Nota de Esclarecimento...Nota de Esclarecimento Estes artigos de minha autoria, geólogo Alberto...

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Nota de Esclarecimento Estes artigos de minha autoria, geólogo Alberto Rogério Benedito da Silva, foram escritos e publicados no jornal A Gazeta Mercantil, em Belém, entre 2000 e 2005, exceto aqueles feitos em parceria, cujos nomes encontram-se grafados nos respectivos artigos. Então, têm que ser assim entendidos seus backgrounds. De forma que muitas colocações podem parecer fora do contexto da realidade atual. Obrigado pela compreensão!

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  • Nota de Esclarecimento

    Estes artigos de minha autoria, geólogo Alberto Rogério Benedito da Silva, foram escritos e publicados no jornal A Gazeta Mercantil, em Belém, entre 2000 e 2005, exceto aqueles feitos em parceria, cujos nomes encontram-se grafados nos respectivos artigos. Então, têm que ser assim entendidos seus backgrounds. De forma que muitas colocações podem parecer fora do contexto da realidade atual. Obrigado pela compreensão!

  • PLANO BRADY E A CORROSÃO DAS RESERVAS INTERNACIONAIS DE OURO

    O Plano Brady que pretende reduzir a dívida dos 39 países mais endividados do mundo em 20% pode ser considerado como uma versão retardada do Plano que o ex-ministro da Fazenda, Bresser Pereira, apresentou ao então Secretário do Tesouro James Baker, considerado, àquela altura, inviável. A base de ambos baseia-se na troca dos atuais títulos da dívida por outros, tudo com o aval do FMI e do BIRD. Sucintamente o Plano Brady gira em torno de cinco tópicos: 1. países credores põem dinheiro no FMI e no Bird. 2. FMI e Bird compram títulos com descontos no mercado, 3. FMI e Bird vendem títulos de países devedores com seus avais, 4. a dívida se torna menor e consegue maior garantia e S. devedores quitam os títulos no prazo pré-estabelecido.

    Em sã consciência, não se poderia esperar que qualquer política sob o tacão do FMI e BIRD seja benevolentes para os países do terceiro mundo. Logicamente, que por trás de tudo isso está recheada uma política recessiva, cuja maior chaga deverá ser a remessa de lucro ou o conhecido serviço da dívida. Os primeiros acenos já foram dados, os países têm que ter alguma coisa para dar e rezar por uma cartilha pré-estabelecida. Nesse painel já se enquadraram México e Venezuela, ambos produtores e exportadores de petróleo. 0 México, na ótica dessas instituições, tem um governo novo e está incrementando um amplo plano de reformas econômicas, cujas metais principais são: a privatização de 70% de suas estatais, abertura para o capital estrangeiro, racionalização do câmbio, redução do déficit público, etc. A Venezuela deverá trilhar por caminho semelhante ao do México.

    Ao povo brasileiro, apesar das palavras amenizadoras do Dr. William Rogers, advogado do Brasil nas negociações da dívida externa de que o plano precisa ter força para acabar com a transferência de capitais dos devedores para os credores", tem um gap que nos deixa muito vulnerável, é a conversão da dívida em investimentos através de equity swaps.

    Os empréstimos swaps foram largamente utilizados nos primeiros anos da presente década pelo então Ministro Delfim Neto, quando houve corrosão de nossas reservas internacionais de ouro, reduzindo-as a míseras 9,5 t, em setembro/83. Operações dessa natureza significam vendas a pronta entrega em ouro, diante de simultâneas compras futuras, implicando na transferência física imediata do metal para o comprador em prazos normalmente de seis meses, renováveis, cabendo ao vendedor o custo operacional, calculado com base na Libor (taxa interbancária de Londres). Por incrível que pareça, a mesma situação de 80/83 se repete, os juros ascendentes, a nível internacional e o fantasma da queda das reservas camuflam-se no Plano Brady. Apenas como informação, após a queda de setembro/83, o Brasil só veio se recuperar em janeiro/86, quando auferiu reservadas da ordem de 97,5t de ouro, alcançando 100 t em março do mesmo ano. O record nacional foi alcançado em 1963, com 253 t. Em dezembro/64, após o golpe dos militares, nossas reservas internacionais de ouro eram de 84 t.

  • SUBSOLO RICO COM BOLSÕES DE POBREZA E MISÉRIA

    Carlos Alberto Alves

    Alberto Rogério B. Silva

    Esta é a conclusão que chega qualquer pessoa que percorre a PA-275, estrada que liga a PA-150 às instalações dos Projetos Ferro e Manganês da CVRD em Carajás, cortando os recém-criados municípios de Curionópolis e Parauapebas, sul do Pará. Por paradoxal que pareça, a região é detentora da maior Província Mineral do Planeta - Carajás - que detém 17,7 bilhões de t de ferro de boa qualidade 80 milhões de t de manganês, 80 milhões de t de níquel 96 milhões de m3de granito 11,4 milhões de t quartzo, 1,5 milhão de t de wolframita, 145 milhões de t de bauxita, 18 mil t de estanho e 65 t de ouro, bem como importantes indícios de mineralizações para molibdênio, zinco, prata, etc.

    No ano de 1988, a região foi responsável por 21% da produção de ferro do Brasil, 5% da produção de ouro, 40% da produção de manganês; e 7% da produção de cassiterita. Os bens minerais produzidos na região responderam por 58% da produção mineral do Pará que foi de US$ 885 milhões.

    As cidades de Eldorado, Curionópolis e Parauapebas, representam aglomerações humanas sem nenhum saneamento ou infraestrutura básica, onde impera a pobreza e a miséria. Em Parauapebas, por exemplo, cerca de 90% das edificações são de madeira, muitas destas representando verdadeiras palafitas. Todas essas cidades surgiram após 1980. O local de Curionópolís era uma simples guarita de beira de estrada. Hoje esse eixo congrega quase meio milhão de pessoas, que representam a herança maldita do que foi Serra Pelada do início dos anos 80. Segundo as palavras do Prefeito de Parauapebas, há, na região, um intenso fluxo migratório, com a massa da população vivendo no desemprego ou subemprego, tudo causado pela força do garimpo de ouro que não fixa a população. Questiona, ainda, o Prefeito, a evasão do ouro dos garimpos e o retorno dos ganhos auferidos com a produção do metal. Serra Pelada, localizada a 35 km ao norte de Curionópolis, após produzir, oficialmente, 41 t de ouro (as estatísticas indicam que a produção real é 2,5 vezes maior) representa o abandono e a miséria, com um agravante, o alto índice de criminalidade. A distribuição de renda questionada pelo Prefeito de Parauapebas, representa uma pirâmide, cujo o ângulo superior é reduzido. Cerca de 90% dos ganhos auferidos com o ouro de Serra Pelada, ficaram nas mãos de 15% da população, que passou pelo garimpo, com a maioria dos investimentos feitos, por essas pessoas, fora do domínio da microrregião. Em valores históricos representaram US$ 680 milhões, 0,6% da atual dívida externa brasileira e somente três vezes superior ao que o atual Prefeito de Marabá necessita para resolver todos os problemas de sua cidade. Para aqueles que tem memória curta, é bom lembrar que muitos profetas do Apocalipse, no ápice da produção do ex-famoso garimpo, apregoavam que o ouro de Serra Pelada pagaria a dívida externa do Brasil.

  • Permeando pelo campo tributário, essa região respondeu, em 1988, por 60% do tributo incidente sobre os produtos minerais in natura gerado no Estado do Pará, que somou US$ 20,8 milhões. Em termos de comparação, um dos projetos mínero-metalúrgicos, ora em instalação na área do parque industrial de Marabá, reverterá para o município, no estágio médio de maturação, cerca de US$ 17 milhões em imposto. É calcado nessa vertente que os geólogos paraenses defendem uma maior participação nos efeitos multiplicadores e dinamizadores do Estado, sugerindo aos Constituintes do Pará uma inserção de parte do royalty estabelecido na Constituição Federal que retorne ao Setor Mineral. Também, com a percepção de um futuro mais condigno para aqueles que labutam em regiões onde os dotes naturais foram abençoados, como é o caso de Carajás, é que, pinçando, novamente, a Constituição Federal, os geólogos sugerem que conste da futura Carta Máter do Estado que a organização associativa dos garimpeiros tenha a responsabilidade do Estado, bem como a participação do Ministério Público, levando em conta a projeção do meio ambiente.

    Absorvendo tais pontos nas futuras leis estaduais é que antevê-se a não repetição, no futuro, de situações semelhantes às que se observa hoje na região citada, onde a política imediatista de garimpagem empregada, arraigou sequelas profundas, só recuperáveis no longo prazo e com bastante competência administrativa.

  • LIXIVIAÇÃO BACTERIANA-. UMA NOVA FRONTEIRA PARA RECUPERAÇÃO DO OURO

    Alberto Rogério Benedito da Silva

    Ouro, metal amarelo, acompanha o homem ao longo do tempo por cerca de 20.000 anos, tendo como a informação mais pretérita a do período Paleolítico, no Egito. Entretanto, sã com a descoberta das Américas, na Idade Moderna, é que o ouro apresentou grande incremento em termos de projeção. No Brasil, as primeiras descobertas ocorreram no século XVI, e no século XVII, nosso pais foi responsável por cerca de 40% da produção mundial. Hoje, apesar de manter-se entre a 4ª e a 5ª posição, o Brasil produz algo em torno de 3% do total do ouro mundial, cuja liderança é da África do Sul, que é responsável por uma fração superior a 50% do metal que 6 jogado anualmente no mercado.

    Até bem pouco tempo a evolução tecno16gica enfrentava sérios problemas para recuperar a fração mais fina que 150 mesh, uma vez que essa granulometria, pode ser considerada como limite máximo de recuperação do ouro por processos gravimétricos, a partir daí só o tratamento químico recupera, com boa performance, o referido metal.

    No Simpósio de Reno, realizado em Nevada, USA, em 1984, a recuperação do ouro, através de cianetação, foi o ponto alto do encontro, quando expext3 do mundo inteiro mostraram-se bastante preocupados com o ouro não recuperado pelos processos tradicionais.

    O processo de cianetação, altamente seletivo, é considerado como um dos principais desenvolvimentos metalúrgicos dos últimos tempos. Apesar de ser descoberto a cem anos atrás, e, em 1889, na Nova Zelândia, ter sido montada a primeira planta de extração de ouro por cianetação, quando o metal era recuperado por precipitação com zinco e alumínio foram com os avanços tecnológicos, utilizando-se carvão ativado, que deram alternativas de recuperação do ouro por adsorsão e posterior dessorção e eletr61ise, refletindo os rápidos avanços nos projetos de mineração. Tal processo imprimiu uma ágil evolução, permitindo várias opções, aplicadas de acordo com as características do minério; podem do ser assim sintetizadas: cianetação tradicional, CIP (carvão em polpa), CIL (carvão em lixiviação) e HL (lixiviação em pilha), VAT (lixiviação em reservatório). Em função de seu baixo custo, a lixiviação em pilha representa um dos mais recentes avanços na aplicação de cianeto para recuperação de ouro e prata; dessa forma, viabilizou uma série de jazidas consideradas economicamente inviáveis por possuírem baixo teor ou pelo fato do ouro ser finamente dividido, apresentando, com efeito, baixas recuperações pelos processos tradicionais.

