Reconstituição Sócio-Econômica da Região das Missões /...

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  • Reconstituio Scio-Econmica da Regio das Misses / RS.

    Paulo Roberto Paim Padilha Iran Carlos Lovis Trentin

    RESUMO:

    Este trabalho, estuda a civilizao jesutica-guarani que floresceu nas Misses Orientais do Rio Uruguai e sua importncia na fundao do Estado do Rio Grande do Sul, a partir de 1600. A reconstituio histrica e scio-econmica das Misses, desde: a caracterizao dos primeiros habitantes, a civilizao jesutica e sua importncia na fundao do Estado do Rio Grande do Sul, bem como, a desagregao das redues e a situao atual da regio. Para tanto, realizou-se pesquisa baseada em dados secundrios e tambm, visitas in loco. A regio foi povoada inicialmente por ndios que tinham vida nmade e eram organizados em tribos: Guaranis, Gs e Pampeanos. As informaes de que o sul era habitado por tribos de ndios muito gentis, favoreceu para que a partir de 1585, as misses da Companhia de Jesus tivessem como destino regio do Rio da Prata. Em 1604, realizam-se os primeiros trabalhos de catequese nas povoaes de Guara, Paran, Uruguai e Tape (atual RS). A primeira fase da civilizao jesutica colonial no Rio Grande do Sul, inicia em 1626 e termina em 1637. Nestes 11 anos os jesutas ensinaram os fundamentos da religio crist para os ndios e introduziram o gado com o missionrio Cristbal de Mendonza em 1632 e fundaram as seguintes redues: So Nicolau do Piratini, Nossa Senhora da Candelria, Assuno do Iju, Todos os Santos do Caar ou Mrtires, So Carlos do Caapi, Apstolos, So Tome, So Miguel, So Jos, So Cosme e Damio, Santa Tereza, Santana, So Joaquim, Natividade, Jesus Maria, So Cristvo. Com a invaso dos bandeirantes os jesutas e os ndios reduzidos, foram expulsos das Redues. Os rebanhos de gado se multiplicaram pelos campos e favorece a segunda fundao em 1682, 45 anos depois. Com a organizao dos Sete Povos a regio floresceu economicamente, e novamente portugueses e espanhis expulsaram, saquearam e destruram as redues jesuticas. Aps o saque s Misses em 1801 e em 1828, esse sob comando de Frutuoso Rivera, os ndios migraram para a Argentina e as terras foram distribudas em sesmarias aos heris da guerra. A partir do sculo XVIII, a regio entra em declnio econmico. Com a modernizao da agricultura a partir de 1950, na regio os ndices de degradao do meio ambiente e de pobreza aumentam consideravelmente, bem como, diminuiu a biodiversidade natural. Dos indgenas que viveram na banda Oriental do Uruguai e reas prximas, sabe-se que no eram numerosos e deixaram poucos vestgios materiais sobre o modo de vida que levavam antes da chegada dos colonizadores, pois eram nmades e praticavam a agricultura em sistema de coivara (plantio e abandono de rea), utilizando pequenas ferramentas. Por isso, a classificao etnogrfica desses povos se baseia em informaes coletadas pelos europeus durante a colonizao da Amrica. Na regio platina havia pelo menos trs grupos indgenas: Guaranis, Gs e Pampeanos. Palavras-Chave: Desenvolvimento Rural, Regio, Sociedade Jesutica-Guarani. Objetivos e Metodologia: Como objetivo principal deste trabalho, buscou-se identificar e reunir dados sobre as sociedades e as diferentes formas econmicas que se desenvolveram na regio noroeste do atual Rio Grande do Sul, tambm, conhecida como regio das Misses, a partir de 1600 quando da chegada dos Europeus. Na verificao destes objetivos utilizemos

  • pesquisas bibliogrficas, visitas in loco nos stios arqueolgicos e anlise de documentos da poca. INTRODUO:

    Os Guaranis oriundos do atual Paraguai, chegaram ao Rio Grande do Sul a mais ou menos dois mil anos. Ocuparam as margens da laguna dos patos, litoral norte do atual Estado do Rio Grande do Sul, as bacias dos rios Jacu e Ibicu, incluindo a regio dos Sete Povos das Misses. Dominavam tambm, a parte central e setentrional entre os rios Uruguai e Paran, bem como a parte sul da margem direita do rio da Prata e cursos inferiores do rio Paran.

    Havia entre os Guaranis trs subgrupos principais: Os Tapes (mais tarde indgenas missioneiros dos Sete Povos), que ocupavam as margens dos rios Iju e Uruguai, oeste do atual territrio rio-grandense e o centro da bacia do rio Jacu; os Arachanes ou Patos, que viviam as margens do Guaba e na parte ocidental da laguna dos Patos e os Carijs, que habitavam o litoral, desde o atual municpio de So Jos do Norte at Canania, ao sul de So Paulo.

    Praticavam a atividade agrcola em clareiras (coivaras), cultivando milho, mandioca, feijo, amendoim, abbora, algodo, batata-doce e fumo, entre outros. Estes ndios tambm, praticavam a coleta de erva-mate, a pesca e a caa comunitria. Antes da ocupao europia, no eram numerosos e deixaram poucos vestgios nas regies onde habitavam.

    Segundo Flores (1996. p.19), Os cls estavam divididos em metades. Os chefes de cl, com os chefes das metades, praticavam do conselho da aldeia que decidia sobre migrao, caada, guerra e paz. O nhanderu ??? tambm, praticava o conselho. Havia tambm o morubixaba que mantinha a ordem na aldeia, sendo um elemento de conciliao. O taxu era um chefe provisrio de caada, ataque blico ou pescaria.

    Atualmente no Rio Grande do Sul, existem, tribos Guaranis oriundas dos Estados do Paran e Santa Catarina, e alguns grupos oriundos do Paraguai. Os Pampeanos constituam um conjunto de tribos que ocupavam o sul e o sudeste do atual Estado do Rio Grande do Sul, a totalidade dos territrios da Republica Oriental do Uruguai e os cursos inferiores dos rios Uruguai, Paran e da Prata. Os subgrupos ou tribos mais conhecidos, entre eles, foram os Charruas, Guenoas, Minuanos, Chans, Iaros e Mbohanes. Todos falavam a lngua quchua, com poucas variaes dialticas. Os panpeanos no praticavam o cultivo agrcola. Eram pescadores, caadores, coletores de alimentos e sua cultura se modificou a partir do contato com os brancos (missionrios, militares, aventureiros, portugueses e espanhis), quando passaram a criar gado, entre outro.

    Assim, segundo Flores (1996: 16) Missionrios jesutas atravessaram o rio Uruguai tentando catequizar os guaranis e as parcialidades pampeanas, mas estas no aceitaram viver em redues. Franciscanos, Dominicanos e Mercedrios, vindos de Buenos Aires, tambm tentaram reduzir os pampeanos. A primeira reduo de charruas, em 1626, foi na ilha Vizcano, na confluncia do rio Negro com o Uruguai, durou apenas dois anos. Na mesma poca aldearam os chans na misso de San Antonio. A reduo de Santa Maria dos Guenoas, que seria mais um dos Sete Povos, tambm fracassou. A vida de caador, a falta de organizao comunitria mais complexa e de afinidades religiosas dificultaram o aldeamento em forma de misso dos pampianos.

