Manual do Estagiário

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  • 1Assessoria de Comunicao da Cmara de Novo HamburgoManual do Estagirio

    Ano 1/Edio 1 Maio de 2015

    Introdu

    o

    Boa Leitura!

    SumrioCaptulo I

    O jornalismo uma atividade que requer, acima de tudo, responsabilidade - Pgina 2

    Captulo IIO jornalismo uma atividade que requer, tambm, criatividade - Pgina 3

    Captulo IIIO jornalismo uma atividade que requer respeito - Pgina 4

    ConclusoQual o seu nvel? - Pgina 5

    Bibliografia sugerida - Pgina 10

    Manual de redao e estilo - Pgina 13

    Estagirio no mo de obra barata: um profissional em formao, que merece ateno especial, mas j tem algo a oferecer. Na Cmara, vemos o estagirio como algum que est aqui para aprender, mas que tambm deve sempre fazer a sua parte e dar a sua colaborao. Sempre!

    Por isso, preciso que o estagirio envie matrias para o nosso site, cuide da imagem do seu assessorado, d sugestes para melhorar o processo de comunicao como um todo e pense em formas diferentes de apresentar seu material. Assim, alm de aprender na prtica o que ser um assessor de comunica-o, colabora com a Cmara e, consequentemente, com a construo de uma sociedade cada vez mais democrtica.

    Nesse processo, o estagirio conta com o apoio de toda a equipe de jornalistas do setor de Co-municao, profissionais ps-graduados e com anos de experincia na rea. Ns estamos dis-posio de todos vocs. Alis, fazemos questo de receber material, tirar dvidas, orientar... o nosso papel, e um direito de vocs. No desperdicem essa oportunidade.

    Elaboramos ainda este pequeno manual para passar adiante a nossa viso de jornalismo, construda coletiva-mente, com base em nossas vivncias da profisso. tambm um guia de como o trabalho deve ser feito aqui. No exigimos perfeio, claro, mas exigimos comprometimento. E responsabili-dade, criatividade e respeito. Nada menos do que isso.

  • 21. Responsabilidade com os fatosJornalismo algo lindo, fundamentalmente necessrio e extremamente

    complexo. No apenas contar histrias, mas implica refletir sobre quais histrias sero contadas, e como. Uma histria nunca tem s dois lados mas lados infinitos, que sero resumidos numa chamada, num lead, em algumas centenas de caracteres. Ou seja, por melhor que seja nossa matria, sempre destacaremos apenas um aspecto de um fato, e crucial ter isso em mente.

    O jornalismo molda a forma como as pessoas veem o mundo onde vi-vem e, consequentemente, ajuda a moldar suas vidas. O jornalismo pode comover, pode mudar atitudes, pode salvar vidas e pode acabar com vidas.

    Como assessores de comunicao, trazemos toda essa responsabi-lidade para o nosso trabalho. E ainda temos a responsabilidade com os nossos assessorados! Nossas histrias tero sempre os nossos as-sessorados como foco, sempre de forma positiva. Isso no uma postura antitica , acima de tudo, a postura correta de um assessor.

    Ento, ser assessor no significa que podemos mentir para bene-ficiar nossos assessorados. Primeiramente, porque, como j salien-tamos, ainda estamos trabalhando com jornalismo ou seja, com a divulgao de fatos verdadeiros (no podemos dizer que jornalismo trabalha com a verdade absoluta, pois esse um tema muito comple-xo; sempre, mesmo em redaes, trabalhamos com aspectos da verda-de). Em segundo lugar, porque mentiras e distores sempre iro, no fim das contas, prejudicar nosso assessorado.

    Assim, temos um compromisso com a veracidade daquilo que re-portamos. Nunca podemos mentir, mesmo que a mentira parea boba. Temos de dizer a verdade, de forma clara, simples, concisa, seguindo as regras da redao jornalstica. Portanto, mesmo cientes de que cada histria apenas uma das inmeras verses possveis, no podemos escrever nada que no tenha acontecido de fato. Nunca. Jamais. No mesmo!

    2. Responsabilidade com a lngua portuguesaComunicar de forma clara implica empregar a lngua portuguesa de

    forma correta. Sim, lnguas so vivas, esto constantemente passando por modificaes, estruturas consideradas erradas tornam-se aceitas e at o padro, enquanto o significado de certos vocbulos sofre diver-sas mutaes. Isso s torna o nosso trabalho ainda mais complexo, e exige de ns ainda mais ateno ao uso que fazemos do nosso amado

    idioma (quem no ama a lngua portuguesa ter alguns problemas para seguir a carreira jornalstica...). Por que to importante estar atento ao uso correto da lngua? Em primeiro lugar, para informar corretamente. Erros na escrita acarretam, quase sempre, distores: uma vrgula deslocada pode alterar completamente aquilo que esta-mos escrevendo, por exemplo. E, ainda, para que a mensagem, alm de correta, seja clara. O objetivo de uma matria jornalstica in-formar, e textos confusos no informam direito. Logo, no estamos fazendo um bom jornalismo.

    Portanto, sempre preste ateno escrita correta dos termos, s re-gras gramaticais, e ao sentido das palavras. comum usarmos voc-bulos sem prestar ateno ao seu sentido, s porque j o ouvimos ou lemos em contextos parecidos. Sim: preciso pensar no sentido de cada palavrinha que usamos.

