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Produtos de acabamentos em madeira UFPR

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  • PRODUTOS UTILIZADOS NO SETOR DE ACABAMENTO DE MVEIS DE MADEIRA

    CARACTERSTICAS E TCNICAS DE APLICAO

    Jos Reinaldo Moreira da Silva1 Paulo Fernando Trugilho1

    Lourival Marin Mendes1 Jos Caixeta2!

    Ricardo Marius Della Lucia3

    1. INTRODUO

    Segundo Ferreira (1988), qualidade a caracterstica de uma coisa, modo de ser, aptido, nobreza. Sendo assim, pode-se definir qualidade de uma superfcie como o conjunto de condies que a torna capaz de distin-gui-la das outras e de determinar a sua natureza. Numa escala de valores, a qualidade permite avaliar e conseqentemente, aprovar, recusar ou aceitar o estado final da pea.

    Todo produto cuja matria-prima constitui-se de madeira necessita de um bom tratamento, a fim de proteger o mesmo contra as diversas condi-es ambientais e de uso. Com um acabamento satisfatrio, tm-se como garantia a durabilidade e a esttica do produto ao longo do tempo (Tintas Coral, 1994).

    1 Professor do Departamento de Cincias Florestais. Universidade Federal de La-

    vras. Caixa Postal 37, CEP 37200000, Lavras/MG - (035) 829 1411. 2 Engenheiro Florestal, DCF/UFLA (in memorian). 3 Professor do Departamento de Engenharia Florestal. Universidade Federal de

    Viosa - Viosa/MG

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    Normalmente, pensa-se que a aplicao dos produtos de acabamento para madeira inicia-se na sua deposio sobre a pea, mas nota-se que ativi-dades anteriores devem ser cuidadosamente controladas para que os resulta-dos obtidos sejam satisfatrios. Dentre todas as atividades necessrias ao acabamento, pode-se destacar a vistoria das condies da superfcie de an-coragem (determinado pela preparao), o preparo do produto, a regulagem dos equipamentos e a aplicao propriamente dita. Aps a execuo de to-das essas atividades, possvel obter uma boa qualidade do produto final (Compndio..., 1992).

    Com este trabalho objetivou-se mostrar e ensinar o correto uso das substncias que podem ser usadas no acabamento de madeira, descrevendo os principais produtos, quais so os cuidados necessrios, suas caractersti-cas, alguns fundamentos e tcnicas de sua aplicao, bem como o controle de qualidade e segurana do trabalho das indstrias madeireiras..

    2. PRODUTOS UTILIZADOS NO ACABAMENTO DE MADEIRA E DERIVADOS

    2.1. CLASSIFICAO DOS PRODUTOS

    2.1.1. Produtos naturais ou reversveis

    So aqueles extrados de animais ou vegetais (SENAI, 1995). A cura ocorre pela evaporao do solvente; o processo ocorre, geralmente, de ma-neira rpida, pois dependente das condies internas do ambiente de seca-

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    gem (temperatura e circulao de ar). Por causa dessa forma de cura, esses produtos so considerados reversveis na presena de lcoois, teres, ceto-nas e outros solventes (Sayerlack Indstria Brasileira de Vernizes S.A., [199-?]). No mercado, esses produtos so representados pelo grupo dos ni-trocelulsicos, obtidos por nitrao, com uma mistura de cido ntrico e ci-do sulfrico, de algodo ou polpa de madeira (SENAI, 1995), possuindo facilidade de aplicao e bom nivelamento da superfcie, mas baixa resis-tncia mecnica e qumica (reversveis). As baixas resistncias tm causado a reduo de sua utilizao, principalmente para o mercado externo, que at o incio dessa dcada correspondia com mais de 70% dos acabamentos efe-tuados dentro do setor do mobilirio. Seu aspecto final altamente afetado pela umidade relativa do ambiente de aplicao. Sob alta umidade relativa, ocorre evaporao do solvente em maior velocidade que a evaporao da gua, que forma gotculas de gua na superfcie do acabamento. Para reduzir ou eliminar esse inconveniente, necessrio o uso de retardante de cura, que um aditivo base de butil, que promove uma secagem mais lenta, permi-tindo, primeiramente , a sada (evaporao) da gua.

    2.1.2. Produtos sintticos ou minerais ou irreversveis

    So os produtos encontrados na forma de bicomponentes. A primeira parte a resina propriamente dita e a segunda, o catalisador qumico. s vezes, necessrio a introduo de diluentes e aditivos para conferir carac-tersticas adequadas de aplicao ou propriedades especficas (SENAI, 1995). Esses componentes no participam da reao de cura, sendo volatili-zados aps a aplicao. Os produtos sintticos so representados, em sua grande maioria, pelos produtos poliuretnicos, possuindo alta resistncia fsica, mecnica e qumica, sendo considerados irreversveis. A cura desses

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    produtos ocorre por meio de reaes qumicas entre a resina e catalisador. Em virtude dessas caractersticas positivas, sua utilizao tem aumentado cada vez mais no setor do mobilirio. Contudo, possuiem as desvantagens de serem mais caro e de no permitirem retoques de aplicao, exigindo maior treinamento do operador (Costa Jnior, [1997?]).

