Questoes Enade Comentadas Fapsi

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Questões do ENADE 2009 comentadas pelos professores da Faculdade de Psicologia da PUCRS
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Questes do ENADE 2009 comentadas pelos professores da Faculdade de Psicologia da PUCRS

Questes Comentadas ENADE

QUESTO 12: .................................................................................................... 3 QUESTO 13: .................................................................................................... 4 QUESTO 14: .................................................................................................... 6 QUESTO 19: .................................................................................................... 8 QUESTO 20: .................................................................................................. 10 QUESTO 21 .................................................................................................... 12 QUESTO 22: .................................................................................................. 14 QUESTO 23: .................................................................................................. 16 QUESTO 24: .................................................................................................. 18 QUESTO 25: .................................................................................................. 19 QUESTO 26: .................................................................................................. 21 QUESTO 27: .................................................................................................. 23 QUESTO 28: .................................................................................................. 25 QUESTO 31: .................................................................................................. 26 QUESTO 32: .................................................................................................. 28 QUESTO 33: .................................................................................................. 30 QUESTO 34: .................................................................................................. 32 QUESTO 35: .................................................................................................. 34 QUESTO 36: .................................................................................................. 36 QUESTO 37: .................................................................................................. 38

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Professora Vivian Roxo Borges QUESTO 12: Alternativa Correta: C Mdia de acertos Brasil: 51,2% FAPSI: 68,1% A psicologia, ao participar do desafio contemporneo do dilogo inter, multi e transdisciplinar, tem sua definio precria de identidade dissolvida, revelando seu potencial de olhar para a complexidade de seu objeto. Tal situao tem o potencial de propiciar a construo de novas formas e prticas de se pensar o saber psicolgico. Todavia, convida realizao de atividades cada vez mais em sintonia com outros saberes. Assim, uma dupla tarefa impe-se: dialogar, ultrapassando fronteiras antes demarcadas, e sustentar um discurso construtor de uma identidade especfica do saber psicolgico. Considerando-se o texto, assinale a afirmao CORRETA. A) A identidade emergente da psicologia contempornea supera as suas dicotomias epistemolgicas, ao dialogar com outros saberes, referendando-se neles, pois esses saberes possuem uma maior segurana metodolgica.

B) A psicologia como cincia foi marcada pela tenso dos projetos de sua constituio, estabelecendo uma epistemologia nica que se expressa em mltiplos mtodos, que podem dialogar com outros saberes. C) A psicologia, ao participar do dilogo inter, multi e transdisciplinar, tm reconstrudo as fronteiras de sua identidade, pois, no contato com saberes diversos, revela sua caracterstica: a complexidade epistemolgica e metodolgica. D) O dilogo inter, multi e transdisciplinar dificulta a definio formal da psicologia como cincia, pois dissolve a identidade j bem constituda do saber psicolgico, propondo uma identificao com outras formas do saber sobre o homem. E) O psiclogo tem sido convidado a realizar dilogos que o desafiam a construir uma linguagem inter, multi e transdisciplinar, centrada no discurso epistemolgico das cincias exatas, como a fsica quntica, e das cincias biolgicas, como a gentica. Este um grande desafio para todos os saberes na contemporaneidade. Especialmente em relao Psicologia uma grande mudana de paradigma deu-se em funo da abertura do campo de atuao do psiclogo e da necessidade desse profissional sair de um espao mais reservado e privado, para os campos das polticas pblicas e da inveno de novos fazeres. Trabalhar nessa perspectiva da inter, multi e transdisciplinaridade implica, a todo momento, em transitarmos por espaos coletivos (diferentes Campos de atuao) e trocas com outros saberes, bem como defender o espao de Ncleo (saberes da Psicologia).

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Professor Mrcio Englert Barbosa QUESTO 13: Alternativa Correta: B Mdia de acertos No Brasil: 51,2 FAPSI: 56,7 Em relao viso de homem, contrastante na abordagem comportamental e na psicologia evolutiva, so feitas as seguintes afirmativas:

I. II.

III.

IV.

A abordagem comportamental considera que o homem ambientalmente determinado pela sequncia de comportamentos e de reforos, criando uma iluso de liberdade. A abordagem comportamental surge como uma modalidade de discurso psicolgico crtico da viso monista materialista de homem e da correspondente desvalorizao daquilo que ocorre privadamente no indivduo. A psicologia evolutiva descreve os componentes fundamentais da natureza humana, os quais podem ser compreendidos em termos de mecanismos psicolgicos selecionados pelo indivduo como teis para a evoluo pessoal. A psicologia evolutiva sustenta que o comportamento humano depende de mecanismos psicolgicos que foram modelados pela seleo natural no ambiente anterior de adaptao.

Esto CORRETAS somente as afirmativas A) I e II. B) I e IV. C) II e III. D) II e IV. E) III e IV. Questo Comentada:

I.

A abordagem comportamental considera que o homem ambientalmente determinado pela sequncia de comportamentos e de reforos, criando uma iluso de liberdade.

Comentrio: A afirmativa verdadeira. A teoria comportamental, especialmente considerando as propostas Skinnerianas sobre o condicionamento operante prope que os comportamentos so determinados pelas suas consequncias. Os reforos so consequncias que levam ao aumento na frequncia do comportamento anteriormente apresentado. Dentro desta perspectiva, a conscincia no responsvel pela escolha de comportamentos, visto que os mesmos so definidos pelas suas consequncias. II - A abordagem comportamental surge como uma modalidade de discurso psicolgico crtico da viso monista materialista de homem e da

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correspondente desvalorizao daquilo que ocorre privadamente no indivduo. Comentrio: Afirmativa incorreta, pois a abordagem comportamental critica a valorizao de fenmenos internos como causas dos comportamentos, detendo-se na relao organismo-ambiente e abandonando o foco nos processos privados do indivduo. Essa afirmativa necessita que o aluno preste bastante ateno na sua interpretao, visto que ela afirma que a viso comportamental critica a viso monista que desvaloriza os eventos privados. Quando na verdade a viso comportamental compartilha a ideia de desvalorizao dos eventos privados.

III - A psicologia evolutiva descreve os componentes fundamentais da natureza humana, os quais podem ser compreendidos em termos de mecanismos psicolgicos selecionados pelo indivduo como teis para a evoluo pessoal. Comentrio: A afirmativa incorreta. A psicologia evolutiva acredita que os mecanismos psicolgicos so selecionados atravs do processo de seleo natural. Esses mecanismos so adaptativos, sendo fundamentais para a sobrevivncia e reproduo. Esses mecanismos so selecionados pela natureza, e no pelo indivduo, sendo teis para o processo de evoluo da espcie e no para uma evoluo pessoal.

IV - A psicologia evolutiva sustenta que o comportamento humano depende de mecanismos psicolgicos que foram modelados pela seleo natural no ambiente anterior de adaptao. Comentrio: Afirmativa correta. Os processos de seleo natural dos processos psicolgicos ocorreram em um perodo pr-histrico em que a nossa espcie era caadora e coletora, antes do incio dos assentamentos, e das nossas sociedades urbanas. O processo de seleo natural necessita de uma grande quantidade de geraes para que ocorra a seleo gentica e o perodo de existncia da nossa espcie caracterizado pelas tribos nmades, caadoras e coletoras supera em muito o perodo de existncia da sociedade urbana.

