Newsletter FGC Janeiro 2014

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Transcript of Newsletter FGC Janeiro 2014

  • newsletterNMERO 150JANEIRO 2014

    Cuidar em fim de vidaNewNews150_CS5.indd 1 12/27/13 1:30:09 PM

  • A Fundao Calouste Gulbenkian uma instituio portuguesa de direito privado e utilidade pblica, cujos fins estatutrios so a Arte, a Beneficncia, a Cincia e a Educao. Criada por disposio testamentria de Calouste Sarkis Gulbenkian, os seus estatutos foram aprovados pelo Estado Portugus a 18 de Julho de 1956.

    newsletter Nmero 150.Janeiro.2014 | ISSN 0873-5980 Esta Newsletter uma edio do Servio de Comunicao Elisabete Caramelo | Leonor Vaz | Sara Pais Colaboram neste nmero Afonso Cabral | Ana Barata | Ana Lopes | Ana Mena | Design Jos Tefilo Duarte | Eva Monteiro | Joo Silva [DDLX] Reviso de texto Rita Veiga | Imagem da Capa Getty Images | Impresso Greca Artes Grficas | Tiragem 10 000 exemplares | Av. de Berna, 45, 1067-001 Lisboa, tel. 21 782 30 00 | info@gulbenkian.pt | www.gulbenkian.pt

    Mensagem do PresidenteN o ano de 2014 Portugal enfrentar um desafio da maior importncia, esperando-se que se conclua o programa de assistncia financeira ao nosso pas que tanto tem condicionado a poltica econmica e social. Na Europa, apesar dos tempos de incerteza que vamos continuar a viver, deseja-se que sejam criadas condies para uma viso mais aberta que favorea o crescimento econmico e a coeso interna, sem esquecer os problemas especficos que atingem os pases perifricos.

    A nvel mundial, os Objetivos de Desenvolvimento do Milnio (OMD) entram no seu penltimo ano de concreti-zao, estando em curso o debate que ir conduzir apro-vao de uma nova agenda mundial para o desenvolvi-mento aps 2015, marcada pela ambio de assumir polti-cas centradas nas pessoas, que eliminem a pobreza e possi-bilitem a prosperidade sustentvel. O emprego e o cresci-mento constituiro questes centrais, tal como a integra-o dos aspetos sociais, econmicos e ambientais do desen-volvimento. Ao mesmo tempo aspira-se a que venham a ser valorizadas as questes relacionadas com a boa gover-nao e a consagrao de instituies que garantam o Estado de Direito.

    As fundaes, como organizaes da sociedade civil, sero chamadas a desempenhar um papel cada vez mais ativo no desenvolvimento das sociedades onde esto inseridas, devendo saber mobilizar os restantes atores sociais, de cuja atuao coletiva depende, em ltima anlise, o sucesso da sua interveno.

    Por este motivo, a Fundao Calouste Gulbenkian, num momento to dramtico do nosso pas, sem abandonar a sua matriz internacional, continua a assumir o seu com-promisso com Portugal. fundamental que no ano que agora se inicia os portugueses recuperem a confiana em si mesmos e o pas possa retomar o caminho de um desenvol-vimento mais inclusivo. S assim poder renascer a espe-rana que tanto temos feito por merecer.

    No propsito de uma crescente proximidade sociedade, a reabertura do Grande Auditrio, depois de uma renovao profunda, tem um especial significado, na medida em que

    se pretende oferecer cidade de Lisboa e ao pas um equi-pamento com uma programao mais diversificada e com novas valncias.

    Por outro lado, a Fundao pretende continuar a assumir--se como um grande centro de reflexo e de debate. Temos que ajudar a pensar o futuro, colaborando mais ativamente com outras fundaes, universidades, criadores culturais e cientistas, parceiros sociais, entidades do terceiro sector, bem como o prprio Estado.

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  • A organizao do sector pblico, por sua vez, exige uma ateno ponderada mas urgente. Continuaremos o ciclo de conferncias Sextas da Reforma que resultou de uma parceria com o Banco de Portugal e o Conselho das Finanas Pblicas e que tem como objetivo principal contribuir para a criao de uma opinio pblica informada que pressione os protagonistas polticos a promover a indispens-vel reforma do sector pblico e a estimular solues con-cretas e viveis.

    Sero retomadas as Conferncias Gulbenkian, que este ano tambm sero dedicadas a uma anlise sobre as polticas pblicas essenciais em tempo de crise e incerteza.Na rea da sade, a Plataforma Gulbenkian para um Sistema de Sade Sustentvel produzir os primeiros resul-tados, previstos para Julho de 2014, esperando que se venha a criar uma nova viso para a sade, para os cuidados que os Portugueses tm direito a receber e que o Estado lhes pode e deve assegurar.

    A Unio Europeia vive a sua mais sria crise e assiste-se a um progressivo alheamento dos cidados. A Europa das Naes exige mais solidariedade, mais legitimidade e mais Europa. Iremos procurar contribuir para encontrar solues inovadoras para o projeto europeu, apoiando iniciativas que possam influenciar os decisores a assumir o papel da Europa no mundo. Importa que este extraordinrio projeto conhea um novo impulso inspirador. Assim, ser aprofun-dada a parceria entre a Fundao e o think tank Notre Europe Institut Jacques Delors, estando j planeadas ini-ciativas a realizar em Lisboa, Paris e Bruxelas, que se debru-aro sobre as questes fundamentais que afetam profun-damente a Europa e os seus cidados.

