LANDESKUNDE E O ENSINO DO ALEMƒO como lingua estrangeira - TESE Mestrado

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Clarisse da Conceio Alves e Costa Afonso

LANDESKUNDE E O ENSINO DO ALEMO COMO LNGUA ESTRANGEIRA

Universidade Nova de Lisboa Faculdade de Cincias Sociais e Humanas 1996

Clarisse da Conceio Alves e Costa Afonso

LANDESKUNDE E O ENSINO DO ALEMO COMO LNGUA ESTRANGEIRA

Dissertao apresentada Faculdade de Cincias Sociais e Humanas para obteno do grau de Mestre em Estudos Alemes

Sob orientao do Professor Doutor Alfred Opitz

AGRADECIMENTOS

Este trabalho deve muito ao interesse, compreenso e ajuda de diversas pessoas a quem me compete agradecer. Entre elas no posso deixar de salientar a contribuio de: Professor Doutor Hans-Jrgen Krumm que me deu preciosas indicaes quanto concepo e estrutura deste trabalho, e Professor Doutor Alfred Optiz pelo apoio cientfico e empenhado acompanhamento. No quero deixar de referir igualmente a pacincia e disponibilidade em todo o momento demonstradas pelas colegas Ana Maria Baptista e Maria Helena Peralta. Apraz-me tambm registar o contibuto das orientadoras de estgio e estagirias de alemo da FCSH que me tornaram possvel testar e desenvolver algumas das teorias que aqui vo ser expostas. A todos o meu profundo reconhecimento.

N D I C EINTRODUO ............................................ 1. Delimitao do tema ............................. 2. Estrutura do trabalho ........................... 3. Situao actual do debate ....................... Captulo I 1. A aprendizagem de lnguas estrangeiras (LE) ........ 1.1. Evoluo dos mtodos de ensino ................ 1.1.1. Mtodo da Gramtica e Traduo ......... 1.1.2. Mtodo Directo ......................... 1.1.3. Mtodo Audiolingual .................... 1.1.4. Mtodo Audiovisual ..................... 1.1.5. Abordagem comunicativa ................. 1.1.6. Comunicao Intercultural .............. 2. Os contedos scio-culturais - LANDESKUNDE - ....... 2.1. O conceito de "Landeskunde" ................... 2.1.1. Landeskunde e a competncia comunicativa ........................... 2.1.2. O saber comum (Alltagswissen) e o quotidiano (Alltag)............... . 2.2. As transformaes do conceito de Landeskunde ao longo dos anos .............. 2.3. Objectivos e contedos no curriculum de Landeskunde ................................ 2.3.1.Investigao didctica em Landeskunde ... 3. DaF, Landeskunde e intercultura .................... 3.1. A relao entre o eu e o outro ............ 3.2. A competncia intercultural/transcultural no ensino-aprendizagem da lngua estrangeira. . 3.2.1. Preconceitos e esteretipos na comunicao intercultural .............. 4. Landeskunde nos programas portugueses de alemo do 7 ao 12 ano ............................ 16 18 18 20 22 25 27 30 34 34 39 44 48 53 56 59 63 67 74 79 1 4 6 10

Captulo II 1. Os manuais de alemo como lngua estrangeira e os contedos de Landeskunde ...................... 1.1. A evoluo dos manuais ........................ 1.2. Caractersticas dos contedos de Landeskunde (ltimos vinte anos)............. 1.2.1. Caractersticas dos contedos de Landeskunde nos manuais de alemo editados em Portugal (Anos 90) ......... 1.3. Tipo de informao de Landeskunde e intensidade com que surge nos manuais: a) editados na Alemanha ....................... b) editados em Portugal ....................... 1.4. Que imagem da Alemanha veculam os manuais? ... Captulo III 1. O papel do professor no tratamento de Landeskunde ........................................ 1.1. Landeskunde e a formao de professores ....... 1.2. Avaliao do questionrio feito a orientadores de estgio de alemo da Faculdade de Cincias Sociais e Humanas (1994-95)...... . 1.3. Formar professores para uma educao intercultural ................................. CONCLUSES ............................................ BIBLIOGRAFIA .......................................... ANEXO ................................................. 124 132 92 92 98

