Monografia Fluxo de Caixa

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CENTRO UNIVERSITÁRIO FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ PÓS-GRADUAÇÃO MBA – FINANÇAS EMPRESARIAIS E CONTROLE VALDEILTON BANDEIRA DE SOUSA UM ESTUDO ACERCA DO PROCESSO DE DECISÃO DE INVESTIMENTOS EM BENS PRODUTIVOS E O DIMENSIONAMENTO DOS FLUXOS DE CAIXA - ESTUDO CONCENTRADO EM EMPRESA DE PEQUENO PORTE DO SEGMENTO DE FUNDIÇÃO DE ALUMÍNIO COM ESTRUTURA FAMILIAR SANTO ANDRÉ 2010
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    26-Mar-2016
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UM ESTUDO ACERCA DO PROCESSO DE DECISÃO DE INVESTIMENTOS EM BENS PRODUTIVOS E O DIMENSIONAMENTO DOS FLUXOS DE CAIXA - ESTUDO CONCENTRADO EM EMPRESA DE PEQUENO PORTE DO SEGMENTO DE FUNDIÇÃO DE ALUMÍNIO COM ESTRUTURA FAMILIAR

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  • CENTRO UNIVERSITRIO FUNDAO SANTO ANDR PS-GRADUAO

    MBA FINANAS EMPRESARIAIS E CONTROLE

    VALDEILTON BANDEIRA DE SOUSA

    UM ESTUDO ACERCA DO PROCESSO DE DECISO DE INVESTIMENTOS EM BENS PRODUTIVOS E O DIMENSIONAMENTO DOS FLUXOS DE CAIXA

    - ESTUDO CONCENTRADO EM EMPRESA DE PEQUENO PORTE DO SEGMENTO DE FUNDIO DE ALUMNIO COM ESTRUTURA FAMILIAR

    SANTO ANDR 2010

  • VALDEILTON BANDEIRA DE SOUSA

    UM ESTUDO ACERCA DO PROCESSO DE DECISO DE INVESTIMENTOS EM BENS PRODUTIVOS E O DIMENSIONAMENTO DOS FLUXOS DE CAIXA

    - ESTUDO CONCENTRADO EM EMPRESA DE PEQUENO PORTE DO SEGMENTO DE FUNDIO DE ALUMNIO COM ESTRUTURA FAMILIAR

    Monografia apresentada como exigncia

    parcial para obteno do ttulo de MBA em

    Finanas Empresariais e Controle ao Centro

    de Ps Graduao Pesquisa e Extenso do

    Centro Universitrio Fundao Santo Andr.

    Professor Orientador:

    MS. Walter Luiz Quaglio

    SANTO ANDR 2010

  • Sousa, Valdeilton Bandeira de Um Estudo Acerca do Processo de Deciso de Investimento em Bens Produtivos e o Dimensionamento dos Fluxos de Caixa- Estudo Concentrado em Empresa de Pequeno Porte do Segmento de Fundio de Alumnio com Estrutura Familiar./ Valdeilton Bandeira de Sousa - Santo Andr, 2009. Quantidade de folhas f.77 Monografia Centro Universitrio Fundao Santo Andr.Ps graduao. MBA em Finanas Empresariais e Controle Orientador: Prof. MS. Walter Luiz Quaglio 1.Fluxo de Caixa 2.Investimentos I. Ttulo

  • CENTRO UNIVERSITRIO FUNDAO SANTO ANDR

    PS-GRADUAO

    MBA FINANAS EMPRESARIAIS E CONTROLE

    UM ESTUDO ACERCA DO PROCESSO DE DECISO DE INVESTIMENTOS EM BENS PRODUTIVOS E O DIMENSIONAMENTO DOS FLUXOS DE CAIXA

    - ESTUDO CONCENTRADO EM EMPRESA DE PEQUENO PORTE DO SEGMENTO DE FUNDIO DE ALUMNIO COM

    ESTRUTURA FAMILIAR

    Monografia apresentada como exigncia parcial para obteno do titulo de MBA em

    Finanas Empresariais e Controle ao Centro de Ps-Graduao, Pesquisa e

    Extenso do Centro Universitrio Fundao Santo Andr.

    Data: _____/_____/_____

    ______________________________

    Aluno: Valdeilton Bandeira de Sousa

    ________________________________

    Orientador: Prof. Ms. Walter Luiz Quaglio

    _________________________________

    Nota

    __________________________________

    Coordenador: Prof. Msc. Primo Falcini

  • DEDICATRIA

    A meus colegas de curso que muito me

    apoiaram e me ajudaram a crescer como

    pessoa e tambm como profissional.

  • AGRADECIMENTOS

    A Alexandra pela amizade e ajuda nos momentos de dvida.

    Aos mestres pelo empenho e dedicao em nos transmitir os conhecimentos que

    adquirimos no curso.

    Aos colegas do Centro Universitrio Fundao Santo Andr.

    Em especial ao Prof. Ms. Walter Luiz Quaglio, pela total colaborao na orientao

    desta monografia.

  • EPGRAFE

    NOVA GESTO: O novo ambiente econmico e competitivo

    que as empresas vivem demanda um novo

    tipo de empresa, com executivos

    preocupados com o crescimento, escala,

    eficincia e gerao de valor para os

    acionistas.

    Aswath Damodaran

  • SOUSA,Valdeilton Bandeira de. Um Estudo Acerca do Processo de Deciso de

    Investimentos em Bens Produtivos e o Dimensionamento dos Fluxos de Caixa-

    Estudo Concentrado em Empresa de Pequeno Porte do Segmento de Fundio de

    Alumnio com Estrutura Familiar, apresentado ao curso de MBA em Finanas

    Empresariais e Controle do Centro Universitrio Fundao Santo Andr.2009

    RESUMO

    Numa economia cada vez mais acirrada, as empresas precisam dispor de

    instrumentos eficazes de controle econmico e financeiro que subsidiem as tomadas

    de decises.

    O fluxo de caixa um desses instrumentos que auxilia o administrador financeiro na

    tomada de decises, pois reflete e prev o que ocorrer com as finanas da

    empresa em um determinado perodo.

    Este trabalho tem por objetivo abordar a necessidade de um planejamento e controle

    adequado do fluxo de caixa para uma melhor gesto dos recursos maximizando o

    valor econmico da empresa.

    Palavras Chave: Fluxo de Caixa, Investimentos

  • SOUSA, Valdeilton Bandeira. A Study About Decision-making for investments in

    productive assets and the sizing of Cash Flows-Study Concentrate on Small

    Businesses in the segment of Aluminum Casting with Family Structure, presented to

    the MBA in Corporate Finance and Control University Center Foundation Holy

    Andr.2009

    ABSTRACT

    In an increasingly fierce, companies must have effective tools for economic and

    financial control which support the decision-making.

    Cash flow is one of those tools that helps the financial manager in decision-making,

    because it reflects and predicts what will happen to the company's finances in a

    given period.

    This paper aims to address the need for planning and proper management of cash

    flow for better management of resources by maximizing the economic value of the

    company.

    Keywords: Cash Flow, Investments

  • LISTA DE SIGLAS CFC - Conselho Federal de Contabilidade CMPC Custo Mdio Ponderado de Capital DOAR - Demonstrao das Origens e Aplicaes DFC - Demonstrao do Fluxo de Caixa PL - Patrimnio Lquido

  • LISTA DE ILUSTRAES FIGURA 1: COMPONENTES DO FLUXO DE CAIXA FIGURA 2: FLUXO DO PROCESSO PRODUTIVO FIGURA 3: INTERAO DOS PROCESSOS DO SISTEMA DE QUALIDADE FIGURA 4: ESTRUTURA DE MISSO E VALOR DA ALUMEC FIGURA 5: ORGANOGRAMA QUADRO 1: MTODO FLUXO DE CAIXA DIRETO QUADRO 2: MTODO FLUXO CAIXA DIRETO QUADRO 3: ALTERNATIVA DE INVESTIMENTO QUADRO 4: COMPOSIO DOS COLABORADORES QUADRO 5: RESULTADO SEM E COM O NOVO INVESTIMENTO QUADRO 6: FLUXOS DE CAIXA INCREMENTAIS

  • LISTA DE TABELAS TABELA 1: CLCULO DO PAYBACK DESCONTADO TABELA 2: CLCULO DO TIR TABELA 3: VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS MTODOS TABELA 4: PROJEO DA ALUMEC ANTES DO INVESTIMENTO TABELA 5: AMORTIZAO DO INVESTIMENTO TABELA 6: PROJEO DA ALUMEC COM NOVO O INVESTIMENTO TABELA 7: PROJEO DOS FLUXOS INCREMENTAIS DA ALUMEC TABELA 8: PAYBACK DESCONTADO DA ALUMEC TABELA 9: CLCULO DO VPL DA ALUMEC TABELA 10: CLCULO DO VPL DA ALUMEC EM HP12C TABELA 11: CLCULO DA TIR DA ALUMEC TABELA 12: CLCULO DA VPL PELA TIR

  • SUMRIO

    1 INTRODUO ................................................................................................. 16

    1.1 Consideraes Iniciais ................................................................................ 16

    1.2 Objetivos e Justificativas do Trabalho ...................................................... 16

    1.2.1 Objetivo Acadmico ................................................................................. 16

    1.2.2 Objetivo Profissional ................................................................................ 17

    1.2.3 Relevncia do Estudo .............................................................................. 17

    1.3 Metodologias Aplicadas no Desenvolvimento do Trabalho .................... 17

    1.3.1 Definio do Assunto ............................................................................... 17

    1.3.2 Identificao da Situao Problema ....................................................... 18

    1.3.3 Formulao da Hiptese .......................................................................... 18

    1.3.4 Delimitao do Trabalho .......................................................................... 18

    1.4 Estrutura do Trabalho ................................................................................. 18

    2 FLUXO DE CAIXA COMO INSTRUMENTO DE GESTO E CONTROLE ..... 20

    2.1 Objetivo do Captulo ................................................................................... 20

    2.2 Aspectos Conceituais do Fluxo de Caixa ................................................. 20

    2.3 Objetivos do Fluxo de Caixa....................................................................... 22

    2.4 Aspectos Legais e Normativos do Fluxo de Caixa ................................... 22

    2.5 Componentes do Fluxo de Caixa ............................................................... 23

    2.6 Mtodos do Fluxo de Caixa ........................................................................ 26

    2.6.1 Mtodo Direto ........................................................................................... 26

    2.6.2 Mtodo Indireto ......................................................................................... 29

    2.7 Modelo Exemplificativo do Mtodo do Fluxo de Caixa Direto .............. 31

    2.8 Modelo Exemplificativo do Mtodo do Fluxo de Caixa Indireto ........... 32

    3 INVESTIMENTO EM BENS PATRIMONAIS FATORES DE DECISO ....... 33

  • 3.1 Objetivo do Captulo ................................................................................... 33

    3.2 Projeto de Viabilidade Econmica e Financeira ....................................... 33

    3.2.1 Origens das Propostas de Investimentos .............................................. 34

    3.3 Principais Mtodos de Avaliao Econmica de Investimentos............. 35

    3.3.1 Perodos de Payback .............................................................................. 36 3.3.1.1 Perodo de Payback Simples ...................................................................... 36 3.3.1.2 Perodo de Payback Descontado ............................................................... 38

