Jornalismo on-line e os portais de notícias de João ... · Valéria Sinésio da Silva Jornalismo...

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Transcript of Jornalismo on-line e os portais de notícias de João ... · Valéria Sinésio da Silva Jornalismo...

  • UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARABA

    CENTRO DE COMUNICAO TURISMO E ARTES

    CURSO DE COMUNICAO SOCIAL

    HABILITAO JORNALISMO

    Valria Sinsio da Silva

    Jornalismo on-line e os portais de notcias

    de Joo Pessoa-PB

    Joo Pessoa

    2013

  • Valria Sinsio da Silva

    Jornalismo on-line e os portais de notcias

    de Joo Pessoa-PB

    Monografia de Trabalho de Concluso de

    Curso, apresentado Universidade Federal da

    Paraba, mediante o Departamento de

    Comunicao Social, em cumprimento s

    exigncias para obteno do grau de bacharel

    em Comunicao Social, habilitao em

    Jornalismo.

    Orientadora: Prof. Dr Glria Rabay

    Joo Pessoa

    2013

  • Valria Sinsio da Silva

    Jornalismo on-line e os portais de notcias

    de Joo Pessoa-PB

    BANCA EXAMINADORA

    ____________________________________________________________________________

    Orientadora: Prof. Dr Glria Rabay

    ____________________________________________________________________________

    Prof. Dr Suelly Maux

    ____________________________________________________________________________

    Prof. Dr Zulmira Nbrega

    Joo Pessoa, ___ de ___________ de 2013.

  • O que me preocupa no o grito dos maus, mas o silncio dos bons.

    Martin Luther King

  • AGRADECIMENTOS

    Em primeiro lugar a Deus, a quem devo este momento e toda a minha vida.

    Aos meus pais, Nazareth e Joo, pelo exemplo de coragem, determinao e

    honestidade. Sem eles, certamente eu no teria chegado at aqui. Isso

    representa muito para eles, que no tiveram as mesmas oportunidades que eu.

    Ao meu marido, Delano Maral, pela pacincia e companheirismo de sempre.

    Aos meus irmos, que me completam como ser humano.

    Aos meus tios, primos e amigos, pelo carinho, pelo sorriso e pelas palavras.

    minha orientadora, Glria Rabay, por aceitar o desafio de me ajudar na

    concluso do curso e me fazer acreditar que sempre hora de recomear,

    mesmo que tudo parea perdido.

    A todos, de perto e de longe, que em algum momento se mostraram confiantes

    na minha vitria.

  • Conheo sua conduta; coloquei sua frente uma porta aberta, que ningum

    mais poder fechar. (Ap.3:8)

  • RESUMO

    Esta anlise qualitativa visa mostrar os problemas encontrados em quatro

    portais de notcias locais da Paraba. Foram encontrados os mais variados

    tipos de erros, inclusive ortogrficos e de contedo, o que pode colocar em

    xeque a credibilidade desses veculos, que na nsia de colocar a notcia na

    frente dos demais, acabam ferindo as regras do bom jornalismo. Em todos os

    portais analisados foi possvel observar tambm notcias que passam horas na

    home (pgina principal), o que sugere descaso com o leitor-internauta. De uma

    forma geral, possvel afirmar que o jornalismo on-line necessita com urgncia

    de uma reformulao.

    Palavras-chave: Portais locais. Jornalismo on-line. Credibilidade da notcia.

  • ABSTRACT

    This content analysis aims to show the problems encountered in four news

    portals places in Paraiba. We found the most varied types of errors, including

    spelling and content, which may put into question the credibility of these

    vehicles, which in the rush to put the news in front of others, just wounding rules

    of good journalism. In all the analyzed portals was also possible to observe

    news who spend hours on the home (main page), which suggests disregard for

    the reader-surfer. In general, we can say that on-line journalism urgently needs

    an overhaul.

    Key words: Local portals. On-line journalism. Credibility of news.

  • Declarao de Autoria

    Eu, Valria Sinsio da Silva, portador de clula de identidade n 2675855

    SSP/PB CPF n 013.013.044-33 declaro, neste ato, sob as penas da lei, ser a

    responsvel pela obra intitulada Jornalismo on-line e os portais de notcias

    de Joo Pessoa-PB, realizada como projeto de concluso de curso para

    obteno do grau de Bacharel em Comunicao Social, Habilitao Jornalismo,

    pela Universidade Federal da Paraba.

    Joo Pessoa ___ de ____________ de 2013.

    Assinatura:___________________________________________________

  • SUMRIO

    APRESENTAO.......................................................................................10

    CAPTULO I

    1. Globalizao e internet....................................................................11

    1.1 Definio de jornalismo.............................................................13

    1.1.1 O que notcia..................................................................14

    1.2 Caractersticas do bom texto....................................................17

    1.2.1 Frases curtas....................................................................18

    1.2.2 Simplicidade.....................................................................18

    1.2.3 Seletividade......................................................................18

    1.2.4 Vocabulrio e gramtica..................................................19

    1.2.5 Adjetivos...........................................................................19

    CAPTULO II

    2. Um pouco da histria da internet...................................................20

    2.1 Resumo cronolgico da internet..............................................21

    2.2 Uso da internet pelos paraibanos............................................23

    CAPTULO III

    3. Jornalismo on-line..........................................................................24

    3.1 Caractersticas do jornalismo on-line.....................................25

    3.1.1 Interatividade...................................................................25

    3.1.2 Instantaneidade...............................................................26

    3.1.3 Acessibilidade.................................................................27

    3.1.4 Integrao das mdias (texto, udio, vdeo, imagens,

    animao).........................................................................27

    3.1.5 Hiperlink...........................................................................28

    3.2 Os portais de notcias...............................................................28

    3.2.1 Os portais locais..............................................................29

    CAPTULO IV

    4. Os problemas dos portais de notcias de Joo Pessoa...............30

    4.4. Erros ortogrficos.....................................................................31

  • 4.5 Clareza e objetividade.................................................................36

    4.6 Relises.......................................................................................39

    CONSIDERAES FINAIS...........................................................................43

    REFERNCIAS.............................................................................................45

  • 10

    APRESENTAO

    Basta passar dez minutos na praa de alimentao de um shopping

    center para observar pessoas conectadas ao mundo virtual atravs de seus

    smartphones, tablets e notebooks. A vida sem internet parece ficar incompleta.

    Mesmo na companhia de amigos e familiares, as pessoas esto sempre

    buscando algo, que parece s encontrar na tela do computador.

    Hoje em dia possvel pagar contas pela internet, conhecer pessoas,

    organizar protestos e, claro, se informar sobre os acontecimentos locais e

    globais. Essa necessidade do ser humano em saber o que acontece no

    apenas no bairro vizinho, como tambm no Afeganisto, Estados Unidos ou

    Portugal, talvez explique a proliferao de portais de notcias.

    Portais que tm o papel de informar, mas que, diante da nsia de sair na

    frente dos concorrentes, acabam cometendo deslizes. Quem trabalha com

    jornalismo sabe a importncia de dar a notcia em primeira mo, mas no pode

    esquecer das regras bsicas, como a ortografia correta e a apurao da

    informao.

    por isso que este trabalho foi realizado. Durante o ms de agosto,

    durante uma semana (perodo entre 8 a 14 de agosto), quatro portais de

    notcias locais (Correio, WScom, ClickPB e PBAgora) foram observados em

    dois perodos: no incio da manh e no final da noite. O objetivo foi coletar

    material suficiente para elaborao deste Trabalho de Concluso de Curso

    (TCC).

    No primeiro portal analisado www.portalcorreio.com.br o percentual

    de erros encontrados foi de 57% ( em 8 dos 14 acessos foram observados

    algum tipo de irregularidade). No Wscom www.wscom.com.br o percentual

    de erros foi um pouco maior: 64%. O que implica dizer que, dos 14 acessos,

    foram verificados erros em 9 deles.

    A quantidade de erros contabilizados no terceiro portal

    www.clickpb.com.br foi ainda maior no perodo analisado. Os erros foram

    constatados em 11 dos 14 acessos realizados, o que representa 78%. O portal

    que teve o menor nmero de erros foi o PBAgora www.pbagora.com.br, com

    50% (dos14 acessos foram encontrados erros na metade deles).

    http://www.portalcorreio.com.br/http://www.wscom.com.br/http://www.clickpb.com.br/http://www.pbagora.com.br/
  • 11

    CAPTULO I

    1 GLOBALIZAO E INTERNET

    O avano tecnolgico e o rpido acesso s informaes so

    caractersticas da globalizao. Nesse universo, a internet tem um papel

    importante, pois proporciona formas eficazes de interao com o usurio.

