sabias que podias encontrar aquela cor em particular.

    A banda de Almada cresce mantendo a sua humildade e a experincia de lidar com variadssimos pblicos e chegar a enfrentar uma multido de 100 mil pessoas permite ao Miguel viver novos desafios com uma confiana e sensibilidade diferentes, agora consigo fazer a minha cena como se estivesse em casa a curtir e consigo reagir s pessoas que reagem msica. O Miguel continua a ser o DJ Glue e mantm-se ocupado com os pratos. Produz alguns edits para consumo prprio na cabine e toca "basicamente todos os fins-de-semana" mas, neste momento, encara tambm, diariamente, os clientes e curiosos que vo passando pela Montana Shop & Gallery.

    Grafitti a cidade e no h nada melhor para descobrir uma cidade do que andar de bicicleta.

    A bicicleta esteve sempre presente na sua vida, comeou no BMX mas passou os truques para o fixed gear freestyle e desloca-se diariamente na sua bicicleta de pista. Lisboa e Almada so o seu veldromo. Quando o fixed gear comeou a ser mais conhecido, foi quando comecei novamente a dedicar-me mais bike., explica.

    O Miguel de Almada, no h dvida, daquilo que a rua nos ensina e onde Miguel foi deixando a sua marca, e a bicicleta fez parte desse processo: Na altura em que pintava mais, andar de bike ajudou-me tambm a descobrir stios para pintar. Agarrava nela e ia dar voltas para procurar novos stios. Alis, cheguei a pr-me em cima dela

    para conseguir pintar em stios mais altos. Hoje as latas encontram-se dentro de quatro paredes, novas, prontas para encontros com outras superfcies. O Graffiti como origem tem, nesta galeria, um espao para o Street Art.

    Comecei a querer passar algumas das minhas cenas para telas. Comear a pensar assim uma evoluo natural de quem pinta h muito tempo. Comeas a ver aquilo muito parado e queres experimentar outras coisas.

    Pela galeria da Montana j passaram dezenas de artistas nacionais e internacionais (alguns j participaram com ilustraes aqui no jornal) e tem sido o epicentro de uma sub-cultura lisboeta, longe do mercantilismo de outros meios artsticos. Entre todos os artistas que passaram pela Montana, h algo que os une: o universo do Graffiti. Muitos artistas j passaram pela galeria para mostrar o seu porteflio, mas o Miguel mantm-se firme: ns fazemos questo que a pessoa pinte actualmente ou j tenha pintado e tenha um papel importante no crescimento da cena do Graffiti em Portugal. Confunde-se bastante a cena do Graffiti com o Street Art. Agora h um boom do Street Art em Portugal e l fora, mas Graffiti e Street Art so coisas diferentes. Graffiti so letras, bombing, tags, pintar combios,

    cenas da cidade

    etc.; Street Art nasceu do Graffiti, de querer expor as suas cenas. Alguns comearam a utilizar como base de ferramentas o spray, porque para pintar rpido e podes pintar rapidamente na rua, mas so duas coisas bastante separadas, mas quem vem expor tem sempre

    esse background de rua, mais hardcore.

    Apesar do Miguel referir que ainda h muitas coisas a fazer pela galeria, para ser mesmo uma galeria, j recebeu mais de 30 artistas, durante os seus trs anos de existncia. Mesmo enveredando nesta aventura mais ou menos sozinho e partilhando o seu trabalhado entre a galeria e a loja, o ritmo em que as exposies se vo sucedendo alucinante, e Miguel chegou concluso que talvez um ms por artista seja insuficiente, h pessoas que querem bastante ver uma exposio, e um ms pouco. Por isso, vamos passar para um ms e meio, o que d nove artistas por ano.

    O Miguel est bastante satisfeito com o trabalho desenvolvido at aqui, mas pretende elevar um pouco a fasquia e gostava de

    acrescentar o Coffee ao Shop & Gallery, como j acontece por Barcelona. Tornar a Montana Lisboa uma maior referncia para a Graffiti, um caf lounge para os writers se encontrarem e estarem a beber um copo ou caf, entre artistas, amigos, para fazerem uma cena um bocadinho mais forte. O tempo que tem para dedicar galeria usado para escolher os artistas e tratar de toda a logstica e promoo. Longe da agitao de um mercado de arte, o Miguel sabe que ainda h muito por explorar.

    Tenho pena de no me desdobrar em mais pessoas e conseguir fazer mais ainda.