    3.3.2 Taxa Interna de Retorno ( TIR ) ............................................................... 40 3.3.3 Valor presente lquido ( VPL) ................................................................... 41 3.4 Tipos de Investimentos ............................................................................... 45

    3.4.1 Investimentos economicamente independentes ................................... 46

    3.4.2 Investimento com restrio oramentria.............................................. 46

    3.4.3 Investimentos economicamente dependentes ...................................... 47

    3.4.4 Investimentos mutuamente excludentes................................................ 47

    3.4.5 Investimentos com dependncia estatstica .......................................... 48 4 CARACTERIZAO DA ATIVIDADE DE FUNDIO NO SEGMENTO DE ALUMNIO EM EMPRESA DE PEQUENO PORTE E ESTRUTURA FAMILIAR ..... 49

    4.1 Objetivo do Captulo ................................................................................... 49

    4.2 Sistema Empresa......................................................................................... 49

    4.3 Sistema Fsico Operacional ........................................................................ 50

    4.4 Poltica da Qualidade .................................................................................. 53

    4.5 Misso e Valores da Alumec ...................................................................... 53

    4.6 Organograma ............................................................................................... 54

    5 CORRELAO ENTRE O PROCESSO DE DECISO DE INVESTIMENTO E DIMENSIONAMENTO DOS FLUXOS DE CAIXA .................................................... 56

    5.1 Objetivo do Captulo ................................................................................... 56

    5.2 Fluxo de Caixa Incrementais ...................................................................... 56

    5.2.1 Desembolsos ou investimento inicial ..................................................... 57

  • 5.2.2 Receitas operacionais .............................................................................. 58

    5.2.3 Custos e despesas operacionais ............................................................... 59

    5.2.4 Despesas no desembolsveis e Imposto de Renda ............................... 59

    5.2.5 Vendas de Ativos......................................................................................... 60

    5.2.6 Sinergia de Projetos .................................................................................... 60

    5.3 Mensurao do Fluxo de Caixa Incremental para as Decises de Investimento ............................................................................................................ 61

    5.4 Exemplificao de Projeo e Mensurao do Fluxo de Caixa para as Decises de Investimentos .................................................................................... 65

    CONSIDERAES FINAIS BIBLIOGRAFIA

  • 16

    1 INTRODUO

    1.1 Consideraes Iniciais

    Numa economia cada vez mais acirrada as empresas precisam dispor de

    instrumentos eficazes de controle econmico e financeiro que subsidiem as tomadas

    de decises.

    O fluxo de caixa, como uma das ferramentas de gesto financeira, possibilita

    conhecer o volume de recursos necessrios para honrar os compromissos

    societrios, demonstrando as alocaes de recursos nas diversas atividades que

    compem o sistema da entidade.

    A idealizao, construo e gesto do fluxo de caixa so essenciais para o

    planejamento financeiro da empresa. Esta ferramenta quando bem utilizada poder

    auxiliar o administrador na tomada de deciso, tanto na manuteno das atividades

    como em investimentos em novos projetos.

    O presente trabalho aborda a necessidade de um planejamento e controle

    adequado do fluxo de caixa para uma melhor gesto dos recursos, maximizando o

    valor econmico da empresa.

    1.2 Objetivos e Justificativas do Trabalho

    1.2.1 Objetivo Acadmico

    A presente pesquisa est inserida no tema de Planejamento e Controle

    Oramentrio, que tem por objetivo compreender os aspectos de se planejar e

    controlar a gesto dos recursos de uma companhia com o intuito de maximizar seu

    valor econmico.

  • 17

    A pesquisa apresenta correlao com as seguintes disciplinas do Curso de

    MBA em Finanas Empresariais e Controle do Centro Universitrio Fundao Santo

    Andr:

    a) Controle de Gesto

    b) Gesto dos Recursos Curto e Longo Prazo

    1.2.2 Objetivo Profissional

    Com a crescente profissionalizao das empresas de pequeno porte, se faz

    necessrio a especializao dos profissionais que atuam neste segmento. Dentro

    deste contexto o objetivo idealizado, quando da escolha do tema da pesquisa, um

    aprofundamento do conhecimento adquirido durante o curso para uma maior

    projeo profissional na empresa de atuao.

    1.2.3 Relevncia do Estudo

    A pesquisa contida no presente estudo relevante por sua atualidade de

    acordo com as ltimas alteraes das normas contbeis e por no haver na

    empresa foco deste estudo a utilizao deste instrumento de grande importncia

    para a gesto e controle de seus recursos operacionais.

    1.3 Metodologias Aplicadas no Desenvolvimento do Trabalho

    Este estudo trata de um trabalho de abordagem dedutiva utilizando-se do

    mtodo histrico que utilizar a tcnica documental para captao de informaes e

    teorias j existentes.

    1.3.1 Definio do Assunto

    O assunto trata de um processo de deciso de investimentos de bens

    produtivos e o dimensionamento do fluxo de caixa para esta deciso atravs do

  • 18

    estudo de sua correlao com enfoque em uma empresa de fundio de alumnio de

    pequeno porte.

    1.3.2 Identificao da Situao Problema

    Existe uma correlao entre o processo de tomada de decises em

    investimentos de bens produtivos e o dimensionamento do fluxo de caixa?

    1.3.3 Formulao da Hiptese

    As empresas de pequeno e mdio porte, muitas vezes, so caracterizadas

    pelo exerccio funcional dos seus principais responsveis, cabendo-lhes o sucesso

    ou nus da empresa sob as ticas econmicas e financeiras.

    Neste sentido, como apoio aos responsveis pela empresa no exerccio das

    melhores prticas e decises, que encontramos a ferramenta denominada fluxo de

    caixa que demonstra de forma prtica e objetiva a obteno e utilizao dos

    recursos, visando a maximizao do valor da empresa.

    1.3.4 Delimitao do Trabalho

    O presente trabalho utilizar como estudo de caso uma empresa do segmento

    de fundio de peas em alumnio, de gesto familiar, localizada no municpio de

    Diadema.

    1.4 Estrutura do Trabalho

    O trabalho composto de 5 partes:

    Captulo 1: Neste encontramos a introduo pesquisa, fazendo uma abordagem

    geral e as linhas de metodologia da pesquisa.

  • 19

    Captulo 2: Neste captulo encontramos os aspectos conceituais sobre fluxo de

    caixa, mostrando atravs de pesquisa bibliogrficas os modelos de fluxo de caixa e

    seus aspectos legais.

    Captulo 3: Este captulo dedica-se ao estudo dos tipos de investimentos e seus

    principais mtodos de avaliao.

    Captulo 4: Neste captulo demonstra-se a caracterizao da atividade da fundio

    de alumnio.

    Captulo 5: Neste captulo apresenta-se a correlao entre o processo de deciso e

    o dimensionamento do fluxo de caixa com a exemplificao de projeo e

    mensurao de fluxo de caixa.

  • 20

    2 FLUXO DE CAIXA COMO INSTRUMENTO DE GESTO E CONTROLE

    2.1 Objetivo do Captulo

    Este captulo tem por objetivo com base em pesquisa bibliogrfica apresentar os

    principais conceitos sobre fluxo de caixa e os mtodos existentes para sua

    construo.

    2.2 Aspectos Conceituais do Fluxo de Caixa

    Podemos definir Fluxo de Caixa como as entradas e sadas de caixa em

    determinado perodo, alm do equivalente de caixa.

    Entendemos como equivalente de caixa as aplicaes financeiras de curto

    prazo de alta liquidez, os saldos em bancos e valores disponveis no caixa da

    entidade.

    Segundo Silva (2004), o fluxo de caixa pode ser considerado por alguns

    analistas como um dos principais instrumentos de anlise, propiciando-lhes

    identificar o processo de circulao do dinheiro.

    A anlise do fluxo de caixa examina a origem e a aplicao do dinheiro que

    transitou pela empresa.

    De acordo com Matarazzo (2003, p.309),

    O fluxo de caixa de uma empresa no depende exclusivamente do

    administrador financeiro, pois decorre de mltiplas decises (de diferentes

    reas), como nvel de estocagem, prazos concedidos aos clientes, prazos

    obtidos de fornecedores, expanso, estabilizao ou reduo do volume de

    atividades, investimentos no ativo permanente, bem como as possibilidades

    de aportes de capital.

  • 21

    Segundo Falcini (1995), cash flow, ou fluxo de caixa utilizado para

    referenciar cifras de diferentes origens e ajustes, na tentativa de localizar um lucro

    real e economicamente adequado para a estimativa do valor econmico das

    empresas.

    De acordo com Zdanowics (2000 p, 33), o fluxo de caixa o instrumento que

    demonstra as operaes financeiras que so realizadas pela empresa, o que

    permite uma melhor anlise e deciso quanto aplicao dos recursos disponveis.

    Definir fluxo de caixa parece ser uma tarefa razoavelmente fcil, entretanto

    os profissionais de contabilidade tm desenvolvido numerosos mtodos para

    descrever o procedimento.

    Diante de tantas definies pode-se conceituar fluxo de caixa como um

    controle financeiro gerencial com a finalidade de auxiliar no processo decisrio

    buscando atingir metas que maximizem o valor econmico da empresa.

    Desta forma, a Demonstrao de Fluxo de Caixa visa mostrar o confronto

    entre as entradas e sadas de caixa, fornecendo uma viso das atividades

    desenvolvidas sob a tica financeira.

    Assim as empresas devem elaborar demonstraes de fluxo de caixa de

    acordo com os requisitos e apresent-los como parte integrante das demonstraes

    contbeis divulgadas no final de cada perodo.

    As informaes de fluxo de caixa so utilizadas como indicador de valor da

    empresa dos fluxos de caixa futuro.

  • 22

    2.3 Objetivos do Fluxo de Caixa

    O objetivo bsico da funo financeira prover a empresa de recursos caixa

    suficientes de modo a respeitar os vrios compromissos assumidos e promover a

    maximizao da riqueza dos acionistas.

    neste contexto que se destaca o fluxo de caixa como um instrumento que

    possibilita o planejamento e o controle dos recursos financeiros da empresa,

    tornando-se indispensvel no processo de tomada de decises financeiras.

    As informaes sobre os fluxos de caixa de uma empresa so uteis para

    proporcionar aos usurios das demonstraes financeiras uma base para avaliar a

    capacidade da empresa em gerar caixa e as necessidades da empresa para utilizar

    esses fluxos.

    A DFC (Demonstrao de Fluxo de Caixa) propicia aos analistas financeiros

    bem como a outros usurios uma fonte segura para entendimento da forma com que

    a empresa gerou e utilizou os recursos financeiros.

    tambm informao bsica dessa demonstrao as evidncias da

    capacidade de gerar recursos e expandir o nvel de investimento, sempre

    considerando que as dvidas estaro suficientemente amortizadas, tanto no curto

    como no longo prazo.