    Um outro grupo de produtos sintticos so os polister, que secam numa superfcie fosca e que geralmente sero lixadas e polidas posterior-mente. So utilizados quando se deseja pelcula de alta espessura e alto bri-lho, sendo considerado um acabamento vtreo. Existe uma forte reao de inibio da secagem do produto pelo contato com os componentes qumicos da madeira, sendo necessria a aplicao de um produto isolante, geralmen-te de natureza poliuretnica (Compndio..., 1992).

    Existem outros produtos, que por serem pouco utilizados, no mere-cem discusses aprofundadas. Como exemplo, temos os SH (catalisados por cido), os acrlicos e os vinlicos (Compndio..., 1992).

    De maneira geral, os produtos de revestimento so compostos de dois ou mais componentes, que necessitam ser misturados e catalisados para que ocorra sua cura. A catlise pode ser via agente fsico (temperatura) ou qumico. Geralmente, o produto aplicado sobre uma superfcie de madeira denominado resina, cuja classificao baseada nos seus prprios compo-nentes.

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    2.2. TIPOS DE PRODUTOS

    2.2.1. Massas

    So produtos pigmentados de alto teor de slidos e consistncia grossa. Utilizado para corrigir pequenas imperfeies na madeira, como enchimento de ns e rachaduras (SENAI, 1995; Costa Jnior, [1997?]).

    2.2.2. leos e ceras

    So produtos aplicados s superfcies aps as mesmas terem sofrido o processo de usinagem e acabamento, que protege, limpa, lustra e conserva todos os tipos de madeiras (portas, janelas, mveis, adornos, rodaps, lami-nados, assoalhos, etc...) e pisos cermicos, hidratando-os e renovando-os. (Manufatura Produtos King Ltda., 1998).

    2.2.3. Seladoras

    So produtos qumicos encontrados geralmente na forma lquida, cu-ja funo cobrir e fechar os poros e espaos intercelulares da madeira, preparando-a para receber tingimentos e acabamento final no se esquecen-do de que tambm existem seladoras que servem como acabamento final (Tintas Coral, 1994). O aspecto da superfcie aps o selamento uma pel-cula uniforme, nivelada e transparente, realando a gr da madeira. Existem tipos especiais de seladoras que so chamados de primers, os quais possu-em pigmentos com a finalidade de cobrir madeiras que no possuem beleza agradvel ou madeiras que, durante o preparo da superfcie, tenham sofrido o processo de emasseamento para retirada de depresses ou cobrimento de furos de insetos e ns.

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    2.2.4. Vernizes

    uma soluo de goma, essncia ou leo secativo empregado para recobrir madeiras, que seca parcialmente pela oxidao dos componentes oleosos ou resinosos (Ferreira, 1988; Watai, 1995), sendo um dos mais famosos tipos de acabamento que embelezam e protegem a madeira (Com-pndio..., 1992). So produtos presente em duas formas: lquida ou slida. Na forma slida, ele ser dissolvido para sua utilizao, principalmente pela adio de lcoois. Os vernizes podem ser aplicados sobre os seladores ou tingidores. Existe uma grande variedade de tipos de vernizes e a sua escolha dever ser feita observando-se as caractersticas desejadas, tais como o nvel de brilho e o tempo de secagem (Compndio..., 1992).

    2.2.5. Tintas

    a disperso de um ou mais pigmentos em uma pelcula slida, ou mistura de slido e lquido, e que, quando estendida em pelcula fina, seca e forma um filme aderente ao substrato (Compndio..., 1992). So tambm conhecidos vulgarmente como os vernizes que contm pigmentos. So, normalmente, utilizados sobre os primers, alterando totalmente a aparn-cia da madeira.

    3. PROPRIEDADES TCNICAS

    Sero listadas e discutidas as principais propriedades dos produtos de acabamento que afetam o rendimento, a qualidade da pelcula e as condi-es de segurana do operador. Esses dados so fornecidos pela maioria dos

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    fabricantes, quer seja diretamente nas embalagens, quer seja em forma de boletins tcnicos, devendo ser seguidos rigorosamente.

    3.1. TEOR DE SLIDOS

    Conforme pode ser observado, os produtos de acabamento possuem duas fases. A forma lquida, antes e durante a aplicao, e a forma slida sobre a pea de madeira, aps a cura (Watai, 1995; Compndio..., 1992). O teor de slido representa a quantidade de produto que permanecer na pea sob a fase slida, isto , o percentual do total de produto lquido aplicado que se transformar na pelcula slida de revestimento (SENAI, 1995).

    A escolha entre dois produtos por causa do preo muito freqente no setor de acabamento. Na maioria das vezes, essa opo no a correta, pois, pode-se ter produtos mais baratos com baixos teores de slidos, e que exigiro um maior volume aplicado para se obter resultado semelhante ao obtido com a aplicao de pequenas quantidades do produto de alto teor de slido.

    H um fato corriqueiro que os operadores (aplicadores) do produtos fazem e que muito interessante. Quando o produto preparado est acaban-do e falta uma pequena pea ou uma parte dessa, costuma-se ralear a so-luo adicionando diluentes; com isso espera-se aumentar o volume para que se possa terminar a aplicao em toda a pea. Mas, o que se pode con-cluir que a colocao de diluentes no aumenta o teor de slido