    Graas globalizao, pessoas, empresas e governos podem trocar e distribuir

    informaes pelos quatro cantos do mundo. Ao quebrar barreiras, minimizando

    distncias, a internet possibilita a troca de informao de forma quase imediata,

    em tempo real.

    Quando foi concebida em 1969, a internet estava voltada para a

    pesquisa de informaes para o servio militar, que criou a Arpanet, rede

    nacional de computadores. Atualmente, em todo o mundo, a internet passou a

    ser considerada um dos principais fatores para medir o desenvolvimento,

    conforme declarao de Negraes (2001, p. 14):

    Hoje a internet permite ligaes telefnicas com udio e vdeo, imagens transmitidas em tempo real, comunicao instantnea entre pessoas conectadas, trocas de msicas, compras, etc. No futuro quem sabe at onde ela chegar...as possibilidades so quase infinitas.

    Em 1986, houve a expanso da internet graas a uma contribuio da

    National Science Foundation NSF (Fundao Nacional de Cincia).

    O programa de armazenamento das informaes (Enquire) foi escrito em 1980,

    por Tim Berners Lee, inventor da World Wide Web. A expresso WWW s foi

    apresentada em 1989.

    Antes do jornalismo ingressar na grande rede, um longo caminho foi

    percorrido. Nos primeiros anos da dcada de 1990, por exemplo, os sites eram

    nada atraentes, com fundo cinza e poucos links. Mas era esse o incio de fato,

    o surgimento da internet que, at ento, tinha carter quase exclusivo de

  • 12

    pesquisa, sendo amplamente usada por pesquisadores e estudiosos, como

    explica Ferrari (2004, p. 16):

    O cenrio do final dos anos 80 era este: muitos computadores conectados, mas principalmente computadores acadmicos instalados em laboratrios e centros de pesquisa. A internet no tinha a cara amigvel que todos conhecem hoje. Era uma interface simples e muito parecida com os menus dos BBS. Mas, enquanto o nmero de universidades e investimentos aumentava em progresso geomtrica, tanto na capacidade dos hardwares como dos softwares usados nas grandes redes de computadores, outro ncleo de pesquisadores, at bem modesto, criava silenciosamente a World Wide Web (Rede de abrangncia mundial), baseada em hipertexto e sistemas de recursos para a internet.

    Nos anos seguintes, a internet foi se adaptando e crescendo. Para se ter

    uma idia, o nmero de computadores pulou de 1,7 milho em 1993 para 20

    milhes em 1997. No Brasil, em maio de 1995, ocorreu a abertura comercial da

    internet. No mesmo ms, foi lanado o Jornal do Brasil em sua verso on-line,

    sendo o primeiro peridico do pas a entrar na internet.

    Em seguida, foi a vez da verso eletrnica do jornal O Globo. Conforme

    Villela (2004, p.162), quando o jornalismo chegou na internet, em um primeiro

    momento, o que aconteceu foi literalmente o reaproveitamento do contedo

    que j existia para outros fins.

    A velocidade da internet supera a de todos os outros meios de

    comunicao, como afirma Suzana Barbosa (2001, p. 2): Se o rdio levou 38

    anos para ter audincia global de 50 milhes de pessoas, a TV aberta, 16

    anos, e a TV a cabo, dez, a internet com a WWW precisou de apenas cinco

    anos para atingir 200 milhes de pessoas.

    Declarao semelhante fez J.B.Pinho (2003, p.38), ao dizer que as taxas

    de crescimento da internet aumentam de maneira contnua e quase

    exponencial, sendo at hoje o meio de comunicao com o menor perodo de

    aceitao entre a descoberta e a sua difuso mais macia.

    A digitalizao da informao permitiu ampliar as possibilidades do

    jornalismo, unindo o mundo de ponta a ponta, atravs da internet. Notcias

    internacionais e nacionais passaram a ser acessadas facilmente. Porm, a

    globalizao impulsionou o interesse pelo contedo local. Foi quando surgiram

  • 13

    os portais de notcias. A atualizao acontece constantemente e cada fato novo

    pode ser motivo de manchete. Com os portais, Barbosa (2001, p.6) fala em

    criao de comunidades:

    Assim, tambm podemos colocar entre as caractersticas do jornalismo on-line a formao de comunidades, pois a busca pela fidelizao do usurio passou a ser um dos objetivos intrnsecos aos sites para agregar audincia e, sobretudo, para enredar o usurio, reforando nele o sentimento de pertencimento. Essa caracterstica de comunidades ainda mais forte em sites que se enquadram na categoria de portais locais, cujo interesse falar de perto com determinada comunidade fornecendo contedo digital original, alm de servios.

    2 DEFINIO DE JORNALISMO

    O jornalismo vai alm do noticirio da televiso ou do impresso. O

    jornalismo tratado como uma profisso da Comunicao Social, apesar do

    termo ser utilizado com frequncia para definir toda a organizao dos meios

    de comunicao. Porm, no est errado quem diz que o jornalismo a

    atividade que tem a tarefa de divulgar os fatos de interesse pblico. Fatos que

    podem ter mais repercusso em determinado local que em outro, ou ainda, que

    tenha interesse em todo um pas ou mesmo o mundo. Exemplo disso foi o

    dramtico Caso Isabella, no qual uma menina de cinco anos de idade morreu

    aps ser supostamente jogada do sexto andar do prdio onde morava o pai e a

    madrasta, acusados e condenados pelo crime em jri popular. Desde que

    aconteceu, foi amplamente noticiado em todos os veculos.

    Apesar de se confundir com o termo comunicador, o jornalismo tem uma

    definio mais estreita, conforme declara Kunczik (2001, p. 16): Por isso o

    jornalismo considerado a profisso principal ou suplementar das pessoas que

    renem, detectam, avaliam e difundem as notcias; ou que comentam os fatos

    do momento.

    O jornalismo deve ser imparcial e ter como principal dever, respeitar a

    verdade, quaisquer que sejam as consequncias. Contudo, definir o jornalismo

    no tarefa fcil. Cada autor o traduz de forma diferente, porm com

    semelhanas. Nas palavras de Dines (1986, p. 25), o jornalismo a busca de

    circunstncias.

  • 14

    Para Traquina (2005, p. 19), [...] tentar definir o jornalismo em uma frase,

    ou mesmo em um livro, algo absurdo. Falando poeticamente, ele diz que [...]

    o jornalismo a vida, tal como contada nas notcias de nascimentos e de

    mortes, tal como o nascimento do primeiro filho de uma cantora famosa ou a

    morte de um socilogo conhecido mundialmente.

    Mas o jornalismo tem outras definies, como o prprio Traquina (2005,

    p. 22) comenta mais adiante:

    Basta um olhar distrado aos diversos produtos jornalsticos para confirmar que uma atividade criativa, plenamente demonstrada, de forma peridica, pela inveno de novas palavras e pela construo do mundo em notcias, embora seja uma criatividade restringida pela tirania do tempo, dos formatos, e das hierarquias superiores, possivelmente do prprio dono da empresa. E os jornalistas no so apenas trabalhadores contratados, mas membros de uma comunidade profissional que h mais de 150 anos de luta est empenhada na sua profissionalizao com o objetivo de conquistar maior independncia e um melhor estatuto social.

    2.1 Quadro evolutivo do jornalismo

    TABELA I

    Pr-histria do jornalismo (de 1631 a 1789) Caracterizada por uma economia elementar, produo artesanal e forma semelhante ao livro.

    Primeiro jornalismo (1789 a 1830) Caracterizado pelo contedo literrio e poltico, com texto crtico, economia deficitria e comandado por escritores, polticos e intelectuais.

    Segundo jornalismo (1830 a 1900) Imprensa de massa, marca o incio da profissionalizao dos jornalistas, a criao de reportagens e manchetes, a utilizao da publicidade e a consolidao da economia da empresa.

    Terceiro jornalismo (de 1900 a 1960) Imprensa monopolista, marcada por grandes tiragens, influncia das relaes pblicas, grandes rubricas polticas e fortes grupos editoriais que monopolizam o mercado.