    2.4 Aspectos Legais e Normativos do Fluxo de Caixa

    A DFC no plano internacional foi normatizada pelo pronunciamento do

    Financial Accounting Standards Board (Fasb), pelo boletim n.95, que instituiu o fluxo

    de caixa em substituio Demonstrao de Origem e Aplicao dos recursos

    (Doar), datado de novembro de 1987, sendo colocado em vigor a partir de junho de

    1988.

  • 23

    O Brasil passou a utilizar de forma no obrigatria, mas at mesmo por

    aconselhamento da Comisso de Valores Imobilirios (CVM), a partir de 1992, com

    a reviso da Norma Internacional de Contabilidade-NIC, que recebia a denominao,

    at ento, de Demonstrao das Mutaes na Posio Financeira, que fora

    aprovada em junho de 1977.

    Com a alterao da Lei n.6404 de 1976 promulgada pela Lei n.11638 de

    2007, que trata da divulgao das demonstraes Financeiras, a DFC passou a ser

    obrigatria a todas as empresas de capital aberto ou fechado com patrimnio liquido

    (PL) superior a R$2.000.000,00 (dois milhes de reais), estando dispensada a sua

    elaborao por empresas com PL inferior.

    A Deliberao CVM 547/2008 aprovou o Pronunciamento Tcnico CPC1 03

    que trata a DFC.

    De acordo com a Resoluo 1.125/2008 do Conselho Federal de

    Contabilidade, as informaes do fluxo de caixa so teis para proporcionar aos

    usurios das demonstraes contbeis uma boa base para avaliao da capacidade

    de uma companhia gerar caixa.

    Conforme o CFC2 n.1.125, as empresas devem elaborar a DFC de acordo

    com os requisitos da norma e apresentar como parte integrante das demonstraes

    contbeis divulgadas ao final de cada perodo.

    2.5 Componentes do Fluxo de Caixa

    Os fluxos de caixa das empresas podem ser divididos em (1) fluxos

    operacional, (2) fluxos de investimento e (3) fluxos de financiamento.

    De acordo com Gittman(2004) entende-se como fluxo operacional todas as

    entradas e sadas que so diretamente associados venda e produo de bens e

    servios pela empresa. Os fluxos de investimento so os fluxos associados 1 CPC Comit de Pronunciamentos Contbeis 2 Resoluo do Conselho Federal de Contabilidade

  • 24

    compra e a venda de ativos imobilizados e participaes em outras empresas. Os

    fluxos de financiamento resultam em operaes de captao de recursos de

    terceiros e a capital prprio.

    O CFC n.1125 descreve e classifica as Atividades Operacionais, Atividades

    de Investimento e Atividade de Financiamento como segue:

    1 Atividades Operacionais: So as principais atividades geradoras de receita

    das entidades e outras atividades diferentes das de investimento e

    financiamento. Exemplo:

    a) Recebimento de caixa pela venda de mercadorias e pela prestao de

    servios;

    b) Recebimento de caixa decorrentes de royalties, honorrios, comisses e

    outras receitas;

    c) Pagamentos de caixa a fornecedores de mercadorias e servios;

    d) Pagamentos de caixa a empregados ou por conta de empregados.

    2 Atividades de Investimento: so as referentes aquisio e a venda de

    ativos de longo prazo e de outros investimentos no includos nos

    equivalentes de caixa. Exemplos:

    a) Pagamento de caixa para aquisio de ativo imobilizado, intangvel e

    outros ativos de longo prazo;

    b) Recebimento de caixa resultantes da venda de ativo imobilizado,

    intangvel e outros ativos de longo prazo;

    c) Pagamentos para aquisio de aes ou instrumentos de dvida de outras

    entidades e participaes societrias em joint venture ( exceto

    desembolsos referentes a ttulos considerados como equivalentes de

    caixa ou mantidos para negociao imediata ou venda futura);

    d) Recebimentos de caixa provenientes da venda de aes ou instrumentos

    de dividas de outras entidades e participaes societrias em joint venture

    (exceto recebimentos referentes aos ttulos considerados Omo equivalente

    de caixa e os mantidos para negociao).

  • 25

    3 Atividades de Financiamento: so aquelas que resultam em mudanas no

    tamanho e na composio do capital prprio e no endividamento da

    entidade, no classificadas como atividade operacional. Exemplos:

    a) Caixa recebido pela emisso de aes ou outros instrumentos

    patrimoniais;

    b) Pagamentos de caixa a investidores para adquirir ou resgatar aes da

    entidade;

    c) Amortizao de emprstimo e financiamento, incluindo debntures

    emitidas, hipotecas e outros emprstimos de curto e longo prazos;

    d) Pagamento de caixa por arrendatrio, para reduo do passivo relativo a

    arrendamento mercantil financeiro.

    De maneira sintetizada a DFC busca demonstrar as entradas e sadas de

    caixa em determinado perodo.

    A figura 1 classifica as entradas (fontes) e sadas (aplicaes) bsicas de

    caixa.

  • 26

    Figura 1: Componentes do Fluxo de Caixa

    Fonte: Gitman (2004, p.87)

    2.6 Mtodos do Fluxo de Caixa

    2.6.1 Mtodo Direto

    O mtodo direto caracteriza-se por apresentar os componentes dos fluxos por

    seus valores brutos dos recebimentos e pagamentos.

  • 27

    De acordo com Marion3 apud Jaime (2008), o mtodo direto o verdadeiro

    fluxo de caixa, porque so demonstrados todos os pagamentos e recebimentos que

    concorreram para a variao de disponibilidade no perodo.

    Este mtodo demonstra os pagamentos e recebimentos decorrentes das

    atividades operacionais da empresa ao invs do lucro lquido ajustado. Demonstra

    efetivamente as movimentaes dos recursos financeiros no perodo.

    Estrutura do Mtodo Direto (Baseado no FASB 95)

    1- Fluxo de Caixa das atividades operacionais Recebimento de clientes

    Dividendos recebidos

    Juros Recebidos

    Recebimentos por reembolsos de seguros

    Recebimentos de lucros de subsidirias

    Pagamentos a fornecedores

    Pagamentos de salrios e encargos

    Imposto de Renda

    Juros Pagos

    Outros recebimentos ou pagamentos lquidos

    Caixa lquido das atividades operacionais

    2- Fluxo das atividades de investimento Alienao do imobilizado

    Alienao de investimentos

    Aquisio de imobilizado

    Aquisio de investimentos

    Caixa lquido das atividades de investimento

    3- Fluxo das atividades de financiamentos Integralizao de capital

    3 MARION,J.C & ASSAF Neto,A. Administrao Financeira,as finanas das empresas sob condies inflacionarias.So Paulo, Atlas 2002

  • 28

    Juros recebidos de emprstimos

    Aumento de capital social

    Pagamento de leasing (principal)

    Pagamento de lucros e dividendos

    Juros pagos por emprstimos

    Pagamento de emprstimos e debntures

    Caixa lquido das atividades de financiamentos

    Aumento ou reduo do capital

    Saldo de Caixa Inicial

    Saldo de Caixa Final

    Conciliao do Resultado lquido com o caixa lquido das atividades operacionais.

    Resultado liquido

    (+) Ajuste que no representa entrada ou sada de caixa

    (+) Depreciao ou amortizao

    (+) Proviso para devedores duvidosos

    () Resultado na venda de imobilizado

    () Aumento ou diminuio das contas a receber

    () Aumento dou diminuio dos estoques

    () Aumento ou diminuio de despesas antecipadas

    () Aumento ou diminuio dos passivos

    () Aumento dou diminuio de outros ajustes

    (=) Caixa Lquido das Atividades Operacionais

    Segundo Azevedo & Alves (2003, p.15), ao realizarmos a elaborao do fluxo

    de caixa pelo mtodo direto estaremos convertendo os dados do Balano

    Patrimonial e da DRE, apresentados pelo regime de competncia para o regime de

    caixa, que a essncia da DFC.

  • 29

    2.6.2 Mtodo Indireto

    O mtodo indireto apresenta o fluxo de caixa das atividades operacionais de

    forma indireta, realizando ajustes ao lucro lquido do exerccio.

    semelhante ao DOAR principalmente pela sua parte inicial, exigindo do

    usurio um bom conhecimento de contabilidade.

    De acordo com o CFC n.1125, no mtodo indireto os fluxos de caixa lquido

    das atividades operacionais determinado ajustando o lucro lquido ou prejuzo

    quanto aos efeitos de:

    a) Mudanas ocorridas no perodo nos estoques e nas contas operacionais a

    receber e a pagar;

    b) Itens que no afetam o caixa, como depreciaes, provises, impostos

    diferidos, variaes cambiais no realizadas, resultado de equivalncia

    patrimonial em investimentos e participaes de minoritrios quando

    aplicvel; e

    Todos outros itens cujos efeitos sobre o caixa sejam fluxos de caixa

    decorrentes das atividades de financiamento e investimento.

    Estrutura do Mtodo Indireto (baseado no FASB 95)

    1- Fluxo das Atividades Operacionais

    Resultado Lquido

    () Ajustes que no representam a entrada ou sada de caixa

    (+) Depreciao ou amortizao

    (+) Proviso para devedores duvidosos

    () Resultado da venda de imobilizado

    () Aumento ou diminuio de contas a receber

    () Aumento ou diminuio de estoques

    () Aumento ou diminuio de despesas antecipadas

    () Aumento ou diminuio de passivos

    () Aumento ou diminuio de outros passivos

    (=) Caixa lquido das atividades operacionais

  • 30

    2- Fluxo de Caixa das Atividades de Investimento (+) Alienao de imobilizado

    (+) Alienao de investimentos

    (-) Aquisio de imobilizado

    (-) Aquisio de investimentos

    (=) Caixa lquido das atividades de investimento

    3- Fluxo de Caixa das Atividades de Financiamentos

    (+) Integralizao de capital

    (+) Juros recebidos de emprstimos

    (+) Emprstimos tomados

    (+) Aumento de capital social

    (-) Pagamento de leasing (principal)

    (-) Pagamento de juros e dividendos

    (-) Juros pagos por emprstimos

    (-) Pagamentos de emprstimos debntures

    (=) Caixa lquido das atividades de financiamentos

    O DFC montado pelo mtodo indireto de mais fcil compreenso para quem

    j conhece a DOAR, entretanto o mtodo direto de mais fcil entendimento para

    aqueles que no conhecem a DOAR.

