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normas de inventário ARTE instrumentos musicais

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    usic

    ais

    NORMAS DE INVENTRIO

    Publicadas:

    ARQUEOLOGIA NormasGerais CermicaUtilitria

    ARTE NormasGerais.ArtesPlsticas e Artes Decorativas Cermica CermicadeRevestimento Escultura EsplioDocumental InstrumentosMusicais Mobilirio Ourivesaria Pintura Txteis

    CINCIAETCNICA NormasGerais

    ETNOLOGIA AlfaiaAgrcola TecnologiaTxtil

    Apublicar:

    Fotografia. Joalharia.Arte NormasGerais.HistriaNatural

    ARTE

    AR

    TE

    instrumentosmusicais

  • instrumentosmusicais

    UNIO EUROPEIA

    Fundo Europeu deDesenvolvimento Regional

  • instrumentosmusicais

  • normasde inventrio

    ARTE

    instrumentosmusicais

  • C O O R D E N A O G E R A L

    Maria Helena Trindade

    T E X T O S

    Ana Paula TudelaMaria Helena Trindade

    C O L A B O R A O N O S T E X T O S

    Helena MirandaSnia Silva Duarte

    E N T R E V I S TA

    Helena Miranda

    F O T O G R A F I A

    Diviso de Documentao Fotogrfica/Instituto dos Museus e da Conservao, IP (Jos Pessoa, Lusa Oliveira)Ana LuelmoJoo Antnio Graa Ferreira Joo Tiago Boucinha

    C O O R D E N A O E D I T O R I A L

    Departamento de Patrimnio Mvel do IMC, IP

    C O N C E P O E E X E C U O G R F I C A

    tvm designers

    P R - I M P R E S S O E I M P R E S S O

    DPI Cromotipo

    Instituto dos Museus e da Conservao, IP Todos os direitos reservados1. edio, Fevereiro de 20111000 exemplares

    ISBN n. 978-972-776-413-6

    Dep. Legal n. 322032/11

  • A G R A D E C I M E N T O S

    Ana Luelmo

    Catarina Torres

    Christian Bayon

    David Cranmer (Centro de Estudos de Sociologia e Esttica Musical,

    FCSH-UNL)

    Joo Almeida (Director-Adjunto da Antena 2)

    Joo Boucinha (AR.CO)

    Joo Ferreira (AR.CO)

    Manuel Morais

    Sarah Richardson (The National Music Museum - University

    of South Dakota, EUA)

    Susana Caldeira (Metropolitan Museum of Art, NY, EUA)

    A B R E V I AT U R A S

    AP/AD Artes Plsticas /Artes Decorativasc. cerca deCB Christian BayonCIMCIM International Committee for Museums and Collections

    of Musical Instruments / Comite International des Musees et Collections dInstruments de Musique

    DDF Diviso de Documentao Fotogrfica ex. exemploIMC Instituto dos Museus e da Conservao, IPMM Museu da Msican. nmerosc. sculoscs. sculosvol. volume

  • 7A P R E S E N T A O

    APRESENTAO

    Atravs da publicao do presente caderno de Normas de Inventrio, o Instituto dos Museus e da Conservao prossegue uma importante linha de trabalho iniciada h mais de uma dcada, no mbito do seu sistema de inventariao de coleces museolgicas, com a apresentao das normas gerais aplicadas supercategoria de Artes Plsticas e Decorativas.

    Assinalamos a actual renomeao de uma supercategoria de Arte, acompanhando a mudana que, no mesmo sentido, mar-car a nova verso 3.0 do Matriz como ferramenta de Inventrio e Gesto de Coleces Museolgicas, de modo a clarificar a respectiva abrangncia, uma vez que incorpora tambm as artes performativas, como o teatro, a dana ou a msica.

    categoria de Instrumentos Musicais que este volume dedicado, partindo do legado do Museu da Msica e da sua experincia de trabalho especfica no campo do inventrio, estudo e documentao de coleces.

    Tal como os restantes ttulos editados nesta coleco, o que agora se publica visa constituir um instrumento de trabalho para o inventrio temtico ou tipolgico das coleces, neste caso de instrumentos musicais, sejam eles de cariz popular ou de tradio erudita e independentemente do suporte informati-zado de informao em uso em cada museu ou entidade deten-tora de bens culturais mveis.

    equipa do Museu da Msica, particularmente sua Directora e autora deste volume, Maria Helena Trindade, assim como ao Departamento de Patrimnio Mvel, que coordenou a edio, agradecemos reconhecidamente o saber e a dedicao postos na elaborao deste trabalho, permitindo colocar dis-

  • 8 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    posio dos profissionais dos museus um novo instrumento de referncia e apoio para o aprofundamento sistemtico do inven-trio, estudo e documentao dos respectivos acervos.

    Janeiro de 2011

    A Direco do IMC

    Joo Carlos BrigolaFilipe MasCarenhas serra

    graa Filipe

  • A P R E S E N TA O 7

    N O TA I N T R O D U T R I A 13

    D E F I N I O D E I N S T R U M E N T O M U S I C A L 15

    C L A S S I F I C A O 17

    SUPERCATEGORIA 19

    CATEGORIA E SUBCATEGORIAS 20

    I D E N T I F I C A O 26

    DENOMINAO/TTULO 26

    OUTRAS DENOMINAES 26

    NMERO DE INVENTRIO 28

    ELEMENTO(S) DE CONJUNTO 30

    D E S C R I O 32

    R E P R E S E N TA O 33

    ICONOGRAFIA 34

    HERLDICA 35

    M A R C A S E I N S C R I E S 36

    A U T O R I A 39

    OFCIO 39

    JUSTIFICAO/ATRIBUIO 40

    P R O D U O 42

    CENTRO DE FABRICO/MODOS DE PRODUO 43

    LOCAL DE PRODUO/CONTEXTO TERRITORIAL 43

    D ATA O 45

    JUSTIFICAO DA DATA 45

    I N F O R M A O T C N I C A 46

    MATRIA 46

    SUPORTE 48

    TCNICA 49

    PRECISES SOBRE A TCNICA 50

  • D I M E N S E S E C O N V E N E S 51

    C O N S E R VA O 58

    ESTADO DE CONSERVAO 58

    INTERVENES DE CONSERVAO E RESTAURO 59

    CONDIES DE MANUSEAMENTO 61

    M U LT I M D I A 63

    O R I G E M / H I S T O R I A L 64

    HISTORIAL 64

    FUNO INICIAL/ALTERAES 64

    OBJECTO RELACIONADO 65

    B I B L I O G R A F I A / D O C U M E N T O S 66 A S S O C I A D O S

    A N E X O S

    I GLOSSRIO 70

    II ENTREVISTA COM CHRISTIAN BAYON 92

    III FICHA MATRIZ 100

    IV DIAGRAMA 105

    B I B L I O G R A F I A 109

  • 13N O T A I N T R O D U T R I A

    NOTA INTRODUTRIA

    A elaborao de um inventrio criterioso, bem como a sua ampla e adequada divulgao, permite disponibilizar um grande conjunto de dados sobre componentes importantes do patrim-nio histrico-cultural e musicolgico, que poder constituir um valioso suporte de trabalho em vrias reas de investigao.

    Inventariar uma tarefa de natureza minuciosa que levanta inmeras dvidas queles que a desempenham. A necessidade, sentida por quem inventaria, de ter mo um guia que seja, simultaneamente, prtico e clarificador da temtica especfica do objecto a inventariar, levou publicao de vrios cadernos de Normas de Inventrio, chegando agora a vez dos Instrumen-tos Musicais.

    O primeiro passo definir a terminologia aplicvel ao objecto ou objectos inventariados. Neste caso, a prpria defini-o do que um instrumento musical tornou-se imprescindvel, como adiante se ver. Se verdade que a era industrial veio acrescentar um largo nmero de novas invenes a que os cons-trutores de instrumentos musicais no foram alheios (caso dos carrilhes, dos instrumentos de msica mecnica, etc.), as eras tecnolgica e digital possibilitaram, no espao de cem anos, acrescentar um sem nmero de novas invenes. Estas, adapta-das aos instrumentos musicais, modificaram, em muitos casos, o princpio da produo de som do instrumento.

    O mtodo de inventariao que propomos adaptvel a instrumentos musicais de diversas naturezas e dimenses. Estas normas pretendem clarificar quais os pontos relevantes para a inventariao detalhada de objectos musicais, para que qual-quer investigao posterior possa ser feita de forma correcta e compreensvel, sem grandes duplicaes, subjectividades ou imprecises de informao.

  • 15D E F I N I O D E I N S T R U M E N T O M U S I C A L

    DEFINIO DE INSTRUMENTO MUSICAL

    Um instrumento musical , na sua essncia, um objecto construdo para produzir msica. Como tal, possui, pelo menos, um elemento vibrante cordas, membranas, palhetas, tubos ou o corpo do prprio instrumento que, quando tangido pelo msico, produz som.

    Alguns instrumentos possuem caixa de ressonncia que funciona como uma cmara-de-ar destinada a reforar a inten-sidade sonora e que na maioria dos casos, faz parte do corpo do prprio instrumento (como num piano, numa viola ou num tambor), ou est incorporado no prprio elemento produtor de som.

    Outros elementos ou componentes importantes de alguns instrumentos musicais so os que produzem estmulos fazendo--os entrar em vibrao ou controlando o seu som, como os arcos, trastes, cavaletes, plectros, baquetas, martelos, bocais, palhetas, foles, teclados, chaves, vlvulas e pedais.

    Certos instrumentos musicais permitem ainda o uso de acessrios que funcionam como intermedirios na execuo e na explorao tmbrica do som produzido, como por exemplo, os suportes ou alas que facilitam a adaptao do corpo humano ao corpo do instrumento, os abafadores que reduzem a intensi-dade sonora, as surdinas que alteram e abafam o som, as caixas de ressonncia alternativas, os meios electrnicos de amplifica-o ou a prpria mo de um trompista.

    Outras caractersticas que definem um instrumento e o identificam so a tessitura e o registo do instrumento. A tessi-tura refere-se s notas mais frequentemente utilizadas numa pea musical, ao passo que a extenso representa todas as notas fisicamente realizveis num determinado instrumento. Por outro lado, os registos indicam as regies em que a tessi-tura de um instrumento pode ser dividida (grave, mdia ou aguda) e permitem tambm a indicao da regio da altura

  • 16 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    predominante. O mesmo acontece em instrumentos em que esta indefinida, como no caso dos pratos e gongos, ou tam-bm em alguns instrumentos de cordas e sopros, nomeada-mente o berimbau e o kazoo.

    O prprio corpo do instrumento, que a parte destinada a dar-lhe suporte, muitas das vezes tem tambm a funo de pro-duzir som (adufe) ou de ajudar a control-lo (corpo de violino ou tampo harmnico de piano, nos quais as cordas esto sob tenso).

  • 17C L A S S I F I C A O

    CLASSIFICAO

    Nos finais de 1900, as classificaes tradicionais, utilizadas pelas orquestras que dividiam os instrumentos musicais em sopros, cordas e percusso levantaram o problema da diversi-dade de critrios aos estudiosos preocupados com a categoriza-o do patrimnio organolgico. No primeiro caso, tomado como referncia o meio produtor de som. No segundo, o ele-mento vibrante e, no caso da percusso, o mtodo utilizado.

    Certamente que muitos trabalharam esta questo, contudo, o primeiro mtodo de classificao de instrumentos musicais utilizado no Ocidente foi desenvolvido no final do sculo XIX, pelo belga Victor Mahillon, conservador do Muse des Instru-ments de Musique do Conservatrio de Msica de Bruxelas.

