O trabalho como pôr teleológico

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Transcript of O trabalho como pôr teleológico

  • 8/13/2019 O trabalho como pr teleolgico

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    O trabalho

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    SVP13217PBS

    https://www.youtube.com/watch?

    v=M2VB1mKprBg

    I. O trabalho como pr teleolgico

    1. ... todo salto implica uma mudana qualitativa e

    estrutural do ser, onde a fase inicial certamente contm

    em si determinadas condies e possibilidades das fases

    sucessivas e superiores, mas estas no podem se desenvolver

    a partir daquela numa simples e retilnea continuidade.

    2. A essncia do salto constituda por essa ruptura com a

    continuidade normal do desenvolvimento e no pelo

    nascimento, de forma sbita ou gradativa, no tempo, da

    nova forma do ser.

    3. ... a diviso gerada pelo trabalho humano na sociedade

    cria, ..., suas prprias condies de reproduo, no interior

    da qual a simples reproduo de cada existente s um

    caso limite diante da reproduo ampliada que, ao

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    contrrio tpica. Isso no exclui, naturalmente, a apario

    de becos sem sada no desenvolvimento, suas causas,

    porm, sempre sero determinadas pela estrutura darespectiva sociedade e no pela constituio biolgica dos

    seus membros.

    4. A respeito da essncia do trabalho ...:

    Pressupomos o trabalho numa forma em que ele diz respeito unicamente

    ao homem. Uma aranha executa operaes semelhantes s do tecelo, e umaabelha envergonha muitos arquitetos com a estrutura de sua colmeia.

    Porm, o que desde o incio distingue o pior arquiteto da melhor abelha o

    fato de que o primeiro tem a colmeia em sua mente antes de constru-la

    com cera. No final do processo de trabalho, chega-se a um resultado que j

    estava presente na representao do trabalhador no incio do processo,

    portanto, um resultado que j existia idealmente. Isso no significa que ele se

    limite a uma alterao da forma do elemento natural, ele realiza neste

    ltimo, ao mesmo tempo, seu objetivo, que ele sabe que determina, como lei,

    o tipo e o modo de sua atividade e ao qual ele tem de subordinar a sua

    vontade.[O capital, livro I, P. 255-6]

    5. O verdadeiro problema ontolgico, porm que o tipo

    de pr teleolgico no foi entendido nem por Aristteles

    nem por Hegel como algo limitado ao trabalho (ou

    mesmo, num sentido ampliado, mas ainda legitimo,

    prxis humana em geral). Em vez disso, ele foi levado a

    categoria cosmolgica universal.

    6. ... conceber teleologicamente a natureza e a historia

    implica no somente que ambas possuem um carter de

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    finalidade, que esto voltadas para um fim, mas tambm

    que sua existncia, seu movimento, no conjunto e nos

    detalhes devem ter um autor consciente. O que faz nascertais concepes de mundo, no s nos filisteus criadores das

    teodiceias so sculo XVIII, mas tambm em pensadores

    profundos e lcidos como Aristteles e Hegel, uma

    necessidade humana elementar e primordial: a necessidade

    de que a existncia, o curso do mundo e at os

    acontecimentos da vida individual e estes em primeiro

    lugar tenham um sentido.

    7. Marx nega a existncia de qualquer teleologia fora do

    trabalho [da prxis humana]. ... para Marx, o trabalho no

    uma das formas fenomnicas da teleologia em geral, mas

    o nico ponto onde se pode demonstrar ontologicamente

    um pr teleolgico como momento real da realidade

    material. Este conhecimento correto da realidade lana luz,

    em termos ontolgicos, sobre todo um conjunto de

    questes. Antes de qualquer outra coisa, a caracterstica

    real decisiva da teleologia, isto , o fato de que la s pode

    adquirir realidade enquanto pr, recebe um fundamento

    simples, bvio, real: nem preciso repetir Marx para

    entender que qualquer trabalho seria impossvel se ele no

    fosse precedido de tal pr, que determina o processo em

    todas as suas etapas.

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    8. O fato de que Marx limite[a], com exatido e rigor, a

    teleologia ao trabalho [prxis humana], eliminando-a de

    todos os outros modos do ser, de modo nenhum restringe oseu significado; pelo contrrio, ele aumenta, j que

    preciso entender que o mais alto grau do ser que

    conhecemos, o social, se constitui como grau especfico, se

    eleva a partir do grau em que est baseado a sua

    existncia, o da vida orgnica, e se torna um novo tipo

    autnomo de ser, somente por que h nele esse operar real

    do ato teleolgico. S podemos falar racionalmente do ser

    social quando concebemos que a sua gnese, o seu

    distinguir-se da sua prpria base, seu tornar autnomo

    baseiam-se no trabalho, isto , na continua realizao de

    pores teleolgicos.

