RBAC Volume 43 Número 4 Ano 2011

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  • RBAC. 2011;43(4):263 263

    Editorial

    LIMIAR DA MAIORIDADE

    Prezados Colegas

    A SBAC tem o orgulho de se manifestar e dizer a todos que a Revista Brasileira deAnlises Clnicas RBAC a nica publicao totalmente voltada s Cincias Laboratoriaise publicada em nosso pas, e que, desde seu primeiro nmero, nunca deixou de ser publicadatrimestralmente, mantendo a totalidade de suas edies e, desta forma, a sua indexao.

    Esta atividade ao longo dos tempos foi mantida com dificuldades, pois os custoseditoriais sempre foram crescentes e, muitas vezes, o caixa de nossa entidade nocomportava aquilo que nunca foi considerado despesa e sim importante investimento emconhecimento.

    Desde o incio da atual gesto da SBAC, a atualizao, qualificao e modernizaoda RBAC foi meta fundamental e hoje, ao receberem este nmero poder-se- constatarque esta meta est plenamente atingida. Nossa revista j tem o nvel das melhorespublicaes internacionais do setor Laboratrio Clnico.

    Entretanto almejamos muito mais.Isto somente foi possvel graas ao trabalho pioneiro dos Professores Matheus

    Mandu de Souza e Joo Ciribelli Guimares, este amigo que recentemente nos deixou,legando a marca de seu trabalho, semeando e difundindo a seus pares o seu alto saber aservio da cultura e da qualidade laboratorial.

    A continuidade e o crescimento deste trabalho atualmente esto a cargo do Prof.Paulo Murillo Neufeld, incansvel editor da RBAC, responsvel direto por sua transformao,incremento, modernizao e qualificao.

    Esta a filosofia de trabalho que a SBAC pretende difundir, qualificando de maneiraextrema todas as suas atividades, atuais e futuras. O 39 Congresso Brasileiro de AnlisesClnicas, realizado aqui no Rio de Janeiro, foi o exemplo marcante.

    Outros viro, nos setores de treinamento e ps-graduao, acreditao erelacionamento com organismos internacionais. No prximo Congresso regional a se realizarem Salvador, de 06 a 09 de dezembro prximo, e no 40 CBAC a se realizar de 16 a 20 dejunho de 2013, no Costo do Santinho em Florianpolis.

    Curtam a SBAC, ela sua.

    Boa leitura

    Irineu GrinbergPresidente

    Dr. Irineu GrinbergPresidente da SBAC

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    Adequao da hemodilise: estudo do K.T/V de pacientes comIRC submetidos ao tratamento hemodialtico na Unidade de

    Dilise do Hospital da Cidade de Passo Fundo, RSHemodialysis' adequacy: study of K.T/V from patients with CRF under hemodialysis'

    treatment at Dialysis' Unit of Hospital da Cidade de Passo Fundo, RS

    Claudio Fernando Goelzer Neto, Iara Perufo Carlosso

    Pesquisa realizada na Unidade de Dilise do Hospital da Cidade de Passo Fundo, RS, Brasil

    Biomdico, Mestre em Cincias da Sade: Mtodos Diagnsticos e Epidemiologia das Doenas, coordenador de Pesquisa Clnica doCentro de Pesquisa e Educao em Diabetes da Santa Casa de Porto Alegre, RS, BrasilFarmacutica-bioqumica, responsvel tcnica pelo Laboratrio de Anlises Clnicas Bio-Anlises de Passo Fundo, RS, Brasil

    Artigo Original

    INTRODUO

    Os rins so rgos do corpo humano que apresentamcomo unidade organizacional bsica o nfron, que contmleitos capilares especializados chamados glomrulos.(1) Es-tes rgos desempenham as funes de eliminar as subs-tncias txicas do organismo (ureia, cido rico, creatinina,fosfatos, sulfatos e o excesso de cidos) pela filtrao san-gunea, manter a homeostasia (equilbrio de lquidos), esti-mular a fabricao de hormnios (insulina, testosterona, vita-mina D3 e eritropoetina), e regular a presso sangunea (me-

    canismo hemodinmico artria renal e hormonal renina-angiotensina).(2,3)

    Dessa maneira, o estudo da funo renal tem como prin-cipais objetivos avaliar a filtrao glomerular, o fluxo sanguneorenal e a funo tubular, tendo sido estudada nas ltimasdcadas por exames convencionais, como determinao daureia e creatinina sricas e depurao da creatinina end-gena.(1)

    Quando os rins perdem a capacidade de desempenharnormalmente as suas funes, evoluindo para falncia dosrgos, est instalada a chamada insuficincia renal crnica

    Resumo: A insuficincia renal crnica uma doena caracterizada pela perda lenta, progressiva e irreversvel da funo renal,fazendo com que seus portadores necessitem de terapia renal substitutiva, sendo a hemodilise a forma mais comum da mesma. Adose de hemodilise pr-determinada de acordo com fatores relacionados ao processo hemodialtico (fluxo sanguneo, reutilizaodo capilar, tempo da sesso e K.T/V) e ao paciente (superfcie corporal, dieta, prtica de atividades fsicas e outros). Entre essesfatores, o K.T/V ndice de Remoo da Ureia o principal indicador da adequao da hemodilise. O objetivo deste estudo foiavaliar os K.T/V's de 42 pacientes renais crnicos e apontar o(s) principal(is) interferente(s) sobre os mesmos na Unidade de Dilisedo Hospital da Cidade de Passo Fundo, RS, onde foram realizadas as coletas dos dados e as anlises estatsticas dos mesmos, a fimde verificar a eficcia e adequao deste tratamento. Assim, constatou-se que o tratamento realizado nesta unidade est dentro dospadres exigidos, visto que a mdia dos K.T/V's dos pacientes foi de 1,33 (ideal 1,2) e, dentre os interferentes analisados, o fluxosanguneo foi o que apresentou maior relao com o K.T/V pelos dois testes estatsticos empregados (Correlao de Pearson = 0,876(87,6%) e qui-quadrado P = 0,044).

    Palavras-chave: Insuficincia renal crnica; Hemodilise; Adequao; ndice de remoo da ureia; Interferentes

    Summary: Chronic renal failure is a disease characterized by slow, progressive and irreversible loss of renal function, whichmakes people with this disease to start a chronic renal replacement therapy, being hemodialysis the most common one. The doseof hemodialysis is determined by some features related to the hemodialitic process (blood flow, reuse of capillary, how long thesections are and K.T/V) and to the patient (body surface area, diet, fitness and others). Among these features, the K.T/V TheDialyzer Clearance of Urea is the main indicator of hemodialysis treatment adequacy. The aim of this study, carried out at theDialysis Unit of Hospital da Cidade de Passo Fundo/RS, is to analyze the K.T/Vs of 42 patients with chronic renal failure and toindicate what interfered the most in them. This data was collected at the hospital and statistics analysis of these patients wasperformed, with the purpose of verifying the efficacy and the adequacy of this treatment. Eventually, it was confirmed that the treatmentcarried out at this Unit is adequate to the average required, once the patients K.T/V's average was 1.33 (the ideal is 1.2), andbetween the analyzed interfering, the blood flow was the one that showed more relation with the K.T/V according to the two statistictests used (Pearson correlation = 0.876 (87.6%) and Chi-square P = 0.044).

    Keywords: Chronic renal failure; Hemodialysis; Adequacy; Dialyzer clearance of urea; Interfering

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    (IRC), que pode ser conceituada como uma doena complexaconsequente perda lenta e progressiva da capacidade excre-tria renal. Como resultado desse processo, h elevao,principalmente, das concentraes sricas ou plasmticasda ureia e da creatinina.(4) No Registro Americano de todos ospacientes com IRC, a principal causa apontada o diabetesmellitus, seguido pela hipertenso arterial sistmica e glome-rulonefrite crnica.(5) Dados do ltimo censo brasileiro dedilise (2010), publicados em dezembro de 2011, demonstra-ram que, no ano de 2010, o nmero total estimado de pacientesem dilise no Brasil foi de 92.091. A prevalncia estimada e ataxa de incidncia de pacientes renais crnicos em estgioterminal e em tratamento hemodialtico de manuteno foramde 483 e 100/1 milho de habitantes no Brasil, em 2010, e ataxa de mortalidade anual bruta pela IRC foi de 17,9%.(6)

    Existem duas alternativas de tratamento para os paci-entes portadores de IRC, que so a dilise e o transplanterenal.(7) No entanto, as modalidades dialticas so escolhidascomo os principais mtodos de tratamento, podendo ser rea-lizadas sob duas formas: a hemodilise e a dilise peritoneal.A hemodilise o tratamento dialtico no qual o sangue obti-do, por meio de um acesso vascular (catter venoso, fstulasarteriovenosas ou prteses), impulsionado por uma bombapara um sistema de circulao extracorprea onde se encon-tra um filtro chamado de dialisador. Neste filtro, o sangue pas-sa atravs de uma membrana semipermevel (capilar), fa-zendo com que ocorram trocas entre ele e o banho de dilise,conhecido como dialisato.(8)

    Na atualidade, uma das maiores preocupaes dosservios especializados em hemodilise o que diz respeito adequao deste tratamento, visando especialmente amelhorias significativas nos quadros clnicos sintomticos enos nveis de qualidade de vida dos pacientes. Essa adequa-o est relacionada quantificao do processo, ou seja, determinao da dose hemodialtica ofertada aos pacientesrenais crnicos.(9)

    Neste contexto, inmeros indicadores assistenciais tmsido utilizados como forma de avaliar a adequao e eficciada hemodilise, entre eles o chamado K.T/V de ureia (ndicede Remoo da Ureia) o mais empregado, e hoje, semdvida, o melhor mtodo de quantificao do tratamentohemodialtico.(10) Atravs deste ndice, a dose de hemodiliseofertada a um paciente com IRC pode ser pr-determinadaquando se conhecem os valores da depurao do dialisador(K), o volume de distribuio da ureia no organismo do paci-ente a ser removida pelo processo (V) e o tempo da sessode hemodilise (T) na qual o K.T/V foi medido. Diretrizes inter-nacionais de qualidade em hemodilise recomendam umvalor de K.T/V 1,2 para portadores de insuficincia renalcrnica em sistema de hemodilise crnica como forma detratamento.(11)

    Vale ressaltar que alguns fatores interferem diretamentenos valores de K.T/V de ureia, contribuindo para que a diliserecebida por um paciente seja inferior estimada, entre elesesto: acesso vascular, fluxo sanguneo baixo, tempo prescritono realizado integralmente, superfcie corporal e reduo daeficcia do capilar pela reutilizao.(12) Assim, a deteco destes

    interferentes de extrema relevncia para a correta quanti-ficao da hemodilise, garantindo a eficcia e a adequaodo tratamento.

