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ISSN: 19841175 – ANAIS ELETRÔNICOS Universidade Federal de Pernambuco NEHTE / Programa de Pós Graduação em Letras 891 Portal Cibernautas: leitura e escrita de textos multimodais em hipertextos a partir do gênero infográfico Elizabeth Mota Nazareth de Almeida (UEFS) Resumo: Com advento da internet, as novas tecnologias digitais passaram a fazer parte das práticas de leitura/escrita contemporâneas. O que desafia as práticas escolares a desenvolverem ações que prestigiem o universo virtual aliado ao contexto escolar. Diante desta problemática, apresentamos a presente pesquisa, desenvolvida no âmbito do PROFLETRAS/UEFS, BA. O objetivo da pesquisa consiste em promover ações didáticopedagógicas voltadas para práticas de leitura e escrita em hipertextos, a partir de gêneros multimodais no ambiente virtual, com foco na produção colaborativa de infográficos digitais, realizadas por estudantes do Tempo Formativo Juvenil, etapa 04 (8º/9º ano), do turno noturno, de uma escola pública de Feira de Santana, Bahia. A pesquisaintervenção teve abordagem metodológica qualitativa aplicada, com procedimento técnico colaborativo, através da aplicação de sequências didáticas, a partir do suporte da plataforma online, intitulada Portal Cibernautas, desenvolvida pela professorapesquisadora, integrando as ações colaborativas virtuais ao ambiente da sala de aula de Língua Portuguesa. Para o desenvolvimento dessas ações, contamos com os postulados de Lévy (1999); Chartier (1999) e Dionísio (2006), para compreendermos a leitura/escrita em hipertextos, a partir de gêneros multimodais, bem como as características e múltiplas ferramentas disponíveis no ciberespaço; Xavier (2007; 2011) e Tapscott (2010), a respeito do perfil do estudante contemporâneo; Koch e Elias (2009; 2010), a respeito dos elementos textuais; Marcuschi (2005) sobre os gêneros textuais; Coscarelli (2009; 2016) e Ribeiro (2016) sobre gênero infográfico; Rojo (2009; 2012), Kleiman (1995; 2005) acerca dos (multi)letramentos; e Dolz; Noverraz; Schneuwly (2004) com o modelo de sequências didáticas, o qual foi adaptado pela pesquisadora de acordo com a realidade dos sujeitos da pesquisa. Como resultado, objetivamos ampliar as competências
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    ISSN:  1984-‐1175  –  ANAIS  ELETRÔNICOS    

     

    Universidade  Federal  de  Pernambuco  NEHTE  /  Programa  de  Pós  Graduação  em  Letras    

    891  

    Portal  Cibernautas:  leitura  e  escrita  de  textos  multimodais  em  hipertextos  a  partir  do  gênero  

    infográfico    

    Elizabeth  Mota  Nazareth  de  Almeida  (UEFS)  

       

    Resumo:  Com   advento   da   internet,   as   novas   tecnologias   digitais   passaram   a  fazer   parte   das   práticas   de   leitura/escrita   contemporâneas.   O   que  desafia  as  práticas  escolares  a  desenvolverem  ações  que  prestigiem  o  universo   virtual   aliado   ao   contexto   escolar.   Diante   desta  problemática,   apresentamos   a   presente   pesquisa,   desenvolvida   no  âmbito   do   PROFLETRAS/UEFS,   BA.   O   objetivo   da   pesquisa   consiste  em   promover   ações   didático-‐pedagógicas   voltadas   para   práticas   de  leitura  e  escrita  em  hipertextos,  a  partir  de  gêneros  multimodais  no  ambiente  virtual,  com  foco  na  produção  colaborativa  de  infográficos  digitais,  realizadas  por  estudantes  do  Tempo  Formativo  Juvenil,  etapa  04  (8º/9º  ano),  do  turno  noturno,      de  uma  escola  pública  de  Feira  de  Santana,   Bahia.   A   pesquisa-‐intervenção   teve   abordagem  metodológica   qualitativa   aplicada,   com   procedimento   técnico  colaborativo,  através  da  aplicação  de  sequências  didáticas,  a  partir  do  suporte   da   plataforma   online,   intitulada   Portal   Cibernautas,  desenvolvida   pela   professora-‐pesquisadora,   integrando   as   ações  colaborativas   virtuais   ao   ambiente   da   sala   de   aula   de   Língua  Portuguesa.  Para  o  desenvolvimento  dessas  ações,  contamos  com  os  postulados   de   Lévy   (1999);   Chartier   (1999)   e   Dionísio   (2006),   para  compreendermos   a   leitura/escrita   em   hipertextos,   a   partir   de  gêneros   multimodais,   bem   como   as   características   e   múltiplas  ferramentas   disponíveis   no   ciberespaço;   Xavier   (2007;   2011)   e  Tapscott   (2010),   a   respeito   do   perfil   do   estudante   contemporâneo;  Koch   e   Elias   (2009;   2010),   a   respeito   dos   elementos   textuais;  Marcuschi  (2005)  sobre  os  gêneros  textuais;  Coscarelli  (2009;  2016)  e  Ribeiro   (2016)   sobre  gênero   infográfico;  Rojo   (2009;  2012),   Kleiman  (1995;   2005)   acerca   dos   (multi)letramentos;   e   Dolz;   Noverraz;  Schneuwly   (2004)  com  o  modelo  de  sequências  didáticas,  o  qual   foi  adaptado  pela  pesquisadora  de  acordo  com  a  realidade  dos  sujeitos  da  pesquisa.   Como   resultado,   objetivamos   ampliar   as   competências  

