Publico 20052013

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29a1b659-bd44-465b-b38a-9c640ab96eb5 PAULO PIMENTA FC Porto confirma tri no último passo Destaque, 3 a 10 O novo patriarca, D. Manuel Clemente, pede aos governantes que sejam mais solidários p16 Águas de Portugal, onde fora detectado contrato polémico, saiu subitamente da lista, entrando a CP p20 Governo desfasado da capacidade de resistência do povo AdP saiu da lista dos swaps dias antes do anúncio público CONSELHO DE ESTADO CAVACO QUER DISCUTIR O PÓS- TROIKA, MAS PODERÁ HAVER MAIS TROIKA NO PÓS- TROIKA Portugal, 12/13 Hezbollah apoia Assad em batalha vital para rebeldes sírios p24/25 SEG 20 MAI 2013 EDIÇÃO LISBOA Ano XXIV | n.º 8440 | 1,10€ | Directora: Bárbara Reis | Directores adjuntos: Nuno Pacheco, Manuel Carvalho, Miguel Gaspar | Directora executiva Online: Simone Duarte | Directora de Arte: Sónia Matos AMANHÃ Grandes Vozes Americanas Vol. 2 Nat King Cole Por + 6,90€ des sírios p2 CON CAV O PÓ HA V S

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  • 29a1b659-bd44-465b-b38a-9c640ab96eb5

    PAULO PIMENTA

    FC Porto confi rma tri no ltimo passo Destaque, 3 a 10

    O novo patriarca, D. Manuel Clemente, pede aos governantes que sejam mais solidrios p16

    guas de Portugal, onde fora detectado contrato polmico, saiu subitamente da lista, entrando a CP p20

    Governo desfasado da capacidade de resistncia do povo

    AdP saiu da lista dos swaps dias antes do anncio pblico

    CONSELHO DE ESTADOCAVACO QUER DISCUTIR O PS-TROIKA, MAS PODER HAVER MAIS TROIKA NO PS-TROIKA Portugal, 12/13

    Hezbollah apoia Assad em batalha vital para rebeldes srios p24/25SEG 20 MAI 2013EDIO LISBOA

    Ano XXIV | n. 8440 | 1,10 | Directora: Brbara Reis | Directores adjuntos: Nuno Pacheco, Manuel Carvalho, Miguel Gaspar | Directora executiva Online: Simone Duarte | Directora de Arte: Snia Matos

    AMANH Grandes Vozes Americanas Vol. 2 Nat King Cole Por + 6,90

    des srios p2

    CONCAVO PHAVPS

  • PBLICO, SEG 20 MAI 2013 | DESTAQUE | 3

    Dois erros depois, a festa do 27. ttulo do FC PortoOs drages sagraram-se campees com uma vitria, por 2-0, em Paos de Ferreira. Lucho e Jackson marcaram

    No houve muito FC Porto, o Paos de Ferreira foi uma rplica gasta do que mostrou durante toda a poca, o futebol das duas equipas alternou, quase sempre,

    entre o soporfero e o deprimente, mas quando o rbitro Hugo Miguel apitou pela ltima vez, tudo isso j

    tinha deixado de interessar e era passado. Vtor Pereira j estava aos saltos, os Super Drages j tinham esticado uma faixa a dizer campees nacionais e o tricampeonato estava garantido pelo FC Porto. Para a histria, ca o resultado: 2-0, golos de Lucho e Jackson. O 79. campeonato nacional azul e branco.

    Quando, no prximo sbado, Pinto da Costa for reconduzido para um 13. mandato como presidente do FC Porto, ter no currculo 20 ttu-los de campeo nacional. O primeiro, desde que foi eleito como 33. presi-dente portista, a 17 de Abril de 1982, foi conquistado na poca de 1984-85, com oito pontos de vantagem sobre o Sporting. Curiosamente, fazendo a mdia dos pontos de avano sobre o vice-campeo no nal dos 19 campe-onatos conquistados pelo FC Porto at ontem, o resultado obtido so esses mesmos oito pontos. Ou seja, desde que Pinto da Costa lder dos drages, os adeptos azuis e bran-cos habituaram-se a festejar ttulos com antecedncia, sem emoes fortes ou apertos de ltima hora. A histria da conquista do 27. campe-onato nacional do FC Porto foi dife-rente. Desta vez, foi preciso sofrer at ao minuto 23 da ltima jornada.

    No longo reinado de 31 anos de Pinto da Costa, ontem foi a terceira vez que os portistas chegaram aos ltimos 90 minutos com necessida-

    de de vencerem para garantirem o ttulo. Nas duas anteriores, em 1985-86 e 2006-07, o FC Porto, apesar de uns ligeiros sustos, no fraquejou na hora H, mas, em ambas ocasies, a partida decisiva foi em casa, frente ao ltimo classi cado da prova (Sp. Covilh e Desp. Aves, respectivamen-te). Desta vez, no houve lanterna vermelha pela frente nem o con-forto de ser an trio. Para conquis-tarem um campeonato que, h um par de semanas, quase nenhum por-tista acreditava ser possvel vencer, os drages tinham que superar a equipa-sensao da prova.

    Numa partida em que apenas jo-gava para um resultado a vitria , o FC Porto teria de ser autoritrio e atacar a baliza de Cssio desde o apito inicial de Hugo Miguel. Sobre isso, nenhum portista tinha qualquer dvida. Mas e o Paos de Ferreira? Com que atitude iria surgir em cam-po? Apesar da con ana inabalvel em Lucho, Moutinho, James e Jack-

    I LIGA 2012-13

    O FC Porto deu o 20 ttulo de campeo nacional a Pinto da Costa

    David Andrade

    ra a marca de grande penalidade. A existir falta, seria fora da rea,

    mas o defesa pacense foi expulso e Lucho no desperdiou a benesse. Com um duplo erro (de Luiz Carlos e Hugo Miguel), os portistas passa-vam para a frente, o Paos cava em inferioridade numrica e as dvidas acabavam: a festa do 27. ttulo do FC Porto, o 20. de Pinto da Costa, segun-do de Vtor Pereira, podia comear.

    Seguiram-se 70 minutos dignos de um jogo de pr-poca, mas hou-ve tempo para Miguel Nunes festejar mais dois golos: aos 43, quando o Moreirense marcou na Luz e aos 51, quando Jackson fez o 26. golo no campeonato. Depois, foi a festa azul e branca no relvado, a entrega da taa e Vtor Pereira. Quando todos os jogadores portistas j tinham recolhi-do aos balnerios, o treinador conti-nuava junto s bancadas, a agradecer aos adeptos. Obrigado por tudo, V-tor, atirou um, com a camisola de Lucho vestida, entre sorrisos.

    Paos de Ferreira 0

    FC Porto 2Lucho 23 (g.p.), Jackson 52

    Estdio Capital do Mvel, P. Ferreira.Espectadores cerca de 5000

    Paos de Ferreira Cssio, Toni, Tiago Valente, Ricardo a22, Diogo Figueiras, Andr Leo a77, Luiz Carlos, Manuel Jos (Christian, 46), Vtor (Hurtado, 74), Josu e Jaime Poulsen (Javier Cohne, 24). Treinador Paulo Fonseca

    FC Porto Helton, Danilo a17aa56, Otamendi, Mangala, Alex Sandro, Defour (Castro, 77), Lucho Gonzlez, Joo Moutinho, James Rodrguez (Kelvin, 81), Varela (Liedson, 89) e Jackson Martnez. Treinador Vtor Pereira

    rbitro Hugo Miguel (AF Lisboa)

    PAULO PIMENTA

    son, Miguel Nunes, de cachecol azul e branco no pescoo, roa as unhas enquanto assistia chegada do auto-carro da equipa da casa, hora e meia antes do incio da partida e, entre dentes, dizia para o lado: E se eles se venderam ao Ben ca?

    E Miguel Nunes, j dentro do est-dio, onde os portistas venciam por larga maioria, no deve ter gostado nada do que viu nos primeiros 20 minutos. Ao contrrio do que era ex-pectvel, os jogadores do FC Porto estavam amorfos, quase inofensivos, e os do Paos, mesmo sem incomo-dar Helton, pareciam ter a lio bem estudada, amarrando as peas-chave azuis e brancas. Mas o nervosismo daquele espectador e restantes por-tistas terminou no minuto 23, quan-do, em apenas uma jogada, dois er-ros resolveram todos os problemas do FC Porto: um atraso disparatado do pacense Luiz Carlos isolou James, o colombiano, com Ricardo por per-to, caiu e Hugo Miguel apontou pa-

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    I LIGA 2012-13

    No podia ser um bom augrio. Antes do incio do jogo, no voo habitual da guia Vitria, algo a assustou e ela no fez a descida habitual na

    direco do seu tratador. O Ben ca precisava de tudo, de si prprio, de um Paos de Ferreira inspirado, de um FC Porto desinspirado e de todos os bons pressgios para conseguir chegar ao 33. ttulo de campeo da sua histria. Os encarnados cumpriram o seu papel e venceram o Moreirense por 3-1, mas tudo o resto falhou e foram os portistas a chegar ao tricampeonato com um

    O desalento dos jogadores do Benfica, apesar do triunfo sobre o Moreirense

    Marco Vaza

    Nenhuma festa na Luz. Nem do Benfi ca, nem do Moreirense

    Encarnados vencem Moreirense por 3-1, um resultado que no foi sufi ciente para chegar ao ttulo e que atirou a formao minhota para a II Liga

    FRANCISCO LEONG/AFP

    triunfo na Mata Real, por 2-0. Se a vitria pouco signi cado teve para o Ben ca, atirou a formao orientada por Augusto Incio para a II Liga.

    As contas do Ben ca eram fceis de fazer. Tinha de ganhar, nenhum outro resultado interessava, porque perderia sempre no desempate pon-tual com os portistas, e esperar que o Paos conseguisse roubar pontos ao FC Porto. S esta combinao resultava para o Ben ca corrigir os estragos feitos nas duas jornadas an-teriores, em que transformara uma vantagem de quatro pontos numa desvantagem de um. E, de alguma forma, recuperar algum moral per-dido depois do desaire em Ames-terdo na nal da Liga Europa com o Chelsea.

    Frente a uma equipa que lutava pela sobrevivncia (e que, apesar de tudo, dependia apenas de si), Jorge Jesus optou por deixar Gaitn no banco, apostando em Ola John de incio, no lado esquerdo do ataque. O Ben ca entrou dominador, mas sem aquela fasca que tantas vezes mostrou, de ataque continuado, esmagador e com propenso para marcar cedo. Mas o golo tardava em acontecer. Onde o marcador funcio-nou foi na Mata Real e para o lado errado das aspiraes ben quistas. Lucho marcava para o FC Porto e co-locava o ttulo na rota do Drago.

    Algum ter dado a informao a Jorge Jesus a partir do banco, mas o tcnico ben quista manteve-se impassvel, a olhar para o relva-

    do. A equipa que deve ter senti-do a reaco do estdio (estiveram 51.349 espectadores na Luz) e o chip da motivao mudou. O domnio continuou, mas foi o Moreirense a marcar. Tudo comeou num erro de Jardel, que obrigou a uma falta de Luiso sobre Ghilas. Os visitantes marcaram o livre de imediato e o franco-argelino chegou rea, fez o cruzamento e Vinicius, sem mar-cao, faz o 1-0 aos 43.

    Ainda antes do intervalo, o Ben -ca voltou a estar perto do golo, com Lima a atirar ao poste depois de um primeiro remate de Jardel, a mais a-grante de uma srie de oportunida-des encarnadas na primeira parte. Para o segundo tempo, Jorge Jesus fez entrar Gaitn para o lugar do ine -caz Ola John e os efeitos foram quase imediatos. Foi do argentino que saiu o cruzamento, aos 49, para o cabe-ceamento certeiro de Cardozo.