    O sistema de Mahillon foi um dos primeiros no Ocidente a classificar os instrumentos de acordo com o elemento produtor de som (j havia um semelhante na ndia). Ainda assim, o de Mahillon apresentava uma limitao: restringia-se quase exclu-sivamente aos instrumentos ocidentais usados na msica eru-dita e, dentro destes, dava demasiada importncia aos instru-mentos de teclado, fundamentais na msica europeia mas praticamente inexistentes em muitas outras culturas.

    Em 1914, o etnomusiclogo austraco Erich von Hornbos-tel e o musiclogo alemo Curt Sachs desenvolveram, num tra-balho conjunto, um novo sistema de classificao de instrumen-tos musicais que ficou para a histria da msica como o sistema Hornbostel-Sachs (ou Sachs-Hornbostel). Este sistema repre-sentou uma expanso do anteriormente desenvolvido por Mahillon, uma vez que procurou classificar instrumentos prove-nientes de outras culturas atravs da diviso do sistema em qua-tro partes: aerofones, cordofones, idiofones e membranofones.

    Publicado pela primeira vez em 1914, no Zeitschrift fr Musik, o referido sistema seria alvo de uma verso revista em ingls, em 1961, no Galpin Society Journal. Embora tenha

  • 18 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    sofrido muitas crticas, este o mtodo mais utilizado por pro-fissionais de etnomusicologia e organologia para classificar ins-trumentos musicais.

    A era industrial e, posteriormente, a tecnolgica trouxeram novas invenes e com elas novos tipos de instrumentos: os mecnicos e os elctricos. Aos mecnicos, inicialmente na cate-goria dos idiofones, convencionou-se chamar automatofones. Em 1972, o CIMCIM introduziu a categoria de electrofone, para que se tornasse possvel inventariar tambm o patrimnio musi-cal elctrico e electrnico.

    A necessidade, cada vez maior, de inventariar o patrimnio com o intuito de o preservar, originou mais reflexes. Alguns estudiosos consideraram ainda a incluso da categoria hidrofo-nes, porque embora no estejam contemplados no sistema Horn- bostel-Sachs, existem instrumentos musicais cuja fonte geradora de som a gua, como por exemplo o rgo hidrulico1.

    No quadro seguinte feita uma exemplificao prtica da classificao geral dos instrumentos musicais, contemplando as sete categorias apuradas:

    CLASSE MODO DE PRODUO DO SOM EXEMPLOS

    IDIOFONES O CORPO DO INSTRUMENTO MARIMBA, MATRACA, METALOFONE, XILOFONE

    MEMBRANOFONES MEMBRANA TAMBOR, TIMBALES

    CORDOFONES CORDAS CONTRABAIXO, VIOLINO

    AEROFONES AR OBO, RGO

    AUTOMATOFONES VIBRAO IMPULSIONADA OU PRODUZIDA POR ENGENHOS MECNICOS.

    AUTOFONE, BASTRINGUE ORCHESTRIONS, CARROSSEL, FONGRAFO, GRAMOFONE, CAIXAS DE MSICA, PIANO AUTOMTICO

    HIDROFONES VIBRAO PRODUZIDA POR SISTEMA HIDRULICO

    RGOS HIDRULICOS

    ELECTROFONES VIBRAO PRODUZIDA POR IMPULSO ELCTRICO

    GUITARRA ELCTRICA

    1 Esta designao no aparece, ainda hoje, nos quadros classificatrios vulgarmente aceites, mas a sua meno em normas deste tipo pode ser til, uma vez que existe patrimnio que lhe corresponde.

  • 19C L A S S I F I C A O

    A classificao de Victor Mahillon, ampliada por Curt Sachs e Erich von Hornbostel, deu assim origem a uma classificao universal bastante abrangente dos instrumentos musicais, por-que a forma de subdiviso das suas classes introduziu um cdigo decimal similar ao que Melvil Dewey2 criara, em 1876, para a classificao de livros em bibliotecas.

    Seguindo este modelo, a classificao do instrumento musi-cal parte do geral para o particular, tendo em conta a forma de ser tocado.

    Dando como exemplo a classificao dos cordofones, pri-meiramente dividimo-los pelo modo das cordas vibrarem: cordofones beliscados, que so aqueles que so tocados com os dedos ou com o auxlio de unhas e de palhetas ou plectros (como a guitarra portuguesa), ou com o auxlio mecnico de teclas que accionam plectros montados em saltarelos (como o cravo ou a espineta); cordofones friccionados em que cordas so postas a vibrar com arcos, como o violino, a viola da gamba, o violoncelo, etc. e cordofones percutidos cujas cordas so bati-das com baquetas, como o dulcimer, com tangentes accionadas por teclas, caso do clavicrdio e com martelos accionados por teclas, caso do piano.

    SUPERCATEGORIA

    Actualmente, no Programa Matriz, o campo referente Supercategoria remete-nos para a identificao genrica do tipo de bem cultural e agrupa as coleces em grandes conjuntos tipolgicos (Arte, Etnologia, Arqueologia, Cincia e Tcnica, Histria Natural/Cincias da Vida e Histria Natural/Cincias da Terra).

    2 Cdigo popularizado em 1876 pelo bibliotecrio norte-americano Melvil Dewey para expressar conceitos de classificao documental. A CLASSIFICAO DECIMAL DE DEWEY um dos sistemas de classificao mais utilizados internacionalmente.

  • 20 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    Tendo em conta as Supercategorias existentes, associamos os instrumentos musicais Supercategoria Arte, devido sua natureza material e plstica, mas tambm ao funcional, e ao contexto em que se insere. Se pensarmos nos instrumentos musicais enquanto objectos mais ou menos decorados, produ-zidos por artfices de diversas artes mecnicas, no temos dvida alguma em inseri-los na Supercategoria Arte. Alm de serem produtos de arte da manufactura, alguns deles com grande tra-dio e feitura muito especficas, os instrumentos musicais so tambm os media atravs dos quais a Msica executada, ou seja, os suportes utilizados pelos artistas para transmitir a sua mensagem artstica.

    Por estas razes, consideramos a incluso dos instrumentos musicais nesta Supercategoria, por ser a que relaciona directa-mente estes espcimes com a forma de vida que lhes intrnseca.

    CATEGORIA E SUBCATEGORIAS

    Recorrendo definio atrs enunciada de instrumento musical, e do ponto de vista cientfico, seria tambm uma pos-sibilidade inserir no campo Categoria a grande rea de estudo que a Organologia, cincia que estuda os instrumentos quanto sua forma, tcnica, material aplicado, timbre, etc.3

    Contudo, convencionou-se que os objectos msicos seriam considerados na categoria Instrumentos Musicais por ser uma nomenclatura igualmente correcta e mais imediatamente per-ceptvel. Dessa categoria parte-se para uma subdiviso que associa os instrumentos por grupos especficos, conforme as suas caractersticas fsicas, baseada num processo de classifica-o universalmente reconhecido.

    3 A designao Organologia, para esta cincia, tem a sua origem no sc. XX com Nicholas Bessaraboff, e o estudo organolgico, assim como o trabalho de classificao dos instrumentos remontam, pelo menos, ao sc. XIV.

  • 21C L A S S I F I C A O

    No Programa Matriz tem sido usada uma verso simplifi-cada do sistema classificatrio criado por Hornbostel-Sachs, isenta do cdigo numrico por eles atribudo. O Matriz tem seguido a classificao genrica: Idiofones, Membranofones, Cordo-fones, Aerofones, Automatofones, Electrofones e correspondentes subdivises.

    No processo de classificao aqui proposto h que, primei-ramente, ter em conta a categoria, ou seja, a famlia a que per-tence o instrumento e, seguidamente, ir descrevendo o mesmo por subcategorias, at que as suas peculiaridades fiquem evi-dentes. Este processo, que parte do geral para o particular, serve para mapear, no universo dos instrumentos musicais, o instru-mento especfico que estivermos a inventariar.

    CLASSIFICAO RESUMIDA DOS INSTRUMENTOS MUSICAIS

    DE ACORDO COM HORNBOSTEL-SACHS

    1. IdiofonesInstrumentos que no diferenciam a parte estrutural do gerador de som. No intervm tenses adicionais.

    1.1. Idiofones de percusso e entrechoque: o instrumento colocado em vibrao por percusso.

    1.1.1. de entrechoque directo: o msico efectua ele prprio os movimentos de percusso.

    1.1.1.1. de entrechoque entre dois ou mais pares simtricos (castanholas).

    1.1.1.2. percutido. O gerador do som percutido com um objecto no sonoro (xilofone).

    1.1.2. de entrechoque indirecto. Os sons produzem-se de forma aleatria, sem controlo directo do gerador de som.

    1.1.2.1. sacudidos (maraca).

    1.1.2.2. raspados com um elemento no sonoro (matraca).

    1.1.2.3. de fenda (caixa-chinesa).

    1.2. Idiofones pinados, beliscado ou de flexo: o som produzido pela flexo de uma lmina.

    1.2.1. lmina fixa no corpo do instrumento que vibra livremente (lamelofone: sansa).

    1.2.1.1. lmina cortada sobre um ressoador prprio

    1.2.1.2. cavidade bucal como ressoador (berimbau)

    1.2.2. lminas em srie, em forma de pente. As lamelas esto ligadas a uma prancha como os dentes de um pente.

  • 22 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    1.3. Idiofones de frico: o som produzido por atrito do corpo vibrante.

    1.3.1. frico de varas

    1.3.1.1. simples

    1.3.1.2. em grupo

    1.3.2. Frico de placas

    1.3.2.1. simples ou isoladas (lmina metlica com arco, serrote)

    1.3.2.2. agrupadas

    1.3.3. Frico cncava (recipientes)

    1.3.3.1. simples ou isolados (bandeja com moeda)

    1.3.3.2. em grupo (harmnica de vidro)

    1.4. Idiofones de sopro

    1.4.1. lminas

    1.4.1.1. isolados

    1.4.1.2. em grupo (olsklavier)

    1.4.2. placas de ar

    1.4.2.1. isoladas

    1.4.2.2. agrupadas

    2. MembranofonesO gerador sonoro consiste numa membrana em tenso, sujeita a uma estrutura inerte.

    2.1. Membranofones de percusso directa. O msico efectua ele prprio os movimentos de percusso, eventualmente por intermdio de um dispositivo (baquetas, vassouras, bilros, mos, etc.). No fazendo parte desta categoria as membranas sacudidas.

    2.1.1. Directa (com a mo ou baqueta)

    2.1.1.1. de caixa de ressonncia semiesfrica (timbales).

    2.1.1.2. de cavidade tubular. O corpo em forma de tubo:

    2.1.1.2.1. de cavidade cilndrica (congas)

    2.1.1.2.2. de cavidade em forma de barril (shimedaiko)

    2.1.1.2.3. de corpo duplamente cnico (tablas)

    2.1.1.2.4. em forma de ampulheta (djembe)

    2.1.1.2.5. cnico (tablas)

    2.1.1.2.6. copoforme (darbuka)

    2.1.1.3. Tambores com moldura (pandeireta). A altura do fuste no ultrapassa o raio da membrana.

    2.1.1.3.1. sem brao

  • 23C L A S S I F I C A O

    2.1.1.3.2. com brao

    2.1.2. Sacudidos (por impacto exterior ou interior). A membrana sacudida ou percutido por objectos que se encontram no interior ou suspensos no exterior

    2.1.2.1. com cavidade esfrica.

    2.1.2.2. com cavidade tubular.

    2.1.2.3. com moldura.

    2.2. Membranofones de flexo ou pinados com corda fixada no centro da membrana (Ektar). Uma corda pinada no centro da membrana e as suas vibraes transmitem-se membrana

    2.3. Membranofones de frico. A membrana posta em vibrao por frico.

    2.3.1. frico sobre um pau fixado numa membrana (sarronca)

    2.3.2. frico por corda fixada numa membrana (tambor africano)

    2.3.3. frico com as mos (bendir).

