NARCISISMO E TELEJORNALISMO · ORIENTADOR: SEVERINO FRANCISCO ... Cap.I Narcisismo O Mito ......

Click here to load reader

  • date post

    03-Dec-2018
  • Category

    Documents

  • view

    217
  • download

    0

Embed Size (px)

Transcript of NARCISISMO E TELEJORNALISMO · ORIENTADOR: SEVERINO FRANCISCO ... Cap.I Narcisismo O Mito ......

  • CENTRO UNIVERSITRIO DE BRASLIA UNICEUB

    FASA FACULDADE DE CINCIAS SOCIAIS APLICADAS

    CURSO: COMUNICAO SOCIAL

    HABILITAO: JORNALISMO

    ORIENTADOR: SEVERINO FRANCISCO

    Henrique Shigueo ShinzatoRA: 2034449-9

    NARCISISMO E TELEJORNALISMO

    BRASLIAMAIO, 2006

  • CENTRO UNIVERSITRIO DE BRASLIA UNICEUB

    FASA FACULDADE DE CINCIAS SOCIAIS APLICADAS

    CURSO: COMUNICAO SOCIAL

    HABILITAO: JORNALISMO

    ORIENTADOR: SEVERINO FRANCISCO

    NARCISISMO E TELEJORNALISMO

    Trabalho de concluso de curso

    apresentado ao Centro Universitrio de

    Braslia, como requisito parcial para

    obteno do ttulo de Bacharel em

    Comunicao Social com habilitao em

    Jornalismo.

    Orientador: Severino Francisco

    Henrique Shigueo ShinzatoRA: 2034449-9

    2

  • BRASLIAMAIO, 2006

    HENRIQUE SHIGUEO SHINZATO

    NARCISISMO E TELEJORNALISMO

    Trabalho de concluso de curso apresentado ao Centro Universitrio de Braslia, como requisito parcial para obteno do ttulo de Bacharel em Comunicao Social com habilitao em Jornalismo.

    BRASLIA, 25 DE MAIO DE 2006

    APROVADO EM

    BANCA EXAMINADORA

    _______________________________________Prof. Severino Francisco

    Orientador

    ____________________________________________Prof. Luiz Cludio Ferreira

    ____________________________________________Prof. Lcia Marques

    3

  • Este trabalho dedicado minha famlia e amigos, pelo apoio, carinho,

    compreenso, ateno e pacincia. Dedico tambm aos professores e

    funcionrios do curso de comunicao do UNICEUB, pelo reconhecido esforo.

    4

  • minha misia,com todo o meu amor.

    5

  • Ah, homens de pensamento No sabereis nunca o quanto

    Aquele humilde operrio Soube naquele momento!

    Naquela casa vazia Que ele mesmo levantara

    Um mundo novo nascia De que sequer suspeitava.

    Vinicius de Moraes

    6

  • RESUMO

    Freud formulou o conceito de narcisismo primrio, que diz respeito criana e

    escolha que ela faz de sua pessoa como objeto de amor. O amor no correspondido

    pode voltar para a prpria pessoa, que, por sua vez, recai ao do narcisismo

    secundrio. Na relao Telejornalismo e Narcisismo, o poder pode desencadear um

    processo narcsico. O viver por procurao, adotado pela jornalista Ana Paula

    Padro, seria a experincia concedida por delegao aos protagonistas dos fatos

    reais no caso, apresentadores de telejornais, tal experincia ajuda a desencadear

    o processo do desenvolvimento da sublimao, no sentido da dependncia narcsica

    do eu, que aparece em atividades artsticas e intelectuais.

    PALAVRAS -CHAVE: Narcisismo, Telejornalismo e Ana Paula Padro.

    7

  • ABSTRACT

    Freud formulated the concept of primary narcissism relating it to children and the fact

    that at a certain stage of psychologic development they choose themselves as the

    object of libido fixation. According to this, further on in life, love that is not

    corresponded can return to oneself in the form of secondary narcissism. When we

    take telejournalism and narcissism in consideration, it is possible to observe that

    power can unveil a narcissistic process. The formula of living by proxy, adopted by

    the journalist Ana Paula Padro, can be defined as an experience of granting the

    protagonists of the real events, in this case - anchormen and anchorwomen - with

    authority. This sets off the process of sublimation, in a sense of a narcissistic

    dependance on oneself, which appears in intelectual and artistic activities.

    KEY WORDS: Narcisismo, Telejornalismo, Ana Paula Padro.

    8

  • 9

  • SUMRIO

    Introduo.............................................................................................................11

    Primeira Parte

    Cap.I Narcisismo

    O Mito......................................................................................................................13

    Narcisismo e Psicanlise........................................................................................14

    Ideal do Eu..............................................................................................................16

    A Psicologia do self.................................................................................................17

    Segunda Parte

    Cap. II Telejornalismo Narcisista

    Da relao de Poder...............................................................................................22

    Telejornalismo e Interferncia.................................................................................23

    A Base do Ver e Ser Visto......................................................................................24

    Cap. III Caso Ana Paula Padro

    Da Esttica Perfeio...........................................................................................27

    Da Mediao ao Ego Ideal......................................................................................29

    Da Performance Cristalizao (Narciso em Flor).................................................31

    Concluso.........................................................................................................35

    Bibliografia...........................................................................................................37

    10

  • INTRODUO

    A idia de elaborao do estudo foi baseada em observaes ao longo do

    curso de comunicao, nos debates em sala de aula e discusses por meio de

    textos e livros. Os problemas que circundam o jornalismo, apresentando vrias

    facetas em constantes mudanas, requerem novas solues, pois com a ajuda das

    novas tecnologias se tornam cada vez mais complexas. Assim visto no

    comportamento do pblico e dos profissionais do telejornalismo.

    O estudo Narcisismo e Telejornalismo tem como proposta explicar a

    demasiada exposio de jornalistas, que podem confundir o papel de informar com a

    transformao em celebridade. Para estabelecer este processo, seguimos os

    ensinamentos de Sigmund Freud, Heinz Kohut e outros psicanalistas que se

    ocuparam, tambm, analisar o narcisismo, no s como uma doena, mas, tambm,

    como uma caracterstica encontrada no inconsciente de todas as pessoas, e mais

    facilmente vista em pessoas que tenham uma certa notoriedade no meio social.

    Nada melhor para a discusso de um dos canais do nosso meio: o

    Telejornalismo, que diante das teorias modernas, valorizando cada vez mais a

    visualidade, se torna mais propcio para o aparecimento do narcisismo. Neste caso,

    procuramos mostrar a forte valorizao dos aspectos suprfluos dos jornais

    televisivos diante da exposio da informao, da postura do apresentador at o

    cenrio do jornal.

    No decorrer do trabalho, as perguntas se tornaram mltiplas, quando se

    cruzavam as caractersticas do narcisismo com as vantagens e dificuldades de se

    fazer um telejornal dirio. O caso escolhido foi da apresentadora do SBT Brasil Ana

    Paula Padro, que chegou emissora na segunda metade de 2005 com um status

    de artista e carta branca na produo do programa e formao da equipe.

    Ana Paula usada como um exemplo, j que as teorias podem valer para

    outros apresentadores expostos na mdia. Contudo, ela preencheu o objetivo, pois

    se tornou e foi transformada em um cone do telejornalismo, avaliada como um

    diferencial na traduo da notcia, seja na forma de falar ou agir diante da tela.

    11

  • O trabalho tambm seguiu a anlise de programas gravados do jornal, na

    qual foi levado em conta o estudo da mdia, que, a partir da, tornou-se crucial para a

    identificao do problema, anlise comparativa do narcisismo e no processo de

    concluso do estudo.