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    escritas   dos   estudantes,   bem   como   atender   às   suas   novas  necessidades   enquanto   sujeitos   protagonistas   em   uma   sociedade  tecnológica   digital,   além   de   contribuir   para   reflexões   acerca   da  concepção  de  ensino-‐aprendizagem  na  escola  atual.    Palavras-‐chave:  Hipertexto,  Infográfico  Digital,  Multimodalidade.    Abstract:  With  the  advent  of  the  internet,  the  new  digital  technologies  became  part   of   the   reading/writing   contemporary   practices.   This   challenges  the   school   practices   to   develop   actions   that   will   bring   greater  prestige  virtual  universe  combined  with  school  context.  On  this  issue,  we   present   this   research,   developed   to   the   PROFLETRAS/UEFS,   BA.  The   goal   of   the   research   is   to   promote   educational   pedagogical  actions  focused  on  reading  and  writing  practices   in  hypertexts,  from  multi-‐modal   genres   in   the   virtual   environment,   with   a   focus   on  collaborative   production   of   infographics,   performed   by   students   of  Tempo  Formativo  Juvenil,  step  04,  the  night  shift,  a  public  school  of  Feira   de   Santana,   Bahia.   Research-‐intervention   had   qualitative  methodological   approach   applied,   with   collaborative   technical  procedure,   through   the   application   of   didactic   sequences,   from   the  online   platform,   entitled   Portal   Cibernautas,   developed   by   teacher-‐researcher,   integrating   collaborative   actions   to   virtual   classroom  environment  of  Portuguese  Language.  For  the  development  of  these  actions,  we  count  with  the  postulates  of  Lévy  (1999);  Chartier  (1999)  and  Dionysus  (2006),  to  understand  the  reading/writing  in  hypertexts  from  multimodal   genres,   as  well   as   the   features   and  multiple   tools  available   in   cyberspace;   Xavier   (2007;   2011)   and   Tapscott   (2010),  about  the  contemporary  student  profile;  Koch  and  Elias  (2009;  2010),  concerning  the  textual  elements;  (2005)  depends  on  the  text  genres;  Coscarelli   (2009;   2016)   and   Ribeiro   (2016)   on   gender   infographic;  Rojo   (2009;   2012),   Kleiman   (1995;   2005)   about   the   (multi)  letramentos;   and  Dolz;  Noverraz;   Schneuwly   (2004)  with   the  model  of   didactic   sequences,   which   was   adapted   by   the   researcher  according  to  the  reality  of   the  subject  of   the  search.  As  a  result,  we  aim  to  expand  the  students'  written  skills,  as  well  as  meet  their  new  needs   while   subject   protagonists   in   a   technological   society   digital,  besides  contributing  to  reflections  on  the  design  of  teaching-‐learning  in  current  school.    Keywords:  Hypertext,  Digital  Infographic,  Multimodality.  

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    Introdução    

    As   Tecnologias  Digitais   de   Informação  e  Comunicação   (TDIC)   fazem  parte  das  

    práticas   contemporâneas.   Essa   afirmação   é   facilmente   constatada   ao   identificarmos  

    seus   reflexos,   sobretudo   nas   práticas   sociais.   As   informações   podem   ser  

    compartilhadas  à  velocidade  de  um  "click",  o  que  faz  com  que  as  pessoas  estejam  cada  

    vez  mais  conectadas.  

    Além   disso,   cotidianamente   realizamos   interações   sociais   e   entramos   em  

    contato   com  múltiplas   culturas,   a   partir   dos   mais   diversos   dispositivos   digitais   com  

    acesso  à  internet  e,  nessa  atividade,  nos  deparamos  com  a  linguagem  através  de  suas  

    multiformas  e  multissemioses,  nas  quais  os  textos  geralmente  não  apresentam  formas  

    convencionais   e   lineares,   estando   repletos   de   signos,   sons,   ícones,   imagens   e  

    organizados  como  hipertextos  digitais.  

    Assim,  essa  gama  de  informações  vem  exigindo  do  estudante-‐navegador,  além  

    da  ampliação  da  sua  competência  leitora/escritora,  uma  postura  colaborativa  cada  vez  

    mais  autônoma,  o  que  tem  representado  um  desafio  às  práticas  didático-‐pedagógicas  

    no   que   diz   respeito   ao   desenvolvimento   de   ações   que   prestigiem   os   textos  

    multimodais  e  hipertextuais  tão  facilmente  encontrados  no  universo  virtual,  inserindo-‐

    os  ao  contexto  escolar.  

    Desta  forma,  ao  lançarmos  o  olhar  para  a  escola  contemporânea,  percebemos  

    que   se   faz   necessário   uma  maior   atenção   às   questões   relacionadas   à   forma   como  o  

    estudante,  nativo  digital,  lida  com  o  oceano  hipermidiático  disponível  no  ciberespaço,  

    e,  principalmente,  de  que   forma  ele  conduz  essas   informações  para  a  construção  do  

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    conhecimento,  em  direção  às  suas  reais  necessidades  enquanto  agente  transformador,  

    desenvolvendo  habilidades  e  competências  fundamentais  para  a  sua  emancipação.  

    E   é   diante   das   novas   exigências   e   aspectos   apresentados   na   sociedade   do  

    século  XXI,  que  nos  questionamos  sobre  de  que  maneira  as  ações  didático-‐pedagógicas  

    voltadas  para  práticas  de   leitura  e  escrita  de   textos  multimodais   em   sala  de  aula  de  

    Língua  Portuguesa  podem  contribuir   para   a   ampliação  da   competência   escritora  dos  

    estudantes?  