    2.4. Membranofones de sopro ou membranas ressoadoras. Membrana posta em vibrao atravs do sopro ou canto, modificando o timbre do instrumento ou da voz.

    2.4.1. livres sem cmara adicional (papel sobre pente)

    2.4.2. cncava (kazoo).

    Nota: Aos cdigos decimais principais dos idiofones muitas vezes se juntam sufixos para distinguir novas classes de cordofones.

    3. CordofonesCom gerador de uma ou vrias cordas tensas entre os pontos da estrutura.

    3.1. Cordofones simples ou ctaras. O apoio das cordas e o ressoador so peas independentes:

    3.1.1. ctaras de basto

    3.1.1.1. arco musical.

    3.1.1.2. ctaras com brao.

    3.1.2. ctaras cilndricas ou tubulares.

    3.1.3. ctaras em forma de balsa.

    3.1.4. ctaras de mesa.

    3.1.5. ctaras de caixa (cordas esticadas sobre uma cavidade: zither, kankles).

    3.1.6. ctara de moldura (cordas numa moldura aberta).

    3.2. Cordofones compostos. O suporte das cordas e a caixa de ressonncia esto unidos:

    3.2.1. Alades. Com o plano das cordas paralelo ao tampo harmnico.

    3.2.1.1. de brao arqueado.

    3.2.1.2. liras de canga (lira grega).

    3.2.1.3. alades de brao direito (viola, violino)

  • 24 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    3.2.2. Harpas. O plano das cordas perpendicular ao tampo harmnico.

    3.2.2.1. harpas abertas (sem coluna).

    3.2.2.2. harpas com coluna.

    3.2.3. Harpas-alade. Com o plano das cordas em ngulo recto ao tampo harmnico e ponte furada (kora).

    Nota: Aos cdigos decimais principais dos cordofones muitas vezes se juntam sufixos, separados por um guio, para distinguir novas classes de cordofones.

    4. Aerofones Instrumento cujo som produzido utilizando-se o ar como agente vibratrio bsico.

    4.1. Aerofones livres. A vibrao do ar no est confinada ao instrumento, mas ao ar que a rodeia.

    4.1.1. Livres por deslocao do ar (zumbidores).

    4.1.2. Livres com interrupo. Um jacto de ar periodicamente interrompido.

    4.1.2.1. Aerofones com interrupo, de palheta.

    4.1.2.1.1. duas lminas simtricas em vibrao (rgo de boca).

    4.1.2.1.2. lmina percutida sobre um marco (palheta simples do clarinete).

    4.1.2.1.3. palheta livre (harmnio).

    4.1.2.1.4. lmina entre dois apoios (ave canora).

    4.1.2.2. com interrupo no idiofone.

    4.1.3. Aerofones de exploso. O ar vibra depois de uma nica compresso.

    4.1.3.1. explosivos (petardo)

    4.1.3.2. implosivos (tubo golpeado)

    4.2. Aerofones de insuflao ou de aresta. O ar vibrante est confinado ao instrumento.

    4.2.1. Aerofones de bisel, sem canal.

    4.2.1.1. sem canal, directo a partir dos lbios (flauta travessa).

    4.2.1.2. flautas de canal rgido (flautim).

    4.2.2. Aerofones instrumentos de palheta com canal.

    4.2.2.1. de palheta dupla ou de entrechoque (obo).

    4.2.2.2. de palheta simples (clarinete).

    4.2.2.3. de palheta livre, fixa num marco (sheng).

    4.2.3. Aerofones de bocal. O jacto de ar passa entre os lbios vibrantes do msico (trompete).

    4.2.3.1. trombeta natural (caracola).

    4.2.3.2. trombeta com mecanismos cromticos:

    4.2.3.2.1. com furos (corneta renascentista).

  • 25C L A S S I F I C A O

    4.2.3.2.2. extensvel (trombone de varas).

    4.2.3.2.3. de vlvulas (trompa).

    Nota: Aos cdigos decimais principais dos aerofones juntam-se sufixos para distinguir novas classes de aerofones.Como ficou dito, na verso revista pela Galpin Society Journal, em 1961, e pelo CIMCIM em 1972, acrescentaram-se mais duas categorias: Automatofones e Electrofones.Os Hidrofones so considerados por alguns organlogos como uma possvel categoria.

    5. Automatofones Instrumentos Automticos: instrumentos musicais cujo som produzido de forma automtica e mecanicamente, geralmente sem ser necessrio um intrprete.

    Exemplos:

    De cilindro metlico: pianola.

    Autmato: gaiola de pssaros canoros, caixa de msica.

    De discos metlicos: poliphon.

    De cilindro de madeira: orquestrion.

    De suporte perfurado: piano meldico.

    6. Electrofones Instrumentos Electrnicos: Instrumentos que incorporam circuitos elctricos como parte integrante do sistema gerador de som.

    Elctricos

    Electroacsticos

    Cordofones percutidos: piano elctrico.

    Cordofones beliscados: guitarra elctrica.

    Cordofones friccionados: violoncelo ou contrabaixo.

    Instrumentos de palheta livre: clavier de Loyd Loar.

    Outros mecanismos vibratrios electromecnicos.

    Electromecnicos: telharmonium

    Electrnicos

    Instrumentos monofnicos ou meldicos: theremin.

    Instrumentos polifnicos: RCA Electronic Music Synthesiser.

    Harmnicos: rgo Hammond.

    Ondas Martenot: teclado.

    7. Hidrofone O elemento gerador de som a gua.

    Exemplo.: rgo hidrulico

    Traduo livre de New Grove Dictionary of Musical Instruments, London, Mcmillan, 1984 (vol. I, pp. 29-30 e 364-365; vol. II, pp. 279-280 e 642-643

    Polyphon

    Gesellshaft Polyphon

    Leipzig, scs. XIX-XX

    MM 697

    rgo

    Laurens Hammond

    EUA, sc. XX

    Coleco RDP

    MMdep rtp52

  • 26 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    IDENTIFICAO

    DENOMINAO/TTULO

    A denominao, como a prpria palavra refere, d o nome ao objecto. No caso especfico dos instrumentos musicais, d- -lhes o nome genrico e corrente por que so conhecidos. A denominao funciona como um sinal distintivo que serve para designar um instrumento e atribuir-lhe qualidades ou caractersticas que o inserem num universo definido atravs da classificao que temos vindo a seguir.

    OUTRAS DENOMINAES

    Quando se conhecem outras designaes de um instru-mento musical, estas devem ser inscritas no campo Outras Denominaes, clarificando-se a que tipos correspondem.

    Em alguns casos, os instrumentos tm designaes especfi-cas relativamente a outros da mesma espcie. Essas designaes podem estar relacionadas com particularidades da construo ou do modelo, mas tambm com o historial do instrumento, o seu local de produo, o proprietrio, o construtor, provenincia tnica ou popular, etc. o nome especfico pelo qual um deter-minado instrumento vulgarmente conhecido.

    Seguem-se alguns exemplos relativos a Portugal e aos pases de lngua portuguesa, em que s denominaes efectivas corres-pondem vocbulos distintos, a inscrever neste campo da ficha de inventrio:

    EX.: GUITARRA CLSSICA: Viola ou Violo

    VIOLINO POPULAR: Rabeca

    VIOLA DE ARCO: Violeta

    Viola Baixo

    Fabrico desconhecido

    Portugal

    MM 626

    Rabeca Chuleira

    Antnio Duarte

    Porto, 2. metade do sc. XIX

    MM 549

    Violeta

    Joaquim Jos Galro

    Lisboa, 1780

    MM 31

  • 27I D E N T I F I C A O

    EX.: DENOMINAO GEOGRFICA: Bandolim Napolitano

    DENOMINAO TCNICA: Cravo de penas

    DENOMINAO DO FABRICANTE: Flauta Travessa Haupt

    DENOMINAO HONORFICA: Violoncelo Portugal,

    assim designado por ter pertencido a D. Lus I,

    Rei de Portugal.

    DENOMINAO DE PRESTGIO: Piano do Liszt, por ter sido

    trazido para Portugal pelo famoso msico Franz Liszt

    em 1845, que o ofereceu Rainha D. Maria II.

    Ter sido o primeiro piano de cauda a ser visto e ouvido

    em Lisboa.

    DENOMINAO DE CARCTER POPULAR: Machete (cavaquinho)

    DENOMINAO DE CARCTER TNICO: Erhu (violino chins)

    Flauta Travessa

    Antnio Jos Haupt

    Lisboa, 1796

    MM 141

    Bandolim

    Antnio Vinaccia

    Npoles, 1790

    MM 286

    Cravo

    Pascal-Joseph Taskin

    Frana, sc. XVIII

    MM 1096

    Violoncelo Portugal

    Antonius Stradivarius

    Cremona, 1725

    MM 47

    Machete

    Fabrico desconhecido

    Funchal, sc. XIX

    MM 359

    Piano Liszt

    Boisselot & Fils

    Marselha, 1844

    MM 434

    Erhu

    Fabrico desconhecido

    China, s.d.

    MM 483

  • 28 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    NMERO DE INVENTRIO

    O nmero de inventrio constitui uma marca de proprie-dade de um bem cultural, sobre a qual se inscrevem elementos identificativos. O registo de um instrumento na coleco de um museu faz-se, preferencialmente, mediante a atribuio de um nmero de ordem sequencial precedido de sigla que identifica o museu ou instituio proprietria, devendo ser marcado na prpria pea.

    Cada objecto tem um nmero de inventrio que nico e intransmissvel. Em muitos casos, uma pea transporta vrios outros elementos identificativos que constituem marcas de inventrios antigos ou siglas de anteriores proprietrios. Todos estes cdigos devem manter-se e ser referidos em campo pr-prio da ficha.

    Em muitos dos museus do IMC, o nmero de inventrio precedido das iniciais do museu ao qual pertence. Do mesmo modo, a qualquer instrumento que tenha dado entrada na coleco do Museu da Msica, corresponde uma sequncia alfanumrica comeada por MM e seguida de nmero sequen-cial, por ordem crescente, em sintonia com a data de entrada dos objectos na instituio.

    As peas so marcadas em locais menos visveis, com tinta da china preta sobre fundos claros, ou branca sobre fundos escuros. A tcnica de marcao utilizada depende do tipo de suporte, mas, na maioria, primeiro aplicada uma camada de resina acrlica com aparncia de verniz transparente, facilmen-tente removvel e reversvel, para proteco. Seguidamente, com a utilizao de um pincel fino ou uma caneta Rotring, inscreve--se o nmero de inventrio. Finalmente, por cima deste, coloca--se outra camada do mesmo verniz, a fim de proteger a tinta. Deste modo, a reversibilidade do processo de marcao asse-gurada.

    Futuramente, o ideal em termos de inventrio museolgico ser a utilizao de marcas indutivas. Estas marcas so efectua-

    Piano Porttil

    Leopold

    ustria, incio do sc. XIX

    MM 433

    Piano Porttil

    Leopold

    ustria, incio do sc. XIX

    MM 433

    Sigla de inventrio

    de coleccionador:

    CK 94 (referente coleco Keil)

    Pormenor de Piano Porttil

    Leopold

    ustria, incio do sc. XIX

    MM 433

    Inventrio antigo:

    MIC 433 (referente ao inventrio

    do Museu Instrumental

    do Conservatrio)

  • 29I D E N T I F I C A O

    das atravs da utilizao de micro-elementos passivos de tinta invisvel ou ainda de micro implantes codificados.

