Portugues Prova Comentada Tse

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LNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCCIOS) PROFESSOR DCIO TERROR Lngua Portuguesa para TSE Exerccios (Tcnico e Analista) Comentrio das provas TSE-2012 Prova 1 TSE-Tcnico Judicirio-2012 Presente perfeito 1 Aproveito a chegada do 13 salrio e a proximidade do Natal para discutir o presente perfeito. Num mundo perfeitamente racional, ningum nem pestanejaria antes de presentear seus familiares e amigos com dinheiro vivo. Em princpio, nada pode ser melhor. Elimina-se o risco de errar, pois o presenteado escolhe o que quiser, e no tamanho certo. Melhor, ele pode juntar recursos de diversas origens e comprar um item mais caro, que ningum sozinho poderia oferecer-lhe. S que o mundo no um lugar racional. Se voc regalar sua mulher com um carssimo jantar na expectativa de uma noite trrida de amor, estar sendo romntico. Mas, se ousar oferecer-lhe dinheiro para o mesmo fim, torna-se um simples cafajeste. Analogamente, voc ficar bem se levar um bom vinho para o almoo de Dia das Mes na casa da sogra. Experimente, porm, sacar a carteira e estender-lhe R$ 200 ao fim da refeio e se tornar persona non grata para sempre naquele lar. Essas incongruncias chamaram a ateno de economistas comportamentais, que desenvolveram modelos para explic-las. Aparentemente, vivemos em dois mundos distintos, o das relaes sociais e o da economia de mercado. Enquanto o primeiro regido por valores como amor e lealdade, o segundo tem como marca indexadores monetrios e contratos. Sempre que misturamos os dois registros, surgem mal-entendidos. O economista Dan Ariely vai mais longe e prope que, no mundo das relaes sociais, o presente serve para aliviar culpas: oferea ao presenteado algo de que ele goste, mas acha bobagem comprar, como um jantar naquele restaurante chique ou um perfume um pouco mais caro. O que voc est lhe dando, na verdade, uma licena para ser extravagante. Segundo Ariely, esse mecanismo que explica o sucesso de valespresentes e congneres, que nada mais so que dinheiro com prazo de validade e restries de onde pode ser gasto.(Hlio Schwartsman. Folha de S.Paulo, 4/12/2011, com adaptaes)

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01. Com base na leitura do texto e os sentidos por ele produzidos, analise as afirmativas a seguir: I. O presente perfeito dinheiro vivo. II. O mundo das relaes sociais no perfeitamente racional. III. O presente ideal o que sirva para aliviar culpas.Prof. Dcio Terror www.pontodosconcursos.com.br

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LNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCCIOS) PROFESSOR DCIO TERROR Assinale (A) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas. (B) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas. (C) se todas as afirmativas estiverem corretas. (D) se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas. Comentrio: A afirmativa (I) est errada e tem como fundamento de interpretao os dados implcitos. Note a estrutura do texto. Na segunda parte do primeiro pargrafo, feita uma hiptese de que, se o mundo fosse racional, a maneira ideal de se presentear seria com dinheiro vivo. O segundo pargrafo sustenta essa hiptese. Note a presena de verbos no futuro do pretrito do indicativo, como pestanejaria, poderia e de verbos no presente com valor de possibilidade pode ser, pode juntar, confirmando a hiptese. Porm, a partir do terceiro pargrafo, vemos que esta hiptese no se aplica, pois o mundo no um lugar racional, o que nos faz subentender que dinheiro vivo no o presente perfeito. A partir deste pargrafo o autor explica por qu. A afirmativa (II) est correta e tem como fundamento os dados explcitos, pois a primeira frase do terceiro pargrafo literalmente nos informa que o mundo no um lugar racional. A alternativa (III) est correta e tem como fundamento a interpretao literal, mas vamos primeiro a uma abordagem da estrutura do texto. Ele comea com a hiptese de um mundo racional com a possibilidade de o presente ideal ser o dinheiro vivo. A partir do terceiro pargrafo, mostra que o mundo no racional. Assim, subentende-se que o presente ideal no dinheiro vivo. A partir deste pargrafo, o autor d exemplos do presente ideal, com fundamento na diviso entre dois mundos distintos: o das relaes sociais e o da economia de mercado, culminando com a proposta de Dan Ariely de que no mundo das relaes sociais, o presente serve para aliviar culpas. O autor refora esse argumento com o sucesso dos vales-presentes e congneres. Portanto, um dado literal que mostra que a afirmativa est correta. Assim, a alternativa correta a (B). Gabarito: B 02. Em relao ao uso da primeira pessoa no texto, correto afirmar que (A) se justifica por narrar fatos ocorridos com o autor. (B) representa uma tentativa de aproximao com o leitor. (C) busca contextualizar a motivao pessoal pela escolha temtica. (D) institui carter emotivo ao que se deve tratar com objetividade. Comentrio: Esta questo trabalha a chamada interpretao localizada; pois a frase inicial do texto (Aproveito a chegada do 13 salrio e a proximidade do Natal para discutir o presente perfeito.) baseou-se numa percepo do autor sobre a proximidade do 13 e do Natal (motivao pessoal), para dissertar sobre o valor social e econmico do presente (escolha do tema). Assim, a alternativa correta a (C). A alternativa (A) est errada, pois no se est narrando fatos ocorridosProf. Dcio Terror www.pontodosconcursos.com.br