    A lixiviação bacteriana em minérios de ouro é um processo bastante recente, por conseguinte sua literatura é bastante escassa e de difícil acesso, face a maioria dos trabalhos serem editados em russo. A viabilidade desse processo pode ser possível através de duas rotas

  • principais: uma, usando microorganismos como thiobacilluus ferroxidans, que é adequada para minérios onde o ouro ocorre associado a pirita e/ou arsenopirita. Outra, de lixiviação direta de ouro associado, usando-se aminoácidos, produzidos por bactérias do gênero pseudomonas e bacilIus

    As perspectivas para aplicação industrial dessa técnica são bastante alvissareiras, entretanto, estudos no que tange a lixiviação direta do minério, encontram-se, ainda, em fase um tanto embrionária). Outra possível aplicação da Biotecnologia em minérios de ouro é sua concentração em fungos do tipo asppertgillus oryzae, que, é uma alternativa dos processos em carvão ativado ou cimentação com zinco.

    O tratamento dos minérios contendo sulfetos, em alguns casos, quando submetidos ao processo de cianetação, chega a alcançar, até, 98% de performance. Por outro lado, em outros minérios de ouro, considerados refratários, esse rendimento não ultrapassa 30%. Para sanar esse baixo rendimento, uma alternativa tem merecido atenção peculiar, que é a Lixiviação Bacteriana dos sulfetos, como uma técnica de pré-tratamento para a liberação dos grãos de ouro antes da cianetação. A ação de bactérias thiobacillus ferroxidan, em estudos experimentais, na recuperação do ouro sulfetado, tem mostrado uma performance da ordem de 81%, ou seja, bem superior àquela obtida no processo de cianetação direta do concentrado, sem oxidação prévia. A biolixiviação, para o caso em tela, é feita após a flotação, seguindo-se a cianetação e recuperação do ouro.

    Alguns trabalhos pilotos de lixiviação bacteriana realizados na África do Sul, demonstraram que os sulfetos como pirita e arsenopirita, contendo ouro, apresentam boa viabilidade técnica e econômica quando comparados com o tratamento usual de ustulação do concentrado. Tais experiências mostraram que, apesar do custo de operação, usando o pré-tratamento com lixiviação bacteriana, ser maior que o de ustulação, o investimento fixo necessário para a alternativa, envolvendo lixiviação bacteriana, é menor dentre todas as rotas consideradas. Par-tindo-se do princípio de que a recuperação do ouro é da mesma grandeza em ambos, a performance do processo através de bactérias poderá ser bastante favorável, a depender do custo financeiro de implantação do projeto. Para melhores resultados, alguns ajustes tecnológicos se fazem necessários, como:

    aprimoramento de bactérias com capacidade de incremento suficiente em meiocontendo arsênio;

    formação de um mínimo de jarosita, que é consumidora de cianeto no processo e; melhoramento nos equipamentos, objetivando diminuir a energia consumida na oxidação.

    - Trabalhos similares realizados na União Soviética, indicam que a oxidação de sulfetos através

    da thiobacillus ferroxidan incrementou, até 3 vezes, a recuperação do ouro, se comparado com processos usuais de cianetação direta.

    Uma análise econômica para recuperação de ouro entre 10 e 100% versus tipo de

  • amortização, mostrou que a lixiviação por bactérias será uma alternativa de alta rentabilidade se a recuperação por cianetação direta for inferior que 50%. Não é descartada a possibilidade de algumas adaptações, dependendo do tipo de minério, custos do reagente, da energia, etc. quando os resultados da Lixiviação Bacteriana seriam melhores quanto mais refratário for o minério.

    As reações deste processo envolvem sulfetos, sulfoansenietos e sulfatos de Ferro em presença

    de oxigênio, água e bactéria. Quando ocorre a presença de NH + , K+ e Na+, em pH superior a

    2,7 há a formação da jarosita, de acordo com a reação:

    3 Fe2 (SO4) 3 + 2 KOH + 10 H2O----> 2 K Fe3 (SO 4)2 (OH) 6 + 5 H 2 O

    O mecanismo de ação das bactérias ainda carece de algumas elucidações; com efeito, dois são os caminhos mais aceitos: um, onde ocorre um ato que mais direto à superfície mineral, em que as bactérias, por intermédio de um sistema enzimático, oxidam a superfície sulfetada do minério; e, outro, que envolve o ciclo Fe 2+ e Fe 3+ e as bactérias oxidam o FeS04 à Fe2 (SO 4,7 formando com o H2SO4 um licor lixiviante eficaz. Até o presente, apesar do tiobacilIus ferroxidans ser a bactéria mais usada e estudada, não se descarta o uso de outras bactérias como sulfolobus acidocaldarius e sulfolubus brierleyi, que poderiam, também, ser utilizadas na lixiviação dos sulfetos. Assim como os thiobacillus, tais microorganismos são autotróficos, ou seja, usam CO2 do ar como fonte de carbono gerando energia a partir da oxidação de material orgânico e oxidando, logicamente, os sulfetos. Uma das boas vantagens do uso do tipo sulfolobus é a possibilidade de seu tratamento a temperatura mais elevadas, 30 a 80o C, enquanto que a thiobacillus só apresenta bons resultados na faixa de 25 a 35o C, dessa forma, as primeiras apresentariam taxas de reações mais elevadas. Com efeito, as pesquisas envolvendo bactérias do gênero sulfolobus, ainda se encontram em fase embrionária.

    Na lixiviação direta do ouro, pouco são os agentes oxidantes, como o cianeto ou cloreto, que possuem um potencial de oxidação suficiente para complexar o ouro. O potencial de oxidação padrão de alguns íons variam de -1-,71 a 0,38 para o Au+ a Au[CS(NH)2 respectivamente,. Dessa forma, se um microorganismo agir como catalisador, o agente complexante deve ser produzido pelo mesmo.

    Alguns trabalhos desenvolvidos pelo pesquisador francês Pares, a partir de 1964, indicam que

    uma variedade de bactérias apresentam capacidade para dissolução do ouro. No caso específico de Ití (África) diversos tipos de bactérias heterotr6ficas extraídas, do minério de ou

    água da mina dissolveram ouro em pó e em minérios; no entanto estes microorganismos tendem a sofrer mutações quando preservadas inadequadamente. Neste caso, em particular, observou-se que a capacidade de solubilização é função do tipo de granulometria do minério, da cepa, da composição do meio de crescimento e do pH. A tabela, a seguir, mostra que a taxa de lixiviação foi de 82% e a concentração menor que 10mg/l. As bactérias do tipo tiobacillus foram inativas na dissolução direta do ouro.

  • RESUMO DOS RESULTADOS DCS TRABALHOS DESENVOLVIDOS POR PARES

    MICROORGANISMO CONDIÇÕES E RESULTADOS

    Agtobacteuum Tumefaceins 26-28o C, 400 ml de nutriente contendo 150 g de minérios solubilização 1- 1,5mg/l

    BacilIus citcullans, B pumillis B cereus B.

    licheniformis , B polymyxa, B. megaterium

    800 ml de nutriente contendo de minério 250 g de minério, 26.28o C, 82% de extração após

    293 dias, solubilização: 10mg/l

    Pseudomonas-flurescens Bactérias nitrificante autotrófica

    400 ml de nutriente contendo 20 mg de ouro em pó., 26-280 C solubilização: 0,1-2 mg/1

    Fonte: CASSA, J.C.S. & ANDRADE, T.R. O estado da arte da lixiviação bactéria na de minérios de ouro-1986

    Um trabalho executado pela equipe do pesquisador Korobushkina, em 1998 na União Soviética, na área de lixiviação direta de ouro, mostrou a presença de alto percentual de bactérias, principalmente dos gêneros bacilIus e pseudomonas nos minerais e águas das minas, tais bactérias produziriam aminoácidos, que seriam responsáveis pela solubilização do ouro. A formação de complexo aminoácido-ouro e sua dissolução, é função principalmente do pH, entretanto varia de acordo com cada tipo de organismo, sendo os mais ativos os bacilIus meganterium e mesentericus e pseudomonas liquefaceins, conforme mostra a tabela a seguir: fungos e actinomicetos indicaram baixa receptividade, por outro lado estes resultados demonstraram que as bactérias heterotróficas têm capacidade para dissolver o ouro livre.

    DISSOLUÇÃO DE OURO COM DIFERENTES MICROORGANISMOS

    BACTÉRIAS

    OURO DISSOLVIDO(mg/1)

    DIAS 80 100 140

    Sarcina flava 0.12 0,21 0 .21

    Bacillus megaterium 1,21 2.15 2.15

    Bacillus mesentericus niger 0.17 0.31 1.35

    Bacillus solitarium 0.06 0.08 0.24

    Bacillus nitrificans 0.20 0.22 0.47

    Pseudomonas liquefaciens 1.62 n.d n.d.

    Controle 0 0 n.d.

  • Fonte- CASSA, J.C.S. & ANDRADE, T.R.- O estado da arte da lixiviação bacteriana de minérios de ouro-1986

    Estudos detalhados realizados, também, recentemente na União Soviética, evidenciaram que a evolução dos processos de lixiviação direta, ainda estão em fase embrionária, entretanto, existe um grande esforço na área de química, cujo objetivo é estudar melhor a formação dos depósitos de ouro no que tange a um melhor aproveitamento através do uso de bactérias. O método mais usado para a recuperação do ouro dissolvido em soluções, até o presente, é o do carvão ativado, entretanto esse processo poderia, eventualmente, ser substituído pela absorção por microorganismos, que seriam posteriormente calcinados para a recuperação do metal. Algumas pesquisas desenvolvidas na URSS demonstram que fungos do tipo AspergilIus Ortyzae tem poder de absorver quantidades de ouro, em soluções coloidais 10 a 12 vezes maiores que o carvão ativado. Outro ponto a considerar é a capacidade de a biomassa absorver ouro, que é função das interações eletrostáticas desenvolvidas entre as partículas co16ides e as moléculas de proteínas. A biomassa de fungos deveria ser produzida em um habitat de cultura e adicionada à solução, aurífera, mas, na realidade, o que acontece é que a absorção do ouro em solução de cianeto, usando fungos, ainda não está perfeitamente demonstrada.

