Manuel pra (reparado)

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Porteflio Reflexivo de Aprendizagem Manuel Pereira

CENTRO DE FORMAO PROFISSIONAL DE VILA REAL

CENTRO DE NOVAS OPORTUNIDADESPORTEFLIO REFLEXIVO DE APRENDIZAGEM

AMARANTE

JANEIRO de 2011Eu, Manuel Fernando Carvalho Pereira, nasci a 2 de Fevereiro de 1974 e, segundo a minha me, nasci por volta das duas horas da manh. Foi um parto feito em casa, pois sou oriundo de uma aldeia e, como tal, nessa poca era absolutamente normal as crianas das aldeias de Portugal nascerem em casa com a ajuda de uma auxiliar de parto que se designava parteira. Portanto, sou natural de Amarante, da freguesia de teles e lugar de Todeia (mais precisamente lugar da fonte Todeia).

Meus pais, Jos Pinheiro Pereira e Maria Emlia de Jesus Carvalho, provem de famlias vizinhas e tipicamente tradicionais dedicando-se ambas agricultura que, na poca era toda ela manual e de subsistncia, no tendo evoludo grande coisa ate aos dias de hoje

Como contrapartida, logo desde muito cedo que e, que bem me recorde, fui instrudo a praticar pequenas tarefas do trabalho da terra que funcionava como m tipo de transferncia de tcnicas e conhecimentos de pais para filhos e, como dizia o meu av paterno, Joaquim pereira, de pequenino que se torce o pepino referindo-se que para aprender quanto mais cedo melhor. Teria eu volta de 3 anos e j acompanhava meus pais para os campos em que as brincadeiras no passavam de meras imitaes deles no trabalho do campo dado a inexistncia de cresces ou infantrios ou possibilidades financeiras para porem algum a tomar conta enquanto os pais trabalhavam. Minhas irms, uma mais velha um ano que eu, Maria Adelina carvalho pereira, as outras duas mais novas 2 e 5 anos sucessivamente, Maria Jos Carvalho Pereira e Elisabete Carvalho Pereira, passaram pela mesma situao excepo de que a mais nova teve um parto medicamente assistido, isto , no nasceu em casa com a ajuda de uma parteira mas sim na maternidade do hospital S. Gonalo de Amarante. Foi assim a mesma rotina at ao meu primeiro dia de aulas, em que tive de me adaptar ao meu agregado familiar conforme ele se iria formando, com certas birras pelo meio claro, alias como tpico em qualquer criana desta faixa etria e que gostaria de salientar duas delas mais marcantes. Uma delas foi quando sa de casa sem que dessem por ela com a minha irm Zeza de apenas 3 anos de idade e eu com 5 anos e meti-me ao caminho com ela em direco a casa dos meus avos paternos, pois a minha me fora com a mais velha deixando o meu pai a tomar conta de mim e da minha irm temporariamente a mais nova. Deixando-o adormecer, pois tratando-se de um dia de calor, talvez vero, era dado aos aldees fazer a cesta. Parti atravs de um caminho j decorado que me demoraria precisamente uma hora a percorrer entre matas, campos e ribeiros, at chegar ao destino, a casa dos meus avs para onde tinha ido a minha me. Estando eu quase no destino e meu pai correra desesperadamente no meu rasto e quando nos alcanou obvio como mais velho e apenas com cinco anos experimentei uns tabefes pela primeira vez das mos dele. Hoje entendo o seu desesperoa outra birras foi quando estava para nascer a minha irm mais nova e, como no havia hemogramas evoludos e computorizados como os de hoje em dia, era difcil saber a probabilidade ao certo de ser rapaz ou rapariga e, como eu j tinha duas irms, pedia sempre minha me que me trouxesse um irmo desta vez. Ela dizia-me que sim claro, tambm no o sabia ao certo, mas quando nasceu e veio do hospital, fui o primeiro querer conhecer o novo membro, e como tal tive uma ela pela terceira vez e para meu desagrado na altura claro. Com o tempo aperfeioei-me a elas e adoro-as como bvio!