    Quarto jornalismo (de 1960 em diante) Caracterizado pela informao eletrnica e interativa, como ampla utilizao da tecnologia, mudana das funes do jornalista, muita velocidade na transmisso de informaes, valorizao do visual e crise da imprensa escrita.

    Fonte: Ciro Marcondes Filho (Comunicao e jornalismo: a saga dos ces perdidos)

    2.2 O que notcia?

  • 15

    De uma forma ou de outra, o indivduo sempre buscou uma forma de se

    comunicar. Os fatos foram aumentando e as pessoas se interessando cada vez

    mais pelas novidades. Assim surgiu a notcia, que caracteriza por uma

    linguagem clara, impessoal e adequada ao veculo no qual est sendo

    transmitida. Uma das principais caractersticas definidoras da prtica

    jornalstica o trabalho sobre a notcia.

    Porm, sua definio to complexa quanto a de jornalismo. Em termos

    simples, a notcia pode ser entendida como um formato de divulgao de um

    acontecimento por meios jornalsticos. No deixa de ser, portanto, matria-

    prima do jornalismo, geralmente identificada quando ocorre um fato novo,

    indito.

    A notcia expe um fato ou sequncia de fatos: caiu um avio na mata, notcia: resgatam-se passageiros e tripulantes dias depois, outra notcia; divulga-se o relatrio tcnico sobre o desastre, uma terceira notcia apoiada na recapitulao das duas anteriores. (LAGE, 2005, p.139).

    Podem trazer fatos polticos, sociais, culturais e qualquer outro de

    interesse pblico. So as notcias que preenchem as frias pginas do

    tradicional jornal impresso, os VTs dos telejornais, as manchetes dos portais

    eletrnicos e as chamadas nos rdios. Para ter valor no jornalismo, precisam

    ter acontecido h pouco tempo ou, ainda, que no tenham sido publicadas por

    outros veculos de Comunicao, sobretudo os principais concorrentes.

    Noblat (2004, p. 31) destaca que, de forma simplificada, notcia todo

    fato relevante que desperte interesse pblico, ensinam os manuais de

    jornalismo. Fora dos manuais, notcia na verdade tudo o que os jornalistas

    escolhem para oferecer ao pblico. Ele acrescenta que a notcia pode estar no

    ambiente onde se passou determinada histria. A notcia pode estar no silncio

    de uma pessoa entrevistada. A notcia pode estar no nervosismo de algum.

    Noblat ainda faz uma reflexo sobre o fato de que a maioria das notcias

    tem, perante o pblico, conotao negativa, dando a impresso de que a

    realidade bem mais cruel, ou seja, que h mais bandidos nas ruas, mais

    polticos corruptos, mais crianas morrendo de forme e muitos outros males

  • 16

    que assolam a humanidade. Sobre a definio de notcia, o autor tambm

    destaca que:

    Notcia existe para ser reverenciada pelo jornalista. Diante de uma, ele deve ajoelhar-se em sinal de respeito e agradecer a Deus a graa de t-la encontrado. Parece uma lio muito simples de ser aprendida. Afinal, o ganha-po do jornalista a notcia. Mas no raro que jornais e jornalistas briguem com ela.

    A estrutura tambm essencial na tarefa de definir a notcia. Isso

    porque ela possui caractersticas que a diferem do editorial, da crnica e do

    artigo, tambm presentes no jornalismo. As perguntas o qu (fato ocorrido);

    quem (personagem envolvido); quando (momento do fato); onde (local do

    fato); como (modo como ocorreu) e porqu (causa do fato), tornaram-se

    indispensveis na construo da notcia, pois conseguem responder a todas as

    possveis perguntas do pblico em relao ao fato divulgado.

    Segundo explicao de Lage (2006, p. 22),[...] a notcia no significa

    narrar os fatos e, sim, exp-los. Isso porque a narrativa coloca os fatos na

    ordem em que aconteceram. Diferente do teatro e do cinema, onde os casos

    so contados do comeo para o fim, as notcias costumam ser contadas de

    outra forma pelos jornalistas. A notcia est no curioso, no no comum. O autor

    explica o motivo:

    Os eventos estaro ordenados no por sua sequncia temporal, mas por interesse ou importncia decrescente, na perspectiva de quem conta e, sobretudo, na suposta perspectiva de quem ouve. Mais: a importncia de cada evento ser aferida em funo do evento principal da srie.

    Por outro lado, Pena (2006, p. 39) discorda quanto importncia dada

    pelo jornalismo atualidade e novidade: a novidade nem sempre atual e a

    atualidade nem sempre nova. Tenho certeza de que podemos melhorar muito

    o nosso trabalho e os prprios veculos de informao se tivermos conscincia

    dessa premissa. Segundo ele, confundir atualidade com novidade um erro

    conceitual e metodolgico.

  • 17

    3 CARACTERSTICAS DO BOM TEXTO

    Seguir os manuais de redao pode confundir a cabea de quem est

    iniciando no jornalismo. H muitas divergncias sobre as regras gramaticais e

    sobre a importncia das regras gerais para a elaborao de um bom texto, que

    rena elementos como clareza, conciso e objetividade. Portanto,

    compreender o significado da boa informao j um bom comeo, pois como

    disse Noblat (2004, p. 51), reprter pago para investigar e obter respostas.

    No pago para transferir dvidas aos leitores.

    Nesse sentido, o surgimento do lead serviu para orientar os jornalistas

    na hora de redigir as notcias. Antes de prosseguir, no entanto, importante

    esclarecer que lead o primeiro pargrafo da notcia em jornalismo impresso.

    Sua origem, conforme explica Lage (2005, p.73), no est relacionada

    tradio literria ao pico, trgico, dialtico mas ao uso oral, isto ,

    maneira como, numa conversao, algum relata algo que assistiu.

    No Manual de Redao de O Globo a primeira orientao para a

    observncia da qualidade do texto e da apurao devem andar juntos. [...] a

    matria bem apurada d a impresso de se escrever sozinha. E muitos

    defeitos do texto ruim nascem de apurao deficiente; a falta de fatos deixa

    buracos que nenhum artifcio de estilo consegue tapar. (GARCIA, 2005,

    p.2007).

    No h segredos. O bom texto deve ser escrito com cuidado, com

    dedicao. Conforme Caldas (2002, p.27), clareza, objetividade e elegncia ao

    contar uma histria o mnimo que se pede a um reprter. Que deve procurar

    a palavra certa para cada situao, cortar os adjetivos [...].

    3.1 Objetividade

    Segundo Fortes (2008, p. 88), a objetividade o conceito mais

    importante que deve ser respeitado na hora de escrever uma notcia. Ele

    declara que o reprter deve manter-se distante das opinies e impresses

    subjetivas, no importa quo poderosas elas sejam. vlido salientar que a

    objetividade deve vir acompanhada da clareza, conciso, impessoalidade e

  • 18

    simplicidade, para chegar ao resultado de um bom texto. Peo-lhes mais

    cuidado com o que escrevem. (NOBLAT, 2004, p.87).

    3.2 Frases curtas

    O texto jornalstico deve ser feito de frases curtas. Entre as palavras

    sinnimas, a mais simples deve ser a escolhida para facilitar a compreenso

    por parte do leitor. O ideal que cada frase encerre uma ideia. Conforme

    Castro (2007, p.29), a frase deve ser curta. No telegrfica, como j dissemos,

    mas permitindo ao leitor assimilar uma ideia ou um fato de cada vez. Mais de

    uma frase intercalada no mesmo perodo dificulta o entendimento.

    3.3 Simplicidade

    A linguagem do texto jornalstico deve ser simples visando a fcil

    compreenso por parte do leitor. Isso significa que, entre palavras sinnimas, a

    mais simples deve ser a escolhida. As frases precisam obedecer a ordem

    sujeito, predicado e complemento. A simplicidade a condio essencial do

    texto jornalstico.

    Ainda de acordo com Fortes (2008, p.90), quem procura palavra difcil

    no dicionrio para colocar no texto com o intuito de, assim, parecer mais

    inteligente, faz papel de bobo. Conforme Noblat (2004, p.80), [...]digam o que

    querem dizer com poucas palavras [...].

