L. NEILMORIS - Biblioteca Virtual Espírita · Intuição das penas e gozos futuros Intervenção...

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O NUMA LINGUAGEM SIMPLIFICADA Adaptação: L. NEILMORIS
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  • O

    NUMA LINGUAGEMSIMPLIFICADA

    Adaptao:

    L.NEILMORIS

  • 2 AllanKardec

    O LIVRO DOS

    ESPRITOSNUMA LINGUAGEMSIMPLIFICADA

    AllanKardec

    Adaptao:L.NEILMORIS

  • 3 OLIVRODOSESPRITOSLinguagemSimplificada

    OLIVRODOSESPRITOSNumalinguagemSimplificadaAllanKardec

    Ttulooriginalemfrancs:LELIVREDESESPRITSLanadoem18deabrilde1857Paris,Frana

    Adaptaode:LouisNeilmoris

    2009Brasil

    www.luzespirita.org.br

  • 4 AllanKardec

    Nota da adaptao

    Apropostadestetrabalhotrazerao meiopopularoconsoloeailuminaoqueOLIVRODOSESPRITOS,escritopelomemorvelCodificadorAllanKardec,sob a orientao de mentores espirituais. Um livro revolucionrio, no sendoexageronenhumquesediga:amaiorobraliterriadetodosostempos.

    Mas, convenhamos, as tradues brasileiras, at ento disponveis, aindaoferecemgrandemassapopulargravesobstculosparaumaperfeitacompreenso,noporfalhadostradutoresmuitopelocontrrio,maspelafidelidadecomqueverteramdosoriginaisemfrancsparaoportugus,mantendoaelevadaelocuo.Kardec, eminente autoridade em lingustica, evidentemente, s poderia escrever alturadosuperiornvelculturaldeseuscontemporneos.Destaforma,enadamaisjusto,asversesprocuramsempreequilibraralinguagem.

    Estaadaptaoprocurasimplificarotextoutilizandosedevocbulosmaiscomuns,maisatualizados,noentanto,semalteraroteordaargumentao.

    As novas verdades que a maravilhosa Doutrina Esprita nos traz devemestaraoalcancedetodos,porumaquestoderespeitoedeamor.

    LouisNeilmoris

  • 5 OLIVRODOSESPRITOSLinguagemSimplificada

    OLivrodosEspr itosPRINCPIOSDADOUTRINAESPRITA

    Sobreaimortalidadedaalma,anaturezadosEspritosesuasrelaescomoshomens,asleismorais,avidapresente,avidafuturaeoporvirdaHumanidadesegundoosensinosdadospor Espritossuperiorescoma

    cooperaodediversosmdiuns recebidosecoordenadospor:

    ALLANKARDEC

  • 6 AllanKardec

    SumrioIntroduo aoestudodaDoutrinaEsprita pg.11Prolegmenos pg.37

    PARTEPRIMEIRADascausaspr imr ias

    CAPTULOIDeDeus pg.41DeuseoInfinitoProvasdaexistnciadeDeusAtributosdaDivindadePantesmo

    CAPTULOIIDoselementosgeraisdoUniverso pg.45ConhecimentodoprincpiodascoisasEspritoematriaPropriedadesdamatriaEspaouniversal

    CAPTULOIIIDaCriao pg.50FormaodosmundosFormaodosseresvivosPovoamentodaTerra.AdoDiversidadedasraashumanasPluralidadedosmundosConsideraeseconcordnciasbblicasconcernentescriao

    CAPTULOIVDoPrincpiovital pg.56SeresorgnicoseinorgnicosAvidaeaMorteIntelignciaeinstinto

    PARTESEGUNDADomundoespr itaoumundodosEspr itos

    CAPTULOIDosEspritos pg.61OrigemenaturezadosEspritosMundonormalprimitivoFormaeubiquidadedosEspritosPerispritoDiferentesordensdeEspritosEscalaesprita

  • 7 OLIVRODOSESPRITOSLinguagemSimplificada

    Terceiraordem. EspritosimperfeitosSegundaordem BonsEspritosPrimeiraordem EspritospurosProgressodosEspritosAnjosedemnios

    CAPTULOIIDaencarnaodosEspritos pg.74ObjetivodaencarnaoAalmaMaterialismo

    CAPTULOIIIDavoltadoEsprito,extintaavidacorprea,vidaespiritual pg.80AalmaapsamorteSeparaodaalmaedocorpoPerturbaoespiritual

    CAPTULOIVDapluralidadedasexistncias pg.85AreencarnaoJustiadareencarnaoEncarnaonosdiferentesmundosTransmigraesprogressivasSortedascrianasdepoisdamorteSexonosEspritosParentesco,filiaoParecenasfsicasemoraisIdeiasinatas

    CAPTULOVConsideraessobreapluralidadedasexistncias pg.99CAPTULOVIDavidaesprita pg.104

    EspritoserrantesMundostransitriosPercepes,sensaesesofrimentosdosEspritosEnsaiotericodasensaonosEspritosEscolhadasprovasAsrelaesnoalmtmuloRelaesdesimpatiaedeantipatiaentreosEspritos.MetadeseternasRecordaodaexistnciacorpreaComemoraodosmortos.Funerais

    CAPTULOVIIDavoltadoEspritovidacorporal pg.128PreldiodavoltaUniodaalmaedocorpoFaculdadesmoraiseintelectuaisdo homemInflunciadoorganismoIdiotismo,loucuraAinfnciaSimpatiaeantipatiaterrenasEsquecimentodopassado

    CAPTULOVIIIDaemancipaodaalma pg.144OsonoeossonhosVisitasespritasentrepessoasvivas

  • 8 AllanKardec

    TransmissoocultadopensamentoLetargia.Catalepsia.MortesaparentesSonambulismoxtaseDuplavistaResumotericodosonambulismo,doxtaseeda duplavista

    CAPTULOIXDaintervenodosEspritosnomundocorporal pg.159FaculdadequetmosEspritosdepenetraremnossospensamentosInflunciaocultadosEspritosemnossospensamentoseatosPossessosConvulsionriosAfeioqueosEspritosvotamacertaspessoasAnjosdeguarda. Espritosprotetores,familiaresousimpticosPressentimentosInflunciadosEspritosnosacontecimentosdavidaAodosEspritossobreosfenmenosdaNaturezaOsEspritosduranteoscombatesPactosPoderoculto.Talisms.FeiticeirosBnosemaldies

    CAPTULOXDasocupaesemissesdosEspritos pg.182CAPTULOXIDostrsreinos

    OsmineraiseasplantasOsanimaiseohomemMetempsicose

    PARTETERCEIRADasleismorais

    CAPTULOIDaleidivinaounatural pg.198CaracteresdaleinaturalConhecimentodaleinaturalObemeomalDivisodaleinatural

    CAPTULOIIDaleideadorao pg.205ObjetivodaadoraoAdoraoexteriorVidacontemplativaAprecePolitesmoSacrifcios

    CAPTULOIIIDaleidotrabalho pg.213NecessidadedotrabalhoLimitedotrabalho.Repouso

    CAPTULOIVDaleidereproduo pg.216Populao doGlobo

  • 9 OLIVRODOSESPRITOSLinguagemSimplificada

    SucessoeaperfeioamentodasraasObstculosreproduoCasamentoecelibatoPoligamia

    CAPTULOVDaleideconservao pg.220InstintodeconservaoMeiosdeconservaoGozodosbensterrenosNecessrioesuprfluoPrivaesvoluntrias.Mortificaes

    CAPTULOVIDaleidedestruio pg.226DestruionecessriaedestruioabusivaFlagelosdestruidoresGuerrasAssassnioCrueldadeDueloPenademorte

    CAPTULOVIIDaleidesociedade pg.234NecessidadedavidasocialVidadeinsulamento.VotodesilncioLaosdefamlia

    CAPTULOVIIIDaleidoprogresso pg.237EstadodenaturezaMarchadoprogressoPovosdegeneradosCivilizaoProgressodalegislaohumanaInflunciadoEspiritismonoprogresso

    CAPTULOIXDaleideigualdade pg.245IgualdadenaturalDesigualdadedasaptidesDesigualdadessociaisDesigualdadedasriquezasAsprovasderiquezaedemisriaIgualdadedosdireitosdohomemedamulherIgualdadeperanteotmulo

    CAPTULOXDaleideliberdade pg.251LiberdadenaturalEscravidoLiberdadedepensarLiberdadedeconscinciaLivrearbtrioFatalidadeConhecimentodofuturoResumotericoda motivao dasaeshumanas

  • 10 AllanKardec

    CAPTULOXIDaleidejustia,deamoredecaridade pg.263JustiaedireitosnaturaisDireitodepropriedade.RouboCaridadeeamordoprximoAmormaternoefilial

    CAPTULOXIIDaperfeiomoral pg.269AsvirtudeseosvciosPaixesOegosmoCaracteresdohomemdebemConhecimentodesimesmo

    PARTEQUARTADasesperanaseconsolaes

    CAPTULOIDaspenasegozosterrenos pg.280FelicidadeeinfelicidaderelativasPerdadosentesqueridosDecepes.Ingratido.AfeiesdestrudasUniesantipticasTemordamorteDesgostodavida.Suicdio

    CAPTULOIIDaspenas egozosfuturos pg.291ONada.VidafuturaIntuiodaspenasegozosfuturosIntervenodeDeusnaspenaserecompensasNaturezadaspenasegozosfuturosPenastemporaisExpiaoearrependimentoDuraodaspenasfuturasRessurreiodacarneParaso,infernoepurgatrio

    Concluso pg.311

  • 11 OLIVRODOSESPRITOSLinguagemSimplificada

    Introduo ao estudo da Doutrina Esprita

    I

    Paradesignar coisasnovassonecessriaspalavrasnovas.Assimexigeaboacompreenso,paraevitaraconfusoqueocorreaspalavrastmvriossentidos.Os termos: espiritual, espiritualista, espiritualismo tm uma definio bemdefinida, e acrescentarlhes nova significao, para apliclos doutrina dosEspritos,seriamultiplicaroscasosdenumerosaspalavrascommuitossignificados.Defato,oespiritismooopostodomaterialismo.Aquelequeacreditahaveremsialguma coisa almdamatria espiritualista.Entretanto, isso no quer dizer quecreianaexistnciadosEspritosouemsuascomunicaescomomundovisvel.Emvez das palavras espiritual,espiritualismo,ns usamos, para indicara crenanosseresespirituais,os termosespritaeespiritismo,cuja forma lembraaorigemeosentido da raiz da palavra e que, por issomesmo, apresentam a vantagem de serperfeitamentecompreensveis, deixandoao vocbuloespiritualismo asignificaoque lheprpria.Diremos,pois,queadoutrinaespritaouoEspiritismo temporprincpio as relaes do mundo material com os Espritos ou seres do mundoinvisvel. Os adeptos do Espiritismo sero os espritas, ou, se quiserem, osespiritistas.

    Comoespecialidade,O LIVRODOSESPRITOS contmadoutrinaespritacomo generalidade, ligase doutrina espiritualista, que uma de suascaractersticas. Essa a razo porque traz no cabealho do seu ttulo as palavras:Filosofiaespiritualista.

    II

    Igualmente,houtrapalavraquetodosnsdevemosentender,porseremsiumdosfechosdeabbada,ouseja,asustentao detodadoutrinamoraleserobjetodeinmerascontrovrsias,porfaltadeumaacepobemdeterminada.apalavraalma. A divergncia de opinies sobre a natureza da alma nasce da aplicaoparticularquecadaumdaesse termo.Umalnguaperfeita,emquecadaideia fosseexpressaporumtermoprprio,evitaria muitasdiscusses.

    Segundouns,aalmaoprincpiodavidamaterialorgnica,quenotemexistnciaprpriaeterminacomavida:omaterialismopuro.Nestesentidoeporcomparao,dizsedeum instrumento rachado,quenoemitemaisnenhumsom:notemalma.De acordo comessaopinio,aalmaseriaefeitoenocausa.

  • 12 AllanKardec

    Outrospensamqueaalmaoprincpiodainteligncia,agenteuniversaldoqual cada ser absorve certa poro. Segundo esses, haveria em todo o Universoapenasumanicaalmaadistribuircentelhas(partesdamesmaalma)pelosdiversosseresinteligentesduranteavidadesteseque,comamorte,cadacentelhavoltariafontecomum,ondesemisturariacomotodo,comoosriachoseosriosvoltamaomar,dondesaram.Essaopiniodiferedaanterior emque,nestahiptese,nohemnssomentecorpo,masquerestaalgumacoisaapsamorte.Contudo,quasecomosenadasubsistisse,porque,nohavendoindividualidade,no teramosmaisconscincia de nsmesmos.Dentro desta opinio, a almauniversal seriaDeus, ecadaserum pedao dadivindade. Essauma variantedo pantesmo.1

    Finalmente,segundooutros,aalmaumsermoral,distinto,independentedamatriaequeconservasuaindividualidadeapsamorte.Estadefinio,semdvida,amaiscomum,porque,debaixodeumnomeoudeoutro,aideiadesseserquesobreviveaocorposeencontra,noestadodecrenainstintiva,noresultadodenenhumensino,entretodosospovos,qualquerquesejaograudecivilizaodecada um. Essa doutrina, segundo a qual a alma causa e no efeito, a dosespiritualistas.

