Maquinas 105

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Março 2011

Transcript of Maquinas 105

  • Rodando por a

    Colheita de tomate

    Guindastes

    Cuidados com combustveis

    Semeadura de inverno

    Test Drive - JD 6110 D

    Ficha Tcnica - Tramontini

    Injetores de fertilizantes

    Opes para fertirrigar

    Piloto automtico em plantio de cana

    Empresas - John Deere Water

    JD 6110 D 18Testamos o 6110 D da John Deere, que se destacapela simplicidade nos comandos e na robustez, aliada a boa operacionalidade

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    Por falta de espao, no publicamos as referncias bibliogrficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edio. Os interessados po-dem solicit-las redao pelo e-mail: [email protected]

    Os artigos em Cultivar no representam nenhum consenso. No esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos iro, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores sero mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do pas em cada rea. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opinies, para que o leitor julgue. No aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opinies.

    NOSSOS TELEFONES: (53)

    EditorGilvan Quevedo

    RedaoCharles EcherCarolina Simes Silveira

    RevisoAline Partzsch de Almeida

    Design Grfico e DiagramaoCristiano Ceia

    ComercialPedro BatistinSedeli FeijJos Luis Alves

    Grupo Cultivar de Publicaes Ltda.www.revistacultivar.com.br

    DireoNewton Peter

    [email protected]

    CNPJ : 02783227/0001-86Insc. Est. 093/0309480

    Brao forteEstudo mostra o desempenho e benef-

    cios do uso de guindastes na extrao de madeira em reas acidentadas

    Acertando o fluxoSaiba como regular corretamente as se-

    meadoras de fluxo contnuo para plantio de culturas de inverno

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    REDAO3028.2060

    Assinatura anual (11 edies*): R$ 157,90(*10 edies mensais + 1 edio conjunta em Dez/Jan)

    Nmeros atrasados: R$ 17,00Assinatura Internacional:

    US$ 130,00EUROS 110,00

    Cultivar Mquinas Edio N 105 Ano X - Maro 2011 ISSN - 1676-0158

    Coordenao CirculaoSimone Lopes

    AssistenteAriani Baquini

    AssinaturasLuciane MendesNatlia Rodrigues

    ExpedioEdson Krause

    Impresso: Kunde Indstrias Grficas Ltda.

    Destaques

    Nossa capa

    ndice

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    Matria de capa

    Cap

    a: C

    harl

    es E

    cher

    CCCultivar

    GERAL3028.2000

    ASSINATURAS3028.2070

    MARKETING3028.2065

  • Maro 2011 www.revistacultivar.com.br04

    rodANdo por A

    AmpliaoEduardo Nunes, gerente de Marketing e Comunicaes AGCO, participou do Show Rural da Coopavel onde acompa-nhou a exposies das marcas Massey Fer-guson e Valtra. O objetivo da AGCO em 2011 ampliar ainda mais a participao no mercado de tratores e colheitadeiras, alm de oferecer pulverizadores auto-propelidos de alta tecnologia, lanados durante o evento e que chegaro aos produtores a partir de maio.

    Srie BrasilSolidificando o seu crescimento, a Tramontini lanou em fevereiro o trator T8075-4 Srie Brasil, de 80cv, para mdios produtores. O evento contou com a presena do diretor administrativo, Jlio Tramontini, o gerente comercial, Docelino dos Santos, e o diretor do Simers, Flvio Zacher. Na mesma oportunidade foram apresentados dois modelos de tratores cafeeiros, de 32cv e 50cv, que fortalecero a participao da empresa nos mercados de Minas Gerais e Esprito Santo.

    Land TrackA Land Track apresentou durante a Ex-poagro Afubra, realizada no municpio de Rio Pardo (RS), a linha completa de tratores produzidos pela empresa, com modelos de 28cv a 180cv. Ana Possa-mai, gerente de Vendas, ressalta que a empresa, alm de oferecer produtos de qualidade, tem a preocupao de dispo-nibilizar profissionais capacitados para o acompanhamento ps-vendas.

    John DeereA John Deere participou da Abertura Oficial da Colheita do Arroz, em parceria com o concessionrio Lidermaq, de Camaqu, cidade que sediou o evento. A empresa exps vrios modelos de tratores e colheita-deiras, alm de apresentar palestras sobre os produtos do sistema AMS de Agricultura de Preciso, proferidas por Tiago de Oliveira.

    MF 5650 SRMassey Ferguson marcou presena na 21 abertura da colheita do arroz, em Camaqu (RS), onde apresentou a colheitadeira MF 5650 SR, nica colhei-tadeira hbrida a sair de fbrica com sistema de separao por dois rotores. Ela foi desenvolvida especialmente para a cultura de arroz irrigado e tambm mantm as outras caractersticas originais e exclusivas da MF 5650.

    VisitaNo incio de fevereiro, a Valtra recebeu a visita do Conselheiro da AGCO Corporation, Luiz Fernando Furlan, ministro do Desenvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior do governo Lula. Recepcionado pelo presi-dente Snior, Andre Carioba, juntamente com os diretores da unidade de Mogi das Cruzes, o conselheiro conheceu as instalaes da fbrica onde so produzidos os tratores Valtra e os motores da AGCO Sisu Power.

    Novo CTAA Agrale inaugurou no incio de fevereiro as instalaes do seu novo Centro de Treinamento Agrale (CTA). Localizado na sua unidade 2, o novo centro tem como objetivo promover cursos de capacitao tcnico e terico nas reas veicular e agrcola. O CTA forma mais de 300 profissionais por ano e os cursos so destinados para rede de concessionrios, frotistas, clientes especiais, entidades governamentais e Foras Armadas.

    TC 5070A New Holland, atravs das concessionrias gachas Fortral, Lder Tratores, Super Tratores e Agrofel, apresentou a sua colheitadeira TC 5070 durante a Expoagro Afubra, em Rio Pardo (RS). Alm da TC 5070, foi apresentado o projeto itinerante do Mais Alimentos da marca, voltado para as colheitadeiras da linha TC, alm da linha de tratores como os modelos TT e TL.

    Ana Possamai

    Eduardo Nunes

  • CoLHEdorAS

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    O tomate originrio da Cordi-lheira dos Andes, na Amrica do Sul. A espcie mais cultivada uma planta herbcea, sendo que o seu cau-le, mole e flexvel, no suporta o peso dos frutos na posio vertical. Razo pela qual cultivado de forma rasteira quando utilizado para o processamento industrial.

    A colheita mecnica, efetuada de uma s vez, foi introduzida no incio da dcada de 90, essa uma tendncia atual para grandes produtores, em razo de eficincia, rapidez e reduo no custo de operao, mas existem poucas opes de mquinas no mercado nacional.

    Os equipamentos atualmente em uso no Brasil so colhedoras automotrizes que cortam as plantas rente ao solo, sendo a parte area recolhida e os frutos destacados por meio de vibrao. As impurezas menores e leves so retiradas por ventiladores axiais, j na esteira de seleo so retirados torres, ramas e outras impurezas, sendo os frutos descarregados em caambas ou em carro-cerias de caminhes. Dentro da lavoura, os caminhes so geralmente tracionados por tratores, em razo da baixa velocidade de operao, caractersticas fsicas e umidade do solo no momento da colheita. Essas colhedoras tm, em mdia, capacidade para colher cerca de 20 toneladas por hora, o que varia muito com a produtividade da cultura e com as caractersticas da rea.

    Devido ao alto custo dessas mquinas, em alguns municpios de Gois, as inds-

    trias terceirizam a colheita para empresas especializadas. J em outros municpios goianos os produtores se organizaram em empresas (condomnio), onde essas mqui-nas so adquiridas para colher suas respecti-vas reas, podendo ainda ser alugadas para outros produtores.

    COLHEITA MECANIZADAO processo de colheita mecanizada

    vantajoso principalmente do ponto de vista sanitrio, pois diminui o trnsito de pessoal e de caixas nas lavouras, diminuindo a dis-seminao de pragas e doenas. Tambm favorece a programao da colheita, pois alm de depender de um menor nmero de pessoas, no depende da disponibilidade de caixas de plstico para armazenamento em campo e transporte da produo. Aps um amadurecimento parcial dos frutos retira-

    Detalhe do sistema de recolhimento e alimentao da colhedora de tomates rasteiros. Estas colhedoras tm sistema seme-lhante s de cereais, cortando o p do produto rente ao solo e enviando para dentro do sistema de separao dos frutos

    Colheita gilColheita gil

    A colheita mecanizada de tomate industrial tem inmeras vantagens quando comparada com a operao manual. Mesmo assim, no Brasil, o nmero de mquinas especficas para realizar a operao de colheita ainda bastante tmido

    A colheita mecanizada de tomate industrial tem inmeras vantagens quando comparada com a operao manual. Mesmo assim, no Brasil, o nmero de mquinas especficas para realizar a operao de colheita ainda bastante tmido

    Fotos Tulio de Almeida Machado

  • Maro 2011 www.revistacultivar.com.br 07

    da a gua, causando-se um estresse hdrico nas plantas, favorecendo assim o amadureci-mento de maneira uniforme para que possa iniciar o processo de enleiramento.

    A colheita mecanizada deve ser progra-mada desde o incio, pois a implantao da cultura (preparo do solo e transplantio) ir interferir no processo de colheita, que se inicia pelo enleiramento eficiente da cultura no campo.

    O enleiramento consiste em liberar os carreadores para que possam passar os rodados da colhedora e do caminho, aumentando tambm a sua capacidade operacional e reduzindo perdas de frutos no campo. Esse processo, na maioria das reas, ainda executado manualmente, sendo que prottipos de enleiradores esto em teste, para que a operao seja feita com uma maior uniformidade e menor custo, porm, ainda exigem uma sistematizao do solo, pois so fixos e no possuem sistemas para acompanhamento das irregularidades do terreno.

    Alm disso, como as ramas so dispersas,

    a mquina no capaz de coletar todos os frutos fora do bloco enleirado. J quando esse bloco formado por apenas uma linha no haver ramas dispersas ao ponto de ficar fora do alcance da plataforma, isto causa perdas por esmagamento dos frutos provo-cadas pelas rodas dos veculos ou pelo seu desprendimento das ramas antes de entrar na colhedora.

    Depois de enleirado, inicia-se o processo de corte e recolhimento da cultura em cam-po. A plataforma de corte uma estrutura flutuante que na maioria das vezes no fica paralela ao solo, devido a problemas de irregularidade no terreno, e constituda de lminas de corte que trabalham muito prximo superfcie do solo. A plataforma constituda de separadores de linhas, dedos mveis para recolhimento e lminas de corte. J o sistema de recolhimento constitudo por uma esteira que transporta o material at a esteira de alimentao que leva ao sistema de trilha, entre os dois sistemas existe uma abertura para retirada de impurezas, conforme Figura 1. A esteira

    de alimentao organiza e mantm o fluxo constante de material para trilha. Entre as hastes das esteiras encontram-se aberturas para limpeza do material a ser colhido que cai por gravidade.