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LNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCCIOS) PROFESSOR DCIO TERROR com o autor. A alternativa (B) est errada. De maneira geral, autores utilizam a primeira pessoa do plural algumas vezes durante um texto para aproximarse do leitor; porm o contexto nos mostra que o autor no teve esta inteno, mesmo havendo verbos na primeira pessoa do plural, como vivemos e misturamos. A alternativa (D) est errada, porque o autor no trata o assunto emotivamente. Ele procura ser objetivo em suas abordagens argumentativas. Gabarito: C 03. A respeito do uso de voc em diferentes partes do texto, assinale a alternativa correta. (A) Em se tratando de um texto escrito para o jornal, a forma voc no poderia ser empregada por se tratar de linguagem coloquial. (B) A forma voc usada como recurso estilstico para indeterminar o agente das aes listadas no texto. (C) O texto se dirige especificamente aos leitores, tratados em sua individualidade; da a opo pela forma no singular. (D) O texto se dirige a um destinatrio especfico, desconhecido pelo leitor, em um tom epistolar. Comentrio: A alternativa (A) est errada, pois o pronome voc no tpico da linguagem coloquial. Ele apenas traduz uma aproximao natural entre os indivduos. Essa aproximao deve ser evitada em textos protocolares, como discursos oficiais e cerimoniosos. Na linguagem jornalstica ele amplamente usado. A alternativa (B) a correta, pois, em diversas partes do texto, pode-se trocar o pronome voc pelo pronome indefinido algum. Isso prova a generalizao e indeterminao provocadas pelo uso do pronome voc. A alternativa (C) est errada. Com base no comentrio da alternativa anterior, j percebemos o erro nesta alternativa. A alternativa (D) est errada, pois texto epistolar so composies poticas em forma de carta. Notadamente no esse o caso do texto lido. Gabarito: B 04. Assinale a palavra que, no texto, desempenhe funo sinttica idntica de marca (L. 21). (A) amor (L. 21) (B) vinho (L. 13) (C) bobagem (L. 26) (D) caro (L. 7) Comentrio: A orao o segundo tem como marca indexadores monetrios e contratos possui o verbo transitivo direto tem, o qual se flexiona no singular, porque o seu sujeito o segundo. Esse verbo possui o objeto direto indexadores monetrios e contratos. Assim, a sua estrutura bsica a seguinte: o segundo tem indexadores monetrios e contratos .sujeito VTD objeto direto

Pelo contexto, note que esses indexadores tm uma caractersticaProf. Dcio Terror www.pontodosconcursos.com.br

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LNGUA PORTUGUESA TSE (EXERCCIOS) PROFESSOR DCIO TERROR importante. Eles so a marca do segundo modelo (a economia de mercado). Sintaticamente, devemos entender que, na orao o segundo tem como marca indexadores monetrios e contratos, a expresso como marca o predicativo do objeto direto, por ser sua caracterstica. Assim, h um predicado verbo-nominal. Veja uma reconstruo desta orao para ficar mais fcil entender. Compare: o segundosujeito + VTD + predicativo do OD + + VTD + objeto direto

tem

como marca

indexadores monetrios e contratosobjeto direto

o segundo tem indexadores monetrios e contratos, os quais so a sua marcasujeito sujeito + VL + predicativo

Voc poderia ter ficado na dvida, porque esse predicativo no se flexionou de acordo com o objeto direto. Mas veja que, por questes de sentido (pelo contexto), o autor considera esses indexadores como a marca da economia de mercado. Alm disso, sintaticamente, como o vocbulo marca no um adjetivo, mas um substantivo, e est antecipado da preposio acidental como, entendido como locuo adjetiva, a qual, dependendo do contexto, pode no se flexionar. A alternativa (A) est errada, pois, semanticamente, a expresso como amor e lealdade apenas um exemplo de valores. Assim, essa expresso denotativa de exemplificao. A alternativa (B) est errada, pois a palavra vinho o ncleo do objeto direto do verbo levar: se levar um bom vinho.VTD + objeto direto conjuno condicional

A alternativa (C) a correta. A orao mas acha bobagem comprar possui um predicado verbo-nominal, em que o verbo acha transitivo direto e seu objeto direto a orao comprar. Mas se entende que essa ao de comprar uma bobagem. Assim, o substantivo bobagem a caracterstica da ao, por isso um predicativo do objeto direto. Veja uma reconstruo desta orao para ficar mais fcil entender. Compare: mas acha bobagem comprar mas acha que comprar bobagem. Veja que na segunda construo o verbo de ligao apareceu para enfatizar que bobagem mesmo o predicativo daquele objeto direto oracional. A alternativa (D) est errada, pois caro um adjetivo na funo de adjunto adnominal, por isso se flexiona de acordo com o