    No Brasil, fora as pesquisas desenvolvidas pelo professor José Clodoaldo da Silva Cassa, da Escola Politécnica, da Universidade Federal da Bahia, os demais estudos encontram-se em caráter bastante embrionário. Em termos da Amazônia. - com a evolução tecno16gica do processo, poderia ser uma solução viável para as áreas auríferas depredadas por garimpeiros, uma vez que, o mercúrio metálico, altamente utilizado nas áreas garimpeiros, ao contrário do sulfeto de mercúrio, que é um bactericida, não apresenta nenhum obstáculo, para a Lixiviação Bacteriana. Outros dois pontos positivos a considerar são: o custo relativamente baixo do processo; um estudo publicado recentemente pelo Fínancía1 Time, mostra que o processo, em tela, chega a alcançar apenas 40-60% do preço do tratamento convencional. E a recuperação, do ouro fino; as experiências mais recentes evidenciam que as bactérias podem adsorver até a fração de cinco micra, ou seja, o ouro superfino.

    Com efeito, as perspectivas para aplicação industrial da Lixiviação Bacteriana com tiobacilIus ferroxidans no tratamento de minérios refratários contendo sulfetos, como pirita e arsenopirita, são bastantes promissoras a curto e médio prazos. Mas estudos referentes à lixiviação direta do ouro ainda estão em fase preliminar, dependendo, para aplicação industrial, do isolamento ou desenvolvimento de microorganismos que, combinados com substratos e complexantes, desenvolvam taxas de reação que possam competir com o processo de cianetação. Um fator altamente favorável à Biolixiviação é o agravante ambiental produzido pela cianetação, enquanto que a lixiviação através de bactérias, não deixa nenhuma sequela à natureza.

  • LAVRA EXPERIMENTAL DE OURO: EXPERIÊNCIA VERSUS INVESTIMENTOS

    Alberto Rogério Benedito da Silva/Geó1ogo DNPM/5º D.

    Alicerçado no artigo 22 do Código de Mineração (dec.-lei 227 de 28.02.87) que através de seu item 7, faculta ao DNPM, na fase de pesquisa, autorizar a alienação de quantidades minerais para análises e ensaios industriais. A partir da segunda metade de 1983, surgiu, no seio do Setor Mineral, a figura da Lavra Experimental. Apesar de não ter nenhuma configuração jurídica, o objetivo desse instrumento foi de fazer um estudo dos equipamentos utilizados no beneficiamento de minerais detríticos; ter um melhor conhecimento do depósito mineral; financiar parte da pesquisa realizada; capacitar o pessoal envolvido e aprimorá-lo tecnicamente e; finalmente, ocupar o sítio mineralizado, ante ao avanço desenfreado da garimpagem no pais.

    Assim sendo, até o ano de 1986, cerca de uma dezena de plantas foram montadas no Estado do Pará e Território Federal do Amapá, âmbito do 5º Distrito do DNPM. Considerando a carência de dados estatísticos sobre mineração na Amazônia e a importância destes para futuros investimentos regionais, bem como subsidiar o empresariado do setor no Planejamento de uma política de longo prazo, foi feita uma amostragem junto às principais plantas em funcionamento, obtendo-se, ainda que em caráter preliminar, os seguintes valores médios:

    investimentos feitos durante a pesquisa, incluindo bloqueamento de reservas e cubagem : US$ 2.500.000;

    investimentos realizados para a montagem da planta:

    preço médio dos equipamentos: US$ 850.000

    Valor gasto na infraestrutura.: US$ 950.000;

    relação estéril/minério do corpo lavrado : 2,07;

    ccut-off da lavra (para o caso do elúvio x colúvio): 0,3 g/m3 com d = 1,6;

    investimentos em aprimoramentos tecnológicos (otimização da operação de lavra e beneficiamento): US$ 400.000;

    estudo comparativo entre teores de pesquisa e obtido durante a lavra.: 58% do ouro é recuperado por processos gravíticos, o restante só é recuperável com tratamento químico;

    fração granulométrica recuperada: por intermédio de jigagem é possível recuperar até 58% do ouro compreendido entre a faixa de 16 a 180 mesh. Até a fração de mesh, em alguns casos, recupera-se até 95% do ouro;

    gasto no projeto : US$ 9/m3 lavrado.

  • É necessário frisar que os dados citados referem-se a depósitos mistos (mineralização secundária e primária) de dimensões pequena a média, com reservas de 1,8 milhão de t de minério e teor variando de 0,2 até 6- 8 g/t.

    As plantas, em funcionamento, utilizam apenas processos gravimétricos, entretanto, duas dessas já dispõem de beneficiamento através de cianetação. Uma no Território Federal do Amapá está utilizando, em caráter experimental, cianetação através de lixiviação em tanque (VAT), para tratar o rejeito da gravimetria. Até o presente, os resultados estão sendo satisfatórios e acredita-se que, dependendo da conclusão dos estudos preliminares, deverá ser utilizada a cianetação para o tratamento do ROM.

    A outra, no Pará, deverá, a partir de 1987, utilizar uma unidade CIP móvel.

    Como complemento ao trabalho, apenas para traçar um paralelo, é feita uma relação de custo de produção mundial de algumas minas com lavra aluvionar e a céu aberto, onde se pode observar que a média do teor de ouro aluvionar é de 1,07 g/m3 e custo US$/m3 é da ordem de 5,36. Na lavra a céu aberto, o teor é de 3,45, enquanto que o custo passa para 16,58. Logicamente que esses dados são de países com características, às vezes, destoantes da Amazônia e uma logística menos onerosa que, certamente, conduziriam a valores um tanto diferentes das lavras da Região Norte.

    CUSTO DE PRODUÇAO DE MINAS DE OURO ALUVIOMAR

    NOME DA MINA PRODUÇÃO TEOR CUSTO

    OU PROJETO PAIS m3/h g/m3 US$/M3

    Nullagine Austrália 14 1,02 5,40

    Nullagine “ 56 0,81 3,14

    Black Hills Creek Canadá 64 0,65 5,32

    Clear Creek “ 40 0,41 3,47

    Hendersen “ 48 0,89 6,81

    La Cantina México, 159 0,41 1,96

    Madre de Dios Peru 16 - -

    Chandalar USA 64 0,81 -

    Livegood “ 159 1,67 -

  • Manhattan Gulch “ 15 1,02 4,42

    Nolan “ 32 2,44 10,46

    Solomon “ 48 1,68 7,10

    Média 59,6 1,07 5,36

  • CUSTO DE PRODUÇAO DE MINAS DE

    OURO COM LAVRA A CÉU ABERTO

    NOME DA MINA PRODUÇÃO TEOR CUSTO

    OU PROJETO PAIS t/h g/t US$/t

    Reedy's Austrália 23 4,51 22,5

    Porphyry “ 23 5,51 -

    Cork Tree Well “ 39 4,04 22,75

    Haveluck “ 39 2,49 15,75

    Haveluck “ 37,5 2,38 -

    Phar Lap “ 45 3f51 15,50

    Queen Charlotte Canadá 563 2,90 10,56

    Carshaw “ - 6,84 15,85

    Doyon “ - 5,82 -

    Arrow “ - 1,71 - Santa Clara Costa Rica 171,03 -

    Pueblo Viejo Rep. Dominic. 379 4,04 -

    Avino México 35,5 1,00 -

    Tedi Papua,N. Guiné 938 2,80 -

    Bell Mountain USA 31 1,80 15,00

    Dewey “ 38 3,73 16,50 Grey Eagle “ - 4,77 25,00

    Zaca “ 113 1,24 11,00

    Clementine “ 64 3,42 13,80

    Dee Gold “ 32 3,95 22,00

    Aurora “ 38 4,32 16,50

    Bell (Jerrit Canyon) “ 104 7,77 -

    Picacho “ 151 1,17 5,73 Mesquite “ - 2,55 -

  • Mc Laughin “ 113 5,47 -

    Rich Gulch “ 113 4,04 20,00

    Bluebird “ 113 3,73 20,00

    Fire Creek “ 15 2,39 -

    Pinson “ 54 3,70 20,34

    Round Mountain “ 375 1,37 -

    Beal “ 113 1,87 -

    Alligator Rigge “ 89 4,04 -

    Carlin “ 95 5,47 28,50

    Carlin “ 95 5,47 37,50

    Carlin “ 67 6,50 -

    Landusky and Zortman “ 667 1,01 5,45

    Landusky and Zortman “ 604 1,01 5,00

    Pinson “ 56 5,29 -

    Victor “ 75 2,05 -

    Jamestown “ 188 2,50 -

    Montana Tounels “ 562 1,71 8,25

    Annie Crek “ 75 1,43 7,8

    MÉDIA 162,6 3,45 16,58

  • O RISCO DO ESTADO DE CARAJÁS

    Alberto Rogério Benedito da Silva

    O Projeto de Decreto-Legislativo apresentado pelo Deputado Federal Asdrubal Bentes, do PMDB-Pará objetivando, objetivando criar o Estado de Carajás, subtraindo do Pará 23% de sua área e vinte e dois municípios da região sudeste do Estado, deve ser encarada como uma agressão muito seria a todos os paraenses.

    Apesar de já ter sido considerado antirregimental e anticonstitucional, subtrai, ainda, do Pará parcela significativa de riquezas. Neste artigo, trataremos, tão somente, daquela fração não renovável; entretanto, há de levar em conta, com efeito, outras que, fatalmente, virão à tona com o fervor das discussões.

    Em termos de recursos minerais, a natureza foi pródiga ao derramar no subsolo riquezas abençoadas que deram como produto a Província Mineral de Carajás - a maior do planeta -cujos recursos englobam 17,5 bilhões de toneladas de ferro de boa qualidade, 1,2 bilhão de toneladas de cobre, 80 milhões de toneladas de manganês, 80 milhões de toneladas de tonela-das de manganês, 80 milhões de toneladas de níquel, 96 milhões de metros cúbicos de granitos ornamentais, 11,4 mi1hões de toneladas de quartzo, 1,5 milhão de toneladas de volfrâmio, 145 milhões de toneladas de bauxita, 18 mil toneladas de estanho e 65 toneladas de ouro, assim como promissores indícios de mineralizações para molibdênio, zinco, prata, paládio, etc.. Esses bens minerais são utilizados nos mais diversos ramos da indústria que se traduzem na utilização de bens do dia a dia da humanidade, como ferro (aço), ligas latas, folhas de flandres, etc.

    Entre 1986-88, dos US$ 2,6 bilhões oriundos do produto mineral paraense, a região de Carajás respondeu por 65% (US$ 1,7 bilhão). Se a esses dados forem acrescentados os valores da bauxita de Oriximiná e do ouro do Tapajós, região em que se localiza outra pretensa fração do Estado que poderia ser subtraída, em função da criação do Estado do Tapajós, aí o nosso produto mineral estaria limitado a 1% do que e hoje, ou seja, ficaríamos reduzidos a materiais de construção e raras bauxitas.

    Em 1988, a região de Carajás foi responsável por 40% da produção brasileira de manganês, 21% da produção de ferro, 7% da produção de cassiterita e 59%, da produção de ouro.

