Ling port 2

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    06-Jun-2015
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  • 1. Presidente da RepblicaLuiz Incio Lula da SilvaMinistro da EducaoTarso GenroSecretrio ExecutivoFernando HaddadSecretria de Educao EspecialClaudia Pereira Dutra

2. MINISTRIO DA EDUCAOSecretaria de Educao Especial , ENSINO DELINGUA PORTUGUESAPARA SURDOS Caminhos para aPrtica Pedaggica Heloisa Maria Moreira Lima SallesEnilde Faulstich Orlene Lcia Carvalho Ana Adelina Lopo RamosPrograma Nacional de Apoio Educao dos Surdos Braslia2004 3. Ensino de lngua portuguesa para surdos : caminhos paraa prtica pedaggica / Heloisa Maria Moreira LimaSalles... [et al] . _ Braslia : MEC, SEESP, 2004.2 v. : il. .__(Programa Nacional de Apoio Educaodos Surdos)1. Educao especial. 2. Educao dos surdos. 3. Ensino dalngua portuguesa. I. Salles, Heloisa Maria Moreira Lima.II. Brasil. Ministrio da Educao. Secretaria de EducaoEspecial. III. Srie. CDU 376.33 4. EQUIPE TCNICAAutorasHeloisa Maria Moreira Lima Salles Doutora em Lingstica Professora da Universidade de Braslia Coordenadora do ProjetoEnilde Faulstich Doutora em Filologia e Lngua Portuguesa Professora da Universidade de BrasliaOrlem Lcia Carvalho Doutora em Lingstica Professora da Universidade de BrasliaAna Adelina Lopo Ramos Mestre em Lingstica Professora da Universidade de BrasliaConsultores Surdos de LIBRASGlucia Rosa de Souza Professora de Lngua Brasileira de Sinais - FENE1SIsaas Leo Machado Flix Professor de Lngua Brasileira de Sinais - APADAAssistentes de PesquisaAdriana Chan Viana Mestranda do Programa de Ps-Graduao em Lingstica - UnB Tcnica Educacional - Ministrio das Relaes ExterioresSandra Patrcia de Faria do Nascimento Mestranda do Programa de Ps-Graduao em Lingstica - UnB Professora da Secretaria de Educao do Distrito FederalRosana Cipriano jacinto da Silva Especialista Lato Sensu em Lngua Portuguesa Professora da Secretaria de Educao do Distrito Federal Professora da CESUBRA - Faculdade ObjetivoIlustradorsaas Leo Machado Flix 5. APRESENTAOEsta publicao faz parte do Programa Nacional de Apoio Educaodos Surdos, que tem como objetivo apoiar e incentivar a qualificaoprofissional de professores que com eles atuam.Pela primeira vez, os professores tero acesso a materiais que tratamdo ensino da Lngua Portuguesa a usurios de LIBRAS.Trata-se de um trabalho indito, muito bem fundamentado e compossibilidades de viabilizar oficinas, laboratrios de produo dematerial por parte dos professores, relacionando, de fato, teoria eprtica.Estamos certos de que a formao adequada de professorescontribuir para a melhoria do atendimento e do respeito diferenalingstica e sociocultural dos alunos surdos de nosso pas.Secretaria de Educao Especial 6. PREFACIOEste livro o resultado da articulao de diversos esforos. parteintegrante do Programa Nacional de Apoio Educao dos Surdos,que pode ser considerado um avano na luta pelo desenvolvimentoacadmico da pessoa surda e pela valorizao de sua condiomulticultural. uma tentativa de reunir informaes colhidas emdiversas fontes, que generosamente se desvendaram para ns, sob aforma de trocas de experincias, discusses, leituras, experimentos,em que se destacam os consultores surdos do projeto, conscientesde seu papel social na promoo da cultura surda, e as professoras/pesquisadoras ouvintes, que prestaram consultoria na questoeducacional do surdo, em diferentes etapas do projeto. enfim umacontribuio de pessoas que h pouco tempo voltaram o olhar paraos surdos, em face de um chamado profissional, que logo setransformou em entusiasmo e desejo de conhecer mais e participardas discusses e aes em benefcio da comunidade surda, na tarefade construir uma sociedade multicultural e fraterna.Concebido como material instrucional para a capacitao de profes-sores de lngua portuguesa da Educao Bsica no atendimento spessoas com surdez, o livro Ensino de Lngua Portuguesa para Surdos:Caminhos para a Prtica Pedaggica parte do pressuposto de que a mo-dalidade vsuo-espacial o canal perceptual adequado aquisio eutilizao da linguagem pelas pessoas surdas, tendo implicaescruciais para seu desenvolvimento cognitivo, sua afirmao social erealizao pessoal, do que decorre ainda o entendimento de que, naadoo do bilingismo, a lngua portuguesa segunda lngua para osurdo.Nossa proposta de reflexo formulada em duas partes: a primeiracompreende trs unidades e aborda a situao lingstica e culturaldo surdo, considerando a aquisio da linguagem em uma perspecti- 7. va biolgica e psicossocial, situando o ensino de portugus comosegunda lngua para os surdos no mbito de polticas de idioma e dalegislao vigente da educao nacional; e propondo a aplicaodessas concepes na definio de abordagens, mtodos e tcnicasa serem adotados no ensino de portugus (escrito) para surdos, emface das necessidades colocadas pelas caractersticas de sua produ-o escrita.A segunda parte consiste de oficinas temticas de projetos educaci-onais voltados para o ensino de lngua portuguesa para surdos, emque se exemplificam algumas etapas dessa elaborao, em particulara reviso terica do tema, a coleta de materiais ilustrativos dos te-mas examinados (situaes reais de fala, imagens, desenhos e ou-tros) e a aplicao de fundamentos tericos e metodolgicos, naformulao de atividades didtico-pedaggicas e no desenvolvimentode tecnologias educacionais. Partindo da simulao de situaes deensino-aprendizagem orientadas para alunos com nvel interme-dirio de portugus, os projetos abordam questes de gramtica ede leitura e produo de textos.No se trata, portanto, de um curso de lngua portuguesa para sur-dos com contedo e progresso fixos. Assumindo-se que os projetoseducacionais devem estar voltados para o desenvolvimento de com-petncias e habilidades no educando, entendemos as sugestes epropostas formuladas neste livro como temas para reflexo, a seremadaptadas, recriadas e mesmo descartadas, em face dasespecificidades de cada situao de ensino-aprendizagem, das exi-gncias de contextualizao e da abordagem interdisciplinar do co-nhecimento, requisitos para a aprendizagem significativa.Nosso desejo que essa reflexo se amplie, abrindo caminhos parao intercmbio de idias, contribuindo para sensibilizar a sociedadeem relao s necessidades educacionais do surdo, o que supe res-peitar sua situao (multi)cultural, promover o estudo cientfico desua problemtica, propor projetos e aes educacionais, desenvol- 8. ver tecnologias que venham atender suas necessidades especiais,em uma perspectiva de divulgao do conhecimento e disponibilizaodemocrtica dos resultados alcanados.Animadas por esses sentimentos idealistas, to presentes na atitudedos educadores, apresentamos nossa contribuio, singela, se con-sideramos que se inscreve em um cenrio de esforos de pessoasque acumulam vasta experincia no assunto e que tivemos a oportu-nidade e a alegria de conhecer, mas tambm sincera, no desejo departicipar, aprender, contribuir para a promoo da pessoa humana,no exerccio de nossa funo social de professoras universitrias,responsveis pela formao e capacitao dos educadores que vointegrar as comunidades acadmicas de nosso pas.Heloisa Maria Moreira Lima SallesCoordenadora do ProjetoBraslia, 17 de outubro de 2002. 9. SUMARIOProjetos Educacionais para o Ensino de Portuguspara Surdos...................................................................................... 17Temas de Teoria do Texto .............................................................. 17Leitura e produo de textos: perspectiva no ensinode portugus como segunda lngua para surdos........................... 181. Consideraes iniciais................................................................... 182. Leitura ...................................................................................... 19 2.1 Conceito................................................................................. 19 2.2 Condies para a realizao da leitura .................................. 20 2.3 Relao entre leitura em portugus L2 e LIBRAS ................. 20 2.4 Procedimentos sugeridos ....................................................... 213. Texto...................................................................................... 23 3.1 Conceito ................................................................................. 23 3.2 Texto e contexto .................................................................... 25 3.3 Estratgias de processamento textual ..................................... 253.3.1 Cognitivas ...................................................................... 263.3.2 Textuais.......................................................................... 263.3.3 Sociointeracionais ......................................................... 27 3.4 Qualidades da textualidade..................................................... 273.4.1 Coeso e coerncia ........................................................283.4.1.1 A coeso textual .................................................... 283.4.1.2 A coerncia textual ................................................303.4.1.3 Coeso e coerncia: outras observaes................ 323.4.1.4 Coeso, coerncia e a escrita dos surdos ...............343.5 Gneros textuais .....................................................................363.5.1 Os gneros textuais no ensino do portugus ................. 383.5.2 Gneros textuais e temas transversais ........................... 393.6 Tipologia textual..................................................................... 393.6.1 Descrio....................................................................... 39 10. 3.6.2 Narrao ........................................................................ 40 3.6.2.1 Elementos estruturais ............................................ 41 3.6.2.2 A fala das pessoas ou personagens........................42 3.6.3 Dissertao.................................................................... 443.7 Relao entre gnero e tipologia textual................................454. Leitura e produo escrita.............................................................45 4.1 Os resumos e outras parfrases..............................................46Temas de teoria gramatical............................................................89Lxico e vocabulrio ....................................................................... 901. Lexema, vocbulo e termo ...........................................................902. Coeso, Referncia e Relaes de Significado.............................93Lxico e variao........................................................................... 1041. Variao lexical ........................................................................... 104A estrutura do sintagma nominal: portugus e LIBRAS.......... 1131. Sintagma e paradigma ................................................................ 1132. Categorias lexicais e gramaticais................................................ 1143. Estrutura interna do sintagma nominal em portugus ................ 116 3.1 Concordncia no sintagma nominal .................................... 1214. Estrutura interna do sintagma nominal em LIBRAS.................. 