    Os Gs possivelmente eram os mais antigos habitantes da banda oriental do Rio Uruguai. possvel que essas tribos comearam a se instalar no atual Estado do Rio Grande do Sul por volta do sculo II a.C. Ocuparam o planalto riograndense de leste a oeste e dividiam-se em vrios subgrupos: Coroados, Ibirajaras, Gualachos, Botocudos, Bugres,

  • Caagus, Pinars e Guaianas. Estes ltimos, no incio do primeiro sculo d.C, foram expulsos pelos guaranis da regio posteriormente denominada Sete Povos das Misses. Para eles a terra pertencia comunidade, praticavam agricultura rudimentar, cultivando entre outras coisas milho, mandioca, abbora e batata-doce. Estes grupos indgenas sofreram muito a partir do contato com os bandeirantes, os guaranis (grandes inimigos), e os colonizadores portugueses. Os grupos indgenas que habitam atualmente nas reservas de Nonoai, Irai, Tenente Portela, migraram dos Estados de So Paulo e Paran, no sculo passado, durante a expanso da lavoura cafeeira e so na grande maioria da matriz Caingangues.

    Aps, a ocupao do Brasil pelos portugueses a partir de 1500, a rea do atual Rio Grande do Sul ficou mais de um sculo abandonada. Somente com a fundao da Companhia de Jesus, por Incio de Loyola (a criao da companhia foi aprovada pela Bula Regimini Militantis Ecelesiae, em 27 de setembro de 1540) e que se deu incio as primeiras entradas por brancos na regio. Os trabalhos da Companhia comeam pelo Oriente e logo se espalharam por toda a Europa. No Brasil, os trabalhos iniciaram em 29 de maro de 1549, com a chegada do padre Manoel da Nbrega e mais cinco companheiros (padres Leonardo Nunes, Antnio Pires, Joo de Aspilcueta Navarro e os irmos Vicente Rodrigues e Diogo Jacomo). Foram estes os missionrios que abriram caminho para o interior do Brasil e fundaram os colgios de So Vicente, Esprito Santo, Rio de Janeiro e Pernambuco, entre outros, tendo como mentores os padres Manoel da Nbrega e Jos de Anchieta.

    O trabalho dos Jesutas no Brasil, influenciou para a fundao da Companhia Jesutica do Paraguai. As informaes que o Sul era habitado por tribos de ndios muito gentios e que no comiam carne humana, facilitaram os primeiros trabalhos de catequese que iniciaram nas regies de Guara, Paran, Uruguai e Tape. Foi nestes lugares que os indgenas pouco a pouco receberam os princpios da religio catlica e os fundamentos da civilizao crist-ocidental. Os padres sabiam falar a lngua guarani e seguindo os projetos de colonizao da Coroa Espanhola, comearam a fundar redues no Paraguai e Argentina, a partir do ano de 1600. (Figura 1)

    A civilizao Jesutica-guarani no Rio Grande do Sul, iniciou em 1626 com a fundao de San Nicolas. Depois de vrias tentativas para atravessar o rio Uruguai o padre Roque Gonzles fundou-a em 03 de maio de 1626. Esta reduo estava situada entre os rios Iju e Piratini, contava com 280 famlias de guaranis no ato de sua fundao. Segundo Nedel (1984. p. 13) os ndios guaranis formavam um conjunto de povos com uma estrutura social muito peculiar; compunham-se de pequenos ncleos autnomos com um mnimo de interdependncia, pacficos, sedentrios e firmemente apegados sua terra.

    So Nicolau prosperou rapidamente e dentro de pouco tempo contava com mais de 2.500 pessoas. A expanso da catequese jesutica seguiu com a fundao da reduo de Assuno do Iju e Candelria, em 02 de fevereiro de 1627. Em 1628 os padres Roque Gonzles e Afonso Rodriguez fundaram Caar, onde em 15 de novembro de 1628, quinze dias aps a fundao desta nova reduo foram martirizados. Os ndios revoltosos ainda martirizaram em Assuno do Iju (Estncia de Pirap), no dia 17 de novembro o padre Joo Del Castilho, depois da morte dos trs padres, os ndios infiis comearam a destruir as outras redues, mas quando tentaram destruir So Nicolau, encontraram a resistncia dos ndios reduzidos que ali se encontravam, os revoltosos desistiram do intento e voltaram para Caar.

    Neste perodo, foram organizadas as redues de So Nicolau do Piratini, Nossa Senhora de Candelria, Assuno do jui, Todos os Santos do Caar, ou Mrtires, So Carlos do Caapi, Santos Apstolos So Pedro e So Paulo ou Apstolos, So Tom, So Jos, So Cosme e Damio, Santa Teresa, SantAna, So Joaquim, Natividade ou Natividade de Nossa Senhora, Jesus Maria e So Cristvo.

  • Figura 1. rea de Interao da nao Guarani no Conesul.

    Na primeira fase da civilizao jesutica-guarani no Rio Grande do Sul, entre 1626 e 1637, os jesutas estavam interessados em ensinar os fundamentos da religio crist aos ndios, e com a invaso dos bandeirantes os Jesutas e os guaranis foram obrigados a migraram para a margem direita do rio Uruguai e ficam 45 anos longe do territrio riograndense.

    Foi no primeiro perodo em 1632, que os primeiros rebanhos de gado, foram introduzidos no Rio Grande do Sul. H varias teorias sobre a introduo do gado no Rio Grande do Sul. Uma corrente defende a idia que o gado era originrio dos pequenos rebanhos introduzidos por Hernanderias em 1611 a 1617. Outra corrente afirma que Francisco Naper de Alencastro introduziu o gado em 1691, mas h evidncias que antes disso existia gado no Rio Grande do Sul. A terceira corrente, a missioneira, informa que em meados de 1628, j havia gado vacum nas redues e que principalmente a partir de 1632 o jesuta Cristbal de Mendonza introduziu aproximadamente 1.500 cabeas de bovinos, eqinos e muares no Estado.

  • O gado vacum se multiplicava rapidamente nas extensas plancies do prata, tornando-se importante fator scio-econmico para a restaurao das redues Jesuticas-guaranis na margem esquerda do rio Uruguai. Segundo Porto (volume III, 1954 : 233) "A histria do gado vai ser d'ora e diante, nesse meio em que se debatem dois povos por antagonismos polticos-econmicos, a prpria histria do homem da terra. No pice surgira a figura apostolar do Jesuta. o criador da riqueza, o desbravador da terra, o catequista primitivo e o fundador de uma civilizao que deixar traos precisos e fortes a vincul-lo, por todos os tempos, a justa consagrao da posteridade".

    A economia jesutica teve seus alicerces, primeiramente no gado vacum que vivia solto nos campos. E posteriormente a agricultura tambm, influenciou muito na economia missioneira, com a produo de algodo, trigo, milho, (que era base da alimentao dos indgenas), feijo, arroz, amendoim, mandioca, melancia, etc. O extrativismo, principalmente de erva-mate foi tambm, outra grande atividade econmica desenvolvida nas redues jesuticas. Assim, economia missioneira era baseada na agropecuria. Os ndios organizaram lavouras onde plantavam razes e gros, criavam gado e praticavam a coleta, a pesca e a caa.