    Em termos de arrecadação de imposto sobre minérios, o caminho é o mesmo, entre 1986 e 1988, a região de Carajás foi responsável por 68% dos tributos gerados sobre a mineração.

    Na década de 80, o Valor da Produção Mineral da região de Carajás, em média, cresceu 18,3% ao ano, enquanto a paraense cresceu 15,2%, a brasileira, 2,1% e o PIB, 1,9%. Uma performance de fazer inveja a qualquer economia desenvolvida.

  • Só para se ter uma ideia, a Coréia do Sul, uma das economias de melhor desempenho na década, cresceu 12% anuais.

    A Companhia Vale do Rio Doce, principal mineradora de Carajás, investirá nos próximos cinco anos algo em torno de US$ 650 milhões, nos projetos de ferro, cobre, manganês, níquel e ouro. Os projetos mínero-metalúrgicos que serão implantados ao longo do eixo Carajás-Itaqui, só no lado paraense, em número de mais de meia dezena, deverão investir semelhante quantia para produzir ferro-ligas a base de manganês e níquel, bem como ferro gusa; tais investimentos deverão retornar, em média? Tributos para os municípios da ordem deUS$15-20 milhões por projeto/ano.

    Os dados, até então elucidados, são necessários e suficientes para um levante da sociedade paraense contra esse saque que subtrairá a parte mais rica do nosso subsolo. As entidades de classe terão que romper esse silêncio para pugnar por nossos direitos. Nesse particular, a Apgam-Associação Profissional dos Geólogos da Amazônia, está de parabéns porque saiu na frente.

    E por trás dessa luta esconsa, outra preocupação tende a aflorar, que é a da agressão ambiental. As riquezas existem e devem ser exploradas da melhor maneira para agredir o mínimo a natureza, porque só assim estaremos realizando o desenvolvimento do país. E.com a valorização da componente ambiental, e possível vislumbrar, em horizonte razoável, o trinômio mineração-meio ambiente -avanços tecnológicos, fator preponderante nas metas de qualquer nação que almeje um futuro saudável para a humanidade. Expressões como as do Presidente da UDR, seção Marabá, de que: “não se planta alface e nem se cria boi em copa de árvores", tem que ser riscadas dos dicionários de todos aqueles que se pautam pela união do Pará e sua conservação ambiental.

    Portanto, o alerta esta lançado, devemos todos lutar para a preservação da unidade do Estado. É uma bandeira lançada pelos geólogos, responsáveis por pequena parcela do desenvolvimento de toda nação e no caso paraense, tal fração foi bastante aguçada face às riquezas minerais de Carajás. Outro fator que deve ser levado em conta, e o início do processo de verticalização dos bens minerais. Com tudo isso, seria, até certo ponto, inassimilável conceber que todos aqueles que lutaram para o Pará deixar de ser almoxarifado de matérias-primas minerais, perca parcela importante de seu território.

  • AS QUEIMADAS VOLTAM A PREOCUPAR

    Alberto Rogério Benedito da Silvai

    As pesquisas realizadas pela jornalista Liana John, da Agência Estado, têm trazido contribuições significativas para a preservação ambiental. A última trata da prevenção das queimadas no Brasil, com ênfase à Amazônia.

    Em sua publicação comenta que os planos para prevenir queimadas em todo o país começam, finalmente, a descer dos céus para a realidade terrestre. No início do ano 2000, o Brasil completou doze anos de monitoramento sistemático de queimadas por satélite. Com isto, é possível identificar as piores frentes de fogo, inclusive com coordenadas geográficas, desde 1988, quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), passou a utilizar diariamente, durante toda a estação seca, o seu programa de computador, capaz de identificar os focos de calor nas imagens dos satélites meteorológicos da série NOAA. Mas, o que se pode fazer com estas informações privilegiadas que nunca foram consenso no governo federal? Pois é esta a mudança alvissareira que se anuncia.

    Ao longo destes anos, o Inpe melhorou seu programa e com a ajuda da Embrapa Monitoramento por Satélite mapeou os pontos quentes – hot spots – de forma detalhada, aumentando a precisão a cada ano. O Inpe também criou condições de se casarem as informações obtidas pelos satélites NOAA (que, neste caso, leem temperaturas) com as dos satélites de sensoriamento (que verificam uso da terra, áreas de desmatamentos, etc.), como o Landsat e o primeiro satélite brasileiro desta família, o CBERS.

    A parceria entre os dois tipos de satélite fez com que o Ministério do Meio Ambiente (MMA) passasse a ter um mundo de dados disponíveis, dentro do programa chamado “Proarco”, que trata de ações prioritárias na Amazônia, concentrando esforços de fiscalização no Arco do Desmatamento – região entre o Oeste do Maranhão, na divisa com o Pará, e o Leste do Acre –, onde a ocupação humana é mais intensa e a pressão sobre o meio ambiente, mais intensiva.

    Mas só fiscalizar e multar queimadas não basta. Isso já atestou pessoalmente o ministro José Sarney Filho, durante a última estação seca. Mesmo as campanhas educativas de uso controlado do fogo têm impacto restrito sobre a superfície das queimadas. Por outro lado, são mais efetivos os treinamentos de brigadas anti-incêndio e os alertas utilizados em 1999 para controlar queimadas que ameaçam se transformar em incêndios nas unidades de conservação. A prova efetiva é que os treinamentos realizados no ano passado, em Roraima, com cinco brigadas anti-incêndios e cerca de mil produtores dos assentamentos e das áreas indígenas estão se repetindo este ano. Esta ação também será estendida a outras áreas prioritárias, como o Sítio do Descobrimento, na Bahia.

    Todavia, mais do que proibir, estipular regras ou aprender a combater incêndios, é preciso dar alternativas ao uso tradicional do fogo para os agricultores que o utilizam como ferramenta de

  • trabalho. Se isso não ocorrer, as autuações servirão apenas para nivelar estes agricultores aos desmatadores ilegais, que usam as queimadas ilegal e indiscriminadamente.

    Para buscar alternativas, o MMA perseguiu e conseguiu este ano a ajuda do Ministério da Agricultura e Abastecimento, tendo em vista que a grande maioria dos pontos de fogo detectados pelos satélites são queimadas para renovar pastagens, eliminar restos de culturas ou controlar pragas. Antes mesmo do Carnaval, o ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, apresentou sugestões de medidas preventivas, num programa que envolve diversos centros da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

    Diversas tecnologias agrícolas estão disponíveis e podem substituir o uso do fogo na agricultura. Cerca de 40 delas estão listadas ao lado dos mapas atualizados de queimadas, no site da Embrapa Monitoramento por Satélite. Mas existem outras tecnologias, ainda dispersas nas instituições de pesquisas. Falta não só as reunis e difundi-las junto aos agricultores, como incentivar a produção de maquinários agrícolas necessários à sua implementação. Além disso, é necessário financiar cultivos que dispensem o uso do fogo. E, ainda, divulgar no campo alertas de risco de incêndio, para que sejam suspensas mesmo as queimadas autorizadas, quando as condições meteorológicas e de solo favorecerem a perda de controle sobre o fogo.

    Esse roteiro consta nos planos do Ministério da Agricultura. E mais: ainda há tempo hábil para se colocar vários destes planos em prática antes do início da estação seca, em junho. Resta saber se a Presidência da República vai dar ao assunto a mesma prioridade dos ministros do Meio Ambiente, e, da Agricultura e Abastecimento. Esta é a conclusão da pesquisadora.

    Aqui no Pará a Sectam dispõe de um laboratório de primeira linha que mapeia e localiza os pontos quentes alertados anteriormente. Resta saber se o governo estadual dará a prioridade esperada pela população. Já que o Pará faz parte das zonas críticas de queimadas da Amazônia e do Brasil

    Ainda em relação à Amazônia, dia 30 de março, último, dois fatos importantes ocorreram: um, em reunião extraordinária, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) aprovou a proposta fixando em 80% a extensão de mata nativa a ser preservada como reserva legal nas propriedades rurais situadas em área de floresta na Amazônia Legal, e no mesmo sentido, adotou 35% para as propriedades situadas em área de cerrado da Amazônia. Para os fazendeiros que preservarem suas terras, o Conama aprovou compensações como isenção de ITR sobre a área preservada e isenção de Imposto de Renda para recuperação de área degradada. Outro, em Belém, o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, lançou o programa Agenda Positiva, que visa a definir critérios a serem utilizados para acesso e remessa de recursos da biodiversidade ao exterior. O grupo, responsável pela tarefa, terá prazo de sessenta dias para apresentar propostas sobre o assunto.

  • O espaço da Vale na economia paraense

  • Alberto Rogério Benedito da Silvaii

    A partir da descoberta de Carajás, em 1967, a CVRD voltou suas atenções para o Pará. O primeiro grande passo envolveu a Amazônia Mineração S.A., cuja associação com a US Steel Co. tinha como objetivo explorar o minério de ferro de Carajás. Em 1971, mais um avanço concreto foi dado com a criação da Rio Doce Geologia e Mineração (Docegeo), que, a partir de investimentos de mais de US$ 80 milhões, promoveu a maior pesquisa geológica já realizada no Brasil, aumentando as reservas minerais da CVRD em mais 35 novos depósitos, envolvendo 11 minerais diferentes, com ênfase para Carajás, no Pará. Esse programa de exploração contribuiu para o acréscimo significativo nas reservas nacionais, chegando a alcançar até 24 vezes, no caso do cobre, 22 no do caulim, 12 no da bauxita, dentre outros (tabela 1).

    Tabela 1 - Reservas minerais – período 1971-93

    Bem mineral Acréscimo nas reservas

    Ferro 2,3

    Bauxita 12,0

    Caulim 22,0

    Cobre 24

    Estanho 8,6

    Fertilizantes 5,1

    Ouro (metal) 5,3

    Níquel 1,5

    Fonte: Docegeo

    As principais reservas minerais do Pará envolvem sete produtos: ferro, bauxita, caulim, cobre, manganês, níquel e ouro. Devido aos seus dados quantitativos e qualitativos representam um percentual significativo em relação ao Brasil, como pode ser observado na tabela 2, onde a participação paraense é de 81% em relação a bauxita, seguida do cobre (75%), caulim (53%) e ferro (30%). Desse universo a Vale do Rio Doce responde por 100% das reservas de ferro, cobre, ouro e níquel, manganês (75%), bauxita (40%) e caulim (35%).