    Sem discutir o mrito de tais opinies e considerando apenas o ladolingustico da questo, diremos que estas trs aplicaes do termo almacorrespondematrsideiasdistintas,queparaseremexpressasclaramente,precisariatrsvocbulosdiferentes.Portanto,essapalavratemtrplicesignificadoecadaum,comrazo,podedefinilacomobemfaz, segundoseupontode vista.Oproblemaestemalnguadisporsomentedeumapalavraparaexprimirtrsideias.Afimdeevitar todo equvoco, seria necessrio reduzir a acepo do termo alma a umadaquelasideias.Aescolha indiferenteoquese faznecessriooentendimentoentre todos reduzindooproblemaaumasimplesquestodeconveno. Julgamosmais lgico tomlo na sua acepo vulgar e por isso chamamos ALMA ao serimaterialeindividualqueemnsexisteesobreviveaocorpo.Mesmoqueessesernoexistisse,nopassassedeprodutodaimaginao,aindaassimseriaprecisoumtermoparadesignlo.

    Naausnciadeumvocbuloespecialparatraduodecadaumadasoutrasideiascorrespondentes palavraalma,denominamos:

    Princpiovitalo princpio da vidamaterial e orgnica, qualquer que sejasua origem, princpio esse comum a todos os seres vivos, desde as plantas at ohomem.Jquepodehavervidasemacapacidadedepensar,assimoprincpiovital uma propriedade da matria, um resultado que se produz quando a matria seencontraemcertascircunstncias.Segundooutros,eestaaideiamaiscomum,eleestemumfluidoespecial,universalmenteespalhadoedoqualcadaserabsorveeassimila umaparcela durante a vida, tal comoos corpos imveis absorvema luz.Esseseriaentoofluidovitalque,naopiniodealguns,emnadadiferedofluidoeltricoanimalizado,aoqualtambmsedoosnomesdefluidomagntico,fluidonervoso,etc.

    Sejacomofor,humfatoqueningumpoderiacontestar,poisqueresultadaobservao:queosseresorgnicostmemsiumaformantimaquedetermina

    1Pantesmo:ideiafilosficaque,emsntese,defendequetodoouniversoocorpodeDeusecadaserumaporodEle N.E(NotadestaEdio)

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    o fenmeno da vida, enquanto essa fora existe que a vidamaterial comum atodos os seres orgnicos e independe da inteligncia e do pensamento que aintelignciaeopensamentosocapacidadesprpriasdecertasespciesorgnicasfinalmente,queentreasespciesorgnicasdotadasdeintelignciaedepensamentoh uma dotada tambm de um senso moral especial, que lhe d incontestvelsuperioridadesobreasoutras:aespciehumana.

    Concebese que, com uma acepomltipla, o termo alma no exclui omaterialismo,nemopantesmo.Oprprioespiritualismopodeentenderaalmadeacordo com uma ou outra das duas primeiras definies, sem prejuzo do Serimaterial distinto, a que ento dar um nome qualquer. Assim, essa palavra norepresentaumasopinio:umProteu2,quecadaumajeitaaseugosto.Datantasdisputasinterminveis.

    Aconfusoseriaevitada,mesmousandosedotermoalmanostrscasos,desdequese lheacrescentasseumqualificativoespecificandoopontodevistaemque se est colocado, ou a aplicao que se faz da palavra.Esta teria, ento, umcarter genrico, designando,aomesmo tempo, o princpio da vidamaterial, o daintelignciaeodosensomoral,quesedistinguiriammedianteumatributo,comoosgases, por exemplo, que se distinguemaditandose ao termogenrico as palavrashidrognio,oxignio,ouazoto.Poderseia,assim,dizer,etalvezfosseomelhor,aalma vital indicando o princpio da vida material a alma intelectual oprincpio da inteligncia, e a alma esprita o da nossa individualidade aps amorte.Como se v, tudo istono passa deumaquesto de palavras,mas questomuitoimportantequandosetratadenosfazermosentendidos.Deconformidadecomessamaneiradefalar,aalmavitalseriacomumatodososseresorgnicos:plantas,animais e homens a alma intelectual pertenceria aos animais e aos homens e aalmaesprita somenteaohomem.

    Julgamos dever insistir nestas explicaes pela razo de que a DoutrinaEspritabaseiasenaturalmentesobreaexistncia,emns,deumserindependenteda matria e que sobrevive ao corpo. Como a palavra alma deve aparecer comfrequncia no curso desta obra, era preciso definir bem o seu sentido a fim deevitarmosqualquerengano.

    Passemosagoraaoobjetoprincipaldesta instruopreliminar.

    III

    Como tudo que novidade, a Doutrina Esprita conta com seguidores eopositores. Vamos tentar responder a algumas das contradies destes ltimos,examinando o valor dosmotivos emque se apoiam, todavia, sem alimentarmos apretenso de convencer a todos, pois muitos h que creem que a luz foi feitaexclusivamente para eles. Vamos nos dirigir aos de boaf, aos que no trazemideias preconcebidas ou decididamente firmadas contra tudo e todos, aos quesinceramente desejam instruirse e lhes demonstraremos que a maior parte dasobjees opostas doutrina vem da observao incompleta dos fatos e de um

    2Proteu:aquelequemudadeopinioouideiaatodomomento.

  • 14 AllanKardec

    julgamento falsoeprecipitado.Lembremos primeiramente, em poucas palavras, a srie progressiva dos

    fenmenosquederamorigemDoutrinaEsprita.Oprimeirofatoobservadofoiomovimentosdeobjetosdemaneirageral,

    chamado de mesas girantes ou dana das mesas. Esse fenmeno, descobertoprimeiramente nos Estados Unidos, ou melhor, que se repetiu e foi anunciadonaquele pas, porque a histria prova que vem da Antiguidade, se manifestouacompanhado de circunstncias estranhas, comobarulhos anormais,pancadas semcausaaparenteouconhecida.DaAmricasepropagourapidamentepelaEuropaeem seguida por todo o mundo. A princpio houve muita incredulidade, mas amultiplicidadedasexperincias nomaispermitiuduvidardarealidade.

    Se tal fenmeno se limitasseaomovimentode objetosmateriais, poderiaserexplicadoporumacausapuramentefsica.Estamoslongedeconhecertodososagentes ocultos da Natureza, ou todas as propriedades dos que conhecemos: aeletricidademultiplicadiariamenteosrecursosqueproporcionaaohomemeparecedestinada a iluminar a Cincia com uma nova luz. Nada de impossvel haveria,portanto, em que a eletricidademodificada por certas circunstncias, ou qualqueroutroagentedesconhecido,fossecausadosmovimentosobservados.Ofatodequeareunio demuitas pessoas aumenta a potencialidade daao parecia vir emapoiodessa teoria, visto poderse considerar o conjunto dos assistentes comoumapilhamltipla,comoseupotencialnarazodiretadonmerodoselementos.

    Omovimentocircularnadaapresentavadeextraordinrio:estnaNatureza.Todososastrossemovememcurvaselipsoidespoderamos,pois,terali,empontomenor, um reflexo do movimento geral do Universo, ou melhor, uma causa, atento desconhecida, produzindo acidentalmente, com pequenos objetos em dadascondies,umacorrenteanlogaqueimpeleosmundos.

    Ocorrequeomovimentonemsempreeracircularmuitasvezeserabruscoe desordenado, sendo o objeto violentamente sacudido, derrubado, levado numadireoqualquer e,contrariamentea todasasleisdaesttica, levantadoemantidoemsuspenso.Aindaaquinadahaviaquesenopudesseexplicarpelaaodeumagentefsicoinvisvel.Novemosaeletricidadedeitarporterraedifcios,arrancarrvores,atirarlongeosmaispesadoscorpos,atralosourepelilos?

    Os rudos extraordinrios, as pancadas, ainda que no fossem um dosefeitos ordinrios da dilatao damadeira, ou de qualquer outra causa acidental,podiam muito bem ser produzidos pela acumulao de um fluido oculto: aeletricidade noproduz rudosformidveis?3

    Ata,comosev,tudopodeestarconformeosfatospuramentefsicosefisiolgicos.Noentanto, semsairdessecampode ideias, jhaviaaliassuntoparaestudos srios e dignos de prender a ateno dos sbios. Por que assim noaconteceu?penosodizlo,maso fatodecorrede causasqueprovam,entremiloutros semelhantes, a leviandade do esprito humano. A banalidade do objetoprincipalqueserviudebasesprimeirasexperincias(nocaso,amesa)provocouaindiferenadossbios.Queinfluncianotemtidomuitasvezesumapalavrasobreas coisasmais graves! Semconsiderar que omovimento podia ser aplicadoa um

    3 O autor se referia a eventos naturais provocados por descargas de relmpago e raios, mas hojeconhecemosmuitomelhordopoderiadaeletricidade N.E.

  • 15 OLIVRODOSESPRITOSLinguagemSimplificada

    objeto qualquer, a ideia dasmesas prevaleceu, semdvida, por ser o objetomaiscmodo e porque, roda de uma mesa as pessoas se sentam muito maisnaturalmentedoqueemtornodequalqueroutromvel.Ora,oshomenssuperiores(importantes) so com frequncia to pretensiosos que no h como ter porimpossvelquecertosespritosdeelitetenhamconsideradovergonhosoocuparemsecomoqueseconvencionarachamaradanadasmesas.mesmoprovvelquese o fenmeno observado porGalvani tivesse sidoporhomens vulgares e ficassecaracterizado por um nome comum, ainda estaria relegado a fazer companhia varinhamgica.Qual,comefeito,osbioquenohouverajulgadoumaindignidadeocuparsecoma danadasrs?4

    Todavia, alguns sbios, muito modestos para admitir que a Naturezapudesse ainda no lhesterdito altimapalavra,quiseramver,paratranquilizarsuasconscincias. Mas aconteceu que o fenmeno nem sempre lhes correspondeu expectativa e, como o fato no se produziu constantemente vontade deles e deacordo com a maneira como se comportaram na experimentao, concluram emnegar asmanifestaes. Apesar do que decretaram, asmesas continuam a girar epodemosdizercomGalileu:todavia,elassemovem!Acrescentaremosqueosfatossemultiplicaramde talmodoque desfrutamhoje do direito cidadania, eno sepensaemmaisnadasenoacharumaexplicaoracional.

    Podeseconcluiralgocontraarealidadedofenmenopelofatodeelenose produzir de modo sempre idntico, segundo a vontade e s exigncias doobservador?Os fenmenos de eletricidade e de qumicano esto subordinados acertas condies? Ser justo neglos, porque no se produzem fora dessascondies? Devemos estranhar que o fenmeno do movimento dos objetos pelofluido humano tambm se ache sujeito a determinadas condies e deixe de seproduzirquandooobservador,colocandosenoseupontodevista,pretendeobrigloseguiromodoquecaprichosamentelheimponha,ouqueirasujeitlosleisdosfenmenos conhecidos, sem considerar que para fatos novos pode e deve havernovas leis? Ora, para se conhecerem essas leis, preciso que se estudem ascircunstncias emque os fatos se produzeme esse estudo nopode deixarde serfrutodeobservaoperseverante,atentaesvezesmuitolonga.

    Porm,algumaspessoascontestam:hfrequentementefraudesvisveis.Emprimeiro lugar, perguntaremos se esto bem certas de que haja fraudes e se notomaram por falsos efeitos que no podiam explicar, mais ou menos como ocampons que confundiu um sbio professor de Fsica, enquanto a fazer suasexperincias, por um astuto enganador. Admitindose mesmo que haja fraudesalgumasvezes,seriaissorazoparanegarseofato?DevesenegaraFsica,porquehilusionistasque doasimesmo ottulodefsicos? Aodemais,devemoslevaremcontaocarterdaspessoaseointeressequepossamteremiludir.Ento,seriatudomero piada? Admitese que uma pessoa se divirta por algum tempo, mas umabrincadeira prolongada indefinidamente se tornaria to enfadonho para omistificador, como para o mistificado. Acresce que, numa mistificao que se

    4 Foi observando o que ele mesmo chamou de dana das rs que o mdico e fsico italiano LuigiGalvani(17371798)desenvolveuoestudoqueresultounadescobertadofluidoeltrico,que resultariamaistardenainvenodapilhaeltrica.Aqui,Kardecfazumparaleloentredoiseventosaparentementegrotescoseosimportantesresultadosdelesextrados N.E.

  • 16 AllanKardec

    espalha de um canto a outro domundo e por entre as mais srias, venerveis eesclarecidas personalidades, certamente h qualquer coisa to extraordinria, pelomenos,quantooprpriofenmeno.