    3.4 Seletividade

    Toda notcia passa por um processo de seleo, independentemente do

    veculo a ser publicada. Desde a elaborao da pauta, j h a escolha de

    alguns assuntos a serem explorados e outros desprezados. Diante dessa

    situao, o que deve ser levado em considerao o interesse do pblico.

    Sobre o assunto, Lage (2004, p. 35) comenta:

    No entanto, no h dvida de que existem matrias destinadas a ser manchetes e outras que dificilmente tero essa honra. Quais, depende do momento: numa poca, so as denncias que importam; em outra, declaraes violentas ou ofensivas de polticos; mais adiante tragdias sociais. O jornalismo um discurso datado: cada texto parte de um contnuo que reflete o conflito entre os interesses de quem manda e as preocupaes e angstias de quem obedece, em cada campo de relaes da sociedade: governo e povo, mdico e pacientes, escolas e estudantes etc.

  • 19

    3.5 Vocabulrio e gramtica

    Erros ortogrficos no jornalismo so inadmissveis. O respeito lngua

    deve existir a todo o momento, mesmo na hora de escrever um texto-legenda

    ou texto de poucas linhas. A ortografia correta valoriza o texto e confirma a

    credibilidade do veculo.

    A redao no o lugar adequado para aprender a escrever. Primeiro porque nela tudo feito s pressas e ningum tem muito tempo para ensinar o que quer que seja a outros. Segundo porque h gente na redao que tambm no sabe escrever. Se forem espertos e bons observadores, recm-formados admitidos em um jornal podem aprender as tcnicas para redigir uma notcia, uma reportagem, um artigo. Mas j devem saber escrever bem. Bem, no, Muito bem. (NOBLAT, 2004, p.77)

    3.6 Adjetivos

    A entrada de adjetivos no texto jornalstico deve ser restringida ao mximo.

    O adjetivo s deve ser usado se for para especificar melhor o substantivo. E s.

    Ou seja, tornar a informao mais precisa, mais especfica. Vejamos o

    exemplo:

    Os mdicos foram homenageados.

    A ideia que a frase passa para o leitor que, em determinado local, todos

    os mdicos existentes foram homenageados. Veja agora o outro exemplo com

    o uso do adjetivo:

    Os mdicos atenciosos foram homenageados.

    Na segunda frase, o leitor tem a real dimenso do que o jornalista quis

    dizer, pois no h margem para outras interpretaes. Ou seja, os mdicos

    receberam as homenagens porque foram atenciosos com seus pacientes.

    CAPTULO II

  • 20

    4 UM POUCO DA HISTRIA DA INTERNET

    A internet surgiu em 1969, atravs do Advanced Research Projects

    Agency (Arpa Agncia de Pesquisa e Projetos Avanados) que estava focada

    na pesquisa de informaes para os militares e criou a Arpanet rede mundial

    de computadores que serviria para a comunicao no caso dos Estados

    Unidos serem atacados pela Unio Sovitica.

    Seis anos mais tarde, a troca de dados j havia crescido de forma

    surpreendente. Entre os usurios havia pesquisadores na rea da Defesa e

    Segurana. No entanto, a Arpanet ainda tinha como misso o servio de

    informao militar.

    Em 1986, houve a expanso da internet graas a uma contribuio da

    National Science Foundation NSF (Fundao Nacional de Cincia).

    O programa de armazenamento das informaes (Enquire) foi escrito em

    1980, por Tim Berners Lee, inventor da World Wide Web. A expresso WWW

    s foi apresentada em 1989.

    J nos primeiros anos da dcada de 1990, os sites eram nada

    atraentes, com fundo cinza e poucos links. Mas era esse o incio de fato, o

    surgimento da internet. Da ento, recursos foram implantados e verses foram

    lanadas na grande rede, desfazendo barreiras e eliminando distncias

    geogrficas.

    De acordo com o jornalista Moura (2002, p.23), foi atravs de uma novela da Rede Globo que a internet foi apresentada:

    Foi com a novela Explode Corao, de Glria Perez, transmitida pela Rede Globo de Televiso, que milhes de brasileiros comearam a ver como funcionava a comunicao em rede. Quase que em conseqncia da trama televisiva, o primeiro boom da internet no Brasil aconteceu ao longo de 1996, tanto pelo crescimento do mercado como pela melhoria dos servios, graas Embratel.

    Em relao informtica, essas questes s comearam a se destacar

    no Brasil a partir da dcada de 1970. Atravs do decreto 301, a Embratel

    recebeu a tarefa de instalar uma rede nacional para transmisso de dados. O

  • 21

    Transdata foi inaugurado em 1980, com o objetivo de garantir o suporte para

    grandes empresas.

    A necessidade de manter a troca de informaes com outros pases,

    incentivou a implantao da rede mundial de computadores, A princpio, eram

    possveis os servios de troca de correio eletrnico e o download de arquivos.

    Um grande passo foi dado quando em 1992, foi criada a Rede Nacional de

    Pesquisa (RND) pelo Ministrio da Cincia e Tecnologia.

    O provedor de acesso privado s veio com uma portaria do Ministrio

    das Comunicaes e do Ministrio da Cincia e Tecnologia, no ano de 1995.

    Quatro anos aps, o Brasil passou a ocupar a terceira posio em nmero de

    usurios nas Amricas, ficando atrs apenas dos Estados Unidos e Canad.

    A internet proporcionou a troca de informaes imediatas e a

    interatividade entre os leitores. Sem contar que a internet vem ganhando

    espao nas escolas de todo o mundo e est como uma das principais fontes de

    pesquisas da populao. Por isso, qualquer governo responsvel e

    comprometido com o povo, deve priorizar o acesso popular grande rede.

    Em setembro de 2009, conforme notcia publicada no site G1

    (www.g1.com.br), a internet superou a TV como mdia preferida. A pesquisa foi

    realizada em 11 pases, incluindo o Brasil. A internet foi considerada o veculo

    mais indispensvel por 70% dos entrevistados, superando ligeiramente a

    margem da televiso, considerada por 69% como indispensvel.

    A pesquisa foi feita pelo grupo mundial de marketing Synovate, que

    ouviu 8,6 mil pessoas da Austrlia, Brasil, Canad, China, Espanha, Estados

    Unidos, Holanda, Hong Kong, Reino Unido e Taiwan.

    Possivelmente, as nossas vidas, como seres humanos individuais, nunca estiveram to individualizadas como nos dias da Internet. As maneiras de relacionarmo-nos, mesmo como indivduos, tornou-se, aparentemente, mais fria graas ao computador e ao advento de novas tecnologias. No entanto, se procurarmos pensar de um ponto de vista diferente do tecnolgico, aceitando os computadores como mais do que simples mquinas e a tecnologia no mais como um terrvel monstro, ser possvel enxergar nestes dois instrumentos, que parecem um s, um veculo maior de interatividade entre os seres pensantes da Terra. A possibilidade de relacionarmo-nos numa dimenso interplanetria pode tirar do computador o estigma de mquina fria ou simples objeto. Se pensarmos que por trs dessas mquinas existem outros seres humanos interagindo em outras partes distantes do mundo, veremos no computador o veculo

    http://www.g1.com.br/
  • 22

    viabilizador de tal comunicao humana, infinitamente melhor e mais barato do que os prprios telefones. Ora, para ligarmos para outra pessoa em outro pas, temos, como pr-requisito, de conhecer tal pessoa; em seguida, temos que saber o nmero do telefone dela; depois precisamos saber um horrio conveniente para entrarmos em contato; e, por ltimo, o mais significante, temos de estar cientes da exorbitante quantia que teremos de pagar por essas limitadas horas de conversa que se resumem, ainda, a apenas duas pessoas. J graas ao computador conectado Internet, essa interao de relaes interpessoais deixa de ser to restrita e cobra apenas um pr-requisito: estar sentado frente de um computador on line. A formao de novas comunidades, portanto, ocorre em um nvel intelectual, e no mais no plano fsico da concepo de comunidade. (FAGGION, 2001, p.10)

    4.1 Resumo Cronolgico da internet

    1957- O presidente dos Estados Unidos, Dwuight Eisenhower encomenda

    estudos para garantir a segurana da comunicao entre o governo e o servio

    militar.

    1966 Lawrence Roberts e Thomas Merril conectam pela primeira vez dois

    PCs por linha telefnica.