    A catequese jesutica procurou ensinar aos indgenas as linhas fundamentais da sociedade humana ocidental. Os Tapes foram os primeiros a receberem (aceitarem) a catequese jesutica. Os padres muitas vezes, enfrentavam as hostilidades dos pajs e dos feiticeiros, estes agiam na defesa natural contra as pessoas que queriam modificar seus costumes e prticas religiosas. Pouco a pouco os ndios foram aceitando os princpios da religio crist. Os padres, quando da construo das igrejas, fundavam tambm escolas de ler, contar, de msica e de danas religiosas. Ensinavam fabricar instrumentos musicais e ferramentas para atividades agrcolas. A partir da catequese as redues alcanaram a organizao social, poltica e religiosa, que era o padro da sociedade crist da poca.

    Os primeiros homens brancos que estabeleceram contato com os nativos foram os missionrios jesutas. Os Bandeirantes-paulistas foram os que em segundo momento penetraram no Estado, com o intuito de aprisionar ndios. Os ndios aprisionados no sul eram levados para trabalhar nas lavouras de cana-de-acar, em So Vicente e Piratininga. Inicialmente a penetrao do homem branco no visava a expanso territorial, o nico interesse era a captura dos ndios selvagens para serem vendidos como escravos nos mercados do centro-sul. Os bandeirantes realizaram varias investidas contra os ndios, no intuito de captur-los, e muitas vezes, tiravam proveito das guerras entre tribos para conseguir suas presas. O comrcio do gado xucro introduzido pelos jesutas despertou interesse econmico por parte dos paulistas, que contavam com o apoio de muitos ndios infiis (egressos das redues, Tapes e Minuanos) que arrebanhavam gado das antigas redues e vendiam para os portugueses.

    Muitos foram os acontecimentos ocorridos na primeira fundao e nas migraes dos ncleos de civilizao jesutica-guarani na margem esquerda do rio Uruguai. Quando o jesuta Roque Gonzles atravessou o Uruguai pela primeira vez encontrou no territrio riograndense, muitos ndios guaranis que viviam em pequenas comunidades, sob o comando de um cacique, os quais eram soberanos em seus grupos. Do Paraguai at o Iju, existiam alguns caciques que se destacavam sobre os outros menores, um desses caciques era Nheu que viveu em Pirap, margem direita do rio Iju, estes caciques maiores possuam autoridade sobre vrios outros caciques devido profunda mstica sacerdotal que difundiam.

    Os indgenas viviam dentro de uma estrutura social em relativa liberdade e constantemente mantinham contato com outras tribos, onde realizavam grandes festas e discutiam sobre as transformaes sociais que estava ocorrendo na margem direita do rio Uruguai, aps a penetrao branca. Na margem direita do rio Uruguai, Neenguiru era o

  • grande cacique e j estava convivendo com os padres. Neenguiru foi quem intermediou com Nheu a travessia (entrada) do P. Roque Gonzles para a margem esquerda do rio. Somente depois de vrias tentativas Neenguiru convenceu Nheu de que os padres poderiam trazer muitas melhorias para o povo guarani. Os padres tinham outras sementes; animais grandes para ajudar no trabalho e locomoo; ferramentas, etc.... Os ndios queriam a garantia de que continuariam sempre livres das leis dos brancos e os padres juravam que no deixariam outros brancos entrarem nas redues. Por esses motivos vrios ndios se converteram por no suportarem mais a fome que rondava seus irmos em muitas estncias.

    A tranqila vida nas redues, comeou a mudar quando chegaram de Buenos Aires, os interventores para atuar nas redues de Japeju, Concepcin e So Francisco Xavier. Os ndios se rebelaram, no gostaram do autoritrio homem branco que se metia em tudo, os guaranis pensaram que tinham sido trados pelos padres. Ento essa cruz ao lado da igreja estava erguida para o suplicio mais ignbil e vergonhoso? No havia mais a menor duvida: os padres estavam de conluio com os outros brancos. Estes vestem negras estavam iludindo a boa f dos ndios, preparando armadilhas para escraviza-los. (Nedel, 1984: 29)

    Nheu, que era o grande lder, ouvia os relatos dos seus comandados sobre os interventores que tinham chegado s redues da margem direita do Rio Uruguai (Japeju, Concepcin e So Francisco). O grande cacique levou esta discusso para os demais membros do grupo. Neste encontro ficou decidido que um grupo de ndios iria at Concepcin ver de perto o que estava realmente acontecendo por l. No foram bem recebidos, voltaram irritados e mais revoltados ainda, porque ao fim das contas sentia seu povo entregando-se ao estrangeiro, no pela nova mensagem, simplesmente porque este abanava com o progresso tecnolgico deixando os nativos obcecados pelos instrumentos de ferro fartamente distribudos a todos que se submeterem sua doutrina. (Nedel, 1984 : 35).

    O modo de vida adotado pelos ndios guaranis, fazia os mesmos passarem frio, fome e muitas outras privaes, principalmente na estao fria (inverno). Esses fatores fizeram com que os grandes caciques aceitassem a implantao de novas redues na margem direita do Rio Uruguai, e ainda mais vendo a evoluo da doutrina de So Nicolau, que em dois anos tinham feito vrias edificaes e aumentaram as clareiras e intensificaram a produo agrcola.

    O grande cacique Nheu finalmente tomou a deciso, aceitando que o Padre Roque Gonzles instalasse uma reduo na estncia do Pirap. O jesuta fundou ento a reduo de Assuno do Iju, mas desconhecia que o grande cacique, tivesse conhecimento dos fatos ocorridos em Guair e Concepcin, onde os padres no puderam evitar que os brancos intervissem nas redues. Nheu conseguiu grandes concesses junto aos jesutas para seu povo, mas o maior problema era que os padres no aceitavam a poligamia (vrias mulheres). Nheu, tentou fazer com que os padres aceitassem o costume herdado dos seus antepassados e promete o mximo de esforo na educao dos jovens aos novos costumes trazidos pelos brancos. O Padre Roque Gonzles mais uma vez venceu e a nova doutrina foi instalada.

    O Padre Roque Gonzles voltou ao Caar, e Nheu no conseguia aceitar ter que viver (escolher) com uma s mulher e decidiu que no as abandonaria, nem as deixaria sobre a proteo dos jesutas. Nheu decidiu esconde-las no cerro do Inhacurutum, local inatingvel aos vestes negras. O grande cacique Nheu ento escolheu uma com quem iria se casar e viver no Pirap (Assuno do Iju), as outras mulheres foram para o retiro do Cerro do Inhacurutum.

    Neste momento intensifica-se a revolta de muitos caciques que estavam desiludidos com as redues, pois os padres estavam interferindo nos costumes dos antepassados, e queriam que Nheu liderasse a revolta que iria devolver a liberdade aos guaranis. Sem falar

  • nos constantes ataques dos encomendeiros espanhis e dos bandeirantes par aprisionar os ndios reduzidos. Quando o padre Roque Gonzles, deixou o padre Joo del Castilho no comando na construo da reduo de Assuno do Iju, o grande cacique Nheu no aceitou, neste momento comeou a grande movimentao (conspirao) dos caciques, em torno das atividades desenvolvidas pelos jesutas.