    IV

    Se os fenmenos, de que estamos tratando, tivessem ficado restritos aomovimento dos objetos, teriam permanecido, como dissemos, no domnio dascinciasfsicas.Entretanto,nofoiassimqueaconteceu:estavamdestinadosanoscolocarnafrentedefatosestranhos.Acreditaramhaverdescobertonosabemospela iniciativa de quem que a impulso dada aos objetos no era apenas oresultadodeumaforamecnicacegaquehavianessemovimentoaintervenodeuma causa inteligente. Uma vez aberto, esse caminho conduziu a um campototalmentenovo de observaes.O vu que cobriamuitosmistrios se levantava.Haverrealmentenessecasoumaforainteligente?Eisaquesto.Seessapotnciaexiste, qual ela, qual a sua natureza, a sua origem? Encontrase acima daHumanidade? Aquiesto outrasquestesquedecorremdaanterior.

    Asprimeirasmanifestaes inteligentes seproduzirampormeiodemesasque se levantavam e, com um dos ps, davam certo nmero de pancadas,respondendo desse modo sim, ou no, conforme ficou acertado, a umapergunta feita. At a nada de convincente havia para os descrentes, pois bempodiam crer que tudo fosse obra do acaso. Obtiveramse depois respostas maisdesenvolvidas com o auxlio das letras do alfabeto: omvel (amesa) dava certonmero de pancadas correspondente ao nmero de ordem de cada letra para sechegaraformarpalavrasefrasesquerespondiamsquestespropostas.Aexatidodasrespostasearelaoquemostravamcomasperguntascausaramespanto.Osermisteriosoqueassimrespondia,interrogadosobreasuanatureza,declarouqueeraEspritoouGnio, revelouo nomeeprestoudiversasinformaesaseurespeito.Haqui uma circunstncia muito importante, que se deve assinalar: que ningumimaginouosEspritoscomomeiodeexplicarofenmenofoioprpriofenmenoquerevelouapalavra.Muitasvezes,emsetratandodascinciasexatas,seformulamhiptesesparadarseumabaseaoraciocnio.Noocaso aqui.

    Talmeiodecorrespondnciaera,porm,demoradoeincmodo.OEsprito(eistoconstituinovacircunstnciadignadenota)indicououtro.Foiumdessesseresinvisveisquemaconselhouaadaptaodeumlpisaumacestaouaoutroobjeto.Colocada em cima de uma folha de papel, a cesta posta em movimento pelamesmapotnciaocultaquemoveasmesasmas,emvezdeumsimplesmovimentoregular,olpistraaporsimesmocaracteresformandopalavras,frases,dissertaesdemuitaspginassobreasmaisaltasquestesdefilosofia,demoral,demetafsica,depsicologia,etc.,ecomtantarapidez como se fosseescrito mo.

    Oconselhofoidado aomesmotempo naAmrica,naFranaeemdiversosoutrospases.Eiscomofoidito emParis, nodia10dejunhode1853,aumdosmaisfervorosos adeptos da doutrina e que,haviamuitos anos,desde 1849, se ocupavacom a evocao dos Espritos: V buscar, no aposento ao lado, a cestinhaamarralheum lpiscolocaasobreopapelpelheosteusdedossobreaborda.

  • 17 OLIVRODOSESPRITOSLinguagemSimplificada

    Algunsinstantesaps,acestaentrouamoverseeolpisescreveu,muitolegvel,estafrase:Proboexpressamentequetransmitasaquemquerquesejaoqueacabodedizer.Daprimeiravezqueescrever,escrevereimelhor .5

    O objeto a que se adapta o lpis a cestinha no passava demeroinstrumentoesuanaturezaesua formanadaimportava.Procurouseumamaneiramaiscmodaeassimquemuitagenteseservedeuma pequena prancheta.

    A cesta ou a prancheta s podem ser postas emmovimento debaixo dainfluncia de certas pessoas, dotadas, para isso, de umpoder especial, as quais sedesignam pelo nome de mdiuns, isto , intermedirios entre os Espritos e oshomens. As condies que do esse poder resultam de causas ao mesmo tempofsicas e morais, ainda imperfeitamente conhecidas, pois h mdiuns de todas asidades, de ambos os sexos e em todos os graus de desenvolvimento intelectual.Todavia, essafaculdade tambmsedesenvolve peloexerccio.

    V

    Mais tarde se reconheceu que a cesta e a pranchetano eram, realmente,maisdoqueumsubstitutodamo,eomdium,segurandoolpisdiretamente,seps a escrever por um impulso involuntrio e quase febril. Dessa maneira, ascomunicaessetornarammaisrpidas,maisfceisemaiscompletas.Hojeesseomodo maisempregado e porisso onmerode pessoasdotadasdessaaptidomuitoconsidervelecrescetodososdias.Finalmente,aexperinciadeuaconhecermuitasoutras variedades da faculdademedinicas, vindose a saber queas comunicaespodiamigualmentesertransmitidaspelapalavra,pelaaudio,pelaviso,pelotato,etc., e at pela escrita direta dos Espritos, isto , sem o concurso da mo domdium,nemdolpis.

    Obtidoo fato,restavacomprovarumpontoessencial:opapeldomdiumnas respostas e a parte que, mecnica e moralmente, pode ter nelas. Duascircunstncias fundamentais, que no escapariam a um observador atento, tornampossvel resolverse a questo. A primeira consiste na forma pela qual a cesta semove sob a influncia do mdium, apenas impondo os dedos sobre a borda. Oexame do fato demonstra a impossibilidade de o mdium impor uma direoqualquer ao movimento daquele objeto. Essa impossibilidade mais evidente,sobretudo,quandoduasoutrspessoascolocamjuntamenteasmossobreacesta.Seria preciso uma concordncia de movimento entre elas verdadeiramentefenomenal.Seriaprecisoaindaaconcordnciadospensamentos,paraquepudessemestardeacordoquantorespostaadarquestoformulada.Outrofato,nomenosrelevante, ainda vem aumentar a dificuldade: a mudana radical da caligrafia,conformeoEspritoquesemanifesta,reproduzindoseadeumdeterminadoEspritotodas as vezes que ele volta a escrever. Ento, seria necessrio que o mdiumpraticasse caligrafia vinte formas diferentes de caligrafia e, principalmente, quepudesselembrarsedaquecorrespondea esse ouquele Esprito.

    A segunda circunstncia resulta danaturezamesmadas respostas que, as

    5Naturalmentequeaproibioeraportempolimitado N.E.

  • 18 AllanKardec

    mais das vezes, especialmente quando sedebatemquestes abstratas e cientficas,muitoacimadosconhecimentose,noraro,doalcanceintelectualdomdium,que,alm disso, como normalmente sucede, no tem conscincia do que se escrevedebaixodasuainflunciaque,frequentemente,noentendeounocompreendeaquesto proposta, podendo ser num idioma que ele desconhea, ou mesmomentalmente, podendo a resposta ser dada nesse idioma. Enfim, acontece muitoescreveracestaespontaneamente,semquesehajafeitoperguntaalguma,sobreumassuntoqualquer,inteiramente improvisado.

    Em certos casos, as respostas revelam tanta sabedoria, profundeza eoportunidadeexprimempensamentostoelevados,tosublimes,quenopodemvirsenodeumaIntelignciasuperior,impregnadadamaispuramoralidade.Deoutrasvezes, so to levianas, to fteis, to vulgares, que a razo recusa admitir quepossam sair damesma fonte. Tal diversidade de linguagemno se pode explicarseno pela diversidade das Inteligncias que semanifestam.E essas IntelignciasestonaHumanidadeouforadaHumanidade?Esteopontoaseresclarecidoecujaexplicaoseencontrarcompletanestaobra,comoosprpriosEspritos nosderam.

    Eis que efeitos evidentes que se produzem fora do crculo habitual dasnossasobservaesquenoocorremmisteriosamente,mas,aocontrrio,luzdodia, que toda gente pode ver e comprovar que no constituem privilgio de umnicoindivduoequemilharesdepessoasrepetemtodososdias.Essesefeitostmnecessariamente uma causa e a partir do momento quemostram a ao de umaintelignciaedeumavontade,saemdodomniopuramentefsico.

    Muitasteoriasforamgeradasaesterespeito.Vamosexaminlasaseguireveremossesocapazesdeofereceraexplicaodetodososfatosqueseobservam.Admitamos, enquanto no chegamos at l, a existncia de seres distintos doshumanos, pois que esta a explicao ministrada pelas Inteligncias que semanifestam,evejamosoqueelesnosdizem.

    VI

    Conformenotamosacima,osprpriosseresquesecomunicamsedesignama simesmos pelo nomedeEspritos ouGnios, dos quais alguns declaram terempertencido ahomensqueviveramnaTerra.Elescompemomundo espiritual,comonsconstitumosomundocorporal duranteavidaterrena.

    Vamos resumir,empoucaspalavras,ospontosprincipaisdadoutrinaquenostransmitiram,afimdemaisfacilmente respondermosacertasobjees.

    v Deus eterno, imutvel, imaterial, nico, onipotente, soberanamente justo ebom.

    v Criou o Universo, que abrange todos os seres animados, e inanimados,materiaiseimateriais.

    v Os seres materiais constituem o mundo visvel ou corpreo, e os seresimateriais,omundoinvisvelouesprita, isto,dosEspritos.

    v O mundo esprita o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente esobreviventeatudo.

  • 19 OLIVRODOSESPRITOSLinguagemSimplificada

    v Omundo corporal secundrio poderia deixar de existir, ou no ter jamaisexistido,semqueporissosealterasseaessnciadomundoesprita.

    v Os Espritos revestem temporariamente um corpo material perecvel, cujadestruiopelamortelhesrestituialiberdade.

    v Entre as diferentes espcies de seres corpreos, Deus escolheu a espciehumana para a encarnao dos Espritos que chegaram a certo grau dedesenvolvimento,dandolhesuperioridademoraleintelectualsobreasoutras.

    v AalmaumEspritoencarnado,sendoocorpo apenasoseuenvoltrio.v Hnohomemtrscoisas:1,ocorpoousermaterialidnticoao dosanimaise

    animado pelo mesmo princpio vital 2, a alma ou ser imaterial, Espritoencarnado no corpo 3, o lao que prende a alma ao corpo, princpiointermedirio entreamatriaeoEsprito.

    v Assim o homem tem duas naturezas: pelo corpo, participa da natureza dosanimais, cujos instintos lhe socomuns pela alma, participa danatureza dosEspritos.

    v O lao ou perisprito, que prende ao corpo o Esprito, uma espcie deenvoltriosemimaterial.Amorteadestruiodoinvlucromaisgrosseiro.OEspritoconservaosegundo,quelheconstituiumcorpoetreo, invisvelparans no estado normal, porm que pode se tornar acidentalmente visvel emesmo palpvel,comosucedenofenmenodasaparies.

    v O Esprito no , pois, um ser abstrato, indefinido, s possvel de sercompreendidopelopensamento:umserreal,definido,que,emcertocasos,setornaaprecivelpelavista, peloouvido e pelotato.

    v OsEspritospertencemadiferentescategoriasenosoiguais,nemempoder,nememinteligncia,nememsaber,nememmoralidade.Osdaprimeiraordemso osEspritos superiores, que sediferenciamdos outros pela sua perfeio,seusconhecimentos,suaproximidadedeDeus,pelapurezadeseussentimentoseporseuamordobem:soosanjosoupurosEspritos.Osdasoutrasclassesseacham cada vez mais distanciados dessa perfeio, mostrandose os dascategorias inferiores, na sua maioria, repletos das nossas paixes: o dio, ainveja, o cime,o orgulho,etc.divertemsecomomal.H tambm,entreosinferiores,osquenosonemmuitobonsnemmuitomaus,antesperturbadoreseenredadores,doqueperversos.Amalciaeasinconsequnciasparecemseroquenelespredomina.SoosEspritosdesajuizadosoulevianos.

    v OsEspritosnoocupamamesmacategoriaparasempre.Todossemelhorampassando pelos diferentes graus dahierarquia esprita.Estamelhora se efetuapormeiodaencarnao,queimpostaaunscomoexpiao6 eaoutroscomomisso.Avidamaterialumaprovaque devemsuportar repetidamente,atquecheguem absolutaperfeiomoral.

    v Deixando o corpo, a almavolta aomundodosEspritos, de ondesaiu, parapassar por nova existncia material, aps um tempo mais ou menos longo,duranteoqualpermaneceemestadode Espritoerrante.7

    v TendooEspritoquepassarpormuitasencarnaes, segueseque todosns

    6Expiao:oportunidadederepararerrosefaltascometidas N.E.7 Espr ito er r ante: que est na erraticidade (perodo entre as reencarnaes). Ver as questes 233 eseguintes N.E.