  • 31

    2.7 Modelo Exemplificativo do Mtodo do Fluxo de Caixa Direto

    Entradas e sadas de caixa e equivalentes de caixa R$ Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais: Recebimento de Vendas (+) Recebimento de Juros de clientes (+) Recebimento de Duplicatas Descontadas (+) Pagamentos de impostos s/ vendas (-) Pagamentos a fornecedores (-) Pagamentos a empregados (-) Pagamento despesas antecipadas (-) Pagamento de juros (-) Pagamento de impostos s/lucro (-)

    66.523,00

    450,00 7.500,00

    (2, 024,00) (15.000,00) (31.500,00)

    (3.900,00) (1.500,00) (3.000,00)

    Caixa Lquido das Atividades Operacionais (+/-) 17.549,00 Fluxo de Caixa das Atividades de Investimento: Vendas de Imobilizado (+) Aquisio de Imobilizado (-) Aquisio de Outras Empresas (-)

    22.500,00

    (30.000,00) -

    Caixa Lquido das Atividades de Investimentos (+/-) (7.500,00) Fluxo de Caixa das Atividades de Financiamento: Pagamento de juros e amortizao (-) Pagamentos de dividendos (-) Contratao de novos financiamentos (+) Integralizao de Capital (+)

    (2.250,00) 15.000,00 15.000,00

    Caixa Lquido das atividades de Financiamento (+/-) 27.750,00 Aumento/Diminuio do Caixa e Equivalente de Caixa Caixa/Equivalente de Caixa incio de ano Caixa/Equivalente de Caixa final de ano

    8.400,00

    46.199,00

    Quadro1: Mtodo Fluxo de Caixa Direto

    Fonte: Modelo adaptado de Alves & Azevedo (2003, p.23)

  • 32

    2.8 Modelo Exemplificativo do Mtodo do Fluxo de Caixa Indireto

    Entradas e sadas de caixa e equivalentes de caixa R$ Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais: Lucro Lquido Depreciaes e amortizaes (+) Resultado na venda do ativo permanente (-) Lucro Ajustado Aumento de Duplicatas a receber (-) Aumento de duplicatas descontadas (+) Aumento dos estoques (-) Aumento de Despesas Pagas antecipadamente (-) Aumento de Fornecedores (+) Aumento Imposto s/ vendas a pagar (+) Diminuio de tributos a pagar (-) Diminuio de Salrios a Pagar (-)

    22.250,00 2.250,00

    (4.500,00) 3.600,00

    (15.000,00) 8.250,00

    (4.500,00) (3.000,00) 19.500,00

    249,00 (1.050,00)

    (10.500,00) Fluxo de Caixa das Atividades operacionais (+/-) 17.549,00 Fluxo de Caixa das Atividades de Investimento: Vendas de Imobilizado (+) Aplicao em Ativo Permanente (-)

    22.500,00

    (30.000,00) Fluxo de Caixa lquido das Atividades e Investimentos (+/-) (7.500,00) Fluxo de Caixa das Atividades de Financiamento: Emprstimos e Financiamentos obtidos (+) Distribuio de Dividendos (-) Aumento de Capital em Dinheiro (+)

    15.000,00 (2.250,00) 15.000,00

    Fluxo de Caixa das Atividades de Financiamento (+/-) 27.750,00 Aumento/Diminuio do Caixa e Equivalente de Caixa Caixa/Equivalente de Caixa incio de ano Caixa/Equivalente de Caixa final de ano

    8.400,00

    46.199,00 Quadro 2: Mtodo Fluxo de Caixa Indireto

    Fonte: Modelo adaptado de Alves & Azevedo (2003, p.23)

  • 33

    3 INVESTIMENTO EM BENS PATRIMONAIS FATORES DE DECISO

    3.1 Objetivo do Captulo

    Este captulo tem por objetivo demonstrar os tipos de investimentos e seus

    mtodos de avaliao.

    3.2 Projeto de Viabilidade Econmica e Financeira De acordo com Assaf (2007, p.342), as decises de investimento de capital

    so amplas e complexas e envolvem inmeros mtodos e critrios de anlises.

    O investimento um fator de alta relevncia no processo de tomada de

    decises empresariais. Com certa freqncia, objetivos estratgicos apresentam-se

    como fatores de deciso relevante na escolha de projetos de investimentos.

    Em determinado instante uma empresa pode ser vista como um conjunto de

    projetos de investimentos em diferentes momentos de execuo. Seu objetivo para

    finanas corporativas ao avaliar as alternativas de investimentos a maximizao

    dos recursos de capital, promovendo o incremento da riqueza lquida.

    Todas as decises de investimento envolvem a elaborao, avaliao e

    seleo de propostas (projetos) de aplicao de capital efetuadas com o objetivo

    normalmente de mdio e longo prazos, de produzir determinado retorno aos

    proprietrios de ativos.

    Todo processo de avaliao e seleo de alternativas de investimento de

    capital envolve alguns aspectos bsicos de estudo:

    a) dimensionamento do fluxo de caixa gerado por cada proposta de

    investimento;

  • 34

    b) avaliao econmica destes fluxos de caixa tendo como base a aplicao de

    tcnicas de anlise de investimentos;

    c) definio da taxa de retorno exigida pelos proprietrios de capital e a

    aplicao de critrio de aceitao dos investimentos;

    d) introduo do risco no processo de avaliao dos investimentos

    3.2.1 Origens das Propostas de Investimentos

    De acordo com Assaf (2007, p.318):

    As propostas de investimentos de capital de uma empresa podem ser

    enquadradas segundo suas diversas origens, isto , de acordo com os

    motivos internos que determinaram seus estudos. Apesar de as tcnicas de

    avaliao econmica assumirem consistncia com as diferentes decises

    de investimentos, interessante a identificao dos diferentes tipos de

    investimentos que ocorrem no mbito de uma empresa.

    As propostas de investimentos podem ser classificadas em quatro principais

    modalidades como segue:

    a) Ampliao do volume de atividade: esta proposta de investimento

    comumente utilizada quando a capacidade de produo e venda de uma

    empresa no for mais suficiente para atender a uma demanda atual ou

    projetada de seus produtos. Normalmente as aplicaes de capital nessa

    situao so realizadas em aquisio de mquinas, equipamentos e

    instalaes, ou tambm na aquisio de outra empresa.

    b) Reposio e modernizao de ativos fixos: esta proposta de investimento

    normalmente ocorre em empresas que j adquiriram um crescimento e

    amadurecimento de suas atividades operacionais, demandando desta forma a

    substituio de seus ativos fixos que se tornaram obsoletos ou desgastados

    pela sua utilizao.

    importante que seja realizada periodicamente a avaliao do estado fsico

    dos bens produtivos a fim de evitar-se transtornos no funcionamento normal

    da atividade da empresa, como por exemplo, elevao nos nveis de rejeio

    dos produtos fabricados, interrupes mais frequentes no processo produtivo,

  • 35

    alm de onerar o lucro da empresa em decorrncia do crescimento

    desproporcional dos custos.

    c) Arrendamento ou aquisio: esta proposta na verdade um processo

    comparativo, onde se confronta os desembolsos e os benefcios que

    ocorrero ao longo do tempo de uso dos ativos fixos.

    d) Outras Origens: nesta categoria podem ser includas todas as modalidades

    que no foram enquadradas nas classificaes anteriores, principalmente as

    decorrentes de servios externos de assessoria, pesquisa e desenvolvimento,

    publicidade etc. Esses investimentos visam a gerao de benefcios futuros

    provenientes de maior eficincia e controle das operaes da empresa.

    3.3 Principais Mtodos de Avaliao Econmica de Investimentos De acordo com Damodaram (2008, p.9), se o objetivo principal das finanas

    corporativas a maximizao do valor da empresa4, o relacionamento entre as

    decises financeiras, a estratgia corporativa e o valor da empresa tm que ser

    delineados.

    O valor de uma empresa pode ser diretamente ligado s decises relativas

    aos projetos que ela empreende, como realiza o seu financiamento e sua poltica de

    dividendos. A compreenso deste relacionamento a chave para a tomada de

    decises que adicionam valor e reestruturao financeira sensata.

    Existem muitos mtodos de avaliao econmica de investimentos, entretanto

    a avaliao no um exerccio objetivo, e quaisquer preconcepo e preconceito

    que o analista trouxer para o processo sero incorporados ao valor.

    De acordo com Padovezze (2007,p.465), todos os mtodos para deciso de

    investimento e mensurao do valor da empresa levam em considerao o valor a

    ser investido ou atualmente investido, os fluxos futuros de benefcios, a quantidade

    de tempo em que estes fluxos ocorrero e o custo do dinheiro no tempo.

    4 Grande parte da teoria financeira se baseia nessa premissa.

  • 36

    Os mtodos para deciso de investimento partem da ideia de verificar a

    viabilidade econmica de um investimento antes de sua implantao.

    De acordo com Assaf (2007,p.343) os mtodos quantitativos de anlise

    econmica de investimentos podem ser classificadas em dois grandes grupos: os

    que no consideram o valor do dinheiro no tempo e os que consideram essa

    variao por meio do critrio do fluxo de caixa descontado. Em razo da importncia

    para as decises de longo prazo, preferencialmente d-se ateno para os mtodos

    que compem o segundo grupo.

    Em verdade, a avaliao de um ativo estabelecida pelos benefcios futuros

    de caixa trazidos a valor presente mediante uma taxa de desconto que reflete o risco

    da deciso.

    Entretanto feita uma exceo ao mtodo do tempo de retorno do

    investimento (perodo de payback), o qual apesar de estar formalmente enquadrado

    no primeiro grupo, tem uma grande importncia decisria e permite, ainda, seu

    clculo em termos de valor atualizado.

    3.3.1 Perodos de Payback

    3.3.1.1 Perodo de Payback Simples

    O perodo de payback de uma aplicao consiste na determinao do tempo necessrio para que o capital investido seja recuperado por meio dos fluxos de caixa

    promovidos pelo investimento.

    De acordo com Assaf (2007,p.343) normalmente so utilizadas duas

    metodologias de clculo do perodo de payback: mdio e efetivo.Caso os fluxos de

    caixa sejam iguais os dois critrios produziro resultados idnticos.

    O quadro a seguir ilustra duas alternativas de investimentos para serem

    avaliadas por meio de payback.

  • 37

    FLUXOS DE CAIXA ALTER_ NATIVA

    VALOR DO INVESTIMENTO

    ANO 1

    ANO 2

    ANO 3

    ANO 4

    ANO 5

    A - $ 300.000 $ 90.000 $ 50.000 $ 60.000 $ 50.000 $250.000

    B - $ 300.000 $ 100.000 $ 100.000 $ 100.000 $100.000 $300.000

    Quadro 3: Alternativa de Investimento

    Fonte: Assaf (2007,p.343).

    O tempo de retorno mdio baseado na relao existente entre o valor do

    investimento e o valor mdio dos fluxos esperados de caixa.

    No exemplo acima para a alternativa A , o investimento de $300.000 os

    fluxos mdios atingem $ 100.000, conseqentemente o payback de trs anos

    ($300.000 /$100.000), ou seja, a empresa levar em mdia trs anos para recuperar

    o investimento efetuado .

    Entretanto ao mensurarmos esse tempo de espera de retorno do investimento

    em termos efetivos, chega-se a um resultado bem superior ao mdio obtido.Dos $

    300.000 que foram investidos, $ 90.000 so recuperados no primeiro ano, $140.000

    no segundo ano (A1+A2), $ 200.000 no terceiro ano (A1+A2+A3), $ 250.000 no

    quarto ano (A1+A2+A3+A4) e os $ 300.00 investidos sero recuperados no quinto

    ano com a recuperao integral dos quatro primeiros fluxos de caixa e 20% do valor

    esperado do ltimo ano (20% x $300.000=$50.000), ou seja, o perodo de payback

    efetivo da alternativa A alcana 4,2 anos.