    No caso do Museu da Msica as peas em reserva tm uma dupla marcao para melhor controlo e localizao. Alm do nmero inscrito no objecto, cada pea possui uma etiqueta de papel acid free, aplicada em cordo de nastro ou de algodo com a notao correspondente, para imediata identificao.

    Seguindo as Normas Gerais de Inventrio para Artes Plsticas/Artes Decorativas (cf. Bibliografia), as referncias antigas devem ser mantidas, pois esses elementos podem constituir fontes pre-ciosas para o estudo dos instrumentos musicais.

    No caso dos depsitos, e tomando como exemplo o Museu da Msica, optou-se por definir duas abreviaturas intermdias para designar o modo de acolhimento e a referncia ao pro-prietrio (por exemplo: dep rtp, ou seja, depsito da Rdio e Televiso Portuguesa), separadas por um espao e colocadas imediatamente a seguir s iniciais do Museu da Msica (MM) e imediatamente antes do nmero de inventrio propriamente dito, ou seja, o nmero de inventrio o da instituio proprie-tria do objecto e no do depositrio (ex. MMdep rtp121). Este nmero de depsito serve somente para controlo das peas na Instituio onde esto depositadas e nunca ser inscrito directa-mente no objecto.

    Como os depsitos so formas temporrias de guardar e conservar os objectos em melhores condies, opta-se tambm por fazer uma contagem especfica para os mesmos, independente da numerao das restantes peas da coleco. Este processo vai ao encon-tro da Lei-Quadro dos Museus Portu-gueses, de 2004, que reafirma o prin-cpio de que os depsitos nunca sero incorporados.

    Pormenor de rgo

    Hohner

    Alemanha, sc. XX

    Coleco RDP

    MMdep rtp121

  • 30 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    ELEMENTO(S) DE CONJUNTO

    Definimos como elemento (s) de conjunto (s) os acessrios que acompanham ou fazem parte de um instrumento musical, sejam ou no parte integrante do mesmo.

    Um conjunto pode ser visto como um agrupamento de ins-trumentos musicais, em que se verificam as mesmas caracters-ticas estruturais e decorativas, com diferentes tamanhos e regis-tos, mas, unidos tematicamente, utilizados, ou no, em formaes musicais de grupo e permitindo uma leitura funcio-nal do agregado.

    Os instrumentos musicais que fazem parte de um conjunto so marcados com o mesmo nmero de inventrio, seguido de cdigo numrico ou alfanumrico por ordem crescente (do ins-trumento com o registo mais agudo para o instrumento com o registo mais grave); no caso dos conjuntos que so formados apenas por um instrumento e seus acessrios, d-se o nmero de raiz ao instrumento, o qual replicado nos acessrios, seguido da respectiva sequncia alfanumrica, por ordem de dependncia dos mesmos.

    No caso de os conjuntos serem formados apenas por aces-srios, estes numeram-se por ordem decrescente, atribuindo-se o nmero de raiz caixa ou ao maior acessrio.

    Exemplos de conjuntos

    Aqueles em que cada parte um instrumento que pode ser tocado autonomamente, embora todos encaixem numa estrutura comum.

    EX.: bateria

    Os que foram concebidos na mesma altura com a inten-o de formarem um conjunto, mas sem a necessidade de uma estrutura comum.

  • 31I D E N T I F I C A O

    Os que so formados por um instrumento e um ou mais acessrios.

    Os que so formados apenas por acessrios.

    Conjunto de ocarinas

    H. Fiehn

    ustria, 1860

    MM 1058 (A, B, C, D, E, F)

    Violino, caixa e arco

    Mathias Hornsteiner

    Mittenwald, 1794

    MM 1255, MM 1255 A

    e MM 1255 B

    Acessrios de trompete

    e caixa

    Portugal, s.d.

    Coleco RDP

    MMdep rtp1, MMdep rtp1 A,

    MMdep rtp1 B, MMdep rtp1 C

  • 32 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    DESCRIO

    A descrio consiste na enumerao de parmetros fsicos e morfolgicos que definem um objecto e permitem a sua com-e permitem a sua com-preenso.

    O processo descritivo de um instrumento musical deve identificar com detalhe, de forma simples e concreta, o essencial dos traos distintivos da sua constituio e dos traos particula-res relativos s suas componentes, acessrios, elementos deco-rativos e ainda elementos directamente ligados mecnica.

    A descrio deve partir do geral para o particular, identifi-cando em primeiro lugar as partes constituintes da pea, ou seja, a sua estrutura, incluindo as caratersticas de funciona-mento que a definem como instrumento musical. Utilizam-se os termos especficos de acordo com a classificao (categoria e subcategoria) do instrumento, ou seja, a forma de execuo mais usual e a extenso geral da famlia.

    Para as descries dos temas ornamentais e decorativos deve recorrer-se, sempre que necessrio, a terminologia espec-fica sobre a arte em questo (pintura, escultura, mobilirio, etc.). A descrio deve ser complementada com, pelo menos, uma imagem do instrumento e, preferencialmente, tambm com registos sonoros.

  • 33R E P R E S E N T A O

    REPRESENTAO

    A representao de um objecto consiste na ideia ou imagem que se concebe do mesmo.

    A interpretao dessas atribuies exige um encontro com a forma mas vai alm dela, atingindo o prprio autor e asso-ciando-se sua criao e ao seu destinatrio.

    Um objecto msico pode transportar um conjunto de sinais ou marcas, materialmente figurados, que o reportam automati-camente ao seu autor ou ao seu possuidor e lhe conferem refe-rncias que fazem dele um instrumento com uma identidade, e o distinguem de todos os outros.

    Uma das caractersticas que chama mais a ateno nos ins-trumentos musicais a sua decorao, que, embora considerada por alguns estudiosos como de menor interesse em relao ao seu funcionamento musical, pode em verdade revelar-se de grande importncia.

    A Iconografia e a Herldica so fontes de informao para a Histria da Msica e para a Organologia; preenchem lacunas da documentao escrita, fornecem elementos acerca das tcni-cas de construo e execuo e permitem estudar a origem e a evoluo dos espcimes organolgicos e das prticas musicais de diversas pocas.

    Pormenor de Trompa

    de Harmonia (dedicatria

    ao Conde de Farrobo)

    Marcel-Auguste Raoux

    Frana, 1835

    MM 122

  • 34 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    Muitos instrumentos de madeira ou metal assumem uma grande exuberncia ornamental que, por vezes, est associada ao estatuto do encomendador ou ao prprio construtor.

    Os elementos decorativos podem consistir, por exemplo, em embutidos do mesmo material, de madeiras de diferentes cores, de madreprola, osso, pedras ou sementes. Os instrumentos podem possuir igualmente elementos escultricos e/ou pictri-cos, podendo estes apresentar variantes monocromticas, uma combinao de cores, uma paisagem ou ainda figurao animal ou humana, relacionada, quase sempre, com uma finalidade sagrada ou social dos mesmos.

    Nos instrumentos no europeus, as peas fornecem sinais que lhes conferem significados que so intrnsecos s comuni-dades que os produziram, objectivando assim um tipo de inter-pretao atravs da representao de cones e das suas associa-es aos rituais locais, aos materiais e prpria etnia.

    A prpria morfologia, em muitos casos, assume uma repre-sentao que nos remete para o imaginrio local ou para o seu construtor.

    ICONOGRAFIA

    A iconografia o estudo da representao figurativa, ou seja, da representao de smbolos e imagens tal como se apre-sentam.

    Num instrumento musical, a descrio iconogrfica o conjunto das imagens que identificam todas as suas representa-es (ornamentao, decorao, simbologia, mitologia, etc.).

    Pormenor de Harpa

    Erard

    Paris, sc. XIX

    MM 218

    Rajo

    Fabrico desconhecido

    Madeira, sc. XIX

    MM 422

    Virginal

    Hans Ruckers

    Flandres, 1620

    MM 395

  • 35R E P R E S E N T A O

    HERLDICA

    A herldica ajuda a interpretar as origens, a evoluo e o significado social e simblico da representao icnica da nobreza, do clero, ou municipal.

    No passado, era comum que o construtor de instrumentos musicais estivesse ligado a uma casa real. Os instrumentos cons-trudos por ordem rgia ou por encomenda de um nobre osten-tavam normalmente o escudo de armas do rei ou do nobre como smbolo da hierarquia e da importncia da famlia a quem se destinava o instrumento musical.

    Os smbolos herldicos podem ser de natureza eclesistica, familiar, nobilirquica, municipal, etc. Por exemplo, os brases ajudam a documentar um instrumento musical nas vertentes da origem, datao, encomenda e, por vezes, do prprio constru-

    tor. Para descrever os termos herldicos deve recorrer-se a um dicionrio ou manual da especialidade.

    Pormenor decorativo de

    chinoiserie do Cravo Taskin

    Pascal-Joseph Taskin

    Frana, sc. XVIII

    MM 1096

    Pormenor de grgula

    em suporte de Virginal

    Fabrico desconhecido

    Itlia, sc. XVIII

    Actualmente associado

    ao Virginal MM 393

    Pormenor das Armas Reais

    Portuguesas em Trompa

    de Cilindros

    Ernesto Victor Wagner

    Lisboa, 1880

    MM123

    Pormenor das Armas

    do Conde de Farrobo

    em Trompa de Harmonia

    Marcel-Auguste Raoux

    Frana, 1835

    MM 122

  • 36 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    MARCAS E INSCRIES

    As marcas e inscries dos objectos so um meio de con-densar uma realidade complexa, diversificada, e constituem uma praxis antiga. Tornam-se, por vezes, fontes inequvocas para a identificao de um instrumento musical, uma vez que os artfices marcavam a sua obra escrevendo ou colando etiquetas com o seu nome, a data e o local da construo.

    A identificao pode ser feita de diversas formas: por meio de colagem de etiqueta, aplicao de placas metlicas, embuti-dos, inciso, esgrafito, etc.

    Normalmente, as tcnicas so aplicadas de acordo com os materiais de suporte (caso dos metais em que se utiliza a inciso porque a colagem de etiquetas de papel ou a marcao a carvo no resultaria). J a madeira um suporte muito mais verstil e podemos encontrar marcas de variadas tcnicas.

    Os acabamentos utilizados num instrumento, provenientes de outras artes mecnicas, tambm devem ser considerados como sendo uma marca, dando pistas para identificao de uma oficina. O mesmo se aplica aos traos estilsticos distintos, como o caso dos semicrculos incisos na madeira das teclas de clavi-crdios e cravos de oficinas portuguesas, componentes pura-mente decorativos que no esto directamente relacionados com os aspectos sonoros do instrumento. So tambm exem-plos as aberturas sonoras ou as volutas, cujas formas (mais aber-tas ou mais fechadas) so, muitas vezes, marcas do artfice ou centro de fabrico. Seguem-se alguns casos dos vrios tipos de marcas e inscries que podemos encontrar num instrumento musical: assinatura; data; esgrafito; impresso digital; marca de

    Pormenor de Trompa

    de Cilindros

    Patente do construtor

    Ernesto Victor Wagner

    Lisboa, 1880

    MM123

    Pormenor de etiqueta

    no interior de Violino

    lvaro Pereira dos Santos

    Portugal, 1915

    MM 84

    Corne Ingls

    Manuel Antnio da Silva

    Lisboa, sc. XIX

    MM 113

    Pormenor de inscrio

    em tecla de Cravo

    Joo Baptista Antunes

    Lisboa, 1789

    MM 373

  • 37M A R C A S E I N S C R I E S

    autor; monograma; nmero de inventrio antigo; rtulo; eti-queta, etc.

    Todas as inscries devem ser transcritas na ficha de inven-trio, de forma rigorosa, tendo em ateno a inscrio de ori-gem e provveis inscries posteriores.