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Professora Rita de Cssia Petrarca Teixeira QUESTO 14: Alternativa Correta: D Mdia de acertos No Brasil: 26,9% FAPSI: 33,5 % A psicologia como cincia caracteriza-se pela tenso entre recortes epistemolgicos e pressupostos ontolgicos sobre seu objeto, criando, ao longo de sua histria, uma diversidade de abordagens, tal como o cognitivismo e a psicologia fenomenolgica. Em relao concepo da psicologia como cincia nessas duas abordagens, so feitas as seguintes afirmativas:

I. II. III. IV.

Ambas preconizam uma viso de cincia centrada na concepo de descrio precisa e objetiva dos dados da experincia. O cognitivismo contrape-se psicologia fenomenolgica, por considerar que a abordagem cientfica adequada ser do processamento da informao como dado objetivo. Para a psicologia fenomenolgica, a experincia irredutvel a uma anlise descontextualizada da subjetividade do sujeito; portanto, os mtodos experimentais so adequados. O cognitivismo apresenta uma disperso de mtodos que se origina de desdobramentos da abordagem comportamental, da psicologia social e da influncia da ciberntica e da teoria da informao e da teoria geral dos sistemas.

Esto CORRETAS somente as afirmativas A) I e II. B) I e IV. C) II e III. D) II e IV. E) III e IV. Comentrio A partir do nascimento formal da Psicologia com cincia no sculo XIX, surgiram diferentes definies da natureza da Psicologia, assim como do objeto de estudo e da forma (mtodo) para estud-lo. Dessa forma, cada escola psicolgica apresenta a sua concepo de cincia, divergindo e tentando superar o modelo proposto pelas demais. As abordagens cognitiva e fenomenolgica evidenciam essas diferenas. A escola cognitiva retoma a conscincia como objeto de estudo, foi influenciada pelo Behaviorismo intencional de Tolman, pela teoria da atribuio da Psicologia Social, pelas teorias da comunicao, pelos estudos sobre Inteligncia Artificial, pelas

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teorias de processamento de informao na tomada de decises e solues de problemas, sendo uma das escolas mais atuais. Utiliza a metfora do computador para explicar os processos cognitivos do ser humano. J a psicologia fenomenolgica est baseada num modelo de pensamento filosfico que tem Husserl, Merleau-Ponty e Heidegger como figuras expoentes. Essa psicologia caracterizada pela considerao da experincia enquanto realidade vivida subjetivamente. Interessa a descrio ingnua dos fenmenos tais como acontecem na conscincia, sendo estes vividos pelo sujeito sob a forma de estruturas, isto , sob a forma de relaes entre as partes que compem o todo.

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Professora Lilian Milnitsky Stein QUESTO 19:

Alternativa Correta: A Mdia de acertos No Brasil: 47,1% FAPSI: 69,2% Leia o trecho:

O

estudo

das da

falsas

memrias em

til

expanso laboratoriais,

do

conhecimento

memria

contextos

psicologia clnica e a diversas reas do saber que lidam com ela. As recentes investigaes denotam que sugerir informaes e forar as pessoas a evoc-las pode aumentar a magnitude dos efeitos das falsas memrias.

ALVES, C.M. 2007 (adaptado) Com base na leitura desse texto, considere as seguintes afirmativas: I. A memria parte do complexo funcionamento do processo cognitivo e mostra-se mais que simples registro, revelando uma relao entre o recordar e a situao de interao. II. A recordao pode ser falseada quanto ao contedo pelo engajamento emocional com o entrevistador, que pode sugerir involuntariamente elementos facilitadores da lembrana reconstruda. III. O processo teraputico pode evitar o surgimento de falsas memrias, pois o ambiente seguro garante a expresso emocional consistente do indivduo, incluindo suas lembranas. IV. A repetio da recordao de um episdio aumenta a fidedignidade da recordao, pois a experincia emocional permite afirmar que uma recordao mais profunda e segura de que sua validade objetiva. Esto CORRETAS somente as afirmativas A) I e II. B) I e IV. C) II e III. D) II e IV. E) III e IV.

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Comentrios da Profa. Lilian M. Stein acerca das alternativas corretas: I A memria, por ser extraordinariamente eficiente e flexvel no armazenamento de informaes (BADDELEY, EISENCK, & ANDERSON, 2011, p. 29), no registra as informaes como uma mquina fotogrfica ou filmadora. A memria suscetvel distoro que pode ser causada por sugesto de informaes falsas que so apresentadas, deliberadamente ou por acaso, nas interaes do indivduo com seu ambiente e outras pessoas (Neufeld & Stein, 2001). II - Em uma entrevista onde se busca um relato de fatos ocorridos, por exemplo, quando uma testemunha entrevistada, muitas vezes no s o engajamento emocional com o entrevistador, mas a utilizao de tcnicas de entrevistas inadequadas (por exemplo, uso de perguntas fechadas e que do opes de resposta a testemunha, sugesto de informao falsa, por exemplo, tu ouviu o que o ladro disse quando apontou o revolver para o caixa do banco?, quando de fato o ladro tinha uma faca) (EYSENCK, 2011).

Comentrios da Profa. Lilian M. Stein acerca das alternativas incorretas: III - Uma vez que a psicoterapia visa a reestruturar as crenas dos pacientes, ela pode constituir-se em um cenrio propcio para as distores de memria (PERGHER & GRASSI-OLIVEIRA, 2010, p.231). Ademais, dependendo do tipo de tcnica utilizada (por exemplo, imaginao ou at mesmo a interpretao de sonhos (Mazzoni et al.,1999). IV - De fato, a primeira parte da afirmativa est correta, pois quanto mais vezes recordarmos de um episdio que vivemos (testes de recordao livre), a tendncia que essa recordao seja fidedigna em funo do chamado efeito de testagem (Roediger & Karpicke, 2006). Todavia, a emoo, ainda que possa levar a um processamento mais profundo das informaes (Baddeley et al., 2011, p. 116), no confere necessariamente uma proteo contra possveis distores dessa memria (Rohenkohl, Gomes, Silveira, Pinto e& Santos, 2010). BADDELEY, A., EISENCK, M.W. & ANDERSON, M.C. (2011). Memria. Porto Alegre: Artmed. EISENCK, M.W. (2011). O depoimento da testemunha ocular. Em A. BADDELEY, M.W. EISENCK & M.C. ANDERSON. Memria, cap. 14. Porto Alegre: Artmed. NEUFELD, C. B. & STEIN, L. M. Compreenso da memria segundo diferentes perspectivas tericas, Campinas, Revista Estudos de Psicologia, 18, n. 2, p. 5063, 2001. Rohenkohl,G. Gomes,C.; Silveira,R.; Pinto, L. & Santos, R. ( 2010).Emoes e falsas memrias. Em STEIN, L. M. e colaboradores. Falsas Memrias: Fundamentos cientficos, aplicaes clnicas e jurdicas, cap. 4. Porto Alegre: Artmed, 2010.

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STEIN, L. M. e colaboradores. Falsas Memrias: Fundamentos cientficos, aplicaes clnicas e jurdicas. Porto Alegre: Artmed, 2010. Professora Irani Iracema de Lima Argimon QUESTO 20: Alternativa Correta: enquanto a E essa alternativa obteve 26,2% de escolha

alternativa C (considerada errada) obteve 27,8% Mdia de acertos No Brasil: 28,6% FAPSI: 26,2% A discusso sobre o envelhecimento tem sido retomada a partir do aumento da expectativa de vida, demandando polticas pblicas que orientem e articulem os diferentes segmentos de atendimento a esses grupos, seja na famlia, na escola, no trabalho, nos servios mdicos ou assistenciais. Quanto s contribuies da psicologia do envelhecimento, so feitas as seguintes afirmativas:

I. II. III. IV.

A teoria psicolgica dispe de conceitos e de modelos explicativos adequados para tratar do processo de envelhecimento na contemporaneidade. Uma abordagem renovadora implica compreender o envelhecimento como etapa final do ciclo de vida, incorporando contribuies de outras cincias. O estudo do envelhecimento deve incorporar as novas dimenses tecnolgicas que incrementam a qualidade de vida e a longevidade. A pesquisa em psicologia deve ampliar os estudos sobre a memria, j que uma das funes que sofre maior desgaste durante o envelhecer.

