Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ... · Herbert Cavalcante de Lima Mariza...

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Boletim de Pesquisae Desenvolvimento

Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento 05

ISSN 1677-2229Dezembro/2004

Crescimento de fungos na superfcie de madeira decaixas do tipo K usadas para hortalias

BibliotecaCarimbo

Repblica Federativa do BrasilLuiz Incio Lula da Silva

Presidente

Ministrio da Agricultura, Pecuria e AbastecimentoRoberto Rodrigues

Ministro

Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuriaConselho de Administrao

Jos Amauri Dimrzio

Presidente

Clayton Campanhola

Vice-Presidente

Alexandre Kalil Pires

Dietrich Gerhard Quast

Srgio Fausto

Urbano Campos Riberal

Membros

Diretoria-Executiva da EmbrapaClayton Campanhola

Diretor-Presidente

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Herbert Cavalcante de Lima

Mariza Marilena T. Luz Barbosa

Diretores-Executivos

Embrapa HortaliasJos Amauri Buso

Chefe-Geral

Waldir Aparecido Marouelli

Chefe Adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento

Gilmar Paulo Henz

Chefe Ajunto de Comunicao, Negcios e Apoio

Osmar Alves Carrijo

Chefe Adjunto de Administrao

ISSN 1677-2299Dezembro, 2004

Empresa Brasileira de Pesquisa agropecuriaEmbrapa HortaliasMinistrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento

Boletim de Pesquisae Desenvolvimento 05

Crescimento de fungos na superfciede madeira de caixas do tipo Kusadas para hortalias

Gilmar Paulo HenzEngenheiro Agrnomo, PhD, Fitopatologia

Embrapa Hortalias, C. Postal 218, 70359-970Braslia-DF

Flvio Barcelos CardosoEngenheiro Agrnomo, estagirio

Embrapa Hortalias, C. Postal 218, 70359-970Braslia-DF

Adonai Gimenez CalboEngenheiro Agrnomo, PhD, Fisiologia Vegetal

Embrapa Hortalias, C. Postal 218, 70359-970Braslia-DF

Braslia-DF2004

Exemplares desta publicao podem ser adquiridos na:

Embrapa HortaliasBR 060 Rodovia Brasilia-Anpolis km 9Telefone (61)385-9009

Comit de Publicaes da Embrapa Hortalias:

Presidente: Gilmar P. HenzSecretria-Executiva: Sulamita T. BrazEditor Tcnico: Paulo Eduardo de MeloMembros: Nuno Rodrigo Madeira

Miram Josefina BaptistaAlice Maria Quezado Duval

Supervisor editorial:Normalizao bibliogrfica: Rosane Mendes ParmagnaniFotos da capa e do texto: Carlos Alberto LopesEditorao eletrnica: Jos Miguel Santos

1a edio1a impresso (2004): 250 exemplares

Todos os direitos reservados.

A reproduo no-autorizada desta publicao, no todo ou em parte,constitui violao dos direitos autorais (Lei no 9.610).

Henz, Gilmar PauloCrescimento de fungos na superfcie de madeira de caixas do tipo K usadas para

hortalias / Flvio Barcelos Cardoso, Adonai Gimenez Calbo. Braslia: Embrapa Hortalias,2004.

__p. :il.color.; (Embrapa Hortalias. Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento, 5)Contm bibliografia.ISSN: 1677-2229

1. Embalagens Fungos. 2. Embalagem Madeira. I. Cardoso, F.C. II. Calbo, A.G.III. Ttulo. IV. Srie.

CDD

Embrapa 2004

Sumrio

Resumo................................................................................ 07

Abstract ............................................................................... 09

Introduo ........................................................................... 11

Material e Mtodos ............................................................. 13

Resultados e Discusso ..................................................... 15

Agradecimentos.................................................................. 19

Referncias Bibiogrficas .................................................. 20

Crescimento de fungos nasuperfcie de madeira decaixas do tipo K usadaspara hortalias

