Os Gêneros da Literatura Infantil - ceale.fae.ufmg. Pnaic 2014/Os... · PDF file...

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PACTO NACIONAL PELA ALFABETIZAO NA IDADE CERTA

Os Gneros da Literatura Infantil

Maria Zlia Versiani Machado

Existe (...) ao educativa maior doque esta de formar leitores?

(Bartolomeu Campos de Queirs)

Se, por no sei que excesso desocialismo ou de barbrie, todas asnossas disciplinas devessem serexpulsas do ensino (...) a disciplinaliterria (...) devia ser salva, pois todas ascincias esto presentes no monumentoliterrio.

(Roland Barthes, Aula)

Nesta apresentao, sero destacados

temas escolhas verbais e visuais

relacionados ao endereamento dos gneros literrios para crianas.

As classificaes dos gneros da literatura infantil sero integradas a esses elementos na exposio.

Textos so discursos que podem ser identificados por seus usos e funes sociais.

Para Bakhtin, os gneros no so formas imutveis, por isso, o autor preferiu defini-los como tipos de textos relativamente estveis.

Os gneros textuais podem ser identificados por apresentarem estabilidades quanto forma, quanto ao estilo e quanto aos temas que apresentam que favorecem o seu reconhecimento e, assim, orientam a compreenso.

Os elementos estveis de um texto, ou seja, aquilo que leva ao reconhecimento de, por exemplo, uma receita culinria ou um conto, podem se misturar com outros elementos, produzindo efeitos discursivos ou propondo a criao de novos gneros marcados por hibridismos.

Os gneros textuais/discursivos e a formao de leitores

Nem tudo o que parece ser

A dinmica de constituio dos gneros textuais d vida a criaes literrias, reinventando gneros narrativos e/ou poticos que circularam em pocas e em sociedades as mais diversas, por meio da oralidade e da escrita.

H, nas classificaes, uma fora histrica orientadora do modo de agrupar e organizar o que se quer compreender que no a mesma para todas as sociedades e culturas.

Quando se identificam gneros textuais de diferentes esferas, ativam-se processos de reconhecimento de repertrios construdos social e historicamente.

A tradio oral nos gneros escritos da literatura infantil

A literatura infantil para crianas bebeu em fontes variadas da tradio literria e se atualiza criativamente a cada nova gerao de leitores.

Identificar essas fontes e seus agrupamentos contos de fadas, contos maravilhosos, histrias da carochinha, parlendas, travalnguas, histrias da avozinha, contos da Mame Gansa, fbulas, histrias sem fim, poemas, ABCs, entre outros , recuperando contextos em que as obras foram criadas, permite compreender produes contemporneas da literatura que hoje chegam s bibliotecas escolares e, a partir da, contribuir melhor para processos de formao de leitores na infncia.

Literatura infantil: conjunto heterogneo de gneros

Tratar de gneros da literatura infantil pressupe um permanente dilogo com a tradio oral e escrita do texto literrio, contado e escrito para crianas em diferentes pocas.

As histrias para crianas se caracterizam pela renovao: processo no qual se observam censuras e modificaes de estilos e temticas que se adequam concepo de infncia de cada poca.

Hoje poesias e narrativas para crianas apresentam propostas que desafiam os leitores no jogo de aproximaes e rupturas no dilogo com a tradio.

Os contos de fadas e suas variaes no tempo

Joozinho e Maria da Serra da Mantiqueira

H muito tempo, l na Serra da Mantiqueira, vivia um pobre homem com sua famlia, num barraco.

Ele havia ficado vivo e resolveu casar-se de novo para ter quem cuidasse de seus dois filhos, Joozinho e Maria. Eles eram to pobres que, s vezes, no tinham nem o que comer.

A madrasta resmungava o dia inteiro. Reclamava de tudo. E quando o marido estava fora, ela maltratava as crianas. E era comilona. Quando tinha comida, comia tudo e no deixava nada para Joozinho e Maria.

Explicar para uma criana por que um conto de fadas to cativante para ela destri, acima de tudo, o encantamento da estria, que depende, em grau considervel, da criana no saber absolutamente por que est maravilhada. (...) As interpretaes adultas, por mais corretas que sejam, roubam da criana a oportunidade de sentir que ela, por sua prpria conta, atravs de repetidas audies e de ruminar acerca da estria, enfrentou com xito uma situao difcil.

(A Psicanlise dos Contos de Fadas, Bruno Bettelheim)

O que e o que pode um conto de fadas

Bruxas, ontem, hoje e sempre

Frido saiu correndo como louco, gritando, pedindo socorro, mas no conseguiu fugir dos poderosos raios verdes da bruxa. Foi enfeitiado por fora, por dentro, por todos os lados.

Ficou num estado lamentvel. Brotaram flores nos dedos das mos e ele falava pelo p. Ou seria pelo sapato? Era efeito dos espantosos raios desorganizadores. Era a lgica natural da Bruxa Nrcia. O Frido bagunou a casa dela. Ela bagunou o Frido.