    Logo a seguir ao empate na Luz, o marcador voltou a funcionar na Mata Real ( Jackson fez o 2-0 para o FC Por-to) e as esperanas ben quistas ca-ram reduzidas a quase nada. A nica equipa para quem o resultado seria importante era o Moreirense, que, depois de uma boa primeira parte, estava cada vez mais en ado na sua rea. O Ben ca intensi cou a presso e, aps vrias oportunidades perdi-das, chegou ao triunfo aos 80, com Lima a fazer o 2-1, que nada fez pelas contas do ttulo e que encaminhava o Moreirense para a II Liga.

    Quando o FC Porto j celebrava na Mata Real, o Ben ca ainda fez o 3-1, com um penlti convertido por Li-ma, aps Paulinho (que foi expulso) ter cortado a bola com o brao em cima da linha. Fim de campeonato na Luz e ningum festejou, nem o Moreirense (despromovido, enquan-to o seu treinador passa a homem forte de futebol do Sporting), nem o Ben ca, que celebrou apenas mais uma vitria, com muito pouco sal. Resta a Taa de Portugal.

    Benfica 3Cardozo 50, Lima 80, Lima (g.p.) 90+3

    Moreirense 1Vinicius 43

    Positivo/Negativo

    Jogo no Estdio da Luz, em Lisboa.

    Assistncia 51.549 espectadores

    Benfica Artur, Maxi Pereira, Luiso, Jardel, Andr Almeida, Salvio, Enzo Prez (Urreta, 76), Matic a89, Ola John (Nico Gaitn, 46), Lima e Cardozo a26 (Andr Gomes, 86). Treinador Jorge Jesus.

    Moreirense Ricardo Ribeiro, Paulinho a90+1, Anbal Capela (Rafael Lopes, 90), Diego Gacho a60, Florent, Vinicius, Filipe Gonalves (Tales, 79), Pintassilgo (Kinkela, 81), Fbio Espinho, Pablo Oliveira e Ghilas. Treinador Augusto Incio.

    rbitro Marco Ferreira (Madeira)

    Gaitn A sua entrada revolucionou o jogo do Benfica. Bem melhor que o ineficaz Ola John, fez a assistncia para o primeiro golo e participou na jogada do segundo.

    Lima Mais dois golos para o brasileiro. Tambm falhou algumas oportunidades, mas, se no fosse ele, o Benfica talvez no tivesse ganho.

    Ola John Muito apagado, nunca fez a diferena no flanco esquerdo.

    2. parte do MoreirenseRecuou demasiado cedo e entregou o jogo ao adversrio.

  • 6 | DESTAQUE | PBLICO, SEG 20 MAI 2013

    I LIGA 2012-13

    Estava-se a 17 de Maro de 2013. Quatro dias depois de uma do-lorosa derrota em Mlaga, que custou ao FC Porto a elimina-o da Liga dos Campees, os portistas empatam na Madeira,

    frente ao Martimo, a um golo. Com sete jornadas por disputar, os azuis e brancos cam a quatro pontos de um fulgurante Ben ca que, nesse m-de-semana, passeia em Guimares (4-0) e cam a depender de terceiros para chegarem ao tri.

    Vtor Pereira, que nunca teve bom ambiente no Estdio do Dra-go, passa, a partir dessa altura, a ser to elogiado nas ruas portuenses como Vtor Gaspar pelos utentes de qualquer Repartio de Finan-as ou Pedro Mota Soares numa la de espera num Centro de Emprego. Para piorar ainda mais a vida ao

    rotas, uma bofetada de luva branca em muita boa gente.

    No reinado de 730 dias como treinador do FC Porto, Vtor Perei-ra recebeu inmeros comentrios desfavorveis. Muitos justi cados. A qualidade do futebol apresentado pelos azuis e brancos em alguns jogos foi medocre, as eliminaes na Taa de Portugal, em Coimbra e Braga, foram difceis de digerir, a fase de grupos na Liga dos Campe-

    David AndradeVtor Pereira, o mal-amado que d ttulos

    O treinador no goza de grande popularidade entre muitos adeptos portistas, apesar de ter apenas uma s derrota em duas pocas no cargo

    treinador espinhense, cerca de um ms depois, o FC Porto perde a nal da Taa da Liga e a comitiva azul e branca recebida no Drago com insultos por meia centena de adep-tos. Bombardeado por crticas que caem de todos os lados, o futuro de Vtor Pereira de drago ao peito pare-ce traado e ningum arrisca apostar um cntimo na renovao de con-trato do treinador no nal da poca.

    Porm, as notcias sobre a morte do tcnico, que conquistou ontem o terceiro ttulo no FC Porto (dois como treinador principal e um no papel de brao-direito de Andr Villas-Boas), foram manifestamente exageradas. O mais provvel que Vtor Perei-ra tenha mesmo feito em Paos de Ferreira o ltimo jogo como lder da equipa azul e branca, mas ine-gvel que se o contrato do treinador no for renovado, Vtor Pereira sai-r de cabea bem erguida aps dar, com a conquista deste ttulo sem der-

    O FC Porto fez o xeque-mate ao Benfica nos confrontos directos. Na poca passada, na Luz; este ano, no Drago

    Helton 30 jogos (30 como titular); 14 golos sofridos Perdeu

    apenas 20 minutos da Liga, quando saiu, por precauo, na segunda parte da vitria fcil em casa frente ao Martimo.

    Fabiano 1 jogo (0); 0 golos sofridos Apenas 20 minutos em campo, por causa da tal pequena leso de Helton com o Martimo. Jogou mais na Taa da Liga e na Taa de Portugal.

    Danilo 28 jogos (28); 2 golos Depois de uma primeira metade

    de poca discreta, subiu de nvel na segunda, acabando por ser importante no apoio a um ataque que teve dificuldade em criar perigo atravs dos extremos. Fez trs assistncias para golo na Liga, todas para Jackson.

    Miguel Lopes 2 jogos (2); 1 goloPerdeu o lugar para Danilo. Mais utilizado em Alvalade do que no Drago, foi importante no empate em Vila do Conde, com um golo e uma assistncia.

    Alex Sandro 25 jogos (24); 1 goloFoi o melhor lateral dos azuis e brancos e um dos melhores da equipa durante a poca. Resolveu com calma e tcnica a maioria

    dos problemas que teve de solucionar.

    Quiones 1 jogo (1) Face aos castigos de Alex Sandro e Mangala, o lateral-esquerdo colombiano teve de jogar contra o Rio Ave e cumpriu.

    Maicon 15 jogos (12); 2 golosTeve uma poca marcada pelas leses e no jogou tanto como na anterior. Foi titular nas primeiras oito jornadas, mas a leso frente ao Martimo retirou-lhe a vantagem sobre os concorrentes na posio de central.

    Mangala 23 jogos (22); 4 golos Foi a poca de afirmao

    deste central poderoso, que tambm foi usado como defesa-esquerdo. Destacou-se ainda na outra

    ponta do campo, criando perigo nos lances de bola parada. Somou quatro golos na I Liga, o que fez dele o quarto melhor marcador do FC Porto na prova.

    Otamendi 29 jogos (29) Apenas ausente num jogo da Liga, foi um dos pilares da defesa menos batida da competio.

    Rolando 1 jogo (0) um dos

    melhores centrais portugueses, mas jogou apenas oito minutos para ajudar a segurar a vantagem sobre o Estoril antes de ser cedido ao Npoles.

    Abdoulaye Ba 6 jogos (2) As circunstncias (pouca utilizao de Rolando e leso de Maicon) fizeram-no ser mais utilizado do que se previa na Liga. Cumpriu.

    Fernando 24 jogos (23); 1 golo Voltou a realizar uma grande temporada, conseguindo acrescentar uma dimenso mais ofensiva ao seu jogo.

    Castro 17 jogos (0); 1 golo Presente em mais de metade dos

    Os jogadores do ttulo

  • PBLICO, SEG 20 MAI 2013 | DESTAQUE | 7

    FOTOS: PAULO PIMENTA

    es na primeira poca fez lembrar os tempos de Co Adriaanse e do FC Artmedia. No entanto, no mais im-portante, no ttulo mais cobiado por qualquer adepto de um clube portugus, Vtor Pereira esteve ir-repreensvel a nvel de resultados.

    Os nmeros no mentem. Nos 60 jogos que o FC Porto disputou nas duas ltimas pocas na I Liga, com Vtor Pereira como treinador, apenas uma vez foi derrotado: em Barcelos, a 22 de Janeiro de 2012. Com uma percentagem de vitrias a rondar os 80%, os azuis e brancos foram nos ltimos dois anos, no campeonato, de uma abilidade merecedora de fortes elogios. Da boca dos detrac-tores do (ainda) treinador portista, comum ouvir-se que no FC Porto qualquer um campeo. So dados com exemplo outros tcnicos, ale-gadamente pouco quali cados, que tambm conquistaram o bi como portistas. No entanto, ao contrrio do

    que tantas vezes aconteceu no pas-sado, desta vez ningum pode dizer que o FC Porto campeo por falta de comparncia da concorrncia.

    Na poca passada, mas principal-mente nesta, Vtor Pereira teve que lutar contra um Ben ca competen-te. Com um plantel vasto e de mui-ta qualidade do meio-campo para a frente, e um treinador cuja qualida-de est acima de qualquer suspeita, os encarnados pareceram sempre estar mais bem colocados para che-garem ao ttulo. Mas na hora H, foi sempre Vtor Pereira o ltimo a rir, mesmo no tendo as mesmas ar-mas do adversrio. Tanto este ano, como em 2012, o FC Porto fez o xe-que-mate ao Ben ca nos confrontos directos. Na poca passada, na Luz; este ano, no Drago. E essa medalha, to desejada por qualquer portista, ningum pode tirar a Vtor Pereira: para o campeonato, nunca perdeu frente ao grande rival.

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    jogos da Liga, mas sempre como suplente. Jogou para merecer mais oportunidades.

    Defour 25 jogos (14); 2 golos Foi o canivete-suo de Vtor Pereira: utilizado em seis dos 11 lugares diferentes da tctica habitual do treinador, que aprecia a sua multifuncionalidade.

    Joo Moutinho 27 jogos (27); 1 golo Voltou a ultrapassar a barreira dos 40 jogos na soma de todas as competies. Raramente jogou mal e foi o portista com mais assistncias na Liga (11).

    Lucho Gonzlez 29 jogos (29); 6 golos J no tem o motor de

    outros tempos, mas continua a ser importante e o melhor amuleto dos portistas: foi campeo em todas as pocas esta a sexta no clube.

    Toz 1 jogo (0) Vtor Pereira recorreu ao mdio-ofensivo para tentar sem efeito alterar o resultado no encontro em casa com o Olhanense (1-1).

    Izmailov 13 jogos (6); 1 golo Foi uma das mudanas mais discutidas no mercado de Inverno. Estreou-se a marcar no segundo jogo em que vestiu a camisola portista, mas no segurou a titularidade e os seus minutos foram caindo.

    Investiram em dois tratores e dois reboques e zeram-se estrada. Como j eram conhe-cidos no meio no tiveram di-culdade em arranjar negcio. Fomos logo subcontratados por uma empresa que j nos conhecia e que faz um milho de cargas por ano. O destino sempre a Inglater-

    ra. Transportam produtos rela-cionados com o setor autom-vel, ferro e pedra. No regresso para Portugal raramente vol-tam vazios, transportando so-bretudo ferro.

    Passam as semanas mas o percurso sempre o mesmo: Vilar Formoso, Salamanca, Irn, Bordus, Rouen e Dieppe ou Le Havre. Depois, so mais seis horas de ferry at Ingla-terra. Este o principal destino dos Transportes Os Rolas, um negcio de pai e lho que, depois de terem cado desem-pregados, resolveram avanar com o seu projeto. Escolheram o que melhor sabem fazer: transportes internacionais.

    Tudo comeou h cerca de dois anos. A empresa de trans-portes para onde trabalhavam fechou e os dois comearam a pensar em lanar um negcio prprio. Experincia e contac-tos j tinham, faltava o passo nal: a constituio da empre-sa. Isso aconteceu no nal de maio de 2012, depois de terem concludo que tinham as con-dies mnimas e clientes para iniciar o negcio, arma o -lho, Micael.