    Depois de feita a alimentao da co-lhedora o fluxo de plantas e frutos en-caminhado para a cmara de trilha, onde existem suportes longitudinais flexveis na parte de baixo, que mantm as plantas em suspenso, fazendo tambm adequao do volume na cmara. Desta forma, os frutos sofrem menos impactos, pois no encontram obstculos e a queda do fruto para chegar esteira transportadora menor. A trilha feita por agitadores com sistema de agitao no qual pode ser regulada a velocidade de vibrao. A limpeza do material realizada por um ventilador axial com fluxo uniforme em toda a largura para limpeza dos frutos de possvel presena de restos culturais, contendo ainda um dispositivo de proteo contra pedras.

    A seleo feita por um sistema com fotossensores por onde todo o material

    Figura 1 - Esquema de sistema de trilha de uma colhedora de tomate, que feito por agitadores comsistema de regulagem da sua vibrao, e a limpeza conta com um ventilador axial com fluxo uniforme

    Esteira e sistema de fotossensores, responsveispela seleo dos frutos na colhedora

    Devido ao alto custo dessas mquinas, as indstrias terceirizam a colheita para empresas especializadas ou os produtores se organizam e compram a mquina em sistema de condomnio

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    (impurezas e frutos) passa e por meio de cores, onde os frutos verdes e as impurezas so excludos por um sistema de dedos pneumticos ao longo de toda a parte de baixo da esteira. Esse processo ainda exige mo de obra para fazer a catao de maneira manual, fazendo uma seleo mais refinada, evitando que frutos verdes e impurezas sejam levados indstria.

    Em alguns casos esse sistema de classifi-cao desligado na mquina, fazendo com que os frutos verdes permaneam junto com os maduros e sejam retirados somente na indstria, mas a catao manual permanece para retirada de impurezas.

    A descarga feita diretamente nas ca-ambas ou carrocerias de caminhes por meio de esteiras transportadoras, estes ve-culos permanecem na lateral da mquina na mesma velocidade das colhedoras. A carga dentro das caambas e de carrocerias no pode ser muito alta devido estrutura fsica do fruto, pois ele possui muita gua e pouca matria slida. Uma carga pesada indica que os frutos da parte de baixo so esmagados e perdem gua e, consequentemente, peso, pois as caambas e as carrocerias so drena-das antes de serem pesadas e irem para as moegas das indstrias.

    Apesar de a maior parte da produo

    Detalhe de um agitador rotativo, responsvel pela retirada e separao dos frutos da planta

    de tomate para as indstrias processadoras ser feita a granel, este meio de transporte resulta em perdas para o produtor e para as indstrias. As perdas para o produtor so decorrentes da drenagem do suco antes da pesagem. J para a indstria elas so resul-tantes da perda de suco de frutos amassados na gua de descarga e nas piscinas. Alm da perda quantitativa o transporte a granel tambm reduz a qualidade da matria-pri-ma, pois os frutos amassados so facilmente contaminados por fungos e bactrias.

    A colheita mecanizada tende reduzir a qualidade da produo, por causar mais da-nos aos frutos e resultar em maior acmulo de impurezas junto ao produto colhido, quando comparado colheita manual. Alm disso, as colhedoras necessitam de uma boa manuteno para perfeito fun-cionamento em campo, devido ao grande nmero de mecanismos de transmisso. A colheita mecanizada tambm favorece a programao da colheita, pois depende de um menor nmero de pessoas envolvidas

    no processo. As perdas no processo de colheita de

    tomate industrial variam com as condies do solo no momento do plantio e colheita (nivelamento do solo, umidade do solo, tamanho dos frutos e processo de matura-o dos frutos), mas a reduo est ligada diretamente s regulagens no momento da colheita.

    Logo aps a colheita deve-se providen-ciar a destruio dos restos culturais, por meio de grades aradoras, visando impedir a proliferao de pragas e doenas. Porm, antes, deve-se verificar a necessidade de descompactao do solo nos carreadores onde passam a colhedora e os veculos de rodados de transporte, usando subsoladores. Quando no h equipamento para destrui-o mecnica dos restos culturais, deve-se enleirar e queimar.

    A descarga dos frutos feita diretamente em carrocerias de caminhes que acompanham a mquina pelo campo

    Tlio de Almeida Machado,Elton Fialho dos Reis,Universidade Estadual de Gois

    CuLtIvo dE toMAtE INduStrIAL No BrASIL

    No cenrio mundial, o Brasil oscila entre a sexta e stima colocao entre os maiores produtores de tomate para processamento industrial. O estado de Gois aparece como lder nacional e sul-americano na produo, com mais de 1,28 milho de toneladas cultivadas em uma rea de 15,7 mil hectares, se-gundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE) no ano de 2009. Os municpios goianos com maior rea plantada so Cristalina, Morrinhos,

    Itabera e Luzinia, todos com mais de mil hectares.

    A agroindstria exige um tipo especial de tomate onde os frutos devem apresentar caractersticas de alta resistncia ao trans-porte a granel, colorao vermelha intensa e distribuda uniformemente pelo fruto, elevado teor de slidos solveis e teor ade-quado de acido ctrico. Com a introduo de colhedoras exige-se que a maior parte dos frutos amadurea simultaneamente, pois haver uma nica colheita.

    Lavoura de tomate industrial j devidamente enleirada, pronta para realizar a colheita mecanizada dos frutos

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  • MECANIzAo

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    Brao forteAvaliao do desempenho operacional de guindastes na extrao de madeira em terrenos acidentados mostra os benefcios do equipamento na operao florestal

    A colheita florestal em reas acidentadas, ou em condies topogrficas desfavorveis, exige um alto nvel de planejamento e detalhamento. Tambm necessrio o desenvolvimento de mquinas e equipa-mentos especficos para essas condies, com o objetivo de minimizar os custos, diminuir a necessidade de mo de obra e aumentar a produtividade.

    A extrao de madeira em reas aci-dentadas exige o uso de equipamentos dimensionados para executarem suas tarefas nestas condies, que eles apre-sentem custos compatveis, baixo impacto ambiental e proporcionem boas condies de trabalho ao operador. A utilizao do guindaste uma alternativa em potencial por, teoricamente, facilitar o deslocamen-to da carga de madeira reduzindo as foras de arraste sobre o solo e por eliminar a passagem da madeira pela barreira lateral da estrada devido possibilidade de ia-mento da carga.

    Um estudo foi conduzido para avaliar o impacto e os benefcios da utilizao do guindaste em reas acidentadas. O Guindaste Terex utilizado foi o modelo RT 230 com capacidade para 30 toneladas, equipado com motor Cummins modelo 6BT5.9, potncia de 130cv, direo nas quatro rodas, transmisso power-shift, com seis velocidades frente e seis r, com lana telescpica de quatro estgios

    e alcance mximo de 20m, giro contnuo da cabine e peso de 26t, com limite do cabo de arraste de cargas de at 120m de distncia, com 5/8 de dimetro.

    A lana telescpica foi erguida a uma altura de 12,30m em relao estrada, com ngulo de 30. Na montagem, aps o nivelamento, o guindaste ocupou apro-ximadamente toda faixa da estrada, que , em mdia, 7,84m. O empilhamento

    Figura 1 - Percentual da anlise tcnica das atividades

    Avaliao do desempenho operacional de guindastes na extrao de madeira em terrenos acidentados mostra os benefcios do equipamento na operao florestal

    Brao forte

    Elton da Silva Leite

  • Maro 2011 www.revistacultivar.com.br10

    caracterizou-se em ocupar uma faixa mxima de 38m, sendo 19m esquerda e 19m direita do guindaste, com altura de pilhas de at 4m.

    O sistema de colheita utilizado foi o de toras curtas, cut-to-length, com traamento de 2,60 metros. As operaes de derrubada e de traamento foram rea-lizadas pelo mtodo semimecanizado, com o uso de motosserra e machadinhas, aps esta etapa formaram-se os feixes de toras. A operao foi realizada por um operador e trs auxiliares, sendo que dois deles fize-ram a movimentao do cabo principal e dos subcabos e o outro organizou a descar-ga e desconectou o subcabo para soltura e organizao da carga na pilha de madeira formada nos lados do guindaste.

    Foi avaliado o guindaste em uma in-clinao variando de 18,2 a 37,1, sendo que 81,5% do trabalho foi realizado em

    reas com declividade acima de 26, sendo a mdia 29,54. A rea de estudo foi in-ventariada, com um volume de 322,86m/ha e com 0,21m3/rvore no talho 01 e 331,93m/ha com 0,24m3/rvore no talho 02.

    Para a distncia de extrao superior a 120m foi utilizado um cabo auxiliar de 30m de 5/8de dimetro, estendendo a distncia mxima de arraste em 150m. A distncia de extrao foi estratificada em cinco nveis em funo, determinadas em faixas de 30 em 30 metros: 0-30m, 30-60m, 60-90m, 90-120m e 120-150m.

    A Figura 1 mostra o percentual mdio de cada atividade na composio do ciclo da extrao de madeira com o guindaste, sendo que as atividades de descer o cabo, arrastar a carga e descarregar represen-tam 87% do tempo de ciclo. A Figura 2 mostra o tempo de ciclo em funo da

    distncia, nota-se que h um crescimento do tempo de ciclo medida que aumenta a distncia.

    Nas atividades de amarrar, iar e des-carregar a carga verificou-se no haver influncia da distncia, pois os movimen-tos so os mesmos e as distncias no so alteradas na operao. J as atividades de descer cabo e arrastar a carga so di-retamente influenciadas pelas distncias de extrao, implicando em aumento de tempo proporcional ao aumento da distncia.

    Com o Guindaste Terex verificou-se que possvel extrair madeira a uma produtividade de 15,20m/h ou 23,38st/h para mdia de 78m de distncia e 29,54 de declividade, em uma floresta com volume de 327m/ha e 0,23m/rvore. O tempo mdio de ciclo de cada carga foi de 6,55 minutos com volume mdio de 1,66m por carga ou 1.294,89kg/carga. As velocidades mdias de descida e subida de cabo foram respectivamente 0,82m/s e 0,60m/s. O consumo mdio de combust-vel do guindaste foi de 4,56L/h.

    O tempo mdio de mudana de local do guindaste foi de 28,03 minutos, com deslocamento em mdia de 50m. Normal-mente se fazia um deslocamento por dia. Na Figura 3 observa-se uma forte corre-lao entre a produtividade e a distncia de arraste. O modelo matemtico mostra que a distncia pode influenciar em at 99,67% na produtividade.

    O custo de extrao de madeira foi de R$ 8,73 por metro cbico, para uma efi-cincia mecnica de 91,66% e a eficincia operacional de 80,38%, considerando um custo de contratao R$ 130,00 por hora de uso da mquina. A medio do volume se deu atravs de aferies dirias dos comprimentos e alturas das pilhas.

    Em relao segurana no trabalho percebe-se reduo do risco de acidentes com o guindaste, pois este encontra-se

    Figura 2 - Tempo mdio do ciclo operacional em funo da distncia de extrao Figura 3 - Produtividade em funo da distncia de arraste do Guindaste Terex

    Aps a extrao da madeira com guindaste, foi possvel observar menor impacto ao solo por ter havido um mnimo arraste da cobertura vegetal durante a operao

    Elto

    n da

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  • Figura 4 - Diagrama de foras: a) Arraste com guincho-arrastador e b) arraste com guindaste

    bem fixado e no necessita estar beira da estrada. Ao contrrio do guincho-arrastador, o uso de guindaste na extrao de madeira na colheita convencional per-mite operao de arraste com menor ao sobre o solo. Isso ocorre devido direo da fora de arraste ter vetor em ngulo diferente do arraste como no guincho, conforme a Figura 4.