Esto CORRETAS somente as afirmativas A) I e II. B) I e III. C) II e III. D) II e IV. E) III e IV.

V.

O estudo do envelhecimento deve incorporar as novas dimenses tecnolgicas que incrementam a qualidade de vida e a longevidade. Com o aumento da mdia de vida devido a novas tecnologias e principalmente o avano da cincia, destacando-se ai a medicina, as pessoas tem tido uma vida mais longa. Os recursos at aqui foram elaborados e incrementados para uma faixa de idade menos que no a terceira idade, por isso justifica-se que a preocupao atual de incorporar novas tecnologias e no simplesmente estender as j existentes para incrementar a qualidade de vida dos mais idosos.

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VI.

A pesquisa em psicologia deve ampliar os estudos sobre a memria, j que uma das funes que sofre maior desgaste durante o envelhecer. Entre as funes cognitivas, os estudos mostram que a funo da memria mais sensvel a um desgaste com o envelhecimento. Este declnio perceptvel pode no ser suficiente para caracterizar um prejuzo nesta funo, mas um declnio que deve ser melhor estudado para encontrar alternativas de treinamento e reabilitao.Em questes de memria no podem ser descartados situaes mais srias, por exemplo demncias onde o sintoma memria est presente, apresentando prejuzos muito importantes. Hoje j se dispe de instrumentos para rastreamento de dficits cognitivos e principalmente da memria que ajudam a pensar em hipteses diagnsticas.

Referncias: Arajo, L. F., Carvalho, C. M. & Carvalho, V. A. (2009). As diversidades do Envelhecer: uma abordagem multidisciplinar. Curitiba: Editora CRV. Areosa, S. V. C. (2012). Envelhecimento Humano: realidade familiar e convvio social de idosos do RGS e da Catalunha. POA:EDIPUCRS. Barlow, D. H. & Durand, V. M. (2008). Psicopatologia, uma abordagem integrada. So Paulo: Cengage Learning.

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Professora Adriane Xavier Arteche QUESTO 21: Alternativa Correta: A Mdia de acertos No Brasil: 74% FAPSI: 84,8% Em um estudo de crianas da zona rural brasileira, Leite (2002) observou que grande parte dos brinquedos disponveis (bonecas, peteca, casinha, bola) era feita pelas prprias crianas ou havia reapropriao de instrumentos: paus, carrinhos de mo, cabos de vassoura e latas. Elas brincam ao puxar lata, rodar pneu, colher fruta, andar na bicicleta dos pais, catar capim na horta, recolher o gado, cuidar do beb, amarrar a cabra no pasto, brincar de bola, de comprar na venda, de correr. O trabalhar e o brincar da criana tambm aparecem em tarefas cotidianas diversas, dando a essas atividades um carter ldico e singular. Em uma pesquisa sobre o brincar da criana indgena brasileira, Oliveira e Menandro (2002) observaram brinquedos dos mais variados tipos e naturezas. Eram brinquedos artesanais, como o estilingue, o pio, a zarabatana ou chocalhos. Os autores identificaram uma diversidade de vivncias ldicas que transformam objetos em brinquedos, com base na experimentao e na fantasia. Essas pesquisas esto sintetizadas na afirmativa A) A apropriao de objetos e sua transformao em brinquedo caracterizam a experincia ldica nos dois grupos, embora sejam brinquedos impregnados pelo contexto cultural. B) A perspectiva acerca da infncia e da criana nos estudos culturais baseada num ideal de pureza e de ingenuidade, que deve ser submetido a estudos experimentais. C) A perspectiva sobre a natureza infantil homognea, adotando um modelo que busca enquadrar a criana num universo sociocultural j constitudo e marcado pela diversidade. D) As diferenas na vivncia da infncia aparecem nas pesquisas, pois tanto as crianas da zona rural quanto as indgenas transformam objetos em brinquedos. E) As transformaes nos modos de viver o ldico na infncia mostram a importncia dos brinquedos nos centros urbanos das grandes cidades. COMENTRIO: Para responder corretamente questo deve-se lanar mo dos conhecimentos acerca de Psicologia do Desenvolvimento e, mais especificamente, das teorias sobre a evoluo e a importncia do brincar na infncia. Dois conceitos so chave para se chegar resposta correta: 1) A noo de que o brinquedo infantil faz parte do repertrio humano independentemente da cultura e 2) A idia de que o brinquedo constitui a base da percepo que a criana tem do mundo dos objetos humanos e, portanto, assumir especificidades conforme o contexto em que a criana est inserida. As elaboraes tericas acerca destes conceitos podem ser encontradas nas teorias de Vygotsky e Leontiev. Para estes autores o brinquedo assume papel

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de destaque no desenvolvimento infantil, oportunizando que a criana se desenvolva cognitivamente. Alm disso, atravs do brinquedo que a criana se apropria do mundo dos adultos, se relaciona e se integra culturalmente. Nesta medida, o brinquedo humano se diferencia do animal visto que o segundo uma atividade instintiva, enquanto o primeiro uma atividade objetiva que envolve a manipulao de recursos disponveis e objetos pertencentes ao mundo dos adultos utilizados. Assim, a criana compreende o mundo adulto e treina a soluo independente de problemas. Referncia: Vigotskii, L.S., Luria, A.R., & Leontiev, A.N. (1986). Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. Editora cone.

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Professora Angela Leggerini de Figueredo QUESTO 22: Alternativa Correta: C essa alternativa (correta) recebeu 38,4% escolha enquanto a alternativa E (considerada errada) obteve 31,2% Mdia de acertos No Brasil: 31,4% FAPSI: 38,4 Uma paciente de 20 anos de idade, em uma entrevista inicial, relata um quadro diagnosticado como Transtorno de Pnico Sem Agorafobia (DSM IV 300.01): Doutora, no sei o que eu tenho... estava na minha casa sozinha. Quando fui cozinha, comecei a sentir mal! Senti como se algo horrvel fosse acontecer. Senti como se estivesse morrendo... Minhas mos comearam a formigar. Meu corao disparou, mal conseguia respirar. Nada estava acontecendo e eu no sabia o que me acontecia. Achei que meu corao ia parar! Comecei a chorar! O mdico me disse que eu no tinha nada. Me receitou um ansioltico e me mandou para casa. Isso foi h um ano. Isso ocorreu mais de uma vez e sempre de repente! s vezes, quando menos espero. Eu estou apavorada! No sei o que acontece, nem quando vai acontecer! Tenho medo de enlouquecer ou de ter um ataque cardaco! E eu sou atleta! Sei que no tem nada a ver! Nunca tive nada disso! Nunca usei drogas! E o mdico me disse que minha sade est bem. Meus pais esto bem! Minha relao com eles boa! Tenho namorado! Agora no consigo nem ir aula na faculdade sem ter medo! Mesmo em casa fico preocupada! O que que eu tenho? Tem tratamento? Considerando-se a diversidade de abordagens em psicologia para compreender os quadros psicopatolgicos e seu diagnstico, so feitas as seguintes afirmativas: de

I.

II.

III.

IV.

Para a psicanlise, os sintomas relatados so reveladores de complexos inconscientes relacionados represso cultural do corpo e do gnero, levando a um estado regressivo, cujo principal mecanismo de defesa a projeo; portanto, a psicanlise tem validada sua descrio da psicopatologia no DSM IV. A abordagem comportamental procura, por meio da anlise funcional, descrever, neste caso, as relaes complexas entre os comportamentos, seus reforamentos e condicionamentos, considerando que descries de categorias nosolgicas no so teis, pois no revelam as relaes entre variveis de controle do comportamento. Na perspectiva da abordagem sistmica, a complexidade dos quadros psicolgicos no pode ser reduzida a classificaes nosolgicas, pois elas ocultam a relao complementar entre o sistema e o sintoma; logo, uma descrio centrada na psicopatologia no revela aspectos de recursividade e de circularidade sistmicas. Em uma perspectiva fenomenolgica existencial, a classificao de quadros psicopatolgicos elucida as vivncias subjetivas, pois a classificao explica o sintoma e valida o relato do paciente. Assim, a descrio das vivncias da paciente objetivada.

