Número 115 Out/Nov/Dez 2012

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  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2012 - Ano XXII - 115 - ISSN: 2179-9482

    V&Z EM MINASANIMAIS SILVESTRESMERCADO, LEGISLAO, DADOS E TENDNCIAS

  • NDICE

    Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2012 - Ano XXII - 115 | 03

    04 ||||| Normas para publicao / Expediente

    05 ||||| Editorial

    06 ||||| Capa | Animais silvestres - mercado, legislao, dados e tendncias

    09 ||||| Balano Financeiro

    10 ||||| Artigo Tcnico 1Avaliao histolgica do tegumen- to de fetos bovinos anelorados du-rante o perodo intrauterino como ferramenta morfolgica para diag-nstico da idade fetal

    16 ||||| Artigo Tcnico 2Qualidade na produo de silagens

    32 ||||| Artigo Tcnico 3Nutracuticos na reproduo de ga-ranhes

    36 ||||| Artigo Tcnico 4Aflatoxinas em Alimentos para Ces: Reviso

    43 ||||| Artigo Tcnico 5A polpa ctrica e a casca de soja na formulao de dietas para va-cas de leite

    51 ||||| Artigo Tcnico 6Hemorragia e choque hemorrgi-co em ces e gatos: atualizao no protocolo de tratamento

    58 ||||| Movimentao de pessoas fsicas

    Imagem: Sagui-de-Tufo-Branco (Callithrix jacchus)

  • NORMAS PARA PUBLICAO

    Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2012 - Ano XXII - 11504 |

    Os artigos de reviso, educao continuada, congressos, seminrios e pa- lestras devem ser estruturados para conter Resumo, Abstract, Unitermos, Key Words, Referncias Bibliogrficas. A diviso e subttulos do texto principal fi-caro a cargo do(s) autor(es).

    Os Artigos Cientficos devero conter dados conclusivos de uma pesquisa e conter Resumo, Abstract, Unitermos, Key Words, Introduo, Material e Mtodos, Resultados, Discusso, Concluso(es), Referncias Bibliogrficas, Agradecimento(s) (quando houver) e Tabela(s) e Figura(s) (quando houver). Os itens Resultados e Discusso podero ser apresentados como uma nica seo. A(s) concluso(es) pode(m) estar inserida(s) na discusso. Quando a pesquisa envolver a utilizao de animais, os princpios ticos de experimentao animal preconizados pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentao Animal (CONCEA), nos termos da Lei n 11.794, de oito de outubro de 2008 e aqueles contidos no Decreto n 6.899, de 15 de julho de 2009, que a regulamenta, de-vem ser observados.

    Os artigos devero ser encaminhados ao Editor Responsvel por correio eletrnico ([email protected]). A primeira pgina conter o ttulo do tra-balho, o nome completo do(s) autor(es), suas respectivas afiliaes e o nome e endereo, telefone, fax e endereo eletrnico do autor para correspondncia. As diferentes instituies dos autores sero indicadas por nmero sobrescrito. Uma vez aceita a publicao ela passar a pertencer ao CRMV-MG.

    O texto ser digitado com o uso do editor de texto Microsoft Word for Windows, verso 6.0 ou superior, em formato A4(21,0 x 29,7 cm), com espao entre linhas de 1,5, com margens laterais de 3,0 cm e margens superior e in-ferior de 2,5 cm, fonte Times New Roman de 16 cpi para o ttulo, 12 cpi para o texto e 9 cpi para rodap e informaes de tabelas e figuras. As pginas e as linhas de cada pgina devem ser numeradas. O ttulo do artigo, com 25 palavras no mximo, dever ser escrito em negrito e centralizado na pgina. No utilizar abreviaturas. O Resumo e a sua traduo para o ingls, o Abstract, no podem ultrapassar 250 palavras, com informaes que permitam uma ade-quada caracterizao do artigo como um todo. No caso de artigos cientficos, o Resumo deve informar o objetivo, a metodologia aplicada, os resultados prin-cipais e concluses. No h nmero limite de pginas para a apresentao do

    artigo, entretanto, recomenda-se no ultrapassar 15 pginas. Naqueles casos em que o tamanho do arquivo exceder o limite de 10mb, os mesmos podero ser enviados eletronicamente compactados usando o programa WinZip (qualquer verso). As citaes bibliogrficas do texto devero ser feitas de acordo com a ABNT-NBR-10520 de 2002 (adaptao CRMV-MG), conforme exemplos:

    EUCLIDES FILHO, K., EUCLIDES, V.P.B., FIGUEREIDO, G.R.,OLIVEIRA, M.P. Avaliao de animais nelore e seus mestioscom charols, fleckvieh e chianina, em trs dietas l.Ganho de peso e converso alimentar. Rev. Bras. Zoot.,v.26, n. l, p.66-72, 1997.

    MACARI, M., FURLAN, R.L., GONZALES, E. Fisiologia aviria aplicada a frangos de corte. Jaboticabal: FUNEP,1994. 296p.

    WEEKES, T.E.C. Insulin and growth. In: BUTTERY, P.J., LINDSAY,D.B., HAY-NES, N.B. (ed.). Control and manipulation of animal growth. Londres: Butter-worths, 1986, p.187-206.

    MARTINEZ, F. Ao de desinfetantes sobre Salmonella na presena de ma-tria orgnica. Jaboticabal,1998. 53p. Dissertao (Mestrado) - Faculdade de Cincias Agrrias e Veterinrias. Universidade Estadual Paulista.

    RAHAL, S.S., SAAD, W.H., TEIXEIRA, E.M.S. Uso de fluorescenana identi-ficao dos vasos linfticos superficiaisdas glndulas mamrias em cadelas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE MEDICINA VETERINRIA, 23, Recife, 1994. Anais... Recife: SPEMVE, 1994, p.19.

    JOHNSON T., Indigenous people are now more combative, organized. Mi-ami Herald, 1994. Disponvel em http://www.submit.fiu.ed/MiamiHerld-Sum-mit-Related.Articles/. Acesso em: 27 abr. 2000.

    Os artigos sofrero as seguintes revises antes da publicao: 1) Reviso tcnica por consultor ad hoc; 2) Reviso de lngua portuguesa e inglesa por revisores profissionais; 3) Reviso de Normas Tcnicas por revisor profissional; 4) Reviso final pela Comit Editorial; 5) Reviso final pelo(s) autor(es) do texto antes da publicao.

    EXPEDIENTEConselho Regional de Medicina Veterinria do Estado de Minas GeraisSede: Rua Platina, 189 - Prado - Belo Horizonte - MGCEP: 30411-131 - PABX: (31) 3311.4100E-mail: [email protected] Nivaldo da Silva - CRMV-MG N 0747Vice-Presidente Dra. Therezinha Bernardes Porto - CRMV-MG N 2902Secretria-GeralProfa. Adriane da Costa Val Bicalho - CRMV-MG N 4331TesoureiroDr. Joo Ricardo Albanez - CRMV-MG N 0376/ZConselheiros EfetivosDr. Adauto Ferreira Barcelos - CRMV-MG N 0127/ZDr. Affonso Lopes de Aguiar Jr. - CRMV-MG N 2652 Dr. Demtrio Junqueira Figueiredo - CRMV-MG N 8467Dr. Fbio Konovaloff Lacerda - CRMV-MG N 5572 Prof. Joo Carlos Pereira da Silva - CRMV-MG N 1239Dr. Manfredo Werkhauser - CRMV-MG N 0864 Conselheiros SuplentesProfa. Antnia de Maria Filha Ribeiro - CRMV-MG N 0097/ZProf. Flvio Salim - CRMV-MG N 4031Dr. Jos Carlos Pontello - CRMV-MG N 1558 Dr. Juliana Toledo - CRMV-MG N 5934Dr. Paulo Csar Dias Maciel - CRMV-MG N 4295Prof. Renato Linhares Sampaio - CRMV-MG N 7676 Gerente AdministrativoJoaquim Paranhos Amncio

    Delegacia de Juiz de ForaDelegado: Marion Ferreira GomesAv. Baro do Rio Branco, 3500 - Alto dos PassosCEP: 36.025-020 - Tel.: (32) 3231.3076E-mail: [email protected] Delegacia Regional de Tefilo OtoniDelegado: Leonidas Ottoni Porto Rua Epaminondas Otoni, 35, sala 304Tefilo Otoni (MG) - CEP: 39.800-000Telefax: (33) 3522.3922E-mail: [email protected] Regional de UberlndiaDelegado: Paulo Csar Dias MacielRua Santos Dumont, 562, sala 10 - Uberlndia - MG CEP: 38.400-025 - Telefax: (34) 3210.5081E-mail: [email protected] Regional de VarginhaDelegado: Mardem DonizettiR. Delfim Moreira, 246, sala 201 / 202Centro - CEP: 37.026-340Tel.: (35) 3221.5673E-mail: [email protected] Regional de Montes ClarosDelegada: Silene Maria Prates BarretoAv. Ovdio de Abreu, 171 - Centro - Montes Claros - MGCEP: 39.400-068 - Telefax: (38) 3221.9817E-mail: [email protected] nosso site: www.crmvmg.org.brRevista V&Z em Minas

    Editor ResponsvelNivaldo da SilvaConselho Editorial CientficoAdauto Ferreira Barcelos (PhD)Antnio Marques de Pinho Jnior (PhD)Christian Hirsch (PhD)Jlio Csar Cambraia Veado (PhD)Liana Lara Lima (MS)Nelson Rodrigo S. Martins (PhD)Nivaldo da Silva (PhD)Marcelo Resende de Souza (PhD)Jornalista ResponsvelIsis Olivia Gomes - 12568/MGEstagirioFernando OsrioFotosArquivo CRMV-MG e Banco de ImagensDiagramao, Editorao e Projeto GrficoGria Design e [email protected]: 10.000 exemplares Os artigos assinados so de responsabilidade de seus autores e no representam necessariamente a opinio do CRMV-MG e do jornalista responsvel por este veculo. Re-produo permitida mediante citao da fonte e posterior envio do material ao CRMV-MG.

    ISSN: 2179-9482

  • EDITORIAL

    Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2012 - Ano XXII - 115 | 05

    Caros colegas mdicos veterinrios e zootecnistas de Mi-nas Gerais,

    Este ano foi marcado por muitas mudanas neste pas. So-brevivemos s crises internacionais e, mesmo com dificuldades, houve crescimento e desenvolvimento em diversos setores e nas regies brasileiras. A maioria da populao est feliz e con- tente. Politicamente elegemos novos prefeitos, outros bem ava-liados por suas gestes permaneceram em seus cargos. Nas Cmaras Municipais houve grande renovao em seus quadros, mostrando que a populao est tornando-se mais consciente em suas escolhas. Mas um fato provavelmente ficar marcado na memria de todos, acentuando as mudanas: o julgamento do chamado Escndalo do Mensalo, exposto ao vivo e a cores, para todo o pas, pela televiso. Ali, foi mostrado que a impunidade no pode ser uma constante e que a ao da justia deve ser para todos, sem exceo. No que as pessoas fiquem satisfeitas com a desgraa alheia, mas sim que a moralidade deve prevalecer.

    O balano das aes do CRMV-MG foi extremamente posi-tivo. Houve um aumento significativo de novos profissionais inscritos e de empresas fiscalizadas, o que resultou, tambm, no aumento do nmero de responsabilidades tcnicas assina-das por mdicos veterinrios e por zootecnistas. Nossas aes de marketing mostraram sociedade o valor e a importncia das duas profisses, fruto do trabalho pela Valorizao e Res-peito Profissional, duas das principais bandeiras desta gesto. Os investimentos em Educao Continuada possibilitaram que milhares de colegas pudessem participar dos inmeros eventos patrocinados pelo CRMV-MG, alm de receberem os novos Cadernos Tcnicos, a Revista V&Z em Minas, Manuais Tcnicos, Boletins Informativos e online, alm da modernizao de nosso portal eletrnico (www.crmvmg.org.br).