122Estrutura do sintagma nominal: a expresso daposse em portugus ....................................................................... 1361.Predicados e argumentos............................................................. 1362.Estruturas de posse em portugus................................................ 138 2.1 Variao translingstica na expresso da posse ................. 140Semntica e sintaxe das preposies ........................................... 1551. Preposies em portugus do Brasil........................................... 1551.1 Distino dos contextos de ocorrncia ................................ 1551.2 Grau de transparncia semntica......................................... 1571.3 Ensino da sintaxe e semntica das preposies................... 1592. Descrio semntica da preposio por ..................................... 161 2.1 Local .................................................................................... 162 2.1.1 Indicao de percurso ................................................. 162 2.1.2 Indicao de movimentao dispersa.......................... 162 11. 2.1.3 Indicao de localizao indefinida, com verbos que no indicam movimento ..................................... 163 2.1.4 Indicao de localizao definida, com verbos que indicam apreenso ..............................................1632.2 Temporal .............................................................................. 163 2.2.1 Indicao de um momento indeterminado .................. 163 2.2.2 Indicao de durao ..................................................1642.3 Seqncia.............................................................................1642.4 Freqncia............................................................................1642.5 Meio .................................................................................... 1652.6 Causa.................................................................................... 1662.7 Conformativa........................................................................1662.8 Proporo.............................................................................1672.9 Diviso ................................................................................. 167 2.10 Concessiva......................................................................... 168 2.11 Condicional........................................................................ 168 2.12 Substituio .......................................................................1683. As preposies em portugus e em LIBRAS..............................169 3.1 Preposies em LIBRAS ...................................................... 170 3.2 Ausncia de correspondncia em LIBRAS .........................1703.2.1 Expresses de lugar ..................................................... 1703.2.2 Sinais com equivalncias compostas em portugus .. 1723.2.2.1 Verbo + preposio..............................................1723.2.2.2 Outras composies............................................. 173Emprego do Perfeito x Imperfeito (Indicativo).......................... 1821. Tempo e aspecto verbais ............................................................ 1821.1 Estrutura de alguns tempos..................................................1821.2 Aspecto ............................................................................... 1851.3 Tempo e aspecto em Libras ................................................. 186Oficina Geral ................................................................................. 1991. Aplicaes da teoria ................................................................... 199Referncias bibliogrficas ............................................................ 203 12. Temas deTeoria do Texto Projetos Educacionais para oEnsino de Portugus para Surdos 13. Leitura e produo de textos: perspectiva no ensino de portugus como segundalngua para surdos1. Consideraes iniciaisAs atividades de leitura e de produo de um texto implicam-se mu-tuamente no ensino de uma lngua. Se, na pedagogia de lngua ma-terna, o ato de produzir passa necessariamente pelo de receber in-formaes de naturezas diversas (lingstica, sociocultural etc) pormeio da leitura, no ensino de segunda lngua tal processo de funda-mental importncia.No caso do surdo, especialmente, o sucesso de uma produo escri-ta depende sobremaneira dos inputs a que se est exposto. Em ou-tras palavras, quanto mais o professor inserir o aprendiz na situaoem que se enquadra a atividade proposta, quanto mais insumos,isto , contextos lingsticos e situaes extralingsticas, forem aoaprendiz apresentados, melhor ser o resultado. Nessa perspectiva,defende-se que um texto sempre gerado a partir de outro(s) texto(s),depende portanto das suas prprias condies de produo.A aquisio/aprendizagem da escrita, sobretudo quando se trata daelaborao de textos, pressupe, portanto, uma tarefa imprescindvel:o ato de ler, que, para o aprendiz ouvinte, se processa tanto oral comosilenciosamente, j, para o surdo, a leitura silenciosa certamente atcnica mais recorrente. Acrescente-se que, nesse caso, os recursosgrficos e visuais constituem um instrumento auxiliar de excelncia. 14. Antes de tratarmos metodologicamente do ensino de textos de por-tugus como segunda lngua para surdos, alguns aspectos e concei-tos que envolvem a noo de leitura e de texto devem ser esclareci-dos. Iniciemos pela leitura, onde tudo comea.2. Leitura2.1 ConceitoTradicionalmente o conceito de leitura est vinculado ora ao ato dedecifrar os grafemas impressos, ora a uma certa atitude em compreen-der textos. Esta viso, no entanto, por vezes limitada em relaoquilo que a produo textual possa significar. Tais concepes h muitovm sendo criticadas como nicas formas de leitura. Atualmente, consensual que a leitura um processo de interpretao que um sujei-to faz do seu universo scio-histrico-cultural. A leitura , portanto,entendida de maneira mais ampla, em que certamente o sistemalingstico cumpre um papel fundamental, tendo em vista que "a leiturado mundo precede a leitura da palavra e a leitura desta importantepara a continuidade da leitura daquele (Freire, 1982: 20).Entendida nessa perspectiva, a leitura atinge um grande pblico, emque o surdo se insere como cidado-leitor tanto quanto um ouvinte,embora os procedimentos metodolgicos sejam diferentes quandose trata da aquisio de L1 e de L2 e de aquisio da modalidadeescrita da lngua oral pelo surdo.No contexto pedaggico, compreende-se, com Garcez (2001:21) queleitura um processo complexo e abrangente de decodificao designos e de compreenso e inteleco do mundo que faz rigorosasexigncias ao crebro, memria e emoo. Lida com a capacida-de simblica e com a habilidade de interao mediada pela palavra." um trabalho que envolve signos, frases, sentenas, argumentos,provas formais e informais, objetivos, intenes, aes e motivaes. 15. Envolve especificamente elementos da linguagem, mas tambm osda experincia de vida dos indivduos."2.2 Condies para a realizao da leituraA leitura cumpre vrias funes que vo desde a de divertir, em que oprocedimento mais espontneo, at aquelas que exigem do leitorprocessos mentais mais elaborados e nas quais o conhecimento pr-vio sobre o assunto se faz necessrio. Esto envolvidos, nesse co-nhecimento, a lngua, os gneros e os tipos textuais e o assunto, queapresentam certas condies importantes para uma leitura eficaz.Eis algumas delas, segundo Garcez (2001: 24): decodificao de signos; seleo e hierarquizao de idias; associao com informaes anteriores; antecipao de informaes; elaborao de hipteses,- construo de inferncias; construo de pressupostos; controle de velocidade; focalizao da ateno; avaliao do processo realizado; reorientao dos prprios procedimentos mentais.2.3 Relao entre leitura em portugus L2 e LIBRASA leitura deve ser uma das principais preocupaes no ensino deportugus como segunda lngua para surdos, tendo em vista que 16. constitui uma etapa fundamental para a aprendizagem da escrita.Nesse processo, o professor deve considerar, sempre que possvel, aimportncia da lngua de sinais como um instrumento no ensino doportugus. Recomenda-se que, ao conduzir o aprendiz lngua deouvintes, deve-se situ-lo dentro do contexto valendo-se da sua lnguamaterna (L1), que, no caso em discusso, a LIBRAS. nessa lnguaque deve ser dada uma viso apriorstica do assunto, mesmo que geral. por meio dela que se faz a leitura do mundo para depois se passar leitura da palavra em lngua portuguesa. A lngua de sinais dever sersempre contemplada como lngua por excelncia de instruo emqualquer disciplina, especialmente na de lngua portuguesa, o quecoloca o processo ensino/aprendizagem numa perspectiva bilnge.2.4 Procedimentos sugeridosSegundo Garcez (2001: 24), reconhecer e entender a organizao sin-ttica, o lxico, identificar o gnero e o tipo de texto, bem comoperceber os implcitos, as ironias, as relaes estabelecidas intra, intere extratexto, o que "torna a leitura produtiva. No caso do surdo,alguns dos procedimentos so imprescindveis, e o professor devesempre estar atento para conduzir o seu aprendiz a cumprir etapas, queenvolvem aspectos macroestruturais: gnero, tipologia, pragmtica esemntica(textuaisediscursivos) e microestruturais:gramaticais/lexicais, morfossintticos e semnticos (lexicais esentenciais), como as que seguem:Aspectos macroestruturais analisar e compreender todas as pistas que acompanhem o textoescrito: figuras, desenhos, pinturas, enfim, todas as ilustraes; identificar, sempre que possvel, nome do autor, lugares, refern-cias temporais e espaciais internas ao texto; 17. situar o texto, sempre que possvel, temporal e espacialmente; observar, relacionando com o texto, ttulo e subttulo; explorar exaustivamente a capa de um livro, inclusive as perso- nagens, antes mesmo da leitura; elaborar, sempre que possvel, uma sinopse antes da leitura do texto; reconhecer elementos paratextuais importantes, tais como: pa- rgrafos, negritos, sublinhados, travesses, legendas, maiscu- las e minsculas, bem como outros que concorram para o en- tendimento do que est sendo lido; estabelecer correlaes com outras leituras, outros conhecimen- tos que venham auxiliar na compreenso; construir parfrases em LIBRAS ou em portugus (caso j tenha um certo domnio); identificar o gnero textual; observar a importncia sociocultural e discursiva, portanto prag- mtica, do gnero textual; identificar a tipologia textual; ativar e utilizar conhecimentos prvios; tomar notas de acordo com os objetivos;Aspectos microestruturais reconhecer e sublinhar palavras-chave; tentar entender, se for o caso, cada parte do texto,correlacionando-as entre si: expresses, frases, perodos, par-grafos, versos, estrofes; identificar e sublinhar ou marcar na margem fragmentos signifi-cativos; 18. relacionar, quando possvel, esses fragmentos a outros; observar a importncia do uso do dicionrio; decidir se deve consultar o dicionrio imediatamente ou tentarentender o significado de certas palavras e expresses obser-vando o contexto, estabelecendo relaes com outras palavras,expresses ou construes maiores; substituir itens lexicais complexos por outros familiares; observar a lgica das relaes lexicais, morfolgicas e sintticas; detectar erros no processo de decodificao e interpretao; recuperar a idia geral de forma resumida. importante