Juventude Conectada

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Pesquisa da Fundação Telefônica Vivo em parceria com o IBOPE Inteligência, Instituto Paulo Montenegro e Escola do Futuro – USP que visa entender o comportamento do jovem brasileiro na era digital.

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  • 1. 1 Do analgico ao digital: #tudojuntoemisturado
  • 2. Do analgico ao digital #tudojuntoemisturado A revoluo da internet espraia-se por todos os domnios da atividade humana desde meados da dcada de 90 do sculo passado. Relativamente pouco tempo se compa-rado profundidade e extenso das mudanas e consequentes desafios que vieram a reboque do surgimento da mesma. Para citar algumas, pode-se comear com a glo-balizao dos mercados inaugurando uma nova economia que se expande bus-cando pases emergentes e suas populaes, s vezes recm includas social-mente e estimuladas a consumir bens e produtos. Tambm merecem destaque a horizontalizao das relaes de poder, o imediatismo das aes dos atores conectados, a impermanncia de contedos e saberes, a diluio do espao f-sico e a consequente relativizao das fronteiras geogrficas, a instaurao da narrativa no-linear e multimdica em contraposio tradicional escrita linear. A internet inaugura tambm novas formas de ensinar e aprender desencadeando com isso a redefinio dos tradicionais papis de professores e alunos, a possibilidade de mltiplas identidades e a reciprocidade das aes nos ambientes virtuais em rede. [...] a reboque da sociedade contempornea em rede, emergem novas lgicas, novas semnticas, novas literacias, novos modelos de negcios e novas prticas que ultrapassam as dualidades emissor receptor da comunicao de massa do s-culo passado, relocando a ateno dos tericos da comunicao, das instituies de ensino e pesquisa e das empresas da chamada nova economia para a reciprocidade das aes comunicacionais onde os usurios da modernidade agora, na contemporaneidade, so denominados prosumers (produtor + consumidor) com a consequente redefinio dos papis destes atores em rede. (PASSARELLI; JUNQUEIRA, 2012, p. 14). O modelo aberto da internet contribuiu para a consolidao de um novo tipo de agente social, imerso nas redes sociais emergentes, que ao mesmo tempo con-sumidor e produtor de informao e conhecimento. Este novo conceito, j hoje am-plamente utilizado em estudos das interaes comunicativas em ambientes virtuais, foi antecipado por Marshall McLuhan e Barrington Nevitt, em 1972, a partir da convico de que a tecnologia eletrnica viria permitir ao usurio dos sistemas de comunicao assumir simultaneamente as aes de produtor e de consumidor de contedos. A web 2.0 contribuiu para ampliar as possibilidades de participao dos atores conecta-dos no desenvolvimento e circulao de contedos, embora seja necessrio enfatizar que vivenciamos, todos, uma transio conturbada dos padres da sociedade moderna para a ps-moderna, ancorada no hibridismo das mdias de massa modernas (TV aberta e jornais impressos dirios entre outros) com as novas mdias (internet e re-des sociais). As redes sociais, em especial, propiciaram o surgimento de novos contornos para o ativismo e o empreendedorismo principalmente entre as populaes jovens. Vinte e quatro anos separam a introduo da internet no Brasil iniciada em janeiro de 1991 atravs da Fundao de Amparo Pesquisa do Estado de So Paulo (FAPESP), en-to restrita ao ambiente acadmico e que, a partir de 1994 , passa a ser ofertada no Pas de forma comercial do surgimento do Ncleo das Novas tecnologias de Comunicao Aplicadas Educao Escola do Futuro USP , integrado por pesquisadores de diferentes origens movidos pelo interesse comum nas transformaes que as tecnologias de infor-mao e comunicao aportariam ao ensinar e aprender, tanto no contexto da educao formal como na educao aberta para a vida. Para Brasilina Passarelli (2010, p.72), coordenadora cientfica do NAP EF/USP desde 2007, na perspectiva scio-histrica das duas ltimas dcadas, distinguem-se duas ondas na sociedade em rede: uma primeira, cujo ncleo central definido pelas preocupaes, polticas e programas de incluso digital, e a segunda, que se concentra nas diferen-tes formas de apropriao e de produo de conhecimento na web constituindo um novo conjunto de competncias e habilidades (tambm denominadas literacias digitais ou media and information literacy pela UNESCO). A Pesquisa #juventudeconectada Neste contexto, insere-se e justifica-se a presente pesquisa, intitulada Juventude Co-nectada, idealizada e coordenada pela Fundao Telefnica Vivo e realizada em parce-ria com o IBOPE, o Instituto Paulo Montenegro e o Ncleo das Novas Tecnologias da Comunicao Aplicadas Educao Escola do Futuro-USP. Esta pesquisa com-plexa e inovadora em mltiplas dimenses que merecem destaque. complexa pela dificuldade do cruzamento de dados quantitativos extensivos survey com 1.440 res-pondentes com anlise de contedo de entrevistas em