    Os Rolas nunca tinham estado juntos num negcio mas o -lho h muito que acalentava o sonho de trabalhar por conta prpria. O m de atividade da empresa onde trabalhavam foi o empurro.

    Outro empurro decisivo foi o do microcrdito. Clientes do Banco Esprito Santo (BES), Jorge e Micael Rola ouviram falar aos balces do banco da possibilidade de recorrerem ao microcrdito. Contraram um emprstimo de 10000 eu-ros que foram investidos na compra dos reboques. Foi um dinheiro que facilitou o neg-cio, diz Micael.

    O balano positivo, apesar do preo elevado dos combus-tveis, que tem sido um trans-torno. Mas com orientao temos conseguido alcanar os nossos objetivos, diz o lho. A ambio crescer para au-mentar a frota de camies e o volume de negcios.

    Desde Maio deste ano que Micael e Jorge Rola se lanaram por conta prpria num negcio que conhecem como a palma das suas mos: os transportes de longo curso.

    Micael Rola faz-se estrada todas as semanas. Destino: Inglaterra.

    Para mais informaes consulte www.bes.pt/microcredito ou siga-nos no Facebook

    OOOO mmmmmiiiccrrrroooocccrrrdddiittooo ddddoooo BBBBEEEESSSSSnnnnaaaannnnccciioooouuuu uuuummmm nnnneeeeggggccciiioooo dddeee tttrrrraaannnnssssppppoooorrrtteessssiiinnnntteeeerrrrnnnnaaaaccciiioonnnnnaaaisss ddddeeee ppppaaaaiii eeee lhhhhooo.

  • 8 | DESTAQUE | PBLICO, SEG 20 MAI 2013

    Kelvin 8 jogos (1); 3 golos Apesar de ter sido titular apenas uma vez, teve impacto enorme na deciso do campeonato: fez os golos decisivos para o FC Porto vencer em casa o Sporting de Braga e, no jogo do ttulo, o Benfica.

    Iturbe 1 jogo (0) O argentino continua a no ser opo no Drago. Apenas somou cerca de 30 minutos em campo na goleada ao Beira-Mar, quando o jogo j estava resolvido (3-0). Terminou a poca no seu pas, no River Plate.

    Varela 25 jogos (19); 4 golos No conseguiu um desempenho semelhante ao que teve nas

    duas primeiras pocas no FC Porto, mas voltou a ter peso nas escolhas do treinador. Apontou quatro golos, o mais

    importante no Estoril.

    Atsu 17 jogos (9); 1 golo A temporada do extremo gans chegou a prometer ser mais produtiva para a equipa do que realmente foi. Comeou bem a poca, mas esteve menos presente na parte final. Inaugurou o marcador no triunfo em Aveiro (0-2). Esteve ausente em Janeiro e Fevereiro, a disputar a CAN.

    Seb 4 jogos (0) Suplente utilizado em quatro rondas seguidas, o brasileiro da equipa B participou com uma assistncia na goleada ao Gil Vicente (5-0).

    James Rodrguez 24 jogos (19); 10 golos Terminou a poca como o

    segundo melhor marcador dos drages, com dez golos, e tambm foi importante na hora de assistir os colegas.

    Hulk 3 jogos (3); 2 golos O brasileiro fez falta ao FC Porto, mas no nas trs primeiras

    jornadas, pois s partiu depois para So Petersburgo. Marcou dois golos, um deles essencial para o triunfo sobre o Olhanense.

    Klber 5 jogos (0) Utilizao muito limitada e sempre a partir do banco antes do emprstimo ao Palmeiras, a meio da poca.

    Liedson 6 jogos (0) Participou no lance que deu o triunfo sua equipa sobre o Benfica, mas foi muito pouco usado para um jogador com o seu historial no campeonato e para as expectativas que os adeptos portistas criaram depois de ser anunciada a sua contratao. Manuel Assuno

    Os jogadores do ttulo

    I LIGA 2012-13

    O FC Porto no teve nenhum totalista no campeonato, mas Jackson Martnez foi o que esteve mais perto e esse estatuto corresponde ao peso que teve no 27. t-

    tulo do clube. O ponta-de-lana foi o jogador mais importante da equipa e, por isso, quase no saiu de campo ao longo do campeonato, do qual se sagrou melhor marcador.

    Foi com golos e foram 26 em 30 jogos s nesta prova, corresponden-tes a 37% do total da equipa que o avanado desfez as dvidas que a sua contratao possa ter gerado. Colombiano tal como Falcao, logo foram feitas as comparaes com El Tigre, que tem um historial dif-cil de igualar no Drago. Jackson, apesar de relativamente desconhe-cido, tornou-se tambm no ponta-de-lana mais caro da histria do FC Porto, que o comprou ao Jaguares, do Mxico, por 9,6 milhes de euros (8,9 milhes pelo passe mais 750 mil euros em encargos adicionais), e na transferncia mais alta do futebol mexicano, superando os cerca de

    Manuel Assuno

    Jackson desfez desconfi anasO avanado colombiano chegou ao Drago esta temporada e rapidamente se imps. Termina o campeonato como o goleador da I Liga e uma das revelaes da prova

    7,5 milhes que Sevilha e Manches-ter United pagaram por Aquivaldo Mosquera (em 2007) e Chicharito (em 2010), respectivamente. At a sua idade quando chegou ao Drago foi motivo de discusso, pois aos 25 anos no estava no incio de carreira e a sua rentabilizao futura poderia ser mais difcil.

    Mas Jackson rapidamente acabou com as questes acerca da sua qua-lidade e utilidade. Quero escrever a

    minha prpria histria no FC Porto, repetiu nos dias seguintes o cia-lizao do negcio. A adaptao ao futebol europeu foi rpida e a prova foi o golo que valeu aos drages o primeiro trofu o cial da temporada, a Supertaa, contra a Acadmica, na sua estreia o cial em Portugal. E os golos continuaram a surgir no cam-peonato, ao ponto de se ter colocado a um nvel anlogo ao dos melhores goleadores da prova nos anos mais recentes. O sul-americano obteve uma mdia de 0,83 golos por jogo, re-gisto semelhante aos de Cardozo (26 golos e mdia de 0,90) e Falcao (25; 0,89) em 2009-10, de Hulk (23; 0,88) em 2010-11, de Lisandro (24; 0,89) em 2007-08 e do colega de equipa Liedson (25; 0,81) em 2004-05.

    A apresentao a srio de Jackson no futebol portugus aconteceu no incio da Liga, quando facturou em sete jornadas seguidas (entre a 2. e a 8.), uma sequncia que na hist-ria moderna do FC Porto s menos longa do que as obtidas no seu tempo por Pena (9), Jardel (9) e Fernando Gomes (14). Mas o colombiano, que no foi opo na Taa de Portugal, marcou igualmente nas outras provas em que foi usado e, por isso, atingiu a

    barreira dos 30 golos numa tempora-da, um feito que nos ltimos 25 anos s Domingos, Jardel, Falcao e Hulk tinham alcanado no FC Porto.

    Os pontos baixos na sua poca alm do facto de nem sempre con-seguir ser bem servido pela equipa acabaram por ser as trs grandes penalidades falhadas no intervalo de seis jornadas, que ajudaram a colo-car em causa a revalidao do ttulo. Dois desses erros custaram quatro pontos equipa, nos empates a um com Olhanense e Martimo.

    A carreira pro ssional de Jackson comeou no Independiente Medelln, clube em que chegou a ser contesta-do pelo adeptos, mas do qual saiu como dolo depois da sua responsa-bilidade (melhor marcador da prova, com 18 golos) no ttulo de campeo em 2009. Depois chegou a ser dada como certa a sua transferncia para o Ulsan Hyundai, da Coreia do Sul, mas o acordo caiu e acabou por rumar ao Jaguares, no Mxico, onde o FC Porto o foi buscar. Tal como Wason Rente-ria, outro avanado colombiano que j representou os drages, Jackson nasceu em Quibd, mas no seu caso j poucos duvidam que o FC Porto acertou em cheio.

    Depois de uma primeira jornada em que Ben ca e FC Porto empataram (os portistas no terreno do Gil Vicente, os ben quistas na recepo ao Sp. Braga), os

    dois rivais ocuparam os lugares ci-meiros da classi cao logo terceira jornada e nunca mais os largaram. O Ben ca foi o primeiro a escorre-gar. quarta ronda, um empate em Coimbra (2-2), frente Acadmica, deixou as guias com dois pontos de atraso. S que a diferena foi re-cuperada logo na jornada seguinte quando os portistas tropearam no terreno do Rio Ave (2-2).

    Lisboetas e portuenses mantive-ram-se lado a lado at se encontra-rem, na Luz, 14. jornada. Um due-lo que deixou tudo na mesma. Aos golos de Mangala e Jackson Martnez responderam Matic e Gaitn.

    S passagem da jornada 18 que as coisas voltam a poder alterar-se. O Ben ca no vai alm de um em-pate (2-2) no terreno do Nacional. Uma partida em que termina com apenas nove jogadores em campo (expulso, nos minutos nais, de Car-dozo e Matic). Mas o FC Porto no foi capaz de aproveitar o deslize do rival, pois cou-se por uma igualdade caseira com o Olhanense (1-1).

    Foi preciso o Sporting entrar em cena, 21. jornada, para FC Porto e Ben ca deixarem de estar empata-dos. Em Alvalade, os azuis e bran-cos caram-se pelo nulo e viram os encarnados escaparem, aps bate-rem o Beira-Mar, em Aveiro (1-0).

    O cenrio piorou ainda mais pa-ra o FC Porto duas rondas depois. O empate na Madeira, frente ao Ma-rtimo (1-1) conjugado com o triunfo do Ben ca em Guimares sobre o Vi-tria (4-0), colocou o avano ben -quista em quatro pontos. Parecia que os encarnados tinham embalado para o ttulo. At que surgiu o empate caseiro com o Estoril (1-1) e a derrota no Drago (2-1), com aquele golo de Kelvin a 30 segundos dos 90. Estava consumada a reviravolta no topo que a ltima jornada no alterou.

    30 jogos sem perder e o golo de Kelvin

    Jorge Miguel Matias

    Jackson Martnez

  • PBLICO, SEG 20 MAI 2013 | DESTAQUE | 9

    Palmars1934-35 FC Porto1935-36 Benfica1936-37 Benfica1937-38 Benfica1938-39 FC Porto1939-40 FC Porto1940-41 Sporting1941-42 Benfica1942-43 Benfica1943-44 Sporting1944-45 Benfica1945-46 Belenenses1946-47 Sporting1947-48 Sporting1948-49 Sporting1949-50 Benfica1950-51 Sporting1951-52 Sporting1952-53 Sporting1953-54 Sporting1954-55 Benfica1955-56 FC Porto1956-57 Benfica1957-58 Sporting1958-59 FC Porto1959-60 Benfica1960-61 Benfica1961-62 Sporting1962-63 Benfica1963-64 Benfica1964-65 Benfica1965-66 Sporting1966-67 Benfica1967-68 Benfica1968-69 Benfica1969-70 Sporting1970-71 Benfica1971-72 Benfica1972-73 Benfica1973-74 Sporting1974-75 Benfica1975-76 Benfica1976-77 Benfica

    1977-78 FC Porto1978-79 FC Porto1979-80 Sporting1980-81 Benfica1981-82 Sporting1982-83 Benfica1983-84 Benfica1984-85 FC Porto1985-86 FC Porto1986-87 Benfica1987-88 FC Porto1988-89 Benfica1989-90 FC Porto1990-91 Benfica1991-92 FC Porto1992-93 FC Porto1993-94 Benfica1994-95 FC Porto1995-96 FC Porto1996-97 FC Porto1997-98 FC Porto1998-99 FC Porto1999-00 Sporting2000-01 Boavista2001-02 Sporting2002-03 FC Porto2003-04 FC Porto2004-05 Benfica2005-06 FC Porto2006-07 FC Porto2007-08 FC Porto2008-09 FC Porto2009-10 Benfica2010-11 FC Porto2011-12 FC Porto2012-13 FC Porto

    TotalBenfica 32FC Porto 27Sporting 18Belenenses 1Boavista 1

    Os estados de esprito de Vtor Pereira e Jorge Jesus eram logicamente distintos ao in-cio da noite de ontem: um tinha acabado de ganhar ao Paos de Ferreira, equipa-

    sensao da I Liga, garantindo as-sim o bicampeonato. O outro bateu o Moreirense, condenando a equi-pa minhota despromoo mas o triunfo de nada valeu, e pela segunda temporada seguida viu o campeonato fugir nas derradeiras jornadas.