    Outro mtodo simples, porm menos empregado paradeterminar a dose de hemodilise, a Taxa de Reduo daUreia (TRU), a qual consiste em uma comparao direta en-tre as concentraes de ureia pr e ps-hemodilise a fim demostrar qual porcentagem de ureia foi reduzida durante o tra-tamento hemodialtico.(13) Por conveno, a TRU expressaem porcentagem e recomenda-se um valor mnimo de 65%para os pacientes renais crnicos.(8)

    O objetivo deste estudo foi avaliar os K.T/V's de ureia depacientes renais crnicos, portadores de diferentes doenasde base, submetidos hemodilise na Unidade de Dilisedo Hospital da Cidade de Passo Fundo, RS, nos meses demaio a agosto de 2008, como forma de verificar a eficcia eadequao deste tratamento nesta unidade e apontar o(s)principal(is) interferente(s) sobre o K.T/V.

    MATERIAL E MTODOS

    Para esta pesquisa, foi realizado um estudo de coorte,prospectivo e observacional, no qual foi definida uma nicapopulao classificada internamente. Desta maneira, um gru-po de sujeitos foi acompanhado em um determinado perodode tempo, onde a amostra foi definida pelo pesquisador e ascaractersticas de cada sujeito foram avaliadas para que pu-dessem compor o grupo de estudo, sendo tambm esco-lhidas algumas variveis para serem analisadas estatis-ticamente. Assim, a populao desta pesquisa foi caracterizadapor pacientes portadores de insuficincia renal crnica, sub-metidos hemodilise como forma de terapia renal substi-tutiva na Unidade de Dilise do Hospital da Cidade de PassoFundo, RS, nos meses de maio a agosto de 2008.

    Amostra

    A amostra desta pesquisa foi representada por dadosreferentes s sesses de hemodilise de 42 pacientes re-nais crnicos, com doenas de base como, diabetes mellitus,hipertenso arterial sistmica e glomerulonefrite crnica,submetidos ao tratamento hemodialtico na unidade e noperodo citados anteriormente. Para a constituio destaamostra, foram utilizados como critrios de incluso a idade(> 18 anos), doena de base igual a uma das descritas aci-ma e realizao de no mnimo trs sesses de hemodilisepor semana, enquadrando-se, dessa forma, no chamadosistema de hemodilise crnica. E, como critrios de exclu-so, a idade (< 18 anos), doena de base diferente e trata-mento no enquadrado no sistema de hemodilise crnica.

    Tcnicas de coleta e anlise dos dados

    A coleta de dados foi obtida na unidade de dilise ondea pesquisa foi realizada, referente a uma sesso mensal dehemodilise de cada paciente participante durante os quatromeses da pesquisa, totalizando assim quatro sesses por

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    paciente. Para isso, foram utilizadas planilhas de coleta dedados e questionrios aplicados aos 42 pacientes aps aassinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecidopara maiores de idade TCLE. Nas planilhas de coleta, foramregistrados todos os dados disponveis no sistema compu-tacional da unidade, sendo eles: idade, doena de base, tipode acesso vascular, fluxo sanguneo, tempo da sesso, re-utilizao do capilar, superfcie corporal, altura, peso-pr (antesda hemodilise), peso-ps (depois da hemodilise), ureia-pr, ureia-ps, taxa de reduo da ureia (TRU) e o ndice deRemoo da Ureia (K.T/V). No entanto, foram analisadosestatisticamente apenas os dados que, segundo as literaturascientficas especficas, interferem diretamente no K.T/V de ureia(acesso vascular, fluxo sanguneo, superfcie corporal, reutili-zao do capilar e tempo da sesso), e a taxa de reduo daureia (TRU), utilizando o pacote estatstico SPSS 10.0 eMicrosoft Windows Excel, atravs de estatsticas descritivascomo mdia e desvio-padro, e exploratrias como coeficientede regresso da amostra, coeficiente de correlao dePearson, representada graficamente atravs de grficos dedisperso de pontos e o teste estatstico do qui-quadradocom nvel de significncia 5% (P < 0.05) como forma de apontaro(s) principal(is) interferente(s) sobre o K.T/V. Para levantarinformaes a respeito dos perfis nutricionais e da prtica deatividades fsicas dos pacientes, com a finalidade de apontarpossveis interferncias desses fatores sobre o K.T/V de ureia,foram utilizados questionrios. O perfil nutricional foi escalo-nado e distribudo em cinco grupos alimentares correspon-dendo a: grupo 1 rica em carboidratos; grupo 2 rica emfrutas, verduras e legumes; grupo 3 rica em protenas; grupo4 rica em todas as alternativas anteriores; e grupo 5 ricaem carboidratos e protenas. O perfil da prtica de atividadesfsicas foi dividido em dois grupos: praticantes e no prati-cantes de atividades fsicas.

    Esta pesquisa foi aprovada pelo Comit de tica emPesquisa em Seres Humanos e Animais da UniversidadeLuterana do Brasil, campus Canoas, RS, em reunio ordinriano dia 07 de agosto de 2008, sob o protocolo 297-H.

    RESULTADOS

    A amostra foi composta por 42 pacientes renais crnicos.A prevalncia de doenas bases encontradas foi: 50,0%diabetes mellitus, 38,1% glomerulonefrite crnica e 11,9% hi-pertenso arterial sistmica. O acesso vascular foi 95,2% porfstula arteriovenosa e 4,8% por catter, estando todos emboas condies clnicas.

    As variveis analisadas estatisticamente so apresen-tadas na Tabela 1, com as respectivas mdias e desvios-padro.

    Acrescentando s interpretaes, estimou-se o Coefi-ciente de Regresso da amostra. Nesta, como varivel expli-cada, teve-se o K.T/V, e, como variveis explicativas, o acessovascular, fluxo sanguneo, superfcie corporal, reutilizao docapilar, tempo da sesso e a taxa de reduo da ureia - TRU.Como resultado da regresso, obteve-se o valor explicativode 97,3% do ndice de K.T/V dos pacientes com IRC.

    Na prxima anlise, foram calculados os coeficientesde correlao de Pearson (r) a fim de verificar a disperso dosdados analisados e o teste estatstico do qui-quadrado comnvel de significncia de 5% (P < 0.05) a fim de testar asignificncia estatstica das correlaes descritas a seguir erepresentadas pelas Figuras 1 a 5. Os resultados destasanlises podem ser observados na Tabela 2.

    Figura 1 Correlao entre K.T/V e fluxo sanguneo

    Figura 2 Correlao entre K.T/V e superfcie corporal

    Adequao da hemodilise: estudo do K.T/V de pacientes com IRC submetidos ao tratamento hemodialtico naUnidade de Dilise do Hospital da Cidade de Passo Fundo, RS

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    As correlaes realizadas foram: K.T/V x Fluxo sanguneo(Figura 1), K.T/V x Superfcie corporal (Figura 2), K.T/V xReutilizao do capilar (Figura 3), K.T/V x Tempo da sesso(Figura 4) e K.T/V x TRU (Figura 5).

    Enfim, por meio dos questionrios aplicados aos paci-entes participantes da pesquisa constatou-se que, dos 42respondentes, 27 (64,0%) usufruem uma alimentao ricaem carboidratos, frutas, verduras, legumes e protenas grupo4 (todas as alternativas anteriores), 13 (31,0%) rica em carbo-idratos e protenas grupo 5, e 2 (5,0%) uma alimentao ricaapenas em carboidratos grupo 1. E, com relao prticade atividades fsicas verificou-se que, dos 42 respondentes,26 (62,0%) praticam atividades fsicas, porm no nos dias enem nos anteriores hemodilise, enquanto que 16 (38,0%)no praticam nenhuma atividade fsica.

    DISCUSSO

    Neste estudo, foram analisados estatisticamente osdados que, segundo as literaturas cientficas especficas,interferem diretamente no K.T/V de ureia de pacientes porta-dores de IRC (acesso vascular, fluxo sanguneo, superfciecorporal, reutilizao do capilar e tempo da sesso). Estesinterferentes fazem com que a dose de hemodilise recebidapor um paciente seja inferior dose prescrita ou ideal,tornando o tratamento ineficaz e no adequado. Tambmanalisou-se a relao da taxa de reduo da ureia (TRU) como K.T/V.

    O acesso vascular dos pacientes foi, na maioria, atravsde fstula arteriovenosa (95,2%), estando todos em boascondies clnicas. Sendo assim, havia um fluxo sanguneoideal realizao e adequao do tratamento hemodialtico,ressaltando que a presena de um acesso vascular (AV)eficiente garante a manuteno de uma boa adequao dahemodilise nos pacientes portadores de IRC.

    Na Tabela 1 foram apresentadas as mdias e desvios-padro das variveis analisadas estatisticamente. O fluxo desangue ideal para uma sesso de hemodilise eficaz e ade-quada varia de 250 a 300 mL/min.(8) O fluxo sanguneo mnimodos pacientes estudados foi de 300 mL/min e o mximo de350 mL/min, ficando na mdia de 323,87 mL/min, com umdesvio-padro de 22,99.