profundidade e focus groups. Desta forma, neste livro encontram-se contemplados somente os principais resultados. As vertentes estruturantes contemplaram classe socioeconmica, gnero, faixa etria, ocupao, nvel de escolaridade, infraestrutura regional, urbanidade e metropolizao. Quatro eram os focos de anlise privilegiados nesta pesquisa e assim as questes foram estruturadas para contemplar: #comportamento, #educao e aprendizagem, #ati-vismo e #empreendedorismo. Como inovao, utilizamos um software de monitoramen-to de navegao de 10 entrevistados denominado E-meter. Tambm de carter inovador foi a metodologia de caracterizao do perfil de navegao dos jovens pesquisados em trs grupos por ns denominados: Exploradores Iniciantes, Exploradores Inter-medirios e Exploradores Avanados. 10 Do aalncgio ao adgiilt:#addeijmnooorstttuuu 11
  • 3. Todos os esforos desta pesquisa convergem para que melhor conheamos os usos e comportamentos da juventude brasileira conectada, visando desvendar tendncias e padres. Estes resultados interessam tanto aos jovens, como aos seus familiares, sociedade civil e ao Estado: a todos compete a formao dos jovem brasileiro, que busca ser sujeito e protagonista de seu futuro e estar apto a enfrentar os crescentes desafios impostos por uma sociedade globalizada em rede e imersa na tecnologia digital. A Centralidade da Tecnologia no Sculo XI No mundo contemporneo, a tecnologia constitui-se no novo totem, ocupando agora o lugar central, criando novos parmetros definidores do prprio ser hu-mano. Essa , em grande sntese, a ideia articulada pelo socilogo Derrik de Kerckho-ve na sua teoria do tecnototemismo. Para ele, na transposio para a sociedade tecnolgica dos dias de hoje, o conceito do totemismo se traduz em um continuum entre a mente humana e a mquina, cujo resultado uma profunda e decisiva alterao nas formas como se constituem e se constroem as novas identidades, sociabilidades e sensibilidades dos indivduos na atualidade. Self e redes digitais se interpenetram e se criam em relaes de mtua interdepen-dncia; mquinas e tecnologias tornam-se extenses do corpo; identidades eletr-nicas e avatares circulam no ciberespao constituindo novas formas de habitar e de existir no mundo e a internet torna-se via estruturante da produo, circulao e com-partilhamento das expresses, emoes e da prpria ao social. O conceito de tecnototemismo estruturante para acomodar as inovaes da tec-nologia da informao j em testes atualmente e as que esto sendo concebidas para um futuro prximo e assim reconhecidas como tendncias. Podemos elencar o estu-do de vanguarda desenvolvido pela Fundao Telefnica Espanha em 2011 intitulado Smart Cities: un primer paso hacia la internet de las cosas que desbravava os cenrios das cidades inteligentes como um dos principais acontecimentos da sociedade digital conectada do sculo XXI. A aposta nas cidades inteligentes baseia-se na gesto eficiente de infraestrutura e servios ur-banos, na democratizao do acesso dos cidados s informaes e na melhoria das condies para tomada de decises, tanto no mbito privado como pblico. Alm disso, a prpria platafor-ma das cidades inteligentes favorece a incubao de novos negcios e ideias. O relatrio Smart Cities abarca os servios de uma cidade inteligente, como mobilidade urbana; eficincia energtica e meio ambiente; gesto de infraestrutura e edifcios pblicos; governo e cidadania; segurana pblica; sade; educao, capital humano e cultura e e-commerce. Num segundo momento, o relatrio apresenta as tecnologias que sustentam as cidades inteligentes apontando para a emergncia do Big Data: tecnologias para coleta de dados, transmisso de dados, armazenagem e anlise de dados. Essas tecnologias constituem o novo ecos-sistema das cidades inteligentes e apontam para a necessidade de novos olhares e novas solues para o contemporneo conectado. A cidade mais inteligente inspira informaes em sua infraestrutura fsica para melhorar as convenincias, facilitar a mobilidade, aumentar a eficincia, economizar energia, melhorar a qualidade do ar e da gua, identificar problemas e corrigi-los rapidamente, recuperar rapida-mente de desastres, recolher dados para tomar melhores decises e implantar recursos de for-ma eficaz, e compartilhar dados para permitir a colaborao entre entidades e domnios. Essas operaes sero instrumentadas e guiadas por mtricas de desempenho, com interconexes entre os mais variados setores da sociedade organizada. Mas infundir inteligncia em cada subsistema de uma cidade, um por um transportes, ener-gia, educao, cuidados de sade, edifcios, infraestrutura fsica, alimentao, gua, segurana pblica, entre outros , no suficiente para tornar uma cidade mais inteligente. A cidade mais inteligente deve ser vista como um todo orgnico, como uma rede, como um sistema ligado. Em uma cidade inteligente, ateno dada s conexes e no apenas s partes. 12 Do aalncgio ao adgiilt:#addeijmnooorstttuuu 13