    Desta   forma,   nos   debruçarmos   sobre   nosso   objeto   de   pesquisa,   a   saber,   as  

    produções   textuais   de   infográficos   digitais   construídos   colaborativamente   por  

    estudantes   da   turma   do   Tempo   Formativo   Juvenil,   etapa   04,   (8º/9º   ano,   do   Ensino  

    Fundamental  II),  do  turno  noturno,  de  uma  escola  pública  da  Rede  Estadual  de  ensino,  

    localizada  no  município  de  Feira  de  Santana,  Bahia.  

    A  fim  de  respondermos  à  questão  de  pesquisa  e  darmos  conta  do  nosso  objeto  

    de   estudo,   estabelecemos   como   objetivo   de   nossa   pesquisa-‐intervenção   promover  

    ações   didático-‐pedagógicas   voltadas   para   a   prática   de   leitura   e   escrita   de   textos  

    multimodais  com  foco  na  produção  colaborativa  de  infográficos  digitais,   intentando  a  

    ampliação   da   competência   escritora   dos   estudantes,   aliando   desta   forma   a  

    aprendizagem  da  Língua  Portuguesa  ao  uso  das  Tecnologias  Digitais  de   Informação  e  

    Comunicação.  

    Para   alcançar   o   objetivo   acima,   foram   estabelecidos   objetivos   específicos,   a  

    saber,   conhecer   as   dificuldades   e   estratégias   apresentadas   pelos   estudantes   quando  

    expostos  a  uma  situação  real  de  produção  textual  colaborativa  de  infográficos  digitais;  

    desenvolver,   a   partir   de   sequências   didáticas,   práticas   leitoras   e   escritoras   que  

    promovam   no   estudante   alvo   do   estudo,   a   ampliação   das   suas   competências  

    relacionadas  à  colaboração  e  autonomia  na  construção  do  conhecimento;  ampliar  no  

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    estudante   sua   competência   escritora,   a   partir   de   elementos   ligados   à   coerência   e  

    coesão,   informatividade  multimodalidade   e   hipertextualidade;   e,   por   fim,   promover  

    debates   acerca   do   uso   didático   de   gêneros  multimodais   em   sala   de   aula   de   Língua  

    Portuguesa,  aliado  ao  uso  das  TDIC.  

    A  nossa  pesquisa  encontra-‐se   inserida  no  campo  das  pesquisas  aplicadas  e  da  

    pesquisa-‐intervenção.  Baseou-‐se  ainda  em  uma  abordagem  metodológica  de  natureza  

    qualitativa   por   se   tratar   de   um   estudo   cujo   foco   principal   é   a   compreensão   de   um  

    determinado  grupo   social  ou   sujeitos  e  não  a  exatidão  dos  dados  quantitativos  ou  a  

    abordagem  meramente  experimental  ou  científica.  

    Assim,   fundamentados   nestes   conceitos,   definimos   as   etapas   envolvidas   na  

    coleta  e  análise  de  dados,  a  partir  das  produções  colaborativas  de  infográficos  digitais  

    dos   estudantes,   buscando   perceber   e   intervir,   a   partir   da   ação/reflexão,   na  maneira  

    como   os   sujeitos   da   pesquisa   concebem   o   ensino-‐aprendizado,   bem   como   realizam  

    leitura/escrita  de  gêneros  hipermidiáticos  em  uma  sociedade  tecnológica  digital.  

    Desta  forma,  na  presente  pesquisa  foram  aplicadas  ações  didáticas  sequenciais  

    no   curso   das   aulas   de   Língua   Portuguesa,   integrando   à   sala   de   aula   convencional,  

    práticas  de  leitura/escrita  multimodais,  utilizando  como  suporte  didático-‐pedagógico  o  

    portal   online,   intitulado   Portal   Cibernautas,   e   o   Caderno   de   atividades   impresso,  

    ambos   elaborados   e   criados   pela   professora-‐pesquisadora,   com   o   foco   na   produção  

    colaborativa  de  infográficos  digitais.  

    Para   o   desenvolvimento   desta   pesquisa-‐intervenção,   fez-‐se   necessário  

    apoiarmos  nossas  ações  a  um  aporte  teórico  multidisciplinar,  que  conta  com  o   lastro  

    teórico  de  Kleiman   (1995;  2005)  apresentando  os  conceitos  de   letramento(s);  e  Rojo  

    (2009;  2012)  trazendo  a  proposta  da  pedagogia  dos  (multi)letramento(s).    

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    Ao  propormos  o  uso  integrado  das  TDIC  e  textos  multimodais  em  sala  de  aula,  

    bem   como   seus   conceitos,   nos   baseamos   principalmente   nos   postulados   de   Lévy  

    (1999);  Xavier   (2007;  2011),  Tapscott   (2010),  Dionísio   (2006),  os  quais  nos  auxiliaram  

    na  compreensão  do  universo  virtual,  suas  características  e  múltiplas  ferramentas,  bem  

    como  conhecer  o  perfil  do  estudante  contemporâneo  e  aspectos  da  leitura/escrita  no  

    ambiente  virtual.  

    Contamos  ainda   com  os   ensinamentos  de  Marcuschi   (2005)  no  que   concerne  

    aos   gêneros   textuais,   mais   especificamente   em   se   tratando   do   gênero   infográfico,  

    Coscarelli   (2016)   e   Ribeiro   (2016),   os   quais   foram   imprescindíveis   para   nosso   lastro  

    teórico.  

    Levaremos   em   consideração   ainda,   o   que   regem   os   Parâmetros   Curriculares  

    Nacionais,  em  relação  ao  ensino  da  Língua  Portuguesa,  (PCN-‐LP),  Brasil  (1997;  1998)  e  

    às   competências   e   habilidades   de   leitura/escrita   no   Ensino   Fundamental   II;   além   de  

    abordar   questões   relativas   aos   processos   cognitivos   de   leitura   e   escrita   a   partir   dos  

    postulados  de  Mary  Kato  (1987);  Koch  e  Elias  (2010);  Chartier  (1999);  e,  Portela  (2012).  