Gilmar Paulo Henz1

Flvio Barcelos Cardoso2

Adonai Gimenez Calbo3

Resumo

A madeira o material mais utilizado para embalagem de hortalias noBrasil, principalmente devido ao seu baixo custo e alta resistnciamecnica. O objetivo deste trabalho foi estimar a absoro e a perdaprogressiva de gua de ripas de madeira de Pinus utilizadas namontagem de caixas do tipo K em trs condies de umidade relativae determinar o crescimento de fungos em sua superfcie. O experimentofoi conduzido no Laboratrio de Ps-Colheita da Embrapa Hortalias, emBraslia-DF, em 2003. Trinta ripas novas de madeira de Pinus (52 x 6 x0,6cm) foram pesadas individualmente, imersas em gua durante 1h epesadas novamente para avaliar a absoro de gua. Em outroexperimento, dez ripas foram incubadas ao acaso em cada uma das trscmaras midas (61%, 86% e 94% UR) mantidas a 25oC (2oC). A perda

1 Engenheiro Agrnomo, D.Sc., Fitopatologia, Embrapa Hortalias, C. Postal 218, 70359-

970 Braslia-DF. E-mail:[email protected] Engenheiro Agrnomo, estagirio, Embrapa Hortalias, C. Postal 218, 70359-970 Braslia-

DF.3 Engenheiro Agrnomo, PhD, Fisiologia Vegetal, Embrapa Hortalias, C. Postal 218, 70359-

970 Braslia-DF E-mail:[email protected] of Fungi on the Wood Surface of Crates used as Containers for Vegetables

Crescimento de fungos na superfcie de madeira de caixas do tipo K usadas para hortalias8

progressiva de gua foi avaliada por pesagens dirias das ripasindividualmente e o desenvolvimento de fungos na madeira foi avaliadocom uma escala de notas (0-3) durante oito dias. A madeira nova dePinus pode absorver at 38% de seu peso em gua, e permanecermida durante vrios dias de acordo com a condio dearmazenamento. A umidade relativa do ambiente afetou a taxa de perdade gua diria da madeira, estimada em 4,7%, 2,5% e 1,0%respectivamente a 61% UR, 86% UR e 94% UR, e ao final de oito diasalcanou 37,5%, 19,9% e 7,9%, respectivamente. Os fungospredominantes foram Trichoderma harzianum e Rhizopus stolonifer, mastambm observou-se crescimento de Aspergillus sp. e Penicillium sp.

Termos para indexao: ps-colheita, doenas, embalagens

9Crescimento de fungos na superfcie de madeira de caixas do tipo K usadas para hortalias

Growth of Fungi on the WoodSurface of Crates used asContainers for Vegetables

Abstract

Pinewood is used for assembling the K box, a standard crate forpacking, transporting and trading vegetables in Brazil. The objective ofthis paper was to make an estimative of water absorption and loss bypinewood and determine the growth of fungi on its surface under differentconditions of relative humidity (RH). Experiments were carried out in 2003at the Postharvest Laboratory of Embrapa Hortalias, in Braslia-DF,Brazil. Thirty pieces of pinewood (52 x 6 x 0.6cm) were individuallyweighed, immersed in tap water during 1 hour and then weighed again tomeasure the water absorption. Ten pieces of pinewood of thosepreviously immersed in water were kept at random in moist chambers(61%, 86% and 94% RH) set at 25oC (2oC). Water loss was estimateddaily by weighing individually each wood piece and fungi developmentwas recorded by a fungi growth scale (0=no growth; 3=> growth in 51%of the wood area), respectively. Pinewood can take up to 38% of itsweight in water, and remains humid for a period of time long enough toallow the proliferation of fungi on its surface. As expected, relativehumidity affected the daily rate of water loss, estimated as 4.7%, 2.5%and 1.0% respectively at 61% RH, 86% RH and 94% RH. After eightdays, water loss reached 37.5% at 61% RH, 19.9% at 86% RH and 7.9%at 94% RH. The predominant fungi growing on the wood surface were

Crescimento de fungos na superfcie de madeira de caixas do tipo K usadas para hortalias10

Trichoderma harzianum and Rhizopus stolonifer, but small colonies ofAspergillus sp. and Penicillium sp. were also identified.