    Tabela 2 - Reservas minerais do Estado do Pará

    Bem mineral Quantidade (mil t) Teor-% %-Brasil %-CVRD

  • Ferro 17.354.527 66 de Fe2O3 30,5 100,0

    Bauxita 2.394.675 50 de Al2O3 80,6 40,0

    Caulim 817.686 - 53,0 35,0

    Cobre 1.348.298 0,85 de cobre 75,0 100,0

    Manganês 80.807 40 de MnO2 35,6 75,0

    Níquel 80.725 - 16,4 100,0

    Ouro (em kg) 283.627 - 12,3 100,0

    Fonte: Anuário Mineral Brasileiro – DNPM/1997, adaptado

    Outro dado importante a considerar é o reflexo da produção mineral paraense e seus produtos de transformação em relação às produções brasileira e mundial, onde sobressaem o alumínio, cuja performance em relação ao Brasil é de 29,2% e em relação ao mundo, 1,54%. Seguindo o mesmo critério, a bauxita contribuiu, respectivamente, com 84% e 8,36%; o caulim (28,1% e 1,44%); o ferro (25% e 4,49%); o manganês (96,4% e 18,2%); o ouro (24,5% e 0,61%); e o silício (6,0% e 0,46%). Exceto o silício, o Sistema CVRD participa em todos e, em três, – alumínio, ferro e manganês – com 100% (tabela 3).

    Tabela 3 - Produção Mineral/98 (mil toneladas)

    Commodity

    Pará

    Mundo

    Brasil

    Ranking mun-dial (Brasil)

    Pará/Bra-sil -%

    Pará/mun-do -%

    Vale/Pa-rá - %

    Alumínio 350,0 22.200 1.200 5 29,2 1,54 100,0

    Bauxita 10.500,0

    125.000 12.500 4 84,0 8,36 99,5

    Caulim 360,0 25.000 1.280 3 28,1 1,44 50,0

    Ferro 45.00,0 1.020.000 180.000

    3 25,0 4,49 100,0

    Manganês 1.350,0 7.400 1.400 6 96,4 18,2 100,0

    Ouro – t 14,7 2.400 60 7 24,5 0,61 75,0

    Silício 15,6 3.400 260 5 6,0 0,46 0,0

    Fonte: DNPM//Seicom/Mineral Commodity-USGS/Metal Bulletin, adaptado

    Nos últimos quatro anos o Sistema Vale do Rio Doce vem aumentando sua participação na economia paraense, crescendo 10% ao ano entre 1996 a 1999 e totalizando US$ 2,1 bilhões. Por seguimento a maior contribuição é representado pelas compras com US$ 951 milhões (44,4%), seguida de investimentos (US$ 445,6 milhões – 20,8%), serviços contratados (US$ 270,8 milhões – 12,6%), salários (US$ 265,3 milhões – 12,4%), impostos e contribuições financeiras (US$ 156,6 milhões – 7,3%), preservação ambiental (US$ 45,7 milhões – 2,1%) e apoio às comunidades (US$ 8,7 milhões – 0,4%).

  • Pelo lado do emprego, no período considerado, foram contratadas 41.900 pessoas, sendo 80% efetivadas dentro do Estado do Pará. Desse total, 17.821 (43,3%) representam empregos diretos e 23.369 (56,7%) indiretos. No primeiro caso 67% foram efetivados no Pará e no segundo, o percentual avançou para 93%. Focalizando os dados anuais, 1999, com US$ 700 milhões (32,4%), representou a maior parcela, seguido de 1996 (US$ 520 milhões), 1997 (US$ 500 milhões) e 1998 (US$ 440 milhões). Até 2002, deverão ser investidos mais US$ 530 milhões, em projetos da própria Vale e das cinco empresas ligadas ao Sistema CVRD.

    Dentro de um cenário mais elástico, a Vale fechou recentemente um acordo com o grupo norueguês Norsk Hydro, para capitalizar a Alunorte, em US$ 200 milhões, representando 25,3% da empresa, reduzindo, portanto, seu passivo de US$ 863 milhões para US$ 478 milhões. O grupo ainda se comprometeu em participar com US$ 150 milhões de um investimento total de US$ 300 milhões para a expansão da produção de alumina no Pará (de 1,5 milhão para 2,3 milhões de toneladas/ano). O aumento implicará em acréscimo na performance da bauxita da Mineração Rio do Norte – MRN – em 1,6 milhão de toneladas/ano, cujos investimentos também já foram anunciados e alcançarão US$ 140 milhões. A esse total, da mesma forma, serão somados US$ 70 milhões da Albras. A CVRD ainda assinou contrato com a Hydro Aluminium, também subsidiária do grupo norueguês, para aumentar das atuais 350 mil toneladas para 580 mil toneladas/ano de alumínio primário em lingotes, incluindo o fornecimento pelo prazo de 10 anos de 963 mil toneladas de alumínio da Albras, a um valor atual de mercado de US$ 1,55 bilhão. O período do acordo vai de 2000 até 2009. Nesse contrato, o risco comercial – risco double – será bancado pela Hydro Aluminium, que também será a garantidora do contrato com a CVRD, o que possibilitará a securitização de recebíveis de exportação de alumínio, título de grande aceitação dos investidores internacionais. O contrato assinado abre as portas para uma reestruturação comercial e pode ser o primeiro passo para uma nova sociedade entre a Hydro e a Albras, no projeto de uma fábrica de transformação de alumínio em Barcarena. A nova unidade industrial da Albras fabricaria extrudados de alumínio como cabos, rodas de alumínio, perfis especiais e esquadrias, tal como a Hydro já faz na Noruega.

  • NEGÓCIO MILIONÁRIO E INVENTOR POBRE

    Alberto Rogério Benedito da Silva

    Uma reportagem veiculada na revista IstoÉ Dinheiro mostra que o criador da web não ganha dinheiro com ela. Hoje, uma simples ideia de sucesso na Internet pode render milhões e até bilhões, entretanto, a mãe de todas as ideias rendeu pouco mais que notoriedade e respeito ao inglês Tim Berners-Lee. Enfurnado em um laboratório de Física, na cidade de Genebra, Suíça, ele desenvolveu entre 1980 e 1990 as bases do que é hoje a rede mundial de computadores. Entre outras coisas, criou o modelo de navegação por links, escreveu o primeiro browser e até mesmo o primeiro software para servidores de rede. O nome World Wide Web – o popular www – também é da sua lavra, embora, na ocasião da gestação tenha sido ridicularizado por amigos e até por sua esposa.

    Ele tinha tudo para ser um bilionário, mas optou pelo idealismo. Dirige um Volkswagen Rabbit, ano 84, e ocupa uma pequena sala no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, onde chefia a equipe do World Wide Web Consortium, uma entidade sem fins lucrativos, cujo objetivo é definir padrões técnicos para a Internet. Provocou tamanha revolução nos negócios e na sociedade que já foi comparado a Gutemberg. O maior reconhecimento que recebeu, porém, veio com seu novo livro Weaving the Web, lançado em novembro nos Estados Unidos e, desde então, dono de lugar cativo entre os best-sellers da área de negócios.

    A obra poderia até ter contornos tecno-épicos, com a fascinante história do rapaz que, nascido em uma família de cientistas – seus pais ajudaram a desenhar o Ferranti Mark, primeiro computador disponível comercialmente –, reuniu uma porção de boas ideias desencontradas e, com elas, jogou a humanidade em uma nova era de desenvolvimento. Mas Berners-Lee é modesto demais para tanto. Ele narra, de fato, os principais passos de sua saga, como a dificuldade que teve em convencer seus superiores a comprarem o microcomputador da NeXT – empresa criada pelo visionário e, este sim, bilionário Steve Jobs, depois de sua primeira passagem pela Apple – no qual bolou seu browser. Prefere, entretanto, valorizar seus conceitos a respeito do futuro de sua cria. “É importante que a web ajude as pessoas a serem mais intuitivas”, escreve. “Se conseguirmos, a criatividade vai florescer entre mais e maiores grupos. ”

    A Internet é atualmente o maior core business do planeta, chegando a deter um índice capaz de fazer sombra ao Dow Jones, em Wall Street. O Nasdaq – National Association of Secutities Delears Automatic Quotation – representou a coqueluche nos últimos tempos para as bolsas mundiais. Nas últimas semanas esse índice sofreu revezes consideráveis, mas são coisas passageiras de negócios e muitas vezes voláteis.

    A informática detém os dois homens mais ricos do mundo, os principais donos da Microsoft – Bill Gates e Paul Allen. Recentemente a revista Fortune publicou a relação dos empresários com menos de 40 anos que fizeram fortuna com a Internet (tabela 1), cuja nova capital de

  • riqueza reside nos Estados Unidos, onde o Silicon Valley, na Califórnia, é o principal representante desta safra.

    Tabela 1 – Os bilionários da rede

    Nome Idade (anos) Empresa Fortuna US$ bilhões)

    Jeff Bezos 35 Amazon 5,74

    Pierre Omidyer 32 eBay 3,69

    David Filo 33 Yahoo! 3,12

    Jerry Yang 30 Yahoo! 3,05

    Henry Nichollas III 39 Broadcom 2,38

    Rob Glase 37 Real Networks 2,29

    Scott Blum 35 Buy.com 1,66

    Jeff Skoll 33 eBay 1,33

    Michael Robertson 32 MP3 0,90

    Naveen Jain 39 InfoSpace 0,86

    Fonte: Fortune

    As empresas mais valorizadas nos últimos tempos, todas, sem exceção, tem alguma afinidade com a informática. A Microsoft, por exemplo, cujo valor de mercado é da ordem de US$ 480 bilhões, tem sua matriz baseada em software. A Cisco Systems, segue a mesma linha, e, ainda, superou a cria de Bill Gates, pois seu valor de mercado ultrapassou os US$ 500 bilhões. As quinze maiores empresas ligadas ao mercado de Internet, todas superam os bilhões de dólares e a liderança é da America Online, que após a fusão com a Time Warner, alcançou US$ 242,5 bilhões, duas vezes e meia a segunda colocada, a Yahoo!, e seis vezes a terceira, a Charles Schwab. A tabela 3 mostra o ranking das quinze maiores empresas desse ramo de bilhões.

    Mas nem tudo é glória para as famosas ponto.com A condenação da Microsoft pela justiça americana deu um choque no mercado tecnológico e a desvalorizou em US$ 81 bilhões, fazendo com que seu fundador – Bill Gates – perdesse US$ 11,5 bilhões. A retração de 7,6% no índice Nasdaq, ocasionou uma perda de US$ 350 bilhões.

  • Tabela 2 – Maiores empresas da Internet por valor de mercado

    Empresa Endereço Valor (US$ bilhões)

    America Online1 www.aol.com 242,47

    Yahoo! www.yahoo.com 95,98

    Charles Schwab www.charlesschwab.com 40,69

    CMGI www.cmgi.com 39,39

    eBay www.ebay.com 25,78

    Amazon www.amazon.com 21,58

    Priceline www.priceline.com 13,45

    RealNetworks www.realnetworks.com 11,15

    VerticalNet www.verticalnet.com 9,76

    [email protected] [email protected] 9,48

    DoubleClick www.doubleclick.com 8,98

    Lycos www.lycis.com 7,07

    E*TradeGroup www.etrade.com 5,15

    CNET www.cnet.com 4,75

    Healtheon www.healtheon.com 3,09

    Fonte: Nasdaq (cotação de 10 de março/2000) - 1 - após a fusão com a Time Warner

    Esse mercado fluido, no período 01.06.97 a 04.04.00, considerando as 220 maiores empresas do Standard & Pools, deu a três empresas de Internet a maior valorização das ações nas bolsas americanas (tabela 4).