    Algumas marcas contm iconografia identificadora de um centro de produo ou de um construtor. Por exemplo, a coroa ou as cabeas de perfil usadas pelos construtores de sopros da famlia HAUPT.

    Na classificao das inscries, quanto ao contedo e tc-nica, tambm necessrio recorrer ao lxico utilizado na escul-tura e no mobilirio4 com a terminologia adequada.

    DESCRIO: assinatura esgrafitada na tecla n. 51

    Se a inscrio no for contempornea da construo do

    instrumento deve igualmente esse facto ser registado, podendo recorrer-se, ento, aos descritores inscrio posterior ou ins-crio de origem.

    4 Cf. CARVALHO, Maria Joo Vilhena de, Escultura: Normas de Inventrio - Artes Plsticas e Artes Decorativas. Lisboa: IPM, 2004 e SOUSA, Maria Conceio Borges de; BASTOS, Celina, Mobilirio : Normas de Inventrio - Artes Plsticas e Artes Deco-rativas. Lisboa: IPM, 2004.

    Pormenor de Voluta em Violino

    Etiqueta Andreas Guarnerius

    Cremona, 1691

    MM 710

    Pormenor de voluta em Violino

    Henrique e Filho Monteiro

    Lisboa, sc. XIX

    MM 70

    Pormenor da marca do

    construtor em Flauta Travessa

    Ernesto Frederico Haupt

    Lisboa, 1835

    MM 142

    Pormenor da marca do

    construtor em Pianoforte

    Oficina Antunes

    [Lisboa], 1767

    National Music Museum 5055

    (Universidade de Dakota

    do Sul, EUA)

  • 38 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    As legendas e inscries so registadas em campo especfico da ficha de inventrio.

    As inscries e marcas, quando existentes, podem encon-trar-se em partes que no so imediatamente visveis (como no interior de um tampo harmnico) ou em partes visveis e exte-riores do instrumento (como nos braos das teclas de um cor-dofone). Outras vezes encontram-se destacadas, muito visveis e at com funes ornamentais.

    Campo Marcas e Inscries

    da Ficha Matriz 2.0

    Saltrio, MM 317

    Medalho com inscrio

    embutida na ilharga frontal:

    Antonio / MIZ S. TIAGO O FES /

    NO RIO DE JANEIRO / NA. 1769

    Rgua frontal de Cravo

    Assinatura do construtor

    JOACH`: JOZ ANT:es

    [Lisboa], 1758

    MM 372

  • 39A U T O R I A

    AUTORIA

    A autoria de uma obra remete para um conjunto de traos que a tornam, ao mesmo tempo, singular e passvel de ser rela-cionada contrastadamente com outras obras. O preenchimento deste campo da ficha de inventrio impe uma observao atenta do objecto para encontrar assinaturas ou etiquetas.

    O termo Desconhecido aplica-se sempre que a autoria no seja possvel de determinar. Nestes casos, necessrio dar ao instrumento uma filiao com a sua tradio (cultural, regional ou outra) ou tentar que, atravs da anlise da produo, sejam identificadas caractersticas singulares que o definam.

    OFCIO

    No Ocidente, o termo generalista luthier serve actualmente para designar os construtores de instrumentos musicais. No entanto, e se quisermos utilizar a palavra de forma correcta, e recorrendo tradio, esta refere-se apenas aos construtores de instrumentos de corda friccionada, com caixa de ressonncia (violinos, violoncelos, contrabaixos, etc.).

    Em Portugal, a expresso circulou sobretudo entre os meios intelectuais de finais de Novecentos e permaneceu, por imitao e moda, durante o sculo XX.

    Talvez a palavra portuguesa que mais se aproxima deste estrangei-rismo seja a de violeiro, contudo, o lxico dos construtores nacionais dos instrumentos friccionados com arco ainda no possui um estudo sistema-tizado, o que no nos permite saber com exactido como se designavam. certo, porm, que nos sculos XVIII

    Gravura de oficina de luthier

    no sculo XVIII

    Luthier, Ouvrages et Outils

    in Recueil de Planches de

    LEncyclopdie par ordre de

    matires Tome Troisime,

    Paris, Chez Panckoucke,

    MDCCLXXXIV, p.64

  • 40 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    e XIX, os violeiros portugueses tinham a incumbncia de construir violas e harpas5. Se a sua produo extravasava os limites impostos pelo seu regimento profissional6, no ainda claro.

    Os construtores de cravos e pianos tiveram vrias designa-es ao longo do tempo. At metade do sculo XVIII, chama-vam-se carpinteiros de cravos ou mestres de cravos. A partir dessa data, assumiram o nome de cravistas de manufactura e, mais tarde, o de pianistas de manufactura ou, simplesmente, construtores de cravos e pianos.

    Os contemporneos destas artes nunca conseguiram encon-trar, na lngua portuguesa, um termo especfico que definisse esta classe profissional e recorreram, por isso, a expresses com-psitas. J outras profisses sempre tiveram terminologia pr-pria. o caso dos guitarreiros (construtores de guitarras) e dos organeiros (construtores de rgos).

    Alguns instrumentos eram construdos por marceneiros que, para alm de serem construtores de mobilirio fino, tinham tambm a seu cargo o fabrico das caixas de guerra (caixas de rufo e caixas claras)7.

    JUSTIFICAO/ATRIBUIO

    O uso do termo atribudo a indica que no se garante que o instrumento seja do autor indicado, mas a forte probabilidade de o ser -nos transmitida atravs dos traos fsicos, materiais utilizados, assinaturas pouco claras (caligrafia) e comparao de modos de construir.

    5 LANGHANS, Franz-Paul, As Corporaes dos Ofcios Mecnicos: Subsdios para a sua Histria, vols. I e II. Lisboa: Imprensa Nacional, 1943-1946.

    6 Em Portugal, desde a Idade Mdia at 1824, todas as profisses eram regulamen-tadas por regimentos que as definiam ao pormenor, relativamente s suas incum-bncias. Alm disso, a tendncia geral era a da especializao das profisses.

    7 Acerca das obras que compete fazer a cada ofcio mecnico, at 1824, ver LANGHANS, Franz-Paul, op.cit.

  • 41A U T O R I A

    Eis alguns exemplos de descritores que podem ser usados no campo da justificao/atribuio quando a autoria desco-nhecida:

    Feitura francesa

    Trata-se de instrumento no assinado cujas caractersticas nos remetem para determinada oficina, neste caso situada em Frana.

    maneira de

    O instrumento foi executado em poca posterior mas man-tm as caractersticas de uma determinada poca, estilo ou fabricante.

    Cpia de violino Stradivarius

    Trata-se de uma cpia ou rplica de um instrumento de Antonius Stradivarius.

    As principais fontes de descritores usados no campo da autoria de um instrumento musical ou da sua atribuio so:

    Assinatura MarcaBibliografia SiglaDocumentao TradioInscrio Citem-se dois exemplos que remetem para a tradio por-

    tuguesa:Coraes do suporte

    do Clavicrdio

    Fabrico desconhecido

    Portugal, sc. XVIII

    MM 415

    Cravelhame em forma de leque

    da Guitarra Portuguesa

    Avelino Coutinho

    Portugal, 1915

    MM 278

  • 42 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    PRODUO

    A produo de instrumentos musicais pode compreender vrias formas de execuo: a manufactura, que pressupe a exe-cuo artesanal do objecto; a construo mista ou pr-indus-trial, que substitui parte da execuo artesanal tradicional recorrendo a equipamentos mecnicos, e a fabricao autom-tica, pelo processo tecnolgico industrial.

    Na manufactura de instrumentos musicais, o artfice da especialidade (seja violeiro, cravista de manufactura, organeiro, latoeiro, torneiro) um mestre que concebe o instrumento, exe-cuta e dirige a obra. Embora na maior parte dos casos este mes-tre tenha que mandar fazer algumas peas a artfices de outras especialidades (serralheiros para as ferragens, marceneiros para as teclas, etc.), toda a coordenao da obra, montagem e acaba-mento final do instrumento se passa dentro da sua oficina, sob o seu controlo pessoal. Para melhor entender esta realidade, inclumos em anexo a entrevista feita a um violeiro francs resi-dente em Portugal que, para explicar a construo de violinos, recorreu simultaneamente a vocabulrio especfico da sua arte e das artes de carpintaria e marcenaria8.

    O processo pr-industrial consiste num sistema de produ-o que se situa entre a manufactura e a pequena indstria e est, normalmente, associado ao final do sculo XVIII, quando se d a aplicao de novos inventos tcnicos produo oficinal, a par do aumento da procura dos produtos fabricados.

    No processo industrial, as vrias componentes do instru-mento so fabricadas em srie e, regra geral, todas as fases do fabrico se renem no mesmo local: a fbrica. A importncia do conhecimento dos diversos processos de produo til inven-tariao porque ajuda a datar um instrumento no identificado, a escolher os termos adequados para o descrever, bem como as tcnicas utilizadas e ainda a identificar o local de fabrico.

    8 Ver Anexo II.

    Produo industrial

    Guitarra elctrica

    Fender Stratocaster

    Mxico, [2005]

    MM1299

  • 43P R O D U O

    CENTRO DE FABRICO/MODOS DE PRODUO

    Neste campo h que ter em conta a geografia de origem do construtor ou da fbrica e o modo como o instrumento foi construdo: oficina (artesanal, manufacturado) ou fbrica (pro-duo em srie).

    A informao referente autoria, quando associada da produo e da datao, permite-nos contextualizar e analisar o instrumento musical na sua vertente histrico-artstica, ou seja, do arteso que o manufacturou ou da fbrica que o produziu, com toda a individualidade que o caracteriza.

    Um instrumento manufacturado revela o cunho do mes-tre que o construiu. Mesmo na ausncia de documentao, existem outros elementos que tornam possvel a identificao de uma oficina ou, pelo menos, de uma escola regional de construo. Os mestres trabalham com ferramentas que constroem e com medidas personalizadas que, por esse motivo, deixam marcas nicas nos instrumentos. Existem ainda outros pormenores singulares que se podem observar e que contribuem para a identificao exclusiva de cada pea: os materiais usados, as artes oficinais associadas (carpintaria, latoaria, etc.), as ferragens, as moldagens e os pormenores estilsticos.

    No caso da produo industrial, uma vez que as peas so produzidas em srie, as marcas personalizadas de um mestre no se verificam, mas as fbricas detm patentes de mecanismos e da imagem exterior dos instrumentos.

    LOCAL DE PRODUO/CONTEXTO TERRITORIAL

    Esta zona da ficha remete para o contexto geogrfico de produo do instrumento musical, o qual compreende realida-des de grandeza distinta: pas, cidade ou stio onde o instru-mento musical foi construdo.

  • 44 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    Quando no existem dados precisos sobre o local de fabri-cao de um instrumento, recorre-se leitura das caractersticas morfolgicas, pormenores de construo, materiais utilizados, decorao etc., tendo como base uma aproximao anloga de peas da coleco do museu ou de outras coleces.9

    9 Ver FREITAS, Ins da Cunha e PINHO, Elsa Garrett, Normas Gerais Normas de Inventrio : Artes Plsticas e Artes Decorativas. Lisboa: IPM, 1999

  • 45

    DATAO

    A datao constitui um campo de preenchimento obrigat-rio em qualquer sistema de informao de inventrio museol-gico. Quando a pea no est datada e no possvel determinar com exactido a data de fabrico, tenta-se por aproximao registar um determinado sculo. Deve evitar-se o recurso ao descritor no determinado e indicar uma baliza temporal, ainda que alargada.