    Enfim, foi traado um caminho, comeando com as observaes de Freud,

    passando pela identificao de um telejornalismo narcisista e acabando no exemplo

    da apresentadora Ana Paula Padro, com o objetivo de entender um dos muitos

    problemas mais grave do jornalismo moderno.

    12

  • Cap I.Narcisismo

    Do Mito

    Antes de comear a traar um panorama do narcisismo, importante relatar o

    mito. H numerosas verses tanto para o mito quanto para o estudo da psicanlise

    sobre o narcisismo. A mais conhecida est relatada em As Metamorfoses, por

    Ovdio (OVIDE, 1953), que conta a estria de Narciso, filho de Lirope, uma ninfa,

    que enlaada na correnteza do Deus do rio, Cfiso, foi violentada por ele e, tempos

    depois, deu luz uma criana muito bela.

    Assim, logo depois do nascimento de Narciso, Lirope se consultou com

    Tirsias, o adivinho, para saber o futuro da criana. Tirsias previu que a vida e a

    sorte de Narciso seriam prsperas caso ele no se conhecesse, ou seja, no visse

    sua imagem refletida.

    Motivo de cobia, nenhum jovem e nenhuma jovem conseguiram conquistar

    Narciso, conhecido por sua beleza e por seu orgulho. At que um dia, Eco, filha de

    Heros, a ninfa da voz sonora, o viu caando e se apaixonou por ele. Narciso

    continuou indiferente, apesar do afeto demonstrado.

    Eco teria sido envolvida como alvo da vingana de Hera, que estaria em fria

    por causa dos seus truques para impedi-la de surpreender Zeus enquanto perseguia

    as outras ninfas entre as montanhas. Vingativa, Hera fez com que a ninfa

    conseguisse apenas repetir os sons e as palavras ouvidas.

    Rejeitada por Narciso, Eco vivia escondida nos bosques e isolada do mundo

    dos vivos. O amor e a paixo que ela nutria por Narciso foram consumindo seu

    corpo at que restassem s a voz e os ossos. A voz permanecia viva, mas os ossos,

    com o tempo, foram tomando forma de pedra.

    Quanto a Narciso, este foi punido pela sorte vingadora dos altaneiros pelo seu

    orgulho e pela sua vaidade. Cansado depois de uma caada, aproximou-se de uma

    fonte lmpida e brilhante para beber gua. Naquele instante viu a imagem refletida

    na superfcie. Narciso atribuiu a imagem a outra pessoa e acabou se apaixonando

    13

  • por si mesmo. Sofreu um amor to tenaz como aquele que Eco sentia por ele, e,

    assim, tambm foi se consumindo at a morte, mas por uma paixo ardente pela

    prpria imagem.

    As ninfas Niades colocaram seus cabelos cortados numa tumba, mas o

    corpo de Narciso j tinha desaparecido. Acredita-se que os restos transformaram-se

    numa flor amarela alaranjada, cujo corao rodeado de ptalas brancas e

    chamado pelas ninfas com o nome de Narciso. Assim, Narciso ajudou a dar um

    significado, a grosso modo, ao termo narcisismo, o amor por si mesmo.

    Como Andre Green coloca:

    Retrato de Narciso: ser nico, todo-poderoso pelo corpo e pelo esprito encarnado no seu verbo, independente e autnomo sempre que queira, mas de quem os outros dependem sem que ele se sinta portador em relao a eles do menor desejo. No entanto, residindo, entre os seus, os de sua famlia, de seu cl e de sua raa, eleito pelos signos evidentes da Divindade, feita sua imagem. (...) Esta sombra do Deus uma figura do Mesmo, do imutvel, do intangvel, do imortal e do intemporal. (1988, p.55)

    Narcisismo e Psicanlise

    A idia do estudo estabelecer os traos narcisistas benficos ou no

    que podem ser encontrados no meio do telejornalismo, alm daqueles encontrados

    nos homens, e que podem influenciar na funo bsica do jornalismo, que a de

    informar.

    O estudo do narcisismo pela psicologia comea em 1887, como caso ligado

    ao fetichismo, pelo psiclogo francs Alfred Binet. Contudo, foi Sigmund Freud um

    dos maiores pensadores sobre o assunto no meio da psicanlise.

    O psicanalista tomou nota, pela primeira vez mencionando o narcisismo, em

    1910, em Trs ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, quando numa clara inteno

    de relacionar o estudo do narcisismo com a homossexualidade. Para Freud, os

    homossexuais seriam os invertidos, e que tomam a si mesmos como objetos

    sexuais e, partindo do narcisismo, procuram rapazes semelhantes prpria

    pessoa, a quem querem amar tal como sua me os amou.

    Este estudo acabou se tornando o balo de ensaio para Sobre o Narcisismo:

    Uma Introduo, de 1914, tambm de Sigmund Freud. O destacado trabalho fala

    sobre as relaes entre o ego e a libido objetal. Segundo observaes de Freud, o

    14

  • delrio de grandeza psictico levava a uma definio do narcisismo: a atitude

    resultante da transposio, para o eu do sujeito, dos investimentos libidinais antes

    feitos nos objetos do mundo. (ROUDINESCO; PLON, 1998, p.530)

    Para o psicanalista, a libido seria uma quantidade limitada de energia do

    homem que poderia ser investida no mundo objetal ou em si prprio. Freud observou

    tambm que esse movimento de retirada s poder ser produzido em um segundo

    tempo, e este precedido de um investimento dos objetos externos por uma libido

    proveniente do eu.

    Com essas observaes, Freud pde constituir o narcisismo primrio, ou

    infantil, e que diria respeito criana e escolha que ela faz de sua pessoa como

    objeto de amor, numa etapa precedente plena capacidade de se voltar para

    objetos externos. (ROUDINESCO; PLON, 1998, p.530) Mais do que isso, acredita-

    se que existe entre a libido do eu e a libido do objeto um movimento de gangorra: se

    uma enriquece, a outra empobrece e vice-versa. O estado amoroso aquele no qual

    a libido do objeto encontra-se no auge do seu desenvolvimento. O processo

    contrrio, aproximando-se do narcisismo, seria aquele em que a libido do eu, na sua

    expanso mxima, fundamenta a fantasia do fim do mundo no paranico. Assim

    como vemos no mito de Narciso, Freud notou que uma pessoa apaixonada investe

    parte da energia libidinal no objeto do seu amor, que esta s poder ser recuperada

    se o sentimento for correspondido, caso contrrio, a auto-estima cai.

    Uma frustrao amorosa, por exemplo, causa a privao do ego, e, assim, a

    impossibilidade de satisfao. O amor no correspondido poder voltar para a

    prpria pessoa, e, desta forma, recaindo a um segundo processo, a do narcisismo

    secundrio. Este processo apresenta um novo amor feliz, comparvel ao amor de

    uma criana por si mesma e corresponde condio primeira, na qual a libido

    objetal e a libido do ego no podem ser diferenciadas (narcisismo primrio).

    A diferena entre os dois tipos est na evoluo do processo. No narcisismo

    primrio, a primeira fase destacada pelo auto-erotismo de uma criana,

    considerado, tambm, como estado inicial da libido. Para se ter uma segunda fase,

    preciso haver uma ao psquica, e provocar o desenvolvimento do narcisismo

    infantil. o estgio definido como a superestima do poder do desejo e atos mentais,

    a onipotncia do pensamento, a crena na fora taumatrgica das palavras e na

    magia como uma tcnica para lidar com o mundo externo. Para Freud, as

    15

  • caractersticas no so encontradas exclusivamente nas crianas, mas, tambm,

    nos esquizofrnicos e nos povos primitivos.