    Enquanto isso, a respeitada revista americana Fortune, divulgou sua tradicional lista das 500 maiores empresas do mundo (tabela 5), incluindo volume de vendas e trouxe pela 16ª vez a General Motors em primeiro lugar, com faturamento de US$ 189 bilhões e lucro de US$ 6 bilhões. A General Electic, a quinta maior do ranking, lucrou US$ 11 bilhões. Enquanto isso, a Yahoo! apresentou lucro, em 1999, de US$ 57 bilhões, embora não figure entre as 500 da Fortune. A única empresa da Internet presente na lista é America Online (337ª) que faturou US$ 4,8 bilhões. Outras do ramo da tecnologia da informática que constam na seleta lista: Microsoft (84ª) e a Cisco Systems (146ª) ocupam posições modestas se comparadas com seus valores de mercado (ambas somam US$ 970 bilhões). Um contraste, realmente. E difícil de entender. Porém, uma realidade.

  • Tabela 4 – Ações mais valorizadas nas bolsas americanas

    Empresa Valorização-%

    Yahoo! 6.060

    Amazon.com 4.046

    American Online 1.738

    EMC Corp 1.169

    Sun Microsystem 1.001

    Cisco Systems 858

    Dell Computer 667

    Oracle 655

    Texas Instruments 577

    Applied Materials 539

    Fonte Economática

    Tabela 5 – Maiores empresas do mando, segundo a revista Fortune

    Empresa Faturamento/99 (US$ bilhões)

    General Motors 189

    Wal-Mart 167

    Exxon Mobil 164

    Ford 163

    General Electric 112

    IBM 87

    Citigroup 82

    AT&T 62

    Philip Morris 61

    Boeing 58

    Fonte: Fortune

  • A VISÃO DO FMI E DO BIRD PARA A ECONOMIA MUNDIAL

    Alberto Rogério Benedito da Silva

    Não há dúvida de que o centro de gravidade econômico do mundo é representado pelos Estados Unidos. Em outubro/99, o Fundo Monetário Internacional (FMI) previu que o líder mundial cresceria cerca de 2.6% em 2000. Sem dúvida, uma decisão precipitada para uma economia que há nove anos seguidos apresenta expansão acelerada, desemprego extraordinariamente baixo (4%), e taxa inflacionaria de somente 2,5% ao ano. Uma outra estimativa do Fundo é que a economia americana cresça 4,4% este ano e com inflação baixa. A revisão transforma a perspectiva global e ratifica que as contas dos Estados Unidos estão em ordem, além de mostrar que no longo prazo o FMI faz suas previsões mais voltadas para o resto do mundo do que para os Estados Unidos.

    As reuniões de primavera do FMI e do Banco de Mundial normalmente tratam de negócios. A deste ano, realizada em Washington, DC, veio acompanhada de milhares de protestos. Tudo para demonstrar desagrado ao Fundo e ao Banco tendo em vista que, segundo os manifestantes, as ações dos dois órgãos empobrecem a maioria da população mundial. Tais acusações parecem absurdas, uma vez que há 18 meses o presidente Bill Clinton declarou que o sistema financeiro internacional enfrentou sua pior crise neste meio século e que a maioria das economias emergentes estão desfrutando de uma repercussão altamente positiva.

    A virada da Ásia foi espetacular, a região está emergindo suas economias, afetadas pela crise de 1997-98. O PIB da Coréia Sul subiu quase 11%, em 1999, e sua produção é agora superior aos níveis pré-crise. A Malásia, no mesmo ano, evoluiu quase 6% de seu PIB. Ao final de 2000, a Tailândia já deverá ter superada a produção perdida e a Indonésia, mesmo ainda com problemas localizados, avançou seu PIB em 6%, no quarto trimestre de 1999.

    O panorama da América Latina não é diferente. O México, impulsionado pela alta nos preços do petróleo e pela próspera economia americana, é a estrela – mais de 80% das exportações do México vão para os Estados Unidos – e com isso sua economia cresceu 3,7% no último ano. O Brasil também superou bem a crise. O FMI considera provável que a economia brasileira cresça 4% este ano. Aliás, os países latinos apostam nas exportações, como o Chile, que avançará 6% ou mais e até mesmo Argentina está retornando a um crescimento saudável.

    A Europa, da mesma forma, está emergindo sua economia, principalmente a parte Ocidental. Até mesmo Rússia apresenta franca recuperação, em grande parte graças ao aumento nos preços do petróleo.

    A grande pergunta, portanto, é: haverá mais prosperidade? A resposta vem em três outras perguntas. As economias emergentes fizeram direitinho as lições de casa? Os investidores

  • também cumpriram suas metas? E, as reformas do sistema financeiro internacional tornaram-se mais seguras?

    Até mesmo o crédito está dividindo governos emergentes. A maioria reagiu aos problemas de 1997-99 com prudência, em lugar de populismo e assim a retórica é a disciplina da macroeconomia, a reestruturação e a reforma. E muitos daqueles impulsos reformistas foram dirigidos para as duas grandes fraquezas que arruinaram as economias emergentes. A primeira, o uso inadequado das taxas de juros – muitas moedas estavam acompanhadas de taxas de juros insustentáveis. E a segunda, as economias estavam emergindo de um sistema financeiro fraco. Frequentemente, os bancos e as empresas tomavam empréstimos de maneira irresponsável. Nenhum governo deu ênfase às liquidações dos empréstimos.

    Há, ainda, uma elevação renovada em portfólios importantes para mercados emergentes. O IFC/Standard & Poor investem nesses mercados e com isso houve crescimento de 60% neles, em 1999. Mercados de bonds também se fortaleceram. O Institute of International Finance (IIF), porta-voz dos banqueiros, espera fluxos privados para as principais economias emergentes da ordem de U$ 200 bilhões este ano, U$150 bilhões a mais que em 1999, porém, abaixo dos U$ 330 bilhões de 1996. Um bom indício, uma vez que dez dos 27 países que respondem por mais que 90% dos fluxos importantes tem origem no setor privado.

    Por outro lado, poucas economias emergentes realmente deixaram as taxas de juros flutuarem e, com isso, alguns economistas questionaram os benefícios dessa flutuação, como Ricardo Hausmann, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ele considera que países pagam um preço alto com taxas de juros elevadas e ganham pouca flexibilidade em flutuar. Na sua visão, o maior problema é que as economias emergentes não podem tomar empréstimos em suas próprias moedas. E taxas de juros flutuantes ou fixas não resolvem isso. Eis porque ele defende dolarização completa. Entretanto, tanto a crítica como a solução proposta por Mr Hausmann representam soluções extremas.

    Em adição a tudo isso, alguns avanços modestos estão sendo feitos para ajudar países a prevenirem-se de crises futuras, considerando que há padrões internacionais em tudo, desde transparências estatísticas até política monetária. Várias economias emergentes formaram um esquema para monitorar melhor e manter seus padrões. O Basle Committee – uma supervisão de bancos – publicou novas diretrizes mostrando como os bancos deveriam administrar sua liquidez. Entretanto, está para ocorrer uma revisão nesse comitê, onde os padrões de eficiência serão importantes. O Financial Stability Forum é outro grupo que estuda grandes assuntos em estabilidade financeira internacional, sem, portanto, até o presente, apresentar nenhuma norma nova ou trocas radicais de metas.

  • NOVOS DESAFIOS AO MERCADO AMERICANO DO AÇO

    Alberto Rogério Benedito da Silva

    No final de junho, o conservador mercado americano do aço, lançou em Washington, através do American Iron and Steel Institute (AISI), um plano empresarial ambicioso para incrementar o setor nos próximos cinco anos. A proposta prevê aumento do número de associados, incremento na conscientização pública da importância do aço para a economia, análise detalhada de forças e fraquezas do mercado, oportunidades e ameaças no mercado automotivo e construção de segmentos de containers. Os associados do AISI vêem nisso uma ferramenta extremamente competitiva para os clientes, cuja meta final será aumentar a demanda e o consumo de produtos de aço. Para o presidente Richard K. Riederer, chefe-executivo da Weirton Steel Corporation, o plano pode ser considerado agressivo, porém, é compreensivo e comercial, uma vez que, apoiado pelo AISI, tem como missão cultivar diretamente os diversos nichos do mercado norte-americano do aço. A resposta é refletida através do conselho de diretores do instituto, que deu apoio incondicional à iniciativa.

    O “Steel’s Blueprints for the New Millennium”, uma espécie de slogan do AISI, define um novo modo de negociar com a indústria competitiva do aço, o que deve balizar os desafios da próxima década. Esta é a posição dos principais executivos das empresas do setor. A ênfase em crescimento agressivo e as sociedades estratégicas conduzirão a um novo impacto no mercado. O plano está tornando transparente toda a indústria, salientando que ela precisa adquirir isso para rever os efeitos para trás e para frente da indústria.

    O instituto envolve 47 empresas-membros, incluindo setores de eletricidade e aço, e ainda, 174 sócios que são os provedores ou clientes da indústria do aço.

    Em 2001 é esperada uma recuperação em todos os preços de produtos de aço, inclusive chapas. De um modo geral a economia mundial está indo muito bem e não há nenhuma razão para que os preços continuem decaindo por muito tempo. Não há nenhuma justificativa para retração do mercado como ocorreu em 1997 ou 1998, com as crises asiática e russa.

    Os preços das chapas no mercado spot, que representam 30% do total das vendas de cerca de 22-23 milhões de toneladas/ano, hoje variando entre US$230-242/tonelada (FOB), deverão estabilizar até o final de agosto ao redor US$215-220/tonelada (FOB). O principal motivo é que, a partir de maio e junho, a mentalidade do mercado mudou, como consequência da alteração dos juros americanos, do julgamento do caso Microsoft e da queda do índice Nasdaq. Outro fator nevrálgico para esta mudança foi ocasionado pelo crescimento continuado nas taxas de produção americanas. A performance do aço bruto entre janeiro e maio/2000 estava 13% superior ao mesmo período de 1999, enquanto que no Japão e no mundo, em período equivalente, a taxa era de, respectivamente, 17% e 12%. Por outro lado, o

  • avanço do dólar contra o euro impediu as exportações para a Europa e facilitou a internalização de fluxos para os Estado Unidos, onde as importações continuaram subindo, forçando, assim, os preços para baixo e ocasionando uma queda de US$30/tonelada. Já, a acirrada competição do mercado asiático fez reduzir em US$30-40/tonelada, durante os últimos dois meses, exceto na Coréia do Sul, onde o mercado permaneceu aquecido.

