NEM TUDO QUE RELUZ É VIDRO Mudanças sociais e · PDF fileNEM TUDO QUE RELUZ...

Click here to load reader

  • date post

    22-Dec-2018
  • Category

    Documents

  • view

    219
  • download

    0

Embed Size (px)

Transcript of NEM TUDO QUE RELUZ É VIDRO Mudanças sociais e · PDF fileNEM TUDO QUE RELUZ...

NEM TUDO QUE RELUZ VIDRO:

Mudanas sociais e introduo de artefatos vtreos na

Salvador Oitocentista

Railson Cotias da Silva

Laranjeiras/SE

2014

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM ARQUEOLOGIA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM ARQUEOLOGIA

NEM TUDO QUE RELUZ VIDRO:

Mudanas sociais e introduo de artefatos vtreos na

Salvador Oitocentista

Railson Cotias da Silva

Dissertao de Mestrado apresentada ao Programa de Ps-Graduao em Arqueologia da Universidade Federal de Sergipe, como requisito parcial para obteno do grau de mestre em Arqueologia.

Orientadora: Prof. Dr. Mrcia Barbosa da Costa Guimares

Laranjeiras/SE

2014

AGRADECIMENTOS

Ao longo desta dissertao acumulei dvidas de gratido com muitos amigos,

colegas do mestrado, famlia, companheira e funcionrios das instituies por

onde caminhei em busca de fontes.

professora Mrcia Barbosa da Costa Guimares meus sinceros

agradecimentos. Enquanto minha orientadora, respeitou as interlocues

protocolares, sem pecar pela falta de cumplicidade afetiva e intelectual desde o

dia em que nos conhecemos. Agradeo sobretudo a acolhida generosa, a

confiana e o incentivo nos momentos mais difceis.

CAPES, pelo apoio financeiro que possibilitou este trabalho.

Agradeo aos funcionrios das diferentes instituies em que pesquisei, em

especial aos do Arquivo Pblico do Estado da Bahia, do Arquivo da Santa Casa

de Misericrdia da Bahia e do Laboratrio de Conservao e Restaurao Reitor

Eugnio de Andrade Veiga.

A Urano Andrade, pesquisador incansvel que em muito me auxiliou na busca

aos documentos histricos.

Aos meus colegas de trabalho durante o Projeto de Pesquisa Arqueolgica do

Pelourinho: o arquelogo e coordenador local Cludio Csar, o arquiteto Alberto

Beovides, s historiadoras Alane Fraga e Dbora Bacelar, pedagoga Gisela

Tapioca, aos tcnicos que no dia a dia faziam a engrenagem funcionar: Carlos

Nascimento, Carlos Eduardo, Helen Vieira, Josane da Silva, Luciano de

Santana, Pedrinho Barbosa. Rafaela Almeida, Samantha de Santana, alm do

apoio tcnico e divertido de Elexandre da Cruz Nunes (saudoso Mimi) e Rafael

Bonfim.

Meu agradecimento arqueloga Rosana Najjar, que coordenou este projeto e

com habilidade formou uma numerosa equipe multidisciplinar. Obrigado pelo

apoio durante e depois do perodo do Projeto, me incentivando nos caminhos da

Arqueologia.

Agradeo ainda a pessoas muito especiais que tive a oportunidade de conhecer

durante o projeto e pude construir uma relao bastante profcua mesmo aps o

seu trmino.

arqueloga e amiga Jackeline de Macedo, obrigado pelas horas de conversa

em que compartilhamos as inseguranas comuns aos pesquisadores. Seu apoio

foi de extrema importncia.

arqueloga e amiga Jeanne Almeida Dias, no h palavras para mensurar o

enorme incentivo minha pesquisa, com respeito, cuidado e muita amizade.

Para sempre serei grato.

Ao arquelogo e amigo Samuel Lira Gordenstein, pessoa a quem tenho enorme

estima e admirao pelo carter, sinceridade e grande pesquisador que . No

foram os poucos os momentos em que discutimos arqueologia ou simplesmente

falamos da vida, esto na memria.

Ao tcnico em arqueologia da 7 Superintendncia Regional do IPHAN-BA,

Alexandre Colpas, que se tornou um amigo e fonte inesgotvel de risadas, mas

tambm de discusses sobre arqueologia na Bahia.

Geovana Frois, sempre paciente e cuidadosa, me auxiliando nos desenhos e

croquis.

No poderia esquecer os amigos dos tempos da Universidade Catlica do

Salvador, que tambm estiveram comigo no Projeto, Luiz Antnio Pacheco e

Catarina Menezes, casal que admiro bastante.

Agradeo a Je Paulo Lima, pela amizade e carinho, mas sobretudo pela

compreenso devido distncia ocasionada com as obrigaes do mestrado.

Aos amigos Lus Henrique e Everaldo Gomes Dourado, sempre presentes com

uma palavra de apoio, para no deixar a peteca cair.