    Os ndios se organizaram para preservar a unidade da civilizao guarani e defender o sistema de vida longe do homem branco. Aquele dia a dia de liberdade completa, sem prestar contas a ningum; a mtua compreenso entre o povo, homens ou mulheres; o amor livre que dava vazo a todos os anseios; as grandes festas em que todos se entregavam derramando alegria e amor; enfim, esta sociedade que os antepassados lhe haviam legado, deixavam-nos puros demais para a estrutura que os brancos vinham impor! (Nedel, 1984. : 69)

    Assim, alguns caciques entre eles Nheu decidiram lutar e expulsar os jesutas da margem oriental do rio Uruguai. E foram martirizados os primeiros 3 jesutas das redues de Caar e Assuno do Iju. Os caciques revoltosos avanaram sobre outras redues mas foram derrotados. Aps esses fatos ocorridos em 1628, as outras redues foram prosperando e a partir de 1636 os ataques dos bandeirantes paulistas se intensificaram e gradativamente os guaranis reduzidos foram migrando para a margem direita do rio Uruguai para as comunidades que estavam protegidas pelas normas da coroa espanhola.

    A Segunda Fundao : os Sete Povos das Misses Orientais. (Figura 2) Os Sete Povos das Misses, localizado no extremo sul do Brasil, como j foi

    mencionado anteriormente, foram organizados pelos padres Jesutas. Esses agiam segundo suas crenas em Deus e serviam a Coroa Espanhola, e haviam abandonados suas ptrias, para adentrarem-se nas selvas do Conesul. Muitos Jesutas no imaginavam que o seu trabalho junto aos ndios (reduzir, catequizar, etc), era essencial para os propsitos de seus Reis, para alargar suas posses territoriais e recolher todas as riquezas possveis para a Espanha.

    A interrupo do trabalho jesutico na margem esquerda do rio Uruguai, aconteceu aps o martrio dos padres Roque Gonzles, Afonso Rodriguez e Joo del Castilho, seguida da invaso da Bandeira de Raposo Tavares em 1638, o que obrigou os ndios reduzidos a migrarem para a margem direita do rio Uruguai (hoje Provncia de Misiones). Os trabalhos s recomearam em 1682, quando comeou a migrao de Concepcin e foram reunidos novamente os guaranis em So Nicolau que foi o primeiro dos Sete Povos (1626) e hoje, conhecida como a Primeira Querncia do Rio Grande.

    Segundo Flores (1996, : 33), procurando deter o avano portugus em direo ao litoral sul, o governo espanhol ordenou a fundao de povoados a partir do rio Uruguai, ocupando as terras com estncias e lavouras. Por falta de populao branca, os Guaranis com os padres jesutas reiniciaram, a partir de 1682, a segunda fase das redues jesuticas, chamada de Sete Povos.

    PRIMEIRO POVO MISSIONEIRO - SO NICOLAU

    Como foi mencionado anteriormente, o governo espanhol procurava deter o avano portugus em direo ao litoral sul, e determinou a Companhia de Jesus que ajudassem na fundao de povoados na margem esquerda do rio Uruguai, ocupando as terras com estncias e lavouras. Como haviam guaranis j reduzidos os padres jesutas reiniciaram, a partir de 1682, a segunda fase das misses, chamada de Sete Povos

  • A reconstruo (restaurao) de So Nicolau, recomeou em 1687, quando em torno de 3.000 ndios, atravessaram o Rio Uruguai (para o atual RS), trazendo consigo objetos de uso pessoal e ferramentas. A reconstruo foi acompanhada de calamidades, primeiro um furaco destruiu a igreja, sucedido de granizo que matou nos campos muitas cabeas de gado; em 1689, um incndio destruiu grande parte do povoado, mas com todas essas calamidades, os jesutas e os ndios no desanimaram e pouco a pouco foram recompondo o seu povo. Construram uma belssima igreja dedicada a San Nicolas.

    Figura 2: Localizao dos 30 Povos e das estncias de gado das redues.

  • Esta reduo segundo dados coletados contou com uma populao aproximada no ano

    de 1.687 de 3.000 pessoas; em 1.700 de 5.278 e em 1.707 com 5.386 habitantes, que se dedicavam integralmente nos trabalhos de construo da aldeia. Como os habitantes de outros povoados, estes tambm eram devotos de Santo Izidro Lavrador, padroeiro dos agricultores e no caminho entre o povo e as lavouras, havia uma imagem desse santo, feita em madeira pelos guaranis. Diante da ameaa de qualquer intemprie ou de praga nas plantaes e, at mesmo, frente a problemas relacionados com a sade, costumavam recorrer a esse

  • santo. Era comum conduzirem-no, em procisso, at a porta da igreja ou visitarem a Ermida para realizar oraes (Nascimento, 1983 : 28).

    A reduo de So Nicolau, segundo os historiadores foi a mais bem construda, com edificaes confortveis, no s para os padres como para todos os selvagens, suas ruas eram largas, com belas casas e uma ampla praa.

    A economia da reduo, resumia-se na extrao da erva-mate, na agricultura e pecuria. A agricultura era exercida coletivamente, no havendo propriedade particular (havia nas redues o Tabamba, que era uma propriedade dada ao Cacique, que tinha sob sua jurisdio duas ou trs dezenas de famlias, os membros destas famlias que trabalhavam na propriedade de seu Cacique e dela buscavam se manter. Este modelo precedeu o Abamba (aba ndio, mba propriedade), onde cada famlia tinha pequenas roas, de at 02 ha. Todos trabalhavam a maioria do tempo no Tupamba esta era a propriedade coletiva, tribal, (Tup = Deus, mba = propriedade), e a que mais se desenvolveu).

    O gado, fator primordial para o sustento dessas populaes, era criado em campos afastados das aldeias (Vacarias - A estncia da Reduo de So Nicolau se localizava nos atuais municpios de So Gabriel e Alegrete), onde existiam boas condies climticas e abundncia de gramneas de alto poder alimentcio. Criavam tambm, cavalos, muares, ovelhas, cabras, galinhas, porcos, etc.

    Devido facilidade de aprendizagem, no houve problemas em ensinar os ndios as artes mecnicas em oficinas onde os aprendizes trabalhavam sob orientao de um mestre. Todos trabalhavam para a comunidade e viviam da produo obtida nas diferentes setores da produo.

    O SEGUNDO DOS SETE POVOS SO BORJA

    Essa reduo se originou de uma estncia organizada pelos Guaranis de San Tom (Argentina, margem direita do rio Uruguai) em 1682. Neste ano o Jesuta Francisco Garcia, devido ao grande nmero de ndios que haviam transmigrado de San Tom, instala a Reduo de So Francisco de Borja. Essa foi oficialmente inaugurada, com 1.952 pessoas, no ano de 1682, mas passou a ter livros prprios de assentamentos a partir de 1687, quando deixou de ser considerada um posto avanado da Reduo de Santo Tom. Ao contrrio das demais redues gachas, foi a nica formada por ndios da matriz tnica charrua.

    uma das reduo mais antiga dos Sete Povos, e tambm o local onde foram feitas as primeiras penetraes no territrio riograndense, para extrao de gado das vacarias (o gado trazido no 1 ciclo pelo Pe. Cristvo de Mendonza, a partir de 1632, que havia se reproduzido extraordinariamente e ocupava as Vacarias do Mar e dos Pinhais), em campos abertos. A carne de gado nesta fase era a base da alimentao dos povos Guaranis.