    O mercado americano, em particular, é extremamente volátil porque 40% das compras de aço operam independente dos smelters e com isso tendem a intensificar a competitividade. Na Europa esse ranking é de somente 30%, o mesmo ocorrendo no Brasil.

    Para o mercado brasileiro, a expectativa é de um período alvissareiro para 2001. Pelo menos esta é a previsão do diretor de vendas da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST). As vendas futuras para o terceiro trimestre giraram em torno de US$ 230/tonelada (FOB), enquanto que para o quarto trimestre, cujos preços serão negociados até o fim de agosto deverão flutuar ao redor de US$ 220/tonelada (FOB).

    Entretanto, a tese defendida pelo professor Ruy Bahia é de que o retardo exagerado na privatização da indústria estatal brasileira, tal como ocorreu no setor elétrico, pode ter sido a principal perda de mercado de porte no Brasil, incluindo aí exportação e importação. A Volkswagem, por exemplo, previa importar aço porque não aceitava o aumento pretendido pelos produtores nacionais que ainda hoje não têm competitividade para o mercado externo.

    Pelo lado governamental, o BNDES vem apoiando financeiramente o processo de reestruturação, modernização tecnológica e aumento da capacidade para adequação ao ambiente competitivo. Entre 1999/2002 os investimentos alcançarão US$ 7,4 bilhões, a partir de uma previsão inicial de US$ 10,4 bilhões. Desse montante, o BNDES desembolsou US$ 2,4 bilhões, ou 32,4% do total (tab. 1). Este segmento da economia brasileira ainda não opera nos padrões internacionais de larga escala. Por exemplo, apesar de o Brasil ser o 8º produtor mundial, a maior empresa brasileira, a CSN, é a 36ª no “ranking” dos maiores fabricantes mundiais e considerando o conjunto Usiminas e Cosipa, a posição é 23ª. A própria organização societária da siderurgia brasileira contém ainda muitos entraves, que a impedem de alcançar o pleno desenvolvimento do setor. Faz-se necessário, entretanto, um novo arranjo nessas composições para poder dar continuidade aos processos de fusão, aquisição e incorporação, visando a atuação através de grupos fortalecidos e competitivos.

    Tabela 1 - Investimentos no setor do aço e participação do BNDES (US$ milhões)

    Ano 1999 2000 2001 2002 Total

    BNDES 830 799 487 317 2.433

    Outros 2.752 639 741 603 5.005

    Soma 3.582 1.438 1.228 920 7.438

    Fonte: IBS e BNDES

  • PROGRAMA AMBIENTAL DA ONU REFORÇA LADO SOCIAL DA MINERAÇÃO

    Alberto Rogério Benedito da Silva

    No início do mês de julho/2000, uma cerimônia realizada em Cambridge, Inglaterra, uniu o World Conservation Monitoring Center (WCMC) ao United Nation Environmental Programme (UNEP). O WCMC é um centro de monitoramento de conservação do meio ambiente, que, com a parceria, passa a ter responsabilidade para avaliar e informar todos os aspectos ambientais, incluindo a saúde de espécies e de ecossistemas ameaçados. De acordo com o diretor executivo do UNEP, Klaus Toepfer, os ecossistemas e as populações de espécies globais têm declinado cerca do 30% nos últimos 30 anos e a tendência é que essa queda seja acentuada com o passar dos tempos. Ele acredita que a pobreza nos países em desenvolvimento e o nível de consumo não sustentável em países industrializados são os principais fatores que contribuem para a perda da biodiversidade.

    Direcionar ameaças à biodiversidade e tomar decisões importantes, baseadas em informações científicas precisas e acessíveis é um pré-requisito fundamental. Nesse sentido, o WCMC é um referencial para dar uma contribuição efetiva. O diretor do Centro, Mark Collins, assegura que a união com o UNEP dará ao seu trabalho um reconhecimento internacional e fará com que seus dados sejam mais acessíveis tanto para a elaboração de políticas públicas como para assessorar agências de desenvolvimento e de conservação, incluindo nesse rol a organização de planejamento ambiental. Para ele: “manter a biodiversidade do ambiente natural é um fator central para o desenvolvimento sustentável”.

    Os principais objetivos da parceria são: i)- atender às necessidades de usuários nos setores públicos e privados; ii) - prover informações com objetivo de ajudar a proteção global e o gerenciamento sustentável da biodiversidade; iii) - manter equipes de alto nível de pesquisadores; iv) - expandir e enfatizar o papel na provisão de assessoramento, assistência técnica e treinamento para construir e manter um banco de dados envolvendo a biodiversidade que sirva de informação e capacitação aos países em desenvolvimento; v) - buscar parcerias de organizações em países em desenvolvimento, visando a aumentar e promover seus próprios trabalhos; e vi) - negociar acordos através de convenções internacionais

    A parceria é uma oportunidade ímpar para reunir os especialistas do WCMC, em projetos inéditos lincados em redes e sites com ecologistas dos setores privado e público, envolvendo temas como educação ambiental, onde cerca de 2,25 milhões de visitas já foram feitas no site do WCMC, destacando-se alunos e professores. Serve também para enfocar a nova era da contabilidade social, como um programa de trabalho, onde as multinacionais BP-Amoco e Rio Tinto, por exemplo, decidiram compartilhar seus bancos de dados ambientais com outras empresas mundiais e escolheram o WCMC como o canal de gerenciamento dos mesmos. A responsabilidade do WCMC é selecionar quais dados serão disponíveis, o que fazer com eles e o que poderá ser envolvido, incluindo compartilhamento em ações e esclarecendo os motivos pelos quais as multinacionais estão dando este passo ambiental importante.

  • Paralelamente, o WCMC compilou e mantém um banco de dados de espécies globais em extinções, envolvendo um tratado com a relação de animais e plantas sob ameaças, por ouro lado, o centro lançou recentemente o slogan: Biodiversidade global - a Terra já está consumindo os recursos do século 21.

    Os governos e empresários estão repensando algumas suposições básicas em relação aos padrões de medidas dos planos de crescimentos econômicos, inclusive os estoques de ativos naturais, com ênfase à biodiversidade, como um elemento vital para a sustentabilidade. Dentro desse enfoque, outro fator preponderante é a qualidade de vida de gerações futuras, assim como as riquezas das nações, uma vez que todos esses parâmetros dependem de um ambiente natural saudável e produtivo.

    Para a indústria mineral podem haver benefícios mútuos. Por exemplo, a disponibilidade do banco de dados do WCMC é importante no momento de serem tomadas decisões corporativas para exploração de uma nova área. Na oportunidade, a empresa pode ser alertada em relação à presença de espécies ameaçadas ou de uma área protegida. Mesmo considerando alguma resistência do setor em se aconselhar com o WCMC, mas como todos os projetos minerais, de um modo geral, são submetidos a auditorias ambientais anuais, e considerando, ainda, que todo novo projeto é obrigado a fazer estudos ambientais prévios detalhados, o banco de dados do WCMC é, sem dúvida, uma ajuda significativa e valiosa.

    Os projetos mínero-industriais, especialmente em países em desenvolvimento, podem representar centros ideais para monitorar a biodiversidade. O site do UNEP-WCMC (www.unep-wcmc.org) é o terceiro local ambiental mais visitado, atraindo dois milhões de visitas por mês. Além do enfoque de educação ambiental, já citado, ele é visitado por estudantes do mundo inteiro e membros públicos de aproximadamente 200 mil comitês de profissionais. Como a indústria mineira luta para melhorar sua imagem, aqui está uma oportunidade de relações públicas que não deve ser perdida.

    Resgatar essa experiência, fazendo um elo como as comunidades que gravitam em torno dos projetos mínero-metalúrgicos paraenses é a iniciativa a ser adotada por todas as empresas que aqui atuam. A contabilidade social, que, pela primeira vez, foi levada em consideração pela Vale do Rio Doce não deixa de ser uma boa iniciativa, todavia, a alternativa mais coerente passa também pelo estreitamento das ações com as unidades escolares, sem dúvida, o melhor efeito multiplicador com uma visão prospectiva de médio e longo prazos.

  • PARCERIA COM A COMUNIDADE: UM EXEMPLO A SEGUIR NA MINERAÇÃO

    Alberto Rogério Benedito da Silva

    O editorial elaborado por Tracey Khanna na recente edição da revista Mining Environmental Management evidencia um estudo de caso no qual a Nicolet Minerals enfrentou um desafio em trabalhar com comunidades e grupos de ativistas ambientais durante a exploração de sua propriedade mineral de Crandon Mine, em Wisconsin, Estados Unidos. A iniciativa representou uma experiência envolvendo os atores citados para assegurar que uma nova operação mineira pode proteger o meio ambiente, sem deixar de lado os interesses da mineradora nem de seus acionistas. Trata-se de um esforço e desafio inéditos que envolvem toda uma parceria na fase do licenciamento do projeto.

    Não obstante, a aliança do projeto educacional, incluindo grupos ambientais, nativos, residentes locais, sindicatos e estudantes, houve ainda fortes campanhas contra a implantação do projeto mineiro. A meta do empreendimento é educar e informar as comunidades locais sobre possíveis perigos que a exploração de sulfeto poderia trazer. A resistência ao projeto iniciou desde os trabalhos pioneiros e recentemente a empresa de mineração organizou uma reunião envolvendo estudantes e jovens, oportunidade em que foi discutida amplamente a validade da implementação do mesmo. Para complicar mais ainda, muitos tomaram como exemplo o acidente ocorrido, recentemente, na Romênia, o que foi mais uma resistência às implementações da operação. O projeto é um exemplo real do que pode ocorrer em prol ou contra a indústria mineral. Hoje os ativistas ambientais são crescentes no mundo inteiro e podem se transformar em uma resistência antimineral.

    Em 1998, a pesquisa realizada em trinta países e coordenada pelo “Environics International Ltd” de Toronto-Canadá indicou que a maioria dos entrevistados discorda que as indústrias mundiais estejam trabalhando para assegurar um ambiente sadio a todos. Outro indicador da pesquisa é que, desde 1992 o país que mais se preocupa com o meio ambiente é o Canadá, superando, inclusive a preocupação com a economia, que, até bem pouco tempo, era uma prioridade nacional. Normalmente a mineração tende a ser considerada pela população não só como de baixa agregação tecnológica, ou seja, não é totalmente limpa, como pouco conhecida e divulgada. Em 1994, por exemplo, uma pesquisa realizada nos Estados Unidos por Roper Research, classificou a mineração em 24º lugar em termos de popularidade, atrás, até mesmo, da indústria do tabagismo.