    Conforme descrito anteriormente quando os fluxos de caixa forem iguais os

    perodos de payback, tanto mdio como efetivo sero tambm iguais. No exemplo

    acima , para a alternativa B, o tempo de recuperao do investimento (em termos

    mdio ou efetivo) de trs anos, ou seja, os trs primeiros fluxos de caixa de $

    100.000 sero suficientes para resgatar o investimento de $ 300.000.

    De acordo com Assaf (2007,p.344), em termos de aceitao ou rejeio de

    um determinado investimento, o perodo de payback obtido deve ser comparado

    com o padro-limite estabelecido pela empresa.

  • 38

    O perodo de payback mais uma medida do indicador do nvel de risco do

    que propriamente de retorno de investimento, ou seja, quanto maior o prazo do

    retorno evidentemente maior ser o risco envolvido na deciso.

    Um projeto de investimento com payback menor do que outro indica que ele

    tem grau menor de risco.

    Umas das maiores dificuldades do uso deste mtodo como critrio de deciso

    a longo prazo consiste na definio do limite-padro da empresa e sua associao

    com seus objetivos de rentabilidade.

    O perodo de payback uma ferramenta auxiliar nas decises financeiras de

    longo prazo, sendo indispensvel o uso simultneo de outros mtodos mais

    sofisticados, evitando-se assim que a deciso de investimento seja baseada com

    maior intensidade no perodo de payback.

    As principais restries normalmente imputadas ao mtodo de payback so:

    a) Ignora a magnitude dos fluxos de caixa e sua distribuio antes do perodo de

    payback;

    b) Ignora os fluxos de caixa depois do perodo de payback.

    3.3.1.2 Perodo de Payback Descontado

    Para se aprimorar o mtodo do payback inclui-se o conceito do valor do

    dinheiro no tempo, pois os investimentos geraro benefcios que ocorrero aps

    esse perodo e sem esta anlise o administrador financeiro pode incorrer em

    equvocos em sua aceitao por determinado investimento.

    A anlise semelhante ao payback simples, s que baseada em valores

    descontados, ou seja, a atualizao por meio de uma taxa de desconto ( CMPC-

    Custo Mdio Ponderado de Capital ) que leve em considerao o valor do dinheiro

  • 39

    no tempo dos vrios fluxos de caixa para o momento inicial e confrontar esse

    resultado lquido com o valor do investimento.

    A tabela a seguir ilustra o clculo do payback descontado.

    Clculo do payback descontado ( em R$)

    FCL

    Original

    FCL

    Descontado

    FCL

    Acumulado

    Ano 0 (150.000 ) (150.000) (150.000)

    Ano 1 56.400 47.797 (102.203)

    Ano 2 56.400 40.506 (61.698)

    Ano 3 56.400 34.327 (27.371)

    Ano 4 56.400 29.090 1.719

    Ano 5 56.400 24.653 26.372

    CMPC 18%

    O payback descontado est entre o terceiro e o quarto ano.

    R$ Tempo(ano)

    A ser recuperado 27.371 X

    Recuperado no terceiro ano 29.090 1

    Usando regra de trs, temos: 27.371 = x Logo 29.090x=23.371, ento x=0,94 anos.

    29.090 1

    Temos: 0,94x12 = 11,3 meses

    0,30x30= 9 dias

    Logo: 3 anos,11 meses e 9 dias

    FCL descontado = FCL/(1+i)n

    Tabela 1 : Calculo Payback descontado

    Fonte: Hong Yuh (2007,p.255)

    De acordo com Assaf (2007,p.347) mesmo utilizando o conceito de fluxo de

    caixa descontado, o mtodo de payback no considera os resultados de caixa que

    ocorrem aps o perodo de payback, ou seja, ele no considera o fluxo de caixa

    total, por isso inferior aos mtodos de taxa interna de retorno ( TIR ) e do valor

    presente lquido (VPL), que consideram o fluxo de caixa total.

  • 40

    3.3.2 Taxa Interna de Retorno ( TIR ) Este mtodo um dos mais sofisticados para quem deseja avaliar propostas

    de investimento de capital. Para uma avaliao de proposta de investimento, o

    calculo do TIR requer basicamente o conhecimento dos montantes de dispndio de

    capital e dos fluxos de caixa lquidos incrementais gerados pela deciso.

    A TIR representa a taxa de desconto que iguala, em um nico momento, os

    fluxos de entrada com os de sada, ou seja, a taxa que produz um VPL igual a

    zero.

    De acordo com Padoveze (2007,p.467), a TIR encontrada para o projeto deve

    ser comparada com o custo de capital da empresa. A frmula da taxa interna de

    retorno a seguinte:

    = 11 + 1 + 21 + 2 + . . + ( )1 +

    onde:

    Io= montante do investimento no momento zero ( inicio projeto) FC= Fluxos de Caixa Livre dos perodos 1 a n

    i= taxa de desconto que iguala o VPL a zero, isto a TIR

    n= perodo

    Por exemplo, suponha-se que , de um investimento de $ 150.000 sejam

    esperados fluxos de caixa de $ 56.400, respectivamente, e a taxa anual de juros que

    iguala o investimento ao fluxo futuro descontado de 18% a.a (CMPC).O projeto

    ser aprovado caso o TIR seja maior ou igual taxa de desconto e reprovado caso

    seja menor.

    Para uma melhor compreenso a tabela a seguir mostra o clculo do TIR em

    uma calculadora financeira:

  • 41

    CALCULO DA TIR ( R$ )

    150.000 CHS G CF0 (valor de i)

    56.400 G CFj (valor de CFL)

    5 G Nj (nmero de FCL)

    G IRR* =25,5%(=TIR)

    Como TIR > 18% o projeto deve ser aceito.

    *IRR = TIR ( taxa interna de retorno)

    Tabela 2: Calculo TIR

    Fonte: Hong (2007,p.258)

    De acordo com Hong (2007,p.258),

    o mtodo da TIR tambm pode ser aplicado na comparao de vrios projetos quando so considerados investimentos

    mutuamente excludentes. Nesse caso voc deveria optar pelo

    projeto de maior TIR.

    Ao examinarmos um projeto independente, devemos aprov-lo se ele apresentar uma TIR maior ou igual que o custo de capital. A

    nica restrio ser de ordem oramentria. Caso a empresa no

    tenha recursos para implementar todos os projetos, a preferncia

    ser dada para os que tiverem maior TIR.

    No caso de projetos dependentes, teremos que calcular a TIR dos demais projetos e no conjunto a TIR ter de ser maior ou igual ao

    custo de capital.

    3.3.3 Valor presente lquido ( VPL)

    O mtodo do valor presente lquido ( VPL) uma tcnica sofisticada de

    anlise de oramentos de capital, obtida subtraindo-se o investimento inicial do

    projeto do valor presente das entradas de caixa descontadas a uma taxa igual ao

    custo de capital da empresa.

    De acordo com Hong (2007,p.256), este mtodo considerado o mais

    apropriado no somente por trabalhar com fluxo de caixa descontado, mas tambm

    porque seu resultado, sendo em espcie, revela a riqueza absoluta do investimento.

  • 42

    Segundo Assaf (2007,p.358), o VPL no apura diretamente a rentabilidade do

    projeto; aos descontar todos os fluxos de entradas e sadas de caixa de um

    investimento por uma taxa de desconto mnima aceitvel pela empresa, o VPL

    expressa em ltima anlise seu resultado econmico ( riqueza ) atualizado.

    A frmula a seguir mostra o clculo do valor presente lquido:

    = 11 + 1 + 21 + 2 + . . + ( )1 + (0 )

    onde: I0 = investimento inicial FCL = Fluxo de caixa livre

    i= taxa de desconto mnima aceitvel ( CMPC )

    n= perodo

    Para ilustrar, suponha que uma empresa esteja avaliando um investimento no

    valor de $ 30.000,00 , do qual se esperam benefcios anuais de caixa de $ 10.000 no

    primeiro ano, $ 15.000 no segundo ano, $ 20.000 no terceiro ano e $ 10.000 no

    quarto ano.

    Admitindo que a empresa tenha definido em 20%a.a sua taxa de retorno

    exigida e que o investimento seja desembolsado integralmente no momento inicial,

    h o seguinte VPL:

    = 10.0001,20 + 15.0001,20 2 + 20.0001,20 3 + 10.0001,20 4 30.000 VPL = [8.333,33 + 10.416,67+11.574,07 + 4.822,53 ] 30.000 VPL = $5.146,60 Observe que mesmo descontados os vrios fluxos de caixa pela taxa anual de 20%, conforme exigido pela empresa, o VPL superior a zero, demonstrando

  • 43

    que o investimento oferece rentabilidade superior a mnima aceitvel. Nesta situao

    de gerao de riqueza lquida positiva a deciso agrega valor econmico empresa.

    De acordo com Assaf (2007,p.359), da mesma maneira do mtodo da TIR, o

    VPL pressupe implicitamente que seus fluxos intermedirios de caixa devem ser

    reinvestidos taxa de desconto utiliza na avaliao do investimento, entretanto por

    trabalhar com uma taxa de retorno definida pela empresa, o mtodo nesse aspecto

    menos questionvel que o anterior, em que a taxa de reinvestimento a prpria TIR

    calculada do projeto e no a taxa de desconto mnima aceitvel da deciso de

    investimento.

    Seguindo o exemplo ilustrativo em considerao, se a taxa de retorno

    requerida para o investimento for de 20% ao ano, a riqueza lquida gerada pelo

    investimento atinge $ 5.146,60, ou seja:

    = 10.0001,20 + 15.0001,20 2 + 20.0001,20 3 + 10.0001,20 4 30.000 VPL = $5.146,60

    Esse resultado revela que o valor do projeto $ 5.146,60 maior que o

    montante despendido em sua implementao o que representa o valor econmico

    gerado. No entanto o VPL calculado somente se realiza se a empresa for capaz de

    reinvestir seus fluxos intermedirios de caixa a taxa de retorno requerida de 20%

    a.a. Essa colocao pode ser demonstrada por meio dos seguintes clculos:

    Montante acumulado pelo reinvestimento dos fluxos de caixa:

    FV4= 10.000 x(1,20)3+15.000 x(1,20)2 + 20.000 x (1,20) + 10.000

    FV4= 72.880

    Clculo no NPV de R$72.880 com base em FV4:

    = 72.8801,20 4 30.000 VPL = $5.146,60

  • 44

    Qualquer outra taxa de reaplicao produzir um resultado presente lquido diferente.

    Diante dos mtodos apresentados nos perguntamos qual o melhor a ser

    utilizado?

    O VPL e a TIR so superiores em funo de considerarem o custo do dinheiro

    no tempo e a lucratividade dos projetos.

    A vantagem do VPL a simplicidade na obteno dos resultados, entretanto a

    TIR por outro lado produz resultados em termos de porcentagem e esse resultado

    deve ser comparado ao custo mdio ponderado de capital da empresa antes de

    tomar qualquer deciso sobre os projetos apresentados.

    De acordo com o TIR os excedentes de caixa sero reinvestidos a uma taxa

    de desconto igual taxa de retorno, por sua vez o VPL prev que eles sero

    reinvestidos a uma taxa mnima aceitvel de retorno, isto ao custo de capital,

    usada no desconto do fluxo de caixa.