Vida longa aos personagens dos contos de fadas!

Fadas/Bruxas, ontem, hoje e sempre

Alguns traos que permanecem: A criana e os desafios que lhe so lanados. Vencer o perigo (e os perigosos muito mais fortes que elas, as

crianas) pelas armas da astcia. O encantamento e o apelo fantasia. O medo e seu enfrentamento.

Algumas novidades: Inverses de papis, mas sempre em contraponto com a

tradio dos contos de fadas tradicionais de cores mais cruis que aparecem em segundo plano ou nvel de leitura.

A ausncia de certezas quanto a prottipos de bondade ou de maldade.

Fbulas que atravessam o tempo

Fbulas que atravessam o tempo

A produo dos sentidos dos textos literrios para crianas integra duas linguagens em equilbrio.

O que essa configurao ensina aos modos de ler a literatura infantil?

Cores, formas, traos e outros elementos da composio visual, importantes componentes das escolhas de estilo, dividem as pginas com os textos verbais.

Texto verbal e texto visual nos gneros da literatura infantil

Onde comea e onde termina essa histria?

Entrar por aqui...

... ou por aqui?

Era uma vez um co: a centralidade do ato de contar histrias

De imediato, o livro ilustrado evoca duas linguagens: o texto e a imagem. Quando as imagens propem uma significao articulada com a do texto, ou seja, no so redundantes narrativa, a leitura do livro ilustrado solicita apreenso daquilo que est escrito e daquilo que mostrado. (...) ler um livro ilustrado no se resume a ler texto e imagem. isso, e muito mais. Ler um livro ilustrado tambm apreciar o uso de um formato, de enquadramentos, da relao entre capa e guardas com seu contedo; tambm associar representaes, optar por uma ordem de leitura no espao da pgina, afinar a poesia do texto com a poesia da imagem, apreciar os silncios de uma em relao outra... Ler um livro ilustrado depende certamente da formao do leitor.

(Para ler o livro ilustrado Sophie Van der Linden)

Poemas para crianas: a fora ldica de sons e

sentidos

A poesia dos abecedrios

A poesia das imagens

A poesia e os pequenos detalhes

O livro de literatura...

... se caracteriza pela forma de endereamento dos textos ao leitor. A idade deles, em suas diferentes faixas etrias, levada em conta. Os elementos que compem uma obra do gnero devem estar de acordo com a competncia de leitura que o leitor previsto j alcanou. Assim, o autor escolhe uma forma de comunicao que prev a faixa etria do possvel leitor, atendendo seus interesses e respeitando suas potencialidades. A estrutura e o estilo das linguagens verbais e visuais procuram adequar-se s experincias da criana. Os temas so selecionados de modo a corresponder s expectativas dos pequenos, ao mesmo tempo em que o foco narrativo deve permitir a superao delas. Um texto redundante, que s articula o que j sabido e experimentado, pouco tem a oferecer.

Lgia Cademartori, O que literatura infantil

Algumas questes finais sobre a liberdade do leitor em situaes de mediaes

Onde se coloca o adulto entre o livro e o leitor?

Para quem os personagens olham de frente? E onde esse mediador deve se colocar?

A histria a mesma para o leitor adulto e para a criana?

O mediador l/v a histria e as imagens ou l/v a histria e as imagens adivinhando o que l/v a criana?

At onde esse leitor da histria e da leitura da criana um duplo papel consegue enxergar?

Na infncia, a gramtica da camarada professora esteve sempre presente. A escola me deu os instrumentos de navegao, as bssolas e a leitura das estrelas. Mas munido de materiais etreos, eu inventei a minha viagem. (...)Vivi, feliz, uma infncia que j mexia na lngua de falar e de escrever. Conheci as tendncias das crianas que queriam moldar a lngua ao ponto do barro, e os limites dos adultos que a queriam cozinhada, quieta, como que depois do forno.Mas a lngua no o molde nem a cozedura. A lngua so as mos sujas das crianas no barro. O riso alegre das crianas com as mos durante o barro. E o riso desassossegado do barro com medo de ser cozido.O sonho do barro no era ser, sempre, areia mida?...

Ondjaki

A leitura literria como o direito ...

... de descobrir-se ou construir-se, a partir de um espao prprio, de um espao ntimo. O direito de dispor de um tempo prprio, de um tempo de fantasia, sem a qual no h pensamento, nem criatividade. O direito de compartilhar narrativas, metforas, que os seres humanos transmitem h sculos ou h milnios...

Michle Petit

O papel de professoresno trabalho com os gneros da literatura

Inventar tempos e espaos para o trabalho com a literatura na escola a partir dos acervos das bibliotecas escolares e de outros espaos de leitura literria;

Participar de circuitos da literatura fora da escola; Fl