108

114 117 121

136 139 143 149 164

INTRODUO

A

posio da

geogrfica os

de longos

Portugal anos de

no

extremo

ocidental

Europa,

isolamento

poltico no passado recente, aliados ao seu fraco poder econmico, no facilitaram nem as deslocaes frequentes dos portugueses ao estrangeiro, nem um intercmbio

escolar ou universitrio relevante. Estes s comearam a ter lugar de uma maneira mais intensiva aps a adeso de Portugal Comunidade Econmica Europeia em Janeiro de 1986, fundamentalmente devido aos programas comunitrios LINGUA e ERASMUS, que disponibilizam apoios financeiros respectivamente, para a cooperao e mobilidade no ensino secundrio e no ensino superior, na Comunidade Europeia. Este isolamento de Portugal pode explicar em grande parte a falta de motivao e o desconhecimento que de um modo geral, existe em relao aos outros pases e seu modo de vida, o que se reflecte no ensino de lnguas estrangeiras, nomeadamente na pouca relevncia que tem sido dada aos contedos scio-culturais. Por outro lado, e sobretudo das por questes econmicas, dos colocava-se de a

questo

deslocaes

professores

lngua

estrangeira para actualizao dos seus conhecimentos, o que, quando acontecia, focava sobretudo os aspectos

puramente lingusticos. No portanto de admirar que no ensino da lngua estrangeira os contedos scio-culturais

surjam somente como uma curiosidade e que, por parte de docentes e de discentes no se sinta uma motivao ou necessidade, em integrar os conhecimentos scio-

culturais, no contexto de ensino/aprendizagem da lngua estrangeira. Neste mencionar sempre sentido o no se pode no entanto que no deixar nosso de

importantssimo as

papel

pas de

desempenharam

instituies

estrangeiras

divulgao da lngua e cultura dos pases das lnguas alvo, no caso vertente o Goethe Institut. Para alm das sesses culturais e dos cursos de lngua que muitas vezes servem de reforo aos cursos do ensino secundrio e

superior, existe a concesso de bolsas de estudo para estadias de duas ou trs semanas na Alemanha, que visam melhorar culturais os e conhecimentos didcticos. que estes H lingusticos, no entanto por que sociais, ter em do

considerao

institutos

dependerem

governo do seu pas, transmitem as respectivas polticas culturais e, no caso das actividades no pas estrangeiro, reflectem a imagem que esse pas quer dar de si prprio. De qualquer modo so sempre uma grande ajuda para todos aqueles que se empenham em alargar os seus horizontes culturais e em aprofundar os seus conhecimentos da lngua e do pas em questo. No mbito da minha formao, em que o alemo a primeira lngua estrangeira, e no exerccio das minhas funes como coordenadora de estgios de alemo, tenho

verificado professores

que e

a

competncia est muito

scio-cultural aqum da

de

alunos

competncia

lingustica. Em sesses com professores e na assistncia a aulas de alemo ministradas por estagirios, apercebime de que, em detrimento das capacidades comunicativas, a gramtica e o vocabulrio continuam a ser tratados de um modo tradicional em que o debitar de regras constitui o cerne do processo de aprendizagem da lngua estrangeira. Verifiquei tambm que, de um modo geral, os contedos scio-culturais no so nem integrados nem valorizados no processo de ensino/ aprendizagem da lngua estrangeira. Com base na vivncia e experincia profissional considero que precisamente a partir dos conhecimentos scio-

culturais que se pode proficuamente motivar um aluno para a aprendizagem do alemo visto contextualizarem a lngua em situaes que reais, so pondo assim de as lado frases frases sem

contedo,

geralmente

puramente melhor

gramaticais. compreenso da

Concomitantemente

facultam por

uma

estrutura da lngua

transmitirem a

maneira de viver e a mentalidade dos falantes nativos, permitindo comunicao culturais. O envolvimento a ser dos contedos de uma na scio-culturais maior medida est no consequentemente entre os que se sem estabelea uma

falantes

interferncias

entretanto ensino da

objecto

valorizao em que

lngua

estrangeira

tambm

contribui para o conhecimento da mentalidade de outros povos, ou seja, o conhecimento de outras culturas.

1. Delimitao do tema

Estando em questo os contedos scio-culturais no ensino das lnguas estrangeiras em geral e mais especificamente no ensino do alemo, importava ver o que sobre esse assunto estaria publicado em Portugal, resultante de debates travados internos na ou eventualmente De facto reflexo tem de debates uma

Alemanha.

existido

preocupao com o tema Landeskunde no ensino do alemo, mas esta preocupao no tem tanto a ver com um

questionamento do professor portugus que ensina alemo e se debate com questes didcticas ou cientficas, mas sobretudo teorias patente fruto de uma tentativa na na prpria revista de enquadramento Alemanha. Portal, Isto Revista das est da

desenvolvidas por exemplo,

Associao Portuguesa de Professores de Alemo, bem como nos trabalhos apresentados nos encontros nacionais da

Associao Portuguesa de Professores de Alemo, desde o primeiro que teve lugar em 1980 at ao mais recente, em 1995, passando pelas aces de formao de professores organizadas pelo Goethe Institut. Em contrapartida, a bibliografia existente na

Alemanha sobre o tema Landeskunde no ensino da lngua

estrangeira muito vasta, sendo esta questo a igualmente debatida no contexto do ensino de alemo como

lngua estrangeira. O debate alemo sobre a funo da Landeskunde tem uma longa tradio, datando dos finais do sc. XIX,

aquando da reforma do ensino das lnguas modernas (Friz, 1991:6). tambm esta tradio