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Esto CORRETAS somente as afirmativas A) I e II. B) I e III. C) II e III. 38,4% D) II e IV. E) III e IV. 31,2% Comentrio : I. A afirmativa esta errada, pois o DSM-IV um manual epidemiolgico que visa descrever os fenmenos psicopatolgicos apartir da ausncia ou presena de determinado sintoma. J a psicanlise por sua vez, busca a compreenso destes fenmenos a partir de seu corpo terico de forma explicativa e no descritiva. II. Em TCC uma das principais formas de entender os quadros ansiosos que ele se deu atravs do condicionamento operante proposto por Skinner. Tendo em vista tal entendimento a anlise funcional do comportamento (modelo advindo do Behaviorismo radical) a melhor forma de entendermos tal fenmenos de forma terica. O DSM no seria to indicado pois trata-se de um manual epidemiolgico aterico. Afirmativa correta III. A teoria sistmica como as demais abordagens busca entender os fenmenos a partir de seu corpo terico e no da descrio epidemiolgico aterico do DSM. Afirmativa correta. IV. Afirmativa errada. Primeiramente porque o humanismo no vale-se do DSM para o entendimento dos seis pacientes e sim do seu referencial terico . Por fim, pois o existencialismo a antagnico a base epistemolgica do DSM que visa a descrio de populaes em determinados contextos, este por sua vez enxerga o indivduo como nico em sua existncia.

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Professora Jenny Milner Moskovics QUESTO 23: Alternativa Correta: E Mdia de acertos No Brasil: 69,8% FAPSI: 84% Leia o trecho:

Mesmo pacientes que seriam considerados psiquiatricamente bastante comprometidos pela cincia acadmica vigente podem viver num clima de liberdade, de autonomia e de considerao mtua, dependendo apenas de que se lhes respeite a condio de seres humanos. No se trata absolutamente de tingir a loucura com cores romnticas: sem dvida, so pessoas que vivem experincias difceis, doloridas, dilacerantes, experincias que, na maior parte das vezes, no encontram uma alocao possvel na esfera gregria do sujeito e que resistem s formas de comunicao pelos cdigos partilhados. Mas que, nem por isso, so menos humanas, menos passveis de reconhecimento e de solidariedade. NAFFAH, Neto Alfredo. O estigma da loucura e a perda da autonomia. (s/d) Essa concepo de sade e de doena mental identificada em qual abordagem? A)Em uma abordagem analtica, deve-se promover um trabalho de denncia da ideologia, ligada ao tratamento da loucura e sua manifestao na famlia em todos os fruns sociais, dentro e fora do contexto territorial em que a estigmatizao do paciente ocorre. B) Em uma abordagem que defenda o fim do internamento do paciente, o qual rompe com as jaulas farmacolgicas e teraputicas que acorrentaram os doentes mentais na histria; logo, o fim do uso de psicofrmacos e a liberdade sem restries esto postos para o sculo XXI. C) Na perspectiva biopsicossocial, em que o sofrimento mental compreendido como instncia produtora de novos sentidos, recupera-se a experincia do portador como um dado de crtica social e aspectos neuropsicolgicos. D) Naquela em que o tratamento moral deve ceder pouco a pouco seu lugar para as teraputicas medicamentosas e psicoterpicas, pois a abordagem deve ser por etapas e acompanhada por diferentes instrumentos de avaliao. E) Naquela em que se deve trabalhar com a tenso entre um conceito de sade, como o bem-estar biopsicossocial e as suas possibilidades efetivas de realizao nas condies concretas dos indivduos e dos grupos sociais, na busca de garantir a humanidade e a dignidade das pessoas em condio de sofrimento psquico, apostando na potencialidade humana do paciente. Comentrio- Profa. Jenny Milner Moskovics:

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A) Alternativa INCORRETA, j que a promoo de um trabalho de denncia da ideologia no abordada em nenhuma abordagem analtica e as ideias expostas no tem nada a ver com a concepo analtica. B) Alternativa INCORRETA, pois o tratamento humano e digno para pessoas portadoras de sofrimento psquico referido compatvel com o uso de psicofrmacos e com o internamento dos pacientes, em determinadas condies. C) Alternativa INCORRETA, pois a perspectiva biopsicossocial no prioriza os aspectos neuropsicolgicos. D) Alternativa INCORRETA, pois a abordagem no prioriza teraputicas medicamentosas e psicoterpicas. E) Alternativa CORRETA, pois esta concepo de sade mental considera que o sofrimento psquico deve ser acolhido e tratado no contexto de vida das pessoas, permitindo que as mesmas mantenham seus laos familiares e comunitrios. Nesta concepo, existem mil sades e infinitos papeis sociais possveis e a nfase deve estar no projeto de inveno de sade e de reproduo social do paciente, no no processo de cura.

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Professora Mariana de Medeiros e Albuquerque Barcinski QUESTO 24: Alternativa Correta: E - essa alternativa obteve 29,7% alternativa D (considerada errada) obteve 35% Mdia de acertos No Brasil: 28,2 FAPSI: 29,7% Leia as afirmativas A contemporaneidade o cenrio no qual novos elementos despontam e convocam posicionamentos subjetivos. nesse palco que a homossexualidade e a homofobia devem ser vistas e focalizadas, tanto terica quanto pragmaticamente. PORQUE Autores como Bauman (1998) e Jameson (1997) voltam-se para as transformaes sociais como deflagradoras de mudanas subjetivas: fragmentao, superficialidade, heterogeneidade discursiva e espacializao do tempo e fim da unidade e da centralidade tpicos da organizao subjetiva da modernidade. CREMASCO et al., 2009. (Adaptado) Analisando-se essas afirmaes, CORRETO afirmar que A) a primeira afirmao falsa, e a segunda verdadeira. B) a primeira afirmao verdadeira, e a segunda falsa. C) as duas afirmaes so falsas. D) as duas afirmaes so verdadeiras, e a segunda uma justificativa correta da primeira. E) as duas afirmaes so verdadeiras, mas a segunda no uma justificativa correta da primeira. As duas afirmaes tratam de questes similares, a saber as transformaes subjetivas resultantes do cenrio da contemporaneidade. Neste sentido, as afirmaes falam de como as transformaes sociais, incluindo a globalizao e o encurtamento de fronteiras, por exemplo, resultam em novas subjetividades contemporneas. No entanto, embora tratem de fenmenos similares, no h entre as afirmaes um nexo causal. As duas, portanto, so verdadeiras, mas uma no explica a outra. no entanto a

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Professor Rodrigo Grassi de Oliveira QUESTO 25:

Alternativa Correta: D obteve 37,3%, no entanto a alternativa B considerada errada obteve 52% Mdia de acertos No Brasil: 35,5% FAPSI: 37,3

Estudos sobre um construto chegaram s seguintes concluses: i) A fragmentao do ncleo familiar, o baixo grau de instruo e o prvio histrico de internao psiquitrica so preditores de estresse pstraumtico. A ousadia protege, na exposio ao estresse extremo, e tem trs dimenses: a motivao para encontrar sentido no cotidiano; a crena em poder influenciar o entorno e os resultados dos eventos; e a crena em poder aprender e a crescer a partir das experincias. A caracterizao de um evento como traumtico no depende somente do estmulo estressor, mas, entre outros fatores, da tendncia do processamento perceptual do indivduo. Eventos traumticos em si no so determinantes isolados ou exclusivos do desenvolvimento de transtornos psiquitricos.

ii)

iii)

iv)

Tais descobertas relacionam-se a estudos sobre A) agressividade. B) processos cognitivos. C) processos grupais. D) resilincia. E) dissonncia cognitiva.