    1967 O projeto de comunicao entre PCs ganha fora, com apresentao

    por comutao de pacotes.

    1971 Programadores comeam a desenvolver aplicaes para redes de

    computadores.

    1972 Surge o correio eletrnico (e-mail) e o FTD File Transfer Protocol

    transferncia de arquivos.

    1980 Surge a Bitnet Because Its Time Network.

    1983 proposto o Domain Name System (DNS). Um ano depois surge a

    criao de sufixos como .com, .gov e .edu.

    1988 Morris, um dos primeiros worms da internet, causa danos a milhares de

    computadores.

    1989 Primeira conexo do Brasil na rede, entre a Fapesp.

    1992 Consolidao da internet.

    1995 Lanamento de grandes portais e modernos sites.

    1996 A internet atinge mais de seis milhes de servidores e 50 mil sub-redes.

  • 23

    1999 O Napster populariza o compartilhamento de arquivos de msica,

    levando a sucessores que mudaram permanentemente a indstria das

    gravadoras. A populao usuria de internet no mundo ultrapassa 250 milhes

    de pessoas.

    2002 A populao mundial usuria de internet ultrapassa 500 bilhes de

    pessoas.

    2005 Ano de inaugurao do Youtube, que disponibiliza vdeos entre

    internautas

    2006 A populao que usa internet atinge a marca de 1 bilho em todo o

    mundo.

    2008 Os usurios de internet do mundo j ultrapassam 1,5 bilhes de

    pessoas.

    2009 O "Seattle Post-Intelligencer" torna-se o primeiro grande jornal dirio a

    ficar exclusivamente on-line. O Google, por sua vez, anuncia o

    desenvolvimento de um sistema operacional com foco na web.

    4.1.1 Uso da internet pelos paraibanos

    O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE), atravs da

    Pesquisa Nacional por Amostras de Domiclios (PNAD) realizada em 2008,

    mostrou que naquele ano, 26,4% dos paraibanos com 10 anos de idade ou

    mais utilizaram a internet no perodo de referncia nos ltimos trs meses.

    A mesma pesquisa mostrou tambm que 70,2% das pessoas residentes

    no Estado com 10 anos ou mais de idade, utilizaram a internet no perodo em

    questo para educao e aprendizado; 84,8% para comunicao com outras

    pessoas; 64,2% como atividade de lazer; e 39,9%, para leitura de jornais e

    revistas.

  • 24

    CAPTULO III 5 JORNALISMO ON-LINE

    Os primeiros passos da internet brasileira foram protagonizados pela

    Editora Abril, o grupo Folha e o grupo Estado. No mundo, o The New York

    Times foi o primeiro jornal a estrear a verso on-line. De acordo com Ferrari

    (2004, p.25), o primeiro site jornalstico foi o do Jornal do Brasil, criado em maio

    de 1995, seguido pelo O Globo. Como era de se esperar, todos os grandes

    jornais migraram para a grande rede.

    Logo nos primeiros anos do jornalismo eletrnico (entre 1997 e 2000), os

    grandes sites tinham mais preocupao com a quantidade de notcias que a

    qualidade do contedo oferecido aos leitores. No mexem nas cores, nas

    colunas, na tipologia, no fundo da tela. O que prevalece a quantidade de

    informao veiculada (FERRARI, 2004, p. 19).

    certo que o jornalismo on-line precisa ser dinmico, rpido e

    eficiente. A comodidade e a instantaneidade proporcionaram um rpido

    crescimento nesse novo modelo de jornalismo. A juno das redaes do

    impresso com o on-line j no mais novidade. Exemplos disso so empresas

    como a do The New York Times que integrou as equipes e disponibilizou uma

    reproduo do jornal na edio on-line.

    [...] h no jornalismo on line a primazia da velocidade sobre outros atributos da informao, tais como preciso, contextualizao e interpretao. Esses atributos so sacrificados em nome da velocidade. No jornalismo on line as informaes so enviadas continuamente, aos pedaos, ao mesmo tempo que os fatos esto acontecendo. A fragmentao da informao, uma caracterstica do processo de produo da notcia, levada ao extremo no jornalismo on line. um jornalismo que no espera o resultado da batalha. Informa cada troca de tiros. (KUNCINSKI, 2005, p.98).

    De acordo com a Newspaper Association of America (NAA), em 2006,

    o aumento mdio da frequncia de leitores em sites de grandes jornais foi de

    22%, equivalente a 56,4 milhes. Isso mostra o poderio do jornalismo

    eletrnico, que a cada dia cresce em todo o mundo. No final de julho de 2010,

  • 25

    o site Observatrio da Imprensa1, trouxe a informao de que o Jornal do Brasil

    estuda ficar apenas com a verso na internet, onde parte do contedo poder

    ser pago.

    O jornalismo on-line tem o papel e a possibilidade de integrar todas as

    outras mdias. Entre suas particularidades esto caractersticas que o difere

    dos meios de comunicao tradicionais televiso, rdio e jornal. De acordo

    com J.B.Pinho (2003, p.49):

    [...] cada um dos aspectos crticos que diferenciam a rede mundial dessas mdias no linearidade, fisiologia, instantaneidade, dirigibilidade, qualificao, custos de produo e de veiculao, interatividade, pessoalidade, acessibilidade e receptor ativo deve ser mais bem conhecido e corretamente considerado para o uso adequado da internet como instrumento da informao.

    O jornalismo on-line chamado tambm de webjornalismo (refere-se

    apenas ao jornalismo praticado na internet), ciberjornalismo (relacionado

    ciberntica) e jornalismo digital (toda tecnologia que trabalha com dgitos e no

    somente ao computador). Independentemente da expresso, o jornalismo on-

    line cercado por desafios, desde conquistar os leitores a manter informao

    de qualidade.

    A velocidade da notcia no jornalismo on-line uma das caractersticas

    mais marcantes desse veculo, para o qual no existe distncia, nem limite.

    Cada acontecimento noticiado quase que imediatamente, o que bom para o

    leitor que busca informaes. No jornalismo on-line, tempo dinheiro.

    5.1 Caractersticas do jornalismo on-line

    5.1.1 Interatividade - a troca de informaes com o leitor, que passa a

    colaborar efetivamente seja atravs de comentrios sobre determinada notcia

    ou no envio de informaes, como o exemplo abaixo retirado do portal de

    notcia Paraba1 (www.paraiba1.com.br), atravs da seo Eu Vi:

    1 Informao retirada do site http://www.observatoriodaimprensa.com.br

    http://www.paraiba1.com.br/http://www.observatoriodaimprensa.com.br/
  • 26

    Exemplo de interatividade com o leitor www.paraiba1.com.br (seo Eu Vi)

    5.1.2 Instantaneidade esse recurso assemelha-se ao do rdio, pela

    velocidade da notcia. Por ser uma mdia bem diferente dos demais meios de

    comunicao, a internet possibilita a rapidez na divulgao das notcias,

    resultando num contedo mais completo. No seria exagero dizer que nesse

    item, o jornal impresso no nem de longe concorrente do jornalismo on-

    line.

    A internet, com uma velocidade s comparada ao telefone e ao fax,

    reina absoluta na transmisso de notcias rpidas. O jornal impresso, por sua

    vez, apesar da cobertura mais ampla, chegar s bancas no dia seguinte, com

    a notcia precocemente envelhecida. A notcia abaixo mostra um exemplo claro

    da instantaneidade, relatando a morte de uma mulher, em Joo Pessoa,

    atingida por uma linha de cerol.

    http://www.paraiba1.com.br/
  • 27

    Exemplo de instantaneidade da notcia www.clickpb.com.br

    5.1.3 Acessibilidade

    Ainda que no seja atualizado constantemente, o jornalismo on-line

    est disponvel 24 horas e 365 dias por ano, permitindo a leitura de notcias,

    bem como a busca pelas mesmas.

    5.1.4 Integrao das mdias (texto, udio, vdeo, imagens, animao)

    O vdeo na TV, o udio transmitido pelo rdio, o texto encontrado nas

    pginas do jornal e outros atributos foram incorporados pelo jornalismo on-line

    com o objetivo de enriquecer as informaes e satisfazer o leitor com o mximo

    de convergncia possvel. Atualmente, blogs tambm so incorporados aos

    portais.

    http://www.clickpb.com.br/
  • 28

    5.1.4 Hiperlink

    O jornalismo on-line permite o aprofundamento nos assuntos atravs da

    consulta na busca do site ou pelo hiperlink. Esse recurso nunca fora possvel

    em outro meio de comunicao. No momento em que um determinado site traz

    uma matria sobre o aumento no nmero de aparelhos celulares, um link pode

    chamar o leitor para outra matria que trata sobre os malefcios do uso

    excessivo do telefone mvel, e outro link sobre as diversas funes

    encontradas nos mais variados modelos de celular vendidos no mercado.