ressaltar que, para cada texto, h um conjunto de pro-cedimentos adequados compreenso, e, portanto, impraticvel aaplicao de todos os procedimentos listados leitura de um nicotexto.3. Texto3.1 ConceitoO texto pode ser conceituado de vrias maneiras. Mesmo na rea daLingstica Textual, que tem como objeto de investigao a prpriaproduo textual, o texto apresenta mltiplas concepes, dependen-do, cada uma delas, dos princpios tericos adotados. Assim, ao longodos estudos, este objeto foi compreendido sob diversas ticas: oraobservando-se a sua natureza sistmica: como unidade lingstica su-perior frase, como uma sucesso de combinao de frases, como umcomplexo de proposies semnticas; ora, considerando-se o aspectocognitivo: vendo-o como um fenmeno psquico, resultado de pro-cessos mentais; ora ressaltando-se o seu carter pragmtico: como 19. seqncia de atos de fala, como um elemento de comunicao verbal,ou ainda como processo/produto de prticas sociais. certo que cada um desses conceitos tem sua validade dentro da pers-pectiva terica que se adote para atingir determinado objetivo. Do pontode vista pedaggico, parece recomendvel compreender o texto, nocomo um produto pronto e acabado em sua estrutura, mas, como res-salta Koch (2000: 21), com ateno voltada para seu prprio processode planejamento, verbalizao e construo, sem perder de vista que"|o texto| se constitui enquanto tal no momento em que os parceiros deuma atividade comunicativa global, diante de uma manifestao lings-tica, pela atuao conjunta de uma complexa rede de fatores de ordemsituacional, cognitiva, sociocultural e interacional, so capazes de cons-truir, para ela, determinado sentido" (Koch, op. cit.: 25).Assim, entende-se que o sentido no est no texto, mas se constri apartir dele (Koch, op. cit.: 25), dependendo das experincias, dos conhe-cimentos prvios, enfim, da viso de mundo que cada participante trazconsigo do evento em que o texto se realize. Por isso, um mesmo textopode se significar de diferentes maneiras em pocas diferentes, e, na mes-ma poca, processar leituras diferentes, tendo em vista que se instauranuma relao constante de processo/produto entre autor e leitores. Emoutras palavras, o texto processo, enquanto concebido pelo autor, eproduto, no momento de finalizao por este, passando a ser processonovamente quando exposto s possveis leituras e interpretaes.No ensino de lngua, o texto tem sido apontado como um recurso porexcelncia. Esta a viso dos Parmetros Curriculares Nacionais(PCNs), elaborados pelo Ministrio da Educao, em que o texto priorizado como instrumento importante tanto para aquisio de novosconhecimentos, para o desenvolvimento do raciocnio, da ar-gumentao, para experincia ldica, como promotor de prazer est-tico, para aquisio e consolidao da escrita. Mas a importnciaatribuda ao texto est exatamente em perceb-lo como instrumentofundamental nas e das prticas sociais. 20. Embora os PCNs no contemplem orientaes para o ensino do Portu-gus como segunda lngua, pode-se perfeitamente adotar esta con-cepo sobre o texto nessa perspectiva pedaggica, sem negligenciaros outros aspectos relevantes. No caso do ensino para surdos, o tex-to, assim concebido, parece ser de importncia capital, tendo em vistaque, embora os surdos no tenham o portugus como lngua materna,esto inseridos em boa parte dessa cultura lingstica: os nomes dasruas, das praas, das lojas, a propaganda, o extrato bancrio, o cartode crdito, de aniversrio, de natal, constituem apenas uma pequenaparte do grande universo que so as prticas sociais fundadas noletramento. E o texto escrito ferramenta bsica de comunicao en-tre surdos e ouvintes. Apresentar propostas metodolgicas para o en-sino de textos em portugus para surdos requer, portanto, a articula-o dessas prticas em atividades contextualizadas.3.2 Texto e contextoAo se entender o texto como prtica social, obviamente, h de seconsiderar as suas condies de produo. O momento histrico, oambiente scio-cultural, os interlocutores so condies que nopodem ser desprezadas. Dessa forma, questes como: por que estetexto foi produzido? Para que ele serve? Para quem dirigido? Enfim, qual a suaimportncia social? so relevantes, e professor e aluno no podem perd-las de vista. Todos estes aspectos formam o contexto que ir favorecer,por exemplo, a produo de uma carta ou de um bilhete num deter-minado contexto em que uma propaganda inadequada. Isso nosleva a compreender por que razo texto e contexto se encontramnuma relao de sintonia.3.3 Estratgias de processamento textualO processo de construo de um texto implica necessariamente quevrios sistemas de nosso conhecimento sejam ativados. Para tanto, 21. valemo-nos de estratgias de natureza cognitiva, textual esociointeracionais (Koch, 2000).3.3.1 CognitivasAs estratgias cognitivas dizem respeito a hipteses elaboradas so-bre o significado de uma palavra, de uma expresso, de uma estrutu-ra ou de um fragmento dela, ou mesmo do texto inteiro. So os pro-cedimentos rpidos de reconhecimento realizados pelo crebro quenos auxiliam a comear o entendimento do texto. Essas estratgiasconsistem em estratgias de uso do conhecimento, uso este quedepende dos objetivos dos interlocutores, da quantidade de conhe-cimento disponvel a partir do texto e do contexto, como tambmcrenas, opinies e atitudes que possibilitem a construo de senti-dos textuais.3.3.2 TextuaisAs estratgias textuais so pistas que se referem organizao dosdiferentes elementos que concorrem para a estrutura material do tex-to. So elas: de organizao da informao: dizem respeito distribuio das es-truturas na superfcie do texto; o modo, como por exemplo, ainformao dada (j conhecida pelo leitor) e a nova (a que estsendo apresentada) se encontram estruturadas: de formulao: so recursos de natureza cognitiva e interacionalque tm, entre os objetivos, esclarecer, exemplificar, ilustrar, con-vencer, atenuar, ressalvar, bem como criar um clima menos for-mal entre os interlocutores. As inseres constituem um exce-lente exemplo desse tipo de estratgia; 22. de referenciao: esto voltadas para as relaes de ligaes entreos elementos que fazem parte da superfcie do texto, de modoque um seja recuperado por outro ou outros, formando o que chamado de cadeias coesivas. de balanceamento entre explcito e implcito: so aquelas que dizemrespeito ao que est expresso claramente no texto e o(s)subentendido(s) recupervel(eis) atravs de marcas ou pistas apre-sentadas no texto.3.3.3 SociointeracionaisAs estratgias sociointeracionais so aquelas voltadas para as atitu-des dos interlocutores no momento da interao verbal e, por isso,encontram-se envolvidas nos atos de fala, como o caso das estra-tgias de preservao da auto-imagem, de polidez, de negociao,de esclarecimentos, de mal-entendidos etc.3.4 Qualidades da textualidadeH vrios fatores que garantem a qualidade textual, sendo eles res-ponsveis tanto pela organizao estrutural como pela construodo(s) sentido(s) que o texto possibilite estabelecer. Entre outros, des-tacam-se: coeso, coerncia, informatividade, situacionalidade,intertextualidade, intencionalidade e aceitabilidade (Beaugrand &Dressler, apud Koch, 1990).Embora apresentados dessa forma, compreendemos que a maiorparte desses elementos j est contemplada em um s: a coernciaj supe as noes de informatividade, situacionalidade,intertextualidade, intencionalidade e aceitabilidade. Portanto, pelomenos em princpio, coerncia e coeso tornam-se imprescindveispara que um texto seja interpretvel. 23. 3.4.1 Coeso e coerncia3.4.1.1 A coeso textualA coeso o fenmeno textual que consiste no modo como os ele-mentos presentes na estrutura superficial se encontram interligados,por meio de recursos tambm lingsticos, formando seqnciasveiculadoras de sentidos (Koch, 2000). Assim sendo, elementos comosubstantivos, adjetivos, verbos, preposies, pronomes, advrbios,conjunes (operadores argumentativos) entre outros, so respon-sveis pela tessitura textual. Observem-se aspectos da coeso noseguinte trecho: TEXTO E CONTEXTOVamos lutaiOs onze brasileiros escalados por Luiz Felipe Scolari paraenfrentar a Alemanha no final da Copa do Mundo, hoje, s8h, no estaro sozinhos no Estdio Internacional deYokohama, no Japo. Jogaremos com eles. Sentados na pontado sof, ajudaremos Rivaldo e os Ronaldos a escolher o cantocerto e empurraremos o goleiro Kahn para o outro lado dogol. A cada bola levantada para o atacante Klose, subiremosna cadeira para ajudar nossos zagueiros a afastarem o perigo.Diante da televiso, faremos de tudo para que o melhorataque da Copa supere a melhor defesa da competio. Paraevitar o tetra deles. Para comemorar o nosso penta. (Correio Braziliense, 30 de junho de 2002) 24. As palavras em destaque constituem alguns dos inmeros exemplos decoeso que o texto contm. os itens eles, estaro e sozinhos referem-se a os onze brasileiros, noincio do texto, e propiciam a recuperao de algo j apresentado.So portanto elementos remissivos a este que denominado dereferente; o adjetivo com valor adverbial de modo sentados, bem como asformas verbais ajudaremos, empurraremos, subiremos, faremos e a pro-nominal nosso recuperam a idia de ns, elptica e contida emjogaremos, primeira ocorrncia desinencial em que a idia aparecerealizada; as duas ocorrncias do conjuntivo e mostram que esse elemento um elo tanto entre palavras Rivaldo e Ronaldos como entre oraesajudaremos ...e empurraremos...; a preposio para tambm demonstra o seu valor de elemento deligao, assim como outras preposies encontradas; a forma pronominal possessiva deles recupera a referncia aosjogadores alemes, realizada concretamente em o goleiro Kahn eo atacante Klose. 25. Apesar das diferenas morfossintticas que alguns dos elementosem destaque apresentam entre si, eles cumprem um mesmo papeldo ponto de vista da organizao do texto: o de garantir as ligaesinternas, a tessitura textual, pois, sendo elemento remissivo de umreferente ou apenas ligando palavras ou estruturas, todos eles socoesivos.3.4.1.2 A coerncia textualA coerncia consiste nas relaes de significao subjacentes es-trutura aparente ou superficial do texto. So as relaes lgicasestabelecidas entre as idias. Diz respeito aos princpios de acordoentre as estruturas semnticas internas ao prprio texto e ao contex-to (ambiente, momento, interlocuo etc). o sentido ou os senti-dos que o texto possibilita apreender. A coerncia , na verdade, oprprio texto, pois um texto sem coerncia seria o no-texto e esteno existe.No texto "Vamos luta", vimos que todos os elementos analisadosno tm apenas uma misso de unir pura e simplesmente um ele-mento lingstico a outro ou de substitu-lo sem nenhum valor signi-ficativo. Todos eles unem palavras ou segmentos com lgica, estabe-lecendo uma relao de sentido entre as estruturas superficiais. Almdisso, o texto como um todo nos apresenta informaes, levando-nos a construir sentidos para ele que dependem de outras condiesextratextuais: o fato para o qual se chama ateno, que o jogo definal de campeonato entre Brasil e Alemanha; o tempo oportuno emque o texto foi produzido: momento da Copa de 2002, movimentoesportivo mundial; lugar onde ser realizado o jogo: Japo; a impor-tncia do goleiro Kahn, do atacante Klose e da zaga do time alemo,sugerindo nicos perigos superveis para nossa seleo; e a informa-o sobre a importncia da vitria, que, para os alemes, representao tetra, e, para ns, o penta. 