    A datao obedece a determinados intervalos e o sistema de contagem de tempo aplica-se do seguinte modo10:

    Sculo 1 a 100 Incio 1 a 10

    Primeiro quartel 1 a 25 Segundo quartel 26 a 50

    Terceiro quartel 51 a 75 ltimo quartel 76 a 100

    Primeira metade 1 a 50 Segunda metade 51 a 100

    Meados 40 a 60 Final do sculo 90 a 100

    Final/Incio de sculo 90 a 10

    JUSTIFICAO DA DATA

    Quando a datao exacta de um instrumento no conhe-cida, recorre-se frequentemente s seguintes abreviaturas: c. (cerca) do vocbulo latino circa, fl. (floruit de floresceu ou floriu) que determina a poca em que o construtor esteve activo, ou aos intervalos cronolgicos ant., de anterior e post., de posterior.

    A justificao da data deve ser proposta com base na docu-mentao existente, quer sejam exames cientficos, planos e desenhos, ou atravs de anlise histrica, simblica e tcnica do objecto.

    10 CARVALHO, Maria Joo Vilhena de, Escultura: Normas de Inventrio Artes Plsticas e Artes Decorativas. Lisboa: IPM, 2004.

    D A T A O

  • 46 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    INFORMAO TCNICA

    MATRIA

    Neste campo da ficha de inventrio devem ser indicados todos os materiais utilizados no fabrico e na decorao do ins-trumento musical. Note-se, a propsito, que h uma relao de equilbrio de funes entre os parmetros da acstica, o uso musical, os elementos estruturais, os geradores do som e os elementos decorativos.

    Sobretudo nos sculos XVII, XVIII e XIX, deu-se muita importncia parte decorativa dos instrumentos, com a aplica-o de materiais ricos, como metais preciosos, lacas, folhas de ouro, vernizes, ou elementos orgnicos. Em muitos casos, alguns aspectos da decorao das superfcies de um instrumento, como por exemplo a utilizao de vernizes e pigmentos de vrias cores a eles associados, pode ter influncia no resultado sonoro do prprio instrumento.

    Entre as inmeras espcies de madeiras conhecidas no mundo, muito poucas so utilizadas nos instrumentos musicais. Deve-se este factor forte componente tradicional e s excelen-tes propriedades fsicas das madeiras utilizadas.

    As propriedades ideais para as madeiras dos tampos harm-nicos de alguns instrumentos so a leveza, a elasticidade, a maleabilidade, a dimenso, bem como a facilidade de colagem e de realizao dos acabamentos finais.

    Os fundos dos instrumentos de corda no exigem madeiras com propriedades muito especiais, mas apenas que a sua fre-quncia natural de vibrao esteja entre meio a um tom acima, em relao ao tampo harmnico. Para atender a esta caracters-tica, deve-se observar no s a madeira mas, tambm as suas dimenses.

  • 47I N F O R M A O T C N I C A

    As madeiras que constituem o corpo dos obos, clarinetes, flautas e fagotes possuem uma textura fina, bom peso e acaba-mentos, sendo fceis de furar e tornear.

    Os arcos de violinos so constitudos por madeiras de alta elasticidade (acima de 200.000 kgf/cm) e textura fina, dotando--os de grande resistncia ruptura em flexo.

    Exemplos de madeiras utilizadas

    Violino, viola ou violoncelo:

    Tampo harmnico a barra harmnica: pinho nrdico (pinho de Flandres) ou abeto;Fundo, ilhargas voluta, cabo e cavalete: cer ou sicmoro;Escala, pino e estandarte: bano africano;Cravelhas: bano africano ou jacarand-da-Bahia (Brasil);Arco: pau-brasil, tambm chamada pernambuco.

    Pianoforte

    Caixa e tampa: madeiras de confera com interior em maca-caba e pau-santo.Tampo harmnico: madeira de confera normalmente, abeto europeu ou canadiano e pinho;Cepo: castanho;Cavalete: nogueira;Capas de teclas naturais: marfim ou buxo;Capas de teclas acidentais: pau-santo.

    Clarinete

    Corpo do instrumento: madeira negra africana, bano.

    Obo

    Corpo do instrumento: madeira de buxo.

    Fagote

    Corpo do instrumento: cer, sicmoro, jacarand.

  • 48 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    Flauta

    Corpo do instrumento: cer, sicmoro, jacarand.

    Percusso

    Baqueta: nogueira americana.

    No decurso da construo de instrumentos musicais utili-zou-se uma grande variedade de outros materiais, como por exemplo, o osso, o marfim, o vidro, o plstico, a seda e diversas ligas metlicas.

    O desenvolvimento da metalurgia permitiu, por sua vez, um conhecimento progressivo das propriedades tanto fsicas como qumicas dos metais, o que levou a que mais facilmente fosse possvel modificar a sua composio de modo a adaptar os materiais s necessidades acsticas dos instrumentos musicais.

    So normalmente utilizados materiais nobres ou no nobres na construo de instrumentos de sopro, tais como o ouro, a prata, o lato, o nquel-prata ou o argento. Para tentar comba-ter e proteger as superfcies de grande parte dos instrumentos metlicos, so usados processos de revestimento como a nique-lagem, a cromagem e a estanhagem.

    SUPORTE

    Suportes so as partes vinculadas a alguns instrumentos que no tm qualquer influncia no som por eles produzidos e que no fazem parte do seu corpo, como por exemplo os ps sobre os quais assentam os clavicrdios, os cravos e os piano-fortes.

  • 49I N F O R M A O T C N I C A

    TCNICA

    Neste campo sero indicadas as tcnicas de manufactura de um instrumento em todas as suas componentes estruturais, incluindo os materiais utilizados no seu fabrico e decorao, variaes de dimenso e formato, nmero de partes constituin-tes, elementos geradores de som ou ainda a existncia de partes adicionais.

    Sempre que possvel e se tem conhecimento, devem regis-tar-se os mtodos de fabricao e de afinao, no esquecendo o modo de vibrao do instrumento musical, que permite deter-minar a famlia a que aquele pertence.

    Exemplos das partes constituintes de trs instrumentos

    Esquema de Violino

    in Catlogo da Exposio

    Com Eles se Fez Msica

    Instituto Portugus

    do Patrimnio Cultural/

    Departamento

    de Musicologia, 1989

    Palheta

    Bocal

    Barrilete

    Aros de montagem

    2. pea

    1. pea

    Chaves

    Campnula

    Esquema de Clarinete

    in Catlogo da Exposio

    Com Eles se Fez Msica

    Instituto Portugus

    do Patrimnio Cultural/

    Departamento

    de Musicologia, 1989

    Esquema de Espineta Transversal

    in Catlogo da Exposio

    Com Eles se Fez Msica

    Instituto Portugus

    do Patrimnio Cultural/

    Departamento

    de Musicologia, 1989

    Teclado(teclas brancas e pretas

    Tampoharmnico

    Cordas

    CordaEspigo

    Martinete

    Mecanismo de corda beliscadaque faz tocar a Espineta,o Virginal e o Cravo BotoEfes, aberturas sonoras

    Cordas

    Cavalete

    Costilhasou ilhargas

    Estandarte

    Mentoeira

    Tampoharmnico

    Brao

    Cepo

    Fundo

    Alma

    Ponto

    Voluta

    Cravelhas

    Cravelhame

  • 50 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    PRECISES SOBRE A TCNICA

    Para precisar as tcnicas de construo de um instrumento musical, temos que recorrer aos termos das artes especficas dos diferentes construtores de instrumentos: violeiros, mestres de clavicrdios, mestres de cravos e pianos11, organeiros, torneiros para os instrumentos de sopro, de madeira, e latoeiros para os instrumentos de sopro, de metal.

    Tambm relativamente s caixas dos instrumentos e a alguns acessrios, temos que usar o vocabulrio especfico das artes correlativas dos respectivos profissionais: carpinteiros, marceneiros, serralheiros e, para a decorao, pintores, entalha-dores, escultores, douradores.

    Infelizmente, no temos dicionrios tcnicos destas profis-ses em portugus. O trabalho de recolha e tratamento lingus-tico dos termos tem ainda de ser feito nas fontes primrias (documentos antigos, livros, etc.) e nas fontes orais existentes. A bibliografia de apoio ou estrangeira ou traduzida, no reflec-tindo por isso a especificidade portuguesa. Contudo, existem algumas obras que identificam as partes dos vrios instrumen-tos usando desenhos legendados e que, ao mesmo tempo con-tm informao histrica de contexto. o caso do Atlas de Msica, publicado originalmente na Alemanha, traduzido em espanhol12 e posteriormente traduzido para portugus13.

    11 Sobre estas especialidades ver Glossrio na obra: DODERER, Gerhard e MEER, John Henry van der. Cordofones de Tecla Portugueses do Sculo XVIII: Clavicrdios, Cravos, Pianofortes e Espinetas. Lisboa: Fundao Calouste Gulbenkian, 2005 (obra bilingue portugus/ingls).

    12 MICHELS Ulrich, Atlas de msica, 2 vols.. Madrid: Alianza Editorial, 1992. Ttulo original: DTV-Atlas zur Musik.

    13 MICHELS, Ulrich; Atlas de msica. Lisboa: Gradiva, 2003, (1. vol.) e 2007 (2. vol.). Design grfico de Gunther Vogel ; reviso tcnica e cientfica de Adriana Latino e Gerhard Doderer.

  • 51D I M E N S E S E C O N V E N E S

    DIMENSES E CONVENES

    A medio dos instrumentos musicais obedece a conven-es estabelecidas internacionalmente. O centmetro foi adop-tado como a unidade para a maioria dos objectos em processo de inventrio museolgico. Os instrumentos de medida e peso mais utilizados so a fita mtrica, a rgua, a craveira, o com-passo e a balana. So ainda usados outros instrumentos de medidas, como o nnio e o micrmetro, que conferem uma maior preciso e rigor s medidas de objectos mais pequenos.

    As medidas em maisculas expressam as dimenses gerais e exteriores de um instrumento musical, e esto sujeitas a mar-gens de maior impreciso. Em minsculas, representam porme-nores, so recolhidas com instrumentos de preciso e so espe-cficas de cada tipo de pea, sendo inscritas no campo da ficha de inventrio Outras dimenses.

    A medio dos instrumentos musicais deve obedecer, em primeiro lugar e conforme s boas prticas museolgicas, s dimenses mximas apresentadas, sendo as mais comuns, o comprimento, a largura, a altura e o dimetro. Para o seu registo adoptaram-se as siglas e critrios seguintes14:

    C = comprimento mximo ou total, com excluso das peas amovveis no topo de uns instrumentos (palhetas, tudis, bocais) e na base de outros (botes, espiges dos violonce-los), correspondendo, esta medida nas harpas, distncia entre as faces opostas da consola e nos aerofones que no tenham o tubo direito distncia linear entre os extremos do topo e da base. Quando o corpo do instrumento trape-zoidal issceles (caso dos saltrios) tomaram-se as medidas, C1 = lado maior, C2 = lado menor paralelo.

    14 ALVARENGA, Joo Pedro, Fbricas de Sons, Instrumentos de Msica Europeus dos sculos XVI a XX. Lisboa: IPM, 2004.

  • 52 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    L = largura mxima. Quando o corpo do instrumento tra-pezoidal rectangular (caso da pequena espineta) tomaram-se as medidas, L1 = lado maior e L2 = lado menor paralelo.

    A = altura mxima ou total, com excluso dos ps na base dos instrumentos fixos (sob o soco das harpas e das caixas dos saltrios) ou mveis (na generalidade dos casos de cor-dofones percutidos, com teclado). No se incluem os ps fixos na medio, uma vez que a generalidade dos instru-mentos suportada por uma estrutura mvel. No entanto, sob um ponto de vista museolgico, h que considerar sem-pre as dimenses dos suportes e anot-las como elemento de conjunto que, no fazendo parte da estrutura do instru-mento, lhe est directamente associado.