Index terms: packing, wooden crates, postharvest

11Crescimento de fungos na superfcie de madeira de caixas do tipo K usadas para hortalias

Introduo

O uso de embalagens para frutas e hortalias tm sido intensamentediscutido no Brasil nos ltimos anos pelos diversos elos da cadeia deps-colheita, incluindo produtores, CEASAs, atacadistas, varejistas,consumidores e tcnicos de rgos oficiais. Como resposta a estademanda, uma nova regulamentao do uso de embalagens paraprodutos hortcolas foi publicada no Dirio Oficial em 12/11/2002 (MAPA,2002). A Instruo Normativa no 9 do Ministrio da Agricultura, Pecuriae Abastecimento (MAPA) foi o resultado de um trabalho conjunto daSecretaria de Apoio Rural e Cooperativismo (SARC), Agncia Nacionalde Vigilncia Sanitria (ANVISA) e o Instituto Nacional de Metrologia,Normalizao e Qualidade Industrial (INMETRO). Esta instruonormativa est em vigor desde junho/2003 e alterou as portariasanteriores, regulamentando as embalagens para o acondicionamento,manuseio e comercializao dos produtos hortcolas in natura, ampliandoas possibilidades do uso de diferentes tipos de embalagens em termosde materiais, como madeira, papelo e plstico, em tamanhos e formatosdiversos, de acordo com cada produto (Ceagesp, 2002). A portariaanterior (no 127/91) recomendava o uso da caixa de madeira do tipo Kpara a maior parte das hortalias, como tomate, pimento, berinjela, jil,maxixe, chuchu, abobrinha, mandioquinha-salsa e outras mais (MARA,1991). A Instruo Normativa no 9 prev o uso de embalagens commedidas externas paletizveis em 1,0 x 1,2m (medidas do paletepadro), de qualquer material, tanto descartvel como retornvel,contendo todas as informaes obrigatrias sobre o produto em umrtulo (Ceagesp, 2004).

A madeira ainda o material mais utilizado para embalagem dehortalias no Brasil, sendo a maior parte proveniente de reas dereflorestamento com espcies de Pinus e, em menor escala, deEucalyptus. As principais vantagens da madeira so seu custo unitriomais baixo quando comparada ao plstico e papelo ondulado, sua altaresistncia mecnica e a possibilidade de reutilizao, sendo ummaterial reciclvel (Topel, 1981; Bordin, 1999; Accarini et al., 2000;

Crescimento de fungos na superfcie de madeira de caixas do tipo K usadas para hortalias12

Luengo & Calbo, 2001). Outras vantagens da madeira como material deembalagem para produtos hortcolas a sua versatilidade, sendopossvel construir caixas com formatos diferentes empregando poucatecnologia (Luengo & Calbo, 2001).

A madeira recm cortada pode apresentar teor de umidade varivel,dependendo da espcie de rvore, perodo de cura ou secagem,condio e perodo de armazenamento. Considera-se como seca amadeira que possui cerca de 40% ou menos de umidade. Em condioambiental com 60-70% UR, a madeira conserva em torno de 12% deumidade. medida que a umidade relativa do ambiente aumenta, amadeira tambm tende a absorver mais umidade, podendo alcanar de25 a 30% em um ambiente com 95% UR.

A madeira de Pinus utilizada na confeco de caixas do tipo Kapresenta algumas desvantagens em relao a outros tipos de materiais,como o papelo ondulado e o plstico. Os principais problemas da caixaK so seu formato e dimenses inadequadas, a superfcie da madeiraexcessivamente spera e a dificuldade de limpeza e higienizao dasembalagens. Como conseqncias danosas do uso de caixas demadeira do tipo K para produtos hortcolas, podem ocorrer diferentestipos de danos mecnicos, como compresso, abraso e cortes (Topel,1981; Pichler, 1985; Bordin, 1999; Accarini et al., 2000; Cortez et al.,2000; Pereira & Calbo, 2000, Luengo & Calbo, 2001).

A aspereza da madeira dificulta a limpeza e a sanitizao dasembalagens aps cada uso, o que no ocorre com embalagens queapresentam superfcies mais lisas, como o plstico. As caixas demadeira tambm podem absorver gua e manter a umidade da madeira,o que aumenta o peso da embalagem e favorece o crescimento defungos. A sua reutilizao indiscriminada, muito comum no Brasil, poderesultar na transmisso de doenas de frutas e hortalias. Em caixas Kutilizadas vrias vezes com frutos de tomate, constatou-se a presenade fungos causadores de doenas de ps-colheita em hortalias, comoGeotrichum, Alternaria, Rhizopus e Fusarium (Henz et al., 1993).