    Aps a extrao da madeira com guin-daste, observou-se um menor impacto ao solo por ter havido um mnimo arraste

    da cobertura vegetal durante a operao. Dessa forma, a tomada de deciso para a adoo do sistema de extrao de madeira com guindaste deve ser fundamentada, alm de vantagens ambientais, operacio-nais e econmicas, tambm nos ganhos pela melhoria da logstica para escoamento da produo das reas que demandam extrao de madeira por arraste.

    A utilizao do guindaste pode ainda ter melhorado com a adoo de aes com treinamento operacional, melhorias

    nos controles (comandos em joystick) e a substituio do cabo por um de meia polegada para possibilitar atingir maiores distncias de extrao.

    Elton da Silva Leite,Haroldo Carlos Fernandes eElcio das Graa Lacerda,UFVIlvnio Luiz Guedes eEdvaldes Jos do Amaral,Cenibra

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  • CoMBuStvEIS

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    Borra ocasionada pela degradao natural do combustvel nos tanques

    Fotos Marcos Thadeu G. Lobo

    Com o advento dos motores Ciclo Diesel com sistema de injeo con-trolada eletronicamente ou sistemas de injeo com presso modulada common rail h necessidade de se efetuar o tratamento do leo diesel com muito mais eficincia do que quando existiam apenas os sistemas de injeo mecnica.

    O B100 (biodiesel sem misturas de leo diesel) tem propriedades detergentes poden-do remover depsitos, incrustaes e borras que porventura se encontrem nos tanques e linhas de abastecimento de combustvel. A adio de 5% de B100 ao leo diesel refora a exigncia de filtrao aprimorada desse tipo de combustvel.

    O menor tamanho de partcula que pode ser visto a olho nu tem dimenso de 40 micra (1 mcron = 1mm/1.000) e as folgas dos com-ponentes nos sistemas de injeo controlados

    eletronicamente so da ordem de 2 5 micra. Ou seja, o fato do combustvel estar visualmen-te lmpido no indica que ele esteja prprio para uso nos modernos motores controlados eletronicamente.

    Como forma de se prolongar a vida til dos filtros de combustvel e dos sistemas de injeo controlados eletronicamente nos modernos motores Ciclo Diesel recomendvel que se adotem algumas prticas, que sero abordadas

    Os filtros de combustvel dos equipamentos mveis retm gua e particulados de 10 micra, em mdia

    Combustvel limpoArmazenar combustvel na fazenda uma vantagem quando a frota atinge um

    determinado nmero de mquinas e uma necessidade em propriedades maiores. No entanto, a armazenagem de leo diesel requer uma srie de cuidados para evitar

    contaminao do produto e avarias nos motores

  • Os elementos filtrantes convencionais dos filtros tipo prensa (cor branca) no retm gua. Porm, h no mercado papel filtrante imper-mevel gua (cor amarela). Estes elementos filtrantes devem ser colocados alternadamente em cada placa de fixao do filtroprensa com

    Maro 2011 www.revistacultivar.com.br 13

    a seguir.

    PRTICAS RECOMENDADASOs tanques de armazenagem acumulam

    detritos, como qualquer outro tanque. Portanto, necessrio efetuar, se possvel, limpeza inter-na dos tanques de armazenagem por firmas especializadas a cada dois anos, para remoo de borras e carepas formadas pela degradao

    natural do combustvel.Para evitar acmulo de gua nos tanques

    e formao de borras que obstruiro precoce-mente os filtros de linha e filtros de combustvel dos equipamentos mveis, fundamental que se efetue drenagem semanal dos tanques de armazenagem.

    Os cuidados com a drenagem devem ser estendidos aos tanques de armazenamento de combustvel dos comboios de abastecimento e, se possvel, aos tanques de combustvel dos equipamentos mveis. Os filtros de combustvel dos equipamentos mveis retm gua e particu-lados de 10 micra, em mdia. Filtros nominais de 5 micra, como os utilizados em filtros tipo prensa, de material sinterizado ou de cartuchos, so adequados para filtragem preliminar do combustvel. O uso de filtros coalescentes/mi-crnicos absolutos, como sistemas de filtrao final, permitiro maior vida til aos filtros de combustvel dos equipamentos mveis e pureza necessria ao leo diesel.

    Para evitar acmulo de gua nos tanques e formao de borras fundamental a drenagem semanal dos mesmos

    A filtrao final dever ser realizada atravs de filtros coalescentes/micrnicos absolutos de 2 a 5 micra para reteno precisa de gua e particulados, o que elevar a vida til dos filtros de combustvel dos equipamentos mveis

    O problema de formao de depsitos e condensao de gua ocorre, tambm, nos comboios de abastecimento, por isso importante o uso de filtros coalescentes/micrnicos absolutos

    Filtros dissecantes nos tubos de respirodos tanques evitam a entrada de gua

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    QuANto CuStA?

    O preo do leo diesel aditivado est em torno de 2% superior ao do leo diesel comum. No estado do Mato Grosso, por exemplo, o leo diesel comum custa R$ 2,215/l e o aditivado custa R$ 2,259/l ( preos mdios ). Uma diferena de R$ 0,044 centavos por litro (2%). O custo de reparo de uma bomba injetora fica por volta de R$ 900,00 a R$ 1.600,00 e o custo de um bico injetor fica por volta de R$ 180,00 (os motores diesel podem ter 4, 6 e at 8 bicos injetores).

    Se pegarmos como exemplo um trator de 140 cv, com um tanque de 150 litros, a diferena na hora de encher o tanque mnima. Se completar com diesel comum o valor ser de R$ 332,25; com diesel aditivado R$ 338,85, uma diferena de

    R$ 6,60 em 150 litros. Se considerarmos um consumo mdio de 9 litros por hora, o trator far em mdia 17 horas de trabalho com um tanque. O custo adicional com diesel aditivado por hora trabalhada ser de R$ 0,40 centavos. Isto , com uma diferena de R$ 0,44 centavos por litro, para compensar a troca de bomba e bicos injetores, sero necesrios aproximada-mente 70 mil litros

    O custo maior, no entanto, fica por conta do tempo que perdido, no caso de uma pea quebrada, quando a mquina fica paralisada em pocas preciosas como plantio ou colheita. Por isso pode-se dizer que vale a pena usar um produto aditivado, j que a sua funo principal a conservao dos sistemas de injeo.

    Marcos Thadeu Lobo, engenheiro da Petrobras, explica a importncia de manter limpos os tanques de armazenagem de combustveis

    Marcos Thadeu G. LoboPetrobras Distribuidora S.A.

    Diferena entre um filtro utilizado para filtrar diesel aditivado e outro utilizado para diesel comum

    Desgaste prematuro no bico da direita,ocasionado pelo uso de diesel comum

    elementos permeveis gua (cor branca) de malha filtrante de 5 micra nominal ou inferior.

    J foi mencionado mas no custa frisar: filtragem definitiva dever ser realizada atravs de filtros coalescentes/micrnicos absolutos de 2 a 5 micra para reteno precisa de gua e par-ticulados, o que elevar a vida til dos filtros de combustvel dos equipamentos mveis e dando a pureza necessria ao leo diesel que os moder-nos sistemas de injeo tanto necessitam.

    O problema de formao de depsitos e condensao de gua ocorre, tambm, nos com-boios de abastecimento. De nada adianta filtrar o combustvel do tanque de armazenamento para o comboio de abastecimento e no filtr-lo ao abastecer os equipamentos mveis. A mesma recomendao para uso de filtros coalescentes/micrnicos absolutos mencionados anterior-mente (2 5 micra) vale para os comboios de abastecimento dos equipamentos mveis.

    A contaminao do leo diesel por gua extremamente preocupante visto que o meio aquoso propcio formao de colnias de bactrias que formam borras e

    provocam corroso nos sistemas de injeo. A gua pode ser encontrada no combustvel em formas livre, emulsionada e dissolvida. A gua livre pode ser eliminada dos tanques de armazenagem de combustvel atravs de drenagem ou atravs de filtros coalescentes ou separadores. A gua emulsionada pode ser retirada atravs de filtros coalescentes como os j mencionados. A gua dissolvida, no entanto, de difcil remoo, necessitan-do de filtros com termo-vcuo.

    Em face da gravidade de se ter contamina-o de combustvel por gua o ideal impedir a entrada de gua nos tanques de combustvel. Para isto, necessrio o uso de filtros disse-cantes nos tubos de respiro dos tanques para armazenamento de combustveis.

    Existem no mercado produtos para reduzir

    a obstruo precoce de filtros de combustvel de equipamentos mveis e desgaste prematuro de sistemas de injeo. A Petrobras, por exemplo, desenvolveu e comercializa um produto chama-do Extra Diesel Aditivado, que tem sido utiliza-do por grandes frotistas, mineradoras e outros clientes consumidores. Mais informaes sobre a composio e as vantagens no uso do Extra Diesel Aditivado no Box anexo.

    As prticas mencionadas podero levar a um aumento nos gastos com o tratamento do leo diesel. Porm, estes custos sero bastante menores que os custos com reparos em sistemas de injeo e, principalmente, com os custos da hora/mquina paralisada. Porm, devemos nos conscientizar que a tecnologia nos motores de combusto interna Ciclo Diesel evoluiu e premente que os cuidados com o tratamento do combustvel sejam aprimorados e, somente desta forma poderemos minimizar a obstruo e a substituio precoce dos filtros de combustvel veiculares, bem como danos imprevistos aos sistemas de injeo.

    Fotos Marcos Thadeu G. Lobo

    .M

  • pLANtAdorAS

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    Acertando o fluxo

    Plantios de culturas de inverno e vero so operaes que exigem mquinas e atenes diferentes. As semeadoras de fluxo contnuo, utilizadas para

    plantio de inverno, necessitam de ateno especial, principalmente na regulagem dos sulcadores e na

    quantidade de sementes distribudas

    Em qualquer sistema, a semea-dura deve possibilitar o estabe-lecimento rpido e uniforme da populao de plantas desejada. Para isso, a semeadora deve formar um ambiente que possibilite a absoro de gua pelas sementes e as condies de temperatura e disponibi-lidade de oxignio adequadas ao processo de germinao.

    As semeadoras-adubadoras realizam o corte da palhada, a abertura de sulcos no solo, dosagem das sementes que sero distribudas, colocao das sementes nos sulcos, cobertura das sementes depositadas, fixao da camada de solo em volta das se-mentes e aplicao, dosagem e incorporao dos fertilizantes. A mquina deve garantir uniformidade de distribuio em todas as linhas, colocar as sementes em profundidade uniforme e cobri-las com uma camada de

    terra. As mquinas utilizadas para a semea-

    dura das culturas de inverno ou culturas de gros finos (trigo, aveia, cevada etc) so denominadas de semeadoras de fluxo contnuo, ou seja, apresentam sistema de distribuio de sementes atravs de rotores acanalados helicoidais, que distribuem as se-mentes de forma contnua, diferentemente das semeadoras de preciso que distribuem as sementes individualizadas. Outra carac-terstica marcante das semeadoras de gros midos o espaamento entre linhas. Estas mquinas apresentam espaamentos entre linhas reduzidos, normalmente de 17cm.