    Infelizmente, nos ltimos anos, aumentaram os nmeros de processos ticos abertos contra os colegas, resultantes de denncias registradas no Conselho por parte de terceiros. Muitos foram punidos aps terem o seu direito assegurado de defesa. Identificamos as principais situaes que motivaram as denncias contra os colegas e, buscando orientar os profis-sionais, criamos a campanha Cuidar da Profisso. Estamos colhendo os resultados. A maioria dos colegas passou a se preo- cupar com suas aes e, a partir do segundo semestre, diminuiu o nmero de denncias encaminhadas ao CRMV-MG.

    Aes em defesa da Medicina Veterinria e da Zootecnia foram realizadas por este Conselho Regional em 2012. A maio-ria delas foi vitoriosa, tanto do ponto de vista poltico como do jurdico, onde prevaleceram as teses defendidas pelo CRMV-MG em prol das duas profisses.

    Inauguramos as novas instalaes da Delegacia Regional de Varginha, anseio expressado pela maioria dos colegas do sul de Minas. As instalaes da antiga delegacia necessitavam de reformas cujo valor seriam maiores que o valor de mercado do imvel.

    Em Juiz de Fora j iniciamos as obras de reforma das salas onde funcionar a Delegacia Regional e esperamos inaugurar a nova sede administrativa, em maro de 2013. Na oportunidade, agradecemos ao Dr. Murilo Pacheco pelo trabalho realizado frente daquela delegacia, desde 2006, e saudamos o Dr. Marion Ferreira Gomes, novo delegado regional.

    Fato tambm marcante foi a eleio da nova diretoria do CRMV-MG para a gesto 2012-2015. Um grupo renovado em quase 70% de seus diretores e Corpo de Conselheiros assumiu a direo do Conselho, compromissado em fazer uma gesto harmnica, cumprindo todas as promessas de campanha e onde os interesses das duas profisses esto acima dos interesses pessoais, afinal o Conselho de todos.

    Em nome da Diretoria, conselheiros e dos funcionrios do CRMV-MG desejamos a todos os mdicos veterinrios e zoo-tecnistas e s suas famlias um Feliz Natal e um 2013 pleno de realizaes.

    Atenciosamente,Prof. Nivaldo da SilvaCRMV-MG n 0747 Presidente

  • MATRIA DE CAPA

    Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2012 - Ano XXII - 11506 |

    ANIMAIS SILVESTRES MERCADO, LEGISLAO, DADOS E TENDNCIAS.COM UM MERCADO EM AQUECIMENTO OS MDICOS VETERINRIOS E ZOOTECNISTAS NECESSITAM, A CADA DIA, DE MAIS ESPECIALIZAO E CONHECIMENTO PARA CUIDAR DESSAS ESPCIES, MUITAS DELAS AMEAADAS DE EXTINO.

    O Brasil um dos pases do mundo que mais exporta animais silvestres ilegalmente. O mercado movimenta mais de 1 bilho de dlares e comercializa cerca de 12 milhes de animais por ano. Mundialmente os nmeros crescem: so movimenta-dos em torno de 15 bilhes de euros anuais (legal e ilegalmen-te), sendo 10% de animais provenientes do Brasil. A principal rota de transporte dos animais est no sentido Nordeste para o Sudeste e a maioria capturada nas regies Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os dados do IBAMA certificam essas informaes: aproximadamente, 30 mil ani-mais so apreendidos por ano. De acordo com dados oficiais, o Brasil tem 365 esp-cies da Flora e Fauna Selvagens em perigo de extino, em m-dia. Destas, cinco j esto extintas e a tendncia o aumento desses nmeros, caso a situao no se modifique. Esta realidade fundamental para entendermos a importncia dos mdicos veterinrios e zootecnistas neste cenrio. Atuando em rgos pblicos, privados e no terceiro setor, estes profissionais tm muitos desafios pela frente: espe-cializao, conhecimento legal, conscientizao da sociedade, fiscalizao, entre outros.

    O ENSINO E O MERCADO DE TRABALHO As instituies de ensino esto se adequando aos nmeros relativos aos animais silvestres. Existe um crescimen-to na oferta de novas disciplinas como manejo, produo, nutrio, clnica e etologia e um aumento na contratao de professores especialistas nestas reas em seu quadro per-manente. Existem tambm as instituies especializadas em programas de ps- graduao latu sensu que ofertam diversos cursos de especializao na rea e a quantidade de congressos e simpsios sobre o tema crescente a cada ano. Para o profes-sor da PUC Poos de Caldas, Dr. Leonardo Bscoli, o aumento do interesse das instituies tem explicao. Acredito que a presso dos prprios alunos buscando conhecimento sobre es-tes animais tenha contribudo para esta demanda atual. cada vez mais comum a formao de grupos de estudos para animais silvestres, buscando informaes de convidados especialistas ou discusses de temas ou artigos da rea, devido pequena

    parte da grade curricular estar destinada a estas espcies, afirma. Outra explicao para o aumento do interesse, tanto dos alunos quanto das instituies, o aquecimento do mercado. O mercado de animais silvestres est bastante aquecido no Brasil. um mercado que acompanha o de animais de compa-nhia, com a vantagem de ainda ser alternativa para pequenos produtores. cada vez maior o nmero de proprietrios, hobis-tas e criadores, completa Dr. Bscoli. Esta afirmao compartilhada pelo mdico veteri-nrio, Prof. Marcos Vincius Souza. Mestre em cincia animal, consultor e coordenador de uma empresa de especialidades veterinrias - voltada ao atendimento especializado a animais de companhia, selvagens e pets exticos para ele muito importante que o profissional acompanhe atentamente a legis-lao vigente no pas. As consultorias na rea de animais selvagens esto voltadas a zoolgicos pblicos e privados, criatrios e/ou criadouros (cientfico para fins de pesquisa, cientfico para fins de conservao, mantenedor e comercial), centros de triagem, centros de reabilitao, estabelecimen-tos comerciais de fauna selvagem, abatedouro e frigorfico de fauna selvagem e parques temticos, disse. E completa: A resoluo de Instruo Normativa n 169, de 20 de Fevereiro de 2008 do IBAMA, regulamenta toda a atividade ligada s reas de atuao do mdico veterinrio e outros profissionais. Ento, alm de se especializar na rea de animais selvagens para a atuao na Clnica Mdica e Cirrgica, o profissional que se interessar por esta rea tem que acompanhar de forma rotin-eira toda a legislao ambiental. O consultor em animais sil-vestres, aves exticas e ornamentais, Pablo Poblete, tambm chama a ateno para a atuao do mdico veterinrio. Em relao aos animais silvestres, o mdico veterinrio pode atuar tanto em servio pblico quanto em privado. No que diz res-peito parte de meio ambiente, ns temos o resgate de fauna, que est relacionado ao processo de supresso vegetal, e pro-cesso de monitoramento da fauna, disse. Poblete acrescenta: preciso ressaltar que, cada vez mais, o mdico veterinrio est inserido nesse mercado e o nico profissional capacitado para lidar com eutansia. O mdico veterinrio pode trabalhar, tambm, em clnicas de animais silvestres e no-convencionais

  • ou em criatrios comerciais e mantenedores de sauna silves-tre. No servio pblico, o mdico veterinrio tem como opo no mercado de trabalho os zoolgicos. Ainda sobre o mercado de trabalho, o mdico veterinrio, mestre em cincia animal e diretor de patrimnio da Associao Brasileira de Veterinrios de Animais Selvagens (ABRAVAS), Marcus Vincius Romero Marques esclarece: Os profissionais tambm podem atuar como Responsveis Tcnicos e mdicos veterinrios de em-preendimentos de fauna (centros de triagem e de reabilitao, mantenedor de fauna silvestre, criadouro cientfico de fauna silvestre para fins de pesquisa e/ou conservao, criadouro co- mercial de fauna silvestre, estabelecimento comercial de fauna silvestre e abatedouro e frigorfico de fauna silvestre), em pes-quisas na rea, na educao ambiental ou no resgate de fauna em empreendimentos licenciados, como abertura e/ou amplia-o de estradas, construo de barragens, etc.

    LEGISLAO A primeira lei criada para proteger os animais silves-tres foi a Lei 5.197, de 3 de janeiro de 1967. Ela veio regula-mentar a posse, a caa, os criadouros e o comrcio de animais silvestres, quando autorizados pelo rgo competente. Apesar da Constituio da Repblica de 1988 dispor que a competncia para proteger a fauna comum, ou seja, deve estar dividida entre os trs entes da Federao, Unio, Estado e municpios, atualmente o assunto est afeto apenas ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renovveis IBAMA. Os animais da fauna silvestre brasileira so proprie-dade da Unio, considerados bem de uso comum do povo de interesse difuso. Isto significa que eles esto sob o domnio eminente da Nao e seu uso est sujeito a regras administra-tivas impostas pelo estado. Tambm so considerados fauna, e propriedade do estado, os seus ninhos, abrigos e criadouros naturais. A fauna est sob o domnio eminente da Unio e a ela compete cuidar e proteg-la. Exceto no Rio Grande do Sul, est proibida a caa esportiva em todo territrio nacional. A caa comercial est proibida em quaisquer circunstncias. A caa cientfica est su-jeita a regras. Os criadouros da fauna brasileira dependem de autorizao do IBAMA, que s a fornece para fins comerciais, conservacionistas e cientficos, mediante o cumprimento de al-gumas normas. A criao amadora est proibida; o transporte de animais depende de Guia de Trnsito. As denncias sobre caa ilegal, criadouros clandestinos e demais irregularidades devem ser dirigidas ao IBAMA e Polcia Florestal, para ins-taurao de processo administrativo. A penalidade aplicvel, no mbito administrativo, a multa, alm das obrigaes de fazer ou deixar de fazer, advertncia, apreenso dos animais,

    produtos e subprodutos da fauna, instrumentos e apetrechos, equipamentos ou veculos de qualquer natureza utilizados na infrao, destruio ou inutilizao do produto. De acordo com a Dra. Edna Cardozo, professora de Direito Ambiental, avanos esto acontecendo. O maior avano dos ltimos anos chegou com a Constituio da Repblica de 1988. A Constituio Fede-ral, com o objetivo de efetivar o exerccio ao meio ambiente sadio, estabeleceu uma gama de incumbncias para o Poder Pblico, arroladas nos incisos I/VII do art. 225. Os animais, in-dependentemente de serem ou no da fauna brasileira, contam agora com garantia constitucional, que d maior fora legis-lao vigente, pois todas as situaes jurdicas devem se con-formar aos princpios constitucionais, esclarece. Outro marco importante veio com a Lei de Crimes Ambientais - Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Esta lei criou diversos crimes contra a fauna que vo desde a deteno, captura, comrcio, transporte, posse sem autorizao at a prtica que submetam os animais a abuso ou maus tratos, conta.