    Os resultados obtidos no perodo de payback tanto simples como descontado

    devem ser utilizados como informaes complementares evidenciando o risco do

    negcio.

    Para uma viso mais geral, a seguir uma tabela apresentando as principais

    caractersticas dos mtodos de anlise de investimentos apresentadas:

  • 45

    Resumo dos mtodos de anlise de investimentos

    Mtodo Vantagens Desvantagens

    Payback Simples

    Simplicidade

    Clculo rpido

    No considera os fluxos de caixa aps o perodo

    de payback

    No considera o custo

    do dinheiro no tempo

    Payback descontado

    Simplicidade

    Clculo rpido

    Considera o custo do

    dinheiro no tempo

    No considera os fluxos aps o perodo de

    payback

    Valor Presente Lquido ( VPL)

    Considera o custo do dinheiro no tempo

    Fornece a idia de

    riqueza absoluta

    Realista, uma vez que

    considera que os fluxos

    lquidos de caixa sero

    reaplicados ao custo

    mdio de capital da

    empresa.

    Taxa Interna de Retorno

    (TIR)

    Considera o custo do

    dinheiro no tempo

    Limitaes

    matemticas quando o

    fluxo de caixa no

    convencional

    No muito realista, pois

    considera que os fluxos

    lquidos de caixa sero

    reaplicados a taxa

    interna de retorno do

    projeto.

    Tabela 3 : Vantagens e Desvantagens dos mtodos

    Fonte: Hong (2007, p.259)

    3.4 Tipos de Investimentos

    Segundo Padovezze (2007,p.138)

  • 46

    As possibilidades de investimentos so infinitas e podem ocorrer de forma

    ininterrupta e variada para as pessoas fsicas dentro das empresas e

    corporaes. Podemos investir em ativos financeiros (ttulos do

    governo,ttulos de renda fixa, aes de empresas, derivativos, mercado

    futuro, etc.), em commodities (metais, produtos agropecurios, minerais,

    etc.), no mercado imobilirio, em artes etc.

    Mas o que nos interessa o ambiente empresarial, no qual podemos

    vislumbrar quatro grandes principais tipos de investimentos:

    I Aquisio de uma empresa j existente

    II Investimento em nova empresa

    III Investimento da empresa em nova unidade de negcio ou novo

    produto

    IV Investimento da empresa em ativos especficos.

    De acordo com Assaf (2007,p.320), os aspectos que envolvem os tipos de

    investimento de uma empresa dizem respeito s diferentes situaes com que se

    podem defrontar no momento de tomarem suas decises. Essas situaes ocorrem

    sempre que forem apresentadas empresa uma gama maior de propostas do que

    ela esta disposta (condies fsicas ou oramentrias) a aceitar, podendo-se criar

    assim vrias inter-relaes entre as mesmas.

    Os principais tipos de investimento com os quais uma empresa pode se

    defrontar so os seguintes:

    3.4.1 Investimentos economicamente independentes De acordo com Assaf (2007,p.320) entende-se como projeto de investimento independente, quando a aceitao de um no implica a desconsiderao dos

    demais e, ao mesmo tempo, no ocorrerem interferncias nas receitas e nos custos

    da vrias propostas em estudo quando se decidir por uma delas.

    3.4.2 Investimento com restrio oramentria

    Muitas vezes, duas ou mais propostas de investimento independente no podem ser simultaneamente implementadas pela empresa por causa de condies

  • 47

    de restries oramentrias ou, ainda, na situao dos custos de maiores captaes

    atingirem valores que no so compatveis com os retornos produzidos pela

    alocao desses recursos.

    Nessas condies, ainda que vrios investimentos sejam definidos como

    independentes, a limitao oramentria da empresa poder inviabilizar a aceitao

    de todos restringindo-se a deciso somente a um (ou alguns) deles.

    3.4.3 Investimentos economicamente dependentes

    Entende-se como investimento dependente, todo projeto que dependa de

    outro para ser aceito.

    De acordo com Assaf (2007,p.321), para que dois ou mais investimentos

    sejam considerados economicamente dependentes, necessrio ocorrer uma das

    seguintes situaes:

    a) a aceitao de um investimento exerce influncia negativa sobre os

    resultados lquidos dos demais, seja reduzindo as receitas ou elevando os

    custos ou despesas. Nessa situao os investimentos so chamados de

    substitutos;

    b) a aceitao de um investimento exerce uma influncia positiva sobre os

    demais, seja pelo incremento das receitas ou decrscimo dos custos e

    despesas. Neste caso os projetos so chamados complementares.

    c) a aceitao de um investimento depende rigorosamente da implementao de

    outro, seja essa dependncia definida em termos tecnolgicos ou

    econmicos.

    3.4.4 Investimentos mutuamente excludentes

    Os investimentos mutuamente excludentes so os que possuem a mesma

    funo, desta forma a aceitao de um elimina a considerao de todas as outras

    propostas em anlise.

  • 48

    Por exemplo, visando modernizar determinada linha de produo uma

    empresa possui duas propostas de aquisio de um novo equipamento de diferentes

    fabricantes, diz-se que esse investimento mutuamente excludente, pois , mesmo

    que sejam economicamente atraentes a aceitao de um deles no deve ser

    concretizada medida que se decida pelo outro.

    De acordo com Assaf (2007,p.321), os investimentos mutuamente

    excludentes constituem-se em uma forma de dependncia econmica extrema,

    entretanto devido a sua importncia para a anlise de investimentos, optou-se por

    descrev-los a parte.

    3.4.5 Investimentos com dependncia estatstica

    Os investimentos com dependncia estatstica so aqueles que apresentam

    variaes conjuntas em seus resultados ao longo do tempo.

    As elevaes ou redues nos benefcios de caixa de um investimento so

    precedidos de variaes nos benefcios de outros. Por exemplo, a produo de

    carros de luxo e jias esto classificadas originalmente como independentes

    economicamente, entretanto o desempenho dessas duas alternativas est

    associado ao mesmo evento externo (os dois negcios so dirigidos ao mesmo

    segmento de mercado), desta forma so considerados como estatisticamente

    dependentes.

  • 49

    4 CARACTERIZAO DA ATIVIDADE DE FUNDIO NO SEGMENTO DE ALUMNIO EM EMPRESA DE PEQUENO PORTE E ESTRUTURA FAMILIAR

    4.1 Objetivo do Captulo

    O objetivo deste captulo demonstrar a caracterizao da atividade de

    fundio de alumnio.

    4.2 Sistema Empresa

    A Alumec Ind. Com. Ltda. foi fundada em abril de 1988 por Orlando Tomaz e

    sua esposa Neusa Maria Teixeira, com o objetivo de fornecer peas injetadas em

    alumnio sob presso. No inicio de suas atividades fornecia apenas peas pequenas

    que eram produzidas em mquinas de pequeno porte.

    Atualmente a empresa est capacitada a produzir peas desde 0,100kg at

    5,0 kg atendendo a demanda de pequenas, mdias e grandes empresas.

    A empresa possui um sistema familiar de administrao, onde os proprietrios

    so responsveis pelas reas de direo administrativa e industrial.

    Sua estrutura administrativa e operacional composta de 130 colaboradores

    distribudos da seguinte forma:

  • 50

    Setor Colaboradores

    Departamento de Compras 01

    Departamento Pessoal 02

    Faturamento 01

    Vendas 03

    Financeiro 02

    PCP 01

    Qualidade 06

    Laboratorio 01

    Engenharia 01

    Fundio 34

    Manuteno 06

    Acabamento 50

    Usinagem 06

    Ferramentaria 10

    Expedio 04

    Transporte 02

    Quadro 4: Composio dos colaboradores

    Fonte: Alumec

    4.3 Sistema Fsico Operacional

    A empresa est situada na Av. Presidente Caf Filho, 474- Jd. Casa Grande-

    Diadema-SP, com uma estrutura fsica de 4.300 m.

    Por estar localizada na regio do ABCD, considerada o maior plo

    metalrgico do pas, bero das grandes montadoras de veculos e caminhes e

    tambm de grandes fabricantes de autopeas possui uma logstica privilegiada para

    o escoamento de sua produo por estar prximo as rodovias Anchieta e Imigrantes

    e tambm do Porto de Santos, por onde libera as exportaes realizadas para a

    Europa e Estados Unidos.

    Atualmente a empresa conta com 17 mquinas injetoras, 2 fornos de

    fuso, 1 equipamento de FDU5, 2 centros de usinagem, um laboratrio de metrologia

    5 FDU- Equipamento utilizado para purificao do Alumnio em estado lquido.

  • 51

    e espectrometria alm de equipamentos utilizados para acabamento superficial das

    peas.

    Um dos diferenciais da empresa no seu mercado de atuao seu corpo

    tcnico, composto de profissionais altamente qualificados e a rapidez na soluo dos

    problemas apresentados por seus clientes em virtude de sua estrutura.

    O processo de produo da Alumec pode ser visualizado na seguinte figura:

    Figura 2: Fluxo do Processo Produtivo

    Fonte: Alumec

    A Alumec est apta a fornecer peas, como fundio sob presso e usinagem

    em alumnio e zamak, utilizando equipamento sofisticado que assegura a qualidade

    do processo, desde a matria prima at o produto final. Conquistou ento clientes de

    diferentes segmentos entre automobilstico, eletromecnico, eletrodomstico,

    metalrgico, ciclstico, informtica, eletrnico e iluminao pblica.

    Seu departamento tcnico preocupa-se em assessorar cada cliente, analisando

    em conjunto cada caso especfico, apresentando sugestes para viabilizar os

    diversos projetos, com total segurana e confiabilidade na prestao de servios.

    Sua ferramentaria tem a responsabilidade da manuteno e construo de

    moldes, orientao tcnica no desenvolvimento e alterao de moldes e peas, alm

    do controle de qualidade especfico desde o incio da produo at o produto final.

  • 52

    Diretrizes e Profissionais Capacitados & Instalaes, estrutura e equipamentos.

    A Alumec certificada ISO-9001:2008. A figura a seguir ilustra a interao entre

    os processos do Sistema da Gesto da Qualidade.

    Figura 3: Interao dos Processos do Sistema de Gesto de Qualidade Fonte: Alumec

    Satisfao do Cliente

    NECESSIDADES ENTENDIDAS E DESDOBRADAS

    CONTRATO ANALISADO E ACEITO

    PROGRAMAO ANALISADA E ACEITA COTAO/ PROPOSTA

    ENVIADA NO PRAZO E

    DE ACORDO COM OS

    REQUISITOS

    FATURAMENTO DE ACORDO COM CONDIES COMERCIAIS ACORDADAS

    PRODUTO COM

    QUALIDADE

    ENTREGUE NA

    QUANTIDADE E NO

    PRAZO

    RECLAMAES, SOLICITAES E DEVOLUES TRATADAS E COMUNICADAS.