    Basicamente existem dois tipos de semeadoras que podem ser utilizadas para a semeadura de gros finos: semeadoras especficas para gros midos, tipo TD, e semeadoras mltiplas, que realizam tanto

    a semeadura de gros finos como de gros grados.

    No caso das mquinas mltiplas, se faz necessrio prepar-las para a semeadura com espaamento reduzido, visto que o l-timo trabalho realizado por estas mquinas foi a semeadura de culturas de gros grados (soja, milho etc), que utilizam-se de espaa-mentos entre linhas maiores.

    As mquinas mltiplas so importantes, pois, alm de proporcionarem melhorias na qualidade do Sistema Plantio Direto, possibilitam a introduo de novas esp-cies, viabilizando, desta forma, a rotao de culturas que fundamental para o sucesso do sistema. Estas mquinas tambm apre-sentam algumas particularidades, no que se refere qualidade da semeadura: trabalham com rodas limitadoras de profundidade e por isso apresentam maior uniformidade na profundidade de colocao das sementes e menor revolvimento de solo, o que uma caracterstica muito favorvel em se tratan-do de Plantio Direto. Outra caracterstica importante das mquinas mltiplas a uti-lizao de dois tubos porta-ferramentas para a fixao das linhas. Isto representa maior defasagem entre as mesmas resultando em maior vazo da palhada, diminuindo signi-ficativamente a possibilidade da ocorrncia dos embuchamentos.

    No sistema plantio direto a operaciona-lidade das semeadoras assume papel impor-tante, uma vez que vrios fatores afetam o estabelecimento da cultura, entre eles a velo-cidade e a profundidade de semeadura. Alm desses, tambm importante o teor de gua no solo, que na regio Sul do Brasil costuma ser excessivo na poca de plantio, prejudicando a eficincia das mquinas, o que aumenta a importncia da capacidade operacional em

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    condies de umidade ideal de semeadura.

    PROFUNDIDADE DE SEMEADURAA profundidade de semeadura deve

    ser adequada para que possa garantir a germinao e a emergncia das sementes e rendimento de gros, para isso, deve-se considerar as caractersticas das sementes, as condies fsico-qumicas do solo, clima e manejo das culturas.

    Maiores profundidades de colocao das sementes podem causar dificuldades de emergncia das plantas devido ao maior consumo energtico das reservas das semen-tes. Profundidades inferiores a 2,0cm podem determinar dificuldades na germinao e emergncia em situaes de baixo teor de umidade no solo e tambm, devido ao menor contato da semente com o solo.

    A profundidade de colocao das se-mentes um fator de difcil controle, especialmente em se tratando de Plantio Direto devido presena da camada de palha na superfcie do solo. O controle da profundidade de semeadura das culturas de inverno pode ser realizado atravs de aros limitadores fixados junto aos sulcadores nas mquinas tipo TD ou atravs de rodas limitadoras de profundidade posicionadas ligeiramente atrs dos sulcadores, no caso das mquinas mltiplas. Neste caso pos-svel a realizao de diferentes ajustes para diferentes situaes de plantio.

    VELOCIDADE DE SEMEADURAA velocidade de semeadura tem grande

    influncia sobre o desempenho das seme-adoras. Em geral pode-se afirmar que na grande maioria das situaes e em todos os diferentes sistemas de semeadura a qualidade da semeadura diminui quando se aumenta a velocidade de trabalho. Alguns trabalhos tm mostrado que o uso de maiores velocidades de avano durante a semeadura resultam em populaes de plantas menores, maiores distncias entre as plantas e aumento dos danos mecnicos nas sementes.

    Em geral, a velocidade recomendada para a semeadura das culturas de inverno, segundo recomendaes dos fabricantes, de 6,0 8,0km/h.

    A eficincia das semeadoras poder ser avaliada por meio de dois parmetros principais: a distribuio longitudinal de sementes e o coeficiente de variao dos espaamentos. A uniformidade de distri-buio longitudinal de sementes uma caracterstica que mais contribui para a obteno de um stand adequado de plantas e, consequentemente, para a melhoria da produtividade das culturas.

    AJUSTES DA MQUINAAlm dos aspectos relacionados re-

    gulagem de semente e fertilizante, alguns

    ajustes se fazem necessrios para o bom desempenho da semeadora, conforme ve-remos na sequncia.

    Deve-se dar ateno especial abertura do sulco. As semeadoras de fluxo contnuo, sejam elas especficas para gros midos ou as mltiplas, utilizam-se para realizar esta operao no sistema de discos duplos defasados. O desempenho destes sulcadores est diretamente relacionado s condies do solo no momento da semeadura e a pre-sena de palha na superfcie do solo, para isso as diferentes mquinas apresentam regulagens destes sulcadores que podem ser realizadas atravs de presso de molas, nmero de molas, regulagem dos batentes das molas e curso dos cilindros hidrulicos. Aconselha-se que as linhas que trabalharo sobre o rastro das rodas do trator, tenham regulagem de presso um pouco maior do que as demais linhas;

    A uniformidade da profundidade de deposio das sementes no solo um dos principais fatores para a obteno de uma rpida emergncia e estabelecimento da cultura. Seja atravs de aros limitadores ou de rodas limitadoras de profundidade, o controle da profundidade deve ser realizado de forma criteriosa para que no ocorram erros relativos germinao das sementes.

    Durante a semeadura, a velocidade de deslocamento no deve ultrapassar 8,0km/h, pois at esta velocidade as mquinas conse-guem manter o seu desempenho de regulari-dade tanto para a distribuio de sementes como para a distribuio de fertilizantes. Vale ressaltar, tambm, que no Plantio Di-reto, alta velocidade sinnimo de maior revolvimento do solo, reduo da eficincia de corte da palhada e menor profundidade de semeadura.

    Deve-se tambm observar o estado geral dos dosadores de sementes e fertilizantes, verificando o ajuste de cada um, verificar se os sulcadores e os condutores no esto obstrudos e conferir a presso dos pneus da semeadora. Os mecanismos de transmisso

    Detalhe de uma linha de semeadura de mquina TD para gros finos (esq) e linha de semeadura de gros finos de uma mquina mltipla

    Detalhe dos rotores acanalados helicoidais, responsveis pelo fluxo contnuo de distribuio de sementes

    Exemplo de plantio bem-feito, com poucorevolvimento do solo e bom corte na palhada

  • devem estar perfeitamente ajustados e a semeadora deve estar sempre em perfeitas condies mecnicas para evitar atrasos na semeadura.

    Durante a operao de semeadura, alguns pontos devem ser observados para a obteno de uma operao com alta quali-dade: eficincia de corte da palha, dosagem e posicionamento do fertilizante, dosagem e posicionamento da semente, fechamento e cobertura do sulco. A qualidade de corte da palha um fator norteador de todo processo de funcionamento da semeadura, pois dele depende o funcionamento dos demais com-ponentes da mquina. Um eficiente corte de palha pode ser analisado pelo grau de afasta-mento da palha provocado pelos sulcadores, como tambm pelo nmero de ocorrncias de embuchamentos e de paradas.

    Com relao qualidade da fertilizao, deve-se avaliar a regularidade da dosagem e a variao entre as linhas. A regularidade da quantidade de sementes viveis, a posio delas no solo e a distribuio ao longo da linha de plantio so os parmetros que qua-lificam o processo da colocao de semente no solo realizado pela unidade semeadora. Por fim, a qualidade de desempenho da roda compactadora pode ser medida pela constncia ou no da presena de sementes descobertas ou sulco mal fechado.

    A semeadura uma operao delicada que no permite erros e a ateno durante a operao de extrema importncia, pois er-ros cometidos durante a semeadura podero inviabilizar a produo. O sucesso de uma cultura depende de uma boa semeadura, por isso, ateno especial deve ser dada a esta operao.

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    Fotos Semeato

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    pASSoS pArA rEALIzAr A CALIBrAo dA SEMEAdorA

    A recomendao oficial da quantida-de de sementes para as culturas de inverno varia conforme a cultura, de 200 a 330 sementes aptas/m. A recomenda-o para o trigo, por exemplo, de 300 a 330 sementes aptas/m, j para a cevada recomenda-se de 225 a 250 sementes aptas/m. Como o peso de mil sementes destas culturas pode variar muito em fun-o das condies climticas, da adubao nitrogenada, da cultivar, entre outros, o ideal que a regulagem seja feita em funo do nmero de sementes por metro linear. Desta forma, em uma semeadura com espaamento de 17cm entre linhas, devero ser distribudas entre 50 e 60 sementes por metro linear, o que resultar em 300 a 330 plantas/m.

    Para calcular a quantidade de sementes a serem distribudas por hectare, devem-se seguir os seguintes passos:

    a) considerando-se um stand desejado de 300 plantas/m, deve-se corrigir o poder germinativo da semente (90%):

    sem/m = 300 x 0,9 = 330sem/m ou 3.330.000sem/h;

    b) supondo-se que o peso de mil se-mentes seja de 40g, a quantidade em kg/ha ser:

    Kg/ha = 3.330.000 x 40g = 133,2kg/ha;

    c) se o espaamento utilizado for de 17cm entre linhas, ento teremos uma cons-tante de 588,2 (10.000m: 17cm), assim:

    133,2kg/ha: 588,2 = 226,5g de semen-tes/linha/100metros;

    d) se em 40g temos 1.000 sementes, em 226,5g teremos 5.662,5 sementes.

    Desta forma, para regular a quantidade de sementes, a semeadora aps percorrer 100 metros dever distribuir 226,5 gramas de sementes em cada uma das linhas ou, ento, dever distribuir 56,6 sementes por metro linear.

    A regulagem de fertilizante segue o mes-mo raciocnio utilizado para a regulagem de sementes, por exemplo: a quantidade deseja-da de fertilizante de 250kg/ha e a mquina apresenta espaamento entre linhas de 17cm (constante de 588,2), ento teremos:

    250kg/ha : 588,2 = 425g/100 metrosA mquina dever distribuir, em 100

    metros percorridos, 425g de adubo em cada uma das linhas.

    Mquinas mltiplas no plantio de culturas de inverno tm algumas vantagens como a utilizao de rodas limitadoras de profundidade e possibilidade de defasagem das linhas de plantio, o que diminui o embuchamento quando semeadas sobre restos de culturas como a do milho

    Eduardo CopettiSemeato S/A

  • CApA

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    JD 6110 DO trator John Deere 6110 D, que testamos no Estado

    de So Paulo, tem construo simplificada, mas possui um nvel de tecnologia apropriada para

    aqueles produtores que procuram preo, robustez, simplicidade na operao e na manuteno

    O JD 6110 D tem acesso facilitado, atravs do cap basculante, para manutenes peridicas

    Foi muito interessante testar o trator John Deere 6110 D. Certamente no foi o trator de maior tecnologia, nem o que tinha mais especificaes, dentre os que testamos. Parece estranho mencionar isto, em se tratando da marca John Deere, que prima por montar tratores desenvolvidos em

    termos de projeto e terminaes mec-nica e esttica. O nosso interesse recaiu sobre um aspecto que temos reforado em diversas ocasies que tratamos do tema: a tecnologia apropriada. Estes tratores da srie D no so fabricados no Brasil, na fbrica da John Deere em Montenegro no Rio Grande do Sul, e sim importados do Mxico.