  • 20 AllanKardec

    temos tido muitas existncias e que teremos ainda outras, mais ou menosaperfeioadas, tanto naTerracomo emoutrosmundos.

    v A encarnao dos Espritos se d sempre na espcie humana seria erroacreditarse queaalmaouEspritopossaencarnarnocorpodeumanimal.8

    v As diferentes existncias corpreas do Esprito so sempre progressivas enunca regressivasmas,a rapidez do seu progresso depende dos esforos quefaaparachegarperfeio.

    v AsqualidadesdaalmasoasdoEspritoqueestencarnadoemnsassim,ohomemdebemaencarnaodeumbomEsprito,ohomemperversoadeumEspritoimpuro.

    v Aalmapossuasuaindividualidadeantesdeencarnarconservaadepoisdesehaverseparadodo corpo.

    v Na sua volta ao mundo dos Espritos, ela encontra todos que conheceu naTerra, e todas as suas existncias anteriores lhe vem na memria, com alembranadetodobemedetodomalquefez.

    v OEspritoencarnadoseachasobainflunciadamatriaohomemquevenceesta influncia,pelaelevao edepuraodesuaalma, seaproximadosbonsEspritos,emcujacompanhiaumdiaestar.Aquelequesedeixadominarpelasmspaixes,epetodasassuasalegriasnasatisfaodosdesejosgrosseiros,seaproximadosEspritosimpuros,dando prioridade suanaturezaanimal.

    v OsEspritosencarnadoshabitamosdiferentesplanetas doUniverso.v Osnoencarnadosouerrantesnoocupamumaregiodeterminadae definida

    estoportodapartenoespaoeaonossolado,vendonoseacotovelandonosatodoinstante.todaumapopulaoinvisvel,amoverseemtornodens.

    v OsEspritosexerceminterminvelaosobreomundomoralemesmosobreomundo fsico. Atuam sobre a matria e sobre o pensamento e so uma daspotnciasdaNatureza,causaeficientedeumamultidodefenmenosatentoinexplicadosoumalexplicadosequenoencontramexplicaoracionalsenonoEspiritismo.

    v AsrelaesdosEspritoscomoshomenssoconstantes.OsbonsEspritosnosatraemparaobem,nossustentamnasprovasdavidaenosajudamasuportlascom coragem e resignao. Osmaus nos atraem para omal: para eles umprazer nosvercaire nosassemelharaeles.

    v AscomunicaesdosEspritoscomoshomenssoocultasouostensivas.Asocultasseverificampelainflunciaboaoumqueexercemsobrens,nossarevelia,cabendonossaconscinciadistinguirasboasdasmsinspiraes.Ascomunicaes ostensivas se do pormeio da escrita, da palavra ou de outrasmanifestaes materiais, quase sempre pelos mdiuns que lhes servem deinstrumentos.

    v OsEspritossemanifestamespontaneamenteoumedianteevocao.Podemosevocar todos os Espritos: os que animaram homens obscuros, como os daspersonagensmais ilustres, sejaqual forapocaemque tenhamvividoosdenossos parentes, amigos, ou inimigos, e obterse deles, por comunicaes

    8 H entre esta doutrina da reencarnao e a da metempsicose, como a admitem certas seitas, umadiferena caracterstica, que explicada no curso da presente obra. (Nota de Allan Kardec). Sobremetempsicose,consulteasquestes222,611eseguintes N.E.

  • 21 OLIVRODOSESPRITOSLinguagemSimplificada

    escritas ou verbais, conselhos, informaes sobre a situao em que seencontram no Alm, sobre o que pensam a nosso respeito, assim como asrevelaesquelhessejampermitidasfazernos.

    v Os Espritos so atrados na razo da simpatia que lhes inspire a naturezamoral do meio que os evoca. Os Espritos superiores se alegram com asreuniessrias,ondepredominamoamordobemeodesejosincero,porpartedosseusparticipantes,deseinstrurememelhorarem.ApresenadelesafastaosEspritosinferioresque,aocontrrio,encontramlivreacessoepodematuarcomtodaaliberdadeentrepessoasgaiatasouatradassomentepelacuriosidadeeondequerqueexistammausinstintos.Longedeseobterembonsconselhos,ou informaes teis, deles s se devem esperar futilidades, mentiras,brincadeiras de mau gosto, ou mistificaes, pois que muitas vezes tomamnomesvenerados,afimde melhorinduziremaoerro.

    v Distinguir os bons dos maus Espritos extremamente fcil. Os Espritossuperioresusamconstantementedelinguagemdigna,nobre,repassadadamaisalta moralidade, livre de qualquer paixo inferior seus conselhos exaltam amais pura sabedoria, quesempre tempor objetivoo nossomelhoramento e obemdaHumanidade.AdosEspritosinferiores,porsuavez, irresponsvel,svezes trivial e at grosseira. Quando dizem alguma coisa boa e verdadeira,muito mais vezes dizem falsidades e absurdos, por malcia ou ignorncia.Zombam da credulidade dos homens e se divertem custa dos que osinterrogam,lisonjeandolhesavaidade,alimentandolhesosdesejoscomastutasesperanas. Em resumo, as comunicaes srias, na mais ampla acepo dotermo, s so dadas nos centros srios, onde reine ntima comunho depensamentos,tendoemvistaobem.

    v AmoraldosEspritossuperioresseresume,comoadoCristo,nestamximaevanglica:Fazeraosoutrosaquilo que queremosqueosoutrosnosfaa,isto,fazer o bem e nunca o mal. Neste princpio o homem encontra uma regrauniversaldeproceder,mesmoparaassuasmenoresaes.

    v Elesnosensinamqueoegosmo,oorgulhoeasensualidadesopaixesquenos aproximam da natureza animal, prendendonos matria que j nestemundo,ohomemquesedesligadosvcios,desprezandoasvaidadesmundanase amando o prximo, se aproxima da natureza espiritual que cada um devetornarsetil,deacordocomascompetnciaseosmeiosqueDeuslhepsnasmosparaexperimentloqueoForteeoPoderosodevemamparareprotegero Fraco, porque aquele que abusa da fora e do poder para oprimir o seusemelhantetransgrideaLeideDeus.Finalmente,ensinamquenomundodosEspritosonde nadaficaescondido ,ohipcritaserdesmascaradoetodasas suas perversidades so reveladas que a presena inevitvel e constantedaquelesaquemprocedemosmalumdoscastigosreservadosansqueaoestadode inferioridadeesuperioridadedosEspritosdependemosofrimentoeafelicidadequedesconhecemosnaTerra.

    v Mastambmnosensinamquenohfaltasimperdoveisquenopossamserapagadaspelaexpiao.Ohomemencontranareencarnaoosmeiosquelhepermitemavanar,de acordo comos seus desejos e esforos, no caminhodoprogresso at aperfeio,queoseudestinofinal.

  • 22 AllanKardec

    Este o resumo da Doutrina Esprita, como resultado dos ensinamentosdadospelosEspritossuperiores.Vejamosagoraasoposiesque lhefazem.

    VII

    Paramuitagente,aoposiodecientistasse noforumaprova,pelomenos forteopinio contrria.No somos dos que se rebelam contra os sbios,poisnoque nosdigamqueosafrontamosaocontrrio,temosgrandeconsideraoaeleseficaramosmuitohonradoseestivssemosentreeles.Porm,suasopiniesnopodem representar,emtodasascircunstncias,umasentena irrevogvel.

    Se a Cincia sai da observaomaterial dos fatos, procurando analisar eexplicar esses fatos, o campo est aberto s suposies cada um imagina o seupequeno sistemaesedispe asustentlocomfervor,parafazloprevalecer.Todosos diasnsno vemos as opiniesmaisdiversas seremalternativamenteaceitaserejeitadas, ora rebatidas como erros absurdos, para logo depois apareceremproclamadas como verdades incontestveis?Os fatos so o verdadeiro critrio danossaconscincia,oargumentosemcontestao.Naausnciadosfatos,advidasejustifica nohomem sensato.

    Com relao s coisas inegveis, a opinio dos sbios autntica e comtodarazo,poiselessabemmaisemelhordoqueo homemcomummasnaquestodenovosprincpios,decoisasdesconhecidas,aopiniodessessbiosapenasmaisuma suposio, por isso que assim como os outros eles esto sujeitos apreconceitos.Direimesmoqueosbio temmaispreconceitosquequalqueroutro,porqueumainclinao naturalolevaacolocartudo sobopontodevistadondemaisespecializou seus conhecimentos: omatemtico v a prova unicamente dentro deumademonstrao algbrica, o qumico refere tudo ao dos elementos, etc. Oespecialistaprendetodasassuasideiasdisciplinaqueadotou.Foradasuacincia,veremos o sbio quase sempre se desmoronar, por querer submeter tudo ao seumodo de ver as coisas: consequncia da fraqueza humana. Assim, pois, de boavontade e com toda confiana consultarei um qumico sobre uma questo decomposio de uma substncia, um fsico sobre a potncia eltrica, ummecnicosobreumaforamotora.Porm,elesdeveromepermitirsemqueistoafeteaadmiraoquemerecemoseusaberespecialqueeunodmuitovalorasuasopinies negativas acerca do Espiritismo, como seria o parecer de um arquitetosobreumaquestodemsica.

    As cincias gerais se fundamentam nas propriedades da matria, que sepode experimentar e manipular livremente os fenmenos espritas se apoiam naaodeintelignciasdotadasdevontadeprpriaequenosprovamacadainstanteque no esto subordinadas aos nossos caprichos. Portanto, as observaes nopodemser feitasdamesmaformarequeremcondiesespeciaiseoutropontodepartida. Querer submetlas aos processos comuns de investigao estabelecersemelhanas que no existem. A Cincia propriamente dita, como cincia, incompetenteparasepronunciarnaquestodoEspiritismo:notemqueseocuparcomissoequalquerquesejaoseujulgamentofavorvelouno nenhumpesopoder ter. OEspiritismo o resultado de uma convico pessoal, que os sbiospodem ter como indivduos, independentementeda qualidade de sbios. Pretender

  • 23 OLIVRODOSESPRITOSLinguagemSimplificada

    submeteraquestoCinciaequivaleriaaquererqueaexistnciaounodaalmafosse decidida por uma assembleia de fsicos ou de astrnomos. Sendo assim, oEspiritismoesttodonaexistnciadaalmaenoseuestadodepoisdamorte.Ora,realmente ilgico imaginar queumhomemdevasergrandepsicologista,porqueilustre matemtico ou notvel anatomista. Investigando o corpo humano, oanatomistaprocuraaalma,ecomonoaencontrapeloseubisturi,comoencontraumnervo,ouporquenoavsemovercomoumgs,concluiqueelanoexiste,porquesecolocasob umpontodevistaexclusivamentematerial.Seguesequetenharazocontraaopiniouniversal?No!Vejam,portanto,queoEspiritismonodacompetnciadaCincia.

    Quandoacrenaesprita tiver seespalhado,quandofor aceitapelamassahumanaeajulgarpelarapidezcomquesepropagam,essetemponoestlonge, comela se dar o que tem acontecido a todas as ideias novas que encontramoposio: os sbios se rendero evidncia. L chegaro, individualmente, pelaforadascoisas.At entoser inoportunodesvilosdeseus trabalhosespeciais,paraobriglosaseocuparemcomumassuntoestranho,quenolhesestnemnasatribuies,nemnoprograma.Enquanto issonoocorre,aquelesque, semestudoprvioeaprofundadodamatria,optarampornegarezombardequemnolhesafavor,esquecemqueomesmosedeucomamaiorpartedasgrandesdescobertasquehonram aHumanidade.Eles se expema ver seus nomes aumentandoa listadosilustres contestadores das ideias novas e inscritos ao lado dos membros daassembleiacultaque,em1752,recebeu comestrondosagargalhadaamemriadeFranklin9 sobreospraraios,julgandooindignode figurarentreascomunicaesque lhe eramdirigidas e daquele outro que fez a Frana perder as vantagens dainiciativa da marinha a vapor, declarando que o sistema de Fulton10 um sonhoimpossvel.Entretanto,essaseramquestesdaaladadaquelasreunies.Ora,se taisassembleias,quecontavamcomosmaioressbiosdomundo,stiveramazombariaeosarcasmoparaideiasqueelasnopercebiam,ideiasque,algunsanosmaistarde,revolucionaramacincia,oscostumeseaindstria,comoesperarhojeummelhoracolhimentodapartedelesde umaquesto estranha aosseustrabalhos habituais?

    Esses erros lamentveis de alguns homens notveis, que envergonham amemriadeles,denenhummodotiramosttulosconquistaramemoutrosrespeitoscamposmasprecisoterumdiplomaoficialparaseterbomsenso?Serqueforadascadeirasacadmicassencontramos tolose imbecis?ObservemosadeptosdaDoutrina Esprita e digam se s encontramos ignorantes e se a imensa legio dehomens de mrito que a abraaram d razo que seja ela igualada s crendicespopulares.Ocartereosaberdesseshomensdopesoaestadoutrina:poisseelesafirmam, preciso reconhecerque h algumacoisa.

    Repetimos mais uma vez que, se os fatos a que referimos estivessemreduzido ao movimento mecnico dos corpos, a questo da causa fsica dessefenmeno caberia no domnio da Cincia porm, quando se trata de umamanifestaoqueseproduzcomexclusodasleisdaHumanidade,elaficaforada

    9 Kardec se refere ao americanoBenjamin Fr anklin (17061790), de quemmuitos riram quando esteanunciousuainvenodopraraios N.E.10Rober tFulton(17651815),engenheiroeinventoramericanoquedesenvolveuomotoravaporedeugrandeimpulsomarinha N.E.

  • 24 AllanKardec

    competnciadacinciamaterial,poisnopodeser explicadaporalgarismos,nemporumaforamecnica.Quandosurgeumfatonovo,quenoguardarelaocomalgumacinciaconhecida,paraestudlo,osbio temque sedespojardasuacinciaedizera simesmoqueoque se lheofereceumnovoestudo, impossveldeserfeitocomideiaspreconcebidas.