    As diferentes latas, cores, edies limitadas e comemorativas so impressionantes, h tambm uma parafernlia de outros objectos prontos a largar tinta, prints de vrios artistas, livros relacionados com o universo da loja, mas tambm edies dedicadas bicicleta ou mesmo roupa e outras coisas coleccionveis

    Esta loja em nada tem a ver com as falsas questes que nos vendem do empreendedorismo ou iniciativa jovem. Nasce sim de uma vontade e de uma paixo (ou sua multiplicidade), de algum que acredita numa ideia, vira-se para quatro amigos e diz: 'bora abrir a cena.

    Na MoNtaNa Shop & Gallery coM MiGuel NeGretti aka Dj Glue

    texto: joo piNheiro

    FotoS: ricarDo Filho De joSeFiNa

    ricardofilhodejosefina.com

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  • "A bicicleta enquanto cultura um pouco como a cultura alimentar, os hbitos ganham-se desde cedo"Klaus Bondam

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    T e x t o : J o o B e n t e s I l u s t r a o : S o f i a M o r a i s ( c a r g o c o l l e c t i v e . c o m / s o f i a m o r a i s )

    c o m b a s e e m f o t o g r a f i a d e P e d r o C a v a c o L e i t o ( p e d r o c a v a c o l e i t a o . c o m )

    com Klaus Bondam

    Liesde PolticaUrbanaKlaus Bondam (bondam.dk) o chefe de cerimnias em festen, de vinterberg, ou o Padre em Mifune de Sren Kragh-Jacobsen. Recentemente, tem estado frente do Instituto Cultural da dinamarca pelo Benelux e foi um activo na poltica dinamarquesa, passando pela Cmara Municipal de Copenhaga, no departamento do Ambiente. foi nessa altura o grande impulsionador e promotor do estilo de vida ciclvel em Copenhaga, um modelo que poderia ser seguido por outras cidades, o princpio da Copenhagarizao (copenhagenize.com). Klaus actor e poltico, ao mesmo tempo, e defende o dilogo para uma poltica da utilizao da bicicleta.

  • Klaus nasceu no campo e, desde cedo, com o ingresso na escola oficial, precisava de se deslocar de bicicleta para chegar paragem de autocarro mais prxima de casa. Mas isso no era, de todo, desconfortvel, era o seu tempo livre de criana, onde poderia explorar a floresta que atravessava e, ao mesmo tempo, provar que merecia a confiana dos pais ao deslocar-se sozinho. uma das suas primeiras lembranas ciclveis, liberdade e responsabilidade proporcionadas pela bicicleta.

    Como adulto, mantm a sua liberdade ao usar a bicicleta e ao andar a p. Gosta sobretudo do facto de poder sair quando apetece, sem impedimentos, da facilidade como consegue calcular o tempo de percurso e at de no conseguir ver e-mails ou atender o telefone enquanto se desloca, tempo livre de qualidade. Quando se anda de bicicleta, diz-nos Klaus, sente-se a cidade como ela , possvel aperceber-se quando est deprimida ou mais alegre, sentem-se mais coisas e de um modo mais verdadeiro. Para seu descontentamento, agora que vive em Bruxelas, no tem a possibilidade de usar a bicicleta tanto quanto gostaria, visto que h um grande nmero de ladres e a cidade tem falta de infra-estruturas. Andar de bicicleta em Bruxelas no relaxante como em Copenhaga e talvez isso seja tambm um impedimento. Esclarece ainda, Bondam, que andar de bicicleta no para ele necessariamente lazer, uma forma de nos transportarmos e , acima de tudo, uma ferramenta urbana.