    A superfcie corporal mdia dos pacientes foi de 1,77,com um desvio-padro de 0,19. Esta calculada princi-palmente com a finalidade de indicar o tamanho do capilar

    Figura 3 Correlao entre K.T/V e reutilizao do capilar

    Figura 4 Correlao entre K.T/V e tempo de sesso

    Figura 5 Correlao entre K.T/V e TRU

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    que deve ser utilizado pelo paciente durante a sesso dehemodilise. Pacientes com superfcie corporal maior utili-zam capilares maiores e pacientes com superfcie corporalmenor utilizam capilares menores.

    O nmero mdio de vezes que os capilares dos pacien-tes foram reutilizados foi de 5,71, com um desvio-padro de 1,27. O nmero mximo de vezes que um capilar pode serreutilizado 10.(14)

    J com relao ao tempo das sesses de hemodilise,este ficou na mdia de 3 horas e 08 minutos, com um desvio-padro de 0,39. Duas a trs sesses semanais de hemo-dilise, com durao de 3 a 4 horas, so consideradas sufici-entes para se evitarem complicaes clnicas urmicas egarantir uma boa adequao do processo.(15)

    A taxa de reduo da ureia (TRU) dos pacientes ficou namdia de 64,94%, com um desvio-padro de 5,93. O valormnimo e ideal da TRU para pacientes com IRC de 65%.(8)

    O K.T/V mdio dos pacientes estudados foi de 1,33, comum desvio-padro de 0,26, estando 11% acima do consi-derado ideal para pacientes renais crnicos em sistema dehemodilise crnica como forma de tratamento, que de 1,2.

    Numa prxima anlise, foi estimado o coeficiente deregresso da amostra, verificando se as variveis que com-punham a amostra tinham relao direta com o K.T/V. Neste,como varivel explicada, teve-se o K.T/V, e, como explicativas,o restante das variveis analisadas estatisticamente, obten-do-se o valor explicativo de 97,3% do ndice de K.T/V dos paci-entes com IRC, indicando que, das variveis que compem aamostra, apenas 2,7% no explicam o K.T/V, ou seja, no tmrelao direta com o mesmo.

    Atravs da anlise dos coeficientes de correlao dePearson (r) apresentados na Tabela 2, verificou-se a correlaoexistente entre as variveis em estudo, observando-se tam-bm a disperso das mesmas. Quanto mais prximo de 1 ocoeficiente de correlao de Pearson, mais forte a corre-lao entre as variveis em questo. E, atravs do teste esta-tstico qui-quadrado com nvel de significncia 5% (P < 0,05),cujos valores tambm so apresentados na Tabela 2, verificou-se a existncia ou no de significncia estatstica entre ascorrelaes realizadas. Desta forma, entre o K.T/V e o fluxosanguneo, o coeficiente foi de 0,876, caracterizando a exis-tncia de uma correlao forte e positiva entre essas duasvariveis de 87,6%, que tambm pode ser observada pelatendncia linear positiva formada no grfico de disperso(Figura 1). medida que o fluxo sanguneo aumenta, o K.T/Vtambm aumenta. A correlao entre as variveis K.T/V e fluxosanguneo tem significncia estatstica, j que pelo teste doqui-quadrado obteve-se o valor de P = 0,044 para essa corre-lao, sendo este valor significativo para a amostra.

    Entre o K.T/V e a superfcie corporal, o coeficiente foi de-0,458, expressando uma relao negativa entre as variveis,que pode ser observada pela tendncia linear negativa formadano grfico de disperso (Figura 2). medida que a superfciecorporal aumenta, o K.T/V diminui. A correlao entre asvariveis K.T/V e superfcie corporal tem significncia esta-tstica, visto que pelo teste do qui-quadrado obteve-se o valorde P = 0,007, sendo este valor significativo para a amostra.

    J entre o K.T/V e a reutilizao do capilar, o coeficientede correlao de Pearson apresentou o valor de 0,079, carac-terizando uma correlao fraca entre essas variveis, uma vezque esta foi de apenas 7,9%, o que tambm pode ser obser-vado pela ausncia de uma tendncia linear positiva ounegativa no grfico de disperso (Figura 3). A correlao K.T/Ve reutilizao do capilar no tem significncia estatstica, poisobteve-se um valor de P = 0,964 no qui-quadrado, no sendosignificativo para a amostra.

    Para o K.T/V e o tempo da sesso de hemodilise dospacientes, o coeficiente de correlao de Pearson foi de0,245, expressando tambm uma correlao fraca entre es-sas variveis, o que pode ser observado pela ausncia deuma tendncia linear positiva ou negativa no grfico de dis-perso (Figura 4). A correlao K.T/V e tempo da sessono tem significncia estatstica, j que obteve-se um valorde P = 0,139 para esta correlao, no sendo significativopara a amostra.

    Por fim, entre o K.T/V e a TRU, o coeficiente de correlaode Pearson apresentou o valor de 0,876. Verificou-se aexistncia de uma correlao forte e positiva entre essasvariveis de 87,6%, tambm observada pela formao de umatendncia linear positiva no grfico de disperso (Figura 5). medida que a TRU aumenta, o K.T/V tambm aumenta. Estefato tambm foi comprovado em um estudo de 41 pacientesrenais crnicos em sistema de hemodilise crnica em umhospital de mdio porte de Porto Alegre, RS, obtendo um valorde 0,832 para a correlao entre K.T/V e TRU dos pacientesdaquele estudo.(16) A correlao K.T/V e TRU tambm temsignificncia estatstica, visto que obteve-se o valor de P =0,017, significativo para a amostra.

    Concluindo as interpretaes, atravs dos questionriosaplicados aos pacientes, foram levantados os perfis nutricio-nais e da prtica de atividades fsicas deles, a fim de apontarpossveis interferncias desses fatores sobre o K.T/V, j quedietas hiperproteicas e a prtica de atividades fsicas podemelevar os nveis sricos de ureia, tornando mais difcil a suaremoo pela hemodilise, prejudicando a eficcia e ade-quao deste tratamento.

    Atravs da anlise do perfil nutricional dos pacientespde ser observada uma ampla variabilidade na alimentaodeles, ressaltando que nenhum indivduo apresenta um perfilnutricional exclusivamente proteico, descartando a possi-bilidade da dieta destes pacientes ter sido um interferenteimportante sobre o K.T/V e, consequentemente, sobre aadequao do tratamento hemodialtico. O mesmo ocorreucom a prtica de atividades fsicas, j que aqueles que aspraticavam no o faziam nos mesmos dias e nem nos ante-riores hemodilise.

    CONCLUSES

    Atravs das anlises estatsticas dos dados coletadosneste estudo, pde-se concluir que os K.T/V's dos pacientesestudados (mdia de 1,33) so 11% superiores ao valor idealque de 1.2 para pacientes renais crnicos em sistema dehemodilise crnica como tratamento, comprovando a eficcia

    Adequao da hemodilise: estudo do K.T/V de pacientes com IRC submetidos ao tratamento hemodialtico naUnidade de Dilise do Hospital da Cidade de Passo Fundo, RS

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    e a boa adequao da hemodilise na unidade onde a pes-quisa foi realizada.

    Analisando-se os interferentes diretos sobre o K.T/V,verificou-se que, pelos dois testes estatsticos utilizados(Pearson e qui-quadrado), o fluxo sanguneo teve maior relaocom este ndice, mostrando ser neste caso o interferente demaior destaque sobre o K.T/V. Na mesma anlise, tambmcomprovada por ambos os testes, a TRU demonstrou relaoforte e positiva com o K.T/V.

    Com relao deteco das possveis interferncias dadieta e da prtica de atividades fsicas sobre o K.T/V, verificou-se que essas no apresentaram influncias significativas,tendo em vista a variabilidade dos perfis nutricionais dossujeitos da pesquisa e a no exclusividade de uma dietaproteica, e, tambm, o fato da maioria no praticar atividadesfsicas nos mesmos dias, nem nos anteriores s sesses dehemodilise, e dos demais no praticarem nenhum tipo deatividade fsica.

    No entanto, relevante ressaltar que o fato de algunsinterferentes no terem demonstrado correlao positiva esignificncia estatstica com o K.T/V, no significa que osservios especializados em hemodilise no precisam tercuidados com esses interferentes, j que a eficcia e a corretaadequao do tratamento hemodialtico depende de todo umconjunto, incluindo adequada avaliao laboratorial e clnicae o comprometimento dos pacientes e de todos os profis-sionais envolvidos no processo.

    AGRADECIMENTOS

    Agradeo professora Iara Perufo Carlosso pela dedi-cao na orientao desta pesquisa, s enfermeiras RejaneBortolini e Lorena Reck da Unidade de Dilise do Hospital daCidade de Passo Fundo, RS, pela ajuda dispensada durantea realizao do trabalho e, tambm, equipe mdica da mes-ma unidade representada pelo Dr. Alaour Cndida Duarte,cujos comprometimento e respeito a este trabalho merecemdestaque.

