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  • 1. ano 2 | nmero 2 - janeiro 2009 uma publicao da colgate-palmolive para promover a educao continuada aos profissionais de odontologia Diabetes mellitus Inter-relao da doena periodontal e diabetes mellitus ARTHUR BELM NOVAES JNIOR Professor Titular de Periodontia da Faculdade de Odontologia de Ribeiro Preto USP PATRCIA FREITAS DE ANDRADE Mestre e Doutoranda em Periodontia pela Faculdade de Odontologia de Ribeiro Preto USP GUILHERME DE OLIVEIRA MACEDO Especialista, Mestre e Doutorando em Periodontia pela Faculdade de Odontologia de Ribeiro Preto USP ANTONIO MANUEL DE LA ROSA R. C.D., M.C., Coordenador da Ps-graduao em Periodontia da Faculdade de Odontologia da U.A.N.L. (Universidad Autnoma de Nuevo Len, Mxico), Presidente do Conselho Mexicano de Periodontia, Prtica Privada Periodontia, Monterrey, Me ADRIANA CASTELLANOS T. C.D., M.C.O., Professora da Ps-graduao em Periodontia na Faculdade de Odontologia da U.A.N.L., Examinadora do Conselho Mexicano de Periodontia, Prtica limitada Periodontia e Endodontia em Guadalajara Jal GUIA_OBE3_BR-foto2.indd 1 19/12/2008 12:37:49

2. 2 A diabetes mellitus e a periodontite so doenas de alta prevalncia na populao mundial e a inter- relao entre ambas representa um exemplo clssico de como uma doena sistmica pode predispor a uma infeco oral e de como esta pode exacerbar uma condio sistmica. Fortes evidncias demonstram que a diabetes um fator de risco para a ocorrncia e severidade da doena periodontal e que o nvel do controle glicmico parece ser importante nesta relao. Parale- lamente, a doena periodontal pode ter um impacto significativo sobre a diabetes, contribuindo para agravar o controle glicmico. Desta forma, a diabetes mellitus e a periodontite podem ser consideradas como doenas bidirecio- nais, na medida em que a presena de uma condio influencia a outra e, conseqentemente, o controle meticuloso de uma pode tambm ajudar no tratamento da outra. Estudos tm sido realizados a fim de avaliar os efeitos do tratamento periodontal sobre o controle glicmico de pacientes diabticos tipo I e II. Evidncias sugerem que a incorporao de antibioti- coterapia local ou sistmica ao tratamento periodontal pode resultar tanto na reduo da infeco e da inflamao periodontal, como tambm dos nveis sangneos da hemoglobina glicada, o que caracteriza uma melhoria do controle glicmico da diabetes mellitus. Este volume patrocinado pela Colgate visa atualizar os profissionais de sade em relao a esta inter-relao da diabetes mellitus e da periodontite, de modo que, ao refletir sobre a complexidade do tema, tenham em mente que uma conduta teraputica adequada (com uma abordagem mdico- odontolgica) fundamental para otimizar a promoo da sade geral do paciente. Apresentao GUIA_OBE3_BR-foto2.indd 2 19/12/2008 12:37:49 3. Inter-relao doena periodontal e diabetes mellitus Inter-relao doena periodontal e diabetes mellitus Colgate-Palmolive Indstria e Comrcio Ltda. Rua Rio Grande, 752 - Vila Mariana - So Paulo/SP - CEP 04018-002. (11) 5088-5000. www.colgate.com.br | www.colgateprofissional.com.br. Coordenao: Patrcia Scolletta. Produo: Cadaris Comunicao | cadaris.com.br. Proibida reproduo total ou parcial sem prvia autorizao. Introduo ............................................................................................................................................................................................................ 04 Diabetes mellitus como fator de risco para a doena periodontal .................................................................................................. 06 Efeitos da diabetes na resposta ao tratamento periodontal .............................................................................................................. 08 Doena periodontal como fator de risco para a diabetes mellitus .................................................................................................. 09 Efeitos do tratamento da doena periodontal no controle glicmico da diabetes ................................................................... 10 Diagnstico e manejo clnico em pacientes com diabetes tipo i e 2 .............................................................................................. 12 Implantes em pacientes diabticos ............................................................................................................................................................. 13 Consideraes finais .......................................................................................................................................................................................... 