    Copenhaga naturalmente ciclvel. A Dinamarca, em primeiro lugar, tem uma histria de prtica de taxas automveis elevadas, o que bloqueou, desde o incio, o acesso facilitado utilizao banal do automvel. Enquanto jovem no normal ter-se um carro, Klaus tirou a sua carta de conduo apenas aos 36 anos de idade. Depois, em termos de poltica urbana, foi feito um investimento na simples mensagem de que, enquanto jovens, as pessoas devero andar a p, devero andar de bicicleta ou de transportes pblicos. A mensagem de que no preciso ter um carro aos 18 anos, que a liberdade e autonomia existem sem o automvel. Obviamente que existem, para alm das circunstncias histricas, outras razes para que Copenhaga se tenha tornado numa referncia para a mobilidade urbana. Para alm de ser sobretudo plana, o clima na cidade ameno, o Inverno no extremamente frio (0C) e o Vero no chega a ser quente (17C), o que facilita a rotina ciclvel. No entanto, existe ainda a acrescentar a cultura nrdica, o sentido de comunidade que construiu uma cultura de relao com esta prtica ciclvel. As raparigas gostam de ser admiradas quando andam de bicicleta, gostam que os rapazes toquem a campainha ao passar por elas, alis, Klaus afirma at que na via ciclvel que ele conhece pessoas, a andar de bicicleta que pe a conversa em dia. Na sua carreira enquanto poltico Klaus diz que em Copenhaga o mais importante foi a vitria na batalha de valores, a conscincia urbana que tornou Copenhaga mais leve. No incio, havia sempre uma discusso acesa por causa da anulao de alguns lugares para estacionamento automvel tendo em vista a implantao de um passeio pedonal ou de uma via ciclvel na cidade, mas agora 51% dos carros na Dinamarca s so usados uma vez por semana ou menos, o que afirma esta vitria de conscincia, a percepo de quando devemos usar e o qu para nos movimentarmos no meio urbano e extra-urbano. Mesmo assim, enquanto poltico, Bondam foi por vezes acusado de odiar os carros e os condutores de automveis, no entanto, ele prprio condutor, diz at gostar de conduzir o seu carro e a liberdade que este tambm proporciona. H que ser um condutor consciente, saber fazer a escolha deliberada de quando se dever levar o carro, de quando ir de bicicleta ou a p. importante que se perceba que uma escolha activa. As pessoas gostam de se deixar ir na sua rotina sem se questionarem acerca das alternativas, perceber que se forem de transportes poder ser igualmente rpido e at mais cmodo, que podero ter a oportunidade de ler um livro, trabalhar no caminho, que se escolherem ir de bicicleta chegam ao destino mais rpido, que podem aproveitar a viagem em si, podem ver e sentir mais coisas. Em Copenhaga as pessoas ganharam esta conscincia, seja um poltico, um trabalhador fabril ou um advogado e isso tambm importante, o exemplo real de que todos participam nessa escolha. importante ver o Ministro ou o Presidente da Cmara a passar de bicicleta e que um actor ou msico passe a p diariamente. preciso o exemplo de liderana,

    acreditar na poltica a srio e no saltar para a bicicleta ou transportes pblicos na vspera de eleies, no transformar a mobilidade em lixo poltico. Klaus defende que h que estar l todos os dias e que isso at, na sua experincia pessoal, o tornou melhor poltico. Conta-nos que ao parar nos sinais vermelhos em Copenhaga, de quando em vez, algum o reconhecia e conversava acerca da cidade e das suas preocupaes, havia este sentido de acessibilidade.

    Quando pretendemos que uma cidade seja ciclvel e explorar esse potencial, temos que entender imediatamente os benefcios directos. Menos barulho, mais espao, menos poluio, mais espaos urbanos, mais cultura urbana. Temos ao menos que nos questionar se a cidade no poderia ser algo mais com essa alternativa. claro que algumas cidades so mais ciclveis do que outras partida, a topografia pode ser um obstculo, o clima outro mas no significa isso que sejam impossveis de ciclar como prtica urbana, at porque importante relacionar o andar de bicicleta com o andar a p e de carro. No se trata de uma guerra entre pees e carros, carros e bicicletas ou bicicletas e pees, um debate, uma discusso acerca de como queremos as nossas cidades, de como queremos viver e tornar conscientes as pessoas no que respeita

    ao desenvolvimento urbano. Levar-nos- isto a pensar no facilitismo de encaminhar as pessoas com prticas mais ciclveis a mudarem-se para pases com essas caractersticas. Para Klaus no, se ele vivesse em Portugal ficaria e continuaria a andar de bicicleta. Os primeiros passos esto na discusso, atravs dos crculos polticos, atravs dos jornais, isso apenas democracia, comear a falar das coisas. Paris, Londres, Nova Iorque, mudaram imenso nos ltimos anos, facto que se enquanto cidados se iniciar a discusso e o dilogo, se enquanto polticos se tomar a deciso de investir na prtica ciclvel, se houver coragem poltica poderemos realmente vir a mudar as coisas.