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    Fotos Charles Echer

    O motor que equipa o JD 6110 D um John Deere PowerTech modelo 4045T de 107cv de potncia bruta, comquatro cilindros, turboalimentado, destacado pelos usurios como econmico e com boa reserva de torque

    Embora exista o produtor que exija mais tecnologia, h um excelente mer-cado para aqueles que desejam preo competitivo, simplicidade na operao e na manuteno, resistncia mecnica e baixo consumo de combustvel, no qual se enquadra o modelo 6110 D. So os ca-

    sos dos prestadores de servio, peque-nos e mdios produtores de gros,

    pecuaristas, entre outros. O modelo 6110 D est recm iniciando sua par-

    ticipao no mercado, pois comeou a ser

    comercializado em ju lho de 2010 ,

    tentando esta-belecer uma

    forte concorrncia com os modelos da srie 30 da New Holland, a linha BM da Valtra e os lderes Massey Ferguson, com seu modelo 4292.

    MOTOR E TRANSMISSOEste trator tem um motor John Deere

    PowerTech modelo 4045T de 107cv de potncia bruta, com quatro cilindros, turboalimentado. A sua estrutura monobloco, portanto, deve ser evitada a colocao de pesos com suporte para a trao, como comum na marca John Deere, para os tratores de configurao modular. H uma previso de espe-ras no bloco do motor e transmisso para a colocao de suporte de lmina frontal, um dos usos previstos para este

    modelo.Alm do forte motor, o trem de

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    Fotos Charles Echer

    Um dos itens que chamam a ateno nas manutenes peridicas o filtro de ar, posicionado na dianteira do trator, tipo Dual Core, com um pr-filtro dotado de ciclone e aletas direcionadoras da corrente de ar

    O modelo tem esperas para acoplagem de suporte de lmina dianteira, que podem ser instaladas nele

    transmisso se baseia em uma embreagem hidrulica, que deve ser um dos diferen-ciais do modelo, e uma caixa mecnica, parcialmente sincronizada de nove velo-cidades frente e trs r, organizada em trs grupos, com trs velocidades que se combinam. A tomada de potncia (TDP) independente, com possibilidade de 540 e 1.000rpm, com troca mecnica.

    Tambm o sistema hidrulico, de centro aberto, categoria II, deve ser um dos atrativos deste modelo, tanto pela alta capacidade de levante de 3.150kg, como em termos de vazo da bomba, com 66 litros por minuto. O controle remoto standard de duas vlvulas, bem protegidas e em fcil posicionamento na parte traseira, junto ao sistema hidru-lico de trs pontos de engate. O sistema

    de frenagem, tambm de acionamento mecnico, composto de discos, imersos em banho de leo.

    Visualizamos algumas caractersticas que devem facilitar a manuteno deste trator, como a posio do filtro de ar, Dual Core, com um pr-filtro dotado de ciclone e aletas direcionadoras da corrente de ar. Tambm so relevantes a posio da caixa de ferramentas e o sis-tema de abertura do cap dianteiro, que expe facilmente o filtro de ar, o motor, o radiador e a bateria.

    Os pneus traseiros standard so os largos 23.1-30 no eixo traseiro e 14.9-24 no eixo dianteiro, porm, h outras especificaes como opcional, para o qual deve ser consultado o fabricante ou o concessionrio, em face da trao

    dianteira auxiliar. No caso do agricultor que visitamos, esta verso original ideal para o tipo de solo arenoso, pois aumenta a rea de contato e auxilia na trao.

    O tanque de combustvel de poli-propileno, colocado na parte inferior da plataforma, com capacidade de 158 litros, o que deve dar uma boa autonomia para quase todas as operaes previstas para este modelo. O peso total do John Deere 6110 D de 3.870kg, podendo chegar a um peso mximo admitido de 5.800kg, com lastragem total, que pode ser feita com dois discos traseiros de 55kg cada e na parte dianteira, alm do suporte, com dez placas de pesos dianteiros de 47kg cada. No caso testado foram trocados o suporte e os pesos por aqueles utilizados pelos tratores montados sobre chassi.

    Embora seja comum o uso de peas de material leve nos dias atuais, este modelo utiliza para-lamas inteirios, de chapa metlica, o que combina com a proposta

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    O posto do operador plataformado, com piso metlico antiderrapante e comandos localizados na lateral

    A transmisso tem embreagem hidrulica, caixa mecnica com nove velocidades frente e trs r

    LoCAL do tEStE E CoNCESSIoNrIo

    O local de nosso teste foi a Fazenda Isabella, do doutor Fernando Aca-jaba, localizada no Laranjal, Municpio de Planalto, em So Paulo, prximo cidade de So Jos do Rio Preto. uma fazenda produtora de leite, com aproximadamente 200 cabeas de gado deste tipo e com todos os trabalhos que esta produo intensiva exige. L, o John Deere 6110 D usado com subsolador, grade tipo Roma e grade niveladora, alm da mquina de semeadura e a colhedora de forragem, objeto do nosso teste. Fomos recebidos pelo senhor Isaas Canovas Martins e pelo seu filho Cleber

    Fabrcio Martins, que nos mostraram todo o seu entusiasmo pelo trator. Pareciam at vendedores do concessionrio, tamanhos os elogios. O Concessionrio John Deere para a regio a Itaet Mquinas, que abrange 110 municpios, dominando uma regio que vai desde Santa Adlia at Santa F do Sul, no mercado desde maro de 2008. As caractersticas regionais so bastante variadas, com produo cana-de-acar principalmente, alm de produo de laran-ja, pecuria, gros em geral e gado de leite, com uma boa projeo para o futuro, com a entrada do cultivo de seringueira.

    de rusticidade, antes mencionada.Em termos de ergonomia e segurana,

    este um trator de posto aberto, dotado de capota de proteo contra sol e chuva, mas que mantm dos projetos tradicio-nais da John Deere uma boa plataforma, com piso metlico antiderrapante, sem tapete de borracha e com fcil acesso por escada bem dimensionada, que pode ser colocada em qualquer dos lados. Concordamos com o usurio de que falta uma proteo na parte dianteira da plataforma, que impea ou diminua a influncia do tubo de escape, que aquece o p direito do operador. A posio lateral do escape aumenta a visibilidade e retira lateralmente a fumaa, neste caso de posto aberto, mas necessrio diminuir

    os efeitos desta posio. No entanto, muito fcil o acesso ao posto de opera-o, dotado de apoios bem colocados e fceis de utilizar. A coluna de direo ajustvel, de acordo com a melhor po-

    O teste foi realizado na Fazenda Isabela, voltada para produo de leite, localizada no Laranjal, municpio de Planalto, em So Paulo, prximo cidade de So Jos do Rio Preto

    sio para o operador, com um sistema telescpico que a coloca mais para dentro e para fora e outra regulagem de posio. A iluminao de trabalho traseira fraca, compondo-se de somente um farol, o que

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    Os pneus traseiros standard so largos, 23.1-30no eixo traseiro e 14.9-24 no eixo dianteiro

    O controle remoto standard de duas vlvulas, bem protegidas e em fcil posicionamento na parte traseira

    O JD 6110 D utilizado no teste tinha apenas 186 horas, e foi utilizado em operao com uma mquina forrageira marca JF modelo 92Z10, na cultura do sorgo forrageiro

    Marca Modelo

    Velocidade nominal do motor (rpm) Nmero de cilindros

    AspiraoPotncia do motor na rotaco nominal cv (kW)

    Potncia na TDP na rotaco nominal do motor cv(kW)

    Tipo Acionamento

    TipoNmero de velocidades

    Tipo Acionamento

    Velocidade (rpm)

    Vazo mxima da bomba hidrulica - L/min Presso mxima de trabalho - bar

    Categoria do levante hidrulicoCapacidade de levante a 610 mm do engate - kgf

    Nmero de VCRs

    Traseiros Dianteiros

    Tanque de combustvel (L)

    Tenso - V Alternador - A

    Comprimento total com pesos dianteiros e levante hidrulico (mm) Distncia entre eixos (mm)

    Peso embarque (Kg) Peso mximo lastreado(Kg)

    Altura (mm)

    John Deere PowerTech

    4045T 2100

    4 Turbo

    107 (79) 90 (67)

    mida Hidrulico

    Parcialmente sincronizada 9 x 3

    Independente Mecnico

    540 + 1000

    66 190 II

    3150 2

    23.1-30 R1 ou R2 14.9-24 R1 ou R2

    158

    12 70

    4216 2350 3870 5.800 2692

    Motor

    Embreagem

    Transmisso

    Tomada de potncia

    Sistema hidrulico

    Rodados

    Capacidades

    Sistema eltrico

    Pesos e dimenses

    poderia ser melhorado. Embora seja um trator proveniente do

    exterior verificamos que atende integral-mente a Norma Regulamentadora 31 do Ministrio do Trabalho e Emprego, o que altamente positivo, inclusive pelo arco de proteo de dois pontos certificado pelo fabricante.

    TESTEPara o teste de campo, utilizamos o

    trator 6110 D da fazenda, com apenas

    186 horas, em pleno perodo de amacia-mento, para um trabalho com uma m-quina forrageira marca JF modelo 92Z10, na cultura do sorgo forrageiro. Para esta operao havia sido adaptado no trator um banco colocado na parte traseira do posto do operador, para o controle de di-reo do fluxo da forragem em direo ao reboque. Esta posio obrigou a retirada do tringulo de segurana, original da mquina, e fez com que o cuidado com a segurana aumentasse, pois logo abai-

    xo desta posio est colocada a rvore cardnica de acionamento da mquina, que deve ser protegida. Esta operao era feita a uma rotao de 2.100rpm, com velocidade de deslocamento de 4,5km/h em primeira marcha do grupo B. Nota-mos que mesmo com uma grande massa de sorgo a ser cortada e deslocada para o reboque, no havia maiores dificuldades em manter a rotao de trabalho. Fize-mos um trajeto de ida e volta com ma-nobras de cabeceiras que demonstravam

  • bastante facilidade ao operador. Enfim, confirmamos as qualidades do usurio de que para este tipo de trabalho o trator supera as expectativas. Esperamos que os produtores rurais que desejem um trator com este tipo de especificao possam sentir-se satisfeitos como os usurios que nos apoiaram no teste.