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    Adequao da hemodilise: estudo do K.T/V de pacientes com IRC submetidos ao tratamento hemodialtico naUnidade de Dilise do Hospital da Cidade de Passo Fundo, RS

    Autor correspondenteClaudio Fernando Goelzer Neto

    Avenida Rui Barbosa, 391 Petrpolis 99050-120 Passo Fundo, RS

    E-mail: [email protected]

  • RBAC. 2011;43(4):271-6 271

    Relao entre aspectos socioeconmicos e a ocorrncia deectoparasitoses e enteroparasitoses em uma

    comunidade do litoral norte alagoanoRelationship between socioeconomic aspects and the occurrence of ectoparasitic

    and enteroparasitic infestations in a community in north coast of Alagoas, Brazil

    Thiago Jos Matos Rocha1, Jarbas Costa Braz1, Lindon Johnson Diniz Silveira2, Cludia Maria Lins Calheiros2

    *Trabalho realizado no Laboratrio de Iniciao Cientfica do Centro de Estudos Superiores de Macei CESMAC/AL

    1Acadmico de Farmcia do Centro de Estudos Superiores de Macei CESMAC/AL2Professor de Parasitologia do Centro de Estudos Superiores de Macei CESMAC/AL

    Artigo Original

    Resumo: As doenas parasitrias representam um grave problema de sade pblica no Nordeste, em especial em Alagoas, devido falta de saneamento bsico aliado falta de medidas pessoais e sociais de higiene. O estudo teve como objetivo avaliar os fatoresde risco e a prevalncia das ectoparasitoses e enteroparasitoses em uma comunidade da periferia da Barra de Santo Antnio, AL, noperodo de junho a agosto de 2009. A amostra foi constituda de 21 famlias e os participantes da pesquisa tinham entre 1 a 55 anos.O coeficiente geral das ectoparasitoses foi de 14,93%, sendo que o Sarcoptes scabiei foi o prevalente com 60%, e o coeficiente geraldas enteroparasitoses foi de 70,15%. Na helmintoscopia, o ancilostomdeo foi o agente mais prevalente com 61,70%, seguido deAscaris lumbricoides, com 38,29%. Na protozooscopia, os protozorios mais frequentes foram Entamoeba histolytica e Giardialamblia, com 17,02% e 12,76%, respectivamente. Os indivduos parasitados foram encaminhados ao Posto de Sade onde receberamtratamento adequado. Foram entregues panfletos com informaes sobre ectoparasitoses e enteroparasitoses, visando educaoem sade. Os resultados confirmaram a importncia de saneamento bsico por meio de aes a serem implementadas atravs deprogramas de educao em sade.

    Palavras-chave: Ectoparasitoses; Enteroparasitoses; Barra de Santo Antnio

    Summary: Parasitic diseases represent a serious public health problem in the Northeast, especially in Alagoas, due to lack ofsanitation measures coupled with the lack of personal and social hygiene.The study aimed to evaluate the risk factors andprevalence of ectoparasites and enteroparasitic infestations in a community in the outskirts of Barra de Santo Antonio - AL, for theperiod June-August 2009. The sample consisted of 21 families and the research participants were between 1-55 years. The generalrate of infestation was 14.93%, with the Sarcoptes scabiei was the most prevalent with 60%, and the general rate of enteroparasiticwas 70.15%. In helmintoscopy, the hookworm was the most prevalent with 61.70%, followed by Ascaris lumbricoides, with 38.29%.In protozooscopia most frequent protozoa were Entamoeba histolytica and Giardia lamblia, with 17.02% and 12.76%, respectively. Theinfected individuals were referred to the Health Center where they received treatment. They were handed flyers with information aboutectoparasites and enteroparasitic infestations, aimed at health education. The results confirmed the importance of sanitationthrough actions to be implemented through programs in health education.

    Keywords: Ectoparasitosis; Enteroparasitosis; Barra de Santo Antnio

    INTRODUO

    As parasitoses so responsveis por altos ndices demorbidade, principalmente nos pases em desenvolvimento,onde so utilizadas como indicadores de desenvolvimentosocioeconmico.(1) Cerca de um tero da populao de pasessubdesenvolvidos vive em condies ambientais que favo-recem a manuteno de doenas parasitrias.(2)

    Doenas ectoparasitrias, como tungase, Larvamigrans cutnea (LMC), pediculose e escabiose so hiperen-dmicas em muitas comunidades carentes do Nordestebrasileiro.(3) Entretanto, existe uma escassez de conheci-mento a respeito dessas ectoparasitoses em nosso meio.Em contrapartida h certa resistncia por parte da comu-

    nidade em compreender estas ectoparasitoses como doen-as que afetam ainda mais a qualidade de vida dos indiv-duos.(4)

    Estima-se que at dois teros da populao de favelasde grandes cidades e de comunidades carentes rurais sejamafetados por pelo menos uma ectoparasitose, mais comu-mente pelo piolho, pelo caro Sarcoptes scabiei ("sarna") e/ou pela pulga Tunga penetrans (bicho-de-p).(5) Em um estudorealizado no litoral sul alagoano, ficou evidenciado que a tun-gase e a LMC se intercalam sazonalmente, ou seja, no perododas chuvas, a LMC prevalece sobre a tungase e no perododa seca ocorre o inverso.(6)

    A ampla distribuio geogrfica das enteroparasitosesaliada s repercusses negativas que essas ltimas podem

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    Rocha TJ, Braz JC, Silveira LJ, Calheiros CM

    causar no organismo do ser humano tem posto estas infec-es em uma posio relevante entre os principais problemasde sade pblica no Brasil,(7) destacando-se a regio nordeste.

    Segundo a Organizao Mundial da Sade (OMS), cercade um bilho e 450 milhes de indivduos esto afetados porAscaris lumbricoides, um bilho e 300 milhes por ancilosto-mdeos e um bilho e 50 milhes por Trichuris trichiura. Esti-mativas anteriores calculavam em torno de 200 milhes onmero de pessoas parasitadas por Giardia lamblia.(7)

    As enteroparasitoses ainda so comuns por diversosfatores que, nessa regio, propiciam a manuteno dessasenteroparasitoses, como o saneamento bsico deficiente euma educao sanitria por parte dessa populao que requerateno.(8)

    As enteroparasitoses, doenas cujos agentes etiol-gicos so helmintos ou protozorios, tm mostrado caracte-rsticas prprias tanto em relao rea geogrfica quanto aotipo da populao estudada. Sabe-se que elas afetam umgrande nmero de indivduos, sendo consideradas, nospases subdesenvolvidos, consequncias do baixo nvel social,econmico e cultural de seus habitantes.(9)

    Ectoparasitoses e enteroparasitoses so indicativas desubdesenvolvimento e so notrias a necessidade e a rele-vncia de estudos que atuem nesta rea, tanto no diagnsticoquanto na implementao de medidas educativas que visemminimizar estas parasitoses.(7)

    Estudos realizados na comunidade Vila dos Pescadores/Barra de Santo Antnio, AL, demonstraram uma positividadede 63,93% para enteroparasitoses entre os 61 moradoresparticipantes do estudo; contudo, no foi estudada a ocorrnciade ectoparasitoses e nem tampouco os possveis fatoressocioeconmicos que podem vir a contribuir para a manu-teno dessas enteroparasitoses na comunidade estudada.Esses fatores favorecem a realizao de novos estudos quebusquem esclarecer uma possvel relao entre os aspectossocioeconmicos e a ocorrncia de enteroparasitoses eectoparasitoses na comunidade estudada.(10)

    A comunidade Vila dos Pescadores, pertencente aomunicpio da Barra de Santo Antnio, AL, possui aproxima-damente trezentos moradores. No local, a grande parte dasresidncias feitas de taipa, no havendo nenhum cala-mento nas ruas. Essa comunidade apresenta-se longe docentro da cidade e, nas proximidades desta regio, noexistem escolas ou posto de sade, servios esses essen-ciais manuteno da qualidade de vida da populao.

    Este trabalho teve como objetivo estudar os aspectossocioeconmicos e a ocorrncia de ectoparasitoses e entero-parasitoses nesta comunidade, oferecendo aos moradoresque participaram do estudo orientaes sobre as doenasparasitrias, diagnstico e tratamento.

    MATERIAL E MTODOS

    O estudo foi realizado no Conjunto Vila dos Pescadores,uma comunidade da Barra de Santo Antnio, AL, no perodode junho a agosto de 2009. O trabalho foi aprovado pelo comitde tica em pesquisa da Faculdade de Cincias Biolgicas e

    da Sade (FCBS) do Centro Universitrio CESMAC sobprotocolo n 671/09. A amostra foi constituda de 21 famlias eos participantes da pesquisa tinham entre 1 e 55 anos. Foramincludos no estudo os moradores da comunidade Vila dosPescadores maiores de 1 ano cujos responsveis legais acei-taram participar da pesquisa atravs do Termo de Consen-timento Livre e Esclarecido.

    Os participantes responderam um questionrio referenteao saneamento bsico e qualidade da gua de onde viviam ehbitos de higiene, sendo excludos os participantes queestavam em uso de algum medicamento antiparasitrio, visan-do excluir falso-negativos. As variveis trabalhadas foram: sexo,idade, aspectos socioeconmicos, presena de T. penetrans(bicho-de-p), leses tpicas de LMC, pediculose, presenade ovos de helmintos ou cistos de protozorios presentesnas amostras de fezes dos indivduos participantes. Foramrealizadas inspees corporais para o reconhecimento dasectoparasitoses, e, para uma melhor identificao, as lesesforam fotografadas em cmera digital Sony 7.1 MP, tomando-se o cuidado de no identificao do participante; aps apesquisa, os arquivos com as fotos foram destrudos. As fotosrealizadas foram para fins de carter comprobatrio paraoutros profissionais observarem posteriormente.

    Os participantes receberam um informativo com o pro-cedimento adequado para a coleta da amostra fecal, e emseguida cada participante recebeu um coletor plstico comsoluo de formol a 10%, devidamente etiquetado com o nomee o cdigo de registro. Por fim, as amostras fecais foramsubmetidas a exames parasitolgicos de fezes no Laboratriode Iniciao Cientfica da FCBS, segundo o mtodo de sedi-mentao espontnea,(11) tendo em vista sua economia eeficincia. Foi avaliada a presena de ovos, larvas e cistos deparasitos e todas as amostras foram analisadas em triplicata,por pesquisadores distintos.

    O trabalho adotou como mtodo de escolha a tcnica desedimentao espontnea de HPJ, devido sua boa sensi-bilidade para deteco da maioria das espcies de helmintose protozorios. Os laudos com resultados positivos foramencaminhados para o mdico do Posto de Sade Municipal,para a prescrio dos medicamentos, os quais foram dispen-sados pela Farmcia Bsica do Posto Central. A entrega dosmedicamentos e a ateno farmacutica foram realizadaspelos autores do trabalho. As anlises estatsticas foramrealizadas pelo teste de one-way ANOVA, seguido pelo ps-teste de Wilcoxon.

