Newsletter Julho-Agosto 2010

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Transcript of Newsletter Julho-Agosto 2010

  • EMAC 2010: Uma panormica pouco objectiva [link]

    Nesta edio:> Seminrio MEDIAO CULTURAL NOS MUSEUS. Estratgias de Aprendizagem para o Sucesso. 15 e 16 de Julho de 2010.

    em parcercia com:

    Para que servem as conferncias? Este foi o ponto de partida para o Seminrio dos dias 15 e 16 de Julho. Para um primeiro encon-tro organizado pela Mapa das Ideias, quisemos oferecer um mo-mento especial para reflexo e conversa.

    Sobre as nossas concluses do EMAC 2010, j falmos na newsletter anterior. Por essa razo, reservmos esta para as co-municaes dos nossos participantes. No entanto, trs notas impem-se. Primeiro, o seminrio no teria sido possvel sem o apoio da Cmara Municipal de Loures que generosamente partilhou dois museus fantsticos: Museu de Cermica de Sacavm e o Museu Municipal de Loures.

    Mapa das Ideias . Julho e Agosto de 2010 . 01

    Por Ins Bettencourt da Cmara [link]

  • Tratam-se de projectos de referncia na museologia nacional e foi muito reconfortante ouvir nas palavras do Vice-Presidente, Joo Paulo Domingues, uma viso de empreendedorismo cultural.

    Segundo, desde o dia 15 de Julho que as circunstncias de trabalho de alguns colegas que participaram no EMAC 2010 alteraram-se dramaticamente, como o caso de Michael Turnpenny do Renaissance Yorkshire. Os cortes que atingiram as polticas culturais no Reino Unido definiro uma mudana drstica na forma como os seus museus e os agentes culturais se relacionam.

    Terceiro, comeou na semana passada um debate iniciado por Pedro Manuel Cardoso, atravs do grupo de discusso http://ml.ci.uc.pt/mailman/listinfo/museum. Os museus so lugares perigosos para as suas coleces graas aos animados servios educativos foi a principal mensagem da sua comunicao provocadora. O debate vai animado com contributos muito, muito interessantes. Aguardamos com expectativa uma conferncia que poder nascer desta discusso.

    Mapa das Ideias . Julho e Agosto de 2010 . 02

    Aqui fica o meu contributo:Confesso que sou leitora assdua da listagem, embora seja a primeira vez que a utilize para mais do que divulgao das minhas actividades profissionais.

    Este debate lanado pelo Senhor Pedro Manuel Cardoso deixou-me perplexa na primeira abordagem, porque trabalho, justamente, na dita agitao scio-cultural. Devo confessar que trabalho nesta rea da mediao cultural e da relao com os pblicos porque assim o escolhi. Porque acredito, tal como diz o Dr. Lus Raposo, que no existem museus sem pblicos e que este foi o seu princpio fundador.

    Alis, o encontro entre o visitante e a coleco (mesmo que seja uma coleco de ideias, tal como pode hoje acontecer graas s TIC), que torna o Museu uma instituio nica, sem paralelo na forma como pode oferecer experincias e, acima de tudo, conhecimento.

    Ora, este conhecimento - tal como um objecto que por si s (desculpem os ortodoxos) no fala - entre a materialidade e a ideia, num contexto de educao informal e de lazer, pode e deve ter impactos profundos na formao de cidados. A ideia de Greenwood de queUm Museu e uma Biblioteca Pblica so to necessrios para o bem-estar mental e moral dos cidados, como boas condies sanitrias, gua canalizada e iluminao pblica so para a sua sade fsica e conforto. mantm-se hoje to actual e to absolutamente revolucionria como era em 1888.

    Numa poca de crise to profunda que vivemos, o Museu tem como obrigao oferecer um servio educativo sustentado que, efectivamente, no se pode esgotar na animao e no piquenique, mas que essencial para garantir o cumprimento da sua misso. Coleces sem pblicos no vivem.

  • Mapa das Ideias . Julho e Agosto de 2010 . 03

    No passado dia 15 de Julho, teve lugar no Museu de Cermica de Sacavm a primeira sesso do Seminrio Mediao Cultural nos Museus - Estratgias de Aprendizagem para o Sucesso, organizado pela Mapa das Ideias em parceria com a Cmara Municipal de Loures.

    Sob o tema Museus: uma estratgia para o Futuro Maria Vlachou partilhou uma reflexo crtica sobre a actual prtica museolgica em Portugal luz do polmico Planeamento Estratgico do IMC que em seis eixos estratgicos e prioridades enunciados em breves tpicos, seguramente insuficiente para cumprir uma efectiva estratgia para o futuro. Para Maria Vlachou, os museus devem ser museus para as pessoas, relevantes e acessveis, e precisamente sobre o pblico que deve assentar uma viso para o sculo XXI, porque um museu sem visitantes, no existe.

    Ins Cmara apresentou uma reviso sobre os vrios temas discutidos na European Museum Advisors Conference 2010 (EMAC), realizada em Helsnquia no incio de Junho e na qual participou juntamente com Joaquim Jorge. De uma forma geral, os museus deixaram de ser instituies fechadas e esto cada vez mais envolvidos e seriamente comprometidos com a sociedade. Para alm das suas funes pedaggicas, cientficas e culturais, o museu , cada vez mais, um instrumento vlido para a formao social e at emocional das comunidades onde se integra, devolvendo sentidos e valores fundamentais para o desenvolvimento local. De acordo com a apresentao da Ins e do Joaquim Jorge: Museums are about love; dreams; people; time and life.