    6 OS PORTAIS DE NOTCIAS

    Aps fazer um breve apanhado sobre a histria do jornalismo e o

    jornalismo on-line, chegou o momento de abordar o ponto principal desta

    monografia: os portais de notcias. So eles pginas que centralizam

    informaes gerais e especializadas, servios de e-mail, canais de chat,

    shoppings virtuais, ferramenta de busca, entre outros.

    O termo portais foi adotado pelos americanos. No Brasil, os portais de

    notcias surgiram em 1998. importante lembrar que nem todos os sites que

    trazem informaes so necessariamente portais. Os primeiros geralmente so

    a verso on-line dos jornais impressos. Os portais de notcias usam

    efetivamente os elementos do jornalismo on-line (interatividade, hiperlink,

    atualizao, etc).

    Segundo Ferrari (2004, p. 30), os portais costumam ter como

    caractersticas mais comuns a ferramenta de busca, comunidades, comrcio

    eletrnico, e-mail gratuito, entretenimento e esportes, mapas, cotaes

    financeiras, canais, mapa do site e personalizao.

    O modelo adotado pelos portais noticiosos levou em considerao

    muitos elementos do jornal impresso, como a diviso de editorias, a linguagem,

    a apresentao em tela principal (o que seria referente capa do impresso) e a

    utilizao da palavra jornal. Nos grandes portais, que oferecem informao e

    outras variedades ao internauta (exemplo: UOL e Ig), o jornalismo passa a ser

    apenas um dos produtos.

  • 29

    Com os portais, o modo de produo das notcias passou por

    significativas transformaes. Diferente dos jornais impressos que levam pelo

    menos 24 horas para levar uma nova informao ao leitor, os portais so (ou

    deveriam ser) atualizados a cada novo acontecimento. At a forma de escrever

    mudou. J na internet o que se busca so informaes rpidas e especficas,

    em poucas linhas. Caldas, 2002, p.17.

    6.1 Os portais locais

    O jornalismo on-line uma mdia de proximidade, pois enquanto as

    tecnologias de comunicao anteriores destacam a informao global, esse

    novo tipo de jornalismo valoriza o local, sem desprezar o contedo nacional.

    Para Barbosa (2002, p.8), cada um informa do lugar onde se encontra, tecendo

    os fios e amarrando os ns da imensa rede de informaes mundial.

    Os portais regionais tendem a apresentar o interesse pelos fatos que

    acontecem ao redor, mas no deixando de noticiar fatos globais, a exemplo do

    caso Isabella, ocorrido em 2008. Com o jornalismo on-line foi possvel ter mais

    espao para divulgao dos fatos que acontecem na cidade do internauta, no

    bairro e at na mesma rua. No h distancias ou limites.

    A ideia de que o mundo est a um clique de distncia se tornou real com

    os portais de notcias, com grande participao dos portais locais. Em casa, no

    trabalho, em uma viagem de frias: no h limite para saber o que acontece

    nos diferentes pases, regies, estados e cidades. Uma pessoa que, por

    exemplo, mora na Paraba e viaja de frias para Portugal, pode acompanhar

    tudo que passa em seu estado de origem atravs da atualizao dos portais

    locais.

    Os sites de contedo local surgiram nos Estados Unidos, em meados de

    1998. No Brasil, o modelo comeou a se espalhar um ano depois, ainda de

    forma tmida. Uma das caractersticas dos portais locais que eles no

    concorrem com os grandes portais, a exemplo do G1 e do R72, os quais,

    inclusive, servem de fontes de notcias para as redaes locais. Grandes

    portais fornecem contedo de interesse nacional e, por isso, so copiados sem

    problemas pelos portais locais, que tambm so divididos por editorias.

    2 G1 (www.globo.com.br) ; R7 (www.r7.com.br)

    http://www.globo.com.br/http://www.r7.com.br/
  • 30

    Nos portais locais vai valer a proximidade da notcia com determinado

    pblico, informando sobre a campanha poltica para prefeito, danos causados

    pelas chuvas, entre outros exemplos. No deixa de ser, portanto, uma

    estratgia inteligente para atrair o leitor.

    7 OS PROBLEMAS DA EVOLUO DOS PORTAIS DE NOTCIAS

    LOCAIS

    Grande quantidade de informaes no significa qualidade. Tampouco

    credibilidade. Assim como acontece nos jornais impressos, nos quais os textos

    dos reprteres passam pela reviso dos editores, os portais de noticias devem

    considerar essa possibilidade, visto que erros ortogrficos, de concordncia e

    at mesmo de contedo, so observados com frequncia pelos internautas

    mais atentos.

    Alm disso, a reproduo na ntegra de textos de assessoria de

    imprensa outro problema detectado ao longo da pesquisa exploratria para

    elaborao desta monografia.

    Sero analisados os portais de notcias: ClickPB (www.clickpb.com.br),

    PBAgora (www.pbagora.com.br), Wscom (www.wscom.com.br) e Portal Correio

    (www.portalcorreio.com.br).

    O portal de notcia ClickPB surgiu em dezembro de 2005, aps um

    projeto que serviu como base para um Trabalho de Concluso de Curso (TCC),

    pelo estudante Alberto Loureiro, no Instituto de Educao da Paraba (IESP).

    Foi criado com o objetivo de trazer um jornalismo dinmico, rpido e eficiente.

    O segundo portal de notcia analisado no decorrer da elaborao desta

    monografia o PBAgora, que surgiu em janeiro de 2009. Abrange editorias de

    Poltica, Cultura, Brasil, Policial, Sade, Economia, alm de colunistas sociais e

    o canal de interatividade com o leitor, atravs dos comentrios.

    O WScom, por sua vez, foi criado atravs da transmisso de um

    programa de rdio, no ano de 2000. Segundo o setor de marketing e tecnologia

    da empresa, o portal recebe em mdia 200 mil visitas mensais. considerado

    um dos mais completos (ou que mais aproveitam as ferramentas da Web), pela

    convergncia de mdias.

    http://www.clickpb.com.br/http://www.pbagora.com.br/http://www.wscom.com.br/http://www.portalcorreio.com.br/
  • 31

    Por ltimo, o portal Correio, que tem aproximadamente dez mil visitas

    dirias e est disponvel na Web desde 2004. Oferece matrias com fotos e,

    paulatinamente, com udio. D nfase ao contedo local, no entanto, no deixa

    o internauta desinformado, pois traz os destaques do que acontece no Brasil e

    no Mundo.

    Aps o panorama geral e apresentao dos portais que sero

    analisados, passemos para os problemas encontrados.

    7.1 Erros ortogrficos

    Durante o perodo de coleta de material, que aconteceu no perodo de 7 a

    14 de agosto de 2013, para a elaborao desta monografia, foi possvel

    observar recorrentes erros ortogrficos nos portais de notcias locais. O

    primeiro exemplo a ser citado do portal ClickPB (www.clickpb.com.br). O

    texto traz, no segundo pargrafo, o primeiro erro: A vtima estava sentada em

    uma sinuca quando foi surpreendido por dois meliantes em uma moto. Na

    frase possvel apontar erros. Primeiro: o adjetivo surpreendido (que se

    surpreendeu, foi pego de surpresa) deveria combinar com o substantivo a

    vtima. Diante disso, o correto seria: A vtima estava sentada em uma sinuca

    quando foi surpreendida....

    http://www.clickpb.com.br/
  • 32

    Exemplo de erro ortogrfico www.clickpb.com.br

    No terceiro pargrafo do texto, outro erro. O uso do artigo A no incio da

    frase A SAMU incorreta, tendo em vista que a sigla significa Servio de

    Atendimento Mvel de Urgncia. O correto, portanto, seria o uso do artigo

    masculino O SAMU.... Os erros sugerem a falta de ateno, talvez pela

    pressa, reforando a ideia de que no jornalismo on-line a quantidade de notcia

    parece ser mais importante que a qualidade e o zelo com as palavras. [...] s o

    jornalismo requer tudo isso, e depressa, sem que a rapidez seja desculpa

    vlida para o erro ou a mediocridade (Luiz Garcia, 2007, p.19).