    Buscando   contribuir   com   as   discussões   a   respeito   da   temática,   o   presente  

    artigo   visa   apresentar   a   proposta   didática,   adaptada   do   modelo   de   Sequências  

    Didáticas   (SD)   de   Dolz,   Noverraz   e   Schneuwly   (2004)   e   Costa-‐Hübes   (2009),   que   se  

    constituem  em  um  conjunto  de  atividades  escolares  em  torno  do  gênero  textual  a  ser  

    trabalhado,  organizadas  de  maneira  sistemática.  

     

    1.  As  Tecnologias  Digitais  de  Informação  e  Comunicação  e  a  redefinição  dos  papeis  no  processo  de  ensino-‐aprendizagem    

    Nas   últimas   décadas,   o   crescimento   do   uso   das   Tecnologias   Digitais   de  

    Informação  e  Comunicação  nas  diversas  áreas  tornou-‐se  notório  (AFONSO,  2002).  No  

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    final  das  décadas  de  70  e  80,  com  a  propagação  da  microinformática  e  o  advento  da  

    internet,  expressões  com  o  objetivo  de  sintetizar  os  fenômenos  que  então  floresciam,  

    começaram  a  aparecer  como  Era  da  Informação  ou  Digital  e  Cibercultura  (LÉVY,  1999).  

    Para   compreendermos,   em   termos   gerais,   os   aspectos   referentes   ao  

    ciberespaço  e  à  cibercultura,  nos  baseamos  na  definição  de  Lévy  (1999):  

     

    o   ciberespaço   (...)   é   o   novo   meio   de   comunicação   que   surge   da  interconexão   mundial   de   computadores.   O   termo   especifica   não  apenas   a   infraestrutura   material   da   comunicação   digital,   mas  também   o   universo   oceânico   de   informações   que   ela   abriga,   assim  como   os   seres   humanos   que   navegam   e   alimentam   esse   universo.  Quanto  ao  neologismo  "cibercultura",  especifica  aqui  o   conjunto  de  técnicas  (materiais  e  intelectuais),  de  práticas,  de  atitudes,  de  modos  de  pensamento  e  de  valores  que  se  desenvolvem  juntamente  com  o  crescimento  do  ciberespaço  (LEVY,  1999,  p.  17).  (Grifos  nossos)  

     

    Para  Lévy  (1999),  o  crescimento  do  ciberespaço  acompanha,  traduz  e  favorece  

    uma  evolução  da  sociedade  de  modo  geral,  o  que   tem  resultado  em  um  movimento  

    global  de  experimentação  coletiva  das  diferentes   formas  e  espaços  de   comunicação,  

    levando   à   análise   das   suas   potencialidades   mais   positivas   nas   diversas   áreas   do  

    conhecimento   humano,   além   de   suportar   tecnologias   intelectuais   que   amplificam,  

    exteriorizam   e   modificam   muitas   funções   cognitivas   humanas,   como   memórias,  

    percepção  e  raciocínios.    

    Dessa  forma,  direcionando  o  olhar  para  aspectos  característicos  da  leitura  e  da  

    escrita   no   ciberespaço,   podemos  perceber   a  multiplicidade  de   recursos   semióticos   e  

    midiáticos,   com  a  combinação  de  hipermídias,  animações  e  hiperlinks,  que   tornam  a  

    leitura/escrita  dos  textos  digitais,  não  linear,  dinâmica  e  colaborativa.  

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    Assim,  vemos  o  ciberespaço  como  mais  uma  fonte  de  saber,  como  um  lugar  de  

    acesso   para   a   multiplicidade   de   linguagens   que   potencializa   as   práticas  

    leitoras/escritoras,  além  das  já  oportunizadas  pela  escola  oficial.  

    Por  isso,  ao  propormos  o  uso  de  um  portal  online  integrado  com  a  sala  de  aula  

    convencional,  temos  em  vista  a  utilização  destes  recursos  hipermidiáticos,  ampliando  a  

    competência  escritora  dos  estudantes,  indo  além  do  livro  didático  impresso,  para  uma  

    proposta  de  ensino-‐aprendizado  colaborativo,  fluido,  interativo  e  dinâmico.  

    Outro  aspecto  que  deve  ser  ressaltado,  diz  respeito  à  redefinição  dos  papéis  do  

    professor/estudante  e  a  mudança  na  concepção  do  processo  de  ensino-‐aprendizagem,  

    redirecionando  as  ações  educativas  para  além  da  mera  instrução  ou  "transmissão"  de  

    conhecimento.    

    Corroborando   com   essa   concepção,   Freire   (2011)   afirma   que   o   professor  

    precisa  compreender  que  para  haver  as  condições  de  uma  verdadeira  aprendizagem,  

    educandos  e  educadores  precisam  estar  lado  a  lado,  como  reais  sujeitos  da  construção  

    e  reconstrução  do  saber  ensinado,  convencendo-‐se,  definitivamente,  que  "ensinar  não  

    é   transferir   conhecimento,  mas   criar   as  possibilidades  para  a   sua  produção  ou  a   sua  

    construção"  (FREIRE,  2011,  p.  14-‐12).  Aprender  a  aprender  e  aprender  juntos  seriam  a  

    chave  para  a  emancipação  intelectual.  