    Rui Gato, representante da Agncia Nacional para a Gesto do Programa Aprendizagem ao Longo Vida (PROALV), e Joaquim Jorge procuraram clarificar todos os procedimentos relativos ao Programa Grundvtig que promove vrias actividades e financiamento atravs de um sistema de cooperao a nvel europeu, que pode ser uma soluo vivel para muitos agentes, empresas ou particulares, que

    trabalham na rea da cultura.

    O aplaudido projecto Rota Histrica das Linhas de Torres, desenvolvido por um conjunto de seis municpios que constituem a Plataforma Intermunicipal para as Linhas de Torres (PILT), foi apresentado por Florbela Estvo e Joaquim Jorge. Para alm de darem a conhecer o contedo do referido projecto, discutiram algumas questes sobre o Mecanismo Financeiro do Espao Econmico Europeu (EEE).

    No obstante a pertinncia de todas as questes prticas relacionadas com o financiamento de projectos, no final do primeiro dia deste Seminrio confirma-se, sobretudo, a necessidade de reflectir sobre a redefinio do papel dos museus nas sociedades contemporneas, as suas funes, os seus objectivos. A mercantilizao da cultura e a emergncia das identidades locais perante os processos da globalizao econmica, poltica e cultural contriburam para a crescente valorizao dos museus, da arte e do patrimnio nas polticas culturais. Contudo, cabe aos agentes culturais e aos profissionais da rea, em estreita colaborao com as populaes, encontrar solues eficazes que permitam assegurar a qualidade e relevncia dos museus enquanto lugar privilegiado de reflexo sobre o passado, o presente e o futuro.

    Uma panormica do Seminrio [link]Por Felisbela Fonseca [link]Mestranda em Comunicao, Cultura e Tecnologias de Informao (ISCTE_IUL)

  • Museus: uma estratgia para o futuro [link]

    Como tambm falhamos na elaborao do diagnstico que nos levar definio do fim. Normalmente, anunciam-se medidas e aces, sem considerar o ponto onde estamos e o ponto onde queremos chegar. Voltando a olhar para o documento Planeamento estratgico do IMC: Museus para o sc.XXI, considero-o um exemplo tpico desta forma de elaborar planos chamados estratgicos.

    Para preparar a minha anlise do referido documento, aproveitei para olhar novamente para dois outros planos estratgicos.

    Em 2005, o Department for Culture, Media and Sports (DCMS o equivalente britnico do Ministrio da Cultura) iniciou um processo de consulta junto das entidades ligadas aos museus, intitulado Understanding the Future: Museums and 21st century life (de assinalar a ausncia da palavra estratgia e a presena da palavra vida). O DCMS identificou cinco temas principais para este processo de consulta:

    Mapa das Ideias . Julho e Agosto de 2010 . 04

    Foi-me solicitado fazer uma anlise crtica do documento Planeamento estratgico do IMC: Museus para o sc.XXI, que foi apresentado em Janeiro 2010.

    Um primeiro reparo que gostaria de fazer que nos nossos dias parece que o adjectivo estratgico define qualquer tipo de ideia, projecto, iniciativa. O termo usado e abusado e pergunto-me cada vez mais se os que o utilizam entendem mesmo o seu significado. Olhemos para a etimologia da palavra:

    Estratgia s.f. (gr. strategia). Parte da arte militar que trata das operaes e movimentos de um exrcito, at chegar presena do inimigo. Fig. Arte de dirigir operaes e combinaes para conseguir um fim.

    Portanto, nem toda e qualquer aco estratgica. Para o ser, tem que fazer parte de um plano atravs do qual se pretende conseguir um fim. Na maioria dos casos, falhamos na definio desse mesmo fim.

    Por Maria Vlachou [link]

    1. Uso das coleces

    2. Aprendizagem e inve

    stigao

    3. Carreiras, formao

    e liderana

    4. Coerncia e represen

    tatividade (advocacy

    )

    5. Parcerias e avaliao

    do valor

  • Com base nestes temas, foram elaboradas 13 perguntas. O DCMS apresentou um resumo das respostas recebidas, antes de avanar para a sua anlise e elaborao do documento final.

    No seguimento do diagnstico feito:

    1. Foi criado um grupo de trabalho, que envolvia vrios stakeholders, que por sua vez entraram em contacto com grupos e associaes especficas, de forma a alargar a consulta;

    2. Promoveu-se um seminrio para discutir propostas concretas;

    3. Foi publicado em 2006 um documento estratgico, que estabelecia os objectivos do DCMS a longo prazo, intitulado Understanding the Future: Priorities for Englands Museums.

    Um outro processo que ia levar elaborao de um plano estratgico foi iniciado em 2008 por iniciativa da Cmara Municipal de Lisboa. Os agentes culturais foram chamados para opinar sobre os seguintes temas:

    Conhecer

    Criar

    Distribuir

    Lembrar

    Participar