OPERA‡•ES ESPIRITUAIS

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  • OPERAES ESPIRITUAIS

    (TRABALHOS POST-MORTEM DO PADRE ZABEU)

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    DO MESMO AUTOR: Ns e o Universo Prefcio de Monteiro Lobato Cia. Editora Nacional So

    Paulo 1942 Compndios de Fsica 3 volumes Livraria Acadmica So Paulo 1942. Problemas e Trabalhos Prticos de Fsica Livraria Acadmica So Paulo

    1942. Curso de Fsica Livraria Acadmica So Paulo 1945.

    Capa: RUBENS GERMINHASI

    DIREITOS RESERVADOS

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    URBANO PEREIRA

    OPERAES ESPIRITUAIS

    (TRABALHOS POST-MORTEM DO PADRE ZABEU)

    INSTITUTO DE DIFUSO ESPRITA Caixa Postal, 110 13.600 ARARAS SP

    C.G.C. 44.220.101/0001 Insc. Est. 182.010.405

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    APRESENTAO

    Este livro foi editado pela primeira vez em 1946 sob o ttulo de TRABALHOS POST-MORTEM DO PADRE ZABEU, no tendo sido reeditado.

    , portanto, um livro pouco divulgado, o que no premeia, convenientemente, a excelncia e a importncia do trabalho que foi realizado, de um lado pelos Espritos que presidiram os fenmenos aqui relatados e, de outro, pelas pessoas que empreenderam as pesquisas e prestaram, publicamente, seu testemunho.

    Quanto ao seu Autor, que no era esprita mas pesquisador e estudioso, e que soube analisar friamente os fatos, sem preconceitos ou exigncias descabidas, a primeira edio, nas orelhas da capa, traou-lhe ligeiramente o perfil com as seguintes palavras:

    Urbano Pereira no um nome desconhecido em nossos meios culturais. Ex-catedrtico de Fsica do Colgio Estadual de Taubat, contribuiu com alguns dos melhores compndios com que conta nossa bibliografia didtica nessa disciplina. Inteligncia voltada para a Cincia pura e para a Filosofia espiritualista, deu-nos uma notvel sntese do fenmeno Vida em todos os seus aspectos. Ns e o Universo um livro, na verdade, de rara beleza, pela viso potica que nos oferece dos mistrios da existncia universal. O autor nos fala de coisas transcendentais com a simplicidade e a segurana s encontrveis nos grandes mestres. Dele, disse Monteiro Lobato em prefcio a Ns e o Universo: Temos, em suma, em Urbano Pereira um elemento da nossa composio mental indgena que estava tardando a aparecer: um verdadeiro filsofo moderno. O filsofo moderno algo muito mais modesto que o filsofo ao tipo clssico, construtor de tremendos sistemas lgicos. O filsofo moderno um avant coureur do cientista, isto , um homem que se localiza nas fronteiras da cincia e, com base nas aquisies desta, vai antecipando concluses inevitveis. Neste gnero, Urbano Pereira o nosso nmero um.

    Foi, pois, sobre uma mentalidade de tal envergadura que recaiu a escolha do inspirador desta obra que hoje damos ao pblico, no sentido de sua elaborao. Urbano Pereira a inicia com as seguintes palavras, que por si s representam um convite meditao: Este livro foi escrito a pedido de um fantasma.

    Quanto ao Esprito do Padre Zabeu, entidade conhecidssima daqueles que se interessam pelos fenmenos de efeitos fsicos, assim se expressou o autor:

    O Padre Zabeu manifestou-se primeira dessas reunies (Cfe. ata 7-11-44), apresentando-se como diretor espiritual dos trabalhos e dirigindo-se aos presentes por voz direta.

    Faz oraes e recomendaes sobre as obras de assistncia e caridade, pelas quais demonstra grande interesse. Recusa-se a dar uma identificao pessoal verificvel, informando apenas ter vivido na Terra h muitos anos; depois de 'desencarnar viu-se em grandes atrapalhaes e agora se prope, por esses estranhos meios, a fazer algum bem para compensar o que no fez durante a vida. Est subordinado a seres muito mais poderosos e perfeitos do que ele e s pode agir segundo as instrues recebidas. Na produo dos fenmenos, utiliza-se de muitos auxiliares, qumicos do espao, e outros mais, ligados ao mundo fsico. E ao lado dessas e outras informaes inverificveis, diz pilhrias, palestra com todos, demonstrando grande vivacidade de pensamento e acuidade intelectual. No envereda pelos caminhos da metafsica e da religio.

    O livro encerra um documentrio precioso, firmado sobre o depoimento de pessoas respeitveis que fiscalizaram e constataram os fenmenos sob os mais rgidos controles, bem como fotografias que foram tomadas durante os trabalhos e de peas modeladas pelos Espritos.

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    A operao principal foi uma apendicectomia praticada pelo Esprito do Dr. Luiz Gomes do Amaral, mdico desencarnado em Bauru, que se materializou e levou a cabo o ato operatrio dentro da melhor tcnica, na presena de outros mdicos, inclusive um seu filho, que assistiram o paciente na sua convalescena e prestaram depoimentos insuspeitos da realidade do fenmeno.