26. Alm da informatividade, outro fator tambm perceptvel: aintencionalidade do autor. Pode-se depreender, entre outras, a inten-o do apelo ao exemplificar como deveremos ajudar os nossos jo-gadores por meio de nossas atitudes, ao assistir ao jogo, para garan-tir a vitria do Brasil.A possibilidade de compreenso do texto se faz sobretudo pelo co-nhecimento compartilhado entre autor e possveis leitores: citaescomo os nomes de Rivaldo e Ronaldo, do goleiro Kahn e do atacanteKlose nos remetem a informaes de outros textos, de outras situa-es, que nos auxiliam, enquanto leitores, a compreender o que estsendo dito ou no dito, apenas inferido. Esse aspecto deintertextualidade fundamental para que a informao que est sendoveiculada seja compreensvel e interpretvel, pois se trata de um co-nhecimento de mundo partilhado por locutores e interlocutores (au-tor e leitores). Nessa mesma perspectiva, reside a aceitabilidade, queno significa necessariamente a aceitao do argumento, mas sim oaceite do texto enquanto produtor de sentido (s) para o leitor. Mes-mo que no pense da mesma forma que o autor do texto, o fato dediscordar de seus argumentos ou da maneira como conduziu a dis-cusso j um indcio de que o leitor compreendeu que aquela pro-duo um texto, com uma estrutura sinttico-semntica, emborahaja discordncia no nvel discursivo.Alm dessas qualidades apresentadas por Beaugrand e Dressler econsideradas nos trabalhos de muitos estudiosos da Teoria do Tex-to, existe uma qualidade imprescindvel na feitura do texto enquantoproduo discursiva: a interdiscursividade. Embora confundida, muitasvezes, com intertextualidade, a interdiscursividade se diferencia da-quela por estar relacionada aos mltiplos discursos que um textoveicula, isto , s tantas vozes (polifonia) presentes na produotextual, mas que no so identificveis to concretamente como sonos intertextos: os textos, via de regra, tm uma autoria implcita ouexplcita, mas pelo menos, recupervel; j os discursos so formadoshistoricamente, logo o sujeito-autor mltiplo e histrico. nessa 27. perspectiva que se pode perceber o aspecto ideolgico de um texto,que o lugar de concretizao do discurso.Todos estes fatores concorrem para a construo dos sentidos dotexto, portanto da prpria coerncia textual.3.4.1.3 Coeso e coerncia: outras observaes clara a relao de dependncia entre coeso e coerncia. Principal-mente no texto dissertativo-argumentativo, a coerncia interna dotexto apia-se crucialmente nos elementos coesivos. So eles os res-ponsveis, como j se observou, pela articulao dos marcadoreslgicos do texto, pela no-contradio dos argumentos, pela organi-zao seqencial do pensamento. Dessa forma, certo dizer que noh texto em que uma dessas qualidades esteja faltando. Apesar daobviedade que essa afirmao possa conter, ela no de todoverdadeira. J foi observado que a coerncia o prprio texto, por isso sua condio de existncia, portanto, no h texto sem coerncia.Por outro lado, existem textos em que a coeso no se realizanecessariamente. Observem-se os exemplos: guas de maro pau pedra o fim do caminho um resto de toco um pouco sozinho peroba do campo N na madeiraCaing, candeia o Matita Pereira 28. madeira no ventoTombo na ribanceiraE um mistrio profundoE um queira no queira o vento ventando o fim da canseiraDas guas de maro So as guas de maro fechando o vero a promessa de vida em seu corao (Antnio C. Jobim) Dizem que o Brasil o pas do futebol. O futebol o esporteda bola no p. O p a base que d sustentao fsica ao serhumano, que a nica espcie no planeta que forma classessociais. A sociedade de classe bastante evidente no sistemacapitalista, que encontra na Revoluo Industrial o momentoinicial da relao capital/trabalho.No fragmento do famoso poema musicado de Tom Jobim, cada linhado poema parece constituir um verso de sentido independente; no haparentemente uma seqencializao na superfcie do texto. En-tretanto, todos os versos expressam idias que concorrem para amesma temtica, todos eles passam a participar da composio de ummesmo campo semntico, qual seja, as circunstncias de trmino daestao de vero, que culmina com a chegada das chuvas de maro.Isto nos leva a observar o poema como um texto, com todo o princpiode coerncia que ele exige para se constituir como tal. Quem o l ou oouve em forma de msica no o percebe com estranheza. 29. Ao contrrio, encontra na disposio formal em que ele se apresenta(versos), os fatos que so comuns do cotidiano, mas ditos de umaforma bela, mostrados, artisticamente.J, no exemplo seguinte, pode-se perceber que as ligaes estoestabelecidas na estrutura superficial: palavras de um segmento sorecuperadas em outro, numa demonstrao de que as informaesse encontram encadeadas. No entanto, no h uma lgica que con-corra para um tema: o que existe um amontoado de informaesdesconexas. No h uma disposio lgica. Assim sendo, h sinaisde coeso, mas no de coerncia. Logo, o exemplo (3) no pode serconsiderado um texto, a no ser que fosse escrito com um certopropsito.Os dois exemplos servem para ratificar mais uma vez que a coerncia uma qualidade essencial de um texto, o que no ocorre exatamen-te com a coeso. Servem para mostrar tambm que no em qual-quer texto que a coeso pode no se estabelecer; no poema h es-pao para isso. J no texto dissertativo, sobretudo os de naturezaargumentativa, a coeso uma qualidade imprescindvel, pois pormeio dela que a coerncia se torna possvel.3.4.1.4 Coeso, coerncia e a escrita dos surdosSabemos que h diferenas estruturais entre lnguas de sinais e ln-guas orais e, por isso, as relaes entre as estruturas no se estabe-lecem da mesma forma nos dois sistemas lingsticos. Nesse senti-do, uma das dificuldades que o surdo tem apresentado na sua pro-duo textual em portugus exatamente a de fazer as ligaes en-tre palavras, segmentos, oraes, perodos e pargrafos, ou seja, ade organizar seqencialmente o pensamento em cadeias coesivas nalngua portuguesa. Essa idia tem levado muitos a acreditarem quetextos produzidos por uma pessoa surda no tm coerncia. 30. Na verdade, esse raciocnio equivocado. Uma primeira observaodiz respeito questo terica. Como vimos, embora coeso e coe-rncia apresentem vnculos entre si, so fenmenos com aspectosdistintos: a primeira diz respeito prioritariamente forma, j a outra,ao aspecto semntico-lgico. Logo, a condio bsica do texto acoerncia. Outra questo se refere ao papel que a LIBRAS desempe-nha na aquisio do portugus.escrito. Pesquisas revelam que textosnesta lngua, elaborados por surdos falantes de LIBRAS, apesar deapresentarem alguns problemas na forma, no tm violado o princ-pio de coerncia: os surdos conseguem expressar de modo inteligvelsuas idias. Por isso, verifica-se que a escrita de surdos, com dom-nio de LIBRAS, dotada de coerncia, embora nem sempre apresen-te certas caractersticas formais de coeso textual e de uso demorfemas gramaticais livres ou no. Acredita-se que o elemento fun-damental para a transmisso da mensagem escrita seja a coerncia eque esta dependente das estruturas cognitivas e dos princpiospragmticos que regem a linguagem (Santos & Ferreira- Brito, s/d).Para ilustrar o que foi dito, observe-se o excerto a seguir, de um textoproduzido por um surdo.Meu nome X, nasci em 00/00/00, tenho N anos, sou estu-dante da Escola Y- DF, fao Magistrio. Quando nasci eranormal. Aos oito meses aconteceu minha me vejo eu nen,com orelhas vermelhas e com dores ficam preocupadas, le-vou ao hospital e mdicos fizeram pesquisas, precisa en-contrar Antibitico", espera curar. Aps quatro anos, minhame falou: o X parece nada ouvir. Ela preocupa e leva noHospital e mdico descobre pedra auditiva. ...As passagens a seguir apresentam problemas na forma, entre os quais,se encontram algumas remisses indevidas e conexes inadequa- 31. das. o caso de ficam preocupadas, que embora se encontre no plural,deduz-se referir-se a minha me, realizado no singular, e no a orelhasvermelhas ou a dores, flexionados no plural. As nossas estratgiascognitivas nos levam a identificar o referente e sua respectiva formaremissiva, pois o nosso conhecimento lingstico nos indica que aexpresso ficam preocupadas no poderia semanticamente ser atribu-da, neste contexto, a orelhas vermelhas, muito menos, a dores. Na pas-sagem Antibitico, espera curar, h um problema de coeso, pois faltaum elemento conjuntivo que, alm de recuperar o antecedente Anti-bitico, estabeleceria a conexo entre as idias.Apesar de problemas como estes, entendemos o contedo semnti-co do excerto, isto , depreendemos o que est sendo dito e issoindica que a coerncia no foi comprometida. Por outro lado, o fatode o texto ser inteligvel no significa que a estrutura superficial nodeva ser reorganizada de acordo com as regras da lngua em que estescrito. responsabilidade do professor desenvolver maneiras degarantir a aprendizagem de algumas das infinitas possibilidades de(re)estruturao do texto, garantindo um direito inalienvel do sur-do: o acesso a elas.3.5 Gneros textuaisO gnero textual vem passando, ao longo dos sculos, por vriosconceitos e classificaes. Objeto de preocupao da potica, daretrica, o gnero foi compreendido de diversas formas: pela distino entre poesia e prosa; pela diferena entre o lrico, o pico e o dramtico; pela oposio entre tragdia e comdia; por trs estilos: elevado, mdio e humilde; 32. pelo modo de realizao - deliberativo, judicirio e epidtico (os- tentoso), estes de acordo com as circunstncias em que so pro- nunciados.Do ponto de vista lingstico, a preocupao com o gnero comeacom os princpios de cientificidade atribudos natureza da lngua,quando para a lingstica aspira-se a um status cientfico e para issobusca-se a objetividade, categorizando-se, classificando-se seu ma-terial de anlise (Brando, 2000). Esta a viso do Estruturalismo,que, pelo seu mtodo de anlise, procurava sempre estabelecer ummodelo abstrato que explicasse as possveis realizaes concretas.Assim sendo, o texto e seu gnero foram concebidos observando-seo aspecto formal, estrutural, sempre apontando-se para polarizaesdo tipo interno vs. externo, imanncia vs. historicidade etc.Atualmente, comum a idia de que os gneros textuais so fen-menos histricos, profundamente vinculados vida cultural e social(Marcuschi, 2002). Nessa perspectiva, entendem-se os gneros comoum produto coletivo dos diversos usos da linguagem, que no seapresentam em forma rigorosamente definida, como pretendiam osestudiosos do passado, mas sim, realizam-se de diversos modos, deacordo com as necessidades comunicativas do dia-a-dia da comuni-dade. Assim sendo, a cada evoluo tecnolgica que surge e trazconsigo uma maneira nova de se comunicar, um novo gnero apare-ce. Entendidos desse modo, os gneros so prticas sociais, como,por exemplo: bilhetes, convites, telegramas, sedex, fichas de cadas-tro, e-mails, chats, debates, cheques, cartes diversos (postal, agrade-cimento, apresentao, natal, aniversrio, outros), cartas, receitasculinrias, bula de remdio, artigos de jornal e revista, entrevistas,verbetes de dicionrios e de enciclopdias, charges, propagandas,publicidades, quadrinhos, msicas, poemas, resumos, resenhas, en-saios cientficos, crnicas, contos, livros em geral etc.Por outro lado, como resalta Marcuschi (2002), o fato