    O indivduo avanando do narcisismo primrio para o amor objetal nunca

    investe toda a sua libido do ego no objeto. Mesmo durante o estado de paixo

    amorosa, uma certa quantidade do narcisismo permanece no ego. Freud presume

    que:

    no incio do desenvolvimento do indivduo toda a sua libido (todas as tendncias erticas, toda a sua capacidade de amar) est vinculada a si mesma ou, como dizemos, catexiza o seu prprio ego. somente mais tarde que, ligando-se satisfao das principais necessidades vitais, a libido flui do ego para os objetos externos. At ento, no conseguimos reconhecer os instintos libidinais como tais e distingui-los dos instintos do ego. Para a libido, possvel desvincular-se desses objetos e regressar outra vez ao ego. (1996, p.148)

    Em outras palavras, a libido tem a capacidade de se transformar e introverter.

    Este estado de converso posterior da libido objetal em libido do ego, que surge

    atravs da inundao das catexias objetais, denominado como o narcisismo

    secundrio. O narcisismo do Eu, como tambm conhecido, mantm-se como o

    resultado, manifesto na clnica da Psicose, da retirada da libido de todos os objetos

    externos, contudo, o Narcisismo Secundrio no se limita a esses casos extremos,

    uma vez que o investimento libidinal do eu coexiste, em todo ser humano, com os

    investimentos objetais, havendo Freud postulado a existncia de um processo de

    equilbrio energtico entre as duas formas de investimentos (...).(ROUDINESCO;

    PLON, 1998, p.532)

    Assim, a inverso da libido direcionada a uma pessoa para o prprio ego

    consiste na transformao em narcisismo secundrio, onde a libido no repassada

    totalmente para o ego, e, sim, s uma parte.

    Ideal do Eu

    Com as definies de narcisismo, o mesmo estudo passou a introduzir o

    termo Ideal do Eu. Freud passou a us-lo como um modelo de referncia do eu.

    Seria um tipo de substituto do narcisismo perdido na infncia e, tambm, como

    produto de identificao com as figuras parentais e seus substitutos sociais.

    16

  • De acordo com a definio de Sigmund Freud:

    Esse ego ideal o alvo do amor de si mesmo (self-love) desfrutado na infncia pelo ego real. O narcisismo do indivduo surge deslocado em direo a esse novo ego ideal, qual, como o ego infantil se acha possudo de toda perfeio de valor. (...) Ele no est disposto a renunciar perfeio narcisista de sua infncia, e quando, ao crescer, se v perturbado pelas admoestaes de terceiros e pelo despertar de seu prprio julgamento crtico, de modo a no mais poder reter aquela perfeio, procura recuper-la sob a nova forma de um ego ideal. O que ele projeta diante de si mesmo como sendo o seu ideal o substituto do narcisismo perdido de sua infncia na qual ele era o seu prprio ideal. (1969, p.111)

    Ento, o ideal do ego permanece em vigilncia constante por parte da

    conscincia, preservando a satisfao narcisista e sendo medido pelo cumprimento

    dos ideais. J a conscincia apresentada como a voz crtica dos pais e do

    ambiente social, que constitui um obstculo ou uma proibio vinda de fora.

    A formao do ego ideal pode ser, em muitas vezes, confundida com a

    sublimao do instinto. Por um lado, o ego ideal precisa de um certo grau de

    sublimao sem fortalec-la , pois ela continua sendo um processo especial que

    pode ser estimulado pelo ideal, mas o estmulo executado de forma inteiramente

    independente.

    Em outras palavras, a sublimao seria um processo que diz respeito libido

    do ego que, como libido dessexualizada dirige-se no sentido de uma finalidade

    diferente e afastada da finalidade da satisfao sexual. Assim, Freud decide usar o

    conceito de sublimao, dependente da dimenso narcsica do eu, para relacion-lo

    com alguns tipos de atividade humana como a criao artstica, literria, intelectual

    que no associada sexualidade, mas que usa a fora da pulso sexual, na

    medida que se direciona para um alvo no sexual, investindo objetos socialmente

    valorizados. A sublimao, para Freud, um principio de elevao esttica comum a

    todos os homens, mas do qual s eram plenamente dotados os criadores e artistas.

    A Psicologia do Self

    Podemos tambm levar em conta o estudo do narcisismo Kohutiano no

    entendimento da formao do Ideal do Eu.

    17

  • Admirador de Sigmund Freud, o psicanalista americano Heinz Kohut

    desenvolveu a escola da Self Psychology, como uma tentativa de inserir a

    psicanlise num contexto mais amplo, relacion-la com a sociologia e histria, e

    aproximando-a das necessidades do homem contemporneo.

    Para Kohut, a psicanlise clssica descobriu o desespero da criana na

    profundeza do adulto realidade do passado, a psicologia do self descobriu o

    desespero do adulto na profundeza da criana realidade do futuro. (1977/1988,

    p.83)

    O Narcisismo nas teorias kohutianas adquiriu uma funo de estruturao, do

    modo que possa, nas futuras etapas da vida, sofrer transformaes teis, tais como

    a empatia, sabedoria, criatividade, humor e aceitao de sua finitude.

    Heinz Kohut observa que o narcisismo pode se transformar num fenmeno

    positivo, e que, por sua vez, segundo ele, uma variante da evoluo psquica

    humana - paralela e independente da libidinal, e em vez de ser substituda pelo amor

    objetal deveria ser guiada para um narcisismo transformado, socialmente til

    (provando que no a mais primitiva e menos adaptativa das duas formas de

    distribuio da libido).

    Assim, o termo self o elemento mais importante nas teorias de Heinz Kohut

    e pode ser definido como a imagem que o indivduo tem de si mesmo. composto

    de estruturas entre os quais constam o ego, o id, o superego e inclusive a imagem

    do corpo. Em outras palavras, o self determina a personalidade total, a conscincia

    de si, a experincia de se sentir e de se ver a si prprio. O self delimita a dimenso

    narcsica do indivduo, sendo uma representao de si por si mesmo e um auto-

    investimento libidinal.

    Ento, para que o Self se desenvolva de maneira correta, preciso passar

    por trs estgios, durante os quais as experincias dos fragmentos corpo-mente

    isolados possam se aglutinar aos poucos e, assim, finalizarem numa experincia de

    um self total da conscincia de si mesmo como um ser psquico e fsico.

    A primeira, chamada de experincia de partes e funes parciais, e

    equivalente ao auto-erotismo, aquela na qual tem noo apenas das partes

    corporais e das funes isoladas. Na Segunda experincia, das configuraes

    coesivas, psicologicamente aperfeioadas, o narcisismo primrio de acordo com a

    hiptese kohutiana. A terceira, e ltima fase, culmina na formao do self nuclear,

    total e coeso, e que desenvolvido corretamente, todos os elementos corpo-mente

    18

  • uma unidade s, com harmonia e no apenas constroem o self, mas se

    desenvolvem dentro dele.

    O desenvolvimento errado do self, por transtornos ocorridos na infncia,

    poder transform-lo em um self fragmentado, causando, assim, os transtornos

    narcsicos da personalidade equivalente ao narcisismo secundrio ditado por

    Freud.

    Porm, este processo poder sofrer transformaes teis, culminando na

    auto-estima madura.

    Tanto no setor de suas ambies quanto no de seus ideais, o self no busca o prazer atravs da estimulao e da descarga de tenso, o self procura satisfao atravs da realizao de suas ambies e de seus ideais nucleares. Sua satisfao no d prazer, como acontece na satisfao do impulso instintivo, mas sim triunfo e o brilho da alegria. E seu bloqueio no desperta o sinal de angstia (...), mas o pressentimento de desespero (por exemplo, da vergonha ou da depresso vazia desespero antecipado pelo esmagamento do self e pela derrota final de suas aspiraes). O Homem Trgico no teme a morte como punio simblica (castrao) pelos proibidos objetivos de prazer (como acontece com o Homem Culpado); teme sim, a morte prematura, morte que impede a realizao dos objetivos de seu self nuclear. E, diferena do Homem Culpado, o Homem Trgico aceita a morte como parte da curva de sua vida satisfeita e satisfatria. (KOHUT, 1985, pp.138-139)

    Kohut tambm introduz outros dois conceitos importantes para o estudo do

    narcisismo: a imago parental idealizada e o self grandioso.