13Crescimento de fungos na superfcie de madeira de caixas do tipo K usadas para hortalias

No Brasil, a CEAGESP em So Paulo foi pioneira na regulamentao douso de caixas K novas e fechadas, com fiscalizaes peridicas doscaminhes na entrada do mercado para verificao de suas dimensese cumprimento das normas. Na maior parte dos estados brasileiros, ascaixas K so usadas sucessivamente para produtos de menor valor atserem definitivamente descartadas, o que pode ocorrer depois de dezvezes.

O uso da madeira de Pinus na confeco de embalagens para hortaliasno Brasil pode ser ampliado se forem avaliadas e adotadas medidas queminimizem suas limitaes e desvantagens em relao aos outrosmateriais. Em outros pases, como Chile e Espanha, as embalagens demadeira so muito importantes para produtos hortcolas porque alm deutilizarem madeira de reflorestamento ainda aproveitam as partes menosnobres, no usadas na indstria moveleira (CEAGESP, 2003). No Brasil,os estudos realizados at agora com embalagens de madeiraconcentraram-se basicamente na incidncia de danos mecnicoscausados pela caixa K em vrios tipos de hortalias em comparao aoutros tipos de embalagens (Topel, 1981; Pichler, 1985; Pereira & Calbo,2000; Luengo & Calbo, 2001).

Em diferentes mercados atacadistas brasileiros constata-se que caixasK feitas de madeira de Pinus novas utilizadas para hortalias chegamao mercado excessivamente midas e pesadas, principalmente quandocontm hortalias lavadas. Em algumas destas caixas, possvelobservar o crescimento de fungos em sua superfcie, o que afeta suaaparncia. O objetivo deste trabalho foi estimar a absoro e a perdaprogressiva de gua e o desenvolvimento de fungos em ripas demadeira de Pinus novas utilizadas na montagem de caixas do tipo Kem trs condies de umidade relativa.

Material e Mtodos

Os experimentos foram conduzidos no Laboratrio de Ps-Colheita daEmbrapa Hortalias, em Braslia-DF, no perodo entre maro e novembro

Crescimento de fungos na superfcie de madeira de caixas do tipo K usadas para hortalias14

de 2003. A madeira de Pinus nova foi adquirida na CEASA de Anpolis-GO, no formato das ripas usadas para a montagem de caixas do tipoK, de acordo com as dimenses da Portaria no 127/91 (Ministrio daAgricultura, 1991). Foram selecionadas 30 ripas de tamanho (52 x 6 x0,6cm), com aparncia semelhante, colorao uniforme e limpas. Para seobter diferentes condies de umidade relativa, foram construdas trscmaras midas com um contentor plstico com capacidade para 32kg(55cm de comprimento, 35cm de largura, 30cm de altura), mantidas emum ambiente fechado com temperatura mdia de 25oC (2oC). No fundode cada caixa foram colocados papel toalha ou folhas de jornalumedecidas e as caixas foram envolvidas com sacos plsticosperfurados, variando-se o nmero e tamanho de furos para se obterdiferentes condies de umidade relativa em seu interior. A temperaturae a umidade relativa no interior das cmaras midas foram monitoradasdiariamente com um termohigrmetro, at a umidade relativa ficarestvel em 61%, 86% e 94% a 25oC.

Absoro e perda progressiva de gua pela madeira

A absoro de gua pela madeira foi avaliada submergindo-se 30 ripasde Pinus durante uma hora em uma cuba com gua. Aps este perodode submerso, as ripas foram retiradas e mantidas horizontalmentedurante dois minutos para deixar escorrer o excesso dgua. Cada ripafoi pesada individualmente em uma balana digital, separadas ao acasoem grupos de dez, e ainda midas acondicionadas nas trs cmarasmidas (61%, 86% e 94% UR). No interior de cada uma das cmarasmidas, as dez ripas de madeira de Pinus foram dispostas ao acaso,presas no interior das caixas somente pelas duas extremidades,eqidistantes aproximadamente 2cm entre si. Todas as ripas forampesadas individualmente todos os dias para verificar a perdaprogressiva de gua, durante oito dias.