    Se, em termos concretos, questionarmos se Lisboa ou o Porto se podem tornar uma Copenhaga, Klaus no tem a certeza. Em termos polticos, claro que sim, no entanto suicdio poltico trabalhar em algo que ningum quer. por isso que importante iniciar a discusso, perguntar como a cidade em que queremos viver e explorar as alternativas e os exemplos. Se explicarmos a um automobilista que se estacionar a 500 metros de casa poder vir a ganhar um jardim com rvores e plantas porta de casa talvez, assim, no se importe tanto e poder at vir a gostar e partilhar essa ideia. Uma boa forma de comear o dilogo voltarmo-nos para as crianas, inclui-las no dilogo e perguntar-lhes como a cidade em que gostariam de viver, as crianas gostam de stios calmos e pacficos, diro que o fumo e o rudo automvel as desagrada. Se lhes mostrarmos a bicicleta como uma possibilidade de conforto de mobilidade e o sentido divertido e autnomo da mesma, talvez a se possa iniciar uma nova vertente cultural. No fundo, aponta Klaus, a bicicleta enquanto cultura um pouco como a cultura alimentar, os hbitos ganham-se desde cedo.

    O facto de todos concordarmos num futuro mais ciclvel no utpico de todo, defende Klaus Bondam, veja-se que vivemos num perodo de paz europeia h algum tempo, vivemos mais tempo, estamos cada vez mais saudveis, uma vez que ganhamos conscincia alimentar e fsica, somos cada vez mais pessoas e estamos cada vez mais concentrados em grandes cidades. Nos prximos dez anos, estima-se o aumento de milhares e, em alguns casos, milhes de pessoas nas populaes urbanas. Como, onde e para onde nos poderemos mover se todos utilizarmos o carro? Facto que chegmos concluso consciente de que a liberdade automvel tornou-nos um pouco obesos, poluiu um pouco demais e criou demasiados problemas de congestionamento.

    Para Klaus, fomos um pouco mais alm do que poderamos ir, altura de voltar um pouco atrs.

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    29 "h polticos

    que saltam para a bicicleta um ms antes das eleies, isso lixo poltico"

    Klaus Bondam

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    R E P O R T A G E M

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    a o longo dos seis nmeros anteriores deste jornal, temos vindo a defender o uso da bicicleta na cidade, em linhas gerais, e seguimos pelos interstcios que uma deciso dessas acarreta, partilhando histrias e

    vises de outras pessoas que, como ns, utilizam a bicicleta como meio de transporte; como a bicicleta uma resposta aos dias de hoje; mostrando e questionando as dinmicas que a relao homem-bicicleta-cidade produz reflectimos tambm sobre as cidades e como estas devem ser repensadas. Mas desta vez samos do quotidiano citadino, em que a bicicleta um dos nossos companheiros favoritos, e fomos para um contexto completamente diferente. Longe dos prdios e das avenidas, agarrmos em outras bicicletas e tivemos uma experincia diferente. O corpo cansado pelos tumultuosos percursos pela cidade, aqui concentra-se nos trilhos e diferentes reflexos que estes exigem, para mais tarde ou mais cedo perder-se pela imensido das vistas que o pedalar na serra nos proporcionam. Revistas como a B Cultura da Bicicleta, longe das questes tcnicas das bicicletas mas prxima das sensaes do que andar no contexto rural, aguam a vontade de experimentar outros caminhos, serra adentro. Ns, enquanto bichos urbanos, mergulhmos nessas imagens.

    Um hotel bike friendly?No por acaso que o H2otel o primeiro hotel em Portugal a receber a certificao Bike Friendly pela marca Specialized. Tem excelentes condies para acolher qualquer pessoa que queira incluir a bicicleta nas suas frias, tanto a nvel de infra-estruturas, como de servios especializados e condies para acolher bicicleta e companheiro, onde o gradiente de opes ir satisfazer desde o atleta mais exigente at ao pedaleiro mais preguioso.

    Somos acolhidos com enorme hospitalidade e est tudo

    pronto para nos receber caso levemos bicicleta (parque exterior para bicicletas ou compartimentos privativos na garagem) ou no (j que existe possibilidade de aluguer e loja). A ponte para o andar de bicicleta mesmo muito curta, pois os vrios percursos comeam logo ao virar da esquina, mal samos da porta do hotel. H vrios percursos j preparados, que podemos descobrir atravs de indicaes GPS disponibilizadas pelo hotel ou com um guia que faz parte da Bike Team do hotel que conhece a regio to bem quanto gosta de bicicletas. H, por exemplo, um programa Bike Friendly by Specialized que inclui servios do hotel, nomeadamente, ginsio, jacuzzi, piscinas, massagens, aconselhamento nutricional ou acompanhamento mdico, entre outros. Para alm de estadias de puro prazer, o hotel tambm tem acolhido atletas de alta competio em preparao ou estgios de equipas de ciclismo. Um exemplo,