    O primeiro associado idealizao um aspecto original do narcisismo

    como a bem-aventurana, poder, perfeio e bondade que o beb projeta na figura

    parental e aos quais se agarra como fontes de gratificao. Assim, a imago parental

    idealizada uma instncia pulsional anterior do ideal do eu, onde se transporta o

    imaginrio exibicionista da criana.

    Durante o desenvolvimento psquico, a criana passa a ser mais realista

    durante a avaliao do objeto idealizada, e, deste modo, o desapontamento que

    faz com que ela retire as catexias narcsicas idealizadas da imago objetal e as

    internalize gradualmente.

    Numa situao anormal, isto , caso o relacionamento com o objeto

    internalizado seja perturbado ou sofra um desapontamento traumtico intenso e

    repetitivo e inadequado fase do desenvolvimento psquico a criana poder no

    19

  • desenvolver uma estrutura interna necessria, mas, contudo, formar dois

    mecanismos protecionais uma imagem exibicionista e grandiosa do self, a imago

    parental idealizado, na tentativa de salvar a experincia original de perfeio.

    O psicanalista americano v que o ego experimenta, de uma forma, a

    influncia do ideal do ego. Afirma, ainda, que o homem conduzido por seus ideais

    e empurrado por suas ambies. E diferentemente da imago parental idealizada,

    que reverenciada, admirada, procurada e imitada, o self narcsico quer ser olhado

    e admirado. (KOHUT, 1985, p.15)

    A existncia de um arco de tenso na criana quer ser olhado e admirado,

    constitudo pela imago parental idealizada, onde residem os ideais, e pelo self

    grandioso, na esfera das ambies. Entre os dois, permanece o ego com as

    habilidades, capacidades e talento. Kohut afirma:

    Nossos ideais so nossos guias internos, ns os amamos e aspiramos a atingi-los. Os ideais so capazes de absorver grandes quantidades de libido narcsica transformada e, assim, de reduzir tenses narcsicas e a vulnerabilidade narcsica. Se o investimento instintivo que o ego faz no superego permanecer insuficientemente dessexualizado (ou tornar-se ressexualizado), o resultado ser o masoquismo moral, condio e que o ego pode chafurdar num estado de humilhao toda vez que no consegue viver de acordo com seus ideais. Mas o que geralmente ocorre que o ego no experimenta um sentido de estar ferido narcisicamente quando no consegue atingir seus ideais: mais exatamente, experimenta uma emoo semelhante de nostalgia. (1985, p.15)

    J o self grandioso pode ser definido como imagem onipotente e perfeita que

    a criana tem de si mesma, oposto imago parental idealizada, uma representao

    dos pais, ou seja, do outro. Kohut observa que a existncia desta unidade, durante

    um certo tempo, imprescindvel ao desenvolvimento da estrutura do self. No

    decorrer do tempo, o self grandioso, gradualmente, e com o apoio dos pais, vai se

    transformando em auto-estima, autoconfiana e em ambies prprias, caso

    contrrio, ele o self grandioso persistir em se desenvolver em um transtorno

    narcsico da personalidade.

    Para regressar a um narcisismo dito normal, preciso fazer por meio de

    transferncias narcisistas, por meio da empatia e da introspeco, fazendo com que

    o sujeito, depois das transferncias, se transforme em um self coeso. O processo

    poderia ser comparado ao trabalho de um analista quando sentido pelo paciente

    20

  • como fazendo parte de si mesmo, como uma extenso dele, assim como no

    processo de criao intelectual, e a funo do analista pode ser desempenhada

    pelos textos procura do reconhecimento.

    H dois tipos de transferncias: a idealizadora e a especular. Cada uma

    depende da instncia ativada, como, por exemplo, a transferncia idealizadora ativa

    a imago parental idealizada provocando um fortalecimento da matriz do ego e o

    reforo dos ideais do paciente. A transferncia especular trata do self grandioso na

    revivncia da fase de desenvolvimento do self grandioso, na parte quando a criana

    tenta reter parte do narcisismo original e a perfeio original, atribuindo todas as

    imperfeies ao exterior.

    Posteriormente, devemos observar os pontos narcisistas no telejornalismo,

    com a relao ao poder, interferncia e nova associao com a imagem.

    21

  • Cap II.Telejornalismo Narcisista

    Da relao de poder

    Como proposto por Muniz Sodr, em Televiso e Psicanlise: seria,

    entretanto possvel escutar de maneira diferente a lenda de Narciso? (2000, p. 20)

    Para ele, possvel, desde que se permita a autonomia dos sistemas ilusrios, na

    produo de seus efeitos, na busca das verdades atravs de sistemas de sujeito da

    conscincia ou do inconsciente. Assim, Narciso pode, tambm, ser considerado

    como aquele que mata a verdade de si mesmo no real e morre em sua prpria

    imagem, o seu duplo.

    Matar a verdade e cair em si na realidade so as relaes precisas para que

    se tenha a influncia do ego, alimentando, assim, a vontade narcsica.

    Uma das formas que podem desencadear o processo narcsico criando um

    cenrio propcio para tais experincias o poder, no caso do jornalismo, os

    poderes delegados a ele: o de fiscalizar e o de informar. Segundo Luiz Martins da

    Silva, em Imprensa e Poder, virtualmente, a imprensa exerce, por delegao da

    sociedade e cidados, o poder de fiscalizar os outros poderes, o que significa, por

    excelncia, a tarefa de dar visibilidade coisa pblica. Ora, a visibilidade uma

    condio da democracia (MOTTA, 2000, p.48), e para exercer essa tarefa preciso

    que ela seja integra, sob pena de perder a sua essncia e tambm a sua

    sobrevivncia. (MOTTA, 2000, p. 50)

    O jornalismo uma ferramenta delegada do coletivo, confiada pela

    sociedade, na fiscalizao dos outros poderes por isso o termo Quarto Poder , e,

    assim, sem espao para desvirtuamento do foco da misso, sem se deixar

    influenciar pelos outros poderes, incluindo o poder econmico, e por interesses

    alheios sociedade.

    Mas tais interesses poderiam ser individuais e narcsicos? Kohut volta a

    afirmar que o homem conduzido por seus ideais e empurrado por suas ambies.

    (1985, p.15)

    22

  • Telejornalismo e Interferncia

    Guilherme Jorge de Rezende, em Telejornalismo no Brasil, ressalta que o

    telejornalismo cumpre uma funo social e poltica to relevante porque atinge um

    pblico, em grande parte iletrado ou pouco habituado leitura, desinteressado pela

    notcia (...) justamente por causa desse telespectador passivo que o telejornalismo

    torna-se mais importante do que se imagina, a ponto de representar a principal

    forma de democratizar a informao. (2000, p.24)

    Rezende afirma tambm que at provvel que o telejornalismo no esteja

    cumprindo satisfatoriamente essa misso social, pois estaria atrelado aos objetivos

    econmicos e polticos das grandes empresas de comunicao.

    A situao to crucial quanto preocupante, pois poderiam envolver

    questes, por exemplo, de definio do que de interesse pblico, que influem na

    vida do cidado, no cumprimento da lei, da moral e dos bons costumes, e do que

    do interesse do pblico, focadas nas atividades pblicas, oriundas da sociedade civil

    e do mercado, e nem por isso descompromissada legal e eticamente.