de se classifi-carem os gneros por aspectos scio-comunicativos e funcionais no 33. significa que a forma deixe de ser considerada: (...) em muitos casosso as formas que determinam o gnero e, em outros tantos, seroas funes. O poema, por exemplo, um gnero determinado pelaforma; j um desenho tanto pode despertar o gosto pelo estticocomo pode ter uma funo social pragmtica.3.5.1 Os gneros textuais no ensino do portugusA viso do gnero em suas mltiplas formas, resultantes de transfor-maes histricas, necessidades diferentes de cada poca com fina-lidades sociais bem determinadas, tem sido tema de discusses en-tre estudiosos preocupados com o ensino da linguagem. Mas ainstitucionalizao desse discurso se consolidou a partir do PCNs,que vem no gnero textual um recurso de fundamental importnciapara a construo da cidadania do estudante. Sem desconsiderar osgneros que cuidam dos entretenimentos, os PCNs priorizam aque-les textos que cumprem funes de usos pblicos e artsticos.Os textos a serem selecionados so aqueles que, por suas caractersticas eusos, podem favorecer a reflexo crtica, o exerccio de formas depensamento mais elaboradas e abstratas, bem como a fruio esttica dosusos artsticos da linguagem, ou seja, os mais vitais para a plenaparticipao numa sociedade letrada (PCNs, 1998).Do ponto de vista da escrita, os PCNs recomendam que sejam con-templados textos como bilhetes (formais e informais), cartas, recei-tas, instrues de uso de um produto, listas, rtulos, calendrios,cartes (de vrias naturezas), convites, dirios, anncios, slogans, car-tazes, folhetos, poemas, contos, crnicas, textos cientficos, entreoutros.Por razes j explicitadas anteriormente, observa-se que esta reco-mendao totalmente pertinente em se tratando da pedagogia doportugus para surdos, apesar de esta ter estatuto de segunda ln-gua. Por isso, importante que o professor de surdos inclua os mais 34. diferentes textos como recurso didtico, tanto para a atividade deleitura como para a de produo.3.5.2 Gneros textuais e temas transversaisAo adotar vrias possibilidades de gneros em sua pedagogia, o pro-fessor abre possibilidades para o trabalho com temas transversais -outro importante aspecto contemplado nos PCNs. Entendendo-se quea quase ilimitada quantidade de gneros textuais decorre das inme-ras necessidades sociais, observa-se conseqentemente que eles vei-culam componentes discursivos de reas diversas. Isto demonstra arelevncia do papel que a lngua deve cumprir como instrumento decomunicao e transformao, instrumento este de que o aluno devesempre dispor. Assim, tratar de temas que constrem o mundodiscursivo em que o aluno est inserido deve ser um dos objetivos emrelao ao texto a ser lido e produzido. A tica, a biodiversidade, asociedade e o meio ambiente, a sade, as drogas, a educao, as dife-renas raciais so apenas alguns dos temas que devem fazer parte dasleituras e das escrituras dos textos dos alunos, uma vez que os textosdevem constituir um espao de excelncia para as prticas sociais,discursivas e de letramento dos cidados.3.6 Tipologia textualA tipologia textual diz respeito aos j to conhecidos e discutidosaspectos da descrio, narrao e dissertao que compem a es-trutura textual.3.6.1 DescrioA descrio entendida como uma espcie de pintura por palavras,a representao lingstica seqencial de objetos, ambientes, cenas, 35. interior, paisagem, seres (animais, rvores e pessoas, fisicamente epsicologicamente) que evocamos ou imaginamos. um recurso queconstitui o texto em sua totalidade estrutural ou parte dele, quandoutilizada dentro de uma narrativa, por exemplo. O ato de descreverno consiste em uma mera enumerao de elementos, mas sim naobservao de traos relevantes, dos pormenores importantes pararepresentao daquilo que a inteno do autor deseja expressar. Por-tanto, descrever algo uma atividade seletiva no sentido de se fazerdistino entre o que de fato importante e o que suprfluo, parao que se pretende.Na descrio, h uma recorrncia a verbos que no se apresentamtradicionalmente como verbos de ao, como os verbos ser e estar,por exemplo, bem como a adjetivos, exatamente por estes teremuma funo prepoderante de atributo.O trecho seguinte constitui um exemplo de descrio fsica de umapessoa: A pele da cabocla era desse moreno enxuto e parelho das chinesas. Tinha uns olhos grados, lustrosos e ne- gros como os cabelos lisos, e um sorriso suave e limpoa animar-lhe o rosto oval, de feies delicadas. (rico Verssimo)3.6.2 NarraoA narrao o relato de um acontecimento (real ou imaginrio), sen-do este entendido como uma sucesso de aes interligadas por umnexo lgico em que tem participao o homem ou um ente personi-ficado (pessoa ou personagem). caracterizada por elementos quelhe garantem uma estrutura bem delineada e que so as respostaspara as questes que seguem. 36. 3.6.2.1 Elementos estruturais QUEM? - a(s) pessoa(s) ou personagem(ns) O QU? - o fato, o acontecimento COMO? - o modo como acontece o episdio ONDE? - o lugar ou os lugares onde ocorre QUANDO? - o(s) momento(s) em que se passam os fatos POR QU? - a causa dos acontecimentos.Observe-se a presena de alguns desses elementos no excerto narrativo aseguir:Na manh seguinte, ao levantar, vi Milton todo encolhidodentro da rede, totalmente encharcado. Sabadin tambm noacreditava no que via: o ndio havia guardado o plstico namochila e ficara a noite inteira debaixo da chuva.Tomamos o caf da manh, que se resumia em pouco maisde dois copos de caf com leite para cada um, com algumascolheres de aveia. (..)Nosso objetivo era caminhar at o acampamento do Vento. Apreviso, segundo os garimpeiros, seria de uma jornada de 7horas, chegando ao Vento, portanto, l pelas 4 horas da tarde.(...)No poderamos parar ali por muito tempo. Nossa cadnciaera muito lenta e eu estava preocupado em chegar logo aoacampamento do vento.(Augusto, Eduardo. Expedies ao Pico da Neblina, So Paulo, FTD) 37. 3.6.2.2 A fala das pessoas ou personagensA fala das personagens em um texto narrativo denominada de dis-curso, que aqui significa a reproduo do que dizem as personagensou pessoas do evento. Os discursos so de trs tipos: direto, indireto eindireto livre.Discurso diretoO discurso direto um enunciado de um texto narrativo correspon-dente reproduo literal da fala de outra pessoa ou personagemenvolvidos no episdio narrado. E geralmente introduzido pelo verbodizer ou outro da mesma esfera semntica, que pode abrir, fechar ouintercalar-se no enunciado. O primeiro caso marcado pela presenade dois-pontos, separando a fala do narrador da do personagem; nosegundo e terceiro casos, pela presena de travesso ou de vrgulas.Joo Romo parou entrada da oficina e gritou para um dos ferreiros: Bruno! No se esquea do varal da lanterna do porto!(Aluzio Azevedo)Mas que avio? - perguntou o velho consultando os cus.(L. F. Verssimo)Discurso indiretoO discurso indireto o enunciado que exprime o sentido do pensa-mento da pessoa ou personagem, sem contudo repetir-lhe as palavras.Neste tambm, o verbo dizer, ou semanticamente similares, se fazpresente, mas acompanhado de uma orao substantiva. 38. (...) ps-se a observar o garoto, que tremia de frio mas no abandonava seu trabalho. Perguntou-lhe por que estava ali, j tarde, solito, desmanchando tabuinhas. E ele, que no se revelou amigo da conversa, a custo foi soltando sua explica- o. O pai deixara-o naquele ponto recomendando-lhe que no sasse do lugar.(Carlos Drummond de Andrade)Discurso indireto livreO discurso indireto livre, processo mais requintado, caracteriza-sepelo estilo tambm indireto das idias, reflexes ou pensamentos dapessoa ou personagem, sendo que no se explicita o termosubordinante nem o verbo dizer ou similares, ou seja, as idias, refle-xes etc so expressas na forma de orao independente. Deu um passo para a catingueira. Se ele gritasse "Defasta", que faria a polcia? No se afastaria, ficaria colado ao p de pau. Uma lazeira, a gente podia xingar a me dele. Mas en- to... Fabiano estirava o beio e rosnava. Aquela coisa arroada e achacada metia as pessoas na cadeia, dava-lhes surra. No entendia. Se fosse uma criatura de sade e muque, estava certo. Enfim, apanhar do governo no desfeita, e Fabiano at sentia orgulho ao recordar-se da aventura. Mas aquilo...Soltou uns grunhidos. Por que motivo o governo apro- veitava gente assim? S se ele tinha receio de empregar ti- pos direitos. Aquela cambada s servia para morder as pes- soas inofensivas. Ele, Fabiano, seria to ruim se andasse fardado? Iria pisar os ps dos trabalhadores e dar pancadas neles? No iria. (Graciliano Ramos) 39. 3.6.3 DissertaoA dissertao o tipo de texto em que se explica algo ou se expe umponto de vista, uma opinio, um julgamento sobre determinado as-sunto. Nessa perspectiva, encontra-se o texto argumentativo, que construdo a partir de estruturas em que repousam um problema dis-cutido e uma tese defendida. Tal tese pode estar voltada para um pon-to apresentado pelo prprio autor do texto, bem como para a defesaou refutao da(s) idia(s) de outrem. Assim, formam-se os argumen-tos, articulados sintaticamente por elementos conjuntivos denomina-dos de operadores argumentativos (conjunes coordenativas esubordinativas), determinantes no estabelecimento das relaescoesivas e importantes para garantir a coerncia textual. O texto aseguir ilustra essas observaes.Sobre ratos e homensQuando se trata de justificar experincias com animais, ospesquisadores j dispem de uma resposta pronta: ser quens estaramos a deixar que morram milhares de seres hu-manos, quando eles poderiam ser salvos por uma nica ex-perincia feita com um animal? A maneira de responder aessa pergunta hipottica fazer outra pergunta: ser que ospesquisadores estariam dispostos a realizar suas experin-cias utilizando um ser humano rfo, de idade inferior a 6meses, se o nico jeito de salvar milhares de vidas fosseesse? Se os pesquisadores no estiverem dispostos a usaruma criana, ento sua prontido em usar animais no-hu-manos revela uma injustificvel forma de discriminao ba-seada no especismo, j que macacos, ces, gatos, ratos eoutros animais so, mais que uma criana, conscientes da-quilo que lhes acontece, auto-orientados e, no mnimo, tosensveis dor quanto aquela. (Trecho de Vida tica, extrado de Veja, julho de 2002) 40. importante observar que, embora cada um dos tipos descritos apre-sente elementos estruturais peculiares, existe uma variedade de tex-tos que contm elementos de outros tipos. Assim, comum encon-trarem-se passagens totalmente descritivas, como corriqueira a in-cluso de trechos dissertativos em textos narrativos etc.3.7 Relao entre gnero e tipologia textualGneros e tipos textuais esto intrinsecamente relacionados: todo textotem em sua constituio uma forma descritiva, narrativa, dissertativaou mista. Assim, cartas, relatrios, reportagens, contos, crnicas, en-tre outros gneros, so compostos por um ou mais de um tipo textual.4. Leitura e produo escritaJ se assinalou anteriormente a relao estrita entre leitura e texto.As experincias e as prticas pedaggicas tm mostrado que a leitu-ra um ponto fundamental para a escrita; na verdade ela o pontobasilar. Por um lado, o hbito de ler possibilita a internalizao namente das regras prprias da lngua escrita; por outro, fornece infor-maes do universo que circunda o homem, ampliando seu conheci-mento. Quem escreve tem de demonstrar contedo naquilo que pro-duz e o faz valendo-se do sistema lingstico na forma adequadapara os padres da escrita. Isso faz com que o princpio deinterpretabilidade, que garante a coerncia, seja respeitado.Sempre que escrevemos, ativamos, entre outros processos intelec-tuais, o mnemnico: valemos-nos de informaes retidas na nossamemria e adquiridas por meio de textos, sejam estes orais ou escri-tos, recentes ou no. Nesse sentido, no errado afirmar que o textoque produzimos permeado de intertextualidade, ou seja, tem inter-ferncias de outros textos, de outros discursos, o que no significaque a produo no traga o novo. importante ter em mente que a leitura para os surdos deve serconduzida dos textos mais simples aos mais complexos, simplifican-do-se, apenas no incio, para evitar o reducionismo. 