A busca em compreender as respostas ao trauma est voltada tambm para a contribuio da personalidade e dos fatores ambientais. Estudos sugerem que a exposio precedente ao trauma e a intensidade da resposta ao trauma agudo podem afetar o desenvolvimento de TEPT. Os resultados indicam que os indivduos com sentimentos de insegurana, falta de controle pessoal e alienao aos outros so os mais provveis a vivenciar elevados nveis de depresso e sintomas de TEPT subsequentes exposio a eventos traumticos. As pessoas que so incapazes de confiar nos outros, so sensveis rejeio, sentem-se facilmente feridas e possuem dificuldade em fazer amigos experimentam os nveis mais elevados de sofrimento que seguem a um evento potencialmente traumtico. Meta-anlises revelaram consistentemente diversos preditores de TEPT, incluindo a fragmentao do ncleo familiar, baixo grau de instruo e prvio histrico de internao psiquitrica.

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O fator crucial ao desenvolvimento da resilincia est em como os indivduos percebem sua capacidade de lidar com os eventos e controlar seus resultados. A percepo de si mesmo e os dilogos internos aps a ocorrncia do evento traumtico so preditores de resultados psicolgicos satisfatrios ou no. Os dilogos internos de autopiedade, desamparo, autovitimizao e autodepreciao podem realar as emoes negativas relacionadas memria traumtica e exacerbar o sofrimento psicolgico. As pessoas que cultivam dilogos internos de enfrentamento, procurando modificar o presente positivamente, superam com maior facilidade traumas psicolgicos.

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Professora Rita de Cssia Petrarca Teixeira QUESTO 26: Alternativa Correta: D Mdia de acertos No Brasil: 36,2% FAPSI: 63,9% A conceituao de personalidade retrata a complexidade do campo do saber psicolgico. A personalidade pode ser definida como o conjunto das caractersticas da pessoa que explicam padres consistentes de sentimentos, de pensamentos e de comportamentos. As teorias de personalidade so estudadas em uma perspectiva pluralista. Sobre as teorias de personalidade, as seguintes afirmativas so feitas:

I. II. III. IV.

As teorias cognitivas reforam a viso da personalidade como um sistema ativo de processamento de informaes sobre si e sobre o mundo, uma vez que no possvel abordar cognitivamente as emoes. As teorias psicodinmicas descrevem a personalidade como um sistema energtico marcado por foras conscientes e inconscientes, que, em conflito no resolvido, podem levar aos sintomas psicopatolgicos. As teorias humanistas colocam em relevo as caractersticas emergentes e irredutveis do homem, propondo o foco na experincia psicossocial e na cultural, como fontes determinantes da constituio da pessoa. A psicologia evolutiva descreve a personalidade como uma funo biopsicolgica, com traos geneticamente herdados, cujas caractersticas foram selecionadas pela interao com o ambiente evolutivo de adaptao.

Esto CORRETAS somente as afirmativas A) I e II. B) I e IV. C) II e III. D) II e IV. E) III e IV. Comentrio A alternativa I est incorreta, pois as emoes, assim como o comportamento, so fortemente influenciadas pelo pensamento. A alternativa II est correta, uma vez que as teorias psicodinmicas enfatizam a importncia de motivos, emoes e foras internas inconscientes como uma parte fundamental e determinante da personalidade que se contrape ao sistema consciente na busca de satisfao pulsional. A alternativa III est incorreta, pois o foco no est na experincia psicossocial e cultural e sim na automotivao para mudana que conduz o indivduo ao desenvolvimento de uma personalidade criativa e saudvel.

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A alternativa IV est correta, pois a psicologia evolutiva ou evolucionista afirma que os seres humanos so programados pela evoluo para se comportarem, pensarem e aprenderem segundo as formas que favoreceram a sobrevivncia ao longo de vrias geraes. Esta abordagem est baseada na afirmao de que as pessoas com certas caractersticas comportamentais e cognitivas tm mais chance de sobreviver. Tal concepo tem suas origens na Psicologia cognitiva e na Biologia evolutiva.

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Professora Paula Grazziotin Silveira Rava QUESTO 27: Alternativa Correta: A Mdia de acertos No Brasil: 82,3% FAPSI: 90,1% Um professor corrige a tarefa escolar feita por seus alunos. Eles esto sentados individualmente em carteiras enfileiradas e so chamados um a um para levar o caderno at a mesa do professor. Este age batendo um carimbo que associa uma figura com uma expresso elogiosa como muito bem, timo ou excelente. E no usa figura alguma, caso no tenha feito a tarefa. Em seguida, registra quem fez e quem no fez a tarefa, dizendo que o aluno que cumprir todas as tarefas sem erro receber um ponto na mdia final bimestral. Depois, fala classe que quem no realizou a tarefa dever fazer durante o horrio do recreio. A conduta desse professor corretamente interpretada pela abordagem A) comportamental, que preconiza a modelagem do comportamento da criana pelo reforo positivo dos comportamentos adequados pela extino dos inadequados. B) gestltica, a qual destaca a correo do erro e o controle do comportamento como necessrios para que o aluno estabelea a distino figura e fundo, criando a boa forma, favorecendo insights (introviso) e raciocnios especficos sobre os problemas dados na tarefa. C) piagetiana, que preconiza a aprendizagem como envolvendo processos de assimilao e acomodao de novos contedos estrutura cognitiva do aluno, tornada possvel, enfatizando o erro cometido. D) rogeriana, a qual compreende a conduta do professor como um convite heteronomia do aluno como pessoa humana, pois a punio do erro deve acontecer num clima de afetividade e empatia. E) scio-histrica, que enfatiza o papel do parceiro mais experiente como muito valorizado para a aprendizagem, o que faz com que a correo do erro pelo professor favorea a zona de desenvolvimento proximal. Comentrio: A conduta do professor pode ser adequadamente interpretada de comportamental, pois valoriza os princpios de modelagem a partir do reforo positivo (que visa aumentar a incidncia de um comportamento considerado satisfatrio que na questo se refere realizao da tarefa). Assim, os comportamentos considerados adaptativos e que o professor deseja manter em seus alunos (fazer a tarefa) tm como consequncia o reforo positivo (carimbo com expresso elogiosa e o ponto na mdia bimestral). O professor visa extino dos comportamentos inadequados (no realizao da tarefa) utilizando-se de

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consequncias negativas como o caso da punio atravs do aluno que fica sem recreio, pois tm que cumprir as tarefas. A alternativa B no est correta, pois a abordagem gestltica prope que a aprendizagem ocorre por insight e reestruturao cognitiva, mas no prev como condio necessria para isso o controle do comportamento. A conduta do professor no est de acordo com a abordagem piagetiana, pois o favorecimento da aprendizagem via assimilao e acomodao seria possvel devido anlise do erro, buscando-se a compreenso da lgica utilizada na resposta dada pela criana e no pelo simples fato de informar se a resposta correta ou errada. A alternativa D est errada, pois a abordagem rogeriana no valoriza a heteronomia do aluno. A alternativa E est errada, pois a abordagem scio-histrica prope que a zona de desenvolvimento proximal no ocorre simplesmente pela correo do erro. Ela pode ser estabelecida atravs de pistas, dicas, lembretes.