    Assim, para Luiz Gonzaga Motta, este processo de seleo de notcias no se

    restringe ao ato de decidir o que vai e o que no vai ser publicado, podendo, desta

    forma, ser examinados por fatores objetivos e subjetivos:

    de fato, a seleo da parte do real que vai sair no jornal do dia seguinte ou no telejornal da noite comea desde a elaborao da pauta, passando pela escolha das fontes, pelos cortes que os reprteres fazem da realidade, pelas prioridades atribudas, pelos ngulos de cada matria, pela forma como o real submetido ao texto, pelos cortes, enquadramentos e nfases subseqentes dos diagramadores e dos editores, num processo complexo e sujeito, em todo o seu percurso, a presses e a condicionamentos polticos, ideolgicos e econmicos. (2000, p.125)

    Mas como tudo na vida social uma questo de administrao da impresso,

    nosso mundo um mundo de aparncia visvel, e vivemos numa cultura em que ela

    a aparncia a realidade, o que pode criar uma certa conscincia da

    passividade.

    Roger Silverstone, em Por que estudar a Mdia?, tambm observa que o

    pressuposto que, em algum sentido, o espectador de televiso e o ouvinte de rdio

    23

  • (e no apenas o leitor de jornal) so ativos; de que ver, ouvir, e ler requerem algum

    grau de comprometimento, algum tipo de escolha, de conseqncia (...) que nos

    aproximamos de nossa mdia como seres conscientes (...) os significados por ns

    produzidos que envolvem nossa mdia, que podem exigir ou depender dela, so

    significados como outros quaisquer e produto de nossa capacidade, como seres

    sociais, de ser no mundo. (2002, p.111)

    Desta forma, o material jornalstico da televiso apresenta uma srie de

    fatores que influem na elaborao, edio e divulgao do mesmo, em condies,

    s vezes, adversas ao dever do jornalismo, alm de possibilitar, por sua estrutura, a

    visibilidade de algo ou algum alm da notcia, notadas ou no pelos

    telespectadores.

    A base do ver e ser visto

    O efeito primeiro da televiso, aplicando s mdias em geral, trazer

    visibilidade algum ponto do mundo em que ele deve ser visto, como determinao

    do visvel. Em Poder no Jornalismo, de Mayra Rodrigues Gomes, este processo diz

    respeito ao espetculo e o espetculo atrela-se a cena. Quanto a esta, h sempre

    um maquiamento, ainda que metafrico, para que possamos entrar em cena e

    conviver com o cenrio que nos colocado. (2003, p.75)

    O formato espetacular, comum s emisses de fico e de realidade, capaz

    de magnetizar a ateno do pblico. O espetculo acaba se destinando

    contemplao, combinando, na produo telejornalstica, uma forma que privilegia o

    aproveitamento de imagens atraentes, muitas vezes desconsiderando o seu real

    valor jornalstico.

    Assim, a mensagem que nos passada, multidimensional e multissensorial,

    tende a atuar com mais intensidade, repercutindo quase diretamente na nossa

    afetividade, sem passar pela mediao do intelecto. Na comunicao audiovisual,

    desta forma, predomina a sensao sobre a conscincia, a emoo sobre o racional.

    a TV suplanta os demais veculos de comunicao, porque, alm dos cdigos lingsticos e sonoro (disponveis tambm no rdio), utiliza o cdigo icnico como suporte bsico de sua linguagem. Por causa disso, as produes televisivas privilegiam, s vezes em excesso, a fora expressiva da imagem, inclusive nos programas jornalsticos. A primazia do elemento visual requer a aplicao

    24

  • eficiente de recursos no-verbais para atrair e manter constante o nvel de curiosidade do telespectador. (REZENDE, 2000, p.24)

    O autor chama essa condio do telespectador de participao por

    procurao, que o coloca na funo alienante do espetculo da realidade-fico.

    Este estado nega o valor da Televiso como um prisma no ponto de vista

    ilusrio mas, sim, o transforma como um espelho, isto , o lugar onde a identidade

    original do sujeito d lugar imagem, ao simulacro.

    Portanto, trata-se das identificaes com o eu ideal (heris, personagens

    excepcionais ou prestigiosos) e com o ideal do eu (figuras parentais e autoridade,

    objetos de amor, ideais coletivos) ou ainda com o superego, instncia interditora que

    representa internamente tanto as proibies parentais como as tradies e os

    valores geracionais. (SODR, 2000, p.51)

    Assim, o telespectador pode identificar-se, tambm, com a sua imagem

    especular ou com o semelhante a si no espelho, alm de estar plenamente

    suscetvel a estabelecer uma identidade com os ideais e modelos destacados pela

    visibilidade.

    O mesmo formato espetacular da realidade-fico, Rezende define tambm o

    viver por procurao, que seria a experincia concedida por delegao aos

    protagonistas dos fatos reais ou seja, jornalistas, no caso, apresentadores de

    telejornais e reprteres ou da fico, que seriam os atores de filmes e novelas.

    Pois, como os atores e polticos, os reprteres e apresentadores de

    telejornais acabam tambm dividindo a vida em dois: entre a figura pblica,

    mostrada na TV, e a privada, em casa com a famlia. Este processo ajuda no

    desenvolvimento da sublimao, no sentido da dependncia narcsica do eu, que

    aparece em atividades artsticas e intelectuais, j relatada no captulo anterior, que

    usa a fora da pulso sexual em objetos socialmente valorizados. Para Freud, a

    sublimao um principio da elevao esttica, encontrada nos criadores, artistas e

    escritores, e, neste sentido, hoje no telejornalismo (na figura dos reprteres e

    apresentadores) na valorizao esttica da imagem.

    A primazia do elemento visual requer a aplicao eficiente de recursos no-

    verbais para atrair e manter constante o nvel de curiosidade do telespectador

    (REZENDE, 2000, p.24), que pode ser vista como a valorizao da arte de um jornal

    at a postura de um apresentador.

    25

  • Observaremos, no prximo captulo, o que pode ser o reflexo do narcisismo

    durante a criao de uma identidade da jornalista Ana Paula Padro para o pblico,

    atravs do critrio esttico, da mediao, e da performance.

    26

  • Cap III.Caso Ana Paula Padro

    Da Esttica Perfeio

    Todo telejornal precisa ter um bom apresentador. Seria um profissional da

    locuo, que recebe os textos do programa preparados pelos editores e os l diante

    das cmeras. Dita o ritmo e a entonao. Para mostrar compreenso da notcia, a

    voz limpa e a empostao adequada so fatores que adicionam ao apresentador

    uma maior credibilidade. (CURADO, 2002)

    Como tudo na TV, o telejornalismo usa o atrativo fsico como um atributo que

    influi no comportamento dos outros. A sociedade aceita mais facilmente, segundo

    Guilhermo Acosta-Orjuela, em 15 motivos para ficar de olho na televiso, as

    pessoas fisicamente atraentes, pois so mais promovidas no trabalho, tm mais

    sucesso nos empreendimentos e so mais agradveis, amistosas e flexveis.

    Para o autor, embora a aparncia fsica influencie em maior ou menor grau a

    cada pessoa, sabe-se por experimentos que, dependendo das circunstncias e

    usando os mesmos argumentos, os comunicadores fisicamente atraentes

    conseguem convencer mais as outras pessoas das suas opinies que os no

    atraentes. (ACOSTA-ORJUELA, 1999, pp.77-78)

    Alm disso, a possibilidade do apresentador falar diretamente com o

    telespectador, por intermdio do teleprompter, refora a idia de intimidade, uma

    estratgia narrativa fundamental para igualar as imagens transmitidas via

    telejornalismo quelas que cotidianamente fazem parte do mundo do telespectador.

    (BRITTOS, 2005)

    Alguns apresentadores se destacam por essa credibilidade adquirida pela

    poltica esttica do telejornalismo moderno. O nosso exemplo a jornalista Ana

    Paula Padro, apresentadora do telejornal SBT Brasil, do canal SBT.