    10. Somente no trabalho, no pr do fim e de seus meios,

    como um ato dirigido por ela mesma, com o pr

    teleolgico, a conscincia ultrapassa a simples adaptao ao

    ambiente o que comum tambm quelas atividades dos

    animais que transformam objetivamente a natureza de

    modo involuntrio e executa na prpria natureza

    modificaes que, para os animais, seriam impossveis e at

    mesmo inconcebveis.

    11. No espelhamento da realidade e a reproduo se

    destaca da realidade reproduzida, coagulando-se numa

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    realidade prpria na conscincia. Pusemos entre aspas a

    palavra realidade porque na conscincia ela apenas

    reproduzida; nasce uma nova forma de objetividade, masno uma realidade, e exatamente em sentido ontolgico

    no possvel que a reproduo seja semelhante quilo

    que se reproduz e muito menos idntica a isso. Pelo

    contrrio, no plano ontolgico o ser social se subdivide em

    dois momentos heterogneos, que do ponto de vista do ser

    no s esto diante um do outro como heterogneos, mas

    so at mesmo opostos: o ser e o seu espelhamento na

    conscincia.

    12. Pense-se que, para o homem primitivo, somente a

    utilidade imediata constitui o objeto da alternativa, ao

    passo que, na medida em que se desenvolve a socializao

    da produo, isto da economia, as alternativas assumem

    um afigura cada vez mais diversificada, mais diferenciada.

    O Prprio desenvolvimento da tcnica tem como

    consequncia o fato de que o projeto de modelo o

    resultado de uma cadeia de alternativas, mas, por mais

    elevado que seja o grau de tcnica (sustentado por uma

    srie de cincias), nunca ser a nica base de deciso

    alternativa. Por isso o timo tcnico assim elaborado de

    modo nenhum coincide com o timo econmico.

    Certamente, a economia e a tcnica esto, no

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    desenvolvimento do trabalho, numa coexistncia

    indissocivel e tem relaes ininterruptas entre si, mas este

    fato no elimina a heterogeneidade, que, como vimos, semostra na dialtica contraditria entre fim e meio.

    13. ... os momentos intelectuais do projeto de um pr de

    fim no trabalho so importantes, em ltima anlise, na

    deciso da alternativa; seria, porm, fetichizar a realidade

    econmica ver a o motor nico da passagem dapossibilidade realidade no campo do trabalho. Esse tipo

    de racionalidade um mito, tanto quanto suposio de

    que as alternativas que ns descrevemos se realizariam num

    plano de pura liberdade abstrata. Em ambos os casos deve-

    se sustentar que as alternativas orientadas para o trabalho

    sempre se pautam para a deciso em circunstncias

    concretas, quer se trate do problema de fazer um machado

    de pedra ou um modelo de carro para ser produzido em

    centenas de exemplares. Isso implica, em primeiro lugar,

    que a racionalidade depende da necessidade concreta que

    aquele produto singular deve satisfazer. Essa satisfao de

    necessidade e tambm as representaes acerca dela so,

    desse modo, componentes que determinam a estrutura do

    projeto, a seleo e o agrupamento dos pontos de vistas,

    tanto quanto a tentativa de espelhar corretamente as

    relaes causais da realizao. Em ltima anlise, a

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    determinao se acha fundada, portanto, na singularidade

    da realizao projetada. Sua racionalidade nunca pode ser

    absoluta, mas, ao contrrio como sempre ocorre nastentativas de realizar algo , a racionalidade concreta de

    um nexo se... ento. s porque no interior de tal

    quadro reinam conexes desse tipo de necessidade que a

    alternativa se torna possvel: ela pressupe dentro desse

    complexo concreto a sucesso necessria de passos

    singulares. Poder-se-ia por certo objetar: do mesmo modo

    que a alternativa e a predeterminao se excluem

    mutuamente, em termos lgicos, a primeira no pode

    deixar de ter seu fundamento ontolgico na liberdade de

    deciso. E isso correto at certo ponto, mas at certo

    ponto. Para entender bem as coisas, no se pode esquecer

    que a alternativa, de qualquer lado que seja vista, somente

    pode ser uma alternativa concreta: a deciso de um

    homem concreto (ou de um grupo de homens) a respeito

    das melhores condies de realizao concretas de um pr

    concreto do fim. Isso quer dizer que nenhuma alternativa (enenhuma cadeia de alternativas) no trabalho pode se

    referir a realidade em geral, mas uma escolha concreta

    entre caminhos cujo fim (em ltima anlise, a satisfao da

    necessidade) foi produzida no pelo sujeito que decide, mas

    pelo ser social no qual ele vive e opera. O sujeito s pode

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    tomar como ob