Aos professores do PROARQ-UFS, cujas discusses e anotaes durante as

aulas foram de grande valia. Aos membros da banca de qualificao, Prof. Gilson

Rambelli e Prof. Paulo Bava de Camargo, pelas importantes contribuies.

minha famlia, gratido eterna pelo apoio e incentivo ao longo de toda a vida

dado por minha me, uma guerreira, e minhas irms. Amizade e carinho nunca

faltaram. Te amo Fbia Cotias.

minha companheira, Isis Carneiro, agradeo pela pacincia em momentos

difceis, auxiliando a nunca perder o foco e seguir em frente.

Peo desculpas a quem, porventura, eu tenha esquecido de mencionar. Todos

foram importantes nessa caminhada, que s est comeando!

.

RESUMO

A presente investigao visa, a partir de uma perspectiva arqueolgica, observar e entender os processos de mudana social na cidade de Salvador dos oitocentos, a partir do potencial interpretativo imiscudo no vidro. Tem como objetivo, portanto, compreender prticas e comportamentos sociais relacionados modernidade na Salvador oitocentista a partir da anlise do material vtreo recuperado na casa 14, da Rua So Francisco, no Centro Histrico de Salvador. A abordagem possibilitou perceber caractersticas e peculiaridades do comportamento de consumo no sculo XIX em Salvador atravs dos objetos vtreos, como contentores de informaes sobre o espao de vida cotidiano e das mudanas ocorridas nas cidades brasileiras, sob aspectos socioeconmicos, polticos e culturais, imersos na construo de um projeto de modernidade importado.

PALAVRAS-CHAVE

Arqueologia Histrica, Mudana Social, Consumo, Artefatos vtreos.

ABSTRACT

The present investigation aims to, from an archaeological perspective, observe

and understand the processes of social change in the city of Salvador of eight

hundred, through from the glasss interpretative potential. Aims to understand

behaviors and social practices related to modernity in the nineteenth century in

the Salvador city through from the analysis of the vitreous material recovered at

house 14, in the So Francisco Street - Centro Histrico de Salvador. The

approach enabled understand features and peculiarities of consumption behavior

in the 19th century in Salvador through the vitreous objects, as containers of

information on everyday living space and of the changes in Brazilian cities, under

socio-economic, political and cultural aspects, immersed in the construction of a

project of modernity imported.

KEYWORDS

Historical Archaeology, Social Change, Consumption, Vitreous Artifacts.

.

NDICE DE FIGURAS

Figura 1: A imagem resume a evoluo fsica de Salvador em 1551. A rea

circulada em vermelho destaca o vale ao lado dos limites do ncleo inicial.

FONTE: Simas Filho, 1998. ....................................................................... 34

Figura 2: A imagem apresenta a evoluo fsica de Salvador em 1553. A rea

circulada em vermelho destaca o vale e os limites da cidade margeando-o.

A seta indica a rea reservada construo dos jesutas. FONTE: Simas

Filho, 1998. ................................................................................................ 35

Figura 3: A imagem apresenta a evoluo fsica de Salvador em 1580. A rea

circulada em vermelho destaca o vale e os limites da cidade margeando-o.

FONTE: Simas Filho, 1998. ....................................................................... 35

Figura 4: Detalhe da planta de Salvador, de 1625 a 1631, atribuda a Joo

Teixeira Albernaz. A rea circulada em vermelho destaca o vale com uma

casa em seu interior, enquanto a seta indica a igreja de So Francisco que

dava incio rua do mesmo nome, dividida pelo vale. FONTE: Simas Filho,

1998. .......................................................................................................... 37

Figura 5: A imagem apresenta a evoluo fsica de Salvador em 1650. A rea

circulada em vermelho destaca o vale ainda desocupado. FONTE: Simas

Filho, 1998. ................................................................................................ 38

Figura 6: Planta da cidade de Salvador em 1715, atribuda ao brigadeiro Jean

Mass. Aqui, na rea circulada em vermelho, percebemos o espao do vale

agora ocupado com novos quarteires, evidenciando o momento de

expanso urbana. FONTE: SIMAS FILHO, 1998: 112............................... 40

Figura 7: Primeira parte, indo do porto na cidade baixa at a antiga S no alto,

do panorama fotogrfico de Benjamin Mulock, tirado em 1860, do Forte de

So Marcelo. A rea circulada em vermelho corresponde Igreja da S.

FONTE: Sampaio, 2005 ............................................................................. 42

Figura 8: Novo cais das amarras a beira mar, com casares de cinco pisos, em

1861. FONTE: Benjamim Mulock/Fundao Biblioteca Nacional, Rio de

Janeiro, in SAMPAIO. 2005: 36. ................................................................ 44

Figura 9: Ganhadores escravos organizados em cantos para transporte de

mercadorias no sculo XIX. Acervo Schomburg Center for Research in Black

Culture, Nov