    Com requisitos que preencheram o chamado padro Globo de jornalismo,

    emissora onde trabalhou entre 1987 e 2005, seu perfil foi construdo, seguindo o

    modelo esttico da TV, para associar a simpatia, o carter, a elegncia, a

    27

  • confiabilidade, alm do refinamento e sofisticao. (ACOSTA-ORJUELA, 1999,

    pp.77-78) Notamos que essas qualidades so transmitidas, pela apresentadora, de

    acordo com o seu comportamento refinado frente s cmeras, realado pelas

    gesticulaes das mos, ostentadas com anis de ouro, vistas durante suas

    apresentaes, at ao uso de roupas finas e elegantes, ainda que em ocasies no

    propicias, como em reportagens tensas.

    Em julho de 2000, por exemplo, Ana Paula cobriu as dificuldades da

    populao afeg diante do regime Talib, no Afeganisto. Em um cenrio de

    extrema pobreza, regido por um poder fundamentalista instalado na dcada de 90, a

    apresentadora, na funo de reprter especial, se vestia com o tradicional vu usado

    pelas mulheres mulumanas, mas de uma vistosa cor azul, se diferenciando dos

    habituais vus de cores escuras e opacas. Portando tambm um belo par de culos-

    de-sol, que no era de uso habitual na regio, passamos a notar que a jornalista

    vista como o padro feminino ocidental plo positivo, o avano se sobressaindo

    diante do padro feminino daquela realidade plo negativo, o atraso. Do ponto de

    vista jornalstico, a esttica passa a funcionar como um temvel canal de juzo de

    valores mesmo no sendo essa a inteno , pois as vestimentas influem no valor

    da reportagem, passando de uma denncia para uma relao extica e diferente

    entre ocidente e oriente.

    Quanto apresentao dos telejornais, observamos que este fator no

    agrega em nada na qualidade da informao. A apresentadora apenas traa a sua

    marca e ressalta sua credibilidade, seguindo esse padro esttico, junto

    sociedade. As roupas requintadas e os acessrios suprfluos s tm valor de

    estetizao vazia, e no determinam, ou reforam, a competncia de quem faz o

    jornalismo. Mas a credibilidade conquistada nesse parmetro traado pelo

    telejornalismo moderno culmina em mais liberdade, visibilidade e reconhecimento.

    Em meados de agosto de 2005, Ana Paula Padro assumiu a apresentao

    do jornal SBT Brasil, na tentativa de retornar os servios jornalsticos daquele canal.

    Numa entrevista Folha Online, do dia 03/07/2005, a apresentadora conta que ir

    tentar inovar na linguagem. Os telejornais hoje so duros, no estabelecem

    identidade com o telespectador. Os textos tm de ser mais diretos, os reprteres,

    vistos como pessoas. Alm disso, o SBT no tem compromisso poltico e comercial

    com ningum. O Silvio Santos independente. O sonho de todo jornalista

    trabalhar com liberdade editorial completa. No SBT, dependo do meu bom senso e

    28

  • no preciso consultar ningum. Toda grande rede tem um determinado

    compromisso, seja de ordem poltica, religiosa ou econmica. Aqui no.

    Ana Paula nos apresenta um telejornal totalmente independente, um

    jornalismo em sua total perfeio, mas observamos que a estria no bem assim.

    Inegavelmente a apresentadora acabou ganhando mais liberdade para definir

    posturas editoriais, evitadas na emissora anterior, alm de mais visibilidade: agora

    comanda um jornal em horrio nobre, deixando as madrugadas frente do Jornal da

    Globo. Mas ser que nele pode existir uma independncia poltica e ou

    econmica?

    Notamos que o SBT Brasil tenta montar uma identidade mais popular,

    seguindo a prpria poltica do canal, passando a dar mais nfase a matrias de

    esporte, curiosidades e, principalmente, voltadas violncia urbana, em sua maioria

    na grande So Paulo. Em programa exibido no dia 23/05/2006, por exemplo, Ana

    Paula apresentou como manchetes principais: o medo dos vizinhos de presdios no

    estado de So Paulo, onde h clulas criminosas do P.C.C., e o assassinato do

    funcionrio de uma multinacional, resultado de uma banal briga de trnsito na capital

    paulista. A maioria dos telejornais de cobertura nacional destacava o depoimento da

    advogada do suposto lder do PCC na CPI do Trfico de Armas e as dificuldades

    encontradas pelo governo federal em anunciar um pacote agrcola para acalmar o

    setor em crise.

    Quanto ao fator econmico, observado algo mais gritante. O telejornal

    costuma apresentar um anunciante, ainda dentro da sua curta grade. Geralmente,

    ao final do segundo bloco so trs ao total , um narrador diz: Voc est

    assistindo ao SBT Brasil, com Ana Paula Padro. Este programa oferecido por

    Tramontina. Assim podemos notar que o telejornal sofre a interferncia desses dois

    fatores, e a perfeio proposta pela apresentadora passa a ser transferida para as

    aes diante da cmera, como na mediao dos fatos e sua performance.

    Da Mediao ao Ego Ideal

    A liberdade de reflexos na apresentao de matrias e informaes faz

    com que a apresentadora se veja proximamente ligada a eles, no conseguindo se

    separar de tais reflexos. As roupas e o comportamento diante das cmeras

    29

  • ressaltam essa proximidade, ajudando no processo da credibilidade, uma relao de

    confiana entre apresentadora e telespectador.

    Vimos que Ana Paula Padro usa dessa liberdade e credibilidade para

    enfatizar matrias corriqueiras, como se tivessem um fator maior, e, desta maneira,

    podendo no dar um verdadeiro valor e peso s informaes. Em programa do dia

    25/05/2006, o telejornal apresentou a seguinte escalada, nessa ordem: organizaes

    criminosas operam em presdios de Vitria (ES), parentes de presos de So Paulo

    protestam, a comunicao entre os presos via-celular, salas de aulas de uma escola

    pblica de Belm (PA) usam grades como portas, advogado do lder do PCC preso

    em depoimento na CPI (principal matria na cobertura nacional), trs ces da raa

    pit bull matam uma pessoa em Minas, a preparao da seleo brasileira na Sua e

    um gandula se torna celebridade durante um treinamento da seleo.

    Seguindo essa escalada, a informao do advogado preso e algemado na

    CPI no teve tanto peso nesse dia, colocado entre a matria das salas gradeadas e

    a chamada para o ataque dos ces em Minas, principal matria do segundo bloco.

    Notamos, tambm, que a apresentadora usa reaes diferentes para cada

    informao: a) tons irnicos e comentrios de pouca importncia para o que

    acontece na poltica. b) E espanto e indignao nas matrias de violncia urbana,

    reforando o tom popular do programa. O SBT Brasil tambm no possui uma certa

    organizao editorial: mistura, por exemplo, informaes polticas com cotidianas,

    economia com esporte ou internacional, confundindo ainda mais o telespectador,

    que acaba se fixando na figura da apresentadora.

    Observamos que a mediao implica no movimento de significado de um

    texto, discurso ou evento, para o outro, mas, tambm, na constante transformao

    de significados, em grande ou pequena escala, importante ou no, medida do

    comportamento da mdia de acordo com a colaborao do pbico do telejornal.

    A circulao de significado, que a mediao, mais do que um fluxo em dois estgios do programa transmitido via lderes de opinio para as pessoas na rua (...) Os significados mediados circulam em textos primrios e secundrios, atravs de intertextualidades infindveis, na pardia e no pastiche, no constante replay e nos interminveis discursos, na tela e fora dela, em que ns como produtores e consumidores (...) usamos os significados da mdia para evitar o mundo, para nos distanciar dele, dos desafios talvez impostos pela responsabilidade e pelo cuidado, para fugir do reconhecimento da diferena. (SILVERSTONE, 2002, p.34)

    30

  • Assim, Silverstone coloca a dificuldade epistemolgica da relao nas

    compreenses da mediao, pois, eticamente, exigido elaborao de juzos sobre

    o exerccio do poder neste processo. Logo, a mediao pode se tornar uma

    traduo, nunca completa, sempre transformativa, e nunca, talvez, satisfatria.