    O jornalismo preza pela objetividade como j foi visto nos captulos

    anteriores. Na internet no e nem pode ser diferente. Quem redigiu a

    notcia tambm no se importou com o uso de termos chulos, como meliantes,

    o que deixa o texto pobre, com linguagem mais parecida a um relatrio policial

    e que dificulta a compreenso por parte do leitor. Um bom texto deve ser

    simples e direto, uma sntese entre a linguagem falada e a literria (lvaro

    Caldas, 2004, p. 27).

    http://www.clickpb.com.br/
  • 33

    Exemplo de erro ortogrfico www.clickpb.com.br

    Nessa segunda imagem outros erros de ortografia foram observados. No

    segundo pargrafo, o autor da notcia escreve BR 101, sem o hfen, o que

    incorreto (BR-101). Um pouco mais adiante, ainda no mesmo pargrafo, a

    ausncia de pontuao no texto causa confuso ao leitor.

    Veja a frase: ...quando foi surpreendido por uma dupla, que estava em

    uma moto Bros preta, o carona mandou que o irmo se afastasse e efetuou

    vrios tiros no jovem, que morreu no local. Prezando pela clareza e

    compreenso, melhor seria da seguinte forma: ...quando foi surpreendido por

    uma dupla, que estava em uma moto, modelo Bross, de cor preta. O carona

    mandou o irmo da vtima se afastar e em seguida efetuou vrios tiros no

    jovem, que morreu no local. Observemos que o uso do ponto final fez

    diferena no texto.

    http://www.clickpb.com.br/
  • 34

    Para os erros encontrados nas pginas mostradas acima, nada melhor

    que a declarao de Ferrari (2007, p. 16), [...] ocorre ento uma pressa que

    passa por desleixo, com a publicao de dados errados ou imprecisos e

    portugus sofrvel.

    No adianta colocar a culpa na pressa em atualizar o portal com notcias

    quentes para o leitor. Os erros precisam ser reconhecidos e corrigidos para que

    se possa falar em um bom jornalismo on-line. E no adianta fingir que nada

    aconteceu. Por orgulho, soberba, vaidade ou ignorncia, jornais e jornalistas

    procuram fazer de conta que s acertam. E, quando so pilhados em erro,

    custa-lhes admitir que erraram. (NOBLAT, 2004, p. 40).

    No exemplo abaixo, retirado do Portal Correio

    (www.portalcorreio.com.br), observemos a frase: Quatro homens armados

    invadiram, por volta das 20h, residncia.... O uso da crase, nesse caso,

    indevido. Em seguida, na frase Alguns dos moradores chegaram a ser

    agredidos, mas segundo informaes o tenente-coronel do 2 Batalho da

    Polcia Militar, Souza Neto, ningum ficou ferido. O correto seria

    ...informaes do tenente-coronel....

    http://www.portalcorreio.com.br/
  • 35

    Exemplo de erro ortogrfico www.portalcorreio.com.br

    Na imagem abaixo, possvel observar outro erro primrio. A segunda

    notcia do lado direito da home traz o seguinte erro: DNA no compra estupro

    em Fernanda Ellen. O correto seria comprova e no compra. Vale ressaltar

    que a notcia ficou na pgina com o erro por, pelo menos, trs horas.

    http://www.portalcorreio.com.br/
  • 36

    Erro ortogrfico em home www.wscom.com.br

    7.2 Falta de clareza e objetividade

    Durante a observao dos portais locais escolhidos, tambm foi possvel

    observar, por repetidas vezes, a falta de clareza e objetividade da notcia. No

    raro encontramos relises (material jornalstico enviado pelas empresas para

    publicao) divulgados na ntegra, sem reviso e edio. Tambm h casos de

    notcias que mais parecem relatrio policial, com jarges conhecidos no meio

    policial, mas desconhecidos entre os demais.

    Frases sem sentido, longas, pontuao incorreta, substantivos com letra

    maiscula de forma indevida, entre outros erros, so algumas das deficincias

    encontradas. De acordo com J.B.Pinho (2003, p. 212), na Web, as frases

    devem ser curtas e os pargrafos devem ter no mximo cinco ou seis linhas

    para uma leitura mais fcil e agradvel.

    preciso escrever para que o leitor no apenas leia, mas compreenda a

    notcia, a ponto de reproduzi-la oralmente para outras pessoas. Ainda que errar

    no jornalismo seja considerado normal por alguns profissionais de imprensa, a

    preocupao com os textos deve ser constante. No vale jogar um amontoado

    de frases sem sentido na grande rede, como se no houvesse

    responsabilidade com o internauta e com a prpria informao. Observemos no

    exemplo que se segue:

    http://www.wscom.com.br/
  • 37

    Exemplo de texto sem clareza, conciso e objetividade www.pbagora.com.br

    Vale lembrar que, de acordo com J.B.Pinho (2003, p. 183), ao escrever

    para a Web, necessrio levar em considerao que a luz do monitor do

    computador faz com o que leitor pisque menos os olhos, causando, portanto, a

    fadiga visual. Isso ocasiona a leitura 25% mais devagar que o jornal impresso.

    Sendo assim, o texto para Web deve ser mais curto que o escrito.

    A notcia retirada do portal Wscom (www.wscom.com.br) outro

    exemplo dos problemas do jornalismo on-line praticado na Paraba. O primeiro

    erro pode ser observado no incio do segundo pargrafo, quando o reprter

    inicia a frase com o nome da vtima e, no conclui o pensamento. Erros de

    concordncia podem ser notados em seguida. A dupla chegou encapuzada e

    ao chegar ao local foram atirando....quando o correto seria A dupla chegou

    encapuzada e, ao chegar ao local, foi atirando.

    http://www.pbagora.com.br/http://www.wscom.com.br/
  • 38

    Exemplo de erro ortogrfico em portal local www.wscom.com.br

    Abaixo, temos outro exemplo de um texto sem objetividade. Pode-se

    dizer, inclusive, que se trata de um texto pobre, no qual no h identificao

    dos personagens e o uso excessivo de artigo indefinido.

    http://www.wscom.com.br/
  • 39

    Exemplo de texto sem objetividade e clareza www.clickpb.com.br

    7.3 O problema dos relises

    Nos portais de notcias locais comum a reproduo na ntegra dos

    relises enviados pelas empresas de assessorias de imprensa, o que gera um

    mar de notcias igual, limitando a informao ao leitor, alm de mostrar certo

    desprezo com a prpria atividade jornalstica. O problema da reproduo dos

    relises vem a ser um retrocesso no jornalismo on-line.

    A verdade que muitos editores de portais noticiosos esto

    preocupados apenas com a quantidade de notcias, deixando a qualidade da

    informao em segundo (ou ltimo) plano. O press relise deve cumprir a

    funo de subsidiar ou complementar o trabalho de levantamento de

    informaes ao reprter (Rivaldo Chinem, 2003, p. 68).

    No precisa ter anos de jornalismo para saber que condenvel colocar

    relises na ntegra. A lio repassada, inclusive, em qualquer manual de

    redao, que deixa claro que o relise existe para dar apoio ao trabalho do

    jornalista. Ainda h casos em que o relise assinado com o nome do reprter

    http://www.clickpb.com.br/
  • 40

    do portal ou, ainda, com os contatos da assessoria de imprensa ao final do

    texto.

    No comentrio de Carla Algeri3, no Brasil o relise muito mais que um

    aviso ou sugesto. tratado pelas redaes como uma matria completa,

    pronta para ir ao ar, sem que seja necessrio checar as informaes ou

    complementar o contedo.