41. 4.1 Os resumos e outras parfrasesUma eficaz maneira de se comear a desenvolver ou mesmo aprimo-rar a escrita a produo de esquemas, resumos e outros tipos deparfrases, dependendo do gnero e do tipo de texto que serve debase. O resumo, que uma retomada das principais informaes dotexto, um excelente exerccio, pois permite que o leitor demonstreo entendimento das idias do autor com fidelidade.1 Para tanto, umdos caminhos pode ser a elaborao de um esquema, primeiro mo-mento para a feitura do novo texto. Pode-se tambm elaborar ou-tros textos que exijam processos cognitivos mais complexos, masque apresentem parfrases do texto-base. o caso da mudana degnero do texto original: artigo para resenha (comentrio crtico ouno sobre o texto), ou a transformao de uma narrativa em quadri-nhos. Seja qual for o procedimento, ele ser a prova concreta dadependncia da escrita em relao leitura.PROPOSTA DE EXERCCIOS: Leitura e interpretaoPara exemplificar o que aqui foi exposto sobre leitura, texto e a com-plexa relao entre ambos, prope-se a realizao das atividades se-guintes voltadas para o ensino de pessoas surdas: primeiramente, aleitura do texto Eles so os olhos, para o que sugerida a aplicaode alguns dos procedimentos comentados, e, em seguida, propostaspara produo textual.1. Para iniciar a compreenso do texto verbal, comecemos a ler ostextos no verbais. Observe-se as figuras abaixo:*1 Sabe-se que a atividade de resumir implica processos cognitivos complexos e por isto mereceum capitulo parte. Para o momento, recomenda-se que o professor, sempre que possvel,auxilie os alunos a fazerem a leitura conduzindo de forma que percebam aquilo que maisessencial no texto.2 As fotografias a seguir foram retiradas dos sites: www.caoguia.org.br; www.sambucan.com.br;www.acapo.pt/aacapofoto; www.jovemadventista.com, respectivamente. 42. 1 EtapaComentrio ao professor: recomendvel que esta etapa seja realizadaem LIBRAS.1. Estabelea a relao entre as figuras: Elas tm algo em comum? Oqu? O que sugere a presena do co sempre junto (s) pessoa(s)?Como demonstrado o comportamento da(s) pessoa(s) em relaoao co?Transcrio das perguntas em LIBRAS:_?_ QUE PARECER IGUAL [email protected] ? PORQUE FOTOGRAFIA CO JUNTO PESSOASEMPRE2. Qual a ligao entre o contedo das imagens e o ttulo "Eles so osolhos", do texto a seguir? E com o subttulo?Transcrio das perguntas em LIBRAS:FOTOGRAFIA [email protected] COMBINAR FRASE [email protected] IGUAL? ?OLHO + OLHO COMO PORQUE 43. 3. Tea comentrios sobre os portadores de necessidades especiais relativas viso, como tm procurado superar socialmente as limitaesde acessibilidade aos locais por meio de rampas etc, como ces tmajudado nessa superao, como a sociedade tem se manifestado paragarantir aos cegos e aos surdos o direito constitucional de ir e vir etc.Transcrio em LIBRAS: ? [email protected] ENTRAR LUGAR + LUGAR VRIOS COMO TAMBM SURDO4. Agora, tente uma primeira leitura (decodificao dos signos) dotexto a seguir. Depois, siga os procedimentos apresentados maisadiante para a realizao de uma leitura mais detalhada.Transcrio das perguntas em LIBRAS:VOC [email protected] LER [email protected] SEGUIR PASSOS [email protected] LEROUTRA-VEZTEXTO E CONTEXTOEles so os olhosCes guias esto sendo treinados para ajudar deficientes em BrasliaDezesseis ces da raa retriever labrador passeiam pela ci-dade com um leno azul amarrado no pescoo. ShoppingsCenters, zoolgicos, rodoviria, praas, comrcios, igrejas,lugares movimentados fazem parte do dia-a-dia desses ani- 44. mais. Eles tm uma misso: tornarem-se ces guias de defi-cientes.Todos os espaos pblicos so obrigados a aceitar a presenados animais, desde que devidamente identificados eacompanhados de uma pessoa que responda por sua guarda.Os animais que j esto nas ruas fazem parte do Projeto deApoio aos Portadores de Necessidades Especiais Co Guia deCego, uma parceria do Instituto de Integrao Social e dePromoo da Cidadania (Integra), Corpo de Bombeiros Mili-tar do Distrito Federal, Universidade de Braslia (UnB), Asso-ciao Brasiliense de Deficientes Visuais (ABDV) e a Funda-o Mira (sede no Canad).Tudo comeou em janeiro, quando os soldados do Corpo deBombeiros Jlio Csar e Carlos Alberto Dias foram ao Canadpara aprender a adestrar ces. De volta ao Brasil seis mesesdepois, os bombeiros encontraram um canil preparado peloIntegra na sede da Academia do Corpo de Bombeiros. Os pri-meiros quatro filhotes foram trazidos e receberam os cuida-dos da equipe do hospital veterinrio da UnB. Uma campa-nha realizada no Parque da Cidade identificou famlias para seresponsabilizarem por eles durante oito meses.Dois filhos, um gato e vrias viagens foram os critrios que fize-ram diferena para a escolha da famlia Cury. Quem adorou foiTobi Nag, o filhotinho que est sendo um verdadeiro personaltrainer para o pai Alessandra Cury. "Ele adora nadar, entra so-zinho na gua e um verdadeiro companheiro. Acho que vaiser difcil nos distanciarmos dele", explica Alessandra....(Correio Braziliense, Este meu, 30 de maio de 2002, n 652,capa) 45. AGORA A SUA VEZ2a Etapa1. Estabelecer, de alguma forma, a relao entre a figura do co e otexto escrito, utilizando, por exemplo, perguntas.Transcrio das perguntas em LIBRAS:FOTO CL2: plural de fotos MOSTRAR J COMBINAR LER DEPOIS EX-PLICARComentrio ao professor: provvel que muitas conjecturas sejamapresentadas pelos alunos; cabe ao professor a tarefa de aproveitar asinformaes relacionadas ao texto que est sendo introduzido,conduzindo adequadamente a leitura para o que est sendo tratado.Esse procedimento possibilita o trabalho com inferncias.2. Identificar o ttulo e o subttulo, observando a relao entre ambos.Comentrio ao professor: testar se o subttulo ces guias esto sendotreinados para ajudar deficientes em Braslia esclarece a idia de que osintagma os ces substitui eles, e os olhos se refere a deficientes, palavrasque formam o ttulo Eles so os olhos. Com este procedimento, oprofessor leva o aluno a compreender que os significados, os sentidosde um segmento podem ser recuperados em outro e a perceber aexistncia de mecanismos anafricos de substituies lexicais.3. Reconhecer e sublinhar as palavras-chave, como ces da raa retrieverlabrador, leno azul amarrado no pescoo, ces guias de deficientes, animais,parte do Projeto de Apoio aos Portadores de Necessidades Especiais Co Guia dosCegos etc.4. Sublinhar palavras desconhecidas: atentar para o contexto ou con-sultar o dicionrio.2 CL equivale a classificador - aqui apresentado como "L" com as duas mos, demonstrando adisposio esttica em que as fotos foram apresentadas aos alunos. 46. Comentrio ao professor: sugere-se que, quando se tratar de pala-vras que se refiram a lugares, como no texto Shopping Centers, zoolgi-cos, praas, igrejas, entre outros, ou de profisses, como bombeiros -enfim tudo o que puder ser ilustrado - o professor apresente figuras,fotos, pinturas, desenhos at improvisados, que ofeream, ao surdo,subsdios para compreenso das palavras em anlise. Trabalhar, sefor do interesse: profisses (tomando como ponto de partida bom-beiros, referida no texto); lugares (pontos tursticos da cidade); fam-lia (construindo a rvore genealgica com e dos prprios alunos);lugares onde ficam animais domsticos (canil, galinheiro, pocilga) etc.3a Etapa5. Identificar os pargrafos do texto, numerando-os (numerar tam-bm as linhas).Primeiro pargrafo identificar e transcrever a(s) palavra(s) que inicia(m) e terminam oprimeiro pargrafo; identificar o personagem de que se est falando; sublinhar a caracterstica que identifica a funo do co de guia; circular os nomes dos lugares onde os ces guias podem entrar; sublinhar o segmento que expressa a misso dos ces.Segundo pargrafo identificar e transcrever as palavras que iniciam e terminam osegundo pargrafo; identificar o trecho em que est expressa a condio para que osces possam circular em espaos pblicos; identificar o nome do projeto; sublinhar o nome das instituies que apiam o Projeto. 47. Terceiro pargrafo identificar as palavras que iniciam e terminam o terceiro pargrafo; sublinhar a passagem que traz a referncia do tempo em quecomeou a idia do Projeto; indicar qual o fato marcante para a implementao do Projeto noBrasil; observar: que pessoas se envolveram no Projeto? Quantos cesparticiparam? Que instituies participaram (indicar as institui-es)? Que fato marcou o incio do Projeto?Transcrio das perguntas em LIBRAS: ? PESSOA QUALPARTICIPAR PROJETO ? CACHORRO QUANTOSPROJETO TREINARNOME LUGAR CONVNIO PROJETO ? ?COMEAR PROJETO QUE ACONTECER MAIS IMPORTANTE QUEQuarto pargrafo identificar as palavras que iniciam e terminam o quarto pargrafo; indicar a passagem que identifica Tobi, observando questescomo: Quem Tobi Nag? Qual a famlia escolhida para cuidarde Tobi? (circular o nome da famlia) Por que Tobi Nag umverdadeiro personal trainer? Circular as palavras ou expresses quecaracterizam esse tipo de co.Transcrio das perguntas em LIBRAS:?QUEM T-O-B-I N-A-G- 48. ? PROJETOESCOLHER FAMLIA QUAL CUIDAR T-O-B-I ? PORQUE T-O-B-I N-A-G- GUIAVERDADE Indicar a orao que explica a idia contida em adotar o seu futurodono.4a. EtapaInformaes gerais sobre o textoI. Assunto elaborar uma frase que resuma a idia geral do texto assinalar a opo que resume a idia geral do texto: a) Todos os deficientes visuais esto sendo guiados por ces adestradosem Braslia; b) Qualquer co de qualquer raa pode guiar cegos em Braslia; c) Existe um Projeto em Braslia com objetivo de treinar ces da raaretriever labrador para servir de guia aos cegos.Transcrio das perguntas em LIBRAS:INVENTAR FRASE [email protected] COMBINAR IDIA MAIS IMPORTANTE LERII. Objetivo identificar o objetivo do texto.Comentrio ao professor: esse aspecto pode ser testado a partir daescolha entre alternativas apresentadas pelo professor, como porexemplo: o objetivo do texto apresentar detalhadamente os pro-blemas enfrentados pelos cegos. 49. MOSTRAR PROBLEMA CEGO ENCONTRAR SOCIEDADEIII. Gnero indicar se a forma do texto : a) um poema; b) uma carta; c) umbilhete; d) uma notcia de jornal.Comentrio ao professor: Levantar outras questes sobre a naturezado gnero, como: a quem se destina o texto? Que meio ou meios decomunicao veicula (m) o texto? Observar a fonte de onde foi extra-do etc.IV Tipo indicar se o texto : a) descritivo; b) narrativo; c) dissertativo; d)misto; indicar que elementos textuais justificam a resposta dada etc.PROPOSTA DE EXERCCIOS: produo escrita __________________A proposta apresentada a seguir, alm de treinar o aluno na expressoescrita, demonstrando os novos conhecimentos adquiridos, tem porfinalidade trabalhar os elementos de coeso textual.AGORA A SUA VEZ1. O texto estudado mostra a importncia do co para deficientesvisuais. Por meio da leitura e da discusso sobre o assunto, adquirimosmais informaes sobre a funo que o co desempenha na vida doscegos. Escreva um pargrafo sobre o co-guia na vida do deficientevisual. 