    (2002, p.34)

    Notamos que o telejornal usa o constante replay e os interminveis

    discursos, enfatizando a violncia corriqueira, e criando uma dificuldade maior no

    cumprimento da funo do jornalismo, na fiscalizao dos poderes. O SBT Brasil

    opta em valorizar as matrias de interesse do pblico em vez daquelas de interesse

    pblico.

    Vimos que o replay das informaes traduzidas pela jornalista Ana Paula

    Padro, se transfere, tambm, para o desejo de fixar esse reflexo, que nunca

    completo, e pode se transformar, ao mesmo tempo, num desejo de onipotncia, de

    capacidades ilimitadas, e, desse modo, o narcisismo influi na tica do trabalho. Da

    parte da apresentadora, observada a relao entre o espelho e o objeto, o meio do

    conhecimento apresentado por ela uma passagem para o outro mundo, ou seja,

    ela se multiplica no espelho uma metfora para as informaes e se v por toda

    a parte. um processo em que desencadeada a onipotncia, e, assim, torna-se

    cada vez mais narcisista. a figura refletida do ego ideal, pois se acha possuda de

    toda a perfeio de valor, sem se ver perturbada por terceiros ou pelo seu prprio

    julgamento crtico. Ela pode sair do pressuposto de que acredita no jornalismo, e s

    no jornalismo, portanto, cr s nela prpria. Ana Paula usa tambm outro modo para

    destacar essa continuidade discursiva: a performance.

    Da Performance Cristalizao (Narciso em Flor)

    Vivendo em uma sociedade cada vez mais conformada pela mdia, que dita

    valores, aparncias e modos de vida. preciso uma percepo do social mais

    apurada. Com isso podemos, em alguns pontos, observar a diferena ontolgica

    entre verdade e falsidade, pois todas as apresentaes na mdia so, de uma certa

    maneira, representaes enganosas. A mdia, por meio das suas peas, pode

    reiterar o que poderia ser apenas um ponto da civilidade, conferindo, facilmente, o

    que poderia ser visto apenas como meramente superficial.

    31

  • A apresentadora Ana Paula Padro consegue plantar esse artifcio em seu

    telejornal. Por meio dos gestos das mos e olhares, a jornalista consegue

    estabelecer com o pblico um outro meio para se comunicar: em matrias mais

    tensas, movimentos mais bruscos com as mos e olhares mais fixos frente s

    cmeras, e em matrias mais brandas, movimentos suaves e olhares mais abertos.

    Ela usa essas formas para demonstrar as matrias que, no seu entendimento,

    merecem mais destaque ou no. Por exemplo, no programa do dia 26/05/2006,

    durante o terceiro e ltimo bloco do telejornal, a informao de que a Cmara

    Legislativa dos Estados Unidos da Amrica foi evacuada, pois se suspeitava que

    tivessem ouvido tiros na garagem do parlamento, ganhou da apresentadora um

    comportamento de espanto e surpresa. Em seguida, o tom de ironia, com gestos

    mais relaxados, ganhou espao na rebatida do candidato presidncia do Brasil

    pelo PSDB, Geraldo Alckmin, ao comentrio do presidente Lula, de que se entrar na

    disputa reeleio ser o mesmo Lulinha Paz e Amor da ultima eleio.

    Podemos notar tambm que a apresentao de um jornal como o SBT Brasil,

    montado em um cenrio transformado em palco, com cores de tons chamativos o

    azul, o branco e, em destaque, o vermelho para o dourado , alm de uma pequena

    redao mostra dos telespectadores, com um certo ritmo de encenao, influi e

    ajuda para que as notcias ganhem uma certa maquiagem.

    Outro ponto observado a maneira como a apresentadora recebe o

    telespectador em seu telejornal: em p, de corpo inteiro, diante das cmeras. Ou,

    ainda, entre os funcionrios que esto na redao montada no cenrio. Assim, Ana

    Paula pretende usar este processo como mais uma forma de entrar na intimidade do

    seu pblico. A intimidade no como forma de ligao direta, mas para estabelecer

    uma maior confiana fundamental para a credibilidade entre quem oferece a

    notcia e quem recebe. Seja bem vindo. Agora veja as principais notcias de hoje.

    Definimos esses processos como o ato da performance.

    Silverstone aponta alguns pontos que ajudam a traar a performance: a

    primeira que toda ao comunicao. A segunda que a performance quase

    sempre implica idealizao do reflexo. A terceira que o sucesso de uma

    performance na vida diria, como nos espaos delimitados do palco e da tela,

    depende da aceitao de um pblico. (2002, p.132)

    Observamos que o telejornal, montado nas bases do interesse do pblico,

    possui um telespectador passivo. A vida moderna possibilita e encoraja a

    32

  • emergncia de uma vida privada mais pblica. A intensificao desses

    comportamentos performativos, usados pela apresentadora, os quais criam tanto o

    social e o individual e possibilitam ao performer no s apresentar-se para o outro,

    mas revelar-se a si mesmo um ato essencialmente reflexivo. Logo, a ps-

    modernidade trouxe a apropriao pessoal do cerimonial, alm de estabelecer uma

    identidade em um cenrio, e vrias em cada apresentao de informao.

    Nessa identidade paralela estabelecida pela jornalista, notamos uma de suas

    marcas registradas: a virada na hora da troca de cmeras. Observamos que sempre

    em um momento do telejornal, a apresentadora se dispe a mover-se com todo o

    tronco para outra cmera. Essa ao pode se tornar uma condio com o objetivo

    de chamar a ateno para algum fato importante, ou no, mas, essencialmente, ela

    chama o pblico para ser notada. Assim, apresentado outro fator de interferncia

    na notcia.

    A apresentadora, seguindo essas posturas, se presta a modelar uma imagem

    de si mesma, como na procura do eu no mundo, percorrendo o caminho do

    autoconhecimento. Ela se apresenta de forma narcisista, pois a fixao do reflexo

    nunca completa, j que a intensidade das informaes na forma de um replay

    uma continuidade sem fim e, assim, no a ajuda na formao da sua identidade

    como self coeso, total, ao contrrio, o self se torna fragmentado, podendo fazer com

    que as notcias sofram interferncias por causa da conduta de personalidade criada

    no instante da mediao das informaes.

    Os atos e gestos construdos durante a mediao pela apresentadora so

    performativos no sentido da criao de identidades, ou seja, so fabricaes

    manufaturadas e sustentadas por sinais corporais e outros meios discursivos.

    (BUTTLER, 1990, p.136) Observamos que a mediao, por meio de uma

    performance trabalhada, ajuda a fazer com que a apresentadora projete algo de si

    prprio. Projetar transmitir a outro ou argila algo de si prprio. (PEREIRA,

    1976, p.140) Como simples reflexos de sua prpria personalidade, a argila seria as

    matrias apresentadas por ela, representando seus desejos e opinies, mesmo por

    gestos ou por aes performativas. Freud explica, por meio do principio da elevao

    esttica, que este um recurso da sua fantasia, como meio de receber gratificao

    narcsica para sua prpria pessoa. Um possvel sentimento de culpa pode deslocar o

    seu narcisismo para a argila, para sua criao. o que a diferencia das pessoas

    comuns, pois o trabalho lhe d mais gratificao e mais prazer.