    3. Responsabilidade com o estudo constante A faculdade tem dia certo para terminar, mas ns, como jornalistas,

    temos a obrigao de nunca parar de estudar. Isso no significa di-zer que todo mundo tem de fazer mestrado, doutorado, etc. Significa que preciso ler muito, buscar a histria dos lugares, das coisas, das ideias, do mundo!

    Por exemplo: o reprter pode trabalhar lindamente um texto de uma agncia de notcias sobre mais um ataque a bomba em Cabul, capital do Afeganisto. Mas, se ele nada souber sobre esse pas alm daquele fato, no passar de um papagaio.

    Precisamos estudar, estudar e estudar. Ler livros de histria, filo-sofia, grandes reportagens, biografias, memrias... Ler, ler, ler! No sabe nada sobre o Afeganisto? D para comear com uma leitura na Wikipedia, s para no ficar totalmente no escuro. Depois, que tal procurar alguns livros sobre aquele pas? E sobre outros pases? O que sabemos sobre a sia, a frica, a Amrica Latina, o Brasil? Apenas a leitura constante, variada e crtica vai fazer de ns jornalistas de verdade. Sem uma boa e sempre crescente bagagem cultural, seremos apenas papagaios com um diploma pendurado na parede. E o pior: quase sempre, os papagaios humanos so disseminadores de precon-ceitos e de vises distorcidas.

    Em resumo: leiam, leiam, leiam, leiam e leiam ainda mais um pouco. E, para descansar a cabea de tanta leitura, leiam. (No so consideradas leituras educativas postagens de Facebook nem mensagens no Whatsa-pp! Estamos falando de livros e revistas aqui, principalmente livros.)

    O jornalismo uma atividade que requer, acima de tudo, responsabilidade

    Captulo I

  • 3Captulo II

    O jornalismo uma atividade que requer, tambm, criatividade

    1. Criatividade para contar histrias diferentes

    O mundo cheio de histrias. Em cada casa, em cada rua, den-tro de cada pessoa com que cru-zamos em nossos caminhos para a faculdade, o trabalho, a casa da namorada... A maioria dessas histrias nunca ser contada. Em contrapartida, algumas histrias j foram contadas dezenas (cen-tenas!) de vezes. Como o jorna-lismo busca refletir o mundo em que vivemos, para fazer um bom jornalismo devemos buscar tam-bm aquelas histrias diferentes, aquelas que ainda no foram contadas.

    Por isso afirmamos que o jor-nalista precisa ser criativo. Como d para perceber, no se trata aqui de criatividade para inventar fa-tos, dados etc. Mas de ser criativo em nosso olhar. Quando abrimos os olhos, no vemos as coisas como elas so: vemos como que-remos ver, como aprendemos a ver, como a maioria das outras pessoas as veem... preciso ser criativo para olhar as coisas de forma diferente e, a partir do que enxergarmos, pensarmos em novas pautas, que iro enriquecer o mundo do leitor e, claro, o nosso mundo interior.2. Criatividade para fazer perguntas diferentes

    preciso ter criatividade mesmo na hora de fazer uma matria nada criativa. Alis, fica aqui a questo: ser que d para fazer uma matria sem nada de criatividade? Por-que, como jornalis-tas, temos de fazer perguntas. Nosso papel perguntar, questionar, refletir e perguntar de novo, instigar, perguntar mais uma vez, per-guntar at (quase) tudo ser entendido, at (quase) tudo ser desvendado, at os dados fazerem senti-do, at eles deixarem de fazer sentido, at eles fazerem sentido de novo.

    O jornalista nunca deve ter vergonha de perguntar, por-que isso implicaria ter vergonha de fazer seu trabalho de forma correta. preciso entender tudo o que a fonte est nos di-zendo, nem que ela tenha de desenhar. No vergonha: a nossa misso. Se al-guma coisa no fechar, temos de pergun-tar. Se algo que importante saber, temos de perguntar. Se no entendemos direito, temos

    de perguntar. Se parece estranho, temos de per-guntar. Se tudo parece normal demais, temos de perguntar.

    E tambm temos de ir mais longe e pensar naquelas perguntas que nunca ningum fez. Ningum quer ler mil vezes a mesma mat-ria, a mesma entrevista... Ento, como en-trevistar aquele ator que j deu centenas de entrevistas antes sem sermos chatos, repeti-tivos? Como entrevistar o governador elei-to sem cair na ladainha de sempre? Como

    fazer a pergunta cer-teira, aquela que vai desvendar um cri-me, explicar um fato at ento inexplic-vel, mudar um para-digma? Como fazer aquela pergunta que vai fazer nosso entre-vistado famoso e que j falou com a mdia mil vezes mostrar um lado at ento oculto? Como fazer aquela pergunta que vai fazer a nossa matria til ao mundo?

    Existem vrias for-mas de exercitar a cria-tividade. Uma delas

    por meio da leitura. Tambm por isso preciso ler, ler, ler, ler, ler, ler, ler, ler mais um pouco, ler mais uma vez, e ler, ler, ler, ler e ler. Ler grandes reportagens, filosofia, histria, fico cientfica, romances, poesia... E,