    A SOCIEDADE, PODER PBLICO E O TERCEIRO SETOR Por cultura ou desconhecimento das leis, grande par-te a populao ainda cria animais silvestres ilegalmente. Alm do estmulo ao trfico de animais, outros perigos so inerentes. Para a coordenadora de Fauna Silvestre do IBAMA, Maria Izabel Soares Gomes da Silva, existe a necessidade da observao de critrios como os riscos sade humana, animal e s popula-es naturais. Ainda necessrio levar em conta as condies de adaptabilidade da espcie ao cativeiro como animal de esti-mao e questes como docilidade, manejo e nutrio, afirma. Para o secretrio de Meio Ambiente do Estado de Minas Gerais, Adriano Magalhes, a sociedade tem papel fun-damental na luta contra o trfico. A populao deve denunciar qualquer crime contra o meio ambiente, assim, estar preser-vando indiretamente a fauna local. Mas, o mais importante no adquirir animais silvestres ilegais, esclarece. Mas a Polcia Ambiental est fazendo seu papel. O estado de Minas Gerais foi o que mais contribuiu para o grande volume de espcimes capturados no Brasil. Minas Gerais o campeo na destinao de multas relativas fauna: 50% das aplicadas no pas (tambm entre 2005 e 2010) foram no estado de Minas Gerais. Alm disso, notou-se que a soltura foi a destinao mais comum para os mamferos, aves e rpteis apreendidos, bem como os Centros de Triagem de Animais Silvestres demons- traram-se estruturas essenciais para apoio s aes de fiscali-zao ambiental relacionadas fauna silvestre no Brasil. O caminho para aumentar o sucesso nas polticas ambientais continua sendo trilhado. De acordo com Adriano Magalhes, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e De-

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    senvolvimento Sustentvel (Semad) est se estruturando para assumir a gesto da fauna em Minas Gerais. Um cronograma j foi proposto ao IBAMA para a Secretaria assumir, de forma integral, as atividades relacionadas fauna. Isso possibilitar um maior alinhamento das aes de fiscalizao e de proteo das espcies, afirma. O terceiro setor aparece em nmeros considerveis quando o assunto so os animais silvestres. As Organizaes No Governamentais (ONGs) tem um papel importantssimo neste contexto. Muitos animais so destinados s ONGs que, geralmente, vivem de doaes e l so tratados por mdicos veterinrios. Este o caso de Marcos de Mouro, da ONG Asas e Amigos. Vrios animais so encaminhados para a propriedade que ele mantm na regio metropolitana de Belo Horizonte, a maioria vtima de maus tratos. Os mais comuns so as mutila-es: cegueiras provocadas para parecer que o animal manso, bicos quebrados, membros cortados - principalmente as asas para evitar o voo - dentes arrancados. Alm das neuroses por maus tratos e distrbios de comportamento ou asas cortadas por cerol, conta. Atualmente, a ONG atende a 400 animais, em mdia, de espcies variadas. Na opinio de Marcos Mouro, os desafios so muitos, mas a esperana tambm, principalmente no crescente interesse por parte dos profissionais. Ainda bem que est crescendo o interesse de profissionais pela rea, o que no existia h 20 anos, reflete.

    OS PLANOS DE AO NACIONAIS PARA CONSERVAO DAS ESPCIES AMEAADAS DE EXTINO OU DO PA-TRIMNIO ESPELEOLGICO (PAN) No ano de 2012, mdicos veterinrios, especialistas no manejo de determinadas espcies, foram convidados para participar e compor o Grupo Assessor de Planos de Ao para Conservao das espcies ameaadas de extino, como, por exemplo, do Mutum-do-Sudeste (Crax blumenbachii), do Mu-tum-de-Alagoas (Pauxi mitu), dos Muriquis (Brachyteles hypo-xanthus e Brachyteles arachnoides) dentre outros. Os Planos de Ao Nacionais para a Conservao das Espcies Ameaadas de Extino buscam identificar, a partir das ameaas que pe em risco as espcies, quais instrumen-tos de gesto devem ser orientados ou otimizados, visando um efeito benfico direto. Suas aes abrangem de forma objetiva a interferncia em polticas pblicas, o desenvolvimento de co-nhecimentos especficos, a sensibilizao de comunidades e o controle da ao humana para combater as ameaas que pe as espcies ameaadas em risco de extino. A responsabilidade pela execuo das aes tanto do Instituto Chico Mendes quanto dos demais atores envolvi-dos, conforme o mbito de atuao de cada um. Entretanto cabe aos Centros Nacionais de Pesquisa e Conservao do ICMBio

    coordenar todo o processo de elaborao e implementao dos PAN, sob a superviso da Coordenao-geral de Manejo para a

    CONSERVAO O sucesso das aes estratgicas para a conservao das espcies, por meio dos planos de ao e das recomenda-es de medidas para a proteo de espcies e grupos, avali-ado ao longo do tempo pela atualizao do diagnstico das es-pcies brasileiras.

    MATRIA DE CAPA

    ASSOCIAO BRASILEIRA DE VETERINRIOS DE ANIMAIS SELVAGENS (ABRAVAS)

    A Associao Brasileira de Veterinrios de Animais Selva-gens (ABRAVAS) foi criada em 23 de agosto de 1991, sendo oficialmente estabelecida em dois de setembro de 1995. uma associao civil sem fins lucrativos, com a misso congregar mdicos veterinrios e estudantes de Medicina Veterinria interessados em animais selvagens, de modo a promover a integrao entre os scios, o aprimoramento profissional, o bem-estar animal e a conservao da biodi-versidade.A ABRAVAS realiza anualmente seu congresso para apri-moramento profissional e divulgao de conhecimento na rea de medicina de animais selvagens, com participao de renomados profissionais. Os temas recentemente abor-dados nos Congressos foram: Zoonoses em Animais Sel-vagens, Bem estar em Animais Selvagens e Mtodos de Diagnstico na Medicina de Animais Selvagens.A ABRAVAS possui um quadro de associados com 1134 ca-dastros, sendo 572 estudantes e 562 profissionais.

    ASSOCIAO MINEIRA DE MDICOS VETERI-NRIOS, BILOGOS E ZOOTECNISTAS DA VIDA SELVAGEM (AMVS)

    Fundada no dia 27 de outubro de 2012, a Associao Mi-neira de Mdicos Veterinrios, Bilogos e Zootecnistas da Vida Selvagem, a AMVS (Associao Mineira da Vida Sel-vagem), foi criada por uma necessidade de um grupo de profissionais que atuam na rea de animais selvagens. De acordo com um dos fundadores da Associao, Prof. Mar-cos Vincius de Souza, a unio das trs profisses bilo-gos, veterinrios e zootecnistas a nica forma de atuar com as particularidades dentro de cada rea. A Medicina Veterinria a Biologia e a Zootecnia so as profisses liga-das de forma direta ao manejo, a clnica mdica e cirrgica de animais selvagens. O ponto principal desta unio a transdisciplinaridade destas profisses, visto que, todas as

  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2012 - Ano XXII - 115 | 09

    BALANO FINANCEIRO

    RECEITA DESPESA

    Receita OramentriaReceitas Correntes

    Receitas de ContribuiesReceita PatrimonialReceita de Servios

    Transferncias CorrentesOutras Receitas Correntes

    Receitas de CapitalOperaes de Crdito

    AlienaoAmortizao de Emprstimos

    Transferncias de CapitalOutras Receitas de Capital

    Receita Extra-OramentriaDevedores da Entidade

    Entidades Pblicas DevedorasDepsito em Consignao

    Despesas JudiciaisDespesas a Regularizar

    Depsito em CauoRestos a Pagar

    Depsitos de Diversas OrigensConsignaes

    Credores da EntidadeEntidades Pblicas Credoras

    Transferncias FinanceirasConverso para o Real

    Saldo do Exerccio AnteriorCaixa Geral

    Bancos com MovimentoBancos com Arrecadao

    Responsvel por SuprimentoBancos C/Vin. A Aplic. Financeira

    5.378.521,715.378.521,714.174.930,32306.851,02231.642,500,00665.097,870,000,000,000,000,000,002.412.907,0515.445,23230,370,000,000,000,000,0041.830,98175.267,1380.732,752.099.360,5940,000,00

    2.881.621,270,0014.804,6133.850,580,002.832.966,08

    Despesa OramentriaDespesas Correntes

    Despesas de CusteioTransferncias Correntes

    Despesas de CapitalInvestimentos

    Inverses Financeiras

    Despesa Extra-OramentriaDevedores da Entidade

    Entidades Pblicas DevedorasDepsito em Consignao

    Despesas JudiciaisDespesas a Regularizar

    Depsito em CauoRestos a Pagar

    Depsitos de Diversas OrigensConsignaes

    Credores da EntidadeEntidades Pblicas Credoras

    Transferncias FinanceirasConverso para o Real

    Saldos para o Exerccio SeguinteCaixa Geral

    Bancos com MovimentoBancos com Arrecadao

    Responsvel por SuprimentoBancos C/Vin. A Aplic. Financeira

    3.264.160,623.186.043,593.186.043,590,0078.117,0375.344,042.772,99

    2.406.122,4013.818,76457,330,000,000,000,00 110.992,7246.749,61155.315,4574.684,712.004.103,780,000,00

    5.002.767,010,000,0014.667,012.500,004.985.600,00

    Total 10.673.050,03 Total 10.673.050,03

    Conselho Regional de Medicina Veterinria do Estado de Minas Gerais - CRMV/MGBalano Financeiro - Perodo: Janeiro a setembro de 2012

    Nivaldo da SilvaPresidente

    CRMV-MG n 0747

    Joo Ricardo Albanez Tesoureiro

    CRMV-MG n 0376

    Walter Fernandes da SilvaContador

    CRC-MG n 21.567

    Fontes: Todos os entrevistados cederam, gentilmente, informaes para a produo desta matria. Artigo de Consulta:Esforos para o combate ao trfico de animais silvestres no Brasil

    (Publicao traduzida do original Efforts to Combat Wild Animals Trafficking in Brazil. Biodiversity, Book 1, chapter XX, 2012 - ISBN 980-953-307-201-7) Guilherme Fernando Gomes Destro* Tatiana Lucena Pimentel* Raquel Monti Sabaini* Roberto Cabral Borges* Raquel Barreto* * Coordenao de Operaes de Fiscalizao, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovveis IBAMA.

    pesquisas, aes de manejo e polticas pblicas ambien-tais esto diretamente envolvidas com estes profissionais, disse.

  • AVALIAO HISTOLGICA DO TEGU-MENTO DE FETOS BOVINOS ANELORA-DOS DURANTE O PERODO INTRAUTERI-NO COMO FERRAMENTA MORFOLGICA PARA DIAGNSTICO DA IDADE FETAL

    RESUMOEste estudo objetivou avaliar o desenvolvimento do tegumento de fetos bovinos anelorados e validar esta metodologia como ferramenta para a determinao da idade intrauterina. Foram coletadas amostras de tegumento da face lateral do membro pos-terior esquerdo de 24 fetos, em frigorfico. Estimou-se a idade fetal pelo comprimento nuca-cauda usando a frmula DG= 8,4+0, 087c+5,46c (DG= dias de gestao, c= comprimento nuca-cauda). Os fetos foram distribudos em trs fases gestacionais. Os frag-mentos foram includos em parafina, corados pela Hematoxilina-Eosina e avaliados em microscopia de luz. No primeiro trimestre gestacional a epiderme apresentou clulas basais ovides e superficiais achatadas, e a derme, um conjuntivo frouxo com fibras colgenas finas, vasos e nervos. No foram observados anexos cutneos. Nas epidermes do segundo e terceiro trimestres foram observadas quatro camadas distintas: a basal com nica fileira de clulas, a espinhosa com clulas globosas, a granulosa com clulas achatadas e a crnea. O tecido conjuntivo frouxo da derme no segundo trimestre apresentou nervos e bastante vasculari-zado. No terceiro trimestre foram observados folculos pilosos, glndulas sebceas, sudorparas apcrinas e mercrinas e feixes do msculo eretor do pelo. A ausncia de anexos cutneos indica o primeiro trimestre gestacional. O incio da formao de pelos e glndulas caracteriza a pele de fetos entre trs e seis meses de idade gestacional. Havendo maior diferenciao das estruturas epidrmicas e o msculo eretor do pelo, o feto se encontra prximo ao nascimento. A observao microscpica do tegumento fetal pode ser empregada como ferramenta morfolgica na determinao da idade intrauterina de bovinos anelorados.Palavras-chave: pele, bovinos anelorados, microscopia, idade fetal.