    Este livro, portanto, no obra de sectarismo, mas palpitante documentrio de que a vida humana se cerca de fatos de origem extra-normal, que a Cincia vai catalogando com fria objetividade.

    Por essa razo, o Instituto de Difuso Esprita, devidamente autorizado pelo Lar de Velhos Irm Terezinha, de Pindamonhangaba, que lhe cedeu graciosamente os direitos autorais, est reeditando to precioso trabalho, para que continue a esclarecer, pelos fatos inegveis que registra, a quantos ainda duvidem da realidade do mundo espiritual e da sua interpenetrao com o mundo fsico.

    OS EDITORES

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    INTRODUO

    I

    Este livro foi escrito a pedido de um fantasma. Em Pindamonhangaba, entre 8 e 10 horas da noite, um grupo de homens se rene

    numa sala pequena e modesta. Sentam-se em cadeiras dispostas em semi-crculo e ligam-se entre si por um cordel para que um no se mova sem que os outros o percebam. Num cubculo ao lado encontra-se o mdium, algemado de mos e ps e solidamente acorrentado de modo a no poder levantar-se.

    Na saleta, completamente s escuras, acende-se uma luz vermelha; ningum tocara no interruptor. Surge o fantasma. Transparente, luminescente, deslizante. Deixa-se tocar, fala, torna-se ora mais ntido, ora mais desvanecido. Inventa um nome para si Padre Zabeu. Faz proezas e dirige as proezas de outros fantasmas, como adiante iremos narrar.

    Padre Zabeu alegre, diz pilhrias e pede-nos para escrever seus feitos. Da a razo deste livro, com o ttulo dado por ele.

    II

    Muita gente no acredita em fantasmas e tem medo deles; outros acreditam e no tm medo. Mas essa histria de crer ou no crer mudou muito, desde Galileu. Crer ficou sendo sinnimo de saber, e saber quer dizer verificar ou tomar conhecimento de alguma verificao feita por homens capazes.

    Experimentar eis a questo. Hoje toda gente sabe disso. Muitos, entretanto, sabem-no teoricamente apenas. Na prtica, no adotam ainda o mtodo de Galileu; no acreditam em fantasmas. Acreditam nos mestres. A Cincia, pensam, criao de mentalidades de escol e todavia no fala em fantasmas. Os sistemas filosficos representam as mais altas elucubraes dos expoentes mximos da espcie e, se alguns deixam transparecer a possibilidade da existncia deles, outros a negam terminantemente. As religies afirmam que os fantasmas existem. Mas... ora, as religies ... E o problema permanece insolvel para a maioria.

    Entretanto, h um meio para resolv-lo: filosofar. No eruditamente, conforme os mtodos escolsticos, mas com simplicidade. Filosofar como toda gente, por conta prpria. Para isso naturalmente til reunir elementos, buscar todos os conhecimentos cabveis. Assim posto, o problema pode ser resolvido.

    III

    A filosofia o resultado do assombro (wonder), disse um dos maiores filsofos contemporneos. Ns todos, homens assombrados, perplexos diante do mistrio da existncia, somos constrangidos a filosofar. Formar um sistema coerente e lgico no qual se enquadrem todos os fatos da nossa experincia eis o problema.

    Se essa experincia se limita aos fatos sensoriais, o problema simples; no se produz o assombro. A perplexidade comea quando a inteligncia colabora com os sentidos como fonte de conhecimentos.

    A Cincia nos mostra ento como o Universo diferente daquilo que os sentidos nos fazem crer. Mas, a Cincia, prudente e sbria, evita as escaladas; no busca horizontes mais amplos do que os desvendados pelos seus mtodos particulares. No apresenta soluo para o problema do assombro deixa-nos muito aqum do alvo.

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    Para avanar mais, precisamos praticar um alpinismo mental, escalando, por veredas estreitas, as alturas da metafsica. Os grandes vultos da filosofia, criadores de sistemas, fizeram isso. Mas escalaram picos diferentes, divisando horizontes muito vastos, cada qual de um ponto de vista diverso, e da a aparncia contraditria de suas concluses. No podemos aceitar passivamente um desses pontos de vista particulares; temos todos experincias pessoais que no se enquadram neles. Nenhum, pois, resolve a nossa perplexidade.

    Precisamos ir alm. H ainda um recurso para isso a religio. A dificuldade est na escolha, uma vez que existem vrias, apresentando-se cada qual como o nico caminho certo. Acresce que todas elas tm uma doutrina esotrica simplista, ingnua sob certos aspectos, que afasta os espritos impacientes, pouco afeitos anlise das primeiras impresses. Certo, porm, que se um estudo mais atento desse aspecto da experincia humana for feito com sinceridade, uma luz jorrar da e iluminar mais intensamente o caminho seguro da Cincia, como as veredas estreitas da filosofia.

    E ns, os homens constrangidos a filosofar, se aps isso no conseguirmos vencer o assombro, poderemos pelo menos nos certificar da possibilidade de venc-lo. Poderemos crer em homens muito puros, gigantes espirituais, quando afirmam ter alcanado planos da existncia onde a perplexidade cessa. Poderemos, enfim, transformar a atividade cega em esforo orientado.

    IV

    Em todas as vias do conhecimento humano devemos colher dados necessrios compreenso do problema. Antes de percorr-las, porm, mister considerar certas di