    Ohomemquese julga infalvel est bemperto do erro.Mesmo aqueles,cujas ideias so asmais falsas, se apoiam na sua prpria razo e por isso querejeitam tudo o que lhes parece impossvel. Aqueles que em outro momentorebateram as descobertas admirveis de que hoje a Humanidade se honra faziamapelos razo paraas rejeitar.Muitas vezes, oque se chamarazonopassa deorgulhodisfaradoequemquerqueseconsidereinfalvelapresentasecomoigualaDeus.Ento,vamosnosdirigiraosprudentes,queduvidamdoquenoviram,masque,julgandoopassadopelofuturo,noacreditamqueohomemtenhachegadoaoauge,nemqueaNaturezatenha mostrado aeles altimapginadoseulivro.

    VIII

    AcrescentemosqueoestudodeumadoutrinacomooEspiritismo,quederepentenos lananumaordemdecoisas tonovasegrandiosas, spodeser feitocomutilidadeporhomenssrios,perseverantes,livresdepreveneseanimadosdefirme e sincera vontade de chegar a umresultado.Nopodemos classificar assimaosquejulgamantecipadamente,levianamente,semtervisto tudoquenoestudamcontinuamente, nem com regularidade e cuidado indispensveis muito menos acertas pessoas que para no perderem o status de homens de esprito elevado, secansamdeacharumladoridculonascoisasmaisverdadeiras,ou tidascomo taisporpessoasdecartereconvicesmereamaconsideraodeser bemeducado.Portanto, aqueles que acham que os fatos no so dignos de sua ateno que serecolham ningum desejaofendersuacrena,mas,saibam respeitaradosoutros.

    Oquecaracterizaumestudosrioacontinuidadequesedaesseestudo.Ser de admirar quemuitas vezes no conseguirmos nenhuma resposta sensata aquestes srias, quando so feitas ao acaso e queimaroupa, emmeio de umaenxurrada de outras perguntas absurdas?Demais, frequentementeocorreque umaquesto complicada, para ser elucidada, exige a soluo de outras explicaesmenoresou complementares.Quemdesejaraprender umacincia temqueestudarseumtododeaprendizado,comeando peloprincpioeacompanhandoo conjunto eodesenvolvimentodasideias.Dequeadianta,poracaso,algumfazerperguntasaumsbiosobreumacinciadaqualnadasabe?Poderoprpriosbio,pormaiorquesejaasuaboavontade,lhedarrespostassatisfatrias?Arespostaisoladaficarsempreincompleta e quase sempre, por issomesmo, incompreendida, ou parecerabsurda e contraditria. O mesmo ocorre em nossas relaes com os Espritos.Quem quiser se instruir atravs deles tem que fazer um curso com eles mas,exatamente como sepassa entrens, dever escolher seus professores e trabalharcomperseverana.

    Dissemos que os Espritos superiores s comparecem s reunies srias,sobretudosemquereinaperfeitacomunhodepensamentosedesentimentospara

  • 25 OLIVRODOSESPRITOSLinguagemSimplificada

    o bem. A leviandade e as questes inteis os afastam, como, entre os homens,afastam as pessoas criteriosas ento, o campo fica livre turma dos Espritosmentirososegaiatos,quesempreesperamasocasiesapropriadasparazombaremde ns e se divertirem nossa custa. Que acontece com umaquesto importantefeitaemreuniesdetalordem?Serrespondidamas,porquem?Acontececomoseperguntssemos aumbando de levianos quese divertem:Que aalma?Que amorte?Eoutrastorecreativasquantoessas.Sequiseremrespostassrias,tero quesecomportarcomtodaseriedade,namaisamplaacepodotermo,edepreenchertodasascondiesexigidas,esassimobtero grandescoisas.Almdomais,sejamlaboriosos e perseverantes nos estudos, sem isso os Espritos superiores vosabandonaro,comofazumprofessorcomosdiscpulosrelaxados.

    IX

    Omovimentodosobjetosumfatoincontestvel.Aquestoestemsaberse nesse movimento h ou no uma manifestao inteligente e, em caso deafirmativa,qualaorigemdessamanifestao.

    No falamos do movimento inteligente de certos objetos, nem dascomunicaesverbais,nemdasqueomdiumescrevediretamente.Estegnerodemanifestaes, evidente para os que viram e aprofundaram o assunto, no , primeira vista, bastante convincente para um observador novato, que no entendeque a manifestao seja independente da vontade do mdium. No trataremosapenasdaescritaobtidacomoauxliodeumobjetoqualquermunidodeumlpis,comocesta,prancheta,etc.Comojdissemos,amaneiracomo osdedosdomdiumrepousamsobre osobjetosdesafiaacapacidademaisconsumadaemparticipar dequalquer modo no traado das letras. Mas, admitamos que a algum, dotado demaravilhosahabilidade,sejaissopossvelequeessealgumconsigailudiroolhardoobservadorcomoexplicaranaturezadasrespostas,quandoseapresentamacimadas ideias e conhecimentos do mdium? E se note que no se trata de respostasmonossilbicas,mas muitas vezes, de numerosas pginas escritas com admirvelrapidez, espontaneamente ou sobre determinado assunto. Pelos dedos domdiumque menos sabe de literatura, surgem de vez em quando poesias de impecveissublimidade e pureza que osmelhores poetashumanosno seenvergonhariamdesubscrever. O que ainda torna esses fatosmais estranhos que ocorrem por todaparteequeosmdiunssemultiplicamaoinfinito.Soelesreaisouno?Paraestapergunta s temos uma resposta: vejam e observem no faltar ocasio mas,sobretudo,observairepetidamente,porlongotempoedeacordocomascondiesexigidas.

    O que os opositores dizem dessa evidncia? Vocs so vtimas docharlatanismo11oujoguetedeumailuso!.Diremos,primeiramente,queapalavracharlatanismo no cabe onde no h proveito: os charlates no fazem serviogrtis.Seria,quandomuito,umamistificao.Mas,porqueestranhacoincidnciaessesmistificadoressecombinam,deumextremoaoutrodomundo,paraproceder

    11Char latanismo:enganao,truquefeitoporumcharlato(enganador) N.E.

  • 26 AllanKardec

    domesmomodo,produzirosmesmosefeitosedar,sobreosmesmosassuntoseemlnguasdiversas,respostas idnticas, senoquanto forma,pelomenosquantoaosentido? Como compreender que pessoas austeras, honradas, instrudas seocupassem com essas coisas? E com que objetivo? Como achar em crianas apacinciaeahabilidadenecessriasataisresultados? porque,seosmdiunsnosoinstrumentos passivos, claro que necessitam de habilidade e conhecimentosincompatveiscomaidadeinfantilecomcertasposiessociais.

    Dizementoque, senoh fraude,podehaver ilusodeambos os lados.Pelalgica,aqualidadedastestemunhasdealgumaimportncia.Ora,ocasodeperguntarmosseaDoutrinaEsprita,quejcontamilhesdeadeptos,s compostade ignorantes? Os fenmenos em que ela se baseia so to extraordinrios queadmitimos a existncia da dvida, porm, no podemos admitir a pretenso dealgunsincrdulosdeseremosdonosdobomsensoeque,semodevidorespeitoevalormoral de seus adversrios e comatrevimento, tachemde idiotas os que noseguem o ponto de vista. Aos olhos de qualquer pessoa acertada, a opinio daspessoasesclarecidasqueobservaramdurantemuitotempo,estudaramemeditaramumacoisa,sersempre,senoumaprova,umapresuno,nomnimo,aseufavor,visto ter conseguido prender a ateno de homens respeitveis, que no tinhaminteressealgumem divulgarerros nemtempoaperdercombesteiras.

    X

    Entreasobjees,halgumasmais interessantes,aomenosnaaparncia,porque so tiradasdaobservaoefeitasporpessoasrespeitveis.Umadelas que alinguagem de certos Espritos no parece digna da elevao atribuda a seressobrenaturais.Quemnotar o resumoda doutrinaapresentado l atrs, ver que osprpriosEspritos nos ensinamquenohentre eles igualdade de conhecimentosnem de qualidades morais, e que no se deve tomar ao p da letra tudo quantodizem.Cabespessoassensatassepararobomdomau.Semdvida,aquelesque,emrazodisso,deduzemquesnoscomunicamoscomseresmaldosos,cujanicaocupao nos mistificar, no conhecem as comunicaes que se recebem nasreunies onde s se manifestam Espritos superiores do contrrio, assim nopensariam. lamentvelqueoacasoostenhafeitoverapenasoladomaudomundoesprita,poisnosrepugnasuporqueporsimpatiaatraiaparaeles,emvezdosbonsEspritos, s os maus, os mentirosos, ou aqueles cuja linguagem de revoltantegrosseria.Poderamos,quandomuito,deduzirdaqueasolidezdosprincpiosdessaspessoasnobastanteforteparapreservlasdomalequeachandocertoprazeremlhes satisfazerem a curiosidade, os maus Espritos disso se aproveitam para seaproximardelas,enquantoosbonsseafastam.

    JulgaraquestodosEspritosporessesfatosseriatopoucolgico,quantojulgardocarterdeumpovopeloquesedizefaznumareuniodeirresponsveisoudegentedemreputao,ondeaspessoasajuizadasesensatasnoparticipam.Osque pensam assimsecolocamnasituaodoestrangeiroque chega aumagrandecapitalpeloladomaispobreda periferiae julgatodososhabitantespeloscostumeselinguagemdessebairroinferior.NomundodosEspritostambmhumasociedade

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    boa e uma sociedade m dignemse, os que daquele modo se pronunciam, deestudaroquesepassaentreosEspritosdeeliteeseconvencerodequeacidadeceleste no contm apenas a ral popular. Perguntam eles: os Espritos elevadosdescem at ns? Responderemos: No fiquem no subrbio vejam, observem ejulguemosfatosestoaparatodoomundover.AmenosqueaelesseapliquemestaspalavrasdeJesus:Tmolhosenoveemtmouvidosenoouvem.

    Comopartedessaopinio,temosaquelesquenoveem,nascomunicaesespritaseemtodasassuasmanifestaes,maisdoqueaintervenodeumaforadiablica,novoProteu quese cobre de todas as formas paramelhornos enganar.Nodevemoslevarissoasrioeassimnoperderemostempocomessaideia,queAlis,jfoirespondidapeloqueacabamosdedizer.Acrescentaremossomenteque,seassimfosse,seriaprecisoadmitirqueodiabosejasvezesbastantecriteriosoeajuizado,sobretudomuitomoralou,ento,emquetambmhdemniosbons.

    Efetivamente, como acreditar queDeus spermiteaoEsprito domal semanifestar, cujo objetivo seria nossa perdio, sem nos dar em compensao osconselhos dos bons Espritos? SeEle no pode fazer isso, no pode ser o Todopoderoso se pode e no o faz, no bondoso. Ambas as suposies seriamblasfemas. Notem que admitir a comunicao dosmaus Espritos reconhecer oprincpiodasmanifestaesora,se elassoverdadeiras,nopodedeixardesercomapermissodeDeus:como,ento,podemosacreditar, sem impiedade,queElespermita o mal, com excluso do bem? Semelhante doutrina contrria s maissimplesnoesdobomsensoedaReligio.

    XI

    Esquisito,dizem,quessefaledosEspritosdepersonagensconhecidase perguntampor queseles semanifestarem.Aqui tambmh um errocomotantos outrosvindodeobservaosuperficial.EntreosEspritosque vmparansporlivreeespontneavontademuitomaioronmerodosdesconhecidosdoqueodosilustres,designandoseaquelesporumnomequalquer,muitasvezesporumnomesimblicooucaracterstico.Quantoaosqueseevocam,desdequenosetrate de parente ou amigo, muitonaturalnos dirijamos aos que conhecemos, depreferncia a chamar pelos que nos so desconhecidos. O nome das personagensilustresatraimaisaateno,porissoquesonotadas.

    Acham tambm estranho que os Espritos dos homens famosos atendamfamiliarmenteaonossochamadoesvezesseocupemcomcoisas insignificantes,comparadascomasdequefaziamduranteavida.Nadaahdesurpreendenteparaosquesabemqueaautoridade,ouaconsideraodequetaishomenstinhamnestemundo, nenhuma supremacia lhes d no mundo esprita. Nisto, os Espritosconfirmam estas palavras do Evangelho: Os grandes sero rebaixados e ospequenos sero elevados, devendo esta afirmao se referir categoria em quecada um de ns estar entre eles. assim que aquele que foi primeiro na Terrapoder ser um dos ltimos l. Aquele diante de quem curvvamos aqui a cabeapode,portanto,virfalarconoscocomoomaishumildeoperrio,poisquedeixounavidaterrenatodaasuagrandeza,eo rei maispoderosopode estarlmuitoabaixodoltimodosseussoldados.