    A p o n t e p A r A o A n d A r d e b i c i c l e t A m e s m o m u i t o c u r t A , p o i s o s v r i o s p e r c u r s o s c o m e A m l o g o A o v i r A r d A e s q u i n A , m A l s A m o s d A p o r t A d o h o t e l .

    h 2 o t e l . c o m . p t

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    e seguindo a tendncia internacional, de como a bicicleta e a naturalidade do seu uso chega a mais ramos de actividade, sendo interessante perceber, neste caso, a preocupao por parte de entidades hoteleiras relativamente a este fenmeno. Mais um sinal daquilo que a bicicleta faz despertar.

    Brincar aos atletasPortugal viveu o boom da bicicleta de BTT e ciclistas de fim-de-semana, pessoas sem pretenses olmpicas, faziam paralelamente aquilo a que amadores e profissionais dedicavam a sua prtica desportiva. Hoje, a bicicleta volta a conquistar o espao urbano, a utilizao pelo transporte e ns somos fruto desta nova gerao, uma gerao que comea a agarrar pela primeira vez na bicicleta em contexto urbano, ou mesmo que isto no seja bem assim, esperamos estar a aliment-la com as folhas deste jornal. Vestindo essa capa, mergulhmos nesse universo em que com as bicicletas no temos de nos preocupar

    . . . d e s d e o s 1 2 A n o s q u e A n d A d e b i c i c l e t A e s e d e s l o c A v A p A r A t o d o o l A d o s e c A l h A r f o i i s s o q u e t A m b m m e d e u A p A r t e t c n i c A e f s i c A p A r A p o d e r e s t A r n A c o m p e t i o .

    em ultrapassar carros ou parar em sinais vermelhos. Dificilmente, poderamos estar mais bem acompanhados e fizemos alguns dos percursos que o H2otel oferece na companhia do Emanuel Pombo, campeo nacional de Downhill, e do Cndido Barbosa, cone do ciclismo de estrada em Portugal. Perguntmos ao primeiro que recomendaes tem para algum que queira comear a praticar BTT sem se ser o equivalente do tipo que na cidade anda de licra. Os conselhos do especialista: O fundamental so as proteces, material adequado prtica, por questo de segurana e conforto. Depois, experimentar, a partir da tirarem as vossas prprias concluses, mas acho que no geral vo gostar, porque um espao tranquilo, que podem desfrutar, seja um pouco a adrenalina nas descidas, seja sofrer um pouco nas subidas. Para este atleta, que o que mais gosta de descidas, sem dvida, um percurso para ser bom, tem de ter bons trilhos, mas boas paisagens, coisa que em Unhais da Serra o deixou

    bastante satisfeito. Isto de ser atleta no brincadeira nenhuma, e percebemos isso quando pedalamos ao lado de algum como o Emanuel Pombo. Bem, pedalar ao lado um eufemismo. Para alm da total dedicao deste atleta modalidade, bicicleta e ao treino fsico, curioso perceber que a bicicleta no um mero acaso no seu percurso. Desde os doze anos que anda de bicicleta e se deslocava para todo o lado, se calhar foi isso que tambm me deu a parte tcnica e fsica para poder estar na competio. E quem vive e transpira bicicleta no est imune aos benefcios sociais e ecolgicos da bicicleta, acho que a bicicleta vai voltar a ser mais utilizada, alm de ser um meio de transporte amigo do ambiente, ests a ajudar a tua sade e s tens coisas a ganhar. Por seu lado, Cndido Barbosa j no se considera um atleta, mas mantm caractersticas de quem moldado por essa dedicao, considero que ainda tenho gentica, que tenho ainda alguma capacidade sobretudo de sofrimento e de viso daquilo que o desporto e, sobretudo, do que o ciclismo. [] Tenho aquilo que o mais importante, uma mente ainda bastante activa em termos desportivos. Segundo a perspectiva do Cndido Barbosa, estivemos no stio ideal para a prtica do ciclismo de estrada, fora do habitat urbano, que tem alguns perigos e obstculos. E, para entrarmos na modalidade, escutmos com ateno este conselho de ouro: Para conseguirmos fazer os pequenos treinos e fazer umas voltas maiores, primeiro, preciso ter gosto pela bicicleta. Tendo gosto, com alguma dedicao ou no muita, facilmente fazem-se 50 a 60 km, na boa, a desfrutar, a no chegar estoirado, chegar com algum vcio da prxima vez, ainda vou fazer mais. O objectivo termos noo daquilo que somos mais ou menos capazes, no nos metermos em loucuras, porque a vamos perder toda a pica para a prxima vez.