    EVALUATION OF THE FETAL HISTOLOGICAL TEGUMENT DURING THE INTRAUTERINE AS A TOOL FOR MORPHO-LOGICAL DIAGNOSIS OF FETAL AGE FROM ZEBU CATTLE

    AUTORESTbata Torres Megda1* | Fernando Arvalo Batista2 | Suely de Ftima Costa3 | Pmela Baptista Ludwig4

    ABSTRACTThis study aims to evaluate the development of the integument of Zebu cattle fetuses and validate the methodology as a tool to determine fetal age. Samples were collected of the lateral face of the left hind limb of 24 fetuses, in a refrigerator. It was estimated fetal age by the length neck-tail in the formula GD = 8.4 +0, +5.46 c 087c (DG = day of gestation, c = length neck-tail). The fetuses were divided into three stages of gestation. The fragments were embedded in paraffin, stained with hematoxylin-eosin and evaluated by light microscopy. In the first trimester the epidermis showed a basal ovoid cells and flattened superficial cells, and the dermis, a loose connective tissue with thin collagen fibers, vessels and nerves. There were no skin appendages. In the epidermis of the second and third quarters were observed four distinct layers: a single row of basal cells, globose cells in the thorny, flattened cells in the granulosa and the cornea. The loose connective tissue of the dermis in the second quarter showed nerves and very vasculari-zed. In the third quarter were observed hair follicles, sebaceous glands, apocrine sweat and a beam of the erector muscle of the hair. The absence of skin appendages indicates the first trimester of gestation. The beginning of the formation of hair follicles and glands characterizes the skin of fetuses between three and six months of gestation. If there is more differentiation of epidermal structures and the erector muscle of the hair, the fetus is close to birth. The microscopic examination of fetal integument can be used as a tool in determining the age of bovine Zebu fetuses. Key-words: skin, zebu cattle, microscopy, fetal age.

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    ARTIGO TCNICO 1

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    1| INTRODUOA pele composta por duas camadas: a epiderme, formada

    por epitlio pavimentoso estratificado queratinizado, e a derme, constituda por fibras colgenas, elsticas e reticulares entre-laadas com elementos celulares, fibras musculares lisas e su- bstncia fundamental amorfa (BAL, 1996; ZHANG, 2001). Na derme esto localizados vasos sanguneos, vasos linfticos, ner-vos e msculo liso (msculo eretor do plo) (BANKS, 1992; SCOTT et al., 2001; BRAGULLA et al., 2004; HARGIS & GINN, 2007).

    No feto, a epiderme inicialmente formada por uma ca-mada de clulas epiteliais cbicas (estrato germinativo basal), mas, medida que essas clulas proliferam, ocorre estratifica-o. Adicionalmente a esta proliferao, a invaginao para a derme e a hipoderme subjacentes formam os plos e as glndu-las (MICHEL & SCHWARZE, 1984; BANKS, 1992).

    A epiderme composta por diferentes estratos. A camada mais basal denominada estrato basal, com clulas que variam de cbicas a prismticas. O estrato espinhoso situa-se periferi-camente em relao camada basal e o pigmento, quando presente, penetra neste estrato at a regio de transio da prxima camada da epiderme. O estrato granuloso formado por clulas achatadas rombides ou pavimentosas e o estrato crneo superficial formado por vrias camadas de clulas cornificadas. As clulas mortas descamam da poro perifrica desta zona (BANKS, 1992).

    A derme desenvolve-se a partir da proliferao de clulas mesenquimais primitivas (MONTEIRO-RIVIERE et al., 1993). Com o desenvolvimento do feto, esse tecido primitivo sofre maturao para formar a derme do recm-nascido. O processo de amadurecimento drmico inclui principalmente o aumento da espessura e do nmero de fibras colgenas, a substituio gradual do colgeno tipo III pelo colgeno tipo I, a reduo da substncia fundamental e a diferenciao de clulas mesenqui-mais precursoras em fibroblastos (SCOTT et al., 2001).

    As glndulas da pele geralmente so as que esto associadas aos plos. Estas so as glndulas sebceas e as glndulas tubulares. As glndulas sebceas so evaginaes do revestimento epitelial do canal da raiz, e seu produto de secreo, o sebo, apresenta funes variadas como diminuir a entrada de microrganismos na pele e a perda de gua.

    Na literatura nacional h poucos trabalhos sobre a evoluo embriolgica da pele de bovinos e que destaquem o que carac-teriza o tegumento em cada fase gestacional, apesar de nosso pas possuir um dos maiores rebanhos de gado de corte do mundo, sendo em sua grande maioria de animais anelorados. O tegumento, histologicamente, apresenta caractersticas

    distintas nos diferentes animais e seus aspectos morfolgi-cos devem ser bem conhecidos para que possveis alteraes cutneas possam ser melhores compreendidas (SOUZA et al, 2009). A descrio das estruturas que compem a pele e seus anexos ao longo de seu desenvolvimento se faz importante, uma vez que, por exemplo, o momento da apario dos plos tem importncia para determinar a idade dos fetos (MICHEL & SCHWARZE, 1984).

    Este estudo tem por objetivos avaliar, histologicamente, o desenvolvimento do tegumento de fetos bovinos anelorados du-rante o perodo intrauterino e validar a metodologia empregada como ferramenta plausvel para a determinao da idade in-trauterina de bovinos anelorados.

    2| MATERIAL E MTODOSForam coletadas amostras de tegumento da poro lateral

    do membro posterior esquerdo, em regio central do membro e com aproximadamente a mesma distncia entre as articulaes coxofemural e femurotibiopatelar, de 24 fetos bovinos anelora-dos. Estes fetos foram divididos em trs grupos, sendo o grupo A com fetos de at trs meses de idade gestacional, grupo B com fetos de trs a seis meses de idade gestacional e o grupo C com fetos acima de seis meses de idade gestacional. Estimou-se a idade dos fetos baseando-se no comprimento nuca-cauda, ou seja, da articulao atlanto-occipital at o incio da cauda, (Tabela 01), e os dados de comprimento foram aplicados a fr-mula DG= 8,4+0, 087c+5,46c, em que DG = dias de gestao e c = comprimento nuca-cauda em milmetros, proposta por REXROAD et al. (1974) e citada por DINIZ et al. (2005).

    A coleta foi feita em frigorfico, logo aps o abate das fmeas, utilizando-se bisturi, obtendo-se fragmentos do tegu-mento de 2 x 2 cm. Os fragmentos foram fixados em formalina por 24 horas e, em seguida desidratados em srie crescente de etanol (70, 80, 90 e 100GL). Aps, os fragmentos foram dia-fanizados em Xilol e processados rotineiramente para incluso em parafina. Cortes de 5m de espessura foram obtidos em mi-crtomo manual.

    Para avaliao histolgica, utilizou-se a colorao Hema-toxilina-Eosina (HE). Com auxilio de um microscpio ptico em pequeno, mdio e grande aumento foram avaliadas as seguintes variveis: espessura da epiderme em avaliao visual; carac-terizao das diferentes camadas que compem a epiderme; caracterizao da derme; presena e caracterizao de anexos cutneos (glndulas sudorparas mercrinas e apcrinas; gln-dulas sebceas e folculos pilosos). Todo material foi documen-tado atravs de fotomicroscopia ptica.

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    3| RESULTADOS E DISCUSSO

    Quadro 1 | Sumrio dos principais eventos embriolgicos da pele de fetos bovinos anelorados em relao aos teros gestacionais.

    1.1- Tero Gestacional 1- T1 (Grupo A: Fetos com at 3 meses de idade gestacional)

    Epiderme Primitiva com uma a duas camadas de clulas uma de clulas basais ovides e outra de clulas superficiais achatadas

    Derme Representada por tecido conjuntivo frouxo em imagem negativa, muito celular, com fibras colgenas delgadas e delicadas.

    Anexos Cutneos Ausentes

    Vasos e Nervos Presentes, porm primitivos, no h diferenciao entre artrias e veias.

    Neste estudo foi possvel observar que a fase inicial de dife-renciao da pele ocorre ao longo do primeiro trimestre gesta-cional (T1), sendo que no segundo (T2) os estratos e anexos da pele esto em grau intermedirio de diferenciao e no terceiro trimestre (T3) a diferenciao, crescimento e maturao das estruturas da pele esto se completando (Fotomicrografias 1, 2 e 3). Segundo DYCE et al. (1990), ao nascimento o tegumento das espcies domsticas tem uma caracterstica basicamente de adulto, e tal caracterstica foi observada em fetos com idade gestacional mais avanada.

    O desenvolvimento epidrmico e drmico seguiu as descri-es encontradas na literatura, mas observou-se que em bovi-nos anelorados o estrato crneo j se encontrava presente em fetos a partir de 105 dias de idade gestacional, ou seja, ainda no segundo trimestre de gestao, no condizendo com o ob-servado por MICHEL & SCHWARZE, (1984) e BANKS (1992), que afirmam que a cornificao no comea at o ltimo tero do

    desenvolvimento fetal.Ao longo do desenvolvimento embriolgico do tegumento

    foi possvel observar que a epiderme da pele pilosa, utilizada para o estudo, j revela sua relao inversa em termos de es-pessura e ocorrncia de pelagem, evidenciando-se delgada, o que condiz ao relatado por AFFOLTER & MOORE, (1994), que afirmam que na pele com plos h uma relao inversa entre a espessura da epiderme e a densidade da pelagem, portanto, a epiderme dos mamferos peludos muito mais fina do que a de humanos.

    Os folculos pilosos se formam a partir de invaginaes da futura epiderme para a derme subjacente e seu primeiro es-boo aparece quando a epiderme se encontra na fase de trs estratos (MICHEL & SCHWARZE, 1984; BANKS, 1992). O incio do desenvolvimento marcado pelo espessamento epidrmico que se transforma em um cordo celular proeminente. O slido cordo da epiderme que se invagina forma um canal, criando

    1.2- Tero Gestacional 2 T2 (Grupo B: Fetos de 3 a 6 meses de idade gestacional)

    Epiderme Com trs estratos - basal: definido, em cordo nico de clulas; espinhoso: clulas globosas em imagem negativa e desorganizadas, espessura deste estrato varivel; granuloso: com uma fileira de clulas achatadas. Na transio para o ltimo tero gestacional j se evidencia estrato crneo delgado.

    Derme Representada por tecido celular disperso, sem distino entre tecido conjuntivo frouxo e tecido conjuntivo denso. H um predomnio de substncia fundamental amorfa com clulas espaadas e fibras colgenas delgadas e pouco numerosas.

    Anexos Cutneos Aglomerados de clulas germinativas e mesenquimais primitivas se localizam na interface dermoepidrmica e daro origem a futura unidade pilo-sebcea-apcrina. Na transio para o ltimo tero gestacional j se evidenciam folculos pilosos definidos, glndulas sebceas e glndulas sudorparas apcrinas.

    Vasos e Nervos Vasos sanguneos abundantes. Presena de arterolas e veias e de feixes nervosos em regio profunda da derme.

    1.3- Tero Gestacional 3 T3 (Grupo C: Fetos acima de 6 meses de idade gestacional)

    Epiderme Delgada, com quatro estratos basal: em cordo nico de clulas; espinhoso: espessura varivel, presena de clulas globosas e achatadas; granuloso: com clulas achatadas; crneo: muito delgado, em desprendimento.

    Derme Representada por tecido conjuntivo frouxo e denso desordenados muito celulares. Em fetos mais prximos ao trmino da gestao observa-se tecido conjuntivo frouxo bastante celular ocupando a regio papilar, e conjuntivo denso desordenado pouco celular.