    RESULTADOS E DISCUSSO

    A ficha de investigao epidemiolgica foi respondidapor 21 famlias, totalizando 67 indivduos, e os resultadosesto apresentados na Tabela 1. Observou-se que apenasnove (42,85%) possuam algum membro que tem trabalhofixo, enquanto que as demais 12 (57,15%) sobrevivem com oque ganham na pesca. A renda familiar variou de R$ 60,00 aR$ 465,00. A maioria (n = 17; 80,95%) relatou utilizar guaencanada no domiclio, e apenas quatro (19,05%) consumiamgua pedindo aos vizinhos. O local no qual residiam essas

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    famlias apresenta 100% das ruas sem calamento; 13(61,90%) informaram ter o piso de barro em sua residncia,enquanto que oito (38,10%) tm o piso de cimento. Quanto aodestino do lixo, 100% das famlias informaram ter seu lixocoletado pela prefeitura, 95,23% dos entrevistados relatarama utilizao de fossas e 4,76% ainda lanavam o esgoto a cuaberto. A maioria (n = 17; 80,95%) dos participantes relatouque possua sanitrio na residncia. Ficou constatada a pre-sena de animais domsticos em dez (47,61%) residnciase, dentre estas, trs (14,28%) apresentaram T. penetrans(bicho-de-p) entre seus membros.

    Quanto ao perfil epidemiolgico do estudo, observou-seque a populao estudada apresentava condies de sanea-mento bsico precrios. Os resultados obtidos do questionriosocioeconmico demonstraram ausncia de significncia(p > 0,05) para todas as variveis empregadas. notrio, naTabela 1, que os dados esto distribudos de maneira equi-tativa; apesar de no ser possvel a sua correlao, este eventopode estar relacionado ao fato dos moradores apresentaremcondies semelhantes de moradia, renda familiar, presenade animais e condies sanitrias. Aspectos como essesfavorecem a manuteno de altos ndices de ectoparasitosese enteroparasitoses.(12) Vrios autores relacionam a frequnciade parasitoses com alguns fatores ambientais, socioecon-micos e condies precrias de saneamento bsico e habita-o.(13-15) Nesse contexto, portanto, os dados do estudo corro-boram com os encontrados na literatura.

    Das 67 inspees corporais para identificao de ecto-parasitoses, em dez (14,92%) foram detectadas ectopara-sitoses apresentando leso tpica ou o prprio ectoparasito,sendo seis (60%) pertencentes ao sexo feminino e quatro(40%) ao sexo masculino. Sarcoptes scabiei foi o agente maisfrequente (8,9%), com indivduos apresentando leses tpicas,seguido de T. penetrans (2,9%), LMC (1,4%) e Pediculus capitis(1,4%). Houve diferena estatstica significante para S. scabieipelo teste de one-way Anova, seguido pelo ps-teste deWilcoxon com (p = 0, 0034).

    Estudos realizados no litoral sul de Alagoas encontraramuma frequncia para escabiose de 9,8%.(16) Este ndice semelhante ao encontrado na pesquisa, mesmo com dife-renas de nmero de indivduos examinados: 500 indivduospara o artigo citado. Outro ponto em comum foi o perodo

    climtico de realizao da pesquisa, semelhante ao nosso.Nossa pesquisa foi realizada em perodo chuvoso, o quepoderia explicar os baixos ndices de positividade para tun-gase e pediculose. Diversos autores sugerem que perodossecos so mais propcios a estas ectoparasitoses.(17,18)

    Quanto pesquisa parasitolgica para o encontro deenteroparasitos, dentre os 67 moradores que realizaramexame parasitolgico, obteve-se uma positividade geral paraenteroparasitoses de 70,15% (n = 47) (Tabela 2). Outros estu-dos demonstraram resultados diferentes, com um coeficientegeral de positividade para parasitoses, na populao totalestudada, de 52,59%.(19) No ficou estabelecida a relao dognero do indivduo na determinao das enteroparasitosesuma vez que nesse estudo no foi observada diferena signi-ficativa. A positividade encontrada nesse estudo foi superioraos achados em outro estudo nessa mesma comunidadeem poca diferente, com resultados de 63,93%.(10)

    O elevado ndice de positividade encontrado no estudopode ser justificado por se tratar de uma comunidade onde osindivduos esto mais expostos s formas de contaminaopor enteroparasitos que pode ocorrer por contato com o soloou ingesto de gua contaminada; estes resultados esto deacordo com outros autores.(10)

    A populao foi categorizada por faixa etria (1 a 5 anos,6 a 10 anos, 11 a 15 anos, 16 a 20 anos, 21 a 31 anos, 32 a 42

    anos e os de 43 a 53 anos). Quanto aos resultados obtidosnos exames parasitolgicos de acordo com a faixa etria, omaior percentual de resultados positivos foi observado emindivduos com idades entre 11 a 15 anos. Nossos resultadosesto de acordo com os encontrados em outros estudos, osquais, avaliando setenta crianas nessa mesma faixa etria,obtiveram um ndice de 52,9% de positividade, o que corres-pondeu a 37 crianas parasitadas.(20) O helminto mais fre-quente nessa faixa etria foi o Ascaris lumbricoides com(70%)(7); estes dados esto em concordncia com os achadosem outros estudos, que obtiveram 71,7%(21) de positividade.(22)

    Um estudo semelhante sobre a frequncia das entero-parasitoses em diferentes faixas etrias chegou conclusoque a faixa etria at os 15 anos de idade compreende aquelana qual se est mais suscetvel contaminao, alm de noterem conhecimento quanto a princpios bsicos de higiene ede manterem intenso contato com o solo sobre o qual desen-volvem uma srie de jogos e brincadeiras.(11)

    Entre os helmintos diagnosticados, os mais frequentesforam os ancilostomdeos 43,2% (n = 29), A. lumbricoides26,8% (n = 18) e Trichuris trichiura 22,3% (n = 15). Estes resul-tados esto de acordo com a maioria dos inquritos parasi-tolgicos realizados no Brasil.(23)

    Relao entre aspectos socioeconmicos e a ocorrncia de ectoparasitoses e enteroparasitosesem uma comunidade do litoral norte alagoano

  • 274 RBAC. 2011;43(4):271-6

    Rocha TJ, Braz JC, Silveira LJ, Calheiros CM

    A presena de parasitas da famlia Ancilostomidae (anci-lostomideos) vem ao encontro de outros estudos epidemio-lgicos, embora estes no sejam os principais causadoresde parasitoses em crianas.(24,25) Todavia, tem ampla distri-buio geogrfica. No Serto da Bahia, Santos-Junior et al.(26)a relataram ocorrncia de ancilostomideos em 6,9% dascrianas pesquisadas. Em Guarapuava, no estado do Paran,apesar de uma taxa de apenas 1,26%, Buschini et al.(21) tam-bm demostraram a presena de ancilostomideos como para-sitas de crianas. Em outros estudos, no entanto, a parasitoseno tem sido encontrada nesta faixa etria,(2,25,27) o que divergedos resultados aqui encontrados.

    importante deixar claro que ocorrem variaes quantoao mtodo empregado em exames parasitolgicos para deter-minao de ndices de frequncia, o que dificulta conside-ravelmente a comparao dos resultados encontrados. Em-bora o mtodo de sedimentao espontnea seja um dosmais utilizados em exames parasitolgicos, existem mtodosmais sensveis para detectar tipos especficos de enteropa-rasitas. O estudo utilizou o mtodo de sedimentao espon-tnea devido sua capacidade de deteco de diversos tiposde parasitos, e por ter sido o mtodo de escolha na maioriados estudos.(10,21,24-26,28,29)

    A prevalncia de T. trichiura foi expressivamente maiordo que a observada em outros estudos, como em um levan-tamento por amostragem realizado na cidade de So Paulo,na qual foi observada a frequncia de 12,6%,(13) e em um tra-balho desenvolvido no distrito de Botucatu, que demonstrou afrequncia de 17,3%, podendo inferir que h possibilidadedeste parasito estar sendo laboratorialmente subdiagnos-ticado,(30) porm nessa mesma comunidade outros estudoschegaram a encontrar uma positividade de 35,9%.(10)

    Com relao aos protozorios, a E. histolytica/dsparhouve uma positividade de 17,02% (n = 8) e a Giardia lamblia,ndices de 12,76% (n = 06). Nossos resultados corroboramcom os encontrados por Silva Jnior (2006), que demonstrouuma frequncia de 24,87% para ancilostomdeos, seguidopor A. lumbricoides com 17,24% e T. trichiura com 16,55%,enquanto que E. histolytica/dspar apresentou 14,31% e G.lamblia 4,82%.

    A ocorrncia de 17,02% para Entamoeba histolytica/dspar relevante, pois esse parasito, embora frequente emadultos, pode atingir crianas e, quando do parasitismo intes-tinal, expressar-se com sintomas clnicos variveis e/ou extra-intestinais, com manifestaes quase sempre severas. Oscasos de abscessos hepticos amebianos em crianas soconsiderados raros por alguns autores. No entanto, h relatosque mencionam 11,1% das crianas de Manaus com absces-sos hepticos amebianos.(31-34)

    O elevado ndice de A. lumbricoides, observado no traba-lho, coincide com os dados de um estudo realizado em crechesmunicipais de Uruguaiana, RS(35) e com resultados obtidosde um trabalho semelhante realizado no municpio de Vespa-siano, MG.(36)

    A infeco por ancilostomdeo est muito associada areas sem saneamento bsico e a reas em que as pessoastm hbito de andar descalas, fato esse que ficou constatado

    entre os residentes da comunidade estudada. Possivelmentenas residncias dessa comunidade estivesse ocorrendo acirculao desse parasito e suas larvas estivessem pene-trando os indivduos ativamente por via cutnea por falta decalados.

