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O Senhor das guias

e as pedras da perdio

R.S. Ferreira

Copyright 2016 Rafael da Silva Ferreira

All rights reserved.

Dedico este meu livro para todos os meus amigos e parentes que partiram para Calau, principalmente a Vicentina do Rosrio Albuquerque da Silva, que soube passar para os seus netos, o verdadeiro significado do que ser uma autntica guerreira.

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o incio das eras, enquanto a terra no existia e nenhum mortal ou elfo tinha sido criado, havia na dimenso norte uma guia chamada Ilumar que sobrevoava um cu cinzento e sem vida. Suas

asas tinham uma cor amarronzada. Eram alongadas com diversos detalhes brancos em sua volta. Um longo bico amarelo, garras afiadas com as quais conseguia facilmente agarrar suas presas e um olhar exuberante e aguado, conseguia avistar a menor de todas as criaturas. Sua altura era de sete metros, pesava cerca de duzentos quilos. Tinha cento e vinte anos, exibia agilidade em seus voos agressivos. Sua fora era inexplicvel e seu poder irradiava por todos os cantos do universo, podendo criar tudo aquilo que era de seu agrado.

Sozinho, em meio ao nada, Ilumar sentiu a necessidade de uma companhia a quem pudesse confidenciar suas histrias. Assim, Ilumar, com todo seu poder, criou o mago Cesarem, homem de pele branca, rosto fino e olhos azuis, o qual aparentava ter trinta anos de idade e nunca poderia envelhecer, pois Ilumar deu a ele o dom da imortalidade e o designou como seu conselheiro.

Cesarem sobrevoava sobre as costas da grande guia, por todos os lugares. Adorava observar as estrelas que cobriam o cu, pedindo ao seu criador que falasse mais sobre elas. A felicidade era constante nos coraes de ambos. O norte se tornou o lugar preferido para visitas, de modo que passaram a estar por l todos os dias.

Certo dia, Cesarem observou que a grande guia estava infeliz. Preocupado, procurou saber o que estava acontecendo.

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O que o preocupa, meu senhor? Me sinto triste, a vida parece no ter sentido sem outros com quem

partilh-la. Como assim? Voc tem a mim. Fui feito a partir de seu intelecto. Preciso de um lugar para repousar minhas asas cansadas. E voc

ficaria sozinho caso eu fosse embora. Por isso acho pertinente criar um refgio para voc, junto de outros iguais a voc para que no se sinta sozinho, como eu.

Meu Senhor, sou verdadeiro e sincero, sempre cuidei de voc, aconselhando-o em todas as suas necessidades, mas desta vez no posso concordar com este seu pensamento.

Qual seria o motivo de no concordar? Voc acha que eu no sou capaz de governar dois mundos? perguntou Ilumar.

No por isso, meu senhor! disse Cesarem. Somos felizes, e no precisamos de outros seres para nos trazer esta felicidade!

Mas eu no sou! afirmou Ilumar. Desculpe-me, mas eu preciso de novos ares, de criaturas com quem dialogar e compartilhar as minhas alegrias!

O corao de Cesarem comeou a se fechar diante da escolha de Ilumar, pois nunca imaginou que um dia seu mestre discordaria de algum posicionamento seu.

Ilumar, com a fora do bater de suas asas em direo ao vazio, formou as nuvens que pairavam sobre o cu. Pouco a pouco, de dentro das nuvens, foram saindo os animais que passaram a sobrevoar aquele cu, animais de variadas espcies e tamanhos foram surgindo. Havia uma certa hierarquia, desde a menor das aves at a grande guia. Todos eles, sabiam quem era o seu criador de modo que passaram a respeit-lo e a am-lo como tal. Ilumar lhes deu o dom do som, fazendo com que os inmeros animais experimentassem suas vozes em exaltao, o que fez Cesarem tapar seus ouvidos, pois o canto era muito poderoso e chegava a ser doloroso. Assim, foi se criando Calau, lugar impossvel de descrever, pois a grandiosa beleza indescritvel aos olhos mortais. Esse lugar passou a ser a casa de Ilumar, Cesarem e de todos os animais criados.

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Mesmo tendo um lugar para cham-lo de seu, Cesarem se tornou um homem revoltado; a inveja e o egosmo tinham germinado no mais ntimo de seu ser, ele sentia saudades de quando convivia unicamente com Ilumar. Ao ver toda a criao, sentia-se inferior. Para ele, era doloroso observar todos irradiando beleza e esplendor. Entretanto, como era um mago, uma de suas virtudes era a pacincia, por isso interagia com a criao, simulando um amor entre eles, procurando suas amizades e lhes oferecendo seu conhecimento e seus servios. Mas no havia coisa alguma que acontecesse em seu reino que Ilumar no enxergasse, pois conseguia enxergar aquilo que o mago ocultava em seu corao.

O que est acontecendo com voc? Vejo que voc est diferente, alguma coisa o perturba?

Como assim, meu Senhor? perguntou Cesarem. Nada acontece comigo!

Mesmo conhecendo as mudanas de seu conselheiro, Ilumar resolveu no insistir, dando a Cesarem a liberdade de se expressar conforme era de sua vontade. Porm se entristecia de ver que a inveja e a cobia tomavam conta de seu conselheiro e amigo.

Muito bem! Acredito e confio em voc! respondeu Ilumar. Mas saiba, melhor que haja um corao aberto e esplendoroso, do que um corao fechado e rancoroso. Cesarem no entendeu bem essas palavras, dando-lhes as costas, e seguindo em direo ao sul.

Enquanto Cesarem caminhava, uma imagem repentina veio a sua cabea. Ele sentou em uma das rochas que havia em Calau, e deixou que lembranas viessem a sua cabea. Que momentos felizes eram aqueles em que eu podia sobrevoar nas costas de Ilumar, tendo sua ateno voltada somente para mim, sem me preocupar em perder meu lugar de conselheiro. Suspirando, passou a observar a cachoeira ao seu lado, as guas que jorravam eram cristalinas e puras, seu gosto era doce e revigorante. Ao se aproximar, pde enxergar seu reflexo sobre as guas. Cesarem desejou ter de volta sua vida antiga, prometendo a si mesmo que faria de tudo para que Ilumar voltasse atrs e destrusse a sua

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criao. Com isso, simplesmente arquitetou algo danoso e rude. Assim, comeou a criar estratgias que fariam Ilumar se frustrar e se arrepender amargamente de toda sua criao.

Mesmo sabendo do posicionamento de seu conselheiro sobre suas criaes, Ilumar decidiu criar seu segundo mundo, aproveitou que Cesarem caminhava nos vales de Calau, pois sabia de seu sofrimento e no queria que ele presenciasse sua segunda criao. Havia apenas algumas aves prxima dele, nesse momento elas ficaram fascinadas pelo poder que irradiava da grande guia.

No incio, era apenas um vazio, no havia nada no espao, apenas as estrelas criadas pela prpria guia. De repente