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Professor Adolfo Pizzinato QUESTO 28: Alternativa Correta: A - no entanto 25% escolheram a considerada errada Mdia de acertos No Brasil: 35,3% FAPSI: 47,9% O trnsito um fenmeno coletivo que explicita o conflito entre desejos individuais e prescries sociais de condutas. O resultado das aes dos indivduos tem sido considerado pela Organizao Mundial da Sade como um problema de sade pblica. H mortos parcialmente contabilizados, mutilados desconhecidos e sofrimento numa dimenso gigantesca. Constitui-se em fenmenos evitveis, a partir das aes do indivduo que toma as decises. Para a tomada de decises, concorrem diversos fatores conhecidos da psicologia, entre eles, a percepo de risco, que se constitui a partir de fatores sociais, grupais e ideolgicos, de fatores intrapessoais e de fatores interpessoais. Qual das afirmativas articula a tenso entre o indivduo e a sociedade expressa no trnsito? A) As perspectivas individualistas devem incorporar a dimenso coletiva do comportamento individual, e as perspectivas sociais devem considerar o indivduo como ator. B) As prticas sociais no trnsito interferem nas relaes entre classes, demarcando grupos expostos a riscos. C) O aspecto da desigualdade social da relao de gnero determina a interao dos fatores individuais e sociais que se expressam em conflitos no trnsito. D) O estudo do papel social do motorista revela a interao caracterstica do principal ator do trnsito, permitindo intervir na regulao do sistema, a partir do acordo social. E) Perspectivas individualistas focalizam caractersticas pessoais que seriam determinantes na harmonia do sistema, subsidiando novos instrumentos de avaliao psicolgica. A maioria das teorias sobre a tomada de deciso esto de acordo com a perspectiva de integrao entre fatores individuais e contextuais (sociais, culturais, temporais...) nesse processo. A tomada de deciso, sempre prev uma avaliao em termos de perdas e ganhos, isto , quanto maiores so as trocas, mais sacrifcios temos de aceitar ao escolher uma opo em detrimento de outra e, consequentemente, maior o grau de conflito sentido por quem toma uma deciso. De acordo com esta interpretao, o conflito diminui com o tamanho de troca, uma vez que quanto menores so as trocas entre atributos menores so as vantagens de uma opo em comparao com outra e, portanto menos so os argumentos que dispomos para escolher uma opo em detrimento de outra. Ao tratarmos de um fenmeno eminentemente relacional, como o trnsito, no podemos supor que, como indica a alternativa (D), haja uma ator principal nesse cenrio. Tanto as decises de pedestres, legisladores, fiscais e motoristas devem ser equacionadas, especialmente considerando o como cada ator considera os demais. alternativa D

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Professora Beatriz Gama Menegotto Gentica QUESTO 31: Alternativa Correta: C Mdia de acertos No Brasil: 55% FAPSI: 70,3% Leia o trecho: Embora as estimativas variem, a taxa de concordncia para esquizofrenia em gmeos idnticos ao redor de 50% e, para gmeos dizigticos, da ordem de 12%, sendo significativamente maior que o 1% de risco da populao geral... BARBOSA DA SILVA, R. C. 2006. (Adaptado) Considerando-se esses dados da pesquisa sobre a etiologia gentica da esquizofrenia, CORRETO afirmar que A) a esquizofrenia se deve ao acaso, j que a chance de um irmo monozigtico desenvolver o transtorno de 50%, se o outro for portador. A alternativa A incorreta, pois a Esquizofrenia no se deve ao acaso, tem herana Multifatorial. B) o ambiente pode proteger o indivduo do desenvolvimento desse transtorno, uma vez que apenas 1% da populao o desenvolve. A alternativa B incorreta, pois exclui a participao dos fatores genticos na origem deste transtorno mental. C) o componente gentico existe, mas tambm ocorre a participao do componente ambiental na esquizofrenia, pois 50% dos gmeos monozigticos desenvolvem o transtorno, se o outro for portador. Alternativa C correta, pois destaca a interao dos fatores genticos e ambientais como causa da Esquizofrenia. D) o fato de 12% dos gmeos dizigticos desenvolverem igualmente o transtorno demonstra o peso dos fatores psicolgicos familiares no transtorno. A alternativa D incorreta, pois a concordncia em gmeos monozigticos (50%) superior concordncia em dizigticos (12%), demonstrando o peso dos fatores genticos na etiologia desta condio.

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E) os resultados, ao variar em 50% para gmeos monozigticos, 12% para gmeos dizigticos e apenas 1% para a populao em geral, demonstram a ausncia de relao entre o ambiente e os fatores genticos. A Alternativa E incorreta, pois a herana Multifatorial da Esquizofrenia o resultado da interao dos fatores genticos e dos ambientais.

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Professora Vivien Rose Bock QUESTO 32: Alternativa Correta: A Mdia de acertos No Brasil: 69,1% FAPSI: 73% Um psiclogo escolar chamado pelo diretor de uma escola pblica, devido s seguintes queixas: uma das turmas do ensino mdio tem se manifestado de forma violenta com colegas e professores, destruindo o patrimnio da escola. Qual afirmativa descreve a atuao apropriada do psiclogo? A) Analisar o processo de constituio da queixa escolar, referenciando-se em estudo diagnstico que contemple as prticas dos sujeitos em suas relaes com as dimenses social, organizacional e pedaggica que participam do fenmeno da violncia escolar. B) Encaminhar os alunos indisciplinados para atendimento num Centro de Atendimento Psicossocial ou num Ncleo de Atendimento Psicossocial, para interveno medicamentosa do comportamento agressivo. C) Indicar psicoterapia individual e grupal, dentro ou fora do ambiente escolar, pois as pesquisas indicam que a interveno mais bem-sucedida para lidar com a violncia na escola. D) Realizar reunies com familiares, com os jovens envolvidos em atos de violncia, em conjunto com o Conselho Tutelar, caso seja necessrio intervir juridicamente sobre o caso. E) Realizar um diagnstico das dimenses social, organizacional, pedaggica, individual, em uma perspectiva dialgica da psicologia jurdica, que oriente o planejamento, a interveno e avaliao dos resultados.

A alternativa A est correta pois aborda a situao referida, violncia escolar, de forma sistmica, ou seja, cabe ao psiclogo escolar contemplar todas as variveis envolvidas no problema. O objetivo entender a queixa escolar como um todo, evitando a culpabilizao dos alunos pela violncia observada, pois vrios podem ser os motivos que contriburam para este fenmeno por isso a necessidade de diagnosticar as dimenses social, organizacional e pedaggica. A violncia escolar apresentada pelos alunos pode ser entendida como um sintoma de insatisfaes, que podem ser originadas em questes sociais do meio em que os estudantes vivem ( como violncia domstica, pobreza); podem tambm ser provocadas por situaes da organizao escolar como professores em burnout ou precria infraestrutura e tambm podem ser resultado de mtodos pedaggicos

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desatualizados que no contemplam as necessidades dos jovens. Nenhum desses aspectos exclui o outro e portanto deve-se entender e trabalhar a interdinamicidade destes fatores.

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Professora Vanessa Manfredini QUESTO 33:

Alternativa Correta: D no entanto a alternativa E (considerada errada) obteve 24% der escolha Mdia de acertos No Brasil: 25,3% FAPSI: 37,3% Leia o trecho: O conceito de teoria implcita de organizao reportase ao conjunto de ideias, crenas e valores sustentados pelos atores acerca de como devem ser as relaes envolvidas nos contratos entre indivduos e organizao. A exausto do sistema clssico de administrao de recursos humanos e a ascenso de um modelo de gesto de pessoas, apoiados em novos valores, coincidem com a expanso dos estudos na rea da cincia da cognio. O modelo AgencyCommunity articula duas concepes, tradicionalmente opostas acerca dos processos de gesto de pessoas nas organizaes. A noo de Agency defende a habilidade de os atores tomarem decises e agirem de acordo com seus interesses, tendo no empreendedor autnomo o seu prottipo; j a noo de Community enfatiza uma maior participao e interdependncia dos atores.