    No início de 2000, também no Canadá, a província de British Columbia e o Conselho de Minas Yukon realizaram uma pesquisa de opinião pública, em que 96% dos entrevistados votaram a favor da implementação de projetos minerais, desde que os mesmos tragam retornos econômicos e sejam conduzidos de forma ambientalmente correta. O estudo também sinalizou a mesma intenção a todas as áreas da província, tanto urbanas como rurais. Mesmo que não represente uma tendência internacional concreta, já são bons indícios de que o apoio público à indústria mineral pode ser considerado um fenômeno emergente. Todavia, se faz necessário que este apoio seja divulgado através de trabalhos educativos, visando principalmente a criação de consciência e efeitos multiplicadores nas áreas envolvidas.

    menvman.htmmenvman.htm

  • A maioria dos grupos ativistas internacionais é oriunda de países desenvolvidos. Mesmo assim, alguns questionamentos devem ser feitos, como: i) a comunidade deve almejar uma boa assistência orientada, onde o padrão de vida e o desenvolvimento dependem dos recursos naturais? ii) existe expectativa para manter um equilíbrio entre as necessidades econômicas, e as metas sociais e ambientais, sem levar em conta projetos minerais em uma região mineira? iii) é razoável confiar nas leis de países em desenvolvimento, onde suas matérias-primas são exploradas, mas suas regras não são claramente definidas, podendo estas se refletir em impactos sociais e ambientais? Seguramente, tais questões refletem grandes conflitos para a maioria dos ecologistas.

    Uma dificuldade para a mineração é que os ativistas são extremamente articulados para disseminar informações, porém, nem sempre suas mensagens são tão seguras e precisas. O uso da Internet fortaleceu esse segmento, tornando-o mais eficiente e transformando o duvidoso em democrático. Recorrendo novamente à pesquisa realizada em British Columbia, a maioria dos consultados declarou que há carência de informações em relação à mineração, principalmente no que se refere ao número de minas da província, área ocupada por projetos minerais durante os últimos 140 anos, além de retorno econômico por superfície ocupada pela indústria mineira, comparada com outros segmentos da economia, como a silvicultura ou a agricultura.

    Tais questionamentos servem para sinalizar que a indústria mineira deve ser mais eficiente em termos de divulgação de seus atos. Enfim, necessita ter uma comunicação mais competente com o seu público alvo e esta função seguramente tem que ser também dos órgãos governamentais. Papel similar deve ter o lado acadêmico, pois assim agindo, suas informações, mesmo não possuindo o viés popular ajuda no melhor entendimento do setor. Neste particular, a pesquisa de British Columbia indica que as pessoas hoje tendem a não confiar tanto em cientistas como no passado. A necessidade atual é de somar esforços para acrescentar informações não só à comunidade envolvida nos projetos minerais, como a todos os setores. Com esse procedimento, o mais importante é a massificação do papel do setor mineral em contraponto às campanhas direcionadas pelos grupos opositores.

    Convencendo a comunidade a aceitar o desenvolvimento de um novo projeto mineral implica em cumprir um papel de responsabilidade e ofuscar os grupos ativistas contrários à sua implantação. Em suma, existe uma necessidade imperiosa de que é de romper o silêncio da mineração, apesar de, até o presente, isso não ocorrer. E a culpa é dos próprios dirigentes deste importante segmento da economia. Anunciando seus benefícios, a comunidade entenderá que o despendido, mesmo envolvendo tempo e dinheiro, será sempre entendido como algo bem empregado.

    E para nós paraenses, que lição poderá ser tirada deste belo exemplo? Como Estado minerador não há outra alternativa senão buscar a comunidade para discutir os problemas e inserir na população as vantagens que ela pode trazer a todos. Uma boa iniciativa seria fazer estudos de casos prévios durante a elaboração do EIA/Rima dos projetos a serem implantados. A Gold Fields pretende fazer isso no projeto Cachoeira antes de explorar ouro na região do Gurupi. Outra alternativa é fazer um trabalho educativo junto às comunidades, principalmente

  • nas escolas, onde os estudantes são os melhores efeitos multiplicadores. A Companhia Vale do Rio Doce já faz esse trabalho e pretende ampliar mais ainda. E os resultados? A melhor resposta é o índice de desenvolvimento humano (IDH) criado pela ONU, cujo crescimento nos municípios paraenses foi melhor naqueles que possuem atividade mineral ou seus produtos de transformação. Os exemplos de Parauapebas, Oriximiná e Barcarena comprovam isso.

  • 1

    As “bandas” da indústria mineral do Pará 1 2

    Alberto Rogério Benedito da Silva1 3 4 O ressurgimento na mídia do provável desmembramento do Estado do Pará acirra novamente 5 a expectativa da criação do Estado do Tapajós que contemplaria o Oeste paraense, 6 envolvendo vinte e dois municípios (Alenquer, Almeirim, Aveiro, Belterra, Brasil Novo, 7 Curuá, Faro, Jacaréacanga, Juruti, Itaituba, Medicilândia, Monte Alegre, Novo Progresso, 8 Óbidos, Oriximiná, Placas, Prainha, Santarém, Rurópolis, Terra Santa, Trairão e Uruará). A 9 área seria de 509,5 mil km2 e a população, de acordo com último censo do IBGE, da ordem 10 de 797,4 mil habitantes. 11 12 Para o governo estadual, segundo as notícias veiculadas na imprensa, o Estado a ser criado 13 representaria a banda pobre do Pará, haja vista que é responsável por apenas 4% da 14 arrecadação estadual (US$ 22 milhões) dos US$ 548 milhões arrecadados, em 1999, pelo 15 fisco estadual. 16 17 Pela ótica mineral, a banda Leste, liderada por Carajás, detém as principais reservas minerais 18 conhecidas (tab. 1). O minério de ferro é de escala planetária e de excelente qualidade, o que 19 o coloca em alta competitividade, em nível internacional. O manganês é a principal mina 20 brasileira, inclusive com minério eletrolítico, utilizado em fabricação de pilhas, a mina de 21 ouro do Igarapé Bahia é a maior da América Latina e o caulim representa cerca de 20% das 22 reservas nacionais. Os dados mensurados de cobre com ouro associado e os prospectos 23 conhecidos direcionam a região de Carajás para uma província cupro-aurífera de classe 24 internacional. Até mesmo as reservas de bauxita (carro-chefe da banda Oeste) apresentam 25 quantitativos superiores na banda Leste. 26 27 Na banda Oeste destacam-se as reservas de bauxita metalúrgica de Trombetas (Oriximiná) a 28 bauxita refratária de Monte Dourado (Almeirim) e o calcário de Itaituba (tab. 2). A produção 29 de ouro, originário da província do Tapajós, extraído por processos de garimpagem não 30 possuem reservas definidas e encontram-se declinantes, face ao exaurimento das reservas 31 superficiais. O ouro mensurado nessa região pertence à bacia do Rio Xingu (Volta Grande do 32 Xingu e Iriri). 33

    34 35

    36 37

    38 39

    1 Geólogo-consultor mineral e ambiental; e-mail: roger[email protected][email protected]

    Tabela 2 - Reservas minerais da banda Oeste

    Bem mineral Volume (mil t) Bauxita 650.000 Calcário 1.312.826 Estanho (mil m3) 21.473 Gipsita 580.479 Ouro ( t) 50

    Fonte: DNPM/1997

    Tabela 1-Reservas minerais da banda Leste do Pará Bem mineral Volume (mil t)

    Ferro 17.354.527 Bauxita 1.747.675 Calcário 1.105.122 Cobre 1.348.298 Caulim 820.000 Manganês 80.807 Níquel 80.725 Tungstênio 1.907 Quartzito 85.797 Granito (mil m3) 30.737 Estanho (mil m3) 20.500 Tungstênio 1.907 Ouro (t) 300 Zinco 8.471

    Fonte: DNPM/97

  • Em termos de valor dos bens produzidos a banda Leste, com US$ 1.738,3 milhões, responde por 87,1% (tab. 3 e fig. 1), destacando-se: ferro, ouro, caulim e manganês, além de seus produtos de transformação (alumínio, alumina e vergalhão, cabo e ligas de alumínio, todos derivados da bauxita de Trombetas). A banda Oeste, responsável por 12,9% (US$ 257,5 milhões), tem seu principal apoio na bauxita de Trombetas (tab. 4 e fig. 1)

    Banda Leste - 87,1%

    ferro, ouro e manganêsalumina, alumínio e derivadosferro-gusa e silício metálico(bauxita e ouro)

    Cotejando as exportações minerais, responsáveis por 80,2% ou US$ 1.714 milhões do total paraense, verifica-se que, novamente, a banda Leste tem a primazia (72,5%) e a banda Oeste responde por somente 7,7% (tab. 5)

    A geografia mineral do Pará caracteriza também a banda Leste como a rota mais propícia para a verticalização mineral, mesmo que utilizando a matéria-prima da banda Oeste. O incremento da verticalização está escudado em um recente acordo fechado entre a Vale com o grupo norueguês Norsk Hydro, que entrou como sócio na Alunorte, capitalizando-a em US$ 200 milhões. O grupo também se comprometeu em participar com US$ 150 milhões de um investimento total de US$ 300 milhões para a expansão da produção de alumina no Pará de 1,5 milhão para 2,3 milhões de toneladas/ano. O aumento implica em acréscimo na produção da bauxita da Mineração Rio do Norte (Trombetas), em 1,6 milhão de toneladas/ano (investimentos de US$ 140 milhões). A esse total serão somados US$ 70 milhões da Albras, totalizando US$ 510 milhões de recursos nos próximos anos. A Vale assinou ainda outro contrato com a Hydro Aluminium para fornecimento entre 2000-2009, de 963 mil toneladas de alumínio da Albras, a um valor de US$ 1,55 bilhão.

    Mesmo considerando a banda pobre do Pará, ao se configurar a criação do novo Estado, seus habitantes, compostos por pessoas trabalhadoras e honradas ficarão orgulhosos e com certeza prontos a enfrentar mais este desafio.

  • Tabela 5 - Exportações Minerais Paraenses/99 (US$ mil - FOB)

    Banda Leste

    Empresa Bem mineral Valor %

    Alumínio Brasileiro S.A. – Albras alumínio 527.051 24,7

    Alumina do Norte S.A.- Alunorte alumina 130.261 6,1

    Camargo Corrêa Metais – CCM silício metálico 11.059 0,5

    Companhia Siderúrgica do Pará – Cosipar ferro gusa 14.872 0,7

    Companhia Vale do Rio Doce – CVRD ferro 685.391 32,1

    Companhia Vale do Rio Doce – CVRD manganês 23.726 1,1

    Companhia Vale do Rio Doce – CVRD ouro 85.126 4,0

    Pará Pigmentos S.A. – PPSA caulim 24.144 1,1

    Rio Capim Caulim S.A. – RCC caulim 34.291 1,6

    Siderúrgica Marabá – Simara ferro gusa 5.084 0,2

    Soinco da Amazônia S. A. – Soinco vergalhões e cabos de alumínio 8.378 0,4

    Soma 1.549.383 72,5

    Banda Oeste

    Empresa Bem mineral Valor %