    DESENVOLVIMENTO

    ADEQUADO E

    VALIDADO

    Necessidades (Entradas)

    NECESSIDADES / EXPECTATIVAS CONTRATO/ PEDIDO APROVADO PROGRAMA SOLICITADO NECESSIDADES / REQUISITOS DE COTAO REQUISITOS DE FATURAMENTO, CONTRATO, ACORDAM DE PEAS. NECESSIDADE DE PRODUTO COM QUALIDADE, ENTREGUE NA QUANTIDADE E NO PRAZO. NECESSIDADE DE ANLISE E SUPORTE REQUISITOS TCNICOS DE APLICAO.

    Gestor: Dir. Presidente.

    Estratgia/

    - Projees econmicas financeiras curtas e longo

    prazo disponibilizado - Capacidade de gerao

    de caixa monitorada

    Gestor: Enc. de RH.

    Gesto de R.H.

    Gestor: Ger. Man.

    Manuteno

    Profissionais Capacitados

    Gestor: Comprador (a)

    COMPRAS

    Gestor: Ger. Prod.

    Operacional/

    Ferramentaria

    Gestor: Processista

    Desenvolvimento

    Gestor: Rep. De Vendas

    Vendas Processos definidos

    Especificaes Controladas

    - Previso atualizada - Necessidades e

    expectativas entendidas e comunicadas

    Mater.. / Serv.no prazo Mater/ Serv. C/ qualidade

    Progr. Prod. Atualizado

    Nec. Produto / Serv. C/

    qualidade e prazo

    Tabela de Preos Atualizada

    Analise de Mercado

    Analise Critica de Venda

    COP Customer Oriented Process Interfaces do COP monitoradas pela Pesquisa de Satisfao do Cliente: Vendas / Desenvolvimento / Faturamento / Assistncia Tcnica

    SOP Support Oriented Process

    MOP Management Oriented Process

    PROCESSO Direo / SGQ / Recursos

    PROCESSO Compras e Recebimento

    PROCESSO Produo e Expedio

    PROCESSO Vendas e Desenvolvimento

    PROCESSO Direo / SGQ / Recursos

    PROCESSO Compras e Recebimento

    PROCESSO Vendas e Desenvolvimento PROCESSO Produo e

    Expedio

    Entrada: Necessidades de Clientes / Requisitos solicitados e Estratgia da empresa relacionada ao seu propsito

    ENTRADA: COTAES DE CLIENTES E ACORDOS TCNICOS COMERCIAS & ESPECIFICAES / DESENHOS DOS PRODUTOS.

    Entrada: Necessidades de materiais e servios solicitados conforme programaes dos clientes.

    Entrada: Programa solicitado, planejamento de mquina, prazo e quantia. & posio de estoque.

    Sada: Diretrizes e Suporte c/ profissionais capacitados & instalaes, estrutura e equipamentos.

    Sada: Necessidades e expectativas atendidas, cotao analisada e proposta gerada. -Estabelecimento do SGQ e dos processos necessrios para produo, controle e entrega.

    Sada: Materiais / Servios no prazo e quantidade & atendendo as especificaes

    Sada: Faturamento ao cliente dentro das caractersticas Tcnicas especificadas, prazo e quantidade.

    SGQ

    Gestor; Ger Qualidade.

    Analise Critica de Venda

  • 53

    4.4 Poltica da Qualidade A Alumec tem como objetivo satisfazer as necessidades e expectativas de

    seus clientes.

    A efetivao desta poltica garantida pelo Sistema da Qualidade Alumec,

    que permite a realizao de seus objetivos:

    Compreender e atender aos requisitos de seus clientes; Promover a melhoria contnua da eficincia do Sistema de Gesto da

    Qualidade;

    Desenvolver e capacitar seus colaboradores.

    4.5 Misso e Valores da Alumec

    Dentro de sua viso administrativa a Alumec possui sua misso e valores que

    so os pilares de sua sustentabilidade, como pode ser demonstrado na figura a

    seguir:

    Figura 4: Estrutura de Misso e Valor da Alumec

    TEC

    NO

    LOG

    IA

    RES

    PON

    SABI

    LID

    AD

    E

    CO

    MPR

    OM

    ISSO

    Excelncia em qualidade de produtos

    Adaptao a Mudanas

    CO

    NFI

    AN

    A

  • 54

    Seu modelo de misso e valor como uma casa, onde o teto representa sua

    misso, cada pilar representa uma viso e sua base a solidez necessria para se adaptar as constantes mudanas do mercado onde atua.

    Confiana

    Comunicam os seus colaboradores de forma clara e de maneira mais abrangente possvel todas as informaes que julgarem importantes para o seu desenvolvimento.

    Trabalham com sugestes de todos os colaboradores da empresa e esto abertos a crticas construtivas e que possam gerar uma melhoria no desenvolvimento da empresa.

    Valorizam e reconhecem todo e qualquer desempenho dos funcionrios. Responsabilidade

    Delegam e definem metas para que sejam alcanadas ambiciosamente. Transmitem confiana para os colaboradores de maneira que eles

    tenham voz ativa suficientemente tomada de decises de extrema importncia.

    O ambiente atual da empresa totalmente baseado em normas. Buscam os melhores e mais capacitados profissionais do mercado

    Tecnologia

    Buscam a melhor tecnologia atual para a fabricao de produtos com qualidade.

    Todas as mquinas em que trabalham atualmente so de origem internacional e de ltima gerao a fim de atenderem todas as demandas de seus clientes, oferecendo produtos com alta qualidade.

    Compromisso

    Tem como misso manterem todos os compromissos em dia, tanto com os clientes internos quanto com os clientes externos, buscando excelncia em seu atendimento e em seus produtos.

    4.6 Organograma

    O Organograma demonstrado a seguir fornece uma viso global da estrutura

    administrativa e operacional da empresa.

  • 55

    Figura 5: Organograma

    Fonte: Alumec

  • 56

    5 CORRELAO ENTRE O PROCESSO DE DECISO DE INVESTIMENTO E DIMENSIONAMENTO DOS FLUXOS DE CAIXA

    5.1 Objetivo do Captulo Este captulo pretende apresentar a correlao entre o processo de

    deciso e o dimensionamento do fluxo de caixa com a exemplificao de projeo e

    mensurao de fluxo de caixa.

    5.2 Fluxo de Caixa Incrementais

    O aspecto mais importante de uma deciso de investimento est concentrado

    no dimensionamento dos fluxos previstos de caixa a serem produzidos pelas

    propostas em anlise. Em verdade, a confiabilidade sobre os resultados de

    determinado investimento em grande parte dependente do acerto de seus fluxos

    de entrada e sada de caixa que foram projetados.

    Em todo processo de deciso de investimento, fundamental o

    conhecimento no s de seus benefcios futuros esperados, expressos em termos

    de fluxo de caixa, mas tambm de sua distribuio ao longo da vida prevista do

    projeto. Por exemplo considerar unicamente que determinado investimento ir

    proporcionar, ao longo de cinco anos, receitas liquidas de caixa no total de $ 9

    milhes insatisfatrio para anlise. imprescindvel que se apure, alm do valor

    do saldo final de caixa, a forma como ser distribudo ao longo do tempo.

    importante destacar que os fluxos de caixa so mensurados em termos

    incrementais, ou seja, os valores relevantes para a avaliao so aqueles que se

    originam em conseqncia da deciso de investimento; por isso, esto

    perfeitamente associados ao dispndio de capital. Pode-se afirmar ainda que ao no

    se acionar determinado investimento, os fluxos de caixa diretamente atribuveis

    proposta deixam de existir integralmente.

    Pode-se afirmar ainda, que tudo aquilo que no venha a sofrer qualquer

    variao em funo da deciso de investimento tomada no apresenta nenhum

  • 57

    interesse para o dimensionamento do fluxo de caixa; somente so relevantes

    aqueles valores que se alteram na suposio de ser implementada a proposta de

    investimento. Da mesma forma, ao se avaliar mais de uma proposta de investimento

    aqueles valores que se mantm fixos em todas as alternativas so desconsiderados,

    pois no iro exercer qualquer tipo de influncia especfica nos resultados da

    anlise.

    De acordo com Assaf (2007,p.327), um dos aspectos mais relevantes na

    apurao dos fluxos de caixa incrementais a identificao dos efeitos que o projeto

    em avaliao ter sobre os demais resultados da empresa. Por exemplo ao lanar

    um novo produto no mercado, o efeito desta deciso pode ser a transferncia de

    consumidores dos produtos j existentes pra o novo lanamento. Neste caso tem-se

    uma transferncia dos fluxos de caixa correntes da empresa para o novo projeto.

    fundamental que esses valores sejam mensurados e descontados dos fluxos de

    caixa do novo projeto de forma a determinar seu valor incremental.

    Apesar da evidente dificuldade de se estabelecer uma regra geral que

    envolva todos os possveis eventos de caixa atribuveis as decises de investimento,

    apresentam-se a seguir as principais movimentaes financeiras que podero

    ocorrer.

    5.2.1 Desembolsos ou investimento inicial

    O valor de desembolso inicial o volume de capital comprometido (sada de

    caixa) para a gerao de resultados operacionais futuros. Neste item so includos

    todos os dispndios que tem como caractersticas no serem repetitivos, destinados

    a produzir benefcios econmicos futuros, tais como incrementos de receita ou

    reduo de custos e despesas.

    Segundo Gittman (2004,p.311),

    O termo investimento inicial refere-se, neste caso, s sadas de caixa

    relevantes a ser consideradas quando se avalia um gasto de capital

    proposto. Como nossa discusso preocupa-se somente com investimentos

  • 58

    que possuem fluxos de caixa convencionais, o investimento inicial ocorre na

    data zero- o momento no qual o gasto feito. O investimento inicial

    calculado subtraindo-se todas as entradas de caixa na data zero de todas

    as sadas de caixa que ocorrem nesta data .

    De forma ilustrativa, podem-se enquadrar como investimento de capital todas

    as aquisies de bens permanentes, como por exemplo: mquinas e equipamentos,

    terrenos, prdios, entre outros. Esses itens so avaliados por seus respectivos

    preos de compra acrescidos de todos os gastos necessrios para que entrem em

    funcionamento (fretes, seguros, despesas de instalao, etc.), e outras despesas

    intangveis (pesquisas, treinamentos) que eventualmente sejam demandadas no

    projeto.

    Deve-se atentar, que a necessidade refletida de investimentos adicionais em

    capital de giro assume caractersticas idnticas do investimento de capital; desta

    forma considerada como uma sada inicial de caixa. Enquanto os investimentos

    em ativo permanente retornam empresa na forma de despesas no

    desembolsveis (depreciao, amortizao e exausto), as aplicaes incrementais

    em capital de giro retornam ao caixa da empresa normalmente nos anos finais de

    vida til do projeto.

    Tanto o desembolso de capital permanente como o de giro ocorrem

    normalmente na fase inicial de implantao do projeto de investimento, podendo-se

    verificar logo no primeiro perodo ou no transcorrer dos anos seguintes.

    5.2.2 Receitas operacionais

    Representam os volumes peridicos de recebimentos de vendas atribuveis

    diretamente a um projeto de investimento que sero acrescidos ao resultado

    operacional da empresa. Os investimentos que geralmente elevam as receitas

    operacionais so aqueles implementados para expandir a capacidade fsica de

    produo da empresa ou o lanamento de um novo produto no mercado.