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    XII

    Um fato demonstrado pela observao e confirmado pelos prpriosEspritos o de que os Espritos inferiores muitas vezes se passam por nomesconhecidoserespeitados.Quempode,pois,afirmarqueosquedizemtersido,porexemplo,Scrates, JlioCsar,CarlosMagno,Fnelon,Napoleo,Washingtonououtro qualquer., tenham realmente sido esses personagens? Esta dvida existemesmo entre alguns adeptos fervorosos daDoutrinaEsprita, os quais admitem ainterveno e a manifestao dos Espritos, mas perguntam como eles podemcomprovaraidentidade.Defato,semelhanteprovabemdifcildeserproduzida,poissenopodeserdemodotoautnticocomoporumacertidoderegistrocivil,pelo menospodeserporcertosindcios.

    QuandosemanifestaoEspritodealgumqueconhecemospessoalmentedeumparenteoude umamigo,porexemplo,principalmentesemorreuhpoucotempo,sucedegeralmentequesualinguagemsereveladeperfeitoacordocomocarterquetinhaquandoestavavivoentrens.Sissoumindciodeidentidade.Entretanto,norestammaisdvidasquandooEsprito faladecoisasparticulares,lembraacontecimentosdefamlia,quesointerlocutorsabe.Certamente,umfilhono se enganar com a linguagem de seu pai ou de sua me e viceversa. Nestegnero de evocaes, passamse s vezes coisas ntimas verdadeiramenteempolgantes, de natureza a convencerem o maior desconfiado. Quase sempre, omais radicaldescrente fica abismado comasinesperadasrevelaesquesofeitas.

    Outracircunstnciamuitocaracterstica dapoia identidade dosEspritos:dissemosquegeralmenteacaligrafiadomdiummudaquandooutropassaaseroEspritoevocadoequeasuaescritasempreamesmaquandoomesmoEspritoseapresenta. Inmeras vezes, principalmente quando se de pessoas mortasrecentemente,verificamosquealetramostraclarasemelhanacomadessapessoaemvida.Temosobtidoassinaturasdeperfeitaexatido.Todavia,estamoslongedequerer apontar esse fato como regra e menos ainda como regra constante.Mencionamoloapenascomo algo dignodenota.

    SosEspritosqueatingiramcertograudepurificaoseachamlibertosdetodainflunciacorporal.Quandoaindanoestocompletamentedesmaterializados(aexpressodequeusam)conservamamaiorpartedasideias,dojeitoeatdasmaniasquetinhamnaTerra,oquetambmummeiodereconhecimento,aoqualigualmente se chega por uma imensidade de fatos minuciosos, que s umaobservaocuidadosapoderevelar.Vemosescritoresdiscutirsuasprpriasobrasouideias, a aprovar ou condenar certas partes delas outros a lembrar circunstnciasignoradas,ouquasedesconhecidasdesuas vidasoudesuasmortes, todasortedeparticularidades,enfim,queso,quandonada,provasmoraisdeidentidade,nicasinvocveis,tratandosedecoisasabstratas.

    Ora, se at certo ponto a identidade de um Esprito evocado pode serestabelecidaemalgunscasos,nohrazoparaquenosejaemoutroscasosese,com relao a pessoas, cuja morte data de muito tempo, no se tm os mesmosmeios de verificao, resta sempre o da linguagem e do carter, porque,inquestionavelmente, o Esprito de umhomem de bem no falar como o de umperversooudeumdesmoralizado.QuantoaosEspritosqueseapropriamdenomes

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    respeitveis,essessedesmentemlogopelalinguagemqueempregamepelasfrasesqueformulam.Porexemplo,seumdissesseserFneloneofendesseobomsensoeamoral,poressesimplesfato, revelaria suafarsa. Ao contrrio,seseuspensamentosforem sempre puros, sem contradies e constantemente altura do carter deFnelon, no h motivo para que se duvide da sua identidade. De outra forma,havamos de supor que um Esprito que s prega o bem capaz de mentirconscientementee,aindamais,semnenhumautilidade.

    AexperincianosensinaqueosEspritosdamesmacategoria,domesmocarter e possudos dos mesmos sentimentos formam grupos e famlias. Ora,incalculvelonmerodosEspritoselongeestamosdeconheceratodosamaiorpartedelesnemmesmo temnomesparans.Logo,nadaimpedequeumEspritodacategoria deFnelon venha em seu lugar,muitas vezes at como seumensageiro.Apresentase ento com o seu nome, porque lhe idntico e pode substitulo eaindaporqueprecisamosdeumnomeparafixarasnossasideias.Mas,queimporta,afinal,sejaumEsprito,realmenteouno,odeFnelon?Desdequetudooqueelediz bom e que fala como o teria feito o prprio Fnelon, um bom Esprito.Indiferenteonomepeloqualsedaconhecer,nopassandomuitasvezesdeummeio de nos chamar ateno para nos fixar as ideias.Entretanto, omesmono admissvel nas evocaes ntimas mas como dissemos h pouco, conseguimosreconheceraidentidadeporprovasdecertomodo evidentes.

    Sem dvida, a substituio dos Espritos pode gerar uma poro deequvocos, ocasionarerrosemuitasmistificaes.EssaumadasdificuldadesdaprticadoEspiritismo.Porm, nuncadissemosqueestacinciafossefcil,nemquepudssemosaprendlabrincando,oque,alis,impossvel,sejaqualquercincia.Nunca ser demais dizer que ela exige estudo frequente e por vezes muitoprolongado.Nosendo justoprovocar,temosqueesperarqueelesseapresentemporsimesmos,quefrequentementeocorremporefeitodecircunstnciasemque nemseimagina. Para o observador atento e paciente os fatos surgem, por isso que eledescobremilharesdedetalhescaractersticosquesoverdadeirosraiosdeluz,comoacontece com as cincias comuns. Enquanto o homem leviano no v numa flormaisdoqueumaformaelegante,osbiodescobrenelatesourosparaopensamento.

    XIII

    Essas observaes nos levam a dizer alguma coisa acerca de outradificuldade,adadivergnciaquesenotanalinguagemdosEspritos.

    Porque os Espritos somuito diferentes uns dos outros, em sabedoria emoralidade, evidente que uma questo pode ser por eles resolvida em sentidosopostos, conformeacategoriaqueocupam,exatamentecomoaconteceriaentreoshomens se fizssemos perguntas ora a um sbio, ora a um ignorante, ora a umzombadordemaugosto.Comotemosdito,o pontoessencial sabermosaquemnosdirigimos.

    Masoscrticosperguntam:comoseexplicaqueosquesedizemEspritosde ordem superior nem sempre estejamde acordo?Diremos, em primeiro lugar,almdacausaquejcontamos,quehoutrasqueexercemcertainflunciasobreanatureza das respostas, independentemente da qualidade dos Espritos. Este um

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    pontocapital,cujaexplicaoteremosestudando.Porissoquedizemosqueestesestudosrequerematenodemorada,observaoprofundae,sobretudo,comoalisoexigemtodasascinciashumanas,continuidadeeperseverana.Anossoprecisospara formarseummdicomedocree trsquartaspartesdavidaparachegarseaser um sbio.Comoquereraprender aCinciado Infinitoempoucas horas?Queningumseiluda:oestudodoEspiritismoimensointeressaatodasasquestesdametafsica12 e da ordem social para ns ummundonovo que se abre. Ser deadmirarque sejapreciso tempo,muitotempomesmo,parasuarealizao?

    Alis,acontradio nemsempretorealquanto parece.Novemostodososdiashomensqueprofessamamesmacinciadivergiremnahoradedefinirumamesma coisa, seja empregando termos diferentes, seja encarar sob outro pontodevista, embora a ideia fundamental seja sempre a mesma? Quem puder, conte asdefinies que se tm dado pela gramtica! Acrescentaremos que a forma daresposta depende muitas vezes da forma da questo. Portanto, seria umainfantilidadeapontarcontradioondefrequentementeshdiferenadepalavras.OsEspritossuperioresnosepreocupamabsolutamentecomaforma.Paraeles,aessnciadopensamentotudo.

    Por exemplo, vamos pegar a definio de alma. Como este termo temvriossignificados,compreensvelqueosEspritos,assim comons,discordem aodefinila: um poder dizer que o princpio da vida, outro lhe chamar centelhaanmica13,umterceiroafirmarqueelainterna,queexterna,etc.,cadaumcomseu ponto de vista tem sua razo. Poderemosmesmo crerque algunsdeles sigamdoutrinas materialistas e, todavia, no ser assim. Do mesmo modo acontece emrelaoaDeusEle ser: o princpio de todas as coisas, o criadordoUniverso, aintelignciasuprema,oinfinito,ograndeEsprito,etc.,etc.,masemdefinitivo,sersempreDeus. Finalmente, citemos a classificao dosEspritos: eles formamumaescala contnua, desde o grau mais inferior at o grau superior. Com efeito, aclassificaoarbitrria.Umiragruplosemtrsclasses,outroemcinco,dezouvinte,vontade, semquenenhumesteja emerro.Todasascinciashumanasnosoferecemexemplosidnticos.Cadasbiotemoseusistemaossistemasmudam,aCincia,porm,nomuda.AprendaseabotnicapelosistemadeLinneu,oupelodeJussieu,oupelodeTournefort,nemporissosesabermenosbotnica14.Ento,deixemos de emprestar a coisas de pura conveno mais importncia do quemerecem,parasnosprendermosaoqueverdadeiramenteimportantee,noraro,a reflexo far descobrir, no que parea mais contraditrio, uma igualdade queescaparaaumprimeiroexame.

    XIV

    Passaramoslonge daobjeoquealgunscrticosfazema respeitodoserros

    12 Metafsica: parte da Filosofia que estuda os fundamentos e especulaes sobre a realidade extrahumana(comoaharmoniacsmica,Deus,aalma,etc.)eosmeiosparasuacompreenso N.E.13Centelhaanmica:Esprito,princpiodavidaemEsprito N.E.14 Kardec lembra aqui de trs grandes pesquisadores da cincia botnica: o suecoCarolus Lineu, ouLinneaus, (17071778) e os franceses Antoine Laurent de Jussieu (17481836) e Joseph PittonTournefor t (16561708) N.E.

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    ortogrficos que certos Espritos cometem, se ela no oferecesse oportunidade deumaobservaoessencial:aortografiadeles,precisoquesediga,nemsempreimpecvelmas issono razoparaumacrticasria,dizendoque,vistoque osEspritos sabem tudo, eles devem saber ortografia. Poderamos citar os inmeroserrosdessegnerocometidospormaisdeumsbiodaTerra,oque,entretanto,emnadalhesdiminuiomrito.Porm,nessefatohumaquestomaisgrave:paraosEspritos, principalmente para os superiores, a ideia tudo, a forma nada vale.Livresdamatria,alinguagemdequeusamentresirpidacomoopensamento,pois so os prprios pensamentos que se comunicam sem intermedirio. Eles sesentiromuitopoucovontadesesentiremobrigadosasecomunicaremconoscoeutilizaremdasformaslongaseembaraosasdalinguagemhumanae alutaremcomainsuficinciaeaimperfeiodessalinguagem,paraexprimiremtodasasideias.oque eles prprios declaram. Por issomesmo, so bastante curiosos osmeios queusam com frequncia para resistirem a esse inconveniente. O mesmo se dariaconosco, seprecisssemos falarnum idiomadepalavrase frasesmais longasedemaior pobreza de expresses do que o de que usamos. Esso o embarao que ohomemgenialexperimentacomalentidodasuapena,sempremuitoatrasadaparaacompanhar o seu pensamento. Compreendese, diante disto, que os Espritosliguempoucaimportnciainsignificnciadasregrasdaortografia,principalmentequando se trata de ensino profundo e grave. J no espantoso que falemindiferentemente em todas as lnguas e que as entendam todas? Todavia, no seconcluadaquedesconheamacorreoconvencionaldalinguagem.Observamna,quando necessrio.Assim , por exemplo, que a poesia ditada por eles desafiariaquasesempreacrticadomaismeticulosopurista, apesardaignornciadomdium.

    XV

    H tambmpessoasqueveemperigopor todaparteeemtudooquenoconhecemedaapressacomque,do fatodehaveremperdidoarazoalgunsdosque se entregarama estes estudos, tiram concluses desfavorveis aoEspiritismo.Comoquehomenssensatosenxergamnistoumacontradiovaliosa?Nosedomesmocomtodasaspreocupaesdeordemintelectualqueempolguemumcrebrofraco?Quemsercapazdedefinirquantosloucosemanacostmfeitoosestudosdamatemtica,damedicina,damsica,dafilosofiaeoutros?Comoconsequncia,deveramos banir esses estudos? O que isso prova? Nos trabalhos corporais, sedeformam os braos e as pernas, que so os instrumentos da ao material nostrabalhosdainteligncia,deformaseocrebro,queodopensamento.Mas,porsehaver quebrado o instrumento, no se segue que o mesmo tenha acontecido aoEsprito.Estepermaneceintactoe,desdequeselibertedamatria,desfrutar,tantoquantoqualqueroutro,daplenitudedassuasfaculdades.Noseugnero,ele,comohomem,ummrtirdotrabalho.

