O Senhor Dos AnéIs Livro 1 A Sociedade Do Anel

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Transcript of O Senhor Dos AnéIs Livro 1 A Sociedade Do Anel

  • 1. A SOCIEDADE DO ANEL J.R. R. TOLKIEN PRIMEIRA PARTE DA TRILOGIA O SENHOR DOS ANIS
  • 2. NDICE Prefcio Prlogo A SOCIEDADE DO ANEL Livro I I. Uma festa muito esperada II. A sombra do passado III. Trs no demais IV. Atalho at cogumelos V. Conspirao desmascarada VI. A Floresta Velha VII. Na casa de Tom Bombadil VIII. Neblina sobre as Colinas dos Tmulos IX. No Pnei Saltitante X. Passolargo XI. Uma faca no escuro XII. Fuga para o Vau Livro II I. Muitos encontros II. O Conselho de Elrond III. O Anel vai para o Sul IV. Uma jornada no escuro V. A ponte de Khazad-dm VI. Lothlrien VII. O espelho de Galadriel VIII. Adeus a Lrien IX. O Grande Rio X. O rompimento da sociedade
  • 3. PREFCIO Esta histria cresceu conforme foi sendo contada, at se tornar uma histria da Grande Guerra do Anel, incluindo muitas passagens da histria ainda mais antiga que a precedeu. O conto foi iniciado logo depois que o Hobbit foi escrito e antes de sua publicao, em 1937; mas no continuou nessa seqncia, pois eu queria primeiro completar e colocar em ordem a mitologia e as lendas dos Dias Antigos, que j vinham tomando forma havia alguns anos. Quis fazer isso para minha prpria satisfao, e tinha alguma esperana de que outras pessoas ficassem interessadas nesse trabalho, especialmente por ser ele fruto de uma inspirao primordialmente lingstica, e por ter sido iniciado a fim de fornecer o pano de fundo histrico necessrio para as lnguas lficas. Quando aqueles a quem pedi opinio e aconselhamento corrigiram alguma esperana por nenhuma esperana, eu voltei seqncia, encorajado pelos leitores que solicitavam mais informaes sobre os hobbits e suas aventuras. Mas a histria foi levada irresistivelmente em direo ao mundo mais antigo e tornou-se, por assim dizer, um relato de seu fim e extino, antes que o incio e o meio tivessem sido contados. O processo havia comeado enquanto eu estava escrevendo O Hobbit, no qual j havia algumas referncias ao material mais antigo: Elrond, Gondolin, os Altos-Elfos e os orcs, alm de passagens que surgiram espontaneamente e tratavam de coisas mais elevadas ou profundas ou obscuras do que poderiam parecer primeira vista: Durin, Moria, Gandalf, o Necromante e o Anel. A descoberta da importncia dessas passagens e de sua relao com as histrias antigas revelou a Terceira Era e seu apogeu na Guerra do Anel. Aqueles que pediram por mais informaes sobre os hobbits finalmente as conseguiram, mas tiveram de esperar um longo tempo, pois a composio de O Senhor dos Anis aconteceu em intervalos entre os anos de 1936 e 1949, um perodo no qual eu tinha muitos deveres que no negligericiei, e muitos outros interesses como estudante e professor que freqentemente me absorviam. A demora, sem dvida, aumentou com o estouro da guerra em 1939, e no final desse ano eu ainda no tinha terminado o Livro 1. Apesar da escurido dos cinco anos seguintes, descobri que a histria no Podia ser inteiramente abandonada, e continuei de maneira rdua, principalmente noite, at parar perante o tmulo de Balin em Moria. Ali fiz uma Pausa prolongada. J se passara quase um ano quando comecei de novo, e ento cheguei a Lothlrien e ao Grande Rio, no final de 1941. No ano seguinte escrevi os primeiros rascunhos do material que agora representa o Livro III e os incios dos Captulos I e III do Livro V, e ali, quando os faris se iluminaram em Anrien e Thoden chegou ao Vale Harg, eu parei. A previso falhara e no havia tempo para reconsiderar. Foi durante 1944 que, deixando as pontas soltas e as perplexidades de uma guerra que eu tinha por tarefa conduzir, ou ao menos reportar, eu me forcei a lidar com a viagem de Frodo a Mordor. Esses captulos, que finalmente se tornaram o Livro IV, foram escritos e enviados em forma de seriado ao meu filho, Christopher, que naquela poca estava na frica do Sul com a Royal Air Force. Todavia, passaram-se mais cinco anos at o Conto chegar ao seu fim atual ; nesse tempo, troquei de casa, de cargo e de universidade, e, embora os dias fossem menos sombrios, no eram menos rduos. Ento, quando o final fora atingido, a histria inteira precisava ser revisada e, na verdade, em grande parte reescrita. E precisa va ser datilografada, e redatilografada, por mim; o custo do trabalho de um profissional que usava os dez dedos estava alm das minhas possibilidades.