    = Dimetro mximo externo, no caso de instrumentos cujo corpo de seco circular ou semi-esfrico (como os timbales); para a generalidade dos aerofones de sopro directo, esta medida o dimetro do pavilho ou da campnula.

    Peso (em gramas).

    Para os aerofones de sopro directo, a terminologia relativa posio define:

    o topo de um instrumento como sendo a seco da embo-cadura, do bocal ou do tudel, ou a prpria embocadura, o bocal, a boquilha ou a palheta;

    a base de um instrumento como sendo o pavilho ou a sada do tubo, mesmo se este fica ao alto na posio de ser tocado, como o pavilho do fagote, a campnula da tuba ou a do oficleide;

    a face anterior como aquela que fica mais afastada do instrumentista;

    a face posterior como a que lhe fica mais prxima.

  • 53D I M E N S E S E C O N V E N E S

    Os orifcios e as chaves so nomeados a partir da base do instrumento, designando-se estas pela nota produzida sobre a fundamental quando a chave actuada. Na descrio das cha-ves, as notas escritas com maiscula inicial referem-se ao registo grave do instrumento e as notas escritas com maisculas refe-rem-se ao registo agudo.

    As chaves cuja posio de repouso levantada, deixando aberto o orifcio a que correspondem, levam o sinal (0) de prefixo. Relativamente imposio das chaves no corpo do instrumento, omite-se a referncia quando esta longitudi-nal.

    Devem ser consideradas ainda as medidas especficas das diversas categorias organolgicas e tipos de instrumento:

    Cordofones sem teclado

    c = comprimento do tampo harmnico. Quando o tampo harmnico trapezoidal issceles, tomam-se as medidas: c1 = lado maior, c2 = lado menor paralelo.

    L = largura mxima do tampo harmnico. Para os instru-mentos com enfranque tomam-se as medidas l1 = largura mxima do arco superior l2 = largura mxima do arco inferior. Para os instrumentos com o tampo harmnico trapezoidal, rectngulo ou issceles sobre comprido, l1 = lado maior, l2 = lado menor paralelo.

    A = altura das ilhargas, para instrumentos com o tampo e as costas paralelos, ou altura mxima do bojo, para ins-trumentos com o fundo de costilhas. Para os instrumen-tos com as costas perpendiculares ao tampo, a1 = altura mxima das ilhargas, a2 = altura mnima das ilhargas.

    (1-3) = dimetro das aberturas acsticas circulares. F1 = cota mxima do tampo harmnico; f2 = cota mxima

    do fundo. B = comprimento do brao, da pestana juno do

    corpo, geralmente coincidindo com o 10. trasto, quando o instrumento os tenha.

  • 54 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    T = tiro ou comprimento da parte vibrante das cordas. Quando as cordas so de comprimentos desiguais tomam--se as medidas, t1 = tiro da corda mais grave (harpas), ou t2 = tiro da corda mais aguda (harpas), ou tiro correspon-dente ao segundo cravelhal (arquialades).

    Cordofones com teclado

    S = Stichmass ou comprimento do teclado na extenso das duas oitavas e uma stima (d2 si4).

    D1 = d5 = comprimento da parte vibrante das cor-das correspondentes nota d, em todas as oitavas.

    Aerofones sem teclado

    c = comprimento do tubo, do encaixe do bocal, boquilha, tudel ou palheta, sada, calculando as voltas no caso dos instrumentos que tm o tubo enrolado ou recurvado. No caso das flautas travessas, considerou-se o incio do tubo no centro da embocadura. Esta, meramente indicativa.

    (1-5) = dimetro (s) interno(s) do tubo; o primeiro corresponde ao encaixe do bocal, da boquilha, do tudel ou da palheta e o ltimo sada do tubo, sendo os inter-mdios correspondentes s juntas do tubo, medidas no encaixe macho. Quando o tubo numa s pea e a largura mxima igual ao dimetro do pavilho, esta medida a do encaixe do bocal.

    Aerofones com teclado

    S = Stichmass. Esta medida no vlida para os teclados de botes (caso do melofone).

    Membranofones

    = (1-2) = dimetro(s) da(s) membrana(s).

  • 55D I M E N S E S E C O N V E N E S

    Quadro Geral

    Aerofones de aresta Cc = comprimento do tubo (desde a aresta/embocadura sada)1 = dimetro interno no 1. encaixe2 = dimetro sada

    Aerofones de palheta Cc = comprimento do tubo (sem palheta/s, barrilete e/ou boquilha)1 = dimetro interno no encaixe do barrilete ou boquilha2 = dimetro interno na junta da campnula (s instrumentos com tubo cnico)3 = dimetro sada

    Aerofones de bocal C [x L]1 = dimetro interno no encaixe do bocal2 = dimetro sada

    Idiofones C x L x A caso possuam alguma pea de seco circular

    Membranofones [C x L] x A = dimetro/s da/s membrana/s

    Instrumentos com teclado (cravos, clavicrdios, espinetas, pianofortes, rgos e similares)

    C x L x A (fechado, sem ps), [C x L x A (caixa fechada, sem ps)]t = comprimento total do teclados = comprimento de duas oitavas e uma stima (d2-si4)c x l x a = medidas da tecla natural d3c x l x a = medidas da tecla acidental d#3e1 = espao entre as teclas sib2-d#3e2 = espao entre as teclas r#3-f#3

    Cordofones F/fax = comprimentos das cordas (parte vibrante) em todas as oitavasD/dx = comprimentos das cordas (parte vibrante) em todas as oitavas

    Harpas C x L x AC x l [x l] = medidas do tampo harmnicof = cota mxima do fundo da caixac1 = comprimento da corda mais gravec2 = comprimento da corda mais aguda

    Ctaras C [x c] x L x A, [C x c x L x A (caixa fechada, sem ps)]C [x c] x l = medidas do tampo harmnico[f = cota do fundo]c1 = comprimento da corda mais grave (parte vibrante)c2 = comprimento da corda mais aguda (parte vibrante)

    Cordofones pinados e friccionados, sem teclado

    C x Lc = comprimento do corpolx = largura/s mxima/s de cada arcoax = altura/s das ilhargas[f = cota mxima do fundo]cx = comprimento/s das cordas (parte vibrante)

    ArcosCPeso (em gramas)

  • 56 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    As vrias dimenses de um instrumento musical constituem um campo muito complexo e o seu preenchimento deve ser o mais criterioso possvel. Estas medidas devem ser inscritas em campo prprio da ficha de inventrio que ser suficientemente abrangente para conter bastante informao.

    Seguidamente apresentamos um exemplo das medidas que devem ser consideradas num instrumento musical de teclado:

    Corpo (sem molduras) Parede comprida Parede curta Parede posterior Parede curva Vo para o teclado Altura Fundo Rgua frente do teclado Bloco lateral direito do teclado Bloco lateral esquerdo do teclado

    Tampo harmnico (espessura)Distncia entre o tampo harmnico e o canto superior da paredeCepo Parte em castanho Parte em madeira conferaCavalete do cepoCavalete do tampo harmnicoSuporte do teclado Parte anterior Parte posterior Lado dos graves Lado dos agudos

  • 57D I M E N S E S E C O N V E N E S

    BalanoTeclas Largura do teclado Braos das teclas naturais Distncia entre o prego do balano e a frente da tecla Cobertura das teclas naturais Cobertura at tecla acidental Braos das teclas acidentais Espao posterior das teclas naturais Si b D # Mi b F # Espao entre as teclas acidentais (R) Largura mdia das teclas naturais (cobertura anterior) Largura mdia das teclas acidentais Largura de trs oitavas (Stichma)

    Guia superior dos martinetesMartinetes

    Cordas Comprimento das partes vibrantes e dos pontos

    de ataque

  • 58 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    CONSERVAO

    ESTADO DE CONSERVAO

    No Programa Matriz, a avaliao do estado de conservao de um bem cultural regula-se por uma tabela predefinida, com os seguintes parmetros:

    Muito BomBomRegularDeficienteMau

    A escolha de um dos valores acima referidos feita aps a anlise do objecto enquanto um todo, particularizando-se depois, caso a caso, o estado de conservao das partes consti-tuintes do instrumento musical, por meio de uma observao pormenorizada.

    Na avaliao, deve levar-se em linha de conta a componente mecnica e se o instrumento se encontra em condies de ser tocado.

    Assim, no campo referente conservao, devem anotar-se as condies fsicas em que a pea se encontra: eventual falta de partes, estado dos materiais de que composta, existncia de infestaes ou de estragos por estas causados, anteriores inter-venes de restauro, etc.

    Se a pea, por qualquer motivo, j tiver sofrido alteraes, como a substituio de alguns acessrios (cavaletes, cravelhas, cordas, bocais, palhetas, etc.), de componentes estruturais, ou restauros, todos estes procedimentos devem ser descritos no campo Especificaes ou outro equivalente.

  • 59C O N S E R V A O

    desejvel que periodicamente o estado de conservao das peas seja revisto, preferencialmente por especialistas, e as alteraes anotadas.

    INTERVENES DE CONSERVAO E RESTAURO

    Quando se fazem intervenes de restauro em instrumentos musicais deve ter-se em conta que, sempre que possvel, o ideal que aqueles possam continuar a ser tocados. Por outro lado, o uso frequente de instrumentos musicais, incluindo os que se encontram em museus provoca, inevitavelmente, danos estrutu-rais. O objectivo ser, ento, encontrar uma situao de com-promisso que assegure o bom estado de conservao destes objectos.

    No momento da incorporao de um instrumento musical numa coleco, a deciso de manter no estado original as suas partes mecnicas e componentes estruturais, tem vindo a ser considerada a forma mais consciente de preservar a estrutura da pea. S assim se assegura a sobrevivncia dos detalhes e traos especficos de um construtor, de uma escola/oficina, de um perodo ou dos materiais utilizados.

    Limpeza de Clavicrdio

    Tcnica de restauro Susana

    Caldeira na Oficina do Museu

    da Msica

    Restauro de Saltrio

    Tcnica de restauro Catarina

    Torres na Oficina do Museu da

    Msica

  • 60 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    Conservao Preventiva

    Uma das formas de conservar preventivamente um instru-mento proceder elaborao do seu desenho tcnico por especialistas.

    O desenho tcnico e os planos de um instrumento musical permitem o seu estudo cientfico de uma forma rigorosa, forne-cendo informao detalhada sobre a tcnica de construo, os materiais usados no seu fabrico e decorao, os elementos refe-rentes ao construtor a maior parte das vezes ocultos no inte-rior da pea e referncias aos responsveis pelas intervenes de restauro realizadas ao longo dos tempos. Caso se justifique, este procedimento torna tambm possvel a replicao do ins-trumento.

    O desenho tcnico e os planos permitem tambm a recolha de documentao sobre o instrumento musical, mas sobretudo libertam-no, depois de estudado, de uma utilizao e manusea-mento constantes, preservando assim a integridade da sua estrutura original.

    Planos de Instrumento Musical

    Gaita-de-foles de Tomar

    Galiza e Tomar, sc. XIX

    MM 1240

  • 61C O N S E R V A O

    CONDIES DE MANUSEAMENTO

    Os instrumentos musicais s devem ser manuseados quando estritamente necessrio e antes do manuseamento deve anali-sar-se minuciosamente o seu estado de conservao.

    Num correcto manuseamento para a conservao e no deteriorao das peas de uma coleco est implcita a tomada de medidas prvias. Sempre que tal seja considerado relevante, deve registar-se a forma de manuseamento, embalagem e trans-porte a que determinado instrumento deve ser sujeito.