50. Comentrio ao professor.- a idia inicial a elaborao de um par-grafo, mas possvel que seja escrito mais de um. As etapas a seguirso comentrios sobre procedimentos voltados para a elaboraodo pargrafo.1 etapaPea aos alunos que elabore frases sobre o co-guia, observandoaspectos como: a raa indicada para ajudar os deficientes, que tare-fas o co desempenha, em que lugares pblicos o animal pode en-trar, em que tarefas ele pode ajudar em casa, qual o sentimento dodeficiente em relao ao animal etc.2a etapaApresente frases do texto desordenadas e pea aos alunos que jun-tem (liguem) as frases de modo que as informaes sejam organiza-das, observando-se o sentido que est sendo construdo. Apresenteuma lista de palavras que podero servir para ligar as frases, comopor exemplo: ele/ eles, ela/elas, seu/seus, sua/suas, o animal, o deficiente, que,porque, para, de, depois, logo, isto, assim, agora, etc. Trabalhe com um excertodo texto, por exemplo.3a etapaAps a correo de todos os textos produzidos, selecione um deles(ou mais), preservando o anonimato e informando turma qual oobjetivo. Reproduza o texto no quadro de giz e, juntamente com osalunos, faa a correo, mostrando as inadequaes e apresentadopossibilidades de reescritura. 51. 4a etapaSolicite aos alunos cujos textos apresentem problemas que refaamseu pargrafo, atentando para o que foi observado na correo. Re-vise todos os textos refeitos, elogiando o esforo de cada um. TEXTOECONTEXTOA campainha vivaH algum tempo ganhei um cachorrinho, um filhotinho. uma cadela toda preta, apenas o focinho branco como sefosse sujo de leite. O nome dela Darina e nasceu em 10 denovembro de 1991. No sei a que raa pertence, talvez anenhuma. J procurei, inutilmente, nos livros sobre ces.Quando chegou aqui em casa, cabia na palma da mo, e erato engraadinha que eu e meu filho ficamos, imediatamen-te, apaixonados por ela.Assim que passaram os perodos das poas de xixi pela casa,dos livros e sapatos rasgados, passou a ser muito til. Pare-ce que de alguma forma percebeu que no posso ouvir. E,assim, passou a chamar minha ateno para tudo que pro-duz algum som.Por exemplo: a campainha da porta. Talvez vocs no sai-bam que para os surdos abrir a porta para os visitantes re-presenta um problema porque no ouvem a campainha. Exis-tem campainhas especiais com luzes mas o uso delas limi-tado. A sinalizao luminosa, geralmente, no est instala-da em todos os cmodos da casa. Se o visitante tiver o azarde o dono da casa no estar perto do sinal luminoso, vai terque tocar por um bom tempo at ser notado. Ou ir embora 52. e voltar em outra hora. Geralmente a soluo que os surdosadotam a seguinte: se a visita esperada, no se afastamdo cmodo onde est instalada a lmpada. Se a luz do solentra pela janela, ficam receosos de se virarem de costaspara a lmpada porque quando a luz comear a piscar ficadifcil de ser percebida.Bem assim, inesperadamente, Darina encontrou oportuni-dade de mostrar a sua utilidade. Quando estou em casa se-gue-me por todos os lados. Se entro no quarto antes deladeixo a porta entreaberta para que ela possa empurr-la coma patinha. Infelizmente, no cresceu o suficiente para alcan-ar a maaneta da porta.Quando a campainha toca, Darina vem correndo e comea acomportar-se de maneira diferente. Corre, rapidamente,entre mim e a porta, para l e para c, virando a cabea paracertificar-se de que a sigo e o olhar dela pede para andarmais rpido. Pelo comportamento dela sei se atrs da portase encontra algum conhecido. Neste caso, abana o rabo eapia as patas na porta. Quanto mais ela gosta da pessoa,mais rapidamente abana o rabo. Se algum amigo que atj ficou com ela algumas vezes, sacode o traseiro todo. Sefor algum estranho, fica a pequena distncia da porta e late.Algumas vezes no pra de latir nem depois que abro a porta- a tenho que tranqiliz-la porque o visitante estassustado. Nunca mordeu ningum, mas gosta de fingir que brava e que pode morder.Li em revistas estrangeiras que l existem centros especiaispara adestramento de ces. Durante quatro meses os cesaprendem como devem ajudar seu dono surdo. Reagem nos ao som da campainha, mas avisam que a chaleira est 53. apitando, o telefone para surdos tocando ou at que o bebest chorando. Estes cachorros tm seus privilgios tam-bm. So reconhecidos oficialmente como um instrumentode ajuda para os surdos. Tm at uma carteira de passe livrenos transportes coletivos e podem hospedar-se em hotisjunto com o seu dono. No estrangeiro so chamados de "cesouvidos". Parece que por aqui tambm j existe alguma pos-sibilidade de treinamento, conforme li na revista para ossurdos "Gongo". Darina , infelizmente, uma senhora adultae para o treinamento s servem ces jovens, entre 8 e 12meses de vida. Darina autodidata.Darina til em outras situaes, tambm. Por exemplo,durante passeio no mato. No, no para caar. Precisodela para no me perder do grupo. Surdos tm um problemadurante um passeio no bosque: no podem prestar atenonos outros e, ao mesmo tempo, colher algumas frutinhas.Numa vegetao mais fechada muito fcil perder-se dosoutros. Eu tinha medo porque, quando eu era criana, meperdi num passeio desses. Mas a Darina curou meu medo.Durante os passeios solto-a da coleira e deixo-a correr livre-mente. Se perder os outros de vista, chamo por ela. Darinacorre entre o grupo e eu, sem parar, e assim indica a direodeles at encontr-los novamente.Uma vez, meu filho se esqueceu onde guardou a coleira eDarina teve que sair na rua solta. Tivemos de confiar que elavoltaria. Afastou-se correndo e s voltou uma hora depois.Algumas semanas mais tarde, meu filho comeou a criticarque ela est gorda, que lhe dou muita comida. Tentou con-vencer-me de que Darina no est grvida, at que um diasurgiram, em baixo dela, sete filhotinhos. Quem sabe, fo- 54. lheando velhas revistas, eu encontre a pgina com o ende-reo do treinador de ces para surdos e leve os filhotes paraele. Depois, eu mesma distribuiria entre meus amigos sur-dos. Eu no precisaria de sete campainhas!(Vera Strnadov In: Como ser surdo, Editora Babel, 2000.Traduo: Daniela Richter Teixeira) AGORA A SUA VEZ1. Faa uma pesquisa, em jornal, revista, nternet etc. sobre animais deestimao. Observe aspectos, como: os tipos de animais, os cuidadosque tais animais necessitam, o papel do veterinrio, a relao afetivaentre esses animais e seus donos, os pases que mais adotam animais,o tratamento dado aos animais de estimao no Brasil, as leis queprotegem esses animais, as instituies que os defendem etc.2. Escolha um dos gneros abaixo para a elaborao de um texto: anncio de classificados do tipo Vendem-se filhotes ; bilhete justificando ao professor ou ao chefe a ausncia escolaou ao trabalho devido a uma consulta de emergncia de seu coao veterinrio; carta a um amigo sobre a alegria de ter ganhado um cachorro ouo sonho de ter um animal de estimao; e-mail destinado a uma empresa que comercializa animais deestimao e produtos afins, solicitando informaes sobre aqui-sio de animais e sobre procedimentos para cuidar deles; quadrinhos, transformando o que foi contado em um dos textoslidos (Eles so os olhos e/ou A campainha viva), em desenhoscom bales e falas dos personagens. 55. J aprendemos que todo texto se realiza por uma forma que denomi-namos gnero e diz respeito s diferentes e variadas maneiras de co-municao de uma comunidade. Sendo assim, sabemos que cadatexto usado adequando-se ao contexto, isto , situao em que produzido, considerando-se o interlocutor a quem dirigido e a fina-lidade a que se destina.A seguir, propomos exerccios com diversos gneros textuais que vocresolver seguindo algumas das recomendaes estudadas anterior-mente para leitura e produo de textos.TEXTO E CONTEXTOFormulriosOs exemplos a seguir so prticas sociais de identificao pessoalutilizadas em situaes que exigem informaes pessoais e profissi-onais a seu respeito.Os formulrios em geral so fichas de inscrio (matrcula, concur-so), de sorteio (concurso de televiso, rdio etc), pronturios (den-tista, hospital, mdico em geral), cadastros (proposta de carto decrdito etc), recibos, duplicatas, notas promissrias, cheques, entreoutros.Leia o formulrio e se familiarize com uma das maneiras pelas quaisas informaes pessoais podem ser apresentadas. 56. AGORA E A SUA VEZAgora que voc j sabe de algumas informaes que um formulriopode conter, elabore um com os seus dados.Viu como no difcil? Ento, por que no preencher outro de suaescolha. Quem sabe daquele concurso de que voc pretende partici-par. Mostre o seu trabalho para o professor.TEXTOECONTEXTOCarto profissional e de visitaOutra maneira de voc se identificar por meio de um carto quecomumente utilizamos quando tratamos de assuntos profissionais(negcios). Ele, geralmente, contm o logotipo da empresa, o nome,o cargo, o endereo, telefones, fax, e-mail. Veja os modelos:Que tal voc elaborar um carto de visita com as informaes paradistribuir aos amigos! Estimule os seus colegas a fazerem o mesmo.Voc pode colocar dados reais ou brincar, usando a imaginao. Oimportante saber a utilidade do carto. 57. TEXTO E CONTEXTOVoc j sabe que usamos muitas formas de textos para nos comuni-car com parentes e amigos. A seguir, so apresentadas alguns mode-los de bilhete, carta, cartes e convites, cujas idias voc pode apro-veitar para elaborar as suas correspondncias.O bilhete utilizado quando queremos deixar resumidamente umrecado ou informar algum, geralmente conhecido, sobre algo. Nele,identificamos: o destinatrio (a pessoa a quem dirigido o bilhete), o assunto, agradecimentos ou saudaes, a data, o nome do remetente.Veja a sugesto a seguir: 58. AGORA E A SUA VEZ1. Coloque em ordem as partes do bilhete.( ) Saudades.( ) Preciso falar com voc ainda hoje sobre a festa.( ) Oi, Renato,( ) 12/10/2001( ) Ligue-me assim que puder,( ) Marta Simes( ) pois estou esperando.2. Agora, reescreva o bilhete na ordem certa. 