PRA ONDE TU VAI, MARIA? VOU PRA FEIRA DA SULANCA!â€‌ Pra onde tu vai Maria? Vou pra feira da...

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  • UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

    CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO

    PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS

    Juliana Gouveia Alves da Silva

    “PRA ONDE TU VAI, MARIA? VOU PRA FEIRA DA SULANCA!”:

    um estudo sobre o trabalho feminino na Feira da Sulanca de Caruaru-PE

    Recife

    2016

  • JULIANA GOUVEIA ALVES DA SILVA

    “PRA ONDE TU VAI, MARIA? VOU PRA FEIRA DA SULANCA!”:

    um estudo sobre o trabalho feminino na Feira da Sulanca de Caruaru-PE

    Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação

    em Direitos Humanos, Centro de Artes e Comunicação,

    da Universidade Federal de Pernambuco, como pré-

    requisito parcial para a obtenção do título de Mestre.

    Orientadora: Profª Drª Ana Maria de Barros.

    Coorientador: Prof. Dr. Marcelo Henrique G. de Miranda

    Recife

    2016

  • Catalogação na fonte

    Bibliotecário Jonas Lucas Vieira, CRB4-1204

    S586p Silva, Juliana Gouveia Alves da Pra onde tu vai Maria? Vou pra feira da sulanca! Um estudo sobre o

    trabalho feminino na Feira da Sulanca de Caruaru – PE / Juliana Gouveia Alves da Silva. – 2016.

    180 f.: il.

    Orientadora: Ana Maria de Barros. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Pernambuco,

    Centro de Artes e Comunicação. Direitos Humanos, 2016.

    Inclui referências e anexos.

    1. Direitos Humanos. 2. Mulheres. 3. Trabalho informal. 4. Feiras livres. 5. Ambiente de trabalho. 6. Trabalho – aspectos sociais. I. Barros, Ana Maria de (Orientadora). II. Titulo.

    341.48 CDD (22.ed.) UFPE (CAC 2016-123)

  • JULIANA GOUVEIA ALVES DA SILVA

    PRA ONDE TU VAI, MARIA? VOU PRA FEIRA DA SULANCA!

    UM ESTUDO SOBRE O TRABALHO FEMININO NA FEIRA DA SULANCA

    DE CARUARU-PE

    Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em

    Direitos Humanos, da Universidade Federal de Pernambuco,

    como requisito parcial a obtenção do Grau de Mestre. Em

    Direitos Humanos, em 26/02/2016

    DISSERTAÇÃO APROVADA PELA BANCA EXAMINADORA:

    _____________________________________________________

    Prof Drª Ana Maria de Barros

    Orientadora – PPGDH - UFPE

    _____________________________________________________

    Profª Drª. Maria Betânia do Nascimento Santiago

    PPGDH - UFPE

    ______________________________________________________

    Profª Drª Tâmia Maria Goretti Donato Bazante

    PPG em Educação em Ciências e Matemática/CAA - UFPE

    Recife

    2016

  • Às Marias Mulheres Trabalhadoras, que resistiram e

    resistem cotidianamente, dentre elas as Marias Mulheres

    da minha vida, especialmente as Gouveias; ao meu filho,

    por quem busco aprender cotidianamente a imensidão do

    amor, a elas e a ele dedico este trabalho.

  • AGRADECIMENTOS

    Para sobreviver o ser humano precisa da companhia de outros da mesma espécie, para

    se desenvolver é necessário que esteja em sociedade. Assim, nunca fazemos nada sozinhos.

    Seja em pares com os da mesma espécie, em equipe unidos por um objetivo ou em grupos por

    um ideal. Questões materiais, epistemológicas, espirituais, entre outras, nos unem. Buscando

    a união, agradeço:

    Ao amigo-Deus, pelo encontro com o que vai além dos olhos.

    Aos amigos-colegas de turma, com quem compartilhei momentos de aprendizagem,

    esperança e desesperança, dúvida e certezas, dentre os quais encontro até familiares, os Três

    Mosqueteiros (mesmo não sendo rainha, tive o prazer de ser acolhida por três gentis

    cavalheiros: Adrielmo Moura, Frederico Oliveira e Marco Aurélio), pelos momentos

    vivenciados desde o encontro pós-aprovação até esses dias. No entanto, como no romance não

    são três e sim quatro Mosqueteiros, agradeço a Edvaldo Pedro, pela grata surpresa que

    representa em minha vida e pela contribuição às leituras.

    Aos amigos do projeto Cultura Valorização da Vida, por vivenciarmos a luta em prol

    da garantia de Direitos Humanos e por terem vivenciado a luta pela aprovação e festejarem o

    resultado, tanto a equipe de Recife quanto a de Caruaru, aqui representados por Oscar

    Bazantts e Roberto Gercino.