    Todasasgrandespreocupaesdo espritopodemocasionaraloucura:ascincias,asarteseatareligio nosmostrammuitosexemplos.Aloucuratemcomocausaprimriaumapredisposioorgnicadocrebro,queotornamaisoumenosacessvelacertasimpresses.Sehpendnciaparaaloucura,estatomarocarter

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    depreocupaoprincipal,queentosemudaemideiafixa,podendotantoseradosEspritos,emquemcomeles se ocupou,comoadeDeus,dosanjos,dodiabo,dafortuna, do poder, de uma arte, de uma cincia, da maternidade, de um sistemapolticoousocial.Provavelmente,umloucoreligiososetorneumloucoesprita,seo Espiritismo foi a sua preocupao dominante, do mesmo modo que o loucoespritaoseriasoboutraforma,deacordocomascircunstncias.

    Digo,pois,queoEspiritismonotemprivilgioalgumaesserespeito.Voumaislonge:digoque,bemcompreendido,eleuma defesacontraaloucura.

    Entre as causas mais comuns do distrbio cerebral, devemos contar asdecepes, os infortnios, as afeies contrariadas, que, aomesmo tempo, so ascausas mais frequentes de suicdio. Ora, o verdadeiro esprita v as coisas destemundo de um ponto de vista to elevado elas lhe parecem to pequenas, tomesquinhas,emrelaoaofuturoqueoaguardaavidaselhemostratocurta,topassageira, que, aos seus olhos, as tribulaes no passam de incidentesdesagradveis, no curso de uma viagem. O que em outro produziria violentaemoo,quasenadaoafetaealmdomais,elesabequeasamargurasdavidasoprovas teis ao seu adiantamento se sofrer sem murmurar delas, porque serrecompensado na medida da coragem com que as houver suportado. Suasconvices lhe do, assim, uma pacincia que o preserva do desespero e, porconseguinte, de uma causa permanente de loucura e suicdio. Observando ascomunicaes dos Espritos, conhece tambm qual o destino dos quevoluntariamente abreviam seus dias e esse quadro bem srio a ponto de fazlorefletir,tantoqueaquantidade muitoconsiderveljsupera onmerodosqueforamdetidos em meio dessa queda funesto. Este um dos resultados do Espiritismo.Riamquantoqueiramosincrdulos.Desejolhesasconsolaesqueele proporcionaatodososquese daro aotrabalhodelhesondarasmisteriosasprofundezas.

    Cumpretambmcolocarentreascausasdaloucuraopavor,sendoqueododiabo jdesequilibroumaisdeumcrebro.Quantasvtimasno tmfeitoaquelesque abalam imaginaes fracas com esse quadro, que cada vezmais pavoroso seesforamportornar,mediantehorrveisdetalhes?Odiabo,dizem,smetemedoacrianas,umfreioparafazlascriajuzo.Sim,,domesmomodoqueobichopapo eolobisomem.Quando,porm,elasdeixamdetermedo,estopioresdoqueantes e, para alcanar to belo resultado, no se levam em conta as inmerasepilepsiascausadaspeloabalodecrebrosdelicados.Bemfrgilseriaareligiose,por no infundir terror, sua fora pudesse ficar comprometida. Felizmente, no assim.Houtrosmeiosparaseatuarsobreasalmas.OEspiritismoapontaosmaiseficazes emais srios, desde que ela os saiba utilizar.Elemostraa realidade dascoisasescomissoneutralizaosfunestosefeitosdeumtemorexagerado.

    XVI

    Restanos ainda examinar duas objees, nicas que realmente merecemestenome,porquesebaseiamemteoriasracionais.Ambasadmitemarealidadedetodososfenmenosmateriaisemorais,masexcluemaintervenodosEspritos.

    Segundo a primeira dessas teorias, todas asmanifestaes atribudas aos

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    Espritosnoseriammaisdoqueefeitosmagnticos:osmdiunsseachariamnumestado a que se poderia chamar sonambulismodesperto, fenmenode que podemdar testemunho todos os que tm estudado o magnetismo. Nesse estado, ascapacidades intelectuais adquirem um desenvolvimento anormal o crculo dasoperaes intuitivas se amplia para alm das raias da nossa concepo normal.Assimsendo,omdiumtirariadesimesmoeporefeitodasualucideztudooquedizetodasasnoesquetransmite,mesmosobreosassuntosquemaisestranhoslhesejam,quandonoestadohabitual.

    No seremos ns quem conteste o poder do sonambulismo, cujos fatosextraordinriosnsobservamos,estudandolhetodasasfasesdurantemaisdetrintae cinco anos. Concordamos em que, efetivamente,muitasmanifestaes espritasso explicveis por essemeio. Contudo, uma observao cuidadosa e prolongadamostra grande cpia de fatos em que a interveno do mdium, a no ser comoinstrumentopassivo,materialmenteimpossvel.Aosquepartilhamdessaopinio,comoaosoutros,diremos:Vejameobservem,porquecertamenteaindanovistestudo.Emseguida,propomosduasconsideraestiradasdaprpriadoutrinadeles:donde veio a teoria esprita? um sistema imaginado por alguns homens paraexplicar os fatos? De modo algum. Quem ento a revelou? Precisamente essesmesmosmdiunscuja lucidezexaltais.Ora, seessa lucidez talcomosupe,porqueteriamelesatribudoaosEspritosoquepossuememsimesmos?Comoteriamdado, sobre a natureza dessas inteligncias extrahumanas, as informaes exatas,lgicas e to sublimes, que conhecemos? Uma de duas hipteses: ou eles solcidos, ou no o so. Se o so e se pode confiarna suaveracidade,no haveriameiodeseadmitir semcontradio,quenoestejamcomaverdade.Emsegundolugar, se todos os fenmenos viessem do mdium, seriam sempre idnticos numdeterminado indivduo jamais se veria a mesma pessoa usar de uma linguagemdisparatada,nemexprimiralternativamenteascoisasmaiscontraditrias.Estafaltadeunidadenasmanifestaesobtidaspelomesmomdiumprovaadiversidadedasfontes. Ora, desde que no as podemos encontrar todas nele, foroso que asprocuremosforadele.

    Segundo outra opinio, omdium a nica fonte produtora de todas asmanifestaes mas, em vez de extralas de si mesmo, como acreditam ospartidrios da teoria sonamblica, o mdium capta do que est ao seu redor. Omdium ser ento uma espcie de espelho a refletir todas as ideias, todos ospensamentos e todos os conhecimentos das pessoas que o cercamnada diria queno fosse conhecido, pelomenos, de algumas destas.No lcito negar, e issomesmoumprincpio da doutrina, a influncia que os assistentes exercem sobre anaturezadasmanifestaes.Estainfluncia,noentanto,diferemuitodaquesupemexistir, e, dela que faria do mdium um eco dos pensamentos daqueles que orodeiam,vaigrandedistncia,poismilharesdefatosdemonstramocontrrio.Nessamaneira de pensar, h um grave erro que uma vez mais prova o perigo dasconclusesprecipitadas.Sendolhes impossvelnegararealidadedeumfenmenoque a cincia vulgar no pode explicar e no querendo admitir a presena dosEspritos,osqueassimopinamoexplicamaseumodo.Seriaenganosaateoriaquesustentam, se pudesse abranger todos os fatos.Tal, entretanto,no se d.Quandodemonstramos at evidncia que certas comunicaes do mdium so

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    completamenteestranhasaospensamentos,aosconhecimentos,sopiniesmesmode todos osassistentes,queessascomunicaes frequentementesoespontneasecontradizem todas as ideias preconcebidas, ah! eles no se embaraam com topouca coisa.Respondemquea irradiaovaimuito almdo crculo imediato quenosenvolve omdium o reflexode todaaHumanidade,de tal sorteque, seasinspiraesnolhevmdosqueseachamaseulado,elevaicaptarfora,nacidade,nopas,emtodoogloboeatnasoutrasesferas.

    No me parece que em semelhante teoria se encontre explicao maissimplesemaisprovvelqueadoEspiritismo,vistoqueela sebaseianumacausabemmais maravilhosa. A ideia de que seres que povoam os espaos e que, emcontactoconosco,noscomunicamseuspensamentos,nadatemquechoquemaisarazodoquea suposiodessa irradiaouniversal,vindo,de todos ospontosdoUniverso,concentrarsenocrebrodeumindivduo.

    Maisumavez,eestepontoimportantequenuncainsistiremosobastante:a teoria sonamblica e a que se poderia chamar refletiva foram imaginadas poralgunshomenssoopiniesindividuais,criadasparaexplicarumfato,aopassoquea Doutrina dos Espritos no de concepo humana. Foi ditada pelas prpriasinteligncias que se manifestam, quando ningum disso esperava, quando at aopinio geral a repelia. Ora, perguntamos, onde foram os mdiuns achar umadoutrinaquenopassavapelopensamentodeningumnaTerra?Perguntamosaindamais: por que estranha coincidnciamilhares demdiuns espalhados por todos ospontos do globo terrqueo, e que jamais se viram, acordaram em dizer amesmacoisa?SeoprimeiromdiumqueapareceunaFranasofreuainflunciadeopiniesjaceitasnaAmrica,porquesingularidadefoielebusclasa2.000lguasalmmarenoseiodeumpovotodiferentepeloscostumesepelalinguagem,emvezdeastomaraoseuredor?

    Tambmaindahoutracircunstnciaemquenose tematentadomuito.As primeirasmanifestaes, naFrana, comonaAmrica,no se verificarampormeiodaescritanemdapalavra,e,sim,porpancadasconcordantescomasletrasdoalfabetoeformandopalavrasefrases.Foiporessemeioqueasinteligncias,autorasdas manifestaes, se declararam Espritos. Ora, dado se pudesse supor aintervenodopensamentodosmdiunsnascomunicaesverbaisouescritas,outrotantonoserialcitofazersecomrelaospancadas,cujasignificaonopodiaserconhecidadeantemo.

    Poderamos citar inmeros fatos que demonstram, na inteligncia que semanifesta,umaindividualidadeevidenteeumaabsolutaindependnciadevontade.Portanto, recomendamos aos divergentes uma observao mais cuidadosa e, sequiseremestudarbem,semprevenes, eno formularconclusesantesde teremvistotudo,reconheceroaimpotnciadesuateoriaparatudoexplicar.Vamosnoslimitaraproporasquestesseguintes:porquequeaintelignciaquesemanifesta,qualquer que ela seja, recusa responder a certas perguntas sobre assuntosperfeitamente conhecidos, como, por exemplo, sobre o nome ou a idade dointerlocutor,sobreoqueeletemnamo,oquefeznavspera,oquepensafazernodiaseguinte,etc.?Seomdiumfosseoespelhodopensamentodosassistentes,nadalheseriamaisfcildoqueresponder.

    Aesseargumentocontestamosadversrios,perguntando,porsuavez,por

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    que os Espritos, que devem saber tudo, no podem dizer coisa to simples, deacordocomoditado:Quempodeomaispodeomenos,edaconcluemquenosoosEspritososquerespondem.Seumignoranteouumzombador,apresentandoseaumaassembleiadedoutores,porexemplo,perguntasseporquediasdozehoras,acreditar algum que ela se daria o incmodo de responder seriamente e serialgicoque,doseu silnciooudaszombariascomquepagasseao interrogante, seconclusse que seusmembros so tolos?Ora, exatamente porque os Espritos sosuperiores,quenorespondemaquestessemvalorouridculasenoconsentememirparaaberlindaporissoquesecalamoudeclaramquesseocupamcomcoisassrias.

    Perguntaremos,finalmente,porquequeosEspritosvmevose,muitasvezes, em dado momento e, passado este, no h pedidos, nem splicas que osfaamvoltar?Seomdiumobrasseunicamenteporimpulso mentaldosassistentes,claroque,emtalcircunstncia,oconcursodetodasasvontadesreunidashaveriade estimularlhe a clarividncia. Portanto, desde que no cede ao desejo daassembleia,confirmadopelaprpriavontadedele,queomdiumobedeceaumainflunciaque lheestranhaeaosqueocercam,influnciaque,poressesimplesfato,testificadasuaindependnciaedasuaindividualidade.

    XVII

    Ocepticismo15,notocanteDoutrinaEsprita,quandonoresultadeumaoposiosistemticaporinteresse,nasce quasesempredoconhecimentoincompletodosfatos,oquenoimpedequealgunscortemaquestocomoseaconhecessemafundo.Podemostermuitaesperteza,muitainstruomesmo,ecarecermosdebomsenso.Ora,oprimeiro indcioda faltadebomsensoestemalgumcrerqueseujuzoseja infalvel.Paramuitagente tambmasmanifestaesespritasnadamaissodoqueobjetodecuriosidade.Confiamosemque,lendoestelivro,encontraronessesextraordinriosfenmenosalgumacoisa maisdoquesimplespassatempo.

    A cincia esprita compreende duas partes: experimental uma, relativa smanifestaes em geral filosfica, outra, relativa s manifestaes inteligentes.Aquele que apenas tenha observado a primeira se acha na posio de quem noconhecesse a Fsica seno por experincias recreativas, sem haver penetrado nofundo da cincia. A verdadeiraDoutrinaEsprita est no ensino que os Espritosderam,eosconhecimentosqueesseensinoadmitesoprofundosdemaiseextensosparaseremadquiridosdequalquermodo,quenoporumestudoperseverante,feitono silncio e no recolhimento. Porque, s dentro desta condio se pode observarum nmero infinito de fatos e particularidades que passam despercebidos aoobservador superficial, e firmar opinio.No produzisse este livro outro resultadoalmdodemostraro ladosriodaquestoedeprovocarestudosneste sentidoerejubilaramosporhaversidoeleitoparaexecutarumaobraemque,alis,nenhummrito pessoal pretendemos ter, pois que os princpios nela exarados no so decriao nossa. O mrito que apresenta cabe todo aos Espritos que a ditaram.