    Vtor Pereira disse o que lhe ia na alma assim que chegou sala de im-prensa, no nal do jogo. Vou falar muito pouco, a vontade que tenho de falar pouco, confessou o tc-nico, admitindo que o que mais lhe apetecia era sentir aquele ventinho nos Aliados. No sinto necessidade

    Jorge Jesus diz que o campeo justo, mas no d os parabns

    coisas porque isto nos d muito mais experincia, vincou o tcni-co. E acrescentou, em tom de desa- o: No vou desvalorizar o que o nosso rival fez, porque ganhou uma competio importante. Mas o Ben- ca fez uma temporada brilhan-

    te e tenho de a valorizar tambm, uma tempora-da que pode terminar com conquista da Taa de Portugal.

    Jesus no quis des-vendar qualquer

    detalhe sobre a sua continuida-de no Benfica. Se eu car no

    Tiago PimentelBen ca, o presidente j falou comigo, ser sempre dois anos. Os ben quis-tas sabem que o Ben ca tem vindo a recuperar muito da diferena que havia para o nosso rival. Hoje o nosso rival no ganha o campeonato com dez ou 15 pontos de avano. A pou-

    co e pouco estamos a fazer uma grande equipa, a cada ano mais forte, frisou.

    Para j, no entanto, a prio-ridade passa por vencer

    a Taa de Portugal, do-mingo: o segundo

    trofu mais impor-tante. para os

    adeptos, que merecem.

    passo para a frente dizer que pas-sou a ser srio. Para mim os vence-dores so justos, e assim que os ben quistas sempre estiveram. No vamos mudar a nossa identidade. Quem ganha um justo vencedor, disse o tcnico.

    Sem nunca dar abertamen-te os parabns ao FC Porto, Jorge Jesus preferiu sublinhar o percurso dos encarnados na temporada 2012-13. Que-ro realar o que o Ben ca fez at ao momento. Tomara eu que para ano pudesse dizer a mesma coisa. De certeza que podemos conquistar muito mais

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    nenhuma de falar de mim, mas de falar dos meus jogadores, da minha grande equipa e do privilgio que trabalhar com eles, respondeu Vtor Pereira, quando questionado sobre o facto de ser um dos trs treinadores que chegaram ao nal do campeo-nato sem derrotas. O que vos digo que somos campees, e com todo o mrito, acrescentou.

    Nos momentos cruciais, tal co-mo no ano passado, fomos decisi-vos. Ganhou a melhor equipa, ti-nha a rmado Vtor Pereira na ash interview com a SportTV, logo aps o nal do encontro. Quando disse sujinho, referi-me a um jogo, falei porque tinha de falar. Cresci [como treinador] neste campeonato, no anterior e crescerei nos prximos, vincou Vtor Pereira. O campeonato foi competitivo em todas as frentes. Com pouco dinheiro relativamente a outros campeonatos proporcion-mos grandes espectculos. Temos de valorizar a qualidade que temos, em vez de fazermos sempre o papel dos coitadinhos, concluiu.

    Liedson destoaMas se o tom das declaraes de Vtor Pereira foi marcado pela serenidade, nem todos no FC Porto alinharam por essa medida. Liedson que at fez a assistncia para o golo de Kelvin que deu aos drages a vitria (2-1) sobre o Ben ca, mas somou poucos minutos de utilizao destacou-se por aquilo que disse aps o jogo em Paos de Ferreira. Estou muito feliz com esse ttulo, mas gostava que ti-vesse sido de outra forma. Gostava de ter tido mais oportunidades, mas no deixaram, disse o avanado interna-cional portugus. Arrependido [de vir para o FC Porto] no estou, mas vim com o pensamento de participar mais. O treinador no deixou, mas no estou chateado. No me deixa-ram, prosseguiu Liedson. Adiantou que o seu futuro passa pelo regresso ao Brasil: Vou voltar ao Flamengo, tenho contrato at ao nal do ano. Depois logo se v.

    poca brilhanteNa Luz, Jorge Jesus era um homem conformado com o ttulo do FC Por-to. Mas nem por isso deixou de atirar uma al netada a Vtor Pereira: No vou dizer que o campeonato no srio quando vou atrs, e quando

    14Nmero de golos sofridos pelo FC Porto no campeonato, o valor mais baixo das ltimas cinco pocas (em 2007-08 sofreu 13).

    0Nmero de derrotas sofridas pelos drages nos 30 jogos realizados na I Liga, tal como aconteceu em 2010-11.

    7Melhor sequncia de vitrias do campeo na prova. Aconteceu duas vezes: entre as jornadas 6 e 13 e entre a 24. e a 30. ronda.

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  • 10 | DESTAQUE | PBLICO, SEG 20 MAI 2013

    I LIGA 2012-13

    Joana celebrou, o namorado sofreu (por sms)Um no Porto, outro em Lisboa, passaram o jogo a trocar mensagens. Parabns, este campeonato devia ter sido nosso, mas vocs tambm fi zeram por isso, rematou o namorado de Joana Carvalho

    Joana Carvalho, em baixo, foi para um bar ver o jogo. No intervalo, o namorado benfiquista em Lisboa quis saber tudo sobre o golo

    Joana Carvalho preparou-se para a festa. Vestiu umas calas de ganga azul e uma camisola de malha da mesma cor e calou umas botas ptimas para

    comear a noite aos saltos na Avenida dos Aliados. Allez, Porto, allez!

    quela hora, o Porto parecia uma cidade fantasma, mas tudo podia mudar. A alegria explode na Avenida dos Aliados sempre que o FC Porto ganha um ttulo. E a engenheira civil, de 35 anos, posicionou-se na rua paralela, a do Almada, num dos mais eclticos bares da cidade, o Baixaria. J estamos a guardar lugar na primeira la, dizia.

    O namorado, ben quista, rumara ao Estdio da Luz. Fora ver o Ben ca jogar contra o Moreirense. E ela, que gosta de ver jogos em casa, achara que, desta vez, no devia ench-la de fervorosos portistas. pinha estava o bar com caixas de fruta a fazer de bancos e um ecr gigante numa parede a exibir o confronto entre o Paos de Ferreira e o FC Porto.

    Ela foi a primeira a celebrar. Aos 23 minutos, um golo de Lucho Gonzlez na transformao de uma

    Reportagem Ana Cristina Pereira

    grande penalidade. O namorado pediu-lhe con rmao por SMS. E ela explicou-lhe que fora um lance entre James Rodrguez e Ricardo. Quando Vincius marcou, ela agitou o cachecol do Moreirense, que trouxera de casa, mas no lhe mandou um SMS. No vou fazer qualquer comentrio. Respeito a dor dele.

    volta dela, cantoria. Muitos quiseram tirar fotogra as com o cachecol, menos por simpatia equipa de Moreira de Cnegos do que por antipatia ao seu adversrio. Um deles, Paulo Pinto, levantava-o o mais que podia. O gestor de mercados, de 44 anos, usava a sua camisola da sorte: a que comprara a 21 de Maio de 2003, na nal da Taa UEFA, que o FC Porto fora ganhar a Sevilha, estava a mulher grvida do nico lho de ambos.

    No se considera anti-ben quista, nem quali ca o namorado anti-portista, Joana. Nas ltimas semanas, mesmo assim, no discutiram o assunto l em casa. Ela no suporta as piadas dele sobre a legitimidade das vitrias do clube das Antas. Se ganharmos, vou fazer o telefonema da praxe, mas no vou provocar muito. Se perdermos, tambm posso telefonar. Felizmente, ele no vem para casa, ca em Lisboa at segunda, brincava.

    Ele ligou-lhe no intervalo. Queria saber tudo sobre o golo. Ele ia a correr, estava isolado. Houve um pequeno toque, mas na linha. Ele desequilibrou-se. Foi por trs. Caiu dentro da rea, explicava ela. Como est o ambiente por a?, perguntava-lhe. O que interessa que um de

    ns vai car feliz hoje, conclua. A sala j parecia convencida

    da vitria. O FC Porto tinha um golo de vantagem e o Paos de Ferreira menos um jogador. Paulo Pinto ainda no queria celebrar, dizia ter aprendido a lio com os ben quistas, mas sentia-se tranquilo. Isto assim tem mais piada, dizia Joana. Estamos habituados a no ter concorrncia.

    Alegria quando, aos 52 minutos, Jackson Martnez ampliou a vantagem. Porto! Porto! Porto! Ela ria. Acho que somos campees. A voz dela era abafada pela festa volta. Viva o Porto Ol! Cardozo e Lima deram a vitria ao Ben ca, o namorado de Joana deu-lhe notcia disso, mas tal no impediu a festa do FC Porto. Campees, campees, ns somos campees. A sala ainda se unia num grito quando Joana recebeu o ltimo SMS: Parabns, este campeonato devia ter sido nosso, mas vocs tambm zeram por isso.

    NFACTOS/PEDRO GRANADEIRO

    NFACTOS/PEDRO GRANADEIRO

    PAULO PIMENTA

  • 12 | PORTUGAL | PBLICO, SEG 20 MAI 2013

    Cavaco quer discutir o ps-troika sem assumir crise poltica e o ano que falta

    A inteno do Presidente da Rep-blica olhar para a frente, muito l para a frente. Para daqui a um ano, quando a troika deixar formalmente Portugal. Cavaco Silva rene-se hoje com os seus conselheiros de Estado para discutir o futuro da economia nacional quando o pas j no esti-ver sob assistncia nanceira. Mas provavelmente esse ser um olhar demasiado para a frente. Porque o ps-troika tambm passa pelo facto de saber se o actual Governo e as su-as polticas se e como aguentam at l.

    No ser de estranhar, portan-to, que boa parte dos conselheiros queiram abordar a situao presen-te, prevendo-se que o Presidente da Repblica di cilmente consiga orientar toda a reunio sem se falar no longo caminho que ser preciso percorrer at a troika ir embora, em Junho de 2014, e nas metas oramen-tais apertadas que deixa para anos posteriores. Precisamente oito me-ses depois do ltimo Conselho de Estado, Pedro Passos Coelho volta a entrar em Belm com um Gover-no debilitado. Mais ainda do que em Setembro passado e na altura o primeiro-ministro deixou cair em Belm as mudanas na Taxa Social nica para patres e empregados e comprometeu-se perante o Conselho a dominar a sua equipa, garantindo estarem ultrapassadas as di culda-des que poderiam afectar a solidez da coligao partidria que apoia o Governo. Hoje, Passos pode voltar a prometer o mesmo, mas ser em vo: Portas no est no Conselho de Estado e duvida-se que assumisse tal compromisso.

    Solidez foi palavra que, porm, nunca mais se pde aplicar coli-gao. Nas ltimas duas semanas a novela do apoio-discordncia-recusa do CDS s alteraes ao clculo para as penses j em vigor veio alargar o fosso entre Pedro Passos Coelho e Paulo Portas e teve ainda a desvan-tagem de ser representada na praa pblica. A que se soma, pelo lado do

    PSD, um desconforto entre as bases e as estruturas dirigentes e governa-tivas do partido, notrio na ausncia da maior parte das distritais do almo-o de aniversrio.

    O Presidente tambm no total-mente alheio ao cenrio difcil do Governo: foi o motor para os pedi-dos de scalizao do Oramento ao Tribunal Constitucional, o que obri-gou Passos Coelho a arranjar 1300 milhes de euros adicionais. Na l-tima semana, Cavaco Silva juntou-se s vozes crticas da criao de uma taxa sobre as penses: Este grupo [reformados e pensionistas] tem si-do duramente atingido nos ltimos tempos e h limites de dignidade que no podem ser ultrapassados.