    À equipe dos amigos-trabalhadores do Mestrado em Direitos Humanos, Karla, Maura

    e Clarissa, ao corpo docente, em especial a Profa. Dra. Celma Tavares, Prof. Dr. De La Mora,

    a coordenação do curso e a Profa. Dra. Virgínia. Por vivenciar a educação em Direitos

    Humanos, desde a acolhida no programa até o diálogo fonte de aprendizagem constante, a

    conduta ética, respeitosa, transparente, amiga mostrou que me encontrava no caminho certo.

    Aprendi muito com vocês.

    Aos amigos-mestres pelo exemplo, aos professores pela possibilidade. Assim agradeço

    a Arnaldo Dantas, Kalliane Rocha, Parry Scott e aos professores que contribuíram ao longo da

    minha trajetória de formação.

    Aos amigos-orientadores: não poderia ter um, teria que ser dois. A Marcelo Miranda

    pelo respeito, cordialidade, profissionalismo e paciência. À Ana Maria de Barros pela força,

    incentivo, determinação, sororidade e principalmente por não desistir quando as minhas forças

    faltaram e não acreditava mais.

    Ao tripé ao qual pertenço (como os ideais da Revolução Francesa faço parte de um),

    formado por minha amiga-mãe e minha irmã-amiga, que foram e são apoio, sustentação,

  • exemplo, refúgio, berço, família, além de exemplo de honestidade, caráter, força e

    integridade. Vocês são demais!

    À minha amiga-avó pela coragem, garra, perseverança com que encarou e encara a

    vida, por ser uma mulher entre tantas que não se dobraram ao patriarcalismo, ao machismo, à

    opressão de classe, por ter erguido sua vida com o trabalho, afirmando em seu exemplo que a

    mulher pode. Minha admiração, meu amor e meu orgulho de ser sua neta.

    Aos amigos da equipe da Licenciatura Intercultural Indígena, desde os estudantes, as

    monitoras e a coordenação, meu agradecimento sem distinção. Aprendi nessa equipe desde

    quando exercia a monitoria até a docência. A generosidade de professores como Ana Duarte,

    Betânia Santiago e Alexandre Viana é um exemplo que carregarei para a vida.

    Aos amigos da vida, Julienny Mary, Thiago Sá e suas respectivas famílias, pela

    construção de uma amizade que ultrapassou o muro da individualidade e estendeu o amor-

    amigo aos que participam de nossas vidas. Às amigas Jociela Moraes e Edite Vital pelo

    companheirismo e acolhimento. Aos amigos Maylsson Ricardo e Maria Antônia pela adorável

    descoberta que a igualdade possibilita.

    Ao amigo-poeta Valdir Santos pela doçura em ceder sua poesia cantada, autorizando

    que se tornasse o título desse trabalho, que retrata o cotidiano do trabalho das mulheres

    sulanqueiras para “abrilhantar” esse estudo.

    À amiga-banca de qualificação, composta por Ana Maria Duarte e Betânia Santiago,

    pelo respeito frente às limitações da pesquisadora e pelas importantes contribuições para esse

    trabalho.

    Às amigas-feirantes por proporcionarem a execução da pesquisa. E a todas aquelas

    amigas-pessoas que contribuíram de algum modo para esta caminhada e este estudo.

    A CAPES, pelo financiamento estudantil.

    Por fim, ao meu filho, por existir. Sua presença contribui para a experiência de amar

    sem prender, sem sufocar, um amor que contribui para a emancipação, para o voo na vida.

    Espero ser um bom exemplo de amiga-mulher-cidadã para você.

  • RESUMO

    Compreender o universo do trabalho feminino das feirantes da Sulanca na cidade de Caruaru

    e seu papel no desenvolvimento do Agreste de Pernambuco foi o caminho traçado nesta

    pesquisa. A feira da Sulanca está ligada ao polo de confecções do Agreste e a cidade de

    Caruaru está inserida nesse polo de desenvolvimento regional. O foco da pesquisa é o papel

    das mulheres que atuam na feira desempenhando ações fundamentais para a atividade

    econômica. As mulheres atuam em todas as áreas no processo produtivo, desde a

    transformação da matéria-prima à comercialização dos produtos. O estudo busca trazer

    visibilidade ao trabalho, observando em que medida este trabalho contribui para a afirmação

    dos Direitos Humanos das mulheres feirantes. A pesquisa foi realizada numa perspectiva

    histórico-estrutural, parte dos trabalhos nas feiras no âmbito da história da humanidade,

    percorre seu desenvolvimento ao longo da trajetória do capitalismo e relaciona o trabalho na

    feira à informalidade, precariedade e baixa rede de proteção social em que atuam as mulheres

    feirantes da Feira da Sulanca de Caruaru. A pesquisa tem como objetivo geral compreender o

    trabalho feminino na feira da Sulanca de Caruaru e sua relação com a afirmação dos Direitos

    Humanos; e, como objetivos específicos, analisar as condições de trabalho das mulheres n