    A baixa frequncia de G. lamblia pode ser justificada pelofato do respectivo estudo utilizar uma nica amostra de fezespor indivduo, fazendo com que ocorra a diminuio da sensi-bilidade da deteco de seus cistos, cuja liberao peloindivduo parasitado ocorre de modo intermitente. A obtenode trs amostras fecais em dias alternados por indivduo,mtodo esse preconizado pela Organizao Mundial de Sade(OMS), no foi possvel por se tratar de um municpio distanteda capital alagoana.

    Os baixos ndices de positividade de Schistosoma man-soni e Strongiloides stercoralis (< 5 %), Enterobius vermicularis(< 3%) e a ausncia de amostras positivas para Taenia sp.,devem-se possivelmente ao fato de no estudo ter se empre-gado uma tcnica que no especfica para identificaodestes parasitas, o que poderia subestimar os resultados.No caso de E. vermicularis, a tcnica ideal seria pela FitaGomada ou Swab-anal; contudo, por dificuldades operacio-nais, no foi utilizada.(37)

    Os resultados do estudo nesse sentido corroboram comresultados encontrados por outros autores,(10,38-40) apesar dascaractersticas etrias e socioambientais no serem coinci-dentes ao estudo.

    As infeces pelas espcies apresentadas na popu-lao deste estudo esto sempre associadas a locais comsaneamento bsico insuficiente, como esgotos, crregos elagoas contaminadas, locais esses que podem acumulargrande quantidade de dejetos de pessoas parasitadas, o quepropicia a manuteno dessas enteroparasitoses.(10,41)

    Dos 47 pacientes com infeces por enteroparasitos,17 (36,18%) estavam monoparasitados, e os demais alber-gavam mais de um parasito (Tabela 3). O exame de fezesrevelou que 15 (31,91%) pacientes abrigavam duas espciesde parasitos, 15 (31,91%) estavam infectados com mais detrs espcies diferentes, o que reflete uma provvel elevadaexposio destas pessoas aos fatores propcios para aqui-sio de enteroparasitoses. Aps anlise pelo one-way ANOVA,observou-se que no ocorreu correlao positiva entre osdados (p > 1,000).

    Estudos anteriores realizados nessa comunidade mos-traram que nos indivduos estudados houve um ndice de64,1% para monoparasitados, 28,2% para poliparasitados ede 7,7% para poliparasitados. Esses resultados foram infe-

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    riores ao de outro estudo onde houve um ndice de poli-parasitismo de 44,3%.(19) Houve maior nmero de casos deindividuos parasitados por uma s espcie, sendo semelhanteaos 63,7% encontrados em escolares residentes na periferiade Porto Alegre, RS(42) e do distrito de guas do Miranda, MS(62,5%);(31) os resultados desses estudos foram diferentesdos encontrados em outro estudo.(10) A ocorrncia de indivduosapresentando biparasitismo e poliparasitismo em estudosepidemiolgicos comum por causa da disseminao des-ses enteroparasitos e pela facilidade com que so trans-mitidos. A transmisso ocorre na maioria das vezes pelaingesto de gua e alimentos contaminados com cistos eovos de parasitos e pela penetrao de larvas de helmintosna pele e mucosas. Durante a infncia, a suscetibilidade sinfeces por parasitos intestinais elevada em razo doshbitos de higiene ainda serem pouco consolidados. Almdisso, a conglomerao humana nas escolas favorece adisseminao de agentes infecciosos.(43-45)

    As doenas causadas por enteroparasitas e ectopa-rasitas representam um indicador das condies socios-sanitrias nas quais os moradores de comunidades caren-tes esto expostos.(10) Cabe s polticas pblicas reduzir asiniquidades existentes na populao para que melhoriasnesse quadro sejam executadas. Os resultados do estudodemonstram que mais da metade da populao estudadaestava parasitada, corroborando com outros estudos dediversas regies do Brasil o que faz das enteroparasitosesum grave problema de sade pblica no Brasil.(28,38,39)

    CONCLUSO

    A partir dos dados obtidos atravs da investigao dosaspectos socioeconmicos dos moradores da Vila dos Pes-cadores, demonstra-se que a m qualidade de saneamentobsico exerce um forte impacto sobre a transmisso das do-enas parasitrias. O baixo nvel socioeconmico e os maushbitos se mostraram associados ocorrncia de ecto-parasitos e parasitoses intestinais, razo pela qual se sugereo desenvolvimento de projetos educativos na comunidade.Os ectoparasitos mais frequentes na populao estudadaforam S. scabiei e T. penetrans; quanto aos enteroparasitos, omais frequente foi ancilostomdeo seguido de A. lumbricoides.A faixa etria mais acometida pelas enteroparasitoses foi a de11-15 anos, tendo o A. lumbricoides com maior frequncia.Acredita-se que os dados do estudo sejam importantes indica-dores para melhoria nas condies ambientais e sanitriasque influenciam a qualidade de vida dos habitantes dessacomunidade estudada. Acredita-se que os ndices de entero-parasitoses encontrados sejam reflexos da precariedade dascondies de saneamento bsico, assim como das condiesde moradia e hbitos de higiene dos moradores da comu-nidade at ento analisados.

    AGRADECIMENTOS

    Nossos agradecimentos profa. Esp. Emanuelle Caval-cante Pimentel e aos alunas Eline Fernanda Queiroz, Elessan-

    dro Silva Maia e Rhuanna Rackel de S Azevedo pela contri-buio dada na execuo, assim como mdica Ana MariseLima Miranda como pesquisadora colaboradora pela indispen-svel participao.

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    Relao entre aspectos socioeconmicos e a ocorrncia de ectoparasitoses e enteroparasitosesem uma comunidade do litoral norte alagoano

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    CorrespondnciaClaudia Maria Lins Calheiros

    Centro de Estudos Superiores de Macei CESMAC/ALRua Cnego Machado, 89 Farol

    57051-160 Macei, ALEmail: [email protected]

    Tel: (82) 3215-5000

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    Rocha TJ, Braz JC, Silveira LJ, Calheiros CM

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    Avaliao de parasitoses intestinais em escolares doensino fundamental no municpio de Corao de Jesus

    em Minas Gerais, BrasilEvaluation of intestinal parasitosis in school-children in the municipality of Corao

    de Jesus, State of Minas Gerais, Brazil

    Francinely Dias Canturia1, Jociana Cocco1, Rafael Ramos Lages Bento2, Fbio Ribeiro3

    Pesquisa realizada na Faculdade de Sade Ibituruna.1Biomdica.2Biomdico, especialista em Anlises Clnicas e Citologia Esfoliativa, professor da Faculdade de Sade Ibituruna e diretor tcnico doLaboratrio de Patologia Clnica So Geraldo.3Bilogo, doutor em Parasitologia pela Universidade Federal de Minas Gerais e professor da Universidade Estadual de Montes Claros, daFaculdade de Sade Ibituruna.

    Artigo Original

    Resumo: O presente trabalho avaliou a prevalncia de parasitos intestinais em escolares do Ensino Fundamental da Escola EstadualSo Sebastio do Municpio de Corao de Jesus (MG), atravs de exames coproparasitolgicos (Kato-Katz e HPJ). Os resultadosmostraram que 51,8% dos alunos examinados albergavam pelo menos uma espcie de parasito intestinal e, entre estes, 7,0%apresentavam poliparasitismo. Os principais organismos encontrados foram os protozorios Entamoeba coli, Giardia lamblia,Entamoeba histolytica/dspar e Endolimax nana. Estudantes infectados por helmintos intestinais apresentaram baixa prevalncia,sendo detectados ovos de Schistosoma mansoni, de Enterobius vermicularis e de Taenia sp e larvas de Strongyloides stercoralis.Os resultados obtidos indicam que os estudantes avaliados, provavelmente, fazem uso de gua no tratada e alimentos contaminadose no tm acesso educao em sade devido alta prevalncia de protozorios intestinais detectada. Os autores concluem quedevem ser implementadas, na regio estudada, medidas de controle das parasitoses intestinais, como o saneamento bsico e aeducao em sade.

    Palavras-chave: Parasitoses intestinais; Escolares; Protozorios intestinais; Epidemiologia

    Summary: The aim of the present study was to evaluate the prevalence of intestinal parasites in school-children attending the basiccourse at the Escola Estadual So Sebastio, in the municipality of Corao de Jesus, State of Minas Gerais, Brazil, by means ofcoproparasitological exams (Kato-Katz and HPJ). The results obtained showed that 51.8% of the examined school-children carriedat least one species of intestinal parasite, and among them 7% presented poliparasitism. The main bodies detected were theprotozoans Entamoeba coli, Giardia lamblia, Entamoeba histolytica/dispar and Endolimax nana. The school-children infected withintestinal helminths showed low prevalence, and eggs of Schistosoma mansoni, Enterobius vermicularis and Taenia sp, as well aslarvae of Strongyloides stercolaris could also be detected. The results indicate that the school-children involved in this studyprobably have not access to any kind of education for health, and are accustomed to the use of inappropriate water supply andcontaminated food, due to the high prevalence of intestinal protozoan parasites detected. The authors concluded that for controllingintestinal parasitosis in the studied area should be put into effect measures as basic sanitation and education for health

    Keywords: Intestinal parasitosis; School-children; Intestinal protozoa; Epidemiology

    INTRODUO

    As parasitoses intestinais possuem como agentesetiolgicos helmintos ou protozorios que, em pelo menosuma das fases do ciclo biolgico, localizam-se no sistemadigestrio do homem. Os helmintos mais prevalentes emhumanos so: Ascaris lumbricoides, Trichuris trichiura, Ente-robius vermicularis, Ancilostomdeos e Strongyloides sterco-ralis. Dentre os protozorios destacam-se, pela sua impor-tncia na infncia, a Giardia lamblia e as amebas.(1)

    A transmisso das parasitoses intestinais ocorre geral-mente pela ingesto de alimentos e/ou gua contaminados

    com ovos ou cistos. A contaminao dos seres humanos seguida por um processo de infeco que resulta em danosque se manifestam de diferentes formas.(2,3) Alm dos efeitospatolgicos diretos desses parasitos sobre a sade, suasinfeces exercem importante influncia sobre o estado nutri-cional, crescimento e funo cognitiva de escolares.(4,5,6)