    E m a n u e l P o m b oc a m p e o n a c i o n a l d e D o w n h i l l 2 0 1 2

  • A romntica histria que Cludio Marques conta no seu vdeo no podia ter melhor desfecho. Encontrmo--nos num Sbado porta da loja Mega Aventura para conhecermos o seu mais recente date. Para o desafio que tnhamos lanado h uns meses Desdobra a Tua Criatividade o Cludio, de 16 anos, participou e ganhou com um vdeo bem-humorado contando a relao que tem com a sua amiga inseparvel. A branca Brompton esperava-o j cedo e, ao longo da manh, foram apresentados por Leonor Reis, proprietria da loja. Os detalhes para uma boa relao foram cuidadosamente explicados pela Leonor, pois esta bicicleta uma senhora e sobre a Brompton h muito a aprender. Vou ter mais cuidado do que com as outras [bicicletas], mas vou dar-lhe muito uso, diz-nos excitado e com a bicicleta nova em mos. O Cludio explicou que mesmo estando em exames preparou o vdeo ao longo de duas semanas, com a ajuda de amigos e dos pais. O Cludio usa a bicicleta com bastante frequncia, mas contou que no gosta de pedalar em alturas de maior trnsito em Vila Franca de Xira, onde mora. Contou-nos tambm que sempre teve bicicletas em casa mas que estavam todas a ficar muito velhas e, na realidade, precisava de uma nova. Ficamos bastante contentes por termos oferecido a bicicleta ao Cludio e esperamos encontr-lo no futuro e saber em que outras aventuras se meteu.

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  • cada vez mais comum ver bicicletas na publicidade e em montras de lojas, independentemente de haver ligao com os produtos que esto a ser vendidos. Importa por isso distinguir o genuno da mera apropriao esttica. Um desses locais onde a bicicleta est genuinamente presente o Grmio do Carmo um caf, barra, restaurante de pequenos-almoos, brunches e almoos, barra, loja de sanduches. Trata-se de um espao bonito num lugar agradvel situado no centro de Lisboa que abriu h quatro meses juntamente com a nova loja da Merrell, a primeira flagship store da marca no pas. A Merrell, para quem ainda no conhece, uma marca de outdoor que tem, entre outras coisas, uma linha de sapatos para andar de bicicleta, que inclui saltos altos. Isto por si s bastaria para justificar a presena de bicicletas. Mas subindo ao primeiro andar, encontramos o caf gerido pelo Marco Costa, tambm ele um revolvedor de pedais.

    Depois de muitos anos a viver em Londres, o Marco decidiu voltar para Lisboa onde, segundo o prprio, vive-se ainda o boom do snack-bar. Disposto a desafiar o status quo no ramo da restaurao, este designer de equipamentos criou um caf-conceito onde no h Coca-Cola, para dar o exemplo mais f lagrante. Se o cliente estranhar ou ficar ofendido com a ausncia de certos produtos, tem escolha afogar as mgoas numa Sovina, a cerveja artesanal produzida no Porto que no se encontra facilmente em Lisboa, em sumos naturais variados ou repor os nveis de cafena com uma das especialidades da casa, o lote de caf. Como nem s de lquidos vive o ciclista, h tambm uma criteriosa seleco de bolos (alguns veganos), quiches, saladas e tudo o mais que vai entrando e saindo do menu dirio. O brownie um must e o bolo brigadeiro ainda mais.

    Por estar num primeiro andar, o espao goza de uma tranquilidade que permite apreciar a vista para a movimentada Rua do Ouro, com a devida distncia de segurana, tal como num postal. Ambiente ideal para aproveitar a seleco de livros de arte e zonas de leitura que o Grmio do Carmo tem. A programao inclui exposies regulares e concertos que, de tempos a tempos, vm remexer a tranquilidade e renovar o espao. O Marco confidenciou-nos ainda que est previsto, para breve, comearem com eventos relacionados com bicicletas, pelo que devemos ficar todos atentos ao que a vem. Tudo isto fica entre a Baixa e o Chiado, mais ou menos como a estao de metro, um pouco ao lado desta. As entradas fazem-se pela loja da Merrell, na Rua do Ouro, e pelo nmero 98 da Rua do Carmo. Por enquanto, no tm disponvel estacionamento para bicicletas porta, mas garantem- -nos estar a tratar do assunto.

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