    Os Jesutas retornaram em 1682, por razes de ordem poltica e econmica, eles tambm, destacaram-se pela defesa dos povos das Misses e das possesses espanholas. Muitas vezes, os oficiais do vice-reino da Prata, ou mais tarde da nao argentina requisitavam grandes contingentes de guaranis para lutar em alguma guerra ou revolta

    Sua igreja levou doze anos para ser construda, uma grandiosa edificao de pedras. E sob a jurisdio social e religiosa dos jesutas e tutela poltica da Espanha, povoada por ndios da nao charrua, So Borja teve no ano de 1683, uma populao estimada de 1.952 habitantes, em 1690, uma populao de 2.396 e em 1707 2.814 habitantes, somente passou ao domnio portugus em 1801, quando Borges do Canto, Gabriel de Almeida e Manoel dos Santos Pedroso conquistaram o Territrio das Misses Orientais.

  • So Borja, como os demais Povos das Misses Orientais foram dirigidos e governados pelos jesutas at 1768, isto , at a expulso desses padres de todos os domnios espanhis na Amrica. As redues haviam sob o regime dos jesutas, alcanado notvel desenvolvimento econmico, comercial e artstico. O gado era o principal produto, de onde se extraa a carne para a alimentao, o sebo e o couro. Tambm, produziam algodo, fumo, erva-mate e trigo, entre outras. Nas artes, foram as esculturas, a msica, o teatro e a arquitetura que mais se desenvolveram, como atestam to belos trabalhos guardados em museus e presentes nas importantes runas.

    A reduo de So Borja foi destruda pelas foras de Portugal e Espanha, em 1756, juntamente com os outros Povos das Misses. Mas a igreja da reduo, construda em 1696 pelo Irmo Brazanelli, ruiu na terceira dcada do sculo passado, devido ao das intempries.

    Hoje, restam quase nada das edificaes da reduo de So Borja, mas a da populao descende destes importantes formadores da identidade gacha. E sua economia baseia-se no cultivo do arroz e soja e na criao de gado.

    O TERCEIRO DOS SETE POVOS SO LUIZ GONZAGA

    Fundada em 1687, seus primeiros habitantes vieram de Concepcin (Argentina). Seu coordenador, foi o jesuta Miguel Fernandes que trouxe os ndios de Guair e Itatim (Mato Grosso) que tinham se refugiado em Concepcin, quando da invaso dos bandeirantes. So Luiz Gonzaga foi repovoada com 2.922 pessoas. No incio os ndios ficaram em alojamentos provisrios, construdos de pau-a-pique, cobertos de folhas de palmeira ou capim. O povo se desenvolveu rapidamente, foram construdos a igreja, o colgio e estncias para criao de animais, principalmente gado, ovelhas e muares.

    Segundo dados estatsticos o crescimento populacional da reduo de So Luiz Gonzaga foi: em 1687, a reduo contou com cerca de 2.900 pessoas; em 1694, 3.280; em 1702, 3.473 habitantes; e em 1707, 3.997 guaranis.

    A primeira igreja construda na reduo de So Luiz Gonzaga, data de 1718. Outra grande obra deixada pelos jesutas nesta reduo foi o Colgio Jesutico. To slida e resistente construo que s a piedosa mo do homem conseguiu destruir. Construdo em terreno amplo, cercado por todos os lados por um murro de pedras e um porto de ferro para o lado da praa dava acesso ao colgio.

    Aps a expulso dos Jesutas em 1768, o prdio do colgio serviu de capela com casa paroquial, sede do destacamento policial, sala do jri, priso, cmara municipal, colgio, delegacia de polcia e tambm, serviu de quartel durante os anos de 1905 a 1923, ao 5 e depois 3 Regimento de Cavalaria Entendente, hoje 4 RCB.

    Esta reduo foi a terceira mais populosa, chegou a ter 6.182 habitantes, em 1732, ano em que as redues alcanaram o maior nvel de desenvolvimento nos aspectos demogrfico, industrial e artstico. A partir deste ano uma srie de acontecimentos contribuiu para a reduo da populao. ndios dos Sete povos foram convocados para os exrcitos espanhis, que lutavam freqentemente com os portugueses.

    A economia da reduo jesutica de So Luiz Gonzaga, era baseada na criao de gado nas estncias situada alem da serra, prximo ao caminho que conduzia a Vacaria. A estncia de So Luiz Gonzaga, como as demais, contava com postos e posteiros, ativamente supervisionados por um Padre ou Irmo Leigo. Contavam o gado nas contas do rosrio. Os campos da reduo chegaram a reunir mais de 42.000 cabeas de gado.

  • O grande nmero de animais fez aumentar a necessidade de maior rea de campo, pastagens e aguadas, motivo pelo qual os vaqueiros por vrias vezes deviam procurar lugares que se adaptassem a essas exigncias, muitas vezes distantes das Redues. Surgiram assim, as estncias, que tinham como limite os acidentes naturais geogrficos, especialmente rios e serras, que dificultavam a sada e extravio do gado.

    A reduo de So Luiz Gonzaga tambm se dedicava ao cultivo de erva-mate (a maior parte da erva-mate era coletada nos ervais nativos, pois a rea cultivada ao redor das Redues era em pequena escala), do trigo, mandioca, milho, batatas e legumes, entre outros.

    Em 1756, quando os Jesutas e os ndios foram expulsos do territrio dos Sete Povos, pelos Exrcitos portugus e espanhol, muitas regies do Brasil viviam num escuro primitivismo e muitos dos moradores das misses transformaram-se em pedreiros, ferreiros, pintores e entalhadores, migraram para outras reas.

    O QUARTO DOS SETE POVOS SO MIGUEL ARCANJO

    A primeira fundao foi em 1632, pelo padre Romero e seus companheiros de misso nas proximidades de Jaguar (rio dos jaguares). At o ano de 1636, reuniram milhares de ndios e catequizaram-nos. Com as invases dos bandeirantes paulistas (entre eles Raposo Tavares) que iniciaram a partir de 1636 e cessaram em 1641, muitos ndios foram capturados e vendidos nos mercados de escravos; outros se refugiaram nas florestas; muitos foram mortos; e alguns migraram com os jesutas para o outro lado do rio Uruguai.

    Em 1687, quando os movimentos de insegurana aparentemente cessaram os missionrios e os ndios retornaram de Concepcin (provncia de Misiones Argentina) para o mesmo local (Jaguar), com uma populao inicial estimada em 4.195 habitantes ou mil e quatrocentas famlias aproximadamente, retomaram os trabalhos. Como havia dificuldades de permanecerem neste local, migraram para rea da atual So Miguel das Misses. Este povo se desenvolveu muito e foi escolhido para a capital dos Sete Povos das Misses Orientais.

    O ambicioso projeto de construo da Catedral, desenvolvido pelo famoso arquiteto italiano Joo Batista Primoli, que hoje smbolo dos Sete Povos, levou cerca de dez anos para ser executado. O imenso templo comeou a ser construdo em 1745 por uma populao de seis mil guaranis. A fachada imita, em pedra local, o modelo da igreja do Gesu, em Roma.

    Na primeira metade do sculo XVIII, a populao da Reduo de So Miguel atingiu 7.000 pessoas. Com a assinatura do Tratado de Madri, onde a Espanha ficaria com a Colnia do Sacramento e Portugal com os Sete Povos das Misses orientais, a regio foi saqueada mais uma vez e entrou em fase de decadncia. Neste perodo ocorreu a Guerra Guarantica, onde os Guaranis lutaram contra os exrcitos portugueses e espanhis. Nesta guerra as Redues foram derrotadas e milhares de ndios mortos, como o cacique Sep Tiaraju, conselheiro do cabildo de So Miguel das Misses.