    Para existir doena parasitria, h necessidade de algunsfatores inerentes ao parasito, como nmero de exemplares,tamanho, localizao, virulncia, metabolismo, e outros fatoresinerentes ao hospedeiro, dentre eles idade, nutrio, nvel deresposta imune, intercorrncia de outras doenas, hbitos euso de medicamentos. Da combinao desses fatores pode-

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    Canturia FD, Cocco J, Bento RR, Ribeiro F

    se ter "doente", "portador assintomtico" e "no parasitado".Quando ocorre a doena porque os meios de agresso doparasito predominaram sobre os mecanismos de defesa dohospedeiro, desenvolvendo alteraes patolgicas e sintomasvariados. O portador assintomtico alberga o agente infecci-oso, sem manifestar sintomas, mas sendo capaz de dissemi-n-lo na coletividade.(3,7)

    As parasitoses intestinais representam um problemade sade pblica mundial, sendo sua prevalncia maior nospases em desenvolvimento e pobres, devido s condiesprecrias e deficientes de saneamento bsico e pela falta deorientaes em educao e sade, nessas regies.(8) NoBrasil, as parasitoses intestinais ainda se encontram bastantedisseminadas e com alta prevalncia. Em um levantamentomulticntrico realizado em escolares de 7 a 14 anos em dezestados brasileiros, 55,3% dos estudantes foram diagnos-ticados com algum tipo de parasitose, sendo que a ascari-dase, a tricurase e a giardase apresentaram uma distribuiomais regular. No estado de Minas Gerais, de 5.360 indivduosexaminados, 44,2% estavam infectados, sendo os parasitosmais frequentes: A. lumbricoides (59,5%), T. trichiura (36,6%),G. lamblia (23,8%) e Schistosoma mansoni (11,6%).(7,9,10,11)

    Para entender melhor a epidemiologia das parasitosesintestinais, optou-se por descrever os protozorios intestinaisno patognicos Entamoeba coli e Endolimax nana junto aosoutros protozorios intestinais patognicos, como G. lambliae Entamoeba histolytica/dspar, uma vez que eles tm o mes-mo mecanismo de transmisso e podem servir como um bomindicador das condies socioeconmicas e sanitrias.(8,10-13)Alm disso, a deteco destes parasitos pode sugerir a pre-sena de comportamentos relacionados falta de higiene,como lavagem das mos e ocorrncia de gua e alimentoscontaminados.(8)

    Para o controle das parasitoses intestinais so neces-srios investimentos em saneamento bsico e educao. Noentanto, at que medidas mais eficazes para a melhoria daqualidade de vida sejam implementadas, considera-se impor-tante a realizao de exames coproparasitolgicos para odiagnstico correto e tratamento adequado destas doenas.(14)

    A Escola Estadual So Sebastio localiza-se no povo-ado de Brejinho, distrito de Alvao, municpio de Corao deJesus (MG). Esta escola o nico estabelecimento de ensinopblico estadual de Brejinho, atendendo 398 alunos dosEnsinos Fundamental e Mdio, oriundos do prprio povoadoe de localidades vizinhas, tais como: Bela Vista, Brejo,Chumbado, Cantagalo, Caiara, Fonseca e Mandacaru. Oshabitantes destas localidades vivem sem o tratamento ade-quado de gua e esgoto, sem ruas asfaltadas e com poucasinformaes sobre higiene pessoal adequada e consci-entizao ambiental.

    O presente estudo foi realizado com os objetivos deavaliar a prevalncia de parasitos intestinais em escolares daEscola Estadual So Sebastio no Municpio de Corao deJesus e educar pais e alunos sobre a importncia da preven-o, diagnstico e tratamento dessas doenas. No existemdados na literatura cientfica sobre pesquisas feitas nestalocalidade, por isso, os resultados deste projeto sero de

    suma importncia para avaliar a prevalncia das parasitosesintestinais e desenvolver programas de profilaxia na comu-nidade que sero indispensveis para se conseguir resulta-dos mais eficazes e duradouros, contribuindo assim para umamelhora na condio de vida dos estudantes e familiares.

    MATERIAIS E MTODOS

    O estudo foi realizado com 110 alunos, de ambos ossexos, com faixa etria entre 5 e 13 anos, do Ensino Funda-mental da Escola Estadual So Sebastio, localizada nopovoado de Brejinho, distrito de Alvao, municpio de Coraode Jesus, no perodo de setembro de 2008 a abril de 2009.

    Inicialmente foi realizada uma reunio com os pais e/ouresponsveis dos alunos na escola para apresentao doprojeto. Aqueles que manifestaram interesse em participar doestudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Escla-recido e preencheram fichas cadastrais onde dados comosexo, idade, srie e endereo foram anotados.

    Os pais e/ou responsveis dos alunos cadastradosreceberam um kit contendo coletor universal no estrildevidamente identificado, esptula e folheto explicativo dosprocedimentos para coleta. A solicitao foi de uma amostrafecal a ser devolvida na escola em data pr-estabelecida. Asamostras foram recolhidas e encaminhadas para o Labo-ratrio da Fundao Nacional de Sade (FUNASA) na cidadede Montes Claros. A preparao e a leitura das lminas pelomtodo de Kato-Katz (duas lminas por amostra) foramrealizadas pelos autores juntamente com tcnicos da FUNASA.Aps ter sido retirada a quantidade de amostra suficiente parao processamento do mtodo, foi acrescentado o conservantecomposto de mertiolato, iodo e formol (MIF) e as amostrasforam enviadas ao Laboratrio So Geraldo para execuo domtodo de Hoffman, Pons e Janer (HPJ), realizando-se duaslminas por amostra coradas com soluo de lugol.

    O mtodo de Kato-Katz um mtodo quantitativo, que,segundo a Organizao Mundial de Sade (OMS), indicadopara ovos de S. mansoni, A. lumbricoides, T. trichiura e ancilos-tomdeos. O mtodo HPJ um mtodo qualitativo, que permiteo encontro de ovos e larvas de helmintos e de cistos de proto-zorios.(3) As normas de biossegurana foram rigorosamenteseguidas, em todas as etapas, para garantir a qualidade dapesquisa.

    Para obteno das medidas antropomtricas, as crian-as foram encaminhadas ao Posto de Sade local. Foi utili-zada balana mecnica antropomtrica da marca Balmak, comcapacidade para 150 kg, diviso de 100 g, rgua medindo at2 m com graduao de 0,5 cm. Ao aferir o peso e a estatura, ascrianas estavam descalas, na posio ereta, mantendo acabea em ngulo reto.

    Os ndices utilizados para avaliao do estado nutricionalforam Estatura/Idade (E/I) e Peso/Idade (P/I). Para interpretaodos dados antropomtricos, tornou-se necessrio o uso depadres de referncia e de pontos de corte definidos. Osresultados foram interpretados pelo sistema de distribuiopercentilar, apresentando como pontos de corte: percentil 3,percentil 3 10, percentil > 10 97 e percentil > 97, classi-

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    ficando os escolares, respectivamente, em desnutridos, risconutricional, eutrficos e acima do normal. A OMS reconhece opadro estabelecido pelo National Center Health Statistics NCHS (1977), recentemente revisado pelo Center for DiseaseControl CDC (2000).(15) Os escolares eutrficos so os queapresentam um bom estado nutricional, mantendo um cresci-mento ou peso adequado para a sua idade. As crianas emrisco nutricional no podem ser diagnosticadas como desnu-tridas, porm manifestam algum dficit nutricional.(15)

    Para a anlise estatstica dos dados foram usados:software SPSS 15.0 e teste 2, e as diferenas foram consi-deradas estatisticamente significantes quando p 0,05.

    Com a avaliao dos resultados, os laudos foramimpressos e entregues mdica responsvel pelo Posto deSade local. Todas as crianas diagnosticadas parasitadasforam tratadas, sendo entregues os medicamentos aos paise/ou responsveis dos alunos.

    A educao em sade foi abordada atravs de palestrase teatro que esclareceram as principais formas de trans-misso das parasitoses intestinais, contribuindo assim paraa promoo da sade atravs da preveno de doenas nessacomunidade. O presente estudo foi aprovado pelo Comit detica em Pesquisa da Universidade Estadual de Montes Claros(processo n 1161/08).

    RESULTADOS

    Neste estudo, foram cadastrados 128 alunos do EnsinoFundamental da Escola Estadual So Sebastio. Destes,foram excludos 18 alunos da pesquisa por no devolverem omaterial requisitado na data determinada. Dos 110 alunosexaminados, 57 estavam parasitados, determinando umaprevalncia de 51,8%.

    Entre os 57 alunos parasitados, quatro apresentaram-sepoliparasitados (7,0%), sendo considerados assim os alunosque albergavam trs ou mais espcies de parasitos detectadospor uma ou ambas as tcnicas utilizadas (Tabela 1).

    As associaes mais encontradas entre os parasitosintestinais foram E. coli e E. histolytica/dspar e entre G. lam-blia e E. coli, perfazendo 77% das associaes observadas(Figura 1).

    Os parasitos mais frequentemente encontrados (consi-derando mono, bi e poliparasitismo) foram os protozoriosintestinais E. coli (50,9%), G. lamblia (45,6%), e E. histolytica/dspar (28,1%). O ndice de infeco por helmintos intestinaisnos estudantes foi baixo, sendo encontradas amostras infec-tadas com S. mansoni, S. stercoralis, Taenia sp e E. vermi-cularis cada uma delas com a prevalncia de 1,8% (Tabela 2).

    Figura 1 Associao entre parasitos observados nos exames copro-parasitolgicos positivos dos escolares avaliados da Escola EstadualSo Sebastio, localizada no povoado de Brejinho, distrito de Alvao,municpio de Corao de Jesus, no perodo de setembro de 2008 aabril de 2009.