    Muitas   vezes   utilizamos   algumas   ferramentas   tecnológicas   digitais   com   a  

    mesma  antiga  metodologia  de  aula  magistral,  onde  o  professor  fala  e  o  aluno  ouve  e  

    reproduz  o  que  ouviu.  Uma  vez  que  as  informações  estão  ao  alcance  de  um  toque,  na  

    palma  das  mãos  dos   estudantes,   as   estratégias   de   aprendizagem,  devem   ser   outras,  

    indo   além   da   simples   apresentação   ou   exposição   do   conhecimento.   Como   afirma,  

    similarmente,  TAPSCOTT  (2010,  p.  164):  

     

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    As   escolas   deveriam   ser   lugares   para   se   aprender,   e   não   para   se  ensinar.   Os   jovens   da   Geração   Internet   precisam   aprender   como  procurar   informações,   analisá-‐las,   sintetizá-‐las   e   avalia-‐las   de   forma  crítica.   (...)   No   velho   modelo,   (...)   a   educação   significava   absorver  conteúdo  -‐  fornecido  apenas  pelo  professor,  não  esqueça.  Mas  agora  que  os  estudantes  podem  obviamente  encontrar  os   fatos  que  estão  procurando   em   um   instante,   esse   velho  modelo   já   não   faz   sentido  algum.  Não  é  o  que  você  sabe  que  realmente  conta,  mas  como  você  navega   no   mundo   digital   e   o   que   você   faz   com   a   informação   ali  descoberta.    

     

    Ao  desenvolvermos  as  práticas  de  leitura/escrita  escolares  a  partir  de  gêneros  

    textuais   multimodais   em   seu   ambiente   real   de   circulação,   e   ainda,   privilegiando   as  

    características   deste   espaço   inovador,   teríamos   a   vantagem   de   potencializar   a  

    ampliação  de  competências  e  habilidades  específicas  voltadas  para  a  leitura  e  a  escrita.      

    Desta   forma,   apresentamos,   a   seguir,   um   possível   caminho   para   aliarmos   as  

    TDICs  às  práticas  didático-‐pedagógicas  no  ensino  de  Língua  Portuguesa,  através  de  SDs  

    desenvolvidas   em   uma   plataforma   online   criada   pela   professora-‐pesquisadora,  

    intitulada  Portal   Cibernautas,   com  o  objetivo  de   realizar   leituras  e  escritas  de   textos  

    multimodais   como  mote   para   a   proposta   de   construção   colaborativa   de   infográficos  

    digitais.  

     2.  Proposta  didática:  Portal  Cibernautas    

    Em  nossa   pesquisa   foram   aplicadas   ações   didáticas   sequenciais,   integrando   à  

    sala  de  aula  convencional  de  Língua  Portuguesa,  práticas  de   leitura/escrita  de   textos  

    multimodais   a   partir   do   gênero   infográfico,   utilizando   como   suporte   didático-‐

    pedagógico  um  Caderno  de  Atividades   impresso   e   uma  plataforma  online,   intitulada  

    Portal   Cibernautas,   criados   pela   professora-‐pesquisadora   especialmente   para   esta  

    pesquisa-‐intervenção,   pensados   nas   dificuldades   de   escrita   dos   estudantes   alvo   do  

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    estudo,   buscando   com   isso,   a   ampliação   da   competência   escritora   do   aprendiz  

    contemporâneo,   além   de   trazer   contribuições   à   discussão   acerca   da   inserção   das  

    Tecnologias   Digitais   de   Informação   e   Comunicação   ao   processo   de   ensino-‐

    aprendizagem  escolar.    

    Na   plataforma   online   foram   disponibilizados   materiais   didático-‐pedagógicos  

    com   recursos   interativos,   tencionando   a   práticas   de   leitura   e   de   escrita   de   textos  

    multimodais,  a  partir  de  outros  suportes  além  do  já  oferecido  pelo  livro  didático.  

    De   acordo   com   a   definição   de   Dolz;   Noverraz;   Schneuwly   (2004),   as   SDs  

    apresentam-‐se   como   um   conjunto   de   atividades   escolares   em   torno   de   um   gênero  

    textual,   oral   ou   escrito,   organizada   de   maneira   sistemática,   levando-‐se   em   conta  

    situações   reais   de   leitura   e   escrita   e   apresentando   as   semelhanças   e   as   diferenças  

    entre  as  modalidades  da  língua  e  os  gêneros,  como  podemos  observar  em  seu  modelo  

    esquematizado  na  figura  1.  

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Nesse   modelo   proposto   por   Dolz;   Noverraz;   Schneuwly   (2004),   as   SDs  

    desenvolvem-‐se   através   da   apresentação   inicial   da   situação   comunicativa,   onde   se  

    define   a   tarefa   a   ser   desempenhada   e   a   modalidade   da   língua,   levando   em  

    Figura  1:  Esquema  da  sequência  didática  de  Dolz,  Noverraz  e  Schneuwly.  

    Fonte:  Dolz,  Noverraz  e  Schneuwly  (2004,  p.  98).  

    Apresentação  da  situação  comunicativa  

    Produção  Inicial  

    Módulo  1  

    Módulo  2  

    Módulo  n  

    Produção  Final  

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    901  

    consideração   o   projeto   individual   ou   coletivo   de   produção   do   gênero,   suas  

    especificidades  e  os  conteúdos  a  serem  abordados.  

    Logo  após,  desenvolve-‐se  a  primeira  produção,  a  qual  poderá  ser  desenvolvida  

    individualmente  ou  coletivamente.  Em  seguida,  há  o  desenvolvimento  dos  Módulos  de  

    Ensino,  seguindo  passos  de  atividades  até  a  produção  final  do  gênero  que  deverá  ser  

    destinada  à  circulação  real.  

    Outro   autor   propõe   uma   adaptação   do  modelo   de   SD   apresentado   por   Dolz,  

    Noverraz  e  Schneuwly  (2004),  trazendo  algumas  modificações.  O  modelo  do  SD  trazido  

    pelo  autor  Costa-‐Hübes  (2009)  se  diferencia  do  modelo  de  Dolz,  Noverraz  e  Schneuwly  

    (2004)  por  apresentar  um  módulo  de   reconhecimento  do  gênero  antes  da  produção  

    inicial,   como   podemos   observar   a   partir   do   esquema   da   Sequência   Didática,  

    representada  na  figura  2.  