    Onze anos depois em 1761, quando foi assinado o Tratado de El Pardo, o qual anulou o Tratado de Madri, os Guaranis retornaram para as redues (So Miguel), que novamente estavam sob administrao espanhola, sem os Jesutas (que tinha sido expulsos do territrio espanhol), o declnio econmico se acentuou ainda mais. Em 1828, com a Guerra da Cisplatina, o Exrcito de Frutuoso Riveira destruiu e saqueou o que ainda restava desta civilizao e incorporou no seu Exrcito a maioria dos homens que permaneciam nas Misses Orientais.

    So Miguel a reduo jesutica mais preservada a ponto de ser reconhecida pela Unesco como Patrimnio Cultural da Humanidade. Junto ao museu, tambm se encontra o

  • sino que foi instalado no alto da torre do templo de So Miguel e chamava os reduzidos para as festas e celebraes. Pesa uma tonelada, e foi fundido na vizinha Reduo de So Joo Batista, a primeira fundio de ferro do Sul do Pas.

    A economia dessa reduo no se diferenciou das demais, sendo que o gado fator primordial para o sustento da populao, era criado em campos afastados das aldeias (Vacarias - A estncia da Reduo de So Miguel se localizava no atual municpio de Bag), onde existiam boas condies climticas e abundncia de gramneas e aguadas. Os Guaranis trabalhavam em extensas plantaes e na coleta de erva-mate, na colheita de algodo, trigo, mandioca, cana-de-acar, batatas, ervilhas, favas, feijo, abboras, etc, tambm, trabalhavam em olarias, curtumes, carpintarias, marcenarias, no trfego e custeio nas estncias de animais vacum e cavalar.

    A atual vila de So Miguel das Misses surgiu em 1926, quando foi organizado um loteamento urbano, em torno dos remanescentes do antigo povo jesutico/guarani. So Miguel foi a 5 Reduo a tornar-se municpio em 1987. Duas ainda so Comunidades rurais, So Loureno das Misses e So Joo Batista.

    Sua economia baseasse na agricultura e pecuria, e tem no turismo uma grande fonte geradora de empregos e desenvolvimento com a perspectiva de transform-lo na principal atividade econmica do municpio. Quanto aos Guaranis ali que esta a ltima e nica aldeia da regio com 160 pessoas, que leva o sugestivo nome de Teko Coendiu ou Aldeia Alvorada.

    O QUINTO DOS SETE POVOS SO LOURENO MRTIR

    Fundado em 1691, formou-se a partir da imigrao de uma colnia (parte) dos habitantes da reduo de Santa Maria Maior, localizada na margem direita do rio Uruguai, Argentina. Este povo exerceu uma grande influncia na histria das Misses, se destacaram principalmente nos aspectos econmicos, culturais e artsticos.

    Esta reduo situa-se entre a de So Luiz Gonzaga e So Miguel, seu fundador foi o padre Bernardo de La Vega, seguido pelo jesuta Miguel Fernandes. Enquanto os homens cuidavam da edificao, as mulheres cuidavam das plantaes; a igreja foi construda como as demais redues, frente para o norte (exceto a de Santo ngelo, que era para o sul), paredes de pedra, e extraordinariamente grande e de bela arquitetura.

    Segundo Leite (1970 : 73) perto do povo de So Loureno existe uma caverna denominada Querepoti (prata), donde dizem que os jesutas extraiam esse metal....

    Tambm, foi fundada por aproximadamente 823 famlias que plantavam entre outras coisas, trigo, cevada, feijo, abboras, algodo, tabaco e erva mate, e criavam bovinos, eqinos, muares e ovelhas, principalmente.

    O SEXTO DOS SETE POVOS SO JOO BATISTA

    Fundada em 1697, pelo Jesuta tirols Antonio Sepp. Sendo a reduo de So Miguel a mais populosa da margem esquerda do rio Uruguai e no suportando tamanha populao, os padres decidiram dividi-la e transportar uma parte dela para outro local. Essa tarefa no seria fcil, pois teriam os padres que transportar quatro a cinco mil pessoas para um campo limpo, e tirar da mesma subsistncia para o povo.

    A primeira ao dos padres foi reunir os ndios principais a quem chamam de caciques, que so chefes de famlias de quem dependem 50 ou at 100 ndios, sobre os quais

  • mandam como donos absolutos e explica a necessidade da mudana. Assim, Padre Sepp explica Pus-lhes diante dos olhos a necessidade que havia de dividir o povo, devido ao nmero excessivo de habitantes. Deviam sacrificar a Deus sua natural inclinao de no desejarem abandonar a ptria que amavam, nada lhes podia se no o que eu prprio j havia feito, deixando minha ptria, meus parentes e meus amigos, para viver entre eles e lhes ensinar o caminho do cu e finalmente poderiam estar certos de que (Sepp) no os abandonaria, e que me veriam seguir a sua frente e compartilhar com eles dos mais penosos trabalhos. (Leite, 1970 : 76)

    Depois d e vrias discusses com os ndios, os padres receberam o apoio de 21 caciques, que exerciam influncia sobre 150 famlias. Os padres ento comearam a segunda etapa (parte) da misso, que era escolher o local (stio) o qual atendesse s necessidades da nova colnia. Acompanhados de vrios caciques, partiram em caminhada durante todo um dia para o oriente e ao anoitecer descobriram um amplo terreno, rodeado de colinas e bosques espessos. No alto da coxilha acharam duas fontes muitas claras, cujas guas, serpenteavam na declividade dos campos, baixavam a um vale profundo onde formava um previsvel arroio.

    A rea descoberta tinha fartura de caa e pesca, fatores determinantes para que decidissem ali fundar a reduo. Voltando a So Miguel, deram a notcia a todos os ndios, especialmente para aqueles destinados a formar a nova reduo. Estes por sua vez se dispuseram a partir, primeiro foram somente os homens, para edificar a nova reduo (construes bsicas), para impulsionar ainda mais os ndios e os padres, chegava das outras redues, ajuda, uns mandavam bois, outros, cavalos, sementes e animais de pequeno porte.

    Depois de um ano de trabalho rduo e excelentes colheitas, os padres julgaram conveniente levar as mulheres e as crianas que tinham ficado em So Miguel. Rapidamente o povo foi organizado, cada qual cuidando de suas tarefas e o padre Sepp sempre frente dos trabalhos. Construiro uma belssima igreja, com paredes de pedras cupim (Itacur) e muito bem ornamentada com obras de arte sacras.

    O STIMO DOS SETE POVOS SANTO NGELO CUSTDIO

    Fundado em 1706, este povo teve a mesma origem do povo de So Luiz Gonzaga,

    originrios da reduo de Concepcin, pois nessa reduo o crescimento populacional fez com que por duas vezes os padres desmembrassem uma parte da populao para a outra margem do Grande Rio (Rio Uruguai).

    Atrados pelas possibilidades econmicas das extensas reas de terra e bem-estar, provenientes das informaes recebidas de seus irmos que habitavam a reduo de So Luiz Gonzaga, decidiram migrar e fundaram a nova reduo. A reduo de Concepcin foi fundada pelo padre Roque Gonzles, ento se pode considerar que o padre Roque foi o fundador indireto da ltima reduo jesutica no Rio Grande do Sul.