    33

  • Desta forma, o narcisismo se torna um jogo de fuga e cristalizao. Por meio

    do trabalho, a vontade de Ana Paula pode ser a de eternizar-se, mas ao mesmo

    tempo teme a irremedivel fixao, e nem sempre se reconhece nela. Narciso

    atribuiu a imagem outra pessoa e acabou se apaixonando por si mesmo. Sofreu

    por um amor to tenaz como aquele que Eco sentia por ele, e, assim, tambm foi se

    consumindo at a morte, mas por uma paixo ardente pela prpria imagem. Ana

    Paula pode, desta forma, apresentar a vontade de criar o prprio mito, e, ao mesmo

    tempo, de se cristalizar nele, como, segundo a lenda, no exemplo dos restos de

    Narciso, que transformaram-se numa flor amarela alaranjada, cujo corao

    rodeado de ptalas brancas e chamado pelas ninfas com o nome de Narciso.

    34

  • CONCLUSO

    O estudo do narcisismo pode nos ajudar a entender os problemas das

    relaes pessoais e interpessoais do cotidiano da ps-modernidade. Ele se encaixa,

    tambm, no entendimento do processo da mais forte forma de comunicao atual,

    no caso, o telejornalismo.

    O processo narcsico passa a estabelecer, de acordo com as teorias e termos

    usados na psicanlise, seus conceitos no tortuoso percurso da informao, visto as

    diversas interferncias. Podemos ver que todos acabam se interligando, direta ou

    indiretamente: o poder por delegao, a importncia da aparncia, da esttica, da

    mediao, com responsabilidade individual, e da cristalizao do eu por meio do

    trabalho.

    Entendemos que o narcisismo no somente a lenda de Narciso, em que o

    amor por si mesmo fundamental para achar a beleza do eu, mas ele serve para

    entendermos o que se passa na formao da nossa psique, na estruturao do eu.

    Deixamos claro, mais uma vez, que o narcisismo comum em todos os seres

    humanos, mas em certos contextos, como as sociais, mais comumente e fcil de

    encontrar, no caso estudado, por exemplo, nas personagens da mdia televisiva.

    Vimos que a idealizao, num narcisismo identificado no caso, ligada

    perfeio, podendo ser concretizada com um certo poder adquirido. Aps este

    passo, o ego narcisista alimentado, trazendo a satisfao do triunfo. a satisfao

    de que se precisa nos dias de hoje, ditado pelo sistema em que vivemos.

    Quando nos deparamos na afirmao do autor Guilherme Jorge de Rezende,

    de que o telejornalismo no est cumprindo satisfatoriamente a misso delegada a

    ela, o alerta vai alm do que proposto no estudo. Devemos identificar os

    problemas e tentar, por fim, solucion-los ou minimiz-los. A forma como so

    conduzidos alguns telejornais atuais, em que o apresentador ou outros atrs dos

    bastidores tem o poder irrestrito, seguindo a prpria conscincia, pode deixar em

    dvida o valor jornalstico das informaes. Ou seja, o telejornalismo est cumprindo

    o seu dever?

    35

  • J do lado da mediao, devemos compreender como o narcisismo pode

    influir na significao das informaes, com o uso dos gestos e do discurso, com a

    vulnerabilidade diante do poder e do prprio poder de persuadir as conscincias

    passveis do pblico.

    Relacionamos tambm os atributos estticos com a procura da perfeio

    narcisista , que tem como objetivo um jornalismo mais atrativo, informal e livre, para

    quem est confeccionando e apresentando. Em seguida a mobilidade, fazendo com

    que a informao seja parte da apresentadora, que por sua vez tenta fix-lo, como

    numa cristalizao da linguagem.

    Todos estas observaes nos revelam que o jornalismo tende a ser discutido

    tambm fora das linhas das tcnicas convencionais de se fazer o jornalismo,

    levando cada vez mais em conta as vrias transformaes vistas no estudo

    constante da mdia. Questes que refletem no caso da credibilidade, da aparncia

    trabalhada abusivamente , nas intervenes e nas transmisses da notcia.

    Podemos ento observar que a discusso tambm no termina somente no

    campo da interferncia pessoal no processo de elaborao e apresentao da

    informao. Quanto mais as identidades passam a ser moldadas pela mdia, e,

    tambm, no encorajamento performance, como a performance sem conseqncia,

    mais importante debater para compreender melhor este processo. O jornalismo

    no pode delimitar esta discusso, pois o processo de recepo tambm de

    interesse do mesmo, j que o seu dever manter a sociedade informada, devendo

    se preocupar de como est informando.

    36

  • BIBLIOGRAFIA

    LIVROS:

    1. Ovide. Les Metamorphoses. Trad. Joseph Chamonard. Paris: ditions Garnier Frres, 1953.

    2. Green, Andre. Narcisimo de vida, narcisismo de morte. Trad. Claudia Berliner. So Paulo:

    Escuta, 1988.

    3. Freud, Sigmund. Obras psicolgicas completas de Sigmund Freud. Vol. XIV (1914-1916).

    Trad. Jayme Salomo. Rio de Janeiro: Imago, 1969.

    4. Freud, Sigmund. Obras psicolgicas completas de Sigmund Freud. Vol. XIX (1923-1925).

    Trad. Jayme Salomo.Rio de Janeiro: Imago, 1976.

    5. Kohut, Heinz. Psicologia do self e a cultura humana. Trad. Jos Octavio de Aguiar Abreu. Rio

    de Janeiro: Imago, 1977/1988.

    6. Kohut, Heinz. Self e narcisismo. Trad. Pedro Henrique Bernardes Rondon. Rio de Janeiro:

    Zahar, 1985.

    7. Roudinesco, Elizabeth; Plon, Michel. Dicionrio de psicanlise. Trad. Vera Ribeiro, Lucy

    Magalhes. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 1998.

    8. Sodr, Muniz. Televiso e Psicanlise. So Paulo: tica, 2000.

    9. Motta, Luiz Gonzaga Motta. Imprensa e Poder. Braslia: UnB, 2002.

    10. Rezende, Guilherme Jorge Rezende. Telejornalismo no Brasil. So Paulo: Summus, 2000.

    11. Acosta-Orjuela, Guilhermo Maurcio. 15 motivos para ficar de olho na televiso. Campinas:

    Alnea, 1999.

    12. Silverstone, Roger. Por que estudar a Mdia? So Paulo: Loyola, 2002.

    13. Curado, Olga. A notcia na TV. So Paulo: Alegro, 2002.

    37

  • 14. Brittos, Valrio Cruz; Bolao, Csar Ricardo Siqueira. Rede Globo 40 anos de poder e

    hegemonia. So Paulo: Paulus, 2005.

    15. Buttler, Judith . Gender Trouble: Feminism and the Subversion of identity. London: Routledge,

    1990.

    16. Pereira, Regina de Castro Chagas, Espiral do smbolo: a arte como terapia. Petrpolis:

    Vozes, 1976.

    17. Gomes, Mayra Rodrigues. Poder no Jornalismo. So Paulo: Hacker, 2003.

    ARTIGOS:

    1. Canevacci, Massimo. Quatro mitos para um Narciso s in IDE So Paulo, n.21 (Dez.,

    1991), pp. 92-101.

    INTERNET:

    1. BRASIL. Folha OnLine. Ana Paula Padro critica Globo; Fibe diz que rede foi escola

    Disponvel em:

    http:// http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u51713.shtml

    Acesso em: 27/04/2006

    2. BRASIL. SBT Brasil. Ana Paula Padro

    Disponvel em:

    http: http://www.sbt.com.br/jornalismo/sbtbrasil/ana.asp

    Acesso em: 27/04/2006

    38

    http://www.sbt.com.br/jornalismo/sbtbrasil/ana.asphttp://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u51713.shtml

    Concluso.........................................................................................................35