BASTOS, A.V.B. et al., 2007. (Adaptado) Qual a contribuio organizacional? desse modelo para o campo da psicologia

A) Aborda perspectivas individuais e sociais, em uma viso de gesto de pessoas que orienta a distino entre o pblico e o privado. B) Combina reatividade e proatividade de atores que esto no comando ou na execuo da tarefa como competidores. C) Inova na compreenso de aspectos considerados antagnicos, por enfatizar o papel do lder como dialeticamente articulado s demandas do mercado.

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D) Pretende demonstrar a possibilidade de se conciliarem modelos de gesto caracterizados como opostos, irredutveis e inarticulveis. E) Renova olhar sobre a psicologia organizacional, aps a exausto das prticas tradicionais pelo modelo taylorista da gesto do trabalho.

Comentrio: As diversas transformaes que ocorreram e ocorrem nos diversos cenrios exigem mudanas no papel e na insero da gesto de pessoas nas organizaes. Uma questo que sempre surge nas abordagens de gesto de pessoas se refere a como reter pessoas nas organizaes. A primeira perspectiva refere-se noo de ao agency, que defende a habilidade dos atores tomarem decises e agirem de acordo com seus interesses; a noo agency envolve caractersticas como autoproteo, autoafirmao e o controle direto sobre o ambiente. Para essa noo as oportunidades so vistas como fontes de flexibilidade e vantagem competitiva para trabalhador habilitado de acordo com segundo as demandas do mercado. Para a ao agency o empreendedor autnomo o seu prottipo. A segunda perspectiva expe a noo de community, envolvendo expresses de suporte mtuo, cooperao e adaptao coletiva ao ambiente. Essa noo refora uma maior participao das pessoas em relaes de interdependncia, suporte mtuo, aprendizado conjunto, trocas de experincias, cooperao e adaptao coletiva ao ambiente. De acordo com essa teoria caso as duas perspectivas se encontram na organizao, constitui-se o modelo de gesto chamado de agency-community e tenta estabelecer o equilbrio entre caractersticas paradoxais. Devido ideia de carreira sem fronteira, competitividade e presses constantes no ambiente de trabalho as empresas precisariam de uma viso integrativa de duas lgicas que tradicionalmente seriam opostas. Diante disso a alternativa correta a letra D, principalmente por referirem teorias aplicadas na gesto de pessoas que seriam opostas.

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Professora Renata de Rezende Lovera Tomasi QUESTO 34: Alternativa Correta: E Mdia de acertos No Brasil: 44% FAPSI: 50,6% Uma empresa de Tecnologia da Informao identifica que os casos de Doenas Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (DORT) esto gerando afastamentos de funcionrios, o que compromete o gerenciamento organizacional. Qual interveno deve ser realizada pelo psiclogo nessa organizao? A) Identificar os funcionrios afastados, realizar entrevistas individuais com foco na execuo do trabalho, analisar e informar os aspectos prioritrios para interveno. B) Investigar, com funcionrios afastados, os fatores organizacionais e pessoais envolvidos, buscando diferenciar problemas psicolgicos individuais de problemas organizacionais, orientando a interveno. C) Planejar a composio interdisciplinar da equipe para o diagnstico, focalizando informaes sobre nmero de funcionrios envolvidos por atividades, por reas de atuao, por grupos de trabalho, e caracterizar o problema. D) Planejar o encaminhamento dos casos para acompanhamento psicolgico, propor e acompanhar intervenes de ergonomia no ambiente de trabalho, prevenindo futuros afastamentos. E) Realizar o diagnstico, identificando variveis contextuais, organizacionais, grupais e individuais; gerar dados e informaes que orientem o planejamento e a avaliao da interveno. Para investigao da relao trabalho sade-mental precisamos ampliar o foco de entendimento do trabalho como alm das presses fsicas, qumicas, biolgicas ou mesmo psicossensoriais e cognitivas do posto de trabalho, para considerar sim a dimenso organizacional, isto , a diviso de tarefas e as relaes de produo (DEJOURS, ABDOUCHELI, JAYET, 2007). Dificuldades na relao entre trabalhador com a organizao podem originar sofrimento, e a energia pulsional que no acha descarga no exerccio do trabalho se acumula no aparelho psquico, ocasionando um sentimento de desprazer e tenso. Entretanto essa energia no pode permanecer no local por muito tempo e quando as capacidades de conteno so transbordadas, a energia recua para o corpo, nele desencadeando perturbaes. Compreender as causas das doenas e consequentes afastamentos est relacionado prtica do psiclogo nas organizaes, como aponta Sampaio (1998), que considera que dentre as atuaes do Psiclogo no contexto do trabalho, esto: as atividades de estudos de estresse ocupacional, assim como realizao de diagnstico organizacional e de trabalhadores, identificao de aspectos psicossociais ligados segurana no trabalho, entre outros . A partir de

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tais dados, possvel o psiclogo realizar consultoria e intervenes em sade mental no trabalho (ALVES, 2004), planejando aes, uma vez que frente angstia do trabalho, assim como contra a insatisfao, os funcionrios podem elaborar estratgias defensivas, de maneira que o sofrimento no imediatamente identificvel (DEJOURS, 1992). Cabe tambm ao profissional avaliar, aps a interveno, o resultado frente aos ndices de afastamento na empresa como forma de analisar o impacto de sua interveno no contexto. REFERNCIAS ALVES, M. Absentesmo e Sofrimento no Trabalho. In: SAMPAIO, J.R.S.(Org.). Qualidade de Vida no Trabalho e Psicologia Social. So Paulo: Casa do Psiclogo, 2004. p. 343-366. DEJOURS, C. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. So Paulo: Cortez Obor, 1992. DEJOURS, C, ABDOUCHELI, E & JAYET, C. Psicodinmica do Trabalho, contribuies da Escola Dejouriana anlise da relao prazer, sofrimento e trabalho. So Paulo: Atlas, 2007 SAMPAIO, J.R.S. Psicologia do Trabalho em Trs Faces. In: GOULART, I.B, & SAMPAIO, .R.S (Org). Psicologia do trabalho e gesto de recursos humanos: estudos contemporneos. So Paulo: Casa do Psiclogo, 1998. p. 19-40.

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Professora Gabriela Quadros de Lima Stenzel QUESTO 35:

Alternativa Correta: C Mdia de acertos No Brasil: 63,2% FAPSI: 73,8% A psicologia jurdica tem tratado questes que envolvem a famlia no contexto das demandas legais. Mudanas na construo metodolgica do parecer tcnico incorporaram a dinmica familiar e o potencial das famlias no encaminhamento de resoluo dos conflitos. Tais mudanas oferecem subsdios para audincias conjuntas com o juiz e o tcnico psicossocial. Assim, tem-se adotado na elaborao de um laudo uma nfase maior na dimenso compreensiva do conflito do que na disputa entre querelantes. Por outro lado, a resoluo CFP 07 de 2003 determina o que um laudo psicolgico deve possuir como elementos mnimos. Com base na leitura desse texto, CORRETO afirmar que A) o processo psicodiagnstico produz um documento que responde s determinaes formais da resoluo do CFP, focalizando as questes jurdicas familiares. B) a realizao do processo psicodiagnstico na situao familiar implica a flexibilizao da apresentao formal de um laudo, pois prejudicaria o processo de interveno familiar, orientada pelo juiz. C) a avaliao psicolgica inclui a identificao, o levantamento da demanda e o uso de instrumentos psicolgicos, organizando a anlise de resultados a qual deve subsidiar decises judiciais em relao dinmica do caso. D) o laudo psicolgico se caracteriza pelo uso de entrevistas e da opinio da famlia, pois as demais tcnicas de avaliao no se prestam compreenso do vivido pela famlia, e podem distorcer a deciso judicial. E) a resoluo do CFP obriga o profissional a relatar todos os aspectos psicolgicos levantados durante a entrevista, pois revelam dados jurdicos aparentemente desconexos, mas importantes para a demanda judicial. Considerando que os elementos mnimos que devem constar em um laudo esto claramente descritos na referida resoluo, a alternativa c a nica que pode ser considerada correta, pois apresenta esses elementos e justifica a importncia dos mesmos, tornando evidente que os resultados apresentados por um profissional da psicologia para subsidiar decises s podem ser decorrentes de uma avaliao psicolgica realizada a partir de um planejamento cuidadoso, levando em considerao, justamente, a demanda que se apresenta e os instrumentos psicolgicos utilizados, pois uma bateria de testes e/ou mtodos utilizados em qualquer processo de avaliao dependem da referida demanda, assim como das caractersticas da pessoa avaliada (idade, por exemplo). Ressalta-se que na rea da