59. TEXTO E CONTEXTOCartaA carta uma forma de correspondncia que j foi bastante utiliza-da. Hoje, como comum o uso do computador e da internet. Muitaspessoas tm se correspondido atravs de e-mail. Mesmo assim, acarta ainda usada para comunicaes formais (carta de apresenta-o a uma empresa) e informais (carta para parentes e amigos).Preste ateno no modelo de carta apresentado a seguir. apenasuma sugesto, mas, de qualquer modo, voc j pode se familiarizarcom alguns elementos que compem uma carta. Olhe que legal acarta que Mariana escreveu av dela! Observe como esto coloca-dos alguns desses elementos:Florianpolis, 15 de maio de 2000Querida vov Norma,Como vai? H muito tempo que no nos vemos. Todos aqui em casaestamos Sem, mas com saudades da senhora e do vov Luis. Como estotio Beto e tia Lcia? Espero que Bem.Vov, no inicio de dezembro comeam nossas frias e estamos loucos parair para sua casa, passar o Natal e o Ano Novo. Queremos curtir muitocom os nossos primos e amigos a de Belm. Avise a todo mundo queestamos chegando. Vamos brincar, passear, tomar sorvete, namorar e ouviras novidades e as fofocas da famlia, que a senhora sempre nos conta. Ah! No se esquea de fazer bolo de tapioca e suco de cupuau. A tigela 60. de aa sempre bem-vinda, fois, alm de gostoso, o aa deixa a gentesarada, sabia vov?Eu, a Juliana, o Rodrigo e o Eduardo estamos super bem na escola. Esteano j est emplacado, entendeu v, espero que sim, se no, quandochegar a, eu explico, sacou?V, tentei mandar um E-mail, mas no consigo. Acho que a Senhora estcom algum problema no seu computador. bom checar. Em todo caso, tte mandando uma carta, moda antiga. Acho que voc vai gostar.Me escreva de volta pra dizer se gostou. Estou esperando sua resposta.Todos mandam um SUPER BEIJO para vocs.Te amamos muito!Sua neta preferida,MarianaVeja que, ao escrever uma carta, colocamos: a cidade e a data; o nome da pessoa a quem a carta dirigida, seguido de vrgula; a(s) informao(es); o fecho ou encerramento; o nome do remetente. Ah! preciso prestar ateno ainda na linguagem. Em nossoexemplo, o estilo informal. 61. AGORA E A SUA VEZEscreva uma carta a um amigo que mora em outra cidade, contandosobre uma festa de fantasia que voc est organizando. Explique a elecomo ser a festa: os trajes, os participantes, o local onde serrealizada, a data etc. Use sua imaginao e depois mostre a seu pro-fessor. Ateno para a colocao dos elementos formais que vocacabou de aprender.TEXTO E CONTEXTOH muitos tipos de cartes que podemos utilizar, alm daquele deidentificao pessoal que voc j conhece e aprendeu a fazer. Socartes de aniversrio, postais, mensagens de amor, que certamentevoc j viu, mas, a partir de agora, vai aprender a criar os seus. Aseguir, esto algumas sugestes.Carto de aniversrioSo aqueles cartes que mandamos parabenizando algum pelo ani-versrio. Veja o exemplo:Al, Natlia,Estamos mandando fortes abraos pelo "Niver".Muitas primaveras pela frente e variados amores.Mas antes, prepare um belo rango. Estamoschegando logo mais para comemorarmos juntos,ok?Beijos mil da Galera, Faf, Rafa, Bebei e Michele 62. AGORA A SUA VEZComo voc pode ver, o aniversrio de algum sempre uma oportu-nidade para mandarmos um carto. Existem muitos venda, dosmais diferentes modelos e para os mais variados gostos. Na internet,voc tambm encontra muitos disposio. Mas, ao elaborar um,voc tem possibilidades para criar, garantindo originalidade. Ento,elabore um carto bem legal para uma pessoa querida. Com certezaela vai gostar.Este espao seu. Crie! 63. TEXTO E CONTEXTOCarto-PostalMuitas vezes, ao viajarmos, queremos nos corresponder com amigose/ou familiares para demonstrar nossa saudade e mostrar um poucodos lugares que conhecemos. Para isso, usamos o carto-postal. Aseguir, encontra-se um exemplo de carto-postal, que , geralmente,escrito no verso.Braslia, 22 de jun/to de 2002Mame, papai e Lisa,(Braslia uma cidade diferente de todas as outras que j conheci. No temesquinas e cheia de rvores. Casas, s em alguns setores, as pessoasmoram geralmente em apartamentos, pois a arquitetura foi pensada paradar cidade uma forma diferente e mgica. Estou amando. Em breve,espero que vocs a conheam.Beijos e saudades,Cristina 64. AGORA E A SUA VEZ1. Voc j conhece as partes que compem a carta, o bilhete, o car-to de aniversrio. Identifique, nesse carto-postal, seus elementosestruturais:lugar e data: ---------------------------------------------------------------destinatrio:---------------------------------------------------------------mensagem: ----------------------------------------------------------------fecho:remetente:2. Aproveite a oportunidade para mandar um carto-postal de suacidade para um parente ou amigo que ainda no a conhece. Observeo modelo apresentado. TEXTOECONTEXTOO convite outra correspondncia utilizada quando queremos que 65. algum participe de algum evento, como, por exemplo, uma festa. Aseguir, encontra-se uma sugesto de convite de aniversrio.VENHA A FESTA DO MEU ANIVERSRIO!DIA: 11/05/2002HORRIO: 20 HORASLOCAL: RUA DA BAHIA, 54CONTO COM SUA PRESENA! No perrrrca! Ana MariaAGORA E A SUA VEZ Em um convite no podem faltar: o evento, a data, a hora, olocal, o remetente e o destinatrio. Sabendo disso, prepare um convitepara sua festa de aniversrio que a faa parecer imperdvel. Use suacriatividade.TEXTO E CONTEXTOTexto de fico: FbulaA fbula um gnero textual da fico. Trata-se de narrativas cujospersonagens so sempre animais personificados que representamestrias da condio de vida humana, com o objetivo final de chamarateno por meio de uma lio de moral. A seguir, encontra-se resu-mida uma famosa fbula. Para ser lida, voc completar com a palavracorrespondente ao desenho. 66. Como voc pde ver, a frase Pois , para esperteza, esperteza e meia con-tm a moral da estria, pois, ao tentar ser esperta com o galo, araposa foi surpreendida pela esperteza dele. Essa idia pode ser in-terpretada como: para aquelas pessoas que se acham espertas, hsempre outras mais espertas do que elas.AGORA E A SUA VEZ1. Leia a fbula a seguir, tambm substituindo os smbolos pelas pa-lavras correspondentes. Em seguida, escolha uma das opes abaixoque voc considera a moral da estria. 67. ( ) Quem com ferro fere, com ferro ser ferido.( ) H males que vm para bem.( ) Cada macaco no seu galho.( ) Casa de ferreiro, espeto de pau.( ) Falar fcil. Fazer difcil.Produzido pelos alunos da EMEE Anne Sullivan durante o ano 2000 Disponvel no site wwwsurdosinfo.hpg.com.br A Cigarra e a formiga 68. 2. Voc j escolheu a frase que melhor apresenta a moral do texto. Agora,selecione uma das outras para servir de final a uma fbula que voc vaicriar. Use sua imaginao. Com certeza sua estria vai ficar super legal!3. Observe que as falas da formiga e da cigarra apresentam estruturasdo portugus incorretas. Reescreva a fbula fazendo as devidas altera-es para garantir que as frases fiquem com estruturas do portugus.Se precisar, conte sempre com a ajuda de seu(sua) professor (a). TEXTOECONTEXTOTexto de fico: CrnicaAs narrativas so estrias em que se conta um acontecimento. Elasso compostas por: personagens ou pessoas; tempo; lugar; narrador.Dependendo da extenso da histria, alguns desses elementos po-dem no aparecer.A crnica um outro exemplo de narrativa. Baseada em fatos cotidi-anos, a crnica chama ateno pela maneira humorstica ou crticacomo so contados certos acontecimentos que muitas vezes nospassam despercebidos. Sendo do mundo da fico ou do mundoreal, a crnica escrita em jornais, revistas ou em livros que com-pem a obra de um autor. Este o caso da crnica Televiso paradois, de Fernando Sabino, um dos maiores cronistas brasileiro denossa poca. Leia e divirta-se. 69. Televiso para doisAo chegar ele via uma luz que se coava por baixo da portapara o corredor s escuras. Era enfiar a chave na fechadurae a luz apagava. Na sala, punha a mo na televiso, s parase certificar: quente, como desconfiava. s vezes ainda pres-sentia movimento na cozinha:- Etelvina , voc?Etelvina aparecia, esfregando os olhos:- Ouvi o senhor chegar... Quer um cafezinho?Um dia ele abriu o jogo:- Se voc quiser ver televiso quando eu no estou em casa,pode ver vontade.- No precisa no, doutor, No gosto de televiso.- E eu muito menos.Solteiro, morando sozinho, pouco parava em casa. A po-bre da cozinheira metida l no seu quarto o dia inteiro, sozi-nha tambm, sem ter muito que fazer...Mas a verdade que ele curtia o seu futebolzinho aos domin-gos, o noticirio todas as noites e mesmo um ou outro cap-tulo da novela, "s para fazer sono", como costumava dizer:- Tenho horror de televiso.Um dia Etelvina acabou concordando:- J que o senhor no se incomoda...No sabia que ia se arrepender to cedo: ao chegar da rua, aluz azulada sob a porta j no se apagava quando introduziaa chave na fechadura. A princpio ela ainda se erguia da pontado sof onde ousava se sentar muito erecta: 70. - Quer que eu desligue, doutor?Com o tempo, ela foi deixando de se incomodar quando opatro entrava, mal percebia a sua chegada. E ele ia se refu-giar no quarto, a que se reduzira seu espao til dentro dacasa. Se precisava vir at a sala para apanhar um livro, malousava acender a luz:- Com licena...Nem ao menos tinha liberdade de circular pelo apartamentoem trajes menores, que era o que lhe restava de comodida-de, na solido em que se vivia: a cozinheira l na sala a noitetoda, olhos pregados na televiso. Pouco a pouco ela sepunha no sof cada vez mais vontade, j derreada no sof,se dando ao mesmo direito de s servir o jantar depois danovela das oito. s vezes ele vinha para casa mais cedo,especialmente para ver determinado programa que lhe havi-am recomendado, ficava sem jeito de estar ali olhando aolado dela, sentados os dois como amiguinhos. Muito menosousaria perturb-la, mudando o canal, se o que lhe interes-sava estivesse sendo mostrado em outra estao.A soluo do problema lhe surgiu um dia, quando algum,muito espantado que ele no tivesse televiso em cores,sugeriu-lhe que comprasse uma:- Etelvina, pode levar essa televiso l para o seu quarto,que hoje vai chegar outra para mim.- No precisava, doutor - disse ela, mostrando os dentes,toda feliz.Ele passou a ver tranqilamente o que quisesse na sua sala,em cores, e, o que era melhor, de cuecas - quando no in-teiramente nu, se bem o desejasse.At que uma noite teve uma surpresa de ver a luz por debai- 71. xo da porta, ao chegar. Nem bem entrara e j no havia nin-gum na sala, como antes - a televiso ainda quente. Foi cozinha a pretexto de beber um copo dgua, esticou umolho l para o quarto na rea: a luz azulada, a Etelvinaentretida com a televiso certamente recm-ligada.- No pensa que me engana, minha velha - resmungou ele.Aquilo se repetiu algumas vezes, antes que ele resolvesseacabar com o abuso: afinal, ela j tinha a dela, que diabo.Entrou uma noite de supeto e flagrou a cozinheira s gar-galhadas com um programa humorstico.- Qual , Etelvina? A sua quebrou?Ela no teve jeito seno confessar, com um sorriso encabulado:- Colorido to mais bonito...Desde ento a dvida se instalou no seu esprito: No sabese despede a empregada, se lhe confia o novo aparelho etraz de volta para a sala o antigo, se deixa que ela assista aseu lado aos programas em cores.O que significa praticamente casar-se com ela, pois, segun-do a mais nova concepo de casamento, a verdadeira feli-cidade conjugai consiste em ver televiso a dois.(adaptado de Fernando Sabino) AGORA E A SUA VEZVoc gostou da estria? Concorda que ela mostra algo que pode acontecer no dia-a-dia? Que tal fazer uma atividade a partir dela?A proposta a seguinte: transforme a estria da crnica em quadri 72. nhos, conservando os mesmos personagens e colocando suas falasem balezinhos. Vai ser divertido. TEXTO E CONTEXTOReceita culinriaAgora vamos trabalhar com receita culinria, que outro gnero tex-tual. Como o prprio nome indica, esse texto conhecido daquelesque se dedicam arte de cozinhar. Mas esta arte no exclusiva dosgrandes mestres da cozinha. Com uma boa receita, uma pessoa podeser bem sucedida ao preparar algo.A seguir encontra-se sinalizada a receita de um doce maravilhoso,tipicamente brasileiro. 73. AGORA E A SUA VEZPasse a receita sinalizada para o portugus, observando singredientes e o modo de fazer. Retire do quadro as medida