     

    Figura  2:  Esquema  da  Sequência  Didática  de  Costa-‐Hübes  (2009).  

     Fonte:  Costa-‐Hübes  (2009,  p.  141).  

     

    A   inserção   de   um   módulo   de   reconhecimento   do   gênero,   com   atividades   e  

    exercícios   que   contemplem   a   leitura,   com   textos   de   circulação   já   publicados   na  

    sociedade  antes  da  etapa  da  produção  inicial,  propicia  o  estudante  conhecer  melhor  a  

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    estrutura   textual   do   gênero   estudado   e   perceber   as   situações   comunicativas   que  

    envolvem  este  texto.  

    Barreiros   e   Souza   (2015)   trazem   ainda   novos   elementos   para   esse   modelo,  

    como  a   inserção  do  Planejamento  da  Proposta  da  SD,  onde  os  alunos  são  envolvidos  

    em   seu   processo   de   elaboração   e   a   realização   da   Sondagem,   antes   mesmo   de  

    apresentar  uma  situação  de  comunicação.  

    Essa  modificação  objetiva   conhecer  as   situações   comunicativas  que  os  alunos  

    vivenciam  em  seu  cotidiano  e  como  o  gênero  textual  em  questão  encontra-‐se  inserido  

    em  suas  vidas.  

    O  modelo  de   SD   trazido  por  Barreiros   e   Souza   (2015)   ainda   se  diferencia  por  

    trazer  elementos  como  a  Pesquisa  de  Campo  e  a  Culminância  da  intervenção.  

    A   proposta   completa   do   modelo   desta   SD   pode   ser   observada   a   partir   do  

    esquema  representado  na  figura  3.  

     

    Figura  3:  Esquema  da  Sequência  Didática  de  Barreiros  e  Souza  (2015).  

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     Fonte:  Barreiros;  Souza,  2015,  p.  79.  

     

    A   partir   dos  modelos   de   SD   apresentados,   fizemos   adaptações   pensando   em  

    melhor  atender  aos  objetivos  previstos  em  nossa  pesquisa.  

    As  SDs  planejadas  para  nossa  intervenção  constituíram-‐se  em  um  conjunto  de  

    atividades   escolares   em   torno   do   gênero   textual,   infográfico   digital,   organizado   de  

    maneira   sistemática   em   dez   momentos,   que   envolvem   o   conhecimento   do   perfil  

    biossocial  do  estudante,   a   sondagem,  a  apresentação  da   situação  comunicativa  e  do  

    módulo   de   reconhecimento   do   gênero   infográfico,   a   oficina   de   infográfico,   design  

    gráfico   e   ferramentas   digitais,   a   produção   inicial,   os  módulos   de   ensino,   a   produção  

    final,  a  postagem  e  a  divulgação  para  circulação  do  gênero  na  sociedade,  a  culminância  

    do  projeto  com  exposição  dos  infográficos  produzidos  e  por  fim,  a  sistematização  dos  

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    dados  e  avaliação  da  SD,  como  podemos  observar  no  esquema  das  etapas  planejadas  

    da  SD,  representado  na  figura  4.  

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Detalhando   cada  momento,   o  primeiro  passo  da   aplicação  da   intervenção   foi  

    voltado   a   conhecer   o   perfil   biossocial   dos   estudantes   participantes   da   pesquisa,   a  

    Figura  4:  Esquema  das  Etapas  da  Sequência  Didática  desta  intervenção.  

    Sistematização  dos  dados  e  avaliação  da  SD  

    Módulo  1  

    Módulo  3  

    Módulo  2  

    Módulos  de  Ensino  

    Fonte:  Elaborado  pela  pesquisadora.  

    Conhecimento  do  perfil  biossocial  do  estudante  

    Oficina  de  Design  Gráfico  e  Ferramentas  Digitais    

    Sondagem  

    Apresentação  da  situação  comunicativa  e  Reconhecimento  do  Gênero  

    Postagem  e  divulgação  

    Culminância:  Exposição  dos  infográficos  

    Premiação  

    Produção  inicial  

    Produção  Final  

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    905  

    partir   da   aplicação   de   um   questionário   misto.   A   análise   deste   questionário   guiou   o  

    planejamento  e  reelaboração  da  SD  pela  professora-‐pesquisadora.  

    De  fato,  tanto  o  planejamento  da  SD,  quanto  o  material  didático  e  plataforma  

    online  produzidas  para  esta  intervenção  foram  se  refazendo  e  reelaborando  ao  longo  

    da  aplicação,  propiciando  que  os  estudantes  pudessem  sugerir  e  assim,  participar  de  

    todas   as   etapas   de   construção   da   intervenção,   uma   vez   que   a   mesma   traz   uma  

    proposta  colaborativa  de  ensino-‐aprendizagem.  

    Em  seguida,  propomos  a  aplicação  das  atividades  de  Sondagem,  com  o  objetivo  

    de   conhecermos  o   conhecimento  prévio  do   aluno,   bem  como   seus   conceitos   iniciais  

    voltados   para   linguagem,   textos,   textos   multimodais,   hipertextos,   gênero   textual  

    infográfico  e  uso  das  TDICs.  

    A  partir  dos  dados   revelados  pela  atividade  de  sondagem,   tivemos  elementos  

    para   elaborar   as   demais   etapas   da   intervenção,   levando   em   consideração   aspectos  

    específicos  do  que  os  estudantes  já  sabem  e  seu  nível  de  conhecimento.  