Crescimento de fungos na superfcie da madeira

Em outro experimento, outras 30 ripas de madeira de Pinus novasutilizadas para a confeco de caixas K foram imersas em gua eposteriormente incubadas nas mesmas condies de umidade relativa etemperatura descritas para o experimento anterior. A avaliao da

15Crescimento de fungos na superfcie de madeira de caixas do tipo K usadas para hortalias

colonizao da superfcie da madeira por fungos foi feita diariamentedurante oito dias utilizando-se uma escala de notas, onde 0= semcrescimento; 1= crescimento em at 10% da superfcie da madeira; 2=crescimento em 11 a 50% da superfcie; 3= crescimento em mais de51% da superfcie. Cada uma das dez ripas foi avaliada individualmentenas duas faces, atribuindo-se uma nota mdia. Ao final do experimento,as madeiras foram examinadas em lupa estereoscpica, preparando-selminas para observao de estruturas morfolgicas e identificaopreliminar dos fungos presentes na superfcie da madeira. Os fungosforam isolados atravs de cultura monosprica e por atravs do cultivode partes de miclio em meio de cultura agar-gua (WA) e batata-dextrose-agar (BDA). Aps o isolamento, as placas foram incubadas a25oC e com regime de luz de 12h. Aps quatro dias, as placas comfungos que apresentaram crescimento e esporulao foram novamenteidentificados, sendo posteriormente reinoculados com plugs de micliocom 0,6cm de dimetro em madeiras novas de Pinus, previamenteborrifadas com lcool 95 GL e umedecidas em gua. As ripas inoculadascom os fungos foram mantidas nas mesmas condies de umidaderelativa descritas anteriormente.

Resultados e Discusso

Absoro e perda progressiva de gua pela madeira de Pinus

A umidade relativa do ambiente afetou a taxa de perda de gua diriada madeira, sendo mais acentuada no ambiente mais seco e menor nosambientes com maior umidade. Ao final de oito dias, a madeira de Pinusmantida no ambiente com 61% UR perdeu 37,5% de gua, de formamuito rpida no primeiro dia (20,6%) e no segundo dia (31,7%) eestabilizando-se a partir do terceiro dia em diante, variando de 36,3% a37,7% (Figura 1). A porcentagem de perda de gua diria foi 4,7% e acurva de perda de gua da madeira mantida a 61% UR ajustou-se a ummodelo de regresso logartmica (Y= 24,497 + 7,628 ln(x), R2=0,80). Amadeira de Pinus mantida a 86% UR perdeu 19,9% de seu peso apsoito dias de forma constante em uma taxa diria de 2,5%, ajustando-se a

Crescimento de fungos na superfcie de madeira de caixas do tipo K usadas para hortalias16

uma reta (Y= -1,664 + 2,779x, R2=0,99). Na condio de maior umidade(94% UR), a madeira perdeu apenas 7,9% de seu peso ao final de oitodias, em uma taxa diria de 1,0%, tambm ajustando-se a uma retaobtida atravs de regresso simples (Y= 0,073 + 1,088x, R2=0,95).

Fig. 1. Perda progressiva de gua de ripas novas de madeira de

Pinus umedecidas em gua durante 1h e mantidas em trs

condies de umidade relativa (61%, 86% e 94%) durante oito dias a

25oC. Embrapa Hortalias, Braslia-DF, 2003.

No presente trabalho, as ripas de Pinus chegaram a absorver at 38%de seu peso em gua depois de permanecerem submersas durante 1h.Esta caracterstica da madeira de Pinus confirma observaes empricasde que caixas K novas absorvem facilmente gua de hortaliasembaladas ainda midas, sem uma secagem adequada (Bordin, 1999;Accarini et al., 2000). Aparentemente, o excesso de umidade dealgumas hortalias e a absoro de gua pela madeira das caixas tmsido negligenciados pelos setores envolvidos no beneficiamento ecomercializao de hortalias. O aumento no peso das caixas devido absoro de gua onera os custos de transporte e dificulta operaesde carga e descarga das embalagens, principalmente para aquelas

17Crescimento de fungos na superfcie de madeira de caixas do tipo K usadas para hortalias

hortalias com menor peso especfico, como alface, pimento, berinjelae jil, por exemplo. Uma caixa K tem um peso lquido mdio de 3kg,mas de acordo com os dados obtidos no presente estudo pode atingir4,1kg se for molhada e permanecer em um ambiente com alta umidade.

Com base nestes resultados, pode-se explicar a grande variao depeso para algumas hortalias embaladas em caixas K feitas commadeira de Pinus, principalmente para produtos lavados. Na CEASA-DF,o peso das caixas K para vrias hortalias nas cotaes de preo apresentado na forma de intervalo, com variaes de 2 a 3 kg/caixa,como constatado para alface (caixa K de 4 a 6kg); beterraba (19 a22kg); mandioquinha-salsa (20 a 22kg); cenoura e batata-doce (20 a23kg) (Ceasa-DF, 2004).