    Anexos Cutneos Presena de folculos pilosos definidos e numerosos, glndulas sebceas pequenas e glndulas sudorparas apcrinas associadas aos folculos pilosos. Presena do msculo eretor do plo e glndulas sudorparas mercrinas mais profundas.

    Vasos e Nervos Presena de veias, arterolas, artrias e feixes vasculonervosos em regio profunda da derme.

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    o espao para o futuro pelo (BANKS, 1992). Segundo MICHEL & SCHWARZE (1984), o desenvolvimento e a sada dos pelos so muito variveis nas distintas regies do corpo e o pelo, em geral, nasce na seguinte sequncia: bordas palpebrais, arco superciliar, lbios, cauda, crina, face, regio larngea, entrada da orelha, dorso, trax e ventre bem como as extremidades. Quanto s glndulas, embora as glndulas tubulares mercri-nas sejam as principais glndulas sudorparas do homem, a gln- dula apcrina a glndula sudorpara predominante nos ani-mais domsticos e essas glndulas esto distribudas por toda a pele (BANKS, 1992).

    Neste estudo, o surgimento dos folculos pilosos se deu quando a epiderme apresentou trs estratos (basal, espinho-so e granuloso), confirmando o mencionado por MICHEL & SCHWARZE (1984) e BANKS (1992). O predomnio de glndulas sudorparas apcrinas tambm confirma o observado por estes autores. Em uma anlise macroscpica da localizao dos plos dos fetos utilizados para o estudo (Figuras 01 a 05), foi possvel observar o mencionado por MICHEL & SCHWARZE (1984), de que o pelo, em geral, nasce seguindo a sequncia mencionada.

    4| CONCLUSESO estudo da embriologia da pele bovina constitui ferramen-

    ta importante para o entendimento da ocorrncia de doenas no

    tegumento decorrentes de defeitos no desenvolvimento normal da pele, auxiliando na deteco precoce dessas alteraes e determinando assim uma maior qualidade no couro produzido.

    A observao microscpica, bem como macroscpica, do tegumento fetal funciona como ferramenta plausvel no diag-nstico da idade intrauterina de bovinos anelorados, uma vez que a observao do incio da formao de anexos cutneos (plos, glndulas sebceas e sudorparas) indicam que o feto est entre 3 e 6 meses de idade gestacional, e havendo maior diferenciao dessas estruturas, bem como a ocorrncia do msculo eretor do plo, possvel afirmar que o feto j se en-contra mais prximo ao trmino da gestao. Se nenhuma des-sas estruturas observada, afirma-se que o feto ainda est no primeiro trimestre gestacional.

    Em bovinos anelorados, que constituem a grande maioria dos rebanhos do Brasil, se aplica as descries encontradas na literatura a respeito do desenvolvimento embriolgico do tegu-mento, mas observa-se que nesses animais o surgimento do estrato crneo mais precoce, e j ocorre no segundo trimestre gestacional. Apesar da aplicabilidade de outros modelos gerais descritos quanto ao desenvolvimento tegumentar intrauterino, a relevncia deste estudo consiste no fato de trazer a literatura um modelo especfico a bovinos anelorados.

    Tabela 01 | Estimativa da idade fetal baseada no comprimento nuca-cauda de fetos bovinos anelorados.

    Nmero da Amostra Nuca-cauda (mm) Idade (dias) Grupo

    123456789

    101112131415161718192021222324

    3841415183

    110150220240250260310390410485530570590600600640680700720

    46464651647588108114116119131150154170180188192194194202210213217

    AAAAAAABBBBBBBBBCCCCCCCC

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    Figura 1 | Fotomicrografia do tegumento em T1. E: epiderme, D: derme, V: vaso sanguneo.

    Figura 2 | Fotomicrografia do tegumento em T2. *EC: estrato cr-neo, EG: estrato granuloso, EE: estrato espinhoso EB: estrato basal, FP: folculo piloso primordial, **GS: glndula sebcea, D: derme.

    Figura 3 | Fotomicrografia do tegumento em T3. E: epiderme, FP: folculo piloso, M: msculo eretor do pelo, *GS: glndula sebcea.

    Figura 4 | Feto com 131 dias de idade gestacional, revelando pelos no arco superciliar e regio prxima ao focinho.

    Figura 5 | Feto com 202 dias de idade gestacional (j no ltimo tri-mestre da gestao), revelando pelos nas bordas palpebrais, arco superciliar, lbios, regio do focinho e prximo as orelhas.

    Figura 6 | Feto com 202 dias de idade gestacional (j no ltimo tri- mestre da gestao), revelando pelos nas bordas palpebrais, arco superciliar, lbios, regio do focinho e prximo as orelhas (vista dorsal).

  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2012 - Ano XXII - 115 | 15

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS: AFFOLTER V.K. & MOORE K. Histologic features of normal canine and feline skin. Clin. Dermatol., v.12, p.491-497,1994.BAL, H. S. Pele. In: SWENSON, M. J. , REECE, W. O. Dukes: fisiologia dos animais domsticos. 11. (ed.). Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1996. p. 560-569.BANKS W.J. 1992. Histologia Veterinria Aplicada. 2 (ed.). Manole, So Paulo. 629p.BRAGULLA, H., BUDRAS, K. D., MLLING, C., REESE, S. & KNIG, H. E. Tegumento comum. In: KNIG, H. E. & LIEBICK, H. G. (Ed.). Anatomia dos Animais Domsticos: texto e atlas colorido., v.2, Artmed, Porto Alegre. 399p.DINIZ, E. G., ESPER, C. R., JACOMINI, J. O., VIEIRA, R. C. Desenvolvimento morfolgico dos ovrios em embries e fetos bovinos da raa Nelore. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.57, n.1, p.70-76, 2005.DYCE, K. M., SACK, W. O., WENSING, C. J. G. O tegumento comum. In: Tratado de Anatomia Veterinria, Ed. Guanabara Koogan, 1990, p. 242-253.HARGIS, A.M. & GINN, P. E. The integument, p. 1107-1261. In: McGAVIN, M. D. & ZACHARY, J. F. (Ed.), Pathologic Basis of Veterinary Disease. 4th ed. Mosby Elsevier, St Louis, 2007, 1476 p.MICHEL, G., SCHWARZE, E. Compendio de anatomia veterinaria Embriologia. Ed. Acribia, v. 6, p. 276- 284, 1984.MONTEIRO-RIVIERE N.A., STINSON A.W. & CALHOUN H.L. Integument, p. 285-312. In: Dieter-Dellmann H. (Ed.), Textbook of Veterinary Histology. 4th ed. Lea and Febiger, Philadelphia, 1993, 351 p.REXROAD, C. E.; CASIDA, L. E.; TYLER, W. J. Crown rump length of fetuses in purebred Holstein-friesian cows. Journal Dairy Science, v. 37, n.3, p.346-347, 1974.SCOTT D.W., MILLER D.H. & GRIFFIN C.E. Muller and Kirks Small Animal Dermatology. 6th ed. Saunders, Philadelphia, 2001, 1528 p.SOUZA, T. M., FIGHERA, R. A., KOMMERS, G. D., BARROS, C. S. L. Aspectos histolgicos da pele de ces e gatos como ferramenta para dermatopato-logia. Pesq. Vet. Bras., v.29, n.2, p.177-190, fev. 2009.

    ZHANG, S. X. Tegumento. In: ZHANG, S. X. Atlas de histologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001, p. 361-377.

    AUTORES: 1- Tbata Torres MegdaMdica Veterinria - CRMV-MG n 12780 - Autnoma - [email protected] Fernando Arvalo BatistaMdico Veterinrio - CRMV-MG n 11559 - Professor Adjunto Doutor - Setor de Cirurgia de Grandes Animais (DMV) - Universidade Federal de Lavras (UFLA)3- Suely de Ftima CostaMdica Veterinria - CRMV-MG n 3949 - Professora Adjunta Doutora - Setor de Histologia Veterinria (DMV) - Universidade Federal de Lavras (UFLA)4- Pmela Baptista LudwigMdica Veterinria - Autnoma

    Figura 7 | Feto com 202 dias de idade gestacional (j no ltimo trimestre da gestao), revelando plos na cauda.

    Figura 8 | Feto com 202 dias de idade gestacional (j no ltimo tri-mestre da gestao), revelando pelos nas extremidades (membros).

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    QUALIDADE NA PRODUO DE SILAGENS*

    RESUMOA importncia da silagem para a produo de leite e os principais aspectos envolvidos com o valor nutritivo de silagens discutida neste trabalho. O autor avalia a eficincia de procedimentos adotados para a ensilagem que capazes de interferir na qualidade do volumoso conservado. O processo de ensilagem de forrageiras no melhora o valor nutritivo do volumoso conservado em relao ao da forragem original, assim como as escolhas das forrageiras e o seu tempo de colheita influenciam a qualidade do produto.Palavras-chave: silagem, produo, alimentao, forrageiras.

    PRODUCTION OF QUALITY SILAGE

    AUTORThierry Ribeiro Tomich1

    ABSTRACTThe importance of silage for milk production and the main features involved with the nutritional value of silage are discussed in this paper. The author evaluates the effectiveness of the procedures adopted for silage that are able to interfere with the quality of conserved forage. The process of ensilage of forage does not improve the nutritional value of forage preserved in relation to the original fodder as well as the choices of forage harvesting time and its affect product quality.Key-words: silage production, feed, forage.

    ARTIGO TCNICO 2

    PUBLICADO NOS ANAIS DO VI SIMPSIO MINEIRO E I SIMPSIO NACIONAL SOBRE NUTRIO DE GADO DE LEITE, REALIZADO

    EM ABRIL / 2012 - REPRODUO AUTORIZADA PELO EDITOR PROF. LCIO CARLOS GONALVES

  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2012 - Ano XXII - 115 | 17

    1| INTRODUOO Brasil um dos maiores produtores mundiais de leite bo-

    vino, cujo valor da produo alcana quase 10% do valor gerado pela produo agropecuria do pas. O estado de Minas Gerais responde por mais de um quarto da produo nacional. Basea-da no uso de pastagens para a alimentao dos rebanhos, as produes leiteiras brasileira e mineira dependem do emprego de estratgias de suplementao alimentar dos animais para manter a estabilidade produtiva ao longo do ano.

    O uso de silagem representa a principal forma de suplemen-tao de volumosos para o rebanho bovino nacional. Sendo o custo com a alimentao, tradicionalmente, o principal custo da produo de leite no pas, o fornecimento de silagens de melhor valor nutritivo pode contribuir para a reduo dos custos com a alimentao dos animais.

    O valor nutritivo da silagem est diretamente relacionado composio e digestibilidade da forrageira original e a ensila-gem tem como objetivo reter o mximo de nutrientes digestveis da forragem original na sua forma conservada. Para tal, a ocor-rncia de um processo de fermentao eficiente fundamental.

    Como foco na produo de leite, ser abordada neste tra-balho a importncia do uso de silagem e sero discutidos os principais aspectos envolvidos com a eficincia da fermentao e com o valor nutritivo de silagens e aos procedimentos adota-dos para a ensilagem, capazes de interferirem na qualidade do volumoso conservado.

    2| IMPORTNCIA DO USO DE SILAGEM PARA A PRO-DUO LEITEIRA

    Segundo a FAO Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAOSTAT, 2012), o Brasil ocupou a 5 posio entre os maiores produtores mundiais de leite bovino no ano de 2010, sendo superado apenas pela Federao Russa, China, ndia e Estados Unidos da Amrica, respectivamente. Naquele ano, o Brasil foi responsvel por aproximadamente 5,3% da produo mundial de leite, com mais de 31 milhes de tonela-das produzidas. Segundo o IBGE Instituto Brasileiro de Geo-grafia e estatstica (IBGE, 2010), Minas Gerais, principal estado produtor de leite bovino do pas, contribuiu com mais de um quarto dessa produo em 2010 e teve 24% do seu efetivo bo-vino composto por vacas ordenhadas.