    15Cepticismoou ceticismo:descrena N.E.

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    Esperamosquedaroutroresultado,odeguiaroshomensquedesejemesclarecerse, mostrandolhes, nestes estudos, um fim grande e sublime: o do progressoindividualesocialeodelhesindicarocaminhoqueconduzaessefim.

    Concluamos, fazendo uma ltima considerao. Alguns astrnomos,sondando o espao, encontraram,na distribuio dos corpos celestes, espaos nojustificadaseemdesacordocomasleisdoconjunto.Suspeitaramqueessaslacunasdeviam estar preenchidas por globos que tinhamescapado observaodeles.Deoutrolado,observaramcertosefeitos,cujacausalheseradesconhecidaedisseram:Devehaveraliummundo,poisestalacunanopodeexistireestesefeitosdevemteruma causa. Ento, julgando a causa pelo efeito, conseguiram calcularlhe oselementosemaistardeosfatoslhesvieramconfirmarasprevises.Apliquemosesteraciocnioaoutraordemdeideias.Seobservarmosasriedosseres,descobriremosqueelesformamumacadeiasemsoluodecontinuidade,desdeamatriabrutaatohomemmaisinteligente.Porm,entreohomemeDeus,alfaemegadetodasascoisas, que imenso vazio! Ser racional pensarmos que no homem terminam osanisdessacadeiaequeele transponhasem transioadistnciaqueoseparadoinfinito?A razo nos diz que entre o homemeDeus outros elos necessariamentehaver, como disse aos astrnomos que, entre os mundos conhecidos, outroshaveria,desconhecidos.Que filosofiajpreencheuessalacuna?OEspiritismonosmostraessaligaopreenchidapelosseresdetodasasordensdomundoinvisveleestes seresnosomaisdoqueosEspritosdoshomens,nosdiferentesgrausquelevamperfeio.Tudoentoseliga,tudoseencadeia,desdeoalfaatomega16.VocsquenegamaexistnciadosEspritos,preenchamovcuoqueelesocupamevocsqueriem deles,ousem rirdasobrasdeDeusedasuaonipotncia!

    Allan Kardec

    16 Alfa emega: respectivamente, a primeira e a ltima letra do alfabeto grego, representando aqui oprincpioeofimdascoisas N.E.

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    PROLEGMENOS 17

    Fenmenos acima das leis da cincia humana se do por toda parte,revelandonacausaqueosproduzaaodeumavontadelivreeinteligente.

    A razo diz que um efeito inteligente h de ter como causa uma forainteligenteeosfatostmprovadoqueessaforacapazdeentraremcomunicaocomoshomenspormeiodesinaismateriais.

    Interrogadaacercadasuanatureza,essaforadeclaroupertenceraomundodosseresespirituaisquesedespojaramdo invlucrocorporaldohomem.AssimquefoireveladaaDoutrinadosEspritos.

    As comunicaes entre o mundo esprita e o mundo corpreo esto naordem natural das coisas e no constituem fato sobrenatural, tanto que de taiscomunicaesseachamsinaisentretodosospovoseemtodasaspocas.Hojesegeneralizarametornaram evidentes atodos.

    OsEspritosanunciamquechegaramostemposmarcadospelaProvidnciaparaumamanifestaouniversaleque,sendoelesosministrosdeDeuseosagentesdesuavontade,tmpormissoinstruireesclareceroshomens,abrindoumanovaeraparaaregeneraodaHumanidade.

    Estelivroorepositriodeseusensinos.Foiescritoporordememedianteditado de Espritos superiores, para estabelecer os fundamentos de uma filosofiaracional,isentadospreconceitosdoespritodesistema.Nadacontmquenosejaaexpresso do pensamento deles e que no tenha sido por eles examinado. S aordem e a distribuiometdica dasmatrias, assim como as notas e a forma dealgumas partes da redao constituem obra daquele que recebeu a misso de ospublicar.

    Emo nmero dosEspritos que concorrerampara a execuo desta obra,muitos se contam que viveram, em pocas diversas, na Terra, onde pregaram epraticaram a virtude e a sabedoria. Outros, pelos seus nomes, no pertencem anenhuma personagem, cuja lembrana a Histria guarde, mas cuja elevao

    17Prolegmenos:princpiosbsicos,resumo,introduodeumlivro N.E.

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    atestadapelapurezadeseusensinamentosepelaunioemqueseachamcomosqueusamdenomesvenerados.

    Eisemquetermosnosderam,porescritoepormuitosmdiuns,amissodeescreverestelivro:

    Ocupate, cheio de zelo e perseverana, do trabalho que empreendestecom o nosso concurso, pois esse trabalho nosso.Nele pusemos as bases de umnovoedifcioqueseelevaequeumdiahdereunirtodososhomensnummesmosentimentodeamorecaridade.Mas,antesdeodivulgares,nsoexaminares,afimdelheverificarmostodososdetalhes.

    Estaremos contigo sempre que o pedires, para te ajudarmos nos teustrabalhos,porque estaapenasuma partedamissoqueteestconfiadaequejumdensterevelou.

    Entre os ensinos que te so dados, alguns h que deves guardar para tisomente, at nova ordem. Quando chegar o momento de os publicares, ns tediremos. Enquanto esperas,medita sobre eles, a fim de estares pronto quando tedissermos.

    Coloca no cabealho do livro a cepa que te desenhamos18, porque oemblemadotrabalhodoCriador.Aseachamreunidostodososprincpiosmateriaisquemelhorpodemrepresentarocorpoeoesprito.Ocorpo otroncooespritoolicoraalmaouespritoligadomatriaobago.Ohomempurificaoespritopelotrabalho e tu sabes que s mediante o trabalho do corpo o Esprito adquireconhecimentos.

    No te deixes desanimar pela crtica. Encontrars contraditores brutais,sobretudo entre os que tm interesse nos abusos. Encontrar a eles at entre osEspritos, por isso que os que ainda no esto completamente desmaterializadosprocuram frequentemente semear a dvida por malcia ou ignorncia. Prosseguesempre.CremDeusecaminhacomconfiana:aquiestaremosparateampararevemprximootempoemqueaVerdadebrilhardetodososlados.

    A vaidade de certos homens, que julgam saber tudo e tudo queremexplicar a seu modo, dar nascimento a opinies dissidentes. Mas, todos os quetiverememvistaograndeprincpiodeJesusseconfundironumssentimento:odo amordo bem e se uniro por um lao fraterno, que prender omundo inteiro.Estesdeixarodeladoasmiserveisquestesdepalavras,parasseocuparemcomoqueessencial.Eadoutrinasersempreamesma,quantoaofundo,paratodososquereceberemcomunicaesdeEspritossuperiores.

    Comaperseveranaquechegarsacolherosfrutosdeteustrabalhos.Oprazerqueexperimentars,vendoadoutrinapropagarseebemcompreendida,serumarecompensa, cujo valor integral conhecers, talvezmais no futuro do que nopresente.Noteinquietes,pois,comosespinhoseaspedrasqueosincrdulosouosmausacumularonoteucaminho.Conservaaconfiana:comelachegarsaofimemerecerssersempreajudado.

    LembratedequeosBonsEspritos sdoassistnciaaosqueservemaDeus com humildade e desinteresse e que repudiam a todo aquele que busca nasenda do Cu um degrau para conquistar as coisas da Terra que se afastam do

    18Acepaquesevnapg.37 ofacsmiledaqueosEspritosdesenharam.

  • 39 OLIVRODOSESPRITOSLinguagemSimplificada

    orgulhosoedoambicioso.OorgulhoeaambioserosempreumabarreiraerguidaentreohomemeDeus.Soumvulanadosobreasclaridadescelestes,eDeusnopodeservirsedocegoparafazerperceptvelaluz.

    SoJooEvangelista,SantoAgostinho,SoVicentedePaulo,SoLus,OEspritodeVerdade,Scrates,Plato,

    Fnelon,Franklin,Swedenborg,etc.,etc.

  • 40 AllanKardec

    PARTEPRIMEIRA

    DAS CAUSAS PRIMRIAS

    DEDEUSDOSELEMENTOSGERAISDOUNIVERSO

    DACRIAODOPRINCPIOVITAL

  • 41 OLIVRODOSESPRITOSLinguagemSimplificada

    CAPTULOI

    DE DEUS DEUSEOINFINITO PROVASDAEXISTNCIADEDEUS ATRIBUTOSDEDEUS PANTESMO

    DEUSEOINFINITO

    1.O QueDeus?Deusaintelignciasuprema,causaprimriadetodasascoisas.19

    2.Quesedeveentenderporinfinito?O que no tem comeo nem fim: o desconhecido tudo o que

    desconhecidoinfinito.

    3.Poderamos dizerqueDeusoinfinito?Definio incompleta. Pobreza da linguagem humana, insuficiente para

    definiroqueestacimadalinguagemdoshomens.

    Deusinfinitoemsuasperfeies,masoinfinitoumaabstrao.DizerqueDeusoinfinitotomaroatributodeumacoisapelacoisamesma,definirumacoisaquenoestconhecidaporoutraquenooestmaisdoqueaprimeira.

    PROVASDAEXISTNCIADEDEUS

    4.Ondepodemos encontrar aprovadaexistnciadeDeus?Numaxioma20 queaplicaissvossascincias.Nohefeitosemcausa.

    Procuraiacausadetudooquenoobradohomemeavossarazoresponder.

    ParacrermosemDeus,bastaolharparaasobrasdaCriao.OUniversoexiste,logotemumacausa.DuvidardaexistnciadeDeusnegarquetodoefeitotemumacausaeavanarqueonadapdefazeralgumacoisa.

    19 O texto entre aspas e com cor de destaque, colocado em seguida s perguntas, a resposta que osEspritosderam.Para destacarasnotaseexplicaesaditadaspeloautor, quando hajapossibilidade deserem confundidas com o texto da resposta, empregouse outro tipo e em tamanho menor. Quandoformamcaptulosinteiros,semserpossvelaconfuso,omesmotipousadoparaasperguntaserespostasfoioempregado N.E.20Axioma:mxima,sentena,afirmao N.E.

  • 42 AllanKardec

    5.Queconclusosepodetirardosentimentoinstintivo,quetodososhomenstrazememsi,daexistnciadeDeus?

    QueDeusexistepois,deondelhesviriaessesentimento,senotivesseumabase?aindaumaconsequnciadoprincpio nohefeitosemcausa.

    6.Osentimento ntimoque temosdaexistnciadeDeusnopoderia ser frutodaeducao,resultadodeideiasadquiridas?

    Se assim fosse, por que tambm em vossos selvagens existiria essesentimento?

    Se o sentimento da existncia deum ser supremo fosse somente produto deum ensino, noseriauniversalenoexistiriasenonosque pudessem receberesseensino,conforme sedcomasnoescientficas.

    7. Poderamos achar nas propriedades ntimas da matria a causa primria daformaodascoisas?

    Mas, ento, qual seria a causa dessas propriedades? Sempre indispensvelumacausaprimria.

    Atribuiraformaoprimriadascoisasspropriedadesntimasdamatriaseriatomaroefeitopelacausa,pois essas propriedadesso,tambmelas,umefeitoquehdeterumacausa.

    8.Que se deve pensar da opinio dos que atribuem a formao primria a umacombinaofortuitadamatria,ou,poroutra,aoacaso?

    Outroabsurdo!Quehomemdebomsensopodeconsideraroacasoumserinteligente?E,demais,queoacaso?Nada.

    A harmonia existente no mecanismo do Universo revela combinaes e desgniosdeterminados e, por issomesmo, revelaum poder inteligente.Atribuira formao primria aoacaso insensatez,poisqueoacasocegoenopodeproduzirosefeitosqueaintelignciaproduz.Umacasointeligentejnoseriaacaso.

    9.Ondeque,nacausaprimria,serevelaumaintelignciasupremaesuperioratodasasinteligncias?

    Vocs tm um provrbio que diz: Pela obra se reconhece o autor. Poisbem!Vejam a obra e procuremo autor.Oorgulho que geraa incredulidade.Ohomem orgulhoso nada admite acima de si. Por isso que ele se denomina a simesmodeespritoforte.Pobreser,queumsoprodeDeuspodeabater!

    Opoderdeumaintelignciasejulgapelassuasobras.ComonenhumserhumanopodecriaroqueaNaturezaproduz,acausaprimria,conseguintemente,umaintelignciasuperior Humanidade.

    Quaisquerquesejamosfenmenosqueaintelignciahumanatenhaoperado,elaprpriatemumacausae,quantomaior foroqueopere,tantomaiorhde sera causaprimria.Aquelaintelignciasuperiorqueacausaprimriadetodasascoisas,seja qualforonomequelh