    Logo   após,   apresentamos   a   Situação   Comunicativa   e   o   Módulo   de  

    Reconhecimento  de  Gênero.  Desta  forma,  o  aluno  pode  conhecer  a  estrutura  textual  

    do  gênero  que  seria  produzido  colaborativamente,  a  partir  de  infográficos  já  impressos  

    em  revistas  ou  postados  online  através  de  revistas  digitais  e  sites  da  internet.  

    Após  a  apresentação  da  estrutura  textual  do  gênero  em  questão,  foi  proposto  

    uma  Oficina  de  Design  Gráfico  e  Ferramentas  Digitais.  Nesta  oficina,  houve  a  palestra  

    de   um   profissional   em   Design   Gráfico   e   Infográficos   que   pode   apresentar   para   os  

    estudantes   algumas   noções   técnicas   a   respeito   da   história   da   infografia,   além   de  

    apresentar  conceitos  e  exemplos  de  vários  infográficos  impressos  e  online.  

    Posteriormente,   os   estudantes   participaram   de   oficinas   práticas   sobre  

    ferramentas   digitais   para   construção   de   infográficos   a   partir   da   plataforma   online   e  

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    gratuita,   Wix.com.   As   oficinas   foram   ministradas   pela   professora-‐pesquisadora   no  

    laboratório  de  informática  da  escola.  

    Nessas  oficinas,  os  estudantes   aprenderam  como  entrar  na  plataforma  Portal  

    Cibernautas  e  usar  as  ferramentas  disponíveis  no  site.  Na  plataforma  ainda  existia  uma  

    página  com  tutoriais  em  vídeos  criados  pela  professora-‐pesquisadora  para  auxiliá-‐los  

    na   criação   dos   infográficos.   Só   então,   os   alunos   foram   desafiados   a   realizarem   a  

    Produção  Inicial.  

    No   módulo   de   Produção   Inicial,   os   estudantes   foram   desafiados   a   produzir  

    colaborativamente,  o  gênero  infográfico  digital,  que  estaria  destinado  à  circulação  na  

    comunidade   através   de   uma  Revista  Digital   produzida   pela   professora-‐pesquisadora,  

    especialmente  para  a  divulgação  de  textos  produzidos  pelos  alunos.  

    Os  temas  e  as  etapas  de  construção  do  infográfico  digital  foram  determinados  

    em   grupo   pelos   próprios   alunos.   Eles   escolheram   o   tema   e   os   objetivos   da   escrita,  

    pesquisaram  o  tema,  desenharam  o  rascunho  do  layout  e  criaram  o  infográfico  a  partir  

    das  ferramentas  digitais  disponíveis.  

    Após  analisarmos  a  produção  inicial  dos  alunos  e  identificarmos  as  dificuldades  

    e  estratégias  de  escrita  apresentadas,  elaboramos  o  material  didático  dos  Módulos  de  

    Ensino,  com  o  objetivo  de  ajuda-‐los  a  superar  ou  ao  menos  minimizar  os  problemas  de  

    escrita  detectados.  

    Nos  Módulos  de  Ensino,   foram  desenvolvidas   atividades  envolvendo   leitura  e  

    escrita  de  textos  multimodais,  desenvolvidas  com  o  apoio  do  Caderno  de  Atividades  e  

    o   Portal   Cibernautas.   Eles   foram   subdivididos   em   três   módulos   que   trabalharam  

    elementos  voltados  para:  (1)  o  conceito  de  texto,  intencionalidade  e  aceitabilidade;  (2)  

    informatividade  e  intertextualidade;  (3)  modalidades  da  linguagem  (verbal,  não-‐verbal  

    e  verbal  e  não-‐verbal),  multimodalidade  e  hipertextualidade.  

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    Em  cada  um  dos  três  módulos,  cada  grupo  de  estudantes  analisou  as  produções  

    dos   seus   colegas,   apontando,   a   partir   dos   elementos   textuais   vistos,   os   possíveis  

    problemas  de  escrita,  sugerindo  melhorias.  Esta  dinâmica  ajudou  a  reforçar  o  trabalho  

    colaborativo  e  a  enriquecer  as  produções  finais.    

    Para   a   Produção   Final,   os   alunos   foram   estimulados   a   revisarem,  

    reestruturarem   e   reescreverem   suas   produções   textuais   e   a   realizarem   quantas  

    reescritas   fossem   necessárias,   observando   os   pontos   trabalhados   nos   Módulos   de  

    Ensino,   as   observações   dos   colegas   e   da   professora-‐pesquisadora.   Ao   final   do  

    processo,  os  alunos  postaram  suas  produções  na  Revista  Digital  da  Escola  e  nas  redes  

    sociais,   para   circulação   do   gênero   na   comunidade,   fomentando   as   discussões   dos  

    temas  apresentados  nos  infográficos.  

    Por   fim,   houve   a   Culminância   no   auditório   do   colégio,   com   a   presença   da  

    comunidade  escolar,  onde  aconteceu  a  exposição  dos  infográficos  e  a  abertura  de  uma  

    votação   online   para   escolha   da   produção   mais   popular.   Professores   convidados  

    também   avaliaram   os   infográficos   apresentados   a   partir   os   critérios   de   criatividade,  

    informatividade,   design   gráfico,   interatividade   e   relevância   social.   Em   um   segundo  

    momento,  houve  a  divulgação  dos  resultados  e  premiação.  

     

    3.  Análise  dos  dados  e  resultados  desejados    

    A  análise  dos  dados  observados  com  base  na  aplicação  das  atividades  de  leitura  

    e   escrita   de   gêneros   multimodais   e   hipertextuais   revelaram   que   os   estudantes  

    conhecem   as   TDICs   e   as   utilizam   em   seu   dia-‐a-‐dia   principalmente   como   forma   de  

    interação  com  o  outro  através  de  redes  sociais  e  aplicativos  de  mensagens,  mas  essas  

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    mesmas   ações   não   eram   prestigiadas   ou   reconhecidas,   muitas   vezes,   no   contexto  

    escolar  destes  alunos.  