    Maro 2011 www.revistacultivar.com.br 23

    Fotos Charles Echer

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    Este modelo utiliza para-lamas inteirios, de chapa metlica, com traos mais conservadores

    opINIo do uSurIo

    O senhor Isaas e o filho Cleber, operadores do trator testado, ressaltaram como maiores qualidades do John Deere 6110 D a simplicidade e a rusticidade. Elogiaram o cmbio mec-nico, de fcil engate, a maior bitola, que favorece a estabilidade lateral, dando, segundo eles, mais firmeza ao trator nas operaes pesadas. Mencionaram tambm a economia de combustvel em relao aos outros modelos existentes na fazenda. Sobre a reserva de torque disseram que notaram que este modelo mantm mais a rotao que os outros, com a mesma carga de trabalho. Em termos operacio-nais ressaltaram a manobrabilidade do trator, que foi considerada excelente. Em termos de conforto, elogiaram o bom posto de condutor, os comandos, a posio regulvel do volante e o piso antiderrapante da plataforma e fizeram a nica crtica, que a falta de uma proteo do p direito, que esquenta demais, pela

    proximidade do tubo de escape. Tambm nos deslocamos at uma fazenda vizinha, para observar e tomar informaes com o senhor Upaiolo, administrador da fazenda Blaido Ltda, tambm usurio de um trator do mesmo modelo. No pudemos realizar mais testes, em funo da ocorrncia de chuva, porm, nos disse o administrador que utiliza normalmente o trator com uma grade niveladora marca Tatu de 36 discos, alm de um subsolador de cinco hastes e que seus controles indicam que este trator muito econmico e que no caso da grade, o consumo horrio de nove litros por hora. Ressaltou sua deciso de optar por pneus largos para a tarefa de compactar silo e que est bastante satisfeito. Como vantagem para esta operao mencionou o fato de que a r sincronizada e est alinhada com a terceira marcha frente, o que faz com que, no caso desta operao, o trator comporte-se como se tivesse um inversor.

    O modelo tem acesso ao posto de comando pelas late-rais, sendo possvel montar a escada em ambos os lados

    Detalhes do eixo dianteiro que equipa o modelo 6110 D e das trs bombashidrulicas responsveis pela direo e pelo sistema hidrulico do trator

    Jos Fernando Schlosser,Nema - UFSM

  • fICHA tCNICA

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    T8075-4 SBLanado recentemente, o trator Tramontini T8075-4

    Srie Brasil o maior fabricado pela empresa, com 80cv de potncia, e se destina a pequenos e mdios produtores

    O terceiro ponto tem engate categoria II, capacidade de levante na rtula de 2.500kgf com controle de ondulao

    A Tramontini lanou em feverei-ro o trator T8075-4 Srie Bra-sil, com 80cv de potncia, com o objetivo de atender, principalmente, produo de gros da agricultura fami-liar em propriedades de at 50 hectares. Ele dever chegar s mos do produtor com preo similar ao do modelo de 75cv comercializado pelo programa Mais Alimentos, do Ministrio do Desenvol-vimento Agrrio (MDA), que custa R$ 75,8 mil no Rio Grande do Sul.

    Este modelo de trator tem 4,22 me-tros de comprimento, 2,64 metros de al-tura do cho at o toldo e distncia entre eixos de 2,22 metros, rodagem dianteira de 12.4 - 24 R1 e rodagem traseira de 18.4 30 R1 e seu peso total com lastro de 3.820kg.

    Na sua configurao tambm destaca-se o motor diesel de alta tecnologia, com quatro cilindros, de baixo consumo de

    combustvel, oferecendo baixa rotao de trabalho, curvas de potncia e torque acima da mdia e baixo nvel de rudo. A transmisso tem comandos de cmbio com 24 marchas frente e oito r, com sistema de super-reduzida. O teto traz sistema de direcionamento da gua da chuva.

    MOTORO motor que equipa o T8075-4 SB o

    modelo TR480, vertical, a diesel, quatro cilindros, quatro tempos com 4.400 cilin-dradas e potncia de 80cv a 2.300rpm. O sistema de injeo utiliza bomba injetora em linha, possui calibragem compatvel com padro Tramontini, que procura propiciar melhor rendimento e menor consumo de combustvel. O tanque de combustvel tem capacidade de 85 litros, o filtro de combustvel blindado com elemento filtrante de papel e o filtro de ar tipo seco com decantador das impu-rezas maiores.

    A bomba de leo do sistema de lu-brificao do tipo rotor. O crter tem capacidade para 15 litros de leo com especificaes 15W40, a uma presso de 4kg/cm2, dotado de filtro de leo blin-dado, com elemento filtrante de papel. O sistema de arrefecimento feito com gua, atravs de radia-dor com capacidade para 15 litros, com circulao de gua forada por bomba centrfuga.

    SISTEMA HIDRULICOO T8075-4 SB apresenta um sistema

    hidrulico com bomba de alta vazo com capacidade de 45L/min a 2.400rpm, montada na caixa de engrenagens, na parte frontal do motor. Esta bomba ali-menta o sistema de controle remoto e o levante nos trs pontos, proporcionando um melhor desempenho na elevao dos braos, facilitando o trabalho com os im-plementos. Ainda compem o conjunto filtro blindado de elemento filtrante de metal, sistema de filtro lavvel e vlvula de controle provida com sistema de con-trole de velocidade de descida, parada e segurana.

    O reservatrio do sistema hi-drulico possui capacidade

    de 15 litros para leo ISO 68, tornando-se um sistema

    totalmente separado. J o eixo dianteiro utiliza sete litros de leo do tipo SAE 90. A direo

    A tomada de fora (TDP) tem acionamento independente, com embreagem dupla, e rotao de 540 ou 1.000rpm

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    Fotos Tramontini

    do tipo hidrosttica, composta por uma bomba hidrulica exclusiva com controle de vazo, acoplada na caixa de engrena-gens do motor.

    SISTEMA DE LEVANTE 3 PONTOO terceiro ponto tem engate categoria

    II, com capacidade de levante na rtula de 2.500kgf com controle de ondulao. A presso do sistema de 190kgf/cm2 e a abertura da vlvula de segurana ocorre ao atingir 200kgf/cm2. A tomada de fora (TDP) tem acionamento independente, com embreagem dupla e rotao de 540 ou 1.000rpm (a 2.050rpm do motor) e potncia de 63cv.

    TRANSMISSOO trator possui, em sua caixa de

    transmisso, 24 marchas frente e oito r, com engrenagens deslizantes e sistema de super-reduo de velocidades que, quando acionado, diminui a rotao na caixa de marchas, proporcionando, assim, menor velocidade de deslocamento, com muito mais torque, gerando velocidades a partir de 0,45km/h com o motor na rota-o de trabalho da TDP. Isso possibilita ao operador maior nmero de marchas para a realizao do trabalho, evitando a utilizao excessiva da embreagem e do freio, atendendo s operaes especficas, possibilitando a escolha da marcha mais adequada para cada tipo de trabalho.

    O sistema de transmisso traseiro produzido com diferencial formado por conjunto de coroa, pinho, duas planet-rias e duas satlites com sistema de blo-queio mecnico por pedal para utilizao quando uma das rodas patinar, acionando

    O motor que equipa o T8075-4 SB vertical, a diesel, com quatro cilindros, quatro tempos com 4.400 cilindradas e potncia de 80cv a 2.300rpm

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    Fotos Tramontini

    o pedal do bloqueio posicionado no asso-alho do posto operacional. Isso faz com que a fora seja transmitida igualmente para as rodas traseiras.

    A transmisso final epicclica, com lubrificao nica para todo o sistema. A embreagem seca, independente, de duplo estgio. J a trao dianteira (TDA) tem acionamento mecnico, feito atravs de alavanca localizada no posto de operao e esteramento atravs de cruzetas. A transmisso do eixo traseiro para o dianteiro feita atravs do eixo card central.

    FREIOSO sistema de freios atua com aciona-

    mento mecnico atravs de pedais inde-

    Detalhe dos contrapesos utilizados para lastragem do rodado traseiro

    O posto operacional possui acesso com degrau antideslizante, plataformado e possui tapete emborrachado, e as alavancas de cmbio esto posicionadas nas laterais do banco do operador

    pendentes e/ou interligados, com sistema de discos banhados a leo e dimetro externo de 165mm. O trator tambm

    conta com freio de estacionamento, com acionamento manual e sistema mecnico por pedal.

    SISTEMA ELTRICOO sistema eltrico que equipa o

    T8075-4 SB composto por motor de partida eltrica de 12v/2,6kw, alternador de 90A, bateria de 12v, com 80A. O sis-tema de iluminao do trator tem faris dianteiros de 40/45W, farol de trabalho traseiro de 21W, lanternas indicativas (pisca) e lanternas de freio.

    POSTO OPERACIONALA ergonomia e a praticidade de aces-

    so aos comandos do trator T8075-4 SB da Tramontini so um diferencial desta categoria. A plataforma de trabalho proporciona conforto ao operador, pois tem regulagem que permite a adequa-o do banco s caractersticas fsicas de cada operador, permitindo suportar jornadas longas de trabalho. O degrau antideslizante facilita o acesso ao posto de operao, que plataformado e possui tapete emborrachado antideslizante, que serve tambm para evitar que o operador fique exposto ao calor da mquina. As alavancas de cmbio esto posicionadas

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    O trator possui equipamento de proteo contra capotamento, de acordocom a NR31, e o teto possui sistema de direcionamento da gua da chuva

    nas laterais para facilitar e agilizar a troca de marchas pelo operador. Os pedais so de acionamento leve, o painel de instru-mentos simples, de fcil visualizao, e o campo de viso amplo, facilitando as operaes e as manobras. O cap basculante, o que facilita o acesso aos componentes internos e as manutenes peridicas.

    Este modelo possui direo hidros-ttica e painel de instrumentos simples, composto de diversos comandos, entre

    eles, tacmetro e hormetro, indicador de combustvel, temperatura do sistema de arrefecimento e um instrumento conjugado com cinco funes, luz alta, presso do leo do motor, luz indicativa (pisca), carga da bateria e freio. Tambm composto por luzes de advertncia, com o freio de estacionamento acionado, bate-ria, luz alta e piscas. No painel tambm esto situados o acelerador manual e a buzina. A caixa de ferramentas situada no assoalho um item de srie, utilizada no uso dirio em operaes.

    O pedal de embreagem tem dois est-gios. No primeiro estgio, ele interrompe

    a transmisso do motor com a caixa de marchas, parando o movimento do trator. No segundo estgio, interrompe a transmisso para o movimento do implemento.

    DESIGNO cap do trator foi projetado com

    traos modernos e linhas harmoniosas. Oferece sistema basculante de abertura, facilitando o acesso aos componentes do motor e proporcionando um maior conforto operacional. Os contrapesos dianteiros e traseiros seguem as linhas modernas do trator, acompanhadas pelos para-lamas e teto, garantindo uma me-lhor estabilidade da mquina e adequao a diferentes aplicaes.

    TETO INTELIGENTEO trator possui equipamento de pro-

    teo contra capotamento, de acordo com norma do Ministrio do Trabalho e Empre-go (NR31). Alm de garantir proteo ao operador, o teto foi projetado com design arrojado, dispondo de sistema de direcio-namento da gua da chuva.