14 ndice ARTHUR BELM NOVAES JNIOR Professor Titular de Periodontia da Faculdade de Odontologia de Ribeiro Preto USP PATRCIA FREITAS DE ANDRADE Mestre e Doutoranda em Periodontia pela Faculdade de Odontologia de Ribeiro Preto USP GUILHERME DE OLIVEIRA MACEDO Especialista, Mestre e Doutorando em Periodontia pela Faculdade de Odontologia de Ribeiro Preto USP ANTONIO MANUEL DE LA ROSA R. C.D., M.C., Coordenador da Ps-graduao em Periodontia da Faculdade de Odontologia da U.A.N.L. (Universidad Autnoma de Nuevo Len, Mxico), Presidente do Conselho Mexicano de Periodontia, Prtica Privada Periodontia, Monterrey, Me ADRIANA CASTELLANOS T. C.D., M.C.O., Professora da Ps-graduao em Periodontia na Faculdade de Odontologia da U.A.N.L., Examinadora do Conselho Mexicano de Periodontia, Prtica limitada Periodontia e Endodontia em Guadalajara Jal GUIA_OBE3_BR-foto2.indd 3 19/12/2008 12:37:50 4. 4 A periodontite caracterizada pela perda das estruturas de suporte dos dentes, isto , perda de cemento radicular, ligamento periodontal e osso alveolar e o seu tratamento visa, essencialmente, a recuperao da condio de sade e sua manuteno a longo prazo. A prevalncia da doena periodontal varia entre os estudos, devido aos diversos mtodos de avaliao utilizados, diferenas entre populaes e faixas etrias analisadas. A periodontite severa generalizada pode ser diagnosticada em cerca de 5% a 20% de qualquer populao, enquanto a periodontite leve a moderada afeta a maioria dos indivduos adultos (Burt, 2005). A periodontite tem etiologia multifatorial, na qual alm de agentes etiolgicos especficos (placa dentobacte- riana especfica) podem estar envolvidos fatores genticos, sistmicos, comportamentais e ambientais de risco. O conceito atual de etiologia multifatorial inclui o hospedeiro como componente fundamental e, desta forma, a doena s ocorre quando h um desequilbrio entre a agresso microbiana e a resposta do hospedeiro. Do- enas debilitantes (diabetes mellitus e AIDS, por exemplo), fatores psicossomticos (estresse), uso de medica- mentos, adoo de hbitos (fumo) e fatores genticos podem diminuir as defesas do hospedeiro, provocando este desequilbrio, o que resulta na ocorrncia clnica da doena periodontal. Desta forma, a diabetes mellitus pode ser considerada como um fator de risco para a ocorrncia e severidade da doena periodontal, uma vez que provoca a diminuio das defesas do hospedeiro, frente ao da placa dentobacteriana. A diabetes mellitus consiste em um grupo de doenas metablicas caracterizadas pela hiperglicemia re- sultante da falha na secreo ou na ao da insulina, podendo ser dividida em trs tipos principais: tipo 1 (diabetes insulino dependente), tipo 2 (diabetes no insulino dependente) e diabetes gestacional (que ocor- re durante o perodo de gravidez). As diabetes tipo 1 e 2 possuem etiopatogenias diferentes. A tipo 1 est relacionada destruio auto-imune das clulas pancreticas, quais so responsveis pela produo da insulina, o que pode levar perda total da secreo deste hormnio. A identificao de marcadores de des- truio auto-imune pode ser til para o diagnstico e avaliao de risco da doena. Normalmente, a diabe- tes tipo I diagnosticada em crianas e adolescentes, embora alguns estudos tenham demonstrado que 15 a 30% dos casos so diagnosticados nos pacientes aci- ma de 30 anos de idade (Mealey & Oates, 2006). Nos pacientes mais velhos, a destruio das clulas ocorre mais vagarosamente e, desta forma, o aparecimento dos sintomas menos repentino. O ritmo e a extenso da destruio das clulas variam entre os pacientes, os quais necessitam de insulina exgena (diabetes insuli- no dependente). Na ausncia de insulina, poder haver um quadro de cetoacidose, condio que pode levar morte. J a diabetes tipo 2 (no insulino dependente) est relacionada resistncia celular insulina (altera- es na molcula de insulina ou alteraes nos recepto- res celulares deste hormnio) (Mealey, 1999, Donahue & Wu, 2001). Estes pacientes tm tambm alteraes na produo de insulina, pois no incio da doena, a produo do hormnio pelas clulas pancreticas au- mentada, de modo a compensar a resistncia celular a ela. Com o progresso da doena, a produo tende a Introduo Figura 1 GUIA_OBE3_BR-foto2.indd 4 19/12/2008 12:37:50 5. 5 Inter-relao doena periodontal e diabetes mellitus 5 diminuir ao longo do tempo, tornando-se insuficiente para compensar a resistncia celular insulina. O risco de cetoacidose nestes pacientes menor, uma vez que ainda h a produo do hormnio. Contudo, em situ- aes de estresse ou infeces, este risco aumenta. A maioria dos pacientes diabticos tipo 2 so obesos ou tem uma alta taxa de gordura corporal, principalmente, na regio abdominal. O tecido adiposo contribui para o aumento da resistncia celular insulina, devido ao aumento nos nveis sangneos de cidos graxos livres derivados de adipcitos, menor secreo de adiponec- tina e aumento da produo de TNF-, IL-6 e protena C reativa (Mealey & Oates, 2006). A diabetes mellitus reconhecida como um dos principais problemas de sade na Amrica Latina, afetando quase 19 milhes de pessoas na regio. No Brasil, estima-se que a prevalncia mdia desta enfermidade seja de 7,6% na populao acima de 40 anos. Segundo a Organizao Mundial de Sade (OMS), em 2030, a diabetes mellitus ser a segunda causa de morte na Amrica Latina. Assim, a doena duplicar seu impacto e, e