    O valor bruto da produo de leite brasileira alcanou 21,9 bilhes de reais no ano de 2010 e 23,6 bilhes de reais em 2011, representando cerca de 8% do valor bruto da produo agropecuria do pas nesses anos (MAPA, 2012). Dados do Cepea Centro de Estudos Avanados em Economia Aplicada, da ESALQ/USP, apontaram que, em 2011, a pecuria mineira teve a renda estimada em 48,3 bilhes de reais. Levando-se em considerao apenas o segmento bsico da pecuria, que

    apresentou 52,72% de participao na renda do agronegcio da pecuria do estado, o leite in natura foi responsvel por 26,19% da renda do segmento, sendo estimada em 6,7 bilhes de reais (BARROS et al., 2011). Esses nmeros ratificam a importncia econmica da pecuria leiteira para o pas e para o estado de Minas Gerais.

    Em regra, a alimentao do rebanho leiteiro brasileiro ba- seada no uso de pastagens formadas com forrageiras tropi-cais, cujo acmulo de matria seca ocorre de forma desigual ao longo do ano. No estado de Minas Gerais, a produo de ma-tria seca das pastagens concentrada nos meses de outubro a maro. Estudos realizados por Botrel et al. (1999) avaliando as distribuies estacionais das produes de matria seca de 14 gramneas forrageiras no sul do estado de Minas Gerais mostraram que as produes da estao seca atingiram apenas de 3% at 26% da produo total, sendo que, em mdia, 88% da produo anual ocorreram durante a estao das chuvas.

    Adicionalmente, tambm se verificam variaes na quali-dade das pastagens ao longo do ano. Considerando os maiores teores de protena e coeficientes de digestibilidade e os meno-res teores de fibra, Gerdes et al. (2000) constataram que o mais elevado valor nutritivo de pastagens formadas com cultivares de Brachiaria, Panicum e Setaria ocorreu no outono, indepen-dentemente da espcie forrageira. Por sua vez, analisando os mesmos parmetros e as mdias obtidas para todas as for-rageiras, os dados gerados por esses autores indicaram que a menor qualidade de forragem foi notada durante as estaes da primavera e do vero.

    Para transpor a oscilao estacional na disponibilidade e na qualidade das pastagens e conferir regularidade produo leiteira baseada no pasto, a atividade est condicionada ao em-prego de estratgias de suplementao alimentar dos rebanhos com concentrados e com volumosos. Dados do Cepea (CEPEA, 2012) indicam que a alimentao do rebanho responsvel por cerca da metade dos custos totais da produo do leite no Brasil. Geralmente, o custo mdio com o fornecimento de ali-mentos concentrados representa, aproximadamente, um tero do custo total da produo e mais de dois teros do custo da alimentao, enquanto o custo com alimentos volumosos gira por volta de um quarto do custo com a alimentao.

    Atualmente, com a crescente competio entre mercados produtores de leite, considera-se que a formulao de dietas adequadamente balanceadas, necessrias para suprir as exi-gncias do rebanho de forma eficiente, fator imprescind-vel para maximizar o retorno econmico da atividade leiteria. Nesse sentido, ressalta-se que o fornecimento de volumoso su-plementar de valor nutritivo mais elevado significa a reduo no uso de alimentos concentrados e, consequentemente, o aten-dimento das necessidades nutricionais dos rebanhos em pata-

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    mares mais baixos de custos com a alimentao dos animais.Os suplementos volumosos mais utilizados nos sistemas

    de produo a pasto so: o capim-elefante na forma de verde picado ou silagem, a cana-de-acar, na maioria das vezes adi-cionada de ureia, e as silagens de milho e de sorgo (OLIVEIRA & SOUZA SOBRINHO, 2008). Dados do censo agropecurio de 2006 (SIDRA/IBGE, 2012) destacaram que o milho utilizado para produo de forragem contribuiu com mais de 50% da produo de lavouras temporrias com fins forrageiros no Brasil. J no estado de Minas Gerais, estado que foi responsvel por mais

    de um quarto da produo forrageira em lavouras temporrias no pas, apresentou produes de 327.014 toneladas de for-rageiras empregadas para corte, 2.782.375 toneladas de cana-de-acar forrageira, 3.000.492 toneladas de milho forrageiro e 580.252 toneladas de sorgo forrageiro (Figura 1). Desta forma, os dados oficiais apontam que a ensilagem, seguramente suge-rida pelos valores das produes de milho e sorgo forrageiro, representa a principal estratgia adotada para o fornecimento de volumoso suplementar no Brasil e em Minas Gerais.

    Figura 1 | Produo de forragem em lavouras temporrias no Brasil e em Minas Gerais. Fonte: SIDRA/IBGE (2012)

    3| CONSIDERAES SOBRE A ENSILAGEM A ensilagem de forrageiras um processo biolgico de con-

    servao de alimentos volumosos, cujo objetivo o de maximi-zar a reteno dos nutrientes presentes na forragem original pela sua conservao em meio cido. A ensilagem compreende o armazenamento da forragem mida, ou parcialmente seca, em ambiente anaerbico com os objetivos de restringir a respi-rao celular, que continua ocorrendo aps o corte da forragei-ra, e de fornecer condies adequadas para o desenvolvimento de bactrias epifticas produtoras de cido ltico. Neste pro-cesso, o cido ltico e outros cidos orgnicos produzidos pela fermentao de substratos presentes na planta reduzem o pH da massa ensilada, inibindo a ao de enzimas e de microrga-nismos capazes de promover a sua deteriorao.

    Na maioria das situaes, as etapas necessrias para se produzir silagem abrange os procedimentos de colheita e tritu-rao da forrageira, o transporte da forragem picada at o silo, a descarga e a distribuio da forragem no silo, a compactao da forragem e a vedao do silo. O sucesso do processo de en-silagem, ou seja, a maximizao na reteno dos nutrientes dis-ponveis na forragem original depende da execuo adequada

    dos procedimentos em cada etapa. Portanto, o conhecimento apropriado das etapas da ensilagem, incluindo o que ocorre durante o processo de fermentao, possibilita a adoo de es-tratgias de forma a controlar a qualidade obtida no volumoso conservado. As ocorrncias bsicas do processo da ensilagem podem dividas em trs fases:

    A Fase I (aerbica) inicia-se com o corte da forrageira e prossegue at que a forragem picada seja depositada no silo, compactada, vedada e o oxignio disponvel seja eliminado. Esta fase caracterizada, fundamentalmente, pelo processo de respirao das clulas vegetais, levando produo de CO2 e calor com perda de parte da energia contida na forragem origi-nal. Adicionalmente, tambm ocorrem reaes mediadas por enzimas com a liberao de nitrognio no proteico, que podem reduzir a qualidade da frao proteica no volumoso conservado.

    A Fase II (anaerbica) comea quando o oxignio da massa ensilada esgotado. Nesta fase ocorre a reduo do pH devido ao acmulo de cidos orgnicos gerados pela ao de bactrias anaerbicas sobre os carboidratos solveis.

    A Fase III (estabilidade) marcada pela reduo da ativi-dade microbiana e pela estabilizao do pH da massa ensilada.

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    Os procedimentos envolvidos na fase aerbica do processo de ensilagem (Fase I), que incluem da colheita da forrageira at o esgotamento do oxignio aps a vedao do silo, devem ocor-rer o mais rpido possvel, uma vez que a celeridade nesta fase contribui para eliminao rpida do oxignio em contato com a forragem j cortada.

    O estabelecimento da condio de anaerobiose durante a ensilagem ocorre com a compactao, pela expulso do ar exis-tente entre as partculas de forragem, e com a subsequente ve-dao do silo, impedindo novo acesso de ar massa ensilada. O rpido estabelecimento desta condio desejvel, uma vez que a presena de ar permite a respirao de clulas da planta e de microrganismos aerbicos e anaerbicos facultativos pre-sentes na forragem, ambos utilizando oxignio para a degrada-o de substratos, notadamente acares, a CO2 e gua.

    Na Fase II da ensilagem ocorre a reduo do pH da forra-gem ensilada. Com o esgotamento do oxignio no silo, inicia-se o processo de fermentao de carboidratos solveis, com maior proporo de cido actico sendo produzida inicialmente. Embora seja mais fraco que o cido ltico, a produo do cido actico que d inicio queda do pH da massa ensilada. medida que o pH reduz-se, as bactrias produtoras de cido actico diminuem sua atividade, favorecendo o desenvolvimen-to das bactrias lticas que apresentam apenas o cido ltico como produto da fermentao dos carboidratos solveis.

    A fermentao de bactrias que produzem apenas o cido ltico a partir de carboidratos solveis passa a prevalecer na forragem ensilada quando o pH atinge o valor de, aproximada-mente, 5,0 (cinco). A partir desse ponto ocorre o aumento gra-dual da produo de cido ltico, com a queda mais acentuada do pH. Quando o pH alcana valores prximos a 4,0 (quatro), est suficientemente baixo para inibir a atividade microbiana na silagem, finalizando, neste ponto, a Fase II do processo de ensilagem.

    A Fase III do processo de ensilagem inicia-se quando do pH da massa ensilada para de abaixar, permanecendo estvel por perodo indefinido se o silo estiver adequadamente vedado. Nesta fase, ocorrer pouca atividade microbiana e, conforme Moisio & Heikonen (1994), quando so atingidos baixos valores de pH, as bactrias lticas passam a produzir cido ltico em pequenas quantidades, apenas o suficiente para neutralizar os compostos bsicos formados.

    4| AVALIAO DO VALOR NUTRITIVO DE SILAGENSVacas leiteiras alimentadas com forragem de mais alto va-

    lor nutritivo produzem mais leite com menor necessidade de suplementao com alimentos concentrados. A composio qumica dos alimentos, em termos dos seus componentes nutritivos, associada capacidade dos animais em utiliz-los definem o seu valor nutritivo. Portanto, a descrio do valor

    nutritivo das silagens requer o conhecido da sua composio bromatolgica associada ao ndice de digestibilidade das suas fraes nutritivas.

    Visando a avaliao do valor nutritivo, as anlises de com-posio qumica das forrageiras devem abranger, pelo menos, a determinao dos teores de matria seca, de protena bruta e de componentes da parede celular fibra insolvel em deter-gente neutro (FDN), fibra insolvel em detergente cido (FDA) e lignina. Os teores de outros nutrientes, como os minerais, tambm so importantes para o adequado balanceamento das dietas, mas geralmente no so empregados para qualificar o valor nutritivo de silagens.

    Sob a perspectiva do valor nutritivo, os trabalhos que rela-cionam o teor de matria seca ao consumo so conflitantes e no existe um valor timo desde componente na dieta capaz de maximizar a ingesto de nutrientes por vacas leiteiras (NRC, 2001). Desta forma, as equaes de predio de consumo pro-postas nesta publicao no consideram o teor de matria seca para estimar consumo de alimentos por gado leiteiro. Contudo, os estudos relacionados nesta publicao apresentam dietas com teores de matria seca acima de 30% e esse teor pode no ser alcanado em dietas baseadas em volumosos midos, como silagens. Alm disso, segundo Waldo (1986), dietas excessiva-mente midas apresentam reduzido consumo voluntrio. Por-tanto, desde que no existam outros fatores envolvidos, o mais alto teor de matria seca em silagens pode representar uma caracterstica favorvel da sua constituio bromatolgica em relao qualidade da forragem produzida.