    Por outro lado, ao querer debater j o ps-troika com os seus conse-lheiros, o Presidente mostra algu-ma abertura e validade s reivindi-caes do PS, cujo lder tem repeti-do exausto a necessidade de criar polticas de incentivo e crescimento da economia. No de estranhar que Seguro volte esta tarde a enumerar propostas socialistas para a reindus-trializao e revitalizao da econo-mia. Ou o tema da crise de regime.

    Dossiers europeusA reunio do Conselho de Estado que decorre esta tarde no Palcio de Belm tem uma novidade. Pela primeira vez, o Presidente da Rep-blica enviou aos seus 19 conselheiros documentao prvia ao encontro. Foi o prprio Cavaco Silva que, na semana passada, no Porto, revelou este facto.

    Os documentos enviados so, se-gundo o PBLICO apurou, textos sobre a situao na Unio Europeia que o Presidente considerou de in-teresse distribuir aos conselheiros para abordar o tema que vai estar em cima da mesa: Perspectivas da economia portuguesa no ps-troika, no quadro de uma unio econmica e monetria efectiva e aprofundada. um dossier com documentao sobre questes europeias que est disponvel no site da Comisso Euro-peia. Considerei que era importante ouvir a re exo dos conselheiros de Estado sobre matrias de relevncia

    Cavaco Silva reuniu o Conselho de Estado h oito meses

    Conselho de Estado rene-se incompleto para analisar as perspectivas da economia quando o pas se libertar da troika. Mas os conselheiros devero querer debater o presente e pensionistas

    Presidncia Maria Lopes

    clara em Portugal medida que se aproxima o m do programa de assis-tncia nanceira, mas tambm para obter indicaes para a posio por-tuguesa a ser defendida pelo Gover-no portugus no Conselho Europeu do ms de Junho, disse o Presidente, justi cando a convocao da reunio que fora anunciada dez dias antes pelo conselheiro Lus Marques Men-des, na SIC. Cavaco tambm visita as instituies europeias em Bruxelas e Estrasburgo dentro de um ms.

    Outro facto novo o da ausncia do presidente do governo regional dos Aores na primeira reunio do Conselho de Estado em que devia participar desde que tomou posse em Novembro passado. Vasco Cor-deiro preferiu participar na sesso solene do Dia da Regio Autnoma

    Seguro j fala em crise de regime

    No sbado noite, em Mangualde, Antnio Jos Seguro alertou para a crise de regime que Portugal

    poder vir a enfrentar. Estamos metidos numa grave crise. Numa crise social, numa crise econmica, numa crise poltica, e estas trs crises somadas podem dar origem a uma crise de regime, disse. Para o lder socialista, hoje j h muita gente que vive desiludida com a poltica e que no acredita que ela lhe resolva os problemas. Por isso, sustentou, cabe ao PS

    a dupla responsabilidade de renovar a confiana dessas pessoas nas instituies democrticas do nosso pas e, fundamentalmente, de dar respostas aos problemas dos portugueses. O lder socialista voltou a afirmar que o pas no conseguir sair da crise se se continuar a aplicar medidas de austeridade que, julgam, reduz a despesa, mas que apenas criam uma espiral recessiva. E ontem acusou o Governo de no saber aproveitar as propostas do PS. (ver pgina 17) S.R.

  • PBLICO, SEG 20 MAI 2013 | PORTUGAL | 13

    dos Aores, na Assembleia Legisla-tiva regional, na cidade da Horta, marcada para esta segunda-feira ao m da manh.

    margem deste facto novo, a reu-nio vai decorrer nos moldes habitu-ais. O Presidente da Repblica abre com a introduo do tema. Depois, os conselheiros, por ordem institu-cional presidente da Assembleia da Repblica, primeiro-ministro, presidente do Tribunal Constitucio-nal, provedor de Justia, presidentes dos governos regionais, os nomea-dos pelo PR e os indicados pelo Par-lamento , ou por ordem de inscrio pronunciam-se. Estas intervenes, entre dez a 20 minutos, podem ser seguidas por um segundo turno ou rplicas. Alguns dos conselheiros l-em um discurso previamente escrito,

    outros completam a sua interveno com apontamentos da reunio. Ter-minada a fase de audio, o Presi-dente da Repblica faz a concluso da reunio. Depois discutido e aprovado o comunicado nal a ser divulgado ao pas.

    Normalmente, o guio no se des-via muito desta estrutura o que pode acontecer os conselheiros se mostrarem mais ou menos interve-nientes. Em Setembro, por exemplo, o encontro demorou oito horas. Pa-ra o jardim em frente ao Palcio de Belm, tal como h oito meses, est hoje marcada uma concentrao pe-lo movimento Que se lixe a troika. O Conselho do Povo, como foi deno-minado, vai pedir ao Presidente que demita o Governo e o m da austeri-dade. com Nuno Ribeiro

    NUNO FERREIRA SANTOS

    O cenrio ps-troika no dever re-servar boas notcias para os portu-gueses. Vrios economistas ouvidos pelo PBLICO admitem que o pas vai ter di culdades em regressar ple-namente aos mercados a partir de 2014 e que, em face disso, dever precisar de novo apoio nanceiro, nos mesmos moldes da troika, ou ligeiramente diferentes, atravs de uma ajuda directa da Unio Euro-peia/Banco Central Europeu (BCE).

    Para os economistas contactados, os actuais indicadores econmicos do pas so muito negativos e as pers-pectivas futuras sombrias, da que o pas ter que continuar a ser apoiado nanceiramente, a ter regras e metas apertadas. A vigilncia externa vai continuar.

    Joo Duque, presidente do ISEG, reage com alguma ironia pergunta do PBLICO sobre o que pode ser o ps-troika, a rmando que o melhor irmos todos a Ftima para ver se mantemos a troika por c. Susten-ta que, com a troika, o dinheiro muito mais barato e vai aparecendo. No estou a ver qual a alternativa. Deixarem-nos na mo do mercado arrancarem-nos a pele, defende o economista.

    Apesar de admitir que a economia europeia est doente e que no est a ser capaz de puxar pela economia nacional, e que com base nos ltimos indicadores econmicos o pas no consegue pedir dinheiro directamen-te nos mercados, Joo Duque ainda admite que o cenrio possa melhorar se a Unio Europeia mudar de estra-tgia e comear a tomar medidas de fundo, como a compra de dvida dos Estados.

    Joo Loureiro, economista da Faculdade de Economia do Porto, tambm admite que no absolu-tamente claro que Portugal consiga nanciar-se nos mercados, como es-tava planeado. Admite que as alte-raes ao programa de ajustamento mostram que as coisas no esto a correr to bem como o esperado e diz que no o surpreende que a liga-o troika tenha de se prolongar. Defende que h sinais positivos do lado da evoluo das taxas de juro

    Cenrio econmico ps-troika dever implicar mais troika

    da dvida portuguesa, mas admite que tempo do Governo colocar o crescimento no centro das preo-cupaes.

    Manuel Caldeira Cabral, da Univer-sidade do Minho, admite como muito provvel um novo resgate, que po-der ser encapotado ou menos for-mal, com o envolvimento do BCE. Nesse resgate, Portugal poder ser menos pressionado, mas ter de cumprir metas e ser vigiado, de-fende. Considerando que a estra-tgia da Unio Europeia (UE), sob liderana alem, apenas conseguiu arrastar a Europa para um segundo pico de recesso, Manuel Caldeira Cabral defende que Portugal aban-done a posio passiva e seguidista que tem assumido face s polticas europeias.

    Apesar de reconhecer que no h margem para polticas expansionis-tas, o economista defende que Por-tugal deve moderar a austeridade, de forma a estabilizar a economia no curto prazo, o que ter efeitos positi-vos ao nvel do investimento nacional e estrangeiro.

    Ricardo Cabral tambm defende que no nos livramos da troika to cedo. O economista da Universida-de da Madeira destaca que a descida dos juros da dvida portuguesa no deve ser sobrevalorizada, porque dois teros dos 200 mil milhes de euros de dvida portuguesa esto no sector o cial (FMI, BCE e UE) e que no mercado est apenas um tero, do qual boa parte est ainda em mos de bancos nacionais. Tambm no h emisses regulares a mdio e longo prazo. Ou seja, as taxas actuais es-to deturpadas, porque o mercado no est a funcionar em condies normais, defende.

    Joo Duque sustenta que com a troika o dinheiro vai aparecendo

    O QUE ELES DIZEM

    Eu gostaria mais de discutir a situao do pas do que a situao da troika, mas no sou responsvel. A coligao est em perigo e Portas continua a ser chantageadoMrio SoaresEx-Presidente da Repblica

    A escolha do Presidente desdramatizar o Conselho de Estado. No discutir o presente para no piorar a situaoMarcelo Rebelo de SousaEx-presidente do PSD

    Com a marcao do Conselho de Estado, acho que [Cavaco] faz uma ponte com o PS, porque o ps-troika j vai ser com outro GovernoMarques MendesEx-presidente do PSD

    uma viso [de Vtor Gaspar] maniquesta, simplista, de que s h uma receita para a austeridade. Querer aplicar o mesmo modelo em circunstncias diferentes est a falharBago FlixEx-ministro das Finanas

    Economia Rosa Soares Falta de crescimento da economia portuguesa dever comprometer o regresso de Portugal aos mercados financeiros

  • 14 | PORTUGAL | PBLICO, SEG 20 MAI 2013

    Antnio Cluny, 57 anos, procurador-geral adjunto no Tribunal de Contas e h dois anos preside associao Magistrados Europeus para a Democracia e as Liberdades (MEDEL), um organismo fundado em 1985 e que actualmente rene cerca de 20 associaes pro ssionais de juzes e procuradores. Esta quinta-feira, dia em que se contabilizam 21 anos sobre a morte do juiz italiano Giovanni Falcone, assassinado pelo seu papel em processos ligados ma a siciliana, a MEDEL discute em Bruxelas a necessidade da Unio Europeia (UE) de nir regras claras que garantam a independncia do poder judicial. Apesar de quase todas as constituies europeia preverem essas garantias, a prtica, diz Cluny, mostra que pases como a Alemanha e a Frana tm modelos que no garantem a independncia do poder judicial face aos respectivos governos.Actualmente quais so as principais preocupaes da MEDEL?Lutar por defender a nvel europeu princpios que permitam que o poder judicial se desenvolva de forma independente face aos poderes pblicos e aos poderes fcticos, como o poder econmico e o meditico. Quase todas as constituies dos pases europeus falam na independncia do poder judicial e algumas falam na independncia do juiz. Umas falam da autonomia do Ministrio Pblico, outras no. Em termos tericos, todas consagram regras mnimas em termos de independncia. Na prtica o funcionamento dos diversos sistemas no todo igual.Alguns muito diferentes, como na Alemanha? A Alemanha tem uma tradio muito governamentalizada. Nem

    o Ministrio Pblico autnomo, nem h um rgo independente de gesto da magistratura judicial. No gostamos de falar em autogoverno porque parece que defendemos que s os magistrados se devem governar a si mesmos. No defendemos isso, mas um governo prprio, espec co da magistratura. Com pessoas vindas da sociedade poltica, da sociedade civil, que ajudem a governar a magistratura de uma forma distinta do poder executivo, do poder parlamentar e dos poderes fcticos. De maneira que no haja interferncias e que exercam um controlo efectivo sobre as magistraturas. Mas a realidade bem diferente... O que nos parece realmente estranho que enquanto se criaram critrios para aferir a independncia do poder judicial, que comportam a existncia de conselhos, em pases que querem

    aderir UE, h pases fundadores da Unio que no seguem esses mesmos critrios.Por exemplo, a Alemanha. Embora se garanta a independncia constitucional dos juzes, toda a gesto da sua carreira feita atravs dos governo dos estados federados e e do estado federal. No h mecanismos que garantam a independncia. O Ministrio Pblico tambm depende directamente do ministro. No um orgo autnomo como em Portugal, em Itlia, na Espanha, na Blgica...O Conselho da