    Os habitantes da reduo de Santo ngelo, trabalhavam em conjunto com seus irmos da reduo de Concepcin nas estncias de criao de gado, nas margens do Ibicu. Quando em 1637, as redues do primeiro ciclo missioneiro foram assoladas pelos bandeirantes e mamelucos, os ndios que habitavam essa regio (regio das Misses/RS), transmigraram para a margem direita do rio Uruguai e se refugiaram na reduo de Concepcin; quando da volta dos padres em 1682, os ndios dessa reduo tinham direitos sobre as ricas terras e ervais nativos do Nhucor. Este foi um dos motivos da fundao da reduo de Santo ngelo.

  • Esta regio foi a maior e grande produtora de erva-mate, de algodo e no se dedicavam muito a criao de gado.

    A reduo de Santo ngelo foi estruturada primeiramente entre os rios Iju grande e Ijuizinho, e logo abandonada, pois no tendo muito espao para expanso, pois ficava entre dois rios volumosos, a reduo permaneceu neste local durante um ano, depois foi transferida para onde se encontra a atual cidade de Santo ngelo, entre os rios Taquarichim e Santa Brbara.

    A reduo prosperou rapidamente e foi um dos povos mais ricos de toda regio missioneira, como referido anteriormente o maior produtor de erva-mate (superando a produo de todas as demais redues), com cerca de cinco mil arrobas por ano.

    Neste sentido, a organizao das redues na margem esquerda do Rio Uruguai, na segunda fundao a parir de 1682, conhecidas como Sete Povos das Misses Orientais, foi de suma importncia para o Rio Grande do Sul, tanto nos aspctos culturais, sociais como econmicos. Tabela1 : Populao das Redues na Fundao e no Apogeu Populacional

    REDUO POPULAO NA FUNDAO

    POPULAO NO APOGEU

    SO NICOLAU 1687 3.000 1689 5.819

    SO BORJA 1690 2.396 1694 2.888

    SO LUIZ GONZAGA 1687 2.800 1707 3.997

    SO MIGUEL ARCANJO 1687 3.500 1694 4.592

    SO LOURENO MRTIR

    1690 3.512 1705 4.544

    SO JOO BAPTISTA 1689 2.832 1707 3.361

    SANTO NGELO CUSTDIO

    1707 2.879 1720 3.592

    Organizao : Paulo Roberto Paim Padilha, 2004.

    CONSIDERAES PRELIMINARES

    Quase IV sculos nos separam do incio das atividades dos missionrios jesutas na Amrica Latina. O primeiro marco da civilizao jesuitica-guarani foi fundao de Santo Incio Guau, a esta seguiu a fundao da reduo de Guara (bacia dos rios Paranapanema e Paran at a foz do Iguau).

    Quanto economia os Sete Povos das Misses Orientais, e seus atores jesutas e guaranis, principalmente foram os responsveis pela introduo e desenvolvimento da pecuria. Pois os rebanhos introduzidos a partir do sculo XVI se multiplicaram e povoaram os pampas sulinos. No final do sculo XIX, grandes frigorficos comeam a serem instalados no Estado aproveitando a matria-prima originada a partir das estncias missioneiras.

  • Assim, tanto as redues da bacia do Paran, Paraguai e do Uruguai, passaram pelas mesmas atrocidades, quer no incio pelos bandeirantes, depois pelas constantes guerras e disputas entre Portugal e Espanha e mais recentemente pela dominao dos caudilhos que se apoderaram destas terras.

    A regio dos sete povos quando passou ao domnio da Coroa portuguesa, recebeu principalmente militares que se instalaram em pontos estratgicos para a defesa da regio. A maioria dos militares receberam sesmarias e assim se tornaram grandes proprietrios (latifundirios), ao mesmo tempo que alguns recebiam da Coroa as doaes, outros expulsavam os pequenos proprietrios e assim pouco a pouco formavam suas fazendas (estncias).

    Os indgenas que habitavam as redues, e que por direito eram donos das terras, no tiveram oportunidade de trabalhar nela, pois foram na sua maioria recrutados para servir no exercito, abandonando assim a regio ou indo trabalhar como diaristas nas fazendas.

    A maior parte das cidades que surgiram nas antigas redues, aps a expulso dos jesutas se formaram a partir do movimento militar. Pois, foram implantados destacamentos militares para controlar as fronteiras.

    No sculo XX, a poro norte da regio, com rea de matas mais frondosas e relevo mais acentuado, comea a receber colonos europeus no-ibricos provenientes das colnias velhas no centro-leste do Rio Grande do Sul. Eram, principalmente italianos, alemes, poloneses, hngaros e russos que receberam pequenos lotes de terra pelos quais deviam pagar, diferentemente dos fazendeiros que receberam sesmarias repletas de gado gratuitamente.

    Esses colonos introduziram a policultura e novos hbitos culturais, sociais e econmicos na regio. Como os meios de transportes que ligariam a regio aos centros consumidores no existiam ou eram muito precrios, a produo agropecuria no podia ser comercializada.

    Nestes ltimos dois sculos (XIX e XX) a regio passou por um declnio econmico muito grande. No sculo XIX, as terras foram distribudas para poucas famlias e a maioria da populao descendente de guaranis ou negros comprados para trabalho escravo nas estncias viviam na misria.

    A no distribuio de terra as guaranis e negros nos sculo XIX e XX e a concentrao desta e poucas posses fez com que a estrutura agrria no se alterasse e a monocultura atravs da pecuria extensiva mantivessem a maioria da populao da regio em situao de pobreza e marginalizao scio-econmica.

    Na dcada de 1960 o binmio trigo-soja, se tornou uma das principais atividades da agropecuria da regio, fazendo com que vrias fazenda (estncias) especializadas na criao de bovinos ou ovinos se tornassem produtoras de gros. No primeiro momento a produtividade por hectare destas novas culturas ficava em torno de 900 a 1.100 Kg/ha. Somente a partir da metade da dcada de 80, com o desenvolvimento tecnolgico , subsdios externos a produo por ha alcanou maiores ndices de produtividade, conforme dados apresentados no quadro abaixo. Quadro 1. Quadro 1: Perodo, cultura e produtividade mdia na regio das Misses/RS.

    SAFRA SOJA- Kg/ ha TRIGO Kg/ ha

    1997/1998 2.147 1.338 1998/1999 936 1.444

  • 1999/2000 1.063 1.936 2000/2001 2.639 1.916 2001/2002 1.439 1.717 2002/2003 2.681 1.350

    MDIA 1.811 1.886 Fonte: PILLONS- Planejamento Agrcola Ltda

    As transformaes na paisagem da regio nestes ltimos anos foi constante. A natureza sofreu vrias formas de ocupao que degradaram os espaos. Com a adoo de um modelo de produo moldado na busca incessante do lucro a qualquer preo, a grande maioria da populao da regio ficou mais pobre as custas de uma minoria que acumulou riquezas.

    Nas ltimas dcadas a sociedade brasileira atravessou fases de significativas transformaes. A demanda por alimentos crescia consideravelmente, o processo de urbanizao e industrializao eram fomentados pelo Estado e o regime militar reprimia com todas as foras qualquer movimento alternativo, principalmente de reforma agrria. Na poca do milagre (1968-1974) o pas aumentou consideravelmente sua dependncia externa via emprstimos solicitados aos organismos internacionais, que ocasionaram entre outras coisas, o crescimento das desigualdades sociais, com reflexo tambm, no campo via aumento dos ndices de pobreza rural.