    Juntamente com algumas das principais fundaes euro-peias promovemos o projeto New Pact for Europe, que tem como objetivo fomentar um debate pblico mais alar-gado sobre o futuro da Unio Europeia. Com aes tanto a nvel nacional como europeu, esta iniciativa procura envol-ver no apenas os decisores polticos mas tambm os cida-dos e visa contribuir para um pensamento realista sobre como superar os desafios que a Europa enfrenta.

    A viabilidade do modelo social europeu e o desemprego jovem so igualmente questes centrais que iro deter-minar o futuro do nosso continente. A Fundao est, por isso, a contribuir para a criao de uma rede de algumas das mais relevantes fundaes de pases do sul da Europa, com o objetivo de apresentar uma proposta conjunta de solues.

    A perpetuidade da Fundao, tal como foi assinalada pelo nosso fundador, exige um cuidado permanente. A preser-vao do nosso patrimnio constitui, por isso, uma priori-dade, tal como a sustentabilidade dos custos da nossa estrutura que garantam a necessria flexibilidade de atua-o que os tempos perturbados que vivemos recomendam.

    Nos dois ltimos anos, os nossos recursos tm vindo a aproximar-se gradualmente, a preos constantes, de valo-res do incio deste sculo, depois de uma dcada em que os mercados financeiros foram seriamente abalados por duas profundas crises muito prximas, que, naturalmente, muito afetaram os investimentos a realizados.

    De forma a intensificar o impacto da sua ao e assegurar a continuidade dos projetos, a Fundao procurar alargar a sua rede de parcerias, quer nas atividades diretas, quer nas atividades de concesso de subsdios e bolsas. Pretendemos, por isso, que um mais amplo e mais diversi-ficado conjunto de entidades se associem aos nossos proje-tos ou a projetos que apoiamos, beneficiando do valor acrescentado de uma atuao conjunta.

    Consciente de que as cidades so problemas de uma com-plexidade crescente e assumindo a necessidade de cruzar a cincia com o territrio e com a economia, a Fundao prepara-se para lanar uma iniciativa no mbito do desen-volvimento em contexto urbano, em colaborao com ins-tituies de ensino superior, centros de investigao, asso-ciaes empresariais e com o apoio dos poderes pblicos.

    No mbito do conhecimento e da inovao, iremos criar um frum, em cooperao com entidades e instituies acadmicas, bem como com polos de competitividade, para discusso dos obstculos transferncia do conhecimento e das formas de os superar, aproximando a produo cien-tfica do mundo empresarial.

    Temos de continuar a ser uma instituio gil e inovadora, a participar nos exigentes desafios da sociedade do conhe-cimento e a construir perspetivas de longo prazo. A Fundao deve, por isso, aproveitar as oportunidades que o universo digital proporciona, indo igualmente ao encontro das expectativas que os beneficirios das nossas atividades tm em relao instituio. Esperamos que a nova estra-tgia digital que estamos a preparar, e que comear a ser implementada em 2014, venha ter um impacto comparvel ao que as bibliotecas itinerantes tiveram no passado.

    Iremos finalmente reformular a extraordinria marca que a Fundao Calouste Gulbenkian, renovando o seu dese-nho para o sculo XXI, adaptando a imagem da instituio ao seu novo posicionamento.

    Na Fundao sabemos bem que os beneficirios das nossas atividades so a razo e a medida do nosso sucesso. Esperamos, em 2014, continuar a estar altura das expecta-tivas de todos.

    Artur Santos Silvanewsletter | 3

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  • Cuidar em fim de vidaNos ltimos anos, a Fundao Gulbenkian tem apoiado vrios projetos ligados aos Cuidados Paliativos, uma rea insuficientemente desenvolvida no nosso pas mas crucial para ajudar as pessoas a terminar o seu percurso de vida com qualidade e dignidade. Destes projetos destaca-se o estudo coordenado pela investigadora Brbara Gomes, que revela as preferncias da populao portuguesa sobre o local de morte, mas tambm o aclamado livro da jornalista e escritora Susana Moreira Marques, Agora e na Hora da Nossa Morte (Tinta-da-China, 2012), que resultou de uma viagem a Trs-os--Montes para acompanhar um projeto-piloto de prestao de cuidados paliativos domicilirios.

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    Fotografia de Andr Cepeda no livro Agora e na Hora da Nossa Morte

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  • Brbara Gomes

    depois de se cruzar com o trabalho que Brbara j tinha publicado online e de ir conhecer os projetos em que estava envolvida no Kings College. Achei-a uma pessoa cheia de fora interior, com fibra, e isso foi fundamental, diz Jorge Soares.

    PALIATIVO: 1. Que serve para paliar. 2. Remdio que no cura, mas mitiga a doena. 3. Recurso para atenuar um mal ou adiar uma crise; adiamento. 4. Di