    Europa tem vindo a acompanhar a questo da independncia do poder judicial com resolues em que aponta claramente para a necessidade de uma autonomia do Ministrio Pblico. E relativamente gesto dos juzes para a criao de um conselho superior e para a prpria composio desse conselho.A Alemanha j foi visada numa dessas resolues. Foi. E a Frana est com um problema gravssimo. O Ministrio Pblico francs entendido como autoridade judiciria, com poderes processuais penais, sem que o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem lhe reconhea essa qualidade, porque ele depende directamente do ministro da Justia. E isso levou o tribunal europeu a anular decises. Ora a altura da Europa re ectir muito claramente sobre a criao de standards mnimos, que se traduzam em mecanismos mnimos que garantam essa independncia.Qual o objectivo da iniciativa de 23 de Maio?A ideia surgiu de um conjunto de situaes mais graves que a simples deteco destas incongruncias. De situaes concretas muito complicadas como so os casos da Hungria, da Romnia e da Srvia. As crises vireram pr mais em evidncia estes problemas.Sim, o problema que hoje existe em todo o mundo e na Europa em particular o desfalecimento das leis democrticas aprovadas pelos parlamento ou dos prprios tratados internacionais em favor do poder fctico dos grandes grupos econmicos. A situao portuguesa exemplo disso. Temos uma Constituio, temos leis, e h quem queira interpretar a nossa Constituio luz da realidade troikista. O que o a troika diz ter para muita gente muito mais valor do que a prpria Constituio. Isto cria situaes de presso muito grande sobre os rgos jurisdicionais que

    Antnio Cluny O magistrado fala do seu envolvimento com um movimento de magistrados europeus, o MEDEL, e defende que a justia portuguesa aguenta melhor a comparao com outros pases da Unio Europeia do que se possa pensar

    H quem queira interpretar a nossa Constituio luz da troika

    Na prtica, o funcionamento dos diversos sistemas no todo igual [Na Europa, em termos de independncia]

    EntrevistaMariana Oliveira TextoDaniel Rocha Fotografia

  • PBLICO, SEG 20 MAI 2013 | PORTUGAL | 15

    tm que julgar situaes cada vez mais complexas. Tudo isto se traduz num conjunto de problemas jurdicos, de direitos fundamentais, que necessrio salvaguardar sob pena de cairmos na selva. H aqui todo um retrocesso civilizacional que se traduz em con itos que a Justia tem que regular o melhor possvel. E s pode faz-lo se puder actuar com independncia.Os magistrados esto preparados para estes desafi os?Do ponto de vista tcnico, os magistrados e os estudantes de Direito esto hoje muito mais bem preparados do que no meu tempo. A questo pode colocar-se do ponto de vista do tempo que tiveram ou no tiveram para se prepararem enquanto cidados. Em termos de vivncia social. O ensino universitrio e depois no Centro de Estudos Judicirios de tal maneira absorvente que h o risco de muitos magistrados verem os problemas s atravs de uma folha de papel A4 ou de um ecr de um computador. Por vezes em nome da celeridade, da e ccia e da e cincia a reduo desse tempo que necessrio ao contacto com o cidado e com o a realidade envolvente. H uns anos exigia-se uma

    idade mnima para entrar na magistratura. Faz sentido repor a regra?Isso permitiu que muitos dos melhores candidatos magistratura acabassem por encontrar colocaes, onde se

    ganha muito melhor. Hoje nos grandes escritrios de advogados, embora s para uma minoria, fcil encontrar remuneraes muito mais apetecveis. Mas a magistratura ainda oferece a estabilidade e

    [Em Portugal] no sabemos fazer uma gesto correcta dos servios

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    Linguagem de magistrados

    Grande parte da ineficincia do sistema resulta de gramticas prprias

    Os profissionais esto preparados para a revoluo do mapa judicirio?

    Por exemplo, o Ministrio Pblico, em conjunto com as autarquias onde fecham tribunais, podia continuar a oferecer apoio jurdico s populaes. Mantendo um dia ou dois de atendimento ao pblico. Os magistrados deslocavam-se, por exemplo, a uma sala da autarquia para receber o cidado. E davam uma dinmica nova a este atendimento. Esse servio pouco conhecido do grande pblico?Na provncia as pessoas acorriam com grande regularidade ao atendimento. H assuntos que se resolvem ali ou se encaminham

    para a entidade competente. Esse atendimento tem a grande virtualidade de impedir que se acumulem coisas em tribunal. E fundamental a ligao entre magistrado e cidado. Isso leva-nos ao problema de preparao dos magistrados... Quando nasceu o Centro de Estudos Judicirios tinha a funo imediata de criar o maior nmero de magistrados num mnimo de tempo. E conseguiu-o. O problema est em saber se entretanto evoluiu. Defendo o reforo de um tronco comum entre as carreiras judiciais. Um dos problemas da separao das carreiras que a formao em laboratrio afasta as pessoas. Criam-se culturas prprias e desenvolvem-se gramticas e linguagens

    que no se reconhecem umas nas outras. Grande parte da ineficincia do sistema resulta do desenvolvimento destas gramticas.Isso transporta-nos para discursos como o do bastonrio dos Advogados...No quero falar do senhor bastonrio. De facto, tem uma tcnica muito prpria que posso retratar com um poema do Antnio Aleixo: Para a mentira ser fecunda e atingir profundidade, deve trazer mistura qualquer coisa de verdade. No quero dizer que minta. Mas pega num episdio que muitas vezes verdadeiro e a partir da generaliza uma situao que j no o . Acaba por denegrir de tal maneira o sistema judicirio que denigre a prpria

    no incio salrio-base relativamente alto. verdade, mas tambm verdade que as grandes sociedades de advogados conseguem oferecer melhores condies remuneratrias que o Estado. E perspectivas de progresso na carreira. As magistraturas esto absolutamente bloqueadas. O contacto com diferentes problemas da Justia na Europa d-lhe uma outra forma de olhar para a realidade portuguesa?Apesar de todos os defeitos apontados, temos um sistema de conselho superior relativamente equilibrado quer na sua composio, quer nos poderes que tm quer na forma como actuam do ponto de vista disciplinar e na avaliao dos magistrados. Ainda no vi l fora nenhum sistema que seja to isento na notao dos magistrados. Nesse aspecto tem sido muitas vezes estudado e at copiado. Mas no basta ter conselhos superiores. H pases onde foram institudos conselhos superiores, mas em que a prpria dinmica interior desses conselhos ou a prpria realidade social desses pases acabou por produzir orgos oligrquicos que passaram a reproduzir a gesto de grupos de interesses, alguns internos. Por isso a nossa preocupao no passa apenas pela independncia face aos poderes externos. Em Espanha continua a haver um problema grave com o conselho superior do poder judicial, que muito partidarizada. V Portugal melhor ou pior depois de ter tido essa experincia da MEDEL? Do ponto de vista da capacidade de interveno dos conselhos estamos muito acima da maioria dos pases. E temos a felicidade de os prprios magistrados acreditarem, no geral, no sistema que os rege. No descon am dele. O que temos de pior em comparao com essa realidade? No sabemos fazer uma gesto correcta dos servios. Mas para termos essa cultura por um lado temos de ter con ana no sistema. Temos de melhorar as regras, organizar melhor as procuradorias, especializ-las.

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  • 16 | PORTUGAL | PBLICO, SEG 20 MAI 2013

    FERNANDO VELUDO/NFACTOS

    Novo patriarca de Lisboa garante que no deixar de lanar alertas por ter chegado ao topo da hierarquia

    O recm-nomeado patriarca de Lis-boa, D. Manuel Clemente, a rmou ontem que h um desfasamento en-tre a capacidade de resistir da popu-lao e as propostas apresentadas pelos governantes, que devem ter um papel mais solidrio e peda-ggico junto da sociedade.

    O ainda bispo do Porto, que pre-sidiu eucaristia do Domingo de Pentecostes na S do Porto, diz que deixa a diocese com a conscincia do que a crise representa na vida das pessoas e de que vale a pena resistir crise. No nal da mis-sa, Manuel Clemente passou pelos claustros da s, onde foi aplaudido pelas dezenas de seminaristas que participaram na celebrao e por alguns grupos de jovens que visi-tavam a catedral. Antes de sair da igreja deu uma conferncia de im-prensa no auditrio da diocese, sem fugir a qualquer pergunta. Entrou descontrado e bem-disposto e, no nal, deixou um voltem sempre. Um dia depois de ter sido anuncia-do o cialmente que ir suceder a D. Jos Policarpo no Patriarcado de Lisboa, garantiu estar sereno: Com o tempo vamos ganhando calma, respondeu quando lhe perguntaram como se sentia.

    Na diocese do Porto desde 2007, D. Manuel Clemente admite que com muita pena que deixa a re-gio. Tenho muita pena de aban-donar a diocese do Porto, compos-ta por gente muito participativa e muito directa. Dos seis anos aqui passados diz que leva consigo his-trias de resistncia de uma zona que continua a ser muito afectada pela crise, nomeadamente pelo de-semprego. notvel o esforo de alguns empresrios para no fecha-rem as portas. Tm conscincia de que se fechassem no estavam a pr em causa s as suas famlias, mas muitas outras, conta, sublinhan-do que encontrou pessoas que lhe mostraram como resistir criativa-mente crise. D. Manuel Clemente considera que existe uma disponi-bilidade grande por parte de muita gente [para encontrar solues] que no su cientemente respondida

    Propostas dos governantes esto desfasadas da capacidade de resistncia da populao, diz bispo

    pelos decisores nacionais e interna-cionais. Por isso pede aos gover-nantes para assumirem um papel mais solidrio e pedaggico.

    Coordenadora de um grupo de jo-vens catlicos no Instituto de Cin-cias Biomdicas Abel Salazar, Maria Lopes Cardoso foi das que aplaudiu ontem o futuro patriarca de Lisboa.

    Mesmo assim reconheceu que a es-colha lhe deixa um travo amargo. Vai fazer muita falta ao Porto. uma pessoa encantadora, que chega muito s pessoas e muito prximo dos jovens, resume a estudante.

    Questionado sobre se ser uma voz incmoda para o poder quando, a partir do dia 7 de Julho, assumir a direco do Patriarcado de Lisboa, garante que no deixar de alertar para os problemas dos portugueses. A proximidade do poder vai fazer com que a sua voz seja mais ouvi-da? No sei, isso uma profecia. Mas no deixarei de fazer alertas, respondeu. Mesmo assim, insistiu em que gosta de analisar os assun-tos com a profundidade que estes merecem, sem se xar em slogans. No esperem de mim a rmaes muito genricas, abstractas, quer de louvor quer de crtica, resumiu.

    Sobre um dos assuntos que mais tem suscitado crticas Igreja Catli-ca, os abusos sexuais de sacerdotes sobre menores, D. Manuel Clemente mostrou-se cauteloso. O bispo recu-sou pronunciar-se sobre casos em concreto. So casos que, assim que aparecem e felizmente no apa-recem em catadupa, e esperemos que no apaream mesmo , tm que ser veri cados e analisados quer dentro da Igreja quer na ordem civil.

    IgrejaMariana OliveiraD. Manuel Clemente pediu ontem aos governantes para assumirem um papel mais solidrio e pedaggico junto da sociedade

    E ns, como cidados e como pes-soas da Igreja, temos de respeitar o que est previsto e andar com esses casos para a frente, a rmou.

    O prelado defendeu que, at por respeito para com as vtimas, o as-sunto merece uma interveno da Igreja mediaticamente distante, devendo ser acompanhado caso a caso. D. Manuel Clemente sublinha que esta uma realidade humana que envolve pessoas: as vtimas, mas tambm os agressores, que nalguns casos comearam como agredidos. So casos sensveis que, por vezes, levam uma vida inteira a resolver, observou. Facilmente se fazem juzos e isso pode dani car muito o futuro da vida, mesmo quando a pessoa se recupera. Temos de ter muito cuidado.

    At ao nal de Junho, D. Manuel Clemente car pelo Porto, pelo me-nos sicamente. No garanto que a cabea esteja s aqui, a rmou, confessando que quando assumiu o cargo de bispo do Porto houve uma grande interrupo no acompa-nhamento das coisas em Lisboa, circunscrio religiosa de que j foi bispo auxiliar. Recordou, contudo, que at aos 58 anos viveu na capi-tal, conhecendo bem a cidade e a regio do Oeste, j que nasceu em Torres Vedras.