    Exemplo de relise reproduzido na ntegra www.clickpb.com.br

    3 Retirado de artigo publicado no site Observatrio da Imprensa

    (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=565JDB005) em 25/07/10.

    http://www.clickpb.com.br/http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=565JDB005
  • 41

    Abaixo podemos conferir a publicao do mesmo relise, tambm na ntegra, sem nenhum diferencial, em outro portal de notcia. Observe:

    Exemplo de relise publicado na ntegra www.pbagora.com.br

    Apenas o Portal Correio teve o zelo de usar o relise como suporte

    para a notcia, apesar de, aparentemente, o reprter ter apenas mudado a

    ordem das palavras. Observemos:

    http://www.pbagora.com.br/
  • 42

    Relise utilizado como suporte para notcia www.portalcorreio.com.br

    Em termos simples, a publicao dos relises na ntegra , no mnimo,

    um ato de preguioso. Vale lembrar que a assessoria de imprensa surgiu no

    incio do sculo XX, com o jornalista Ivy Lee. Foi ele quem conquistou

    mundialmente o ttulo de relaes pblicas. No Brasil, a assessoria de

    imprensa teve seu desenvolvimento registrado a partir dos anos 1930.

    O relise conquistou seu espao no mercado jornalstico. Pode ser

    definido como resumos de notcias com o intuito de estimular os jornalistas a

    escreverem matrias e reportagens sobre determinado assunto. O relise , em

    suma, como j foi falado, o ponto inicial de uma partida.

    Portanto, se os relises costumam ser publicados integralmente pelos

    veculos analisados no decorrer da elaborao desta monografia, preciso que

    os assessores de imprensa sejam mais rigorosos na hora de redigir o material

    que ser enviado para as redaes dos portais de notcias. Pelo acmulo de

    trabalho, de funes e pela corrida contra o tempo, os jornalistas no

    costumam checar as informaes.

    http://www.portalcorreio.com.br/
  • 43

    CONSIDERAES FINAIS

    Diante do que foi abordado neste trabalho acadmico, cabe reflexo

    sobre a qualidade (o que recai na confiabilidade e credibilidade) dos portais de

    notcias com contedo voltado para acontecimentos locais, ou, mais

    especificamente, para fatos ocorridos dentro dos limites geogrficos da

    Paraba.

    Com base nos problemas observados nos portais de notcias durante a

    execuo deste trabalho, possvel afirmar que alguma coisa est errada, seja

    com a linha editorial, seja com os reprteres que apuram e colocam a notcia

    na rede, ou mesmo com o leitor, que no reclama e no exige um jornalismo

    sem erros ou sem tantos erros.

    Atravs do acompanhamento dirio dos portais de notcias (ClickPB,

    PBAgora, Wscom e Correio), foi possvel constatar uma sucesso de erros:

    normas gramaticais esquecidas; lides mal elaborados; textos sem conciso e

    objetividade; informaes incompletas; relises reproduzidos na ntegra,

    inclusive com erros de portugus; dentre outros.

    notrio que falta o cuidado com o material publicado nos quatro

    portais de notcias de Joo Pessoa j citados. A informao chega ao pblico,

    mas no da forma como preza os manuais de jornalismo. Nos quatro portais

    analisados por este TCC muitos foram os erros encontrados. Muitos deles

    primrios, vale destacar.

    No porque o jornalismo on-line tem caractersticas distintas do

    impresso (dentre as quais a possibilidade de correo aps a notcia ser

    publicada), que pode haver descuido. No. O leitor ou o internauta tem

    direito a uma informao correta e de qualidade, o que passa por um texto bem

    escrito e uma apurao rigorosa.

    Outro ponto a ser analisado : se h quem defenda que a tendncia

    que os jornais impressos fiquem apenas com suas verses digitais, como fez o

    Jornal do Brasil, em 2010, porque no tratar o jornalismo on-line com a

    seriedade que ele merece? Se h concorrncia entre os portais, porque no

    evitar erros sucessivos e primrios?

    Diante do que foi observado, pode-se concluir que possvel dar

    continuidade a este trabalho acadmico, com o aprofundamento do tema. A

  • 44

    abordagem pode seguir o mesmo ponto de partida: o problema dos portais de

    notcias de Joo Pessoa, ampliando o estudo com a anlise das possveis

    consequncias desse problema.

    Outro ponto que merece uma anlise mais detalhada em um estudo

    futuro a demora nas atualizaes das notcias. Durante este trabalho,

    verificamos a permanncia de determinadas notcias na homepage (pgina

    inicial) por horas seguidas. O problema parece ser mais recorrente aos finais

    de semana, quando os portais trabalham com a equipe reduzida, em escala de

    planto. Ora, se o jornalismo on-line possibilita a atualizao constante de

    notcias, como explicar esse engessamento dos portais locais?

    Em todos os portais analisados, foi possvel observar a repetio de

    erros. Alguns mais que outros. Dos 14 acessos feitos ao Portal Correio, foram

    constatados erros em 8 deles, o que representa o percentual de 57% de erros.

    Em seis notcias foi possvel localizar erros de ortografia nos textos publicados;

    a falta de clareza e objetividade foram encontradas em outras trs. O tempo de

    permanncia de uma notcia na pgina principal tambm chamou a ateno:

    mais de 8 horas.

    No Wscom, a anlise encontrou a seguinte situao: dos 14 acessos

    realizados no perodo, em 9 foram encontrados algum tipo de erro (ortografia,

    falta de clareza e reproduo de relise na ntegra). O percentual de erros nesse

    casos foi de 64%. Em seguida veio o ClickPB, que apresentou o maior nmero

    de erros: 11 erros em 14 acessos, o que representa o percentual de 78,5%.

    Por ltimo foi analisado o PBAgora. Atravs da anlise realizada,

    possvel afirmar que os erros so recorrentes. Nos 14 acessos feitos, foram

    observados erros em 7 notcias, representando 50%. Dentre as irregularidades

    encontradas esto: palavras escritas de forma incorreta e notcias incompletas,

    como a falta de nomes de personagens e datas.

    Sugere-se, portanto, a continuidade deste trabalho com as abordagens

    j citadas e ainda sobre a relao cada vez mais ntima entre os portais de

    notcias e as redes sociais, onde o internauta/usurio acaba contribuindo com o

    jornalismo, com o repasse de informaes em tempo real (sobre um

    congestionamento em uma importante avenida da cidade). At que ponto essa

    relao benfica ao jornalismo e aos portais de notcias?

    REFERNCIAS

  • 45

    BARBOSA, Suzana (org.). Jornalismo Digital de Terceira Gerao. CALDAS, lvaro (org.). Deu no jornal: o jornalismo impresso na era da internet. 2 ed. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio; So Paulo: Loyola, 2002. CHINEM, Rivaldo. Assessoria de imprensa: como fazer. 2 ed. So Paulo: Summus, 2003. DINES, Alberto. O papel do jornal: uma releitura. 8 ed. So Paulo: Summus, 1974. FORTES, Leandro. Os segredos das redaes: o que os jornalistas s descobrem no dia-a-dia. So Paulo: Contexto, 2008. J.B.PINHO. Jornalismo na Internet: planejamento e produo da informao on-line. So Paulo: Summus, 2003. 71 v. KFURI, Fernanda; RANIERI Arthur; NEGRAES, Roberto (org.). 99 Dias Virtuais: a aventura de dois jovens brasileiros na Internet. So Paulo: Mandarim, 2001. KUNCINSKI, Bernardo. Jornalismo na era virtual: ensaios sobre o colapso da razo tica. So Paulo: Editora Fundao Perseu Abramo : Editora UNESP, 2005. KUNCZIK, Michael. Conceitos de Jornalismo: norte e sul. Traduo de Rafael Varela Jr. 2 ed. So Paulo: Editora da Universidade de So Paulo, 2001. LAGE, Nilson. A reportagem: teoria e tcnica de entrevista e pesquisa jornalstica. 4 ed. Rio de Janeiro: Record, 2004. ______. Teoria e tcnica do texto jornalstico. 2 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. ______. Estrutura da notcia. 6 ed. So Paulo: tica, 2006. ______. Linguagem jornalstica. 8 ed. So Paulo: tica, 2006. NOBLAT, Ricardo. A arte de fazer um jornal dirio. 5 ed. So Paulo: Contexto, 2004. OYAMA, Thas. A arte de entrevistar bem. So Paulo: Contexto, 2008. PENA, Felipe. Teoria do jornalismo. Rio de Janeiro: Contexto, 2005. TRAQUINA, Nelson. Teorias do Jornalismo I: porque as notcias so como so. 2 ed. Florianpolis: Insular, 2005.

  • 46

    ______. Teorias do Jornalismo II: a tribo jornalstica. 2 ed. Florianpolis: Insular, 2008.

  • 47