    No transporte de objectos importante no esquecer as seguintes regras: providenciar equipamento adequado natu-reza de cada instrumento musical, manusear os mesmos com o uso de batas e luvas (de algodo ou de ltex, dependendo da textura e dos materiais dos mesmos), usar sempre as duas mos, planear o nmero de pessoal que vai ser preciso para efectuar o transporte, planear os movimentos que vo ser efectuados de modo a reduzi-los ao mnimo, considerar o tamanho, o peso e a forma do objecto em causa para evitar movimentos bruscos ou precipitados, choques ou vibraes, e assegurar que o novo espao onde vai ser depositado se encontre livre.

    Embalagem do cravo Taskin

    Pascal-Joseph Taskin

    Frana, sc. XVIII

    MM 1096

  • 62 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    No caso de pequenos instrumentos musicais, o uso de trol-leys de auxlio aconselhado. No caso de instrumentos de gran-des dimenses, aconselhada a contratao de equipamentos e pessoal qualificados para o efeito, sempre acompanhados de um tcnico da instituio. O transporte simultneo de objectos de diferentes dimenses desaconselhada pois os mais pesados podem danificar os mais leves.

    Os materiais da embalagem devem ser criteriosamente escolhidos e, no caso de vrios instrumentos partilharem a mesma caixa, deve tambm ter-se em conta a existncia de separadores adequados para que as naturezas dos vrios mate-riais no colidam. Um correcto manuseamento assegura a pro-teco dos pontos mais vulnerveis do instrumento musical, fazendo-se sobretudo a partir dos pontos fortes do prprio objecto. A desembalagem deve ser minuciosa para que nenhum acessrio ou objecto se perca.

  • 63I M A G E M / S O M

    MULTIMDIA

    Cada instrumento dever ter, pelo menos, trs fotografias: duas gerais, de ngulos diferentes,/ e uma do pormenor mais relevante. Estas devero ser feitas, preferencialmente, por um fotgrafo profissional e mediante certas condies: fundo neu-tro e iluminao de estdio. Um desenho tcnico ou um plano deve tambm acompanhar cada lbum.

    Tendencialmente, as imagens digitais associadas a uma base de dados de inventrio tm formato Jpeg, o padro europeu recomendado, e so guardadas num ficheiro com nmero de registo sequencial.

    Todas as imagens antigas que obedecem necessariamente a formatos e suportes diferentes, como por exemplo transparn-cias, positivos e negativos a cores e a preto e branco, devem ser preservadas e digitalizadas para posterior associao s fichas de inventrio.

    Nalguns casos, quando o instrumento musical foi subme-tido a um exame mais rigoroso, as provas fotogrficas criadas devem ser igualmente associadas ao inventrio (por exemplo, as radiografias).

    A par de um lbum de imagens, a inventariao inclui um arquivo de som, sempre que o instrumento esteja nas condies de ser tocado. Na recolha sonora devem intervir dois tipos de profissionais: msicos e tcnicos de som.

  • 64 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    ORIGEM/HISTORIAL

    HISTORIAL

    Nesta parte da ficha de inventrio dever ser descrito o per-curso individual de cada objecto desde a sua origem incorpora-o no museu. O historial tem como objectivo traduzir de forma abrangente os aspectos fundamentais da existncia da pea e o seu enquadramento num contexto artstico, histrico e cultural. Alguns aspectos a considerar so a relevncia histrico-cientfica do instrumento musical, o seu significado cultural, a qualidade de construo e dos materiais, o valor esttico e organolgico e as memrias dos seus possuidores. Uma boa sntese deve permitir determinar os locais de provenincia do objecto, ou fazer ligao aos construtores e msicos que estiveram na sua origem.

    FUNO INICIAL / ALTERAES

    A descrio da funo inicial de um instrumento musical pode revelar-nos a inteno da sua construo e permite-nos perceber se esta se mantm. A incorporao do mesmo no acervo de um museu altera-a, na maior parte dos casos, tor-nando-o num elemento simblico.

    Se um instrumento musical, no seu percurso at se tornar pea de um museu, passou por vrias funes e modificaes que alteraram o propsito para que foi construdo, estas devem ficar registadas. Por exemplo, os cravos e pianofortes, constru-dos inicialmente para os conventos de freiras com a finalidade de serem usados nas aulas de msica, foram, com a extino das Ordens Religiosas, em 1834, comprados por fidalgos e burgue-ses que os transformaram, tanto ao nvel decorativo como mecnico (alguns cravos foram mesmo transformados em pia-nofortes).

    Exemplo de instrumento

    com funes decorativas

    Flauta de cristal

    Claude Laurent

    Frana, 1815

    MM 140

  • 65O R I G E M

    OBJECTO RELACIONADO

    Relativamente aos objectos incompletos, deve ser registado o paradeiro das partes em falta, sempre que este for conhecido. O mesmo se passa com os objectos que integravam um contexto comum, como o caso dos rgos de tubos ou cravos e pianos provenientes de casas particulares ou conventos, cuja decorao formava um todo. Por exemplo, o palacete Lambertini, situado na Avenida da Liberdade, nmero 160, em Lisboa, de cuja Sala de Msica, decorada pelo pintor Jos Malhoa, sobrevivem ele-mentos diversos, designadamente as telas que ornamentavam as paredes e o tecto, actualmente incorporadas nas coleces do Museu da Msica, em Lisboa (paredes e medalhes do tecto) e no Museu Jos Malhoa, nas Caldas da Rainha (painel oval do tecto). O piano, igualmente decorado por Jos Malhoa, encon-tra-se provavelmente em casa particular desconhecida.

    Exemplo de instrumento

    musical que mantm a sua

    funo inicial

    Piano de cauda que pertenceu

    a Lus de Freitas Branco

    Wihelm Carl Bechstein

    Berlim, 1920-1929

    MM 1769

  • 66 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    BIBLIOGRAFIA/DOCUMENTOS ASSOCIADOS

    Como complemento ao inventrio podero ser associados todos os documentos que se prendem com a investigao e que atestem a consistncia das informaes contidas nos diferentes campos da ficha.

    Alm dos registos das fontes utilizadas, nomeadamente as de natureza bibliogrfica, como livros e catlogos, podem ainda ser anexadas outras fontes, de natureza textual, fotogrfica, videogrfica, sonora ou ainda documentos pessoais que, muitas vezes, acompanham o instrumento15.

    15 o caso dos epistolrios e catlogos de Alfredo Keil e Michelangelo Lambertini que descrevem muitos dos instrumentos do esplio do Museu da Msica, em Lisboa.

    Capa de catlogo

    1. Ncleo de um Museu

    Instrumental em Lisboa:

    Catalogo Summario.

    Lisboa: [s.n.], 1914

    Michelangelo Lambertini

    MM/Esplio Lambertini

    Caderno de Registo

    dos Instrumentos Musicais

    da Coleco Keil

    Alfredo Keil

    Lisboa, [1900-1907]

    MM/Esplio Keil

  • 67B I B L I O G R A F I A / D O C U M E N T O S A S S O C I A D O S

    Catlogo Descriptivo

    da Coleco Keil

    Alfredo Keil

    Lisboa, 1904

    MM/Esplio Keil

    Pgina manuscrita

    do Catlogo Descritivo

    da Coleco Keil

    Alfredo Keil

    Lisboa, 1904

    MM/Esplio Keil

  • ANEXO I

  • 69G L O S S R I O

    GLOSSRIO

    TERMINOLOGIA DOS INSTRUMENTOS MUSICAIS

    ABAFADOR Elemento revestido de feltro que se aplica a certos ins-trumentos de corda para impedir a livre vibrao dos sons percu-tidos pelo martelo, pela tangente ou pela lamela.

    ABERTURA SONORA O mesmo que abertura acstica, boca ou ros-cea. Corte no tampo harmnico de um instrumento musical que pode ser de formato circular, oval em forma de ff, chama ou meia--lua, por onde so transmitidas as ondas sonoras; composio ins-trumental que serve de introduo, prefcio ou preldio a uma obra de grande desenvolvimento.

    Pormenor das aberturas sonoras

    do Rajo

    Pormenor das aberturas

    sonoras do Machete

    Pormenor das aberturas

    do Violino

    Pormenor das aberturas

    do Violoncelo

  • 70 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    ACIDENTAL Que est fora da regra geral, dos princpios, dos hbitos ou determinaes normais: alterao acidental, valor acidental, linha acidental ou nota acidental.

    ACORDE Agregado de trs ou mais sons sobrepostos, produzindo uma certa harmonia.

    ACSTICA Captulo da Fsica em que se estudam os fenmenos fsicos do som. Dos harmnicos resultam fenmenos acsticos que a Cincia estuda sobre vrios aspectos: ressonncia, timbre, conso-nncia e intensidade. Recprocas influncias determinam que a Acstica e a Msica, constituem o ponto de enlace entre a Cincia e a Arte.

    ADUELAS O mesmo que costilhas (ver).

    AEROFONES Instrumentos musicais em que a coluna de ar constitui o sistema de vibrao fundamental. So classificados de acordo com a vibrao gerada, incluindo flautas, palhetas, bocais e aero-fones livres.

    AFINAO Ajustamento de dois sons, duas cordas de um instru-mento, de dois instrumentos entre si ou de todos os instrumentos de uma orquestra na base do diapaso.

    AFINADO Ajustado, em concordncia de frequncia, harmnico.

    AGUDO Alto, elevado.

    ALMA Pequeno cilindro de madeira que se coloca verticalmente no interior dos instrumentos de arco por baixo do cavalete entre o tampo e as costas e tem por finalidade transmitir a toda a caixa sonora as vibraes provocadas pela frico das cordas.

    ALAMIR Lamir, diapaso, afinador, tonrio e tipnio.

    ALADE Instrumento de cordas dedilhadas em que as cordas so paralelas ao tampo harmnico.

    Aduelas de bandolim

  • 71G L O S S R I O

    ALTURA ver Tessitura.

    MBITO (DIAPASO) Emprega-se a palavra mbito no sentido da extenso ou tessitura de uma melodia vocal ou de uma frase mel-dica de certo desenvolvimento, mas tambm no de diapaso ou limites extremos que uma voz ou um instrumento podem alcan-ar: o mbito do clarinete; da voz de tenor.

    ARCO Acessrio que pe em vibrao os instrumentos chamados de cordas friccionadas.

    ARQUIALADE Alade de grande caixa, bastante alongada, com dois cravelhais num s brao. O da esquerda, de bordes, extra-ponto e num plano superior ao da direita.

    ARQUICISTRE Grande cistre de dois cravelhais. Tem o fundo chato que o distingue do arquialade.

    ARQUILHO Cinto circular onde se enrola a pele dos tambores.

    ATADILHO A parte inferior dos bandolins e guitarras onde se encon-tram os pregos ou botes aos quais se prendem as cordas.

    AUTOMATOFONES Instrumentos automticos. Instrumentos musi-cais cujo som produzido de forma automtica e mecnica, geral-mente sem ser necessrio um intrprete.

    AUTMATOS O mesmo que automatofones ou instrumentos mec-nicos.

    ATONALIDADE Sistema harmnico que foge ao princpio da tonali-dade central, tonalidade clssica.

    BATENTE Que se encosta ou bate. No caso de palheta batente, esta para vibrar necessita de um certo encosto ou apoio, contraria-mente palheta livre, cuja vibrao apenas depende do impulso do ar que a agita.

    Arco de violino

    Arquilho de tarola

    Atadilho de guitarra inglesa

  • 72 I N S T R U M E N T O S M U S I C A I S

    BAIXO Instrumento de palheta dupla da famlia das charamelas que se usou nos sculos XV, XVI, XVII como baixo natural dos instru-men