    O alto teor proteico tem sido relacionado com o maior valor nutritivo da forragem e ruminantes alimentados com dietas baixas em protena apresentam consumo reduzido e desem-penho em nvel de mantena, ou baixa produtividade, mesmo quando suplementados com nitrognio no proteico (PRESTON, 1982). Em condies tropicais, o mais alto teor proteico uma caracterstica altamente desejvel para os volumosos conserva-dos, uma vez que, em regra, eles so utilizados durante perodo seco, quando o baixo teor proteico das pastagens considerado o principal fator responsvel pela limitao na produo de ru-minantes mantidos a pasto. Alm disso, o uso de forragens com mais elevados teores proteicos pode diminuir a necessidade de suplementao proteica na forma de concentrados e, conse-quentemente, reduzir os custos com a alimentao.

    Sob a perspectiva do valor nutritivo, embora caractersticas intrnsecas da parede celular, representadas por aspectos fsi-cos e pela relao estabelecida entre as fraes constituintes, sejam mais importantes na regulao da digestibilidade do que as propores desses componentes, o aumento dessas fraes tambm est relacionado s redues na digestibilidade e no consumo. O contedo de FDN relaciona-se principalmente reduo no consumo, enquanto as fraes de FDA e lignina es-

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    to mais associadas reduo na digestibilidade (VAN SOEST, 1994). Portanto, o teor dos componentes da parede celular de forragens tem sido inversamente correlacionado com o seu va-lor nutritivo.

    Em condies normais de alimentao, a silagem utilizada como fonte de energia para os animais e, segundo Weiss (1993), a energia o nutriente que mais limita o desempenho dos ruminantes. De acordo com Weiss (1998), vrios dos componentes qumicos de determinado alimento so relacionados concentrao energtica disponvel para os ruminantes. Alguns destes componentes, espe-cialmente as fraes lipdica e proteica, tm sido positivamente correlacionados disponibilidade de energia, enquanto os compo-nentes da parede celular tm apresentado correlaes negativas com a disponibilidade energtica dos alimentos.

    O total de energia, ou a energia bruta contida no alimento pode ser facilmente medida pela combusto de uma amostra em bomba calorimtrica, mas a variabilidade na digestibilidade e no metabolismo entre os alimentos impede o uso do valor de energia bruta para formulao de dietas ou para a comparao de alimentos (WEISS, 1993). O mtodo proposto por Weiss et al. (1992) para estimar coeficiente de nutrientes digestveis to-tais (NDT), adotado pelo NRC (2001), ainda tem sido o mais uti-lizado para estimar o valor energtico de alimentos para gado leiteiro. Todavia, novas equaes esto sendo sugeridas para estimar o valor energtico de alimentos em condies tropi-cais (DETMANN et al., 2008), baseando-se no fato que, nessas condies, as equaes propostas pelo NRC (2001) apresentam diferenas entre os valores preditos e os observados na dis-ponibilidade energtica de fraes nutritivas isoladas (ROCHA JNIOR et al., 2003). Ao mesmo tempo, deve-se salientar que, embora os valores do contedo de energia lquida em silagens sejam os mais acurados para estimar a energia efetivamente disponvel para os animais, ainda so escassos os dados de energia lquida de alimentos para ruminantes no pas.

    Alternativamente, os coeficientes de digestibilidade tm sido rotineiramente empregados para qualificar silagens quan-do ao seu valor energtico. Uma proposta elaborada por Paiva (1976) para qualificar a qualidade de silagem baseando-se na digestibilidade in vitro da matria orgnica foi alterada por Nogueira (1995) para utilizao do coeficiente de digestibili-dade in vitro da matria seca. Devido praticidade, ao baixo custo e boa correlao com os valores observados in vivo, o emprego da anlise de digestibilidade in vitro da matria seca ainda constitui um parmetro aceito entre pesquisadores para qualificar o valor nutritivo de silagens.

    3| FATORES QUE AFETAM O VALOR NUTRITIVO DE SI-LAGENS

    5.1- Fatores associados fermentao

    A ocorrncia de um processo de fermentao eficiente fundamental para a conservao do valor nutritivo da forragem utilizada na ensilagem. Nesse processo, objetiva-se minimizar as perdas de matria seca e de energia e manter a qualidade da frao proteica da forrageira durante a estocagem, conser-vando as caractersticas para alimentao dos animais o mais prximo possvel aos da forragem original. Essa fermentao deve propiciar a rpida queda do pH do material estocado e tal evento requer ambiente anaerbico, populao suficiente de bactrias lticas e nvel adequado de substrato na forma de car-boidratos solveis (LEIBENSPERGER & PITT, 1987; MUCK, 1988; McDONALD et al., 1991).

    A respirao que acontece enquanto houver oxignio no in-terior do silo prejudicial qualidade da silagem, por causar perdas de matria seca e de energia e reduzir a quantidade de car-boidratos solveis disponveis para a fermentao das bactrias produtoras de cido ltico ou para estimular o crescimento de microrganismos ruminais. Alm disso, as bactrias lticas tm o crescimento estimulado em anaerobiose, produzindo grande quantidade de cido que favorece a conservao quando esta condio estabelecida no interior do silo (EDWARDS & Mc-DONALD, 1978; McDONALD et al., 1991).

    Outro aspecto importante acerca da presena de oxignio e a perda de valor nutritivo da silagem relaciona-se deteriora-o aerbica promovida desenvolvimento de fungos e levedu-ras. Conforme McDonald et al. (1991), os fungos e, sobretudo as leveduras geralmente esto presentes nos processos de de-teriorao aerbica das silagens. De acordo com Lindgren et al. (1985), McDonald et al. (1991) e Muck et al. (1992), alm dos carboidratos solveis, os fungos degradam cido ltico e componentes da parede celular. Desta forma, sua ao sobre a forragem ensilada resulta em perda de nutrientes e reduo na capacidade de conservao da silagem. Alm disso, a presena de fungos em silagens est associada produo de toxinas capazes de prejudicar a sade de animais que as consomem.

    Durante a ensilagem, a expulso do ar ocorre pela compac-tao da forragem que, por sua vez, influenciada pela presso exercida sobre a forragem, pelo contedo de matria seca e pelo tamanho das partculas do material ensilado. As forragens com mais alto contedo de matria seca apresentam a compac-tao dificultada e as forragens com mais de 60% de matria seca geralmente no permitem uma compactao adequada.

    Devido possibilidade de reduo das perdas fsicas nas fases de retirada da silagem do silo e de alimentao dos ani-mais, tm-se sugerido a confeco de silagens com partculas pequenas, com tamanho inferior a 1 cm (NEUMANN et al., 2007). Entretanto, visando uma compactao apropriada, indi-ca-se que forragens com 30%-35% de matria seca sejam tritu-radas ao tamanho mdio de partcula de 22,5 cm. Em regra, as

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    silagens que apresentam entre 600 kg/m3 a 800 kg/m3 so con-sideradas adequadamente compactadas, porque, geralmente, no contm quantidade de oxignio residual suficiente para prejudicar o processo de fermentao. Todavia, com o objetivo de minimizar a produo de efluentes com perda de compostos nutritivos e/ou que favorecem a conservao, silagens produzi-das com forrageiras com baixo teor de matria seca, como as de tropicais gramneas perenes, podem ser compactadas at densidades prximas a 550 kg/m3. Uma estratgia que pode viabilizar o alcance de menores densidades em silagens com baixo teor de matria seca a de triturar a forragem para apre-sentar tamanho mdio de partcula superior aos 2-2,5 cm reco-mendados.

    A vedao adequada do silo constitui outro procedimento necessrio para o rpido estabelecimento e a apropriada ma-nuteno da condio de anaerobiose na massa de forragem estocada. Desta forma, o tempo gasto nas atividades que a-brangem da colheita at a vedao deve ser o menor possvel. Recomenda-se que os silos de superfcie sejam fechados (ve-dados) em at dois dias. Para silos tipo trincheira, cisterna ou areo, devido ao fato da proteo lateral favorecer a compac-tao e reduzir a superfcie de contato da forragem com o ar, preconiza-se que o fechamento ocorra em at trs dias aps o incio do procedimento de colheita.

    Os carboidratos solveis, ou acares (mono e dissacar-deos), so os principais substratos utilizados pelas bactrias lticas para a fermentao, embora compostos como protenas, aminocidos, cidos orgnicos e hemiceluloses tambm pos-sam ser fontes de substratos para a fermentao nas silagens (HENDERSON, 1993). Apesar de terem sido sugeridos valores mnimos, a proporo de carboidratos solveis na matria seca da forrageira requerida para uma fermentao eficiente depende da quantidade de cido que ser necessria para a reduo do pH aos nveis apropriados conservao do volu-moso. Por sua vez, essa demanda de cido varia com habilidade da massa ensilada para opor-se ao abaixamento de pH, ou seja, varia com a capacidade de tamponamento da forrageira. Des- ta forma, o contedo de carboidratos solveis no pode ser tomado como parmetro isolado para determinar a adequao de uma forrageira ensilagem, mas deve ser associado sua capacidade de tamponamento.

    Considera-se o nmero de aproximadamente 108 bactrias lticas por grama de material ensilado como suficiente para garantir uma fermentao apropriada conservao da sila-gem (MUCK, 1988). Entretanto, vrias espcies de bactrias pertencentes a diferentes gneros so capazes de fermentar acares a cido ltico como produto principal. Elas podem ser agrupadas em duas categorias bsicas: homofermentativas, que pro- duzem apenas cido ltico, e as heterofermentativas, que

    apresentam, alm do cido ltico, o etanol, ou o cido actico, adicionados ao CO2, como produtos finais da fermentao (Mc-DONALD et al. 1991). Consequentemente, a produo de cido ltico maximizada quando a fermentao dominada pelas bactrias lticas homofermentativas, fato que pode determinar a variao no nmero requerido de bactrias lticas sobre a for-ragem para a promoo de uma fermentao eficiente.

    O uso de aditivos microbiolgicos no processo de ensilagem tem sido empregado, na maioria das vezes, visando aumentar a populao de microrganismos capazes de favorecer a fermen-tao adequada da silagem, reduzindo as perdas de matria seca e de energia no material estocado. Zopollatto et al. (2009), utilizando apenas literatura nacional em extensa reviso sobre o uso de aditivos microbiolgicos em silagens, consideraram modesto o nmero de trabalhos que permite comparaes devi-das para a explorao adequada dos efeitos de aditivos micro-bianos. Concluram ainda que os resultados apresentados na literatura nacional so, em geral, insuficientes para o estabe-lecimento de posies conclusivas sobre o assunto.

    A reduo do pH que ocorre durante a Fase II da ensilagem relaciona-se conservao do material ensilado por promover a diminuio de atividades de degradao mediadas por enzi-mas da prpria forrageira e por fazer cessar o crescimento de microrganismos anaerbicos indesejveis, particularmente, en-terobactrias e clostrdios (MUCK & BOLSEN, 1991).

    As enzimas da forrageira capazes de promover a degrada-o de protenas, as proteases das plantas, apresentam maior atividade quando o pH do meio situa-se entre 6 e 7, contudo, mantm alguma atividade em valores abaixo de 4 (HERON et al., 1989) e tm sua ao significativamente influenciada pela disponibilidade de gua no meio (HENDERSON, 1993). J as enterobactrias, microrganismos presentes nos intestinos de mamferos, que contaminam as forragens ainda no campo, a-presentam pH timo para desenvolvimento por volta de 7 e a maioria das cepas no capaz de crescer em valores de pH abaixo de 5 (MUCK & BOLSEN, 1991). Por sua vez, os clostr-dios, considerados os principais microrganismos anaerbicos que prejudicam a qualidade da silagem, contaminam a forra-gem na forma de esporos em partculas do solo, iniciando seu crescimento logo que se estabelece condio de anaerobiose. Como as enterobactrias, os clostrdios tambm so sensveis a baixos valores de pH, mas so particularmente sensveis dis-ponibilidade de gua, sendo geralmente inativos em silagens com mais de 28% de matria seca, enquanto em materiais com cerca de 15% de matria seca, valores de pH abaixo de 4 podem no inibir totalmente o seu crescimento (EDWARDS & McDONALD, 1978; FISHER & BURNS, 1987; LEIBENSPERGER & PITT, 1987; McDONALD et al., 1991).