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Psicologia Jurdica no diferente, mas torna ainda mais evidente a responsabilidade e o compromisso tico do profissional, pois se trata de um processo resultante de um encaminhamento formal (atravs da solicitao, por exemplo, de um juiz de direito) que subsidiar decises como a da disputa de guarda. Contudo, como na realizao de qualquer avaliao psicolgica, ligada a qualquer rea da psicologia, o profissional somente informar no laudo psicolgico as informaes relevantes para esclarecer a demanda de avaliao solicitada e nunca considerar a mera opinio das pessoas envolvidas no processo de avaliao como um dado fidedigno, sem a devida investigao por meios tcnicos e reconhecidos cientificamente. Ainda, o psicodiagnstico diz respeito definio de uma avaliao psicolgica realizada no contexto clnico, que difere da rea jurdica por diversos fatores (tipo de demanda, prazos, consequncias/decises tomadas), sendo mais adequado o uso da expresso avaliao psicolgica que abarca as especificidades deste contexto.

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Professora Katia Bones Rocha QUESTO 36: Alternativa Correta: A Mdia de acertos No Brasil: 57,1% FAPSI: 65% O psiclogo que trabalha com grupos atendidos pelo Programa de Ateno Integral Famlia (PAIF), do Centro de Referncia e Assistncia Social (CRAS), atua no atendimento populao em situao de vulnerabilidade social. Os objetivos do PAIF so: a preveno e o enfrentamento de situaes de risco social; fortalecimento dos vnculos familiares e comunitrios; promoo de aquisies sociais e materiais s famlias, visando fortalecer o protagonismo e a autonomia das famlias e de comunidades. CORRETO afirmar que, nesse programa, cabe ao psiclogo a anlise A) da demanda; caracterizao do grupo; planejamento conjunto das atividades; escolha de tcnicas de dinmica de grupo que estimulem a participao; acompanhamento e avaliao das atividades grupais; e avaliao do programa social. B) da integrao regional das aes, no campo do micro e macrossistema de atendimento s populaes em situao de vulnerabilidade, compatibilizando aes no campo da psicologia social e intervenes econmicas. C) da normatizao das atividades de atendimento s populaes em situao de vulnerabilidade social e das contribuies dos movimentos sociais, identificando alternativas psicolgicas de interveno. D) de polticas pblicas dirigidas para o setor, conhecimento das caractersticas do bairro para definir o pblico-alvo; anlise do cronograma de desembolso financeiro dos rgos de fomento e definio de proposta avaliativa. E) dos trabalhos desenvolvidos nos ambulatrios que do suporte para a sade da populao atendida, bem como sua articulao com o planejamento de atividades. Comentrio: A) A alternativa A est fundamentada pelos princpios de interveno do psiclogo desde a perspectiva psicossocial comunitria que inclui a anlise da demanda da comunidade, que pode ser realizada a partir de um levantamento de necessidades. O conhecimento e a caracterizao da comunidade com a qual se pretende trabalhar so de extrema importncia para o planejamento das atividades. Diferentes tcnicas podem ser utilizadas nesta etapa, como entrevistas com informantes chaves e lderes comunitrios, grupos focais. O planejamento das atividades em conjunto com a comunidade destaca a importncia do empoderamento dos diferentes atores sociais no planejamento e execuo das atividades. As atividades so definidas em conjunto com a

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comunidade e no apenas pelos tcnicos de sade, estabelecendo um tipo de relao mais horizontal entre profissionais e usurios. Os processos participativos a nvel comunitrio geram maior autonomia e comprometimento da populao com as intervenes propostas. As atividades de grupo so extremamente efetivas nas intervenes comunitrias j que permitem uma maior conscientizao do grupo sobre os problemas associados ao seu contexto social, o que auxilia no processo de pensar estratgias coletivas para a soluo de problemas comuns. Alm disso, a interveno grupal permite um confronto de identidades, o que auxilia no processo de identificao grupal e, ao mesmo tempo, em um processo de maior subjetivao individual. Os psiclogos tm um papel ativo e, assim como a comunidade, transformador. Assim, deve existir um espao de crtica e construo dos programas sociais para esta populao especfica. B) No poderia ser a letra B, principalmente, em funo das intervenes econmicas, que no so responsabilidade dos psiclogos no SUAS. C) A idia no normatizar as atividades de atendimento e muito menos normatizar as contribuies dos movimentos sociais, que tem sua autonomia e histria. A idia, ao contrrio, a promoo e criao de novos espaos e formas de cuidado. D) O objetivo do trabalho dos psiclogos no PAIF no est associado anlise do cronograma de desembolso financeiro dos rgos de fomento e definio de proposta avaliativa. A parte financeira e de avaliao econmica para o SUAS no de responsabilidade dos psiclogos que trabalham na assistncia. E) O trabalho do psiclogo dentro dos CRAS no est associado a uma ateno ambulatorial dos problemas de sade. Este trabalho deve ser realizado pelos psiclogos que trabalham no mbito da sade.

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Professora Vivian Roxo Borges QUESTO 37: Alternativa Correta: E Mdia de acertos No Brasil: 73,1% FAPSI: 76,8% Leia o texto: Estudos de caracterizao da clientela e de motivos para abandonos de tratamentos psicoterpicos em servios comunitrios em sade mental identificaram a incidncia acumulada de 39,2%. Outros trabalhos citam o ndice de 25% a 50% referente a pacientes que desistem do atendimento, havendo menor abandono na clnica privada do que nos servios comunitrios de sade mental. Assim, so necessrias aes que possam auxiliar a reduo dessa alta incidncia de abandono de tratamento por meio de abordagem e aes especiais, implementadas enquanto polticas pblicas. BENETTI S.P.C et al. 2008 (Adaptado) Em relao leitura feita, CORRETO afirmar que A) a atividade psicoteraputica mais adequada para o tratamento de pacientes de maior poder aquisitivo, pois ela muito longa e gera desistncia. B) o atendimento nas clnicas privadas, por ser multidisciplinar, gera maior adeso e menor desistncia dos pacientes em psicoterapia. C) a desistncia dos pacientes sugere a ausncia de fundamento nas teorias psicoteraputicas que articulem setores pblico e privado. D) os modelos psicoteraputicos atuais so adequados. O abandono dos pacientes devido preferncia pelo atendimento privado. E) os modelos teraputicos, mesmo sendo eficazes, investigao de sua adequao populao atendida. demandam

A interveno em sade pblica sempre vai requerer avaliao de demanda a partir dos usurios do sistema, ainda mais no que se refere s intervenes teraputicas, levando em considerao o projeto teraputico singular (PTS), com a participao dos usurios na deciso sobre sua sade/doena. Outras propostas da poltica nacional de humanizao (PNH) devem ser consideradas nesse sentido, como a valorizao do vnculo entre quem cuida (trabalhador de sade) e quem cuidado (beneficirios do sistema de sade).