    Novo patriarca de Lisboa no se furtou a falar sobre abusos sexuais de padres sobre menores: Se aparecerem tm de ser analisados quer no seio da Igreja quer na ordem civil. Temos que respeitar o que est previsto e andar com esses casos para a frente

    H igrejas portuguesas roubadas em plena luz do dia por falsos turistas com mochilas e templos rurais ar-rombados pela calada da noite. So espoliados de sinos, caixas de esmo-las, custdias, santinhos, clices, cru-ci xos e s vezes at da gua benta.

    Os objectos mais furtados dos templos religiosos so imagens de santas, sinos, alfaias religiosas em prata e ouro como os clices , pinturas amovveis, cruci xos, co-roas de santos e teros, relata o co-ordenador na Polcia Judiciria do combate criminalidade contra bens culturais e obras de arte, Joo Olivei-ra. Os azulejos so outros objectos de cobia dos amigos do alheio.

    A crise econmica fez aumentar o roubo de arte sacra nas igrejas por-tuguesas para venda no estrangeiro a preos de saldo, explica o investi-gador. Neste contexto de crise, co-leccionadores, antiqurios e outros conhecedores de arte sacra sabem das di culdades dos portugueses e percebem que podem fazer aquisi-es de peas de valor cultural por um valor pecunirio muito mais baixo do que em tempos ditos nor-mais. O encerramento das igrejas meses a o e a diminuio de is potenciam os roubos.

    A nvel nacional, h registos na Ju-diciria de 85 furtos entre o princpio do ano passado e o m do primeiro trimestre de 2013. Trinta destes rou-bos registaram-se na rea de jurisdi-o da directoria da Polcia Judiciria de Lisboa e Vale do Tejo, que aquela que, a nvel nacional, mais ocorrn-cias deste gnero regista. No entanto, se se contabilizar apenas o primeiro trimestre deste ano a directoria do Norte da Judiciria que lidera, ainda que por pouco, o nmero de furtos de arte sacra: houve 30 roubos em locais de culto entre Janeiro e Mar-o. A GNR j registou, este ano, 33 assaltos a igrejas s no distrito de Bra-gana, quase o triplo das ocorrncias veri cadas no perodo homlogo de 2012. Os roubos de arte sacra fora dos templos religiosos tambm no so despiciendos, avisa Joo Oliveira: par-ticulares, museus, coleccionadores e antiqurios so igualmente vtimas do fenmeno. Lusa

    Templos rfos de sinos e at de gua benta

    RoubosFalsos turistas usam mochilas para levar tudo o que apanham mo de semear. Encerramento de igrejas potencia furtos

  • PBLICO, SEG 20 MAI 2013 | PORTUGAL | 17

    Antnio Jos Seguro, disse ontem, em Leiria, que o Governo nem se-quer competente para aproveitar as propostas do PS para dinami-zar a economia e ajudar a criar em-prego. O secretrio-geral do PS fa-lava na sesso de encerramento do frum municipal da concelhia do partido, onde se comprometeu a revisitar a organizao adminis-trativa do territrio.

    Num distrito conhecido pela sua dinmica empresarial, Antnio Jos Seguro enumerou quatro propos-tas concretas que no dependem dos parceiros europeus, no depen-dem da troika e s dependem da vontade poltica do Governo de Portugal. O problema que ns no temos governo, temos um go-verno completamente desorienta-do que nem sequer competente para aproveitar estas propostas do partido socialista, frisou.

    Adiantando que os socialistas no tencionavam cobrar direitos de autor das suas ideiais e realan-do que estava a falar de medidas que so boas para o pas, so boas para as empresas, so boas para o emprego.

    Propostas que passam por trans-formar as dvidas das empresas ao Estado em capital social das mes-mas, a atribuio de benefcios scais aos scios que reforcem as suas participaes nas sociedades, e s empresas que aplicam os seus lucros no reinvestimento, bem co-mo, a criao de uma conta corren-te entre as empresas e o Estado. At porque no faz sentido o Estado nanciar-se custa das empresas, disse.

    Na opinio do lder nacional do PS, cada vez que uma empresa vai falncia a receita do Estado di-

    Seguro acusa Passos de no aproveitar propostas do PS

    minui, originando um aumento do d ce. Ainda segundo Antnio Jos Seguro, essencial dar um pouco mais de rendimento s pes-soas para que tenham dinheiro para consumir. Contudo, o Go-verno no tem sensibilidade social nenhuma, realou.

    Seguro frisou que estas eram al-gumas das medidas que o Gover-no deveria adoptar, sem gastar di-nheiro de forma a promover uma agenda de crescimento econmico e a defesa dos postos de trabalho. S neste ltimos dois anos deste Governo, Portugal perdeu 458 mil postos de trabalho, destacou o so-cialista, reiterando a constatao de que a cada dia que passa o pas est a car mais pobre, com menos empresas, menos economia e me-nos empregos.

    No incio da sua interveno, o secretrio-geral do PS deixou uma promessa e um compromisso. Quando for primeiro-ministro quero revisitar essa organizao ad-ministrativa do territrio e fazer as modi caes e alteraes com o nico objectivo de servir as po-pulaes, rea rmou. O socialista defendeu no ter sentido nenhum negar s pessoas a nica ligao que tm com o Estado.

    O apoio de Jorge CoelhoUm dia antes, em Mangualde, Jorge Coelho compareceu na iniciativa socialista para dar o seu aval ao recm-eleito secretrio-geral do PS.

    O ex-ministro de Antnio Gu-terres mostrou-se convicto de que Antnio Jos Seguro est pronto para ser primeiro-ministro de Por-tugal. O histrico do PS apelou a que Seguro lidere um movimento de mudana para que rapidamente inverta o cenrio da destruio para onde caminha o pas.

    Tens capacidade para ser pri-meiro-ministro e ganhar, susten-tou durante a apresentao do candidato Cmara de Mangual-de (Viseu).

    O pas no pode continuar a ser governado como est. No pode continuar a ver todos os dias a vida dos portugueses a piorar. Portugal tem condies se soubermos mudar de poltica, se soubermos mudar de protagonistas, sublinhou.

    Em vsperas de um Conselho de Estado e no dia em que Seguro a rmou que o Governo nem pa-ra cair competente, Jorge Coe-lho deixou a responsabilidade ao secretrio-geral do PS de liderar o movimento de mudana.

    Partidos Orlando Cardoso e Sandra RodriguesLder socialista quer dar mais dinheiro s pessoas para que estas possam consumir e assim relanar a economia

    Socialista disse que o seu partido no cobra direitos de autor das propostas que apresentou para a economia

    Breves

    Sade

    350 milhes de pessoas sofrem de depressoAs doenas mentais e neurolgicas afectam cerca de 700 milhes de pessoas no mundo, a maioria das quais no est a tratar-se. A Organizao Mundial de Sade diz que este tipo de patologias j constituem um tero das doenas no transmissveis e 13% do total de todas as doenas do mundo. Segundo as estimativas, cerca de 350 milhes de pessoas sofrem de depresso e 90 milhes de desordens relacionadas com dependncia de substncias.

    Uma aparente tentativa de assalto em Tarrytown, nos EUA, acabou da pior forma para Andrea Rebello: a jovem portuguesa de 21 anos foi atingida na cabea por uma bala disparada pela polcia, que tentava travar um homem que lhe invadiu a casa.

    Dalton Smith foi o homem que en-trou em casa de Andrea na madru-gada de sexta-feira, perto das 2h20, vestido de preto e com uma mscara de esqui. A jovem vivia com a irm gmea, Jessica, que estava em casa

    Estudante portuguesa morta pela polcia nos EUA alvo de homenagem

    com o namorado e uma amiga. O invasor aproveitou a porta aberta deixada por um deles para ir buscar as chaves do carro. Quando os agen-tes chegaram ao local, a maior parte das pessoas que se encontravam na residncia j tinha conseguido esca-par. Andrea, no: a jovem tinha sido feita refm. Smith tinha Andrea cola-da ao corpo, usando-a como escudo humano, e apontava-lhe uma arma cabea. O detective John Azzata contou, numa conferncia de im-prensa, que quando se sentiu cerca-do, depois de tentar escapar pelas traseiras, Smith virou a arma para um dos agentes. O polcia disparou oito tiros. Sete atingiram o suspeito. O outro atingiu Andrea na cabea. A jovem ainda foi socorrida com vida, mas acabou por morrer no hospital. Andrea frequentava um mestrado de Relaes Pblicas na Universida-de de Hofstra, que lhe prestou ho-menagem neste m-de-semana.

    CrimeHugo TorresAssaltante fez da jovem refm. Quando os agentes balearam o homem acabaram por atingir Andrea Rebello, de 21 anos

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  • 18 | LOCAL | PBLICO, SEG 20 MAI 2013

    NUNO ALEXANDRE MENDES

    Assumo que o IHRU dos piores senhorios que o pas tem

    O presidente do Instituto da Habita-o e da Reabilitao Urbana (IHRU), Vtor Reis, a rma que o instituto que dirige dos piores senhorios que o pas tem. E a todos os nveis. Aban-donou os bairros, no os scalizou, no actualizou as rendas, no fez obra e no desempenhou aquela que a sua obrigao principal em ter-mos sociais, tendo centenas de fogos vagos em todo o pas, assume.

    A admisso surge na mesma sema-na em que a Cmara do Porto apro-vou, por unanimidade, uma moo da CDU apelando ao investimento do IHRU na requali cao dos seus bair-ros e a um perodo de ajustamento das novas rendas mais distendido.

    Vtor Reis assume que o IHRU um pssimo senhorio, mas no aceita a moo aprovada pelo exe-cutivo municipal liderado por Rui Rio que tem mantido um aceso di-ferendo com o instituto por causa da Sociedade de Reabilitao Urbana e diz que ela assenta num equ-voco. Porque h bairros do IHRU na cidade que j esto a sofrer uma re-abilitao integral (Contumil e Leo-nardo Coimbra) e porque o Bairro de S. Tom, referido na moo, no per-tence, integralmente, ao instituto. Temos oito bairros na cidade, mas s cinco que so completamente nossos. Nos outros trs h fraces vendidas aos moradores, o que quer dizer que ns somos condminos, como os restantes proprietrios, e um destes bairros o de S. Tom, onde somos donos de 51% das casas. No bairro de Pereir j s temos 31% das casas e no Viso 64%, diz.

    O responsvel do IHRU argumen-ta, por isso, que a obrigao de fazer um plano de obras nestes trs bair-ros do condomnio, assumindo o IHRU a parte da despesa que lhe couber: As partes comuns no so nossas, mas temos vindo a substituir os condomnios quando h proble-mas graves, como in ltraes ou re-paraes de elevadores.

    Quanto dilatao do prazo para a aplicao da renda apoiada, Vtor Reis garante que no o far, apesar da forte contestao que o aumento de rendas tem tido, em bairros como o Nossa Senhora da Conceio, em Guimares (com subidas de 6000%),

    ou o dos Lios, em Lisboa. O res-ponsvel do IHRU considera que os trs anos de ajustamento, aplicados nos casos em que o aumento supe-rior ao dobro da renda actual, so su cientes. Admite que precisa do dinheiro e que as rendas prximas dos 400 euros podem ser uma forma de presso para levar alguns mora-dores a sair.

    Em Guimares as rendas no eram actualizadas h 34 anos, nos Lios, em Lisboa, h 25 e em alguns bairros do Porto h mais de 30 anos. custa disto, e dos 15% de inquili-nos que, simplesmente, no pagam rendas, temos um enorme d ce de receitas. Elas no cobrem os custos. Em Guimares, onde a renda mxi-ma rondar os 349 euros, dizem que h ao lado um bairro de luxo com rendas mais baixas. Pois bem, mudem-se, porque a seguir vamos atribuir as casas vagas a pessoas que realmente precisam, argumenta o presidente do IHRU.