  • 4. O Senhor dos Anis foi lido por muitas pessoas desde que finalmente foi lanado na forma impressa, e eu gostaria de dizer algumas coisas aqui, com referncia s muitas suposies ou opinies, que obtive ou li, a respeito dos motivos e do significado da histria. O motivo principal foi o desejo de um contador de histrias de tentar fazer uma histria realmente longa, que prendesse a ateno dos leitores, que os divertisse, que os deliciasse e s vezes, quem sabe, os excitasse ou emocionasse profundamente. Como parmetro eu tinha apenas meus prprios sentimentos a respeito do que seria atraente ou comovente, e p ara muitos o parmetro foi inevitavelmente uma falha constante. Algumas pessoas que leram o livro, ou que de qualquer forma fizeram uma crtica dele, acharam- no enfadonho, absurdo ou desprezvel; e eu no tenho razes para reclamar, uma vez que tenho opinies similares a respeito do trabalho dessas pessoas, ou dos tipos de obras que elas evidentemente preferem. Mas, mesmo do ponto de vista de muitos que gostaram de minha histria, h muita coisa que deixa a desejar. Talvez no seja possvel numa histria longa agradar a todos em todos os pontos, nem desagradar a todos nos mesmos pontos; pois, pelas cartas que recebi, percebo que as passagens ou captulos que para alguns so uma lstima so especialmente aprovados por outros. O leitor mais crtico de todos, eu mesmo, agora encontra muitos defeitos, menores e maiores, mas, felizmente, no tendo a obrigao de criticar o livro ou escrev-lo novamente, passar sobre eles em silncio, com a exceo de um defeito que foi notado por alguns: o livro curto demais. Quanto a qualquer significado oculto ou mensagem, na inteno do autor estes no existem. O livro no nem alegrico e nem se refere a fatos contemporneos. Conforme a histria se desenvolvia, foi criando razes (no passado) e lanou ramos inesperados: mas seu tema principal foi definido no incio pela inevitvel escolha do Anel como o elo entre este livro e o Hobbit. O captulo crucial, A sombra do passado, uma das partes mais antigas do conto. Foi escrito muito antes que o prenncio de 1939 se tornasse uma ameaa de desastre inevitvel, e desse ponto a histria teria sido desenvolvida essencialmente na mesma linha, mesmo que o desastre tivesse sido evitado. Suas fontes so coisas que j estavam presentes na mente muito antes, ou em alguns casos j escritas, e pouco ou nada foi modificado pela guerra que comeou em 1939 ou suas seqelas. A verdadeira guerra no se assemelha guerra lendria em seu pro cesso ou em sua concluso. Se ela houvesse inspirado ou conduzido o desenvolvimento da lenda, ento certamente o Anel teria sido apreendido e usado contra Sauron; este no teria sido aniquilado, mas escravizado, e Barad-dr no teria sido destruda, mas ocupada. Saruman, no conseguindo se apoderar do Anel, teria em meio confuso e s traies da poca encontrado em Mordor as conexes perdidas em suas prprias pesquisas sobre a Tradio do Anel, e logo teria feito um Grande Anel para si prprio, com o qual poderia desafiar o pretenso soberano da Terra-mdia. Nesse conflito, ambos os lados teriam considerado os hobbits com dio e desprezo: estes no teriam sobrevivido por muito tempo, nem mesmo como escravos. Outros arranjos poderiam ser criados de acordo com os gostos ou as vises daqueles que gostam de alegorias ou referncias tpicas. Mas eu cordialmente desgosto de alegorias em todas as suas manifestaes, e sempre foi assim desde que me tornei adulto e perspicaz o suficiente para detectar sua presena. Gosto muito mais de histrias, verdadeiras ou inventadas, com sua aplicabilidade variada ao pensamento e experincia dos leitores. Acho que muitos confundem aplicabilidade com alegoria; mas a primeira reside na liberdade do leitor, e a segunda na dominao proposital do autor. claro que um autor no consegue evitar ser afeta do por sua prpria experincia, mas os modos pelos quais os germes da histria usam o solo da experincia so
  • 5. extremamente complexos, e as tentativas de definio do processo so, na melhor das hipteses, suposies feitas a partir de evidncias inadequadas e ambguas. Tambm no verdadeiro, embora seja naturalmente atraente, quando as vidas de um autor e de um crtico se justapem, supor que os movimentos do pensamento e os eventos das pocas comuns a ambos tenham sido necessariamente as influncias mais poderosas. Na verdade, preciso estar pessoalmente sob a sombra da guerra para sentir totalmente sua opresso; mas, conforme os anos passam, parece que fica cada vez mais esquecido o fato de que ser apanhado na juventude por 1914 no foi uma experincia menos terrvel do que ficar envolvido com 1939 e os anos seguintes. Em 1918, todos os meus amigos ntimos, com a exceo de um, estavam mortos. Ou, para falar de um assunto menos triste: algumas pessoas supuseram que O expurgo do Condado reflete a situao da Inglaterra na poca em que eu terminava minha histria. Isso no verdade. Esse captulo uma parte essencial do enredo, previsto desde o incio, embora neste episdio tenha sido modificado pelo modo como o carter de Saruman se configura na histria, sem, preciso que eu diga, qualquer significado alegrico ou referncia poltica de qualquer tipo. Ele tem de fato