    Portanto, o valor de pH adequado para promover a efi-

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    ciente conservao da forragem ensilada depende do contedo de umidade da silagem que, por sua vez, est relacionado umidade ambiente, ao perodo de incidncia de luz solar du-rante a ensilagem e, principalmente, ao contedo de matria seca da forrageira original. Baseando-se nesses fatos, Tomich et al. (2003a) propuseram a qualificao do processo fermenta-tivo de silagens considerando o valor de pH associado ao teor de matria seca como um dos parmetros (Tabela 1).

    Vrios cidos orgnicos so produzidos durante a fermen-tao de silagens (actico, butrico, frmico, isobutrico, ltico, propinico, succnico, valrico, etc.) (McDONALD et al., 1991). Apesar de todos os cidos formados na fermentao contribu-rem para reduo do pH no silo, o cido ltico possui papel fun-damental nesse processo, por apresentar maior constante de dissociao que os demais (MOISIO & HEIKONEN, 1994).

    Os cidos, actico, butrico e ltico, so frequentemente utilizados para qualificar a fermentao e nas suas principais vias de produo ocorrem variaes na conservao de matria seca e de energia da forragem original em relao silagem produzida (Tabela 2).

    Embora o contedo de cido ltico seja frequentemente utilizado para avaliao da qualidade da fermentao, a quan-tidade desse cido, necessria para reduzir rapidamente o pH e inibir os processos de deteriorao do material ensilado, altera-se com a capacidade de tamponamento da forrageira e com o teor de umidade. Essa condio, alm de indicar que no existe um nico contedo de cido ltico em silagens que permita a eficiente conservao da forragem, dificulta o estabelecimento de nveis deste cido como parmetro para a avaliao do pro-cesso fermentativo.

    O contedo de cido butrico reflete a extenso da ativi-dade clostridiana sobre a forragem ensilada e est relacionado a menores taxas de decrscimo e maiores valores finais de pH nas silagens (FISHER & BURNS, 1987). O contedo desse cido pode ser considerado um dos principais indicadores negativos da qualidade do processo fermentativo. Tambm corresponde quelas silagens que apresentaram perdas acentuadas de ma-tria seca e de energia da forragem original durante a fermenta-o e, frequentemente, o contedo desse cido positivamente correlacionado reduo do consumo da forragem. Na Tabela 3 apresentada proposta para qualificao da fermentao de silagens em relao ao contedo de cido butrico como um dos parmetros para a avaliao.

    O contedo de cido actico, assim como o contedo de cido butrico, est relacionado a menores taxas de decrscimo de maiores valores finais de pH nas silagens. Esse contedo corresponde, principalmente, ao prolongada de enterobac-trias e bactrias lticas heterofermentativas, mas, em menor

    proporo, tambm produzido por clostrdios. Alm de afetar negativamente a queda do pH, as fermentaes promovidas por esses microrganismos acarretam maiores perdas de matria seca e energia do material ensilado (MUCK & BOLSEN, 1991). Portanto, silagens bem conservadas devem apresentar reduzido teor de cido actico, cujo nvel tambm pode utilizado como parmetro para a qualificao da fermentao de silagens (Ta-bela 4).

    Na forragem verde, de 75% a 90% do nitrognio total (NT) esto presentes na protena, o restante, chamado nitrognio no proteico, consiste principalmente de aminocidos livres e amidas, com menor proporo de outros compostos nitrogena-dos. O contedo de nitrognio presente na forma de amnia (N-NH3) na forragem verde geralmente menor que 1% do ni-trognio total. Aps o corte da forrageira, tem incio uma ex-tensa hidrlise de protenas, com aumento do nitrognio no proteico para aproximadamente 40% do nitrognio total nas primeiras 24 horas de ensilagem. Este contedo pode atingir 70% na abertura do silo (OHSHIMA & McDONALD, 1978). Foi demonstrado que a protelise inicial mediada, principalmen-te, por enzimas da planta, enquanto as degradaes subsequen- tes de aminocidos ocorrem pela ao de microrganismos (HE-RON et al., 1986).

    A amnia formada nesse processo, alm de inibir o consumo da silagem e apresentar mais baixa eficincia na utilizao do nitrognio para sntese proteica no rmen, altera o curso da fer-mentao, impedindo a rpida queda do pH da massa ensilada (McKERSIE, 1985). Portanto, em silagens bem conservadas, os aminocidos constituem a maior parte da frao de nitrognio no proteico e a amnia esto presentes em baixas concen-traes (VAN SOEST, 1994). Consequentemente, a graduao dos valores de N-NH3/NT das silagens pode ser utilizada como indicativo de eficincia do processo fermentativo, conforme proposto na Tabela 5. De maneira geral, considera-se que si-lagens com menos de 10% de N-NH3/NT apresentaram uma fermentao eficiente para a conservao do valor nutritivo, enquanto valores crescentes de N-NH3/NT podem ser relacio-nados reduo gradual desta eficincia.

    Para qualificao final do processo fermentativo de sila-gens, conforme a proposta de Tomich et al. (2003a), devem ser somadas as pontuaes obtidas pela silagem para o valor de pH associado ao teor de matria seca (Tabela 1), para os teores de cido butrico e de cido actico (Tabelas 3 e 4) e para o contedo N-NH3/NT (Tabela 5). As soma obtida com as pontua-es desses parmetros deve analisada conforme a proposta de qualificao consolidada da fermentao apresentada na Tabela 6.

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    Tabela 01 | Qualificao da fermentao de silagens em relao ao valor de pH e teor de matria seca da forragem. Fonte: Tomich et al. (2003a)

    Valor de pH associado ao teor de matria seca

    Teor de matria seca da forragem (%)

    < 20 < 20 > 30 - 40 > 40 Pontuao

    Valor de pH

    4,0> 4,0 4,2> 4,2 4,4> 4,4 4,6> 4,6 4,8

    > 4,8

    4,0> 4,0 4,2> 4,2 4,4> 4,4 4,6> 4,6 4,8

    > 4,8

    4,4> 4,4 4,6> 4,6 4,8> 4,8 5,0> 5,0 5,2

    > 5,2

    4,6> 4,6 4,8> 4,8 5,0> 5,0 5,2> 5,2 5,4

    > 5,4

    25201510 5 0

    Tabela 02 | Vias de produo dos principais cidos orgnicos e estimativa de perda de matria seca e de energia em diferentes tipos de fer-mentao em silagens. Fonte: McDonald et al. (1991)

    Tabela 03 | Qualificao da fermentao de silagens em funo do contedo de cido butrico. Fonte: Tomich et al. (2003a)

    Teor de cido butrico (% da matria seca)

    Pontuao

    0,0 0,1> 0,1 0,3> 0,3 0,5> 0,5 0,7> 0,7 0,9

    > 0,9

    5040302010 0

    Tabela 04 | Qualificao da fermentao de silagens em funo do contedo de cido actico. Fonte: Tomich et al. (2003a)

    Teor de cido actico (% da matria seca)

    Pontuao

    2,5> 2,5 4,0> 4,0 5,5> 5,5 7,0> 7,0 8,5

    > 8,5

    0 - 5- 10- 15- 20- 25

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    ARTIGO TCNICO 2

    Para os autores desta proposta, a fermentao com quali-ficao excelente corresponde quela que ocorreu com perdas insignificantes de matria seca e de energia e manteve a quali-dade da frao proteica da forragem original durante a armaze-nagem. A qualificao de boa fermentao indica perdas mni-mas de matria seca e/ou de energia e/ou pequena alterao na qualidade da frao proteica, sem prejuzo significativo no valor nutritivo da forragem na sua forma conservada. A qualifi-cao de fermentao regular designa silagens que apresentam alguma perda de matria seca e/ou de energia e/ou alterao no valor da frao proteica, de forma a comprometer o valor nu-tritivo da silagem em relao forragem original. A qualificao de fermentao ruim apresentada por silagens que tiveram considervel alterao no valor nutritivo da forrageira original, representada por perdas significativas de matria seca e/ou en-ergia e reduo no valor nutritivo da frao proteica, podendo ter o seu consumo comprometido. A qualificao de fermenta-o pssima atribuda s silagens que apresentaram processo fermentativo totalmente inadequado conservao da forra-gem, alm de baixo valor nutritivo, provavelmente, corresponde a uma silagem que no ser consumida pelos animais.

    Trabalhos conduzidos por Antunes et al. (2006), Santos et al. (2010) e Caetano et al. (2011) comparando cultivares de milho, Pesce et al. (2000), Arajo et al. (2007) e Faria Jnior et al. (2011) avaliando sorgo; Tomich et al. (2004); Pereira et al. (2005) e Souza et al. (2005) estudando girassol; Ferreira et al. (2007), Castro Neto et al. (2008) e Ribeiro et al. (2010) avaliando silagem de cana-de-acar e Ferrari Jnior e Lavezzo (2001), Patrizi et al. (2004) e Tomich et al. (2006a) comparando silagens

    de capim-elefante indicaram que todas essas forrageiras apre-sentam potencial para a produo de silagens com padro de fermentao eficiente, capaz de favorecer a adequada conser-vao do valor nutritivo na forragem estocada.

    5.2- Fatores associados forrageiraA ensilagem no melhora o valor nutritivo da forragem

    conservada em relao quela que a originou. As escolhas da forrageira/cultivar e do estdio de desenvolvimento das plan-tas na poca da colheita so aspectos fundamentais para a definio do valor nutritivo das silagens que sero produzidas.

    Vrios estudos realizados no Brasil apresentaram a com-parao de valor nutritivo para silagens produzidas com dife-rentes forrageiras (PAIVA et al., 1978; MIZUBUTI et al., 2002; RESENDE et al., 2003; POSSENTI et al., 2005; TOMICH et al., 2006b; OLIVEIRA et al., 2010; PIRES et al., 2010). Geralmente, o valor nutritivo da silagem de milho considerado padro, tendo em vista o seu elevado valor energtico. Contudo, em condies climticas desfavorveis, especialmente em relao baixa disponibilidade de gua, outras forrageiras tm sido mais in-dicadas para a ensilagem. O sorgo e o girassol so exemplos de culturas indicadas para regies com baixas precipitaes pluviomtricas ou para o perodo de safrinha, em substituio ao cultivo do milho para silagem.

    De maneira geral, tem-se considerado que o valor nutritivo da silagem de sorgo se aproxima ao da silagem de milho. Carac-tersticas geralmente observadas para silagens de sorgo, como maior proporo de constituintes da parede celular e menor va-lor energtico (Tabela 7), alm da perda de parte dos gros nas fezes tm indicado que o seu valor nutritivo pode situar entre 80% e 90% do valor observado para as silagens de milho. Con-tudo, ressalta-se que o emprego de cultivares e de estratgias de manejo indicados pela pesquisa podem tornar esta compa-rao inapropriada. Conforme Rodrigues (2007), nos ltimos anos o sorgo tem apresentado ganhos significativos em termos da qualidade da forragem produzida, sendo que esta melhoria pode ser atribuda ao desenvolvimento de cultivares adaptadas aos diversos sistemas de manejo em uso no pas.

    As pesquisas tm apontado que a sila