Ainda me recorda o meu primeiro dia de aulas como se fosse hoje! Como era difcil o contacto com midos da mesma idade pelo meio ser pequeno e em que praticamente os midos que tinha para brincar l no lugar, quando no ia trabalhar para o campo, eram tudo meninas logo sentia-me um pouco solitrio pois a minha experincia com o comportamento de rapazes da mesma idade era praticamente nula, o que me dificultou a aproximao com rapazes da classe, sentindo-me intimidado e muito envergonhado, no sabendo como reagir as suas atitudes o que acabou por, nos primeiros meses, ser posto de lado. Foi frustrante ao ponto de fazer birra de mo querer ir para a escola, mas no havia meias medidas por parte dos meus pais, mais a minha me,ou vais, ou levas. No tardou muito e na escola os conflitos surgiram novamente, desta vez no com os colegas mas sim com a professora e com os meus pais. O assunto era a tendncia de escrever e de decidirem com que mo haveria de escrever, pois era canhoto e mais uma vez nem a professora Ldia nem os meus pais o aceitariam com agrado, o que fez com que a uma dada altura tanto utilizar a mo esquerda como a direita para escrever, prejudicando-me e muito na minha caligrafia, pois vista de olhos s com a direita, utilizando a esquerda (que a actual) s escondidas. Tive dois anos com esta professora e, que por razo ao horrio muito contestado pelos meus pais pelo facto de ser de manh e de tarde enquanto as outras classes ou s teriam a manha ou a tarde e para eles era um transtorno pois ocupvamos muito tempo na escola e era-mos precisos para ajudar a trabalhar na terra em casa, da a transferncia da 2 classe para a 3 para outra professora, D. Sara, que s dava aulas da parte da manha, ficando a parte de tarde disponvel para trabalhar na terra. Praticamente no tinha muito tempo para trabalhos de escola em casa e, como tal, tinha a capacidade de decorar a matria nas aulas um pouco tambm com receio a esta Prof., pois era muito cruel e severa com os alunos, chegando muitas das vezes espancar alguns at exausto. Foi horrvel. No final das aulas e aps o almoo tratava de efectuar as tarefas que me estavam predestinadas era bom aluno e apesar de toda a intimidao nunca reprovei um ano.

Quando entrei para o primeiro ciclo (Escola Preparatria de Vila Cova da Lixa) a adaptao foi um pouco embaraosa devido maior dimenso da infra-estrutura de ensino bem como o seu complexo organizativo das vrias disciplinas, muito diferente da simplicidade de ensino primrio de onde vnhamos e que estvamos acostumados. Apesar deste aparato todo foi me pais fcil a adaptao que no meu primeiro dia de aulas primrio. J conhecia alguns colegas de turma, pois para facilitar a adaptao os alunos por turmas eram seleccionados por localidades ou mesmas escolas primrias que frequentaram. Com o tempo e aperfeioamento comecei por descobrir as disciplinas que mais me adaptava e interessava e as que menos me dava motivao. Matemtica, cincias do ambiente, historia e educao visual e musical foram as que mais se manifestavam como interessantes enquanto disciplinas como portugus e educao fsica regrediam. Mais portugus, pois gostava de desporto, pois o problema no passava de uma frustrao ao nvel de balnerios e que eu, na altura, levava muito a srio pelo facto de ter de me despir juntamente com os restantes colegas devido as susceptibilidades de que da surgiam e comeavam a perturbar me seriamente como o meu horrio j se tornara maior logo o tempo disponvel para o trabalho na terra era menor e como a mo-de-obra era muito importante e indispensvel acabava por me levantar muito cedo para trabalhar em casa antes de efectuar uma caminhada de quase uma hora para o ciclo (uma vez dada a inexistncia de passes e autocarros escolares na zona onde vivia) e quando regressava dirigia-me novamente ao servio, pois j contavam comigo e se demorasse tempo a mais sabia perfeitamente que era castigado, muitas das vezes apenas com um pequeno-almoo apressado e um almoo que entendia como o melhor do dia e que era atribudo na cantina da escola. Hoje, e dada a crise que atravessamos, sei o quanto importante essa refeio para os actuais alunos, pois para muitos deles imagino que seja a nica refeio quente que tm durante o dia os meus sbados e at domingos eram claro passados a trabalhar na dita agricultura de subsistncia alis que era muito normal entre os vizinhos e que, nessa altura, os filhos eram gerados para esse fim, logo quantos mais melhor, em que o ensino era visto como segundo plano e s dado por ser obrigatrio, no visto como um futuro mas sim um estorvo que prejudicava as crianas pondo-as malandras e preguiosas e que a 4 classe chegava perfeitamente para saber ler e escrever.

Quando acabei o ensino obrigatrio, com uma media entre os 14 valores; os professores (mais a Dr. Margarida minha directora de turma) aconselharam a minha me a dar-me uma oportunidade de seguir estudos nos quais ela concordou embora com um pouco de indignao. Mudei de localidade de ensino e fui matriculado na Escola Secundaria de Amarante.

Foi uma fase da minha vida muito perturbadora pois tinha 13 anos e entrava na puberdade da adolescncia, fase em que os meus colegas comeavam a construir a sua prpria personalidade ou a imitarem, serem como os seus dolos que na altura desconhecia existirem por no ter to facilmente acesso informao como alguns que se achavam mais inteligentes com isso, transmitindo um certo atrito o que me levada a sentir um complexo de inferioridade. Mas tambm por no saber que tipo de personalidade a adquirir nem to pouco que rumo tomar, pois interiormente sentia-me diferente j com alguns fantasmas que se haveriam tornado maiores e sem saber como me livrar deles devido a serem assuntos muito tabus nessa altura e de natureza muito pessoal em que era obrigado a esconder para no ser humilhado e tambm para no fazer passar vergonha os meus pais e familiares. Mas que me perturbou e prejudicou drasticamente e que reconheo ter sido um elo de viragem na minha vida muito importante com a conscincia que dali para a frente as coisas nunca iriam ser as mesmas pois comeava a bloquear. Precisava de aj