  • 59

    5.2.3 Custos e despesas operacionais

    Referem-se a todas as alteraes verificadas nos dispndios operacionais de

    uma empresa decorrentes pela deciso de implementao de um investimento.

    normal ocorrerem variaes nestes valores em propostas que visam incremento de

    receitas operacionais de vendas.

    Por outro lado, pode-se identificar tambm projetos que objetivam

    exclusivamente a reduo de custos e despesas operacionais, o que origina os

    benefcios da deciso de aplicao do investimento.

    Por exemplo, uma empresa esta avaliando uma alternativa de substituio de

    um equipamento antigo por um mais moderno e econmico. O investimento inicial

    do projeto reduz-se basicamente aos custos de aquisio do novo ativo fixo,

    deduzindo do valor de realizao do bem usado. Os fluxos de caixa desse

    investimento representam economias de custos que o equipamento em estudo

    poder trazer aos resultados da empresa. Desta forma, se o custo de produo com

    o equipamento antigo for de $ 200 mil anuais e, com a introduo do novo, reduzir-

    se para $170 mil anuais, pode-se afirmar, mantidos todos os demais valores

    operacionais imutveis que os benefcios econmicos ( fluxos operacionais de caixa)

    lquidos da proposta de investimento atingem $ 30 mil ao ano, ou seja, representam

    economia gerada nos custos.

    5.2.4 Despesas no desembolsveis e Imposto de Renda

    Na avaliao econmica de investimentos, as diversas despesas no

    desembolsveis (depreciao, por exemplo) no devem ser consideradas para o

    clculo dos fluxos de caixa. Esses valores no representam na realidade um

    comprometimento de caixa da empresa e so irrelevantes para o dimensionamento

    dos benefcios econmicos de uma proposta de investimento. A presena de

    despesas no desembolsveis afeta de maneira indireta os fluxos de caixa, pois

  • 60

    como o Imposto de Renda tratado como um desembolso de caixa efetivo, seu

    calculo processado aps a deduo dessas despesas.

    A depreciao, amortizao e exausto afetam o fluxo de caixa pela reduo

    que proporcionam no valor do Imposto de Renda.

    importante salientar, que em todas as decises de investimento, os fluxos

    de caixa devem ser mensurados aps a deduo do Imposto de Renda incremental.

    O valor calculado deste tributo relevante para o processo de anlise,

    principalmente quando a avaliao das alternativas de investimento em

    determinadas regies ou setores de atividade apresentarem incentivos fiscais .

    5.2.5 Vendas de Ativos

    Esses valores so determinados pela alienao que a empresa efetua de

    ativos fixos, sendo o recebimento desta alienao considerado como uma entrada

    de caixa.

    A venda desses bens pode ocorrer no incio do projeto, mediante

    substituio de ativos fixos usados por outros novos, por exemplo, ou ao seu final.

    Nas duas situaes o valor efetivamente auferido na venda, deve ser

    considerado para a determinao dos fluxos de caixa, no qual so includas tambm

    todas as despesas que a empresa venha a incluir na operao.

    A alienao de ativos tambm pode exercer influncias sobre o lucro

    tributvel da empresa, devendo ser considerado quando do clculo do valor da

    entrada de caixa, o efeito do Imposto de Renda.

    5.2.6 Sinergia de Projetos Verifica-se sinergia de projetos quando um projeto de investimento promove

    benefcios de caixa positivos em outros projetos em andamento na empresa. Estes

    benefcios incrementais podem surgir por exemplo da elevao de vendas ou

    reduo de custos.

  • 61

    Pode-se tambm verificar sinergia em resultados negativos. Por exemplo,

    uma empresa est avaliando o lanamento de um novo produto que poder

    incrementar as vendas de um produto existente (se for complementar) ou at

    mesmo reduzir a demanda, por se tratar de item concorrente. Nestes casos, tanto o

    aumento positivo (aumento de receitas) como o negativo (perda de vendas) deve ser

    considerado na avaliao do novo investimento.

    Estas sinergias devem ser quantificadas e incorporadas aos fluxos de caixa

    do projeto para avaliao.

    Uma ocorrncia inversa sinergia positiva a canibalizao de produtos, que

    ocorre quando a empresa lana um novo produto e este promove a reduo das

    vendas de outro existente.

    Os fluxos de caixa perdidos pelo efeito negativo determinado pela deciso

    devem ser considerados como sada de caixa na anlise do novo investimento. Este

    tratamento, dependendo da magnitude das vendas, pode levar a rejeio do

    lanamento do novo produto.

    O importante sempre avaliar comparativamente o custo de no lanar um

    novo produto e aquele determinado pela potencial perda de participao de

    mercado.

    5.3 Mensurao do Fluxo de Caixa Incremental para as Decises de Investimento

    O modelo de avaliao prope que os fluxos de caixa a serem considerados

    no processo de avaliao de investimentos contenham em termos incrementais,

    exclusivamente valores operacionais. Desta forma todos os fluxos financeiros

    provenientes das amortizaes de emprstimos financeiros contrados e respectivos

    encargos de juros devem ser ignorados.

  • 62

    Segundo Solomon e Pringle6 apud Assaf (2007,p.332), quando os juros e o

    principal so subtrados dos fluxos operacionais, os fluxos restantes tornam-se mais

    incertos do que os prprios fluxos de caixa das operaes, o que complica na

    determinao da taxa de retorno apropriada a qual os fluxos lquidos devem ser

    descontados.

    O valor do bem a qual ser analisado o investimento no deve estar vinculado

    forma de seu financiamento, mas depender exclusivamente do volume e

    distribuio dos resultados operacionais esperados, pois a qualidade do

    investimento que determina sua atratividade econmica e no sua estrutura de

    financiamento.

    Desta forma ,segundo Assaf (2007,p.332),os fluxos de caixa para as decises

    de investimento so apurados em valores lquidos, j efetuado a deduo do

    Imposto de Renda, e admitindo-se que o projeto em anlise seja financiado

    integralmente por capital prprio, ou seja, sem a necessidade de utilizao de capital

    de terceiros.

    De acordo com Assaf (2007,p.332), o fluxo de caixa pode ser ilustrado de

    maneira genrica da seguinte forma:

    = + (5)

    onde: = fluxo de caixa operacional incremental; = lucro operacional bruto ;

    = Imposto de Renda incremental calculado sobre ; = despesas no desembolsveis incrementais (depreciao, amortizao e

    exausto).

    De acordo com Assaf (2007,p.333), muitas vezes os fluxos de caixa para as

    decises de investimento so apurados mais rapidamente pelas demonstraes de

    resultado com base no lucro lquido.

    6 SOLOMON,Ezra;PRINGLE,John J. Introduo administrao financeira.So Paulo:Atlas,1981.

  • 63

    Utilizando-se desta forma o clculo do fluxo de caixa incremental fica

    expressa na seguinte expresso:

    = + + ( )

    Logo:

    = + + [ 1 ( )] (6)

    onde: = lucro lquido incremental = despesas financeiras incrementais consideradas no clculo do

    Para ilustrar , admita que uma empresa esteja avaliando seus fluxos de

    entrada de caixa provenientes de uma deciso de investimento. O quadro 5 , a

    seguir apresenta os vrios resultados operacionais apurados antes e aps a

    aceitao do novo investimento. O investimento tem vida de 5 anos.

    Para o processo de anlise de investimentos proposto pela teoria de finanas

    os fluxos considerados so os resultados operacionais incrementais de caixa lquido

    do Imposto de Renda. Para esta finalidade o quadro 6 ilustra o clculo dos fluxos de

    caixa incrementais, obtidos atravs da diferena entre os valores operacionais

    esperados em cada perodo e aquelas identificadas antes da deciso do novo

    investimento.

    Resultados Resultados Esperados considerando

    o novo investimento

    Antes do novo

    Investimento Do 1 ao Do 4 ao Do 8 ao R$ 3 Ano 7 Ano 10 Ano Receitas Operacionais 1000 1300 1800 1500 Custos e Despesas Operacionais -400 -500 -650 -600 Depreciaes -100 -120 -150 -140 Lucro Operacional Bruto 500 680 1000 760 Despesas Financeiras -200 -230 -250 -260 Lucro Antes do IR 300 450 750 500 IR ( 40%) -120 -180 -300 -200 Lucro Lquido 180 270 450 300

    Quadro 5: Resultados sem e com o novo investimento:

    Fonte: Assaf ( 2007,p.333)

  • 64

    Para uma melhor compreenso da metodologia de clculo dos fluxos de caixa

    incrementais o quadro 6 demonstra sua apurao de forma equivalente utilizando as

    frmulas 5 e 6 enunciadas anteriormente.

    Os fluxos de caixa incrementais conforme apurados no quadro 6 devem ser

    comparados com o valor do investimento de forma a se avaliar a atratividade

    econmica da deciso.

    RESULTADOS INCREMENTAIS

    ESPERADOS

    Do 1 ao 3 Ano

    Do 4 ao 7 Ano

    Do 8 ao 10 Ano

    20 50 40 180 500 260 IR ( LOP x 40% ) 72 200 104 DF ( Despesas Financeiras) 30 50 60 1 IR X (DF ) 18 30 36 ( ) 90 270 120 FCO= + ( . 5) 128 350 196 = + + [ 1 ] 128 350 196

    Quadro 6 Fluxos de Caixa Incrementais

    Fonte: Assaf ( 2007,p.334)

    importante ressaltar que a avaliao de um projeto de investimento no se

    altera com a modificao da estrutura de seu financiamento, tornando-se irrelevante

    para o seu dimensionamento dos benefcios econmicos de caixa a natureza de seu

    financiamento (prpria ou de terceiros), porque a presena de recursos de terceiros

    financiando parte dos ativos no exerce influncia sobre os fluxos de caixa. O fluxo

    de caixa operacional e deve ser comparado, para definio de sua atratividade

    com o total de investimento.

  • 65

    5.4 Exemplificao de Projeo e Mensurao do Fluxo de Caixa para as Decises de Investimentos A Alumec est avaliando uma proposta de investimento visando de forma hipottica expanso de sua atividade. Os principais dados do projeto so

    apresentados a seguir:

    a) Investimento total de $400.000, sendo, $380.000 o custo da mquina e mais

    $20.000 o custo de instalao do equipamento. A empresa ir financiar 60%

    de seu investimento mediante o levantamento de um emprstimo bancrio

    sem carncia. Os encargos nominais (juros) da dvida atingem uma taxa de

    14,5% ao ano. O prazo de financiamento tambm de cinco anos e as

    prestaes so calculadas pelo sistema de amortizao constante (SAC),

    pagas ao final de cada perodo.

    b) A durao prevista do projeto para fins de avaliao econmica de cinco

    anos, prevendo-se ser nulo o valor residual dos bens fixos;

    c) A alquota de Imposto de Renda a ser aplicada sobre os resultados lquidos

    de 40%.

    d) A projeo de aumento das receitas em decorrncia do novo equipamento

    de 10%, reduo de 5% dos custos de produo e as Despesas Operacionais

    (Vendas e Administrao) representam 15% da receita bruta.

    e) A depreciao d