    O processo de modernizao da agricultura provocou profundas transformaes sociais, econmicas e at mesmo culturais em todas as regies. Sua implantao foi parte integrante do processo global de modernizao da economia e da sociedade brasileira. Ou seja, foi orientado margem da participao da sociedade no se preocupou com o que poderia provocar o aumento das desigualdades sociais. Como resultado desse processo de desenvolvimento adotado tem-se, entre outras coisas, o crescimento da pobreza rural.

    Esse processo fez com que grande parte dos agricultores descapitalizados, abandonasse o campo e migrasse para centros urbanos em busca de trabalho. Provocou tambm, uma constante queda na renda das famlias rurais, aumento significativo de trabalho precrio e a degradao dos ecossistemas, entre outras coisas.

    O processo de modernizao, analisado na regio das Misses/RS, com todas as suas caractersticas, rompeu com o relativo sossego e com a vida pacata do campo e levou o homem rural a integrar-se num ritmo mais dinmico. O homem rural saiu de um contexto restrito, limitado, familiar, comunitrio e inseriu-se num mundo agitado de negcios financeiros, nacional e internacional. Um mundo comandado pelas bolsas de valores, um mundo de produtos que mudavam a cada ano e que custavam sempre mais.

    Grandes contingentes de pequenos agricultores pobres foram ficando margem do processo de desenvolvimento adotado via alterao da base tecnolgica no Rio Grande do Sul. Pois, a ampliao do mercado interno para a industrializao se fez pela migrao/expulso dos camponeses, atravs de sua expropriao como produtores independentes, transformando-os gradativamente em mais pobres. As desigualdades sociais acentuaram-se a cada ano a partir da implantao do modelo de desenvolvimento do capitalismo no Estado.

    A modernizao da agropecuria atingiu um nmero reduzido de produtores com apoio e financiamento pblico abundantes. Dos estabelecimentos pequenos que conseguiram aderir ao processo uma parte conseguiu modernizar-se, outra parte, pelo endividamento constante, sucateamento das mquinas e equipamentos e degradao dos solos foi empobrecendo gradativamente e ficaram margem do processo de desenvolvimento.

  • Este modelo visou a utilizao cada vez mais intensa de fertilizantes, corretivos, defensivos, sementes melhoradas, irrigao, drenagem, equipamentos, mquinas diversas, entre outras, e permitiu no s elevar a produtividade do trabalho, como tambm subjugar a natureza. Esse processo liberou as condies de produo do ciclo da natureza, muitas vezes corrigindo-o ou superando-o. Assim, minimizou-se os efeitos das secas, geadas, dos solos pouco frteis, das pragas, etc. sobre a produo agropecuria, de forma a garantir maior rentabilidade ao capital investido. (Graziano da Silva: 1981).

    Quanto mo-de-obra, ocupada na agricultura gacha, na maioria dos casos inversamente proporcional ao tamanho dos imveis, ou seja, quanto menor o tamanho da propriedade em termos de rea maior a importncia do trabalho familiar.

    Assim, a modernizao da agropecuria atingiu algumas regies de maneira mais intensiva, onde todas as etapas foram implantadas sucessivamente, como no Planalto do Rio Grande do Sul, em outras, as etapas foram simplificas, caso da ocupao agrcola recente dos Estados do centro-norte do Brasil.

    A modernizao dos pobres do campo, da maneira como foi implantado na maioria dos casos, favoreceu o aumento da pobreza e excluso social. Fez com que a populao rural diminusse, envelhecesse, pois grande nmero de jovens migrou em busca de trabalho e principalmente fez com que os nveis de indigncia no campo aumentassem.

    O capitalismo no Rio Grande do Sul penetrou mais intensivamente em algumas regies, entendidas aqui no com aspectos puramente geogrfico ou poltico-administrativo, onde algumas reas so favorecidas e outras marginalizadas. Pelo desenvolvimento mais intensivo das formas produtivas em determinadas microrregies, surgem os desequilbrios regionais com nveis distintos de reproduo do capital e relaes de produo. (Graziano da Silva: 1981).

    Muitas cidades que possuam uma dinmica regional e local significativa, antes da substituio da base tecnolgica na agropecuria, perderam gradativamente importncia econmica, e passaram a ser apenas entrepostos de armazenagem de produtos, pois a produo era direcionada para a exportao. Assim, vrias pequenas agroindstrias e indstrias foram sendo fechadas, o comrcio e a populao decaram, consideravelmente, nas ltimas dcadas e a pobreza avanou sem restrio nestas cidades e microrregies.

    O principal problema das Misses a crise da agricultura familiar, setor da economia que durante muitos anos garantiu a prosperidade da regio. A ausncia de uma poltica agrcola por parte do governo federal, o preo dos insumos e as dificuldades de financiamento dos agricultores prejudicaram a economia da regio no seu conjunto. O empobrecimento dos agricultores atinge diretamente o comrcio e os servios da regio, assim como limita o prprio potencial de desenvolvimento industrial. O modelo de desenvolvimento centrado na monocultura da soja e pecuria extensiva tem causado dificuldade diversificao da produo agrcola regional, levando concentrao de renda nas mos de poucos produtores. Esse fato exclui grande parte da populao que, empobrecida, migra para as cidades e para outras regies, ocasionando o envelhecimento populacional ( elevada a idade mdia da populao na rea rural).

    O problema da estiagem, que atingiu a regio em 7 dos 10 ltimos anos, agrava ainda mais as dificuldades estruturais do setor agrcola das Misses. E as aes de combate aos efeitos da seca tem se dado sempre aps o problema, de forma paliativa, o que resulta sempre no reaparecimento do problema nos anos seguintes. Fica evidente a necessidade de aes concretas em termos de preveno, trabalhando no sentido da utilizao racional dos recursos hdricos e em iniciativas de preservao dos mananciais.

  • A ausncia de um plano de desenvolvimento sustentvel para a regio, a falta de acompanhamento tcnico e extenso na agricultura, a necessidade de reforma agrria e apoio a produo familiar, a carncia de chuvas, a precariedade das estradas, o envelhecimento da populao, a desorganizao da comercializao, os impactos no meio ambiente e a falta de um ensino profissional agrcola so entraves a serem superados.

    Para o desenvolvimento da agricultura, a regio carece de tecnologias apropriadas produo agrcola competitiva, podendo caber s entidades pblicas e privadas a articulao desses fatores. A correo, recuperao e conservao do solo so tambm metas a alcanar mediante assistncia tcnica.

    fundamental tambm, a dinamizao dos setores agrcola, industrial, servios e comrcio a partir da valorizao da capacidade de crescimento e da cultura da participao j demonstrada pela comunidade da regio. Neste sentido a implantao de agroindstrias familiares para o beneficiamento da produo agropecuria de suma importncia, pois geram empregos em vrias comunidades com baixos investimentos.

    O grande potencial turstico da regio pela presena de patrimnio histrico das Misses, reconhecido internacionalmente, necessita o envolvimento da iniciativa privada e das Prefeituras interessadas em financiar projetos, considerando a necessidade de infra-estrutura de servios e de mo de obra qualificada para o desenvolvimento da atividade. A regio j conta com aeroporto em plenas condies para o recebimento de turistas.

    A formao histrico-cultural, dever ser explorada de maneira sustentvel por toda a regio. J foi criada uma rota turstica integrando os municpios e as comunidades com vestgios sobre as misses. Iso pode contribuir atravs da atrao de turistas e da permanncia dos turistas especialmente argentinos que circulam pela regio.

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