    Vtor Reis garante que os anos de abandono do parque habitacional do IHRU, que abrange 12 mil fogos, levaram a que, por exemplo, 30 a 40% dos actuais arrendatrios no sejam aqueles com quem foi, efecti-vamente, feito contrato. Mas garante que no pretende despejar os actuais inquilinos, avanando antes para um perodo de regularizao destes casos. Para reverter o cenrio actual precisa, garante, de quatro anos.

    Primeiro, para fazer o levanta-mento da real situao dos bairros quem so os inquilinos, quais os seus rendimentos e as necessidades de reparao das casas , o que de-ver car concludo at ao nal do primeiro semestre do prximo ano. Depois, para avanar com as reabi-litaes exigidas pelos moradores. S daqui a quatro anos, e graas ao aumento das rendas, que Vtor Reis acredita que conseguir libertar os cinco milhes de euros anuais de que precisa para pagar um emprstimo contrado junto do Banco Europeu de Investimento e para fazer as gran-des e pequenas reabilitaes de que os bairros precisam.

    Vtor Reis no se despede sem es-quecer Rui Rio: Em Gaia, onde tam-bm temos obra, no nos cobraram taxas para a colocao de andaimes. A Cmara do Porto a nica do pas que nos cobra taxas e ainda aprova moes contra ns.

    Caves do Bairro de Contumil onde viviam 21 famlias sero transformadas em 14 habitaes a srio

    Presidente do Instituto da Habitao e da Reabilitao Urbana diz que parque habitacional do Estado estava ao abandono e no recua nos prazos de aplicao das novas rendas, contestadas em vrios municpios

    Habitao socialPatrcia Carvalho

    A mesa tem uma toalha, as camas possuem colches e cobertores. H um fogo na cozinha e um sof na sala.

    Mas tudo, literalmente tudo, est coberto por uma alta camada de excrementos de pombo. E por pombos, vivos ou mortos. O IHRU ainda no sabe h quanto tempo o 3. esquerdo do bloco 50 do Bairro de Santiago, em Aveiro, est abandonado, porque a renda mensal, de cinco euros, estava em dia, mas as queixas dos vizinhos j datam de Setembro de 2008. Isto o expoente do que o IHRU no pode ser. chocante, refere Vtor Reis. As imagens foram

    recolhidas pelo prprio IHRU (e cedidas ao PBLICO), no dia em que, cometendo uma ilegalidade, os tcnicos do instituto arrombaram a porta do apartamento e entraram, finalmente, na casa. O contrato de arrendamento foi cancelado em Maro, mas o IHRU ainda anda procura dos inquilinos que, tendo abandonado a casa, continuaram a pagar, por transferncia bancria, a renda. Como presidente do IHRU s posso ter vergonha disto. Isto uma casa de habitao do Estado. O que mais irei encontrar?, acrescenta. Um outro caso que, para Vtor Reis,

    o smbolo do que tem de mudar no instituto aconteceu em Barcelos. Pedi que me trouxessem a lista dos maiores devedores e apareceu-me uma casa com 200 meses de renda em dvida. Ou seja, dez anos em que ningum fez nada. Eu pedi para accionarem o contacto e qual no a nossa surpresa quando descobrimos que nos estvamos a preparar para despejar um morto. O inquilino tinha morrido e a casa estava abandonada. Este abandono tem precisamente a ver com o pssimo senhorio que ns somos. E isto tem de mudar, diz o presidente do IHRU.

    Casa em Aveiro, abandonada aos pombos, tinha a renda em dia

  • PBLICO, SEG 20 MAI 2013 | LOCAL | 19

    Breve

    Torres Vedras

    Torres Vedras produz mais de metade da energia que consome O concelho de Torres Vedras, onde vivem 80 mil pessoas, produz mais de metade da electricidade que consome e pode tornar-se auto-sustentvel em 2015, devido existncia de fontes de energia renovveis. Dados da Direco-Geral de Energia e Geologia, disponibilizados Lusa pela cmara municipal, revelam que as vrias fontes renovveis no concelho j contribuem com a produo de 250 gigawatts (GW) para as necessidades anuais de consumo, que so de 336 GW.

    Os municpios algarvios foram obri-gados, por lei, a alienar a participa-o que detinham na agncia de de-senvolvimento regional Globalgarve, cuja actividade principal a prestao de servios informticos s cmaras.

    A empresa, de capitais maiorita-riamente pblicos, possui uma rede de bra ptica com mais de 200 qui-lmetros, subaproveitada, e corre o risco de passar histria como mais um investimento falhado, no valor de dez milhes de euros. Os novos cor-pos sociais eleitos na semana passa-

    Globalgarve agncia de desenvolvimento regional do Algarve est beira da falncia

    Manuel Alpalho foi agora reeleito presidente da administrao da em-presa, em representao do accionis-ta BES. Mas avisa que s toma posse com o compromisso dos municpios, por escrito, de que pagam tudo o que devem [252 mil euros] at nal do ano, e metade ainda em Maio.

    Lei dita sada s cmarasNo ltimo ano e meio, a Globalgar-ve foi liderada por Macrio Correia, presidente da Cmara de Faro, que no conseguiu evitar que a empresa casse beira da falncia. Na ltima assembleia geral, o autarca evocou o novo regime jurdico da actividade empresarial local e das participaes em empresas mistas para justi car a alienao do capital social das autar-quias. Segundo a Lei n. 50/2012, o facto de a Globalgarve acumular pre-juzos h trs anos consecutivos inibe os municpios de a integrarem. Im-porta salvaguardar e rentabilizar o in-

    da s tomaro posse se houver um compromisso formal, e por escrito das cmaras de que pagam o que de-vem e continuam como clientes.

    Do conjunto de mais de 50 agn-cias de desenvolvimento regional e local que existiam em Portugal, resta cerca de uma dezena com sustenta-bilidade nanceira. O caso da Global-garve re ecte o que se passa noutras regies. A empresa tem uma dvida de 800 mil euros, sendo que 90% da facturao (400 mil euros/ano) depende das cmaras. A quebra das receitas autrquicas levou os muni-cpios a falharem nos pagamentos empresa de que so accionistas.

    Por isso, no Vero de 2011, recorda o ento administrador Manuel Alpa-lho, em situao de desespero, foi tomada uma atitude drstica: um apago. Durante algumas horas fo-ram desligados os sites dos munic-pios. Foi o bastante para se recupera-rem 130 mil euros em trs dias.

    AutarquiasIdlio RevezAdministrao eleita s toma posse com compromisso escrito dos municpios accionistas de que pagam o que devem

    vestimento pblico, disse Macrio, advertindo que tal s ser possvel se as cmaras se comprometerem a pagar em Maio, com as verbas do IMI, pelo menos metade dos valores da di-vida, e o restante at nal do ano.

    J os accionistas privados subli-nham que empresa s ter futuro se as cmaras se mantiverem clientes, por mais trs anos. Assim, Manuel Alpalho, que liderou a Globalgarve entre 2006 e 2012, aceita regressar. Macrio est con ante: As coisas vo no bom caminho, muitas das cmaras j esto a pagar.

    Uma das propostas para rentabili-zar a rede de bra ptica, instalada nas 16 cmaras da regio, passa por um projecto de facturao electrni-ca para os municpios. O projecto ar-rancou, com apoios comunitrios de 500 mil euros, mas parou por falta de nanciamento. E a empresa con-tratada para o desenvolver reclama o pagamento de 104 mil euros.

  • 20 | ECONOMIA | PBLICO, SEG 20 MAI 2013

    AdP retirada da lista dos swaps txicos pouco antes do anncio do Governo

    O grupo de empresas classi cadas como explosivas pela Agncia de Gesto da Tesouraria e da Dvida Pblica (IGCP), por terem subscrito swaps que no serviam apenas pa-ra xar a taxa de juro e que acumu-lavam elevadas perdas potenciais, sofreu uma alterao repentina nos dias que antecederam o primeiro anncio pblico do Governo sobre as negociaes com os bancos que comercializaram estes produtos.

    A guas de Portugal (AdP), empre-sa onde o organismo presidido por Joo Moreira Rato tinha detectado um contrato problemtico vendido pelo BNP Paribas, desapareceu subi-tamente da lista, dando lugar CP.

    Esta mudana ocorreu num curto espao de tempo. Trs dias antes da conferncia de imprensa do executivo, a 26 de Abril, a empresa ainda consta-va nas listagens validadas pelo IGCP como tendo celebrado um swap que gerou preocupaes. O instrumento em causa tinha sido vendido pelo BNP Paribas e no passou na avaliao que o organismo fez aos contratos activos em 15 empresas pblicas.

    O produto, que acumula uma per-da potencial de cerca de 30 milhes de euros (o que corresponde a pra-ticamente 50% do risco de prejuzo da totalidade dos swaps subscritos pela AdP, no valor de 59,7 milhes), falhou na anlise ao day1 pv (rcio que mede o custo imediato destes instrumentos logo no primeiro dia de existncia). Este foi um dos critrios tidos em conta na matriz da audito-ria do IGCP, que incluiu ainda na sua anlise outros dois factores para de-terminar a toxicidade dos contratos: complexidade e alavancagem.

    O facto de o produto comercializa-do pelo BNP Paribas no ter passado na avaliao fez com que a equipa de Moreira Rato inscrevesse a AdP na lista de empresas com contratos problemticos. Um grupo que abran-gia ainda a Metro de Lisboa, a Metro do Porto, a Carris, a SCTP e a Egrep, gestora das reservas nacionais de produtos petrolferos, como o P-

    BLICO noticiou a 24 de Abril.Foi essa notcia que desencadeou

    uma troca de informaes entre a ad-ministrao da AdP, presidida por Afonso Lobato de Faria, e as suas tutelas: a sectorial (o Ministrio da Agricultura, Mar, Ambiente e Orde-namento do Territrio) e a nanceira (o Ministrio das Finanas). Esclare-cimentos prestados pela equipa de gesto sobre o swap comercializado pelo BNP Paribas zeram com que o produto acabasse por deixar de es-tar englobado na lista de produtos problemticos, como viria depois a con rmar-se no dia do anncio do Governo.

    No nal da conferncia de impren-sa de 26 de Abril, protagonizada pelo presidente do IGCP e pela secretria de Estado do Tesouro (Maria Lus Al-buquerque), foi entregue um docu-mento aos jornalistas, onde j no constava a referncia empresa na lista de entidades com swaps especu-lativos. Em vez da AdP, que passou a constar no grupo de empresas com um padro aceitvel de utilizao de derivados, como se lia na nota distribuda no nal do anncio, sur-giu o nome da CP.

    A troca tambm se deveu ao facto de ter sido analisado em maior de-talhe um swap subscrito pela trans-portadora ferroviria e que tinha si-do igualmente comercializado pelo BNP Paribas. No caso deste produto, o IGCP ter detectado no decorrer da auditoria nveis de complexidade e de toxicidade elevados, mas no o su ciente para o classi car como es-peculativo, numa primeira fase.

    Apesar da insistncia, os envol-vidos neste processo tm preferido manter-se em silncio sobre o caso da AdP. Questionados pelo PBLICO sobre as razes que levaram inclu-so e posterior excluso da AdP, a empresa e o Ministrio da Agricultu-ra remeteram esclarecimentos para o Ministrio das Finanas. J a tutela de Vtor Gaspar no respondeu at ao fecho desta edio. Tambm no h, por enquanto, mais nenhuma conferncia de imprensa agendada pelo Governo para abordar o caso dos contratos swap. Mas esta questo poder vir a ser levantada na comis- A 23 de Abril, antes da conferncia de imprensa, a AdP estava na lista do IGCP, liderado por Moreira Rato

    MIGUEL MANSO

    Auditoria do IGCP tinha detectado contrato problemtico vendido pelo BNP Paribas, mas o nome da guas de Portugal acabou por desaparecer dias antes da divulgao pblica da lista das empresas

    Empresas pblicasRaquel Almeida Correia

  • PBLICO, SEG 20 MAI 2013 | ECONOMIA | 21

    so de inqurito parlamentar que j foi aprovada no Parlamento, mas que no tem ainda