A absoro de gua pela madeira tambm preocupante porquemantm um microambiente mido, favorvel ao desenvolvimento defungos na superfcie da madeira (Bordin, 1999; Accarini et al., 2000).Para evitar a absoro de gua pela madeira de Pinus utilizada namontagem de caixas K, as hortalias lavadas devem ser submetidas secagem. Outras opes so o tratamento da madeira comimpermeabilizantes ou a submeter a madeira a um corte nobeneficiamento que desfavorea a absoro de gua (Bordin, 1999;Accarini et al., 2000).

Crescimento de fungos na superfcie da madeira

A escala com quatro notas (Figura 2) proposta para avaliar ocrescimento dos fungos na superfcie da madeira de Pinus mostrou-sede fcil uso e proporcionou leituras rpidas e eficientes. Os dois fungospredominantes na madeira foram identificados como Trichodermaharzianum, que apresentou colnias esverdeadas a amareladas, eRhizopus stolonifer com miclio areo abundante de cor esbranquiadae esporos escuros tpicos (Domsch et al., 1980). Os dois fungos podemser facilmente identificados visualmente pelo seu aspecto decrescimento, marcadamente diferenciado. Tambm constatou-se ocrescimento de pequenas colnias de Penicillium sp. e Aspergillus sp.Todos estes fungos foram cultivados em meio de cultura, e apresentaram

Crescimento de fungos na superfcie de madeira de caixas do tipo K usadas para hortalias18

crescimento radial de mais de 4cm em trs dias quando inoculados comum plug de miclio em madeira de Pinus nova mantida em cmaramida.

Fig. 2. Escala de notas (0= sem crescimento; 1= crescimento em at

10% da rea da madeira; 2= 11 a 50% da rea; 3= >51% da rea) para

avaliao da colonizao de fungos na superfcie da madeira de Pinus

usada na confeco de embalagens para hortalias.

A partir do segundo dia observou-se crescimento de fungos nasuperfcie da madeira nas umidades relativas mais elevadas (Figura 3).Na madeira mantida na umidade mais baixa (61%) observou-se umpequeno crescimento de fungos ao final de um perodo de oito dias(Figura 3), com nota variando de 0,3 (Rhizopus) a 0,4 (Trichoderma).

Nesta condio tambm desenvolveram-se outros fungos, comoPenicillium spp. e Aspergillus spp. O fungo Trichoderma spp. apresentoucrescimento mais rpido nas umidades relativas mais elevadas,colonizando 100% da rea da madeira mantida a 94% UR em umasemana (Figura 3). O fungo Rhizopus desenvolveu-se menos na madeiraonde Trichoderma predominou, conforme constatado na condio de94% UR.

19Crescimento de fungos na superfcie de madeira de caixas do tipo K usadas para hortalias

Figura 3. Crescimento de Trichoderma harzianum e Rhizopus stolonifer avaliado

com uma escala de notas (0=sem crescimento; 3= crescimento >50% rea) em

madeira de Pinus mantida em trs condies de umidade relativa (61%, 86% e

94%) durante oito dias a 25oC. Embrapa Hortalias, Braslia-DF, 2003.

Com base nestes resultados, pode-se inferir que a madeira de Pinusnova utilizada na confeco de caixas K absorve muita gua e podemanter-se mida por perodos de tempo relativamente longos, de acordocom a temperatura e umidade relativa do ambiente. Esta condio muito favorvel para o desenvolvimento de fungos na superfcie damadeira, o que pode afetar sua aparncia e reduzir sua reutilizao oueventualmente causar doenas ps-colheita, quando houver incidnciade ferimentos nas hortalias durante o transporte ou o armazenamento.Como alternativas para a soluo deste problema, a madeira de Pinuspode ser melhor beneficiada, com um corte que a deixe menos spera emenos propensa a absorver gua, ou avaliar uma maneira deimpermeabilizar sua superfcie.

Agradecimentos

Os autores agradecem a Profa Maria Menezes e a doutoranda Ilka MrciaR. de Souza Serra (Depto. Fitossanidade, UFRPE, Recife-PE) aidentificao dos isolados de Trichoderma.

Crescimento de fungos na superfcie de madeira de caixas do tipo K usadas para hortalias20

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