    A faixa etria com maior ndice de positividade, entre osalunos avaliados, foi a de 8-10 anos, o que est proporcio-nalmente relacionado com o nmero de indivduos nesta faixa;46,4% dos alunos avaliados tinham 8, 9 ou 10 anos. Quandose analisou a prevalncia de parasitoses intestinais intrafaixaetria (p = 0,24) e a prevalncia de parasitos intestinais emrelao ao sexo (p = 0,85), no foram detectadas diferenasestatisticamente significativas entre os estudantes parasitadose no parasitados. Contudo, quando se analisou a prevalnciade parasitoses intestinais entre as faixas etrias dos indivduosparasitados de 8-10 e 11-13 anos, uma diferena estatis-ticamente significativa foi demonstrada (Tabela 3).

    Na avaliao do estado nutricional pelo ndice Peso/Idade(P/I) observou-se que quatro crianas (3,6%) estavam des-nutridas, sendo trs delas parasitadas, 11 escolares (10,0%)encontravam-se em risco nutricional, sendo que nove (8,2%)

    Avaliao de parasitoses intestinais em escolares do ensino fundamental no municpio deCorao de Jesus em Minas Gerais, Brasil

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    Canturia FD, Cocco J, Bento RR, Ribeiro F

    estavam parasitadas, constituindo o grupo com maior riscode prejuzo sade. Por essa avaliao, 90 crianas (81,9%)apresentavam-se eutrficas, e, destas, 43 (39,0%) estavaminfectados por parasitas intestinais. Com o peso acima doideal foram encontrados cinco (4,5%) alunos, porm dois(1,8%) apresentaram-se parasitados (Tabela 4). A anliseestatstica indicou no haver diferena significante entrenenhuma das categorias apresentadas (p = 0,17).

    precrias de saneamento bsico, sendo as crianas em idadeescolar as mais acometidas por essas infeces.(5)

    Os resultados dos exames coproparasitolgicos reali-zados nos alunos da Escola Estadual So Sebastio no mu-nicpio de Corao de Jesus (MG) mostraram um ndice deparasitismo de 51,8%, sendo a frequncia de protozoriosintestinais encontrada nos escolares avaliada significativa-mente superior a de helmintos.

    As ausncias ou baixos ndices de certos parasitosintestinais encontrados neste trabalho podem estar subes-timados devido a possveis casos de carga baixa de infeco,o que diminui a sensibilidade das tcnicas utilizadas e a poss-veis tratamentos anti-helmnticos prvios realizao desteestudo. Alguns estudos tm demonstrado que a realizao doexame de trs amostras fecais do mesmo indivduo em diasalternados mais eficaz na deteco de parasitoses intes-tinais, inclusive na deteco de infeces de baixa carga para-sitria.(8,14,19)

    H mais de duas dcadas, no levantamento multicntricode parasitoses no Brasil, foram detectados no estado de MinasGerais, tambm analisando-se uma nica amostra de fezes,44,2% de positividade da populao avaliada,(10,19) resultadoprximo ao encontrado no presente estudo. A maior parte dosexaminados no levantamento multicntrico encontrava-se posi-tiva para A. lumbricoides (59,5%), T. trichiura (36,6%), G. lamblia(23,8%) e S. mansoni (11,6%) diferente dos escolares avalia-dos no povoado de Brejinho, que apresentaram maiores ndi-ces de parasitismo por E. coli (50,9%), G. lamblia (45,6%), e E.histolytica/dspar (28,1%).

    Ferreira & Maral Jnior(20) avaliaram a ocorrncia de para-sitos intestinais em estudantes do Distrito de Martinsia, muni-cpio de Uberlndia (MG), e registraram uma taxa geral deprevalncia de 22,3%, com destaque para G. lamblia. Rochaet al.(10) determinaram que a prevalncia das parasitoses intes-tinais em escolares de Bambu (MG) era de 20,1%, sendo queos ancilostomdeos foram significativamente mais frequen-tes na zona rural enquanto que a prevalncia de E. coli foimaior na zona urbana. No municpio de Campo Florido (MG),Ferreira et al(19) verificaram a ocorrncia de quase 60% de infec-o por parasitos intestinais em crianas de escola localizadaem assentamento de sem-terras. Os autores verificaram tam-bm a ausncia de infeco por A. lumbricoides e T. trichiura.Nos alunos da Escola Estadual de Carneirinho (MG), avaliadospor Lima & Cotrin,(2) foram encontradas 55,73% de amostraspositivas. Os parasitos mais frequentes foram ancilostom-deos (28,70%) e G. lamblia (27,75%). Carrillo, Lima & Nico-lato,(14) avaliando os estudantes das escolas municipais deEducao Infantil e Ensino Fundamental, situadas no BairroMorro de Santana em Ouro Preto (MG), revelaram que 53%estavam parasitados. A ocorrncia de parasitoses intestinaisfoi avaliada em escolares da zona rural de Uberlndia (MG),em 2001 e 2003, por Barbosa, Ribeiro & Maral Jnior.(21) Elesno verificaram diferena entre os resultados obtidos em 2001(35,0%) e 2003 (38,5%), sugerindo uma regularidade na din-mica de transmisso das parasitoses intestinais na popula-o estudada. Macedo8) encontrou em escolares da rede pbli-ca de Paracatu (MG) uma taxa de prevalncia geral de 62% de

    DISCUSSO

    As parasitoses intestinais constituem um importante econstante problema de sade pblica nos pases em desen-volvimento, inclusive no Brasil, principalmente pelos efeitos quepodem ocasionar sobre os estados fsico, nutricional e cognitivoda populao infantil.(7,16) O espectro parasitrio e a prevalnciavariam nas diferentes regies, de acordo com as diferenasclimticas, socioeconmicas, educacionais e sanitrias decada rea.(17,18) As maiores prevalncias so encontradas empopulaes de baixo nvel socioeconmico e com condies

    Na relao entre a presena de parasitose intestinal eestado nutricional, avaliada pelo ndice Estatura/Idade (E/I),nota-se que 82,8% dos 110 escolares apresentavam-se eutr-ficos, ou seja, com crescimento adequado para sua idade, eque, desses, 43,7% apresentavam-se infectados por algumparasito intestinal. Por esse parmetro observa-se tambmque dois escolares (1,8%) encontravam-se desnutridos eparasitados e cinco crianas (4,5%) em risco nutricional, sendoquatro (3,6%) parasitadas e uma (0,9%) no parasitada(Tabela 5). Contudo, a anlise estatstica indicou no haverdiferena significante entre nenhuma das categorias apresen-tadas (p = 0,07).

  • RBAC. 2011;43(4):277-83 281

    positividade. As maiores taxas de prevalncia (54,2%) foramobservadas em alunos infectados com protozorios, sendo aespcie E. coli a mais frequentemente encontrada (50%).Menezes et al.(9) tambm encontraram o protozorio intestinalE. coli (14,0%) como a espcie mais prevalente em crianasoriundas de creches mantidas pela prefeitura Municipal deBelo Horizonte.

    Foram identificados no presente estudo quatro espciesde protozorios e quatro de helmintos que apareceram emassociaes em 45,6% das amostras positivas. Valores bemmais elevados foram encontrados em alunos da Escola Esta-dual Prof. Luiz Gonzaga, na cidade de Natal (RN),(11) e em esco-lares do municpio de Barra de Santo Antnio (AL),(22) compercentuais de 78% e 81,8% de amostras com mais de umparasito, respectivamente. Os exames coproparasitolgicosde escolares alagoanos revelaram 11 diferentes espcies deparasitos e poliparasitismo com at oito diferentes esp-cies.(22) Ferreira & Andrade(23) salientaram que a frequncia depoliparasitismo mais acentuada na zona rural.

    A maior intensidade de parasitismo representado peloprotozorio intestinal E. coli (52,6%) encontrada neste estudo indicativo de precrias condies sanitrias da populao ede elevada contaminao ambiental, reforando a necessi-dade por educao em sade, que enfoque medidas de higi-ene, junto com investimentos em servio de sade pblica.(9)

    O protozorio intestinal patognico mais frequente foi a G.lamblia (45,6%), apesar de s ter sido feita uma coleta de fezespor aluno e sabendo-se que a eliminao de cistos deste para-sito intermitente.(12-14,19,24,25) Este resultado semelhante aosobtidos em recentes levantamentos parasitolgicos, que de-monstraram que a giardase uma das principais parasitosesintestinais entre as crianas brasileiras.(18,20,24) A prevalncia deG. lamblia maior em crianas que em adultos, provavelmente,devido falta de hbitos higinicos e/ou ausncia de imu-nidade a reinfeces.(3,10) As manifestaes clnicas da infeconos indivduos sintomticos so sndrome diarreica com eva-cuaes lquidas, perda de apetite, emagrecimento, dor epi-gstrica, insnia, m absoro intestinal e esteatorreia. Tam-bm podem ocorrer pirose, nusea e vmito, nervosismo,indisposio geral, irritabilidade, tonturas, cefaleia e dificul-dade de aprendizado.(25)

    Uma baixa prevalncia de helmintos intestinais foi detec-tada nos escolares estudados. Chama a ateno a ausnciade infeco por A. lumbricoides, T. trichiura e ancilostomdeosapesar de terem sido usadas duas tcnicas parasitolgicase de terem sido confeccionadas duas lminas para cada mto-do, o que aumenta consideravelmente a chance de diagnsticodessas parasitoses. Esses helmintos apresentam as maisaltas prevalncias no pas,(1,11,17,26-28) sendo a espcie A. lumbri-coides o helminto mais frequente,(8) com elevados nveis deparasitismo, especialmente em crianas com idade inferior a12 anos, em vrias regies brasileiras, quer seja na cidadeou em zonas rurais.(3)

    A disseminao das helmintoses est em estreita depen-dncia da temperatura e umidade do solo.(7,26) Considera-seque, nas regies semiridas, a longa estao seca seja umadas circunstncia