    O T8075-4 SB tem design arrojado, com curvas modernas no cap, nos para-lamas e no teto

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    A transmisso tem 24 marchas frente e oito r, com sistema de super-reduzida

  • IrrIgAo

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    Nutrir irrigando

    Define-se fertirrigao como sendo a aplicao simultnea de gua e fertilizantes via irri-gao. Esta tcnica est inserida dentro da quimigao, que definida como a tec-nologia de aplicao de produtos qumicos via gua de irrigao. Esta tcnica visa o racionamento do uso de fertilizantes na agricultura irrigada, de forma a aumentar sua eficincia direta, operacionalidade dos procedimentos de aplicao e flexibilizao. O particionamento das quantidades de nutrientes a serem resposta durante o ciclo de cultivo da planta permite uma oferta de nutrientes coincidente com a marcha de absoro da cultura, contribuindo para o melhor aproveitamento destes pelas plantas, acarretando reduo de custos de aplicao e consumo de fertilizantes.

    Os entraves do uso da tcnica da fertir-rigao se concentram principalmente nos pilares: entupimento de emissores e desgaste prematuro dos equipamentos de irrigao, por corroso e/ou abraso; e tambm pelo potencial salinizador do solo e da gua de irrigao.

    O primeiro ponto est principalmente relacionado com a qualidade de gua de irri-gao, uma vez que o entupimento de emis-

    sores somente o efeito de um antagonismo na combinao entre os nutrientes presentes no produto a ser aplicado e/ou destes com as caractersticas qumicas da gua de irrigao utilizada. Por isso primordial conhecer as caractersticas da gua de irrigao, princi-palmente a que ser utilizada em sistemas de aplicao localizada, com emissores de menor dimetro de sada.

    Os cuidados com os sedimentos ge-ralmente concentram-se na reteno de partculas slidas em suspenso, como areia, silte e argila, materiais orgnicos e pedras, geralmente com sucesso alcanado via adoo de sistemas de filtragem da gua de

    irrigao, por meio pr-filtros (gradeamen-to), filtros de areia (partculas orgnicas grosseiras), discos/telas (partculas me-nores), hidrociclone (sedimentos abrasivos), dentre outros.

    Estes dispositivos devem ser dimen-sionados e especificados em funo das caractersticas da calda a ser aplicada. Em se tratando dos precipitados, o enfoque princi-pal deve ser dado incompatibilidade entre os nutrientes a serem aplicados e destes com a gua de irrigao. Alguns elementos, como, por exemplo, o clcio, em contato com fontes sulfatadas na presena de gua com pH de neutro a alcalino, caracterizada pela alta concentrao de clcio e magnsio e bicarbonatos, formam os precipitados de carbonato de clcio e magnsio. A forma-o destes precipitados ocorre tambm em condies de pH cido, conforme observado no contato do cido fosfrico com a gua de irrigao contendo grandes concentraes de clcio e nitrato de clcio, formando o fosfato de clcio, potencialmente entupidor do sistema de irrigao.

    O desgaste dos equipamentos fato, desde que estes no contenham em sua constituio elementos resistentes s ca-ractersticas da calda (gua + fertilizantes)

    Detalhaes de um conjunto de filtragem utilizado em sistemas de irrigao localizada

    Nutrir irrigando

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    A tcnica da fertirrigao bastante eficiente quando bem projetada e com manuteno adequada. O fato de possibilitar depositar a

    quantidade de gua e de nutrientes no lugar e no momento certos faz com que esta tecnologia seja cada vez mais procurada pelos produtores

    A tcnica da fertirrigao bastante eficiente quando bem projetada e com manuteno adequada. O fato de possibilitar depositar a

    quantidade de gua e de nutrientes no lugar e no momento certos faz com que esta tecnologia seja cada vez mais procurada pelos produtores

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    a ser aplicada. Normalmente os sistemas de irrigao j so confeccionados priori-tariamente com peas plsticas, resistentes corroso, at mesmo as peas metlicas recebem o devido tratamento anticorrosivo. A grande preocupao est na condio abrasiva, ou seja, na existncia de part-culas slidas, na calda, que, pela ao do atrito com os materiais que constituem o equipamento, causam o desgaste prematuro destes. Para amenizar o desgaste, deve-se, alm da verificao da qualidade da gua de irrigao, observar a fonte do fertilizante, seu poder corrosivo frente ao metal, bem como a adoo de sistemas de separao de slidos e/ou filtragem da calda, antes de sua entrada no equipamento.

    Uma opo atrativa a adoo de um equipamento especfico que, acoplado ao de irrigao, permite a aplicao do ferti-lizante, sem qualquer contato deste com a gua de irrigao. Este equipamento muito utilizado em piv central que serve apenas como suporte do equipamento de aplicao, com independncia total entre os dois. Esta opo permite operacionalizar o processo, evitando o desgaste do sistema, quando este no est preparado para o uso contnuo (contato) de fertilizantes.

    Outro ponto importante na utilizao da fertirrigao trata da adoo dos proce-dimentos adequados e sequenciais como a calibrao do injetor a ser utilizado, a diluio dos produtos e a aplicao da so-luo (calda).

    A calibrao do injetor funo do tipo de equipamento e/ou da forma de injeo. Normalmente a diluio feita em um reservatrio separado e o preparo consta da adio dos produtos, baseados em sua com-patibilidade e solubilidade, com posterior agitao. Esta agitao fundamental, pois afeta a quantidade dissolvida de nutrientes na calda. Pode-se realizar a agitao ma-nual, com uma p de madeira, em movi-mentos circulares ou agitadores eltricos,

    fruto de adaptaes de motores de induo (1.750rpm) acionando uma p metlica (ao inox 316) fixa em seu eixo de rotao.

    No regra, mas adota-se a sequncia de diluio dos fertilizantes potssicos, seguidos pelos nitrogenados, terminando o processo com os cidos, que inclusive auxi-liam na limpeza da rede de tubos e emissores do sistema de irrigao.

    Do reservatrio de diluio a calda segue para um segundo reservatrio onde est aco-plado o sistema de injeo de fertilizantes. Este reservatrio tem a funo de estabilizar a vazo de calda, evitando a entrada de ar, gerado pelo agitador, dentro do sistema de irrigao. No ltimo passo do processo, realizada a aplicao, que somente deve ser iniciada aps o funcionamento do sistema de irrigao. Isto se faz necessrio para que todo o sistema hidrulico seja equilibrado, melhorando a performance da fertirriga-o.

    No existe um tempo predefinido ideal que anteceda a injeo, sendo recomenda-do um quarto do tempo total de irrigao ou at que o sistema esteja funcionando

    fErtIrrIgAo No BrASIL

    No Brasil, o uso da fertirrigao teve incio na dcada de 70, com o uso da fertilizao de canaviais com subpro-dutos da cana-de-acar, vinhaa e gua residuria, ganhando expansividade nos anos 90, com o advento do uso da irrigao localizada, via gotejamento, principalmente nas culturas perenes, como caf e fruteiras, e a adoo de cultivos em ambiente prote-gido. Embora no pas as pesquisas voltadas fertirrigao tenham se intensificado, principalmente em regies ridas e semi-ridas, a popularizao da mesma entre os produtores ainda discreta.

    A quantidade de gua que depositada por cada injetor pode ser programada

    em condies normais de pressurizao e vazo. Posteriormente faz-se a injeo da calda diretamente no sistema de irrigao. O tempo de aplicao ir depender da taxa de injeo (volume/tempo) do equipamento utilizado. No final do processo, o sistema de injeo deve ser desligado e a irrigao deve continuar funcionando at o tempo final de sua operao normal, tomando-se o cuidado para que esse tempo seja suficiente para drenar toda soluo nutritiva contida no sistema. Com isto h simultaneamente a limpeza do sistema, evitando a obstruo de emissores e tubos, e o carreamento dos fertilizantes aplicados para as camadas mais profundas do solo.

    A quantidade de fertilizantes a ser apli-cada deve ser definida e aplicada em funo da curva caracterstica de desenvolvimento de cada cultura, respeitando suas respectivas fases fenolgicas. Devendo-se atentar para o fato que com o aumento da eficincia da adubao via fertirrigao, em alguns casos, a quantidade de nutrientes a ser aplicado pode ser menor que a quantidade recomen-dada em aplicao convencional.

    Agitador eltrico de p metlica, importante para manter a uniformidade do lquido a ser aplicado

    Luiz Fabiano Palaretti,UnioesteGlauber Jos de Castro Gava,APTA-Polo Centro-Oeste/SAAMarconi Batista Teixeira, Kleber Aloisio Quintana eNelmicio Furtado da Silva,IFGoiano Campus Rio Verde

    Mtodo de controle de injeo de fertilizantes no sistema de irrigao

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    Opes para fertirrigar

    Diversos sistemas de bombeamento e distribuio de produto so encontrados no mercado. Para cada tipo de aplicao, h um modelo mais adequado e

    que atende as necessidades especficas

    Existem diversos sistemas de dis-tribuidores e modelos de bombas utilizadas na fertirrigao. Cada aplicao exige um tipo diferente de bomba e sistema de distribuio.

    INJEO POR BOMBAS CENTRFUGASA injeo da calda feita por intermdio

    de um conjunto motobomba (centrfuga)

    acoplado ao tanque de distribuio.Podem ser utilizadas motobombas con-

    vencionais, geralmente de 1/4 a 1,5cv, a um custo estimado de R$ 300,00 a R$ 500,00, com inconveniente de reduo da vida til, devido forte corroso do equipamento pela calda aplicada. Uma opo o uso de conjun-tos com componentes internos (rotor) em ao inox, com custo estimado de R$ 1.000,00 ou

    todo o conjunto neste mesmo material, a um custo de R$ 1.500,00 a R$ 2.000,00.

    Com montagem relativamente simples e grande operacionalidade, permite a aplica-o de grandes volumes de calda em menor tempo (100 a 2.000L/h), necessitando para tanto de um projeto e de calibraes no momento da aplicao, que definiro a taxa de injeo.

    Uma observao importante a de que a presso efetiva do conjunto de injeo seja aqum da praticada na tubulao do sistema de irrigao, evitando o refluxo de gua para o interior do conjunto.

    INJEO POR BOMBAS PISTO(DESLOCAMENTO POSITIVO)No sistema com bombas pisto (deslo-

    camento positivo) a injeo da calda feita na rede de tubos do sistema de irrigao via uma bomba, cujo pisto (mbolo) desloca-se ao longo de um cilindro. As condies de suco e injeo da calda so alcanadas pelo movimento de vai-e-vem intermitente de um pisto, deslocando dentro do cilindro. Injeta-se um volume de calda a cada golpe do pisto, caracterizando uma taxa de injeo

    Exemplo de sistemas com injeo dos fertilizantes atravs da bomba de pisto, que utilizao movimento dos pistes para sugar e injetar o fertilizante no sistema de irrigao

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    inversamente proporcional e varivel em funo do nmero de golpes do pisto por unidade do tempo. Este sistema de admis-so e descarga semelhante ao ocorrido nos motores de combusto.

    O custo do conjunto varia em mdia de R$ 3.000,00 a R$ 7.000,00, para taxas de injeo de 30 a 3.000L/h.

    As principais vantagens desse equi-pamento so alta presso, adaptando-se perfeitamente aos diversos sistemas de irrigao, permitindo independncia motriz total da adutora, acionamento eltrico, por motores de baixa potncia, possibilidade de automao, o que lhe confere grande preciso. Alm da portabilidade oferecida pela pequena dimenso do conjunto de injeo, que pode ser facilmente acoplado a tanques para aplicao setorial no sistema de irrigao.