    Ao   sugerirmos  que  os  estudantes  que  estavam  em  degraus  mais  elevados  no  

    nível   de   conhecimento   a   respeito   do   gênero   a   ser   trabalhado,   ajudassem   os   outros  

    colegas   a   avançarem,   em   uma   proposta   colaborativa   de   ensino-‐aprendizagem,  

    observamos  que,  os  estudantes  foram  oportunizados  a  minimizarem  os  problemas  de  

    aprendizado  e  de  escrita  de  maneira  mais  eficiente,  o  que  era  um  dos  objetivos  desta  

    pesquisa.  

    É  importante  observarmos  ainda  que  a  base  da  aprendizagem  colaborativa  está  

    firmada  na  construção  em  conjunto  e  com  ajuda  entre  os  membros  do  grupo  buscando  

    atingir  algo  ou  adquirir  novos  conhecimentos  e  que  estes  preceitos  foram  levados  em  

    consideração  no  momento  da  aplicação  da  proposta,  partindo  da  ideia  da  interação  e  

    troca  entre  os  aprendizes  com  o  objetivo  de  melhorar  a  competência  dos  mesmos  para  

    os  trabalhos  colaborativos.  

    Desta   forma,   percebemos   com   esta   pesquisa   que,   no   ciberespaço,   essa  

    interação  e  colaboração  podem  ser  exercidas  de  maneira  mais  evidente,  por  conta  das  

    suas   características   como   fluidez,   rapidez   no   compartilhamento   de   saberes   e  

    interatividade  e  que  as  TDICs,  quando  utilizadas  em  uma  perspectiva  colaborativa  de  

    aprendizagem,   podem   se   tornar   instrumentos   que   auxiliam   o   aprendiz   em   seu  

    processo  de  interação  e  construção  do  conhecimento.  

    Estes  aspectos  fazem  com  que  elementos  como  a  colaboração  e  autonomia  no  

    processo   de   construção   do   conhecimento   sejam   potencializados,   oportunizando   o  

    desenvolvimento  de  sujeitos  protagonistas  em  uma  sociedade  tecnológica  digital.    

    Acreditando  que  as  ações  de  multiletramentos  desenvolvidas  na  escola  devam  

    partir  sempre  de  uma  perspectiva  sociocultural  de  cada  indivíduo  e  pensando  sempre  

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    909  

    nas   novas   necessidades   do   estudante   na   sociedade   hodierna,   buscamos   levar   em  

    consideração   a   forma   como   o   estudante   utiliza   a   linguagem   e   usa   as   informações  

    captadas   no   seu   cotidiano   para   a   construção   de   sua   identidade   e   do   seu  

    conhecimento.  

    Desta   forma,   como   resultados   desejados,   buscamos   que   esta   pesquisa   traga  

    contribuições   para   a   mudança   na   concepção   de   ensino-‐aprendizado,   sobretudo   na  

    escola  pública,  no  que  diz  respeito  ao  uso  da  TDICs  em  sala  de  aula.    Esperamos  ainda,  

    atender   às   novas   necessidades   do   aprendiz,   visando   o   seu   empoderamento   e  

    protagonismo  estudantil,   trazendo  para  a   realidade  da   sala  de  aula  as   vivências  e  as  

    práticas  sociais  digitais,  ainda  não  prestigiadas  pela  escola  oficial.  

     

     

     

    Considerações  finais    

    A   partir   da   aplicação   desta   pesquisa,   percebemos   que   a   escola   deve  

    oportunizar   o   desenvolvimento   de   indivíduos   autônomos,   críticos,   voltados   aos  

    anseios  e  exigências  da  sociedade  em  que  estão  inseridos  e  que  possam  trazer  a  esta,  

    contribuições  efetivas.  Como  foi  dito,  não  podemos  conceber  as  escolas  como  espaços  

    de   simples   transmissão   de   conhecimento,   mas   antes,   precisamos   (re)pensar   nos  

    caminhos  que  proporcionem  ambientes  de  aprendizagem  significativa.  

    Para  isso,  devemos  sempre  refletir  a  respeito  dos  usos  que  as  novas  tecnologias  

    podem   proporcionar   em   prol   da   construção   do   conhecimento   e   de   uma   visão  

    empoderada,   desenvolvendo   as   competências   e   habilidades   necessárias   para  

    usufruirmos  ao  máximo  do  seu  potencial.  

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    910  

    Diante   das   novas   exigências   e   aspectos   apresentados   na   sociedade   devemos  

    promover   ações   didático-‐pedagógicas   voltadas   para   práticas   de   leitura   e   escrita   de  

    textos  multimodais  aliadas  ao  ensino  de  Língua  Portuguesa  buscando  contribuir  para  a  

    ampliação   da   competência   escritora   dos   nossos   estudantes.   A   chave   é   acharmos   o  

    ponto   de   equilíbrio   para   que,   independente   do   suporte   utilizado,   possamos   agir   na  

    sociedade  de  maneira  crítica  e  colaborativa.  

    Enxergamos   desse   modo,   a   necessidade   de,   através   de   ações   pedagógicas  

    efetivas,   orientarmos   nossos   alunos   sobre   como   eles   podem   utilizar   as   múltiplas  

    linguagens,   em   direção   à   sua   emancipação   intelectual   e   às   suas   reais   necessidades  

    enquanto  agentes  transformadores  e  críticos  da  sociedade  contemporânea.  

     

     

     

     

    Referências    

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