    Sua principal limitao est na pulsao do fluxo, na limitao de trabalho, reduzida velocidade e maior necessidade de manu-teno.

    INJEO POR BOMBAS DOSADORAS DE DIAFRAGMAAs bombas dosadoras com diafragma

    so equipamentos cujo controle da taxa de aplicao feito por intermdio de uma membrana de borracha (diafragmas), com caractersticas de altssima preciso de dosagens, com vazes superiores aos de-mais tipos encontrados para tal finalidade. Permitem um melhor controle da taxa de injeo, tanto manual (micrmetro gradu-ado) quanto automtico, atravs de pulsos eltricos ou pneumticos para acionamento por atuador.

    Os injetores podem ser montados isola-damente ou em paralelo, sendo acionados por um nico mdulo (motor), alcanando vazes da ordem de 25 a 1.100L/h/mdulo, com presso de descarga de 80bar.

    INJEO POR SISTEMAHIDRULICO SIMPLIFICADOO princpio de funcionamento deste

    tipo de sistema semelhante aos descritos acima, porm, o que faz o controle de des-locamento do diafragma ou pisto o fluxo da gua oriunda do sistema de irrigao. Esta gua em contato com o diafragma no interior do injetor cria uma condio de presso negativa que promove a suco da calda de fertilizantes do reservatrio de aplicao.

    A principal vantagem deste tipo de injetor em relao aos demais de no ne-cessitar de fonte externa de energia para seu funcionamento. Em contrapartida tem sua eficincia altamente dependente da vazo e presso da linha de irrigao, requerendo um mnimo para sua operao.

    Dentre estes se destacam os injetores portteis, popularmente conhecidos como porquinho, com mecanismo de atuao por diafragma, vazes variando de 20 a 1.500L/h, e um custo mdio de R$ 2.000,00 (100L/h) a R$ 4.000,00 (250L/h), com o inconveniente de requerimento de cons-tantes manutenes e o descarte de gua pelo equipamento durante o processo de injeo da calda.

    INJEO POR SISTEMA DEMOTOR HIDRULICO INTERNOEste tipo de injetor tem a particularidade

    de permitir o acionamento do pisto via um motor hidrulico interno. Tem-se a vantagem do menor custo (R$ 800 a R$ 2.700,00), menor necessidade de manuteno, permi-tindo uma maior uniformidade de mistura e taxa de injeo da calda de fertilizantes, alm da possibilidade de evitar o contato da calda com os componentes internos do inje-tor, atravs de um mecanismo de derivao externa existente.

    Estes geralmente so instalados em uma tubulao paralela de irrigao (by pass) ou em sistemas portteis que permitem o deslocamento e a fixao em diversos pontos de injeo. Basicamente, regula-se o fluxo de gua dentro do injetor via registros na entrada e sada do mesmo, estando esta diretamente relacionada com a vazo de suco do equi-pamento (0,06L/h at 1.400L/h). A perda de carga oferecida por um equipamento desses pode variar de 2 a 15mca, em funo da vazo de passagem de gua e das dimenses tcnicas do injetor.

    Devido a um sistema opcional eltrico de comunicao de dados, alguns modelos podem ser acionados via controladores comerciais de irrigao, permitindo assim uma total automao do sistema de injeo de fertilizantes, inclusive com memorial de dados de todo processo de aplicao.

    INJEO POR SISTEMAHIDRULICO VENTURINeste tipo de injetor, o fluxo de gua

    que atravessa o interior do equipamento gera, num ponto de estrangulamento da

    Injeo de fertilizantes, feita a partir de bombas dosa-doras de diafragma, que possibilita grande preciso

    A injeo por sistema hidrulico simplificado tem uso semelhante ao das bombas dosadoras de diafragma

    Sistemas de injeo com motor hidrulico interno possuem um custo reduzido

    O sistema tipo Venturi indicado para pequenas aplicaes, por perder a presso facilmente

    Andr T. Fernandes Marcelo Bastos

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    Os injetores multicanais renem os mecanismos mais modernos de injeo, no que tange preciso e eficincia de distribuio. Eles permitem que sejam feitas injees isoladas ou simultneas de diversas fontes de nutrientes previamente separados

    seo transversal do mesmo, um diferencial de presso, que simultaneamente suga a calda de fertilizantes e a injeta na tubulao de irrigao.

    Embora apresente baixo custo, R$ 120,00 (modelo de 3/4) a R$ 600,00 (mo-delo de 2) e simplicidade de uso, provoca elevada perda de carga na tubulao (1/3), baixa preciso (necessidade de calibrao local), sendo mais indicado para pequenos sistemas de injeo.

    INJETORES MULTICANAISNeste tipo de equipamento esto con-

    densados os mecanismos mais modernos de injeo, no que tange preciso e eficin-cia. O equipamento operado por um con-trolador responsvel por calibrao, dosagem e injeo. Permite que sejam feitas injees isoladas ou simultneas de diversas fontes de nutrientes previamente separados.

    INJEO POR TANQUE DE ALTA PRESSOUm tanque de alta presso instalado

    em by pass com a tubulao do sistema de irrigao, onde ser depositada a soluo nutritiva. A aplicao da soluo consiste em permitir a passagem da gua da irrigao pelo tanque. O controle da taxa de injeo regulado com o uso de registros localizados na entrada e na sada do tanque como de um terceiro registro localizado na tubulao da irrigao. Esse mtodo pode ser interessante

    para sistemas de pequeno porte, para irriga-o de reas maiores, e tem o inconveniente de necessitar tanque de grandes propores, que pode inviabiliz-lo economicamente.

    INJEO POR PRESSO NEGATIVAEsse mtodo consiste em realizar uma

    suco paralela suco da gua, de forma que o conjunto motobomba possa sugar concomitantemente a gua e a soluo nutritiva depositada em recipiente prximo ao conjunto. O acionamento da suco e o controle da taxa de injeo normalmente so realizados com o auxlio de registros. o mtodo mais simples e de menor custo para implantao, porm, com o inconve-niente de permitir que a soluo nutritiva passe pela bomba podendo ocasionar pro-blemas com desgastes e corroso conforme comentado.

    AUTOMAO DO SISTEMA DEINJEO DE FERTILIZANTESTem como principal finalidade aumentar

    o controle sobre a dosagem, a eficincia e a segurana do processo de aplicao. Toda esta melhoria no processo de injeo se reverte em menor custo para realizao dos procedimen-tos, uma vez que a necessidade de mo de obra reduzida, embora se exija uma qualificao melhor desta; possibilidade de realizao da fertirrigao em perodo noturno; maior frequ-ncia de realizao dos processos num mesmo perodo e uma maior proporcionalidade entre os produtos aplicados.

    Sistema de injeo por tanque de presso indicado para aplicaes em reas menores

    O processo de automao da fertirrigao divide-se em duas vias: circuito aberto e circuito fechado. No circuito aberto d-se incio ao processo de fertirrigao, via co-mando programado no controlador digital, bomba dosadora (injetor) que promove a suco do reservatrio de calda injetando-a no sistema de irrigao diretamente. O circuito fechado diferencia-se pela intro-duo de sensores, normalmente sensveis a variaes da condutividade eltrica da calda, que fazem um feedback com o controlador, aps medio das caractersticas da calda, dentro da rede do equipamento de injeo. Esse retorno na resposta do sensor para o controlador possibilita ao mesmo atuar junto a um inversor de frequncia, alterando as caractersticas operacionais do equipamento de injeo atravs da atuao direta no motor de acionamento do mesmo (rotao). Esta modalidade permite constantes e minuciosas recalibraes das quantidades sugadas de fertilizantes, equilibrando todo o sistema, aumentando assim a eficincia de injeo dos produtos e por consequncia a qualidade final do processo de fertirrigao.

    Luiz Fabiano, Glauber Gava, Marconi Batista, Kleber Quintana e Nelmicio Furtado mostram como funcionam os sistemas de injeo de fertilizantes e quais so os equipamentos oferecidos no mercado para esta aplicao

    Luiz Fabiano Palaretti,UnioesteGlauber Jos de Castro Gava,APTA-Plo Centro-Oeste/SAAMarconi Batista Teixeira, Kleber Aloisio Quintana eNelmicio Furtado da Silva,IFGoiano Campus Rio Verde

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  • CoLHEdorAS

    Direo certaEstudo avalia o uso de piloto automtico nos

    sistemas de preparo de solo e plantio e de colheita da cana-de-acar e traa um comparativo com o

    sistema manual de direcionamento

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    Tcnicas de agricultura de preciso esto sendo aplicadas para uma diminuio do custo de produo do etanol devido ao menor uso de insumos agrcolas, contribuindo para melhorar o ba-lano energtico em sua produo a partir da cana-de-acar. Para uma escolha adequada de um sistema de direcionamento via satlite para cada operao agrcola ou que atenda a todas as condies operacionais ou, ainda, necessidades na cultura da cana, so neces-srios alguns conhecimentos relacionados s diferentes opes de GPS, tipos de correo ou sistemas de orientao.

    muito comum chamar qualquer siste-ma de posicionamento de GPS, mas existem diversos tipos deles, normalmente classifica-dos por sua acurcia na localizao ou no po-sicionamento. O mais comum, e mais barato, o GPS de navegao, normalmente sem correo alguma e que proporciona acurcia entre 5m e 10m. Esta acurcia suficiente para algumas aplicaes agrcolas, como no mapeamento da fertilidade do solo ou no mapeamento da produtividade utilizando instrumentao na colhedora de cana. Claro que dependendo da acurcia desejada para

    uma determinada aplicao na agricultura necessria uma ou outra tecnologia de corre-o dos erros do GPS. No segmento cana est se tornando comum o uso da correo por RTK (Real Time Kinematic), que atualmente a que fornece a maior acurcia no posiciona-mento em tempo real, para o direcionamento via satlite por piloto automtico. Por este sistema de correo, a base recebe os sinais dos satlites GPS, compara com a posio em que a mesma est estacionada e envia por sinais de rdio a informao de correo para o GPS que est no veculo em operao (trator ou colhedora).

    O setor canavieiro est investindo cada vez mais nesta tecnologia de sistemas de direcionamento via satlite. Estes inves-timentos no esto ocorrendo ao acaso, mas, sim devido percepo de que uma tecnologia que traz frutos, sendo a reduo de custo a mais visada, contudo, ainda no comprovada em sua plenitude, ou seja, pela composio de todas as redues de custos diretos e indiretos.

    Foi desenvolvido um trabalho de campo para contrastar a acurcia, as eficincias operacionais, os nveis de impurezas mineral e vegetal e as perdas na operao de colheita mecanizada de cana-de-acar, utilizado um piloto automtico versus um sistema manual de direcionamento.

    O trabalho comparativo na colheita da cana foi desenvolvido na regio de So Jos

    do Rio Preto (SP). O talho utilizado para o ensaio estava cultivado com cana de primeiro corte, com produtividade mdia de 120t/ha, que foi plantado seguindo os terraos em curva utilizand